DO G1 – Jornal Nacional

Literatura de Cordel vira patrimônio cultural

Literatura de Cordel vira patrimônio cultural

A literatura de cordel foi reconhecida, nesta quarta-feira (19), como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro. O título foi concedido por unanimidade pelo Conselho Consultivo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A reunião ocorreu no Rio de Janeiro, com presença de representantes do Ministério da Cultura e da Academia Brasileira de Literatura de Cordel. (Veja vídeo acima)

Em Pernambuco, o gênero ganha destaque em festivais e com o Museu do Cordel Olegário Fernandes, em Caruaru, reformado em 2013.

 
 
Literatura de cordel é reconhecida como patrimônio cultural

Literatura de cordel é reconhecida como patrimônio cultural

No mesmo município, a literatura também é valorizada pela Academia Caruaruense de Literatura de Cordel (ACLC), criada em 2005 com o objetivo de valorizar os poetas do passado e incentivar os futuros cordelistas. As homenagens ao gênero são feitas sobretudo em novembro, mês em que é celebrado o Dia da Literatura de Cordel. (Veja vídeo acima)

De acordo com a pesquisadora e escritora Maria Alice Amorim, que estudou a literatura de cordel no mestrado e doutorado, o título é uma forma de reconhecer um gênero que já sofreu preconceitos.

“Embora seja uma tradição reconhecida e admirada, ela também sofre uma série de preconceitos e, consequentemente, exclusões de alguns nichos literários devido ao caráter popular”, explica.

 

Literatura de cordel virou patrimônio cultural — Foto: Oton Veiga/TV Globo Literatura de cordel virou patrimônio cultural — Foto: Oton Veiga/TV Globo

Literatura de cordel virou patrimônio cultural — Foto: Oton Veiga/TV Globo

Maria Alice, no entanto, acredita que a riqueza do gênero supera as discriminações já sofridas pelas produções e pelos escritores.

“Por ter esse caráter de uma tradição popular, de livros que são feitos de uma forma mais artesanal, com materiais mais baratos, existe esse preconceito. Só que na verdade, enquanto discurso poético, o cordel é muito rico e refinado, porque necessita de uma técnica de métrica e rima”, observa.

Com o título, a pesquisadora acredita que a literatura de cordel ganha força para ser perpetuada. “Essa salvaguarda vai garantir que a tradição permaneça viva e que outras pessoas possam desenvolver o talento poético pra poesia de cordel”, afirma.

 

Literatura de cordel é comumente exibida em cordões em feiras e editoras — Foto: Oton Veiga/TV Globo Literatura de cordel é comumente exibida em cordões em feiras e editoras — Foto: Oton Veiga/TV Globo

Literatura de cordel é comumente exibida em cordões em feiras e editoras — Foto: Oton Veiga/TV Globo

Estilo

Em texto postado no site, o Iphan informa que a literatura de cordel teve início no Norte e no Nordeste e o estilo se espalhou por todo o Brasil, principalmente por causa do processo de migração populacional.

Hoje, de acordo com o Instituto, o gênero circula com maior intensidade na Paraíba, Pernambuco, Ceará, Maranhão, Pará, Rio Grande do Norte, Alagoas, Sergipe, Bahia, Minas Gerais, Distrito Federal, Rio de Janeiro e São Paulo.

A expressão cultural retrata o imaginário coletivo, a memória social e o ponto de vista dos poetas a respeito de acontecimentos vividos ou imaginados.

DO EL PAIS

O candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad, nesta segunda em Curitiba.
O candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad, nesta segunda em Curitiba. Rodolfo Buhrer REUTERS

 

Quando o jornal O Estado de S.Paulo realizou, no final de agosto, uma série de sabatinas com os formuladores das propostas econômicas de cada um dos presidenciáveis, o Partido dos Trabalhadores apontou como seu representante o ex-presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Marcio Pochmann. Aos 56 anos e professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Pochmann tem larga militância no PT — atualmente é candidato a deputado federal e presidente da Fundação Perseu Abramo, braço formativo do partido. Ele é também um dos maiores representantes da ala mais desenvolvimentista do petismo: na sabatina do Estadão, por exemplo, disse que a Previdência “não precisa de uma reformulação geral”, mas de “mudanças pontuais”. Frases que soam a heresia nos ouvidos do mercado financeiro.

