fev
11

O jornalista baiano Claudio Leal, repórter da revista digital Terra Magazine , com redação em São Paulo , sempre atento aos caminhos e descaminhos do jornalismo na Bahia, acaba de postar em seu endereço no twitter:
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“Cansado de ouvir a família e os adversários, Cidadão Kane nomeou Ben para dirigir seu jornal. E explicou: http://migre.me/3RqEP ”

(Postado por Vitor Hugo Soares)


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“Yo Te Recuerdo”, tema original do mestre da composição romântica mexicana, Armando Manzanero, na interpretação única em português do rei Roberto Carlos. Uma sugestão garimpada no veio inesgotável do jornalista Gilson Nogueira.

BOM DIA!!!

(vhs)
En la interpretación en portugués de Roberto Carlos

fev
11
Posted on 11-02-2011
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 11-02-2011


Nordeste ás escuras: Apagão?
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OPiNIÃO POLÍTICA

A herança maldita

Ivan de Carvalho

Imediatamente antes de deixar a presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva tratou de avisar que, ao contrário do que acontecera com ele – que recebeu do antecessor, Fernando Henrique Cardoso, uma pavorosa “herança maldita” que o governo e o PT incluíram como uma das expressões prediletas de seu dicionário de rótulos e frases feitas –, sua sucessora não poderia se queixar de receber qualquer “herança maldita”.

O que vemos, então, nesse segundo mês de governo da presidenta (vade retro, besteirol), digo, presidente Dilma Rousseff?

Primeiro, um demorado apagão atingindo toda a região Nordeste do país. Às escuras para justificar o fenômeno, o ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, produziu uma frase surpreendente: “Não houve apagão. Houve uma interrupção provisória no fornecimento de energia”.

Respeito as pessoas, principalmente as claustrofóbicas, que ficaram presas em elevadores, as que ficaram às escuras e em pânico nas ruas, as que tiveram prejuízos com aparelhos elétricos e eletrônicos afetados no gradual restabelecimento do fornecimento de energia, as que iam, mas não foram, as que, já tendo ido, tiveram dificuldades para voltar, bem como as atividades econômicas, especialmente as industriais, seriamente prejudicadas.

Respeito toda essa gente e todas essas atividades, mas confesso: a justificativa do ministro valeu o apagão, quero dizer, a interrupção de energia que apagou tudo, mas não foi um apagão. O pessoal do Maranhão, de onde é o senador-ministro, é muito criativo. Lobão lançou um conceito novo que os especialistas do setor elétrico devem apressar-se a assimilar, para que não se perca.

Bem, logo em seguida, só para confirmar o anterior, outro apagão, perdão, interrupção no fornecimento de energia, desta vez em São Paulo, atingindo dois milhões de pessoas.

Mas aí o ex-presidente Lula poderá dizer, se quiser (suspeito de que não o fará) que o setor de energia, durante quase todo o seu primeiro mandato, foi comandado pela então ministra das Minas e Energia, Dilma Rousseff. E que esta, na Casa Civil, continuou monitorando o setor com muita energia (sem trocadilho). Então, não seria herança dele, mas ela, sim, estaria colhendo o que plantou.

Aliás, nos últimos anos da Era Lula – 2008, 2009, 2010 –, com o Ministério das Minas e Energia entregue a Lobão, apadrinhado de Sarney, e sob o monitoramento de Dilma, os apagões tiveram um aumento de frequência extraordinário. Mas o presidente chamava-se Lula e ele é que tinha o poder de decisão sobre onde e em que aplicar o dinheiro tomado aos contribuintes. Herança maldita, portanto.

Mas não é só essa má herança setorial. Estão fazendo um corte de R$ 50 bilhões no Orçamento da União. E, depois do corte, outros recursos do Orçamento serão contingenciados, isto é, não gastos naquilo a que se destinam para ficarem disponíveis para formação do superávit primário, com o qual pagam-se amortizações e serviços da gigantesca dívida pública.

Essa imensa dívida pública é outra parte da herança maldita deixada por Lula à sucessora. Assim como é maldita a herança de ter de cortar os R$ 50 bilhões do orçamento e fazer ainda grandes contingenciamentos. Não só porque isto é coisa antipática, sob os aspectos popular e político, como porque torna confesso o que todos já sabiam – há uma crise fiscal agravando-se e exigindo sacrifícios. E essa crise é uma criação exclusiva do governo Lula.

