jan
19
Posted on 19-01-2010
Filed Under (Artigos, Multimídia, Vitor) by vitor on 19-01-2010


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19 de janeiro.

Nesta data, no ano de 1982, a notícia da morte inesperada da cantora Elis Regina, as cisrcunstâncias trágicas que a cercavam, causariam enorme impacto nos fãs inumeráveis da maior intérprete brasileira na época, deixando o país em estado de choque.No início da tarde daquele dia, milhares de pessoas já se aglomeram diante do Teatro Bandeirantes, onde o corpo foi velado.

Registro do jornal Folha de S. Paulo:A música popular perde, prematuramente, uma de suas maiores intérpretes em todas as épocas, que se identificou com o Brasil desde o início de sua carreira no Beco das Garrafas, no Rio, passando pelos festivais que eletrizaram os anos 60, até a cantora madura dos “shows” dos anos 70, como “Falso Brilhante” e “Transversal do Tempo”.

Ainda a Folha: A causa de seu mal-estar súbito ainda não está esclarecida. Elis deu entrada às 11h45 no PS do Hospital das Clínicas, já sem vida. A morte foi anunciada pouco depois das 12 horas, sendo o corpo levado para o Instituto Médico Legal às 12h30. A autópsia revelou que a cantora não sofria de nenhuma moléstia nos órgãos vitais. O IML anunciará amanhã a “causa mortis”. No entanto, o delegado do 14o DP, Carmo Aparecido de Camargo, afirmou que Elis morreu devido a uma “intoxicação exógena”. Às 16h20 o corpo foi levado para o velório no Teatro Bandeirantes.

Elis Regina será sepultada na manhã de hoje no Cemitério do Morumbi, saindo o cortejo do Teatro Bandeirantes às 11 horas. O DSV já organizou um esquema especial para o trajeto: avenida Brigadeiro Luís Antônio, rua Humaitá, rampa do viaduto Pedroso, avenida 23 de Maio, avenida Rubem Berta, avenida dos Bandeirantes, avenida Luís Carlos Berrine, ponte do Morumbi, avenida Morumbi, rua Professor Carlos Gama, até a rua Deputado Laércio Corte, onde se localiza o Cemitério do Morumbi.

MORTE E ELIS NA VEJA

O AMARGO BRILHO DO PÓ

Aos 36 anos, Elis Regina, a melhor cantora do Brasil, foi achada morta, trancada em seu quarto, onde tomara a derradeira dose de cocaína

27 de janeiro de 1982

A morte da melhor cantora brasileira provocou um choque nacional, assim que a notícia circulou pelo rádio e pela televisão na manhã da última terça-feira. Cheia de vitalidade nos seus 36 anos, Elis Regina de Carvalho Costa, três filhos, passou metade de sua vida em estúdios, distribuindo uma voz impecavelmente afinada por 27 LPs, catorze compactos simples e seis duplos, que venderam algo como 4 milhões de cópias. Não é um recorde – Roberto Carlos vendeu quatro vezes mais –, mas a qualidade é tão boa que lhe assegurou uma das mais sólidas reputações da música popular brasileira. Sua morte, no apartamento que ocupava nos Jardins, em São Paulo, foi chorada com lágrimas canções entoadas por 25 000 fãs, amigos e parentes que a visitaram no velório do Teatro Bandeirantes, palco de seu maior sucesso, o show ‘Falso Brilhante”, no centro de São Paulo. Cerca de…

( Postado por Vitor Hugo Soares )

jan
17
Posted on 17-01-2010
Filed Under (Artigos, Janio) by vitor on 17-01-2010

Lula e Marisa em Inema: “moço, tem de mangaba?”

img.Estadão

CRÕNICA / SUCESSÃO

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LULA, O ISOPOR E A SUCESSÃO

Janio Ferreira Soares

Não tem pra ninguém. Lula continua sendo o maior marqueteiro dele mesmo, seja dominando a platéia qual um esperto pastor diante de fiéis embasbacados, seja tirando uma onda na presença de reis e rainhas de verdade ou de realezas de algum maracatu do baque virado – tanto faz -, lá vai Luiz se lixando para qualquer tipo de liturgia, como se o mundo se resumisse ao agreste pernambucano e adjacências.

