jan
04
Posted on 04-01-2010
Filed Under (Artigos, Janio) by vitor on 04-01-2010

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CRONICA/RECOMECO

O PRIMEIRO SOL DE 2010

Janio Ferreira Soarea

Neste ano que se inicia prometendo acalorados debates políticos e esportivos envolvendo Wagner, Souto, Geddel, Dunga, Dilma, Serra e o nosso infalível democrata cristão Eymael, só tenho a certeza de uma coisa: quaisquer que sejam os resultados das eleições e da Copa do Mundo, a vida continuará uma festa para Kaká e Cia e para os frequentadores das colunas de Mônica Bergamo e de July. Já para a maioria dos ouvintes do serviço de alto-falante Jota Araujo, aqui na vizinha cidade de Glória, tudo vai depender da barra que antecede ao primeiro Sol do ano.

Se ela se fizer presente, retardando por alguns segundos a espetacular visão das nuvens formadas pelas garças que sobrevoam as manhãs do São Francisco, pode ser que João Vaqueiro se anime a arar um pedaço de terra pra plantar os seus grãos. Digo pode ser, porque ele, embora crente, anda desconfiado dessa lenda (que reza que quando aparece uma barra antes do primeiro amanhecer vai ser um ano de chuva), desde que, no começo de 2009, foi na onda de uma que segurou o Sol por mais de três minutos, plantou duas tarefas de melancia e perdeu tudo.

Na sua percepção a coisa toda começou a desandar depois da globalização e da internet. Ele cita como exemplo o fato de seu neto varar as madrugadas proseando com outro menino lá nos cafundós da China e ainda por cima vendo sua imagem no monitor. E termina dizendo que do jeito que a coisa vai, é capaz de qualquer dia aparecer uma foca nadando na beira do São Francisco.

Exageros a parte, realmente o mundo anda meio estranho. Mas o que me conforta um pouco é essa espécie de déjà vu climático, que faz com que uma tragédia atual seja anunciada como a maior que aconteceu há 80, 90 anos, quando, presumo, o desmatamento e a emissão de gases eram bem menores.

Pra terminar (ou pra começar), crendo ou não em barras, tomando Sidra ou Veuve Clicquot, desejo a todos um grande início de ano. De preferência ouvindo uma velha canção de Roberto, daquelas do tempo em que as estrelas mudavam de lugar e chegavam mais perto só pra ver. Eu vou de Eu Preciso de Você. Pra Valéria. Sempre.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura e Turismo de Paulo Afonso

jan
02
Posted on 02-01-2010
Filed Under (Artigos, Rosane) by Margarida on 02-01-2010

Rosane Santana

BOSTON_O envolvimento da rede terrorista Al Qaeda no atentato frustrado ao vôo 253 da Northwest Airlines foi admitido, pela primeira vez, pelo presela primeira vez pelo presidente Barack Obama em seu programa de rádio, neste sábado, segundo a edição online do The New York Times. O mais influente jornal americano informou que, pela terceira vez, desde o episódio ocorrido no dia de Natal, enquanto o avião sobrevoava a cidade de Detroit, Obama é instado publicamente a dar explicações, durante férias de 10 dias em Honolulu.

De acordo com The New York Times, Obama também rebateu as críticas dos republicanos, como o ex-vice-presidente Dick Cheney e outros, que o acusam de “não reconhecer que a luta contra o terrorismo é uma guerra”. Obama disse que ele estava bem consciente de que “a nossa nação está em guerra contra uma rede de longo alcance da violência e do ódio.” Obama declarou ter recebido relatórios preliminares sobre o incidente, mas não deu mais detalhes sobre como o nigeriano Umar Farouk Abdulmutallab, de 23 anos, vinculado a extremistas religiosos, já conhecido pelos serviços de inteligência, foi autorizado a embarcar em um vôo para os Estados Unidos com explosivos em suas roupas íntimas.

COMENTÁRIO: Com um índice de popularidade abaixo dos 50%, segundo institutos de pesquisa americanos, Barack Obama não poderia ter recebido um presente de Natal pior do que esse atentado terrorista, frustrado por acaso. O episódio aponta para falhas graves do sistema de segurança aérea, reacende o debate contra o fechamento da prisão de Guatánamo, pois há informações de que ex-detentos o planejaram, e derruba ainda mais a popularidade do presidente americano que, inexperiente e acuado, em minha opinião, optará por medidas cada dias mais conservadoras.