Para completar, estão postos os elementos para uma crise cambial. O Banco Central está comprando dólares diariamente, com grande prejuízo em reais, para evitar o agravamento da situação da balança comercial. A crise cambial ainda não é realidade, é uma previsão, seus fatores seriam não só internos, mas também externos. Isto, no entanto, não é suficiente para retirá-la da composição da herança maldita, especialmente se esta pode ser esticada do jeito que Lula esticou a de FHC.

fev
10


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Ao vivo do Teatro Guararapes em Recife-PE. – 2005
Orquestra & Coral.

BOA NOITE!!! LONGA VIDA A CAUBY!

(VHS)


Florisvaldo:”em respeito ao jornalismo”
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Deu na revista digital Terra Magazine

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CLAUDIO LEAL

O editor-chefe do secular jornal baiano “A Tarde”, o poeta e jornalista Florisvaldo Mattos, pediu desligamento do cargo, nesta quinta-feira (10), em meio à crise provocada pela demissão do repórter Aguirre Peixoto. Reportagens sobre crimes ambientais de uma obra do governo da Bahia em parceria com as empresas Patrimonial Saraíba e Construtora NM teriam motivado a queda de Peixoto.

Segundo a redação, o jornal atendeu a pressões do mercado imobiliário, acusado de fazer obras predatórias na primeira capital do País. O diretor-executivo de “A Tarde”, Sylvio Simões, desmentiu a versão em entrevista a Terra Magazine e atribuiu o episódio a conflitos de “poder interno”.

Os jornalistas entraram em “estado de greve” nesta quinta e a crise ganhou repercussão em sites especializados na imprensa brasileira. O pedido de demissão de Mattos ocorre depois de Sylvio Simões ter dito, em reunião com repórteres e editores, que faltava autoridade e que trocaria todo o comando da redação em cinco ou seis meses. O diretor acrescentou que o jornal só teve comando quando Ricardo Noblat era o editor-chefe, entre dezembro 2002 e outubro de 2003. O diálogo foi tenso e os sócios do jornal se recusaram a readmitir o repórter.

Filiado ao Partido Socialista Brasileiro (PSB), Sylvio amplia seu poder na direção do mais importante jornal baiano e um dos maiores do Nordeste. Sua mãe, Regina Simões, filha do fundador Ernesto Simões Filho, tem 50% das ações. A empresa sofre uma baixa de circulação e há anos enfrenta conflitos editoriais. Segundo o IVC (Instituto Verificador de Circulação), “A Tarde” já foi ultrapassada em tiragem pelo “Correio”, da família do ex-senador Antonio Carlos Magalhães.

“Informo aos prezados colegas que, em encontro cordial com os membros da Direção Executiva, apresentei a minha demissão do cargo de editor-chefe e o meu desligamento dos quadros da Empresa A TARDE, de forma inteiramente livre e espontânea”, escreveu Florivaldo Mattos à redação. Ele saiu sob os aplausos dos colegas. Em assembleia, os jornalistas de “A Tarde” pediram à direção que definisse uma linha editorial, para evitar a repetição do caso de Aguirre.

Sylvio Simões desmentiu que o jornal esteja negociando a venda de ações com os empreiteiros Francisco Bastos e Carlos Suarez. “Meu amigo, eu vou lhe dizer assim: se por acaso tiver uma ação à venda, do grupo A Tarde, eu e meu sócio compramos (risos) Compramos na mesma hora. Eu mesmo tô doido pra comprar. Se você conseguir aí alguns sócios pra eles venderem, eu compro!”, reagiu.

Em conversa com Terra Magazine, o ex-editor-chefe Florisvaldo Mattos preferiu não comentar o pedido de demissão, “em respeito ao jornalismo”. Ele ressalta que trabalhou por 21 anos em “A Tarde” e atribui sua saída a episódios acumulados, não apenas a atual crise.


Leão pronto para atacar outra vez
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OPINIÃO POLÍTICA

Salário, imposto e barganha

Ivan de Carvalho

Entre muitas, o governo tem duas obrigações a cumprir. Propor ao Congresso Nacional um valor para o salário mínimo neste ano e corrigir monetariamente a tabela do Imposto de Renda Pessoa Física, o que permite aos contribuintes não pagarem além do que deveriam.
A União é useira em burlar sua obrigação de corrigir a tabela do IRPF, seja ignorando o assunto, o que ocorreu anos seguidos, seja fazendo, geralmente a muito custo e depois de uma barulheira no Congresso e na mídia, uma correção em percentual inferior ao correto.