A sua recente aparição em terras baianas carregando um isopor na cabeça como se fora um simples vendedor de picolé, com dona Marisa um pouco atrás quase dizendo: “moço, tem de mangaba?”, traduz muito bem esse seu lado populista, que, forçado ou não, praticamente o iguala ao mais comum dos brasileiros, desses que no fim de semana botam uma havaiana nos pés, uma velha bermuda e vão até a esquina comprar cerveja para a rapaziada que está chegando. Já os seus prováveis sucessores…

Impossível imaginá-los em situações semelhantes, quiçá próximas. Serra, no máximo, vai imitar FHC e montará num lombo de um jumento em terras nordestinas depois de experimentar uma buchada de bode, mesmo que em seguida acabe com o estoque de antiácido do mercado. Quanto a Dilma, apesar de ter aposentando a peruca e agora desfilar com uma aparência tipo volver a los 17 después de vivir un siglo, também não leva jeito para tais arroubos, embora orientada pelo experiente mestre Inácio, grande arteiro pernambucano e craque maior no ofício do mamulengo.

Seja como for, 2010, o ano do tigre, será regido por Vênus, Iemanjá e Oxalá. Não sei até que ponto a junção dessas forças irá influenciar o comportamento dos candidatos, principalmente porque este será também um ano de Copa do Mundo. Mas antes tem o Carnaval, e não se espante se Serra aparecer no meio dos Filhos de Gandhi desafinando no agogô, ou Dilma surgir ao lado do Chiclete com o molejo característico dos dançarinos do fandango gaucho.

Agora, se alguém vir um barbudo de rosto familiar vestindo um abadá todo suado, completamente à vontade no meio da galera, não tenha dúvida, é o cara do isopor.

JANIO FERREIRA SOARES, cronista, é secretário de Cultura e Turismo de Paulo Afonso (BA)

jan
16
Posted on 16-01-2010
Filed Under (Artigos, Gilson) by vitor on 16-01-2010

Lavagem: “emoção coletiva”

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CRÕNICA: BAHIA

BÊBADO DE ALEGRIA

Gilson Nogueira

Uma adolescente rodopia feito bailarina e dá sem querer um beijinho rápido na boca do rapaz que parecia parado aguardando o encontrão. E o beijo. Ambos sorriem e seguem. Uma vendedora de cerveja em lata faz do pequeno isopor barreira para dançar sozinha à frente da multidão. Um garoto ajoelha-se de cansaço e faz a família parar em volta dele para um bate-papo em plena avenida.

A grande procissão do povo baiano em louvor ao Senhor do Bonfim avança. No acostamento da caminhada os braços de uma mulher alcança o pescoço do amigo que não via há anos. E uma latinha a mais é recolhida pelo catador que vibra com a fartura daquele ganha-pão rolando no asfalto. O policial prende um ladrão. E outro ladrão desaparece como um coelho, no mato, depois de afanar a carteira do rapaz do interior.

Em pequeno bloco com corda de nylon azul a coroa dança sozinha, de cara para o sol, e tem seus cinco minutos de rainha de bateria na sua imaginação. Um casal que namora ao som da charanga autenticamente baiana, fantasiada de talento e improviso, sente o tempo parar na colada monumental. E abençoada! Colada quente como a cachaça vendida na barraca da Feira de São Joaquim.

Um cachorro vadio lambe uma poça d’água. O samba e o pagode se confundem no remelexo da cabrocha. Muitos foguetes explodem sem ligação com a fé. Outros simbolizam no seu estouro e na sua fumaça, que risca o ar, lembrando traços de Caribé, o orgulho de ser baiano. O passo não se altera e não há contornos que façam enganar o desejo de chegar aos pés da Basílica do Nosso Senhor do Bonfim para festejar O Santo Maior da Bahia.

