jan
31
Posted on 31-01-2010
Filed Under (Artigos, Laura) by Laura on 31-01-2010

Bar / casa de shows –  30 segundos

Noite na Borracharia 

Com a sugestiva chamada “um bar para publicitários”, e a grife de pertencer a um dos filhos de Duda Mendonça,  foi inaugurado recentemente o bar 30 segundos no bairro Rio Vermelho, a decoração é temática com propagandas antigas e algumas atuais, mas a  graça e “sacada” da idéia terminam aí. A galera pós-adolescente baiana, frequentadora de todos os barzinhos da moda,  ja invadiu o local e a banda toca os sucessos mais manjados do pop-rock; criatividade e novidade zero.

A alguns metros, no mesmo Rio Vermelho, cresce a Borracharia (de dia borracharia, nas noites de sexta e sábado boate), ambiente descolado e reduto de músicos, publicitários, artistas e simpatizantes do mundo criativo, sem nenhuma mídia ou luxo, mas de verdade boêmio e alternativo, animado por um repertório que vai do samba-rock ao soul music. A melhor pedida para quem quer dançar, paquerar, e se divertir em um ambiente excêntrico e descolado com público eclético. Aqueça as turbinas pelos bares do Rio Vermelho, e depois da meia-noite “se jogue”, na Borracharia você vai se sentir livre.

Por Laura Tonhá, publicitária baiana.


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A notícia sobre a presença de Jô Soares na capital portuguesa para viver o papel do poeta Fernando Pessoa, já em cartaz, fez bater uma saudade danada no coração do editor de Bahia em Pauta.E quantas belas recordações, a começar pelo Rocio!!!

Daí para o fado “Recado a Lisboa”, a maravilhosa composição de Villarel que Francisco José consagrou, foi um pulo na escolha da música para começar o dia neste site blog baiano de olho no mundo.”Lisboa.minha mãezinha, com o seu chale traçado”, como choram os versos da canção do imigrante, em permanente viagem.Como te esquecer, Lisboa?. “Como esquecer da Graça, que é tão bela, que é tão boa?”

A canção que fala da Graça e dos recantos mais adoráveis de Lisboa, vai aqui em vídeo do you tube com interpretação de Anabela.”Que Deus te ajude, Lisboa, a cumprir essa mensagem”.

Confira e diga se o editor tem ou não razão de sobra para sentir a saudade que lhe bateu, de repente, neste domingo de sol em Salvador.

(Postado por Vitor Hugo Soares)

Um brinde de amigas na Flórida e…

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.. uma linda melodia: inesquecíveis

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CRÔNICA/ UM LUGAR

1994, UMA VIAGEM INESQUECÍVEL

Aparecida Torneros

Aquela viagem… inesquecível… Eu, minha prima Carmen, sua filha Luciana e meu filho Leandro, os jovens, com 16 anos, nós quarentonas, brincalhonas e divertidas.

Hoje Léo e Lu tem 32 anos. Ela é mãe da Bia , casada com o Saulo e moram em Salvador. O Léo é professor, mora no Rio.

Fomos pra casa da Edie, uma americana que era viúva do nosso tio-avô Obidio, irmão da avó Carmen, ela nos recebeu em Orlando, e de carro, fomos para sua casa em Jacksonville, norte da Florida.

Dias de frio, idas a shoppings, o forte de Sant Agostin, Miami, passeios, estradas, pizzas, sanduiches, histórias, risadas, feiras, caminhadas, compra de um 486, que era o computador mais moderno da época, rs, uma sucessão de encontros com o dia a dia do Way or life, dos americanos.

Cansamos de repetir sobre o Brasil para a Suzete, a Sula, a Jennie, os amigos, os vizinhos da Edie, que conheciam muito pouco sobre o nosso país. Estranhavam porque nós quatro sabíamos falar bem o inglês, se nunca tínhamos morado fora daqui… preconceito, desinformação, e um jeito de ser muito comercial, que nos incomodava muito.