A soma desses dois tipos de burla gerou uma defasagem acumulada que está atualmente em torno de 64 por cento, segundo cálculos de especialistas. Para se tornar justa, melhor dizendo, em acordo com a legislação, a tabela teria de ser objeto de um reajuste de 64 por cento agora.

Mas a verdade é que ninguém esperava isso. Até umas semanas atrás, esperava-se (no sentido mesmo de que havia a esperança, nada de certeza) que o governo se dispusesse a fazer uma correção que cobrisse o aumento de preços no período de um ano.

No entanto, a fera (refiro-me ao leão, claro) está inteiramente à vontade, solta para seu assalto anual aos contribuintes. É que a lei que determina a correção da tabela de desconto do IRPF não prevê novo reajuste no início deste ano, ao contrário do que tem ocorrido nos últimos quatro anos. Mas qual a razão de não estar na lei o mandamento para a correção agora? Simples, o governo federal e o Congresso não puseram o mandamento na lei. Não há, formalmente, o mandamento, embora exista um mandamento ético, de honestidade, de não cobrar ao contribuinte o que ele não deve. Esquecimento? Nem pensar. Foi caso pensado.

Mas, como sempre, nessa época, quando não está previamente determinada a correção, faz-se algum barulho. Este ano tem sido ruído em surdina, mas tem sido. Acontece que o ministro da Fazenda está às voltas com a proposta de reajuste do salário mínimo (Lula deixou editada uma medida provisória fixando o valor em R$ 540,00, mas Dilma está propondo um aumento para R$ 545,00 – adjutório de pouco mais de dezesseis centavos por dia, um assombro).

E então o que disse ontem o ministro da Fazenda? Uma coisa espantosa, que só é absorvida pela população brasileira porque ela habita o país dos absurdos. Em um país civilizado, cultural e politicamente, a declaração do ministro seria um escândalo.
Ele simplesmente disse que qualquer correção da tabela do IRPF dependerá de acordo do governo com as centrais sindicais a respeito do valor de R$ 545,00 para o salário mínimo. As centrais estão pedindo R$ 580,00 para o salário mínimo e 6,46 de reajuste para a tabela do
IRPF. A oposição propõe R$ 600,00 para o salário mínimo (mesmo valor que a coligação PSDB-DEM-PPS anunciou que daria, se vencesse a eleição que perdeu). O ministro, na verdade, está propondo uma troca: o Estado não lesará o contribuinte se as centrais sindicais fizerem um acordo com o governo sobre o salário mínimo.

No caso, aí, o governo parece empenhado em jogar contribuintes e assalariados uns contra os outros e os contribuintes contra as centrais sindicais, o que é política, embora não de bom nível, mas usa um instrumento que não devia, pela ética, usar. A ética manda o governo promover o reajuste da tabela do IRPF independente de qualquer acordo que ele queira fazer com as centrais sindicais sobre outros assuntos.

Diz o ministro que a correção da tabela implicaria numa perda de arrecadação de R$ 2,2 bilhões. Mas não haveria perda nenhuma. Apenas se deixaria de arrecadar o que não é devido. Os contribuintes é que não perderiam R$ 2,2 bilhões.

fev
10
Posted on 10-02-2011
Filed Under (Artigos) by vitor on 10-02-2011

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DEU NO IG

O homem que completa 80 anos nesta quinta-feira (10 de fevereiro) gosta de se resguardar e de poupar ao máximo as energias que armazena. Anda em passos curtos. Prefere ficar sentado que de pé. Responde com frases curtas às perguntas daqueles que se amontoam ao seu redor numa segunda-feira, o único dia da semana em que ele costuma, religiosamente, sair de casa. “Olha, eu gostaria de sair mais se pudesse, se não fizesse mal. Beber, por exemplo, eu não bebo, porque sei que não é bom”, explica o resguardo, no dia da exceção.

Em algum momento da noite ele soltará de vez a voz, conhecida Brasil afora há 60 anos. E provará que ela, a voz, é a única coisa que ele, o cantor, extravasa sem economia de esforço. Niteroiense radicado em São Paulo, Cauby Peixoto mantém-se há oito anos em temporada contínua no igualmente histórico Bar Brahma, de São Paulo. É ali que ele dissipa a energia ainda acumulada no auge de seus 80 anos.

