fev
13
Posted on 13-02-2011
Filed Under (Artigos) by vitor on 13-02-2011

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Salve, Fenômeno, e pode ter certeza: O futebol sem você, suas arrancadas mortíferas e jogadas geniais, perde muito da beleza e da magia. Confiram e aproveitem mais um pouco desse encantamento.

BOA NOITE!!!

(VHS)

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Viva a Bahia, sinhô, das ondas verdes do mar da baia de Todos os Santos e da Ilha de Itaparica, território sagrado do povo brasileiro de João Ubaldo Ribeiro.Magnífica canção! Confira.
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Na terra em que o mar não bate
Não bate o meu coração
O mar onde o céu flutua
Onde morre o sol e a lua
E acaba o caminho do chão
Nasci numa onda verde
Na espuma me batizei
Vim trazido numa rede
Na areia me enterrarei
Na areia me enterrarei
Ou então nasci na palma
Palha da palma no chão
Tenho a alma de água clara
Meu braço espalhado em praia
Meu braço espalhado em praia
E o mar na palma da mão
No cais, na beira do cais
Senti o meu primeiro amor
E num cais que era só um cais
Somente mar ao redor
Somente mar ao redor
Mas o mar não é todo mar
Mar que em todo mundo exista
O melhor, é o mar do mundo

De um certo ponto de vista
De onde só se avista o mar
A ilha de Itaparica
A Bahia é que é o cais
A praia, a beira, a espuma
E a Bahia só tem uma
Costa, clara, litoral
Costa, clara, litoral
É por isso que o azul
Cor de minha devoção
Não qualquer azul, azul
De qualquer céu, qualquer dia
O azul de qualquer poesia
De samba tirado em vão
É o azul que a gente fita
No azul do mar da Bahia
É a cor que lá principia
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BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)


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Deu na revista digital Terra Magazine:
http://terramagazine.terra.com.br/

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A TARDE e o Egito

Francisco Viana
De Salvador (BA)

Salvador – Há algo em comum, a despeito de se tratarem de histórias absolutamente distintas, entre a readmissão de um jornalista demitido injustamente pelo tradicional jornal A TARDE, de Salvador, e a queda do ditador egípcio, que ficou no poder por 30 anos. Qual? Em ambos os casos houve momentos reivindicatórios de massa. Num caso, a massa dos jornalistas do próprio jornal, no caso egípcio, grandes massas populares. Vou me fixar no caso de A TARDE e das mobilizações.

Primeiro um registro. Comecei minha carreira em A TARDE. Era um jornal conservador, mas do tipo liberal clássico. Não cedia a pressões, por mais ferozes que fossem. Defendia suas ideias e jornalistas. Na esfera política, dormia um sonho quase medieval: defendia o baiano nas questões do dia a dia, mas se revelava avesso a grandes reformas estruturais. Contudo, como na era medieval, havia uma consonância plena – o quase plena – entre o que professava e o que fazia. Deixei A TARDE no alvorecer dos anos 70 quando fui trabalhar em O Globo, no Rio de Janeiro, mas nunca deixei de acompanhar o jornal. Os primeiros anos de vida de um jornalista duram tanto como a vida e, talvez por isso, A TARDE foi sempre alvo de atenção, uma referencia.

Hoje, em Salvador, abro os jornais, leio os blogs, recebo e-amails de amigos e o que vejo: A TARDE imersa numa grave crise de identidade. A demissão do jornalista em foco, não é um episódio isolado. Precisa ser analisada à luz da realidade brasileira. A sociedade mudou. Mudaram os ventos políticos, mudaram as vontades. Diminuiu a influência da mídia, crescem os espaços públicos de manifestação. Na era do carlismo, a Bahia viveu uma situação opressiva em que “liberdade” de imprensa era ditada pela maior ou menor adesão a Antonio Carlos Magalhães. Os espaços públicos eram restritos. O tempo quase imóvel. Não havia liberdade para a sociedade. Não havia, portanto, liberdade para a imprensa.