Entretanto, o carinho da Edie compensava tudo. Sua vontade de nos agradar, as comidinhas que fazia, a dispensa abastecida de refrigerantes de todos os sabores, da cereja à uva, pra nós, naquele tempo,uma grande novidade.

Eu, morena, ainda, de cabelos escuros naturais, cheia de cachos ( kurls) que elas elogiavam tanto. Lu, lindissima, magrela, sonhando em ser médica, e o meu Léo ainda nâo definira o papel de professor que assumiu nos últimos anos, mas, devorava os jogos Sonic, e nos guiava, por lá como um cicerone, usando sempre boné e rabo de cavalo.

Brindamos algumas vezes ao sentimento melhor que nos uniu naquele janeiro de 94, o amor, a glória dele, o amor entre familiares, o sentimento que nos proporcionou encontro tão marcante, cujas lembranças hoje rememoro.

Na volta, quando dormimos uma noite num motel de Miami, deu pra sentir a pujança da cidade, mas nossos melhores dias tinham ficado pra trás, no aconchego da casa cercada de grama, calefação a 21 graus, enfeitada de lembranças que a Edie colecionara em tantas viagens que fez ao Brasil, na companhia do tio Obie.

Sessões de slides, pipocas, brincadeiras, ela nos fazia rir quase o tempo inteiro, e ainda, o papagaio dela na cozinha, o Sean, a repetir ” good morning” toda a vez que acendíamos a luz ,mesmo de madrugada. A lareira foi acesa uma vez e desligamos a calefação. Motivo: ela queria que os meninos comessem mashmellow torrado nas brasas, tradição americana.

Enquanto lavávamos a louça do jantar, muitas vezes, cantarolamos juntas: “You have to give a little, wait a little, that is the glory of love”. Também , uma noite, descobrimos que ambas éramos apaixonadas por Dinah Washington e a ouvimos quase até o amanhecer.

Quando a saudade batia, nos anos subsequentes, ela, já doente, ligava pra mim nas noites de sábado… e sussurrava…I love you, Maria… eu respondia, embargada….Me too, aunt Edie, I love you too!

Aparecida Torneros, jornalista e escritora, mora no Rio de janeiro, onde edita o Blog da Mulher Necessária

jan
30
Posted on 30-01-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 30-01-2010


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DEU NA COLUNA

Em sua coluna para este fim de semana, na Tribuna da Bahia, o jornalista político Ivan de Carvalho comenta uma “boa” notícia que, segundo ele, infiltra-se entre as ruins dos dias mais recentes, incluindo a crise hipertensiva do presidente Lula e as chuvas que afogam São Paulo (santo dado a acidentes aquáticos), passando pelo incrível 3º Plano Nacional de Direitos Humanos, produzido pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.Segundo Ivan, no texto que Bahia em Pauta reproduz, a expectativa agora é de que o apoio explícito à legalização do aborto seja amenizado, segundo avaliação governista.Confira.

(VHS)

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OPINIÃO POLÍTICA

UMA BOA NOTÍCIA RUIM

Ivan de Carvalho

Uma “boa” notícia infiltra-se entre as ruins dos dias mais recentes, incluindo a crise hipertensiva do Nosso Guia e as chuvas que afogam São Paulo (santo dado a acidentes aquáticos), passando pelo incrível 3º Plano Nacional de Direitos Humanos, produzido pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.

A notícia “boa” não é totalmente boa. De bondade ela só tem a disposição de abrir um debate sobre um propósito ruim, diria terrível, acolhido no PNDH-3, criando a perspectiva de que a proposta de liberação geral do aborto, adotada pelo Plano, não é intocável.

Mas é, sem dúvida, uma surpresa. Isto porque nos decretos que assinou oficializando o Plano, decretos que, graças a Deus e aos constituintes de 1988, não valem legalmente sem que sejam aprovados pelo Congresso Nacional, o presidente Lula deixou indignados vários setores.