Menos de um mês depois, o tradicional programa de entrevistas Roda Viva, da TV Cultura, organizou uma edição com economistas indicados pelos principais candidatos à Presidência da República. Na bancada reservada ao PT já não estava Pochmann, mas o economista Ricardo Carneiro. Também professor da Unicamp, Carneiro está muito longe de ser um liberal, mas o fato de ele ter sido escalado para participar do encontro televisivo — e o que ele disse ali — é sintomático de um passo que o agora candidato da sigla, Fernando Haddad, começa a ensaiar. Consolidado no segundo lugar nas pesquisas de opinião, Haddad passou a enviar sinais públicos de que, se eleito, não dará um “cavalo de pau” à esquerda na economia e de que quer preservar pontes com o setor financeiro.

“O Ricardo [Carneiro] é mais cuidadoso com a questão fiscal do que o Marcio [Pochmann]”, diz um economista próximo ao PT.O economista Ricardo Carneiro.O economista Ricardo Carneiro. Reprodução TV Cultura

 No Roda Viva desta segunda à noite, Carneiro contracenou com os economistas Persio Arida (coordenador do programa econômico de Geraldo Alckmin), Mauro Benevides (Ciro Gomes) e Bazileu Margarido (representando Marina Silva). Se Carneiro manteve a defesa de uma linha desenvolvimentista, a partir principalmente da criação de um orçamento próprio para investimentos, também é verdade que adotou um tom mais conciliatório. “Nós achamos que existe um problema fiscal e que o déficit [público] é uma das dimensões. A nossa diferença é o timing no qual você vai defender esse déficit. Estamos propondo que você zere o déficit em quatro anos, não dois”, afirmou o economista do PT no programa. “Nós não pretendemos, para financiar investimentos, aumentar o déficit. Nós pretendemos depois discutir como remanejar um conjunto de despesas importantes para fazer esses investimentos”.

Outro tema abordado por Carneiro foi a emenda constitucional sancionada pelo presidente Michel Temer que limita o crescimento do gasto público — e que o PT promete revogar caso volte ao poder. “Nós não concordamos com a regra do teto [de gastos] corrigida pela inflação. Tira completamente a flexibilidade, ela não é razoável numa economia em que você precisa ampliar os gastos per capita em educação e saúde e em que a Previdência vai crescer inevitavelmente […] Então, primeiro é uma regra fiscal que para nós poderia ser a indexação pelo PIB (Produto Interno Bruto), porque isso mantém a carga tributária constante”, declarou.

O tom menos radical foi percebido inclusive por especialistas que militam no espectro oposto do pensamento econômico. Para Fernando de Holanda Barbosa Filho, professor da Escola Brasileira de Economia e Finanças, da Fundação Getúlio Vargas, Carneiro tentou empreender uma “mudança retórica” no discurso do PT, mas que “não combina” com o programa que o partido vinha defendendo publicamente desde o início da campanha. “Ele não falou, por exemplo, do uso das reservas internacionais, algo que até do ponto de vista legal é complicado”, diz.

As declarações mais moderadas do economista do PT não foram a única sinalização recente de que, na área econômica, a campanha de Haddad terá cada vez menos a cara do ex-presidente do Ipea. Em sabatina na segunda, o presidenciável foi questionado sobre as opiniões de Pochmann, e tratou de diluir seu protagonismo: “O Marcio [Pochmann] é um professor, candidato a deputado federal e uma pessoa independente do ponto de vista intelectual. Ele participou [do programa de governo] como 300 outras pessoas participaram”.

Nesta quarta, quando questionado sobre o perfil de seu eventual ministro da Fazenda, Haddad disse que seu escolhido vai ter perfil pragmático“, “sem ser sectário”. O perfil, segundo ele, é o dele mesmo. “Os economistas figurões são muito sectários, acham que são donos da verdade. Quando você está no Governo, tem de ter jogo de cintura, pragmatismo e flexibilidade para saber buscar a solução”, seguiu.

Mais Lula, menos Dilma

Como até o início da semana passada todas as atenções da campanha do PT estavam centradas na operação de substituição da candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por Haddad, uma série de questões ficaram em segundo plano no comitê petista. Entre eles, quem seria o porta-voz da política econômica de um eventual retorno de um presidente do partido ao Palácio do Planalto.

