jan
16
Posted on 16-01-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 16-01-2010

Deu na coluna

Em sua coluna deste sábado, na Tribuna da Bahia, o jornalista Ivan de Carvalho assinala que a mais recente estimativa sobre o número de mortos no Haiti em consequência do terremoto é de 140 mil mortos. Dezenas de países do mundo estão enviando ou preparando-se para enviar ajuda financeira ou material de origem pública e particular. Pois é bem no meio das preocupações com esse desastre monumental que o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra e o assessor especial para Assuntos Internacionais do presidente Lula, Marco Aurélio Garcia, que é agora (valha-me Deus) também o encarregado da elaboração do programa do PT para a campanha eleitoral e o hipotético governo de Dilma Rousseff, envolvem-se numa pendenga sobre qual partido está à “esquerda”, se o dos tucanos, se o dos “companheiros”. Confira no texto de Ivan, que Bahia em Pauta reproduz. (VHS)

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Sergio Guerra e…

… e Marco Aurelio: hora errada


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OPINIÃO POLÍTICA

Uma discussão sobre nada

Ivan de Carvalho

A mais recente estimativa sobre o número de mortos no Haiti em consequência do terremoto é de 140 mil mortos. Dezenas de países do mundo estão enviando ou preparando-se para enviar ajuda financeira ou material de origem pública e particular.

O Brasil tem o comando e quase todo o contingente das tropas que, em nome da ONU, foi enviado para manter a ordem e a paz no mais pobre e talvez o mais sofredor país das Américas. A missão militar lá está há bastante tempo, mas toda a violência e as mortes que certamente evitou foram um benefício amplamente neutralizado e superado, em poucos segundos, pelo terremoto que destruiu a capital do país, Porto Príncipe e atingiu seus arredores.

Pois é bem no meio das preocupações com esse desastre monumental que o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra e o assessor especial para Assuntos Internacionais do presidente Lula, Marco Aurélio Garcia, que é agora (valha-me Deus) também o encarregado da elaboração do programa do PT para a campanha eleitoral e o hipotético governo de Dilma Rousseff, envolvem-se numa pendenga sobre qual partido está à “esquerda”, se o dos tucanos, se o dos “companheiros”, ainda que todos sabendo que entre estes há muitos que gostariam mais de ser “camaradas”.

O presidente do PSDB comparou a posição de seu partido à do PT numa entrevista à revista Veja. Disse que se a oposição chegar ao poder, haverá mudança na política econômica e que a ação a esse respeito será rápida e objetiva. E afirmou, então, que o PT “já foi” de “esquerda”, mas se transformou em um “partido populista”.

Marco Aurélio Garcia correu para responder pisando nos cascos, já que em outra ocasião não pareceu bem ao público ele comemorar o suposto bom resultado da violação ilegal do sigilo bancário do caseiro Francenildo com o popular (ou populista?) “top, top, top”. Disse, o genial assessor, ironizando, que ante as declarações de Guerra teve “uma crise de identidade” e acrescentou que “o PSDB não é um partido de direita, é um partido da direita. Sutil pra burro. Concedeu que no PSDB “há pessoas de esquerda”, assim como talvez o presidente deste partido possa conceder que entre os “populistas” do PT existam algumas pessoas “de esquerda”.

Ora, quanta bobagem e perda de tempo com nada. Isso “já foi” e “top, top, top” pra isso. Durante quase todo o século XX o mundo conviveu com esses dois rótulos, “esquerda” e “direita”, uma maneira de os políticos e muitas instituições, a exemplo de partidos e Estados, escamotearem o que realmente eram, e, graças à intensa propaganda comandada pelos comunistas da União Soviética, ficou mais ou menos estabelecido que “esquerda” era bom e “direita”, ruim. Servia também como instrumento da preguiça, pois quem diz “sou esquerda” se acha desobrigado de dar qualquer outra informação sobre o que pensa ou pretende politicamente. Tudo como em Animal Farm (A Revolução dos Bichos), de George Orwell. Os porcos, que empalmaram o poder na fazenda dos bichos, impuseram o conceito recentemente lembrado pela jornalista Dora Kramer: “Quatro patas, bom; duas patas, ruim”.

