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Saudade eterna do velho Simona. Bom sábado para leitores e ouvintes do BP.

(Gilson Nogueira)

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BOM DIA!!! BOM SÁBADO PARA TODOS OS LEITORES E OUVINTES DO BP

(VHS)


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OPINIÃO POLÍTICA

Impostos sem remédio

Ivan de Carvalho

Durante a campanha eleitoral que a levou à Presidência da República, a presidente Dilma Rousseff prometeu baixar os impostos dos medicamentos. O poder público toma quase 40 por cento dos preços dos medicamentos, assim impulsionando-os para cima.

Em um país em que a grande maioria da população é pobre ou miserável e onde o governo, papagaiado pela mídia, acaba de inventar que existe uma nova classe média chamada de Classe C – que na verdade é uma classe pobre um pouco envernizada – a promessa da então candidata e hoje presidente da República certamente repercutiu muito bem entre as muitas dezenas de milhões de eleitores miseráveis, pobres e pobres envernizados.

Mas depois que assumiu o cargo de presidente, Dilma Rousseff não tomou ainda a iniciativa de voltar ao assunto. Isso é compreensível por dois motivos.

O primeiro é que Dilma Rousseff encontrou, ainda que por gratidão ao antecessor (não pela herança) não confesse, uma herança maldita escondida antes e que começou a aparecer depois das eleições.

Anunciou então um corte de R$ 50 bilhões no orçamento federal e quem se lança a uma empreitada destas certamente não está propensa a reduzir impostos seja lá do que for. Só o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, tocou no assunto, mas assim bem por de sobre lá pelo alto, aproveitando para avisar que a promessa de Dilma não faz parte da reforma tributária em suposta discussão no país, mas, que bom, está sendo discutido nos setores de saúde do país.

O segundo motivo que explica o mutismo presidencial pós-eleitoral sobre a redução dos impostos sobre os medicamentos é uma tradição brasileira: a de, sempre que possível – e quase sempre é possível – aumentar os impostos para poder aumentar os gastos e não reduzir as despesas, mesmo que sejam plenamente redutíveis.

Mas se Dilma Rousseff não voltou ao assunto (pelo menos publicamente) o deputado federal José Antônio Reguffe, do PDT do Distrito Federal, resolveu tomar iniciativa radical e, com toda a certeza, mais justa do que a prometida por Dilma quando estava em campanha eleitoral. Reguffe apresentou um projeto de lei que pretende extinguir os impostos sobre todos os medicamentos, sejam os produzidos no Brasil, sejam os importados.

O objetivo óbvio, que ele se dá ao trabalho de explicar, é o de ampliar o acesso da população a esses produtos de primeira necessidade. E acrescento que seria uma maneira de o Estado brasileiro cumprir uma parte da obrigação que lhe impõe a Constituição da República, de assegurar a todo brasileiro o direito à saúde, razão que também explica a existência do SUS.

A Associação dos Laboratórios Farmacêuticos Nacionais informa que, em média, 35,7 por cento do preço que o consumidor paga na farmácia são representados pelos impostos. Henrique Teda, diretor técnico executivo da entidade, afirma que em muitos países a tributação varia entre zero e cinco por cento.

Convém, no entanto, fazer duas breves observações. Uma é que àquela média nacional de 35,7 por cento de impostos sobre os medicamentos devem ser acrescentado o IPTU sobre os imóveis das farmácias, depósitos e indústrias de medicamentos e um monte de taxas também cobradas pela esfera municipal de poder. Com isso a média, já intolerável, sobe mais ainda.

O deputado Reguffe pediu à Receita Federal um levantamento e concluiu que a extinção de todos os impostos sobre medicamentos faria pouca diferença no Orçamento da União. Seriam R$ 3,3 bilhões, correspondentes a 0,16 por cento da arrecadação federal. Claro que a isso teriam de ser acrescentados os impostos estaduais, a exemplo do ICMS, que segundo Fernando Steinbruch, diretor do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário, corresponde à metade do total de impostos incidentes sobre os medicamentos.


Ministro Jobim: “fui amanuense de Fernando Henrique”
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ARTIGO DA SEMANA

JOBIM, O AMANUENSE DE FHC

Vitor Hugo Soares

As embaraçosas e polêmicas confissões do ministro da Defesa, Nelson Jobim (PMDB), sobre suas relações com os dois nomes da linha de frente da oposição nacional – Fernando Henrique Cardoso e José Serra -, na estreia do programa “Poder e Política – Entrevista” (parceria da UOL e da Folha), merecem figurar com louvor entre os destaques desta semana no País.

