maio
20
Posted on 20-05-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 20-05-2010

Guarda Municipal: armados ou não?

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Em seu artigo desta quinta-feira, na Tribuna da Bahia, o jornalista político Ivan de Carvalho propõe que a segurança pública, melhor dizendo, a insegurança pública , como assinala o colunista, – merece ser um tema a figurar na primeira linha das questões a serem debatidas entre os candidatos – principalmente os aspirantes à Presidência da República e aos cargos de governadores estaduais –, pois o que temos sofrido nas últimas décadas é um progressivo, e já agora, em Estados como a Bahia, alucinante aumento da criminalidade, sobretudo nos que diz respeito à criminalidade violenta e ao tráfico de drogas. Bahia em Pauta reproduz o texto.

(VHS)
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OPINIÃO POLÍTICA

Violência e Guarda Municipal

Ivan de Carvalho

A segurança pública, melhor dizendo, a insegurança pública merece ser um tema a figurar na primeira linha das questões a serem debatidas entre os candidatos – principalmente os aspirantes à Presidência da República e aos cargos de governadores estaduais –, pois o que temos sofrido nas últimas décadas é um progressivo, e já agora, em Estados como a Bahia, alucinante aumento da criminalidade, sobretudo nos que diz respeito à criminalidade violenta e ao tráfico de drogas. Sem esquecer o intenso contrabando de armas que permite aos bandidos enfrentarem a polícia quase em igualdade de condições e, até com freqüência, em situação de superioridade.
Não se pode esquecer das modalidades criminosas assemelhadas às citadas acima. Por exemplo, ao homicídio, como é o caso dos abortos que não se enquadram nos dois requisitos previstos no Código Penal – o feto gerado em conseqüência de estupro e a situação de grave risco para a vida da mãe. E a entrega de armas, não contrabandeadas, mas desviadas de corporações públicas que as utilizam e até de empresas de segurança privadas para os que vivem do crime.
O prefeito de Salvador, João Henrique, decidiu armar a Guarda Municipal, logo recebendo uma recomendação do Ministério Público Estadual em sentido contrário. Hora, se O MP quer impedir o prefeito da capital de armar a
Guarda Municipal, tem à disposição o Poder Judiciário, junto ao qual pode acionar o Município de Salvador, na tentativa de demonstrar que a lei não permite uma guarda municipal armada. Não querendo chegar a tanto, porém, o MP erra ao fazer “recomendações” que, na prática, implicam em um esforço para substituir o Poder Executivo municipal. O jornal A Tarde, edição de ontem, em sua página B1, escreve com destaque que foi a promotora Rita Tourinho “quem determinou que agentes da Guarda Municipal não podem portar arma de fogo”.
Ora, promotora não determina nada, quem determina é juiz. A promotora, aliás reconhecidamente competente e ativa, além de ter seu trabalho orientado para questões relacionadas com a administração municipal de Salvador, fez apenas uma recomendação, expressando um entendimento dela. E recomendação acolhe-se ou não. Não é como uma ordem judicial, que, por definição, é ordem.
O prefeito resolveu não acolher a recomendação e declara-se disposto a armar a Guarda Municipal. Creio que está coberto de razão. Os policiais militares, policiais civis e os guardas municipais são alvos prediletos da criminalidade, organizada ou não, porque eles não são considerados as vítimas, mas os inimigos. Os criminosos (parte muito expressiva deles) andam armados. A Guarda Municipal desarmada torna-se um alvo fácil e óbvio, inclusive favorecendo a bandidagem quando esta se dispõe a dar demonstrações de força atacando o Estado.
É claro que antes de por armas nas mãos dos guardas municipais e mandá-los para a rua, a administração municipal terá a responsabilidade de fornecer um treinamento adequado às funções que a própria Guarda Municipal tenha ou venha a ter.

maio
19


DEU NO TERRA-ELEIÇÕES 2010 (ESTADUAIS)

Claudio Leal

O governador da Bahia, Jaques Wagner, garantiu “neutralidade” ao ex-ministro da Defesa Waldir Pires na escolha do candidato do PT ao Senado. A conversa ocorreu às 20h desta terça-feira (18), no Palácio de Ondina, em Salvador. Wagner manifestou, outra vez, simpatia pela pré-candidatura do deputado federal Walter Pinheiro (PT), que ingressou na disputa depois do fracasso da aliança entre os petistas e o PR.

