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Posted on 03-08-2009
Filed Under (Artigos, Eventuais) by vitor on 03-08-2009

Balbino: “o poder revela”
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O editor do Bahia em Pauta recebeu do advogado Inácio Gomes uma mensagem eletrônica com informações relevantes sobre a questão do pagamentos de jetons a secretários de estado a título de complemento salarial. Inácio solicita que o blog divulgue suas informações, uma vez que o assunto ganhou manchete ruidosa mas, de repente, saiu do foco de interesse das pautas – sem sequer chegar ao âmbito da Prefeitura da capital.

Em razão do interesse público das informações de um dos mais conceituados e corajosos advogados da Bahia – além do texto inteligente e bem humorado – o Bahia em Pauta decidiu publicar a íntegra da menságem de Inácio como texto opinativo e revelador dos tempos que correm, como é do jeito e natureza deste site-blog. Confira.

(Vitor Hugo Soares)

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OPINIÃO

Revelações do poder

Inácio Gomes

Há dias o jornal A Tarde em excelente matéria jornalística investigativa publicou noticia sobre pagameto de jetons relativos à participação em conselho de empresas públicas por parte de secretarios de estado e Procurador Geral da PGE que elevariam os vencimento dos beneficaios além do limite legal.

Depois o silêncio sepucral.

Os funcionarios públicos, vitimas, sempre, de pareceres restritivos da PGE nos casos de vantagens salariais ficaram esperançosos de que a PGE passasse a defender tese tão liberal quanto a prolatada em causa própria no caso denunciado.

Eu defendo, já se vão dez ano, uma fucionaria estadual. Em seu favor duas decisões do TCE; uma das Câmaras Civeis Reunidas do TJ/Ba; uma da 6ª turma do STJ; uma decisão monocática do Ministro Marco Aurelio ( STF) e a PGE continua com recursos típicos da litigancia de má fé.

Gostaria que você desse noticia do favorecimento denunciado. Antonio Balbino costumava me dizer : ” Seu Inácio o poder não corrompe. Revela”. Tem razão o mestre o que temos de REVELADOS nos dias de hoje dá para encher a Fonte Nova. Um abraço do companheiro Inacio.

PS – Vou substituir o termo companheiro. Desmoralizaram muito a expressão.

Inácio Gomes é advogado

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Posted on 02-08-2009
Filed Under (Artigos, Eventuais) by vitor on 02-08-2009

Salvador: o debate essencial
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Mensagem eletrônica da nuricionista Glauvânia Jansen, especializada em tratamentos naturopáticos, informa sobre a Caminhada da Lua Cheia, evento que ela comanda há anos em Itapuã e que, em Agosto, acontece nesta quarta-feira, 5, entre as 18.30 e 22h.

Glau, a pernambucana mais baiana de Salvador, amiga e estimuladora deste site-blog, manda junto um texto assinado por Reinhard Lackinger, que aborda com delicadeza e bom humor, o polêmico tema da expansão urbana da capital baiana.

Bahia em Pauta publica o texto opinativo, que cumpre o papel de suprir, em parte, a ausência de informações do poder público, em projetos (ou falte de) e questões que mexem com a cidade da Bahia e sua população.
Confira.

( Vitor Hugo Soares)

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“Não conheço os projetos do polo hoteleiro na cidade baixa, nem tenho idéia exata do impacto real causado pela ampliação do aeroporto 2 de Julho…

Venho formando opiniões à luz do que presenciei desde quando participei do Conselho Municipal do Meio Ambiente em meados da década de 90.
Lembro do alvoroço dos ambientalistas pelo fato de haver necessidade de mexer com meia dúzia de metros cúbicos de areia para concretizar a Marina da Av. do Contorno.
Votei a favor do projeto e vejo que o espaço ficou bom… até agora…
Na mesma época, um parque aquático instalado na Av. Paralela deveria disponibilizar uma APA, uma área de proteção ambiental prevista no projeto original. Algo que nunca saiu do papel, nunca foi feito. Quem como eu ficou esperando algum estardalhaço por parte dos ambientalistas ou do então secretário do meio ambiente, ficou frustrado. Houve apenas um muxoxo… e olhe lá!

Nos últimos anos pouco mudou! Sei que ainda existem grupos ambientalistas porque alguns são amigos meus. Só por isso. Não por brigarem contra a “desmatança” ao longo da Av. Luis Viana Filho, conhecida por Av. Paralela.
E tome-lhe Alphaville, Betaville, Deltaville… Ômegaville… e os mostradores ultrasensíveis dos novos decibelímetros adquiridos com o dinheiro do contribuinte nem se mexem… Durante todo esse desmatamento comparável ao que acontece nas novas fronteiras agrícolas no Pará e no Mato Grosso, os nossos ambientalistas têm feito um silêncio tamanho que daria para ouvir um pum de uma cotovia!
Agora, que o Aeroporto 2 de Julho precisa ser ampliado, os ambientalistas estão de volta para defender o que caçambeiros costumavam carregar num único dia. É o que me contam os periquitos, cuja revoada se instalou ultimamente nos telhados dos prédios ao longo da Rua 8 de Dezembro… depois de serem expulsos de uma dessas Gamavilles!