Uma porcaria mesmo essa discussão. E no século XXI.

jan
15
Posted on 15-01-2010
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Ulysses e Lula no palanque

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ARTIGO DA SEMANA

LULA E O COCHILO DE ULYSSES

Vitor Hugo Soares

Passou rápido o período de descanso do presidente da República na virada do ano na praia baiana de Inema, pedaço terrestre do Éden dentro da supervigiada Base Naval de Aratu. Lula viajou de férias quando a chapa começava a esquentar, apostando no tempo, eterno curador de feridas, para superar a crise dentro de seu governo dividido diante do Programa Nacional de Direitos Humanos.

O presidente desembarcou na Bahia confiante de que os sinais de tempestades logo se afastariam do Planalto Central e, quando ele retornasse do descanso, tudo estaria outra vez em paz. Lula voltou ao batente esta semana e logo verificou, como na canção de Chico Buarque de Holanda: “inútil dormir que a dor não passa”.

As nuvens da crise carregadas de preocupantes ingredientes militares não se moveram e ficaram mais densas sobre Brasília. O terremoto no Haiti, com a morte de 18 militares brasileiros da Força de Paz da ONU – confirmadas pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim ao retornar de Porto Príncipe -, somado à terrível tragédia humana no país mais pobre das Américas, com o qual o Brasil está cada vez mais envolvido, pode estabelecer uma trégua na crise. Ou agravá-la mais nos próximos dias.

O tempo dirá, mas nada de paranóia, que isso em geral atrai mais desgraças. O fato é que o tumulto se amplia. Força o presidente, segundo assinala O Globo, a usar boa parte de sua “aparentemente inesgotável capacidade de administrador de ambiguidades para manter sem fissuras irreversíveis um governo assentado em eclética aliança político-partidária, formada por frações dos mais diversos quadrantes da geografia ideológica”.

Façamos agora um breve intervalo para outras lembranças. No livro “Dr. Ulysses – o homem que pensou o Brasil”, um dos 39 depoimentos sobre a trajetória do Sr. Diretas é de Luiz Inácio Lula da Silva. Motivado pelos autores a recordar episódio pitoresco ocorrido com Dr Ulysses durante as Diretas Já, Lula lembra que um dia foi à casa do deputado com Luiz Eduardo Greenhalgh. Os dois entraram, subiram as escadas e depararam com Ulysses deitado com as mãos cruzadas na frente.

“Eu e o Luiz Eduardo acreditamos que ele estava morto! Sabe, uma pessoa deitada com a barriga para cima, com a mão cruzada assim. Falei para o Luiz: ‘será que o ‘velhinho’ está morto?'”. Mas Ulysses estava vivinho da silva. Lula e Greenhalgh o chamaram e ele acordou. Tiveram, a seguir, uma conversa interessante, porque nesse dia Lula fora convocar Ulysses para não deixar a Campanha das Diretas morrer. “O Fernando Henrique Cardoso já estava articulando com Tancredo Neves um novo mote; “Diretas Já, Mudança Já”, recorda Lula.

“Eu tinha uma visão clara. Então fui dizer a ele o seguinte: “Olha Dr. Ulysses, eu sei que passaram a perna no senhor, embora o senhor não queira reconhecer publicamente'”. Lula achava que o pessoal de Tancredo Neves, e o próprio Tancredo, sabia “que se a gente conquistasse as Diretas”, Ulysses seria o candidato natural a presidente da República. E Tancredo Neves pela via indireta, pelo Colégio Eleitoral.

“Então eles passaram a perna no senhor. O senhor foi deitar presidente da República e acordou cabo eleitoral de Tancredo. Esta é a verdade e eu disse isso a ele”, conta o presidente no depoimento do livro organizado por Celia Soibermann Melhem e Sonia Morgenstern Russo.

