Show “Natal Bem Brasileiro”.
Teatro do Sesc Vila Mariana – SP – 14/12/2008.
Produção e direção geral: Thiago Marques Luiz

Cartão de Natal

Luiz Gonzaga e Zé Dantas

Ouvindo
Sinos de Deus
Repicando
Na matriz
Para você
E os seus
Peço um Natal
Bem feliz

Blém-blém
Blém-blém
Blém-blém

Um Ano Novo
Afortunado
Venturoso
E abençoado
Tão ditosa
Oração
No além
Seja ouvida
Por Deus
E que
Os anjos
Digam amém

Blém-blém
Blém-blém
Blém-blém

Blém-blém
Blém-blém
Blém-blém

Um Ano Novo
Afortunado
Venturoso
E abençoado
Tão ditosa
Oração
No além
Seja ouvida
Por Deus
E que
Os anjos
Digam amém

Blém-blém
Blém-blém
Blém-blém

Blém-blém
Blém-blém
Blém-blém

Blém-blém
Blém-blém
Blém-blém

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Ótimo Natal para todos!

(Vitor Hugo Soares)


Vaclav Havel: adeus  a um estadista

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ARTIGO DA SEMANA

Václav Havel: da Brasilia de FHC a Praga

Vitor Hugo Soares

Guardo duas fortes impressões relacionadas com o ex-presidente da República Checa, Václav Havel – líder político, intelectual, dramaturgo , boêmio e estadista, tudo no superlativo – que morreu domingo passado e foi sepultado nesta sexta-feira (23). A primeira, de quando o líder principal da Revolução de Veludo que transformou seu país esteve em Brasília, no governo de FHC.

A segunda lembrança vem de uma viagem inesquecível a Praga, logo em seguida, quando Václav Havel que já governara a antiga Tchecoslováquia, dirigia então a recém fundada República Checa e a romântica cidade do leste europeu respirava em liberdade plena. Rasgada a cortina soviética, Praga recebia seus visitantes com alegria, beleza, arte, cultura e braços abertos.

Penso nisso enquanto sigo as notícias e vejo as imagens do velório e enterro de Havel ontem . O político e intelectual que parte cercado de honras e admiração de dirigentes democráticos do mundo, mas principalmente do respeito e amor de seu povo. No velório durante a semana e no enterro de sexta, sucessivas e marcantes imagens de emoção diante da perda. Em tudo e em todos no entanto, evidências de sentimento genuínos. Verdade e dignidade – dos políticos e do povo -, bem ao estilo de Havel, um herói da democracia e da liberdade de expressão na Europa.

Que diferença gritante da histeria coletiva que milhões de habitantes do planeta têm visto na Coreia do Norte nestes últimos dias, desde a confirmação da morte do ditador Kim Jong-il. Neste caso, em tudo e em quase todos, toques nítidos de farsa e mistificação ideológicas montados pelo regime e transmitidas através da televisão e outros veículos chapa-branca de comunicação do beligerante país asiático, há década sob o domínio inflexível de um dos governantes mais perversos e violentos da história da humanidade.

Quem quiser que trate da Coreia e seu ridículo ditador morto. Quem julgar relevante que dedique os espaços mais generosos dos “horários nobres” da informação nas nossas redes de televisão e da nossa imprensa à encenação de lá. Isso é parte do jogo e não me surpreende mais.

Neste espaço, porém, prefiro destacar a vida e a história exemplar de Václav Havel, em especial as duas lembranças mais próximas e marcantes que guardo dele. Como esquecer, por exemplo, da estada de Havel em Brasília no segundo governo de Fernando Henrique Cardoso? Não tanto pelo encontro em si dos dois dirigentes no Palácio do Planalto, do qual pouca ou quase nenhuma memória restou.

O que ficou mesmo foi a recordação da imagem emblemática da estatura política e grandeza intelectual do líder checo, aliada a perfil do homem público de extrema modéstia e simplicidade. Sinais sintetizados na fotografia publicada naquele dia na edição online de grande jornal brasileiro (não lembro se O Globo, a Folha ou Estadão).

Sei que a imagem correu o mundo. Era o flagrante jornalístico do político, escritor, poeta e humanista que, depois do encontro com FHC pediu para parar o carro que o conduzia ao aeroporto na frente de um barzinho popular da zona sul da Capital Federal. Havel queria beber um guaraná, tomar um café e fumar um cigarro antes de retornar ao seu país. O flagrante jornalístico é deste momento do boêmio Havel diante do embasbacado dono do bar.