Agora, a perspectiva é outra. A notícia é em parte um exercício da técnica, em parte um exercício da política. Editar um jornal exige uma visão de mundo ampla. Universal. Ser jornalista requer atenção: a quem servir: à sociedade ou aos interesses comerciais da empresa jornalística? Eis a questão, eis o enigma, eis o impasse. Os jornalistas de A TARDE que levantam a voz para reclamar da demissão do colega estão, em outras palavras, sendo pioneiros em trazer essa questão à cena. Qual é o sentido da liberdade de imprensa? Como articular democracia e liberdade de imprensa? Qual é o sentido da democracia para os jornalistas?

São questões que todo brasileiro tende a se colocar na atualidade. Qual é o significado dessa palavra tão falada e tão pouco levada à prática, democracia? Por isso, fiz a comparação com o Egito. Onde chegará, numa outra escala, a rebelião das massas? Se caminhará para uma autêntica liberdade?

A lembrança dos gregos é inevitável. Pereceram por força da escravidão. Não conseguiram transformar a liberdade num bem comunitário, no sentido de sociedade. Não fizeram da beleza e a força da igualdade um patrimônio comum. Será que nós conseguiremos? Essa a relação entre os movimentos de massas e a democracia. Não se consegue a liberdade sem a ação. Esse o desafio que enfrenta o jornalismo brasileiro nos dias atuais: equilibrar o poder empresarial dos que editam os jornais com o poder das redações. Não se trata apenas de fazer um jornal melhor ou de se conquistar leitores.

Essa conquista resultará da qualidade dos profissionais e da harmonia com a sociedade. O desafio é como o jornalista poderá exercitar a liberdade de criticar, denunciar, fiscalizar ou mesmo aplaudir. É uma questão de uso efetivo do espaço público. O que está em jogo é mais do que a readmissão de um colega. Isto é importante. É vital. Mas é importante que não se esqueça do modelo de negócio do jornal. É, repito, guardadas as proporções o drama egípcio: o que acontecerá passada a euforia inicial pela renúncia do ditador?

Penso que os jornalistas de A TARDE estão dando um exemplo supremo. Trata-se da coesão, do sentimento de solidariedade, da capacidade de se revoltar e de se expor. Enfim, estão trazendo à vida a indignação. Uma sociedade que não tem, nem cultiva tais predicados está condenada a fenecer, a se autodestruir. Na rebelião de A TARDE existe a chama de uma fenômeno que cedo ou tarde vai incendiar o jornalismo brasileiro, exigir mudanças das empresas jornalísticas. Onde iremos chegar, não sei. Sei de um fato histórico: o movimento dos jornalistas de A TARDE é uma advertência. Como é uma advertência, o movimento das massas no Egito. Não existe o homem único, nem a empresa única. Existe, sim, a sociedade e a plenitude do ser humano em geral. Esse o sentido da advertência. Uma empresa jornalística, como qualquer outra empresa, precisa ter credibilidade. Com a diferença de que a empresa jornalística é testada pela opinião pública todos os dias. Como criticar, se não há credibilidade? Dai, a antiga ética de A TARDE. Era preciso ter credibilidade. Será que os gestores – é assim que se passou a chamar, não ? – têm consciência de tal nuança nada sutil?
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Francisco Viana é jornalista, mestre em filosofia política pela PUC-SP, consultor de empresas e autor do livro Hermes, a divina arte da comunicação. É diretor da Consultoria Hermes Comunicação estratégica (e-mail: viana@hermescomunicacao.com.br). Repórter de destaque em coberturas nacionais e internacionais por grandes veículos da mídia brasileira, começou profissionalmente em A TARDE.


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CRÔNICA/ TEMPO E CIDADE

PROSA&VERSO

Gilson Nogueira

“Hoje tem o Barco da Bossa, com Ana Karla cantando as mais belas bossas acompanhada do violão virtuose de Roberto Souza. O Barco da Bossa sai às 20h30 do Terminal Marítimo de Salvador (Comércio). Os ingressos custam R$ 60,00 por pessoa, com comida e bebida incluídos. O trajeto é : Forte São Marcelo, Museu de Arte Moderna da Bahia, na Gamboa de Baixo, Iate Clube e Porto da Barra, onde o barco para e depois retorna ao Terminal Marítimo. A viagem dura cerca de três horas.”

