ago
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Patrícia Accioli
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OPINIÃO

Patrícia Acioli, a juiza e o exemplo

Maria Aparecida Torneros

O chocante assassinato da Juíza Patrícia Acioli, em Niterói, esta semana, crivada de balas, ao chegar sozinha em sua casa, é prova cabal do quanto uma sociedade pode estar refém dos “fora da lei”, e até que ponto pode chegar o desafio de retormar os rumos para se acabar com a impunidade que permeia uma rede de malfeitores, corruptos e corruptores, dentro e fora dos poderes constituídos, numa complascência que se sente incomodada quando alguém apenas é sensato, cumpre seu dever e aplica a lei, como a juíza morta tinha fama de ser linha dura para com o crime organizado.

Ela estava vestida com a toga que pretende “matar” as chances recorrentes dos criminosos oficiais ou oficiosos, daqueles que se gabam por aí, de não temer a justiça, a tal justiça que pode “até” se corromper, nalgum ponto frágil, possibilitando o exercício covarde de ataques mortais e odientos executados por encapuzados.

A ficção nos inunda sempre com histórias novelescas ou cinematográficas onde mulheres são vítimas ou mentoras de violência. Lembro de um filme, dos anos 80, intitulado Vestida para Matar ( Dressed to Kill) , do diretor Brian de Palma, com Michel Caine e Angie Dickisnson, fortemente influenciado pela obra de Alfred Hitchcock. Nele, uma mulher vive um tórrido caso extraconjugal com um estranho e é morta a navalhadas por psicopata, ao deixar o amante. Com a ajuda de uma única testemunha, o filho da vítima tenta descobrir quem a assassinou.

A novela das nove traz a figura da Norma, atualmente em evidência, criatura que age dubiamente no tocante a ser conivente com a transgressão da lei ou se fazer de vítima da realidade que é ter cumprido pena sem ter sido culpada dos crimes que um tal personagem chamado Leonardo cometeu e lhe jogou nas costas. Nas voltas da vida que a novela oferece aos telespectadores, a moça antes ingênua, torna-se ardilosa, talvez seja até mesmo a cúmplice perfeita para o criminoso frio de quem ela deseja se vingar, à primeira vista.

Mulheres vestidas para matar, mulheres marcadas para morrer, mulheres corajosas ao exercer seus direitos e deveres, mulheres que se escondem sob véus de hipocrisia, mulheres guerreiras para enfrentar discriminação , mulheres amedrontadas para decidir seu futuro, há uma plêiade de grande variedade entre nós, no tal mundo moderno, desde quando saímos às ruas, fomos para as universidades, fizemos concursos, ascendemos a postos de comando e decisão, assumindo responsabilidades e seus consequentes riscos.

Um artigo que li, já há algum tempo, assinado por Clóvis César Lanaro, diz o seguinte:
“Quando a sociedade é complacente com a violência, ou é culpada ou perdeu a esperança.
Quando a violência chega ao ponto de não fazer escolhas de ataque, quer chamar a atenção para algo mais profundo. E mais profundo do que a perda de uma vida.
E a que a violência quer chamar a atenção? Além de mostrar poder, a violência indiretamente mostra a hipocrisia da sociedade.”

No caso da morte da Juíza Patrícia Acioli, de cuja vida pessoal sabemos muito pouco, apenas que tinha 47 anos, deixou três filhos e há apenas uma foto dela com semblante calmo e risonho, tirada talvez em algum momento em que seu coração se sentia pleno de vida bem vivida, vida normal, vida conquistada com trabalho, com obrigações, com consciência tranquila do dever cumprido, mas, ela estava marcada para morrer, na lista dos magistrados que o crime organizado decide eliminar porque, naturalmente, devem representar impecilho para seus objetivos excusos, sua sede de ganhos atravessados, etc. etc.

O crime que vitimou Patrícia Acioli foi o primeiro registrado no Estado do Rio contra um magistrado em 260 anos. Alvejaram uma mulher, que foi assassinada exatamente assim, assassinada assim, à queima-roupa, manchando de sangue a história da magistratura brasileira.

Não sei como ela estaria vestida na hora em que sucumbiu aos seus carrascos, mas imagino que estivesse bem trajada, talvez tivesse deixado a toga no tribunal, mas , com certeza, vestida o modelo ideal para fazer justiça com as armas que a Lei oferece à Sociedade, fazendo cumprir a tal Lei Soberana, Patrícia estava “vestida para viver”, e embora tenha sido atingida, sabemos que nós honraremos sua memória, clamando punição para seus algozes, seriedade para as investigações, exclusão para os que compactuam com o crime nas lides judiciárias e policiais, e, sobretudo, um fim para a hipocrisia da nossa sociedade.