Saudosista incorrigivel que sou, gosto de andar pelo bairro do Comércio. O que não gosto é de ver escombros de prédios que outrora conheci altivos e majestosos.
Ai de quem ouse apresentar um projeto de um hotel! Esse alguém será excomungado, trucidado, esquartejado.
A impressão que se tem é: *cair de podre pode! *O que não pode é construir alguma coisa que seja viável! Será isso mais uma maluquice para o meu caderninho comprado lá pela Praça Conde dos Arcos antes de comer um sanduiche de pernil nos meus amigos Manolo e Fernando ou tomar um caldo de feijão no Colon de Juan e Mara, pais do futuro campeão de F-1 Juan Manoel?

Será que um polo hoteleiro na Península Itapagipana não representaria um beijo na Bela Adormecida para revitalizar uma parte da cidade estagnada há décadas?

Todas essas maluquices me lembram uma canção de um “patrício” meu.
Lembram Eduardo Dusek cantando:”troque o seu cachorro por uma criança pobre…
Que tal a gente trocar nossas utopias por uma cidade viável e moderna”?

Reinhard Lackinger

ago
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Posted on 01-08-2009
Filed Under (Aparecida, Artigos, Multimídia) by vitor on 01-08-2009


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Hippies/Blog da Mulher Necessária
hippies

CRÔNICA/MEMÓRIA
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WOODSTOCK, 40 ANOS: PAZ, AMOR E REFLEXÃO

Aparecida Torneros

Conheci Maggio, um hyppie argentino remanescente, que vive no litoral paranaense, há cerca de três anos. Saudei-o na sua resistência, pois permanece fiel aos ideais de não se curvar ao way of life americano ou ao jeito consumista de ser, como pregaram os seus companheiros nos anos 60 e 70. Encontrei-o no dia 30 de agosto de 2006, vivendo num carro-casa, em Antonina, no Paraná. Comprei dele um colar de contas, do seu artesanato, e conversamos por uns cinco minutos.

Somos da mesma geração, eu, como simpatizante do movimento hippie, em determinada fase da minha juventude, cultuei hábitos de usar objetos que não pertencessem à grande indústria. Bolsas e cintos, os confeccionados pela Lucia Ritto, saudosa amiga jornalista que estudou comigo na universidade. Saias, as indianas, feitas à mão. Colares , aos milhares, brincos, idem, bandanas na cabeça, tudo da feira deles, em Ipanema e também na praça da República, de São Paulo, onde fui em 1969 e vivi uma experiência inusitada. Um hippie alemão, de repente, disse que estava apaixonado por mim, que, aos 19 anos, ria muito da situação, mas quando o ônibus da faculdade ia partir de volta ao Rio… os colegas me puxavam pra entrar no veículo por um braço e o tal hippie louro dos olhos azuis me puxava pelo outro braço, falando um espanhol carregado de expressões de sofrimento. Ele dizia….vem comigo, vamos pra Bahia e vamos ser felizes…eu não fui…deixei para trás, naquele momento a grande chance que tive de cair na estrada…como era comum naqueles tempos…

Então, quando conheci o Maggio, me deu aquela nostalgia… e ao nos despedirmos, ele disse “que Dios te bendiga”, retribuí, desejei-lhe felicidades, e senti que ele parou nos anos 70, mas está bem… é o que quer…renunciou a toda a vida capitalista… optou pela solidão das noites nas estradas, mostrou-me o violão, o chimarrão que toma… continua sonhando…em paz e amor… é um sobrevivente do movimento…

Em sua homenagem, vou rememorar Woodstock.

Durante três dias, em agosto de 1969, cerca de quase 500 mil jovens acamparam na fazenda do leiteiro Max Yasgur, a 80 quilômetros de Woodstock, no estado de Nova York e promoveram, em clima de Paz e Amor, com muita música e liberdade vivenciada, o festival que entraria para a história do homem ocidental, como o momento culminante da geração que pregou o fim da industrialização desenfreada, a revolução dos costumes e a fantasia de se repensar o caminho que o mundo frenético havia tomado até ali, com seus conceitos ultrapassados e suas posturas necessitando reavaliação.

Filmes, imagens em fotos, gravações de músicas e shows, marcam até hoje, a passagem daqueles dias na lembrança de quem testemunhou, compareceu, assistiu, acompanhou ou só ouviu falar. Famílias de hyppies, grupos de roqueiros, adeptos de novas moralidades, idealizadores de comunidades modernas, curiosos, religiosos em fase de reflexão profunda, gêneros de seres descompromissados com o stablesshement, todos se multiplicaram em sensações que redimensionaram a juventude planetária a partir do seu grito de protesto, que coube em encontro e congrassamento, música e união em torno de uma aura de bem aventurança ou de mal olhado por parte dos conservadores atentos em sufocar tal insurreição nascente capaz de desestabilizar o status quo vigente…

Passados 40 anos, eis que na memória é possível trazer de volta os expoentes de Woodstock e seus legados. Através do tempo, observo que aquela gente teve um papel relevante na estrada, pois foi caindo nela que bandos de jovens impuseram novos modos de se compreender o planeta e de se viver os sentimentos humanos. Hair, a ópera rock, depois reproduzida em filme, mostrou que havia um misto de poderio e prepotência, na guerra do Vietnam, massacrando, além de envenenar sonhos ou mesmo de mutilá-los.

Recordo as noites em que dancei e cantei “não confie em ninguém com mais de 30 anos”, no final dos anos 60, imaginando que minha geração podia reformar o mundo e consertar o que estivesse torto na humanidade. Além da militância política, havia na causa hippie, pregando Paz e Amor, um bando de sonhadores, lutadores, corajosos jovens que se conscientizavam da necessidade de lutar, protestar e concorrer para a mudança social, conquista de liberdade democrática, sede de justiça, e um arrazoado sem fim de propostas voltadas para uma sociedade mais justa e igualitária.