Na noite de 17 de janeiro, o mítico compositor paulista Paulo Vanzolini abrilhanta a plateia do bar, o que confere simbolismo extra à “cena de sangue num bar da avenida São João” de “Ronda”, interpretada por Cauby três vezes durante o show, em português e em espanhol. A voz de trovão, acredite, está em grande medida preservada. Imóvel, Cauby faz ela verter pelo salão como se fosse o sangue do verso de Vanzolini. A plateia retribui acenando-lhe lenços brancos improvisados em guardanapos de papel. Ele devolve o gesto e o afeto, balançando em gestos mínimos seu lenço de linho.

fev
09
Posted on 09-02-2011
Filed Under (Artigos) by vitor on 09-02-2011


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“Tudo o que Jamelão canta é bom e bonito”, disse Dona Canô do alto de seus mais de cem anos de sabedoria acumulada, e depois de entoar “Exemplo”, ao lado dos filhos Caetano e Maria Bethania, no belissimo documentario sobre a família Veloso, dirigido por Andrucha Waddington em Santo Amaro da Purificação, que o Canal Brasil acaba de passar.

A matriarca dos Veloso está coberta de razão. Confira.

(Vitor Hugo Soares)


Syilvio Simões: “se tiver
ação à venda, eu compro”
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O repórter Claudio Leal, da revista digital Terra Magazine , foi na fonte esta quarta-feira, 9, e ouviu o diretor de A Tarde, Sylvio Simões, sobre a crise sem precedentes que grassa no mais antigo jornal baiano, fundado em 1912 por Ernesto Simões Filho.

A situação no diário da Avenida Tancredo Neves (Caminho das Árvores) ficou ainda mais crítica desde ontem, com a demissão do repórter de Política Aguirre Peixoto, seguida da reação dos jornalistas da redação que em Carta Aberta , acusaram a direção de A TARDE de entregar a cabeça do repórter em uma bandeja, sob pressão do mercado imobiliário .

Bahia em Pauta reproduz a entrevista de Terra Magazine:

(Vitor Hugo Soares )
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Claudio Leal

O mais antigo jornal baiano em atividade, “A Tarde”, fundado em 1912 pelo ex-ministro do governo Getúlio Vargas Ernesto Simões Filho, vive uma das suas mais intensas crises, num conflito que envolve os jornalistas e o setor imobiliário de Salvador. Depois de publicar uma reportagem sobre crimes ambientais denunciados pelo MPF (Ministério Público Federal) numa obra realizada pelo governo baiano em parceria com as empresas Patrimonial Saraíba e Construtora NM, o repórter Aguirre Peixoto foi demitido pelo jornal.

Em protesto, a redação emitiu uma carta aberta e fará paralisações diárias de duas horas. Terra Magazine ouviu o diretor-executivo do Grupo A Tarde, Sylvio Simões, que procurou esclarecer o episódio. Segundo Simões, a demissão se deve “muito mais (a) uma questão de relações de poder interno, do que (a) qualquer tipo de penalização por fazer qualquer tipo de matéria”. Ele rejeita a informação de bastidores, frequente na blogosfera e nas redes sociais, de que o jornal recebeu pressões de empreiteiros.

– Obviamente, é bom que se saiba, “A Tarde” não sofre pressões, ninguém tem nos pressionado porque sabe da nossa conduta e do nosso comportamento. Foi muito mais um problema de relações da atividade empresarial – afirma Sylvio Simões.

Os repórteres relatam que um dos membros da família proprietária, Ranulfo Bocayuva, teria posto seu cargo à disposição, em desacordo com os primos. O fundador do antigo vespertino, Ernesto Simões, deixou três filhos (Regina, com 50% das ações, Renato e Vera, 25% cada um); o jornal é administrado, atualmente, pelos seus netos Sylvio, Ranulfo e Renato. O IVC (Instituto Verificador de Circulação) indicou que, pela primeira vez na história, a tiragem de “A Tarde” foi superada por um concorrente, o “Correio”, da família do ex-senador Antonio Carlos Magalhães.

O diretor-executivo, Sylvio Simões, desmente ainda a venda de ações de “A Tarde” para empresas do mercado imobiliário, principalmente dos construtores Francisco Bastos e Carlos Suarez:

– Não. Meu amigo, eu vou lhe dizer assim: se por acaso tiver uma ação à venda, do grupo A Tarde, eu e meu sócio compramos (risos).