A entrevista do ministro de FHC, Lula e agora do governo Dilma, conduzida pelo jornalista Fernando Rodrigues, do grupo Folha, superou em muito os limites do simples trabalho profissional bem executado. Foi, além disso, uma realização quase completa na proposta de fugir às obviedades apelativas – cada vez mais comuns em programas do gênero – e focar no essencial, jornalisticamente falando: arrancar informação relevante, gerar fatos e, ao mesmo tempo, dar o que pensar e falar ao ouvinte ou leitor.

A conversa de Jobim com Rodrigues, escutada em Salvador pelo redator destas linhas, fez mais: conduziu a memória às nuances mais intrincadas do personagem-título do romance do mineiro Cyro dos Anjos, “O Amanuense Belmiro”, que considero desde as primeiras leituras na escola secundária um dos mais complexos e interessantes no rico e diversificado cardápio de figuras da literatura brasileira.

Transposto para o universo complicado do poder e da política no Brasil atual, isso vale também para o gaúcho ministro da Defesa. Não adianta disfarçar: vaza por todos os cantos o conhecimento de que nomes de peso e da primeira linha do petismo nacional, aparentemente tolerantes na superfície, viram araras quando o nome de Nelson Jobim vem à baila em conversas nas esferas mais altas do partido e nos gabinetes mais poderosos do governo Dilma.

A pinimba cercada de desconfianças mútuas é antiga. Começou a agravar-se, porém, no episódio traumático do afastamento do ministro Waldir Pires (PT-BA), com a participação direta da então ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e mais direta e agressiva ainda da ex-chefe de gabinete e depois ministra defenestrada em meio a um dos muitos escândalos recentes da República, Erenice Guerra.

Mas a questão ganhou foro de guerra surda a partir de um caso bem mais recente. A ainda mal explicada expressão “idiotas”, introduzida pelo ministro da Defesa em seu discurso de tributo rasgado ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, na cerimônia de homenagem pelos 80 anos do presidente de honra do PSDB, realizada no Congresso. No recinto, com a presença de parlamentares de proa do PT, até os próprios tucanos foram mais contidos que Jobim nas palavras e gestos de exaltação ao seu guru político e partidário.

Na entrevista de enorme repercussão esta semana, o ministro apesar de todo bafafá à sua volta nos núcleos do poder atual, parecia com vontade de entoar a todo momento a popular canção de enorme sucesso na interpretação de uma cantora do Rio Grande do Sul: “Tô nem aí”.

De certa maneira o gaúcho grandalhão, com fama de valente, fez isso em suas respostas ao entrevistador. E não apenas ao abrir com toda clareza e sem titubeios o seu voto para presidente no ex-governador de São Paulo José Serra, na eleição de 2010, vencida por Dilma Rousseff. Segundo Jobim, isso não era segredo para ninguém no governo, muito menos para Lula e Dilma, desde que ele decidiu ficar fora da campanha, “por motivos pessoais e institucionais” expostos diretamente em conversa “na lata” com o ocupante da principal cadeira de mando na época.

Foi liberado por Lula da campanha, depois de explicar a estreita ligação afetiva com o candidato tucano: “O Serra foi meu padrinho de casamento, eu morei com ele algum tempo aqui em Brasília. Quando vou a São Paulo normalmente eu janto com ele, vou ao Palácio (dos Bandeirantes) com minha mulher, nos damos muito bem”. Ponto.

Quanto ao amigo FHC, o ministro da Defesa foi ainda mais explicito e surpreendente ao falar sobre sua relação com o ex-ocupante do Palácio do Planalto, de cujo governo foi ministro da Justiça e de onde saiu para o Supremo Tribunal Federal, na única indicação de FHC para o STF.

“Tendo em vista as relações do PMDB eu tinha uma grande integração com o Fernando (Henrique).Trabalhei com o Fernando também, na Constituinte. Servi como uma espécie amanuense de Fernando Henrique, se essa expressão ainda significa alguma coisa para você e os ouvintes”, ressaltou o entrevistado dirigindo-se a Fernando Rodrigues, no único momento da entrevista em que o ministro demonstrou preocupação de não ser bem entendido em suas palavras e intenções.