Um deles foi o dos militares, com a criação da Comissão da Verdade, já objeto de amplo debate, sob forte pressão e até com ameaças de renúncia do ministro da Defesa e dos comandantes do Exército e da Marinha, que viram discriminação por determinar-se investigação dos crimes da “repressão” e não os do “outro lado”, o lado que tentava, sem chance, derrubar o regime pelas armas. Uma mudança vocabular apagou a fogueira, no lado militar. No outro, até a avivou.

Mas o PNDH-3 sofreu só esta mudança, mantendo proposta que deixou indignados a Igreja Católica e demais setores cristãos da sociedade, bem como causou contrariedade entre os espíritas e os setores que são simplesmente “a favor da vida”, por questão de consciência ou de ética, independente de alinhamento religioso. Por outros motivos, indignado ficou também o setor de agronegócios e, não menos que este, a imprensa (jornais e revistas, emissoras de rádio e televisão, havendo reação esparsa, mas faltando uma reação organizada – aliás, necessária e ainda não extemporânea – somente quanto a sites e blogs jornalísticos). O PNDH-3 é uma perigosa e poderosa ameaça à liberdade de expressão e, especificamente, à liberdade de imprensa.

A boa notícia é que o ministro da Secretaria de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, reconheceu ontem que sua Secretaria (quer dizer, o governo, pois o PNDH-3 passou pela Casa Civil da ministra Dilma e o presidente Lula o assinou) errou ao endossar, no Plano, a legalização do aborto. “Vamos levar a discussão à CNBB e ao Congresso para corrigirmos esse item”, declarou Vannuchi.

A expectativa agora é de que o apoio explícito à legalização do aborto seja amenizado, segundo avaliação governista. Mas não se trata de “amenizar” o apoio, é insatisfatório – mais do que isso, inaceitável – manter, ainda que “amenizado”, o apoio ao massacre dos inocentes indefesos, prisioneiros ainda no ventre de suas mães e sob sua custódia. Se a polícia mata alguém detido e sob sua custódia, isto é um crime indiscutível. Se a mãe mata ou alguém o faz a seu pedido, em condições equivalentes, só que com agravantes, são moralmente (e por enquanto legalmente) criminosos os envolvidos. Querer “amenizar” o apoio a esse crime.

jan
30

Lula: apesar da fadiga visível…

ARTIGO DA SEMANA

… Presidente brinca com saúde em Paulista

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A FADIGA DO “HOMEM DO ANO”

Vitor Hugo Soares

Em Recife, poucas horas antes de passar mal na noite de quarta-feira e ser levado para o setor de urgências médicas do Hospital Português de Beneficência da capital pernambucana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva protagonizou uma situação emblemática destes dias e noites do poder, do governo e da política no País. Isso quando já apertava o cinto para decolar rumo ao título de “Homem do Ano” em Davos, na Suíça.

Devidamente filmada, som bem audível, a cena transcorre em um dos vídeos mais acessados do You Tube nos últimos dias no Nordeste, entre a Bahia e Ceará, mas que está bombando principalmente em Pernambuco pós-susto do presidente Lula na Veneza brasileira. O fato ainda mexe – e muito – com o País. Dá calafrios principalmente na espinha governista, petistas à frente, embora alguns tentem disfarçar.

O vídeo, um sucesso completo nos sites e blogs nordestinos em que tem sido publicado, a começar pelo do polêmico jornalista pernambucano Jamildo Melo, um dos primeiros a informar sobre a fadiga do presidente. A cena acontece durante o discurso de Lula na inauguração da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Paulista, localidade na Região Metropolitana do Recife.

Mesmo visivelmente estafado pela agenda massacrante e em ritmo de campanha a que se impôs nos últimos dias, o presidente não perde a oportunidade de brincar com seus conterrâneos. Faz troças bem ao estilo da terra e leva o público ao delírio, enquanto tenta marcar mais um gol de palanque no centro de saúde repleto de eleitores, dirigentes da política local e na presença atenta da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, preferida do orador à sua sucessão

“Eu quero ser o primeiro paciente desta UPA aqui”, diz o presidente da República ao iniciar os elogios rasgados à obra do governo federal em associação com o governo de pernambucano. O público ri e aplaude, os políticos se deliciam e trocam segredos entre si. E Lula vai em frente: “Eu visitei a UPA quando cheguei. Ela está tão organizada, tão estruturada, que dá vontade da gente ficar doente para ser atendido aqui”, segue o presidente em seu discurso.

