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OPINIÃO/IMPRENSA

Jornalismo 171

Washington de Souza Filho

Fatos diversos têm demonstrado a falta de vínculo entre a realidade e decisões da Justiça brasileira. São freqüentes os acontecimentos, com a participação de criminosos de alta periculosidade, por exemplo, ocorridos depois da concessão de benefícios, baseados na legislação, sem uma cuidadosa avaliação da condição desses acusados. Em relação ao jornalismo, a referência é a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), no ano passado, que decidiu suspender a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão, sob a alegação de inconstitucionalidade,

A história, recente, é bem conhecida, mas vale recordar. A partir de uma ação, movida pelo Sindicato das empresas de rádio e televisão de São Paulo, com base no artigo da constituição brasileira que trata do direito à liberdade de expressão, levantou-se a tese de que a exigência do diploma era uma forma de restrição ao exercício do jornalismo, além do fato da lei que regulamentava a profissão ter sido um ato da Junta Militar, que governava o País em 1969. A argumentação nunca correspondeu aos fatos, assim como a referência ao contexto político sempre representou, na verdade, a usurpação de uma reivindicação histórica dos jornalistas.

A formação ganhou outra conotação, a partir da exigência do diploma. No caso da Bahia, por exemplo, onde o curso de jornalismo foi implantado no fim da década de 50, na UFBA (Universidade Federal da Bahia), muitos profissionais em atuação, diversos deles consagrados, inverteram o caminho percorridos pelos jovens, interessados em uma oportunidade nas redações, e foram buscar a formação.

A formação em jornalismo é indiscutível, sempre dependente de necessárias correções. De um único curso, mantido pela UFBA, a quantidade aumentou para quase duas dezenas em todo o Estado, faz pouco mais de 10 anos. Um complicador, para quem considera a educação uma forma de negócio, interessado apenas no lucro. As dificuldades, porém, na área de educação têm sido enfrentadas.

Um fato, da cobertura policial dos meios de comunicação da Bahia, ocorrido na semana passada, é o elo para a esta consideração sobre a Justiça e as suas decisões. No caso do jornalismo, o seu exercício virou uma terra de ninguém, como é possível verificar o episódio da prisão de um cidadão, dito dono de um site, sob a acusação de extorsão. A existência de uma regulamentação, tentativa em curso no Congresso Nacional, teria impedido a ação de quem, de forma arrogante, disse aos jornalistas não considerá-los como colegas, ainda que usasse a profissão como se ela fosse para o benefício dele.

É natural que ele não tenha nenhuma consideração pelos jornalistas. Ser jornalista pressupõe condições estabelecidas pela formação, através de princípios morais e éticos. Da forma preconizada pelo jornalista Cláudio Abramo, no livro A Regra do Jogo, de que a ética de um jornalista não é diferente da que é exigida de qualquer cidadão, por ser uma condição essencial da atividade de um profissional.

A divulgação sucessiva do fato permitiu diversas denominações ao acusado. Uma delas, utilizada pelo Correio – por certo, para diminuir as sucessivas infelicidades em sua primeira página – sintetiza o que é a atuação dos muitos que se consideram jornalistas, porque pensam que podem ser, apenas por considerar que é uma profissão praticada sem limites.

O jornal usou em uma manchete a expressão “jornalista 171”. De certa forma, bastante acertada. O número é uma referência ao artigo do Código Penal que define o crime de estelionato. Infelizmente, para o jornalismo e a sociedade, para muitos, esta ainda é uma forma de querer ser jornalista, exatamente pela falta de qualquer limite.

Washington de Souza Filho é Jornalista, professor da Faculdade de Comunicação (UFBA), atualmente Coordenador do Colegiado de Graduação.

ago
14
Posted on 14-08-2010
Filed Under (Artigos, Rosane) by vitor on 14-08-2010


Bahia imperial (1860)
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Deu no TERRA (Eleições na História)

Rosane Soares Santana

No Brasil Império, a alteração no Código de Processo Criminal, em 1832, representou a mais significativa das reformas liberais da Regência (1831-1840), com impacto direto nas eleições, a partir da criação da figura do juiz de paz. Eleito pelo voto popular, essa nova personagem do jogo político, que, segundo Raimundo Faoro (Os Donos do Poder, Editora Globo), significou um arejamento na magistratura togada herdada de Portugal, tornou-se “a chave da eleição”.

Os juízes de paz passaram a presidir as mesas eleitorais em lugar do juiz de fora e do juiz municipal – os dois últimos membros da magistratura togada -, com auxílio do pároco e dos vereadores. Eram geralmente escolhidos entre pessoas da confiança dos grandes proprietários de terra e de engenhos – quando não eram os próprios -, que controlavam a política municipal graças ao poder econômico. Alguns deles acumulavam ainda cargos na Câmara Municipal, facilitando a manipulação dos resultados eleitorais.

