http://youtu.be/fpsds1_LC4I

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DEU NO IG

Guarulhos, Espírito Santo, Bela Vista, Vila Moraes, Interlagos, Cohab 5, Capão Redondo, Curitiba, Pirituba, Itaquá, Tatuapé, Praia Grande, Americana, Pindamonhangaba, Tucuruvi, Jundiaí, Itaquera, Mooca, Mogi Guaçu, Canadá, Cubatão, Indaiatuba, Suzano, Serra Negra, Sorocaba, Francisco Morato, Cangaíba, Austrália. Essas foram algumas das faixas de corintianos espalhadas em todo o anel superior e parte do inferior do Yokohama Stadium neste domingo 16 de dezembro. Nesses lugares e em todo mundo só há uma certeza: o Corinthians é o campeão mundial de 2012.

Não havia faixas do Peru. Mas camisas de um tal centroavante com a tradicional faixa transversal em vermelho havia, sim. Camisas de Guerrero, o autor dos dois gols que deram ao Corinthians o seu segundo título mundial. O segundo na vitória por 1 a 0 sobre o Chelsea, no estádio que já havia visto a seleção brasileira, o São Paulo e o Internacional triunfarem.

O peruano e o goleiro Cássio, com pelo menos cinco defesas importantes, mereceriam bicho dobrado após a noite que viu o Corinthians se igualar ao Barcelona como único bicampeão mundial em torneios organizados pela Fifa.

Numa invasão que tomou conta de Yokohama e de todo o Japão, corintianos de todas partes da capital paulista e de todo o mundo, fizeram o mundo conhecer o que é Corinthians. E com um título que já entra para história, não só pelo resultado, mas pelo que se viu fora dos estádios e nas cidades japoneses por onde passaram os loucos do bando.

Jornalistas ingleses, australianos, alemães, japoneses, espanhóis, franceses, indonésios… não há um gringo presente neste Mundial que não tenha se impressionado com o esforço de milhares de corintianos de estarem ali. No público de 68.275 divulgados pela Fifa ao menos 2/3 era de torcedores alvinegros, que fizeram do Yokohama Stadium um Pacaembu.

O jogo
Aos 9 minutos, a bola com chip talvez tenha tido sua primeira dura tarefa desde que foi adotada pela Fifa neste Mundial. Após cobrança de escanteio, Chicão não conseguiu cortar de dentro da pequena área, a bola sobrou para Cahill, que a queima roupa perdeu grande chance. Cássio salvou em cima da linha, claramente fora do gol, para alívio dos corintianos.

E mais: Após balançar no cargo, Tite conquista o mundo e todos os títulos possíveis
Reuters
De outro ângulo, Guerrero sobe para marcar o gol do título do Corinthians

O Chelsea era melhor. Tinha mais de 65% da posse de bola até os 20 minutos do primeiro tempo, mas o Corinthians, bem postado, começava a arriscar depois de ser pressionado pelo time inglês nos primeiros minutos. Com Emerson, em roubada de bola depois de erro de Ramires, o Corinthians entrou com perigo na área rival pela segunda vez (Paulinho havia furado alguns minutos antes). De fora da área, Jorge Henrique e Paulinho também arriscaram mas sem obrigar Cech a fazer nenhuma defesa.

O Corinthians equilibrou o jogo e foi melhor na metade final do primeiro tempo. Aos 34, Chicão lançou na área, Guerero disputou com David Luiz, ganhou, cortou para a perna direita, mas chutou mal. A bola saía pelo lado direito do gol de Cech, mas Emerson a alcançou e conseguiu acertar o pé da trave direita do goleiro checo.

O assanhamento do Corinthians fez o Chelsea acordar e por pouco abrir o placar. Cássio evitou o pior. Primeiro aos 37, após chute de Torres e depois ao 39, em chute colocado de Moses, em que o goleiro se esticou todo para afastar para escanteio. O arqueiro foi peça fundamental do Corinthians para que o primeiro tempo terminasse sem gols.