O vídeo mostra, em seguida, a troca de olhares cúmplices e sorrisos de satisfação entre o governador Eduardo Campos (PSB) e a petista Dilma Rousseff, sentados lado a lado na cerimônia no salão da UPA, na periferia da capital pernambucana.

Mas, como se sabe, palavras e promessas de discursos políticos voam como plumas com os que as pronunciam, em busca do próximo palanque. Ainda mais em períodos pré-eleitorais como este que começou no País antes do tempo legal e que ninguém segura mais. Nem a lei. É assim há muito tempo e só muda quem faz o comício, ou quem chora por causa dele.

Basta lembrar o tempo do famoso caderno do presidente Juscelino, citado no livro “O Dia em que Getúlio matou Allende”, do jornalista Flávio Tavares. Nas viagens de JK, um assessor anotava os pedido de eleitores e promessas do presidente. Quando o caderno estava cheio até a última página, o auxiliar perguntava: “O que faço agora, presidente?”. E Juscelino respondia, segundo Tavares em seu livro: “Rasga, joga fora e começa outro caderno”.

Ao que se sabe até aqui, o presidente Lula não costuma fazer o mesmo. Mas na quarta-feira em Paulista, agiu como administradores públicos, políticos e candidatos fazem em geral por aqui depois de cada palanque e de cada comício. Acabado o discurso cheio de imagens e troças bem ao agrado do eleitor presente, o presidente “rasgou o caderno” e seguiu em frente.

Lula deixou o centro de atendimento médico que acabara de inaugurar sem ao menos pedir a um médico, enfermeira ou atendente de tantos que estavam por lá, para lhe medir a tensão. Isso seria talvez o suficiente não só para o presidente cumprir a promessa do discurso que acabara de pronunciar, mas provavelmente teria sido providência simples e eficiente para identificar sinais concretos da subida violenta da pressão e da fadiga já visível no rosto cansado de Lula.

A hipertensão levaria poucas horas mais tarde ao maior susto de saúde que ele já passou em seus quase oito anos de governo e discursos como o do centro médico de Paulista na quarta-feira.

UPA!, troçam os pernambucanos depois do susto, enquanto se divertem com o vídeo da inauguração do posto médico no subúrbio de Recife. No Hospital Português, em Pernambuco, Lula não só verificou a perigosa pressão de 18 x 12, como foi obrigado a obedecer à recomendação expressa de cancelar a agenda que previa a viagem a Davos e a volta “por cima do rastro”, como dizem os nordestinos, para participar de novo comício, neste sábado, 30. Desta vez em Salvador, na abertura do Fórum Social Internacional da Bahia.

O PT baiano anda inconsolável com a ausência da estrela de maior atração do evento. Fica o buraco político, que caberá ao governador Jaques Wagner e seus aliados preencherem, enquanto o presidente repousa ao lado da primeira dama Marisa Letícia e filhos, que seguramente agradecem. A ministra e “afilhada” Dilma Rousseff também.

UPA!

Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail: vitor-soares1@terra.com.br

jan
29
Posted on 29-01-2010
Filed Under (Artigos, Janio) by vitor on 29-01-2010

Covas no palanque: um craque

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CRÔNICA / DIFERENÇAS

O AVATAR DE DILMA E SERRA

Janio Ferreira Soares

Meu último artigo sobre a foto de Lula carregando um isopor na cabeça teve uma repercussão acima da média. Muitos entenderam que eu estava puxando o seu saco, outros acharam que não sou digno de uma só palavra ao seu respeito, enquanto alguns entraram na onda e simplesmente curtiram, assim como eu fiz quando vi aquela genial imagem estampada nos jornais. Afinal, não todo é dia que a gente dá de cara com um presidente andando de modo tão distraído.

