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Posted on 03-04-2009
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Carlos Martins:no olho do furacão

O Bahia em Pauta inicia a seguir uma série em dois tempos em que tenta desvendar os bastidores da guerra intestina entre os Auditores do Fisco e o governo do Estado, na pessoa do Secretário da Fazenda, Carlos Martins, que já se prolonga há meses, como resultados que podem ser desastrosos para a arrecadação baiana. Mais prejudicial ainda em tempo de crise como a atual, quando já começam a ser detectados os primeiros sinais de queda, como se verá no segundo (e final) capítulo desta história real. Confiram a primeira parte.

(Vitor Hugo Soares)

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DERROTAS E VITÓRIAS DE UMA GUERRA

Os Auditores Fiscais do Estado da Bahia, que se consideram perseguidos pelo Governo do Estado, na pessoa do Secretário da fazenda Carlos Martins, tiveram está semana uma derrota significativa na Assembléia legislativa, mas vêem obtendo algumas vitórias significativas no judiciário.

Segundo os Auditores, o Secretário elaborou um projeto de reorganização do fisco, ouvindo apenas o Sindsefaz, que atualmente representa os Agentes de Tributos, possuindo um quadro mínimo de Auditores associado, desconsiderando pareceres contrários, apontando sua inconstitucionalidade, do Ministério Público, da OAB e do IAF sindical. Este último apesar de congregar a maioria absoluta dos Auditores da ativa, não é recebido pelo Secretário, que continua tratando o Sindsefaz como representante único dos Auditores.

Este projeto (PL 17.713/2008), aprovado pela Assembléia Legislativa na madrugada do dia primeiro de abril, transfere atribuições de constituição de Crédito Tributário na fiscalização de trânsito e na fiscalização das microempresas, exclusiva dos Auditores, para os Agentes de Tributo, que fizeram concurso de nível médio.

CONTRADIÇÕES

Neste assunto o Governo Wagner assumiu posição totalmente contraria a do presidente Lula, que recentemente regulamentou as atribuições da Carreira de Auditoria da Receita Federal, composta pelos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil e pelos Analistas-Tributários da Receita Federal do Brasil através do Decreto nº 6641/2008, e na ocasião rejeitou a mesma proposta dos Analistas-Tributários, cargo equivalente aos Agentes de Tributos Estaduais, pleiteando a competência para constituir, de forma concorrente com os AFRF, o lançamento do crédito tributário. É curioso observar que a manutenção das atribuições privativas dos AFRF, teve como um dos seus principais defensores o Deputado Walter Pinheiro, atual secretário de Planejamento do Governo Estadual, que não abriu a boca sobre a PL 17.713/2008.

A perseguição também se configura, segundo os auditores, nas negociações salariais e de ressarcimento de perdas anteriores. Foi acordada no ano passado a recomposição do ponto da produtividade que tinha sido reduzido no governo passado para os 3% anteriores, a partir de fevereiro de 2009. Porem, como não houve reajuste equivalente no salário do Governador, a recomposição foi inócua para 20% dos Auditores, que passaram a ultrapassar o teto.

O projeto aprovado pela AL, além da transferência de atribuições, contempla também antigas reivindicações do fisco, repondo parte das perdas (9% dividido em 3 anos) e incorporando parte do Prêmio de Desempenho Fiscal – PDF, para que passe a ser recebido também pelos aposentados (também em 3 anos), porém, como não aumenta o teto (salário do Governador), só atingirá os Agentes de Tributos, sendo totalmente inócuo para 50% dos Auditores, que passarão a ter estorno pelo teto logo no primeiro ano, significando na verdade perda da parte do PDF incorporado, atingindo 100% dos Auditores no último ano da incorporação.

Vale ressaltar que a Constituição do Estado da Bahia, conforme delegação da Constituição Federal, determina que o teto para todos os poderes, é o salário do Desembargador do TJ-BA, porem, o Executivo aplica inconstitucionalmente nos Auditores o salário do Governador como teto, só nos Auditores, pois os Procuradores do Ministério Público, apesar de pertencerem ao Executivo, estão sujeitos ao teto do Desembargador do TJ-BA.

