nov
17

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O TEMPO

A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando de vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal…
Quando se vê, já terminou o ano…
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado…
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas…
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo…
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.

Mário Quintana

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Laura em Camden Town(Londres): beleza pura

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A canção e a poesia são para Laura Dourado Cardoso Tonhá  neste 17 de novembro, dia de seu aniversário. Sem muito a acrescentar, pois a música de Caetano e o poema de Quintana já dizem quase tudo simbolicamente sobre esta figura que encanta a todos por onde passa: Em Londres, Nova Iorque ou Salvador.

Falta registrar que sem a iniciativa, além do o toque criativo e inteligente desta incrível publicitária chamada Laura, este site blog não existiria. Isso merece reconhecimento . E deve ser comemorado. Sempre.
Parabéns ! Você não imagina o quanto lhe querem bem e admiram todos os que fazem este BP, a começar por seu editor.
Seja feliz, hoje e sempre, Laurita.

(Vitor Hugo Soares, tia Ila, tia Márcia e todos os que fazem o Bahia em Pauta)

nov
16

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CRÔNICA

DETALHES

Maria Aparecida Torneros

Como profetizou o Rei Roberto, o tempo pode até transformar todo o amor em quase nada, mas um dia , muitos anos depois, você acorda e não é que lembra dele, por um detalhe, um movimento qualquer do dia-a-dia que faz com que sua lembrança volte, de repente, mesmo que o sentimento tenha se escafedido, o cara reaparece por uma frase que alguém disse, ressuscitado pela magia da memória que devolve o encanto por algum milésimo de segundo. E você se pergunta: onde ficou aquela criatura que me despertou a tal paixão avassaladora daqueles dias da minha mocidade?

Aliás, em tempos de tanto botox, tanta cirurgia plástica, tanta academia, haja “curves”, para conter o avanço da velhice sobre a juventude que se torna objeto de cultivo raro… por seu bom humor e inconsequencia, muito mais do que por sua contaminação de beleza, leveza, soltura de gestos, falta de dores musculares, ou coisa que o valha, pensemos, em contrição e com certa compaixão por nossa caminhada em mundo tão visual, onde parece até que ter peitos e coxas, bundas e faces, etc, etc, conservados em formol, daria a chave para abrir as portas do paraíso…

Como não se curvar diante daquele pequeno detalhe que alguém nos legou para florescer, exatamente, 20, 30, 40 anos depois, como se fora um feitiço virando contra o enfeitiçado? Aí, o som daquela voz antiga volta como num filme, o brilho de certo olhar insistente e pedinte ressurge das cinzas, o desenho de uma boca, de um nariz e até o contorno dos dedos dos pés podem oferecer registro póstumo para um amor que já morreu, uma daqueles transformado em “quase nada”, que, como diz a própria canção , o próprio “quase também é mais um detalhe…

Aí, melhor embarcar na sucessão de “quases”, deixar-se levar pela emoção revivida, anunciar ao velho coração que “tá tudo bem”, que pode se permitir reviver, rememorar, talvez o gosto de um velho beijo, quem sabe o calor de um abraço que virou nada, até a sensação da presença de alguém que a vida já levou para o outro lado, e a gargalhada, seu eco, sua marca, suas piadas, a luz da sua passagem em nossas vidas, pode ser de gente que está viva, nos deu momentos sublimes, e saiu por aí, casando e descasando, como todos nós, buscando pares novos para velhos desejos de sermos felizes…

E estar feliz é exatamente isso, é ter boas recordações, viver intensos encontros, continuar na luta em função de armazenar detalhes tão pequenos que um dia, ora, pode ser hoje e agora, nos tornam pessoas grandes, profundas, maduras, agradecidas por termos lembrancinhas de amores passados, pérolas de brilhos rejuvenescidos, tesouros interiores.

São tantass coisinhas miúdas, patrimônio nosso de cada dia, como o “pão nosso”, como o detalhe nosso, aquele que deixamos marcado em gente que nos ama ou já amou, nos recorda, e até nos reaparece numa manhã de terça-feira, como um presente que o correio deixou de entregar, levou anos na prateleira, e lá vem ele, exatamente no instante em que a gente descobre que estar vivo para reviver, é uma chance única, só nos resta agradecer…

Cida Torneros, jornalista e escritora, mora no Rio de Janeiro, onde edita o Blog da Mulher necessária

nov
16

Kassab: também contra a fusão

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OPINIÃO POLÍTICA

Democratas escolhem viver

Ivan de Carvalho

O presidente do Democratas, deputado Rodrigo Maia e seu pai, o ex-prefeito do Rio de Janeiro, César Maia, asseguram que já está sepultada a proposta de fusão ou incorporação do DEM ao PMDB, mas afirmam-se convencidos de que ela serviu para “reorganizar a tropa” da legenda. É que a partir do surgimento da proposta, seu presidente, com ajuda de César Maia e alguns outros democratas, entrou em campo em busca da unificação do DEM.