Pouco tempo depois fiz a minha primeira, única e inesquecível viagem à República Checa. A caminho de Praga, o ônibus procedente de Frankfurt fez uma breve parada em Nuremberg, onde a simpática guia checa Lucila permitiu ao grupo de brasileiros e turistas de outros países, um passeio livre pelo centro da cidade alemã, até a frente do prédio histórico de julgamento dos crimes do nazismo.

“Não vão se perder, hein! Não esqueçam de que o nosso destino é Praga”, lembrava a guia a todo intante.

Não nos perdemos. E antes de Lucila voltar eu já estava com Margarida (minha mulher e também jornalista) dentro do ônibus, conversando em espanhol com o checo e bem informado motorista da excursão sobre a visita recente de Václav Havel ao Brasil.

Falei da minha grande admiração pela obra do intelectual e ação do político condutor da “Revolução de Veludo”. Quando a guia retornou o motorista comentou, apontando para o jornalista: “ele sabe bastante sobre Václav”.

Não esqueço do aceno e do sorriso afetuoso que recebi de Lucila. Nem das histórias que ela contou sobre o revolucionário estadista, até a morte pouco antes do Natal de 2011, deixando mais pobre e mambembe a política europeia e mundial. “Morto Václav Havel, que viva Václav Havel”, como assinalou o “El País” no melhor necrológio que li sobre um estadista, como já não se faz mais hoje em dia.

Vitor Hugo Soares é jornalista.E-MAIL: vitor_soares1@terra.com.br

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“Um Feliz Natal bem brasileiro”

A música para começar a sexta-feira nesta ante-véspera de Natal é uma sugestão garimpada para o Bahia em Pauta pela grande amiga e colaboradora deste site blog, Maria das Graças Tonhá, a querida Gracinha de todos nós do BP.

BOM DIA!!!

( Vitor Hugo Soares )


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OPINIÃO POLÍTICA

Análise preliminar

Ivan de Carvalho

Em uma análise “pelo menos preliminar” do quadro político baiano, um político peemedebista que não pretende ser candidato a mandato algum em 2012 nem em 2014, faz a previsão de que a primeira dessas eleições será decidida em Salvador com um segundo turno disputado entre o pemedebista Mário Kertész, representando as oposições ao governo estadual e o deputado Nelson Pelegrino, representando o PT e os partidos que estão e se mantiverem na base política do governo Jaques Wagner.

Que o petista Pelegrino vai disputar as eleições para a sucessão do prefeito João Henrique, hoje no PP, todo mundo já sabe. E que ele tem muito amplas possibilidades de classificar-se para o praticamente certo segundo turno é inegável, sempre com a ressalva de que cálculos políticos, por mais seguros que pareçam, não gozam de isenção de falhas.

De repente, diriam os adversários de futuros imutáveis, a candidata comunista Alice Portugal, do PC do B, quem sabe até ajudada pela comoção provocada no mundo pelo choreio das choreanas ante o impensável passamento de Kim Jong-il, a “Mais Alta Encarnação do Amor Revolucionário Companheiro”, ganha impulso e se classifica na vaga reservada à “base aliada” no segundo turno? Nesse caso, Pelegrino sobraria.

Mas essa teoria pode ser ilusória, pois a “Mais Alta Encarnação do Amor Revolucionário Companheiro” tem a palavra “companheiro” e esta é quase um monopólio do PT, algo contabilizado no patrimônio imaterial do partido. De modo que a “Mais Alta Encarnação do Amor Revolucionário Companheiro” poderia ser capitalizada, agora que desencarnou e não pode reclamar, pelo petista Pelegrino, caso o apraza (pessoalmente, não acredito muito que o companheiro baiano reivindique de herança a aura política do companheiro choreano).

Também os cálculos de futuro político sem isenção de falhas podem admitir, não só Alice, como outros, a exemplo do deputado e secretário municipal de Governo João Leão, que se proclamou candidato pelo PP em entrevista exclusiva concedida esta semana à Tribuna da Bahia. Com o óbvio apoio, embora não declarado por não haver chegado a hora, do prefeito João Henrique.