Os juízes de paz surgiram num contexto de renovação do pacto político entre as elites regionais e o governo central, emergido a partir da renúncia de D. Pedro I, em 1831, para atender as aspirações liberais, depois de um período de enorme centralização de poder nas mãos do imperador. Em nível local, a figura do juiz de paz representou, com respaldo da lei, a concentração de mais poder político em mãos do potentado rural, desmandos, abusos e violência.

Com mandato de um ano e direito a reeleição, o juiz de paz era a autoridade policial máxima da localidade, enquanto exercesse a função. Entre suas atribuições, estavam a concessão de fianças, a prisão de criminosos e o combate a desordens. Além disso, competia-lhe presidir a junta de qualificação dos votantes paroquiais, responsáveis pela escolha dos eleitores que elegiam os deputados e senadores.

Um caso típico

Ignácio Anicleto de Souza era padre, proprietário do engenho Amparo da Campina, na Vila de Maragogipe, presidente da Câmara de Vereadores da localidade, no Recôncavo Baiano, e um dos juízes de paz eleito, concentrando em suas mãos, a um só tempo, poder econômico, eclesiástico, judicial e político, o que lhe garantia trânsito fácil nas altas instâncias do poder provincial da Bahia.

Sua força eleitoral era tamanha, que ele destituiu do cargo, por mais de uma vez o concorrente e também juiz de paz Manoel Rodrigues de Souza, assumindo em seu lugar antes mesmo do término do mandato previsto na lei. Também desviou recursos dos cofres públicos municipais, teve contas de sua gestão rejeitadas e, ainda assim, prosseguiu ocupando cargos importantes na Mesa da Câmara de Vereadores da Vila de Maragogipe, além de dobrar o próprio salário, que chegou a atingir 50% dos gastos daquele Legislativo, em 1838.

Em 1835, quando presidia a Câmara de Vereadores da localidade, envolveu-se em um episódio nebuloso. Nada menos do que 1,5 mil réis foram roubados dos cofres municipais, de um total de 2 mil réis destinados pela tesouraria da província para obras públicas. No dia 5 de abril daquele ano, as portas da Câmara amanheceram abertas, sem qualquer sinal de arrombamento, e a quantia havia desaparecido. O juiz municipal isentou possíveis culpados, alegando falta de provas e Anicleto sequer foi questionado por isso.

Os deputados provinciais Manoel Maria do Amaral e Cristóvão Pessoa da Silva Filho, respectivamente, escriturário da Junta da Fazenda e contador da Tesouraria Geral da Província, e membros da Comissão de Fiscalização das Câmaras Municipais, “vendo que não existindo recurso (…) marcado na lei, nada mais resta senão deplorar-se o descaminho que vão tendo os dinheiros públicos”.

Longe de partir para o confronto com o padre-mandão e juiz de paz por mais de um mandato, o poder provincial na Bahia, inclusive os deputados provinciais, como vimos, preferiram ignorar os desmandos de Ignácio Anicleto de Souza, que possuía poderes para controlar boa parte do eleitorado da Vila de Maragogipe e, por isso, mantinha fortes articulações junto à presidência da província, senão teria sido barrado nessa instância. Exemplos como esse se proliferaram no Brasil Império.

Rosane Soares Santana é jornalista, com mestrado em História pela UFBA. Estuda o Poder Legislativo, elites políticas e eleições no Brasil. Integra a cobertura de eleições do Terra.

Veja outros artigos da série “Eleições na história”:

http://terramagazine.terra.com.br/interna

ago
14
Posted on 14-08-2010
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Souto, Wagner e Geddel: tempo de murici na Band

No artigo de hoje, 14, na Tribuna da Bahia, o jornalista Ivan de Carvalho registra que no debate da Band dos candidatos aos governo da Bahia, a estratégia de não agressão recíproca que vinha sendo praticada ultimamente por Paulo Souto, do DEM, e Geddel Vieira Lima, PMDB, evoluiu para uma união no ataque ao governador, pois é de interesse, tanto de Paulo Souto quanto de Geddel, desgastá-lo, já que nas pesquisas recentes o candidato do PT aparece isolado na liderança das intenções de voto.Bahia em Pauta reproduz o texto de Ivan.
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OPINIÃO PÚBLICA

Wagner, o alvo

Ivan de Carvalho

No artigo de hoje, 14, na Tribuna da Bahia, o jornalista Ivan de Carvalho registra que no debate da Band dos candidatos aos governo da Bahia, a estratégia de não agressão recíproca que vinha sendo praticada ultimamente por Paulo Souto, do DEM, e Geddel Vieira Lima, PMDB, evoluiu para uma união no ataque ao governador, pois é de interesse, tanto de Paulo Souto quanto de Geddel, desgastá-lo, já que nas pesquisas recentes o candidato do PT aparece isolado na liderança das intenções de voto.

