mar
24

GRAZZI BRITO

A cúpula do Partido Verde de Juazeiro, no vale do São Francisco, concedeu hoje (24) uma entrevista coletiva em que esclarece o seu desligamento da base governista do prefeito Isaac Carvalho (PC do B). A ruptura da aliança política e administrativa provoca a saída do secretário de Agricultura e Meio Ambiente, Jairton Fraga e Dalmir Pedra secretário da Defesa Social, além destes, dois vereadores do PV passam de situação a oposição entre eles o líder do governo na Câmara Municipal, José Carlos Medeiros.

O presidente do Partido Verde, Marcelo Junior, esclareceu que o PV foi convidado pelo prefeito a se afastar do governo. “Nunca vi governo nenhum expulsar ninguém da base do governo, pelo contrário, já vi convidando. Estamos diante de uma nova maneira de governar”, disse Marcelo já se mostrando a vontade no papel de oposição.No plano estadual , o PV recusou a diretriz dos comunistas de apoiar a reeleição e mantém Marina Silva como candidata própria à sucessão de Lula.

Segundo Marcelo, o prefeito alegou que as declarações do presidente do PV sobre as obras da ponte em Juazeiro, responsabilizando o DNIT/PE pelos atrasos e descaso com a obra, ao contrário do que é dito pela prefeitura que atribui tudo isso ao antigo prefeito Misael Aguilar, seria o estopim para a retirada do partido da base do governo. Responsabilidade essa que também foi atribuída a Misael pelo próprio Presidente Lula em sua ultima visita a região.

Difícil situação para os dois lados, o vereador José Carlos Medeiro presente na coletiva e líder do governo na Câmara, sempre engajado na defesa de Isaac terá que fazer oposição “quem for do partido e queira continuar no governo terá que pedir desligamento do PV” disse ainda o presidente do partido. Já Isaac com dois vereadores a menos ainda terá maioria, embora apertada e mais trabalho para negociar seus projetos.

Os secretários já entregaram os cargos e novos nomes já haviam sido divulgados pelo prefeito, sendo empossados na próxima sexta-feira (26). São eles Agnaldo Meira (Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Juazeiro) e Genes Batista (Capitão da Policia Militar), de Agricultura Meio Ambiente e Defesa Social respectivamente.

Grazzi Brito, Jornalista, mora em Juazeiro, no Vale do São Francisco

(74) 3611 5640/ (74) 8814 7891

mar
24
Posted on 24-03-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 24-03-2010

Borges: o galã da vez

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A composição da chapa governista de apoio à reeleição de Jaques Wagner que briga por mais um mandato em Ondna, é o tema do artigo desta quarta-feira do jornalista político Ivan de Carvalho na Tribuna da Bahia. Enquanto o governador Wagner dá sinais evidentes de ter toda pressa do mundo em fechar sua chapa entregando uma das vagas ao senado ao ex-carlista de carteirinha Cesar Borges, o ladino senador do PR parece não ter pressa nenhuma em fechar o acordo para a sucessão. “E, aliás, quem irá criticá-lo depois de namorá-lo meses seguidos, propondo-lhe casamento, coisas que as três forças citadas (PT, DEM e PMDB) têm feito?”, pergunta Ivan no texto que Bahia em Pauta reproduz.
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(VHS)

PRESSA E PACIÊNCIA

Ivan de Carvalho

?

O governador anunciou que faria um contato, supostamente telefônico, ontem ou hoje, com o senador César Borges para marcar uma conversa final, pois “esta semana” pretende “bater o martelo”.

A impressão imediata que ficou foi a de que a batida do martelo seria para toda a questão da chapa que vai concorrer às eleições majoritárias pelo lado governista – para a reeleição de Wagner, as duas cadeiras de senador e a o cargo de vice-governador.

Mas pode-se dizer que, simultaneamente, o senador César Borges, presidente estadual do PR e convidado pelo governador para disputar a reeleição pela coligação liderada pelo PT disse esperar ter uma decisão sobre o assunto até o dia 31 de março.
Explicou que “eu não sou sozinho”. Tem toda uma seção estadual do partido, bancadas de deputados federais e estaduais para conversar, além de um ou outro contato que ainda necessite fazer com a cúpula nacional de seu partido. E tantos eleitores e simpatizantes cujos sentimentos e pensares precisa captar…

Bem, 31 de março (nada a ver com indevidas referências ao movimento político-militar de 1964, que alguns historiadores e antogonistas preferem que haja ocorrido em 1º de abril, porque é o Dia da Mentira) é a quarta-feira da semana que vem, não desta semana na qual o governador quer “bater o martelo”.

