fev
21


Temer: proposta de reforma
====================================================

OPINIÃO POLÍTICA

REFORMA POLÍTICA

Ivan de Carvalho

A tão reclamada, por tantos, a reforma política foi novamente posta em lugar de destaque no debate. Nos últimos dias, muito se tem falado nela. O que não chega a ser uma garantia de que acontecerá em futuro próximo, pois há anos que a adoção de tal reforma é discutida e a nada se chegou.

O vice-presidente da República, Michel Temer, ex-presidente da Câmara dos Deputados e do PMDB, apresentou esta semana ao seu partido uma proposta de reforma político-eleitoral cujo ponto mais importante é a criação de um sistema apelidado de “distritão”.
Neste sistema, cada unidade da Federação (Estados, Distrito Federal) constituirá um distrito eleitoral e elegerá um certo número de deputados federais e estaduais, segundo critérios legalmente fixados. Serão eleitos, em cada “distritão”, os candidatos mais votados, em ordem decrescente até o preenchimento do total do número de cadeiras a serem ocupadas na Câmara dos Deputados, na Assembléia Legislativa ou na Câmara Legislativa (caso do Distrito Federal). Isto ocorreria independentemente dos partidos a que estejam filiados e pelos quais concorram os candidatos.

O bom na proposta de Temer é que ela assegura o princípio do primado da maioria, isto é, elegem-se realmente os mais votados. No sistema atual, rotina elegerem-se parlamentares com votações muito inferiores às de outros candidatos que não conseguem conquistar os mandatos que buscam por causa da fórmula de cálculo adotada pelo legislador. Às vezes são eleitos deputados com votações irrelevantes, até ridículas.

Mas a proposta de Michel Temer sofre uma crítica que quase certamente irá inviabilizá-la. Ela quase acaba com os partidos. Ao contrário do que ocorre hoje, o candidato não dependeria em absolutamente nada da soma de votos de seu partido ou da coligação em que este esteja inserido. Então, nesse ponto, os partidos perdem a função e este é um caminho para inverter a tendência, recente no Brasil e praticamente imposta por interpretações do TSE e STF, de reforçar o poder dos partidos.

Uma vez excluída a proposta apresentada por Temer, restam ainda três hipóteses de reforma político-eleitoral, sem contar a hipótese, que seria tolice desconsiderar, de permanência do atual sistema.

1. Voto em lista. Cada partido (ou coligação?) faria uma lista de candidatos e os eleitores votariam na lista, não em qualquer candidato individualmente. O número de votos obtidos por cada lista daria o número de cadeiras de cada partido. E elas seriam ocupadas pelos candidatos listados, começando pelo que encabeça a lista e “descendo” até que todas as cadeiras obtidas pelo partido sejam preenchidas. Críticas fortes a este sistema: a) pelo menos nos primeiros tempos, haveria uma espécie de ditadura de fato das cúpulas partidárias e depois essa ditadura passaria a ser exercida pelos delegados à convenção; b) o eleitor, definitivamente, perderia o poder de escolher o indivíduo em quem votar para deputado (e, presumo, também para vereador).

2. Voto distrital. Um sistema majoritário de eleição de parlamentares que tem dado certo em vários países, entre eles Reino Unido e Estados Unidos, mas que não será aprovado no Brasil, em futuro previsível. Eleitos pelo sistema oposto, o proporcional, os deputados são refratários à extinção do sistema que os colocou lá e adoção de seu avesso.