Agora, Haddad passa a discutir com seus assessores econômicos os detalhes da mensagem que quer empunhar. A de que, apesar da polarização atual da sociedade brasileira, não está disposto a empreender uma aventura radical na condução da economia; que será fiscalmente responsável e planeja promover uma administração na qual os investidores tenham previsibilidade e segurança jurídica. “Não tem bicho-papão”, resume um aliado do candidato.

O problema é encontrar uma maneira de fazer isso renegando o brusco ajuste fiscal promovido pela ex-presidenta Dilma Rousseff após a sua reeleição, quando a então mandatária escolheu para o ministério da Fazenda Joaquim Levy. Logo de largada e de forma oposta ao prometido na campanha, Levy propôs uma série de medidas de corte de despesas e de aumento de arrecadação, mas o tamanho do ajuste e a estagnação da economia — somados ao passado do então ministro como executivo do Bradesco e egresso do cânone neoliberal mundial, a Universidade de Chicago — geraram uma sucessão de crises com o PT e um choque de confiança com parte do eleitorado. Os atritos internos  culminaram, no final de 2015, com a demissão de Levy e a sua substituição por Nelson Barbosa. Até hoje setores do petismo não poupam Dilma pela guinada radical promovida por Levy.

Diante da necessidade de promover um equilibrismo no discurso, Haddad tem investido na linha que pode ser definida como “mais Lula, menos Dilma”. Em entrevista nesta segunda, o candidato repetiu que considera a política econômica dos governos petistas até 2012 “praticamente irretocável”, mas reconheceu que erros foram cometidos. “Em 2013 e 2014, a própria Dilma admite que algumas medidas ela não tomaria. [Ela] cita o caso das desonerações e da [revisão dos contratos no setor de] energia elétrica”, disse Haddad. Soma-se a essa tímida autocrítica o controle dos preços dos combustíveis pela ex-presidenta para reduzir artificialmente a inflação.

Independentemente disso, permanece em aberto na campanha a pergunta: quem será capaz de conduzir esse aceno ao centro com credibilidade e sem incorrer num receituário como o de Levy que poderia ser lido como traição da base? Em 2002, quando se elegeu presidente pela primeira vez, Lula  fez uma “carta ao povo brasileiro” se comprometendo com o equilíbrio fiscal para acalmar os ânimos do mercado, que naquele ano estavam ainda mais voláteis do que agora. Ancorou-se num ministro da Fazenda político — Antonio Palocci — e num presidente do Banco Central — Henrique Meirelles — com longa carreira no setor financeiro e que naquele mesmo ano havia sido eleito deputado federal pelo PSDB. Até o momento, no comitê petista não há um economista com força suficiente para cumprir esse papel. Haddad sinaliza o rol para ele mesmo.

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20
Posted on 20-09-2018
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J. Bosco, no jornal (PA)

 

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Carlos Fernando pede afastamento da Lava Jato

 

O procurador Carlos Fernando Lima, da Lava Jato, acabou de pedir afastamento da força-tarefa, publica Lauro Jardim em sua coluna em O Globo.

“Pedi o afastamento por faltarem alguns meses para a minha aposentadoria. Foram quatro anos e meio de intenso trabalho na Lava-Jato, cumulado com a totalidade de minha função na Procuradoria Regional de São Paulo. Entendo que é preciso haver um afastamento das informações sensíveis da investigação. Por isso meu pedido. Mas serei substituído e o trabalho continuará no mesmo ritmo”.

O procurador foi questionado se teria interesse de entrar para a vida política:

“Não me impressiono por moscas azuis. O futuro são palestras, aulas e advocacia”.

História e ficção

História e ficçãoFERNANDO VICENTE

Um livro de erudição rigorosa pode ser divertido? É raro, mas acontece no caso de Imperiofobia y Leyenda Negra (Imperiofobia e Lenda Negra), de María Elvira Roca Barea, que acabo de terminar. É aguerrido, profundo, polêmico, e é lido sem pausas, como um romance policial em que o leitor voa sobre as páginas para saber quem é o assassino. Confesso que há tempos não lia um livro tão ameno e estimulante.

