dez
21
Posted on 21-12-2009
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 21-12-2009

“Geddel não está só”.Img.Bahia Dia Dia
geddelpmdb

Deu na coluna
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Em sua coluna diária na Tribuna da Bahia o jornalista Ivan de Carvalho lança nesta segunda-feira, 20, o seu olhar analítico diferenciado e texto igualmente original sobre a convenção estadual de ontem do PMDB da Bahia. Vale a pena conferir. (V.H.S.)

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OPINIÃO POLÍTICA

DIA DO PMDB

Ontem foi dia do PMDB da Bahia, que realizou uma convenção para eleger seu Diretório Estadual e, imediatamente por este, a Comissão Executiva Estadual. Mas tais objetivos foram simplesmente o cumprimento de formalidades necessárias e de resultados antes planejados, previstos por todo mundo e efetivamente consumados.

O importante da convenção foi a própria convenção, a demonstração de força do maior partido do Brasil na Bahia e os sinais políticos que esse tipo de reunião ampla pode emitir. E que de fato emitiu, mostrando, em primeiro lugar, que o PMDB e seu candidato a governador, Geddel Vieira Lima, não estão isolados nas articulações sucessórias e tem capacidade de diálogo além dos três partidos com que já conta para sua coligação, o PTB, o PSC e o PRTB.

Estiveram na convenção os presidentes estaduais do PSDB, do Democratas e do PR, ex-governadores Antonio Imbassahy, Paulo Souto e César Borges, este atualmente senador e disputado para integrar suas chapas pelos três aspirantes principais ao mandato de governador nas eleições de 2010 – o governador Jaques Wagner, o ministro Geddel Vieira Lima e o ex-governador e ex-senador Paulo Souto.

Talvez numa demonstração do apreço que todos dão a uma aliança com o senador, que busca renovar seu mandato de senador, César Borges foi escolhido para fazer, na convenção, discurso em nome dos presidentes dos três partidos citados acima. Borges não avança (até mesmo, talvez, porque ela não exista ainda) qual a chapa que aceitará integrar – a de Wagner, a de Souto ou a de Geddel.

Mas a presença desses políticos na convenção – à exceção de Wagner, de quem Geddel recentemente disse esperar que ele não lhe dirija a palavra – desmancha em grande parte a teoria de que o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, estaria “isolado” e indica que ele mantém condições plenas de diálogo com os principais protagonistas da sucessão estadual (excetuado, como já assinalado, o governador Wagner e o PT). Seja para o traçado de estratégias nas campanhas eleitorais para o primeiro turno das eleições, seja para os acordos políticos do segundo turno, se houver, como a conjuntura está atualmente a indicar.

Importante para Geddel foi também a presença do presidente nacional licenciado do PMDB e presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, indicado por seu partido para ser candidato a vice-presidente da República na chapa da petista e ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef. Temer declarou na convenção que Geddel tem total apoio da legenda no plano nacional para ser candidato ao governo da Bahia.

Pode ser uma declaração formal e quase obrigatória, estando Temer presente no evento, mas pode funcionar também como uma sutil advertência do PMDB nacional ao governo federal no sentido de que não seria aceitável o governo federal dar um tratamento de segunda classe à candidatura de Geddel, em comparação com o tratamento que der à candidatura de Jaques Wagner à reeleição.

dez
21
Posted on 21-12-2009
Filed Under (Artigos, Gilson, Multimídia) by vitor on 21-12-2009

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CRÔNICA/ UM NOME,UM LUGAR

NELSINHO, ROBERTO E AS BALEIAS

Gilson Nogueira

Nelsinho Mota vinha em direção oposta à minha. O sol e o céu azul eram as duas únicas coisas acima de nossas cabeças, além de Deus, gaivotas perdidas e aviões. Deu-me, ali,vontade de cumprimentar o grande Nelsinho, mas, meio acanhado, passei por ele, em silêncio,sorrindo, para dentro, com a brisa a beijar-me a cara. Fiz de alguma forma, sem querer, o charme dos que não dão bola para celebridades.