(Leia a continuação mais tarde no Bahia em Pauta)

abr
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Posted on 03-04-2009
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Londres, a fantástica capital da Inglaterra, raramente foi tão citada e esteve tão em voga quanto nesta semana em que abrigou a cúpula do chamado G20, com a participação dos dirigentes das maiores e mais ricas nações do planeta – responsáveis por mais de 70% do PIB mundial.

Lá deu de de tudo, nestes dias de negociações: protestos e pancadarias na ruas, com a “elegante” polícia londrinda batendo firme em manifestantes para conter o quebra-quebra em frente de símbólicas e poderosas instituições financeiras no meio da rua, em contraste com os afagos e rasgação de seda de dirigentes nos corredores e salões no ambiente interno do encontro. Se tudo resultará em alguma coisa de positivo não se sabe ainda.O fato é que a semana não podia terminar sem os sons e as imagens da Londres que todo mundo ama. Aqui vão eles, em “London London”, a melancólica composição do baiano ex-exilado na cidade, aqui em alegre e inusual interpretação em ritmo de samba da dupla Cibelle&Devendra em trajes vitorianos, dançando sobre os telhados de Londres.Inperdível.

(Vitor Hugo Soares).

abr
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Posted on 03-04-2009
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Glória Pires faz Dona Lindu, mãe de Lula, no cinema

ANÁLISE/POLÍTICA E CINEMA

OS FILHOS DAS “MÃES’:LULA E OBAMA

*Aparecida Torneros

A brincadeira feita pelo presidente americano Barak Obama, na do reunião do G20, na Inglaterra, quando ele apontou o presidente brasileiro Lula da Silva dizendo: – “esse é o cara, o político mais popular do mundo!”, na verdade, deixa transparecer que os interesses mundiais se voltam para um gigante que acorda e põe de sobreaviso todos que ouvem seus barulhos espreguiçando-se no horizonte da Terra.

Tanto o gigante chamado Brasil, em cujo berço explêndido, deitam-se riquezas naturais ainda inexploradas, como o outro gigante que tenta se recuperar da violenta crise existencial por que passa o seu way of life capitalista,os Estados Unidos da América, ambos, ostentam em suas histórias as eleições presidenciais de figuras carismáticas, que ascenderam aos postos máximos das duas maiores democracias do continente, trazendo um passado pessoal que os liga a figuras maternas fortes e decisivas em suas trajetórias.

Dona Lindu, a pernambucana que fugiu da seca num pau de arara sozinha com seus oito filhos e morreu em 1980, sem ver Luiz Inácio botar a faixa de presidente do Brasil, constantemente reverenciade pelo filho presidente, agora é personagem de filme, interpretada pela atriz brasileira Gloria Pirez.

O jornalista belga, Christian Dutilleux, autor de uma briografia de Lula, foi atraído por esta história fascinante, e pesquisou profundamente as origens do presidente brasileiro, indo ao sertão, ao lugar do seu nascimento. Grande parte da biografia escrita por Dutilleux se concentra em Dona Lindu, espécie de «mãe coragem» forte e digna. «Lula considera sua mãe como um modelo, na mesma proporção que considera o pai, Aristides, um anti-modelo», observa Dutilleux. Seu pai, tirânico, bígamo e no fim da vida alcoólatra, foi praticamente ausente de sua vida, desde o nascimento.

Vejamos Obama, sua formação junto à mãe e aos avós maternos, em contraponto à ausência praticamente total do pai nigeriano, que ele viu poucas vezes na vida e em quem faz questão de não se espelhar. Sua referência masculina divulgada é mundialmente conhecida através de uma foto em que aparece com o pai da sua mãe, numa praia, num abraço feliz entre um carinhoso avô branco e um neto mestiço, alheios à segregação racial da época, demonstrando que seu caminho de glória deve ter começado ali, nas praias do Hawai,quando sua mãe também corajosa, o entregara aos cuidados de pessoas fortes emocioalmente que o iniciaram na vida.

A avó materna, que Obama chamava afetivamente de “Toot” – termo originado de “tutu”, a palavra havaiana para avó – foi frequentemente mencionada por ele durante sua campanha.

Conta-se que a mãe de Obama também deu-lhe muitos exemplos de dignidade e solidariedade por ter sido ela própria uma defensora e ativista de causas humanitárias às quais se dedicou viajando por muitos países em trabalho abnegado, com isenção de preconceitos, com altivez de comportamentos.

