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Posted on 22-08-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 22-08-2010

Chavez, na Venezuela:  eleições à vista

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Em seu artigo publicado na edição de fim de semana (sábado e domingo) da Tribuna da Bahia, o jornalista político Ivan de Carvalho pega o vôo imaginário de passagem pelo aeroporto de Salvador (já observaram que no horário eleitoral gratuito praticamente nenhum candidato fala mais em retomar a denominação histórica de Aeroporto Dois de Julho?) e instala momentaneamente no Caribe o seu bem equipado observatório de análise e crítica. “Vale fazer um corte para a Venezuela do ditador-presidente Hugo Chávez, onde haverá eleições daqui a um mês,” explica Ivan no texto publicado ontem na TB, que Bahia em Pauta reproduz no domingo, dia melhor para reflexões. Confira. (VHS)
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OPINIÃO POLÍTICA

A liberdade em debate

Ivan de Carvalho

O principal candidato da oposição a presidente, José Serra e seu partido, o PSDB, acusam o governo Lula de haver trabalhado contra a liberdade de imprensa e advertem para a continuidade desse risco caso o PT consiga eleger sua candidata a presidente. O ataque provocou respostas aparentemente indignadas do ministro da Comunicação Social, jornalista Franklin Martins. Também Luiz Dulci, chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, entrou na polêmica, para contestar os tucanos e contra-atacar.

Vale fazer um corte para a Venezuela do ditador-presidente Hugo Chávez, onde haverá eleições daqui a um mês. Lá, por uma coincidência extraordinária, daquelas que têm causa notória e efeitos pretendidos evidentes, o juiz William Páez (o Legislativo na Venezuela é hoje mero apêndice do Executivo chefiado por Chávez e o Judiciário já está bastante submisso ao coronel) proibiu a publicação de qualquer noticiário sobre violência nos jornais do país durante um mês (o período que faltava para as eleições, que nem incluem a Presidência da República).

Por outra coincidência, do mesmo tipo da antes mencionada, a violência – a insegurança pública, que cresceu à moda brasileira na “República Bolivariana da Venezuela” – se tornara o principal tema da campanha da oposição.

Houve uma reação internacional vívida e também uma reação interna bastante intensa para forçar o juiz a “recuar”, como diz o noticiário, em sua decisão. Mas qual foi o recuo? O bravo juiz decidiu que a medida será válida apenas para imagens, e não textos, e apenas para dois jornais: “El Nacional” e “Tal Cual”, críticos do governo de Hugo Chávez.

“Excelente”, diria ironicamente Pedro Mattos, um saudoso amigo meu e colega de profissão.Os dois jornais publicaram uma foto do necrotério da capital com mais de um cadáver por maca e corpos no chão. Magnânimo, em sua reconsideração da decisão, ao manter a censura sobre os dois jornais citados, limitando-as a imagens e liberando textos, o juiz a retirou dos demais, sob o entendimento de que não há motivo para suspeitar que os outros jornais sigam o exemplo dos que fizeram a denúncia relacionada com o necrotério, onde os vitimados pela violência buscam e não encontram um lugar para cair mortos.

Bem, vale lembrar que aqui no Brasil houve uma tentativa do governo – que alegou estar agindo para atender reivindicação da aparelhada Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) – de criar um Conselho Federal de Jornalismo, com atribuições até de punição de jornalistas que, ao ver do Conselho, saíssem da linha, atribuições óbviamente expansíveis, que poderiam levar a uma censura eficaz da atividade jornalística. Outro instrumento cuja criação foi intentada pelo governo Lula foi o de um organismo para normatizar, gerir e estabelecer políticas, inclusive de financiamento, para o setor audiovisual.

Como as reações foram fortes, o governo recuou provisoriamente, mas essas intenções de “controle social” da mídia – uma expressão bonitinha para esconder coisa feia – continuam no programa do PT, inclusive naquele programa que o partido registrou no TSE para ser o programa de governo da candidata Dilma, do que teve de recuar ante as reações setoriais e o sinal de alerta que tal registro emitiu à sociedade brasileira.

ago
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Posted on 21-08-2010
Filed Under (Artigos, Rosane) by vitor on 21-08-2010

DEU NO TERRA (ELEIÇÕES NA HISTÓRIA)

Rosane Santana

A disputa pelas primeiras suplências de deputados gerais e provinciais era bastante acirrada nas eleições do Brasil Império. Com uma elite reduzida a poucos nomes, onde sobressaiam bacharéis em direito, médicos e padres, os mandatos acabavam caindo sempre nas mesmas mãos. Um acordo de cavalheiros entre os eleitos e, tudo indica, o gabinete do Imperador permitia aos suplentes assumirem seus mandatos, enquanto titulares eram nomeados para cargos da alta burocracia, como a presidência de províncias, ministérios e ouvidorias, entre outros.