Patrícia, sua luta continua, porque é a luta de uma população que tem sensibilidade suficiente e é maioria. Os que a marcaram para morrer, podem até se julgar impunes e poderosos, mas são minoria e merecem que a justiça lhes sentencie cadeia!

Cida Torneros, jornalista e escritora, mora no Rio de Janeiro, onde edita o Blog da Mulher Necessária


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“Feita na Bahia”, música de Roque Ferreira. Vencedora do prêmio da música brasileira de 2010, categoria Canção.

BOM SÁBADO !!!

(VHS)


Dilma:governo dá nó e aprovação cai
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ARTIGO DA SEMANA

Samba do Bexiga na casa da Dilma

Vitor Hugo Soares

A situação no governo Dilma Rousseff não só deu um nó esta semana, mas parece entrar na encruzilhada decisiva de seus rumos de perdição ou salvação diante do futuro político e administrativo. Tudo já se mostrava complicado desde o começo na composição frouxa e precária do time principal – apesar do comando de cara enfezada à la seleção de Mano Meneses – , mas se agravou ainda mais nestes primeiros dias de agosto que promete não negar fogo em sua tenebrosa tradição histórica.

A guerra surda no começo virou ultimamente tiroteio encarniçado com emboscadas públicas por espaços e verbas dos grupos de apoio e sustentação (PT, PMDB e PR, principalmente). Isso torna difícil uma previsão de quantas baixas e estragos maiores causarão ainda estes conflitos de poder antes de uma trégua ou do fim improvável do fuá, a julgar pela barulheira infernal destes dias.

Para complicar este cenário local de tumulto no qual outra vez as minguantes “forças de oposição” se fazem de mortas (ou será que foram dizimadas efetivamente?), avistam-se já nuvens densas que sopram dos Estados Unidos e Europa, ameaçando em breve bater sob forma de ventania nas costas brasileiras, causando abalos bem mais significativos que as “marolinhas” do governo Lula.

Olhando atentamente e com alguma dose de humor sempre indispensável, será fácil verificar que o desenho em Brasília, com repercussão por várias partes do País, está muito parecido com a “cínica situação” descrita em “Um Samba no Bexiga”, antiga mas sempre emblemática composição de Adoniran Barbosa. Não canso de citá-la periodicamente nos artigos que assino há anos neste e em outros espaços do jornalismo impresso e eletrônico.

Pizzas e bracholas (muita fumaça também ) – a exemplo da história contada na música -, voaram esta semana em Brasília, com respingos do Amapá à Bahia. Inevitável outra vez, portanto, a comparação com o famoso bafafá do samba paulista. Eu ouço, enquanto batuco estas linhas, Adoniran interpretá-lo no vídeo do encontro inesquecível com Elis Regina em uma cantina de São Paulo, disponibilizado no You Tube. Sugiro para quem quiser comprovar a genial atualidade da composição, ou simplesmente matar a saudade de dois artistas notáveis.

A letra, para os que ainda a desconhecem (este felizmente não deve ser o caso da presidente), narra a briga feia “num samba no bairro do Bexiga, na rua Major, na casa do Nicola, à mezza notte o’clok”, ao qual o sambista compareceu acompanhado de amigos. Ao contrário da “madame” de outra composição igualmente fantástica, esta do baiano de Santo Amaro da Purificação, Assis Valente, de volta às paradas na onda do sucesso da novela da Globo, Insensato Coração, Dilma proclama gosto e prazer pela música popular brasileira. Deve, portanto, saber de cor ou, no mínimo, ter escutado alguma vez a letra do sambista maior de São Paulo.

Ainda assim, vale dar palavra e voz ao próprio autor para cantar uma de suas criações mais antológicas, a partir da segunda estrofe, quando a bagunça já está instalada na casa do Nicola:

“Nóis era estranho no lugar/ E não quisemos se meter/Não fumos lá pra brigá, nós fumos lá pra comer. / Na hora “H” se enfiemos debaixo da mesa/ Fiquemo ali, que beleza, vendo o Nicola brigá / Dali a pouco escutemo a patrulha chegá/ E o sargento Oliveira falá / Num tem importância/ Foi chamada as ambulância/ Carma pessoal, / A situação aqui está muito cínica/Os mais pió vai pras Clínica”.