Ele afirma que a demissão pode ser reparada “no futuro”, e “não agora”. Confira a entrevista.

Terra Magazine – O que ocorreu no episódio da demissão do repórter Aguirre Peixoto?

Sylvio Simões – Foi uma atitude da direção em relação a um redirecionamento da nossa atividade de comunicação. É só esse o ponto. É uma coisa que estão dando uma dimensão na qual não faz A Tarde. A Tarde tem uma posição muito clara, muito nítida, muito transparente, em relação aos seus propósitos. É um momento de mudanças muito grandes na empresa. O mundo está mudando e nós estamos mudando. As coisas estão se estabelecendo de uma maneira que, às vezes, há um nível de conflito interno, natural. A gente tem que tocar o barco. Obviamente, é bom que se saiba, A Tarde não sofre pressões, ninguém tem nos pressionado porque sabe da nossa conduta e do nosso comportamento. Foi muito mais um problema de relações da atividade empresarial.

O que a redação argumenta é que o repórter foi demitido depois de publicar uma matéria sobre a questão imobiliária, em Salvador. O que vocês dizem?

A razão não foi essa, foi muito mais uma discordância dentro da dinâmica da gestão da empresa. Por ventura, tentaram evidenciar uma carta dando exatamente esse sentido, que não é verdadeiro e o tempo vai exatamente demonstrar que foi muito mais uma questão de relações de poder interno, do que qualquer tipo de penalização por fazer qualquer tipo de matéria, seja em relação ao mundo imobiliário, em relação ao governo, em relação ao mundo agrícola. Sempre tivemos um princípio muito claro: nós temos um compromisso substantivo com a cidadania. Temos a obrigação na construção de um novo mundo civilizatório.

E por que Aguirre Peixoto foi escolhido?

Isso, na realidade, é que é lamentável. É lamentável que tenha acontecido essa questão com Aguirre, é lamentável. Mas a gente lamenta o que aconteceu com Aguirre, foi um desentendimento em relação à questão da visão diretiva do grupo. Isso pode ser reparado no futuro. Não agora, porque aí seria acatar uma posição diretiva de total discordância no centro de decisões da empresa.

Não há acordo com os jornalistas? Ele estão numa paralisação de duas horas.

Rapaz, eu acho que não. Eles estão obviamente conversando com o sindicato e amanhã nós vamos ter uma conversa exatamente explicitando todos esses pontos que estamos falando. Porque há uma Porque há uma afetividade muito grande dos jornalistas com A Tarde. Na realidade, foi muito mais um problema de ordem diretiva da empresa, do que estão tentando afirmar. A Tarde não tem nenhum tipo de problema natureza de problema com qualquer área da atividade econômica, porque nós temos uma independência muito clara e todo mundo sabe na Bahia disso.

Não houve um corte de anúncios do setor imobiliário?

Nunca houve corte de anúncios. Não é verdade. A construção civil, aqui no Estado da Bahia, neste ano que passou, os insumos subiram muito e houve uma redução da atividade imobiliária. Houve uma redução da atividade imobiliária. Isso aí, se você puder pesquisar, eu até lhe agradeço. Por exemplo, no governo também houve uma redução de publicidade. Porque, você sabe, nas eleições para governador e para presidente da República, fica limitada a possibilidade de fazer publicidade. Teve duas reduções: uma redução do mercado imobiliário, as construtoras pararam de construir como estavam fazendo; e tem a questão da retração do próprio governo. E na área de telefonia também houve um ajustamento.

E as notícias que estão nos blogs, de que A Tarde…

Essas notícias que estão nos blogs corre, exatamente, de uma posição adotada, antagônica à posição da direção.

O jornal não está à venda? Circula que o jornal estaria negociando a venda de parte das ações para o mercado imobiliário, com os empresários Francisco Bastos e Carlos Suarez.

Não. Meu amigo, eu vou lhe dizer assim: se por acaso tiver uma ação à venda, do grupo A Tarde, eu e meu sócio compramos (risos) Compramos na mesma hora. Eu mesmo to doido pra comprar. Se você conseguir aí alguns sócios pra eles venderem, eu compro? Então, a questão foi muito mais do fórum de conflito diretivo, do qual realmente a gente adotou uma posição. Lamentavelmente, surgiu esse problema, no momento em que estamos fazendo grandes mudanças. Estamos, por exemplo, montando uma nova concepção estratégica. Estamos nos preparando para a festa dos 100 anos. Uma máquina nova, um sistema de governança, com a empresa alinhada para os próximos 20 anos.