E estamos de volta ao começo destas linhas. O presidente da república faz ginástica para pôr ordem na casa de seu governo rachado pelo Programa Nacional de Direitos Humanos. Quando o presidente embarcou para a Bahia, o desconforto interno no governo, e o bafafá externo, só fizeram crescer. “Outras crises vieram à tona quando, embutido no Programa Nacional de Direitos Humanos, revelou-se um plano de governo, e com propostas inconstitucionais. Uma delas, a censura à imprensa, em nome da defesa dos “direitos humanos”, guarda-chuva amplo o suficiente para abrigar desde medida de desrespeito à propriedade privada à regulamentação do imposto sobre fortunas, descriminalização do aborto, financiamento público de campanhas, e assim por diante”, diz O Globo..

Lula é muita coisa, menos bobo, já se sabe de outras tertúlias. Percebeu os riscos que corre se a crise prosperar, e o quanto isso poderá beneficiar os planos de seus adversários políticos – emplumados ou não – às vésperas de começar o fogo cruzado da campanha à sua sucessão. Diante do perigo, nega o que disse e o que assinou e tenta saída organizada da crise, com o menor número de baixas possíveis em sua tropa.

Já fez chegar aos militares que não permitirá discriminações na questão da Anistia – tema que parece fadado a ser jogado no colo da Justiça. Outras concessões e recuos parecem estar a caminho. “O filho do Brasil” sabe onde as cobras dormem. E tenta evitar o cochilo de Ulysses no tempo das Diretas Já, para não virar mero cabo eleitoral de Dilma Rousseff na sucessão que vem aí.

O tempo dirá.

Vitor Hugo Soares é jornalista. E-Mail: vitor_soares@terra.com.br

jan
15
Posted on 15-01-2010
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Nizan bate duro…

…Em Bell Marques

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CRÕNICA / EGOS BAIANOS

Deus e a Bahia vão perdoar Nizan?

*Marcelo Torres

Parece que baixou um santo muito doido no publicitário baiano Nizan Guanaes, que, do nada e sem quê nem pra quê, desceu a madeira no cantor Bell Marques, do Chiclete com Banana, e na própria cidade de Salvador, que ele tanto exaltou em verso, prosa e propaganda.

Ele escreveu no seu Twitter, onde é seguido por 15 mil pessoas (como se fosse um trio elétrico): “Salvador está como Bell, do Chiclete [com Banana]: careca e fingindo que tem trança. Bell, o crooner careca, é uma mentira. Fala pro Bell tirar a bandana. O cara é um careca enrustido”.

O autor de versos como “Ah!, que bom você chegou/ Bem-vindo a Salvador/ Coração do Brasil/ Ah!, você vai conhecer/ A cidade de luz e prazer/ Correndo atrás do trio”, agora solta o verbo ao contrário: “Salvador não tem praia pro turista, não tem hotel e a orla é um favelão”.

Essas frases devem ter deixado muitos baianos surpresos, para não dizer retados. Até o jornalista Maurício Stycer, que é carioca e não deve ser lá esses fãs de Bell nem de Salvador, até ele ficou surpreso, pelo menos foi o que mostrou na matéria que escreveu para o Portal UOL nesta terça.

Bom, como eu não sou turista, não me hospedo em hotel e esse negócio de orla, para mim, tanto faz como tanto fez, não posso dizer que Salvador seja um favelão. Mas que 80% dos moradores da capital vivem em realidade de favela, isso não é nenhuma mentira, como está provado e comprovado pelas pesquisas.

Quanto ao cantor Bell Marques, meia Bahia está careca de saber que aquela inseparável bandana está ali porque ele está com pouca (ou nenhuma) telha. Mas isso é um “problema dele e das negas dele”, ou seja, não precisava seu Nizan, que já foi unha e carne com a chicletada toda, “vim agora” esculhambar a pamonha.

Pois é, e depois que eu li essa notícia, de importância suprema para a salvação da humanidade, estou aqui sem dormir há um dia, pois não estou comendo nada dessa história, e três coisinhas ficam aqui martelando, pinicando.

A primeira é: que diabo levou Nizan, que não é mais nenhum menino, a dizer essas cobras e lagartos? Ora, ora, nesse mato e nesse meio, além de cobras e lagartos, tem muito coelho. Tem ou não tem?

