dez
14
Posted on 14-12-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 14-12-2017

DO EL PAÍS

Afonso Benites

Brasília

Chegou ao fim nesta quinta-feira a CPMI da JBS. Uma comissão parlamentar mista de inquérito criada para constranger os principais investigadores da cúpula política do Brasil e retirar o foco das investigações da Lava Jato contra uma série de autoridades públicas, como o presidente Michel Temer e dois de seus ministros, Moreira Franco e Eliseu Padilha.

O relatório, que inicialmente pedia o indiciamento do ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e de seu antigo chefe de gabinete, Eduardo Pelella, acabou dando um passo atrás, mas, ainda assim, colocou os procuradores contra a parede. Elaborado pelo peemedebista Carlos Marun – um deputado da tropa de choque do ex-deputado Eduardo Cunha e de Temer – o relatório pediu que o Conselho Superior do Ministério Público investigasse Janot e Pelella. O relator admitiu que faltou materialidade de provas contra os procuradores. “Não fiz apenas uma análise jurídica, mas também comportamental. Em mantendo o indiciamento reconhecendo a materialidade, talvez estivesse cometendo o mesmo erro que foi cometido pelo senhor Janot e pelo senhor Pelella: o açodamento”.

Apesar de a delação da JBS ter revelado o pagamento irregular de 600 milhões de reais a representantes de 28 partidos e de ter citado nominalmente 1.829 políticos que foram eleitos nos últimos anos, nenhum deles aparece como possível responsável pelo recebimento de recursos ilícitos ou de ter cometido qualquer crime. O espírito de corpo, mais uma vez, prevaleceu no relatório de Marun. Além de Temer, Moreira e Padilha, foram poupados no relatório final, apesar de constarem da delação da JBS, nomes como: os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Dilma Rousseff (PT), os senadores Aécio Neves (PSDB-MG) e José Serra (PSDB-SP), os governadores Fernando Pimentel (PT-MG) e Reinaldo Azambuja (PSDB-MS), o ex-governador André Puccinelli (PMDB-MS), o deputado Zeca do PT (MS) e o ex-deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ), Rocha Loures (PMDB-PR) e Geddel Vieira (PMDB-BA).

O documento seria votado nesta quarta-feira, porém, com a sessão do Congresso Nacional, os trabalhos foram adiados para a quinta. Na sexta-feira, Marun deverá ser empossado na Secretaria de Governo, o ministério responsável pela articulação do Planalto com o Legislativo. A ascensão de Marun é uma espécie de promoção para um defensor que atuou com tanto afinco a favor de Temer. A mudança de seu relatório final foi também uma tentativa de não fechar portas com alguns deputados que poderiam votar junto com Temer no Congresso.

O fim da CPMI causou desconforto entre representantes da base governista. “Várias pessoas importantes que deveriam ser investigadas não foram ouvidas. As que aqui vieram ficaram caladas”, afirmou o deputado Fernando Francischini (SD-PR), um dos sub-relatores da CPMI. Entre os que se negaram a se manifestar em seus depoimentos estão os irmãos Wesley e Joesley Batista, ex-controladores da JBS. Convidado para depor, Rodrigo Janot recusou o convite.

No relatório, votado nesta quinta com quórum baixo, Marun pede que os órgãos de fiscalização indiciem os envolvidos direta ou indiretamente na delação da JBS. São eles: Os irmãos Batista, o ex-procurador Marcelo Miller (suspeito de intermediar o acordo de delação da JBS), e dos ex-diretores da empresa Ricardo Saud e Francisco de Assis e Silva, o advogado Willer Tomaz e o procurador Ângelo Goulart Vilela. As acusações feitas pela Comissão têm como base o depoimento do ex-executivo da Odebrecht Rodrigo Tacla Durán, que prestou depoimento à distância aos integrantes da CPMI.

A primeira reação ao relatório foi do senador oposicionista Randolfe Rodrigues (REDE-AP), que recentemente trocou ofensas com Marun na CPMI, quando o chamou de “lambe-botas” de Temer. Como resposta, o deputado chamou o senador de “vira-lata da banda podre do Ministério Público”. Randolfe informou que recorrerá ao STF para evitar a “tentativa de intimidação” aos procuradores. “O desfecho da CPI foi absolutamente previsível: fez vista grossa aos negócios sujos dos irmãos Batista, que envolvem membros do governo anterior e do atual, e se dedicou a inverter a relação entre acusados e acusadores, enxovalhando de modo oportunista o instituto da delação premiada e pondo a Lava-Jato no banco dos réus”.


Lula x Bolsonaro:opção que pinta nas pesquisas.