Há uma manobra, nos bastidores, para evitar as prévias. A cúpula partidária prefere compor a chapa a convenção estadual, em junho – essa estratégia favoreceria Pinheiro, o preferido da bancada do PT na Assembleia. No diálogo noturno, Waldir declarou sua expectativa de que o governador se mantivesse neutro nas decisões internas do PT. E destacou que sempre esteve a seu lado em campanhas eleitorais recentes. Wagner se comprometeu, em respeito à história de Waldir, a não usar o cargo de governador para favorecer Pinheiro.

A postulação do ex-ministro da Defesa conta com o respaldo de diretórios municipais, de militantes e de setores da sociedade civil. Mas Pinheiro tem mais força com a cúpula e o governo do Estado – o que, no jogo jogado, pode prevalecer. Ao arrancar a palavra de Wagner, o ex-governador Waldir Pires deseja reforçar sua pré-candidatura, antes da convenção.

Com receio de perder espaço para Pinheiro daqui a dois anos, numa disputa pela Prefeitura de Salvador, o ex-secretário estadual Nelson Pelegrino também se lançou ao Senado, mas não decolou. Agora, Pelegrino tenta obter um acordo para que Pinheiro não postule a candidatura em 2012.

No congresso do PT, no último fim de semana, os gritos por Waldir abafaram os brados dos delegados pró-Pinheiro. Desfecho indefinido. “Não recuso a candidatura, até porque fui interpelado pelos militantes”, costuma dizer Waldir dentro do partido. A deputada federal Lídice da Matta (PSB) ocupa a segunda vaga da chapa governista.

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maio
19
Posted on 19-05-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 19-05-2010

Wagner (com Dilma): sorte nas pesquisas?

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Do jornalista político Ivan de Carvalho em seu artigo desta quarta-feira na Tribuna da Bahia, que este site blog reproduz, ainda sobre a questão das pesquisas eleitorais que, em épocas como esta, se reproduzem como o mosquito da Dengue na Bahia e no País: “Para encerrar, um outro aspecto: o PT deu uma sorte danada em ter realizado seu congresso estadual antes da divulgação da pesquisa Voz Populi”. Confira porque no Bahia em Pauta:
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(VHS)

OPINIÃO POLÍTICA

Ainda sobre pesquisa

Ivan de Carvalho

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Permitam-me os leitores que pelo segundo dia consecutivo não analise coisa alguma nem opine sobre qualquer assunto, limitando-me a assinalar alguns pontos interessantes ou curiosos. Fiz isso ontem sobre o tema das pesquisas eleitorais. Ainda tratarei delas hoje, bem como de fatos a elas relacionados.

1. Nove entre dez estrelas do cinema usam sabonetes Lever. (Isso é só para lembrar aquele antigo slogan dos sabonetes Lever, hoje Lux, mesmo no Brasil, pois nos Estados Unidos já eram Lux quando aqui eram Lever). Pois bem, nove entre dez políticos baianos rejeitavam ontem o percentual de nove por cento de intenções de voto atribuído pela pesquisa Vox Populi ao candidato do PMDB a governador, deputado e ex-ministro Geddel Vieira Lima.

2. Estavam convencidos de que, neste caso, “vox populi” nada tinha a ver com “vox Dei”. Nove políticos entre dez supunham que Geddel já terá atingido 12 por cento das intenções de voto. É que entre a pesquisa anterior do Instituto Vox Populi e a mais recente ocorreu na campanha de Geddel um fato de primeira ordem – a aliança com o senador César Borges e o partido que ele preside na Bahia, o PR. Na pesquisa anterior Geddel teve oito por cento de intenções de voto, agora teve nove por cento. Subiu um ponto só? Não daria para acreditar, até porque, completarmente, ele deixou o cargo de ministro, está na Bahia trabalhando a campanha em tempo integral e não perdeu o Ministério da Integração Nacional, onde o presidente Lula colocou João Santana, que foi indicado por Geddel para o cargo e era o secretário geral do ministério.

3. Então, qual a razão de tanta modéstia na pontuação do candidato? Um eleitorado que reage adoidado aos fatos políticos, um autêntico erro técnico na pesquisa, um “erro” tendente a levar as eleições a uma polarização entre o governador Jaques Wagner e o ex-governador Paulo Souto, um “erro” tendente a enfraquecer politicamente o PMDB da Bahia e seu candidato junto ao governo de Lula? Eu não sei. O que sei é que esse negócio do candidato do PMDB só ter subido um ponto entre as duas últimas pesquisas Vox Populi não se enquadra nos parâmetros da lógica política.

