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20
Posted on 20-03-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 20-03-2010

Em seu artigo da edição deste fim de semana (sábado e domingo) na Tribuna da Bahia, o jornalista político Ivan de Carvalho também observa as andanças do deputado Ciro Gomes, PSB-CE. Até aqui é ele o nome mais cotado dos socialistas para disputar a presidência da República, mas que o presidente Lula e seus aliados sonham em ver candidato ao governo de São Paulo, para atrapalhar mais a vida do tucano José Serra, e asfaltar o caminho da ministra Dilma Rousseff para o Palácio do Planalto na aleição qeu vem aí. Para Ivan, Ciro corre o risco de de ficar sem legenda para disputar a presidência ou qualquer outra coisa, pois afirmou, esta semana, que deputado nunca mais. Bahia em Pauta reproduz o texto do colunista da Tribuna.
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Mercadante:empurrado para a forca paulista

(VHS)

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CIRO PODE FICAR SOBRANDO

Ivan de Carvalho

Esta semana o PT – que teve a alegria de comemorar alguns resultados de sua candidata, Dilma Rousseff (ainda que não todos) na pesquisa eleitoral do Ibope feita sob encomenda da Confederação Nacional da Indústria – também sofreu um revés. O partido e o presidente Lula queriam porque queriam que Ciro Gomes fosse candidato a governador de São Paulo. Ele não deverá ser e o PT já desistiu e prepara Mercadante para a missão suicida.

Atendendo a inúmeros pedidos e a pressões de seu partido, o PSB, Ciro Gomes chegou, há alguns meses, a transferir seu título eleitoral do Ceará, estado que já governou e que é o núcleo de sua base política (seu irmão, Cid Gomes, é o atual governador cearense) para São Paulo. Cedeu nas preliminares, mas se manteve firme na decisão.

Explicando melhor. Lula e o PT estão assim meio no mato sem cachorro quanto à eleição para o governo de São Paulo, de longe o maior colégio eleitoral do país (25 por cento do total do eleitorado) e o estado mais importante da Federação, nos aspectos demográfico e econômico. Consequentemente, também no aspecto político.

O Mensalão do PT devastou, política e popularmente, as principais lideranças do partido em São Paulo, bastando citar o ex-presidente nacional da legenda e ex-ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu e o ex-presidente nacional do PT, José Genoíno. Sobrou o ex-prefeito de Ribeirão Preto e então ministro da Fazenda Antonio Palocci, mas então explodiu aquele Caso da Mansão Bem Assombrada e o arrombamento, na CEF, do sigilo bancário do caseiro da mansão, Francenildo, que dera com a língua nos dentes. E, embora assegurando que não solicitou a ilegal quebra do sigilo do Francenildo – um cidadão comum como qualquer outro, o que, na época (ah, povo esquecido) criou um sentimento de revolta arrasador – afogou-se o então ministro.

Restou na proa do PT paulista, para fins eleitorais, o segundo time:

O honrado Eduardo Suplicy, que nas eleições de 2006 para senador levou um enorme susto do concorrente Afif Domingos – e que voltou ao Senado para envergar um cuecão vermelho por cima do terno em protesto por causa de alguma coisa.

A ex-prefeita e cansadíssima de guerras e derrotas Marta Suplicy, que deverá disputar uma cadeira no Senado. A outra cadeira ainda não tem aspirante firmado, do lado lulista. Talvez seja candidato alguém de um partido aliado. É o lógico.

E – voltando ao PT – restou também o senador Aloísio Mercadante, figura respeitável que renunciou à liderança do PT no Senado, mas não renunciou, então renunciou irrevogavelmente, até que irrevogavelmente anunciou que não renunciaria. E que não vai por gosto disputar o governo paulista, por imaginar que perde para o ex-governador Geraldo Alckmin, do PSDB, mas mesmo assim foi empurrado para a disputa pelo cargo hoje ocupado pelo governador José Serra, por falta de alternativa para o PT. Mercadante queria disputar a reeleição para o Senado.