Os republicanos agradecem.

Rosane Santana, jornalista, mora em  Boston (EUA)

dez
31
Posted on 31-12-2009
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 31-12-2009


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DEU NA COLUNA

Em seu último artigo de 2009 em sua coluna diária na Tribuna da Bahia, o jornalista político Ivan de Carvalho aproveita para refletir sobre uma questão crucial na vida dos brasileiros: a falta de sinceridade e o desamor pela verdade dos nosso políticos e governantes. A sociedade merece a verdade ou, se ainda não merece, pelo menos tem direito a ela para desacostumar-se da propaganda enganosa, diz Ivan em seu texto de hoje, que Bahia em Pauta reproduz. E aplaude, ao tempo em que deseja um 2010 para o País e toda realização e felicidade do mundo para seus leitores, amigos e críticos.

(Vitor Hugo Soares, editor)
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OPINIÃO POLÍTICA

PROPAGANDA ENGANOSA

Ivan de carvalho

O governador José Serra, aspirante tucano à presidência da República, atribuiu aos investimentos de sua administração a criação de 800 mil empregos diretos e indiretos em São Paulo, em 2009. O presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, responsabilizou a “aflição” de Serra, ante as eleições que ocorrerão daqui a pouco mais de nove meses, pela declaração do governador.
Segundo Berzoini, a declaração de Serra “é uma tentativa desesperada de ficar sócio do sucesso do PT. A geração de emprego vem da política de estímulo à economia”, afirmou o presidente do PT, explicando didaticamente: a tentativa de Serra, disse, “não resiste à menor análise do que é decisivo. Certamente a ação do governo federal é a parte mais forte da geração de emprego em todo o Brasil”.
Ora, seria bem melhor se os políticos, sejam tucanos ou petistas, governistas ou oposicionistas, fossem sinceros e verdadeiros ao se dirigirem à sociedade para fazerem avaliações de seus próprios governos e dos governos alheios.
A sociedade merece a verdade ou, se ainda não merece, pelo menos tem direito a ela para desacostumar-se da propaganda enganosa, o que acontecerá quando gradualmente aprender – se algum dia aprender, porque já é longa a história humana e até hoje tal aprendizado está apenas engatinhando – a escolher seus líderes políticos. Eventualmente, acertos nessas escolhas têm ocorrido, mas são raros, no Brasil e no mundo.
Serra não tem razão quanto aos 800 mil empregos criados graças, segundo ele, aos investimentos do seu governo. Quem cria os empregos é a economia, não o governo e, para acabar de estraçalhar a gabolice do governador, vale registrar que é a sociedade que paga os tributos que sustentam o Estado e até lhe permitem fazer os investimentos alegados. Estes são mera devolução do que o governo tomou à sociedade, são retirados da própria economia.
Berzoini também não tem razão. O governo federal não é – como ele tolamente supõe, ou quer que todos nós suponhamos, tranformando-nos em bobos alegres, gratos e tietes do presidente Lula e seus auxiliares (inclusive, talvez, também aos “aloprados” e os do Mensalão) “a parte mais forte da geração de emprego em todo o Brasil”.
Na verdade, talvez não existam mais postos de trabalho, muito mais, e melhor remunerados, porque o governo toma da sociedade e da economia quase 40 por cento do PIB com tributos, que, aliás, aplica muito mal – fazendo justiça, fenômeno não exclusivo do governo Lula, mas comum e inerente a quase toda (ou toda?) a história da República. Quanto a Lula, de que se jacta Berzoini, quantos empregos criou, além dos pendurados nos muitos cabides estatais de uma administração severamente inchada pelo acréscimo de pessoal em seu período? Fez, na crise, algumas renúncias fiscais pontuais para facilitar o consumo de algumas linhas de produtos, estimulando o consumo e, assim, ajudando produtores e comerciantes, o que cria vagas. Ora, se pôde operar essas renúncias fiscais é que estava ganhando (e gastando, geralmente mal) prá lá da conta, graças à sufocação da sociedade com a pesada carga tributária.

dez
30
Posted on 30-12-2009
Filed Under (Artigos, Newsletter, Vitor) by vitor on 30-12-2009

Ivete: antes do tumulto

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A presemça da cantora Ivete Sangalo em uma loja do Shopping Iguatemi de Salvador na tarde desta quarta-feira (30), causou tumulto, mas a confusão dentro da Loja Riachuelo por mais de 300 fãs da cantora, segundo a segurança do maior shopping baiano, foi controlados sem maiores consequências além de algumas prateteiras de roupas no chão e o susto de algus clientes do shopping com a confusão.

