jul
13
Posted on 13-07-2009
Filed Under (Aparecida, Artigos, Multimídia) by vitor on 13-07-2009


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CRÔNICA / MAGESTADE

RC , o Rei e seus súditos, muito além do horizonte da mídia

Aparecida Torneros

Um rei que não perde a majestade nem debaixo d’água, assim é o Roberto Carlos, o cantor que se apresentou no sábado dia 11 de julho para um público de milhares de admiradores no estádio do Maracanã, em show comemorativo dos seus 50 anos de carreira, enquanto uma chuva caía sobre as pessoas fascinadas diante do ídolo.

Sua história musical tão decantada por diversas formas de mídia se confunde com a vida de gerações de brasileiros comuns, aqueles que aprenderam a cantarolar suas canções, enquanto varrem as ruas, atendem nos postos de gasolina, ouvem o rádio dos automóveis, sintonizam pequeninos transmissores no alto amazonas, ligam receptores de tevê nas praças das cidades interioranas dos rincões nacionais, acorrem a shows em grandes casas de espetáculos, no nordeste ou no sul, se ligam atentamente aos especiais transmitidos em rede nacional nos finais do ano, como parte das comemorações natalinas e até incorporam expressões suas que podem servir para orações contritas ou para declarações rasgadas de amor e paixão.

Se ele passou por poucas e boas, ao longo da sua vida pessoal e profissional, soube conservar uma característica que é fundamental para a comunicação social, fala com o coração a linguagem da sua gente brasileira, independente de idade, credo, raça, classe social, e costuma enfatizar mesmo é o amor que o une ao seu público.

Isso lhe confere um lugar cativo como o Rei, embora, nas entrevistas e declarações se apresente sempre como o humilde homem que veio lá de seu pequeno Cachoeiro de Itapemirin para conquistar o mundo musical e sagrar-se o mais comunicativo entre tantos talentos, aquele que se identifica em forma e conteúdo com os intrincados aspectos da semiologia dos significados que garantem o feed back dos receptores e dos diversos públicos.

O que se viu no Maraca lotado foi uma partida espetacular onde o jogo se resumia a vários gols de placa marcados por um astro que é craque da empatia popular, o mesmo Roberto Carlos cujos símbolos são cultivados carinhosamente por décadas, apresentou-se com o tradicional “calhambeque”, vestiu-se de branco, lavou a alma dos seus súditos, garantiu a audiência do Oiapoc ao Chuí, na noite de um sábado frio e chuvoso, e levou ao delírio gente de todas as partes, de todas as espécies, de todas as idades, repetiu canções que todos sabiam de cor, riu e chorou, abraçado ao amigo Erasmo Carlos, e à maninha Wandeca, levou paz a milhões de espectadores que, por algumas horas, esqueceram da violência e vivenciaram o que ele define simplesmente como amor entre ele e seu público.

Edgard Morin teorizou bastante sobre os Olimpianos e como suas vidas passam a ser vividas por seus adoradores, Roberto é um deles, mas vai além do simples Olimpiano da mídia industrial porque ultrapassa modismos, movimentos, atenua diferenças, consegue apresentar-se junto de um Caetano Veloso no Teatro Municipal para comemorar 50 anos da Bossa Nova, tem suas músicas cantadas nas igrejas de várias religiões, quando fala da espiritualidade e de Jesus Cristo, tem ainda um percentual respeitável das chamadas “ trilhas sonoras de motel”, atende aos casais enamorados nas diversas fases das suas vidas afetivas, reverencia as mulheres de 40, as que usam óculos, as baixinhas, as gordinhas, as abandonadas, as sonhadoras, e aos homens, empresta bons argumentos para conseguirem conquistas ou para lograrem reconciliações.

Ter um CD do Roberto na manga do colete, ou no MP4, deixar que algumas das suas centenas de músicas aguardem para serem ouvidas ou cantadas no momento certo. Há sempre uma delas destinada ao instante necessário, até aquela do “Cachorro que sorriu latindo”, quando o homem volta pra casa e espera ser recebido de braços abertos pela família.

Engenhosidade, senso de oportunidade, feeling, estrela, tenacidade, boa produção, cuidadosa escolha de repertório, e voz macia com trejeitos de homem que conserva o menino que todos gostariam de proteger, são tantas emoções e tantos ingredientes que concorrem para fazer dele uma unanimidade nacional, apesar dos narizes torcidos de alguns, quem não se rendeu alguma vez a um canto do gênero: Como é grande o meu amor por você?