Pois a alternativa a Mercadante era, no planejamento de Lula e do PT, Ciro Gomes, aliás um inimigo ostensivo do governador e candidato tucano a presidente José Serra. Mas Ciro tem dado todos os sinais de que só quer mesmo disputar a sucessão de Lula, nada de governo paulista. Problema dele. Tira votos de Serra, é verdade, mas o governo está com a idéia de uma eleição plebiscitária, radicalizada entre Serra e Dilma (representando a comparação entre os governos FHC e Lula). O partido de Ciro, o PSB, é presidido e dominado pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos, que só faz o que Lula quer. Daí que Ciro pode ficar sem legenda para disputar a presidência ou qualquer outra coisa, pois afirmou, esta semana, que “deputado nunca mais”.

mar
20
Posted on 20-03-2010
Filed Under (Artigos, Vitor) by vitor on 20-03-2010

Ciro esquenta disputa presidencial

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ARTIGO DA SEMANA

SAI DE BAIXO QUE LÁ VEM CIRO

Vitor Hugo Soares

Fixo minha parabólica baiana de mais longo alcance na direção do sul do País e sintonizo em São Paulo. Mais exatamente na página principal da revista digital Terra Magazine, onde o editor-chefe e repórter em tempo integral, Bob Fernandes, que vi dar os primeiros passos na redação da sucursal do JB (rádio e jornal), em Salvador – e depois andar a passos cada vez mais largos com Ricardo Noblat, na revista Veja – faz o que mais gosta e sabe: jornalismo político.

Bob levanta a lebre escondida sob os tapetes elegantes do PSB. Destampa o caldeirão de uma trama ainda meio submersa mas já com a cauda de fora quanto aos objetivos: afastar o mais rapidamente possível a candidatura à presidência da República do deputado Ciro Gomes (PSB-CE), sempre inquieto, imprevisível, língua solta. Isso significaria manter a campanha que se aproxima restrita ao governador de São Paulo, José Serra, e a ministra petista Dilma Rousseff. A Verde senadora Marina Silva correndo bem por fora para emprestar credibilidade internacional à disputa.

Assim a campanha poderia rolar praticamente o tempo inteiro no planejado estuário insosso, livre de surpresas, sem debates que mereçam este nome. Típico das disputas plebiscitárias tão do agrado das forças que contam de fato e que seguram as rédeas da política e da economia cabocla. Bem na linha leopardiana da transição do Império para a República na Itália: “É preciso mudar alguma coisa para deixar tudo como está”.

O problema – se é que isso é mesmo um problema – é que Ciro Gomes parece decidido a “melar” os planos de petistas e tucanos na sucessão presidencial, para usar uma expressão bem ao estilo do político cearense, personagem principal destas linhas.

Na Bahia, há uns dois meses, já dava para desconfiar Do jogo para apresentar Ciro como um estorvo maior que o da trama do livro de Chico Buarque. Desde os primeiros movimentos das pedras no Estado com vistas às composições para a sucessão de Lula, no Planalto, e do governador Jaques Wagner, em Ondina, circulavam no ar aqueles ruídos de fuxico bem sertanejo, onde se conta a história e a fonte permanece escondida no escuro.

Esta semana, porém, Terra Magazine desencavou peças fundamentais do tabuleiro da história que mistura malandragens com ameaças explícitas de traição ao socialista de Sobral, rápido no gatilho e eficiente (embora desastrado às vezes quando exagera no ataque como aconteceu em campanha passada no pega com um ouvinte da Rádio Metrópole em Salvador) tanto no debate quanto no bafafá.

Ciro Gomes reúne em um mesmo personagem a sagacidade e capacidade de argumentação dos acadêmicos treinados em política e economia na Universidade de Harvard, aliado ao instinto de caubói de faroeste que não nega nem as origens nem o jeito de falar sertanejos, embora tanto se esforcem para fazer dele um paulista talhado para governar o Estado mais rico do País.

Esta semana, quando o jornal Valor Econômico perguntou por que ele transferiu o título de eleitor para São Paulo, foi direto ao ponto: “Porque Lula pediu”.

De volta a Terra Magazine: desde a última terça-feira crescem as informações e também rumores dos movimentos dentro do PSB a favor e contra a manutenção da candidatura de Ciro Gomes à presidência da República. A reação mais emblemática veio de Pernambuco, no comentário do governador Eduardo Gomes – neto dileto de Miguel Arraes e uma das lideranças mais ilustres dos socialistas no País – a propósito de opiniões de Ciro sobre as alianças do PT na sucessão.

Eduardo Campos afirmou que o colega de partido tem “um jeito de falar” diferente do seu e que conversariam em Brasília. Não se sabe ainda se a conversa de fato ocorreu, ou se morreu no ar e na distância que separam o Crato (CE) e Carpina (PE) do Planalto Central.

