Wagner(PT):hegemonia ameaçada em Feira e Salvador

OPINIÃO POLÍTICA

Salvador e Feira desafiam PT

Ivan de Carvalho

“A Bahia tem 417 municípios. Se, nas eleições de 2012, o governo ganhar 415 prefeituras, mas perder em Salvador e Feira de Santana, não poderá dizer que se saiu bem”. A observação, de um político com muitos anos de estrada e do campo governista, dá um pouco o que pensar.

De fato, o campo político liderado pelo governador Jaques Wagner tem, atualmente, inegável hegemonia política na Bahia, circunstância que se acentua poderosamente ante o controle político do governo federal pelas mesmas forças que detêm o governo estadual, ressalvado o caso do PMDB.

Mas o campo político liderado por Wagner na Bahia – da mesma forma que o liderado nacionalmente por Lula e Dilma – é nucleado no PT e este partido não tem razões para confiar muito na maioria dos aliados. Mesmo com o mais fiel deles, o PC do B, há descontentamentos, tanto em âmbito nacional quanto na Bahia.

O descontentamento dos aliados com o PT tem sido explicado pelo apetite voraz deste partido em ocupar cada vez mais espaços, às custas das oposições, o que geralmente é aceitável (salvo se usados métodos ou instrumentos alheios à ética), como também às custas dos aliados, ou de alguns deles.

Nesta segunda categoria a principal vítima vinha sendo o PMDB, até que o comando nacional do PR foi apanhado em flagrante pela imprensa e o governo-PT transformou a rapina financeira que vinha sendo praticada no Ministério dos Transportes em rapina do espaço político do PR no governo. Castigo merecido? Pode ser, mas o fato é que o PT almoçou o PR. Até dizem que Lula está sugerindo que Dilma e seu governo façam uma digestão maneira, de modo a evitar náuseas e outros problemas do aparelho digestivo mais adiante.

Mas se o PR foi o almoço – com sobremesa petista, uma vez que, como Saturno, o PT sabe, quando precisa, devorar seus próprios filhos, caso do ex-diretor de Infraestrutura Rodoviária do DNIT, Hideraldo Caron – podem estar vindo para o jantar o PC do B (por causa da ANP, transformada por denúncia da revista Época em Agência Nacional da Propina e agora com um repique da denúncia alvejando diretamente o presidente da ANP, o ex-deputado baiano Haroldo Lima), o PP, sob denúncia aparentemente grave da revista IstoÉ, edição deste fim de semana, além do PMDB e PTB, que estão sob impressionante denúncia veiculada pela revista Veja de constituírem consórcio “para controlar a estrutura do Ministério da Agricultura com o objetivo de arrecadar dinheiro”.

Isto já não é nem um jantar. É um banquete. Se brasileiro comesse escândalos de corrupção, o Fome Zero já teria cumprido seus objetivos.
Mas quanto ao governo federal, fico em séria dúvida de que se lance com avidez ao cardápio – PC do B, PP, PMDB, PTB – desse banquete, pois o inevitável desarranjo poderia ser fatal.

Voltando a Salvador e Feira de Santana. Na capital, a aliança governista estadual dá sinais fortes de desarticulação ou da convicção dos que a integram de que lançar candidatos a eleições majoritárias é questão de sobrevivência. E todos sabem que o PT, diga o que disser, não abre mão de apresentar seu candidato e tem a conquista da prefeitura de Salvador como o grande novo passo de seu projeto político na Bahia. Se o PT conseguir unir os aliados em torno de seu candidato, este, em princípio, entra forte na disputa. Mas esta união não será fácil. Pedras principais no sapato do PT – o PP, o PC do B e, segundo promete, o PSB.

Já em Feira de Santana, ela com certeza não ocorrerá. O ex-prefeito José Ronaldo, do DEM, vai disputar e está posicionado a anos-luz na frente de quaisquer dos seus concorrentes. O prefeito Tarcízio Pimenta disputará a reeleição. Para isto, saiu do DEM e entrou no PDT. Popularmente, não está bem. O PT tem candidatura própria. Poderia ser o deputado federal Sérgio Carneiro (com o óbvio apoio do senador pedetista João Durval) ou o líder do governo na Assembléia, Zé Neto. A opção petista, no momento, tende para Zé Neto. Um mundo o separa da vitória. Risco de Ronaldo liquidar a fatura em turno único. Convicto das dificuldades de Pimenta e Zé Neto, o PMDB vai lançar o deputado Colbert Martins, na expectativa de colocá-lo no segundo turno.