Seu subtítulo é Roma, Rússia, Estados Unidos e o Império Espanhol. E é verdade que a autora se ocupa também das lendas negras geradas pelos três primeiros impérios, mas sua principal ocupação, com profundidade e utilizando com desenvoltura uma impressionante bibliografia, é a construção intelectual e fictícia que há séculos distorce profundamente a história da Espanha e ridiculariza seu povo. De acordo com ela, ainda está muito viva, porque os próprios espanhóis não quiseram e não souberam contra-atacá-la, dando as costas a essas caricaturas que os apresentavam como fanáticos, perversos, ignorantes e inimigos viscerais da ciência, da modernidade e da civilização.

Segundo Roca Barea, a lenda negra anti-espanhola foi uma operação de propaganda montada e alimentada ao longo do tempo pelo protestantismo especialmente em suas versões anglicana e calvinista —contra o Império Espanhol e a religião católica para afirmar seu próprio nacionalismo, demonizando-os até extremos pavorosos e chegando a privá-los de humanidade. Dá exemplos abundantes e de toda espécie sobre isso: tratados teológicos, livros de história, romances, documentários e filmes de ficção, quadrinhos, piadas e até conversas pós-refeição. A extensão e duração da lenda negra teve a contribuição da indiferença com que o Império Espanhol, primeiro, e depois seus intelectuais, escritores e artistas, em vez de se defender, em muitos casos tornaram sua a lenda negra, avalizando seus excessos e fabricações como parte de uma feroz autocrítica que fazia da Espanha um país intolerante, machista, lascivo e em luta com o espírito científico e a liberdade.

Você sabia que as degolas e esquartejamentos de católicos na Inglaterra de Henrique VIII e da rainha Elizabeth I, e nos Países Baixos de Guilherme de Orange, foram infinitamente mais numerosos do que as torturas e justiçamentos em toda a história da temível Inquisição Espanhola? Sabia que a censura de livros na França, Inglaterra e Alemanha foi tão ou mais severa do que na Espanha? O ensaio de Roca Barea prova tudo isso de maneira inequívoca, mas também inútil, pois, como mostra seu livro —é o mais inquietante dele—, quando uma dessas ficções malignas (hoje diríamos pós-verdades) encarna na história substituindo a verdade, alcança uma solidez e realidade que resiste a todas as críticas e desmentidos e sempre prevalece sobre eles. A ficção traga a história. Por isso, as batalhas de Napoleão narradas por Victor Hugo e Tolstói sempre nos parecem, apesar de seus abundantes erros, mais certas do que as dos historiadores mais rigorosos.

Pois bem, no livro de Roca Barea aparecem historiadores de muito prestígio, como o alemão Leopold von Ranke e o inglês Thomas Macaulay —existem muitos outros pensadores e artistas não menos distintos, como um Voltaire e um Edgar Allan Poe—, que, talvez sem ser conscientes disso, contribuíram para a lenda negra. E perpetraram distorções flagrantes à verdade histórica acomodando em seus livros os fatos de tal modo que confirmaram em vez de refutar os exageros e mentiras inventados para desprestigiar e afundar moral e politicamente o “inimigo” imperial e “papista”. A autora de Imperiofobia y Leyenda Negra não considera que tudo isso venha de uma conspiração conscientemente forjada pelos poderes; tudo isso é, evidentemente, encorajado e às vezes financiado pelo poder, mas também nasce de maneira espontânea, como uma excrecência natural do nacionalismo, que se forma e fortalece sempre contra algo ou alguém, pois precisa de um inimigo a quem odiar para poder subsistir. E a Espanha do Século do Ouro, quando a lenda negra é mais ativa, era o mais poderoso império da Europa e, certamente, o inimigo obrigatório dos países que pretendiam substituí-lo. E das denominações religiosas que queriam ser as mais genuínas herdeiras das verdades bíblicas.

Dessa maneira indireta, o livro de Roca Barea, sem sequer ter proposto tal coisa, questiona as próprias bases da História como uma ciência objetiva, pois sua pesquisa demonstra que em muitos casos nela se infiltra, em razão das circunstâncias e das pressões religiosas e políticas, a ficção como um elemento que desnaturaliza a verdade histórica e a acomoda às urgências ideológicas do poder estabelecido. E não há ácido mais eficaz e inescrupuloso na alteração das verdades históricas do que o nacionalismo, como os espanhóis têm a ocasião de comprovar atualmente com o desafio independentista da Catalunha, que, além de se rebelar contra a Constituição e as leis, se empenha em refazer a história e transformá-la em uma ficção a seu serviço.