A segunda é: se levarmos ao pé da letra a música cantada (ou seria gritada?) por Bell Marques, segundo a qual “se você é chicleteiro, Deus te abençoa; se você não é, Deus te perdoa”, se levarmos em conta essa máxima, será que Nizan vai ser perdoado?

A terceira e última é a mãe de todas as minhas dúvidas, e a resposta, se houver, será capaz de salvar a humanidade. É a seguinte: por que é que nós, baianos, só nos referimos à banda Chiclete com Banana como “o” Chiclete e não “a” Chiclete? Por que Bell do Chiclete e não da Chiclete? Essa nisgraça num é u’a banda? Ô miséra!

*Marcelo Torres, jornalista, baiano, mora em Brasília, email marcelocronista@gmail.com e blog http://marcelotorres.zip.net

jan
15
Posted on 15-01-2010
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DEU NA COLUNA

… “E seguiu para a igrejinha, sempre em destaque nas pequenas comunidades, porta entreaberta, mas desguarnecida. Entrou”…Este é um pequeno trecho da história comovente que o jornalista político Ivan de Carvalho narra em sua coluna na edição de hoje na Tribuna da Bahia, em mais um -e merecido – tributo à memória da médica Zilda Arns, morta dentro de uma igreja em Porto Príncipe, vítima do terremoto arrasador no Haiti.
(VHS)
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Sinais no Haiti

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OPINIÃO POLÍTICA

Meu Deus, me dê um sinal
Ivan de Carvalo

Quase comecei pedindo perdão aos meus poucos e pacientes leitores por escrever, pelo segundo dia consecutivo, sobre Zilda Arns. Mas optei pela música – e recente atitude – de Caetano Veloso, no caso de suas críticas a Lula e às desculpas que a mãe do cantor e compositor baiano pediu ao presidente.
“Não peço desculpas / e nem peço perdão”. Em verdade não é excesso escrever, seja em dois dias consecutivos, seja em muitos, sobre Zilda Arns, a fundadora e coordenadora internacional da Pastoral da Criança e da Pastoral da Pessoa Idosa.
Desta vez, não pretendo, ao contrário do que tentei fazer ontem, qualquer prospecção sobre o sentido da vida e da obra dessa guerreira da paz, da fraternidade e do amor na sua expressão mais elevada – o amor a Deus e à humanidade.
E não esperem de mim detalhes e miudezas da história que vou contar, lembrada quando o sono recusava-se a chegar no tempo habitual. É que o ser humano registra na memória tudo que experimenta, sente, vê, fala, ouve ou simplesmente percebe. Mas a imensa maioria de toda essa gigantesca massa de informação não permanece no que, para simplificar, chamaria de “memória operacional”, sempre disponível.
A maior parte vai para alguma espécie de “arquivo morto”, de onde só emerge, quando algum evento extraordinário ou algo que parece o acaso – que não existe – arranca algum conteúdo de memória daquele arquivo morto e o projeta na memória operacional.
Bem, no caso de dona Zilda Arns, a breve e singela história estava na memória operacional – onde ficam as informações cruciais, bem como as que usamos em nossa rotina e as que nos marcam emocionalmente – e certamente não foi a primeira vez que lembrei dela. Li, há uns anos, uma entrevista da irmã do cardeal Arns (ou deveria o cardeal ser qualificado de “o irmão de Zilda”? – eis uma questão difícil de responder, deixa prá lá).
Uma entrevista a uma revista de circulação nacional, cujo nome não lembro, porque não importava. Zilda Arns contava sua ida a uma pequena e humilde comunidade no interior do Brasil. Visita marcada, dia e hora previstos, imaginava ser recebida pela população local. Chegou, o lugar estava deserto. Ninguém a aguardava para as boas vindas, sequer para um bom dia. Casas fechadas, outras com portas entreabertas, mas pessoas… nenhuma. Decepcionada, conta ela, pensou: “Meu Deus, me dê um sinal de que vale a pena” toda aquela luta em que se envolvera. E seguiu para a igrejinha, sempre em destaque nas pequenas comunidades, porta entreaberta, mas desguarnecida. Entrou. E de repente viu-se coberta por uma intensa chuva de pétalas de rosa que caiam dos lugares altos.
Reconheceu na hora: “Obrigada. Que maravilhoso sinal me deste…”.
No Haiti, recebeu, aos 75 anos, outro sinal. Ou nós recebemos. Se estava na hora de ir, então que não fosse da cama de hospital, de uma gripe, mas de terremoto, em missão, de modo que o Brasil, o Haiti e o mundo mais conhecessem sua obra. Ela pedira um sinal, Deus deu dois.