Segundo a edição online do Correio da Bahia , Ivete foi o local para conferir as roupas de lançamento da coleção que leva o seu nome – e aproveitou para distribuir algumas peças para os fãs.Aí sw watabeleceu a confusão.

A gerência do estabelecimento estima que mais de 300 pessoas entraram na loja para ver Ivete. Na confusão, muita roupa foi parar no chão e até uma prateleira caiu, mas a situação não saiu do controle, de acordo com a loja.

dez
30
Posted on 30-12-2009
Filed Under (Artigos, Multimídia, Vitor) by vitor on 30-12-2009


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Em fuga do trânsito caótico da Cidade da Bahia má sinalizada, violenta, desprotegida e praticamente jogada às traças administrativamente pelo pior prefeito das nove maiores capitais do País, corto caminho para escapar do engarrafamento monstro na área da estação do ferry-boat , em São Joaquim. Para chegar a Itaigara, opto pelo Largo do Tanque, Liberdade e Estrada da Rainha…

Quase na hora do presidente Lula desembarcar nesta Salvador de tumultos e desgovernos agravados no fim de ano (para repousar na tranquila e segura praia do Inema) estou diante do histórico Largo da Lapinha, em frente à sua Igreja , atraente e famosa bem antes do Padre Pinto. Olho para o alto e lá está quase que pairando no ar a igreja de Santo Antõnio Além do Carmo. Pura poesia e paz no meio do tumulto soteropolitano.

Penso em milagre de São Baden Powell, só pode ser, pois tudo vem junto com a vontade imensa de ouvir “Lapinha”, a música do dia no Bahia em Pauta.

Tudo a ver. Confira.

(Vitor Hugo Soares)

dez
30
Posted on 30-12-2009
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 30-12-2009

Deu na coluna

Em seu artigo diário na Tribuna da Bahia o jornalista político Ivan de Carvalho segue nesta quarta-feira, às vésperas da chegada do novo ano, com olhos e atenção fixos nos tumultos em Teerã e adjacências.Os turbantes dos ayatollahs iranianos estão arrepiados. Os protestos e manifestações recrudesceram, registra Ivan no texto que Bahia em Pauta reproduz.
(VHS)
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Chamas em Teerã

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OPINIÃO POLÍTICA

TURBANTES ARREPIADOS

Ivan de Carvalho

Os turbantes dos ayatollahs iranianos estão arrepiados. Os protestos e manifestações recrudesceram. Eles haviam chegado a um clímax na sequência da reeleição fraudulenta do presidente Mahmoud Ahmadinejad, representante no governo da hierarquia muçulmana xiita mais radical do Irã. Morreram então nos protestos de rua 70 pessoas, segundo admitido pelo governo, além da ocorrência de centenas de prisões e cinco condenações à morte.

As manifestações diminuíram significativamente durante um pouco de tempo, mas a oposição continuou questionando as eleições e chama Ahmadinejad de ditador, acusando de não haver sido reeleito pelos votos, e sim pela fraude, graças à qual não teria vencido o oposicionista Mir Hossein Mousavi.

Mas a morte e o adeus popular ao grão ayatollah Montazeri, um influente moderado simpatizante da oposição, desatou uma nova série de grandes manifestações de rua. Logo em seguida veio um agitado fim de semana, com manifestações violentas desencadeadas pela comemoração do luto da Ashura, a cerimônia religiosa mais importante para os xiitas.

Ontem, neste espaço, indaguei para onde vai o Irã. E não tinha uma resposta, salvo a constatação de que há um crescente cansaço com a ordem imperante e a inevitável conclusão de que a ditadura teocrática lá instalada, como tudo mais neste mundo, “vai passar”. Continuo hoje neste ponto – com essas constatações e sem a resposta.