A emoção coletiva une as pessoas. O agradecer é maior que o pedir. As lágrimas que rolam na face de cada uma delas por receberem a benção de Nosso Senhor do Bonfim dizem mais que tudo. No bater de folhas no peito a sensação de proteção divina se amplia. Como uma armadura invisível, levo-a para casa. E a farei brilhar, até o ano que vem. Para brilhar, cada vez mais!

A festa de paz, de amor ao próximo, reúne mais de um milhão de amigos! Mais que tudo, vi o dar, o oferecer-se, em contrição, em prece comovente. A alma e os sonhos tornam-se leves. Mais leves. Encosto o corpo na parede de uma casa. Defronte à igreja, sinto-me bêbado de alegria. Um sorriso santo me fez mais feliz. Aquela água derramada sobre a minha cabeça não foi à toa. Agradecido, chorei. Voltei, em silêncio, andando atrás de mim, sem querer ficar de costas para a escadaria enfeitada de promessas e gratidão. Uma sombra do adeus que não dei me acompanha. Quem sabe!

A baiana do acarajé, que não economizou no camarão, disse que meus olhos estavam vermelhos. Sorri. O moço que estava apertado não fez questão de ser o primeiro no sanitário público e o vendedor de fitinhas não quis cobrar pelas duas que escolhi. Uma azul e uma branca, as cores de Oxalá! O toque da batucada me fez lembrar velhos carnavais e um suspiro impediu-me a tristeza. A vida segue.

Multipliquei por dois os oito quilômetros que unem a Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia à Basílica do Senhor do Bonfim. A razão? A força da fé; Aquela água santa do pote de barro que a baiana lindíssima despejou na minhalma não secou. Nem secará. Em casa, senti falta das guias do Senhor do Bonfim que havia pendurado nos meus óculos. Não faz mal.Elas devem estar em boas mãos. Meus três pedidos continuam valendo!

Axé!

Gilson Nogueira é jornalista

jan
16
Posted on 16-01-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 16-01-2010

Deu na coluna

Em sua coluna deste sábado, na Tribuna da Bahia, o jornalista Ivan de Carvalho assinala que a mais recente estimativa sobre o número de mortos no Haiti em consequência do terremoto é de 140 mil mortos. Dezenas de países do mundo estão enviando ou preparando-se para enviar ajuda financeira ou material de origem pública e particular. Pois é bem no meio das preocupações com esse desastre monumental que o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra e o assessor especial para Assuntos Internacionais do presidente Lula, Marco Aurélio Garcia, que é agora (valha-me Deus) também o encarregado da elaboração do programa do PT para a campanha eleitoral e o hipotético governo de Dilma Rousseff, envolvem-se numa pendenga sobre qual partido está à “esquerda”, se o dos tucanos, se o dos “companheiros”. Confira no texto de Ivan, que Bahia em Pauta reproduz. (VHS)

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Sergio Guerra e…

… e Marco Aurelio: hora errada


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OPINIÃO POLÍTICA

Uma discussão sobre nada

Ivan de Carvalho

A mais recente estimativa sobre o número de mortos no Haiti em consequência do terremoto é de 140 mil mortos. Dezenas de países do mundo estão enviando ou preparando-se para enviar ajuda financeira ou material de origem pública e particular.

O Brasil tem o comando e quase todo o contingente das tropas que, em nome da ONU, foi enviado para manter a ordem e a paz no mais pobre e talvez o mais sofredor país das Américas. A missão militar lá está há bastante tempo, mas toda a violência e as mortes que certamente evitou foram um benefício amplamente neutralizado e superado, em poucos segundos, pelo terremoto que destruiu a capital do país, Porto Príncipe e atingiu seus arredores.

Pois é bem no meio das preocupações com esse desastre monumental que o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra e o assessor especial para Assuntos Internacionais do presidente Lula, Marco Aurélio Garcia, que é agora (valha-me Deus) também o encarregado da elaboração do programa do PT para a campanha eleitoral e o hipotético governo de Dilma Rousseff, envolvem-se numa pendenga sobre qual partido está à “esquerda”, se o dos tucanos, se o dos “companheiros”, ainda que todos sabendo que entre estes há muitos que gostariam mais de ser “camaradas”.