4. Para encerrar, um outro aspecto: o PT deu uma sorte danada em ter realizado seu congresso estadual antes da divulgação da pesquisa Voz Populi. Já imaginou o leitor que tristeza, que baixo astral se instalaria no congresso petista se a pesquisa saísse às vésperas dele? Pesquisa dizendo que, ao contrário da amostragem anterior, pela mais recente o governador não se reelegeria no primeiro turno, que suas intenções de voto baixaram em três pontos percentuais e as de Paulo Souto subiram três pontos e a eleição iria para o segundo turno graças à entrada na liça do deputado Luiz Bassuma, que disputa o governo pelo Partido Verde, ao qual os petistas devem agradecer.

Que sorte teve o PT!

Dilma estreia novo corte na TV

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Claudio Leal

Estúdio do SBT. O apresentador Ratinho, duas toneladas de sutileza, pergunta: “E esse cabelo que tá bonito mas não era tão bonito assim?”. Dilma Rousseff, a pré-candidata do PT à presidência, estreia seu penteado no programa popular da emissora de Silvio Santos. Arte do cabeleireiro Celso Kamura, chamado de “esteta” e “japonês chato” por Ratinho. Um tanto intimidada, a petista sorriu como se tivesse sido alvo de um milagre. “Fiquei mais bonita, não?”.

Terra Magazine falou com Kamura, na noite desta segunda-feira (17). Comovido com o elogio televisivo, que ainda não tinha ido ao ar, ele contou detalhes do trabalho de esteta, realizado na última sexta-feira (14).

– Na realidade, o João Santana (publicitário de Dilma) queria que ela cortasse cabelo e me indicou para ela. Cortei o cabelo e fiz umas luzes, pra dar uma iluminada, dar um pouco de luzes e refletir melhor na TV, na foto.

Kamura e João Santana se conheceram na campanha de Marta Suplicy à prefeitura de São Paulo, em 2006. Marta é sua cliente há mais de dez anos. Para Dilma, a inspiração seguiu outro caminho:

– O que minha inspiração pedia era um cabelo básico, com elegância. Num clássico e elegante, a aparência dela vai ficar mais suave. E o cabelo, prático pro dia-a-dia.

O cabeleireiro esperava encontrar uma “mulher fria, dura, brava”, mas se surpreendeu: uma pessoa normal.

– Vaidade, ela não tem muita. Particularmente, foi simpática. Ela estava bem aberta, foi fácil. Depois de ter perdido (por causa do câncer), o cabelo cresceu. As pessoas que passam por isso acreditam muito na mudança do cabelo – analisa, suavemente, Kamura.

Terra Magazine

( http://terramagazine.terra.com.br )

maio
18
Posted on 18-05-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 18-05-2010

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Sobre a nova safra de pesquisas eleitorais que começa a invadir o mercado brasileiro neste período pré-sucessório de tantos pré-candidatos, o jornalista político Ivan de Carvalho diz em sua coluna desta terça-feira na Tribuna da Bahia, que Bahia em Pauta reproduz, que convém informar os leitores que os políticos tomam conhecimento dos resultados de diversos institutos e ficam à espera dos resultados do Datafolha. Confira.
(VHS)
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OPINIÃO POLÍTICA