Nelsinho, jornalista, poeta, compositor, produtor musical dos bons, seguiu seu caminho. Eu ia para o bar de Vevé. Nelsinho, possivelmente, deveria estar visitando a Ilha, mais uma vez, hospedado no Galeão Sacramento, em Mar Grande, ou em casa de algum amigo ou amiga. Não me importei para onde ele caminhava. Torci para que conhecesse Vinagre, Brígido, Biro Biro, Joca, Salvinho e outros parceiros de farras etílicas, sob a sombra dos coqueiros da Ilha e dos nossos sonhos. Ao vê-lo passar, com aquele jeito cariocamente blasé, pensei: “ Esse cara é foda! É um talento, faz parte da minha geração. Ele também deve cagar para esse negócio de cultuar famosos e poderosos, como se fossem eles feitos de outro material que não a carne.

Seriam de acrílico?! Nossa geração não era chegada a essas babaquices que os dendês no sangue adoram promover no Carnaval da Bahia. Famosos, celebridades e poderosos uma ova, eles que se lixem. Comigo não cola!!! Todos os humanos são iguais, na fila da transitoriedade, seguindo a dinâmica da vida.

Dentre as melhores coisas feitas na Ilha, lembro, aqui, à véspera da abertura oficial do Verão, amanhã, 219o artigo foi escrito domingo,20), no calendário do tempo, que andar em Itaparica, sem que o pavor de ser assaltado não faz mais parte da geografia poética do lugar.É impossível, hoje, ficar sozinho, em harmonia com aquele paraiso. Os bandidos impedem a paz de quem procura esse estado de espírito na ilha.

Mesmo assim, para quem nunca experimentou embriagar-se com sua beleza, com o astral que domina esse território, vale a pena tentar. Nesse momento, faça como fiz, várias vezes, deixe seus pés à beira d´água, onde, certamente, uma canção, em forma líquida, irá refrescar seu corpo, sua cabeça, a lhe dizer que a paz depende de nós.

Se o calor impedir a aventura, estacione seus pensamentos na sombra de um barco, ou de uma barraca qualquer, dessas que vendem cerveja, para admirar a paisagem, admitindo que, além do horizonte deve ter algum lugar bonito para viver em paz. Fique de olhos abertos, para sua segurança. E viva Nelsinho, Roberto Carlos e as baleias!!!

Gilson Nogueira é jornalista

dez
20
Posted on 20-12-2009
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Corrupção e Violência:i~mãos siameses
Corrupção

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OPINIÃO/ VISÃO CRÍTICA

CORRUPÇÃO E VIOLÊNCIA

Rosane Santana

Com as pesquisas qualitativas a indicarem a Segurança Pública, como o calcanhar-de-aquiles dos governos estaduais em todo o Brasil, inclusive na Bahia, às vésperas das eleições majoritárias é comum aparecerem, de última hora, “candidatos especialistas” em soluções para o problema da violência. A maioria da população não sabe, entretanto, que o aumento da criminalidade, direta ou indiretamente, guarda estreita relação com a corrupção na esfera política.

Segundo estudiosos, a corrupção política, que é crime, além de desviar recursos públicos de serviços essenciais ao bem-estar da população em benefício de grupos privados, também favorece atividades ilícitas como lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e prostituição, entre outras. A prática, estimulada pela impunidade, está atraindo o crime organizado para dentro do País, de acordo com a pesquisadora da Universidade de Brasília (UNB), Lígia Pavan Baptista, responsável pela implantação da Biblioteca Virtual Sobre Corrupção, da Controladoria Geral da União (CGU).

De 1 a 4% do Produto Interno Bruto (PIB), valor estimado em um mínimo de R$ 30 bilhões de reais, é o custo anual da corrupção para a economia brasileira, segundo dados recentes da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Órgãos de Controle administrativo, como a Controladoria Geral da União (CGU) e o Tribunal de Contas da União (TCU) admitem que a corrupção é praticada com a participação de funcionários públicos e políticos em diversas esferas – prefeitos, vereadores, deputados, senadores etc. – em benefício próprio e de grupos privados envolvidos no negócio.