Pois a noite de 11 de julho, segundo ele próprio, foi a maior emoção da sua vida, uma vida de um persistente brasileiro dedicado ao que escolheu fazer, de homem com talento aliado a trabalho, de pessoa sensível ao movimento que invade a alma de um povo que o sente tão próximo, que faz dele um quase irmão, quase confidente, quase vizinho, um personagem quase comum que é ao mesmo tempo um Rei com um reinado bem delineado.

O seu trono é alma do povo brasileiro e o cetro que empunha é o coro de milhões de vozes que podem ser ouvidas nos confins, além do maracanã, muito além da lógica e bem mais além do horizonte da mídia. Onde deve ter um lugar tranqüilo pra nossa gente amar a saga do Roberto Carlos, tanto assim.

Aparecida Torneros, jornalista, escritora e professora universitária, mora no Rio de Janeiro. Esta crônica foi postada originalmente no Blog da Mulher Necessária (http://blogdamulhernecessaria.blogspot.com), editado pela autora.

jul
13
Posted on 13-07-2009
Filed Under (Artigos, Multimídia, Regina) by vitor on 13-07-2009

Pic-nic no parque
festival
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CRÔNICA / CALIFORNIA DREAM

DOMINGO NO PARQUE

Regina Soares

É verão na Califórnia, o Estado Dourado (Golden State), faz jus a seu nome. Dias brilhantes de sol que nos empurra pra fora de casa, especialmente se é Domingo. Para mim só tem um caminho: O Parque Stern Grove www.sterngrove.org no coração de San Francisco onde desde 1932 se realizam concertos musicais grátis para um publico cada vez mais numeroso e diversificado.

O Stern Grove é um lugar lindíssimo, um clarão no meio de uma pequena floresta de eucaliptos. Foi adquirido por Rosalie M. Stern e entregue a cidade de San Francisco em homenagem ao seu esposo Sigmund, um destacado líder cívico. Encantada com a acústica do local, Mrs. Stern determinou que o local seria preservado como parque no qual o publico pudesse desfrutar, “admission-free” (sem custo), de apresentações de musica, dança e teatro, aumentando assim a fama mundial que San Francisco desfruta como reconhecido centro cultural.

Nesse Domingo (12), a atração principal foi Joan Baez, como sabemos, uma legenda da musica folclórica dos Estados unidos por mais de 50 anos. A, reconhecida mundialmente guitarrista, vem fazendo musica como forma de despertar consciência social, desde o deplorável ate o glorioso da condição humana. Nos anos 60’s e 70’s ela esteve lado a lado com Martin Luther King Jr., Cesar Chavez, Bob Dilan, Woody Guthrie, entre outros. Baez continua impressionando com sua voz suave e sua postura de ativista social, como nesse Domingo, quando ela dedicou sua apresentação aos Iranianos que saíram as ruas clamando por liberdade e justiça em seu pais.

Quem me conhece, e ate os que nem tanto, já devem saber que musica, e arte em geral, são como o ar para mim, vital! Acredito que tem forca de apaziguar, ativar, apaixonar, envenenar, inebriar, aclarar, revolucionar, e por ai vai… não tem como subestimar a influência em nossos atos e na direção que damos a nossas vidas. Joan Baez é só um exemplo disso.

Regina Soares é advogada, mora em Belmont, área da Baia de San Francisco, Califórnia (EUA)

jul
12

“Como explicar sabor do murici pisado com rapadura?”
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CRÔNICA/SENTIMENTOS

DUAS OU TRES COISAS SOBRE MARIO LIMA

Janio Ferreira Soares

Como bem disse mestre Vitor Hugo, ele era uma figura das mais raras. Com os amigos, plácido como os remansos que o São Francisco formava nas encostas de sua Glória natal. Com os adversários, forte como as águas do mesmo rio, que mais na frente desembocavam nas cachoeiras de Paulo Afonso. Assim foi Mário Lima, ou melhor, Marão, que era como eu o chamava durante nossos longos papos, ultimamente (que pena!) só por telefone.

Costumo dizer que quem nasceu ou viveu por esses lados do Brasil sempre levará consigo, até o último suspiro, fatos e acontecimentos que ficam definitivamente anotados na memória. É que o sertão, assim como os ferros que marcam o couro do gado com as iniciais do dono, também deixa na gente dezenas de lembranças que são quase impossíveis de apagar e de explicar.

Como traduzir para uma pessoa, por exemplo, o gosto de um leite espumando, ainda quentinho, saído diretamente do peito da vaca, se ela só tomou o de pacote? Como chegar para alguém e explicar que cheiro tem as flores do tamarineiro ou o vento que sopra antes da chuva chegar, se ele mora numa cidade de concreto? E como dizer pro seu vizinho de apartamento que o mesmo Sol que esturrica árvores, chão, animais e bem-te-vis, no final da tarde nos dá de presente um deslumbrante céu alaranjado, cenário perfeito para ecoar o som da difusora da praça tocando a Ave Maria? Sinceramente, só pra quem é daqui. E Mário, apesar de cidadão do mundo, nunca deixou de sê-lo.