Mas, e Mário Kertész, radialista e ex-prefeito por seis anos ou pouco mais? Porque ele, ao invés dos deputados ACM Neto, do DEM, no momento o primeiro colocado nas pesquisas eleitorais, ou Antonio Imbassahy, o segundo colocado, competente ex-prefeito por oito anos?

Bem, como já insisti neste espaço, para a oposição ir unida às urnas, ajustes abrangendo as eleições de 2012 e 2014 terão de ser feitos, como declara ACM Neto, com o silêncio de Imbassahy e a expressa discordância de Geddel Vieira Lima, sob a alegação de que são dois momentos e cenários diferentes, cada um com suas próprias circunstâncias. Isso, aliás, é óbvio, tanto que não se chegará a ajuste algum se o que se buscar não forem ajustes ajustáveis às circunstâncias de 2014.

Volto àquele peemedebista que só é candidato a fazer uma previsão “pelo menos preliminar”. Ele observa que ACM Neto “vive um bom momento em Brasília, onde está sendo a voz da oposição na Câmara federal”. Esta circunstância lhe tem, inclusive, proporcionado presença constante na mídia nacional. Se for candidato a prefeito perde isto e se eventualmente perder a eleição, será a segunda derrota consecutiva para mandato majoritário (prefeito), o que pode prejudicar seus planos para 2014.

Mário Kertész? “É um profissional. Profissional na política, como na administração. Saberá conversar com todos os setores da sociedade. E a idade (67 anos) ajuda. Por causa dela, não assusta ninguém que tenha importantes pretensões futuras”. Isso elimina um dos focos principais de resistência a aspirantes a candidato. E se Kertész for candidato de uma coalizão das oposições, deverá estar no segundo turno, raciocina o analista do partido dele.

E como fica Imbassahy? Ah, bem, aí interromperam a conversa. Ele fica para outra vez

DEU NO PORTAL IG

A corregedora-geral de Justiça, ministra Eliana Calmon, rebateu nesta quinta-feira as acusações de que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) esteja promovendo quebra de sigilo fiscal e bancário de mais de 200 mil juízes e servidores do Judiciário. Ela creditou as especulações “absurdas e desencontradas” ao trabalho de entidades classistas de juízes, que segundo ela, atuam em um “espetáculo dantesco”. “Só posso lamentar essa polêmica”, disse a corregedora em coletiva.

Calmon esclareceu que a investigação sobre o patrimônio de juízes é feita há quatro anos pela corregedoria Nacional de Justiça e já passou por Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, pelo Amazonas e pelo Amapá.

“Todos têm que apresentar suas declarações de bem e de renda de acordo com a lei e isso deve ser examinado pelos órgãos de controle, como a corregedoria e o Tribunal de Contas da União (TCU). É para apresentar para ficar dentro do arquivo? Não, é para examinar se tem transação ilícita”, esclareceu Calmon. Ela lembrou que a análise do patrimônio de parentes também é uma imposição legal da Lei de Improbidade.

De acordo com a ministra, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) informa à corregedoria o CPF de detentores de movimentações atípicas nos tribunais (com valores anuais acima de R$ 250 mil), e os técnicos fazem o cruzamento de dados com as declarações de renda de juízes e servidores.

A corregedora informou que a devassa começou em São Paulo porque esse é o Estado com o maior aparelho Judiciário do país. O trabalho da corregedoria detectou 150 situações suspeitas no estado, como falta de informações de sobre o pagamento da correção monetária e o fato de 45% dos magistrados do estado não terem apresentado cópia do Imposto de Renda ao tribunal.

A ministra considera que a quantidade de problemas encontrados no Estado é pequena em comparação com o tamanho do Judiciário local, que tem 45 mil servidores e dois mil juízes. “Não estou preocupada com São Paulo, é muito pouco. O local que mais me preocupa é Mato Grosso do Sul, onde nenhum juiz entregou informações sobre a renda”, disse a ministra.