Rodrigo Maia e César Maia estão convictos de que acontecerá a unificação do partido em torno do plano de “fortalecer o DNA conservador” do Democratas, deixando no passado o papel de linha auxiliar do PSDB que o PFL, depois DEM, vinham desempenhando, para dedicar a legenda à construção de uma candidatura própria à presidência da República em 2014.

“Essa hipotética proposta (de fusão ou incorporação ao PMDB) não existe mais. Até Kassab é contra”, disse César Maia em conversa, por e-mail, com o jornal O Estado de S. Paulo, que publicou a respeito matéria assinada pelo jornalista Alexandre Rodrigues. “Hoje, ninguém no DEM defende fusão com o PMDB. Nem no PMDB, segundo se diz”, afirmou César Maia, que também afastou as hipóteses de fusão com o PSDB ou com o PPS.

Na verdade, o PSDB e o PPS estão estudando uma fusão entre eles, segundo admitiu o presidente deste último partido, Roberto Freire, ressalvando que a iniciativa está com o PSDB, o partido maior, pois fusão não pode ser feita com um partido grande por iniciativa de um partido pequeno.

Há um ponto crucial que pode ter contribuído para arrefecer o ânimo de fusão com o PMDB ou até com o PP que lavrava em setores do DEM e que também poderá travar a imaginada fusão do PSDB e PPS ou incorporação deste último pelos tucanos. Trata-se da legislação sobre fidelidade partidária.

Explicando: se há fusão, desaparecem legalmente os partidos que se fundem e surge um terceiro. Imagine-se DEM e PMDB se fundindo e dando origem ao MDB. Este seria um “novo” partido. Estão, os filiados ao DEM e ao PMDB detentores de mandatos eletivos e que quisessem ir para outras legendas estariam livres, sem risco de quaisquer punições, a exemplo de expulsão e perda de mandato. O mesmo ocorreria numa fusão PSDB-PPS. Já no caso de incorporação, o que haveria legalmente seria a extinção de um dos partidos e a migração de seus quadros para o outro. Mas estes quadros (incluindo os detentores de mandatos), poderiam aproveitar a “janela” e optar por outras legendas.
Em síntese: seria a oportunidade de ouro que adesistas buscam para saltarem a cerca e ingressarem em partidos governistas. No caso DEM-PMSB, os democratas adesistas poderiam ir para o PMDB mesmo, se quisessem, mas peemedebistas poderiam ser estimulados a trocar esta legenda pelo PSB ou outra, de modo a enfraquecer o grande rival do PT dentro do governo.

Independente de toda essa questão da fidelidade partidária, a desistência anunciada do DEM de desaparecer é boa para a preservação e o exercício do regime democrático. Há uma faixa do eleitorado – e da sociedade – que o DEM, bem ou mal, representa. Já disse recentemente que o fim deste partido não seria bom para o exercício democrático. Há mais tempo, havia observado, com certa insistência, que o papel de coadjuvante cativo que o PFL-DEM assumira ante o PSDB era (e realmente foi) politicamente contraproducente e um desvio quanto ao que o DEM deveria representar.

nov
13
Posted on 13-11-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 13-11-2010

Prefeito Kassab: roupa do Dem ainda serve?

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OPINIÃO POLÍTICA

O destino do DEM

Ivan de Carvalho

Continua a movimentação em torno da possível fusão do DEM ao PMDB ou, se isto se revelar por algum motivo inviável, ao PP, que seria o Plano B dos democratas interessados na fusão.

O principal deles é o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Com a derrota eleitoral e possível decadência política do tucano José Serra, seu principal suporte na aliança com o PSDB e deste partido com ele, Kassab, o prefeito vê o PSDB paulista ficar mais sob a influência de Geraldo Akckmin.

Alckmin pode ser considerado e é visto por Kassab como um adversário. Afinal, enquanto nas eleições municipais de 2008 o então governador paulista José Serra apoiava discreta, mas decididamente, a reeleição de Kassab – que fora seu vice na prefeitura e assumira quando Serra deixou o cargo para disputar o governo estadual –, Alckmin ousadamente lançou-se candidato a prefeito, contra Kassab.

Perdeu, como já perdera a eleição presidencial de 2006, disputando com Serra nos bastidores e de público o direito de ser o candidato tucano a enfrentar o presidente Lula naquela ocasião. Alckmin, então, conseguiu o que queria, ser candidato, porque Serra se convenceu de que o PSDB não venceria aquela eleição presidencial e apenas fingiu ir na bola dividida com Alckmin. Na verdade, ele queria mesmo era deixar a bola com este e ir cuidar de outros planos.