A nota que antecede a crônica, postada pelo jornalista Jolivaldo Freitas, no site Notícia Capital, do qual é o editor, tem muito a ver com a Salvador que não existe mais. A Salvador de João Gilberto morando na Mouraria e dos anos do Barroquinha Zero Hora, do Vat 69, bloco carnavalesco que inventei, aos primeiros minutos da manhã de uma dia mágico, vendo a Ilha espreguiçar-se, no Porto da Barra, em 1968, depois de uma noite regada a beijos da mulher amada e escocês legítimo, na Boite Baloon, na Senador Costa Pinto, e do eterno Broco do Jacu, do genial Waltinho Queiroz, só para ficar em poucos e, concomitantemente, grandiosos exemplos de Salvador com o mistério da fantasia, que não mais existe, como o Carnaval, na capital dos absurdos e dos feitiços que a fazem, apesar de tudo, tão atraente aos olhos do mundo quanto a candidata a rainha da festa de Baco de bunda tão bonita quanto a Baía de Todos os Santos.

No entanto, por conta da nota lá em cima, que fala do Barco da Bossa, aquela Salvador dos cheiros de saveiros chegando na Rampa do Mercado existe, ainda, na memória dos saudosistas de plantão, ou não, como registro afirmativo do tempo em que a chama do Jornal da Bahia era uma das marcas do jornalismo desassombrado da imprensa baiana, hoje e sempre, referência, no país, por sua independência e talento dos que nela atuavam e atuam.

Como espécie de naufrágo de si mesmo, se é que isso que acabo de digitar venha a corresponder ao que tento exprimir, agora, Salvador devora-se, canibaliza-se, por ignorância urbana motivada por sórdidas mordidas dos que dilapidam seu patrimônio, natural e arquitetônico, no banquete dos famintos por dinheiro.

Do abacate técnico-político-religioso-cultural-comportamental batido no liquidificador do tempo, do cheiro de merda em suas esquinas e do descaso com suas tradições culturais,Salvador é, para gente da terra e de fora, uma piada, de péssimo gosto, a fazer rir os que só pensam em abocanhar o vil metal para gastar em Punta Del Este e em outros lugares turísticos. Do pastoso creme de agressões à sua identidade e à imagem, a outrora cidade hospitaleira, cede lugar à primeirona no ranking da violência das grandes cidades brasileiras. Dái, bate a vontade de não sair de casa, sob pena de não voltar, por conta de bala na cabeça ou facada no estômago.

Graças a Deus, e aos homens de bom gosto musical, um barco singra as águas do Atlântico, perto das canelas da morena dos trópicos, tocando e cantando Bossa Nova. Nem tudo está perdido!, exclamo, enquanto surge-me a idéia de promover um festival, tipo esse que foi realizado, há poucos dias, no Parque de Exposições, para que a população soteropolitana seja a única atração do palco e, ali, a plenos pulmões, possa gritar, para todo o mundo ouvir:”Eu quero minha cidade de volta!”ou, a depender dos números de mortes, por assassinato, nas estatísticas,”Socorro!”

“ O Barquinho”, de Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli,com Maysa, musa eterna, como a Bossa, serve de fundo musical deste texto, no momento em que penso em dar uma chegada no Farol da Barra para adquirir, sob o sol de verão baiano, O Globo.Adoro o seu caderno Prosa & Verso. Bem que, no particular, Correio e Tribuna da Bahia poderiam imitá-lo. Não faz mal.

Gilson Nogueira é jornalista, colaborador da primeira hora do Bahia em Pauta

fev
12
Posted on 12-02-2011
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 12-02-2011


Panorâmica de Itiúba, sertão da Bahia
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OPINIÃO POLÍTICA

O fim de Mubarak

Ivan de Carvalho

Escrevendo numa sexta-feira sob a influência de um resto de gripe e para um leitor que só hoje, um sábado, dia de flanar, poderá ser alcançado, tentarei pegar leve pela segunda vez esta semana (na primeira vez, foi só por conta da gripe, então forte). Mas está aí a renúncia de Hosni Mubarak. E há que tratar disto.