O livro de Roca Barea é muito bem escrito, com uma prosa elegante, argumentos pertinentes e por vezes com uma ironia alegre que atenua a gravidade dos assuntos dos quais trata. Salta às vezes do passado remoto à atualidade, para mostrar que há entre ambos uma concatenação secreta e, frequentemente, indica nas notas o dia exato em que fez aquela citação e verificação nos arquivos (algo que, acredito, se faz pela primeira vez).

A autora desse livro extraordinário me dá um puxão de orelhas, em uma de suas páginas, por ter lembrado que o romance como gênero literário esteve proibido na América Espanhola durante os três séculos coloniais, porque as autoridades religiosas e políticas espanholas consideraram que as invenções disparatadas desses livros poderiam confundir os indígenas e distraí-los dos ensinamentos religiosos. É, acho, o único caso na história em que um gênero literário foi proibido. Roca Barea me recorda que naquela época surgiu na Espanha o romance picaresco (poderia ter mencionado também o principal romance: Dom Quixote). Minha afirmação não é parte da lenda negra, mas se trata de uma verdade inequívoca. A proibição, que existiu e foi reiterada várias vezes ao longo daqueles trezentos anos, dizia respeito somente às colônias, não à metrópole. E, ainda que a proibição tenha funcionado no que se refere à publicação de romances, não impediu que, graças ao profuso contrabando, os romances tenham sido lidos fartamente nas colônias americanas. Mas o primeiro romance, como tal, só foi publicado no México, após a independência: El Periquillo Sarniento (1816). Todas as boas histórias da literatura hispano-americana (recomendo as duas melhores, ou seja, a de Enrique Anderson Imbert e a de José Miguel Oviedo) reproduzem essas proibições que, desde meus anos de estudante, sempre me fascinaram. Por que a ficção foi proibida como tal? O resultado foi que, ceifada a fonte natural da ficção, que é o romance, tudo na América Latina passou a ser impregnado pela ficção proibida: não só os gêneros literários como a poesia e o teatro, também a religião, a política e a própria vida da sociedade e das pessoas.

“Un peu d`amour et d`amitié” (Um pouco de amor e de amizade), Gilbert Becaud: uma poderosa canção e um dos mais notáveis intérpretes musicais da França, para ensinar a mais perfeita e verdadeira receita de uma relação duradoura: amor e amizade. Nos dias que correm, lição mais essencial que nunca. Nunca é tarde demais para experimentar.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares) 

Pesquisa Ibope divulgada nesta terça-feira, 18, mostrou um salto de 11 pontos de Fernando Haddad (PT) na corrida ao Palácio do Planalto. Com 19% das intenções de voto, o petista se isola na segunda colocação na disputa liderada por Jair Bolsonaro (PSL), que oscilou dois pontos para cima e alcança agora 28%. Ciro Gomes (PDT) não se moveu em relação à pesquisa anterior: ficou com 11%. Marina Silva (Rede) caiu de 9% para 6%. Já o tucano Geraldo Alckmin, dono do maior tempo de propaganda obrigatória na televisão, oscilou para baixo: de 9% para 7%. Houve ainda uma forte queda dos que declaravam voto branco ou nulo: a cifra foi de 19% para 14%. Os indecisos permaneceram em 7%.

A pesquisa Ibope, feita com 2.506 eleitores ouvidos entre o domingo 16 e esta terça e com margem de erro de dois pontos, é um alento para Bolsonaro, que viu seus índices seguirem em uma tendência de alta mesmo estando hospitalizado desde o dia 6, quando foi alvo de um atentado a faca. O candidato da extrema direita, que se submeteu a uma nova cirurgia na semana passada, não deve voltar a fazer campanha de rua até a votação de primeiro turno, em 7 de outubro. Protegido de ter má performances em debates, ele tem explorado o canal que lhe resta e é sua zona de conforto: as redes sociais. Bolsonaro cresceu especialmente no seguimento para quem ganha mais que 5 salários mínimos, passando de 35% para 41%, segundo Marcia Cavallari, diretora executiva do Ibope Inteligência. Ele conseguiu também diminuir sua resistência entre as mulheres: marca 20% nessa parcela do eleitorado.