O presidente do PSDB comparou a posição de seu partido à do PT numa entrevista à revista Veja. Disse que se a oposição chegar ao poder, haverá mudança na política econômica e que a ação a esse respeito será rápida e objetiva. E afirmou, então, que o PT “já foi” de “esquerda”, mas se transformou em um “partido populista”.

Marco Aurélio Garcia correu para responder pisando nos cascos, já que em outra ocasião não pareceu bem ao público ele comemorar o suposto bom resultado da violação ilegal do sigilo bancário do caseiro Francenildo com o popular (ou populista?) “top, top, top”. Disse, o genial assessor, ironizando, que ante as declarações de Guerra teve “uma crise de identidade” e acrescentou que “o PSDB não é um partido de direita, é um partido da direita. Sutil pra burro. Concedeu que no PSDB “há pessoas de esquerda”, assim como talvez o presidente deste partido possa conceder que entre os “populistas” do PT existam algumas pessoas “de esquerda”.

Ora, quanta bobagem e perda de tempo com nada. Isso “já foi” e “top, top, top” pra isso. Durante quase todo o século XX o mundo conviveu com esses dois rótulos, “esquerda” e “direita”, uma maneira de os políticos e muitas instituições, a exemplo de partidos e Estados, escamotearem o que realmente eram, e, graças à intensa propaganda comandada pelos comunistas da União Soviética, ficou mais ou menos estabelecido que “esquerda” era bom e “direita”, ruim. Servia também como instrumento da preguiça, pois quem diz “sou esquerda” se acha desobrigado de dar qualquer outra informação sobre o que pensa ou pretende politicamente. Tudo como em Animal Farm (A Revolução dos Bichos), de George Orwell. Os porcos, que empalmaram o poder na fazenda dos bichos, impuseram o conceito recentemente lembrado pela jornalista Dora Kramer: “Quatro patas, bom; duas patas, ruim”.

Uma porcaria mesmo essa discussão. E no século XXI.

jan
15
Posted on 15-01-2010
Filed Under (Artigos, Vitor) by vitor on 15-01-2010

Ulysses e Lula no palanque

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ARTIGO DA SEMANA

LULA E O COCHILO DE ULYSSES

Vitor Hugo Soares

Passou rápido o período de descanso do presidente da República na virada do ano na praia baiana de Inema, pedaço terrestre do Éden dentro da supervigiada Base Naval de Aratu. Lula viajou de férias quando a chapa começava a esquentar, apostando no tempo, eterno curador de feridas, para superar a crise dentro de seu governo dividido diante do Programa Nacional de Direitos Humanos.

O presidente desembarcou na Bahia confiante de que os sinais de tempestades logo se afastariam do Planalto Central e, quando ele retornasse do descanso, tudo estaria outra vez em paz. Lula voltou ao batente esta semana e logo verificou, como na canção de Chico Buarque de Holanda: “inútil dormir que a dor não passa”.

As nuvens da crise carregadas de preocupantes ingredientes militares não se moveram e ficaram mais densas sobre Brasília. O terremoto no Haiti, com a morte de 18 militares brasileiros da Força de Paz da ONU – confirmadas pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim ao retornar de Porto Príncipe -, somado à terrível tragédia humana no país mais pobre das Américas, com o qual o Brasil está cada vez mais envolvido, pode estabelecer uma trégua na crise. Ou agravá-la mais nos próximos dias.

O tempo dirá, mas nada de paranóia, que isso em geral atrai mais desgraças. O fato é que o tumulto se amplia. Força o presidente, segundo assinala O Globo, a usar boa parte de sua “aparentemente inesgotável capacidade de administrador de ambiguidades para manter sem fissuras irreversíveis um governo assentado em eclética aliança político-partidária, formada por frações dos mais diversos quadrantes da geografia ideológica”.