É preciso esperar as próximas falas, para verificar se houve alguma mudança no jeito de Ciro Gomes sacar a sua espingarda verbal. Enquanto isso vale escutar o que disse o senador Renato Casagrande (PSB-ES), 49 anos, um dos entusiastas da candidatura Ciro, “sobre o rumo dos ventos”, como assinala Bob Fernandes na apresentação da entrevista.

-… Para ser franco, o partido está em dúvida, tremenda dúvida se deve ou não ter Ciro como candidato à presidência da República.

O que fazer, então? Afinal, como reconhece Renato Casagrande, “não dá pra tirar assim, sem nada, um candidato que tem 10%, 11%, 13% de intenção de voto.”

Voltamos então à clássica questão da fábula da assembléia dos ratos:

Quem terá a coragem de colocar a sineta no pescoço de Ciro Gomes, para avisar a tucanos, petistas e socialistas sobre o perigo de sua presença?

Um queijo para quem acertar no palpite.

Vitor Hugo Soares é jornalista – E-mail:vitor_soares1@terra.com.br

Jorge Amado:na casa do Rio Vermelho

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DEU NA REVISTA DIGITAL TERRA MAGAZINE

Claudio Leal

A família do escritor Jorge Amado desmente os boatos de que esteja à venda a casa do Rio Vermelho, onde o romancista baiano viveu a partir dos anos 60, em Salvador (BA). “Essa notícia não tem nenhum fundo de verdade. A casa é nossa, cuidamos dela, nunca nos deram um tostão para preservar”, reage Paloma Amado, filha de Jorge e Zélia Gattai. Em conversa com Terra Magazine, ela afirma que não pretende “entrar em polêmica” sobre o assunto, mas rebate uma nota publicada pela revista “IstoÉ”.

Inicialmente, houve a ideia de que a casa se transformasse num memorial ou museu, como relatou a escritora Zélia Gattai no livro “Memorial do Amor” (2004). “Por que não aproveitá-la para um museu?”, sugeriu Jorge Amado. Para escrever suas obras, ele dividia-se entre a casa da rua Alagoinhas, 33, em Salvador, e um apartamento no bairro do Marais, em Paris. “Por que ficaria eu sozinha nessa casa? Por que não manter abertas as portas para os admiradores de Jorge Amado, aqueles que aparecem diariamente, ansiosos de conhecer o ambiente onde o escritor viveu durante tantos anos, inspirou-se e escreveu seus romances?”, cogitou Zélia.

Comprada com os dólares da venda dos direitos autorais de “Gabriela, cravo e canela” à Metro Goldwin Mayer (MGM), a residência baiana era frequentada por artistas e intelectuais – de Vinicius de Moraes e José Saramago ao poeta cubano Nicolás Guillén, Roman Polanski e Jack Nicholson. Agora, ela virou um enigma da cultura brasileira. O destino do acervo de um dos escritores brasileiros mais reconhecidos no exterior permanece incerto, sem apoio do Estado e do empresariado nacional. “Estamos cuidando com recursos próprios”, diz o filho do casal de escritores, João Jorge Amado.

Em 2008, as obras de arte – parte delas guardadas num apartamento no Rio de Janeiro, vendido recentemente – foram a leilão na Soraia Cals Escritório de Arte. Havia quadros e desenhos de Carybé, Carlos Scliar, Djanira, Floriano Teixeira, Segall, Volpi, Anita Malfatti, Flávio de Carvalho, Pancetti, Antonio Bandeira, Diego Rivera e Picasso, entre outros artistas plásticos.

“Brasil não reconhece Jorge Amado”

Apesar de evitar a polêmica sobre o rumo do acervo do pai, Paloma esclarece que batalhou durante três anos por recursos para a conservação da casa do Rio Vermelho e a abertura de um memorial. “Minha mãe era a única contrária ao tombamento”, afirma Paloma, indignada com uma frase atribuída a Zélia Gattai, de que temia a venda de todo o espólio pelos herdeiros. “Tentam difamar a gente por uma coisa que não existe. Se mamãe lesse essa nota que me leram!…”, lamenta. Ela ainda se recorda de um conselho: “Não pense que o fato de ser minha filha vai ajudar. Se tem quem goste, tem quem não goste de mim”.

O tombamento era uma medida recomendável para a captação de recursos estatais, mas a ideia terminou abandonada pela família, depois ter sido submetida ao Conselho Estadual de Cultura da Bahia. Com a venda das obras de arte, iniciaram uma reforma na casa, que conta com gradis do pintor Carybé. As cinzas de Jorge e Zélia foram espargidas embaixo de uma mangueira, no quintal.