Sentindo-se órfão do PSDB, o democrata Kassab é hoje o político do DEM mais em evidência e tem lá suas pretensões de disputar o governo paulista em 2014. Mas ele não tem o controle de seu partido neste momento e, pior, dá conta o noticiário de que ele não acredita na recuperação política e eleitoral do Democratas, hoje sob a presidência do deputado fluminense Rodrigo Maia.

Imaginou-se uma fusão imediata do DEM ao PMDB (que poderia ser rebatizado de MDB, o que seria uma espécie de resgate histórico, ao menos sob o aspecto nominal). O PP, como já assinalado, seria o Plano B. Mas Kassab foi aconselhado por lideranças democratas, incluindo o presidente de honra e ex-senador Jorge Bornhausen (também já agora pouco crente numa recuperação do DEM) a ter paciência. Antes de partir para negociar a fusão seria preciso tomar o controle do partido.

E Rodrigo Maia não vai entregá-lo de boa vontade. Controle que, uma vez tomado, poderia levar o grupo liderado por Kassab até a desistir da fusão, já que estaria com um partido pronto nas mãos – e um partido de porte, ainda.

Kassab e os que estão com ele decidiram esperar até três meses. Se até o fim do prazo houver fracassado a tomada do controle do partido, então voltarão, aí já para agir, à negociação de uma fusão ou, na pior das hipóteses, de dissolução, o que a todos liberaria para cada um seguir o caminho que quiser.

Essa coisa de fusão (que poderia ser, evidentemente, uma simples incorporação do DEM pelo PMDB) está aumentando a tensão entre o PMDB e o PT. Uma tensão já notória pela questão da presidência da Câmara, principalmente, além de espaços postos no Executivo. É que o PMDB, acontecendo a fusão, deixaria de ter a maior bancada na Câmara dos Deputados na próxima Legislatura e ganharia peso incontrastável em todas as situações no Congresso, além de aumentar seu poder de fogo na luta por espaços no Poder Executivo e nas empresas estatais.

Dona Canô no TCA: “coitado de meu filho!”

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ARTIGO DA SEMANA

SEGREDOS DOLOROSOS

Vitor Hugo Soares

Os principais diários de Salvador e os grandes jornais do País – com seus estranhos e incompreensíveis cadernos B e suplementos culturais cada vez mais grudados no que acontece ou vem de fora, alheios ou indiferentes ao que se passa diante do nariz -, praticamente ignoraram o principal fato da música e da cultura esta semana no Brasil. Um caso acontecido na capital baiana, é verdade, mas bem emblemático da confusão nestes dias de faz de conta na mídia em geral, na cultura, na política e no poder.

Segunda-feira (08/11) Caetano Veloso saiu do histórico palco do Teatro Castro Alves visivelmente extenuado. Os sinais de tensão e emoção ainda permaneciam à flor da pele do artista, como se ele tivesse acabado de participar de uma experiência semelhante a da maratona enfrentada pela atriz Jane Fonda, no demolidor filme de Sidney Lumet, “A Noite dos Desesperados” (Não se matam mais Cavalos?), jóia premiada do cinema político e social dos anos 70.

Pode parecer exagero, mas esta é a primeira imagem comparativa que vem à cabeça do jornalista diante do espetáculo protagonizado pelo filho querido de Santo Amaro da Purificação, na cidade que o projetou para o País e o mundo. Agora, beirando os 70 anos de idade, Caetano havia acabado de vencer com a mesma garra e brilho (mesmo despedaçado física e intimamente) um teste demolidor.

Quase três horas de música e conversa sobre a vida, a poesia, a juventude e a velhice, os colegas e amigos, a profissão, a família, a religião, a política, a prisão, o exílio, a volta e a permanência. Uma catarse pessoal diante da platéia que ocupava todos os lugares do TCA em festa, como em suas noites mais memoráveis.

Por exemplo, aquela do reencontro (também na incrível década dos 70) de Chico Buarque de Holanda com Caetano na volta do compositor baiano do exílio em Londres, imposto pela censura e o tacape da ditadura que então imperavam por aqui.

Na época, repórter do Jornal do Brasil na sucursal de Salvador, lembro de ter permanecido praticamente o tempo inteiro ajoelhado atrás daquela balaustrada de madeira que separa as partes inferior e superior da platéia do TCA. Isso para não atrapalhar a visão da turma de cima e, ao mesmo tempo, não perder nenhum detalhe, por mínimo que fosse, daquele momento inigualável que meu amor pela profissão e minha paixão pela música me permitiam presenciar tão de perto.