A NOVA SAFRA DE PESQUISAS

Ivan de Carvalho

1. Quando o Instituto Vox Populi e, em seguida, o Instituto Sensus (este, na estranha circunstância de atender a encomenda de entidade sem a menor tradição, sequer um precedente, de solicitar pesquisas eleitorais) saíram há algumas semanas com surpreendentes e, diria, até inaceitáveis resultados de pesquisas eleitorais, escrevi neste jornal que não os levaria em conta por entender que já houve na história, da remota à mais recente, exemplos demais de “erros” imperdoáveis nos resultados das pesquisas e, pior, de situações numerosas em que tais erros pareciam não haver ocorrido por motivos técnicos, mas políticos.
2. No mesmo artigo, disse que o Instituto Datafolha, do grupo Folha de S. Paulo, credenciou-se nos meios políticos como o mais acreditado e livre de reservas, ressalvas, suspeitas e mesmo erros técnicos e não maleável aos imensos interesses que são afetados, poderosamente, pelos resultados das pesquisas. E que seria o único instituto de pesquisas de opinião pública que seria levado em conta, seriamente, por este repórter. Convém informar os leitores que os políticos tomam conhecimento dos resultados de diversos institutos e ficam à espera dos resultados do Datafolha para comparar com os demais e concluir se estes pesquisaram eficazmente ou não.
3. Acabam de sair resultados do Vox Populi e do Sensus. Até tentei ignorá-los absolutamente, mas resolvi que algumas observações não seriam inúteis. Os resultados são bons para a candidata do PT, Dilma Rousseff. Resta saber se são bons também no outro sentido e isto poderá ser melhor avaliado quando o Datafolha divulgar sua próxima pesquisa. Sempre na faixa do “empate técnico”. Quanto ao que está agora no mercado, Dilma supera o tucano José Serra por magros dois pontos em um cenário (com todos os candidatos que se aprestam a concorrer à presidência da República) e perde para Serra em outro cenário, por décimos. Mas e daí? O que isso vale?
4. Na verdade, vale porque Serra sempre teve o primeiro lugar e uma dianteira em todas as pesquisas anteriores e uma alteração disso tem um impacto no eleitorado, na negociação de alianças e no financiamento das campanhas. Mas agora está todo mundo esperando pelo Datafolha, ainda mais que as duas pesquisas, a Vox Populi e a Sensus, chegaram numa hora em que havia uma avaliação de que as coisas iam mal para Dilma. Em síntese: as duas pesquisas divulgadas só serão ou não validadas pelo Datafolha.
5. Só para não passar batido. O Vox Populi pesquisou as eleições baianas, registrando um recuo de Jaques Wagner de 44%, em sua pesquisa anterior para 41 por cento, enquanto Paulo Souto sobe de 29% para 32% e Geddel passa de oito para nove por cento, enquanto Luiz Bassuma, do PV, aparece com 1 por cento. Para quem botar fé na pesquisa: no momento, haveria segundo turno (41 de Wagner contra 42 da soma dos outros), enquanto na pesquisa anterior do mesmo instituto Wagner ganharia no primeiro turno. Entre uma pesquisa e outra, houve a troca do PR e César Borges da aliança com o PT pela aliança com o PMDB.

maio
17
Posted on 17-05-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 17-05-2010

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Em seu artigo desta segunda-feira na Tribuna da Bahia o jornalista político Ivan de Carvalho compara as atuais disputas internas no PT baiano com a dança mais famosa do último carnaval de Salvador. O colunista assinala no texto que Bahia em Pauta reproduz: os maus modos e os terremotos e tsunamis de variada graduação dentro do PT acabaram afastando um importantíssimo aliado, o PMDB, e um futuro e importante aliado, o PR e seu líder na Bahia, o senador César Borges. Hoje eles compõem o núcleo de uma das forças que disputam o poder ao PT e buscam neutralizar os planos deste partido de permanecer mais quatro anos no poder. Confira no BP.
(VHS)