No caso do samba do Planalto, na casa da Dilma, a situação também já começa a ficar pra lá de “cínica”. Pizzas e bracholas são arremessadas de todo lado nas mais indiscriminadas direções – pelos partidos e seus principais arautos, pelo Congresso comandado por José Sarney; pela Polícia Federal em suas operações com as algemas de antes reforçadas pelo cinto amarelo amarrado na cintura dos detidos na Operação Voucher; pelas corporações insatisfeitas; pelo fogo amigo dos aliados do peito em suas insuperáveis e antropofágicas divergências; pelos ratos de porão em desespero e engalfinhados na briga centenária e desvairada que só conhece a toada da “farinha pouca meu pirão primeiro”.

Os estragos e furos começam a aparecer de todo lado. O mais gritante deles veio esta semana nas asas dos dados da pesquisa mais recente do Ibope, que registram abalos sensíveis na aprovação popular a Dilma Rousseff e ao seu governo.

Para a comparação de “Um samba no Bexiga” de Adoniran Barbosa ficar mais completa, falta talvez aparecer o sargento Oliveira no samba da casa da Dilma. Alguém com poder e traquejo suficientes para dar um tranco no bafafá, chamar as ambulâncias, mandar “os mais pió para as Clínicas”, acalmar o ambiente cada vez mais pesado, e recomeçar o batuque em outro tom.

Está difícil, mas o sargento Oliveira da briga paulista na casa do Nicola precisa baixar urgentemente no bafafá de Brasília.

Enquanto é tempo.

Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br


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BOA NOITE!!!

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Letizia de biquine:fotos a peso de ouro

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DEU NO DIÁRIO DE NOTÍCIAS (PORTUGAL)

A revista espanhola ‘Hola!’ publica esta semana um passeio de férias da princesa Letízia Ortiz, de Espanha, a bordo do iate real Fortuna. O mistério é quanto terão custado as fotos. Há quem fale em um milhão de euros.

Uma imagem da princesa Letzia em biquíni é sempre a imagem mais desejada pelos fotografos paparazzi. Este ano foi a Agência Korpa e o fotógrafo Gustavo Catalán que ultrapassaram a concorrência e foram os primeiros a colocar no mercado as fotografias da princesa em biquíni.

Segundo o site Periodista Digital, especializado em comunicação social, a revista Hola! teria desembolsado uma quantia na ordem do milhão de euros, tendo como referência os 300 mil euros que foram pagos em 2007 pelas primeiras fotografias de Letizia Ortiz em biquíni.

A dificuldade na obtenção destas imagens prendem-se ao fato de a família real apenas tomar banho de mar nas águas junto ao arquipélago de Cabrera, um parque nacional de acesso muito díficil e com fortes medidas de segurança.

Se as fotos publicadas em 2007, que mostravam a princesa junto da rainha Sofia, eram pouco nítidas, as deste ano são de uma enorme nitidez, valorizando em muito o seu preço.

A loucura de ver Letizia de biquíni é tal que das 19 fotos publicadas na revista espanhola, 14 mostram a princesa.

ago
12

DEU NO CORREIO DO BRASIL


Alex Rodrigues
Repórter Agência Brasil

O juiz federal Guilherme Mendonça, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), concedeu habeas corpus a quatro dos 18 investigados pela Operação Voucher, da Polícia Federal, que ainda estão presos, por suspeita de envolvimento em esquema de desvio de verbas públicas destinadas a programas de qualificação profissional na área de turismo. Outros 12 pedidos de soltura ainda serão apreciados pelo magistrado ainda hoje (12).

A decisão beneficia o secretário nacional de Programas de Desenvolvimento do Turismo, Colbert Martins e o advogado Jorge Kengo Fukuda, especialista na área de transportes e um dos diretores do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento de Infraestrutura Sustentável (Ibrasi). Contratada por meio de um convênio com o Ministério do Turismo, a entidade é acusada pelo Ministério Público Federal de ter recebido parte dos R$ 4 milhões liberados por meio de emenda parlamentar, para programas de qualificação, sem ter realizado o serviço previsto.

Os outros dois suspeitos que obtiveram o habeas corpus, e que deverão ser soltos nas próximas horas, são Dalmo Antônio Tavares de Queiroz, coordenador de projetos da Fundação Universa, e Gláucia de Fátima Matos, servidora do Ministério do Turismo.