3. O sistema misto, em que haverá distritos eleitorais, mas o voto proporcional coexistirá com isto. Cada unidade federada seria um “distritão” e metade de sua bancada seria eleita por esse “distritão”, segundo lista pré-ordenada pelo partido (ou coligação?). A outra metade da bancada seria eleita pelo voto proporcional, como hoje. Esta última hipótese parece estar ganhando terreno – é que o PT é a favor da lista, o PSDB é a favor do voto distrital, e o PMDB pode, talvez, arrastar PT e PSDB para o sistema híbrido dessa terceira hipótese.

fev
20


Usina de Paulo Afonso: poder de iluminar
e desligar as luzes do Nordeste
===================================================
CRÔNICA/LUZES

Apagão, Ronaldo e estrelas

Janio Ferreira Soares

Passava da meia noite de sexta-feira, 04 de fevereiro, quando as luzes de Paulo Afonso desapareceram. Pensando tratar-se de um problema local, imediatamente abri a janela para ver até onde ia a extensão do breu e calcular o tempo em que a turma da Coelba iria me devolver os compressores que abrandam minha insônia e climatizam meus medos. Porém, ao ver o complexo das usinas da Chesf completamente apagado, percebi que o problema era mais sério que uma simples canela arriada num transformador qualquer, o que foi logo confirmado por uma rádio pernambucana que anunciava todo o Nordeste às escuras, inclusive com algumas tentativas de saques a lojas de Recife. Como aqui é outra onda, coloquei meus óculos de avivar distâncias e fui para o quintal contemplar o lado bom do apagão.

Lembrando uma peneira gigante vazando luzes, lá estava o firmamento qual uma imensa concha acústica reverberando latidos distantes acompanhados de pios de corujas e ruídos de aviões mais além ainda, formando sons perfeitos para ouvidos que até há pouco eram torturados por um “valei-me Deus, é o fim do nosso amor”, mais gritado do que cantado vindo de um clube próximo. Aos poucos, mulher e filhos foram chegando e ficamos um bom tempo desplugados de telas e demais vícios eletrônicos, apenas curtindo os vagalumes, que lembravam pequenos leds diante da imensidão de estrelas e galáxias que quase nunca aparecem por conta dos clarões das cidades, mas que, assim como o outro lado da Lua, continuam lá.

A propósito, uma estrela de admirável grandeza felizmente percebeu que o hidrogênio que habitava seu núcleo rareava cada vez mais e, antes de virar uma simples nebulosa, decidiu não mais iluminar os gramados do mundo. Ronaldo, um dos maiores atacantes que eu já vi jogar, enfim foi vencido pelas dores e pela gravidade, e sabiamente antecipou o seu crepúsculo. Uma pena.

Voltando ao apagão, aqui mesmo neste espaço eu já alertei que se o governo não desse a devida atenção a Paulo Afonso a gente podia apertar um botão e desligar o Nordeste. Viu só o teste?
=======================================================
Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura e Turismo da cidade de Paulo Afonso, na margem baiana do Rio São Francisco, sede da CHESF, um dos maiores complexos hidrelétricos do País, responsável pelo abasstecimento de energia do Nordeste.

fev
20
Posted on 20-02-2011
Filed Under (Artigos) by vitor on 20-02-2011


======================================
Humberto, hoje no Jornal do Commercio (PE)

fev
19


============================================
” Sorriso de Luz”, música de Gilson Peranzzetta e Nelson Wellington, em interpretação luminosa de Djavan. Confiram.

BOA NOITE!!!

(Gilson Nogueira)

fev
19


Gadaffi(com Berlusconi):bola da vez?
====================================================

OPINIÃO POLÍTICA

Não há bola da vez

Ivan de Carvalho

Uma das coisas interessantes que ocorrem nesse movimento de sublevação de uma parte importante dos países muçulmanos, com ênfase em nações árabes, é que praticamente não se pode identificar uma bola da vez. O que torna ainda mais importantes e imprevisíveis o fenômeno, seus desdobramentos e desfechos.

Caso se queira buscar origens remotas, pode-se lembrar o assassinato do primeiro-ministro libanês Rafic Hariri, no qual existem fortíssimas suspeitas de participação síria, e que ainda causa instabilidade política grave no país. Ou a suspeitíssima reeleição, em 2009, com os protestos da oposição vergonhosamente roubada sendo reprimidos a cacetadas, do presidente-ditador Mahmoud Ahmadinejad, no Irã.