A alta rotatividade de titulares provocava uma valorização do cargo de suplente e explica o porquê da disputa entre eles por uma melhor posição na lista dos votados, com frequentes pedidos de recontagem, que eram aceitos na medida do prestígio de cada um deles junto ao presidente da província, responsável por validar as eleições, e a quem eram encaminhadas algumas atas em branco para que as preenchesse com nomes de sua preferência.

Como as cédulas eleitorais – por longo período, pedaços de papel com o nome dos candidatos para serem depositados na urna – eram queimadas pelos colégios eleitorais das províncias, após a confecção das atas, supõe-se que a recontagem era algo impossível. No final, funcionava a força da caneta do presidente e o prestígio do postulante, geralmente traduzido pelo poder econômico, devido à posse de grandes extensões de terra, engenhos e escravos e os negócios no comércio de exportação e importação, inclusive de africanos, até a proibição definitiva em 1850.

É preciso ressaltar o caráter da interinidade da suplência, ainda que prolongada, uma vez que ao licenciar-se o titular não perdia o mandato, podendo retomar a sua cadeira, se assim lhe conviesse, mesmo tendo saído para exercer outro mandato eletivo. Era o caso, por exemplo, de deputados provinciais eleitos para a Assembleia Geral (Câmara dos deputados). Em 1835, por exemplo, o bacharel e chefe de Polícia da Cidade da Bahia, Francisco Gonçalves Martins, substituiu na Assembléia Geral o deputado Luis Paulo de Araújo Basto, ex-presidente da Província, voltando a assumir o mandato na Assembléia Provincial da Bahia no ano seguinte, 1836.
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Salvador, Bahia, “a Virgínia brasileira” do Sec XIX
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O Legislativo baiano

Na Bahia do Século XIX, “A Virgínia Brasileira”, segundo Joaquim Nabuco (Um Estadista do Império, Topbooks, 1977), em alusão ao estado americano que mais fez presidentes na história dos EUA – a elite baiana só esteve ausente de cinco ministérios, de um total de 36 existentes no Segundo Reinado-, a suplência de deputado provincial era muito disputada deste a criação das assembleias provinciais, em 1834.

Uma cadeira do legislativo dava a seu ocupante poder para interferir na criação de cargos, aumento de salários e nomeação de apadrinhados numa estrutura política marcada pela barganha e troca de favores entre os parlamentares e suas clientelas.

Dos 74 suplentes identificados nas eleições para as três legislaturas entre 1835 e 1841, durante a Regência e início do Segundo Reinado, um total de 42 assumiu o mandato no período, sendo que 18 na primeira legislatura, a mais longa (1835-1837), 12 na segunda legislatura (1838-1839) e 13 na terceira (1839-1841).

Primeira legislatura – suplentes Antonio Policarpo Cabral, Antonio da Silva Teles, Antonio Calmon Du Pin e Almeida, Antonio Pereira Rebouças, Firmino Joaquim de Souza Velho, Francisco Antonio Ribeiro, Francisco Manuel Gonçalves da Cunha, João Antunes de Azevedo Chaves, João Landislau de Figuredo e Melo, Joaquim Antônio Moitinho, Joaquim de Almeida, José Avelino Barbosa, José Eloy Pessoa da Silva, José Vieira de Faria Aragão e Ataliba, Manuel Ferreira de Araújo Guimarães, Manuel Fulgêncio de Figueiredo, Manoel de Oliveira Mendes, Simão Gomes Ferreira Veloso.

Segunda legislatura – suplentes Antonio Ladislau de Figueiredo Rocha, Caetano Silvestre da Silva, Caetano Vicente de Almeida Júnior, Francisco Marques de Araújo Góes, Francisco Pereira Dutra, Joaquim Antonio Moitinho, Luis Antonio Barbosa d´Almeida, Luiz Barbalho Moniz Fiúza Barreto de Menezes, Manoel José Espínola, Pedro ferreira de Oliveira, Pedro Ferreira de Oliveira, Pedro da Silva Freire e Tito Alexandre Cardoso de Melo.

Terceira legislatura – suplentes André Corsino Pinto Chichorro da Gama, Aprígio José de Souza, Caetano Vicente de Almeida Júnior, Eduardo Ferreira França, Inocêncio Marques de Araújo Góes, João Antônio Sampaio Viana, João José de Almeida Couto, João Maurício Wanderley, João Martiniano Barata, José Antônio de Magalhães Castro, José Emídio dos Santos Tourinho, José Telles de Menezes e Luiz Barbalho Moniz Fiúza Barreto de Menezes.

Rosane Soares Santana é jornalista, com mestrado em História pela UFBA. Estuda o Poder Legislativo, elites políticas e eleições no Brasil. Integra a cobertura de eleições do Terra.