jan
14

Game Change: grande procura

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ROSANE SANTANA

“Game Change”, livro de John Heilemann e Mark Halperin, sobre os bastidores das eleições americanas de 2008, recém-lançado, é best-seller nos Estados Unidos, pontuando a lista das editoras Amazon e Barnes&Nobel, segundo informações da National Public Radio (NPR), mas é também o mais difícil de encontrar.

Ainda fora de estoque, sua distribuição deverá estar regularizada no início da semana que vem, informa a NPR, quando se espera uma corrida frenética em busca do livro, que traz revelações sobre Obama, Hillary, Sarah Palin e John MaCcain no auge da campanha. Algumas delas já circulam em blogs e Tvs como a resposta de Hillary ao convite de Obama para ocupar a Secretaria de Estado, em que a senadora teria advertido o presidente sobre a possibilidade de o marido dela, Bill Cliton, criar problemas futuros para ele, que topou, assim mesmo, a parada.

Rosane Santana, jornalista, mora em Boston (EUA) e estuda em Harvard

jan
14
Posted on 14-01-2010
Filed Under (Artigos, Rosane) by vitor on 14-01-2010

Zilda Arns na Câmara de Salvador

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A médica pediatra e sanitarista Zilda Arns, fundadora da Pastoral da Criança, que está entre as vítimas do terromoto no Haiti, é cidadã de Salvador, por iniciativa do ex-vereador e presidente da Fundação João Fernandes da Cunha, Silvoney Sales.O Projeto de Resolução 16/2001, de homenagem a fundadora da Pastoral da Criança, foi aprovado em 19 de
junho de 2001 e a entrega do título aconteceu três meses depois, no dia 24 de agosto.

Católico praticante com estreitas ligações com algumas dioceses da capital, Silvoney, que também é médico, referiu-se à Zilda como “uma pessoa que praticava as três maiores virtudes citadas pelo apóstolo Paulo na Carta aos Coríntios: “a fé, a caridade e o amor”.

(Rosane Santana é jornalista, mora em Boston (EUA) e estuda na Universidade de Harvard.

jan
14
Posted on 14-01-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 14-01-2010

Deu na Coluna

Na Tribuna da Bahia, em sua coluna desta quinta-feira, 14, o jornalista Ivan de Carvalho fala de Zilda Arns. Uma figura modelar no sentido mais completo da palavra. Ela acaba de nos deixar, tragada pela tragédia inominável no Haiti. Passada a dor da perda, ficarão o exemplo e a simbologia de suas palavras e ações. Será? Confira o texto de Ivan, que Bahia em Pauta reproduz. (VHS)

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Zilda: um exemplo

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OPINIÃO POLÍTICA

Por que chora Arns?

Ivan de Carvalho

Não dá – no meu sentir – para escrever qualquer coisa hoje, e muito menos se houver a intenção de fazer a abordagem da questão dos direitos humanos – sem começar pela médica, formada para cuidar de corpos, autorreformada para cuidar mais de almas que de corpos, usando os desvelados cuidados com estes como instrumento para atingir e pescar aquelas. Pescadora de almas, uma dos muitos cristãos e cristãs que prosseguem hoje a missão dada por Jesus a Simão, o pescador, ao qual passou a chamar Pedro: “Vem e te farei pescador de almas”.

O Filho do Homem sempre está convidando a todos, mas algumas vezes Ele faz chamados absolutamente especiais, pela capacidade dos que convoca nessas ocasiões para realizar missões específicas. Um dia, na Estrada de Damasco, convocou seu perseguidor Saulo e do episódio resultou o 12º Apóstolo (existiam somente 11, desde o suicídio de Judas, o Iscariotes), o Apóstolo dos Gentios, principal responsável (entre os apóstolos) pela expansão do cristianismo fora dos limites de Israel.