No segundo tempo, sem mudanças em nenhum dos times, o Corinthians foi melhor. Controlou os nervos e contou com ótima partida de Danilo e o faro de Guerrero para sacramentar o placar final da vitória. O gol saiu após jogada iniciada pelo camisa 20 e que acabou na cabeça de Guerrero, como na semifinal contra o Al Ahly. O mundo é preto e branco pela segunda vez.

FICHA TÉCNICA – CORINTHIANS 1 X 0 CHELSEA

Local: Estádio Internacional de Yokohama, em Yokohama (JAP)
Data: 16 de dezembro de 2012 (domingo)
Horário: 8h30 (de Brasília)
Árbitro: Cüneyt Çakir (TUR)
Assistentes: Bahattin Duran (TUR) e Tarik Ongun (TUR)
Cartões amarelos: Jorge Henrique (Corinthians); Cahill e David Luiz (Chelsea)
Cartão vermelho: Cahill (Chelsea)

Gol: CORINTHIANS: Guerrero, aos 23 minutos do segundo tempo
Público: 68.275 pagantes

CORINTHIANS: Cássio; Alessandro, Chicão, Paulo André e Fábio Santos; Ralf e Paulinho; Jorge Henrique, Danilo e Emerson (Wallace); Guerrero (Martínez)
Técnico: Tite

CHELSEA: Cech; Ivanovic (Azpilicueta), Cahill, David Luiz e Ashley Cole; Ramires e Lampard; Moses (Oscar), Juan Mata e Hazard (Marin); Fernando Torres
Técnico: Rafael Benítez

dez
15
Posted on 15-12-2012
Filed Under (Artigos) by vitor on 15-12-2012

DEU NO DIÁRIO DE NOTÍCIAS (PORTUGAL)

O presidente venezuelano Hugo Chávez tem recebido visitas diárias do ex-líder cubano Fidel Castro enquanto está, em Cuba, em recuperação de uma cirurgia de câncer, segundo um membro do governo da Venezuela.

A agência Associated Press (AP) noticiou no sábado à noite que o ministro venezuelano da Ciência e Tecnologia, Jorge Arreaza, disse que Fidel Castro tem visitado diariamente Hugo Chávez desde a operação, na terça-feira.

A revelação foi feita num programa de televisão venezuelano, através de uma entrevista telefônica, a partir de Havana, ao ministro Arreaza.

Durante a sua presidência, Hugo Chávez desenvolveu uma relação de amizade com o líder histórico cubano, chegando a descrevê-lo como um pai ou um mentor.

Na mesma entrevista, o ministro venezuelano da Ciência e Tecnologia adiantou que Chávez responde favoravelmente desde a cirurgia.

Também o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Diosdado Cabelo, assegurou já que o presidente se encontra “totalmente consciente” e dando instruções a partir de Havana.

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Deu no Globo.com

Por Fernando Martins Y Miguel – Belo Horizonte

O Vitória é o campeão da primeira edição da Copa do Brasil Sub 20. Depois de golear o Atlético-MG por 4 a 1 no primeiro jogo da decisão, a equipe baiana foi derrotada no jogo de volta por 2 a 1, resultado que garantiu o título para o time rubro-negro.

O Galo foi valente, pois venceu o jogo com um jogador a menos desde o primeiro tempo. Se serve de consolo para o Atlético-MG, que marcou os dois gols com o atacante Carlos, a equipe está classificada para a Libertadores da categoria no ano que vem. O título da equipe comandada por Cláudio Amadeu coroou o melhor futebol apresentado no primeiro jogo da final com a conquista do título.
saiba mais

O gol do Vitória, marcado por Welison aos 45 minutos, jogou um balde de água fria nas pretensões dos donos da casa, que acreditavam até o final numa possível vitória por 3 a 0, que daria o título aos mineiros.

A pressão que a torcida atleticana fez diante do Bahia, nas semifinais da competição, na partida realizada no estádio Independência não se repetiu, já que o jogo decisivo deste sábado foi realizado em Sete Lagoas, a 60 quilômetros de Belo Horizonte, e na noite do sábado.