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OPINIÃO POLÍTICA

O REBOLATION DO PT

Ivan de Carvalho

Bem que a aliança com o PMDB na Bahia serviria ao PT para garantir a reeleição do governador Jaques Wagner e a eleição dos demais integrantes da chapa majoritária governista nas eleições de outubro na Bahia. Mas os dois partidos e seus dois principais líderes (o governador e o então ministro Geddel Vieira Lima) não conseguiram se entender, num dos mais intrigantes desencontros da política baiana. Parece que os fatos, principalmente os criados no âmbito do PT – a as inevitáveis reações a eles – sobrepuseram-se às intenções iniciais dos dois líderes políticos, levando finalmente ao rompimento.
Talvez exausto de tanto stress decorrente das relações entre o PMDB e o PT, talvez também, quem sabe, para minimizar, ante o público, a perda de um importante aliado, o governador chegou a declarar, pouco tempo após o rompimento, que estava “aliviado”. Se não declarou a mesma coisa em relação à perda de um quase aliado, o senador César Borges e seu partido, o PR, terá sido, talvez, por descuido. Mas a perda do ex-futuro aliado republicano não ocorreu por vontade do governador. Decorreu de um fator evidente: a resistência do PT ao senador do PR e a coligações proporcionais entre este partido e o PT.
Sintetizando: nos dois casos, os maus modos e os terremotos e tsunamis de variada graduação dentro do PT acabaram afastando um importantíssimo aliado, o PMDB, e um futuro e importante aliado, o PR e seu líder na Bahia, o senador César Borges. Hoje eles compõem o núcleo de uma das forças que disputam o poder ao PT e buscam neutralizar os planos deste partido de permanecer mais quatro anos no poder.
Mas o que me levou a escrever essas coisas, se o assunto no momento é outro? Exatamente o fato de que o assunto no momento é como preencher a lacuna aberta pela aparentemente abrupta adesão do PR às coligações nucleadas pelo PMDB, os dois partidos que o vira-e-mexe interno do PT lançou ao campo adversário.
Para preencher a tal lacuna – a vaga de candidato a uma das duas cadeiras de senador em jogo nas eleições baianas – havia uma tese, até posta como dogma pelo comando petista, de que nenhum partido devia ter mais de um representante na chapa majoritária. Mas isso tinha um objetivo: garantir a César Borges, do PR, a candidatura a senador, que era também ambicionada por três petistas – Walter Pinheiro, Nelson Pelegrino e Waldir Pires. Quando César Borges perdeu a paciência com o PT e aliou-se ao PMDB, a tese mencionada desmoronou.
Ficaram na arena Pinheiro (com – para dizer o mínimo – a simpatia do governador), Waldir Pires e Pelegrino. Pinheiro e Waldir porque querem. Pelegrino porque não queria Pinheiro. Então alinhavou-se ou sonhou-se um acordo segundo o qual, se Pinheiro disputasse o Senado, não disputaria a prefeitura de Salvador em 2012. Pelegrino, que é apaixonado pela prefeitura, deu o suposto acordo por bom e justo, deixou de falar em candidatura ao Senado e tirou o cavalinho da chuva.
Aí, Pinheiro deu umas declarações nas quais não deixou claro que esteja descartada uma candidatura sua a prefeito em 2012. Pelegrino levou o cavalinho pra chuva outra vez e botou a boca no trombone: “Eu nunca retirei minha candidatura” a senador. O ex-governador Waldir Pires ganhou fôlego novo. E até as prévias, que foram oficialmente descartadas, está defendendo, pois seu descarte, afirma, é antidemocrático.
Juntando tudo, não há engano: é o rebolation do PT.

maio
15


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No artigo deste sábado na Tribuna da Bahia o colunista Ivan de Carvalho segue na análise da questão do aborto e a posição dos candidatos à sucessão presidencial frente a este tema polêmico, cuja questão essencial para o jornalista político está relacionada com os direitos humanos. “Não há pena de morte no Brasil e, se houvesse, não deveria ser aplicada aos inocentes. Ou deveria?”, questiona Ivan no texto que Bahia em Pauta reproduz.

(VHS)

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OPINIÃO POLÍTICA

Dilma e o aborto

Ivan de Carvalho

No artigo publicado ontem neste jornal, sob o título “O aborto na sucessão”, concluí com o seguinte parágrafo: “Assim como a petista Dilma precisa esclarecer ao eleitorado, sem deixar margem a dúvidas, se é ou não a favor da liberação do aborto e como se comportará a respeito se for eleita presidente da República, o tucano José Serra tem a mesma obrigação de clarificar sua convicção e sua eventual ação na Presidência da República. E que falem todos em linguagem clara, do tipo em que sim é sim e não é não”.

É que no artigo eu afirmara que só a candidata Marina Silva tem posição absolutamente clara a respeito da sua posição pessoal e de como poderá agir a respeito da liberação do aborto no governo – ela admite um plebiscito para que a população decida a respeito, por entender que não pode impor à nação sua convicção pessoal. Mas se ela estiver na presidência e houver o tal plebiscito, está evidente que ela fará campanha para convencer o eleitorado a votar contra a liberação do aborto.

Mas, quanto a Dilma Rousseff e José Serra? Continuaremos aguardando que o candidato tucano esclareça sua posição. Dilma Rousseff, avisaram-me, já deixara as coisas claras a respeito, numa entrevista à revista Marie Claire.

Primeiro, a revista mesma deixou clara sua posição ao fazer uma pergunta a respeito a Dilma Rousseff. “Uma das bandeiras da Marie Claire é defender a legalização do aborto. Fizemos uma pesquisa com leitoras e 60% delas se posicionaram favoravelmente, mesmo o aborto não sendo uma escolha fácil. O que a senhora pensa sobre isso?”.

A resposta de Dilma Rousseff: “Abortar não é fácil pra mulher alguma. Duvido que alguém se sinta confortável em fazer um aborto. Agora, isso não pode ser justificativa para que não haja a legalização. O aborto é uma questão de saúde pública. Há uma quantidade enorme de mulheres brasileiras que morre porque tenta abortar em condições precárias. Se a gente tratar o assunto de forma séria e respeitosa, evitará toda sorte de preconceitos. Essa é uma questão grave que causa muitos mal-entendidos”.