Foi-se o tempo, foram-se muitos anéis, mas sobraram muitos dedos, e ainda estamos aí, de alguma forma, protestando.Os que tombaram em prol desses ideais, não o fizeram em vão. Alguns sucumbiram prisioneiros das drogas, outros, das alucinações extemporâneas, muitos, vítimas das guerras insanas, e, todos, sem exceção carregaram e carregam, o estigma do seu laço com aquele momento ímpar, de grito da juventude mundial. As barricadas dos estudantes em 68, na França, antecederam o boom anti-convencional acontecido em Woodstock, em 69.

Nada ocorreu em vão. Há, por parte das gerações seguintes, um furor tecnológico e consumista capaz de impulsionar novos sonhos. Guardadas as devidas proporções, é possível hoje, juntar muitos fenômenos musicais, culturais e políticos, nessas 4 décadas, em torno de uma chama que permanece acesa no coração dos que ainda se indignam com a acomodação diante das injustiças e da sede capitalista torrencial.

Uma vez Woodstock, sempre Paz, Amor e Reflexão! Obrigada , Maggio, pela sua resistência de tantos anos!!

Cida Torneros é jornalista e escritora, mora no Rio de Janeiro, onde edita o Blog da Mulher Necessária

ago
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Posted on 01-08-2009
Filed Under (Artigos, Vitor) by vitor on 01-08-2009

Bachelet: pra cima
michelle

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ARTIGO DA SEMANA

Bachelet: A mãe do Chile e o Brasil

Vitor Hugo Soares

Há anos corre de boca em boca por Santiago inteira uma narrativa interessante sobre a presidente do Chile, Michelle Bachelet, que contarei adiante. É um caso sobre o jeito próprio de ser, fazer política e administrar da líder da coalizão chilena no poder, que passou por São Paulo esta semana. Por onde ela esteve – no encontro com o presidente Lula e empresários, na conversa com a ministra Dilma Rousseff (PT) e no almoço com o governador José Serra (PSDB) -, Bachelet parecia flutuar sobre nuvens de algodão doce. Afinal, ela acaba de alcançar um novo recorde de aprovação de sua gestão na opinião pública de seu país: 74%, em plena crise da economia mundial e a menos de cinco meses das eleições presidenciais para a sua sucessão.

O índice de aprovação da “mãe do Chile” – como Bachelet é chamada – é invejável sob qualquer ponto de vista: econômico, político ou pessoal. Isto foi assinalado esta semana tanto pela “mãe do PAC” do Brasil, como pelo tucano paulista. Só é comparável a casos raríssimos de governantes do continente, ou mesmo da América vista como um todo. Números recentes nos Estados Unidos mostram, por exemplo, que Barack Obama patina já em torno dos 50%, depois de ter ostentado índices pessoais de aprovação além dos 70% na chegada à Casa Branca.

Bachelet praticamente só encontra paralelo em termos de popularidade no colega brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, cuja guerra sucessória – apesar dos primeiro tiros já disparados – ainda está a um ano e meio de distância, enquanto obstáculos se multiplicam à sua frente, dois deles com nomes próprios: José Sarney, presidente do Senado, e a voluntariosa ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, ungida por Lula para disputar a sua sucessão em 2010. Dilma sentou-se humildemente em uma cadeira para receber, esta semana, conselhos da “mãe do Chile”.

Michelle Bachelet não teve a cobertura jornalística nem análises de sua passagem por aqui, do tamanho merecido por sua relevância atual no contexto político continental. É muito provável que seja diferente em Buenos Aires, próximo pouso da sua viagem. Na esplêndida capital portenha, a chilena tentará “dar uma força” à carente peronista Cristina Kirchner, combalida pelas recentes derrotas administrativas e eleitorais sofridas na Argentina, que produziram mais estragos políticos na imagem da dirigente da Bacia do Rio da Prata que o vírus H1N1.

Mas vamos ao caso referido no começo destas linhas, antes que o espaço acabe:

A história circula desde antes de Bachelet chegar ao Palácio La Moneda, mas segue emblemática como explicação para a capacidade de reação e enfrentamento de dificuldades demonstradas pela simpática e firme líder latino-americana. É do tempo do governo de Eduardo Frei, quando parecia fato consumado para a política chilena o conceito vigente de que o poder é sempre masculino, e ela foi convocada a assumir a complicada Pasta da Defesa no governo socialista. A primeira reunião de Bachelet com os altos comandos militares se iniciou com a seguinte e surpreendente declaração aos circunspetos e desconfiados fardados em volta da mesa: “Sou socialista, agnóstica, separada e mulher… mas trabalharemos juntos”.

Desde então nunca mais o Chile foi o mesmo e Bachelet chegou à presidência. O belo país andino de nível político, educacional e cultural alto, mas de costumes e hábitos machistas e conservadores, estremeceu, é verdade. A popularidade da dirigente caiu logo em seguida abaixo dos 40 pontos percentuais, mas ela não perdeu – em nome de governabilidade ou outro desavergonhado argumento qualquer do tipo – o rumo nos princípios e nas ações.

O jornalista e analista Paul Walder diz, sobre Bachelet, que a avaliação de seu desempenho pode ser feita de muitas e diversas maneiras, mas na política moderna, de frente para o espectador, há só uma que vale: “a opinião pública modelada pelos meios de comunicação”.