Do que foi detectado pela CGU, no período entre 2003 e 2007, os setores mais prejudicados pelos desvios são saúde, com 613 milhões, seguido pela educação, com 470 milhões. Ao impedir que a população carente tenha acesso a políticas públicas em áreas essenciais à melhoria da qualidade de vida, a corrupção contribui para aumentar a exclusão social e a violência, restringindo a cidadania e condenando o País a um ciclo vicioso de miséria e desigualdade. Combatê-la, portanto, ainda é o melhor remédio para diminuir a escalada do crime no Brasil

Não se pode dizer, evidentemente, que todos os políticos são corruptos. Mas, a lentidão das casas legislativas em tomarem providências contra os seus integrantes flagrados em desvios e as brechas encontradas na lei para que os corruptos escapem no Judiciário acabam por colocar em descrédito toda a classe, levando o País a iminência de uma crise institucional, diante da falsa percepção de que a política é sempre território de atividades ilícitas.

O Poder Legislativo é colocado em xeque, com boa parte do eleitorado questionando a existência da instituição, como adverte a Transparência Brasil,e o Judiciário, pela brandura com que tem tratado os corruptos no país, cai em descrédito absoluto, reforçando a idéia de que a cadeia é somente para pobres. Essa conjuntura, naturalmente, gera um clima de impunidade que favorece ainda mais a escalada da violência, as aventuras autoritárias de poder, com a supressão das liberdades democráticas, e o aumento da corrupção.

Rosane Santana, jornalista, mestre em História pela UFBA, mora em Boston e estuda na Universidade de Harvard).

dez
19
Posted on 19-12-2009
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CRÕNICA/ COTIDIANO

ARRUDA,ADEMAR DE BARROS E PABLO

Janio Ferreira Soares

Na sala de espera do oftalmologista, dois vizinhos de cataratas comentam sobre os últimos acontecimentos. Apuro meu ouvido e consigo pescar algo sobre o aumento dos aposentados, o preço dos ansiolíticos e, claro, sobre o escândalo político do momento, já que nossa gente engravatada não se cansa de mostrar o seu valor. Monetário, diga-se.

Do meu lado esquerdo uma senhora choramingando um misto de colírio e lágrimas me cutuca com seu roliço cotovelo e sussurra, com aquele semblante característico das atrizes de um filme de Almodóvar – ou de alguma novela mexicana -: “fariam a mesma coisa, esses dois descarados!”. Antes de esboçar qualquer forma de contato, uma mocinha delicada inclina minha cabeça pra trás e pinga uma gota de colírio em cada olho, o que basta para me transformar num lacrimoso coadjuvante daquele dramalhão latino. “Mui prazer, mi nombre es Pablo”.

Mais tarde, já no táxi, óculos escuros pra não dar bandeira e evitar lampejos pós-dilatação, o motorista puxa assunto. Como percebo que não há outra opção senão entabular uma prosa movida a pagode romântico e a aroma de alfazema, vou direto ao que interessa. “E Arruda, hein?”. Antes que ele discorra a típica verborragia daqueles que têm a solução para todos os problemas do mundo, me lembro que até há pouco a deixa era: “e o Zuleido, hein?”, que veio antes de: “e o Sarney, hein?”, que, por sua vez, sucedeu a: “e o Delúbio, hein?”, o que prova que Brasília roda, roda e parece que nunca surge um minuto de comercial.

O mais preocupante é que a esperada indignação das pessoas está dando lugar a uma impotência acrescida de pitadas de normalidade, muitas vezes acompanhada de uma conivência do tipo: “eu não, mas se alguém encher as meias e depois me der um apartamento em Paris, tudo bem”.

Chego ao meu destino, me despeço de mais uma sumidade autônoma e observo que logo a frente um senhor acena para outra viagem movida à política e à voz de Belo, naturalmente. Pelo semblante deve ser do tempo de: “e o Ademar de Barros, hein?”. Só me resta encarnar Pablo, meu personagem latino, e seguir cantarolando Tu Me Acostumbraste.

(Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura e Turismo de Paulo Afonso, na região do Vale do São Francisco )

dez
19
Posted on 19-12-2009
Filed Under (Artigos, Vitor) by vitor on 19-12-2009

O poder de uma imagem..
Fantome
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…de Silvio Berlusconi
Silvio

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ARTIGO DA SEMANA

O FANTASMA DA ÓPERA DE MILÃO

Vitor Hugo Soares

Uma das imagens mais fortes, entre as cenas marcantes no caso da recente agressão sofrida pelo primeiro ministro da Itália é, sem dúvida, a da saída de Sílvio Berlusconi do hospital, em Milão. Alí esteve internado, até quinta-feira, para tratar dos ferimentos no rosto e na alma, decorrentes da estatueta do Duomo atirada sobre ele, por um italiano com problemas mentais, domingo passado, na saída de um ato público na imensa praça em frente à famosa catedral milanesa.

A fotografia de que falo – entre as inúmeras que foram feitas e publicadas no Brasil e no mundo – é uma dessas raridades que grandes profissionais conseguem, as vezes. No caso, o repórter fotográfico Giampiero Sposito, da agência de notícias européia Reuters. Coisa para prêmio, tamanha a sua expressividade e as múltiplas possibilidades de interpretação humana, política e comportamental que oferece. Bem mais até –avalio – que o também impactante registro fotográfico da cara sangrando do polêmico líder político.

Vi pela primeira vez a foto da Reuters no Público, bom e confiável diário da minha predileção, prazer renovado quando vou à Lisboa e posso manuseá-lo na edição impressa, sentado numa das mesinhas de rua de A Brasileira, bar tradicional do bairro boêmio do Chiado, ao lado da estátua do poeta Fernando Pessoa. Com um copo de vinho “Porca de Murça” na mão, o prazer é ainda maior..

Mas a face transformada de Berlusconi ví na edição online do jornal, que acesso na web pelo menos três vezes ao dia, por força do ofício de blogueiro, na sempre formosa (embora cada dia mais violenta) cidade da Bahia, como chamava Jorge Amado. Leio Publico para saber as últimas da romântica cidade à beira do Tejo, na porta de entrada da Europa. O rio que a atriz Maitê Proença confundiu com o Atlântico, no vídeo polêmico mostrado no programa Saia Justa, da GNT, que indignou os lusitanos recentemente e quase os levanta em armas em defesa da honra cívica agredida.

Mas retomo a ponta do novelo para não me perder no meio das lembranças de Lisboa, de Dulce, de Amália, de Zeca Afonso e de Pessoa.

O flagrante que Sposito colheu, do primeiro ministro italiano, é mesmo impressionante. Berlusconi olha os jornalistas e curiosos de dentro do automóvel, na saída do hospital milanês, com destino à sua não menos rumorosa casa de descanso e lazer, nos arredores da cidade da alta costura e do futebol. Deverá permanecer em repouso absoluto, por pelo menos duas semanas, recomendam seus médicos.

A expressão, em geral enigmática de Berlusconi, aparece mais enigmática ainda na fotografia da Reuters. Com rosto cheio de ataduras colado na vidraça traseira do automóvel oficial, o político só bem remotamente guarda algumas atitudes e a aparência do “Il Cavalieri”, tratamento respeitoso que lhe é dispensado por jornais e outros veículos de comunicação em seu país e em Portugal.

O Berlusconi da foto é todo o Fantasma da Ópera, como lembrou ontem, na conversa matinal com o jornalista Ricardo Boechat, o impagável anarquista José Simão, na Radio Band News-FM, transmitida em Salvador. Com todas as ilações políticas, comportamentais, psicológicas (até freudianas) que a comparação com o impressionante personagem da ficção permite.

Este é o ponto. O Fantasma da Ópera da novela francesa, de 1910, criação imortal do escritor Gaston Leroux. Desde a sua publicação, foi adaptada inúmeras vezes para o cinema e produções teatrais, cujo auge é a produção da Broadway, por Andrew Lloyd Webber, Charles Hart e Richard Stilgoe. O musical mais visto de todos os tempos em todo o mundo.