Não parece haver dúvida: o governador, que recebeu carta branca da direção estadual do PT para configurar a chapa majoritária da coligação que este partido vai liderar e fazer os acertos laterais e – não resisto – colaterais, tem pressa em resolver a composição da chapa e pressa redobrada no fechamento da aliança com César e o PR, porque este é o ponto crítico na formação da chapa. Já quanto a César, ele não tem pressa nenhuma. Se pudesse (ou puder?), empurraria sua decisão para 30 de abril ou fins de maio.
Enquanto não se anuncia se ele está com Wagner, Paulo Souto ou Geddel Vieira Lima, espaços amplos em toda a mídia lhe são generosamente atribuídos. E isso é ótimo para sua candidatura. E, aliás, quem irá criticá-lo depois de namorá-lo meses seguidos, propondo-lhe casamento, coisas que as três forças acima citadas têm feito? Para a outra cadeira de senador e para vice-governador há problemas, mas não são conflituosos.
Enquanto isso, o PMDB de Geddel e partidos aliados já tem listados nomes para compor a chapa de candidatos a mandatos de eleição majoritária, caso não consiga atrair o senador César Borges, o que vem sendo tentado. Eis a lista: para governador, Geddel; para senador, o jurista, ex-prefeito e atual vice-prefeito Edvaldo Brito; ainda na lista o secretário de Governo, João Cavalcante, Eliel Santana e o atual vice-governador, Edmundo Pereira.

Wagner, Cesar Borges e Lula em Juazeiro/TM

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Bob Fernandes

DEU NA REVISTA DIGITAL TERRA MAGAZINE

O senador e ex-governador César Borges (PR), fiel aliado de Antonio Carlos Magalhães ao longo de décadas na Bahia, recebeu o convite do governador Jaques Wagner (PT) para integrar sua chapa do Senado nas eleições 2010. O acordo, inicialmente alvo de resistência no PT e partidos à esquerda foi assimilado. No dia 22, PT, PSB, PCdoB e PDT se reuniram e apoiaram a decisão do governador por uma “chapa competitiva”

O problema, e a falta de acerto até agora, está na composição das coligações para deputados federais e estaduais que incluam o PR, partido que Borges preside no Estado.

– O governador nos procurou, conversamos, mas as negociações ainda estão em andamento, não houve um fechamento formal – garante César Borges, que confirma convite de Wagner para disputar uma das vagas para senador:

– O governador convidou, manifestou o desejo da minha presença na chapa…

A composição das duas candidaturas da base governista ao Senado e da vice de Wagner pode atrair também os aliados Lídice da Matta (PSB), deputada federal e ex-prefeita de Salvador, e Otto Alencar (PP), ex-governador com trajetória vinculada a ACM.

Resta uma incógnita: E Waldir Pires, que se dispõe a ser candidato ao Senado pelo PT, e que se dispõe a ir à Convenção se o partido quiser?

– Nós já conversamos sobre tudo isso, mas faltam os acertos para as proporcionais e, principalmente, falta uma palavra final, formal, o anúncio por parte do governador – sintetiza o senador César Borges.

A ENTREVISTA DE CESAR BORGES

Terra Magazine – Senador, por tudo que se sabe, se ouve, é informado, já estaria fechada sua presença numa chapa majoritária na Bahia, como candidato ao lado do governador Jaques Wagner, do PT, candidato à reeleição?
César Borges – O governador nos procurou, conversamos, mas as negociações ainda estão em andamento, não houve um fechamento formal. O governador manifestou o desejo da minha presença na chapa, mas há questões que temos que avançar ainda…

Que questões são essas?
A questão das coligações proporcionais, da eleição para deputados estaduais e federais.

Como política é, muitas vezes, algo intrincado, complexo para os cidadãos que não a vivem, daria para o senhor detalhar essa questão?

Não dá para ser candidato sem ser parceiro, não há como fazer uma coligação que não inclua todos os setores de um partido. Eu presido na Bahia o PR, temos os companheiros candidatos a deputado federal e estadual e, assim, uma combinação, um acerto político-partidário para uma campanha deve incluir a todos.