“Assim, Paulo Souto e Geddel Vieira Lima passaram a cuidar cada um de si e ‘esqueceram-se’ reciprocamente.”

O que já começara a acontecer nesta primeira quinzena de agosto na campanha para governador da Bahia acentuou-se no debate da Band, na noite de quinta-feira. Não se tem aqui o propósito de reproduzir ou sintetizar o debate, pois isto já foi feito à saciedade, ontem, pela mídia eletrônica.

O aspecto principal a ressaltar é o avanço da estratégia adotada – não importa muito se combinada ou se espontânea, fruto apenas de uma coincidência de interesse eleitoral – pelos candidatos a governador Paulo Souto e Geddel Vieira Lima, que representam, respectivamente, as coligações oposicionistas lideradas pelo PMDB e pelo DEM.

Os resultados das pesquisas eleitorais recentes deram ao governador Jaques Wagner uma vantagem altamente expressiva em relação aos dois candidatos já citados, tendo mesmo mostrado o atual governador com mais intenções de votos que a soma de todos os demais aspirantes a morar no Palácio de Ondina.

Isto fez cessar, nos últimos dias, as estocadas, geralmente leves, mas efetivas, que vinham trocando lideranças das coligações lideradas pelo PMDB e pelo DEM. Não adiantaria tentarem um processo de canibalização entre elas e seus candidatos a governador, pois seria um absurdo estratégico disputarem quem iria para o segundo turno, se segundo turno não houvesse.

Assim, Paulo Souto e Geddel Vieira Lima passaram a cuidar cada um de si e “esqueceram-se” reciprocamente. Vale registrar que em matéria de críticas públicas recíprocas, Geddel vinha sendo bem mais ativo ou persistente que Souto, talvez porque este vinha (e ainda vem) apresentando uma vantagem relativa nas pesquisas eleitorais e Geddel gostaria de alcançá-lo, sem o que não poderá aspirar a ir a um eventual segundo turno. Se em algum momento da campanha o segundo turno se apresentar como praticamente assegurado, um embate entre Souto e Geddel tende a se restabelecer.

No debate da Band, entretanto, a estratégia de não agressão recíproca que vinha sendo praticada ultimamente evoluiu para uma união (também aqui importa mais o fenômeno do que saber se foi ele combinado ou espontâneo) no ataque ao governador, pois é de interesse, tanto de Paulo Souto quanto de Geddel, desgastá-lo, já que nas pesquisas recentes aparece isolado na liderança das intenções de voto.

Uma ou outra levíssima observação desfavorável surgida no debate da parte de Geddel contra Souto ou vice-versa não descaracteriza o fenômeno. Talvez visasse apenas a não deixá-lo demasiado ostensivo, para que a estratégia – absolutamente natural nas circunstâncias – parecesse, na medida em que fosse percebida pelos telespectadores e pela mídia, espontânea, casual, e, assim, mais eficaz.

Além de enfrentar essa estratégia de seus dois principais concorrentes, o governador Jaques Wagner pagou ainda o preço de estar na liderança das pesquisas somado ao de ser o governador em exercício, o que o torna alvo ideal (e natural) para ataques dos concorrentes. Mesmo Luiz Bassuma, do PV e Marcos Mendes, do Psol, embora estes dois não estivessem engajados na estratégia de Geddel e Souto. Mas como são oposição, privilegiaram o governo e o governador como alvo. Para quem lutou sozinho, Wagner, na minha opinião, teve bom desempenho. Mas a desvantagem dele em debates no cenário atual é inegável e ficou óbvia.

ago
14
Posted on 14-08-2010
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Plinio Arruda: recado para a Globo

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ARTIGO DA SEMANA

BATALHAS NAS TVs

Vitor Hugo Soares

A chapa começa a esquentar no picadeiro e nos bastidores do grande circo da campanha presidencial, que entra em sua fase crucial neste agosto, quando é indispensável mostrar “quem de fato tem farinha para vender na feira”, como dizia o gaúcho Leonel Brizola em temporadas políticas mais empolgantes. O fato é que até já se registram as primeiras ameaças de incêndios e muto “deixa disso” na calda dos debates e sabatinas dos candidatos nas grandes redes de televisão.

Oba, saúda o jornalista que vive de fatos. Finalmente um pouco de sal na sopa insossa de retórica desenxabida servida até aqui aos senhores ouvintes e eleitores. A maioria, segundo os indicativos mais confiáveis, saturada de ouvir o mesmo na fala de pouco brilho, sofrível fluência verbal e praticamente nenhuma proposta nova ou relevante dos principais concorrentes ao posto principal de comando da nação, ao qual seu atual ocupante parece tão apegado.