Como foi tomada essa decisão de demitir Aguirre? Isso não fica restrito à redação, à secretaria de redação?

Olha, houve uma discordância aí realmente. A parte do corpo diretivo…

Seu primo, Ranulfo Bocayuva?

Não vejo como uma questão de parente, não. Vejo como questão de executivos. Que é uma questão nossa, no primeiro momento. Na área dos executivos, realmente, a gente acabou tomando uma decisão majoritária e aconteceu esse episódio. Mas, obviamente, a gente desenhou a questão do comando da empresa em relação à política da qual a empresa tem estabelecido ao longo de todos os anos. A Tarde nunca teve uma posição sistemática. A Tarde sempre foi crítica, no momento de ser crítica, e no momento de se elogiar a gente elogia. A gente não pode adotar posições sistemáticas em relação a coisa alguma. Nesse novo Brasil, é preciso muito mais competência, porque você fazer as mudanças, as transferências de renda, com sensatez, é muito difícil. É o que a gente está tentando fazer aqui. Estou fazendo apenas uma analogia. Esse pano de fundo está sendo divulgado não é verdadeiro.

Como o senhor vê as críticas à expansão imobiliária em Salvador? É muito agressivo para a cidade?

Olha, essa questão imobiliária em relação à cidade de Salvador não advém de agora. Ela agora tomou uma dimensão maior. O que está faltando é um PDDU bem desenhado e bem definido. Isso cabe à atividade pública, à Prefeitura da cidade do Salvador. Ela precisa sentar com todos os atores e desenhar um plano que acolha a questão do meio ambiente e que acolha também a questão das pessoas. O grande problema do jornal brasileiro é que ele é absolutamente factual. O fato ninguém discute. Mas os jornais da Europa e da América do Sul são analíticos e críticos. Essa é uma grande discussão que a gente precisa ter. A gente não pode transformar o mercado imobiliário como se fosse uma coisa unívoca. Tem empresas que atuam com seriedade, com responsabilidade, etc., e tem outras que muitas vezes não atuam e precisam ser criticadas.

A Tarde vai continuar publicando matérias críticas em relação a essa expansão imobiliária?

Ah, sem dúvida, sem dúvida, desde que haja motivo e razão a gente vai tomar posição crítica em relação ao mercado imobiliário e em relação a qualquer mercado. Agora, o que nós temos levantado é o seguinte, em relação a todos os jornais, não só do Brasil, mas do mundo. A gente está perdendo leitores porque o mundo mudou de paradigma e a gente não mudou. Qual é o paradigma? Qualquer atividade é gratificante. Existe uma coisa mais bonita do que trabalhar para construir as coisas? Então, os jornais precisam começar a atividade de imóvel. E criticar a operação. O sujeito fez uma ponte errada? Você chega e baixa o cacete, porque a ponte foi mal construída. Sabe o que vai acontecer? Aqueles que constroem pontes erradas, até um Estado socialista vai dizer. Agora, se você transforma aquela ponte quebrada em todos os construtores de ponte constroem pontes ruins, aí é um problema. Até para a relação humana. A nossa reflexão é focar numa análise crítica. Isso é inabalável.

Aguirre foi demitido por causa do posicionamento editorial em relação à construção civil?

De forma alguma, foi muito mais por uma questão de discordância do corpo diretivo, que adotou uma posição. E essa posição não estava sendo estabelecida. As coisas estão caminhando dentro da dinâmica sistemática, e aí transformava todo mundo em japonês. Isso não é possível. A gente só é sistemático quando a gente não tem razão. Quando a gente tem razão, uma matéria bem dada resolve o problema.

Tem lhe incomodado o fato de os jornalistas falarem da vinculação da família Simões com negócios imobiliários?

Não há vinculação nenhuma. Não temos nenhum negócio no mercado imobiliário.

Eles falam de uma empresa de venda de imóveis de sua família.