Os alvinegros que compareceram tentaram empurrar o time para a difícil missão de reverter o resultado de 4 a 1, sofrido no primeiro jogo, em Salvador. A proposta alvinegra era de buscar o gol logo nos primeiros minutos, mas a postura da boa equipe treinada por Carlos Amadeu dificultava as ações dos donos da casa.

Tanto que o primeiro lance de perigo foi do próprio Vitória. Maia cobrou falta com categoria e a bola explodiu no travessão. O Galinho chegou a responder em seguida com Donato, que cabeceou no travessão do goleiro Gustavo.

O jogo do Vitória, além dos contra-ataques, era em cima do lado esquerdo de defesa atleticana. Thiago tinha trabalho para conter o habilidoso Maia e o rápido Alan Pinheiro. O poderio ofensivo atleticano se limitava às cobranças de escanteio com as bolas aéreas para os altos zagueiros alvinegros.

A situação do Galo se complicou depois da expulsão do volante Lucas Cândido, após falta violenta em Alan Pinheiro. O técnico Rogério Micale, depois de reclamar muito com o árbitro Felipe Duarte Varejão. E o primeiro tempo acabou sem gols e as maiores emoções foram as bolas na trave e as expulsões do Galo.

Tudo ou nada

Na segunda etapa, o técnico Rogério Micale tentou recompor o meio-campo ao colocar o volante Cácio e tirar o meia Álvaro. Ele também tentou dar mais poder ofensivo e tirou o lateral Thiago, que não fez boa partida, e colocou o atacante Zé Alberto.

Mas o Vitória era perigoso nos contra-golpes e descia com perigo e velocidade. Maia pela direita levava a defesa do Galo à loucura. O tempo ia passando e o desespero atleticano ia tomando conta.

Aos 27, Carlos aproveitou falha bisonha do zagueiro Clayton, que havia entrado na vaga de Matheus, e tocou por cima do goleiro Gustavo para abrir o placar e dar um alento ao torcedor na Arena do Jacaré.

Micale colocou o Galo para frente ao trocar Henrique por Souza. Amadeu tentou fechar e tirou o meia Mauri para a entrada do volante Welison. Mas o Galo foi valente e, após cruzamento de Jemerson, Carlos cabeceou para botar fogo na partida. Os mineiros precisavam de apenas mais um gol para ficar com o título.

Só que Welison enterrou as pretensões mineiras ao marcar no último minuto e deixar o título nas mãos dos baianos.


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Texto de Regina postado na área de comentários, que o Bahia em Pauta, pela relevância, reproduz em seu espaço principal de notícia e opinião (VHS)

OPINIÃO/TRAGÉDIA AMERICANA

“Por que não aqui?”

Regina Soares

Mais uma vez despertamos na América dos sonhos possíveis, das cercas brancas em casas confortáveis, ao som de balas assassinas acertando corações e cabeças inocentes. Dessa vez, menores de 10 anos na sua maioria, calando-os para sempre e interrompendo vidas recém iniciadas…

É a mesma velha historia se repetindo, o mesmo gosto ruim na boca e as mesmas perguntas embaralhando o pensamento: POR QUE?

Como entender cenas como estas? Como explica-las e, muito menos, como justifica-las? Impossível! Mas, uma coisa podemos tentar lembrar nesses momentos de terror em que a sociedade fica entre o firmamento e seus botões numa afirmativa egocêntrica: “Essas coisas não poderiam acontecer aqui”.