Prova disso é que toda vez que eu escrevia um artigo que falava sobre esses sentimentos ele vibrava e dava um jeito de falar comigo, apesar de, na época, eu morar no meio do mato e ter como único meio de comunicação um velho telefone via rádio, que vivia a mercê dos humores dos ventos que sopravam de Paulo Afonso. Foi o que aconteceu quando eu fiz o artigo A Noite dos Filhos Ausentes, que fala sobre a volta dos filhos de Glória que moram em outras cidades para festejar a trezena de Santo Antônio.

Nesse dia ele me ligou e, animadíssimo, apesar de já meio adoentado, ficou horas e horas lendo cada parágrafo pra mim, como se eu não soubesse o que eu mesmo tinha escrito. “Veja que maravilha, Janio”. E lia, com a sua voz deliciosamente familiar: “Pena que muitos glorienses da pesada não podem vir. Para eles, uma sugestão. Nessa noite, pensem num som de zabumba e pífano tocando no pátio da igreja e no chiado dos foguetes subindo e espalhando seus pequenos fragmentos de luz pelo céu. E se por acaso a boca salivar, liguem não, é apenas a velha memória lembrando de um tempo em que os tamarindos e umbus-cajás pareciam eternos”. E completava, rindo e emocionado: “Janinho, você é um porreta!”.

Sem querer bater na trave da pieguice – mas já batendo -, tenho pra mim que antes de virar pequenos fragmentos de luz pelo céu ele ouviu zabumbas, foguetes, matracas e sinos, e sentiu no canto da boca o gostinho de um murici pisado com rapadura num velho pilão de um alpendre qualquer. Que sacanagem com a gente, Marão!

Janio Ferreira Soares, cronista, nascido em Glória – como Mario Lima que acaba de partir – é secretário de Cultura e Turismo de Paulo Afonso, no Vale do São Francisco.

jul
11
Posted on 11-07-2009
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 11-07-2009

Deu na coluna

Na Tribuna da Bahia, edição deste sábado(11), o jornalista Ivan de Carvalho divide a sua coluna em três comentários sobre temas políticos na ordem do dia, com título unificado: “O idioma, o escândalo, o prazo”.São todos eles assuntos verdadeiramente dignos de notas, que levados ao leitor com o estilo único de Ivan, ficam mais dignos e interessantes ainda. Bahia em Pauta reproduz a seguir o primeiro. E recomenda os demais. Confira. (VHS)
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Lula:reformador idiomático
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O idioma, o escândalo, o prazo

Ivan de Carvalho

1 – O presidente Lula, que terá chegado à noite a Brasília, procedente da Europa, disse lá, ontem, que os senadores (referia-se aos do Brasil) são “inquadráveis”. Assim, inventou uma palavra, o que, neste caso, e tendo em vista a natureza do vocábulo inventado, se não sinaliza conhecimentos vernáculos do presidente que recentemente reformou o idioma por decreto, confirma-lhe a criatividade lingüística, malgrado a língua presa.

Os senadores são “inquadráveis” por não poderem ser enquadrados pelo presidente, que se referia à decisão do senador José Sarney, presidente do Senado, de optar pela instalação da CPI da Petrobras para atenuar as pressões da oposição e de outros setores a respeito dos escândalos que envolvem o Senado e o próprio Sarney, pessoalmente. Referia-se também à “desobediência” da bancada do PT que manteve, “pro forma”, a posição favorável à licença de Sarney por 30 dias, apesar de pedido de Lula em contrário.

Se prosseguir como reformador idiomático e criador de palavras, a colaboração de Lula no setor acabará lhe jogando nos braços o Prêmio Nobel de Literatura.

LEIA INTEGRA DA COLUNA DE IVAN DE CARVALHO NA TRIBUNA DA BAHIA

jul
11
Posted on 11-07-2009
Filed Under (Artigos, Gilson) by vitor on 11-07-2009

Flavio Luiz: talento baiano na prancheta
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CRÕNICA/PERFIL
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O SALTO DO GÊNIO

Gilson Nogueira

“O cartunista baiano Flávio Luiz (hoje ilustrador da África) é um dos 50 convidados para participar do álbum comemorativo dos 50 anos de carreira de Maurício de Souza, criador da Turma da Mônica, ao lado de nomes como Ziraldo, Laerte, Fábio Moon, dentre outros”.