Mesmo depois de oito anos no cargo, o presidente Lula chora de tirar o lenço toda vez que lembra que terá de desocupar o Palácio do Planalto até o fim do ano. Deu pito nos ministros esta semana e disse que não quer corpo mole antes de janeiro de 2011. Apesar da estafa visível no rosto de quem precisa governar e carregar no muque a campanha de Dilma Rousseff à sua sucessão, Lula parece nem pensar ainda em azeitar os molinetes para “voltar a pescar livremente”, seu sonho de “depois do poder”, dito por onde tem passado ultimamente.

Na Bahia, inclusive, onde José Serra, do PSDB, esteve ontem, uma sexta-feira, 13 de agosto. O tucano paulista desembarcou com tarrafa de pescador de votos, para lançar seu programa de governo para a área de segurança pública, que começa com a criação de um ministério específico para o setor.
Para observadores mais atentos, um aceno a mais, além da relevância que se espera do projeto em si, para tentar apaziguar seus aliados do DEM e, ao mesmo tempo, atender aos apelos mais conservadores do eleitorado da região Nordeste, onde sua candidatura derrapa perigosamente nas mais recentes pesquisas eleitorais de diferentes institutos.Quase me perdi, pois o que quero ressaltar mesmo é o novo e mais interessante momento da disputa eleitoral, patente no primeiro debate conduzido por Ricardo Boechat, na Rede Bandeirantes, e na sabatina de William Bonner e Fátima Bernardes, no Jornal Nacional da Rede Globo.

Como no escaldante e perigoso verão da Rússia, também no invernoso período eleitoral brasileiro começaram a atuar incessantemente, ao mesmo tempo, bombeiros e incendiários de todo tipo. Os primeiros com água jogada de carros e baldes; jatos de espuma lançados de helicópteros e até galhos de árvores batidos na tentativa de apagar o fogo que se espraia. Os segundos, munidos de galões ou litros de gasolina, pavio e fósforo, se esforçam para propagar ainda mais as chamas.

O debate da Band, apesar da reduzida audiência apurada pelos institutos, obteve nos dias seguintes uma surpreendente e extraordinária ressonância pelo país afora, ocupando farto e generoso espaço de repercussão informativa e opinativa nos jornais e revistas da chamada mídia impressa, mas principalmente nos meios eletrônicos – televisões, emissoras de rádio do país inteiro e blogs à frente.
A sabatina dos candidatos pelos normalmente circunspectos, mas, de repente – em alguns momentos – agressivo casal de âncoras William Bonner e Fátima Bernardes, do Jornal Nacional -, esquentou muito mais ainda o tempo na campanha esta semana.

A audiência multiplicada por 10 vezes em relação à concorrente do Morumbi, em São Paulo, deu mais eco e relevância a atos e palavras de Dilma Rousseff, do PT, Marina Silva, do Partido Verde, e José Serra, do PSDB, na Globo. Mais ressonância às palavras e amplitude às imagens naquilo que de melhor e pior fez e disse cada candidato na bancada de primeira classe da televisão. Até Lula protestou, em Minas Gerais, contra o tratamento dispensado à sua candidata no JN.

As conversas de reduzido brilho e interesse na forma e no conteúdo – tanto nas perguntas dos âncoras quanto nas respostas dos candidatos – foram sempre pontuadas por reprimendas severas, “lições” de bom comportamento, advertências e até cortes bruscos da imagem como na interrupção, por determinação de Bonner, das palavras finais de Serra em sua sabatina. As reações dos sabatinados foram diferentes e isso, sem dúvida, deu o molho das entrevistas. Forneceu igualmente o combustível para atear fogo no circo eleitoral.

Mas o auê, como dizem os baianos, não para por aí. A exclusão do candidato Plínio de Arruda Sampaio, do PSOL, da seleta bancada do JN , também ainda rende muito rebuliço nos partidos e na mídia. Afinal, Plínio de Arruda, tratado como um grande e em igualdade de condições com os demais no debate da BAND, foi quem mais surpreendeu e brilhou no estúdio do Morumbi, sob o comando discreto e sempre profissional do jornalista Ricardo Boechat. Virou até celebridade nas ruas, onde até então não passava de “ilustre desconhecido”

A ausência do velho cavalheiro das esquerdas de São Paulo, no tablado principal da Globo, além de causar desapontamentos em muita gente, contribui para aumentar a munição dos incendiários nos dias seguintes.
Sabatinado em casa durante três minutos pelo repórter Tonico Ferreira, o candidato do PSOL lavou a mágoa de quem se considerou tratado como “passageiro de segunda classe”, com o recado que mandou para o Jardim Botânico e foi levado ao ar no tempo extra cedido pela emissora, como condição imposta por Plínio para participar do programa. Um recado educado, diga-se, mas tão severo quanto algumas das reprimendas e lições de Bonner e Fátima nos felizes convidados à sabatina do JN, que acusou o golpe.

“Não é nada, não é nada, não é nada!”, diria a turma do Pasquim antigamente. Mas já é alguma coisa.