A expressão amanuense, por acaso ou não, foi expurgada na publicação “da íntegra” da entrevista no portal da Folha.com/UOL, substituída pela palavra “assessor”, também utilizada pelo ministro de Dilma para falar da relação pessoal e política com FHC. Uma pena para quem admira o escritor mineiro Cyro dos Anjos e a sua obra-prima “O Amanuense Belmiro”, como este ouvinte à distância da entrevista.

Amanuense, diga-se, é muito mais do que um simples assessor, figura que grassa atualmente em qualquer esquina da burocracia oficial. Por força de sua origem, a palavra designa qualquer pessoa que copia textos ou documentos à mão, o que praticamente não existe mais em tempos cibernéticos, a não ser nos resistentes cartórios da Bahia.

Mas preserva ainda o significado simbólico da palavra originária do latim amanuensis, por sua vez, como explica a Wikipédia, derivada da expressão latina “ab manu” (à mão). Assim como o personagem do romance famoso. Ou o ministro Nelson Jobim em sua relação com Serra e FHC. Ou não?

Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br


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BOA NOITE!!!


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BOM DIA A TODOS!!!

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OPINIÃO POLÍTICA

Um povo envenenado

Ivan de Carvalho

Nos Estados Unidos, o povo está envenenado pela alimentação fast-food, que surgiu com o objetivo de ser uma comida rápida, mas atualmente já é por muitos degustada com toda a calma e em quantidades ilimitadas. Daí que, por causa disto, da grande quantidade de refrigerantes que ingere (frequentemente puxados pela alimentação fast-food), o norte-americano é o povo mais obeso do planeta.

Nos EUA, a obesidade tornou-se uma avassaladora epidemia, uma doença-mãe geradora de várias outras e responsável pela queda na qualidade de vida de muita gente, grande parte desta com alto padrão econômico. No Brasil, nós que sempre fomos afeitos a assimilar culturas alheias, estamos no limiar de uma epidemia de obesidade semelhante à americana.

Aderimos amplamente ao fast-food e vale notar que as crianças e adolescentes lideram a marcha para essa alimentação, os hamburgers, chesburgers, hot-dogs e afins, complementados pela contribuição italiana das pizzas, que leva a resultados parecidos, embora não iguais.

Assim, do veneno que eles, norte-americanos, comeram, estamos nós, brasileiros, cada vez mais comendo. Como se isto não bastasse, estamos acrescentando ao veneno fast-food (vamos chamá-lo assim, para simplificar) outro tipo de veneno que não é encontrado apenas nessa espécie de alimentação, mas em muitas outras que, de outro modo, poderiam ser consideradas saudáveis.

O Brasil tem menos de 200 milhões de habitantes. Estamos aí na casa dos 190 milhões. Os Estados Unidos passaram dos 300 milhões, aproximam-se dos 310 milhões. E, na média, um americano come mais, por dia, do que um brasileiro. É verdade que eles exportam grande quantidade do alimento que produzem, mas também é verdade que nós, brasileiros, também fazemos isso.

Dentro desta conjuntura, é razoável que os americanos usem mais agrotóxicos (que a linguagem comercialmente correta chamaria de defensivos agrícolas), em termos absolutos, do que os brasileiros. E que o lucro desse comércio de agrotóxicos seja bem maior lá do que aqui.

Mas parece que o nosso país tem mania de grandeza. Quer ultrapassar o vizinho do norte. De acordo com reportagem distribuída pela Agência Pulsar, “o Brasil deve ultrapassar os EUA na arrecadação com vendas de defensivos agrícolas”. A estimativa é de que haverá um crescimento de 10 por cento no mercado brasileiro de agrotóxicos, com vendas no valor aproximado de R$ 12,4 bilhões.

Mas anotem. Segundo estudo elaborado pela consultoria alemã Kleffmann, o consumo de agrotóxicos pelos produtores americanos teve uma queda de seis por cento entre 2004 e 2009. No Brasil, no mesmo período, houve um crescimento de 1,5 por cento. O que, feitas as contas, dá uma diferença de 7,5 por cento a favor da saúde dos americanos. É claro que nem todos os agrotóxicos, aqui ou nos EUA, são usados em lavouras de comestíveis. No Brasil, por exemplo, o uso desses venenos se concentra muito na soja, comestível, com 44 por cento, e no algodão, com 11 por cento (depois podemos plantar feijão na terra envenenada onde esteve o algodão com agrotóxicos).