LEIA MAIS ELEIÇÕES NA HISTÓRIA

http://bahiaempauta.com.br/

ago
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Posted on 21-08-2010
Filed Under (Crônica, Janio) by vitor on 21-08-2010

Plínio: “da-lhe velhinho’

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CRÔNICA POLÍTICA/NANICOS

Plínio e os nanicos

Janio Ferreira Soares

O título acima poderia ser o de um desenho animado, onde reinaria uma mistura de personagens que fazem parte do contexto. (Plínio Raposo, ou simplesmente Plínio, é aquele garoto rico e chato que paquera Glória e por isso é inimigo mortal do dono do gibi, o grande Bolinha. Quanto a nanico, é como Fred Flintstone chama carinhosamente seu amigo Barney). Mas a verdade é que o assunto continua sendo a sucessão presidencial, só que dessa vez não falarei de Dilma, Serra ou Marina, mas sim daqueles que estão à margem do processo e são conhecidos exatamente como candidatos nanicos.

Cada um está tendo menos de um minuto na TV para tentar convencer o eleitor de que, por exemplo, Ivan Pinheiro, do Partido Comunista Brasileiro – que promete fechar o senado e reconhecer as FARC como organização política – tem condições de chefiar a nação.

Você também pode optar pelo companheiro Rui Costa Pimenta, do Partido da Causa Operária, que não apresentou nenhuma proposta ao TSE, preferindo governar de acordo com as carências sociais, ou, ainda, escolher Zé Maria, do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado – que foi expulso do PT por ser considerado muito radical – que anuncia a taxação das grandes fortunas e a estatização do sistema financeiro.

Há também a opção pelo bom e velho democrata cristão, Eymael, que tem como grande trunfo a nova versão de seu famoso jingle “Ey, Ey, Eymayel..”, nas versões axé, milonga e sertanejo. Agora vai.

Mas se você quiser garantir o futuro dos bebês, a melhor escolha é Levy Fidelix, do Partido Renovador Trabalhista Brasileiro, que promete uma poupança de dois mil reais para cada recém-nascido, resgatável quando o mesmo fizer 21 anos. Uma espécie de Bolsa Fralda ou Bolsa Xixi, tanto faz.

Quanto a Plínio de Arruda, do PSOL, o papo é outro. Além de pregar um calote na dívida interna, os candidatos morrem de medo do que essa espécie de punk da melhor idade pode aprontar nos debates. Espero que ele honre a fama e revele a verdadeira face de cada um. Como diria Pernalonga: dá-lhe, velhinho!

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura e Turismo de Paulo Afonso, na região do Vale do São Francisco

ago
21
Posted on 21-08-2010
Filed Under (Artigos, Vitor) by vitor on 21-08-2010

Torcida do Ínter: um exemplo

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ARTIGO DA SEMANA

SIMBOLOGIAS GAÚCHAS

Vitor Hugo Soares

A quarta-feira (16 ) foi um dia para não esquecer, e não me refiro como se verá adiante às primeiras apresentações dos candidatos nos programas do chamado horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão, que nem foram tão marcantes assim. Salvo, evidentemente, uma ou outra exceção de brilho criativo na forma e de qualidade no conteúdo, para compensar as inúmeras decepções de praxe.
Um exemplo positivo – é preciso reconhecer por mérito de seus criadores – foi a primeira apresentação da candidata do PT, Dilma Rousseff, receita quase perfeita de jornalismo e propaganda em uma mesma peça. O lado negativo fica por conta da enorme frustração de expectativa, na forma e no conteúdo, causada pelo programa de Marina Silva, do Partido Verde, vendido previamente como cinematográfico avanço da propaganda política, mas que na prática se revela, até aqui, um formidável fiasco como cinema e como propaganda eleitoral.
De volta ao começo destas linhas, devo uma explicação: o que me prendeu até altas horas na quarta diante da tela da TV, na Bahia, foi o memorável espetáculo de gigantes – no gramado, na arquibancada e nas ruas -, produzido pelo duelo entre o Internacional, lá dos pampas gaúchos, e o mexicano Chivas Guadalajara, que levou o time brasileiro à conquista pela segunda vez da Taça Libertadores da América.
Coisa digna de narrativa de Nelson Rodrigues, se vivo estivesse o magistral cronista do Rio de Janeiro nascido em Pernambuco. Espetáculo talhado para “À Sombra das Chuteiras Imortais”, por exemplo, ou para uma daquelas odes fantásticas de grandes poetas ou mestres da literatura ao narrar epopéias dos conquistadores.
No Estádio Beira Rio, símbolo de um país naquela noite, um jogo eletrizante, daqueles capazes de dar enfarte até em quem não curte futebol. O visitante “Chivas” não parecia impressionado com a torcida nem com os prognósticos dos críticos de que os mexicanos haviam feito a longa viagem da América do Norte ao Rio Grande do Sul só para cumprir tabela.
Os craques do Guadalajara jogam apaixonadamente em honra da camisa que vestem. Entram firmes em todas as divididas, manejam a bola com classe quando podem, ou chutam para qualquer lado com disposição de jogadores de várzea, quando necessário. Até estão na frente do placar quando o juiz apita o final do primeiro tempo.
O problema é que do outro lado há ainda mais paixão, garra e entrega. Talento e profissionalismo também, que só com paixão, entrega e vontade não se conquista nada, no máximo se chega ao limiar do gozo incompleto. E os gaúchos viram o placar, ganham as faixas e levantam a taça de melhor time das Américas, pela segunda vez.
Há ainda a destacar o maravilhoso exemplo que vem das arquibancadas, do começo ao fim da partida carregada de símbolos. De fazer chorar de emoção mesmo quem está em Salvador, a milhares quilômetros de distância de Porto Alegre, e nem é torcedor do Inter. Principalmente, quando todas as vozes se juntam para entoar o sucesso nacional dos Mamonas Assassinas, transformado em empolgante hino do time gaúcho: “Você me deixa doidão”, canta a torcida unissonamente enlouquecida para seu time em campo.
Que espetáculo de criatividade, de paixão, garra, união e combate em busca de um objetivo! Quanta diferença, mal comparando, com o que se viu até esta semana na disputa presidencial e mesmo para governadores na maioria dos estados, a Bahia por exemplo! Nesse campo, a marca principal, quando faltam menos de dois meses para a votação no primeiro turno, tem sido o óbvio de um lado, e a indiferença do outro.
Entrei acordado pela madrugada adentro diante da TV na quarta-feira. Queria escutar as últimas notícias da campanha eleitoral por dever de ofício, mas principalmente tinha a esperança de rever as empolgantes imagens do Beira Rio transmitidas para a Bahia durante o jogo. E a expectativa não foi frustrada. No Jornal da Noite, da TV Globo, com William Waack no comando, a cena final foi a torcida do Inter a cantar “Mamonas”, enlouquecida de alegria, para o seu time bicampeão das Américas: “Você me deixa doidão”.
Que maravilha! Depois, antes deitar, penso com meus botões: uma gente e um País assim, capazes de produzir um espetáculo tão belo e tão carregado de simbologia como este no Rio Grande, não podem dar errado. Aproveito então para pedir ao Senhor do Bonfim da Bahia e ao meu Santo Antonio da Glória que os políticos não desmintam ou atrapalhem este caminho de esperança.