Façamos agora um breve intervalo para outras lembranças. No livro “Dr. Ulysses – o homem que pensou o Brasil”, um dos 39 depoimentos sobre a trajetória do Sr. Diretas é de Luiz Inácio Lula da Silva. Motivado pelos autores a recordar episódio pitoresco ocorrido com Dr Ulysses durante as Diretas Já, Lula lembra que um dia foi à casa do deputado com Luiz Eduardo Greenhalgh. Os dois entraram, subiram as escadas e depararam com Ulysses deitado com as mãos cruzadas na frente.

“Eu e o Luiz Eduardo acreditamos que ele estava morto! Sabe, uma pessoa deitada com a barriga para cima, com a mão cruzada assim. Falei para o Luiz: ‘será que o ‘velhinho’ está morto?'”. Mas Ulysses estava vivinho da silva. Lula e Greenhalgh o chamaram e ele acordou. Tiveram, a seguir, uma conversa interessante, porque nesse dia Lula fora convocar Ulysses para não deixar a Campanha das Diretas morrer. “O Fernando Henrique Cardoso já estava articulando com Tancredo Neves um novo mote; “Diretas Já, Mudança Já”, recorda Lula.

“Eu tinha uma visão clara. Então fui dizer a ele o seguinte: “Olha Dr. Ulysses, eu sei que passaram a perna no senhor, embora o senhor não queira reconhecer publicamente'”. Lula achava que o pessoal de Tancredo Neves, e o próprio Tancredo, sabia “que se a gente conquistasse as Diretas”, Ulysses seria o candidato natural a presidente da República. E Tancredo Neves pela via indireta, pelo Colégio Eleitoral.

“Então eles passaram a perna no senhor. O senhor foi deitar presidente da República e acordou cabo eleitoral de Tancredo. Esta é a verdade e eu disse isso a ele”, conta o presidente no depoimento do livro organizado por Celia Soibermann Melhem e Sonia Morgenstern Russo.

E estamos de volta ao começo destas linhas. O presidente da república faz ginástica para pôr ordem na casa de seu governo rachado pelo Programa Nacional de Direitos Humanos. Quando o presidente embarcou para a Bahia, o desconforto interno no governo, e o bafafá externo, só fizeram crescer. “Outras crises vieram à tona quando, embutido no Programa Nacional de Direitos Humanos, revelou-se um plano de governo, e com propostas inconstitucionais. Uma delas, a censura à imprensa, em nome da defesa dos “direitos humanos”, guarda-chuva amplo o suficiente para abrigar desde medida de desrespeito à propriedade privada à regulamentação do imposto sobre fortunas, descriminalização do aborto, financiamento público de campanhas, e assim por diante”, diz O Globo..

Lula é muita coisa, menos bobo, já se sabe de outras tertúlias. Percebeu os riscos que corre se a crise prosperar, e o quanto isso poderá beneficiar os planos de seus adversários políticos – emplumados ou não – às vésperas de começar o fogo cruzado da campanha à sua sucessão. Diante do perigo, nega o que disse e o que assinou e tenta saída organizada da crise, com o menor número de baixas possíveis em sua tropa.

Já fez chegar aos militares que não permitirá discriminações na questão da Anistia – tema que parece fadado a ser jogado no colo da Justiça. Outras concessões e recuos parecem estar a caminho. “O filho do Brasil” sabe onde as cobras dormem. E tenta evitar o cochilo de Ulysses no tempo das Diretas Já, para não virar mero cabo eleitoral de Dilma Rousseff na sucessão que vem aí.

O tempo dirá.

Vitor Hugo Soares é jornalista. E-Mail: vitor_soares@terra.com.br

jan
15
Posted on 15-01-2010
Filed Under (Artigos, Eventuais) by vitor on 15-01-2010

Nizan bate duro…

…Em Bell Marques

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CRÕNICA / EGOS BAIANOS

Deus e a Bahia vão perdoar Nizan?

*Marcelo Torres

Parece que baixou um santo muito doido no publicitário baiano Nizan Guanaes, que, do nada e sem quê nem pra quê, desceu a madeira no cantor Bell Marques, do Chiclete com Banana, e na própria cidade de Salvador, que ele tanto exaltou em verso, prosa e propaganda.