Repito a frase-mestra de Dilma Rousseff: “Agora, isso não pode ser justificativa para que não haja a legalização”. E acho que, com essa frase, a questão está muito bem entendida.

Mas a revista insiste um pouco mais no tema. “Hoje, o que é preciso para legalizar o aborto no Brasil?” E Rousseff responde: “Existem várias divisões no país por causa dessa confusão, entre o que é foro íntimo e o que é política pública. O presidente é um homem religioso e, mesmo assim, se recusa a tratar o aborto como uma questão que não seja de saúde pública. Como saúde pública, achamos que tem de ser praticado em condições de legalidade”.

Pronto. Não é necessário entrar na questão religiosa, uma questão importante, mas que fica para outra ocasião. Como não é necessário entrar em questões de foro íntimo, nem em questões de saúde pública, que Rousseff e o presidente Lula, segundo ela, levam tão em conta quando se trata de aborto. A questão fundamental no aborto, sob o ponto de vista da sociedade e do Estado, é a dos direitos humanos e, nestes, a dos direitos naturais. O direito à vida. O direito da pessoa inocente e absolutamente indefesa que ainda não nasceu de não ser geralmente torturada no ventre materno e morta. Não há pena de morte no Brasil e, se houvesse, não deveria ser aplicada aos inocentes. Ou deveria?

maio
15
Posted on 15-05-2010
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Dilma:teste na TV

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ARTIGO DA SEMANA

FIM DE CASO

Vitor Hugo Soares

Quinta-feira passada foi um 13 de Maio para não esquecer na política brasileira. Não pelos atos e fatos relacionados com a data histórica em si, destinada a recordar a longa luta contra a escravidão e a discriminação racial no País, ofuscada pela movimentação dos dois principais pré-candidatos à presidência da República, em situações diferentes mas destinadas a levantar poeira e polêmica por alguns dias, pelo menos enquanto a seleção de Dunga não entra em campo.
Mais cedo foi a movimentação de José Serra, do PSDB, em seu “tour” nordestino (campanha é palavra que o candidato recusa) por Pernambuco. Na Rádio Jornal do Comércio – famosa por falar para o mundo desde o tempo em que o grande Antonio Maria andava por seus estúdios – o tucano até arriscou alguns versos do samba canção “Fim de Caso”, de Dolores Duran, clássico da criativa e explosiva fase de rompimento de Dolores com o notável compositor e cronista pernambucano.
Isso tudo entre um elogio e outro do tucano ao presidente Lula em cada entrevista, encontro ou esquina do Recife por onde Serra passou . O pré-candidato do PSDB fez mais: proclamou Lula como “cidadão acima do bem e do mal” e ainda prometeu, se eleito, tocar adiante todas as obras em andamento do governo petista, incluindo a polêmica transposição das águas do Rio São Francisco, cantiga cara, problemática desde o tempo do Império, e que não soa maviosa aos ouvidos de todos os nordestinos.
Mais tarde, antes de voar para Vitória, no Espírito Santo, o tucano precisou dar explicações quanto a “infalibilidade” do governante petista e negar que tivesse sido irônico em suas afirmações e elogios ao presidente no solo pernambucano. Se tivesse esperado pelo que estava guardado para ele e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em rede nacional de TV na noite do 13 de maio, Serra provavelmente teria se poupado das explicações e de ter arriscado a canção de Dolores na Radio JC.
O fim de caso, se algum caso havia entre tucanos e petistas nesta estranha e hipócrita campanha eleitoral que precisa esconder o nome, foi explicitado, sem meias palavras, em 10 minutos de programa de rádio e televisão que parece ter apanhado de surpresa até os juizes eleitorais.
Sem levar em conta proibições legais e tendo como apresentador e mestre de cerimônia ninguém menos que o presidente Lula, a pré-candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, não perdeu tempo com amabilidades e afagos a adversários. Muito menos se intimidou em fazer do programa do partido uma plataforma de largo alcance para lançamento de seu nome, imagem e história, na corrida da sucessão presidencial.
Entre afagos e juras mútuas de afetos, Dilma e Lula dividiram o tempo precioso na pintura a quatro mãos da obra de propaganda e marketing político e eleitoral. A começar pela biografia emoldurada da ex-ministra, da sua trajetória política na época da ditadura militar e em cargos ocupados nos governos do Rio Grande do Sul e federal.
“Eu lutei sim pela liberdade e pela democracia com os meios e as concepções que eu tinha. Quando o Brasil mudou, eu mudei, mas nunca mudei de lado”, disse nos primeiros tiros disparados a queima-roupa contra o adversário Serra, ex-líder estudantil, exilado na época e que condena a luta armada.
Lula chegou a comparar sua candidata a Nelson Mandela, ex-presidente da África do Sul, preso por 27 anos por sua luta conta o apartheid e que “depois virou presidente da República do país africano”. A candidata do PT lembrou também, no final da apresentação, o significado do 13 de maio de 1888 nos combates contra o racismo e a discriminação no Brasil.
Mas o programa insistiu mesmo foi na comparação entre os oito anos do governo Lula e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), tudo que os tucanos pareciam mais temer e estratégia evitada a todo custo por Serra nestes primeiros dias de campanha, como se viu em Pernambuco na quinta-feira.
Quase tudo foi apresentado como realizações da dupla Lula-Dilma, com moldura informativa e jornalística e dados lançados sempre em contraponto com FHC-Serra – aí seguramente com o dedo e a cabeça do marqueteiro da campanha de Dilma e do programa do PT. “Eu tive que aprender e aprendi a encarar as dificuldades”, disse a candidata.
Na imagem pré-gravada, o presidente Lula, fisicamente a milhares de quilômetros do país – prestes a desembarcar no Irã -, manda o recado final: “Ela (a candidata Dilma) tem a ternura, a sensibilidade e o jeito de fazer política dos mineiros e a intrepidez dos gaúchos. É um bela mistura.”
Serra e seus aliados ouviram em Recife o recado do nordestino Lula, que de alguma maneira deu sentido ao samba canção que o candidato tucano ensaiou na Radio Jornal. A partir do 13 de maio de 2010, a cantiga do candidato de PSDB e seus aliados deverá mudar de tom e de ritmo.

