jan
21
Posted on 21-01-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 21-01-2010

“No momento é o caos”

=======================================================
O CAOS EM LILIPUT

=====================================================
DEU NA COLUNA

“No entanto, a dupla Serra-Gabeira é uma espécie de inferno político para grande parte da microscópica população oposicionista de Liliput”. Descubra o que o jornalista Ivan de Carvalho que dizer com esta intrigante metáfora política, lendo sua coluna desta quinta-feira no jornal Tribuna da Bahia, que Bahia em Pauta reproduz. BOM DIA!
(VHS)

Ivan de Carvalho
No momento é o caos.
Quando, na terça-feira, neste espaço, comentei a Guerra em Liliput, existiam apenas dois exércitos. Um deles era favorável a que o Psol (o país Liliput nessa história) fizesse coligação com o PV e apoiasse a candidatura a presidente da República da senadora Marina Silva, ex-petista como os principais do Psol, ex-ministra do Meio Ambiente do governo Lula e senadora.
O outro exército – que como o anterior deve ter a dimensão de um pelotão, tão pequenas são as coisas em Liliput – é favorável à candidatura própria do promotor aposentado Plínio de Arruda Sampaio, uma pessoa muito respeitável e completamente sem votos, a presidente da República.
Estavam assim as coisas, até onde se sabia, quando o deputado Fernando Gabeira, do PV e que por diferença de poucos votos não foi espetacularmente eleito prefeito do Rio de Janeiro em 2008, resolver aceitar que seu nome seja posto na disputa pelo cargo de governador do Estado do Rio de Janeiro, nas eleições deste ano.
Não haveria problema quanto a isso, não fosse a particularidade de que Gabeira aceita disputar o governo fluminense com o apoio do PSDB (e do DEM) e a contrapartida para isto é permitir que o candidato tucano a presidente da República, José Serra, se torne seu aliado eleitoral. Isso significa que Serra teria no Rio um palanque que espera seja forte, o de Gabeira. Isso é bom para a oposição em geral.

No entanto, a dupla Serra-Gabeira é uma espécie de inferno político para grande parte da microscópica população oposicionista de Liliput. E se Gabeira, que é uma das duas figuras politicamente mais importantes do PV, se alia a Serra, Liliput racha e se impõe (é aquela historia do pequeno metido a besta, pequenininho mas durinho) obstáculos quase intransponíveis para apoiar a candidatura da verde Marina Silva à sucessão de Lula. Razão? É óbvia – a provável aliança de Gabeira com Serra “contamina” o PV e em Liliput o cordão sanitário é impenetrável.
Então, se Liliput está quase de acordo em não apoiar a verde Marina Silva, o que seria lógico que fizesse? Apoiar Plínio de Arruda Sampaio, que até já fora há uns tempos “indicado” – isso significa apenas uma sinalização, não determina nada, é uma coisa típica nos ambientes autoproclamados “de esquerda” – como possível candidato e acaba de receber o apoio do bravo bispo da diocese baiana de Barra, dom Cappio.
Mas o que faz Liliput? Divide-se ainda mais. Aos dois exércitos citados (um a favor de Marina, outro a favor de Plínio) acrescenta-se, surgindo de alguma trincheira em miniatura, o pelotão, perdão, o exército de Babá. O ex-deputado João Batista Araújo, codinome Babá, foi lançado pré-candidato do Psol pela facção interna CST (Corrente Socialista dos Trabalhadores). Deve disputar com Plínio de Arruda Sampaio a indicação do partido, caso não prevaleçam os que ainda brigam para apoiar a candidatura de Marina Silva.

Bahia em Pauta estende o seu tapete vermelho para receber o texto de uma figura especial nesta quarta-feira,20: a jornalista Thais Bilenky que visitou Israel e Jordânia em janeiro deste ano e relata o que viu e sentiu.

“Gente boa”, como a define o repórter Claudio Leal , de Terra Magazine em Sampa, e este editor referenda desde que a conheceu pessoalmente na Bahia e teve na jovem paulista uma das mais atentas, antenadas e corretas editoras de seus textos semanais em TM.

Ex-repórter de Terra Magazine, em São Paulo, a paulistana – e vocacionalmente baiana – Thais deixou a marca de sua sensibilidade de repórter na cobertura cultural e política da revista eletrônica do portal Terra. Desde o final de 2009 ela se dedica a outros projetos profissionais.