Ele escreveu no seu Twitter, onde é seguido por 15 mil pessoas (como se fosse um trio elétrico): “Salvador está como Bell, do Chiclete [com Banana]: careca e fingindo que tem trança. Bell, o crooner careca, é uma mentira. Fala pro Bell tirar a bandana. O cara é um careca enrustido”.

O autor de versos como “Ah!, que bom você chegou/ Bem-vindo a Salvador/ Coração do Brasil/ Ah!, você vai conhecer/ A cidade de luz e prazer/ Correndo atrás do trio”, agora solta o verbo ao contrário: “Salvador não tem praia pro turista, não tem hotel e a orla é um favelão”.

Essas frases devem ter deixado muitos baianos surpresos, para não dizer retados. Até o jornalista Maurício Stycer, que é carioca e não deve ser lá esses fãs de Bell nem de Salvador, até ele ficou surpreso, pelo menos foi o que mostrou na matéria que escreveu para o Portal UOL nesta terça.

Bom, como eu não sou turista, não me hospedo em hotel e esse negócio de orla, para mim, tanto faz como tanto fez, não posso dizer que Salvador seja um favelão. Mas que 80% dos moradores da capital vivem em realidade de favela, isso não é nenhuma mentira, como está provado e comprovado pelas pesquisas.

Quanto ao cantor Bell Marques, meia Bahia está careca de saber que aquela inseparável bandana está ali porque ele está com pouca (ou nenhuma) telha. Mas isso é um “problema dele e das negas dele”, ou seja, não precisava seu Nizan, que já foi unha e carne com a chicletada toda, “vim agora” esculhambar a pamonha.

Pois é, e depois que eu li essa notícia, de importância suprema para a salvação da humanidade, estou aqui sem dormir há um dia, pois não estou comendo nada dessa história, e três coisinhas ficam aqui martelando, pinicando.

A primeira é: que diabo levou Nizan, que não é mais nenhum menino, a dizer essas cobras e lagartos? Ora, ora, nesse mato e nesse meio, além de cobras e lagartos, tem muito coelho. Tem ou não tem?

A segunda é: se levarmos ao pé da letra a música cantada (ou seria gritada?) por Bell Marques, segundo a qual “se você é chicleteiro, Deus te abençoa; se você não é, Deus te perdoa”, se levarmos em conta essa máxima, será que Nizan vai ser perdoado?

A terceira e última é a mãe de todas as minhas dúvidas, e a resposta, se houver, será capaz de salvar a humanidade. É a seguinte: por que é que nós, baianos, só nos referimos à banda Chiclete com Banana como “o” Chiclete e não “a” Chiclete? Por que Bell do Chiclete e não da Chiclete? Essa nisgraça num é u’a banda? Ô miséra!

*Marcelo Torres, jornalista, baiano, mora em Brasília, email marcelocronista@gmail.com e blog http://marcelotorres.zip.net

jan
15
Posted on 15-01-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 15-01-2010

DEU NA COLUNA

… “E seguiu para a igrejinha, sempre em destaque nas pequenas comunidades, porta entreaberta, mas desguarnecida. Entrou”…Este é um pequeno trecho da história comovente que o jornalista político Ivan de Carvalho narra em sua coluna na edição de hoje na Tribuna da Bahia, em mais um -e merecido – tributo à memória da médica Zilda Arns, morta dentro de uma igreja em Porto Príncipe, vítima do terremoto arrasador no Haiti.
(VHS)
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Sinais no Haiti