A obra de Leroux é tida por inúmeros analistas como uma “novela gótica” (a expressão é do Wilkpedia), que combina romance, horror, ficção, mistério e tragédia. Uma criação sobre subterrâneos da alma e das relações humanas, cuja ação desenvolve-se no século XIX, na Ópera de Paris, um monumental e luxuoso edifício construído, entre 1857 e 1874, sobre um enorme lençol de água debaixo do terreno.

Tudo a ver com o drama de Berlusconi, destes dias, na Itália, com cenário transposto para a fantástica Milão. A dúvida que se levanta agora é sobre os signos da imagem e das atitudes do líder, duramente agredido em público domingo passado. A nova face de uma tragédia pessoal e política? Ou sacada de mestre dos marqueteiros italianos, a serviço do governo desastrado do primeiro ministro, considerados geniais desde os filmes de Fellini e De Sicca?

O conservador direitista Berlusconi, nas cordas, acusado das mais corruptas, mafiosas e sinistras transações – y otras cositas más – em seu país até a semana passada, de repente tende a virar vítima de agressões, preconceitos e incompreensões de seus “adversários e algozes”.

Uma espécie de Fantasma da Ópera de Milão, tipo ideal para receber a solidariedade, a compaixão e a simpatia do grande público, como o fantasma da Broadway. A conferir.

Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

dez
18
Posted on 18-12-2009
Filed Under (Aparecida, Artigos, Multimídia) by vitor on 18-12-2009


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CRÕNICA / SENTIMENTOS                       

 

                           CUANDO ME ENAMORO

                          Aparecida Torneros*

 

 

Dezembro chegou ao meio e um estado indiferente, morno, pleno de pasmaceira, havia me tomado de assalto, por duas semanas. O esforço repetido de me fazer compreender num mundo tão incompreensível. Kopenhagem fracassada, o clima indo pra cucuia, o mundo em clima de “salve-se quem puder”, meu umbigo pedindo isolamento, o computador desligado, a ausência de inspiração para escrever, a solidão disfarçada pelas aulas de francês, um desgosto estranho que tem sabor de “esse filme eu já vi e morro no final, tô fora”, a saudade da infância, a saudade de risadas ecoando na memória dos dias em que eu nem imaginava que a vida podia ser finita, e também nem questionava a pequenez da sombria face dos egoístas ou dos que desrespeitam seres e natureza, sentimentos e confianças, achei que ia percorrer este dezembro, fugindo de mim mesma, como na música do Roberto, a 200 km por hora.

Nenhuma chance de ir ao shopping e fazer compras natalinas, o desânimo de enfeitar a casa para as festas, uma única vontade, fechar-me em copas, enclausurada no ninho da própria solidão de um final de 2009, pensativo e desconfortante, após perder tios idosos, cansar-me de tantas esperas, decepcionar-me com os conceitos de amor e amizade.

  A gota dágua, um telefonema, de longe, na quase madrugada de uma manhã enevoada. A voz disse “buon jour”, mas o tom era de discórdia, talvez a disputa mais infantil de um triângulo amoroso tão extemporâneo quanto a mediocridade que permeia a história de amores mal resolvidos. O silêncio me invadiu, internamente. Pra que responder, se qualquer palavrinha em nada ia modificar o acontecido?

  Melhor me “desenamorar”, não da vida, pois desta e por esta, estou em constante enamoramento, aliás crescente, no dia após dia… Refiro-me ao desencantamento por criaturas humanas e falhas, como eu, pessoas que são previsíveis e desconcertantes, que fazem parte de um inúmero e retumbante eco dos sonhos não vividos, dos tempos que nem chegam a chegar afinal.

  Mas, o destino prega peças, tripudia previsões, oferece saídas, janelas, abre portas, ilumina caminhos, põe na casa ao lado um olhar de carinho, o de alguém que me fez recomeçar o dezembro, bem no meio, acelerando um repentino estágio de “quero tudo” para a segunda quinzena. Peguei-me sorrindo, internamente, redescobri a canção que fala de se enamorar e dar a alguém o melhor que se tem para dar, sonhos e olhares brilhantes. Como um renascimento pré-vivencial, reconheço a alegria que volta ao meu coração, não posso desperdiçar o resto do ano, com lamúrias e tristezas. Estou pronta para refazer projetos, vejo que o tempo me dá um sobressalto, vou correr atrás do prejuízo, vou enfeitar minha vida, com detalhes de luz e cores.