É claro que ele é um ser humano normal – como, aliás, comentou um raivoso leitor -, passível de hipertensão, suores e ressacas. Mas eu não consigo imaginar, por exemplo, FHC, nos tempos em que ele também passava férias na praia de Inema, com qualquer outra coisa na cabeça que não o seu vistoso topete, ou, no máximo, um livro de Jean Paul Sartre aparando o Sol, com dona Ruth ao lado também lendo o seu, tal uma Simone de Beauvoir dos trópicos. (A propósito, uma cena normalíssima, pois os dois sempre tiveram o saudável hábito da leitura).

E “vive la différance”, como costuma dizer um amigo itapagipano de alma francesa, pois é exatamente ela que acirra esses debates e nos dá a munição diária para preencher espaços vazios, principalmente nesse período em que a tensão pré-eleitoral está começando a pegar fogo.

E por falar em campanha, se os marqueteiros oficiais não abrirem os seus estoques de surpresas, como aquela em que Lula surgiu de terno Armani quando todos o esperavam com a velha camiseta de sempre, essa eleição presidencial poderá ser uma das mais chatas da história. É que tanto Serra quanto Dilma passam longe da escola de políticos como Brizola, Mário Covas ou o próprio Lula, craques em animar debates.

Mas esses magos da mídia são capazes de criar uma espécie de Avatar dos candidatos, onde de repente eles poderiam assumir formas mais humanas, sei lá, com Serra incorporando um mano da periferia paulistana, enquanto Dilma surgiria como defensora da Amazônia, num misto de Marina Silva com a heroína Neytiri.

O problema é convencer o eleitor da veracidade dessas performances, pois elas podem parecer tão verdadeiras quanto Xuxa citando João Ubaldo ou Baudelaire numa manhã de um sábado qualquer.

( Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura e Turismo de Paulo Afonso, no Vale do São Francisco )

Margareth e Robson juntos

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O artista plástico Robson Costa, marido da cantora Margareth Menezes, foi preso por policiais militares na noite de quinta-feira, sob a acusação de desacato à autoridade, quando saía do Cais Dourado, na Cidade Baixa, onde Margareth ensaiava como seu bloco Afro Pop.

A produção de um programa da TV Aratu entrevistou Robson, que já havia sido liberado. Durante toda a manhã o mesmo programa tentou obter uma informação da Polícia Militar, mas a Assessoria de Comunicação Social da PM informou que não havia ninguém em condições de fornecê-la.

No entanto, uma informação originada na polícia deu conta de que o artista plástico teria se negado a parar em uma blitz em frente ao Cais Dourado, tentou fugir ao bloqueio e não quis apresentar seus documentos, sendo então encaminhado à delegacia da 3ª Circunscrição Policial, sob acusação de desacato à autoridade, e liberado aproximadamente às 23h30. Deverá se apresentar à mesma delegacia no dia 1º, às 10h, para prestar depoimento.

Na entrevista à TV Aratu, Robson Costa contou uma história bem diferente. Disse que saía do Cais Dourado para pegar seu carro e logo foi abordado por policiais militares que estavam nas proximidades, quando um dos policiais o ameaçou, mandando que saísse dali “senão essa porra pode disparar”.
O marido de Margareth Menezes replicou: “Porra? Isso é uma arma. Você está dizendo que a arma pode disparar…”, contou ele na entrevista filmada. Foi então que lhe disseram que é igual a qualquer um, o algemaram (uma ação que, segundo sua versão, estaria em desacordo com decisão do Supremo Tribunal Federal, pois não teriam se apresentado os requisitos justificadores da imposição de algemas) e “me jogaram, jogaram mesmo, estou todo dolorido” dentro da viatura. Esta, segundo Robson, foi posta a fazer curvas violentas e “jogada numa buraqueira” com a intenção evidente de machucá-lo. E ele ouviu “muito bem” a frase: “A gente devia era lhe deixar na BR…”.
Robson Costa disse, na entrevista, que já está tudo bem com ele, que já havia falado com algumas pessoas responsáveis (não as identificou), mas acrescentou, indignado, que tem “vergonha de ser baiano” e tem “medo de ser abordado pela polícia”, pedindo providências, não por mim, mas por todas as pessoas com as quais algo semelhante pode acontecer.