“Eu creio que se eu soubesse que a minha mãe não iria sobreviver à doença, eu escreveria um livro diferente – menos meditação sobre o pai ausente, mais celebração da mãe que era a única coisa constante em minha vida”, escreveu no prefácio de suas memórias, “Sonhos De Meu Pai”.

E acrescentou “Eu sei que ela era a mais gentil, o espírito mais generoso que já conheci e o que existe de melhor em mim eu devo a ela”. Para essa Ann, mulher estranha para os valores dominantes, delicada e rebelde, na campanha eleitoral Obama chamava de a sua “mãe solteira”.

Assim, quando os dois chefes de governo, brincam, e Obama, que é na verdade o mais popular político vivo da Terra, confere o segundo lugar no ranking dessa corrida de popularidade ao seu colega brasileiro, percebe-se que eles tem um ponto em comum extremamente catalizador: suas mães deram-lhes a passagem necessária para a auto-confiança e a busca de realização de ideais em defesa do que acreditam e do que podem construir em seus caminhos.

Se buscássemos Freud, quem sabe o pensador da psicanálise não os classificaria como figuras edipianas sólidas, homens cuja liderança e masculinidade se dá de forma mais feminina, mais aconchegante, sorridente, conciliadora e amiga. Características herdadas das figuras maternas inegavelmente mais presentes em suas vidas do que as dos seus pais biológicos, ausentes, fracos, esmaecidos e até esquecidos.

Para Lula e Obama, esposas presentes e atentas, D. Marisa e Michele, refletindo suas culturas e costumes.

Com Lula e Obama, a condução de um processo árduo de costurar crise e interesses vários, buscando liderar G8 e G20, encontrar atalhos possíveis, criar expectativas positivas em torno do comércio internacional, e dar de comer a filhos desconhecidos que habitam o mundo moderno em busca de verdadeiras “mães” de gravata e paletó, que os dois começam a encarnar nestes novos tempos em que é preciso dar colo aos que lamentam e castigo aos que exorbitam, atitudes de genitoras atentas, ou de pais presentes. Talvez seja este o lugar dos dois homens políticos mais populares do mundo: paternidade consciente!

*Aparecida Torneros , jornalista e escritora, vive no Rio de Janeiro.E-mail:cidatorneros@yahoo.com.br

abr
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Posted on 02-04-2009
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Já corre o mundo através das cadeias de televisão e, principalmente , pela Internet – no You Tube já existem pelo menos três vídeos sobre o assunto – o diálogo informal do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, com o seu colega do Brasil, Luis Inácio Lula da Silva, nesta quinta-feira, no reino Unido. Pela espontaneidade e pelos signos explícitos e implícitos na conversa, já pode ser considerado um dos momentos marcantes do ano nas relações entre chefes de Estado. Aconteceu durante o almoço de líderes que participam da cúpula do G20, em Londres, quando Obama apontou para Lula e disse a colegas próximos: “Gosto deste cara. Ele é o político mais popular do mundo”. O que se segue é uma cena incomum em reuniões deste tipo. Lula até puxa o presidente dos Estados Unidos pelo braço, para que Obama se aproxime da roda de conversa. Mais tarde, ao seu jeito, o presidente do Brasil explicaria a informalidade: “Obama tem a cara da gente. Se eu o encontrasse em Salvador pensaria: “é um baiano”. Está explicado!

(Vitor Hugo Soares)

abr
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Posted on 02-04-2009
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Há uns três anos, mais ou menos, quando editava a página de Opinião de A Tarde, recebi e-mail assinado por Jânio Ferreira Soares. Ele falava sobre um artigo publicado simultaneamente no jornal baiano e no Blog do Noblat, em que eu recordava antigas e marcantes vivências de infância às margens do Rio São Francisco, principalmente na cidade de Santo Antonio da Glória – à qual pertencia o então distrito de Paulo Afonso nos anos 50, época da construção da primeira usina hidrelétrica da CHESF.