Temer e Alckmin: encontro e salamaleques em SP


ARTIGO DA SEMANA

Nem Lula nem Bolsonaro? Ok, mas quem?

Vitor Hugo Soares

O maestro Tom Tavares, professor da referencial Escola de Música da Universidade Federal da Bahia – que assina com o poeta e consagrado compositor José Carlos Capinan, a Sinfonia do Descobrimento – destacou esta semana, em seu endereço no Facebook (diferenciado espaço de informação política e debate cultural nas redes sociais), um dado e um sentimento que parecem ganhar corpo e ressonância nacional, à medida em que 2017 chega ao fim e 2018 anuncia sua chegada, com um bumbo que promete ensurdecedor barulho e consequências ainda impossíveis de prever: a corrida da sucessão presidencial que já anuncia os seus sinais.

“Mais de 70% dos dos brasileiros não querem nem Lula nem Bolsonaro na presidência. Faço parte deste percentual”, afirma em sua postagem o maestro erudito que, ultimamente, tem alimentado, também, plural e polêmico debate sobre temas políticos e sociais que deverão dominar os debates mais candente da campanha do ano que vem: O nocaute, via eleitoral e democrática, da corrupção endêmica que corrói o Brasil, e o desmantelamento da aparelhagem política e ideológica que, ao longo dos últimos 14 anos, domina as universidades brasileiras, principalmente as públicas.

Por enquanto, o que se ouve e o que se vê é mais do mesmo. Além da barulheira infernal, queimações por todo o lado e o feroz destilar de mágoas, invejas e ódios acumulados (ideológicos, pessoais, profissionais, de sexos e do diabo a quatro, de um tempo temerário em que irmão desconhece irmão). Mesmo algumas vozes do coro de antigos discursos recauchutados, mas que vendem ao ouvinte – principalmente de classe média – algum viço de juventude e vitalidade, uma certa dissonância dos trinados e ruídos triviais, fora da mesmice da pauta geral e enfadonha – na base do discurso inspirado no italiano Lampeduza, no romance “O Leopardo”, de mudar alguma coisa para que tudo siga como está.

Refiro-me, evidentemente, ao voluntarioso e impaciente prefeito da cidade de São Paulo, João Dória Junior (PSDB), cujo navio chocou-se mais de uma vez com o iceberg do governador paulista, do alto comissariado tucano, Geraldo Alckmin, mas que começou a fazer água há um bom tempo. E ao intrépido apresentador da Rede Globo, Luciano Huck, nome avulso e sem filiação partidária, que ganhou força nas pesquisas e na boca da massa, mas que, tão de repente quanto a boa acolhida e ascensão na arrancada, desvaneceu-se no ar, com o anúncio de desistência feito há poucos dias, pelo próprio celebrado homem de TV.

Huck e Doria, que até foram qualificados pelo experiente tucano – mor, Fernando Henrique Cardoso, como “o novo de verdade para 2018” parecem, agora, definitivamente jogados para escanteio. “Ab-ruptamente”, como dizia o professor Carlos Caetano (ardoroso pregador da histórica Igreja Batista da Rua Carlos Gomes, em Salvador), em suas aulas memoráveis e saudosas de Literatura, no Colégio Central da Bahia, nos agitados anos 60, às vésperas do golpe militar (e civil) que jogaria o País em longo e tormentoso período de ditadura.

Ninguém me contou, eu vi, eu estava lá.

Retirados os “novos”do caminho, outros conhecidos de velhos carnavais entram no salão (ou saloon?), na condição de assumidos pré-candidatos ao embate de 2018, antes de 2017 dar o último suspiro. Um deles, o já referido tucano governador paulista, que esta semana recebeu salamaleques e simpáticas (ou seriam interesseiras?) quedas de asas do atual mandatário da Nação, Michel Temer. Mesmo desaconselhado pelos médicos, que cuidam de seus recentes males de saúde (no coração e na próstata), o peemedebista, que está empenhando o canavial da sogra para aprovar a Reforma da Previdência, na Câmara, ainda este mês, voou de helicóptero para participar de atos ao lado do governador tucano, no interior de São Paulo.

Não falta quem diga que desse mato não espirra coelho, mas é cedo para afirmações definitivas. Melhor esperar um pouco (pelo menos até a convenção nacional dos tucanos, neste sábado, ou a votação (ou não) do desidratado projeto das mudanças na Previdência, e conferir. Ainda há pouco, nesta sexta-feira, o ministro e importante articulador político do Palácio do Planalto, entregou sua carta de demissão. O tucano baiano se afasta do núcleo do poder, cansado de tomar rasteira e ser atropelado pelas costas.