Ou seja…
…o PR tem hoje quatro deputados federais e podemos fazer cinco, tem seis estaduais e queremos fazer sete. Para isso é preciso que a composição eleitoral pretendida inclua também essa questão…

Em que pé está a coisa?
O governador nos procurou, conversei com o partido nacionalmente e, como o PR integra a base que dá sustentação ao governo Lula, fui autorizado a prosseguir nas negociações. Foram muitas conversas de todas as partes, mas agora chegou o momento em que é preciso definir as coisas…

Se bem entendi, a coligação está definida no macro, digamos assim…
…o macro que você diz seria a candidatura majoritária?

Sim, senador, mas até mais do que isso: está definido o desejo de ambas as partes de chegar a um acordo e está definido que o senhor será candidato ao senado…

Nós já conversamos sobre tudo isso, mas faltam os acertos para as proporcionais e, principalmente, falta uma palavra final, formal, o anúncio por parte do governador.

Ao que se diz tudo seria fechado ainda esta semana. É este o prazo final?
Formalmente, o prazo final é o da convenção…

…em junho?
…que é em junho, mas é muito importante o anúncio formal e o anúncio por parte do governador muito antes disso.

E quando seria?
O governador, pelo que soube, se manifestou essa semana dizendo que até o final deste mês teria suas decisões…

Para esse prazo falta, portanto, uma semana…
Isso.

O senhor diria que está bem encaminhada a negociação, com sua presença na chapa de Jaques Wagner como candidato a senador?
Eu diria que está encaminhado, “bem encaminhado” estará quando tudo, o resto, estiver acertado, combinado.

mar
23
Posted on 23-03-2010
Filed Under (Artigos) by vitor on 23-03-2010

A Bahia precisa?

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OPINIÃO/ÁGUA

Um dia depois da celebração da água, que mobilizou milhares de pessoas em todo o planeta, é alentador dar de cara com a reflexão do economista e cientista político Riccardo Petrella, que em entrevista declarou que o direito à água para todos não é “uma prioridade das classes dirigentes mundiais. Sua prioridade é saber quem vai ganhar, no decurso dos próximos 15 anos, a batalha para a conquista e a supremacia do mercado de um bilhão de novos carros ‘verdes’, bem como aquela das novas moradias ‘verdes’”.

Pelo mundo afora, muitas manifestações chamaram a atenção contra a privatização e contaminação da água. A Coordenadora Andina de Organizações Indígenas (CAOI) rechaçou a privatização da água, reafirmando o compromisso de promover a adoção de uma Declaração Universal de Direitos da Mãe Terra. O comunicado da CAOI afirmou que a despeito da sua importância para a vida dos seres vivos, a água continua a ser um bem explorado e mercantilizado pelos Estados “como parte da imposição do seu uso para atividades extrativas, como a mineração, que não só a monopoliza e consome em enormes volumes, como também contamina irreparavelmente suas fontes”.

Pode parecer romântico e utópico falar coisas assim atualmente, mas o que seria do planeta sem utopias?

Na Bahia, infelizmente, a lei que obriga as escolas da rede pública estadual a fazer atividades educativas no Dia Estadual da Água, não é cumprida. Ainda assim, estudantes de muitos colégios participaram do X Grito da Água, que coloriu as ruas de Salvador na tarde ontem. A alegre caminhada, promovida pelo Sindicato dos Trabalhadores em Água e Esgoto (Sindae), com a participação de um grupo de índios pataxó, baianas e representantes de diversas organizações, foi do Campo Grande até a Praça Castro Alves, animada por um trio elétrico com banda de forró, grupos de dança e bonecos gigantes.

Um dos temas em destaque da agenda de protestos foi a energia nuclear, com manifestações de repúdio à instalação de usina nuclear na Bahia, desfilando em balão, faixas e alegorias. Por isto mesmo, o ato contou também com a participação de representantes de movimentos e entidades de Caetité, onde uma mineração de urânio é acusada de contaminar a água consumida por moradores das proximidades da unidade industrial que dá início ao ciclo de produção de energia nuclear.