Mas deixemos essas histórias de lado, ao menos por hoje, já que são tantas e tão feias e malcheirosas que contaminariam o sábado. Vamos nos restringir, digamos, ao que acontece agora nos desertos incandescentes. No momento, não há mesmo como identificar a bola da vez. No primeiro instante, foi a Tunísia. E lá se foram décadas de autoritarismo. Mas o que será posto no lugar? Depois a bola da vez foi o Egito. E renunciou, eufemismo para deposto, o presidente-ditador de 30 anos de mando. A terceira bola da vez…

Não existe a terceira bola da vez. O espaço regional está cheio de bolas da vez. O governo do Marrocos, por enquanto, agüenta-se sem grandes protestos da oposição e promessas de reforma. Mas no Iêmen, os protestos populares são fortes e o presidente-ditador de três décadas já prometeu não renovar o mandato, não botar o filho no lugar e mudar outras coisas. A Argélia ainda se segura apenas com protestos esporádicos e fortemente reprimidos, razão talvez de serem esporádicos.

Mas no Bahrein, sob domínio de uma dinastia sunita (principal vertente dos islamismo) há mais de 40 anos, protestos de inspiração xiita (a segunda maior vertente do islamismo) já resultaram em batalhas de rua que deixaram pelo menos oito mortos e somente ontem, na repressão a um protesto, houve 50 feridos. Alguns estão em estado crítico. Os Estados Unidos estão pedindo ao governo do Bahrein moderação e atenção às reivindicações dos manifestantes.

Na Jordânia, surgiram manifestações de reivindicação de empregos e redução dos preços de alimentos (que estão subindo em quase todo o mundo, não só no Brasil). As coisas começam a se agitar também no Iraque e no Senegal. Mas as atenções, no momento, além do Bahrein, estão voltadas mais para o Irã e a Líbia.

No Irã, aquele presidente-ditador de quem Lula gosta, Ahmadinejad, que nega haver existido o Holocausto, convocou manifestações de apoio ao governo e de repúdio às oposições. Convocação preventiva. Pois protestos contra a ditadura dele e dos ayattollahs foram convocados para os próximos dias. Aliás, já no começo da semana partidários e opositores do regime entraram em cheque em Teerã durante o funeral de um estudante morto a tiros numa manifestação contra o governo. Coincidentemente, o líder opositor iraniano Mir Hussein Moussavi sumiu desde terça-feira, segundo denunciaram suas filhas a um site oposicionista. A casa da família está com as comunicações cortadas. Na quarta-feira, outro site informou que a casa de um dos filhos de Mehdi Karroubi, outro líder opositor, teria sido atacada por forças de segurança.

Enquanto isso, na Líbia, há quatro décadas sob as botas do coronel Muammar Gaddafi, as próprias autoridades admitiram 14 mortes em protestos contra o regime.
Creio que as brumas da madrugada e as tempestades de areia dos desertos ainda escondem muitas coisas a serem reveladas em futuro muito próximo.


==========================================
Blogbar do Fontana — Nos balcões dos bares da vida

DICK FARNEY – PENUMBRA ROMANCE

ODEON “LONDON” – 1972

Dick Farney – piano e voz

Sabá – Contrabaixo

Toninho – Bateria

Música – “Alguém Como Tu” (José Maria de Abreu & Jair Amorim)

Letra:

Alguém como tu,
Assim como tu,
Eu preciso encontrar
Alguém sempre meu
De olhar como o teu
Que me faça sonhar…
Amores eu sei
Na vida eu achei e perdi…
Mas nunca ninguém desejei
Como desejo a ti,
Se tudo acabou,
Se o amor já passou
Há de o sonho ficar
Sozinho estarei
E alguém eu irei procurar
Eu sei que outro amor posso ter
E um novo romance viver
Mas sei que também
Assim como tu mais ninguém

BOM SÁBADO PARA TODOS

TIM TIM, POETA!!!