Mas, se da parte dos tucanos ainda há muitos vai lá e vem cá, para não perder o costume, na Rede, de Marina Silva, há definições.Terceira colocada nas eleições presidenciais de 2010 e 2014, a ambientalista e ex-ministra do Governo Lula anunciou, sábado passado, que pretende concorrer à presidência da República pela terceira vez. E uma de suas justificativas para a decisão (depois de negar por muito tempo), é que pretende evitar, “uma polarização e a radicalização do discurso do ódio na eleição de 2018”. Ao traçar rumos, no discurso de anúncio de sua pré-candidatura, Marina criticou, mesmo de maneira velada, como assinalou o El Pais, “seus dois principais adversários até o momento, Luiz Inácio Lula da Silva e o direitista Jair Bolsonaro”, a dupla do dilema posto no começo deste artigo.

Marina dedicou, também, um pouco da sua fala à defesa do combate à corrupção. E sugeriu a necessidade de se iniciar, na sociedade, uma operação “Lava Voto”, que consistiria no eleitor dar, nas urnas, uma resposta aos partidos que se viram envolvidos em esquemas descobertos pela Lava Jato: PT, PMDB, PSDB e DEM, apontou. “O melhor que a sociedade pode dar para aos partidos que criaram esta crise é dar para eles um sabático de quatro anos, para que eles possam rever os seus estatutos”, afirmou. É pouco para punir, devidamente, corruptos e corruptores que saquearam o País. Mas é uma ideia, e não existem muitas na praça ultimamente.

Ah, antes do ponto final, diga-se que o esquentado ex-ministro Ciro Gomes, do PDT, também anda por aí em pré-campanha. Mesmo assim, a sensação é de insuficiência, vácuo e pobreza na oferta de nomes para 2018. E permanece no ar a questão do começo destas linhas: OK, nem Lula nem Bolsonaro. Mas quem? Responda quem souber.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

ASTRUD, EM HOMENAGEM AO SOL CHAMADO BP!!! QUE VOLTA (AOS POUCOS) À SUPERFÍCIE.

BOM DIA!!!

(Gilson Nogueira)

dez
09

Aécio vai a convenção tucana, mas só para votar

Aécio Neves disse a aliados que vai à convenção do PSDB amanhã. A ideia é votar na eleição da nova Executiva da sigla e, provavelmente, deixar o evento depois, diz a Folha.

O maior temor dos tucanos é que Aécio, o homem da conversa de R$ 2 milhões com Joesley Batista, faça um discurso no evento –já que é o presidente licenciado do PSDB, a quem Geraldo Alckmin vai suceder.

Ou, pior, que ele apareça na foto que registrará a escolha de Alckmin.

dez
08

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Facebook ‘espera’ tomar medidas contra perfis falsos antes de eleição

O Facebook disse, por meio de um porta-voz, que está “cooperando com autoridades eleitorais” sobre segurança on-line e espera “tomar medidas também no Brasil antes das eleições de 2018”.

Reportagem da BBC Brasil sugere a atuação de uma empresa brasileira, a Facemedia, na contratação de funcionários em várias partes do país para controlar de 20 a 50 perfis falsos cada um –a empresa nega a acusação.

Estamos retornando à superfície com o Bahia em Pauta, depois de quatro dias fora do ar, depois de um grande mergulho em águas profundas e desconhecidas. Desta vez foi mais difícil e isso é o que importa. À medida que tenhamos explicações mais conclusivas sobre os “problemas técnicos”, iremos informando aos leitores e ouvintes.
Por enquanto, o que importa é agradecer de coração aos que foram essenciais ao nosso retorno: Laura e Cristina, em Salvador, e Lucas, em São Paulo.
E à solidariedade amiga e permanente de Rosane Santana.

Iremos retornando aos poucos, pois foram feitos alguns reajustes aos quais este editor (da velha guarda) ainda precisa dominar e se habituar.Agradecemos antecipadamente a todos pela paciência e confiança. E como diria o grande João Saldanha:VIDA QUUE SEGUE>

(VItor Hugo Soares)


A pré-candidata à Presidência pela Rede, Marina Silva, sugeriu à população a Lava Voto STRINGER REUTERS


DO EL PAÍS

OPINIÃO

144 milhões de juízes para a Lava Voto?