O X Grito da Água também aconteceu no interior, onde os sertanejos, afetados pela escassez de água e pelos impactos sócio ambientais da mineração de urânio e ferro, realizaram manifestação em Guanambi em torno do tema “Água e meio ambiente vamos preservar sem privatizar”. Cerca de 300 pessoas, de Caetité, Malhada, Pindaí e Guanambi sairam em passeata da Praça da Matriz, com faixas, discursos e cantos até a sede da CODEVASF, onde ocorreu a “Bênção da Água, com entrega de documentos com as reivindicações das populações, que padecem com as perspectivas de agravamento da falta de água, por causa da ação das mineradoras que atuam na região. A Comissão Paroquial de Meio Ambiente de Caetité, a Caritas Regional NE, a CPT-Sudoeste, o Movimento Paulo Jackson – Ética, Justiça, Cidadania e o Sindae colaboraram para a realização do evento.

A entrevista especial sobre a água, com o italiano Riccardo Petrella, pode ser lida em:

http://racismoambiental.net.br/2010/03/a-privatizacao-da-agua-nega-o-direito-humano-de-ter-acesso-a-ela-entrevista-especial-com-riccardo-petrella/

Confira e veje que nem tudo está perdido


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O artigo do jornalista Ivan de Carvalho na Tribuna da Bahia analisa nesta terça-feira a afirmativa feita ontem pelo governador Jaques Wagner no programa “Que venha o povo” do jornalista Casemiro Neto, na TV Aratu, que pretende “esta semana bater o martelo” da chapa que liderada por ele concorrerá às eleições majoritárias por um coligação encabeçada pelo PT. No texto que Bahia em Pauta reproduz, Ivan assinala que o senador César Borges conseguiu paralisar o processo de composição das chapas do governo, do PMDB e do DEM-PSDB. “Todos aguardam sua decisão”. Confira.

(VHS)

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NA BATIDA DO MARTELO

Ivan de Carvalho

 

O governador Jaques Wagner afirmou ontem, no programa “Que venha o povo”, do jornalista Casemiro Neto, TV Aratu, que pretende “esta semana, bater o martelo” da chapa que liderada por ele concorrerá às eleições majoritárias por uma coligação encabeçada pelo PT.
Importa muito assinalar que a afirmação foi feita em resposta a uma pergunta do jornalista sobre a aliança entre o governador petista e o senador republicano César Borges e a inclusão deste na chapa majoritária, a ser completada com os nomes do conselheiro do TCM e ex-governador Otto Alencar, que para isto se filiaria ao PP, e com a vice-prefeita Lídice da Mata, deputada federal pelo PSB.

O governador reagiu muito positivamente à integração do senador César Borges e seu partido, o PR, à aliança governista, disse que hoje ou até amanhã pretendia um contato com o senador e foi aí que observou que esta semana pretende “bater o martelo” na questão da chapa majoritária.

O que não impede de, quando bater, o martelo fazer um barulho, não digo superior ao previsto, mas superior ao desejável. É que haverá descontentes. O equilíbrio político ou ideológico (cada um use a terminologia que preferir, nessa era de ideologias mortas) da chapa acabou prevalecendo, pondo-se Jaques Wagner e Lídice da Mata num prato da balança e César Borges e Otto Alencar no outro prato. Claro que nenhum dos quatro políticos é igual ao outro, há diferenças de pensamento e de história, mas há duas duplas (Wagner-Lídice e César-Otto) que tem ideário e história mais próximos, entre seus integrantes.

Havia no PT um movimento forte – mas não dominante – para que se impedisse a participação de César Borges na chapa majoritária e nela se incluísse Waldir Pires. Claro que o saudável e, diria, já legendário ex-governador de 83 anos representava uma parte da “esquerda” do PT inconformada com o “carlista” ou “ex-carlista” César Borges. Mas o governador Wagner pensava, nos seus cálculos políticos e eleitorais – ele diz que considera favorável a posição eleitoral do governo e dele, mas que “com eleição não se brinca” – uma aliança mais ampla. Esta observação ele a teria feito a Waldir Pires, no encontro que tiveram para tratar de candidaturas ao Senado.
E foi esta a posição que “com muita clareza” comunicou à cúpula do PT da Bahia e a partir da qual “houve o debate”. Dirigentes partidários, a exemplo de Jonas Paulo, irão aprofundar esse debate ou posição junto às bancadas federal e estadual do PT, tudo muito rapidamente para que se possa “bater o martelo” logo.