  Então, eis que o mundo se colore de novo, vou a alguma festa com urgência, compro logo uma bolsa cor de cenoura, não posso fazer por menos, sou personagem do sonho de quem me confessa que me acha “charmosa”, acho que um vulcão me sacode em tempo de corre-corre, imagino-me recuperando o fôlego, acendendo as luzes da casa inteira, o sol renova minha sede de viver, o que terá sido pior do que ter perdido 15 dias sem perpectivas de festejar dezembro?

  Foram dias para refletir sobre escolhas infundadas, momentos que ficaram para trás, e daqui pra frente, lá vem o Roberto de novo, “tudo vai ser diferente”, preciso recomeçar o mês, tenho dias para preencher com música, festa, carinho, amizade, bem naquele tradicional “clima” de um dezembro freneticamente solucionado em termos de esperanças renovadas.

  Lá vou eu, Papai Noel, me aguarde que baixo na sua chaminé e lhe dou de presente um sorriso tao grande que serei capaz de incendiar o futuro de um 2010 bem mais feliz ainda. Boas Festas, feliz resto de dezembro, e obrigada por ter a chance de recomeçar a ser feliz.

  Cida Torneros, jornalista, escritora e cronista, mora no Rio de Janeiro, onde edita o Blog da Mulher Necessária.

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dez
18
Posted on 18-12-2009
Filed Under (Artigos, Olivia) by vitor on 18-12-2009

Saldanha: homenagem no Maraca

Saldanha

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Três toques:

 Maria Olívia

1)    A turma do samba carioca, a exemplo de Alcione, Zeca Pagodinho, Dudu Nobre, Monarco, Arlindo Cruz, entre tantos outros bambas, fará show em prol do grande compositor Walter Alfaiate, na próxima segunda, dia 21, no Circo Voador, no Rio de Janeiro. O sambista, que aos 79 anos ainda precisa cantar e fazer ternos para viver, está internado num hospital público da Cidade Maravilhosa. Ainda dá tempo de participar desta bela homenagem e ajudar este patrimônio da música popular brasileira. Triste país em que seus artistas precisam recorrer a este expediente para sobreviverem.

 

2-  Fechem as cortinas, rápido. No mesmo dia, o presidente Lula vai participar, ao lado do governador Sergio Cabral, da inauguração da estátua do saudoso João Saldanha no Estádio do Maracanã.

3- Exposição em memória do combativo Carlos Marighella está em cartaz no TCA A mostra, traça perfil e a trajetória de vida do líder comunista e ícone da luta contra a ditadura militar Carlos Marighella – morto,  assassinado, é bom não esquecer, há 40 anos -, através de cartas, livros, imagens de arquivo, depoimentos e textos escritos por ele. A exposição está no Foyer do Teatro Castro Alves, Praça Dois de Julho, Campo Grande, de terça a domingo, das 13 às 18 horas, entrada franca até 24 de janeiro de 2010. Simplesmente imperdível.
“Vida que segue”, diria Saldanha
 Maria Olivia, jornalista, é colaboradora do Bahia em Pauta 

dez
17
Posted on 17-12-2009
Filed Under (Artigos, Eventuais) by vitor on 17-12-2009

Aécio e Serra: saída à mineira

CONGRESSO/PSDB

DEU NA REVISTA DIGITAL TERRA MAGAZINE 

 Bob Fernandes

 O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), ao desistir de concorrer à presidência da República em 2010, deixou claro, embora mineiramente, suas diferenças com o governador de São Paulo, e agora quase inevitável candidato do PSDB, José Serra.

A decisão do mineiro de não ser o candidato tucano em 2010 ganhou contorno de definitiva depois de um longo telefonema entre o governador de São Paulo, José Serra, que estava em Copenhague, Dinamarca, e Aécio, em Belo Horizonte.