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OPINIÃO POLÍTICA

Meu Deus, me dê um sinal
Ivan de Carvalo

Quase comecei pedindo perdão aos meus poucos e pacientes leitores por escrever, pelo segundo dia consecutivo, sobre Zilda Arns. Mas optei pela música – e recente atitude – de Caetano Veloso, no caso de suas críticas a Lula e às desculpas que a mãe do cantor e compositor baiano pediu ao presidente.
“Não peço desculpas / e nem peço perdão”. Em verdade não é excesso escrever, seja em dois dias consecutivos, seja em muitos, sobre Zilda Arns, a fundadora e coordenadora internacional da Pastoral da Criança e da Pastoral da Pessoa Idosa.
Desta vez, não pretendo, ao contrário do que tentei fazer ontem, qualquer prospecção sobre o sentido da vida e da obra dessa guerreira da paz, da fraternidade e do amor na sua expressão mais elevada – o amor a Deus e à humanidade.
E não esperem de mim detalhes e miudezas da história que vou contar, lembrada quando o sono recusava-se a chegar no tempo habitual. É que o ser humano registra na memória tudo que experimenta, sente, vê, fala, ouve ou simplesmente percebe. Mas a imensa maioria de toda essa gigantesca massa de informação não permanece no que, para simplificar, chamaria de “memória operacional”, sempre disponível.
A maior parte vai para alguma espécie de “arquivo morto”, de onde só emerge, quando algum evento extraordinário ou algo que parece o acaso – que não existe – arranca algum conteúdo de memória daquele arquivo morto e o projeta na memória operacional.
Bem, no caso de dona Zilda Arns, a breve e singela história estava na memória operacional – onde ficam as informações cruciais, bem como as que usamos em nossa rotina e as que nos marcam emocionalmente – e certamente não foi a primeira vez que lembrei dela. Li, há uns anos, uma entrevista da irmã do cardeal Arns (ou deveria o cardeal ser qualificado de “o irmão de Zilda”? – eis uma questão difícil de responder, deixa prá lá).
Uma entrevista a uma revista de circulação nacional, cujo nome não lembro, porque não importava. Zilda Arns contava sua ida a uma pequena e humilde comunidade no interior do Brasil. Visita marcada, dia e hora previstos, imaginava ser recebida pela população local. Chegou, o lugar estava deserto. Ninguém a aguardava para as boas vindas, sequer para um bom dia. Casas fechadas, outras com portas entreabertas, mas pessoas… nenhuma. Decepcionada, conta ela, pensou: “Meu Deus, me dê um sinal de que vale a pena” toda aquela luta em que se envolvera. E seguiu para a igrejinha, sempre em destaque nas pequenas comunidades, porta entreaberta, mas desguarnecida. Entrou. E de repente viu-se coberta por uma intensa chuva de pétalas de rosa que caiam dos lugares altos.
Reconheceu na hora: “Obrigada. Que maravilhoso sinal me deste…”.
No Haiti, recebeu, aos 75 anos, outro sinal. Ou nós recebemos. Se estava na hora de ir, então que não fosse da cama de hospital, de uma gripe, mas de terremoto, em missão, de modo que o Brasil, o Haiti e o mundo mais conhecessem sua obra. Ela pedira um sinal, Deus deu dois.

jan
14

Game Change: grande procura

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ROSANE SANTANA

“Game Change”, livro de John Heilemann e Mark Halperin, sobre os bastidores das eleições americanas de 2008, recém-lançado, é best-seller nos Estados Unidos, pontuando a lista das editoras Amazon e Barnes&Nobel, segundo informações da National Public Radio (NPR), mas é também o mais difícil de encontrar.

Ainda fora de estoque, sua distribuição deverá estar regularizada no início da semana que vem, informa a NPR, quando se espera uma corrida frenética em busca do livro, que traz revelações sobre Obama, Hillary, Sarah Palin e John MaCcain no auge da campanha. Algumas delas já circulam em blogs e Tvs como a resposta de Hillary ao convite de Obama para ocupar a Secretaria de Estado, em que a senadora teria advertido o presidente sobre a possibilidade de o marido dela, Bill Cliton, criar problemas futuros para ele, que topou, assim mesmo, a parada.

Rosane Santana, jornalista, mora em Boston (EUA) e estuda em Harvard

jan
14
Posted on 14-01-2010
Filed Under (Artigos, Rosane) by vitor on 14-01-2010

Zilda Arns na Câmara de Salvador

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A médica pediatra e sanitarista Zilda Arns, fundadora da Pastoral da Criança, que está entre as vítimas do terromoto no Haiti, é cidadã de Salvador, por iniciativa do ex-vereador e presidente da Fundação João Fernandes da Cunha, Silvoney Sales.O Projeto de Resolução 16/2001, de homenagem a fundadora da Pastoral da Criança, foi aprovado em 19 de
junho de 2001 e a entrega do título aconteceu três meses depois, no dia 24 de agosto.