jan
29

Emannoel Araujo: tombamento

DEU EM TERRA MAGAZINE:

CLAUDiO LEAL

Nas anotações de “turista aprendiz”, a bordo do navio Manaus, o escritor Mario de Andrade descreveu perplexidades ao avistar a encosta de Salvador, em dezembro de 1928: “Da vista de S. Salvador que a gente enxerga de bordo tem um pedaço bem no centro em que as casas se amontoam num estardalhaço de janelas, andares, telhados, parece mentira… não é mentira não, é estardalhaço”.

Se um viajante refizesse a trajetória do polígrafo Mario de Andrade, e na Baía de Todos-os-Santos existisse uma hipotética ponte de 13 km, entre a primeira capital do Brasil e a Ilha de Itaparica, o “estardalhaço” do casario certamente seria substituído pela visão de uma serpente de concreto.

Para preservar o conjunto dessa joia ambiental, o artista plástico Emanoel Araújo, fundador do Museu Afro-Brasil e ex-diretor da Pinacoteca de São Paulo, propõe a salvaguarda da Baía de Todos-os-Santos, que corre o risco de ganhar uma ponte bilionária anunciada pelo governador baiano Jaques Wagner (PT). Emanoel se associou ao escritor João Ubaldo Ribeiro na defesa da Ilha de Itaparica e do mar da Bahia.

– A Baía de Todos-os-Santos tem que ser tombada. Porque sempre foi motivo de relatos históricos de viajantes, como o de Maria Graham (escritora britânica, 1785-1842) e Maximiliano da Áustria, que descreve o esplendor. Não se pode simplesmente criar uma ponte cortando essa baía, porque ela tem uma inteireza, vai pelo Recôncavo e forma essa magnitude. Tem que ser respeitada essa geografia. Se quiser fazer um caminho rápido, que se faça por Feira de Santana. Esse anúncio da ponte é tão extraordinário que termina ficando somente no anúncio – ironiza o artista.

Emanoel Araújo teve um enfrentamento recente com o governo do Estado (clique aqui). Convidado a expor no Museu Rodin Bahia, do qual foi idealizador, ele enfrentou um oceano de burocracias e desistiu da travessia em corredores estatais depois que pediram seu currículo. Em tom de conselho, Emanoel diz a Ubaldo:

– O governador (Jaques Wagner) não tem credibilidade nenhuma. Isso é um anúncio de campanha eleitoral. Ubaldo, não se despeça de Itaparica, a ponte não vai sair! Mas a degradação da Ilha vai continuar por conta de todos os farofeiros. Não acredito que vão fazer essa ponte. E, além do mais, pra quê? Não tem sentido nenhum.

Para o ex-diretor do Museu de Arte da Bahia, o governo baiano “não tem a menor capacidade para tocar nenhum projeto com essa magnitude.”

– Tive a experiência do Museu Rodin. Eles tiveram sete anos pra organizar e o que fizeram lá é uma lástima.

Cravo Albim:”impostura”


Cravo Albin denuncia “impostura e vilania”

Assim como Emanoel Araújo, o musicólogo Ricardo Cravo Albin, fundador do Museu da Imagem e do Som, assinou o manifesto “Itaparica: ainda não é adeus”, em apoio à campanha de João Ubaldo Ribeiro. E vincula a cobiça de empreiteiras e imobiliárias sobre o paraíso ecológico baiano com o que ocorre em outras cidades brasileiras, a exemplo de Penedo, em Alagoas. Cravo Albin, um dos maiores conhecedores da história da Música Popular Brasileira, deixou uma mensagem no momento em que apoiou o romancista:

– A indignação de Ubaldo não é só legítima e necessária. Vai além, muito além. É um grito – talvez uma prece até canônica – contra o farisaísmo dessa canalha que usurpa todo um País em nome – meu Deus! – do progresso. Eu nunca me acostumei a aceitar tamanha impostura e vilania. Empreendi, recordo agora, uma campanha para salvar a cidade colonial de Penedo, terra de minha mãe, de uma ponte medonha que ligaria Alagoas a Sergipe. E tive que lutar inclusive contra meus parentes.