Quando eu era criança, vivia na cidade de Itiúba, na região do Sisal, nordeste baiano. As alternativas rotineiras de lazer noturno para a população da pequena cidade eram mínimas. O Cine Itiúba, de Humberto Pinto de Carvalho, exibia filmes duas noites por semana. O salão da Rádio Cultural de Itiúba, onde jovens podiam dançar todas as noites. O Bar Central, de Carlos Pires, e o Bar de Zé Dantas, para os biriteiros e os jogadores de sinuca ou bilhar. A parada de cinco a dez minutos do trem de passageiros da Ferrovia Federal Leste Brasileiro, quatro noites por semana. O namoro besta pelas beiradas da Avenida Getúlio Vargas, depois Lomanto Júnior e ainda mais tarde, Getúlio Vargas outra vez. E os namoros furtivos que só Deus e o Diabo e alguns privilegiados (não eu, que droga) sabiam onde aconteciam.

Assim, a chegada de um circo na cidade era uma festa. E certa vez armou-se na Praça Nova (que não existe mais, porque a prefeitura deu ao Banco do Brasil, que a ocupou com uma agência e casas para seus funcionários) o Circo de Pedro Coruja. Isso foi tempos antes do Circo Molambo, que não vem ao caso.

A principal atração do Circo de Pedro Coruja era Maria Pureza, uma dançarina de rumba. Mas ela não vem ao caso também. Só entrou nessas linhas porque dançava de biquíni, naqueles tempos, no interior brabo, um espanto e um arraso, muitas madames furiosas, falando mal pelos cantos, mas sem dar bandeira para os maridos, assíduos freqüentadores do circo.

A segunda maior atração do Circo de Pedro Coruja era uma peça teatral. Ou circense, sei lá. Uma pessoa morrera. Mulher, se lembro. Seu fantasma passava lépido, envolto em lençol branco como compete a fantasmas, em frente ao fundo negro do cenário. O mistério era se a morte teria sido natural ou um homicídio. Na peça, questionava-se do começo ao fim se ocorrera “morte matada” ou “morte morrida”. Não recordo a alternativa vencedora.

Mas, e Mubarak? Na quinta-feira, quando eram imensas as pressões para que renunciasse, quando o comando militar reuniu-se pela primeira vez sem sua presença – ele era o comandante-em-chefe das Forças Armadas – ele foi à TV no fim da noite (o que mostra a dificuldade de sua decisão) e, imitando Dom Pedro I, disse ao povo que ficaria. Implicitamente, anunciou que morreria, mas de “morte morrida”.

Em setembro, como prevê a Constituição, o país elegeria outro presidente. Mubarak não se candidataria (seu filho também não) e passaria o cargo ao sucessor eleito. Mas desde logo transferiria poderes ao vice-presidente, Omar Suleiman. Talvez pensasse em ficar na presidência quase que só como uma figura decorativa, para dar uma impressão de preservação do Estado e da ordem.

No entanto, a força das manifestações populares de rejeição, a pressão internacional, a preocupação dos militares em não se indisporem com a população, a pressão final dos Estados Unidos (não querem as coisas fora de controle) junto aos militares egípcios por intermédio do Pentágono, tudo isso levou Mubarack a capitular. Levou-o ontem, horas depois do discurso da véspera, à renúncia, à “morte matada”.

Ante o que ocorre no Egito, impõe-se outro dilema: nascerá a democracia no país dos faraós ou morrerá a paz no Oriente Médio – e, sabe Deus, no mundo? Os próximos anos, nos 22 países árabes e nos 57 muçulmanos, deverão dar a resposta


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BOM DIA!!!

(VHS)


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CINEMA

Cisne Negro (Black Swan)

Regina Soares

Ao aproximar-se o dia da entrega do prêmio Oscar, a grande noite de gala do cinema, transmitida para os fanáticos em mais de 200 países ( maior premio outorgado em reconhecimento dos mais altos méritos na indústria cinematográfica pela “American Academy of Motion Picture Arts and Sciances), revisamos os filmes assistidos durante o ano que passou em busca dos nossos favoritos.