Mas os ayatollahs e o governo sentem o perigo. Ontem, o ayatollah Abas Vaez Tabasi, um dos representantes regionais do ayatollah Ali Khamenei, o líder supremo, sucessor de Komeini, disse à TV estatal que “os líderes da oposição são uns mohareb (inimigos de Deus)”, acrescentando que devem ser tratados como prevê a sharia – a lei para os xiitas. A sharia fixa a pena de morte para os mohareb. Trata-se de uma ameaça, a mais grave feita até agora por um regime em crise e talvez desespero e não há garantia de que não levem a ameaça à prática. Dezenas de milhares de seguidores do governo fazem agora manifestações, pedindo punições aos “responsáveis” pelo protesto, ao tempo em que, contraditoriamente, acusam Israel e os Estados Unidos pelos protestos. Vão aplicar a sharia a esses dois países? Gostariam, mas…

No jogo sinistro das intimidações, o governo de Ahmadinejad, “presidente” que foi tão bem recebido pelo governo Lula recentemente, incluiu entre os presos três integrantes da oposição próximos a Mousavi e uma irmã da ativista Shirin Ebadi, Prêmio Nobel da Paz. “Minha irmã é dentista, não está de forma alguma ativa nos direitos humanos ou na política e ela não participou de nenhum protesto”, disse Ebadi, acrescentando que a prisão é uma tentativa de silenciá-la. Ontem, Ahmadinejad falou pela primeira vez sobre os protestos, qualificando as grandes manifestações de domingo como “um roteiro escrito por sionistas e americanos”. Disse também que “é um espetáculo que dá ânsia de vômitos”.

Ou dá arrepios?

dez
30
Posted on 30-12-2009
Filed Under (Artigos, Eventuais) by vitor on 30-12-2009

O jornalista e colaborador especial deste site-blog baiano. Patrick Brock, manda de Nova Iorque um conto de sua autoria publicado no extinto Caderno Dez!, do Jornal A Tarde, em meados de 2005. Fala de seu avô, que faleceu no último Natal aos 94 anos, após oito deles sem sair da cama.

Durão, sertanejo, sergipano de Lagarto, ultra-religioso e conservador, sêu Hélio veio da barriga da miséria nordestina e gostava de ler nas madrugadas. “Um dia achei “Céu e Inferno” de Aldous Huxley em sua biblioteca”, revela Patrick na mensagem mandada para o editor (e amigo admirador) junto com seu bem escrito e comovente conto de fim de ano, que Bahia em Pauta orgulhosamente compartilha com seus leitores.

BP agradece, Patrick!

(Vitor Hugo Soares, editor)

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CONTO DE FIM DE ANO

AERO WILLYS

Patrick Brock

Hélio Barbosa nasceu numa noite dolorida, pelas mãos de uma parteira caolha, no 12 de dezembro de 1916, na terra seca de Lagarto, onde os habitantes famintos acostumaram-se a caçar os répteis remanescentes. Cresceu forte e sadio, mas perdeu os pais para a tísica aos 18 anos. Ensaiava carreira militar; chegou a cabo e era organizado e prestativo. Mas o irmão mais velho, um padre de certa influência que deveria sustentar o peso da família pela tradição daquelas terras do Sergipe, negou a herança onerosa e influenciou a reprovação do irmão nos exames que o tornariam oficial. Resignado, Hélio cuidou da família. Fez bicos.