As cifras são também um enorme impulso à campanha petista: Haddad só é candidato oficial do partido há uma semana, quando substituiu finalmente o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso em Curitiba e proibido de concorrer por causa da Lei da Ficha Limpa. Havia dúvidas se Lula conseguiria transferir sua intenção de votos, que rondava 40%, ao ex-prefeito de São Paulo. A julgar pelos números, o fenômeno já está ocorrendo e de forma acelerada. Em contrapartida, 49% disseram que não votariam de jeito nenhum em um nome indicado por Lula. A disparada de Haddad é também um revés para Ciro Gomes, que tenta se consolidar como um nome à esquerda com algum apelo entre os antipetistas. No Nordeste, Haddad ultrapassou Ciro e chegou a 31%.

Os números são um balde de água fria incontestável para a Marina Silva, que viu sua candidatura derreter em pouco mais de dez dias, e para Alckmin. O tucano, que é o preferido dos investidores na corrida ao Planalto, não consegue capitalizar a exposição na mídia obrigatória. A campanha do ex-governador de São Paulo voltou a investir na desconstrução de Bolsonaro na TV como maneira de tentar disputar o voto à direita com o militar reformado. O problema é que a candidato de extrema direita é o que tem a porcentagem mais alta de eleitores que dizem que a decisão de votar no deputado é definitiva.

Empate no segundo turno e voto útil

Com os eleitores precocemente de olho no voto útil, os números da rejeição dos candidatos e a simulação de segundo turno ganham ainda mais relevância. Todos os cenários de segundo turno mostram bastante equilíbrio. Na principal simulação de segundo turno, Bolsonaro e Haddad estão rigorosamente empatados, com 40% (outros 15% não sabem e 5% não responderam). Bolsonaro tem 39% contra Ciro (40%). Na simulação de embate direto, Bolsonaro e Alckmin tem 38%.

Já no ranking da rejeição, Jair Bolsonaro tem o nível mais alto de rechaço, com 42% do eleitorado. O índice oscilou um ponto para cima: era 41% no levantamento divulgado no dia 11. Haddad viu sua rejeição crescer: a taxa foi de 23% para 29%.

O Ibope perguntou diretamente sobre o voto útil e 32% disseram estar dispostos a votar em um candidato diferente de sua primeira opção só para evitar a vitória de um concorrente: 14% disseram que a possibilidade de fazer isso é muito alta, enquanto 18% disseram que essa possibilidade é alta.

Na quinta-feira, o Datafolha deve divulgar um novo levantamento nacional.

OS PRINCIPAIS NÚMEROS DA PESQUISA

INTENÇÃO DE VOTO

(Entre parênteses o índice de cada candidato na pesquisa anterior, aplicada entre os dias 8 e 10/09)

Jair Bolsonaro (PSL): 28% (26%)

Fernando Haddad (PT): 19% (8%)

Ciro Gomes (PDT): 11% (11%)

Marina Silva (Rede): 6% (9%)

Geraldo Alckmin (PSDB): 7% (9%)

Alvaro Dias (Podemos): 2% (3%)

João Amoêdo (Novo): 2% (3%)

Henrique Meirelles (MDB): 2% (3%)

Cabo Daciolo (Patriota): 1% (1%)

Guilherme Boulos (PSOL): % (0%)

João Goulart Filho (PPL): 0% (0%)

Vera (PSTU): 0% (1%)

Eymael (DC): 0% (0%)

Branco/nulos: 14% (19%)

Não sabe/não respondeu: 7% (7%)

REJEIÇÃO DOS CANDIDATOS

Jair Bolsonaro (PSL): 42% (41%)

Marina Silva (Rede): 26% (24%)

Fernando Haddad (PT): 29% (23%)

Geraldo Alckmin (PSDB): 20% (19%)

Ciro Gomes (PDT): 19% (17%)

Poderia votar em todos: 2% (2%)

Não sabe/não respondeu: 9% (11%)

 “Lucro honesto é a base do desenvolvimento”, diz Mourão a empresários

Por Claudio Dantas

O general Hamilton Mourão almoçou hoje com um grupo de empresários, entre eles Eugênio Mattar (Localiza), Sebastião Bonfim (Centauro) e Michael Klein (Casas Bahia).