Há quem, em outros partidos, ponha dúvidas quanto à adesão de César Borges à aliança liderada pelo PT. “Pode acontecer. Mas considerar fato consumado é apressado. César conseguiu paralisar o processo de composição das chapas do governo, do PMDB e do DEM-PSDB. Todos aguardam sua decisão. Há injunções de toda ordem. E de qualquer forma haverá descontentes e isso vai resultar em críticas”, disse ontem, no anonimato, um experiente político não governista, acrescentando: “César tem que considerar a origem do seu próprio eleitorado, o que é vital, e as resistências internas no PT. Em Ilhéus, na presença do presidente Lula e do governador Wagner, o ministro Geddel, na época aliado a ambos, sofreu uma vaia organizada por Geraldo Simões, que era secretário da Agricultura de Wagner. Agora você imagine…”.

Eu não vou imaginar nada. Se o senador quiser imaginar, que o faça.

mar
22

Defunto Caguete, Bezerra canta samba do baiano Ivan Solon

TAPA COM LUVA DE PELICA

Pedro Alexandre Sanches
Colaborador IG Cultura

A expressão “tapa com luva de pelica” cabe sob medida para descrever o documentário “Onde a Coruja Dorme”, centrado na figura desconcertante do sambista pernambucano radicado carioca Bezerra da Silva (1927-2005). O filme estreiou em São Paulo neste domingo, dentro da programação do In-Edit Brasil – 2º Festival Internacional do Documentário Musical, mais um evento a coroar um momento produtivo do encontro entre o cinema e a música popular brasileira.
Bezerra desfruta de simpatia esparsa fora dos ambientes de favela e periferia nos quais ancorou sua obra, mas não é artista daqueles que atraem atenção mais cuidadosa por parte da crítica musical – e essa é a primeira pelica do filme dirigido por Márcia Derraik e Simplício Neto. Sem tecer loas bajulatórias ao personagem, a dupla vai reconstituindo a importância musical do sambista pouco a pouco, tijolo por tijolo. A ironia, o virtuosismo e o forte conteúdo político dos partidos altos cantados por ele se impõem no fundo musical, enquanto uma narrativa deliciosa se ergue diante dos olhos e ouvidos do espectador.
Devagar, percebe-se que Bezerra é a viga mestra da construção, mas está longe de ser o prédio inteiro ou o dono da empreiteira. Logo ele perderá a condição de figura mais importante no edifício que se ergue. O filme sobre Bezerra da Silva não é, na verdade, um filme sobre Bezerra da Silva. Ele aparece ocasionalmente, como maestro, cimentando os diversos temas que vão compondo um todo fluente – a malandragem, os embates entre a polícia e a marginalidade, o conflito tácito com a “elite selvagem marginal” (termos do ferino samba “Desabafo do Juarez da Boca do Mato”) que não aprova sua música, a crônica social (como na divertida passagem sobre “Minha Sogra Parece Sapatão”), a relação com as drogas e o álcool, o candomblé.
Quem conta as histórias é menos Bezerra que os compositores que ao longo de três décadas lhe forneceram material musical popular, quase sempre de primeira qualidade. São eles, os tijolos, os verdadeiros protagonistas da construção em música e cinema. De modo delicado, o filme descortina uma realidade desconhecida cá do “asfalto”: quando não estão compondo, os autores de partidos altos históricos como “Malandragem Dá um Tempo”, “Vítimas da Sociedade”, “Povo da Colina”, “Se Não Fosse o Samba” e “Malandro É Malandro e Mané É Mané” trabalham como pedreiros, encanadores, pintores, lixeiros, camelôs, mecânicos, carteiros, bombeiros, pais de santo.
Nomes como Popular P, 1000tinho, Tião Miranda, Cláudio Inspiração, Adelzonilton, Pinga, Walmir da Purificação, Dário Augusto, Nilson Reza Forte, Wilsinho Saravá, Nilo Dias, Luiz Grande, Gil de Carvalho e Barbeirinho do Jacarezinho ganham rosto e existência talvez pela primeira vez para a maioria da audiência dos cinemas classe média. Coautor de sambas como “Saudação às Favelas”, “Defunto Grampeado”, “Candidato Caô Caô” e “Sonho de Operário”, o bombeiro Pedro Butina surge mostrando o gancho que utiliza na remoção de corpos submersos – ele trabalha com ARC, Auto Remoção de Cadáver.
Está dado o grande tapa de luva de pelica: aquilo que por aqui já foi chamado de “sambandido” é, muitas vezes, obra de gente como o velho Pedreiro Waldemar do samba antigo de Roberto Martins e Wilson Batista, aquele que “constrói um edifício/ e depois não pode entrar”.
Pois a turma de Bezerra empurrou a história à frente. Entrou talvez pelas portas dos fundos das grandes gravadoras, mas vendeu milhões de discos e se comunicou diretamente com milhões e milhões de ouvintes tão marginalizados quanto eles. Uma muralha de silêncio e preconceitos operou e opera para mantê-los em seus devidos lugares (ou seja, às margens da sociedade), mas eis aí, em “Onde a Coruja Dorme”, os operários do samba, finos, elegantes e sinceros. Bezerra da Silva foi o mestre-de-obras, e o prédio tá bonito que só ele.
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BEZERRA DA SILVA – ONDE A CORUJA DORME (Márcia Derraik e Simplício Neto, Brasil, 2010, 72’, DVCAM)
21/03, DOMINGO, 16H00, AUDITÓRIO IBIRAPUERA
24/03, QUARTA-FEIRA, 17H00, GALERIA OLIDO
25/03, QUINTA-FEIRA, 18H00, MIS-SP