Nelson Cadena, publicitário, redigiu a nota acima para a sua coluna Mídia, do Jornal da Metrópole. O JM, senhoras e senhores, leitores do Bahia em Pauta, é um veículo impresso, em tamanho tablóide, distribuído, gratuitamente, às sextas-feiras, na Grande Salvador. Por sua qualidade editorial, segundo alguns de seus leitores mais assíduos, acaba tão rápido quanto cerveja gelada em dias de sol forte na praia do Porto da Barra.

Cadena não me conhece. Portanto, não seria capaz de aquilatar a satisfação que experimento ao ver Flávio, meu irmão caçula, entre os cobras do cartum do país na edição comemorativa do ciqüentenário de estrada de Maurício de Souza.

Por acompanhar a carreira de Flávio, desde o dia em que ele, ao nascer, fez com um lápis que caiu no seu berço uma caricatura de Deus, entendo que os fãs desse baiano genial, bem como a Turma da Mônica, devem estar felizes da vida com o convite feito ao cartunista dono de traço mágico para engrandecer a obra que saúda o bruxo responsável por fazer a HQ brasileira ser mais valorizada, através de seus personagens encantadores, como o é Cebolinha.

Lembro de Flávio pequenino, no chão da sala de jantar, rabiscando coisas. Entre uma olhada e outra no que ele desenhava, no papel, via figuras que se movimentavam, sem que ele percebesse. Um dia, imaginei que um daqueles personagens iria sair dali e ganhar o mundo. Fiquei calado, não disse nada a ele, nem a ninguém, em casa. Segui conferindo confiante, torcendo, rezando e testemunhando o crescimento fantástico do trabalho de Flavinho. Até que, de repente, aquela figura, que ameaçava saltar do caderninho de Flávio Luiz, mais que depressa virou gente e deu um salto sensacional, para ser amada no mundo inteiro. Com vocês, ele, Aú, o capoeirista!

Acessem http://www.auocapoeirista.com.br

Gilson Nogueira é jornalista
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PS Escolas do interior paulista que não obtiveram uma boa avaliação do IDESP (Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo) receberam uma lista de projetos pedagógicos a escolher, nos quais podem desenvolver programas paradidáticos que ajudem a melhorar o desempenho de seus alunos. Entre os projetos encontra-se um específico com a utilização de quadrinhos e para tal a indicação foi a utilização do álbum recém lançado pela editora Papel A2, AÚ, O CAPOEIRISTA, de autoria de Flávio Luiz. O IDESP (Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo) é um indicador de qualidade das séries iniciais (1ª a 4ª séries) e finais (5ª a 8ª séries) do Ensino Fundamental e do Ensino Médio”
Traço marcante de Flávio
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jul
11
Posted on 11-07-2009
Filed Under (Artigos, Vitor) by vitor on 11-07-2009

Protógenes na Bahia: andar com fé
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ARTIGO DA SEMANA

SANTOS FORTES DO DELEGADO PROTÓGENES

Vitor Hugo Soares

No Dois de Julho o delegado da Polícia Federal, Protógenes Queiroz, foi a sensação do grande desfile cívico e popular realizado em Salvador, na data magna da Bahia. Ele deixou no chinelo o governador Jaques Wagner (PT), o ministro Geddel Vieira Lima (PMDB), prefeito João Henrique (PMDB) e o ex-governador carlista Paulo Souto(DEM), entre outros políticos renomados da terra – do governo e da oposição.

Protógenes percorreu quilômetros a pé sob aplausos e gestos efusivos da multidão nas ruas e das famílias nas sacadas dos casarões históricos durante o cortejo aos heróis simbólicos da batalha da independência nos cerros de Pirajá, em 1823. A consagração veio no Pelourinho, onde o delegado recebeu, de joelhos, a saudação dos integrantes do Olodum, que tocaram tambores para ele em formação especial, algo raro de ver.

Desde então é difícil encontrar no País alguém mais contente que Protógenes. Ele próprio atribui esse estado de felicidade pessoal a motivos de fé: religiosa, moral e cívica. O homem que há um ano conduziu a Operação Satiagraha e prendeu, entre outros, o conterrâneo Dantas Dantas – banqueiro-mor do Grupo Opoortunity – é católico praticante, devoto de São Bento e do Senhor do Bonfim, cujas medidas não tira do braço por nada.

Sincrético, nascido no seio de família com um pé nas sacristias e outro nos terreiros, Protogenes foi recebido também em um dos templos mais sagrados do candomblé de sua terra. Ali teve a confirmação de que é protegido de Xangô, guerreiro poderoso do reino dos orixás que adora desafios.