Vitor Hugo Soares é jornalista – E-mail: Vitor_soares1@terra.com.br

ago
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Posted on 13-08-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 13-08-2010

Serra na Bahia:segurança em pauta

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OPINIÃO POLÍTICA

A campanha e a segurança

Ivan de Carvalho

Em seu artigo desta sexta-feira, na Tribuna da Bahia, o colunista político Ivan de Carvalho destaca a presença de José Serra em Salvador. À tarde, no restaurante do SENAC, no Pelourinho, o candidato da coligação PSDB-DEM-PTB-PPS, José Serra, anuncia ao país sua proposta para a área da segurança pública. A previsão é de um ato relevante. “Espero que realmente seja”, diz Ivan no texto que BP reproduz.
(VHS)
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Um ato relevante da campanha eleitoral para a Presidência da República está previsto para hoje em Salvador. À tarde, no restaurante do SENAC, no Pelourinho, o candidato da coligação PSDB-DEM-PTB-PPS, José Serra, anuncia ao país sua proposta para a área da segurança pública.

O ato é relevante porque o ex-governador paulista é, inegavelmente, um dos dois principais candidatos a presidente. Somente ele e a candidata governista Dilma Rousseff, do PT, têm chances de vencer as eleições e por em prática (ou não, o que muitas vezes acontece) o que já prometeram e o que ainda vão prometer aos eleitores e, com isso, à sociedade brasileira, durante a campanha.

Também é relevante porque o que José Serra vai apresentar hoje em Salvador, mas para o país, diz respeito a um dos três temas mais essenciais, no momento, à vida e à qualidade de vida dos brasileiros no futuro imediato e mediato. Esses três temas são a saúde, a segurança pública e a educação.

É evidente que existem outros temas igualmente essenciais, a exemplo do representado pela produção de alimentos, pelos valores éticos da sociedade e do Estado, pelo emprego, pela distribuição de renda, pela preservação da democracia e do estado de direito, pela liberdade em seus múltiplos e todos capitais aspectos, liberdade cada vez mais ameaçada por avanços tecnológicos que caminham para produzir o monitoramento do indivíduo e, na sequência, muito possivelmente, o cancelamento de sua liberdade.

Mas no momento atual não há déficit de produção de alimentos no Brasil, os valores éticos só podem ser recuperados, no que estejam faltando, a longo prazo, a oferta de empregos não está numa fase ruim, embora tenha muito que melhorar, sobretudo quanto à qualidade (e aí se insere a educação, bem como na distribuição de renda, mas é bom ressalvar que não só nesses dois casos fundamentais). Quanto à preservação do estado democrático de direito, creio que paira uma ameaça difusa “no ar”, mas não parece haver ainda reunidos – e na intensidade que geraria perigo imediato – os fatores capazes de destruí-lo.

Quanto à liberdade ameaçada por más intenções capacitadas e potencializadas pela tecnologia, este é um problema tão novo quanto complexo e não vejo como abordá-lo como um simples tópico deste artigo. Disto falaremos em outras ocasiões.

Excetuando a ameaça planetária à liberdade do indivíduo, com repercussão em cada país isoladamente, nada, no momento – no que um governo pode interferir – é tão preocupante quanto a saúde, a segurança e a educação. Esta última questão há que ser resolvida progressivamente, exigindo abordagem em prazo muito mais dilatado que a saúde e a segurança pública, ambas intrinsecamente vinculadas à preservação da vida e ambas (como também a educação) em situação extremamente crítica no Brasil, exigindo intervenção massiva, drástica e imediata.

Daí que a proposta do candidato Serra para o setor de segurança me parece tão relevante. Espero que realmente seja. Que ele promete criar um Ministério da Segurança Pública já se sabe, mas importa saber o que significa isto e o que mais ele se compromete a fazer no setor e como pretende fazer. Aliás, Dilma Rousseff, após Serra prometer a criação do Ministério da Segurança Pública, está fazendo às pressas um projeto de combate ao crack. Tudo bem, mas antes do crack tornar-se uma praga, a insegurança pública já o era. Talvez por isto o crack achou tanta facilidade para instalar-se.

ago
12


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BOA NOITE!!!

ago
11

Lula e ACM:  semelhanças?

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Chico Bruno, direto de seu privilegiado observatório que oferece larga e bela vista para o mar e o ceu do litoral norte da Bahia, capricha e dispara sua arma de precisão opinativa. Tem tudo para acertar na mosca, mais uma vez. Confira no Direto da Varanda, que Chico Bruno publica nesta quarta-feira em seu site http://www.chicobruno.com.br/

(VHS)

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Direto da Varanda: Chico Bruno

ACM, Maluf e Lula, o que eles têm em comum

ACM, Maluf e Lula, três caciques políticos e um traço comum.

Os três decidiram eleger sucessores tirados do nada.

ACM fez de João Durval, governador da Bahia.

A gestão de Durval foi um desastre. Não fez o sucessor.