Dos dez filmes apontados como os melhores do ano ressalta “Black Swan”, “O Cisne Negro”. A historia da bailarina Nina (Natalie Portman), desdobrada em uma academia de dança de New York City, cuja vida, como quase todas daqueles que optam por essa profissão, é completamente consumida pela dança, toca o nervo e atenção do espectador, envolvendo-o em um transe entre a fantasia e a realidade, uma trama psyco/dramática, de agarrar a atenção do principio ao fim.

O corpo de uma bailarina tem sido descrito como um instrumento de beleza, uma escultura em movimento. Como já disse uma vez Martha Graham, a “dança é a musica do corpo”, na nossa imaginação a bailarina é a imagem da graça, beleza, elegância e alinhamento, mas, deixe nas mãos do diretor de “Requiem for a Dream’’ e “The Wrestler’’ para transformar esse corpo no templo da destruição, muito diferente do jardim do prazer.

Nina (Natalie Portman), na sua desesperada busca da perfeicão, transforma seu corpo em um paraíso masoquista, ao mesmo tempo que trata de salvar sua posição de primeira bailarina no “Swan Lake”, balé que requer uma dançarina que possa interpretar não só o “Cisne Branco”, com inocência e graça, mas o “Cisne Negro”, que representa duplicidade, engano e sensualidade.

Nina encarna o “Cisne Branco” perfeitamente, mas Lily (Mila Kunis), a sensual e tatuada nova dançarina, é a encarnação do “Cisne Negro”. Esse tipo de briga que algumas mulheres travam por um homem, bailarinas se enfrentam pela parte no show. Enquanto as duas rivais se envolvem em uma estranha amizade, Nina se aproxima cada vez mais do seu lado escuro, tão escuro que ameaça destrui-la. O brilho do filme “Black Swan” é que, ao fim e ao cabo, é uma só briga, Nina enfrenta ela própria.

Morando com a mãe, uma aposentada bailarina, Erica (Barbara Hershey) que teve que abdicar de sua profissão para ter a filha. Qualquer que tenha visto cenas de “Carrie”, “The Piano Teacher”, “Precious”, lembrará que tipo de relacionamento entre mãe-filha estamos falando.

Quando o diretor artístico Thomas Leroy (Vincent Cassel) decide substituir a primeira bailarina Beth MacIntyre (Winona Ryder) na produção do “Swan Lake”, Nina é sua primeira escolha. Thomas quer extrair o sumo da bailarina, que seja visceral e real, ele insiste, com seu sotaque francês e sedutor, em trazer a tona o lado “escuro” do “Swan Queen”, transforma-la em sedutora em vez de caça.

Escrito por Mark Heyma, Andres Heinz e John Mc Laughlim, é um psicodrama sobre a obsessão artística, o alcance da perfeicão. O tema do filme é a violência mascarada no balé, a violência emocional e física. A medida que Nina se torna ao mesmo tempo vitima e liberada de suas fantasias, “Black Swan” é, nada mais nada menos, do que a fina linha que separa o real da ilusão.

A legendária bailarina Anna Pavlova disse a beira da morte: “Get my swan costume ready”. Nina parece determinada a arrebata-lo…

Regina Soares, advogada especializada em eleições nos Estados Unidos, cinéfila inveterada, mora em Belmont, na área da baia de San Francisco (Califórnia) ,na Costa Oeste americana.


Lula:o dono da festa dos 31 anos do PT

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ARTIGO DA SEMANA

UM TAMBOR PARA LULA

Vitor Hugo Soares

Na festança dos 31 anos de fundação do PT, em Brasília, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva retornou à cena principal da política no País, depois de apenas 40 dias de afastamento do palco. E voltou com toda pinta daquele herói francês citado por Ulysses Guimarães no sexto mandamento do seu famoso Decálogo do Estadista: “Estou cercado. Eu ataco”.