Juan Arias

A sociedade brasileira começa a ter a percepção de que o Supremo Tribunal Federal não demonstra muita pressa em condenar os políticos denunciados por corrupção, nem mesmo aqueles que, como o senador Renan Calheiros, são alvo de uma dúzia de acusações. Até agora, o tribunal de primeira instância de Curitiba, por exemplo, já emitiu, na Operação Lava Jato, mais de cem sentenças de condenação, muitas delas confirmadas em segunda instância. O Supremo ainda não apresentou uma condenação definitiva de um político. Assim se chegará às eleições do próximo ano com candidatos a presidente, deputados, senadores e governadores acusados de corrupção, mas ainda sem sentença que os impeça de disputar as eleições, nas quais poderão ser reeleitos e manter assim o foro privilegiado que lhes permite eternizar seus processos no Supremo.

O que a sociedade pode fazer? A pré-candidata à presidência Marina Silva teve uma ideia que seria bom que viralizasse nas redes sociais: criar um tribunal com 144 milhões de juízes ? todos os brasileiros com direito a voto ?, que deveriam se negar a votar em qualquer candidato sobre o qual recaia não uma condenação, e sim uma simples acusação ou suspeita de ter usado dinheiro público em vantagem própria. Esses 144 milhões de eleitores-juízes não precisam lutar com os intrincados problemas jurídicos que podem permitir que um réu em um processo dor corrupção dispute uma eleição. Para que esses milhões de juízes condenem um candidato, bastará uma simples acusação ou suspeita de que se trate de um político corrupto, porque poderão usar o argumento da moralidade pública que um representante do povo deveria poder demonstrar para pedir seu voto. Afinal, será que faz sentido que um candidato condenado, por exemplo, a vários anos de prisão em segunda instância ? e apesar da Lei da Ficha Limpa ? possa, por meio de recursos de seus advogados, disputar uma eleição? Legalmente, é possível, moralmente, não deveria sê-lo. Essa condenação de negar o voto a quem não demonstrar ter respeitabilidade e moral suficiente para poder representar a sociedade pode ser tão ou mais eficaz do que uma condenação judicial.

Será possível alegar que muitos desses milhões de eleitores não contam com informações suficientes sobre os candidatos para poder julgar sua honestidade. Poderia ser assim no passado, mas não agora, quando as técnicas de comunicação permitem conhecer em tempo real a vida e as ações dos cidadãos, ainda mais daqueles que já ocupam cargos públicos. Bastaria apresentar na internet, ou em cartazes nas ruas e praças do país, os nomes dos candidatos à eleição ou à reeleição acompanhados de suas biografias e das acusações ou suspeitas que possam recair sobre cada um deles quanto a condutas moralmente inconciliáveis com o cargo que desejam disputar. Não se trata de um julgamento sumário nas ruas, já que a sentença dos eleitores não tem valor de lei, mas existe a necessidade e o direito do cidadão de saber se a pessoa em quem pensa em votar merece ou não sua confiança no campo da decência moral. Para isso, existem hoje leis severas de transparência, que nos permitem conhecer as condutas dos escolhidos para governar o país. Não se trata de nenhuma caça às bruxas, apenas de saber um mínimo sobre a conduta pública de um candidato.

Um cidadão tem o direito de se negar a votar em um indivíduo, mesmo que este ainda não tenha sido declarado réu ou condenado por um tribunal de Justiça, se considerar que as denúncias que pesam sobre esse candidato, por parte da procuradoria ou da polícia, são suficientes para alertar o eleitorado antes de lhe conceder um voto de confiança. Eu não voto no Brasil, mas se pudesse fazer isso, não daria meu voto para reeleger um deputado ou senador sobre quem pesa não uma, mas até uma dúzia de acusações que ainda caminham lentamente pelos tribunais superiores, graças, muitas vezes, ao fato de ele ter advogados de renome que conseguem prolongar seus processos.

Lançar para as próximas eleições a Operação Lava Voto poderia significar o início de uma verdadeira catarse nacional, levando ao Congresso e à Presidência da República pessoas que não parecem ter se sujado com os jogos perversos da corrupção, cujo dinheiro foi subtraído dos hospitais, das escolas ou da pesquisa científica. É dinheiro de todos e de cada um, e por isso existe o direito sagrado de que cada cidadão que se aproxima de uma urna com seu voto possa se transformar em juiz e sem apelação. Se, apesar de tudo isso, houver pessoas que continuem dando seu voto a um candidato sabendo de sua falta de honradez moral, nesse caso serão elas mesmas que se condenarão ante sua consciência.