Ana de Holanda, Jaques Wagnee e Fátima(D)
com Mãe Stela no Axé Opô Afonjá
=================================================

ARTIGO DA SEMANA

ESSA MENINA VAI LONGE…

Vitor Hugo Soares

A receita é infalível. Desde que o jornalismo é jornalismo é assim: primeiro, encontre um repórter. Desses atentos até a neurose, com os cinco sentidos ligados em tudo que se passa ao seu redor e seja profissional decidido a transformar-se a qualquer momento em olhos, ouvidos e palavras dos que não sabem o que aconteceu, não veem o que se passou, e não têm onde contar o acontecido, como ensina Carlos Ferreira na entrevista do livro “Entre Periodistas”, do argentino Teódulo Dominguez.

Em seguida, é fundamental encontrar uma boa fonte: a primeira-dama da Bahia, Fátima Mendonça, por exemplo, não só disposta, mas tendo o que dizer. Esse é outro ingrediente essencial, pois o repórter, por melhor que seja – mesmo um Bob Fernandes, como no caso do prato em pauta – não faz nada sozinho.

Se a mistura for feita em Salvador, em um terreiro de santo do candomblé, então não tem erro: daí sairá um prato delicioso e picante, mesmo na temporada de verão, período em geral pobre e insosso, no qual o jornalismo local e nacional parece decidido a investir suas melhores fichas no exotismo ou nas proezas das “celebridades” da vez no Big Brother Brasil.

Foi isso, bem ou mal contado na introdução dessas linhas, o que aconteceu na capital baiana, no território sagrado do centenário terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, comandado pela venerada Mãe Stela, mais famosa ialorixá da Bahia desde a partida há décadas de Mãe Menininha do Gantois. Repórter e entrevistada se encontraram no cenário que fervilhava, pois alí se realizava a cerimônia de reinauguração das casas de Iemanjá e Oxalá, fato com força religiosa e política suficiente para mover até o estado natal dos ex-ministros da Cultura, Gilberto Gil e Juca Ferreira, a nova ministra Ana de Hollanda, que a petista Dilma Roussef escolheu para ocupar em seu governo o posto que foi dos verdes baianos nos anos Lula.

Presentes também ao ato marcado pelo sincretismo, o governador petista nascido e criado na religião judaica, Jaques Wagner, cinco deputados federais da bancada baiana na Câmara, a senadora socialista e ex-prefeita da capital Lídice da Mata (PSB), secretários de estado e dirigentes do Patrimônio Histórico. Gil e Juca , antigos frequentadores e reconhecidos defensores da transformação do terreiro de Mãe Stela em patrimônio cultural, não foram vistos da cerimônia.

Fora isso, saltava aos olhos de observadores mais atentos, entre estes Bob Fernandes, o burburinho em forma de frisson causado pela passagem da primeira-dama da Bahia no terreiro. “É a Maria de Fátima Mendonça, a Fatinha, que se dirigem filhos e filhas de santo, o ‘povo do candomblé’. Ela, de vestido branco no dia de Oxalá”, conta o editor-chefe de Terra Magazine, na apresentação da entrevista, ao falar das exortações à Fátima para que seja ela a candidata de oposição ao evangélico prefeito de Salvador, João Henrique Carneiro, nas eleições municipais do ano que vem.

O prefeito também estava ausente da concorrida cerimônia no Axé Opô Afonjá.

Mas existiam os ingredientes principais para a provocativa conversa do repórter com a primeira-dama, postada no começo da semana em TM. Reproduzida em vários sites e blogs baianos e nacionais, gerou polêmicas em vários terreiros da política local, motivou ciumeiras e reações de todo lado (principalmente nas sombras dos bastidores), incomodou do ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB) ao líder do DEM na Câmara, ACM Neto (ambos de olho desde já no palácio Thomé de Souza). E ainda sobrou fogo para os próximos dias, principalmente depois da entrevista de Bob Fernandes, na quinta-feira, 17, no programa radiofônico de Mario Kertész, o mais ouvido e comentado da Bahia.