No mesmo lugar de permanente acolhimento “da verdadeira Bahia”, como disse João Gilberto certa vez no mesmo palco, Caetano Veloso encerrou esta semana a temporada 2010 do projeto “Música Falada”. Trata-se, na verdade, de uma experiência baiana de sucesso – infelizmente ainda pouco divulgada na própria Bahia e no resto do país- que reúne no palco e na platéia interativamente, música, comunicação e teatro.

O projeto surgiu em 2007. Foi idealizado pelos apresentadores do programa Roda Baiana, na Rádio Metrópole de Salvador – André Simões, Jonga Cunha e Fernando Guerreiro, este último um autor e diretor teatral de reconhecimento nacional. Um dos principais responsáveis pela notável transformação da cena baiana nas últimas décadas, em termos de integração palco e platéia. O que ajuda a explicar em boa parte o fato de Salvador ter se transformado em verdadeira usina de produção de espetáculos premiados e atores. Wagner Moura, Lázaro Ramos, Wladimir Britcha – entre muitos outros atores e atrizes – que o digam.

“Teatro Falado” segue o formato do programa radiofônico da também inovadora Radio Metrópole, de Mario Kertész. “Roda Baiana” tem sido levado ao palco do TCA em edições períódicas e quase sempre antológicas e com a mesma química que alia inteligência, criatividade, irreverência e bom humor do programa diário no estúdio da rádio. Foi assim também na última segunda-feira, só que com muito mais intensidade.

Principalmente quando o artista foi levado a falar sobre sua prisão e posterior exílio ao lado do amigo e colega Gilberto Gil. “Enlouqueci com a prisão. Sou narcisista pelo fato de ser brasileiro, e o Brasil ficar contra mim foi muito difícil de metabolizar”, disse Caetano num dos momentos mais pungentes do espetáculo. Mas tudo regado, diga-se, com doses generosas de humor, a exemplo das lembranças de vivências com Chico Buarque, em especial do que os dois aprontaram no programa que apresentavam juntos na TV Globo.

Caetano começou o espetáculo cantando “Coração Vagabundo”, sentado num banquinho com seu violão e cercado no palco pela família e muitos amigos. Quase três horas depois deixou a cena interpretando “Tenda dos Milagres”, aplaudido e mais emocionado ainda do que entrou. Foi abraçado e confortado ainda no palco pela mãe, Dona Canô, que acaba de completar 102 anos.

Foi dona Canô quem deu o magnífico toque final de uma noite para não esquecer. Cumprimentada ainda no palco do TCA pelos realizadores do “Música Falada”, em agradecimento pela presença ilustre, a matriarca dos Veloso disse a Fernando Guerreiro, voltando-se para a principal figura da noite: “Coitado de meu filho, ele sofre muito quando fala da prisão e do exílio”. E ela decidiu na hora: “A partir de hoje vou proibir Caetano de falar dos sofrimentos na prisão e do período que foi forçado a passar longe da família e fora do Brasil”.

Grande Dona Canô! Pena que uma noite como a de segunda-feira em Salvador tenha passado praticamente incólume do olhar da imprensa local e nacional. Saudades do Caderno no B do falecido Jornal do Brasil, que seguramente não deixaria um fato como este passar sem informação aos seus leitores.

À exceção – registre-se a bem da verdade – dos belos registros do site da revista “Contigo” (editora Abril) e do portal da Metópole, cuja TV transmitiu tudo via web. Quem sabe daí não sairá mais tarde um vídeo tão sensacional quando o disco ao vivo, gravado durante o encontro histórico de Caetano e Chico Buarque, também no TCA.

A conferir

Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail: vitor.soares1@terra.com.br

llosa: em constante vigilância

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OPINIÃO POLÍTICA

Llosa e a liberdade de expressão

Ivan de Carvalho

O escritor Mario Vargas Llosa, Prêmio Nobel de Literatura deste ano, afirmou, na Espanha, que o mundo deve se sentir “alarmado” pelo retrocesso na liberdade de expressão em países como Venezuela, Bolívia e Cuba. Também o Equador e a Argentina são citados, bem como, “mais recentemente”, o Brasil. Llosa estava fazendo o seu foco principal na América Latina, onde estão suas origens, e mais especificamente na Venezuela, cujas condições hostis à liberdade de expressão ele descreveu com detalhes.

Ressalve-se que, em Cuba, a questão não é de retrocesso. Apenas de persistência, nas últimas cinco décadas, do cancelamento de tal liberdade, como das demais. E mesmo antes do totalitarismo de Fidel Castro, a ditadura de Fulgêncio Batista, derrubada em 1959 pela revolução totalitária (vale repetir) comunista de Fidel, já roubara aos cubanos a liberdade de expressão e várias outras.

Voltando a Vargas Llosa. O escritor peruano disse em Cádiz, sul da Espanha, uma verdade que precisava ser sintetizada, como ele, sendo um mestre da palavra, o fez, em poucas palavras, para mais rápido entendimento e mais fácil divulgação.