Maluf fez de Celso Pitta, prefeito de São Paulo.

A gestão do prefeito foi constrangedora. Também não fez o sucessor.

Lula quer fazer Dilma Rousseff sua sucessora a qualquer custo.

É uma parada difícil, apesar de contar com a força da máquina do governo federal e da determinação desabusada do presidente Lula, que aposta transformar sua popularidade em votos para Dilma.

Além disso, conta com a “boa vontade” de alguns institutos de pesquisas, de uma parte considerável da mídia, de alguns cientistas políticos e analistas políticos.

Mas, ao que tudo indica essa eleição só será decidida no 2º turno, haja vista, que Marina Silva (PV) deve alcançar algo como 10% dos votos válidos, Plínio de Arruda Sampaio (PSol) pode chegar a 3% e o conjunto dos demais candidatos pode atingir 2% dos votos.

Aí teríamos 15 pontos percentuais.

Uma margem muito grande para Dilma ou Serra abrirem um do outro no primeiro turno.

Se olharmos pelo retrovisor, em 2006 Heloísa Helena (PSol) fez 6,8% e os outros candidatos, somados, 2,9%.

Em 2006 estavam na raia eleitoral Lula, Alckmin e Heloísa e os demais nanicos.

Naquela eleição, passaram para o 2º turno Alckmin (PSDB) com 41% e Lula com 48% dos votos no primeiro turno.

Se Heloísa Helena com menos tempo de TV e um discurso mais radical do que o de Marina conseguiu quase 7% dos votos em 2006, depreende-se que a acreana tem a possibilidade de ter uma votação maior que a de Heloísa.

Além disso, o candidato do PSol só foi apresentado ao distinto público na semana passada, graças ao debate da Band.

Plínio soube aproveitar o momento. Fez o gênero de candidato de protesto.

Sua atuação no debate despertou seu nome na web e na mídia.

Se mantiver o seu desempenho no mesmo nível do debate poderá agregar um cesto de votos inesperado.

Portanto, para se igualar a Maluf e ACM, Lula vai ter que se desdobrar.

Ao que tudo indica, a eleição não se decidirá no 1º turno como quer Lula.

ago
11
Posted on 11-08-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 11-08-2010


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O crescimento nas pesquisas da candidata do PT à presidência da República, Dilma Rousseff, gera questionamentos que vão além dos aspectos meramente eleitorais para o colunista político Ivan de Carvalho, em seu artigo político desta quarta-feira na Tribuna da bahia, reproduzido no BP. A fonte de preocupação é a perspectiva de um período demasiado prolongado sem alternância do avassalador poder do Executivo federal, que, de resto, molda a maioria no Legislativo e, gradualmente, a composição do Supremo Tribunal Federal, para não falar dos tribunais superiores. E molda tanto mais quanto esteja ausente a alternância – não me refiro a pessoas, mas a partido e aliança políticos – na Presidência da República, comenta Ivan. Confira.

(VHS)
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OPINIÃO POLÍTICA

Presidência e alternância

Ivan de Carvalho

Não é possível, pelo menos por enquanto, afirmar com segurança quem o preclaro eleitorado brasileiro vai escolher em outubro para a Presidência da República. Até porque a campanha eleitoral oficial mal começou e a propaganda eleitoral gratuita na televisão e no rádio só terá início no dia 17.

Mas existem alguns fatos que parecem (convém sempre lembrar que as aparências, às vezes, enganam) sugerir um favoritismo para a candidata governista Dilma Duchef, perdão Rousseff, que, aliás, acaba de assumir que seu nome é Lula. Ora, o presidente já proclamou, há algum tempo, que seu nome é Dilma. Seria interessante, para evitar confusões na cabeça do eleitor menos atento, que eles dois afinal se decidissem sobre quem é quem.

No noticiário de ontem, por exemplo, vemos alguns daqueles fatos. Em Minas Gerais, o candidato a governador Anastasia, do PSDB e apoiado por Aécio Neves, gasta tempo explicando a razão da ausência do nome do candidato tucano a presidente, José Serra, em algumas peças da propaganda dele, Anastasia: é “em respeito” a alguns de seus aliados, integrantes de partidos que têm aliança com o PT para a presidência da República.

Noticia-se também que Serra e o presidente nacional do DEM, deputado Rodrigo Maia, romperam relações e que Aécio Neves e outros bombeiros estão em ação para consertar as coisas. Notícias dão conta também de que cresce a “vontade” dos ratos de saltarem do navio, isto é, de políticos desembarcarem da candidatura tucana. E enquanto isso o próprio Serra admite que está tendo dificuldade para coletar recursos financeiros para sua campanha – realidade que constitui motivo de insatisfação de apoiadores do candidato tucano em vários lugares.