Recém-radicada no Rio de Janeiro (“a Bahia sem meus pais é muito triste”), Paloma revela um espanto:

– Onde eu passo, a obra de meu pai é aplaudida. Estive na Universidade do México e houve uma aclamação. Ele foi homenageado pela Feira do Livro de Santo Domingo. Uma coisa bonita. Só não vejo isso no Brasil. Não reconhecem.

A fundação criada pelo pai, no Pelourinho, também enfrentou tormentas financeiras. Em março de 2007, o governo da Bahia cortou o repasse mensal de R$68 mil para a Fundação Casa de Jorge Amado. A entidade preserva cerca de 250 mil documentos do autor de “Cacau”, “Capitães da Areia”, “Gabriela” e “A morte e a morte de Quincas Berro D’Água”. Indignado, o romancista João Ubaldo Ribeiro protestou contra a medida e contribuiu para o recuo do governo baiano:

– Vou esculhambar, vou continuar a bater, e chamar o povo baiano aos brios! Não nasce um Jorge Amado a toda hora! E ficam aí uns beletristas de segunda categoria fazendo críticas aos romances dele. Esquecem que Jorge Amado foi um grande romancista, lido e traduzido em todo o mundo! – criticou Ubaldo.

À época, em entrevista a Terra Magazine, o governador Jaques Wagner (PT) justificou os cortes e garantiu a retomada do financiamento:

– Por determinação da Procuradoria Geral, o Estado não pode financiar em 100% a fundação. No máximo, 80%. São coisas que teria que modificar e quero antecipar: João Ubaldo está falando agora, mas estas modificações já estavam sendo feitas e conversadas com a fundação. Falta acertar detalhes… Ela tem um nível de fundação adequado e o repasse será mantindo – assegurou Wagner.

“Empresários só queriam explorar imagem”

Nos últimos anos, a editora Companhia das Letras tem relançado as obras completas de Jorge Amado, no que talvez seja a única ação pela permanência do “doutor em romance”, como o definiu Mário de Andrade, em comentário sobre “Mar Morto”. Os livros “Capitães da Areia”, “Quincas Berro D’água” e “Os velhos marinheiros” foram adaptados para o cinema e devem estrear até 2011.

Quanto ao memorial, nenhum passo. Paloma Amado cita os exemplos da casa do sociólogo Gilberto Freyre, em Pernambuco, e das três moradias do poeta Pablo Neruda, no Chile, “recuperadas pela Telefonica da Espanha”. No Brasil, indiferença pelo romancista baiano.

– Ninguém se interessou. Os empresários vinham com um contratinho pronto para se tornarem donos do nome de Jorge Amado. Queriam explorar a imagem. Não aceitamos isso – diz a filha.

Último ato. Quando o projeto do memorial ganhou o selo da Lei Rouanet, no tempo em que Gilberto Gil ainda ocupava o Ministério da Cultura, “a Petrobras disse que não dava mais dinheiro”. Segundo Paloma, após os reparos, a casa tem sido cuidada pelo neto do escritor, João Jorge Filho.

Com milhões de leitores e cúmplices de sua obra, Jorge Amado não consegue mobilizar financiadores

mar
19
Posted on 19-03-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 19-03-2010

Em seu artigo desta sexta-feira na Tribuna da Bahia o jornalista político Ivan de Carvalho analisa as expectativas de paz reveladas pelo presidente Lula em seu périplo pelo Oriente Médio, alimentadas principalmente pelas atuais diverg~encias entre Estados Unidos e Israel. “Divergências sérias entre EUA e Israel já ocorreram antes e contam-se às dezenas, algumas delas graves, mas nenhuma capaz de romper a aliança”, assinala Ivan no texto que Bahia em pauta reproduz.
(VHS)