Sempre inquieta, basta viajar e as mãos de jornalista coçam para escrever, como comprova a cobertura do carnaval passado, em Salvador, e este texto especial para o Bahia em Pauta.Thais conta que quando leu o recado do editor de BP, para ela mandar algum texto, pegou uma caderneta e escreveu a crônica no ônibus, no retorno de Eilat para Jerusalém

Thais, querida moça da Rua Augusta com jornalismo á flor da pele, você merece bem mais que um simples tapete vermelho. Bahia em Pauta agradece pelo esforço e o texto empolgante. Chega mais.

( Vitor Hugo Soares, com ajuda preciosa do reporter de TM, Claudio Leal)

Tel-Aviv:surpresas, humor e emoções

Thais Bilenky

Os israelenses adoram os brasileiros. O garçom em Eilat se empolga ao saber que o cliente nasceu no país em que acabara de passar três meses. Depois de três anos servindo ao Exército, um ex-soldado corre em direção aos visitantes numa festa em Tel Aviv, para saber onde deve ficar durante o ano que pretende viver no Brasil. Seu amigo vai atrás, e o outro anota telefones e cidades.
A amistosidade é grande, mas a burocracia em Israel é menos afável. A entrada no país, judaico, cravado no Oriente Médio árabe, em constante guerra com os vizinhos, é tensa. Interrogatórios, inspeções alfandegárias, raios-x, vistorias, novos interrogatórios. Quem deseja conhecer Jerusalém, cidade-berço das três maiores religiões monoteístas do mundo, não o faz sem paciência.
A vida em Israel é móvel. O país, de 22 072 km² de extensão, é coberto por eficiente malha rodoviária e ferroviária, metrô nas maiores cidades e táxis à vontade. Muitos israelenses vivem nas pequenas cidades que circundam os centros urbanos onde trabalham (Tel Aviv é o principal). Os oficiais do Exército têm direito a transporte público gratuito. O serviço é obrigatório para homens entre 19 e 22 anos e para mulheres entre os 19 e 21 anos.

Os israelenses tentam, não raro, mostrar que o país é seguro, “diferentemente do que se mostra na tevê”, alegam. Gostam de lembrar que o Exército é mais “mundano” do que se pensa. E, sim, algumas meninas chegam a considerá-lo “divertido”. Longe das frentes de combate, o cotidiano israelense é claramente bom, abastecido por um desenvolvimento tecnológico avançado, bolsas e incentivos de estudo, e até o sustento, pelo Estado, de judeus ortodoxos que não trabalham. Mas um turista “inofensivo e desarmado” nem sempre consegue se sentir em paz.
Um breve relato pessoal pode ajudar a colorir a descrição. De Tel Aviv fui de ônibus para Eilat, um balneário ao Sul cercado pelo Mar Vermelho, para visitar as ruínas de Petra, na Jordânia. O roteiro é comum entre turistas, estrangeiros e nativos. Em geral, é feito em grupo ou excursões com guias jordanianos. Fui com uma amiga, Ana, e só.
Sair de Israel e atravessar a pé os 200 metros de fronteira até o país árabe vizinho se
anunciou assustador. As duas horas que enfrentaríamos até chegar ao pólo turístico geravam ansiedade. Entre os muros e arames farpados e elétricos dos dois países, uma mulher vem puxar papo.

Sorri ao saber que fala com brasileiras:
– Nossos filhos terminam o Exército e vão direto para o Brasil. E vocês… vêm para cá?
Mas ela gosta mesmo de saber que somos judias. O sorriso não mente. Pedimos para participar de seu grupo de excursão e ela se dirige ao cicerone, que acede mas logo volta atrás quando o soldado jordaniano recolhe nossos passaportes. Depois de uma visita à alfândega, voltamos ao muro com arame farpado e nos deparamos com dez homens que falam um inglês rudimentar. São taxistas consorciados que tabelam um preço (alto) para levar turistas perdidos à Petra.
Brasileiras e judias, conseguimos driblar a apreensão e pechinchar: 90 dinar (1 dinar
jordaniano vale aproximadamente 2,50 reais) ida e volta. Não havia muitas opções, entramos no carro. O deserto sul-jordaniano é lindíssimo, mas o chaveiro em forma de bala de revólver, o carro todo costurado, as fotografias de homens apontando metralhadoras chamavam mais a atenção. Natural da cidade de Aqaba, Mohamed, o motorista falante e alegre, percebe a aflição das passageiras e cisma em amenizar a tensão:
– Jordan safe. Very safe.
Todo dia, conta, leva turistas de Eilat a Petra, Petra a Eilat. No seu celular, garante que guarda fotos recentes de passageiras argentinas, e fotografou só para mostrar ao filho. O telefone toca, somos incapazes de compreender o tema da conversa, mas Mohamed sorri, ao desligar:

– Meu filho. Tenho esse filho, outra da idade de vocês e uma esposa.
Pausa. Mira pelo retrovisor:

– Only one wife.
Feita a manobra de turismo, ver Israel a poucos metros é um alívio. Os soldados jordanianos na fronteira se alegram com o “República Federativa do Brasil” do passaporte, perguntam pelo Kaká (pronunciam Káka), pelo Rio de Janeiro, pelas “cheeks brasileñas”, sorriem e manifestam satisfação com nossa visita.
Chega-se a Israel, uma militar recolhe nossos passaportes. Ana é liberada rapidamente. Thais, não. Qual a origem do nome? O significado? Desconheço. Mas há um significado?, insiste.

“Deve ter, não sei, é um nome comum no Brasil…” E não me pergunta se sou judia. Quer saber se tenho irmãos, quais os nomes deles e dos meus pais, se celebro feriados judaicos. Quais? Por quê? Digo que são encontros familiares, importantes para nossos avós, a comida é boa. Mas percebo que quer argumentos mais precisos. Hosh Hashaná é o ano novo judaico, Iom Kipur o dia do perdão. Digo que fiz Bat Mitzvá. A soldada, com entusiasmo modesto, seguindo uma lógica própria, enfim me pergunta se sou judia e me deixa passar, na hora em que me animei.

 Dia seguinte, sete horas da manhã, o ônibus deixa Eilat a caminho de Jerusalém. Ao nosso lado um homem entrado nos 40 anos de idade, de origem árabe, bem vestido, senta-se. Traz consigo uma mala preta e uma sacola de compras. Em Israel, uma maleta preta como a dele não resiste por dez minutos se abandonada ao relento. Soldados explodem-na antes que ela… Isso aí. A sacola cai da prateleira do ônibus. Alertado, o homem a recolhe e, meio constrangido, informa:
– É doce.
Ajeita a mala na prateleira. Estica o paletó, checa os bolsos, verifica as horas em intervalos mínimos – e o celular também. Observa com atenção cada passageiro. Não cochila como os demais. Paranoia e preconceito, sem dúvida. Mas se um turista bobo e judeu é feito suspeito, um homem árabe, sozinho, soa amedrontador. Mas o ônibus não pareceu se importar, à minha exceção.

Não são comuns cenas de agressão pública entre judeus e árabes nas ruas de Israel, mas o jornal Jerusalém Post dá conta de que 67% dos israelenses têm medo de que a violência afete sua família no dia-a-dia. Entre os palestinos, o temor chega a 77% da população, segundo o mesmo periódico. Ao contrário das pesquisas, tem-se a impressão de que quem vive em Israel, e na Palestina de modo geral, em comparação com os ocidentais, é mais familiarizado com a tensão no Oriente Médio e entende, por experiência própria, o confronto entre judeus e árabes; no caso dos israelenses, aparentemente, a passagem pelo Exército desmistifica o conflito. Quem chega desavisado com a máquina fotográfica nas mãos é que vê tudo com flash: como se a vida na região fossem cenas de um filme de ação e perigo.
E, no fim, parece bem mais assustador do que a vida como ela tem que ser.
Thais Bilenky é jornalista, mora em São Paulo e adora a Rua Augusta

jan
20

Marchinha do concurso 2008

====================================================
Maria Olivia

Olha que exemplo:A Fundição Progresso resolveu há cinco anos estimular novas composições. Nesta quarta,20, dia do padroeiro São Sebastião, haverá uma grande festa na Parada da Lapa para apresentar as dez músicas finalistas do 5º Concurso de Marchinhas da Fundição Progresso.