A próxima oportunidade foi no Banco do Brasil. Virou inspetor, famoso pela argúcia e exatidão. Corrigiu muitas agências bancárias de cidades esquecidas, como Adustina. Próspero, conheceu a filha de um fazendeiro decadente de cana de açúcar. Formaram numerosa família, instalaram-se na Rua Maruim, ao lado da catedral e da prefeitura. Ele obteve uma posição estável e um Aero-Willys verde. Decidiu estudar na Bahia, formou-se em direito já um senhor distinto e dedicou-se à parapsicologia. Pelo menos uma vez, conseguiu deixar o seu corpo físico, feito interrompido apenas pelo rodar alvoroçado de um ônibus na sua rua, que se tornara central à medida que a cidade crescera nos últimos vinte anos. Reza a lenda
que declarou ao americano que queria casar com sua filha, a segunda mais velha e também a única a realmente peitar sua disciplina ditatorial. “Quer mesmo casar com ela? Você sabe como ela é teimosa?” Anos depois, a própria filha ultrajada repetiu o desafio para noiva de seu filho, como a história que repete os próprios erros. Aposentado no início dos anos 1979, Hélio viajou de navio à Terra Santa e o Vaticano, chegou até a comprar uma pistola Bereta .25, e até, às vezes, a empunhava para mirar o muro. Aos 70, Num prenúncio de decadência mental, separou-se da consorte com quem viveu mais de 60 anos, acusando-a de uma improvável traição. Só, diluiu a saúde em quedas estúpicas e névoa mental crescente. Aos 80 anos, ao menos 40 deles sob uma dieta metódica, calórica, tornou-se totalmente senil e praticamente imóvel. Dormia a maior parte do tempo. Fui visitá-lo.
– Lembra quando fomos passear no Aero Willis e o carro parou em frente ao Parque Cementeira? Você esperou a chuva passar e depois trocou o fusível. Buzinava duas vezes antes passar nas esquinas – falei, brincando, quando sentei ao seu lado para vê-lo almoçar. Seus olhos lacrimejavam de catarata. Toquei sua mão. Percebi que tentava me reconhecer. No quarto, ao redor, a audiência íntima respirava em calma expectativa na atmosfera de odor higiênico e pacífico de um lugar escudado, seu destino final. O frigobar persistente lembrava-o de tempos antigos, sem eletrodomésticos. Só um homem que veio da pobreza extrema, como ele, poderia considerar um luxo ter um frigobar no quarto.
– Eu gosto de ler, vô, disse, finalmente. Só aí é que ele assentiu, com um leve movimento da cabeça grisalha e esfiapada pelos últimos tufos de cabelos.
– E está fazendo muito certo.
Depois, voltou-se para o zumbido do televisor. Dormiu.

Patrick Brock, jornalista baiano e tradutor, mora em Nova Iorque

dez
29
Posted on 29-12-2009
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 29-12-2009

Iranianas protestam: sinais da mudança

Deu na coluna

Como na cançao de Chico Buarque de Holanda do tempo da ditadura brasileira, o jornalista político Ivan de Carvalho olha para Irã deste final de 2009 e identifica animadores sinais de mudança na terra dos Ayatolás. O véu vai gradualmente descobrindo faces, recuando até deixar à vista o rosto e parte do cabelo. Então a repressão é acionada.Para Ivan, no texto de sua coluna desta terça-feira, 29, na Tribuna da Bahia, que Bahia em Pauta reproduz, há sinais animadores de que um novo tempo de liberdades públicas e respeito aos direitos humanos, em especial os das mulheres, já se anuncia em Teerã.

(VHS)
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OPINIÃO POLÍTICA/ VÉUS

VAI PASSAR

Ivan de Carvalho

O Conselho Superior de Segurança Nacional do Irã confirmou ontem que pelo menos oito pessoas morreram no domingo, nos confrontos entre manifestantes oposicionistas e a forças de segurança (ou insegurança) do governo. Vale notar que são números oficiais e não conferidos por fontes independentes. Aliás, a esse respeito, o governo iraniano proibiu a presença da imprensa internacional nas áreas em que ocorram manifestações. Entre os mortos está um sobrinho do líder da oposição, Mousavi, que disputou a eleição presidencial com Ahmadinejad. Isto preparou o cenário para mais protestos de rua.

É o segundo episódio mais grave desde a suposta reeleição do presidente Ahmadinejad, aquele que tem a sem-vergonhice (vamos usar a expressão certa para a coisa errada) de reiteradamente negar o Holocausto, a matança de seis milhões de judeus pelo nazismo durante a Segunda Guerra Mundial. O mesmo Ahmadinejad recentemente recebido no Brasil com rapapés e salamaleques do presidente Lula e do Itamaraty. Nos protestos anteriores, contra a fraude, morreram 70 pessoas, centenas foram presas e alguns manifestantes condenados à morte.