Mas agora saímos do território do erro para ingressar no da irresponsabilidade e no crime consciente contra a saúde pública.

O Brasil é o principal destino de agrotóxicos proibidos no exterior. De acordo com dados da ONU, diz a Agência Pulsar, pelo menos dez variedades vendidas livremente aos agricultores brasileiros não são mais usadas na Europa e nos Estados Unidos.

Mas isso não deve deixar ninguém surpreso. Todo mundo que quis saber já sabe que o Bisfenol A é uma substância cancerígena. Ela é usada, no Brasil, nas latas de refrigerantes e cervejas e nas garrafas plásticas tipo pet. Em outros países, a exemplo dos Estados Unidos e dos países europeus, já foi proibida. No Brasil continua permitida. Explicação extremamente fajuta e inaceitável dessa incrível Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária): não podemos proibir sem mais aquela porque os acordos do Mercosul nos impedem fazer isso sem que haja um consenso.

E fiquem de câncer os brasileiros à espera do consenso que um dia virá para, talvez, curá-los.


Uma das paisagens urbanas mais famosas do Brasil, o Pelourinho, em Salvador (BA), pode ganhar um palco milionário para shows; opositores do projeto veem risco de mutilação do centro antigo/TM
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CLAUDIO LEAL

O Ministério Público Federal (MPF) da Bahia vai investigar o projeto de um “palco articulado” milionário no Pelourinho, no centro histórico de Salvador, a partir da denúncia feita pelo ex-diretor regional do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) Fernando da Rocha Peres, em entrevista publicada por Terra Magazine. Peres expôs o risco do projeto para o conjunto arquitetônico considerado patrimônio da humanidade pela Unesco.

Nesta quinta-feira (28), o caso foi distribuído para a procuradora Bartira de Araújo Góes, no ofício de meio ambiente e cultura. No final da tarde, ela decidiu abrir um procedimento administrativo e, como primeira iniciativa, pedir informações ao Iphan.

Em 19 de julho, o Diário Oficial da União abriu a licitação do palco – projetado em formato de gaveta -, de autoria do arquiteto Pasqualino Magnavita, com valor de R$ 4.719.649,93 e avalizado pelo Ipac (Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural).

O chefe de gabinete do Iphan na Bahia, Mateus Morbeck, diz que o órgão fez pequenas exigências ao projeto, aprovado em sua versão prévia. O Escritório Técnico (Etelf), composto por representantes do Iphan, da Prefeitura de Salvador e do governo do Estado, avaliará a formatação final da obra.

“O estudo preliminar foi aprovado. O Iphan fez as avaliações e foram feitas algumas exigências que estão sendo cumpridas. Conceitualmente, o Iphan não tem o que se opor”, diz Morbeck. Procurado por Terra Magazine, o superintendente regional do órgão de proteção ao patrimônio, Carlos Amorim, não concedeu entrevista.

Na quinta-feira, 21 de julho, a assessoria do Ipac afirmou que as obras tinham a aprovação do Iphan. O diretor do organismo estadual, Frederico Mendonça, também evitou dar entrevista. Esperava-se o pronunciamento em conjunto dos secretários de Turismo e de Cultura, além da chefia de gabinete do governador Jaques Wagner (PT). A coletiva estava prevista para esta semana. Em 2010, uma versão preliminar do projeto foi divulgada no YouTube e indicava a construção de um prédio moderno em meio às construções seculares.

Projeção do palco no Pelourinho, divulgada em 2010 pelo governo da Bahia

“Gavetão”

Reformado no governo de Antonio Carlos Magalhães, na década de 1990, o Pelourinho vive uma crise de violência, crescimento do crack e decadência do comércio. O governo de Jaques Wagner criou um escritório para conduzir as intervenções no centro da primeira capital do Brasil. Até agora, a iniciativa de maior vulto é o projeto milionário do palco “gavetão”, projetado para abrigar shows e espetáculos no Largo do Pelourinho, onde estão a Igreja do Rosário dos Pretos e a Fundação Casa de Jorge Amado.