jan
29
Posted on 29-01-2010
Filed Under (Artigos, Eventuais) by vitor on 29-01-2010


DEU NO COMUNIQUE-SE
(Portal web sobre bastidores da imprensa)
Jornalistas acreditam que blogs podem pautar a imprensa

Izabela Vasconcelos, de São Paulo

Notícias exclusivas e assuntos diferenciados postados em blogs podem pautar a grande imprensa. É o que os jornalistas reunidos no painel “Jornalismo na rede”, na Campus Party, acreditam. Um exemplo é o PEbodycount, blog sobre segurança público, mantido pelo jornalista Eduardo Machado e sua equipe, que retrata os índices de violência em Pernambuco. A página já chegou a pautar veículos e programas como Le Monde, Los Angeles Times, Profissão Repórter e Fantástico.

O blog apresenta números de homicídios e detalhes dos crimes que são atualizados diariamente. “A força disso é que quando o governo dizia que tinha tido um dia tranquilo, ou que a violência estava diminuindo, nós tínhamos esses dados para confrontar”, explica Machado.

O jornalista, que também é repórter do Jornal do Commercio de Pernambuco, conta que já rebateu uma informação oficial, de que uma das mortes registradas no estado teria sido causada por um atropelamento, saindo assim dos índices de criminalidade. Na realidade, os dados do blog, obtidos por fontes confiáveis, afirmavam que a pessoa havia sido morta a tiros. Para confrontar a informação oficial, os blogueiros postaram o texto “Atropelado por três tiros”, que gerou grande repercussão.

Para manter o blog, Machado conta com mais três profissionais na equipe e apoio da Associação do Ministério Público de Pernambuco (AMPE), que oferece R$ 1,5 mil de orçamento mensal para a manutenção da página.

Caminhos alternativos
Sem encontrar espaço nos grandes veículos ou patrocínio, muitos jornalistas optam por criar páginas independentes, como é o caso de Paulo Fehlauer, do blog garapa.org, coletivo multimídia, e André Deak, que mantém, ao lado de outros profissionais, o Haiti.org.br. No caso do portal sobre o Haiti, que é atualizado com informações gerais sobre o país, os jornalistas pretendem levantar uma verba para viajarem até o Haiti para cobrir o país de perto. Outra ideia é uma exposição com o trabalho dos principais fotógrafos que atuaram no Haiti.

Em todas essas investidas, os jornalistas não sabiam se teriam algum retorno ou não. “Nós sempre fizemos as coisas sem saber qual seria o retorno financeiro disso”, diz Fehlauer.

Nos blogs e sites alternativos, os profissionais acreditam que conseguem fazer o tipo de jornalismo que pretendem e investir nas reportagens multimídias, um grande diferencial. Deak só não entende porque os veículos brasileiros se afastam desse tipo de trabalho. “Os jornais do Brasil não valorizam a reportagem multimídia. É uma cegueira dos chefes de redação”.

Apesar de concordarem que o bom jornalismo custa caro, os profissionais criticam a cobrança de conteúdo na web. “Cobrar pelo conteúdo na internet é a vanguarda do atraso”, contesta Deak

jan
29
Posted on 29-01-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 29-01-2010

Canal da Mancha; por que não um túnel?

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Na Tribuna da Bahia desta sexta-feira, 29, o jornalista político Ivan de Carvalho capricha na mira de sua coluna diária ao tratar de um dos assuntos mais polêmicos desta semana na Bahia, com repercussão no País: a ponte anunciada pelo governo Jaques Wagner para ligar Salvador à ilha de itaparica, motivo de fortes reações iniciadas com a publicação em A Tarde de artigo do escritor João Ubaldo, destes para ficar nos registro da história dos mais completos de conteúdo e contundentes escritos jornalísticos.