Quanto a mim, admito que estou relacionando estes sinais (e outros existem, no mesmo sentido) com certa preocupação. Não que eu tenha alma tucana ou preferência pela candidatura a presidente do ex-senador, ex-prefeito paulistano, ex-governador paulista e ex-ministro do Planejamento e da Saúde. Não é nem um pouco Serra que me comove nem sua situação que me incomoda.

A fonte de preocupação é a perspectiva de um período demasiado prolongado sem alternância do avassalador poder do Executivo federal, que, de resto, molda a maioria no Legislativo e, gradualmente, a composição do Supremo Tribunal Federal, para não falar dos tribunais superiores. E molda tanto mais quanto esteja ausente a alternância – não me refiro a pessoas, mas a partido e aliança políticos – na Presidência da República.

O Estado vai sendo progressivamente aparelhado e não é possível deixar de reconhecer que, se alguns outros partidos aparelharam o Estado até um certo patamar, o que é tradição no Brasil, o PT tem demonstrado claramente que, para ele, não existem limites. O PT tem experimentado transformações, boas e ruins, mas não é um partido “normal”. O avanço do aparelhamento e a mão grande que isso estende sobre a sociedade dependem tão só do tempo em que o partido consiga deter, sem interrupção, o poder central.

Com Lula, estará nele oito anos. Dilma eleita para um mandato, serão doze anos. Se reeleita, 16. Mas se Lula volta após um único mandato de Dilma, poderá reeleger-se e então seriam 20 anos. Após 16 ou 20 anos, o que restará da oposição e que forças sobrarão à sociedade para mudar de rumo? Talvez consiga isso como a sociedade mexicana conseguiu – após seis décadas de domínio total do Partido Revolucionário Institucional (PRI), um fenômeno que deveria estar sendo estudado em regime de urgência urgentíssima por todos os que tenham alguma responsabilidade pelo futuro da democracia brasileira.

Wagner: “haverá segundo turno”?

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Olha a inconstante e volúvel núvem da política de que falam os mineiros mudando de forma outra vez. E isso não é em Minas Gerais, não, mas na Bahia sim senhor!
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Em seu artigo desta terça-feira, na Tribuna da Bahia, o jornalista político Ivan de Carvalho assinala: Quando ficaram definidas as três principais candidaturas a governador – Jaques Wagner, do PT, para a reeleição, Paulo Souto, do DEM e Geddel Vieira Lima, do PMDB – uma idéia consensual entre os políticos e na mídia passou a ser enunciada como uma espécie de mantra, embora não estejamos na Índia e adjacências: “Vai haver segundo turno”. Com a variante mais enfática e até mais freqüente: “O segundo turno está garantido”.
“Bem, houve de então para cá uma mutação no cenário político baiano, mais especificamente no que diz respeito às eleições de governador,”constata o articulista no texto que Bahia em Pauta reproduz.
(VHS)

OPINIÃO POLÍTICA

Mutabilidade na sucessão

Ivan de Carvalho

Quando ficaram definidas as três principais candidaturas a governador – Jaques Wagner, do PT, para a reeleição, Paulo Souto, do DEM e Geddel Vieira Lima, do PMDB – uma idéia consensual entre os políticos e na mídia passou a ser enunciada como uma espécie de mantra, embora não estejamos na Índia e adjacências: “Vai haver segundo turno”. Com a variante mais enfática e até mais freqüente: “O segundo turno está garantido”.

Bem, houve de então para cá uma mutação no cenário político baiano, mais especificamente no que diz respeito às eleições de governador. Aquele mantra já não é válido. Ante os resultados de pesquisas eleitorais, das quais a última, do Ibope, foi a mais incisiva (até convém aguardar outras, especialmente o próximo Datafolha, para conferir), o mantra foi substituído entre os políticos por uma pergunta: haverá segundo turno?

A resposta é difícil, exceto para videntes ou profetas. Como não sou nem uma coisa nem outra, embora tenha certeza da existência do dom da vidência e da realidade dos profetas, não darei aqui a resposta. Apenas estou reconhecendo uma mudança profunda no cenário, que retira a suposta certeza inicial (da qual eu próprio participava) de que haveria segundo turno na Bahia este ano.

A mudança, como, aliás, já afirmei ontem neste espaço, deveu-se basicamente ao forte investimento político (financeiro, forçoso é admitir, também) que o governo estadual fez em propaganda, movimento que começou para valer no ano passado, ganhando intensidade no segundo semestre e teve um enorme impulso no primeiro semestre deste ano, encerrando-se apenas quando não mais era possível prosseguir, ante a proibição drástica da legislação eleitoral. Enquanto isso, Souto e Geddel tinham a liberdade de se expressar amplamente, mas não os meios.

Aliás, chega a ser espantosa a influência que uma propaganda massiva e bem planejada consegue ter sobre a sociedade baiana (e brasileira) ou a maior parte dela em um relativamente curto período, um período de pouco mais de um ano. Esta é uma das muitas e boas razões que recomendam exorcizar a tese (e a realidade presente) do Estado forte. Este, (in)devidamente aparelhado, sem ter forças que possam neutralizá-lo em caso de necessidade, dominará uma sociedade como a brasileira com extrema facilidade, utilizando-se intensamente da propaganda. E então, “ai Deus, saudade”.