Como se nunca aprendêssemos as lições que são repetidas e quase iguais: Um louco se apodera de armas e munições e surpreende escolas ou salas de cinema eliminando em poucos segundos vidas e sonhos… É a realidade e parece que somos impotentes de muda-la, ou nem sequer tentamos…

As lágrimas do Presidente não me comovem. Suas palavras elaboradas e adequadas citações me entediam. A falta de mobilidade do publico nas ruas demonstrando insatisfação com a falta de ação dos políticos e legisladores com respeito a normas que limitariam o uso e venda indiscriminado de armas de fogo de grande potência que não tem outra função que a de matar, e, sobretudo a inércia quanto à modificação de legislação impedindo os pais ou associados de agir de uma forma pro-ativa diante de quadros de deficiência mental evidente e gritante que poderiam obrigar o paciente a um tratamento ou pelo menos uma observação profissional adequada, me angustiam.

Ouvimos sempre o mesmo: “Era uma pessoa calada, isolada, por desejo próprio ou por não aceitação dos outros, um estranho”, mas essa pessoa leva tempo elaborando um plano macabro, comprando armas, aprendendo a usa-las, deixando pistas que ninguém quer ver e muito menos enfrentar, por medo de estar invadindo sua privacidade protegida por lei. Só se pode enfrentar esse “monstro” depois da tragédia acontecida.

E nem começamos a arranhar o complicado labirinto das ações sociais de comportamento humano num sistema altamente competitivo e frio… “Por que não aqui?”

Basta, eu diria, gritaria!!!!!!

Regina Soares, advogada baiana diplomada na Faculdade de Direito da UFBA, é especializada em eleições americanas. Mora há décadas na Califórnia , costa oeste dos Estados Unidos..


Criança diante da tragédia em Newtown

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DEU NO PORTAL EUROPEU TSF

Um dia depois do tiroteio que provocou 27 vítimas, entre as quais 20 crianças, numa escola de Newtown, no Connecticut, procuram-se respostas e explicações.

A jornalista Teresa Dias Mendes resume os últimos acontecimentos

A maior questão é o que terá levado Adam Lanza, de 20 anos, a entrar numa escola armado para tirar a vida a quase 30 pessoas, incluindo a própria mãe.

O Washington Post, que cita um fonte policial, refere que foram encontradas duas pistolas e uma espingarda no carro onde seguia Adam Lanza e que as armas teriam sido adquiridas legalmente.

O irmão de Adam, Ryan Lanza, chegou a ser apontado como responsável pelo tiroteio, uma informação que foi desmentida mais tarde. Ouvido pela polícia, Ryan Lanza referiu que o irmão sofria de distúrbios de personalidade.

Fontes policiais dizem que Ryan Lanza não ofereceu resistência e colabora nas investigações do caso, apesar de não ter contato com o irmão desde 2010.

Além das 26 pessoas assassinadas na escola Sandy Hook, em Newtown, entre as quais 20 crianças, foi também encontrado o corpo do atirador, que se terá suicidado, e de Nancy Lanza, a mãe do suspeito, numa casa próxima da escola.

Ainda por esclarecer está o fato de Nancy Lanza, uma professora do ensino primário, ter registadas três armas em seu nome.

dez
15

Vai para Cida Torneros, amiga do peito do Bahia em Pauta, no dia do aniversário do filho no Rio de Janeiro (vai para o aniversariante também, com o abraço da turma do BP)

(Vitor Hugo Soares)

dez
15
Posted on 15-12-2012
Filed Under (Artigos) by vitor on 15-12-2012

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Foto:Cida Torneros

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CAFÉ DA MANHÃ

Maria Aparecida Torneros

Quando o sábado chegou, acordei e vi que já eram 9 e meia da manhã. Olhei no smarthphone, na cabeceira, não só a hora, mas também alguns daqueles avisinhos do Google e li o post do meu filho, assinalado às 7 da manhã.

Dizia “Ossos do ofício, aula num sábado chuvoso, em Niterói”!
Meu coração de mãe se encheu de peninha e orgulho. Ontem, ele completou 35 anos, deve ter comemorado, espero, com namorada e amigos, mas acordou cedo, e já estava no “trampo”, do outro lado da baía, para dar sua aula de Raciocínio Lógico ou de Informática, em algum desses cursos preparatórios onde as pessoas buscam realizar o sonho de passar em concursos públicos.