Saiu da visita quase em estado de levitação, segundo testemunhas confiáveis. Esta seria uma das principais razões do atual estado de espírito e do moral elevado exibido por Protógenes ultimamente. Mas não é o único, podem apostar. Basta ler a entrevista do delegado na revista virtual Terra Magazine, postada na quarta-feira (8/7) na passagem do primeiro ano da Operação Satiagraha, para tirar essa conclusão.

O devastador evento político-policial que virou o país de cabeça para baixo segue emblemático em seus desdobramentos, como se vê pela denúncia criminal apresentada pelo Procurador da República Rodrigo de Grandis, na sexta-feira, 03, contra o banqueiro Daniel Dantas e mais 13 pessoas envolvidas. Eis aí causa mais concreta e explícita para explicar a euforia destes dias de Protógenes Queiroz.

Isso se revela a cada resposta do delegado à repórter Marcela Rocha, na conversa em que o delgado avalia os desdobramentos das investigações que ele conduziu na fase mais crucial, até ser abruta e injustificadamente afastado pelo novo comando da corporação a que pertence. Os motivos estão ainda submersos, mas provavelmente ainda virão à tona, como outras estranhas trasações (para dizer o mínimo) deste caso.

Os fatos mais recentes revelam que o filho de Xangô não só é bom de briga e sabe nadar bem, como parece ter a proteção atenta de santos e orixás poderosíssimos. Assim, no primeiro aniversário da Satiagraha, ele pode afirmar na TM, que não teria feito nada diferente do que fez. Para Protógenes a denúncia do procurador De Grandis, esta semana, não é diferente da primeira, como alguns afirmam. Ao contrário, confirma integralmente os crimes antes apontados por ele.

“Inclusive o procurador foi muito feliz ao requisitar, com urgência, a instauração de três novos procedimentos, em especial o da BrOi, que já era para ter sido instaurado no ano passado, porque eu requisitei que a PF prosseguisse, mas isso não foi feito. O MP, segundo o delegado, teve grande lucidez em razão das provas levantadas, que apontam a autoria de fraude e participação de várias pessoas no esquema da BrOi”, entre elas e advogado e ex-deputado petista, Luis Eduardo Greenhaalg e o advogado e ex-ministro Mangabeira Unger, que inesperadamente deixou o governo Lula e voou de volta para a sua cadeira mais tranqüila e segura,na Faculdade de Direito de Harvard.

Quanto ao fato de ter aberto um novo capítulo sobre a mídia na operação Satiagraha, o delegado também não se arrepender de nada. Ao contrário, afirma estar cada vez mais convencido de que a relação do banqueiro Daniel Dantas e do grupo dele com setores da mídia “é uma relação espúria e criminosa, como foi desde o início apontado na investigação. Foi mostrada a relação que ele (DD) tinha com determinados jornalistas… Entendo que tem que aprofundar essa questão”, conclui o delegado.

Neste domingo (12), à meia noite (que pena o horário tão tarde), na católica Rede Vida de Televisão, o feliz delegado Protógenes Queiroz dará entrevista também no programa de Kennedy Alencar. Mais “chumbo grosso” a caminho, pois munição o delegado não esconde que ainda tem de sobra Que o Senhor do Bonfim, São Bento e Xangô reforcem a guarda de seu protegido.

Ele precisa, e merece.

Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

jul
08
Posted on 08-07-2009
Filed Under (Artigos, Eventuais) by Dimas Fonseca on 08-07-2009

UTI hospitalar
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CRÕNICA/COMPORTAMENTO

SADISMO OU PARANÓIA?

Dimas Fonseca

Tive que enfrentar esta semana um dos meus maiores medos: uma UTI – pois a idéia de ficar em uma UTI hospitalar é apavorante para quem sofre de “descontrolefobia”. Não se assustem com o palavrão que eu explico.

Ainda criança, por volta dos 12 anos, durante uma “brigadeira” (simulação da luta livre então na moda na TV) com meu saudoso irmão -quase gêmeo- Saulo, ao entrar em pânico por ser imobilizado com a cabeça embaixo da cama, descobri que tinha medo de lugares fechados, logo diagnosticado como claustrofobia por minha culta irmã mais velha.

Doença da qual me declarei livre um ano depois, após passar horas trancado na minúscula dispensa da casa, em um processo de exposição progressiva, somente para descobrir, anos mais tarde, que podia ficar dias trancado, desde que com a chave na mão, porém, um minuto sem a chave me levava ao pânico. Tanto faz ficar preso em um cubículo ou acorrentado a um poste no meio da rua, a falta de controle da situação me leva ao pânico. Batizei minha doença de “descontrolefobia”.