E agarro no sono e no sonho!

Vitor Hugo Soares é jornalista -E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

ago
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Posted on 20-08-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 20-08-2010

Jefferson: tiros na campanha de Serra

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“De anteontem para cá, Serra parece estar partindo para o ataque. Mas quanto tempo perdido”… A constatação é do jornalista político Ivan de Carvalho em seu artigo desta sexta-feira na Tribuna da Bahia, que Bahia em Pauta reproduz.
(VHS)
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OPINIÃO POLÍTICA
Oposição é essencial
Ivan de Carvalho

Numa democracia é fundamental que exista oposição efetiva, eficaz. Do contrário, acabará não havendo democracia.

No Brasil, uma oposição suficientemente ampla, consolidada e firme, requisitos de uma oposição eficaz, está faltando desde o começo do primeiro mandato do presidente Lula. Esta não é a única, mas é um das razões fundamentais de estarem ele e seu governo com índices de popularidade e de aprovação tão maravilhosos.
E é também a razão de estar o poste que o presidente escolheu para sucedê-lo, Dilma Ducheff, ora, Rousseff, chegando bem perto deste desígnio, com índices de intenção de voto que tornam um inferno a campanha do seu principal adversário, o tucano José Serra.

Pelo menos na última pesquisa do generoso Instituto Vox Populi, Dilma estaria pronta a ganhar o mandato de presidente sem necessidade de segundo turno, enquanto pelo sisudo Datafolha bastaria que conquistasse três pontos a mais para alcançar esse sonhado objetivo.
Ontem, no seu twitter pessoal, o presidente nacional do PTB, o político que levou a legenda (contra a opinião da grande maioria de sua bancada federal) a integrar a coligação que dá sustentação a Serra, a reclamar e cobrar deste e de sua campanha uma postura oposicionista. “Serra é responsável pela nossa dispersão. Nunca nos reuniu.” – ataca Jefferson, o autor da denúncia que desencadeou o Escândalo do Mensalão, durante o primeiro governo de Lula. E manda um recado para o doce (com Lula) governador tucano de Minas Gerais: “Aécio: se o Lula derrotar o Anastasia (governador e candidato à reeleição com o apoio de Aécio), pois ele não é confrontado, derrotará você. Derrotará a oposição.”

Adverte ainda Jefferson: “Essa história do empresariado paulista fazer Dilma & Geraldo pode dar Dilma e Mercadante. Ninguém se une contra o Lula. Ele esmagará todos.” E prossegue: “Em São Paulo, o Lula desembarcará para destruir a fortaleza tucana. Está na cara. E ninguém atira no Lula, o bonzinho.” E mais: “O legado de Lula é dele. Não adianta os marqueteiros orientarem Serra para ser o sucessor de Lula. Ele fez o testamento para Dilma.”

Várias outras coisas muito interessantes e sensatas escreveu Jeffersson em seu twitter, do que deu conta, com destaque, o Blog do Noblat. No entanto, a história é bem mais antiga. Vem desde o Mensalão, que Jefferson fez explodir. Lula foi quase ao fundo do poço. O PFL, depois Democratas, queria e até tentou levar o escândalo a sério, tirar-lhe as devidas conseqüências políticas. Por muito menos, Fernando Collor, na 25ª hora, teve que renunciar para não ser condenado no processo de impeachment.