Especialista em patrimônio e professor emérito da Universidade Federal da Bahia, Fernando da Rocha Peres se indigna com o risco de mutilação de uma das mais importantes paisagens urbanas do País. “A vibração é tão intensa que vai detonar o casario e a igreja. Esse palco é para iludir a população, mais uma vez, com festas populares”, ataca. Peres critica o comportamento dos jornais baianos, que se omitem na polêmica sobre o Pelourinho. “Os jornais locais preferem ignorar esse assunto”, lamenta. Ele afirma que o palco agravará a “destruição da velha Salvador”.

Numa reunião na Academia de Letras da Bahia, o abade do Mosteiro de São Bento, Dom Emanuel D’Able, relatou que os beneditinos retiram as obras-de-arte do museu, na semana do Carnaval, para evitar a destruição das peças durante a passagem dos trios elétricos, no circuito da avenida Sete de Setembro. Os críticos do palco milionário evocam essa ameaça ao Pelourinho e questionam a prioridade da obra, pois o processo de arruinamento se acelerou em centenas de casarões da cidade histórica.

Decoração

A montagem da nova sede nacional do Iphan, no Edifício Lucio Costa, em Brasília, expôs outro foco de polêmica na Bahia, apesar de desmentidos do instituto. Terra Magazine apurou que uma parte do mobiliário da Casa dos Sete Candeeiros, um palacete do século XVIII, em Salvador, foi preparada para ser conduzida à sede nacional. O Iphan da Bahia, responsável pela guarda dos móveis e da imaginária do prédio, onde funciona o setor de restauração e arqueologia, negou ter definido o envio das peças, mas admitiu a existência de uma demanda.

A assessoria de comunicação do Iphan, na capital federal, desmente a existência do pedido de transferência e de qualquer documento. O presidente do instituto, Luiz Fernando de Almeida, teria conduzido apenas “uma conversa quase que informal” com superintendências estaduais, para averiguar a “representatividade” das peças históricas de diversas regiões do País, com levantamentos fotográficos.

“Tomei até um susto. A gente não tem conhecimento dessa transferência do mobiliário. Recebemos uma consulta da presidência do Iphan, que está montando a nova sede em Brasília. Eles estão consultando o Brasil todo, para que a nova sede do Iphan tenha peças que sejam representativas de todo o patrimônio cultural do Brasil. Mas ainda não foram definidas quais peças serão”, garante Mateus Morbeck, o chefe de gabinete do Iphan-BA.

Segundo o técnico, não é “verídico” que os móveis estejam embalados. “Não foi fechado que material vai, quanto tempo vai ficar. Por isso, achei estranha essa informação de que estejam embalados pra levar. Me causa surpresa”, acrescenta Morbeck.

O historiador Fernando da Rocha Peres identifica uma ameaça ao patrimônio baiano nas movimentações do Iphan. “É estranho porque, anteriormente, isso seria inconcebível. Nem no período da ditadura militar aconteceu algo desta natureza. Quando ocorria a saída de uma peça, era por empréstimo, por pouco tempo. Uma ou duas peças para uma eventual exposição. Se as peças, que vão sair da Bahia, são para decorar a nova sede do Iphan em Brasília, me parece estranho e indevido, porque vão retirar objetos que pertencem à cultura e à história da Bahia. Isso pode significar, quem sabe, até um desaparecimento desses objetos, como tem acontecido. É inadmissível que este governo federal, que se diz tão sério e correto, permita uma coisa desta natureza”, Peres contesta.
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Projeto do Gavetão do Pelô/Img.TM

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Leitores e ouvintes do Bahia em Pauta:

Desculpem a ausência do editor do BP de suas funções esta tarde de quinta-feira, mas posso garantir que a parada foi por motivo justo e razões de sentimentos impossíveis de fugir, ainda mais tratando-se de românticos à moda antiga.

Bem, este é o nariz de cera do jargão jornalístico. O fato é que depois do almoço liguei a TV exatamente no momento em que o canal privado Cult começava a representar um dos meus filmes mais apreciados desde sempre: “Os Yankees estão Chegando” (Soldier), co-produção anglo-americana, dirigida por John Schelsinger, com super elenco de notáveis atores e atrizes dos dois países, a exemplo de Vanessa Redgraves e que marca o início da carreira de Richard Gere.

O tema é simples assim: Durante a Segunda Guerra Mundial os Estados Unidos estabeleceram bases militares na Grã-Bretanha como parte do esforço de guerra. Muitos britânicos não gostaram muito da chegada dos ianques impetuosos em seu território, mesmo como aliados, especialmente quando os soldados faziam avanços sobre as “meninas solitárias” da Grã Bretanha, algumas cujos namorados também estavam longe,combatendo.