Quando muitos adversários políticos, críticos e analistas já o apontavam como “estrela cadente”, eis que o resistente retirante da seca nordestina que alcançou o posto de comando mais elevado da nação ressurge como astro mais candente da Companhia. Mesmo – é bom não esquecer – estando presente no cenário do espetáculo de luz e cores montado no Planalto Central, ninguém menos que a presidente Dilma Rousseff – na plena força que os votos e a caneta lhe conferem na fase inicial de governo.

Na festa petista, porém, o papel reservado para Dilma foi o de assoprar a vela comemorativa. No resto, praticamente só deu Lula, a começar pelos mimos que ele recebeu. Um deles – mais óbvio, visível e palpável -, a flâmula especial do partido que lhe foi entregue pelo presidente do PT, José Eduardo Dutra, embalado em uma caixa de presente de fazer inveja, amarrada com fita de grife e tudo.

O outro mimo, e seguramente o mais importante, é o cargo de Presidente de Honra do PT, que o recém saído da cadeira de mando no Palácio do Planalto assumiu de fato na quinta-feira, 10. “Posto meramente simbólico”, como se apressam em proclamar adversários políticos e até “companheiros” roídos de inveja.
Honorífico e simbólico sim. No entanto, como se viu já na própria quinta-feira do aniversário do PT, um instrumento como este nas mãos de Lula, tende a se transformar em tambor de ressonância com poder de alcance ainda impossível de prever. Mas, deduzir pela estreia em Brasília , com alcance ainda maior que os famosos tambores de percussão executados pelo artista baiano e internacional Carlinhos Brown nos carnavais de Salvador, ou nas ruas de New York, Madrid, Barcelona e Lisboa.

Belo presente para um “ex” que ainda há poucos dias ao deixar o posto de comando maior do País, sentiu-se na pele de um “cachorro quando cai do caminhão da mudança e fica sem saber para onde ir”. Lula fez a confissão no “improviso” elaborado nos mínimos detalhes, pronunciado na festa de aniversário do partido que ele fundou, fez crescer e ao qual acaba de retornar como militante, com furor de iniciante, vestido de camisa vermelha e tudo a que tem direito.

Antes de Dilma Rousseff pintar no pedaço e abocanhar um naco do bolo de aniversário, Lula aproveitou para usar o tambor que acabara de receber. Mandou sinais para todo lado, dentro e fora do governo, dentro e fora de seu partido. Mas acima de tudo, para dois de seus alvos preferenciais: os críticos mais contundentes na imprensa ao seu governo e ao seu modo de governar e ao seu estilo pessoal, e os adversários políticos pousados principalmente nos ninhos dos tucanos e do DEM.

Avisos aos que tentam “criar uma dicotomia entre governo Lula e Dilma, como se fosse possível, como se fosse crível”, conforme já havia antecipado Dutra, presidente de fato do PT. Lula foi mais direto e contundente no toque: “Eu só não estou no governo, mas eu sou governo tanto quanto outro companheiro que está lá. O sucesso da Dilma é o meu sucesso, o fracasso da Dilma é o meu fracasso”, pontuou.

Criado em São Paulo, o presidente de honra do PT jamais perdeu o estilo do pernambucano nativo que anota tudo na caderneta para não deixar ofensa sem vingança. Uma dessas anotações para cobrança posterior, garantem os mais próximos do ex-presidente, são as recentes declarações do colega Fernando Henrique Cardoso – publicadas até na imprensa estrangeira – considerando que “Lula foi cúmplice com a corrupção em seu governo”.

Lula tratou de ir direto ao ponto na festa do PT esta semana, ao sugerir que os companheiros já estão atrasados em relação ao planejamento para as eleições municipais de 2012. “Aqui não tem aposentadoria. E a campanha para as eleições do ano que vem deve começa agora”, conclamou.

Entendidos em signos lulistas garantem que o aviso aos tucanos tem endereço certo: São Paulo. E guarda muita semelhança com aquele mandado para a Bahia quando ACM chamou o então presidente da República de ladrão e o deputado ACM Neto ameaçou do plenário da Câmara, dar uma surra no presidente.