Assim, desde o Ministério da Defesa, Michele Bachelet conseguiu realizar um trabalho digno e eficiente. Mas, o maior valor, segundo o analista, foi tê-lo feito bem, apesar de sua condição de mulher. “Sem perder seus atributos originais”, registrou Walder.

Agora, a menos de cinco meses de deixar o poder, em plena campanha para eleição sucessória em seu país, ela surge fortalecida como uma guerreira dos Andes, mas seu triunfo não foi obtido com armas, nem conluios, nem chantagens – políticas ou emocionais. Michele Bachelet brilha fulgurante como uma mulher-governante capaz e decidida, que jamais ocultou na singeleza do comportamento, o seu amável coração de mulher.

Se esta lição foi aprendida, valeu a rápida estada da guerreira chilena entre nós.

Vitor Hugo Soares é jornalista.
E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

jul
31
Posted on 31-07-2009
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 31-07-2009

Em memória do perito morto
protesto

Deu na coluna:

O jornalista Ivan de Carvalho, em sua coluna de hoje na Tribuna da Bahia, expõe e analisa o conflitos que amedrontaram Salvador nas últimas 48 horas – os efeitos ainda seguem presentes em vários pontos da capital nesta sexta-feira(31) -, envolvendo a Polícia Civil e a PM baianas, com repercussão e espanto nacional. Bahia em Pauta reproduz o artigo para que seus leitores leiam e reflitam.As autoridades públicas também.

(Vitor Hugo Soares)
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OPINIÃO

Complicações policiais

Ivan de Carvalho

“Há muitos anos, sob um dos governos de Antonio Carlos Magalhães, a Polícia Militar do Estado da Bahia, ou parte dela, se rebelou e para controlar o motim foram mobilizados os fuzileiros navais da base da Marinha em Salvador, sediada na Avenida da França, Comércio, na Cidade Baixa. Chegou a haver conflito no bairro da Calçada, com tiros e vítimas, estas entre os policiais militares.

Anos depois, um episódio bem mais recente. Algumas unidades da Polícia Militar se rebelaram, declarando uma greve que não tinham, pelas Constituições da República e da Bahia, bem como pelo regulamento da corporação, o direito de fazer. E continuam não tendo até hoje. A cidade, onde a segurança já era frágil, ficou à mercê dos criminosos, protegida apenas por uma mirrada, despreparada, mal equipada e mal armada Polícia Civil. A população evitava sair às ruas (só ia quem não podia mesmo ficar em casa) e, quando saía, voltava o mais depressa possível.

Os chamados “arrastões” ocorreram e, até pior do que isso, a boataria sobre “arrastões” que teriam ou estariam ocorrendo – mesmo que na maioria dos casos não houvesse fundamento – infundiram o medo na cidade. Este sentimento de medo tornou-se tão forte, tão denso, que se podia senti-lo quase como uma coisa concreta. Os pequenos shopping centers de bairros fechavam mais cedo do que o habitual e a tensão era visível no rosto de cada cidadão pedestre ou que usava transporte coletivo. Enfim, a cidade não estava entregue às baratas, mas aos bandidos, enquanto a Polícia Militar fugia a suas obrigações legais, rasgava as Constituições federal e estadual, estraçalhava seu próprio regulamento, agredia a hierarquia e a disciplina e – para maior refinamento no mal – envolvia-se no que poderia tornar-se um amplo conflito armado com ela mesma.

Dessa vez, não foram os Fuzileiros Navais a serem mobilizados. Unidades do Exército foram chamadas, inclusive havendo deslocamento até de Aracaju para Salvador, para ajudar no patrulhamento da cidade, o que fizeram, e para intervir pela força na PM baiana, se necessário. Felizmente, esta última parte não precisou concretizar-se. As tropas de choque da própria PM, que não aderiram ao motim – com a ajuda do poderoso fator psicológico representado pelo eventual apoio das tropas federais – ocuparam, sem resistência armada, os quartéis onde a rebelião se instalara. Sem mortos e feridos, salvaram-se todos.

Agora, quem resolveu parar foi a Polícia Civil. E não pela primeira vez. Mas desta vez a paralisação começou com um morto. Assassinado na manhã de quarta-feira. Os policiais civis em geral e Carlos Lima, o presidente do Sidpoc (sindicato que representa os policiais civis, que, aliás, não deviam ser sindicalizados, pois não são uma categoria comum de trabalhadores, mas uma corporação armada de funcionários estatais) afirmam que a morte do perito criminal foi causada por dois tiros disparados por um tenente da Polícia Militar, sem fazer nenhuma provocação. Apenas estava armado e por isto foi abordado e, embora se identificasse devidamente como policial civil, foi alvejado duas vezes.

O corregedor da Polícia Militar deu outra versão: o oficial, “felizmente”, atirou primeiro, quando o policial civil tentou sacar a arma. Atirou a segunda vez quando, mesmo já ferido, o perito criminal tentou pela segunda vez sacar a arma. O noticiário deu conta de que uma testemunha, uma mulher, disse que o oficial atirou depois que o policial civil estava se identificando.