Após uma única noite de diarréia, vitima de um ROTAVIRUS que está passeando por Salvador neste inverno, tive uma violenta desidratação. Atendido na Emergência do Hospital Português, neste fim de semana, fui considerado candidato prioritário a uma vaga na UTI, na qual tive o desprazer de passar três noites. Estou escrevendo de um apartamento do hospital, me perguntando como sobrevivi em hospitalizações anteriores, sem notebook e internet móvel.

Nas duas primeiras noites estava muito debilitado para compreender minha situação, o que junto com a presteza do atendimento e gentileza da equipe médica / enfermagem, impediu minha fobia de se manifestar. Minha única queixa deste período foi a insônia causada pelos intermitentes apitos dos equipamentos.

Na terceira noite a coisa foi totalmente diferente: uma noite digna de qualquer filme de suspense e terror. Já plenamente consciente, comecei a ficar incomodado por depender de terceiros para urinar, e principalmente defecar (incluindo a limpeza posterior), o que infelizmente fazia em intervalos máximos de 2 a 3 horas.

Comecei a notar que “Everaldo”, atendente que entre outras coisas era responsável por meu leito nesta noite, era sádico (claro que mudei o nome, não vou crucificar um possível inocente), e aproveitava todas as chances de aumentar meu desconforto.

Após resistir o maior tempo possível (quanto menor a freqüência, mais cedo me liberariam da UTI, era meu pensamento), quando as cólicas estavam insuportáveis, pedia ao Everaldo para me colocar o famigerado APARADOR, neste momento, mesmo ele estando bem a minha frente precisava chamar duas a três vezes para ser ouvido, pedia-me para esperar um minuto, e até então desocupado, passava a andar de um lado para o outro, a meu ver sem fazer absolutamente nada, a não ser procurar uma desculpa para me fazer esperar.

Após mais dois ou três chamados e outro tantos “já estou indo”, colocava-me o aparador, e dizia para chamar quando acabasse. Após gastar a garganta em inúmeros chamados, lembrava-me que as equipes anteriores aguardavam do outro lado do anteparo que isolava meu leito, enquanto ele saía e ia aguardar meu chamado a distância segura (segura de que não ouviria). Somente após pavorosos minutos de dores na coluna (a posição deitado com o aparador não é confortável para ninguém, mas é terrível para quem sofre da coluna como eu), ele aparecia para tirar o aparador, e (para minha) humilhação suprema, limpar minha bunda.

Quando acabava este suplício, pedia para deixar o anteparo aberto, para que pudesse ver o relógio na parede em frente, única forma de controle que ainda tinha, da lenta passagem do tempo. Descobri que para me “sacanear”, assim que eu fechava os olhos por cinco minutos, ele fechava novamente o anteparo.

Depois de algumas apavorantes repetições, tentando chamar o Everaldo para me tirar o aparador, descobri que bater na grade, ao lado da maca, fazia barulho suficiente para ser ouvido em toda UTI, e o Everaldo chegou assustado, “para que isto, basta chamar meu nome que estou ao lado”, ao que respondi que chamava há meia-hora, e ele pediu para chamar um pouco mais alto, passamos a nos entender: sabíamos que se ele demorasse mais de um minuto para me atender toda a equipe da UTI ficaria sabendo quanto ele era ineficiente, e ele parou de me atormentar.

Paranóia ou sadismo: passei metade da noite na UTI sendo atormentado por um funcionário sádico ou passei a outra metade tiranizando um inocente e prestativo funcionário. Esta é uma dúvida que levarei para o túmulo, inocente ou culpado. Só Everaldo sabe a resposta.

Dimas Fonseca é auditor fiscal e faz parte da equipe de colaboradores do Bahia em Pauta. Email: dimas.fonseca@gmail.com

jul
07
Posted on 07-07-2009
Filed Under (Artigos, Eventuais, Multimídia) by vitor on 07-07-2009


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O texto que o Bahia em Pauta publica a seguir nesta sua área de conteúdo principal, no dia do sepultamento de Michael Jackson, em Los Ângeles, saiu originalmente como simples comentario a uma crônica sobre a morte do megaastro do pop, assinada pela jornalista e escritora carioca Maria Aparecida Torneros, cidadã do mundo colaboradora de primeira hora deste BP.

É um texto saído das entranhas de um jovem, nascido na Califónia nos loucos anos 70, Pablo Nicholas Vallejos. Amante de Rock desde a infância, ainda atualmente costuma cruzar o seu enorme país de ponta a ponta, viajando de carro, ônibus e trem para assistir a todos os shows da temporada de uma banda, ou de um artista (como Michael Jackson ou os brasileiros do Sepultura), desde que ele efetivamente goste e ache que o sacrifício vale a pena.