Muito mais tarde, já na época das Cruzadas, um pedido irresistível é ouvido por um jovem de Assis: “Francisco, reconstrói a minha igreja”. Havia uma igrejinha em ruínas, Francisco, filho de um rico comerciante, achou que lhe fora pedido que a reconstruísse. E o fez, pedindo ajuda, em mão-de-obra e material. Quando completou a obra, o insight, ou, melhor dizendo, neste caso, a revelação: não, não era a igrejinha, aquilo fora só uma preparação, uma demonstração de humildade. A Igreja em ruínas era a de Roma, ela que devia ser reformada. Francisco lançou-se ao trabalho.

Como, mais tarde ou mais cedo, lançaram-se tantos outros, sem medir sacrifícios, ultimamente João Paulo II, Madre Teresa de Calcutá, Irmã Dulce, Zilda Arns.

Mas se a intenção desse artigo for a de abordar a questão do Programa Nacional de Direitos Humanos? Estão dizendo que a crise está se desfazendo porque os ministros Jobim, da Defesa, e Vannuchi, de Direitos Humanos, encontraram um jeito de tirar da questão da Comissão da Verdade a palavra “repressão”, substituindo por “violação dos direitos humanos”.

Ok, mas o que pensa, onde esteja, aquela gente toda citada antes – Jesus, Pedro, Francisco, João Paulo II, Madre Teresa, Irmã Dulce, Zilda Arns – se o presidente Lula insistir, por exemplo, na liberação do aborto, o massacre dos inocentes indefesos?

De nada adiantará chorar pela morte de Zilda Arns, se a pressão pela liberação do aborto (a negação do direito humano à vida) a estiver levando a derramar lágrimas pelos não nascidos e por nós, pois quanto mais pecadores mais objeto de lamentação seremos.

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Bahia em Pauta ficou fora do ar por quase dois dias, atacado por problemas técnicos e suspeitas de hackers.Saimos do ar por volta de uma hora da madrugada de terça-feira, logo depois de BP noticiar o terremoto no Haiti e ser um dos primeiros blogs a informar que soldados brasileiros da tropa de paz da ONU estavam entre as vítimas da catástrofe no país onde vivem os pobres mais pobres das Américas.)

Tivemos baixas também, pois o site-blog perdeu muitos arquivos com matérias postadas na última semana, incluindo a do sismo no Haiti. Estamos tentando recuperá-las, mas esse é um trabalho para entendidos e que leva mais tempo. Temos fé e com ela – a fé – retornamos à superfície depois do mergulho que nos deixou longo período fora do ar e sem contato com a nossa razão de ser:os queridos leitores e ouvintes do Bahia em Pauta.

Foi tudo tão rápido e surpreendente para nós, que nem deu tempo de agradecer as generosas referências e elogios ao BP e seu editor, feitas pelo âncora da Radio Metrópole, Mário Kertéz, que comanda alguns dos programas informativos, críticos e bem humorados do rádio em Salvador e no estado.Fazemos isso agora, ampliando os agradecimentos para um dos mais competentes professores da UFBA, Roberto Abergaria e toda a equipe da Metrópole.

Por fim, dois agradecimentos especiais e indispensáveis a santos que velam por este blog baiano sintonizado no mundo: Senhor do Bonfim, no dia do histórico cortejo da lavagem de sua igreja, na Colina Sagrada, Oxalá milagroso do coração dos baianos de fé; e a São Dimas, poderoso mestre da informática, moderador fundamental deste blog, que arrostando dores e sacrifícios impostos por problemas de saúde, consegue trazer Bahia em Pauta de volta à superfície.

Valeu também seguramente, e muito, o ato de fé e contrição flagrado na colina pelas cãmeras da TV do engenheiro Tiago, filho de Dimas e amigo sempre atento deste blog, que aniversaria hoje e para quem Bahia em Paute oferece o Hino ao Senhor do Bonfim, com admiração e agradecimentos.

Salve!