Bem, a Polícia Civil proclamou paralisação em todo o Estado até que o oficial PM se apresente na 2ª Delegacia de Polícia. Ontem, policiais civis fizeram passeata na Praça da Piedade, em frente ao prédio da chefia da Polícia Civil (antiga sede da Secretaria da Segurança Pública) e paralisaram o trânsito no sentido Barra, Avenida Centenário, nas proximidades do Departamento de Polícia Técnica. Exigem “justiça”. Até 20h30min de ontem, quando acabava de escrever estas linhas, a paralisação da Polícia Civil persistia, confirmada por Bernardino Gayoso, da diretoria do Sindpoc.

Ivan de Carvalho é jornalista

jul
30
Posted on 30-07-2009
Filed Under (Artigos, Eventuais, Multimídia) by vitor on 30-07-2009


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Deu na revista digital

Terra Magazine postou nesta quinta-feira(30) uma das mais interessantes análises produzidos até aqui, sobre o documentário “Coração Vagabundo”, dirigido por Fernando Grostein Andrade, que focaliza o cantor-compositor santamarense, Caetano Veloso, durante a turnê de lançamento do disco “A Foreiggn Sound”, de 2004.

De Salvador, depois de ver o filme, o músico e produtor Paquito fala de Caetano, “seu peculiar senso de humor, seus comentários sobre religião, cultura, música” e outros temas sobre os quais o artista baiano discorre com generosidade e poder de síntese. (Vitor Hugo Soares)

Bahia em Pauta e pede licença ao editor-chefe de Terra Magazine , Bob Fernandes, para compartilhar com os leitores deste site-blog baiano (com sonhos cosmopolitas que passam por São Paulo e terras mais distantes ), o expressivo texto de Paquito, com os devidos agradecimentos e créditos

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O Coração Vagabundo de Caetano

Paquito
De Salvador (BA)

“Fui ver Coração vagabundo, documentário sobre Caetano Veloso, dirigido por Fernando Grostein Andrade, e que acompanha o cantor-compositor na turnê do disco A foreign sound, de 2004. Fui ver e curti viajar com Caetano, seu peculiar senso de humor, seus comentários sobre religião, cultura, música, enfim, assuntos acerca dos quais discorre com generosidade e poder de síntese: “eu sou do sol, quero ser lúcido e feliz”.

Não é um retrato que se pretende absoluto ou historicamente detalhado; são instantes, momentos no Japão e nos EUA, dos quais se pode destacar a resposta a Hermeto Paschoal, que o chamou de “musiquinho”, após Caetano ter declarado que achava a música americana mais rica que a brasileira. Caetano usa o próprio discurso de Hermeto para desenvolver o seu raciocínio de maneira brilhante. É o que ele mesmo já chamou de “dança da inteligência”. Não é pra, simplesmente, se concordar com o que ele diz, mas pra se pensar sobre.

Há instantes engraçados, como quando ele se vê diante de uma sobremesa japonesa que receia comer, por não gostar no aspecto, e há a conversa com um monge budista que diz gostar da canção Coração vagabundo, que dá título ao filme. Me interessa falar desta música, lançada em 1967, antes da explosão tropicalista, e referida quarenta anos depois neste filme, não por acaso.

Coração vagabundo, a canção, aparentemente uma bossa-nova tardia, é um samba curto que sintetiza o percurso de Caetano: anúncio e prenúncio do que viria a seguir na sua obra, por conta dos versos iniciais – “meu coração não se cansa/ de ter esperança/ de um dia ser tudo o que quer”- e finais, “meu coração vagabundo/quer guardar o mundo em mim”. Não só a “lembrança de um vulto feliz de mulher”, não só a procura romântica do objeto amoroso único, tema constante das canções da bossa-nova, mas a apreensão da complexidade das coisas do mundo e as utopias possíveis, mais amplas que as utopias da esquerda tradicional.

O tropicalismo quer abraçar e guardar o mundo e o Brasil, por isso une o aparentemente inconciliável, bossa-nova e iêiêiê, cafonice e sofisticação, na ânsia de apreendê-lo. Como ele mesmo antecipou no texto para o LP pré-tropicalista de Gil: “que se coloquem em outro nível as relações de nossa música com a realidade. (…) prefiro descobrir e ressaltar que a verdade mais profunda da beleza do seu trabalho está no risco que corre de descobrir uma beleza maior: a capacidade de criar uma obra íntegra, assumindo o Brasil inteiro”.

O ponto de partida foi todo um raciocínio de Caetano em cima das lições de João Gilberto e da bossa-nova, o que fez dele um caso único de artista que pensou a música popular. Em Coração vagabundo, ele oferece uma alternativa existencial distinta da do lirismo bossa-novístico, algo que vai desenvolver também em canções posteriores. A Inútil paisagem, de Tom Jobim e Aloysio de Oliveira, tornar-se-á a Paisagem útil, em suas mãos. As Janelas abertas de Tom e Vinicius, “para que o sol possa vir/ iluminar nosso amor” tornar-se-ão “as portas que dão pra dentro” e “janelas pra que entrem/ todos os insetos” de Janelas abertas número 2, de Caetano. E Saudosismo, deste último, relê a Fotografia, de Tom, e cita Lobo bobo, de Lyra e Bôscoli, e A felicidade e Chega de saudade, ambas de Tom e Vinicius.

Se a pós-modernidade prevê a falência das utopias, Caetano é moderno, pois canta “não tendo utopia/ não pia a beleza também” em Love love love. O projeto estético, portanto, comporta uma ética, “um acorde perfeito maior/ com todo mundo podendo brilhar no cântico” de Muito romântico. E há a crença na nossa identidade como algo que pode interferir nos destinos do mundo, apesar e por conta de nossa diferença: “absurdo, o Brasil pode ser um absurdo/ até aí, tudo bem, nada mal/ pode ser um absurdo, mas ele não é surdo/ o Brasil tem ouvido musical/ que não é normal”, também de Love love love.