O fato de que existe uma grande perplexidade da sociedade brasileira frente à nomeação, por exemplo, do novo presidente da República é demonstrado pelos dados reveladores da última pesquisa do Datafolha, segundo a qual mais da metade dos eleitores ou não sabem ainda em quem vão votar ou não pensam em votar em ninguém, o que pode ser também um voto de resistência cívica. Nesse grupo estão 55% dos eleitores. Poderia parecer indiferença, mas também perplexidade em relação ao momento que vive o país e medo de poder se enganar votando em quem talvez continue agindo dando as costas para a população. Minha convicção, e tomara não me equivoque, é que desta vez, depois da Lava Jato, os cidadãos pensarão duas vezes antes de votar em um candidato, sinal de que, apesar de tudo, estamos diante de uma sociedade fundamentalmente saudável que quer participar ativamente da construção de seu próprio destino, o que seria impossível reelegendo os corruptos ou os que simplesmente têm cheiro de corrupção.

Marina Silva tem razão, uma Lava Voto seria a melhor culminação da limpeza política iniciada pela Lava Jato, que, apesar da artilharia lançada contra seus juízes e promotores, orquestrada muitas vezes nas sombras pelos corruptos, continua sendo uma das instituições mais valorizadas e mais aplaudidas por uma sociedade que está aperfeiçoando sua democracia.

BOM DIA!!!

dez
06

DO EL PAÍS

Afonso Benites

Brasília

Sob o comando de Evo Morales, o Governo da Bolívia foi um dos primeiros a não reconhecer a gestão de Michel Temer. Assim que este assumiu a presidência do Brasil com o impeachment de Dilma Rousseff, o embaixador boliviano em Brasília foi convocado de volta ao seu país. Era um sinal de um dos países identificados como do eixo bolivariano na América do Sul de que não aceitariam a gestão. Nesta terça-feira, um ano e quatro meses após a oficialização do afastamento de Rousseff, Morales se reuniu com Temer para tentar passar um sinal político: apesar das diferenças ideológicas, é possível trabalhar pela integração dos dois países.

A fala de Morales durante um brinde no almoço no Ministério das Relações Exteriores deixou isso bem claro. “A Bolívia precisa do Brasil para se industrializar”. Hoje, o Brasil é o principal comprador de toda a produção boliviana. Quase 20% de tudo o que o país andino exporta, é adquirido pelo Brasil. Conforme o Itamaraty, em 2016, o intercâmbio bilateral alcançou 2,8 bilhões de dólares (9,1 bilhões de reais).

E se a diplomacia é feita por meio dos sinais, a vinda do mandatário boliviano também demonstra o fosso diplomático no qual o Brasil está afundado. Desde que Temer preside o país, apenas cinco chefes de Estado ou de Governo fizeram uma visita oficial a ele. Além de Morales, estiveram em Brasília o paraguaio Horácio Cartes, o argentino Mauricio Macri, o espanhol Mariano Rajoy e o português Antonio Costa. Nenhum outro líder esquerdista, nem mesmo dos Governos tido moderados como o de Uruguai ou Chile, se aproximaram do Brasil.

No encontro, os dois chefes de Estado assinaram um memorando de entendimento que trata do Corredor Ferroviário Bioceânico e um acordo internacional para a cooperação policial. A ferrovia é de interesse de empresas chinesas e deverá cruzar o Brasil, partindo de Santos, e a Bolívia, até chegar no Oceano Pacífico, em território peruano. Quando e se entrar em operação, as exportações brasileiras que partem do porto de Santos rumo à Xangai demorariam 36 dias para chegar e percorreriam 18.651 quilômetros – uma economia de pelo menos 22 dias e 4.000 quilômetros, segundo os cálculos do Governo boliviano. Em uma segunda etapa ela passaria também pela Argentina e pelo Chile.

Já o acordo de cooperação visa, principalmente aproximar os dois países no combate ao tráfico internacional de drogas. A fronteira entre Bolívia e Brasil é uma das principais rotas de cocaína. Paralelamente, Temer e Morales também trataram da renovação da compra de gás boliviano pelo Brasil, um tema importante e complexo da relação. O atual acordo vence em 2019 e há uma tentativa de renová-lo por mais dez anos.

Durante a reunião, Temer evitou entrar em uma seara cara para Morales, a tentativa do boliviano se reeleger pela terceira vez. Na semana passada, um grupo de opositores de Evo Morales enviou uma carta ao presidente brasileiro para que ele intercedesse na questão. Algo que Temer não fez. No último dia 29, a o Tribunal Constitucional da Bolívia suspendeu os artigos da Constituição que limitavam o número de reeleição a duas consecutivas. Morales está no cargo desde 2006, foi reeleito duas vezes e, pela regra que estava vigente, não poderia se candidatar novamente em 2019. Agora, pode. A decisão do tribunal atropelou o resultado de um plebiscito, que proibia a terceira reeleição.

dez
06
Posted on 06-12-2017
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De Nicolielo, no Jornal de Baru (SP)

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