Bem, mais não conto para não estragar o prazer de quem ainda não viu este belissimo filme e pode fazê-lo. Se achar uma cópia em boa locadora, não perca. Este editor recomenda, fervorosamente!

A trilha sonora é uma maravilha à parte. Para provar, aí vão duas versões da música-tema “I’ll Be Seeing You”: uma original do filme, com a orquestra de Tommy Dorsey e Frank Sinatra como crooner. A outra, com letra, interpretada pela insuperável Billie Holiday. Confira.

(Vitor Hugo Soares)


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BOM DIA!!!

João Durval: batalha em Feira de Santana

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OPINIÃO POLÍTICA

Durval e a sucessão em Feira

Ivan de Carvalho

O prefeito de Feira de Santana, Tarcízio Pimenta – eleito pelo Democratas, cujo líder mais popular no município é o ex-prefeito José Ronaldo, cujo apoio foi decisivo para que Pimenta chegasse, e com facilidade, ao seu atual cargo – quer repetir o mandato.

Ocorre que José Ronaldo pretende disputar a prefeitura nas eleições do ano que vem e ele tem o controle do Democratas, que não pode ter dois candidatos a prefeito. Como Tarcízio não se conforma em devolver o cargo a José Ronaldo, salvo se por eventual e bem possível imposição do eleitorado, ele precisa sair do DEM.

Então, para onde ir? Tarcízio sempre foi políticamente ambicioso e ousado, estas são duas qualidades que ninguém lhe pode negar. Atua como sugere seu nome, pimenta. Assim, decidiu futucar o cão com vara curta. Ou, numa linguagem mais amena, decidiu ingressar no PDT, exatamente o partido ao qual está filiado o senador João Durval, cuja origem e grande parte da história política estão sediadas em Feira de Santana.

O senador, embora já em idade avançada e provavelmente sem planos de disputar futuras eleições, não estará feliz com a circunstância de cair de pára-quedas na seção municipal feirense de sua legenda uma liderança que com toda a certeza vai dividir com a dele a influência na sessão municipal e, mais do que isto, acabará influindo mais.
Outro motivo de irritação do senador João Durval deve estar ligado aos planos políticos do filho e deputado federal Sérgio Carneiro, do PT. Sérgio admite que, se as circunstâncias forem favoráveis, seu nome estará aí à disposição para candidato a prefeito de Feira. Acontece que o PT tem um outro nome em campo, o do deputado estadual Zé Neto, líder do governo na Assembléia Legislativa.

Mas a eventual candidatura de Sérgio Carneiro a prefeito talvez seja apenas uma estratégia. O plano para valer seria o de ser indicado pela bancada federal do PT para ministro do Tribunal de Contas da União, para o que currículo e méritos não lhe faltam. Se ele quer isso, alguma movimentação em torno de uma eventual candidatura a prefeito de Feira pode ter algum peso a favor do verdadeiro objetivo – abrir mão do objetivo eleitoral para ganhar apoios à pretensão de ir para o TCU.
Nesse caso, a irritação do senador com a maneira como o ingresso de Tarcízio Pimenta no PDT foi tratado, sem que ele, senador, fosse consultado ou tivesse suas opiniões levadas em conta, pode ter algo a ver com os planos do filho Sérgio. Algo, mas não tudo.

É evidente que, como ex-prefeito de Feira de Santana duas vezes, ex-governador, um dos três senadores pela Bahia – como os outros dois, integrado à base do governo Jaques Wagner –, João Durval, com a forte simpatia de que ainda desfruta junto ao eleitorado de toda a região do sisal e de boa parte dos funcionários públicos da Bahia, considera-se com direito a influir nas decisões de seu partido, o PDT, bem como a ser tratado com deferência.

Pelo conteúdo e termos da extremamente incômoda nota que emitiu ontem, não lhe foram dados, na sua opinião, nem o direito nem a deferência. Quanto à saída a curto ou médio prazo do PDT, não pode, ainda que queira, sob pena de perda do mandato de senador, do qual ainda tem pela frente três anos e meio. A não ser que o partido se comprometa formalmente, por documento irretratável, a não reivindicar judicialmente sua cadeira. Mas não há este compromisso.

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