Mais que a generosidade das palavras de Jânio, tive a intuição de que por trás daquele e-mail se escondia um cronista especial. Em reposta, comuniquei isso, e pedi a ele um texto para publicação. Modesto, Jânio resistiu um pouco, mas quando mandou o artigo, vibrei. Acertara na mosca: ali estava o primeiro texto de um dos melhores cronistas baianos da nova geração, tão rico em humor e conteúdo quanto os de seu saudoso e famoso conterrâneo Raimundo Reis. Publicado, o artigo foi sucesso imediato, que se repetiria semanalmente no período em que permaneci como editor no jornal baiano. Fico mais feliz ainda em poder publicar agora o primeiro artigo de Jânio no Bahia em Pauta. Estou certo que o sucesso se repetirá. Agora não só por instinto, mas por convicção. Confiram.

(Vitor Hugo Soares)

Panorama de Paulo Afonso

CRONICA DO COTIDIANO

A LUZ DE PAULO AFONSO

Janio Ferreira Soares

No momento em que escrevo este artigo ela ainda desenha caprichosamente seu facho sobre as águas do São Francisco que, talvez agradecido, parece mandar a força exata para fazê-la brilhar no tom. Pena que daqui a pouco começará a amanhecer e aí ela esmaecerá lentamente até apagar de vez ao som dos clicks dos interruptores e das fotocélulas dos postes. Mas, até colocar o ponto final neste artigo ainda dá tempo de curtir as sutilezas da paisagem que diariamente se apresenta na minha janela.

Se ainda estiver escuro e soprar um vento norte, como agora, não seria nenhum exagero dizer que a visão das luzes balançando sobre as águas é quase igual a uma tela de Van Gogh que eu vi um dia, só que acrescida das garças que quase triscam suas asas nas marolas. Já quando entra em cena a calmaria de uma madrugada de verão e as luzes flutuam entre algarobas, canoas e mormaços, a esquadria de alumínio da parede do meu quarto emoldura com perfeição uma imagem que poderia muito bem ter saído do pincel de Claude Monet. Pena que essa brincadeira de faz de conta vai embora assim que o Sol de Graciliano joga na minha cara a dura e seca realidade do sertão.

Para os baianos nascidos antes da década de 50, a chegada da energia elétrica gerada pelo funcionamento da usina Paulo Afonso I foi um verdadeiro acontecimento. Que o diga dona Canô, que num recente depoimento revelou que a coisa que mais a impressionou ao chegar a Salvador, não foi a grandeza da capital, tampouco seu movimento, mas sim o simples gesto de apertar um botão e ver tudo clarear ao seu redor. Igualmente a ela, milhares de nordestinos também ficaram encantados com a novidade, que à época era saudada por muitos como a luz de Paulo Afonso.

Acredito que a turma nascida sob o domínio do mail não tem a menor idéia de como surgiu e nem de onde vêm os milhares de kilowatts que impulsionam os seus orkuts, blogs e baladas. Também acho que a maioria nunca ouviu falar de um moço chamado Delmiro Gouveia, que no começo do século passado percebeu que a beleza e a força das águas da cachoeira de Paulo Afonso poderiam render muito mais do que belos versos de Castro Alves, elogios de Dom Pedro II e exclamações de encantamento de boquiabertos visitantes.

E foi graças ao seu pioneirismo e a incessante luta do engenheiro Apolônio Sales – que comandou uma grande campanha nacional – que nasceu a Chesf, com a finalidade específica de promover o potencial hidrelétrico do rio São Francisco.
Numa recente reunião com centenas de municípios da Bahia onde foram definidas as suas potencialidades, uma senhora quis saber de onde eu era. “Paulo Afonso”, respondi. “E lá tem o quê?”. Olhei para a sala com o ar condicionado perfeito, assim como o som, o projetor e as luzes, e quando ia responder que se um conterrâneo quisesse acabar com aquela festa era só desligar um botão, anunciaram o “coffee break”, que por sinal não estava lá grande coisa.

Jânio Ferreira Soares, escritor, é secretário de Cultura da cidade de Paulo Afonso, nas margens do Rio São Francisco. E-mail: (s.janio@globo.com)

abr
02
Posted on 02-04-2009
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Abril lembra Paris no começo da primavera europeia. Lembra também “April in Paris”, a notável canção composta por Vernon Duke para a Brodway, mas que chegou ao cinema na voz formidável de Doris Day e fez o mundo cantar e se emocionar. Esta músiga ganhou interpretações memoráveis de grandes intérpretes e grandes orquestas. Prefiro a versão em dueto de Ella Fitzgerald e Luis Armstrong, que não achei na Internet. Vai aqui em dois momentos mágicos: na voz romântica de Doris Day e nos metais preciosos da orquetra de Glen Miller. Em ambas a oportunidade rara de ouvir e sentir o que há de realidade e o que há de sonhos e quimeras na canção que fala como nenhuma outra de Paris na primavera: “das cadeiras nas calçadas e das castanheiras em flor, uma sensação que não se repete”. Para ouvir , sonhar bons sonhos… e viajar.
(Vitor Hugo Soares)

abr
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Posted on 02-04-2009
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Mais gente?