Todo esse vasto universo, no entanto, pode ser visto como desdobramento de Coração vagabundo, em sua simplicidade cristalina, com o que a canção ambiciona – “ser tudo o que quer”- e persegue – “guardar o mundo”. As palavras “tudo” e “mundo” abrem prováveis e improváveis portas e janelas, pela variedade, conjugada à unidade, do que significam.

A obra, a vida. Desde que apareceu no cenário da cultura, Caetano dá muitas entrevistas, discute, se expõe, movimenta-se. Até hoje é assim, e assim foi, como quando teve o blog Obra em progresso, antes de lançar o recente Zii e Zie: aos 66 anos, o artista respondia sempre a todos, e estava atento aos que dele discordavam. Da Bahia, onde há um bolsão de resistência, roqueiros iniciaram um diálogo. Nos dois últimos discos e shows, se fez acompanhar por uma banda de rock, com integrantes mais jovens, oriundos do underground carioca. O coração, portanto, continua vagabundo, e os desafios ainda maiores, num Brasil/mundo cada vez mais fragmentado e partido.

Paquito é músico e produtor.

TERRA MAGAZINE:(http://terramagazine.terra.com.br)

jul
29
Posted on 29-07-2009
Filed Under (Artigos, Gilson) by vitor on 29-07-2009

Ilustração: Gilson Migué
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OPINIÃO/CIDADES

Bandidos à solta

Gilson Nogueira

Comparações sobre beleza enfadam-me. Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos,Antoine de Saint-Exupéry escreveu. Francês retado, autor do livro O Pequeno Príncipe.

Cotejar Salvador com Rio de Janeiro, por exemplo, para apontar a mais bonita das duas capitais, faz-me solicitar, no ato, que me indiquem a porta de saída, com urgência, a fim de livrar-me do papo careta e, por tabela, dos chatos de plantão. Rio e Salvador são consideradas as mais belas metrópoles do Brasil, por suas belezas naturais. Se o quesito decisivo for violência urbana, não há vencedor, dá empate técnico.

A violência, lá, como cá, está a atingir níveis insuportáveis, fazendo com que os habitantes das duas cidades sintam-se cada vez mais indefesos por ineficiência do aparelho policial e da ausência de políticas públicas eficazes, com capacidade de conter a progressão geométrica desse câncer social. Não à violência urbana deveria ser o lema de campanha envolvendo todos os veículos de comunicação de massa do país, com o propósito de sensibilizar a nação para o gravíssimo problema. Que surjam os criativos e os patrocinadores da empreitada, aqui sugerida, paro bem do povo!

Por conta da violência, sente-se, já, em diversos locais, que muitas pessoas, sem saber, talvez, blindam-se no contato com o outro, nas ruas e shoppings ( e, até, no elevador do edifício onde moram ), prejudicando, por conseguinte, as boas relações humanas, tão necessárias à saúde da sociedade. Nesses encontros, fortúitos, ou não, sob o manto da desconfiança, esvai-se a cordialidade, esquece-se a gentileza, ignora-se a simpatia mútua, joga-se fora a felicidade, afugenta-se a convivência feita de coisas simples, como o aperto de mão, o sorriso cordial, o cumprimento educado, o simples alô!O prejuízo é enorme. E a paz entre os homens, aditivo que movimenta a confraternização entre os povos, vai para o brejo, como grande prejudicada.

A violência chega, a passos largos, às mais longínquas vilas do território brasileiro. Ali, marginais visitantes e marginais locais, os que nasceram no teatro onde o crime é praticado, assaltam e matam confiantes na impunidade. Espalham o terror por onde passam. Deixam suas marcas nos corações dos que tiveram seus entes queridos e amigos por eles assassinados. E muitos não são presos por isso. Fogem para matar mais. O tema Violência precisa ser discutido com mais profundidade, pela população brasileira, objetivando ao enfrentamento das suas causas , hoje. Ações policiais devem ser intensificadas. de Norte a Sul, com inteligência, para evitar uma barbárie coletiva. Aparelhe-se, em nível de primeiro mundo, todas as polícias. A força da lei é inquestionável. Aplique-se ela.

O medo, nesse cenário desalentador, de quase total desamparo do cidadão, pela inércia de gestores públicos, é parceiro da agonia e da desesperança. A pátria clama por segurança, ao ver, na mídia, assassinos de todos os matizes sendo contemplados com reduções de penas e verdadeiras mordomias concedidas pela justiça. Sua população está no limite da paciência..

…Por enquanto, amigo, mude seus hábitos, não saia às ruas, principalmente, à noite. Sua vida não tem preço. A sociedade está presa. Os bandidos estão soltos. Inclusive, no Congresso.

Gilson Nogueira é jornalista

jul
29
Posted on 29-07-2009
Filed Under (Artigos, Eventuais) by vitor on 29-07-2009

Cartório: triunfo da burocracia
cartorio
CRÔNICA DA CIDADE
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MEU DIA NUM CARTÓRIO DA CAPITAL

Carlos Neto

Ontem, dia 28 de julho, fui obrigado a me dirigir ao Cartório de Tabelionato de Notas do 10º Ofício – Distrito da Vitória, para reconhecer a firma de um documento de transferência de um veículo que acabara de vender.