Nós não temos nenhuma empresa imobiliária. Se tem, é de minha mulher e eu não participo. O jornal, ao contrário, não traz nenhum benefício, nem também nenhum malefício à atividade dela. Por quê? Ela é uma empresa de porte, associada a uma empresa de São Paulo, é a segunda empresa da Bahia. É meu segundo casamento, portanto não tem nada a ver com meu negócio.
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Leia mais em Terra Magazine:
http://terramagazine.terra.com.br/

fev
09


Marta a Sarney: “É presidenta, senhor presidente!”
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OPINIÃO POLÍTICA

O marimbondo e a avestruza

Ivan de Carvalho

Pode ser que tenha êxito, mas não será fácil ao marketing política da presidente Dilma Rousseff alcançá-lo. Trata-se de emplacar ou não o tratamento de “presidenta” para a chefe – ou deveria eu escrever chefa? – do Executivo federal.

Já abordei antes esse assunto, mas ontem foram acrescentados mais um ou dois elementos. E como uma gripe que não sei se, como as outras, veio das galinhas e outras aves da China, me pegou, estou querendo pegar leve no escrever para poupar energias. Assim, talvez elas – as energias, não as galinhas – possam ser melhor usadas no combate ao vírus.

Bem, voltando ao assunto, as pesquisas, durante o ano eleitoral de 2010, mostraram à saciedade que a resistência do eleitorado feminino à aspirante e depois candidata Dilma Rousseff era maior que a resistência do eleitorado masculino. Dizendo de outra forma, ela obtinha percentuais mais altos de intenções de votos entre os eleitores do que entre as eleitoras.

Isso prolongou-se até o final da campanha para o segundo turno e não tenho dúvidas de que o marketing político da presidente tem até aqui acesso a pesquisas que confirmam (possivelmente com variações de percentuais, é claro) a persistência do fenômeno.
Foi aí que o comando do marketing e o então presidente Lula tiveram a idéia, supostamente vantajosa, de agredir os tímpanos de todo mundo para fazer a média de Dilma Rousseff com as mulheres. Não bastasse ser a primeira presidente do Brasil, tinha que ser a primeira presidenta e maldito burro será quem nestes tempos lembrar da princesa Isabel Cristina Leopoldina de Bragança, a famosa regente – ou deveria eu escrever regenta? – que assinou a Lei Áurea.

A lembrança é apropriada (para não deixar o país boquiaberto com essa maravilha de ser governado por uma pessoa do sexo feminino), mas incômoda, podendo, no entanto ser minimizada com o argumento de que a princesa não foi eleita, mas exercia o poder em nome de seu pai, o Imperador Pedro II, que também, obviamente, não fora eleito.

Dos que insistem em “presidenta Dilma”, muitos se alimentam no fato de que Machado de Assis, em certo trecho de seus escritos, pespegou um “presidente, presidenta…”, como quem quer afirmar a correção das duas formas. Aí o dicionário Caldas Aulete incorporou as duas alternativas oferecidos pelo papa do português brasileiro e o Houaiss e o Aurélio embarcaram na onda do escritor e do primeiro dicionário citados.

Etimologicamente, como já explicou a revista Veja, a palavra vem do latim praesidentis, particípio presente do verbo praesidere (que significa tomar assento à frente). Por este caminho, a palavra seria invariável desde a origem – o correto seria, pois, presidente. Se são, observa a revista, indiscutivelmente invariáveis termos como assistente e dependente, não ocorrendo a ninguém “dizer que tem uma assistenta ou uma dependenta”, para que serviria a palavra presidenta?

Para fazer política, conclui, por vias oblíquas, a revista, dizendo que a questão de estar certo ou errado às vezes é menos definida pela gramática que pela questão política. Ontem, no seu blog, citado no Blog do Noblat, o jornalista José Roberto de Toledo, de O Globo, chama Dilma de presidente e avisa que, para ele, presidenta “só se o governo flexionar também o gênero de gerentes e serventes”. A gerenta (está perto, já se usou o neologismo gerentona) e a serventa. Arg!

Foi hilário, ontem. O presidente do Senado, José Sarney, o Marimbondo de Fogo da Academia Brasileira de Letras, referiu-se por três vezes a Dilma Rousseff como “presidente”. Na terceira vez, a 1ª vice-presidente do Senado, Marta Suplicy, pegou o microfone do plenário e corrigiu: “Pela ordem, senhor presidente. Senhora presidenta da República”.

E Sarney? Ah, Sarney é de lascar: “Muito obrigado a Vossa Excelência, mas eu sempre estou usando a fórmula francesa: madame le président. Todas as duas são corretas, senadora, gramaticalmente”.
Quem viu teve a impressão de que Marta Suplicy baixou a cabeça como uma avestruza.

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