Há mais de uma semana os manifestantes ocupam as ruas das principais cidades do país, entre elas a capital, Teerã e a “cidade santa” de Qom, onde se concentram os religiosos da alta hierarquia muçulmana xiita que manda no país – desde a “revolução islâmica” liderada pelo ayatollah Ruhollah Komeini em 1979 –, diretamente em muitas coisas e em outras por intermédio do presidente (?) Ahmadinejad, desde sua reeleição chamado de ditador pela oposição, que considera a reeleição resultado de uma imensa fraude eleitoral. A nova crise começou com as grandes manifestações de adeus ao grão ayatollah Montazeri, considerado liberal e de tendência simpática à oposição e seu líder Mousavi. Montazeri morreu em idade avançada. Ontem, a Guarda Revolucionária, elite das forças armadas iranianas, e a “milícia islâmica” anunciaram (ameaçaram) que estão “totalmente prontas” para intervir contra os manifestantes.

Mas o que está realmente acontecendo no Irã? Difícil analisar ou especular no espaço restrito que me é reservado neste jornal. Mas está evidente que a “revolução islâmica”, com sua ditadura teocrática em nome de Allah (que certamente abomina essas coisas), cansou grande parte da população. Até as mulheres, sujeitas a normas extremamente rígidas, reagem. A barra dos vestidos sobe disfarçadamente, centímetro a centímetro. O véu vai gradualmente descobrindo o rosto, recuando até deixar à vista o rosto e parte do cabelo. Então a repressão é acionada e tudo volta ao que era, à espera do momento de nova tentativa.

A situação atual lembra o governo Costa e Silva, no Brasil. Uma atenuação do autoritarismo, manifestações, um estudante morto no Calabouço, no Rio de Janeiro, a passeata dos cem mil, um discurso mal pensado, e, então, de volta a repressão, os mais pesados anos de chumbo, do AI-5 até o fim do governo Médici. Mas isto passou. Um dia passará também no Irã.

dez
28

Umar Farouk:furou todos os bloqueios/NYT
Farouk
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ROSANE SANTANA

BOSTON (EUA) – A repercussão do atentado frustrado contra um avião da Noryhwest Airlines, vindo de Amsterdã, enquano sobrevoava Detroit, no Dia de Natal , obrigou o presidente Barack Obama a uma pausa em suas férias, no Hawai, segunda-feira, 28, para acalmar os ânimos dos americanos, amedrontados com a possibilidade de um novo ataque terrorista. O presidente determinou uma completa revisão nas normas de segurança dos EUA, mais uma vez postas em xeque.

“O povo americano deve ter certeza de que estamos a fazer tudo em nosso poder para manter você e sua família segura e protegida durante os feriados”, disse Barack Obama, segundo noticiou a edição online do jornal The New York Times na noite de segunda-feira, 28. Os aeroportos registraram filas enormes e os passageiros foram submetidos a mais medidas restritivas.

Muita gente se pergunta, como o autor do atentato, o nigeriano Umar Farouk Abdulmutallab, 23 anos, que figurava na lista de suspeitos de terrorismo do FBI, conseguiu embarcar na aeronave, a serviço da Al Qaeda, que reivindicou a autoria do crime.

A sociedade americana tem levado ao extremo a filosofia do politicamente correto, sobretudo em relação aos negros, a tal ponto que a cor da pele virou espécie de salvo-conduto e ninguém, absolutamente ninguém, nas relações sociais, ousa contrariar ou até mesmo contestar um cidadão, cujo fenótipo cor da pele demonstre ascendência africana, mesmo se este é flagrado em situação de afronta à cidadania. Principalmente, se do lado oposto está um branco de olhos azuis. Com a eleição de Barack Obama, um afro-americano, para a presidência da República, a situação se agravou.

Há um acordo tácito nesse sentido, sempre confessado à boca pequena, quando alguém se vê no centro de um embróglio envolvendo negros, temendo ser acusado de discriminação racial, numa sociedade onde os Direitos Civis são levados a sério, a Justiça é rigorosa e célere, e os africanos e seus descendentes são sempre vitimizados.

Esse comportamento, em minha opinião, pode explicar como o nigeriano Umar Farouk Abdulmutallab, 23, passou fácil pela segurança e quase explodiu uma aeronave da Northwest Airlines, trazendo pânico à sociedade americana e a passageiros de todo o mundo, além de colocar em xeque a segurança da maior potência militar do Planeta.