O encontro ocorreu na casa do do advogado Nelson Willians, em São Paulo. “Lucro honesto é a base do desenvolvimento de uma nação”, disse o general, vice na chapa da Jair Bolsonaro.

O militar disse que é preciso “coragem” para enfrentar a máquina de privilégios que se tornou o Estado brasileiro.

Citando a bandeira nacional, o general disse que “o Estado tem que prover a ordem, enquanto o progresso é responsabilidade da iniciativa privada”.

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19
Posted on 19-09-2018
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Claudio, no jornal

 

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Posted on 19-09-2018
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O presidente nacional do  Carlos Siqueira, decidiu expulsar nesta terça-feira, 18, o prefeito de Chapecó (SC), Luciano Buligon, do partido. O motivo é a decisão de Buligon de anunciar apoio para a candidatura do presidenciável do PSL nas eleições 2018, Jair Bolsonaro, algo que foi vetado pelo Congr

Buligon já havia usado as redes sociais para se manifestar em favor de Bolsonaro por ocasião do atentado contra o candidato, em 6 de setembro, em Juiz de Fora (MG). Mas foi além e marcou nesta semana um evento para anunciar o apoio oficial ao presidenciável do PSL. Diante das notícias, Siqueira ligou para o prefeito de Chapecó e questionou sobre essa decisão. Na conversa, Luciano Buligon confirmou que passará a pedir votos para Bolsonaro.

Luciano Buligon, prefeito de Chapecó-SC

 
Luciano Buligon, prefeito de Chapecó-SC

Foto: Reprodução/Twitter de Luciano Buligon / Estadão Conteúdo

Em agosto, quando realizou seu Congresso Nacional, o PSB decidiu liberar seus candidatos e os deixou livres para escolhessem quais candidatos à Presidência apoiariam. A única restrição da Executiva foi vetar qualquer apoio justamente a Bolsonaro, o que não seria aceito em “hipótese alguma”.

“Neste contexto, a decisão do senhor prefeito de Chapecó de apoiar o candidato do Partido Social Liberal consiste em iniciativa que afronta decisão colegiada máxima do PSB, fato que enseja a expulsão, sumária. Considerados, portanto, a gravidade da situação que se apresenta e a fidelidade histórica do PSB a seus princípios programáticos e político-ideológicos, que não admite nem mesmo a mais remota proximidade com a extrema-direita, procedo à expulsão do Sr. Luciano Buligon, dos quadros do Partido”, escreveu Carlos Siqueira em sua decisão.

Segundo o presidente do PSB, a ideia do partido é de que a expulsão sirva como alerta a outros filiados inclinados a fazer o mesmo.

Leia a nota completa abaixo:

“O Partido Socialista Brasileiro (PSB) deliberou, em seu Congresso Nacional, Eleitoral realizado no dia 5 de agosto do corrente ano, que apoiaria candidaturas de centro-esquerda nas eleições presidenciais, uma vez não se apresentaria ao pleito com projeto próprio.

Na mesma oportunidade, o partido definiu que não admitiria em hipótese alguma apoio a candidaturas de direita do espectro político-partidário, com destaque para aquela liderada por Jair Bolsonaro.

Cumpre observar que o Congresso Nacional, instância decisória máxima no âmbito do PSB, estabeleceu por meio da Resolução Política ser vetado […] rigorosamente a qualquer membro ou seção partidária, o apoio à candidatura do deputado Jair Bolsonaro […] pelo que ela representa de ameaça à democracia e aos direitos humanos.

Neste contexto, a decisão do senhor prefeito de Chapecó, Santa Catarina, Luciano Buligon, de apoiar o candidato do Partido Social Liberal consiste em iniciativa que afronta decisão colegiada máxima do PSB, fato que enseja a expulsão sumária. Considerados, portanto, a gravidade da situação que se apresenta e a fidelidade histórica do PSB a seus princípios programáticos e político-ideológicos, que não admite nem mesmo a mais remota proximidade com a extrema-direita, procedo à expulsão do Sr. Luciano Buligon, dos quadros do Partido, ad referendum da Comissão Executiva Nacional.

Brasília-DF, 18 de setembro de 2018.

CARLOS SIQUEIRA

Presidente Nacional do Partido Socialista Brasileiro – PSB”

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