(Vitor Hugo Soares, editor)

jan
07

A canção que unia Dalva a Lamenha

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CRÕNICA/ENCONTROS

Sylvio Lamenha e Dalva de Oliveira, outra canção de amor

Claudio leal

O nome do cronista caiu na mesa. Ligeira busca na memória, persistente dúvida interna, um movimento das sobrancelhas rarefeitas. O professor Cid Teixeira, esse gênio de historiador desengravatado, recorre aos dois entrevistadores: “Sylvio Lamenha ainda é vivo?”. Resposta do antropólogo Roberto Albergaria, numa síntese melancólica: “Todos já estão mortos, Cid”.

Pois veja, depois de uma sentença tão definitiva, do lado cá dos vivos os companheiros de boêmia e de jornalismo deram de reviver Sylvio Lamenha a cada capítulo da minissérie global “Dalva e Herivelto – Uma canção de amor”, um brilhante diário para os telespectadores. Mas, por desígnios da morte, falta um espectador das desventuras do casal mais talentoso e briguento da música brasileira.

Imitador e fã extremado de Dalva de Oliveira, capaz de reproduzir os erres estridentes da cantora, Lamenha é uma pontada de saudade a cada aparição de Adriana Esteves, a intérprete da “Divina”. Jornalista do Diário de Notícias nos anos 60, o advogado Antonio Guerra Lima se lembrará por décadas das manhãs em que Sylvio cantava na redação um clássico de Herivelto Martins, “Ave Maria no Morro”, enquanto batucava na máquina a coluna “Hi-So”, insuperável em vibração cultural e diversidade de rostos. Ele pode ser flagrado no ofício, caderneta em punho, como um colunista social do filme “Tocaia no Asfalto”, de Roberto Pires. Encerrava a tripa de notinhas, invariavelmente, com um poema: “E, no mais, poesia é axial”.

Gay “avant la lettre”, Lamenha era ralhado pelo paternal diretor dos Diários Associados na Bahia, Odorico Tavares: “Senhor Silvio, eu lhe dou uma coluna social e o senhor só me põe homem?”. Além de Dalva, a grande paixão platônica de Lamenha era o irmão de uma famosa miss com duas polegadas a menos. Baixem as cortinas.

Os trinados do baiano não tardaram a cativar o rouxinol. Ficaram amigos de copo e de palco. Em 1972, em fase de declínio, Dalva foi produzida pelo jornalista Tarso de Castro, parceiro do colunista social nos verões baianos, quando faziam farras em Salvador e na Ilha de Itaparica, não raro embarcados na lancha do construtor Walter Fernandez, a Atrevida (“O mundo é mais bonito/Com Benito/ A vida só tem vez/ Com Walter Fernandez”, anotava na Hi-So).

Numa sacada de fera, Tarso incluiu o jornalista no show da decadente Dalva, que morreria naquele ano, no Teatro Casa Grande, no Rio de Janeiro. Lamenha, autor da contracapa de um dos discos da cantora, atuava ao lado da musa Leila Diniz. Nome do espetáculo? “Vem de ré que eu estou de primeira”. Deu até pra notar o sorriso do leitor. Quem não viu a silhueta deve conferir a magnífica caricatura de Lamenha incorporando a estrela do rádio, feita pelo craque do bico de pena Ângelo Roberto.

O livro inspirador da minissérie global, “Minhas duas estrelas”, do grande cantor Pery Ribeiro (escrito em parceria com Ana Duarte), traz duas histórias em que Lamenha se torna reincidente no álcool e na amizade. Os gays sempre foram fãs ardorosos de Dalva, registra o filho da artista com Herivelto, “e esse era dos mais fanáticos”. Depois de um show com Chico Anysio, em Salvador, os músicos foram recebidos pelo prefeito da cidade.

Temeroso com a aproximação de Sylvio – a mãe deveria permanecer a quilômetros de qualquer drinque –, Pery Ribeiro passou o jantar olhando para os lados, atento à chegada do homem “inteligente e bom de papo”, mas desencaminhador de Dalva.