Disse Aécio Neves na tarde desta quinta-feira, ao ler a carta onde anuncia sua desistência:

– Deixo a partir desse momento a condição de pré-candidato à presidência da República, mas não abandono as minhas convicções e minha disposição para colaborar, com meu esforço e minha lealdade, para a construção das bandeiras da social democracia brasileira.

Aécio esmiuçou, mineiramente, que ainda há algo a separá-lo de José Serra. No caso, as diferenças foram evidenciadas na expressão “tempo da política”.

Segundo o governador de Minas, ele se “propunha a tentar oferecer o novo ao nosso projeto, no entanto, estava irremediavelmente ligado ao tempo da política, que, como sabemos, tem dinâmica própria. E se não podemos controlá-lo, não podemos, tampouco, ser refém dele”.

Sendo ainda mais claro, Aécio Neves encerrou:

– Sempre tive consciência de que uma construção com essa dimensão e complexidade não poderia ser realizada às vésperas das eleições.

Nas duas últimas semanas, o governador de Minas se queixava do prazo, março ou fevereiro, proposto por José Serra e dizia:

– A política em Minas está parada, o processo sucessório paralisado à espera da minha decisão e não há mais como prorrogar isso além do final de dezembro.

Dizia ainda o governador de Minas: “Em março, se ele não for candidato, já será tarde para buscar uma amplitude que, tenho certeza, minha candidatura obteria”.
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Leia íntegra da carta de Aécio neves em Terra Magazine (  http://terramagazine.terra.com.br

dez
17
Posted on 17-12-2009
Filed Under (Artigos, Claudio) by vitor on 17-12-2009

Simone e Paris: perfeita combinação
Simone
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Paris sob a neve de dezembro/ img.Arquivo
neve

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De férias mais que merecidas da redação da revista digital Terra Magazine, em São Paulo, onde trabalha ao lado de Bob Fernandes, o jornalista Claudio Leal passeia por Paris nestes dias de Dezembro do intenso inverno francês – mais intenso ainda para um baiano de Itapagipe.

Na França ou em qualquer lugar onde esteja, porém, Claudio carrega com ele elementos essenciais de sua personalidade e de sua profissão: atitudes gentis, conhecimento e cultura sempre supreendentes (pela idade) e faro jornalístico afinado para o que acontece em sua volta.

Tudo isso está presente no texto da mensagem que ele mandou da capital francesa para o editor deste site-blog. Pedi permissão para compartilhar a mensagem do querido amigo e brilhante colega com os leitores do Bahia em Pauta. Um presente de fim de ano. Confira.
(Vitor Hugo Soares)

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MENSAGEM DE PARIS

Rosas vermelhas para Simone

Vitor,

Minhas devidas licenÇas, pois você não pediu nem nada, mas eu deixei uma rosa em seu nome (e com seu nome) para Simone de Beauvoir, em Montparnasse.

Rosa vermelha, para contrastar com a Paris cinza e azul deste insano dezembro, quando Sarkozy impõe um debate fascista sobre a “identidade nacional” – num artigo mediocre no Le Monde – e a intelectualidade francesa pouco reage a essa ofensiva.

Certamente Simone, ou seu marido – que nada reclamou da rosa do brasileiro -, podera inspirar os imigrantes (antropólogos, religiosos, professores) que se opõem ao debate da direita enragé, muitos deles ouvidos pelo velho Libération.

Deixei a flor com a seguinte inscrição: “De Vitor Hugo Soares para Simone de Beauvoir”. Nada mais escrevi. Mas tirei uma foto que pretendo entregar-lhe no meu retorno ao Brasil.

Claudio

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EM TEMPO: Na manhã desta quinta-feira chegou outra mensagem de Claudio, com a autorização para publicar o texto , acompanhada da notícia:
“Esta nevando em Paris hoje. Transtorno para veiculos, lojistas e pedestres. Mas a cidade fica mais bonita com um manto branco”.