mar
22
Posted on 22-03-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 22-03-2010

Chavez:de olho na Internet

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Em seu artigo desta segunda-feira o jornalista político Ivan de Carvalho fala sobre os desencontros do presidente Hugo Chavez, da venezuela, com a com a rede mundial de computadores(WEB). Para o colunista, Chávez, pelo visto, quer mesmo controlar a Internet na Venezuela e, embora negue, confirma tudo.

(VHS)

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INTERNET E CHAVEZ, O CONFUSO

Ivan de Carvalho

O ditador-presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse ontem que é “falso” que seu governo pretenda “acabar” ou “controlar” o uso da Internet no país. Mas insistiu em que existem “correntes que conspiram” na rede para dar um “golpe” de estado.

A Internet é preocupação profunda de todos e cada um dos regimes totalitários ou acentuadamente autoritários do mundo. Cada um desses governos está tentando usar a própria imaginação para controlar a imaginação das pessoas, solta na rede, onde de tudo se encontra, de bom e de ruim.

Eliminar a liberdade da rede ou impedir o acesso à Internet é a solução ideal para os regimes totalitários ou autoritários, pois a liberdade de informação e o acesso a esta são os mais perigosos inimigos de qualquer ditadura, tornando difícil a subsistência dos autoritarismos e simplesmente impossível, até por definição doutrinária, a existência dos totalitarismos.

“Corre o mundo a notícia falsa, segundo a qual por aqui vamos acabar com a Internet, que estamos limitando, que vamos controlar”, declarou Chávez ontem, completando como se desmanchasse toda essa acusação “falsa” – “Aqui o uso da Internet é lei”. Suponho que isso signifique apenas que o uso é assegurado por lei. Por enquanto.

Chávez relançou um “Projeto Infocentro”, que é definido pelo governo dele como um programa social de “alfabetização tecnológica” e de acesso gratuito à Internet. Em princípio, nada de errado. Aliás, no Brasil coisa semelhante vem sendo feita, inclusive na Bahia, com a instalação de Infocentros pelo governo estadual. Mas parece que no caso da Venezuela o sentido da coisa é outro, o de “aparelhar” o Projeto Infocentro para ser usado segundo os interesses do governo. “Isto é como uma trincheira, um fuzil. Temos que estar preparados”, afirmou Chávez. É suficiente.

E já que começara a descobrir o jogo, o ditador-presidente da Venezuela, que não sabe parar de falar, como bem já fez ver o rei Juan Carlos, da Espanha, continuou a atacar a liberdade na Internet que ele diz não pretender controlar.

A Internet, disse o sábio ditador-presidente, “não pode ser algo livre onde se diz e se faz o que quer”, assinalando que “cada país tem que colocar suas regras”, para o que pediu apoio da Procuradoria. E pedido de ditador disfarçado atende-se. Daí que apenas dois dias depois a procuradora geral Luisa Ortega declarou que “a Internet não pode ser um território sem lei” e sugeriu que cabe à Assembléia Nacional (parlamento) legislar sobre o tema. Então, na última terça-feira, a Assembléia (Chávez tem 95% dos parlamentares, pois a oposição boicotou a eleição parlamentar) aprovou a criação de uma comissão que investigará e punirá páginas que “usarem a Internet de forma indevida e antiética”. Aparentemente, não existem lá Judiciário e lei penal, pois nesta deveriam ser enquadrados os ilícitos cometidos na Internet.