Com o passar dos dias, ficou cada vez mais evidente para nós, que o texto de Pablo merecia mais luz e atenção. Pela simplicidade, pelo sentimento verdadeiro, pela pungência das recordações, mas também pela real qualidade de uma escrita densa, crítica, amarga as vezes, mas enxuta ao mesmo tempo, e que vai direto ao ponto: corações e mentes.

Decidimos que esta terça-feira, dia do enterro de Jackson, é a oportunidade que faltava para republicar o texto de Pablo Vallejos. É também a mensagem de despedida do Bahia em Pauta ao incomparável artista que partiu

Em tempo: a tradução do texto de Pablo, publicado originalmente em inglês, é de Laura Tonhá, outra jovem cidadã do mundo, e uma das razões de ser deste Bahia em Pauta.

(Vitor Hugo Soares, editor)

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Paris, a filha: lágrimas no adeus
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CRÔNICA/DESPEDIDA

CONTINUAMOS DANÇANDO

Pablo Nicholas Vallejos

“Os anos 80 foram os dias de rei do Michael, e uma visao apurada da década mostrará um tempo de maior simplicidade.

O jornalismo de celebridade ainda não tinha se transformado na pouco inteligente “caça ao peru” dos dias de hoje.

Rumores sobre as excentricidades de Jackson – chimpazé de estimação, camara de gás, homem dos ossos de elefante – eram espalhados jocosamente pelo próprio Jackson.

Durante este período, o pop estava em seu apogeu e Jackson seguramente era o Rei.

Não foi evidenciado o fato de que sua música era, sem nenhum esforço, progressiva: do disco pop duplo “Não pare até você conseguir o suficiente” para o rock pesado da guitarra de Eddie Van Halen (guitarrista holandes) em “Beat it = Cai fora” para a electro-gofh – gênero musical que combina diversos estilos de música eletrônica, com a atitude e o espírito do rock gótico – de “Thriller” – para o astro da musica Soul (musica afro-americana) de “Smooth Criminal” (canção do album “BAD” de 1987). Hoje cruzadas com o mais importante do gênero pop, essas musicas são facilmente percebidas como extremamente inovadoras para o seu período de tempo clássico.

Apesar de Jackson ainda produzir grandes musicas, videos e performances em shows na década de 90, Jackson nunca se recuperou completamente das acusações de molestar crianças em 1993. Ele se sentiu traído pelo público- seu público – e o crescimento da exposição, acelerava sua reclusão.

A musica mudou nos anos 90: o rock alternativo alterou as percepções do que era o pensamento geral sobre sucesso, e Gangsta Rap – termo cunhado pela mídia para descrever um certo gênero do rap, que tem por característica a descrição do dia-a-dia violento dos jovens de algumas cidades – oferecia criminalidade como entretenimento. Cultura em geral mudou, e nós, como consumidores, mudamos com isto.

Na época do segundo julgamento por molestação de crianças de Jackson, em 2005 – no qual o cantor foi inocentado – ele tinha começado a usar palavras de “brincadeira” para se defender, que causavam estranhamento. Ultra-saturados, simpatia em baixa, cínicos, nós fomos induzidos por sensacionalistas e não-provadas alegações. Não prestamos atenção na verdade. Nós queríamos a história dos tabloides, principalmente porque isto era o que todos ofereciam. Se nós dançávamos a sua música, isto era com uma piscada de olho irônica.

Mas nós continuamos dançando.”

Pablo Nicholas Vallejos

jul
06
Posted on 06-07-2009
Filed Under (Artigos, Claudio) by vitor on 06-07-2009

Lobo Antunes: feijoadas de Ubaldo
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O repórter Claudio Leal passou o fim de semana no Rio de Janeiro recolhendo pérolas entre os participantes (escritores e público) da Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP). Generoso, como sempre, o jornalista baiano oferece algumas preciosidades aos leitores do Bahia em Pauta, a exemplo das recordações do escritor português, Antonio Lobo Antunes, das feijoadas que o baiano João Ubaldo preparava na cozinha, com pés descalços, nas frias madrugadas de Lisboa. Confira.

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Claudio Leal

PARATY-RJ – Na mesa mais elogiada da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty), sábado (4/7), o escritor português António Lobo Antunes contou ao jornalista Humberto Werneck sua amizade com os baianos Jorge Amado e João Ubaldo Ribeiro, depois de confessar admiração pelo poeta e cronista mineiro Paulo Mendes Campos.

Lobo Antunes guarda o sabor de uma temporada gastronômica “portuguesa” de Ubaldo. Quando residia em Portugal, o autor de “Sargento Getúlio” chamava o amigo para pernoitar uma feijoada. “Ele fazia a feijoada às duas horas da manhã, de chinelo, no inverno, como se estivesse no verão da Bahia…”. O prato era servido às 4h.