Filiada ao PV, Fátima é casada com Jaques Wagner. Aí estaria o principal obstáculo –”no caso, legal”, como assinala Bob – para “Fatinha” levar ou não adiante a candidatura a prefeita. Enquanto advogados e juristas estudam o caso, ela vai preparando o terreno. Em seu estilo “rápido e caceteiro”(como dizem os baianos), vai direto ao ponto, e ataca o calcanhar de João, “num momento em que o prefeito da terceira maior capital do País dispensaria maiores desqualificações”.

“Além dos tradicionais índices de miséria e desemprego, da sujeira, abandono, do desrespeito ao bom senso e às leis, a transformação da cidade num pasto para apetites imobiliários fala por João Henrique e sua Era. Um tempo que marca negativamente a história de Salvador e que irá custar caro, muito caro à cidade”, como Bob destaca. “Ele é um dirigente medíocre”, dispara a primeira dama.

“Eu sou a esperança”, completa uma vaidosa e confiante Fátima Mendonça. Entre um ponto e outro da conversa, muitas revelações sobre a relação afetiva e política da entrevistada com o governador Wagner. Um papo solto e esclarecedor, salpicadas de bom humor e malícia bem soteropolitana, sobretudo nas comparações com o prefeito João Henrique e a esquentada primeira dama municipal e deputada estadual Maria Luiza. Mais não digo para não quebrar o suspense e tirar o prazer de quem ainda não leu o conteúdo completo da entrevista.

Para terminar, recorro a um escrito do saudoso deputado pessedista Raimundo Reis, um dos maiores cronistas do cotidiano da Bahia. Certa vez, conta no livro “Malhada do Sal”, ele almoçava em Paris, “em companhia de Pámela, uma sexual italiana de Perúgia”, quando a moça perguntou de repente.

-Quem é você?

Olhando as águas calmas do Sena, Raimundo respondeu:

-Um menino de Curral dos Bois (antiga cidade de Glória, na margem baiana do Rio São Francisco, onde as aguas desciam turbulentas vindas de Paulo Afonso)

O cronista relata que, quase chorando, lembrou do avô, o Coronel Petro, que dizia orgulhoso.

– Este menino vai longe…

Ao encerrar estas linhas sobre a primeira-dama da Bahia e sua entrevista a TM, sou tentado a repetir como Raimundo Reis em suas crônica parisiense:

– Esta menina vai longe…

Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail; vitor_soares1@terra.com.br

fev
19
Posted on 19-02-2011
Filed Under (Artigos) by vitor on 19-02-2011


===================================
Porta Entreaberta
De Ivan Lins e Paulo César Pinheiro

Quando você disse que bateu saudade, que queria me encontrar
Arrumei a casa, perfumei a cama, preparei um bom jantar
Separei um vinho, coloquei no gelo, desliguei meu celular
Fui pensando em coisas, fui armando um clima, pus um disco pra tocar
Vem… Que eu deixei de propósito a porta entreaberta
Vem… Que eu fiz tudo a seu jeito, você vai gostar
Vem… Que a paixão me desperta!
É vontade de amar
Quando você chegar
Já deixei a sala só à luz de vela, que reflete o seu olhar
Pus rosa vermelha no centro da mesa, que sensualiza o ar
Botei nossa foto do primeiro encontro na estante sobre o bar
Me ajeitei no espelho, me sentei à espera no meu canto do sofá
Vem… Porque sem você essa casa é deserta
Vem… Que vai ser sempre assim que você vai me achar
Vem… Que a paixão me desperta!
É vontade de amar
Quando você chegar…
É vontade de amar
Quando você chegar…
————————————————-
Ivan Lins, para esquentar o clima Carnaval da Capital da Alegria.

Boa noite!!!

(Gilson Nogueira)


=================================================
Mestre Oscar da Penha, grande Batata, mestre do viver e do samba verdadeiro, que saudade da zorra…

BOM DIA!!!