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A Lua

MPB4

Composição: Renato Rocha

A lua
Quando ela roda é nova
Crescente ou meia-lua

É cheia
E quando ela roda minguante e meia
Depois é lua novamente
Quando ela roda é nova
Crescente ou meia-lua

É cheia
E quando ela roda minguante e meia
Depois é lua nova
Mente quem diz que é lua velha
Mente quem diz
Que a lua é velha

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A canção vai para todos os românticos do planeta, mas principalmente Para Glauvânia e Wellington Jansen, casal de amigos do peito do Bahia em Pauta. Glau, além disso, é guardiã da lua em Itapoan.

(Vitor Hugo Soares )

Haroldo Lima: presidente da Agencia Nacional de Petróleo(ANP)

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DEU NA REVISTA ÉPOCA


DIEGO ESCOSTEGUY

O comunista Haroldo Lima não detém conhecimentos técnicos sobre petróleo, mas sabe tudo de política. Aos 71 anos, o atual diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP) já fez muito pela esquerda. Militou no movimento estudantil, fundou a organização Ação Popular, a AP, na qual combateu a ditadura militar, e, há 39 anos, apaixonou-se pelo PCdoB. É um dos mais antigos e dedicados quadros do partido, pelo qual cumpriu cinco mandatos como deputado federal. Num deles, elegeu-se com o mote “botando para quebrar”. A exemplo de tantos outros políticos de sua geração, sacrificou-se pelos ideais da esquerda, mas capitulou aos encantos da direita. Em 2003, em reconhecimento a seus serviços, o então presidente Lula nomeou Haroldo para uma diretoria na ANP.

Desde então, Haroldo socializou cargos e contratos entre os camaradas do PCdoB. Fora, assegurou – com muito custo – o próspero acúmulo de capital dos grandes empresários do setor petrolífero. Essa ambiguidade de papéis, subproduto do aparelhamento partidário do Estado brasileiro, não poderia dar certo. Conforme revelou ÉPOCA na capa de sua última edição, viraram regra a cobrança de propina e os achaques a empresários que precisam das canetadas dos burocratas da ANP. A reportagem trouxe a público evidências fortes da corrupção na ANP, como cheques, e-mails, relatos de empresários extorquidos – e até um vídeo em que uma advogada que atua no ramo é achacada por dois assessores da ANP. Todo o material integra uma investigação sigilosa, iniciada pelo Ministério Público Federal no Rio de Janeiro.

No vídeo, gravado em maio de 2008, Antonio José Moreira, então procurador da ANP, e Daniel de Carvalho Lima, estagiário da agência, cobram R$ 40 mil da advogada Vanuza Sampaio para liberar o registro de um cliente dela, a distribuidora de combustíveis Petromarte. Ambos dizem falar em nome do dirigente do PCdoB Edson Silva, então superintendente de Abastecimento e hoje assessor de Haroldo Lima. Os dois assessores da ANP dizem no vídeo que o valor de R$ 40 mil foi estipulado por Edson Silva e que ele receberia R$ 25 mil do total.

Assim que a reportagem foi publicada, a direção da ANP, em vez de determinar a investigação dos fatos, esforçou-se por tentar desqualificar o caso. A ANP chegou a anunciar que a advogada Vanuza foi interpelada judicialmente – e que ela teria negado qualquer acusação contra o comunista Edson Silva. Não é verdade. “Fui interpelada em razão de uma matéria que saiu na imprensa contra o senhor Edson Silva. Apenas neguei que fosse fonte da referida matéria. Nunca voltei atrás em nada”, disse a advogada Vanuza. Ela, diante da repercussão do caso, aceitou falar a ÉPOCA na semana passada. Vanuza esclareceu, sobretudo, o que já se suspeitava: os dois assessores da ANP disseram a ela que o dinheiro cobrado iria para o caixa do PCdoB (leia a entrevista) .

Não é por acaso que a ANP reagiu agressivamente às acusações: até a máquina publicitária da agência tem muitas afinidades com Haroldo Lima – e depende dele. A Leiaute Propaganda, agência baiana contratada pelo baiano Haroldo Lima para comandar a publicidade da ANP, tem entre seus sócios amigos e camaradas do próprio Haroldo Lima. Sidônio Palmeira e Liani Sena, dois dos donos da Leiaute, são filiados ao PCdoB, segundo registros do Tribunal Superior Eleitoral. Antônio do Carmo, até há pouco tempo diretor da Leiaute, integrou o PCdoB por 18 anos. Os laços entre Sidônio Palmeira e Haroldo Lima são antigos: eles militaram juntos no movimento estudantil da Bahia. Hoje, a ANP do comunista Haroldo Lima gasta R$ 7,7 milhões anuais com a empresa de Sidônio. A mesma Leiaute prestou serviços nas últimas campanhas eleitorais do petista Jaques Wagner ao governo da Bahia, disputadas com o apoio do PCdoB. (Hoje, a Leiaute também detém as contas publicitárias do governo da Bahia.)