A conferir.

Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

maio
14
Posted on 14-05-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 14-05-2010

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Em seu artigo desta sexta-feira o jornalista político Ivan de Carvalho escreve em sua coluna na Tribuna da Bahia sobre a recomendação da CNBB aos católicos que, em outubro, votem “em pessoas comprometidas com o respeito incondicional à vida”. O colunista afirma não ver a menor razão para a CNBB evitar a citação da palavra aborto, preferindo a menção implícita, ainda que inequívoca.Bahia em Pauta reproduz o texto.

(VHS)

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OPINIÃO POLÍTICA

O aborto na sucessão

Ivan de Carvalho

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil recomendou aos católicos que, em outubro, votem “em pessoas comprometidas com o respeito incondicional à vida”. Na sua “Declaração sobre o Momento Político Atual”, a CNBB não menciona explicitamente o aborto, mas é evidente que este, embora possa não ser o objetivo exclusivo da declaração, é seu núcleo.

Não vejo a menor razão para a CNBB evitar a citação da palavra aborto, preferindo a menção implícita, ainda que inequívoca. Há coisas que devem ser ditas da maneira mais clara e direta possível. Em algum lugar da própria Bíblia Sagrada está escrito que “seja a tua palavra, sim, sim, não, não”. Vale dizer: não minta, não fique em cima do muro, não use meias palavras e, mesmo sendo afirmativo, seja claro, direto, de modo que todos quantos ouvirem, entendam.

A questão do aborto deve ser posta claramente na campanha eleitoral deste ano. Marina Silva, do PV, é a única candidata a presidente que, por enquanto se pronunciou claramente sobre o assunto, sem deixar dúvidas. Por considerações pessoais e religiosas (ela é evangélica) Marina é contra a descriminalização (liberação) do aborto. Mas como acredita que não pode impor sua vontade ou convicção à nação, admite um plebiscito para decidir sobre o assunto.

Há poucos dias, a candidata do PT, Dilma Rousseff, entendeu que era chegada a hora de falar sobre o aborto. Parece que não era. Li as declarações dela, não entendi nada, fiquei sem saber se ela é a favor da liberação, contra ou muito pelo contrário. Estarei aguardando outra oportunidade em que ela volte a abordar o assunto, na esperança de que o faça com clareza. Por enquanto, tenho apenas a triste lembrança de que o seu partido, o PT, decidiu em seu 3º Congresso Nacional ser a favor da liberação do abordo e impor aos filiados a mesma posição. Razão pela qual expulsou dois deputados federais, um deles o deputado baiano Luiz Bassuma, que hoje é candidato a governador pelo PV e pode ser um dos beneficiados pela recomendação dada esta semana pela CNBB aos católicos. Bassuma é presidente da Frente Parlamentar Nacional em Defesa da Vida e Contra o Aborto. Mas os outros candidatos a governador também podem se habilitar ao benefício, querendo.