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Paz distante

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Lula fantasia a paz

Ivan de Carvalho

Na Terra Santa e adjacências, quase tudo gira em torno da Bíblia – Antigo e Novo Testamento – e do Corão. Eles são a base da cultura israelita, islamita e da rarefeita população cristã da região que envolve Israel, 22 países árabes e alguns países muçulmanos não-árabes, a exemplo do Irã.
As três religiões monoteístas estão imbricadas a tal ponto na região que o primeiro Patriarca, Abraão, deu origem a Ismael e Isaac e desses dois troncos descendem, respectivamente, árabes e hebreus, estes por intermédio de um dos dois filhos de Isaac, Jacob. Mais tarde, surge a figura essencial e misteriosa do Arcanjo Gabriel, aquele que anunciou a Maria que ela teria um filho ao qual chamaria Jesus (aqui, o nome na versão latina) e que foi o mesmo Arcanjo Gabriel que ditou o Corão a Maomé.
A um observador neutro e atilado (não reivindico para mim qualquer dessas duas qualidades), não há de parecer casuais essas circunstâncias, seja em relação aos patriarcas, seja quanto à gravidez de Maria e ao ditado “angélico” representado pelo Corão, o livro sagrado dos muçulmanos. A conclusão lógica – e certamente quase todo mundo concordaria com ela se não envolvessem três das quatro cinco grandes religiões do planeta (as outras são o budismo e o hinduísmo) – é a de que há um plano milenar em andamento. Um plano que praticamente chega a ser exposto na Bíblia, quase a cada página, embora a Bíblia evite proclamar essa característica de um planejamento a longo (para nós) prazo.
Daí que a viagem e o bedelho do governo brasileiro no conflito entre Israel, os palestinos, os árabes em geral e os muçulmanos engajados nessa briga (há os que não estão dando bola pra ela) não tem a chance de influir para a pacificação, pela simples razão de que, devido ao comportamento da sociedade humana, a pacificação só virá – segundo o plano – após a destruição da atual sociedade, quando uma nova passará a ser construída em outras bases.
“De nada valerá buscardes o auxílio do Egito (com quem Israel fez um tratado de paz), pois não haverá paz e Israel deve confiar apenas no Senhor”, diz lá no Antigo Testamento o profeta Isaías. Eis (para os crentes) porque não podem os crentes e mesmo os não crentes, mas inteligentes, comemorar a descoberta do presidente Lula de que a divergência entre Israel e Estados Unidos sobre as 1.600 casas que o governo israelense acaba de decidir construir em Jerusalém Oriental pode abrir a chance para que se chegue à paz, suponho que por um hipotético enfraquecimento de da posição de Israel.
Divergências sérias entre EUA e Israel já ocorreram antes e contam-se às dezenas, algumas delas graves, mas nenhuma capaz de romper a aliança entre americanos e israelenses. Na hora do aperto estão, inevitavelmente, juntos. Naquela área do mundo, ao se fazer política, é bom ter um olho nela e o outro nos livros sagrados fundamentais de israelenses, muçulmanos e cristãos. “Bem aventurados os pacificadores”, Jesus disse no Sermão da Montanha. Mas não disse que eles terão sempre êxito em seus intentos, ainda que recebam o prêmio, se tentaram a paz de coração puro.

mar
18
Posted on 18-03-2010
Filed Under (Artigos, Ivan, Newsletter) by vitor on 18-03-2010

Em seu artigo desta quinta-feira, na Tribuna da Bahia, o o jornalista Ivan de Carvalho analisa o fato de maior destaque de ontem na política brasileira:o resultado da mais nova pesquisa IBOPE/CNI sobra a corrida da sucessão de Lula, em que o governador de São paulo, José Serra (PSDB) segue na frente, mas com a ministra Dilma Rousseff, empurrada pelo presidente da República, aparece cada vez mais colada no calcanhar do tucano.Bahia em Pauta reproduz o texto de Ivan.
(VHS)