Dos 36 detidos em São Paulo, Brasília e no Amapá, na última terça-feira (9), 18 já haviam sido libertados na quarta-feira (10). Os 18 que continuam presos são aqueles contra quem a Justiça expediu mandados de prisão preventiva para que não atrapalhassem as investigações. Entre esses, está o secretário executivo do ministério, Frederico da Silva Costa.

Edição: Lana Cristina

ago
12
Posted on 12-08-2011
Filed Under (Artigos) by vitor on 12-08-2011


Juiza Patricia Acioli em imagem no Facebook/IG
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DEU NO IG

A juíza Patrícia Acioli, da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo (RJ), foi morta com vários tiros no final da noite de quinta-feira (11) em Piratininga, no município de Niterói, Região Metropolitana do Rio de Janeiro. O crime aconteceu quando ela se aproximava da entrada do condomínio onde morava, no bairro Timbau.

No momento em que foi assassinada, a juíza, de 47 anos, estava sem seguranças. A polícia trabalha com a hipótese de emboscada e acredita que o crime tenha sido encomendado.

Patrícia dirigia seu Fiat Idea quando foi surpreendida por homens utilizando toucas ninja que estavam em duas motos e dois carros. No total, foram feitos pelo menos 15 disparos de pistolas calibres 40 e 45 contra a vítima, que morreu no local.

A polícia espera contar com eventuais imagens gravadas pelas câmeras de segurança existentes na portaria do condomínio para ajudar nas investigações.

Prisões e ameaças

O presidente do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ), Manoel Alberto Rebelo dos Santos, esteve no local do crime e disse que Patrícia havia recebido várias ameaças de morte.

Em algumas decisões da juíza, está a prisão de policiais militares de São Gonçalo, município da Região Metropolitana fluminense, que sequestravam traficantes e, mesmo depois de matá-los, entravam em contato com familiares e comparsas exigindo dinheiro para soltura. Patrícia também decretou a prisão preventiva de PMs acusados de forjar confrontos com bandidos, mortos durante a abordagem.

O nome da juíza estava ainda em uma “lista negra” feita pelo criminoso Wanderson Silva Tavares, conhecido como “Gordinho”. Ele foi preso no Espírito Santo em janeiro deste ano e chefiava uma quadrilha de extermínio que agia em São Gonçalo e teria assassinado pelo menos 15 pessoas em três anos.

ago
12

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OPINIÃO POLÍTICA

A PF e o estado de direito

Ivan de Carvalho

Seria rematada tolice qualquer tentativa que neste espaço, para isto escasso, se fizesse para uma abordagem geral do caso que teve como detonador a Operação Voucher, da Polícia Federal, mobilizando 200 policiais federais distribuídos em São Paulo, Brasília e Macapá para cumprir mandados de prisão e busca e apreensão relacionados com o Ministério do Turismo.

Assim, tenho optado, nas duas edições anteriores e nesta, em pinçar alguns dos já quase inumeráveis pontos sensíveis da ampla e quase geral e irrestrita esbórnia policial, administrativa, jurídica e política que o caso apresenta. Um desses pontos foi o uso injustificado, portanto ilegal e criminoso, segundo a Súmula Vinculante 11 do Supremo Tribunal Federal, de algemas.

E, em meio a tudo isto, esforcei-me também em afirmar a injustiça, cruel, maldosa e irresponsável que vem sendo praticada contra pelo menos um dos muitos indiciados, o ex-deputado estadual e federal do PMDB baiano Colbert Martins Filho, secretário nacional de Desenvolvimento de Programas de Turismo. Mas isto não sou somente eu que tenho feito, mas outros jornalistas que o conhecem bem, assim como políticos aliados e adversários dele.

Hoje, de certo modo insisto neste assunto das algemas, provocado por uma entrevista do ministro da Justiça, o deputado petista e professor de Direito José Eduardo Cardozo, quando se defendeu de críticas (com as quais não compartilho e que constituem fogo amigo disparado pelos próprios governo e correligionários dele) de que não deveria ter avisado a presidente Dilma Rousseff do que estava para acontecer, isto é, de que iria ser deflagrada a Operação Voucher.

Aliás, a presidente já esteve dizendo ontem no Ceará que não pode continuar tomando um susto cada vez que acorda de manhã. É. De fato, a coisa está braba. Entre os vários sustos, a sensação muito real de queda, no caso, de importante queda de popularidade, atestada pela pesquisa CNI/Ibope divulgada em meados desta semana.