(Gilson Nogueira)


Tiririca: “eu não estou aqui por acaso”
=================================================
OPINIÃO POLÍTICA

Palhaços atacam Tiririca

Ivan de Carvalho

Uma coisa estranha, esquisita. Para ser mais franco, uma pouca vergonha. Ou nenhuma vergonha. Foi isso, exatamente, que alguns deputados, palhaços improvisados, supondo que o plenário da Câmara fosse algum picadeiro, insistiram em fazer na quarta-feira com Tiririca, o palhaço verdadeiro, eleito por São Paulo com 1,2 milhão de votos, o deputado mais votado do Brasil, em números absolutos, embora não percentualmente, de vez que concorreu às eleições no Estado de São Paulo, de longe o maior colégio eleitoral do país.

A questão é que o deputado Francisco Everardo Oliveira, do PR, artisticamente conhecido como Tiririca, votou a favor do salário mínimo de R$ 600,00. Um escândalo político, principalmente para os que, tendo durante toda sua vida pública defendido salário mínimo em alturas orbitais, conformaram-se, na quarta-feira, a votar, obedientes à voz de comando da presidente Dilma Rousseff, o raquítico reajuste do mínimo para R$ 545,00.

Para especial vexame, o partido de Tiririca é o PR e o PR está na base de apoio do governo e, como os demais partidos da base (com a única exceção do PDT), orientou seus parlamentares a votarem pelo mínimo mínimo.

O PDT liberou sua bancada de 27 deputados para que votasse como quisesse, sabendo que ela se dividiria mais ou menos ao meio, de modo que uma parte mostraria o compromisso do partido com os assalariados e a outra parte mostraria ao governo que o ministro Carlos Lupi, principal liderança do partido e seu presidente de fato, tem utilidade suficiente para permanecer no cargo.

Mas, voltando a Tiririca, o republicano, governista, quando ele marcou seu voto a favor do salário mínimo de R$ 600,00 (nas circunstâncias, o mínimo máximo, proposto pelo PSDB, coerente com o que prometera na campanha eleitoral e com apoio de outras legendas de oposição), houve um corre-corre. De deputados, cercando-o, inclusive para sugerir-lhe falsas explicações e para não deixá-lo à mercê da curiosidade da imprensa. Se necessário, se a imprensa conseguisse acesso, os parlamentares participantes do sítio a Tiririca cuidariam de falar à imprensa em lugar dele.

Isso foi tentado e teria se consumado se os jornalistas fossem palhaços. Mas não eram, como mostrou que não é, quando não quer, o próprio palhaço Tiririca. Finda a sessão, um grupo de deputados e assessores cercou Tiririca. Um deles disse: “Votar errado é normal. Eu mesmo já votei errado uma dez vezes”. Uma dica esperta para explicações que acabariam se tornando inevitáveis. O grupo, na conversa, deixava clara sua preocupação de evitar que Tiririca falasse com jornalistas.

Uma repórter conseguiu aproximar-se do palhaço profissional e lhe perguntou se ele havia ficado nervoso na hora da votação (o que poderia até justificar votar errado). Mas Tiririca foi firme: “Cá para nós (além de toda a torcida do Flamengo, do Corinthians, do Bahia e do restinho do povo) eu votei com o povo. Eu vim de onde? Quem me colocou aqui? Eu não estou aqui por acaso”, afirmou. Quando a imprensa lhe perguntou sobre a versão do seu partido, de que teria votado errado, Tiririca não fugiu da raia: “Como eu fui o parlamentar mais votado é natural essa preocupação do partido”.

Os deputados e assessores que o sitiavam ficaram com cara de palhaço. Não havia como não ficar. Amadores, é verdade, mas palhaços.

Pages: 1 2 ... 1973 1974 1975 1976 1977 ... 2129 2130

  • Arquivos

  • Maio 2019
    S T Q Q S S D
    « abr    
     12345
    6789101112
    13141516171819
    20212223242526
    2728293031