Perto do fim do encontro, ressurge a ave Lamenha, que arrebanha sua mãe para a noite de Salvador. Um telefonema desperta Pery na madrugada: embriagados, os dois não deixavam o dono de um bar de “quinta categoria” encerrar o expediente. Noutra temporada baiana, Lamenha introduziu conhaque no camarim da cantora, furando o bloqueio imposto pelo apresentador Luis Vieira. Bêbada, Dalva de Oliveira não conseguiu terminar o programa televisivo.

Sylvio Lamenha morreria de câncer, mas antes experimentou a fusão de bebida e desesperança, a mesma esteira em que derrapou a carreira de Dalva. Fantasiado de Nero, com uma lira furtada por Glauber Rocha e amigos do túmulo de Castro Alves, naufragou-se em cachaça e lança-perfume num baile do Bahiano de Tênis. Terminou no hospital, em coma. Mas não será lembrado somente por essas milongas. Projetado em Dalva, Lamenha encarnava esse desejo etéreo de distrair a morte com representações de hedonismo e alteridade. Até certa dose, valeu o engenho.

Claudio Leal é jornalista.

jan
07
Posted on 07-01-2010
Filed Under (Artigos, Eventuais) by vitor on 07-01-2010

Quem matou Neilton?

DEU NA TRIBUNA DA BAHIA
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Silvana Blesa

A família da vítima prefere o silêncio e desacredita na eficiência da Justiça baiana. Os acusados de assassinarem o servidor público Neylton Souto da Silveira, os vigilantes Josemar dos Santos, 31 anos, e Jair Barbosa da Conceição, 44, aguardam julgamento, presos no Presídio Salvador.

Já o Ministério Público entrou com recurso no Tribunal de Justiça da Bahia e reforça a tese de que o crime foi articulado pela a ex-subsecretária municipal de saúde Aglaé Amaral Sousa e pela ex-consultora técnica Tânia Maria Pimentel Pedroso, ambas em liberdade. A promotora Armênia Cristina Santos entrou com recurso no TJ, no dia 12 de julho do ano passado, contestando a decisão do juiz titular da 1ª Vara do Júri, Moacyr Pitta Lima Filho, e pedindo que os quatro acusados vão a júri popular pela morte do servidor. Enquanto isso, Aglaé, por exemplo, faz doutorado em São Paulo.

Três anos se passaram. Neylton Souto da Silveira, 48 anos, foi encontrado morto no dia 7 de janeiro de 2007, nas dependências da Secretaria Municipal de Saúde (SMS). A promotora salientou que, até o final do ano passado, o processo estava no TJ para ser julgado. E devido ao recesso de férias dos servidores que retornaram às atividades ontem, ela aguarda esperançosa que nos próximos seis meses obtenha resposta do Tribunal de Justiça. O MP entrou com recurso após a decisão do juiz Moacyr Pitta de que as provas apresentadas pela promotoria não seriam suficientes para que as duas acusadas fossem a júri popular.

Segundo a promotora criminal Armênia Cristina explicou, antes mesmo da confissão do vigilante Josemar dos Santos, acusado de executar Neylton, a própria família da vítima já tinha sido interrogada e afirmado que Neylton estava preocupado com as irregularidades que vinham acontecendo dentro da SMS, com desvios vultosos de verbas públicas, e tinha pedido para sair do emprego por conta das falcatruas, com os quais não concordava.

“Temos provas suficientes que comprovam que Agláe e Tânia tinham uma certa antipatia por Neylton, por ele ser correto no seu trabalho. Ele estava sendo pressionado pelas acusadas diante das irregularidades de desvios de dinheiro. Irei até o fim, mas não resta dúvidas do envolvimento delas no crime de mando”, afirmou a promotora, um dia antes de pedir recurso do TJ.

O Ministério Público aponta que os dois vigilantes, Josemar e Jair Barbosa da Conceição, teriam matado Neylton a mando das acusadas e recebido como recompensa R$ 25 mil. Mas o juiz não considerou eficientes as acusações do MP e nem acatou as outras investigações como desvios de verbas públicas. “Apenas o juiz não achou prudente o material apresentado. Agora espero que o TJ reveja os documentos que comprovam o que afirmo e peça que as duas vão a júri popular, assim como os dois vigilantes”, revelou Armênia.

LEIA INTEGRA NO JORNAL TRIBUNA DA BAHIA

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