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Serra e Dilma:colados

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DILMA, FESTA E RISCO

Ivan de Carvalho

O fato maior em debate na política brasileira, ontem, foi a pesquisa CNI/Ibope. Aliás, cada pesquisa eleitoral de um instituto importante – principalmente quando envolve a sucessão presidencial – tem o seu dia de glória, os seus “15 minutos de fama”.
E no caso de ontem há uma razão extra para o impacto da pesquisa e o barulho a respeito. A candidata governista, ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, do PT, lançada e apadrinhada pelo presidente Lula, deu um salto felino, pouco faltando para alcançar, na modalidade estimulada da pesquisa, o principal candidato de oposição, o governador paulista José Serra, do PSDB. Dilma saltou dos 17 por cento que obteve na pesquisa de dezembro para 30 por cento, apenas cinco pontos abaixo do tucano José Serra, que ficou com 35 por cento, quando em dezembro tinha 38 por cento.
Há duas razões evidentes para que isto haja acontecido. A primeira delas é a superexposição de Rousseff nos últimos meses, nos atos oficiais que funcionam como comícios disfarçados e na mídia. A segunda razão é o fato de que quase invariavelmente, quando se expõe, Dilma Roussef não o faz propriamente – é o presidente Lula que a expõe e a apóia, conforme a ocasião, implícita ou explicitamente.
Ora, Lula está há tempos muito popular, rondando os 80 por cento de aprovação pessoal do eleitorado e seu governo também tem recebido, segundo as pesquisas, uma aprovação muito grande. E os números das pesquisas indicam que Lula consegue – ao menos nessa fase do processo eleitoral – transferir à até há pouco desconhecida Dilma Rousseff uma expressiva parte do seu capital eleitoral. Resta medir, até porque talvez só o tempo esclareça isto, qual é o teto dessa transferência, certamente maior no Nordeste e no Norte do país que nas outras regiões.
O diretor de Operações da CNI, Rafael Luchesi, deixou claro que muito desse resultado deveu-se ao maior conhecimento de Dilma pelo eleitorado (representado pelos entrevistados). Era de 32 por cento em dezembro e em março foi para 44 por cento.
Há um outro elemento auspicioso para a candidata governista na pesquisa CNI/Ibope. Na modalidade expontânea – quando não se apresenta lista de nomes ao entrevistado e apenas pergunta-se em quem ele votaria – quem vence é Lula, com 20 por cento, de uma parte de seus muitos milhões de tietes que não sabem que ele não pode disputar o pleito. Mas nessa modalidade Dilma Rousseff ultrapassou Serra, obtendo 14 por cento contra dez por cento do governador de São Paulo.
Em verdade, nem tudo são flores – ou votos – para Dilma Rousseff. José Serra, embora conhecido de 65 por cento do eleitorado, tem uma taxa de rejeição de 25 por cento, menor que a da candidata do PT. O diretor Luchesi, da CNI, ressaltou que, com a maior proximidade das eleições, os eleitores passam a rejeitar candidatos exatamente porque os conhecem.
Coincidência ou não, em seu “ex-blog” do dia 12 último, sob o título “Os riscos da candidatura de Dilma”, o ex-prefeito do Rio de Janeiro, César Maia, democrata, e que costuma analisar pesquisas e campanhas eleitorais, escrevia que “a superexposição, segundo a escola francesa de Jacques Seguelá, queima como a luz do sol. Há a necessidade de mergulhos e retorno à superfície. Nos governos deve ser assim. Nas campanhas, não é o caso desse movimento sinuoso, mas de um processo de exposição progressiva (…)”. Em síntese: um crescendo controlado. Controle que não estaria ocorrendo na campanha de Dilma.

Vinhos do Vale do São Francisco

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GRAZZI BRITO

Esta semana, em Petrolina-PE, no Vale do São Francisco, o Coordenador Nacional de Vitivinicultura do Sebrae (Brasília), Aníbal Bastos e o Gestor Estadual de Agronegócio, Alexandre Alves anunciaram um convênio de abrangência nacional firmado entre o Sebrae e o Ibravin – Instituto Brasileiro do Vinho, com o objetivo de desenvolver, certificar e mapear a vitivinicultura e a fabricação de sucos nos principais pólos do país.

Os representantes das entidades, acompanhados do vice-prefeito de Petrolina, Domingos Sávio e do gestor do Projeto do Roteiro do Vinho da Unidade de Negócios do Sebrae Sertão do São Francisco, Helder Freitas, conheceram de perto o potencial de cinco vinícolas do Vale do São Francisco, conferindo inclusive o primeiro vinho produzido na região, há 25 anos.

“Em 1985 na Fazenda Milano foi produzido o primeiro vinho no Vale, em termos de região produtora ainda somos jovens se comparado a região Sul que tem uma tradição de 120 anos, porém o diferencial do Vale com seu clima, solo e produzindo de 2 a 3 safras por ano constitui-se num grande produto a ser explorado”, argumentou Aníbal Bastos.

O Coordenador Nacional de Vitivinicultura do Sebrae, disse ainda que o convênio anunciado nesta segunda-feira em Petrolina, reúne ações de desenvolvimento no Cadastro Vinícola Nacional, além de traçar um diagnóstico tecnológico das empresas, promoção de seminários, capacitação e mapeamento da estrutura da cadeia produtiva, bem como, as ações para a certificação do produto vinho do Vale.