PERGUNTAR NÃO OFENDE:

A Comissão de Costituição e Justiça aprovou ontem (1° de abril) relatório do deputado Flávio Dino (PC do B-MA), favorável à promulgação de imediato do número de vereadores em todo País – dos atuais 51.748 para 59.791 -, como prevê a chamada PEC dos Vereadores. A decisão praticamente recria mais de 7.000 dos 8.000 cardos de vereadores, cortados pelo Tribunal Eleitoral (TSE), em 2004.

O corte, em tempo de vacas gordas da economia do País, foi feito para reduzir gastos e adequar a quantidade de vereadores ao número de eleitores em todo País. Agora, em plena crise, o relatório aprovado na CCJ permite que tudo volte ao que era antes no quartel de Abrantes.O parecer irá para votação no plenário da Câmara, presidida pelo deputado Michel Temmer, do PMDB, e pode ser aprovada por maioria simples dos deputados. Uma primeira tentativa neste sentido, no ano passado, foi arquivada pelo então presidente da Casa, Arlindo Chinaglia (PT).

A pergunta que não que não quer calar: “a quem interessa,agora, esta PEC dos Vereadores?”

abr
01
Posted on 01-04-2009
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Argentinos humilhados

O falecimento ontem do ex-presidente Raul Alfonsin, considerado “pai da democracia no país”, e o internamento da cantora Mercedes Sosa na UTI de um hospital de Buenos Aires, em estado de saúde que inspira ainda muito cuidado, aparentemente não foram suficientes para preencher a cota de sofrimento dos portenhos nesta semana. Para completar a fase de depressão e inferno astral que se respira no país às margens do Rio da Prata, a seleção de futebol da Argentina sofreu na tarde de hoje, uma das mais humilhantes derrotas da sua historia: 6 a 1 contra a Bolívia pelas eliminatórias para a Copa do Mundo na África do Sul.

“Cada gol da Bolívia era como uma punhalada no coração”. A frase do grande ídolo Armando Diego Maradona, atual técnico da seleção argentina, que seguia invicto até esta tarde, sintetiza com perfeição o sentimento nas ruas de Buenos Aires e que percorria o resto do país. A seleção de Maradona não buscou desculpas para a catástrofe, nem mesmo a altitude de La Paz onde aconteceu a tragédia para os portenhos. “Nós não fizemos nada. A Bolívia nos superou em tudo e é preciso começar tudo de novo”, disse o técnico e ídolo.

Para um argentino qualquer reconhecer isso em relação ao seu futebol é doloroso. Para Maradona, então, nem se fala. Crise à vista no Prata.

(Vitor Hugo Soares)

abr
01
Posted on 01-04-2009
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O jornalista Claudio Leal constrói uma crônica saborosa e plena de informações sobre um personagem e uma época da Bahia. O personagem é Nilson de Oliva Cezar, o Pixoxó. “Quem se lembraria deste homem?”, pergunta o jovem jornalista baiano que trabalha atualmente na revista virtual, Terra Magazine, em São Paulo, ao lado de Bob Fernandes. Com pegada profissional e texto de dar inveja a veteranos de dedos calejados nas redações, Leal fala também de uma Bahia e de um País de que pouca gente ainda se lembra . “Jornalista, boêmio, orador, antifascista – esse o Pixoxó domado em seu destempero a partir de 1964, quando as ruas de Salvador começaram a se despovoar da fauna de apaixonados pela ausência de contratos com a vida”, diz Claudo Leal, na crônica exclusiva que escreveu para Bahia em Pauta. Leia. (Vitor Hugo Soares, editor)

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O gaúcho Flores da Cunha/ Arquivo Folha

CRÔNICA SOTEROPOLITANA

FLORES E UISQUES DE PIXOXÓ

*Por Claudio Leal
“Primeiro de abril, mas esse não é o papo. Melhor tocar uma conversa rápida, assim meio jorrada, sobre Nilson de Oliva Cezar, o Pixoxó. Quem se lembrará ainda do homem? Que respondam Waldir Pires, Lomanto Júnior, Fernando Sant’anna, Sebastião Nery. E a memória, sempre traiçoeira, das velhas gazetas.