Se você caro internauta que acessa BB estiver no Rio, não deixe de comparecer, programação simplesmente imperdível.

Faltando meses pro carnaval, todo mundo inscreve suas letras e eles fazem uma pré-seleção, sendo que as 10 melhores entram num CD. Pra defender as músicas, foi formada a banda da Fundição, com cantores e músicos do calibre de Alfredo Del Penho, Pedro Paulo Malta, Clarisse Magalhães, Lali Maia e Marcelo Bernardes.

Quem for na festa desta quarta, marcada pra 20h30m, já ganha o CD na entrada, ao pagar o ingresso de R$ 15. Além da apresentação das finalistas, tem ainda um show do Rio Maracatu, encerrando a noite. Bom demais, né?

Maria Olivia é jornalista

jan
20
Posted on 20-01-2010
Filed Under (Artigos) by vitor on 20-01-2010

Obama:derrotado em bastião democrata

=====================================================

ROSANE SANTANA

(Boston-EUA) -Tradicional reduto democrata, o pequeno estado de Massachusetts, na costa leste dos Estados Unidos, surpreendeu o país, nesta terça-feira, 19, ao eleger o republicano Scott P. Brown, para a vaga deixada pelo senador Eduardo Kennedy, morto no último verão, vítima de câncer, que ocupava a cadeira há 46 anos. Um revés para o presidente Barack Obama, que exatamente hoje completa um ano de governo e perde, assim, a força para aprovar, de maneira automática, suas propostas no Senado, apesar da maioria largamente democrata naquela Casa.

Com uma população de 6,5 milhões de habitantes, Massachusetts possui um total de 4,1 milhões de eleitores registrados, numa proporção de 3 democratas para cada 1 republicano, embora a maioria de 51% seja independente, não pertencendo a nenhum partido. Este contigente foi decisivo para a vitória republicana e deu uma demonstração inequívoca da insatisfação com os rumos do governo de Barack Obama, especialmente no que diz respeito à reforma na saúde, que está longe de ser unanimidade nos Estados Unidos, o alto índice de desemprego e o crescente aumento dos gastos públicos (incluindo as guerras no Oriente Médio), segundo analistas da política americana.

Scott P. Brown representa o 41º voto republicano no Senado e deve criar obstáculos à aprovação das mudanças no sistema de saúde, ainda pendente de votação naquela Casa, sendo também um sinal nada animador para que Barack Obama ponha em marcha, como prometeu, a votação da reforma imigratória, este ano, entre outras iniciativas importantes para seu governo. Daí porque a Casa Branca acompanhou com preocupação o desenrolar das eleições em Massachusetts, cujos sinais da derrota evidenciaram-se logo após apurados 51% das urnas, quando o republicano Scott P. Brown já apresentava significativa dianteira sobre a candidata democrata Martha Coakley.

A derrota em Massachusetts é emblemática não somente por representar um reduto democrata, em especial da família Kennedy, por quase meio século.

Mas, por ser um estado altamente desenvolvido, industrializado e politizado, concentrando na região metropolitana de Boston, sua capital, mais de uma centena de universidades – as melhores e mais cobiçadas do mundo – e a nata da intelectualidade americana. Um sinal, portanto, de que Barack Obama, que apareceu em vídeo ao lado da candidata, durante a campanha, está perdendo a batalha junto a opinião pública de seu país.
=======================================================
Rosane Santana, jornalista, mestre em História pela UFBA, mora em Boston(EUA) e estuda em Harvard.

jan
19
Posted on 19-01-2010
Filed Under (Artigos) by vitor on 19-01-2010


===================================================

==================================================
Elis Regina canta Corsário em um programa de 1976 para a Rede Bandeirantes. Arranjos Originais. No segundo vídeo canta uma canção imortal:”Aos Nossos Filhos”.
Elis nesta terça-feira, 19 de janeiro, dia de saudades, e sempre. BOA NOITE!
(VHS)

jan
19
Posted on 19-01-2010
Filed Under (Aparecida, Artigos) by vitor on 19-01-2010


==================================================

CRÕNICA: UMA MULHER

Ells Regina:a vida sem ela

Aparecida Torteros

Os anos 70 me revisitaram, repentinamente, quando li, no Blog Bahia em Pauta, sobre os 28 anos sem a voz ao vivo, de Elis Regina, aquela pimentinha pequenina de arte possante, interpretações magistrais, aquela figurinha risonha e ao mesmo tempo intempestiva, braba e desafiadora, a mesma Elis que nos deixou atrás de uma porta que se fechou pra sempre, sob a viagem de uma droga traiçoeira, que nos roubou de cena criatura tão talentosa, mulher brasileira sintonizada com seu tempo, a Elis que nos ensinou a cantarolar sobre o falso brilhante.