O vice-prefeito de Petrolina, Domingos Sávio disse na oportunidade que a região tem diversificado seus produtos e sempre apresenta novidades ao mercado nacional. “Já possuímos a uva e manga do Vale com selo de qualidade e certificação de origem, agora desejamos capacitar, mapear e auxiliar na certificação das vinícolas, variando assim não só para o vinho, bem como, para um mercado que tem crescido, a exemplo da produção do suco de uva”, revelou.

Na oportunidade foi lembrado que de 25 a 29 de maio próximo acontecerá o IIº Simpósio Internacional de Vinhos Tropicais, coordenado pela Organização Internacional de Vinho, com a participação de 17 países. “Esse ano Petrolina vai sediar o evento. Esta é a prova maior do reconhecimento da qualidade dos nossos vinhos”, comemorou Domingos, que também é Secretário de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Cultura do município.

Grazzi Brito, jornalista, mora em Juazeiro(BA), na região do Vale do São Francisco

Serra: “estou cansado”/MSN

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CLAUDIO LEAL (DE SÃO PAULO)

No lançamento do livro “Diário de bordo – A viagem presidencial de Tancredo”, do embaixador e ex-ministro Rubens Ricupero, terça (16) à noite na livraria Cultura, em São Paulo, o governador José Serra chegou com um cortejo de D. João VI, perto do fim do expediente.

Driblando perguntas sobre a sucessão nacional – “Estou muito cansado… O dia foi cansativo” -, o pré-candidato do PSDB pediu a um rapaz para largar o cigarro e aceitou posar para fotos com uma criança. Pedido ideal para um candidato com sequito de D. João VI.

Depois de caras de cinema para cinco cliques com a menina de colo, Serra devolveu-a aos braços da mãe, que fez tatibitati:

– Minha filhinha tirou uma foto com o futuro presidente!

Ao ouvir a frase, Serra deu um recuo e ponderou:

– Mas foi ela que quis!

Claudio Leal é jornalista

mar
17

No artigo desta quarta-feira em sua coluna na Tribuna da Bahia o jornalista político Ivan de Carvalho fala da viagem do governador da Bahia na comitiva do presidente Lula ao Oriente Médio, e destaca o efeito do périplo nas negociações para compor a chapa governista encabeçada por Jaques Wagner, que busca a reeleição.Para o articulista, a viagem deixou sem comando de corpo presente sua base de sustentação política na Bahia. E tornou inviáveis contatos do mais alto nível que envolvam o chefe do Executivo baiano até que retorne da Terra Santa e adjacências, ficando estas por conta da Jordânia.Bahia em Pauta reproduz a íntegra do texto:
(VHS)

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Nó na sucessão: “chama o Alexandre!”

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A VIAGEM E A SUCESSÃO

Ivan de Carvalho

A viagem do governador Jaques Wagner ao Oriente Médio (que na realidade geográfica deveria chamar-se para nós Oriente Próximo) deixou sem comando de corpo presente sua base de sustentação política na Bahia. E tornou inviáveis contatos do mais alto nível que envolvam o chefe do Executivo baiano até que retorne da Terra Santa e adjacências, ficando estas por conta da Jordânia.

É claro que o governador pode manter com algumas pessoas seletas de sua base contatos telefônicos para saber o que ou se está acontecendo algo relevante e emitir opiniões, orientações ou determinações, conforme a natureza das coisas ou a necessidade. Mas não se pode igualar a presença em Israel, na Cisjordânia e na Jordânia à presença na Governadoria ou no Palácio de Ondina. Ou mesmo em Brasília.

Daí que nesses dias de viagem a base política nuclear e suas adjacências – estas, no caso, seriam os segmentos políticos que podem ou não agregar-se à base ou até um ou outro que, insatisfeito, venha a desagregar-se.

É evidente que há problemas, sempre há, mas alguns dos que estão aí são bastante graves, seja pela dificuldade de equacioná-los, seja pela importância política que têm. Para o governador e o PT destacam-se, no momento, dois. E respondem pelos nomes de Waldir Pires e de César Borges. Como disse, estes destacam-se, mas há outros, respondendo pelos nomes de Otto Alencar, Lídice da Mata e pela expressão “coligações para as eleições proporcionais”, as de deputado estadual e federal.

Comecemos as breves observações a respeito pelo fim. A coligação proporcional para deputado federal na base de sustentação do governo caminha, segundo os indícios, para o “chapão”, uma só chapa na qual estariam os candidatos de todos os partidos da base governista à Câmara dos Deputados. Não são ouvidas aí gritarias nem percebidos esperneios.