Ao receber o Prêmio de Defesa da Liberdade de Expressão, concedido pela Assembléia Internacional de Radiodifusão, Vargas Llosa advertiu que o direito à liberdade de expressão estará “sempre ameaçado” por “todas as formas de poder”. É a síntese verdadeira e própria de um gênio como ele.

Vargas Llosa alertou ainda que outros países da região, com governos “nascidos de eleições legítimas”, estão sofrendo com retrocessos na liberdade de expressão. Análise extremamente precisa.

A liberdade de expressão estará sempre ameaçada por todas as formas de poder. Inclusive em países democráticos, como se acaba de constatar com as reações estatais americanas à publicação de documentos sigilosos “sensíveis” pelo site WikiLeaks, especializado exatamente nisto.

Também o Brasil é um país democrático atualmente. Existe aqui, no entanto, e já por vários anos, uma campanha, dissimulada, mas óbvia – já que não somos todos idiotas – para por cabrestos nos veículos de comunicação e nos jornalistas, sob o eufemismo de “controle social” dos meios de comunicação.

Dentro do governo federal, o ministro da Comunicação Social, Franklin Martins, faz declarações de defesa da liberdade de imprensa e aproveita para defender, com o mesmo empenho, o “controle social” que procura, não sozinho, articular e que consta de documentos oficiais do PT e do governo.

Não é a primeira ofensiva. Antes foram feitas outras, como a tentativa de criar um Conselho Nacional de Jornalismo e conselhos estaduais, que regulariam, fiscalizariam e decidiriam sobre punições no âmbito da “atividade jornalística”. Isso vinha casado com a criação de uma agência, a Ancinav, para regular e fazer a política do setor audiovisual.

Essas primeiras investidas fracassaram, mas nova ofensiva ocorre desde dezembro, quando, por convocação do presidente Lula, realizou-se a Confecom, e se desdobra, no momento, com as ações do governo federal e as iniciativas visando à criação de conselhos estaduais de comunicação, recomendados por aquela conferência de comunicação

nov
11
Posted on 11-11-2010
Filed Under (Crônica, Janio) by vitor on 11-11-2010

Amado Batista: sucesso de fato

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CRÔNICA/AFOGAMENTOS

Chico Buarque, Amado Batista e Florentina

Janio Ferreira Soares

Essa onda de discriminação contra os nordestinos por conta da grande votação de Dilma é apenas mais uma das milhares que acontecem diariamente no Brasil. A maioria é disfarçada e silenciosa, como quando alguém entra num restaurante estrelado destoando do padrão estético estabelecido (de bermudas, por exemplo) e recebe uma sequência de olhares fulminantes que começa pelo porteiro, passa pelo garçom, se acentua no maitre e chega ao ápice com o cochicho dos comensais. Outras são mais abertas e corajosas, como a opinião dessa garota que sugeriu nos afogar. Só acho que ela deveria ter apontado quais seriam nossas alternativas.

Deixaríamos este vasto mundo nas profundezas de uma cacimba ou na turvez de um barreiro meado? Sob as pontes do rio Capibaribe ou de susto, com um balde de água jogado na nossa cara, já que temos a fama de não conhecer muito bem o líquido? E quem nos afogaria? Paulistas de escafandros Lacoste ou gaúchos de bombachas flutuantes?

Seguiríamos pacificamente rumo ao asfixiamento ou puxaríamos a nossa temida peixeira para reagirmos de acordo com a lenda lampirônica que habita esses rincões? Detalhes, minha filha, detalhes.

A verdade é que tudo que tem um apelo popular tende a ser taxado preconceituosamente. Um exemplo que até hoje gera calorosas discussões é a tal breganização da música brasileira. Em qualquer roda de chope com fundo musical mais elaborado, neguinho puxa logo o mote de que bom era no tempo em que só Chico, Caetano, Tom Jobim e afins “faziam sucesso”. Que sucesso, cara pálida? Eles faziam música de qualidade, mas sucesso quem faz é Amado Batista e os sertanejos de calças justas – que vendem milhões de discos e lotam ginásios -, ou o cearense Tiririca, que usando a força de um personagem se elegeu com mais de um milhão de votos, coincidentemente na terra da moça que prega o nosso fim.

Mas o negócio é relaxar, como faz um gay da região, que diz que vai se vestir de Florentina e se afogar na foz do São Francisco, pois lá é a maior concentração de Nego D’água por metro cúbico do rio.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura e Turismo de Paulo Afonso, na margem baiana do Rio São Francisco.