Fomos meninas de “falsos brilhantes” nos dedos, sim, imitação da vida, sonhos hollywoodianos de amores felizes para sempre, atropelando-se na crueza de uma ditadura militar plena de injustiças e freios, escapando-se pelo viés dos festivais da canção, a ponte do respiradouro que as composições musicais representaram diante da repressão, e aquela voz de veludo que se transformava em grito de protesto, o grito dos acorrentados, a nossa Elis nos apontando os neguinhos da estrada, os passos da dança em ritmo de dois pra lá e dois pra cá, o canto dos desesperados por amor verdadeiro, a mesma voz que nos falou como nenhuma outra das águas de março, e nos pôs à prova, com o bêbado e o equilibrista.

Porta-voz de um período de constentação e proclamação dos direitos de ser livre e viver essa liberdade à frente do seu próprio tempo, lá se foi Elis para o trono dos deuses, em dia em que nos doemos nas entranhas, nos sentimos perdidos, e a tarde que caiu sobre nós, se fez noite, nos tornamos bêbados trajando luto, sofrendo não só a sua perda, mas sobretudo, o quanto dali por diante seria a vida sem ela presente.

Dela, ainda bem, ficaram as canções, as gravações, os filmes agora em dvd, e os filhos, por obra e graça, todos ligados à música, e bem talentosos, honrando seu dna e sua memória.

Elis é magestade, ela me deixou mesmo louca e ainda me deixa, quando me ponho a re-ouvir, na sua versão inconfundível, o clássico Fascinação, e é esta interpretação, de 1978, que me traz de volta a menina que fui , como ela, com aqueles cabelos cortados ao estilo Jane Fonda, protestando contra a guerra do Vietnam, sonhando os sonhos mais lindos, na transversal do tempo, emocionada e gravemente atenta a cada nota que sua garganta emite, no milagre da tecnologia que me permite sentir novamente o quanto Elis me fascina ainda, e certamente, o faz com todos os que tem a chance de se deixarem seduzir pelo seu brilho verdadeiro.

De falso, só o brilhante do dedo da menina que dançou nos bailes de formatura, quando era bom imaginar que um dia, quem sabe, ela nos mandaria um recado do tipo :”alô alô, terráqueo, aqui quem fala é Elis Regina, estou morando em Marte, pra varia vocês estão em guerra?”

Pois é, Elizinha, o ser humano tá cada vez mais down no high society, e você tá cada vez mais fascinante no céu das estrelas cujo brilho não se apagará nunca, sabia?

Cida Torneros, jornalista e escritora, mora no Rio de Janeiro, edita o Blog da Mulher Necessária, onde o texto foi originalmente publicado.

jan
19

Heloisa: em guerra

=====================================================

DEU NA COLUNA

Em sua coluna desta terça-feira, 19, na Tribuna da Bahia, o jornalista Ivan de Carvalho escreve sobre a guerra intestina que grassa no PSOL e ameaça dividir ainda mais o minúsculo partido de esquerda. Ivan confessa o seu espanto em saber que uma coisa tão pequena seja ainda capaz de se dividir.Confira. (VHS)

=======================================================

COLUNA POLÍTICA

GUERRA EM LILIPUT

Ivan de Carvalho

Está desencadeada uma guerra no Psol. O partido rachou. Fico pasmo em saber que uma coisa tão pequena seja ainda capaz de se dividir.

É verdade que no fictício país de Liliput, onde tudo era pequeno, os rachas e divisões eram possíveis. Não lembro de que hajam ocorrido efetivamente, mas teoricamente poderiam ocorrer. O Psol certamente é uma espécie de Liliput na política brasileira. Só tem uma liderança importante, a da ex-senadora Heloísa Helena, ex-candidata a presidente da República e atualmente vereadora em Maceió, preparando-se para tentar retornar ao Senado.