Quanto a coligação para deputado estadual, o inferno desceu (ou subiu?) à base do governo. O governador não está impondo nada a este respeito e cada partido está trabalhando pela fórmula que melhor lhe parece. O problema é que cada fórmula que a um parece bem, a outro parece má. A coordenação do governador aí pode ser indispensável. Há tempo, mas durante a viagem dele, prosperam rumores, boatos e aborrecimentos.

O que Otto Alencar vai fazer depende de veredicto médico. “Não sou herói”, já disse ele. Ele mesmo e o governador o queriam como candidato a senador. Era o plano. E, para o governador, ainda é a vontade explícita. Mas se a medicina disser que não, pois a campanha para o Senado é uma correria, Otto terá duas alternativas principais: ficar onde está, como conselheiro do TCM, ou ver aberto espaço para concorrer a vice-governador.

Problema: para o Senado na chapa de Wagner, existem quatro nomes possíveis para as duas vagas. Otto Alencar, César Borges, Lídice da Mata (que pode ser candidata a vice) e Waldir Pires. Borges é, no momento, como me dizia ontem um colega simpatizante do PT, o “nó górdio” da articulação sucessória. Mas a entrada de Waldir Pires no jogo, apoiado por um grupo de peso neste partido, o que inclui a evidente idéia de escantear o senador republicano César Borges, idéia com a qual Wagner não simpatiza, aperta muito mais aquele nó que já estava difícil de desatar.

Chamem o Alexandre.

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MARIA OLÍVIA

O radialista e jornalista baiano Perfilino Neto realiza noite de autógrafos do livro “Memória do Rádio” nesta quinta-feira, 18 de março, na tradicional loja de discos Pérola Negra (rua Marechal Floriano, 28, Canela), a partir das 18 horas.

Mais que um simples lançamento literário, o evento tem todos os ingredientes para ser um encontro de amigos, admiradores e ouvintes de Perfilino, entre eles músicos baianos, como Edson 7 Cordas, Cacau do Pandeiro, Gereba, Luiz Caldas, Xangai e Roberto Mendes.

Além de um anexo com documentos raros, cada exemplar do livro terá como brinde – cortesia da Pérola Negra – um CD com documentos sonoros de época que caíram no domínio público, selecionados pelo autor.
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Maria Olívia é jornalista

mar
16


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“Telegrama”, composição musical riquíssima em nuances sugestivas, de Zeca Baleiro, é a música para começar o dia no Bahia em Pauta nesta terça-feira, 16 de março, data em que aniversariam duas queridas amigas deste site blog multicultural: a  designer Letícia Marques, que trabalha na Bahiatursa, e a jornalista e escritora Ayêska de Paulafreitas,  ex- Irdeb, e cidadã do mundo. A sugestão da música vem da colaboradora Maria Olívia -que conhece e gosta muito de ambas – sabedora de que “Telegrama” é uma das canções preferidas de Leti.
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Quanto a Ayêska, culta e elegante, amiga do peito também deste editor, BP publica trechos de um depoimento dela à revista “Entre Aspas”, que fala por si dessa querida aniversariante de hoje:

AYÊSKA PAULAFREITAS

1) Por que você escreve?

Escrevo por uma necessidade premente de me expressar, de libertar meus demônios; escrevo porque personagens se impõem e me obrigam a lhes dar voz; escrevo pra não enlouquecer. Mas também escrevo textos que não são artísticos – os mais difíceis – e, para estes, é preciso muita atenção e disciplina.

2) O que você gostaria de escrever e por quê?

Gostaria de escrever a biografia de um artista da música que admire. Primeiro, porque acho o trabalho de pesquisa fascinante; segundo, já tive uma experiência em romance de formação que foi muito prazerosa; terceiro, porque acho que a música é um segmento da arte que não encontra páreo: em sua linguagem universal, provoca vários sentidos e muita emoção.

AYÊSKA PAULAFREITAS é professora, ensaísta, poetisa e contista. Autora de livros infantis como Uma casa na varanda (prêmio Monteiro Lobato da Academia Brasileira de Letras, 1987). Escreveu em co-parceria com Júlio Lobo o romance, Glauber – a conquista de um sonho e vários trabalhos na área de literatura e comunicação. Trecho extraído de “O que será de nós com tantos nós?”, conto publicado no livro Não deu tempo pra maquiagem (Secretaria de Cultura e Turismo e da Fundação Cultural do Estado da Bahia, 2006).
(Vitor Hugo Soares)

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