Mas uma andorinha só não faz verão. Os vários partidos médios estavam corrompidos pelo Mensalão, que o governo e o PT patrocinavam. O PFL, depois DEM, precisava da parceria do PSDB para fazer a oposição eficaz. Não teve. O PSDB, que tem mania de ser mais esperto do que o resto do mundo, achou que devia deixar Lula “sangrar” e ser um candidato totalmente anêmico à reeleição. Assim, o PSDB o venceria. Então, o PSDB recusou-se a dar o tiro de misericórdia. E foi tamponar os ferimentos. Muito piedoso.
De anteontem para cá, Serra parece estar partindo para o ataque. Mas quanto tempo perdido…


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O título do artigo do jornalista político Ivan de Carvalho na Tribuna da Bahia, esta quinta-feira, é auto-explicativo. Trata da nova mania nacional, que chega à campanha eleitoral em curso com a polêmica do tamanho dos cartazes e paineis de propaganda política, na qual a justiça, com tanto o que fazer, é chamada a se meter. Bahia em Pauta reproduz o texto.

(VHS)
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OPINIÃO POLÍTICA

Mania de regulamentação

Ivan de Carvalho

A campanha eleitoral teve um dia movimentado, ontem, com os programas “gratuitos” de propaganda eleitoral e um debate, promovido pelo jornal Folha de S. Paulo e o portal de internet UOL, entre os três candidatos a presidente que vêm obtendo mais intenções de voto nas pesquisas eleitorais. Numa ação inteligente e criativa, o candidato do Psol, Plínio de Arruda Sampaio, que não foi convidado, “participou” do debate diretamente da biblioteca de sua casa, via Internet, usando uma tática que o noticiário eletrônico já explicou ontem e que certamente está nos jornais de hoje. Para completar, o presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Sergipe sofreu um atentado e o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, o ministro Lewandovsky, do STF, foi a Aracaju ver de perto a situação.

Mas não é sobre quaisquer dos fatos mencionados no parágrafo anterior que pretendo tratar. Uma das coisas que me parecem interessantes é uma briga – envolvendo o PT, o PSDB e o Tribunal Superior Eleitoral – por causa do tamanho de um único cartaz. A ministra Nancy Andrighi, do TSE, fixou ontem prazo de 24 horas para que funcionários da área de engenharia do tribunal verifiquem o tamanho exato do solitário painel da candidata Dilma Ducheff, digo, Rousseff, do PT, tamanho (não o cartaz) impugnado pela coligação do candidato José Serra, do PSDB.

O painel foi posto no comitê central da campanha petista a presidente da República e o PSDB entrou com representação junto ao TSE, alegando, apenas com a juntada de fotos como prova, que o painel de Dilma extrapola o tamanho de quatro metros quadrados, máximo permitido pela lei eleitoral para esse tipo de propaganda.

Escreveu a ministra em seu despacho: “Embora o representante afirme que a placa objeto da representação esteja fora dos padrões estabelecidos pela Lei Eleitoral, não é possível constatar esse fato apenas pelo exame do material fotográfico”. Talvez até fosse possível, com acuradas, mas não misteriosas técnicas de medição pelo exame de fotografias, mas de qualquer modo isso seria talvez um meio mais complexo e mais demorado para se ter uma resposta que a simples ida de pessoal de engenharia do TSE ao local, portando uma trena ou uma fita métrica.

De qualquer modo, sabiamente escreveu a ministra na conclusão de seu despacho: “Diante disso (a mera juntada de fotos, que supostamente não permitiriam a verificação das medidas do painel), antes de apreciar o pedido liminar, determino que, no prazo de vinte e quatro horas, seja efetuada, por servidor da área de engenharia do TSE, acompanhado por oficial de justiça, a medição da placa afixada”.

Creio que com esta canetada, a ministra Andrighi obterá os elementos necessários para resolver tão relevante questão (falo sério, garanto, pois se trata do cumprimento da lei pela campanha de aspirante oficial ao presidente da República) para o país. É como se, à maneira de Alexandre, passasse o nó górdio a fio de espada.

Se, além da campanha de Dilma (caso o painel tenha mais que o tamanho permitido por lei), alguém merecer uma condenação, certamente não seria a ministra autora do surpreendente despacho, pois foi forçada a este por dispositivo idiota de uma lei. Condenado deve ser quem produziu a besteira legislativa (o Congresso) e quem a sancionou, quando poderia vetá-la. Mania de regulamentação.

ago
18
Posted on 18-08-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 18-08-2010

Lídice e Pinheiro:  sombras nas pesquisas

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De olho nos índices conflitantes nas pesquisas dos principais institutos do país, o jornalista político Ivan de Carvalho assinala em seu atrtigo de hoje na Tribuna da Bahia, que muito se tem falado nos levantamentos que procuram medir as intenções de voto nos candidatos a presidente da República e a governador, o que é natural.Isso, no entanto, deixa numa zona de sombra os resultados dessas pesquisas em relação às duas cadeiras de senador disputadas este ano em cada unidade da Federação.O caso baiano é exemplar: “As coisas complicam, e complicam feio, é quanto a quem estaria disputando a segunda cadeira de senador,”
diz o colunista no texto que Bahia em Pauta reproduz.