Heloísa Helena, na minha humilde e talvez embaçada maneira de ver as coisas, não é importante pelo que pensa. Ela pensa uma porção de tolices.

Seu discurso é um encadeamento de palavras de ordem e slogans ensinados durante décadas pela propaganda de uma ideologia morta, mas ainda insepulta por causa da conhecida teimosia (que frequentemente é qualidade) da espécie humana e da burrice (que sempre é defeito) de uma boa parte da mesma espécie. Heloísa Helena é importante, não por seu pensamento político ou seu discurso ideológico, mas pelo que ela é. Honrada, ética, corajosa, incorruptível, indomável – exatamente o que tanto está faltando no Brasil e em seus quadros políticos.

Mas, tirando ela, achar o Psol é como encontrar agulha em palheiro. Quase um milagre. E deve ter sido assim, na base do milagre, que o bravo bispo de Barra, dom Luiz Flávio Cappio, duas greves de fome em defesa do rio São Francisco na biografia, encontrou o Psol e decidiu apoiar a pré-candidatura de Plínio de Arruda Sampaio (uma pessoa respeitada e sem votos) a presidente da República. Apoio dado em nome da certeza de que o possível candidato do Psol “fará o necessário debate sobre os reais problemas que afligem o povo pobre desse nosso país tão rico”. Não sei se identifico essa frase do bispo com o prato feito dos discursos de Heloísa Helena ou com os trocadilhos do jornalista e amigo Alex Ferraz. Então, que opte o leitor, querendo.

Mas, voltando ao assunto principal, o liliputiano Psol rachou. Estava em entendimentos com o PV para apoiar a candidatura de Marina Silva a presidente da República. A candidatura de Plínio de Arruda Sampaio era apenas uma sombra no horizonte. Mas aí o deputado Fernando Gabeira, que com a senadora e ex-ministra Marina Silva forma a dupla politicamente importante do Partido Verde, disse afinal que topa ser candidato a governador do Rio de Janeiro pelo PV. Tudo bem para o Psol, se Gabeira não tivesse o apoio do PSDB, que quer fazer do palanque de Gabeira também o palanque de José Serra no Rio. Por causa disso está o maior auê na lata de quatro caranguejos do Psol – casa dividida, talvez casa arruinada.

Opinião muito pessoal: fiquei perplexo por não haver o bispo de Barra optado pelo apoio a Marina Silva, candidata do PV a presidente. É ela que, como dom Cappio, tem preocupação com o meio ambiente – uma, o do Brasil, outro, o do rio São Francisco.

jan
19
Posted on 19-01-2010
Filed Under (Artigos, Multimídia, Vitor) by vitor on 19-01-2010


=======================================================
19 de janeiro.

Nesta data, no ano de 1982, a notícia da morte inesperada da cantora Elis Regina, as cisrcunstâncias trágicas que a cercavam, causariam enorme impacto nos fãs inumeráveis da maior intérprete brasileira na época, deixando o país em estado de choque.No início da tarde daquele dia, milhares de pessoas já se aglomeram diante do Teatro Bandeirantes, onde o corpo foi velado.

Registro do jornal Folha de S. Paulo:A música popular perde, prematuramente, uma de suas maiores intérpretes em todas as épocas, que se identificou com o Brasil desde o início de sua carreira no Beco das Garrafas, no Rio, passando pelos festivais que eletrizaram os anos 60, até a cantora madura dos “shows” dos anos 70, como “Falso Brilhante” e “Transversal do Tempo”.

Ainda a Folha: A causa de seu mal-estar súbito ainda não está esclarecida. Elis deu entrada às 11h45 no PS do Hospital das Clínicas, já sem vida. A morte foi anunciada pouco depois das 12 horas, sendo o corpo levado para o Instituto Médico Legal às 12h30. A autópsia revelou que a cantora não sofria de nenhuma moléstia nos órgãos vitais. O IML anunciará amanhã a “causa mortis”. No entanto, o delegado do 14o DP, Carmo Aparecido de Camargo, afirmou que Elis morreu devido a uma “intoxicação exógena”. Às 16h20 o corpo foi levado para o velório no Teatro Bandeirantes.