Jornalista, boêmio, orador antifascista, irmão da atriz Nilda Spencer, “arauto” (como está definido em livro), bebedor afoito – esse o Pixoxó domado em seu destempero a partir de 1964, quando as ruas de Salvador começaram a se despovoar da fauna de apaixonados pela ausência de contratos com a vida.

Morto em 1983, aos 59 anos, permaneceu a folha corrida de histórias saborosas e exuberantes do mundo político e intelectual da Bahia, das apostas nas roletas do Tabaris, onde rolavam os dados do lendário Vadinho, que obteve uma “autorização especial” do Juizado de Menores para o infante amigo frequentar a casa noturna.

“Os bêbados não devem chorar”, ensinou Pixoxó no último encontro com Vadinho, no aeroporto de Congonhas. Mas devem distribuir flores. Conta o poeta Fred de Souza Castro que, após farra no Bar de Zozó, no Cabeça, o jornalista comprou dezenas de rosas e saiu a jogá-las nos pára-brisas dos carros, com amorosa pregação: “Ide e sede felizes”.

Numa das fases do alcoolismo, Pixoxó dormia pelas beiradas da Avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro. Da miséria dickensiana, extraía um golpe engenhoso. Paletó amarfanhado, olhos pequenuchos, partia à guerra do café da manhã. Envolvia o pescoço numa toalha e penetrava as cozinhas de hotéis desconhecidos: “Bom dia!… Bom dia!… Bom dia!”, berrava aos garçons e cozinheiros. Nunca se vira um “hóspede” de alegria tão palreira. Tratavam de pôr a mesa. Frutas, pão, café, leite, ovos?

Para cacifar-se junto a Assis Chateaubriand, Pixoxó invadiu a redação da revista O Cruzeiro, minado de álcool, e fez um discurso barroco sobre a Bahia de Ruy Barbosa, Simões Filho e Octávio Mangabeira. Finda a cachoeira verbal, tirou do bolso uma crônica de Antônio Maria, na Última Hora. O compositor escrevera um perfil do baiano que estava à sua frente. Honra! Chatô leu e jogou de lado: “A matéria não o credencia, porque tudo quanto Antônio Maria escreve é ficção”. O boêmio se despediu com uma ameaça: “O senhor verá que eu sou real!”.

Venderia a alma ao diabo – e, pior, a Deus – em troca de um trago. Uma noite, no Rio da década de 40, bebeu todos os proventos, sem saciar o desejo de uísque. Na calçada, uma surpresa: o bravo líder gaúcho Flores da Cunha, ex-revolucionário de 30, entrava num bar. Nilson incorporou o arauto; na má intenção, atravessou a porta: “Salve o general Flores, valoroso guerrilheiro dos heróicos pampas!”.

O deputado federal ordenou que servissem ao admirador anônimo uma dose de uísque. “Só uma?”, reagiu Pixoxó. O bar sorriu. És gaúcho?, replicou o general. “Sou baiano, Excelência, com muita honra, mas amo os pampas e seus valorosos heróis”.

Flores mandou derramar o resto da garrafa”.

Claudio Leal é jornalista. E-mail: claudioleal08@terra.com.br

abr
01
Posted on 01-04-2009
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No ano de 1964, em um 1º de abril como hoje, deposto o presidente João Goulart (Jango), o Brasil caia em uma ditadura militar que marcaria o País – e a muitos de seus filhos – a ferro, algemas e fogo, por algumas décadas. 45 anos depois, a composição “Alegria, Alegria”, de Caetano Veloso, segue sendo, em sua colagem genial de imagens em forma musical, um dos retratos mais completos de uma época que passou, mas que não pode, nem deve ser esquecida, pois muitos de seus efeitos seguem presentes ainda. Confira na voz do autor.

(Vitor Hugo Soares)

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