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OPINIÃO POLÍTICA

Quebra de paradigma

Ivan de Carvalho

Na disputa, que já começou, pelas presidências da Câmara e do Senado na próxima Legislatura, o PT introduziu ontem uma tese fundada em lógica muito discutível, para dizer o mínimo.
Para tornar mais clara a ausência de fundamento lógico da tese petista, supostamente levantada pela bancada do partido na Câmara dos Deputados e já comunicada ao presidente nacional da legenda, José Eduardo Dutra, vale uma breve memória sobre o comando das duas casas do Congresso Nacional na atual Legislatura, que está para terminar.

Foi assim. No Senado, onde o PMDB teve e tem nesta Legislatura a maior bancada e o regimento interno prevê que a maior bancada partidária indica o candidato à presidência (alguém pode desafiar essa indicação, pois se trata de eleição a ser decidida por voto secreto), esse partido tevê a presidência tanto no primeiro quanto no segundo biênio da Legislatura. Não houve contestação, reivindicações em contrário nem desafios.

Na Câmara, o regimento não prevê nada a respeito, mas a tradição – não raro desafiada e até efetivamente contrariada – é também de que a maior bancada partidária indica o presidente, indicação a ser acatada pelas demais bancadas (a decisão final é sempre da votação pelo plenário, naturalmente). E, como no Senado, também na Câmara o PMDB teve e tem, na atual Legislatura, a maior bancada.
Mas, generoso que só ele mesmo, o partido de Ulysses Guimarães, perdão, de Michel Temer, decidiu dividir suas regalias com o PT, numa óbvia gentileza ao governo Lula, ao qual quis se aliar após as eleições de 2006. Dão, cedeu ao PT o “direito” de indicar o presidente da Câmara dos Deputados para o primeiro biênio, reservando-se a presidência da Casa no segundo biênio. Tudo isso absolutamente independente do que se fazia na outra Casa do Congresso, o Senado Federal.

O PT gostou do “acordo” de mão única, aproveitou e gozou de seus benefícios. Mas agora vai começar uma nova Legislatura e a situação mudou. Não no Senado, onde a bancada do PMDB continuará sendo a maior e com o “direito” regimental e a tradição de indicar o presidente da Casa. Mudou na Câmara, onde o PMDB não terá mais a maior bancada, mas a segunda, com 79 deputados, pois a maior será a do PT, com 88 deputados.

Esta circunstância daria ao PT, não pelo regimento da Câmara, que, como assinalado, nada diz a respeito, mas pela tradição, desafiada com freqüência, o privilégio de indicar o presidente da Casa para os dois biênios da Legislatura. Mas é então que vem o PMDB e cobra: quando tinha direito à presidência em dois biênios na Câmara, cedeu o primeiro biênio ao PT. Agora quer reciprocidade: o presidente da Câmara no primeiro biênio seria um peemedebista. Conversando, conversando, quem sabe, o PMDB até poderia aceitar – mesmo sabendo que o futuro é incerto e a Deus pertence – um acordo que lhe dê a presidência da Câmara somente no segundo biênio.

Até aí, tudo estaria dentro da normalidade. Mas então chega o PT, por sua bancada na Câmara – creio que acionada por controle remoto – e, revolucionariamente, quebra o paradigma: presidência da Câmara para o PMDB em um biênio, sim, mas só se o PMDB ceder ao PT a presidência do Senado (que não havia entrado na história) por um biênio.

Não se trata de reciprocidade do PT a uma liberalidade feita pelo PMDB. Mas o paradigma quebrado para uma troca de presidências de Câmara e Senado, fazendo de conta que nenhuma concessão o PMDB fez na Câmara ao PT na atual Legislatura ou que o PT não tem nenhuma “obrigação moral” de retribuir a gentileza.

nov
10
Posted on 10-11-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 10-11-2010


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OPINIÃO POLÍTICA

DUAS AMEAÇAS

Ivan de Carvalho

1. A primeira das ameaças está explícita em entrevista de Julian Assange, fundador do site WikiLeaks, ao jornal O Estado de S. Paulo, publicada em sua edição impressa, bem como no site Estadão.com.br. A entrevista foi concedida a Jamil Chade, correspondente do jornal em Genebra.

Julian Assange deixa claro seu incômodo com o fato de não ter residência fixa, só andar com escolta armada e ver seus funcionários sendo detidos por policiais em vários países. “A censura está muito mais generalizada e profunda do que a sociedade imagina”, alerta ele, em um aviso que soa como ameaça à cidadania e à liberdade, em âmbito mundial. Esta é uma ameaça grave, mas não é uma daquelas duas às quais me referia ao escolher o título deste artigo.

Vale lembrar que o WikiLeaks é o site que, em agosto, divulgou informações e documentos secretos do Pentágono sobre terrorismo, incluindo torturas e tratamento degradante a presos no Iraque, praticados por militares iraquianos, mas com o conhecimento e sem nenhuma objeção dos militares americanos. A denúncia causou profundo mal estar na comunidade militar norte-americana. E gerou reações policiais e de inteligência interna no Pentágono, com elaboração de lista de possíveis suspeitos de serem fontes do site WikiLeaks e riscos à liberdade de imprensa, segundo assinalou Assange.