Calmon também informou que seu gabinete não foi responsável por qualquer vazamento de informações sigilosas, uma vez que o cruzamento de dados ainda está em andamento, e o relatório ainda não ficou pronto. Ela também desmentiu que a corregedoria esteja investigando passivos trabalhistas da década de 1990, uma vez que a análise é restrita às folhas de pagamento de 2009 e 2010.

http://youtu.be/nwCcP7UbWTc
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Caetano Veloso – Samba de Verão
Compositor(es): Marcos Valle e Paulo Sergio Valle

Você viu só que amor
Nunca vi coisa assim
E passou, nem parou
Mas olhou só pra mim
Se voltar vou atrás
Vou pedir, vou falar
Vou dizer que o amor
Foi feitinho pra dar

Olha,
é como o verão
Quente o coração
Salta de repente
Para ver a menina que vem

Ela vem sempre tem
Esse mar no olhar
E vai ver, tem que ser
Nunca tem quem amar
Hoje sim diz que sim
Já cansei de esperar
Nem parei nem dormi
Só pensando em me dar

Peço, mas você não vem
Bem
Deixo então
Falo só
Digo ao céu
Mas você vem
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SALVE A CHEGADA DE MAIS UM VERÃO!
VIVA A MÚSICA POPULAR BRASILEIRA!
BOA TARDE, QUE O EDITOR AGORA VAI SAIR PARA IR AO DENTISTA E VER AS RUAS NAS VÉSPERAS DO NATAL EM SALVADOR .

ATÉ MAIS TARDE

(VHS)

DEU NO PORTAL EUROPEU TSF

A paralisação na Bélgica contra as mudanças propostas pelo governo ao regime de pensões afetam os transportes, a imprensa, escolas, hospitais públicos, penitenciárias e as cadeias de televisão. Também os bombeiros cumprem serviços mínimos.

Na origem da greve está uma proposta do novo governo de centro-esquerda-direita, liderado pelo socialista Elio Di Rupo, que quer reformar – no âmbito de um pacote de medidas de austeridade – o regime das aposentadorias, propondo como idade mínima para a reforma antecipada aos 62 anos, em vez de 60.

O acesso à pré-reforma passará a ser mais difícil e o Governo quer ainda harmonizar todos os regimes de aposentação, sendo que o parlamento deverá votar hoje o diploma sem que este tenha sido debatido com os parceiros sociais.

Piquetes de greve montaram barreiras, de manhã bem cedo, em dois dos principais acessos rodoviários a Bruxelas, tendo desmobilizado pelas 10h30.

Quanto ao tráfego aéreo, o aeroporto internacional de Bruxelas está a funcionar com normalidade, bem como o de Charleroi.

O ministro das Pensões, Vincent Van Quickenborne, deverá reunir-se com os sindicatos esta tarde, tendo um dirigente sindical declarado à agência noticiosa Belga que espera que o Governo apresente uma proposta de negociação.

dez
22
Posted on 22-12-2011
Filed Under (Artigos) by vitor on 22-12-2011


Simon: “totalmente do lado” da corregedora Eliana
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DEU NA REVISTA DIGITAL TERRA MAGAZINE

Claudio Leal

Posicionado “totalmente do lado” da corregedora Eliana Calmon, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) afirma que rezará para que os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), após o recesso, derrubem a liminar que impede o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) de investigar juízes suspeitos antes da apuração dos tribunais estaduais.

Concedida pelo ministro Marco Aurélio Mello, nesta segunda-feira (19), em resposta a uma ação da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), a liminar provocou polêmica, por ser considerada corporativista e esvaziar a atuação do CNJ.

– A decisão de conceder a liminar foi negativa. Rezo para que o STF derrube a liminar. Ao mesmo tempo, já tem uma emenda constitucional de autoria do senador Demóstenes Torres em que colocamos na Constituição a autonomia do Conselho. Tenho a convicção de que os ministros do Supremo, neste recesso, vão voltar para os seus Estados e ver o efeito tremendamente negativo. Confio também que o Congresso votará a emenda constitucional para dar autonomia ao Conselho – Simon torce.

O debate foi aquecido pela denúncia do jornal Folha de S.Paulo de que o ministro do STF, Ricardo Lewandowski, concedeu uma liminar que o beneficia. Com pagamentos investigados pelo CNJ, no Tribunal de Justiça de São Paulo, Lewandowski concedeu liminar suspendendo a investigação dos corregedores em 22 tribunais estaduais. “Prefiro não entrar nessa análise”, diz Pedro Simon.

No Senado, o presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), Eunício Oliveira (PMDB-CE), encerrou a reunião sem votar a proposta de emenda à Constituição 97/11, de autoria do senador Demóstenes Torres (DEM-GO), que torna mais bem definidas as competências do CNJ e da corregedoria nacional.