Elis Regina será sepultada na manhã de hoje no Cemitério do Morumbi, saindo o cortejo do Teatro Bandeirantes às 11 horas. O DSV já organizou um esquema especial para o trajeto: avenida Brigadeiro Luís Antônio, rua Humaitá, rampa do viaduto Pedroso, avenida 23 de Maio, avenida Rubem Berta, avenida dos Bandeirantes, avenida Luís Carlos Berrine, ponte do Morumbi, avenida Morumbi, rua Professor Carlos Gama, até a rua Deputado Laércio Corte, onde se localiza o Cemitério do Morumbi.

MORTE E ELIS NA VEJA

O AMARGO BRILHO DO PÓ

Aos 36 anos, Elis Regina, a melhor cantora do Brasil, foi achada morta, trancada em seu quarto, onde tomara a derradeira dose de cocaína

27 de janeiro de 1982

A morte da melhor cantora brasileira provocou um choque nacional, assim que a notícia circulou pelo rádio e pela televisão na manhã da última terça-feira. Cheia de vitalidade nos seus 36 anos, Elis Regina de Carvalho Costa, três filhos, passou metade de sua vida em estúdios, distribuindo uma voz impecavelmente afinada por 27 LPs, catorze compactos simples e seis duplos, que venderam algo como 4 milhões de cópias. Não é um recorde – Roberto Carlos vendeu quatro vezes mais –, mas a qualidade é tão boa que lhe assegurou uma das mais sólidas reputações da música popular brasileira. Sua morte, no apartamento que ocupava nos Jardins, em São Paulo, foi chorada com lágrimas canções entoadas por 25 000 fãs, amigos e parentes que a visitaram no velório do Teatro Bandeirantes, palco de seu maior sucesso, o show ‘Falso Brilhante”, no centro de São Paulo. Cerca de…

( Postado por Vitor Hugo Soares )

jan
17
Posted on 17-01-2010
Filed Under (Artigos, Janio) by vitor on 17-01-2010

Lula e Marisa em Inema: “moço, tem de mangaba?”

img.Estadão

CRÕNICA / SUCESSÃO

=====================================================

LULA, O ISOPOR E A SUCESSÃO

Janio Ferreira Soares

Não tem pra ninguém. Lula continua sendo o maior marqueteiro dele mesmo, seja dominando a platéia qual um esperto pastor diante de fiéis embasbacados, seja tirando uma onda na presença de reis e rainhas de verdade ou de realezas de algum maracatu do baque virado – tanto faz -, lá vai Luiz se lixando para qualquer tipo de liturgia, como se o mundo se resumisse ao agreste pernambucano e adjacências.

A sua recente aparição em terras baianas carregando um isopor na cabeça como se fora um simples vendedor de picolé, com dona Marisa um pouco atrás quase dizendo: “moço, tem de mangaba?”, traduz muito bem esse seu lado populista, que, forçado ou não, praticamente o iguala ao mais comum dos brasileiros, desses que no fim de semana botam uma havaiana nos pés, uma velha bermuda e vão até a esquina comprar cerveja para a rapaziada que está chegando. Já os seus prováveis sucessores…

Impossível imaginá-los em situações semelhantes, quiçá próximas. Serra, no máximo, vai imitar FHC e montará num lombo de um jumento em terras nordestinas depois de experimentar uma buchada de bode, mesmo que em seguida acabe com o estoque de antiácido do mercado. Quanto a Dilma, apesar de ter aposentando a peruca e agora desfilar com uma aparência tipo volver a los 17 después de vivir un siglo, também não leva jeito para tais arroubos, embora orientada pelo experiente mestre Inácio, grande arteiro pernambucano e craque maior no ofício do mamulengo.

Seja como for, 2010, o ano do tigre, será regido por Vênus, Iemanjá e Oxalá. Não sei até que ponto a junção dessas forças irá influenciar o comportamento dos candidatos, principalmente porque este será também um ano de Copa do Mundo. Mas antes tem o Carnaval, e não se espante se Serra aparecer no meio dos Filhos de Gandhi desafinando no agogô, ou Dilma surgir ao lado do Chiclete com o molejo característico dos dançarinos do fandango gaucho.

Agora, se alguém vir um barbudo de rosto familiar vestindo um abadá todo suado, completamente à vontade no meio da galera, não tenha dúvida, é o cara do isopor.