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O romancista português, que lançou recentemente “O Meu Nome é Legião”, lembrou outra boutade ubaldiana. João Ubaldo não escrevia nenhuma obra, em Portugal, mas respondeu à cobrança de um jornalista: “Tenho escrito, sim. Meu pseudônimo é António Lobo Antunes”.

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“Era um homem maior que sua obra”: Jorge Amado, “um homem sem inveja”, pelos olhos de Lobo Antunes, o que tanto soa como um elogio quanto um drible em avaliações críticas sobre os romances do baiano que o consideva um “filhote”.

“Por que você vive me beijando, Jorge?”.

“Porque gosto de lamber os meus filhotes…”

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No sábado, o craque do jornalismo Gay Talese autografou seus livros, lançados no Brasil pela Cia. das Letras, no espaço dos autores da Flip. Por fora da festa, uma mulher puxava a filha pelo braço. “Mãe, quem é?”. Depois de olhar o alinhado Talese, metido num impecável terno de filho de alfaite, a mãe deu o parecer: “Ah! É o (Ariano) Suassuna…”

jul
06
Posted on 06-07-2009
Filed Under (Artigos, Eventuais, Multimídia) by vitor on 06-07-2009


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OPINIÃO/IMPUNIDADE

POLITICAMENTE INCORRETA

Graça Azevedo

Que me perdoem os amigos dos anos 67-70 se este desabafo parecer politicamente incorreto. É que não suporto mais ver os poderosos infringindo as leis e acobertando-se sob o manto do politicamente correto.

É muito fácil para os que estão no poder repetirem a frase: são excluídos sociais, não tiveram a oportunidade de se tornarem pessoas melhores. E em nome destes excluídos fazerem leis que beneficiam aos maiores infratores deste País.

São pessoas que se beneficiaram no tempo da ditadura e que, por si ou por seus descendentes, continuam representando o que a elite brasileira tem de pior. E pensar que eu, como muitos da minha geração, lutamos, de formas diversas, para mudar o “status quo”… Eles continuam!

Que privação passaram os senadores e deputados deste Brasil? Todos pertencem a uma classe privilegiada, inclusive de trabalhadores. É através do discurso do politicamente correto que se negam a fazer as leis punitivas tão necessárias à moralização deste País.

Enquanto estes legisladores estiverem no poder, nenhuma lei permitirá a tranqüilidade que almejamos. Eles jamais criarão algo capaz de uma autopunição. E ainda fazem o discurso bonito contra a miséria. Que fique claro que, como socióloga, vi e estudei os fatos sociais que definem a exclusão social do Brasil. O que não aceito é que, usando a miséria social, os verdadeiros construtores desta realidade, miseráveis morais, se protejam da punição que lhes seria imposta.

Os ditos “representantes do povo” , com raras e honrosas exceções, possuem em seus gabinetes funcionários que buscam consultas e internamentos para a população excluída e com este ato “generoso” conseguem a fidelidade de eleitores pelo seu favor. Por isso nunca um projeto de saúde eficiente será efetivamente montado para atender a todos. Isso ocorre em todos os segmentos: estradas, poços, caminhões de água na seca… Tudo tem que ter o carimbo de quem conseguiu, como se isso não fosse sua obrigação. Aos pobres eleitores parecerá sempre um favor, um presente.

Vejo em todas as esferas do Poder um esquema de autoproteção. Começa no Legislativo que, em tese, deveria fazer leis que beneficiassem toda a população e não o fazem, passa pelo Executivo que não as cumpre e termina no Judiciário que absolve a todos.

Quando vejo a sucessão de escândalos que abala o País me vejo sem saber a quem recorrer.

Perdi há três anos um filho assassinado. Até hoje os criminosos não foram julgados e ainda possuem protetores “importantes”. Eu me pergunto se, diante de toda a impunidade que campeia neste país, os meliantes não se sentirão com direito às benesses que uma corja instalada no Poder reivindica em seu próprio favor.

E é em nome das mães das vítimas, já que as mães dos infratores recebem toda a ajuda dos poderes constituídos e paralelos, que suplico aos que, como eu, se revoltam com o atual estado das coisas, que se rebelem contra os ditos “direitos humanos” e exijam uma sociedade que comporte os Humanos Direitos.

Maria das Graças Azevedo é socióloga e servidora pública, mãe do economista e ex-consultor da ONU para políticas de agricultura familiar e alimentação, Vitor Athayde Couto Filho, assassinado em Salvador em 2006.

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