(VHS)
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OPINIÃO POLÍTICA

PESQUISAS E BRUXARIAS

Ivan de Carvalho

Muito se tem falado nas pesquisas que procuram medir as intenções de voto nos candidatos a presidente da República e a governador, o que é natural, mas isso deixa numa zona de sombra os resultados dessas pesquisas em relação às duas cadeiras de senador disputadas este ano em cada unidade da Federação.
Talvez a disputa que envolve a composição do Senado Federal deva ser olhada com mais atenção pelo eleitorado, pela mídia e, enfim, por toda a sociedade. Os mais de sete anos e meio do governo Lula deram ao país uma idéia da importância dessa composição, melhor dizendo, da importância que o Senado teve e poderá continuar tendo.
O que se viu nos anos recentes é que o governo Lula dominou – graças ao fato de ser o governo, graças ao Mensalão e graças à partilha, agora insistentemente chamada de “loteamento” político-partidário da administração federal direta e indireta – amplamente a Câmara dos Deputados.
Seu domínio desta Casa do Congresso Nacional foi incontrastável e se tornou absoluto no segundo mandato, quando também a banda oposicionista do PMDB, sob a liderança do presidente nacional do partido, Michel Temer, tornou-se governista e passou a participar do governo. O PMDB do Senado já o fazia desde o primeiro mandato.
No cenário descrito, o Poder Executivo poderia fazer praticamente tudo e a única barreira que encontraria, eventualmente, seria o Supremo Tribunal Federal, ainda que este esteja quase totalmente composto, hoje, por ministros escolhidos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e aprovados pelo Senado.
No entanto, graças ao Senado e sua composição durante o atual governo, o presidente da República, apesar de sua imensa popularidade, não ficou totalmente livre para impor sua vontade ao país e o STF não foi obrigado a funcionar sempre como único dique a eventuais intenções inadequadas ou nocivas do Poder Executivo. Antes do STF, o Senado Federal ofereceu a primeira e eficaz resistência.
Em alguns casos – talvez o mais notório haja sido o da tentativa de impor a continuidade da CPMF, já aí em forma permanente e não mais supostamente “provisória” – mesmo o STF não teria condições de fazer o que o Senado fez. A proposta não era inconstitucional. A corte suprema não teria como derrubá-la.
Bem, duas pesquisas eleitorais foram recentemente feitas na Bahia, incluindo amostragem para as eleições dos dois senadores. O Vox Populi pesquisou de 7 a 10 de agosto. O Datafolha, de 9 a 12. Em ambas, César Borges, do PR e integrante da coligação liderada pelo PMDB, aparece com grande vantagem. Tem 35 por cento das intenções de voto no Vox Populi e 36 por cento no Datafolha (três pontos a mais que na sondagem anterior deste instituto).
As coisas complicam, e complicam feio, é quanto a quem estaria disputando a segunda cadeira de senador. Para o Datafolha, é a socialista Lídice da Mata, da coligação liderada pelo PT, com 20 por cento das intenções de voto, dois pontos a menos que na sondagem anterior do mesmo instituto. Em terceiro, em seus calcanhares, Walter Pinheiro, com 17 por cento – um ponto a menos que no Datafolha precedente.
Bruxaria: o Vox Populi, sob encomenda da TV Bandeirantes, coloca Pinheiro, do PT, em segundo lugar, com 27 por cento (dez pontos a mais do que ele obteve no Vox Populi) e aponta Lídice com 17 pontos percentuais – exatamente o que Pinheiro tinha no Datafolha.
quisas para o

ago
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Direto de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, a arquiteta Helga Correia, amiga e estimuladora do Bahia em Pauta desde o seu nascimento, manda por e-mail para o editor um texto sobre a primeira polêmica do horário eleitoral gratuito iniciado nesta terça-feira, 17: o jingle da campanha do candidato do PSDB , Jose Serra, chamado de Zé na letra cuja primeira referência é Lula. Bahia em Pauta reproduz, com agradecimentos a Jorge Furtado, autor do texto, e a Helque, que o enviou para BP.Confira.

(VHS)

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OPINIÃO/HORÁRIO ELEITORAL

Crise de identidade: o jingle de Serra

Por Jorge Furtado( em http://www.casacinepoa.com.br/o-blog/jorge-furtado )

O jingle do candidato José Serra acumula as funções de tentativa de fraude e confissão de derrota.