Recentemente, o jornalista Levi Vasconcelos ( da coluna Tempo Presente) flagrou, em um restaurante da moda na Pituba, militantes petistas planejando vaiar Caetano Veloso “nos circuitos nobres” do carnaval baiano. Ivan conjectura: Se Caetano deve ser vaiado pelo que falou, pelo que escreveu que vaia monumental merece João Ubaldo, pelo monumental artigo atacando a ponte monumental.

Leia o texto completo, que Bahia em Pauta reproduz.

(VHS).

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OPINIÃO POLÍTICA

As vaias, a ponte e o túnel

Ivan de Carvalho

Recentemente, o jornalista Levi Vasconcelos flagrou, em um restaurante da moda na Pituba, militantes petistas planejando vaiar Caetano Veloso “nos circuitos nobres” do carnaval baiano.

A vaia seria (ou será) porque Caetano não vai votar na candidata do PT a presidente e/ou porque ele aplicou alguns adjetivos desagradáveis a Lula. Teria (ou terá), evidentemente, índole intimidatória, de terrorismo político-psicológico, de patrulhamento de idéias, na rota da Polícia do Pensamento de que fala Orwell em seu romance 1984. Regina Duarte (lembram-se?) disse que tinha medo.

Em entrevista, explicando que votará na candidata do PV a presidente, a senadora Marina Silva, disse o compositor baiano exatamente o seguinte: “Marina é Lula e é Obama ao mesmo tempo”. “Ela é meio preta, é cabocla, é inteligente como o Obama, não é analfabeta como o Lula, que não sabe falar, é cafona falando, grosseiro. Ela fala bem”.

Foi o bastante. O PT subiu nos cascos. Lula respondeu. Dona Canô, mãe de Caetano, pediu desculpas. Caetano cantou “Eu não peço desculpas e nem peço perdão”. Apesar do desmentido do presidente estadual do PT, Jonas Paulo, a vaia vem sendo estimulada. Isso reportou, no programa Balanço Geral, da Rede Record, o apresentador Raimundo Varela, que não é do PT. Ante sua grande audiência, lamentou um comentário de Caetano, afirmando que este declarou que o carnaval é uma coisa “muita chata” e em seguida lembrou a idéia das vaias como uma coisa que está viva. Ora, quem sabe Caetano – mito e herói construtor do carnaval baiano – está achando (se está) o carnaval uma “coisa chata” para preparar a explicação de não comparecer e, assim, por-se fora do alcance de vaias. Com o que perderia mais o carnaval do que ele. Os petistas, pelo contrário, aparentemente ganhariam. Mas às vezes as aparências enganam.

Há, no entanto, uma fragrante injustiça nessa história. Se Caetano deve ser vaiado pelo que falou, pelo que escreveu que vaia monumental merece João Ubaldo, pelo monumental artigo atacando a ponte monumental… Ubaldo falou da extinção da “Itaparica do meu coração” em holocausto aos “sacerdotes de Mamon”.

Mas talvez haja uma alternativa conciliadora. Os sacerdotes de Mamon não poderiam fazer a exploração destrutiva da ilha, mas se fartariam muito mais na própria obra. Ao invés de ponte, um túnel. Não romperia a paisagem azul de Todos os Santos, passaria mais perto do Inferno, se este for realmente “em baixo”. Sob as águas da baía, por baixo da ilha, saindo um ou dois quilômetros continente adentro, em rodovia da qual ninguém poderia sair ou fazer retorno nos 100 primeiros quilômetros. Assim, não valeria a pena emergir do túnel e rodar 200 km para chegar à ilha. Maiores túneis existem, o Túnel de Seikan, que liga as ilhas de Hokkaido e Honshu, no Japão e o Eurotúnel, sob o Canal da Mancha, ligando a Inglaterra à França/Europa, com 50,5 km, muito mais que os 12 ou 13 da ponte proposta para a baía da Bahia. O túnel baiano, pois, é viável.

Enterrado no chão, o túnel não seria muito visto, mas isso também tem uma solução monumental: duas estátuas de minhoca, uma em cada boca do buraco.

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