Católico praticante com estreitas ligações com algumas dioceses da capital, Silvoney, que também é médico, referiu-se à Zilda como “uma pessoa que praticava as três maiores virtudes citadas pelo apóstolo Paulo na Carta aos Coríntios: “a fé, a caridade e o amor”.

(Rosane Santana é jornalista, mora em Boston (EUA) e estuda na Universidade de Harvard.

jan
14
Posted on 14-01-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 14-01-2010

Deu na Coluna

Na Tribuna da Bahia, em sua coluna desta quinta-feira, 14, o jornalista Ivan de Carvalho fala de Zilda Arns. Uma figura modelar no sentido mais completo da palavra. Ela acaba de nos deixar, tragada pela tragédia inominável no Haiti. Passada a dor da perda, ficarão o exemplo e a simbologia de suas palavras e ações. Será? Confira o texto de Ivan, que Bahia em Pauta reproduz. (VHS)

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Zilda: um exemplo

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OPINIÃO POLÍTICA

Por que chora Arns?

Ivan de Carvalho

Não dá – no meu sentir – para escrever qualquer coisa hoje, e muito menos se houver a intenção de fazer a abordagem da questão dos direitos humanos – sem começar pela médica, formada para cuidar de corpos, autorreformada para cuidar mais de almas que de corpos, usando os desvelados cuidados com estes como instrumento para atingir e pescar aquelas. Pescadora de almas, uma dos muitos cristãos e cristãs que prosseguem hoje a missão dada por Jesus a Simão, o pescador, ao qual passou a chamar Pedro: “Vem e te farei pescador de almas”.

O Filho do Homem sempre está convidando a todos, mas algumas vezes Ele faz chamados absolutamente especiais, pela capacidade dos que convoca nessas ocasiões para realizar missões específicas. Um dia, na Estrada de Damasco, convocou seu perseguidor Saulo e do episódio resultou o 12º Apóstolo (existiam somente 11, desde o suicídio de Judas, o Iscariotes), o Apóstolo dos Gentios, principal responsável (entre os apóstolos) pela expansão do cristianismo fora dos limites de Israel.

Muito mais tarde, já na época das Cruzadas, um pedido irresistível é ouvido por um jovem de Assis: “Francisco, reconstrói a minha igreja”. Havia uma igrejinha em ruínas, Francisco, filho de um rico comerciante, achou que lhe fora pedido que a reconstruísse. E o fez, pedindo ajuda, em mão-de-obra e material. Quando completou a obra, o insight, ou, melhor dizendo, neste caso, a revelação: não, não era a igrejinha, aquilo fora só uma preparação, uma demonstração de humildade. A Igreja em ruínas era a de Roma, ela que devia ser reformada. Francisco lançou-se ao trabalho.

Como, mais tarde ou mais cedo, lançaram-se tantos outros, sem medir sacrifícios, ultimamente João Paulo II, Madre Teresa de Calcutá, Irmã Dulce, Zilda Arns.

Mas se a intenção desse artigo for a de abordar a questão do Programa Nacional de Direitos Humanos? Estão dizendo que a crise está se desfazendo porque os ministros Jobim, da Defesa, e Vannuchi, de Direitos Humanos, encontraram um jeito de tirar da questão da Comissão da Verdade a palavra “repressão”, substituindo por “violação dos direitos humanos”.

Ok, mas o que pensa, onde esteja, aquela gente toda citada antes – Jesus, Pedro, Francisco, João Paulo II, Madre Teresa, Irmã Dulce, Zilda Arns – se o presidente Lula insistir, por exemplo, na liberação do aborto, o massacre dos inocentes indefesos?

De nada adiantará chorar pela morte de Zilda Arns, se a pressão pela liberação do aborto (a negação do direito humano à vida) a estiver levando a derramar lágrimas pelos não nascidos e por nós, pois quanto mais pecadores mais objeto de lamentação seremos.

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