Fraude porque mente (insistentemente) ao dizer que José Serra é o candidato da continuidade e não da oposição. O jingle mais do que sugere, afirma que Serra – subitamente transformado em Zé – é o cidadão de origem humilde que “foi a luta e venceu”, como o Lula, e por isso é o melhor candidato para o “Brasil seguir em frente”.

Nos últimos sete anos e meio, a oposição – e sua imprensa – referiu-se ao Lula como ignorante, analfabeto, bêbado, estuprador de meninos, mentiroso, ladrão e assassino. Hoje, faltando dois meses para a eleição, Lula ocupa o primeiro verso do jingle do candidato desta mesma oposição. “Era brincadeirinha, nós também adoramos o Lula! Apedeuta era elogio, quer dizer ‘fofinho’!”

Confissão de derrota porque nunca em toda a história deste país (ou de qualquer outro, que eu saiba) se ouviu um jingle de um candidato de oposição que incluísse o nome do titular do cargo ao qual este candidato faz oposição. É como se o hino do Flamengo incluísse o nome do Vasco.

O jingle da oposição investe na ignorância ou desatenção do (e)leitor, uma aposta que se tornou um padrão. Não tem dado muito certo. Depois de sete anos e meio de ataques coléricos ao presidente e ao seu governo, os demotucanos chegam à eleição com um jingle em que o refrão grita, com todas as letras, o nome de Lula da Silva, mas não o nome do seu próprio candidato, José Serra.

Quando Lula da Silva sair
É o Zé que eu quero lá
Com Zé Serra eu sei que anda
É o Zé que eu quero lá
José Serra é um brasileiro
Tão guerreiro quanto eu
É um Zé que batalhou
Estudou, foi à luta e venceu
Zé é bom e eu já conheço
Eu já sei quem ele é
Pro Brasil seguir em frente
Sai o Silva e entra o Zé
José Serra foi Ministro
Deputado e Senador
Esse Zé já foi Prefeito
Zé já foi Governador
Tá testado e aprovado
Por tudo que ele já fez
Sempre teve do meu lado
Eu quero Zé Serra dessa vez
(refrão)
Quando Lula da Silva sair
É o Zé que eu quero lá
Agora é Serra Presidente do Brasil

OUÇA
http://joseserra.psdb.org.br/jingle-da-campanha

ago
17
Posted on 17-08-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 17-08-2010


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A Receita Federal calcula que a cada minuto de propaganda eleitoral gratuita, iniciada nesta terça-feira, 17, ela deixa de arrecadar R$ 128 mil. Segundo o blog de José Roberto Toledo, citado por Ricardo Noblat em seu próprio blog, “isso significa que apenas a campanha presidencial, no 1º turno custará R$ 163 milhões aos cofres públicos”. De onde vem, como vem e para onde vai tanto dinheiro é o tema do artigo do jornalista político Ivan de Carvalho, na Tribuna da Bahia, que Bahia em Pauta reproduz.

(VHS)

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OPINIÃO POLÍTICA

Do dinheiro das campanhas

Ivan de Carvalho

Começa hoje o inadequadamente chamado horário de propaganda eleitoral gratuita. Ontem, escrevi neste espaço que ele só é gratuito para os candidatos e partidos, mas não para as emissoras, pois recebem créditos fiscais da União numa compensação pelo tempo obrigatoriamente cedido aos partidos e seus candidatos, em conseqüência de lei.

Se não é gratuito para as emissoras, que recebem pagamento na forma descrita, também não o é para os contribuintes brasileiros, representados pela União. A Receita Federal calcula que a cada minuto de propaganda eleitoral gratuita ela deixa de arrecadar R$ 128 mil. Segundo o blog de José Roberto Toledo, citado por Ricardo Noblat em seu próprio blog, “isso significa que apenas a campanha presidencial, no 1º turno custará R$ 163 milhões aos cofres públicos”.

Acrescentem-se a ela as campanhas de governador no primeiro turno e as de senador e deputados e se terá uma quantia muito mais elevada, muito mais do que dobrando a que corresponde às eleições presidenciais na fase do primeiro turno. E as coisas não param aí, pois em seguida vem o segundo turno, onde ele acontecer. Talvez para presidente e para um número indeterminado de governadores. Bem, numa estimativa superficial, parece-me que o volume total dos créditos fiscais pode facilmente ultrapassar os R$ 400 milhões.

Quanto aos candidatos e os partidos, realmente o legislador – os congressistas, que normalmente são candidatos e assim, em certo sentido, pode-se dizer que legislaram em causa própria, o que ganha um reforço pela esperteza com que dividiram o tempo de propaganda dita gratuita – lhes deu a gratuidade do tempo reservado à propaganda eleitoral no rádio e televisão.

Mas se o tempo é gratuito, não o é a produção dos programas eleitorais e das inserções de propaganda eleitoral na programação geral das emissoras. Tem um custo altíssimo, que leva uma grande parte (mas não diria que a maioria) do que as campanhas arrecadam junto à sociedade. Basta aí lembrar que durante a investigação congressual do grande Escândalo do Mensalão, o publicitário Duda Mendonça, marqueteiro da candidatura de Lula em 2002, admitiu ter recebido US$ 10,5 milhões em conta clandestina no exterior, pois, segundo ele, foi informado de que esta maneira ilegal seria a única forma de receber por seus serviços, já que receberia dinheiro de “caixa 2”.