Levantei, preguiçosa, lembrei que durante pelo menos 18 anos, fiz a mesma coisa que ele repete agora. Ia dar aulas numa universidade distante, da 7 às 16 horas, todos os sábados, deixando o meu filhinho com seu pai.

Aí, acordei de vez, pus-me de pé para preparar um café da manhã, vi que não tinha pão em casa, optei por um ovinho frito, café e leite, hora de enfrentar meu dia, que terá a faxina da casa e depois a ida pra ficar com minha mãe todo o fim de semana, até a segunda. Numa fase sensível, estou naquela idade em que as doencinhas surgem e as idas a consultórios médicos se sucedem em cascata.

Ainda não me acostumei com isso. Mas sei que devo me cuidar e encaro exames, fisioterapias, etc. etc. Pego os comprimidos que vou tomar agora, ponho música para ouvir, camuflo a solidão.

Ao buscar uma xícara para o café, escolhi uma que o filhote me deu no dia das Mães, e sorri, sozinha…lendo o recado impresso: Mãe , sempre o melhor colinho!

Não resisti, fotografei a refeição matinal, vi como sou bocó, e me emocionei, de novo. Que nem cena de filme natalino… Mãe é mesmo bobalhona, não fujo à regra, nem no café da manhã!

Cida Torneros, jornalista e escritora, mora no Rio de Janeira.Colaboradora e amiga da primeira hora do Bahia em Pauta.

dez
15
Posted on 15-12-2012
Filed Under (Artigos) by vitor on 15-12-2012


Miguel, hoje, no Jornal do ComércIo (Recife-PE)

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ARTIGO DA SEMANA

Em nome de Luiz Gonzaga

Vitor Hugo Soares

Treze de dezembro de 2012 é uma data para não esquecer. Na quinta-feira o país viveu uma espécie de trégua não declarada nos combates da guerra política, jurídica e midiática das últimas semanas. De ponta a ponta, o Brasil foi unificado e pacificado na celebração do centenário de nascimento do pernambucano de Exu, Luiz “Lua” Gonzaga.

Parecia um toque mágico da sanfona que fazia (e continua fazendo, graças aos milagres da tecnologia) um povo inteiro parar para ouvir. Deu-se o reencontro, mesmo que apenas momentâneo, dos brasileiros com a Nação. Com direito a registro jornalístico digno e sem preconceitos ou ofensas desde o Jornal Nacional, da Globo, à Rádio Caraíbas, no sertão seco da baiana cidade de Irecê.

“Foi bonita a festa, pá”, imagino que tenham repetido Chico Buarque e os portugueses ao mesmo tempo, lembranças do 25 de abril da Revolução dos Cravos à parte.

Do Recife inteiro e Salvador, à Feira de São Cristovão e o Leblon, no Rio de Janeiro. De São Paulo, dos nordestinos e de gente de todo lugar, à Brasília sempre nervosa e inconstante da política e do poder oficial, dos burocratas, dos empresários em trânsito e seus lobistas, dos magistrados, mas também do povo herdeiro dos candangos da cidade, para os quais Gonzagão cantou com especial carinho e entusiasmo.

De Fortaleza, no Ceará da gente do Cariri amado pelo Rei do Baião, aos salões e gabinetes de Paris, Barcelona e Moscou, por onde passaram nestes dias de tumultos, desafios e desabafos a mineira Dilma Rousseff, presidente da República, e sua caravana em périplo europeu. Além do conterrâneo do grande homenageado, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, personagem mais atacado e cuspido ultimamente em seu país que a Geni, da Ópera do Malandro. Luiz Gonzaga era assim: falava e cantava de tudo e para todos, apesar de sua declarada opção preferencial pelos mais simples e humildes, “meus irmãos nordestinos”, como ele gostava de dizer. < /span>

O fato relevante a ser destacado, no entanto, é que no ambiente de tumulto, recheado de acusações e contra-acusações, documentos “sigilosos” vazados pousando nas redações, intrigas a granel, adjetivos de sobra, substantivos em falta -, abriu-se de repente o espaço para um momento belo e exemplar – embora cada vez mais raro – de entendimento e celebração nacional. Um encontro dos brasileiros com a Nação, mesmo que isso venha a se revelar algo efêmero e sem consequências nos próximos dias, quando acabar a festa que prossegue por todo este fim de semana do ano do centenário de “Lua”.