Mas, e afinal, qual a ameaça que valeu metade do título do artigo? Simples. Julian Assange, respondendo a uma pergunta sobre se “material sobre o Brasil poderá ser publicado em breve”, respondeu: “Sim. Não posso dizer de quem se trata. Sabemos que parte da informação que temos sobre o Brasil poderia ter abalado as pretensões eleitorais de algumas pessoas. Mas não conseguimos ter tempo de publicar o material antes, diante de todo o caso do Iraque.” Bem, esta é a primeira ameaça. Persiste, de certo modo, mesmo passadas as eleições, ainda que não vá mais impedir êxitos eleitorais.

2. A segunda ameaça. Os rumores, não confirmados, mas não desfeitos, de que uma parte importante do Democratas (DEM) está articulando uma fusão com o PMDB, uma parte que incluiria até o ex-presidente do PFL (atual DEM) e ex-senador Jorge Bornhausenm, presidente de honra do DEM. Ora, o eleitorado colocou o Democratas, assim como o PSDB e o PPS, na oposição ao governo Dilma Rousseff. Numa qualificação ideológica que considero superada, mas continua sendo usada correntemente, o PSDB e o PPS se declaram de centro-esquerda, um e de esquerda, o outro. O DEM é o único partido de centro-direita na oposição e no país. Deveria representar a faixa correspondente do eleitorado e da sociedade.

Mas, caso faça a fusão com o PMDB, que ou é de centro ou não é nada, tal é a mistura que o constitui e tão ecléticos são seus interesses, o Democratas vai se descaracterizar absolutamente. A faixa da sociedade que teoricamente representa ficaria – aí está a ameaça – totalmente sem representação. Trata-se, ocorrendo, de infidelidade partidária. Não a infidelidade do político filiado ao seu partido, mas a infidelidade do partido ao seu eleitorado. O que retira deste eleitorado o instrumento de expressão de sua vontade política. Não é bom para o exercício da democracia.


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Claudio Leal

O artista plástico e curador Emanoel Araújo, 70 anos: “Enfrentei ponta de inveja de gente que se sentiu ameaçada por um neguinho baiano na Pinacoteca de São Paulo”

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CLAUDIO LEAL

Terra Magazine

Em 15 de novembro, um dos principais artistas plásticos e curadores de arte do Brasil, Emanoel Araújo, completará 70 anos. A poucos dias dessa data cívica e pessoal, o diretor do Museu Afro-Brasil proclama uma outra república, turvada por desencantos: “Nós somos a República do fracasso”.

Renovador da Pinacoteca do Estado de São Paulo, a qual se encontrava depredada no início da década de 90, e ex-secretário de Cultura na gestão municipal de José Serra (PSDB), Emanoel se considera “inquieto, não-conformista e indignado”. Conhecido pela habilidade viperina de polemista, ele anuncia, nesta entrevista a Terra Magazine, o agravamento de seu ceticismo.

– O Brasil é um terror, um horror. Você chega aos 70 anos constatando que existe uma camada, uma cenografia, uma vestimenta falsa. As cidades incharam, ficaram mais pobres, toda a geração que foi responsável pelas mudanças também desapareceu. Isso que é trágico – diz o artista baiano, nascido em 1940 na cidade de Santo Amaro da Purificação.

O debate sobre o negro na sociedade brasileira lhe atiça o verbo e faz decolar uma série de perguntas sobre o retrocesso do País na questão racial.

– A televisão ainda acha que o lugar do negro é na cozinha ou como serviçal. O exemplo da TV e do cinema americanos não chega até aqui. Imagine se Denzel Washington, por exemplo, fosse brasileiro, qual o lugar que lhe caberia na televisão? Ou se Spike Lee fosse um cineasta brasileiro, o que ele faria?

À frente da Pinacoteca de São Paulo, Emanoel Araújo enfrentou os muxoxos de parte da comunidade artística e universitária, que se recolheu depois do sucesso de sua administração. Segundo conta, houve pedidos de cabeça por ser um “neguinho baiano”. O movimento negro se mobilizou em sua defesa.

– Absolutamente racista. Quando eu fui nomeado por Adilson Monteiro Alves, o jornal Estado de S. Paulo publicou: “Foi nomeado diretor da Pinacoteca Emanoel Alves (sic), em lugar da professora e doutora Maria Alice Milliet”. Eu vivia em São Paulo tinha muito tempo, mas era como se eu estivesse chegando naquele momento. Muita gente chegou na Pinacoteca e me disse: “Mas, como um baiano vai dirigir a Pinacoteca?”.