JANIO FERREIRA SOARES, cronista, é secretário de Cultura e Turismo de Paulo Afonso (BA)

jan
16
Posted on 16-01-2010
Filed Under (Artigos, Gilson) by vitor on 16-01-2010

Lavagem: “emoção coletiva”

====================================================
CRÕNICA: BAHIA

BÊBADO DE ALEGRIA

Gilson Nogueira

Uma adolescente rodopia feito bailarina e dá sem querer um beijinho rápido na boca do rapaz que parecia parado aguardando o encontrão. E o beijo. Ambos sorriem e seguem. Uma vendedora de cerveja em lata faz do pequeno isopor barreira para dançar sozinha à frente da multidão. Um garoto ajoelha-se de cansaço e faz a família parar em volta dele para um bate-papo em plena avenida.

A grande procissão do povo baiano em louvor ao Senhor do Bonfim avança. No acostamento da caminhada os braços de uma mulher alcança o pescoço do amigo que não via há anos. E uma latinha a mais é recolhida pelo catador que vibra com a fartura daquele ganha-pão rolando no asfalto. O policial prende um ladrão. E outro ladrão desaparece como um coelho, no mato, depois de afanar a carteira do rapaz do interior.

Em pequeno bloco com corda de nylon azul a coroa dança sozinha, de cara para o sol, e tem seus cinco minutos de rainha de bateria na sua imaginação. Um casal que namora ao som da charanga autenticamente baiana, fantasiada de talento e improviso, sente o tempo parar na colada monumental. E abençoada! Colada quente como a cachaça vendida na barraca da Feira de São Joaquim.

Um cachorro vadio lambe uma poça d’água. O samba e o pagode se confundem no remelexo da cabrocha. Muitos foguetes explodem sem ligação com a fé. Outros simbolizam no seu estouro e na sua fumaça, que risca o ar, lembrando traços de Caribé, o orgulho de ser baiano. O passo não se altera e não há contornos que façam enganar o desejo de chegar aos pés da Basílica do Nosso Senhor do Bonfim para festejar O Santo Maior da Bahia.

A emoção coletiva une as pessoas. O agradecer é maior que o pedir. As lágrimas que rolam na face de cada uma delas por receberem a benção de Nosso Senhor do Bonfim dizem mais que tudo. No bater de folhas no peito a sensação de proteção divina se amplia. Como uma armadura invisível, levo-a para casa. E a farei brilhar, até o ano que vem. Para brilhar, cada vez mais!

A festa de paz, de amor ao próximo, reúne mais de um milhão de amigos! Mais que tudo, vi o dar, o oferecer-se, em contrição, em prece comovente. A alma e os sonhos tornam-se leves. Mais leves. Encosto o corpo na parede de uma casa. Defronte à igreja, sinto-me bêbado de alegria. Um sorriso santo me fez mais feliz. Aquela água derramada sobre a minha cabeça não foi à toa. Agradecido, chorei. Voltei, em silêncio, andando atrás de mim, sem querer ficar de costas para a escadaria enfeitada de promessas e gratidão. Uma sombra do adeus que não dei me acompanha. Quem sabe!

A baiana do acarajé, que não economizou no camarão, disse que meus olhos estavam vermelhos. Sorri. O moço que estava apertado não fez questão de ser o primeiro no sanitário público e o vendedor de fitinhas não quis cobrar pelas duas que escolhi. Uma azul e uma branca, as cores de Oxalá! O toque da batucada me fez lembrar velhos carnavais e um suspiro impediu-me a tristeza. A vida segue.

Multipliquei por dois os oito quilômetros que unem a Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia à Basílica do Senhor do Bonfim. A razão? A força da fé; Aquela água santa do pote de barro que a baiana lindíssima despejou na minhalma não secou. Nem secará. Em casa, senti falta das guias do Senhor do Bonfim que havia pendurado nos meus óculos. Não faz mal.Elas devem estar em boas mãos. Meus três pedidos continuam valendo!

Axé!

Gilson Nogueira é jornalista

Pages: 1 2 ... 1929 1930 1931 1932 1933 ... 2015 2016

  • Arquivos

  • dezembro 2018
    S T Q Q S S D
    « nov    
     12
    3456789
    10111213141516
    17181920212223
    24252627282930
    31