Ainda assim, que ninguém se engane: permanecerá por décadas e décadas – acima das querelas da política e do poder-, a lembrança dos ensinamentos da vida e das canções espalhados no país que tem em Luiz Gonzaga, doa em quem doer, um de seus símbolos humanos maiores e mais significativos de unidade nacional. “Assunto ainda para um século ou mais”, canta o próprio Gonzagão em “Onde tu tá Neném”, uma de suas músicas mais bonitas e emblemáticas, que escuto no computador enquanto escrevo com emoção estas linhas.

Sobre esta enorme influência e importância nordestina e nacional de “Lua” escreveu quinta-feira Paulo da Costa Lima, da UFBA, na revista digital Terra Magazine. Paulo Lima é músico de pleno conhecimento técnico com direito a verbete em enciclopédia britânica de música. O cantor e compositor Gilberto Gil, um dos mais notáveis e reconhecidos herdeiros da obra de Luiz Gonzaga – convidado especial para o palco da grande festa em Exu, ao lado de Dominguinhos, o discípulo mais querido e admirado do filho de Januário-, também falou sobre a magnitude de Gonzaga e a transcendência de sua vida e obra.

Não é a primeira, nem a segunda ou décima vez que isso acontece, mas o baiano o fez com especial conhecimento e sabedoria em recente Programa do Jô. Foi uma das conversas mais ricas e completas de conteúdo da TV brasileira nos últimos anos. Merece reprise, logo, em homenagem ao artista baiano, ao apresentador, mas principalmente a Luiz Gonzaga.

Devo dizer, antes do ponto final: Venho de uma cidadezinha na beira baiana do Rio São Francisco. Os primeiros acordes musicais de que tenho lembrança na infância, em Santo Antonio da Glória, saiam da sanfona e da voz de Luiz Gonzaga. O Aboio que marcava a abertura e o encerramento de todos os programas de rádio e apresentações do artista pernambucano que começava seu reinado no Brasil.

Na época se construía a Usina Hidrelétrica da CHESF, em Paulo Afonso, então distrito de Glória, onde eu morava. Formigueiro nordestino monumental de operários e engenheiros de umas das maiores obras no Governo Vargas. Imaginem a emoção do garoto na inauguração da usina, já no Governo Café Filho, ouvindo Luiz Gonzaga cantar uma de suas músicas mais célebres: “Olhando prá Paulo Afonso, louvo nosso engenheiro, louvo nosso cassaco, caboclo bom, verdadeiro, e essa usina feliz mensageira, vivendo da força da cachoeira. Meu Brasil vai”…

Isso é Gonzaga!!! Grande demais para caber neste ou qualquer outro espaço que não seja o coração de uma nação inteira, unida em seu nome. Mesmo que por apenas um dia, valeu “Lua”.

Vitor Hugo Soares – E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

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Onde Tu Tá Neném
Luiz Gonzaga
Estou aqui de novo, junto ao meu povo
Minha gente amiga
Quem me conhece sabe, que eu detesto intriga
Uma saudade enorme, come, deita e dorme no meu coração
Remédio indicado pra quem está errado é pedir perdão

Onde tu tá neném
Eu vim te procurar
Vamos fazer as pazes
Tenho tantas frases pra te agradar
Onde tu tá neném
Eu vim te procurar
Saudade sai me solta, estou aqui de volta pra meu bem beijar

Lá … lá … lá… lá…

Por uma briga à toa, quanta coisa boa a gente está perdendo
Sertão em noite branca, o dia amanhecendo
Nossa conversa linda, tem segredo ainda para um século mais

Não é pra nos gabar, mas não existe um par
Como nós dois se faz

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