E o presidente da Comissão de Meios de Comunicação da Câmara, deputado Villalba, informou que não existe um projeto de regulamentação da Internet, mas não descartou a hipótese de as circunstâncias levarem à elaboração de uma lei assim.

Chávez, pelo visto, quer mesmo controlar a Internet na Venezuela e, embora negue, confirma tudo. Que coisa feia.

mar
21

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MARIA OLÍVIA

Vanessa da Mata, grande cantora e revelação da nossa MPB, que me perdoe, mas, passei o dia de ontem, dia 20 de março, tentando entender quais os critérios, ou a falte de, dos organizadores do Projeto Mulheres Brasileiras, que deu a largada ontem (20) na capital baiana para a escolha da cantora mato-grossense como anfitriã do mesmo.

Pasmem, caros blogueiros do BP: A extraordinária compositora Dona Ivone Lara, baluarte do samba brasileiro, foi convidada, junto com as novatas Malu Magalhães e Mariana Aydar – muito boas, por sinal – para fazer uma simples participação. Na minha singela opinião, o normal seria Dona Ivone Lara convidar Vanessa, Mariana e Malu, até porque, o público presente na noite de ontem na Concha Acústica do TCA era predominantemente jovem, e nossa juventude tem o direito de conhecer um pouco mais da história da música popular brasileira e, com certeza, Dona Ivone tem muito a ensinar a esta moçada.

Salvador é a primeira cidade a receber o projeto Mulheres Brasileiras. Depois, serão realizados shows em em Porto Alegre, dia 25/03; Brasília, 09/04; Belo Horizonte, 20/04; São Paulo, 30/04 e Rio de Janeiro, 07/05. Ainda não estão definidas as convidadas para as próximas apresentações. Sabe-se apenas que, a também novata, Maria Gadu vai cantar em BH.
Segundo o jornalista Millôr Fernandes, o ser humano tem o direito de se indignar apenas três vezes ao dia, mais é burrice.

Fica então registrada minha reflexão/indignação neste espaço democrático que é o Bahia em
Pauta

Maria Olívia é jornalista.

mar
21
Posted on 21-03-2010
Filed Under (Artigos, Eventuais) by vitor on 21-03-2010

Bahia em Pauta traz para o primeiro plano de seu espaço de opinião o comentário postado pelo leitor e amigo do BP, Carlos Wolney, a propósito do artigo deste editor “Sai de Baixo que Lá vem Ciro”, publicado sábado, 20.Texto enxuto, crítico, informativo e opinativo. Do jeito que BP e seus leitores gostam. Confiram.(VHS)
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Ciro e ACM em Salvador/Arquivo

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Caro Vitor Hugo, peço-lhe uma reflexão.

Para mim, foi episódio menor, insignificante mesmo, o “quiprocó” de Ciro com um ouvinte da rádio Metrópole. Até porque a querela se deu por uma questão sem a menor importância. Sempre quiseram supervolorizar a coisa, até porque na Bahia de “todos os santos, encantos e axé” tudo tem dimensão superlativa – afinal, somos sempre os maiores, não?

Enfim, creio que o que houve mesmo foi o “tiro no pé” que Ciro deu ao vir aqui e sair em passeata com ACM, pouco depois de dizer que ele era sujo igual a pau de galinheiro. Após isso, na primeira pesquisa, o boquirroto caiu verticalmente na preferência dos brasileiros. Aí, os apaniguados do então cacique maior da Bahia difundiram rapidamente a versão que dava como motivo o bate-boca com o ouvinte da rádio. Conveniência da Bahia, mais uma???

Puxe pela memória, reflita e conclua. Posso até estar errado, mas confesso uma intenão e até pretensão de contribuir para clarear os fatos. De resto, continuo admirando Ciro.
Abraço forte.