Com desalento, há uma conclusão:

– Todo sujeito que pensa a modernidade e o avanço é ceifado no Brasil. Porque o Brasil tem que significar o fracasso. Isso é o que importa. Nós somos a República do fracasso. Não adianta. Não sei de onde vem essa lógica perversa.

O curador ataca a ditadura da “arte contemporânea”, cuja epidemia tem desvirtuado alguns dos mais importantes museus brasileiros, como o Masp e a Pinacoteca. A leitura dos jornais amplia seu descontentamento.

– Outro dia mesmo, o jornal Estado de S. Paulo publicou o curador Ivo Mesquita de corpo inteiro, saindo da maquete da Pinacoteca do Estado, segundo idealizada pela Unicamp, com braços cruzados e seu sorriso de pura zombaria. Alguém disse alguma coisa? Não acredito que essa seja a postura para um curador de uma instituição dita centenária de São Paulo.

No dia da eleição presidencial, 31 de outubro, Emanoel acordou com três assaltantes em sua casa, no bairro da Bela Vista. “Se acontecesse isso há vinte anos ou dez anos atrás, você tira de letra, né?”, lamenta, algo fragilizado. Mas, ao recobrar o bom humor, ele sorri do infortúnio: “Deve mesmo ser um presente do inferno astral.”

Confira o bate-papo.

Terra Magazine – Você está completando 70 anos. O que mudou em sua rotina, em sua vida?
Emanoel Araújo – Eu acho que 70 anos é um horror. Não esperava chegar a essa idade. Estou vivendo mais do que meu pai e mais do que minha mãe. Tenho uma visão cética do mundo e, muito mais ainda, dos 70 anos. É espantoso a gente se ver, é espantoso a gente constatar a velhice, que é driblada com esse negócio de “melhor idade”, “terceira idade”, etc. etc.

Os eufemismos.
É, esses eufemismos todos que só servem para ser mais um elemento de preconceito. Pra mim, chegar a essa idade é um horror (risos). Um absurdo. Eu detesto a ideia de 70 anos. Detesto por muitas razões. Primeiro, porque todas as coisas ganham uma importância e uma severidade. Todos te olham como um velho. No Brasil, os 70 anos de alguém não chegam a ser uma glorificação. Pelo contrário, você está mais feio, mais fragilizado, mais solitário e, sobretudo, mais impaciente.

O trabalho no Museu Afro-Brasil lhe ajuda a lidar com isso?
Acho mesmo que, aos 70 anos, o que sobra é uma memória dos bons momentos da vida e dos muitos amigos que se foram, além do trabalho que a gente pensa que resta fazer. O Museu Afro-Brasil, em muitos aspectos, tem uma imensa relevância para a história afro-brasileira. Por isso, ele será sempre uma fonte de inspiração e transpiração, por todos os tentáculos a serem criados para sua reinvenção brasileira, portuguesa e africana.

Pra não cair num ceticismo completo?
Exatamente. Isso em relação a mim mesmo. Em relação ao País em que a gente vive, tenho uma visão muito ruim. Por mais que a gente tenha uma vontade de ser brasileiro, e isto é a coisa mais importante que tem – “ser brasileiro”, essa coisa que ecoa na memória, essa vontade moral e cívica -, o Brasil é um terror, um horror. Você chega aos 70 anos constatando que existe uma camada, uma cenografia, uma vestimenta falsa. As cidades incharam, ficaram mais pobres, toda a geração que foi responsável pelas mudanças também desapareceu. Isso que é trágico. O que resta é sempre uma coisa que não mais interessa.

Você sente falta de ter com quem fazer trocas culturais?
As trocas foram e serão sempre um motivo a mais de se tornar vivo, muito embora sente-se hoje a grande dificuldade desses encontros. Acho que viver numa grande cidade está se tornando tão difícil, quase impossível mesmo, e que cada pessoa procura um casulo para se esconder. Não sei como, um elo de amizade que existia nessa cidade (São Paulo) desapareceu. Não há encontros, por mais que se procure. Resta mesmo é o desencontro.

Uma das boas coisas do Museu Afro-Brasil é que ele sempre provoca encontros, seja porque ele é mesmo um espaço instigante, seja porque a história ali contada significa um grande halo que percorre muitos lugares, vidas e histórias da África, da América, da Europa e também do Brasil. Afinal, onde houve essa instituição desgraçada da escravidão os fatos se relacionam. Haverá sempre uma troca permanente da vida de muitas pessoas.

Para mim, que tenho uma vivência muito grande, até parece que nasci no século 19 e não nos anos

Leia integra da conversa de Claudio leal com Emmanoel Araujo em Terra Magazine

http://terramagazine.terra.com.br/

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