Cheguei às 8h30min, me reportei a uma atendente sobre a possibilidade de abrir uma firma. Ela assim me respondeu: “Nós só abrimos dez firmas por dia, corre e pega uma senha que só tem duas fichas” (sic). Corri no balcão e, ofegante, agarrei, com um misto de alegria e alívio, a minha senha de número 40. Naquele momento o painel registrava o atendimento de número 06.

Aproveitei meu longo tempo de espera para observar o dia-a-dia num cartório. Primeiro constatei que os amigos dos serventuários têm grande regalia. Um policial, muito cortês, realizava o atendimento dos idosos. Ops! Um policial realizava o atendimento? Isso mesmo. Enquanto a população está completamente insegura, contingente policial, em desvio de função, atua nos burocráticos ninhos cartoriais.

Já passava das nove e o painel, emperrado, registrava a senha de número 26, e dali não saia. Usuários entravam e saiam, sopravam, resmungavam e nada adiantava. Para não dizer que aspectos positivos não foram observados, o ar condicionado estava funcionando, e bem.

Quase dez da manhã e nada. Levantei e fui andar um pouco. Passei a ler os avisos estampados em diversos locais do salão. O primeiro em letra tamanho 20 informava o artigo do Código Penal que penaliza o desacato ao funcionário público, os outros eram todos taxativos e bem claros para não ter reclamação. Mas uma pergunta que não quer calar, e nós usuários que ficamos mais de duas horas numa fila sendo desrespeitados, recorremos a quem?

Enfim chegou minha vez. Eram exatamente 10h08min. Após reconhecer a firma, ainda fui obrigado a trocar o dinheiro, pois a atendente não tinha troco. Essa mesma atendente é muito eficaz, mas em termos de cordialidade e cortesia dispensada aos usuários aí, aí, aí.

Até quando ?

Carlos Neto é jornalista

jul
28
Posted on 28-07-2009
Filed Under (Aparecida, Artigos) by vitor on 28-07-2009

CRÔNICA / MUTANTES

Caleidoscópio ( crônica para saudar Helô)

Aparecida Torneros

cida
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Um sonho de segundos, e o colorido vai passando como num mundo mágico, aos nossos olhos, formando figurinhas brilhantes, flores e cabalas, à medida que os pedacinhos de vidro se movem diante da luz, em espectro sonhador. Helô, a eterna hyppie, me mostrava suas criações, naquelas tardes de Búzios, na casa da Cris, quando eu precisava ver mesmo as cores da vida renovada. Saudade de pintar o mundo com a ilusão de um bom caleidoscópio. Ilusão de ótica, olhar de criança encantada, lá iam meus pensamentos enveredando pela alegria que pode ser tão intensa quando se valoriza um ângulo profundamente especial.

É assim que busco ver os momentos todos. Tão efêmeros na sua beleza abundante, enquanto o milagre da vida acontece para que valorizemos os encontros com os sonhos, mesmo acordados para uma realidade que pode ser dura à nossa volta.

No grande caleidoscópio do universo, os elementos vão mudando de lugar, matematicamente ordenados em crescimento eterno. O bing-bang da explosão originária de que tanto falam os cientistas, nos trouxe essa misteriosa luz para nos fazer criaturas extasiadas com o inexplicável, o espaço que continua a se expandir, os mundos que ainda nos são tão desconhecidos, os planos acima e abaixo que devem ser as tais morados da casa do Pai, como um dia se referiu o Mestre Jesus, numa de suas parábolas tão divulgadas pela fé enquanto nossas figurinhas se enroscam em torno de nossos ínfimos umbigos, a nos ligar ao tempo e ao espaço.

Helô, que um dia encontrei em Buenos Aires, é aquela pessoinha de vida migrante, a mesma que conta histórias de lugares onde já viveu, da Amazônia, do Morro de São Paulo, na Bahia, que confecciona luminárias e micro-oratórios, como o que tenho aqui comigo, do tamanho de uma caixa de fósforo, com um São José segurando o menino Deus, no colo da fantasia, envolto em pedrinhas brilhantes, colocadas meticulosamente pelas mãos da artista, aquela que sabe presentear com delicadeza dos seus dedos cada vez que cria seu mundinho particular e o divide conosco.

Pois é, como a Helô é a única criatura que conheço que ainda produz caleidoscópios, encantando crianças e adultos, ela me provoca vontades infantis de sair correndo pelos campos, cheirar flores e observar passarinhos, admirar borboletas, deixar que o gosto da chuva me ensope a língua, me encha a boca, no descompromisso quase impossível de viver a liberdade de ser.

Saúdo a saudade dela, nem sei onde está agora, talvez na praia de Atafona do norte do Estado do Rio, talvez na casa da filha que vive na Argentina, quem sabe, novamente, produzindo artesanato pelos lados de Búzios, ou ainda, em alguma seresta de fim de tarde, na casa de amigos cantadores, reverberando luminosidade sob prismas de fantasia.

Helô me deve um caleidoscópio e vou cobrar, aliás, estou cobrando, pois, em certos minutos do meu universo pequeno e rico de perguntas sem resposta, preciso mesmo é de fixar meus olhinhos num artefato tão múltiplo de imaginação e viajar nas imagens lindas que o acaso vai formando, unindo formas, misturando cores, trocando rapidamente o lugar da geometria engenhosa de algum Deus especialista na criação de pequenas verdades, mentirinhas necessárias e brilhos com sabor de eterna infância.