CARLOS WOLNEY

mar
20
Posted on 20-03-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 20-03-2010

Em seu artigo da edição deste fim de semana (sábado e domingo) na Tribuna da Bahia, o jornalista político Ivan de Carvalho também observa as andanças do deputado Ciro Gomes, PSB-CE. Até aqui é ele o nome mais cotado dos socialistas para disputar a presidência da República, mas que o presidente Lula e seus aliados sonham em ver candidato ao governo de São Paulo, para atrapalhar mais a vida do tucano José Serra, e asfaltar o caminho da ministra Dilma Rousseff para o Palácio do Planalto na aleição qeu vem aí. Para Ivan, Ciro corre o risco de de ficar sem legenda para disputar a presidência ou qualquer outra coisa, pois afirmou, esta semana, que deputado nunca mais. Bahia em Pauta reproduz o texto do colunista da Tribuna.
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Mercadante:empurrado para a forca paulista

(VHS)

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CIRO PODE FICAR SOBRANDO

Ivan de Carvalho

Esta semana o PT – que teve a alegria de comemorar alguns resultados de sua candidata, Dilma Rousseff (ainda que não todos) na pesquisa eleitoral do Ibope feita sob encomenda da Confederação Nacional da Indústria – também sofreu um revés. O partido e o presidente Lula queriam porque queriam que Ciro Gomes fosse candidato a governador de São Paulo. Ele não deverá ser e o PT já desistiu e prepara Mercadante para a missão suicida.

Atendendo a inúmeros pedidos e a pressões de seu partido, o PSB, Ciro Gomes chegou, há alguns meses, a transferir seu título eleitoral do Ceará, estado que já governou e que é o núcleo de sua base política (seu irmão, Cid Gomes, é o atual governador cearense) para São Paulo. Cedeu nas preliminares, mas se manteve firme na decisão.

Explicando melhor. Lula e o PT estão assim meio no mato sem cachorro quanto à eleição para o governo de São Paulo, de longe o maior colégio eleitoral do país (25 por cento do total do eleitorado) e o estado mais importante da Federação, nos aspectos demográfico e econômico. Consequentemente, também no aspecto político.

O Mensalão do PT devastou, política e popularmente, as principais lideranças do partido em São Paulo, bastando citar o ex-presidente nacional da legenda e ex-ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu e o ex-presidente nacional do PT, José Genoíno. Sobrou o ex-prefeito de Ribeirão Preto e então ministro da Fazenda Antonio Palocci, mas então explodiu aquele Caso da Mansão Bem Assombrada e o arrombamento, na CEF, do sigilo bancário do caseiro da mansão, Francenildo, que dera com a língua nos dentes. E, embora assegurando que não solicitou a ilegal quebra do sigilo do Francenildo – um cidadão comum como qualquer outro, o que, na época (ah, povo esquecido) criou um sentimento de revolta arrasador – afogou-se o então ministro.

Restou na proa do PT paulista, para fins eleitorais, o segundo time:

O honrado Eduardo Suplicy, que nas eleições de 2006 para senador levou um enorme susto do concorrente Afif Domingos – e que voltou ao Senado para envergar um cuecão vermelho por cima do terno em protesto por causa de alguma coisa.

A ex-prefeita e cansadíssima de guerras e derrotas Marta Suplicy, que deverá disputar uma cadeira no Senado. A outra cadeira ainda não tem aspirante firmado, do lado lulista. Talvez seja candidato alguém de um partido aliado. É o lógico.

E – voltando ao PT – restou também o senador Aloísio Mercadante, figura respeitável que renunciou à liderança do PT no Senado, mas não renunciou, então renunciou irrevogavelmente, até que irrevogavelmente anunciou que não renunciaria. E que não vai por gosto disputar o governo paulista, por imaginar que perde para o ex-governador Geraldo Alckmin, do PSDB, mas mesmo assim foi empurrado para a disputa pelo cargo hoje ocupado pelo governador José Serra, por falta de alternativa para o PT. Mercadante queria disputar a reeleição para o Senado.

Pois a alternativa a Mercadante era, no planejamento de Lula e do PT, Ciro Gomes, aliás um inimigo ostensivo do governador e candidato tucano a presidente José Serra. Mas Ciro tem dado todos os sinais de que só quer mesmo disputar a sucessão de Lula, nada de governo paulista. Problema dele. Tira votos de Serra, é verdade, mas o governo está com a idéia de uma eleição plebiscitária, radicalizada entre Serra e Dilma (representando a comparação entre os governos FHC e Lula). O partido de Ciro, o PSB, é presidido e dominado pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos, que só faz o que Lula quer. Daí que Ciro pode ficar sem legenda para disputar a presidência ou qualquer outra coisa, pois afirmou, esta semana, que “deputado nunca mais”.

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