Grande Claudio! Bahia em Pauta agradece poder começar o dia assim. Boas férias. (VHS).

dez
16
Posted on 16-12-2009
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 16-12-2009

Marina: clima e aborto
Marisilva

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Deu na coluna

A senadora Marina Silva (PM), nome de ponta dos ambientalistas e de boa parte das chamadas “esquerdas brasileiras” à sucessão presidencial em 2010, anda atualmente pelos amplos auditórios planetários do Bella Center, em Copenhague, participando dos muitos debates (e ainda nenhuma decisão) da cúpula mundial do meio ambiente e as mudanças climáticas.

Ali, a morena Marina trafega com segurança e conhecimento perfeito do terreno onde pisa, feliz como aquele pinto no lixo de que falava o saudoso sambista Jamelão. Bem ao contrário da ministra Dilma Rousseff, forte concorrente à sucessão de Lula, que pisa em ovos e comete gafes em suas andanças aatuais pelo reino da Dinamarca.

Ao retornarao seu País, a verde Marina deverá se defrontar com debate em terreno também minado, mas no qual ela não transita com a mesma segurança, embora igualmente crucial para sua candidatura : o aborto

É este o tema que Ivan aborda com a segurança e argúcia provocativa de sempre em sua coluna de hoje na TB, que Bahia em Pauta reproduz.

(Vitor Hugo Soares)

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OPINIÃO POLÍTICA

ABORTO E AMBIENTE

Ivan de Carvalho

Apesar de atuar na contra mão do que deseja seu filiado e ministro da Cultura, o Partido Verde decidiu que terá candidato próprio a governadores. Na Bahia, está decidido que este candidato será o deputado Luiz Bassuma, presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Vida, Contra o Aborto.

Luiz Bassuma foi condenado pelo PT, que tem posição oficial a favor da liberação do aborto. Ele não admitiu essa intervenção do PT em sua consciência e em suas convicções religiosas e desligou-se da legenda.

De repente, por outros motivos, sai do PT e ingressa no PV a ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, que sem demora se torna candidata a presidente da República. Marina Silva é evangélica e, como tal e por convicção pessoal, também é, como Luiz Bassuma, contrária à liberação do aborto.

Sua candidatura presidencial não tem chance de vitória eleitoral. Mas tende a instaurar, talvez necessariamente instaure, dois debates importantes na campanha para a presidência da República.

Um deles, a questão do meio ambiente, à qual, como a tantas outras, o governo federal dá uma importância irrelevante se considerada à que o assunto merece. Basta ver a estrutura montada para combater o desmatamento da Amazônia com a estrutura que seria adequada para obter bons resultados e se terá uma idéia da desconsideração oficial em relação ao assunto.

Marina Silva deverá insistir nesse tipo de coisa e a candidata do PT, Dilma Rousseff, já percebeu o perigo. Daí as declarações incisivas de Rousseff sobre o meio ambiente, em Copenhague. Some-se ao tom um tanto irado das declarações da candidata petista o fato de que mais apropriado seria falarem sobre o assunto, na capital da Dinamarca, os ministros do Meio Ambiente e das Relações Exteriores, além, claro, do presidente Lula. Dilma estava lá fazendo campanha eleitoral. O fato de Marina Silva, como Dilma Rousseff, também ser uma mulher incomoda a candidata petista.

O outro debate relevante que a candidatura de Marina Silva deverá suscitar será sobre o aborto, o direito à vida da pessoa ainda não nascida, que está no ventre da mãe aguardando o tempo da natureza, em contraposição ao suposto direito da mãe de fazer o que quiser com o próprio corpo.

Com o próprio corpo, pode-se até discutir. Mas tentar justificar e liberar a imposição de sentença de morte a outra pessoa, indefesa e inocente, o nascituro, está bem pra lá de escandaloso e criminoso. Marina dirá que é contra esse crime, espero que o faça com a maior insistência possível e exija, com a mesma insistência, que seus concorrentes – Dilma, Serra ou Aécio, Ciro e mais quem houver – digam ao eleitorado, sem disfarces, quais suas disposições a respeito.

Luiz Bassuma, que entra como candidato a governador da Bahia com a missão de construir um palanque para Marina em nosso estado, deve fazer o mesmo em relação aos seus concorrentes na Bahia e tem boas condições de ajudar a candidata do PV a presidente a sustentar este debate em âmbito nacional.

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