“Se continuar me ofendendo eu volto na Bahia e acabo com o carlismo”, disse Lula, de Brasília, dias antes de participar dos comícios históricos em Feira de Santana e em Salvador, no Farol da Barra, que definiram a vitória de Jaques Wagner (PT) em seu primeiro mandato, e o ocaso da era ACM na Bahia.

No caso de São Paulo – de FHC, Serra, Alkimin e Kassab – a parada parece mais encardida. Mas, ainda assim, vale a pena dar tempo ao tempo. E conferir depois.

Vitor Hugo Soares é jornalista – E-mail;
vitor_soares1@terra.com.br

fev
11


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Na inesgotável mina musical da América, mais uma voz de ouro: John Stevens! Bom fnal de semana.

(Gilson Nogueira)

fev
11
Posted on 11-02-2011
Filed Under (Artigos, Eventuais) by vitor on 11-02-2011


Aguirre:reflexo da insensatez
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ARTIGO/IMPRENSA E PODER

Manda quem pode, obedece quem tem juízo

Washington de Souza Filho *

Ainda vivo, o jornalista Aurélio Velame, para comentar um dos muitos casos de desmandos vividos em redações, na época na Tribuna da Bahia, usou uma frase, adequada para o momento atual, da demissão de Aguirre Peixoto, jovem jornalista, repórter de A Tarde.
– Pior do que ser capataz é ser chicote de feitor.
Aurélio, bom frasista, excelente redator de títulos e, posteriormente, editoriais, criou a expressão em um momento de discussão interna, em que a tônica era o poder exacerbado de quem determina o cumprimento de ordens, adequadas a uma conveniência relacionada ao que é chamado nas redações de IP – interesse do patrão, na linguagem dos jornalistas.
A demissão de Aguirre é um reflexo da insensatez que, infelizmente, faz parte das redações, nas quais as relações de poder sempre atingem o elo mais fraco da corrente. A justa reação da redação de A Tarde é compreensível pela natureza e caráter de Aguirre, a quem conheci e convivi como aluno da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia. A situação, porém, deveria ser analisada pelo papel que desempenham os repórteres como ele – gente que precisar estar nas ruas.
A razão apontada para a demissão dele tem ligação com outro recente, com a participação dos mesmos personagens, apontados como os responsáveis pela decisão do jornal: os empresários acusados, de acordo com diversas publicações, de integrarem um esquema para a ocupação de áreas diversas de Salvador, em especial na orla e na avenida Paralela, apontado como especulação imobiliária. Um fato que ganhou espaço nas páginas policiais, com acusações de diversas formas – de extorsão a tráfico de influência.
A punição a Aguirre é por ter agido de forma diferente, como jornalista. Sem nenhuma máscara, levantou as informações, procurou as fontes, quis ouvir a todos. Elaborou a sua reportagem e a submeteu aos responsáveis pela publicação. O risco ao qual ele foi exposto é uma tendência do jornalismo atual, que transforma o autor de uma reportagem em alvo de quem tem o poder, em especial do dinheiro como o seu maior símbolo – e inibe o jornalismo como ação de interesse público. No regime militar, era uma prática comum, promovida, solidariamente, por muitos editores e chefes em geral, salvaguardar os autores com a omissão do nome, a assinatura. O peso da publicação era do meio de comunicação.
O fato corresponde a um padrão, infelizmente comum nas redações, em que os diversos chefes têm os seus poderes condicionados pelos interesses dos seus patrões, em uma atividade que em a crença comum é a de que o jornalista é um ser livre para exercer a sua capacidade, desde que cumpra os diversos preceitos da profissão – a sua garantia de proteção, do valor do seu trabalho e do seu veículo. A demissão de Aguirre tem outro peso, com o fato de que a informação, pelo avanço da tecnologia ter favorecido o desenvolvimento de formas diversas de comunicação, que ampliaram o limite para a sua divulgação. O necessário é a apuração, de forma clara, para a publicação, de maneira honesta, de fatos – algo que muitas vezes não ocorre.
A disposição de fazê-lo culpado é a comprovação do que sempre disse Aurélio. O evidente, no caso, é que os algozes nem precisaram sujar as mãos.

*Washington Filho é Jornalista, professor da Faculdade de Comunicação (UFBA)

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