Fico admirado e até um tanto indignado quando vejo políticos, entre eles até pessoas sérias e com boa intenção, insistindo – em nome da igualdade entre os candidatos e da independência deles ante financiadores privados que supostamente deixariam de existir – no financiamento público das campanhas eleitorais. Assim, nós, os contribuintes, que já pagamos o horário gratuito no rádio e TV e também suprimos de recursos o Fundo Partidário, pagaríamos também os gastos com a produção dos programas e inserções de propaganda eleitoral na TV e rádio, a parafernália da preparação e realização de comícios, com montagem de palanques, aluguel de ônibus para levar o distinto público para as praças, lanchinhos e refrigerantes, panfletos, cartazes, banners, foguetórios.

Pegariam o nosso dinheiro, fariam com ele a contabilidade oficial das campanhas e, por baixo dos panos, fornicariam com o Caixa 2.

ago
16
Posted on 16-08-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 16-08-2010

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Em seu artigo na Tribuna da Bahia nesta segunda-feira, 16, o jornalista político Ivan de Carvalho comenta sobre o início amanhã, do horário gratuito de propaganda eleitoral no rádio e televisão, acompanhado pelas inserções também gratuitas de propaganda eleitoral, ao longo do dia. No texto que Bahia em Pauta reproduz, Ivan alerta para esta etapa decisiva da campanha eleitoral, tempo aproveitado por alguns candidatos, partidos e marqueteiros para vender gato por lebre.

(VHS)
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OPINIÃO POLÍTICA

Não aceite gato por lebre

Ivan de Carvalho

Começa amanhã o horário gratuito de propaganda eleitoral no rádio e televisão, acompanhado também pelas inserções também gratuitas de propaganda eleitoral, ao longo do dia.
A gratuidade aí não é uma palavra que mostre toda a realidade, pois, no final da história, quem paga a conta é o contribuinte. Esse tempo dedicado à propaganda eleitoral só é gratuito para os candidatos e os partidos. O Estado brasileiro compensa as emissoras com um benefício fiscal e elas, assim, não estão dando de graça o seu tempo.
Indireta, mas muito concretamente, o contribuinte brasileiro – a sociedade – é que sofre o ônus. Presumem o legislador, em particular e o Estado, em geral, que seja justo o contribuinte pagar, pois, como eleitor, ele se “beneficia” da propaganda eleitoral gratuita no rádio e televisão, dela absorvendo informações que o ajudarão a escolher os candidatos que, entenderia ele, devem governar seu país, seu estado ou seu município.
Lamentavelmente, os partidos e candidatos – com as raras e honrosas exceções de praxe – não costumam utilizar os programas e inserções gratuitos para informar os eleitores sobre os seus reais propósitos e condições de governar, no Executivo ou no Legislativo.
Preferem estudar, através de refinadas pesquisas de opinião dos eleitores, o que estes querem ouvir para exatamente isto lhes falar. Saber o que pode atrair o apoio de segmentos da sociedade – jovens, mulheres, trabalhadores, empresários, evangélicos, católicos, aposentados, idosos, jovens, homossexuais, deficientes (desculpem, pessoas com necessidades especiais, pois a cada dia mudam a maneira politicamente correta de denominá-los) para assumirem posições e comportamentos simpáticos, para entrarem em aparente sintonia com tais segmentos.
Depois das eleições, se eleitos e após empossados, então os eleitores menos desatentos verão a grande distância que na grande maioria dos casos separa o que se diz nas campanhas eleitorais do que se faz nos governos, seja no Poder Executivo, seja no Poder Legislativo. Um dia, Fernando Henrique Cardoso candidatou-se a presidente da República e usou a imagem da mão humana com os seus cinco dedos para destacar as que seriam as cinco prioridades de seu governo.
Segurança pública era uma delas. E tudo que ele fez nos seus oito anos a este respeito, enquanto a violência crescia e espantava o país, foi declarar algumas vezes que a situação chegara “aos limites do intolerável” ou “aos limites do inaceitável”. Muito otimismo, pois já passara desses limites.
Ruim a “atuação” de FHC nesse aspecto? Pois Lula fez ainda pior. Pois, como FHC, nada realizou, na prática, pela segurança pública (não me venham com essa conversa besta de tecnoburocrata falar do esquálido Pronasci) e continuou assim mesmo quando a violência e a criminalidade organizada ultrapassaram, por quilômetros e léguas, os limites entre o tolerável e o intolerável, entre o aceitável e o inaceitável. Com FHC já haviam ultrapassado, sim, mas nos oito anos de Lula só houve piora, com exceção, talvez, de São Paulo, mas não por ação federal.
Assim, veja e ouça a propaganda eleitoral “gratuita”, mas fique muito atento para que não lhe vendam gato por lebre.

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