Assim como a petista Dilma precisa esclarecer ao eleitorado, sem deixar margem a dúvidas, se é ou não a favor da liberação do aborto e como se comportará a respeito se for eleita presidente da República, o tucano José Serra tem a mesma obrigação de clarificar sua convicção e sua eventual ação na Presidência da República. E que falem todos em linguagem clara, do tipo em que sim é sim e não é não.

maio
13
Posted on 13-05-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 13-05-2010

Dorneles:  recuo do PP

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O PP, um dos principais partidos da base de sustentação do governo Lula e que se acreditava favas contadas na aliança que apoiará a candidata petista à sucessão presidencial, Dilma Rousseff, pediu tempo para pensar. Isso pode ter reflexos na Bahia, superficiais ou profundos, mas é questão para cujo esclarecimento cumpre esperar mais um pouco. Este é o tema principal do artigo do jornalista político Ivan de Carvalho, na Tribuna da Bahia, que Bahia em Pauta reproduz.
(VHS)

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OPINIÃO POLÍTICA

O PP pede tempo

Ivan de Carvalho

1. O PP, um dos principais partidos da base de sustentação do governo Lula e que se acreditava favas contadas na aliança que apoiará a candidata petista à sucessão presidencial, Dilma Rousseff, pediu tempo para pensar. E para medir, com base em observações e pesquisas eleitorais. Isso pode ter reflexos na Bahia, superficiais ou profundos, mas é questão para cujo esclarecimento cumpre esperar mais um pouco.
O presidente nacional do PP, Francisco Dornelles, disse ontem que seu partido só decidirá em junho qual o candidato a presidente que vai apoiar. E acrescentou que os diretórios estaduais estão liberados para fazerem as alianças que quiserem. Há estimativas de que dez diretórios estaduais apoiarão José Serra e os restantes permanecerão governistas, apoiando Dilma Rousseff.
Mas o PP, por sua convenção nacional, escolherá um candidato a presidente, ingressando na coligação às eleições majoritárias liderada por este candidato ou candidata, o que terá um impacto político-eleitoral favorável, além de somar para este candidato tempo na propaganda eleitoral gratuita no rádio e televisão.
E o que aconteceu ontem no Rio Grande do Sul? O presidente nacional do PP, Francisco Dornelles, tio do tucano mineiro Aécio Neves, reuniu-se em Brasília com o presidente nacional do PSDB, senador pernambucano Sérgio Guerra. Na reunião estavam também os presidentes do PP e PSDB do Rio Grande do Sul. E então anunciou-se o apoio do PP gaúcho à candidatura presidencial do tucano José Serra. É a primeira seção estadual do PP a declarar formalmente apoio a Serra.
Sugiro que o leitor mesmo tire sua conclusão a respeito de para qual candidatura a presidente da República o deputado Francisco Dornelles empurra a sardinha do PP. Para facilitar mais ainda essa conclusão, lembro que o presidente nacional do PP é o nome mais cotado, nas duas últimas semanas, em todas as especulações, para ser o candidato a vice-presidente da República na chapa do tucano José Serra.
2. Ontem certamente não foi um bom dia para a candidata Dilma Rousseff, que além de amargar essa má notícia gaúcha ainda deu uma escorregada de quebrar a parte extrema inferior da coluna vertebral, para usar a terminologia dos ortopedistas e não a popular. É que defendendo a posição brasileira de ficar acariciando o tresloucado (faz tempo que não vejo esta palavra escrita em jornal, antigamente A Tarde adorava incluí-la nas reportagens sobre suicídio) presidente Ahmadinejad, disse que o Irã “controla armas nucleares”.
Ora, o Irã já está com os bofes para fora de tanto dizer que jamais pretende controlar essas armas, embora os outros países e a torcida do Flamengo estejam cansados de saber que a República Islâmica só pensa em fazer a bomba. Mas, ao contrário do que disse Rousseff, não controla ainda. Vai ver, a candidata do PT à Presidência da República é uma dessas raras pessoas que estão à frente do seu tempo e, assim, fala de coisas futuras no presente do indicativo. E se assim é, tempo não deve perder em incluir mais esse galardão no seu currículo, na Plataforma Lattes do CNPq.

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