Voltando à questão inicial, a mutação ocorrida no processo sucessório não se deveu somente à propaganda, que foi o elemento básico, mas não único. O governo entregou obras prontas, algumas importantes, o governador usou seu inegável carisma no contato amiudado com o eleitorado e alguns programas e obras foram lançados ou começaram a sair do papel. E a candidata governista a presidente passou à frente de José Serra no conjunto das pesquisas eleitorais, fato relevante.

Mas como houve razões que levaram à mutação que acabei de registrar, outras poderão produzir uma realidade continuamente mutável até as eleições. A propaganda do governo já foi silenciada pela lei. A partir do dia 17 de agosto, Wagner volta a ter propaganda (agora declaradamente eleitoral) no rádio e televisão. No entanto, mais importante é que seus concorrentes, que não tiveram esta oportunidade ainda, passarão a ter também

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09
Posted on 09-08-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 09-08-2010

Geddel e Souto: caminhos cruzados

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“Se Paulo Souto (DEM) e Geddel Vieira Lima (PMDB) decidirem disputar lugar no segundo turno desconstruindo reciprocamente suas candidaturas, então talvez não haja mesmo segundo turno” , opina o jornalista político Ivan de Carvalho em seu artigo desta segunda-feira, na Tribuna da Bahia, que BP reproduz.
(VHS)

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OPINIÃO POLÍTICA

Um lugar no segundo turno

Ivan de Carvalho

A última pesquisa do Ibope não é, certamente, a última palavra na sucessão baiana. O governador Jaques Wagner aparece bem na fotografia, os números do momento lhe dariam a vitória sem necessidade de segundo turno, mas a campanha eleitoral – pelo menos na sua fase oficial e mais aguda, porque a campanha crônica e “antecipada” já vem sendo realizada há meses – está ainda no começo.
Teremos um fato relevante, apesar do horário tardio em que terá início, que é o debate entre os candidatos a governador na Band, na quinta-feira desta semana, uma espécie de desdobramento, sob o aspecto midiático, do debate entre quatro candidatos a presidente, realizado na quinta-feira passada.
A fase mais importante da campanha começa, no entanto, no dia 17 de agosto, data a partir da qual os candidatos vão dispor do horário gratuito de propaganda eleitoral no rádio e na televisão. A partir desse dia, a campanha irá progressivamente se intensificando e despertando um interesse maior dos eleitores, que por enquanto estão muito mais ligados nas coisas do cotidiano deles mesmos e no futebol do que nas eleições.
Assim, há motivos de sobra para afirmar que a pesquisa do Ibope, bem como as de quaisquer outros institutos, que tenham sido ou sejam divulgadas na fase atual, não representam a última palavra. Esta constatação é um lugar comum entre analistas de pesquisas eleitorais e as direções técnicas dos institutos que as realizam, mas vale citá-la, pois corresponde à verdade.
Se os números de pesquisas na atual fase não são a última palavra sobre o que vai acontecer nas eleições, eles representam, no entanto, uma sinalização importante. A credibilidade dos institutos varia, mas há que considerar o conjunto e levá-lo a sério.
No caso da Bahia, convém notar que o governador Wagner teve o privilégio de, durante mais de um ano, ficar falando sem concorrência, através da propaganda de seu governo e isto lhe valeu, sem nenhuma dúvida, a boa posição de que hoje desfruta nas pesquisas. Agora, a legislação eleitoral já não lhe permite manter aquela propaganda, mas se sua candidatura tiver uma preferência clara, objetiva, do presidente Lula, com a imensa popularidade de que dispõe o presidente na Bahia, isto poderá compensar, em parte, o fim da propaganda solitária.
Em síntese: para as oposições, a batalha não é nada fácil. E tudo que foi dito nas linhas precedentes o foi para que se chegasse à seguinte conclusão: as oposições, se quiserem disputar as eleições de governador para valer, terão que traçar já uma estratégia conjunta, cujo ponto mais essencial será (ou seria) não se canibalizarem pelo menos as duas forças principais da oposição, as coligações lideradas pelo DEM e pelo PMDB.
Se Paulo Souto e Geddel Vieira Lima decidirem disputar lugar no segundo turno desconstruindo reciprocamente suas candidaturas, então talvez não haja mesmo segundo turno em que qualquer deles possa estar. Só há uma maneira de um dos dois chegar lá: procederem como companheiros de viagem, considerando adversário apenas o atual líder das pesquisas, o governador, e deixarem que a campanha de cada um e a simpatia do eleitor decida qual dos dois irá para o segundo turno, se o eleitor decidir que haverá um.

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