Leia mais sobre o assunto na Terra magazine:

http://terramagazine.terra.com.br

http://youtu.be/xCON07r908g
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BOM DIA!!! BOM NATAL!!!

dez
22
Posted on 22-12-2011
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 22-12-2011


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OPINIÃO POLÍTICA

O fenômeno da Choréia

Ivan de Carvalho

Este espaço é preferencialmente dedicado à abordagem de temas da política nacional, baiana e municipal – no último caso, com ênfase na política de Salvador, que geralmente envolve também a política estadual e eventualmente a política nacional, ou com enfoque em aspectos gerais da política nos municípios baianos.

Mas não sou escravo e reconheço a liberdade que conquistei sem jamais sofrer resistência alguma – ressalvados os tempos da censura estatal que, espero, mas, devido a alguns maus sinais, sem garantir, não volte jamais – de abordar quaisquer temas, incluindo discos voadores, exobiologia, religião, saúde, relações de consumo, guerras e rumores de guerras, política internacional e ditaduras nacionais e internacionais, das quais o maior exemplo foi a URSS.

Hoje abordo um desses temas excepcionais. Gostaria de registrar, para que não passe totalmente ignorado neste espaço, um dos espetáculos mais ridiculamente engraçados da Terra, pelo menos na parte já vencida deste século XXI – a morte do ditador Kim Jong-il, Presidente Eterno da Choréia.

Não é a morte dele que é ridícula, ainda que estranha, pois ele sucedera a seu pai, Kim Il-sung, “Presidente Eterno” – condição que não deveria ter permitido a ascensão ao cargo, em nenhuma hipótese, do amado filho Kim Jong-il. A morte, indesejada das gentes, também acabou levando este último, que já deixou, para ocupar-lhe o lugar, Kim Jong-un, mais um rebento dessa ditadura dinástica comunista, que em termos de dinastia acaba de superar a também dinástica ditadura comunista cubana.

Ridículo é que a morte do “Comandante Sempre Vitorioso de Vontade Férrea” haja praticamente resultado numa mudança do nome de seu país, que passou de Coréia a Choréia. Mas, como há sempre males que vêm para o bem, a nomenclatura política da península coreana pode sofrer uma simplificação naturalmente benéfica. Havia a Coréia do Sul e a Coréia do Norte, mas com esta passando agora a chamar-se Choréia, pode-se dispensar aquela distinção do “do Sul” e “do Norte”, algo irritante.

Haverá, doravante, se os choreanos forem inteligentes, simplesmente uma Coréia e uma Choréia, esta “sempre triste”, como diria Luiz de Camões, por ter perdido seu “Grande Líder”, seu “General Glorioso que Desceu do Céu”, seu “Político Assombroso” (Gasparzinho não se metia com ele), sua “Estrela Guia do Século XXI”, e sua “Mais Alta Encarnação do Amor Revolucionário Camarada”, desencarnada em hecatombe pessoal tão cruel, um durante uma viagem de trem infarto, versão oficial.

Mais ridículo ainda que a troca (ou pelo menos a perspectiva de troca do nome do país) foi o espetáculo mundial de chororô que as choreanas ofereceram ou encenaram (difícil saber) ao mundo.

Há uma tese segundo a qual o choro coletivo e cinematográfico era uma farsa, um expediente coletivo orientado pelo governo para mostrar que o ditador morto era amado por seu povo. E uma segunda tese, a de que o choro era voluntário, espontâneo, pois as pessoas queriam mostrar ao governo que estavam emocionadas ao máximo com a partida do Grande Líder, maneira segura de não sofrerem retaliações.

Eu discordo de ambas as teses. Acredito firmemente que o chororô foi sincero e franco. Imagino as criancinhas nascendo e crescendo a ouvir e ver nas ruas, em casa, nas raras casas estatais de venda de produtos de consumo, nas escolas, que maravilha era terem suas vidas protegidas pela “Mais Alta Encarnação do Amor Revolucionário Camarada”. Anos a fio, sem nenhuma contestação, nenhum contraditório. Aí, quando o gajo morre, arranca lágrimas até das pedras mais insensíveis.

Propaganda. Controle da mente. É isso a Choréia.

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