Mas, voltando ao ministro da Justiça. Ele repeliu as críticas por não haver revelado à presidente nem a ninguém a deflagração da Operação Voucher. Disse que não sabia, que soube apenas logo após iniciada, logo antes da PF avisar à imprensa, pois o inquérito policial da Operação Voucher estava sob segredo de Justiça. Assim, seria ilegal alguém dizer a ele, seria ilegal ele saber, da mesma forma que seria ilegal sair contando à presidente da República e a outras pessoas. Quando finalmente soube, o prestativo ministro telefonou para o Palácio do Planalto para avisar a presidente.

Transcrevo trecho da entrevista dele ao Terra Magazine: “Acho curioso que exijam que uma autoridade pública saiba com antecedência de uma operação da Polícia Federal que estivesse em segredo de justiça. O que esperavam do ministro da Justiça? Que eu descumprisse a lei? Infelizmente, muitos não percebem que vivemos num estado de direito. A mim, cabe o cumprimento da lei, e não o seu desrespeito.”

Verdade. Mas a PF é subordinada ao Ministério da Justiça e, desacatando súmula vinculante do STF, usou desnecessária e criminosamente algemas na operação, inclusive de modo a expor os presos ao registro de imagens da mídia (fotos foram publicadas no jornal Folha de S. Paulo e depois republicadas em muitos outros veículos de comunicação). O ministro, por ordem da presidente Dilma, pediu explicações à PF. Mas não há explicações aceitáveis, no caso. Talvez dentro do avião, mas em nenhuma outra circunstância. E as algemas foram impostas não só em avião, mas em ônibus, em aeroportos, em caminhadas. A Polícia Federal e o ministro não perceberam “que vivemos num estado de direito”?

Parabéns ,mano Chico, nascido José Genival Soares em um 12 de agosto como hoje lá pelos anos 40, mas rebatizado na antiga Fonte Nova, na torcida do Esporte Clube Bahia, da qual você se tornou há décadas um dos representantes mais desenfreados e emblemáticos. O Chico da Saúde, antes, agora o Chico da Boa Viagem, mas sempre Chico.

Esta vai especialmente para você. E não poderia ser outra, além da marron Alcione, a cantar no BP na data de seu aniversário. A Alcione de sua paixão quase tão fanática quanto seu amor pelo tricolor baiano, com quem tantas vezes você aprontou onde quer que ela se apresentasse em Salvador, ou bastando ouvi-la cantar. Desconfio até que esse “garoto maroto” tem a ver com você.

Parabéns e toda felicidade, sempre.

(Hugo e Margarida, em nome do Bahia em Pauta)

ago
11
Posted on 11-08-2011
Filed Under (Artigos, Gilson) by vitor on 11-08-2011


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Mártires e Heróis

Gilson Nogueira

Toca o Trio Los Panchos, Contigo Aprendi. Um céu azul-silêncio, quase primavera, com nuvens róseas algodão-doce,brincando de aquarela, nas bordas da Lagoa do Abaeté e do Aeroporto, que já foi Dois de Julho, forma parte do quadro de tristeza espelhada na enorme tela de nylon a bailar na fachada de um prédio em construção, na Avenida Euclydes da Cunha, bairro da Graça, em Salvador.

Caminhando, por ali, há pouco, percebi, ao vento, um grande lenço branco, de mais de 70 metros de comprimento, por 40 de largura, tremular um adeus monumental aos nove heróis da vida que morreram, no início desta semana, aqui, na capital, após o elevador em que estavam, no edifício que construíam, despencar de grande altura.
Meu Deus!

A tragédia, com os conterrâneos, repercute, até agora, e faz o festeiro povo da Bahia parar para chorar – e rezar -, em manifestação de sua dor pela perda dos briosos operários do imóvel em construção, como, também, anonimamente, solidarizar-se com os familiares, companheiros de trabalho e amigos dos mortos.

Eles, os nove trabalhadores, vítimas da fatalidade, lídimos representantes da gente que faz do seu suor e do seu talento a argamassa de um Brasil com vergonha na cara, são, agora, merecedores de homenagens póstumas de todos os tipos e credos e devem ter, já, erigido, em sua memória, um monumento, feito com o coração, de granito, em praça pública, sob a forma do sol, já que, de algum modo, a luz daqueles homens continuará a iluminar o trabalho de cada dia.

A suposta quebra do eixo da roldana que sustentaria os cabos de aço do equipamento seria uma das causas da tragédia. Que seja feita justiça, então! E que os governos municipal e estadual lembrem-se de mandar providenciar, urgentemente, sem burocracia, o local adequado, para colocar o monumento aos mártires da construção civil.

Gilson Nogueira é jornalista

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