Rosane Santana, jornalista baiana, mestre em História pela UFBA, mora em Boston e estuda na Universidade de Harvard)

dez
28
Posted on 28-12-2009
Filed Under (Aparecida, Artigos) by vitor on 28-12-2009

Sãofrancisco
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CRÕNICA/ MISSÃO

Os “franciscanos” Lucas e Tobias

Aparecida Torneros

Cruzei com eles em Búzios. Um andava descalço, me disse que sua vida anterior fora em Belo Horizonte, antes de abraçar a missão de se dedicar aos pobres. Adotou o nome de Tobias, usa o corte de cabelo igual aos primeiros seguidores de Chico de Assis, o santo católico italiano que desafiou os poderosos, ao defender pessoas abandonadas e animais, há séculos atrás.

O outro, que me perguntou se podia brincar, fazendo uma careta alegre na foto que tiramos, chama-se Lucas, veio das bandas de São Paulo. Contaram-me que vivem na cidade praiana fluminense, numa casa de acolhida a gente que é recolhida nas ruas de cidades como o Rio de Janeiro, entre outras.

Quando perguntei como são essas criaturas que eles cuidam, sua expressão era de compaixão e amizade. Tobias definiu: “nossos irmãozinhos que vem das ruas, em sua maioria, sofreram muito e alguns precisam lutar contra o vício do álcool. Na casa, temos recebido homens entre 40 e 70 anos e vivemos somente de doações. Aceitamos roupas e alimentos, além de medicamentos, concluiu”.

Conversamos sobre outras coisas mundanas, como por exemplo o hábito de andar descalço nas ruas, ou a fuga das suas vidas anteriores, ou ainda sobre o resgate da causa dos degredados, dos excluídos, dos chamados “zeros” à esquerda. Os dois jovens sorriam mansamente enquanto me respondiam. Olhares plácidos, simpáticos, atenciosos, me pediram que indicasse nomes para que incluissem nas suas orações.

Agradeci. Dei alguns nomes. Senti-me pequenina diante da grandeza do seu gesto de enfrentar as agruras do seculo XXI como instrumentos da paz cristã. Seguem à risca a oração famosa do Mestre, consolam onde há desespero e onde há ódio, levam amor aos corações. Imagino que todos os dias devem reforçar suas crenças nos exemplos de Franciso, Antônio e Clara, entre tantos, que fundaram alicerces de dedicação ao próximo na era moderna.

Os filhos de S.Francisco seguiriam a pé. Podiam pegar um ônibus em direção à casa onde vivem e trabalham, mas não levam dinheiro e se precisam de algo, pedem, são pedintes da caridade alheia.

Quando ofereci o dinheiro para que pegassem um transporte, só aceitaram a quantia exata correspondente ao valor das passagens. Mas, como eu não dispunha de dinheiro trocado, e teriam que ficar com o troco, foi mesmo muito difícil convencê-los que eu não queria a sobra. Podiam levar, eu argumentei.

Entretanto, os meigos rapazes foram comigo ao jornaleiro e a um bar na tentativa de trocar a nota de 10 reais. Alegavam que só precisavam tres reais e 60 centavos e que não era certo ficarem com o resto.

Em dado momento, tive a luz. E o pão? Não tinham que comprar pão para os habitantes da casa? Pois que passassem numa padaria e gastassem o restante da quantia em pães para os irmãos. Que retornassem à casa levando aproximadamente seis reais de pão. Era uma doação que eu estaria fazendo, falei.

Lucas e Tobias me beijaram as mãos e o rosto. Foram-se com seu passo lento. Agradeceram. Legaram-me uma profunda lição. Deixaram-me a lembrança da foto do nosso encontro. Muito mais, me exemplificaram sobre a renúncia ao mundo consumista.

Despedimo-nos e segui para encontrar minhas amigas que me esperavam no restaurante. Ao entrar e sentar para almoçar, agradeci o prato de comida, repensei sobre o dinheiro, revi conceitos sobre o amor e a missão que damos às nossas vidas. Alimentei o corpo, embora a alma já tivesse se alimentado de sabedoria e desprendimento.

( Aparecida Torneros, jornalista, escritora, mora no Rio de janeiro, onde edita ol Blog da Mulher Nercessária.).

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