Aparecida Torneros é jornalista, cronista e escritora, mora no Rio de Janeiro
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ps : A crônica foi escrita em 2008 e a Helô me presenteou com o caleidoscópio meses depois, eu o tenho na minha mesinha de cabeceira, gosto de olhá-lo, na contraluz, à noite, muitas vezes, antes de adormecer, para que meus sonhos reproduzam cores e formas lindas e exuberantes.
Cida Torneros

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jul
27

Consuelo: contra vendilhões
consuelo
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OPINIÃO/BAHIA COM H

Medalha Maria Felipa!

Consuelo Pondé de Sena

Fui, hoje cedo, informada de que mais uma medalha está sendo proposta por uma vereadora desta capital. Desta vez, a medalha Maria Felipa de Oliveira, cuja existência real, segundo a palavra autorizada do Professor Emérito da UFBa, Luís Henrique Dias Tavares, faz parte de mais uma lenda criada pela fértil imaginação dos que reivindicam lugares cativos para seus ídolos fictícios, no panteão da história.

Está na hora de acabar com tanta sandice!

Essas homenagens são boas e rendem lucros para quem vive à custa dos contribuintes. Refiro-me, particularmente, aos vereadores desta capital, muitos deles semi analfabetos, que vivem concedendo honrarias “a torto e a direito”, sem o mínimo respeito àqueles que cultivam o nosso passado.

Reparem que, até agora, não comentei sobre o “protocolo” da Câmara, que está a merecer um texto especial.

OPINIÃO/BAHIA COM H

Tempo houve que, tais manifestações de caráter político eleitoreiro, não eram referendadas sem a opinião dos doutos no ofício. Escutavam-se os historiadores de “peso”, que viviam o dia a dia no Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, queiram ou não, àquela altura, o espaço privilegiado de discussões sobre a Cidade do Salvador, acerca do Estado da Bahia e da sua gente.

Hoje, predomina e domina a falta de conhecimento dos proponentes dessas homenagens “fajutas” e prevalece a falta de respeito aos estudiosos.

Por qualquer motivo a Câmara Municipal do Salvador, outrora uma corte responsável de legisladores, faz homenagem a pessoas desconhecidas, que nada fizeram ou realizam em prol da cidade.

Como não tenho receio de contraditas, porque não costumo mentir, nem dissimular, vale recordar que, durante a presidência do vereador Gilberto José, naquela Casa Legislativa Municipal, “mendiguei” a vários vereadores a concessão do título de Cidadão de Salvador para o historiador J.Russel Wood. Cidadão probo e respeitável, postulei essa homenagem pelos inestimáveis serviços prestados à historia desta Cidade. Seu notável currículo, por mim encaminhado junto à solicitação em lide, foi perdido, no emaranhado de papeis descartáveis, pelos “competentes” assessores da Casa. Sabem no que deu a minha proposição? Em negativas sobre negativas. Não, consegui realizar o objetivo, pleiteado pelo Instituto Geográfico e Histórico, do qual Russel Wood é Sócio Correspondente, há muitos anos, ficando o ilustre historiador desapontado com as desculpas a mim enviadas, das quais, como é natural, tomou conhecimento.

Lembro-me bem que até ao vereador Sérgio Carneiro, em quem havia votado em várias ocasiões, pessoa que muito aprecio pela cordialidade, competência e simpatia deixou de atender à minha reivindicação, alegando compromissos anteriores, A meu ver, deveria ser aberta uma exceção por tratar-se de personalidade tão ilustre e prestante.

Graças a Deus, no entanto, o historiador da Santa Casa de Misericórdia obteve a referida honraria graças ao prestígio do Dr. Álvaro Conde Lemos, então, Provedor daquela instituição respeitável. Ainda bem que a dívida foi reparada.

Devo esclarecer ainda que naquela ocasião, Gilberto José alegou que os Vereadores estavam comprometidos com outras pessoas e meu pedido, pedido não, solicitação formal e justa, teria de ser preterido, em favor de pessoas menos “qualificadas”, suponho eu!

Outro absurdo cometido foi a inauguração da estátua de Zumbi dos Palmares na Praça da Sé, sem que fossem ouvidas as opiniões de quem tem conhecimento para tal.

A Cidade de Salvador virou a Casa de Noca, todo mundo faz o que pensa e quer. E para aonde vai à opinião dos que conhecem a História, que não são ouvidos nem cheirados no momento de serem firmadas e executadas tais proposições?

Já perdi a conta das vezes que tenho escrito, por minha conta e risco, contra os espetáculos de “luz, cores e barulho infernal” no Farol da Barra?

Como aceitar que a festa do Dois de Julho tenha arrastado tanta gente para aquele local e esvaziado a Avenida Sete de Setembro, que ficou às moscas este ano?

Que dizer da “poluição sonora “produzida irresponsavelmente naquele espaço histórico e arquitetônico. Da lenta destruição a que vem sendo submetido um dos mais belos carões postais da Cidade de Tomé de Souza? Por hoje é só.

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Consuelo Pondé de Sena preside o Instituto Geográfico e Histórico da Bahia. Historiadora, professora da UFBA, cronista do cotidiano, escritora, polemista de primeira linha como já não se vê quase na Bahia do oba-oba quase geral, que a partir desta segunda-feira (27), estréia como colaboradora do Bahia em Pauta. Chega mais, professora. (Vitor Hugo Soares, editor, pelo BP)

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