Uma das sócias da Leiaute, Liani Sena, disse que nem ela nem Sidônio Palmeira são ou já foram filiados ao PCdoB, apesar das evidências em contrário. Ela afirmou ainda que o contrato da agência com a ANP obedece a todas as exigências da lei. “Foi um processo de licitação legal do governo federal”, disse. Procurada, a ANP, em resposta a perguntas enviadas pela reportagem de ÉPOCA, disse que o contrato com a Leiaute foi “auditado pelos órgãos de controle externo, que nunca registraram qualquer irregularidade na sua execução”.

LEIA MAIS INFORMAÇÕES E ENTREVISTA COMPLETA SOBRE OS ESCÂNDALOS NA ANP NA EDIÇÃO IMPRESSA DA REVISTA ÉPOCA DESTA SEMANA, JÁ NAS MÃOS DE ASSINANTES E NAS BANCAS DE JORNAIS ESTE DOMINGO NA BAHIA.


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ARTIGO/ POTÊNCIA EM CRISE

Se Nós Gastássemos Como Os Nossos Governos

Regina Soares

Economia não é, nem nunca foi, o meu forte. Apesar de viver num país capitalista, aquele ao qual todo mundo se refere como “A Maior Potência do Mundo”, há mais de trinta anos, não aprendi nada sobre dinheiro, e, confesso, cada dia entendo menos. Mas, sei que se gastamos, ou pedimos emprestado, com o compromisso de repagar com juros, mais do que ganhamos ou temos em mão, vamos entrar numa fria! ELEMENTAR!

Não precisamos ser um bom “Planejador Financeiro” para entender que, se nosotros, pobres mortais, indivíduos que vivemos do nosso suor, atuássemos como nossos governantes, com referência ao déficit de orçamento e teto de débito, estaríamos a caminho da ruína.

Embora comparações entre entre a dívida de um nação e a de um individuo sejam difíceis, pensemos um pouco sobre isso:

A dívida dos Estados Unidos da América é, aproximadamente, igual ao produto interno bruto, o valor de todos os produtos e serviços gerados no pais em um ano, assim como se eu ganhasse $100,000 ao ano e tendo a mesma quantia em divida no cartão de crédito… e, ainda assim, essa é uma comparação generosa!!!

O Governo dos U.S.A. arrecada $2.16 trilhões na receita por ano, portanto, a dívida de $14.3 trilhões chega a ser mais de seis vezes o que recebe. Vendo dessa maneira, eu teria um salário anual de $100,000 e acima de $600,000 em dívidas no cartão de crédito. OUCH!!!

A maneira que o Governo Federal encontrou para financiar, e até aumentar, a dívida foi vendendo “Federal Bonds”, dai a necessidade de elevar o teto da mesma, para vender mais bonds. Tentar pagar essa dívida exigiria um esforco e sacrifícios sobrehumanos e muitos anos.

O Governo dos E.U.A. não seguiu e regra mais simples de planejamento financeiro: “Não gastar o que não tem”. Se nós, indivíduos, gastássemos o que ganhamos pagando dividas, estaríamos correndo sério risco de precisar de uma “camisa de força”. Se a falência ou o calote não podem ser opções, temos que parar a hemorragia!

Estamos sofrendo com isso por muito tempo, não esperem até o último minuto para tomar uma providência, e, PLEASE, não toquem na minha pensão!!!!!!!!!!!

Regina Soares, advogada, especializada em eleições americanas, mora em Belmont, na área da baia de San Francisco, California (USA), de onde colabora com o Bahia em Pauta.


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Comentário de Abraham Diner no You Tube para este clip que começa o domingo musical no BP:

Impresionante ! La conbinación magistral de Armando Manzanero y la? Interpretación de Eydie Gorme, la excelencia en el cantar, que hermosa voz de mujer enamorada. repito IMPRESIONANTE
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Do editor:

Desnecessário traduzir. Bom mesmo é ouvir e lembrar com muita emoção esta química perfeita de compositor e intérprete.

BOM DOMINGO!!!

(Vitor Hugo Soares)


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Saudade eterna do velho Simona. Bom sábado para leitores e ouvintes do BP.

(Gilson Nogueira)

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BOM DIA!!! BOM SÁBADO PARA TODOS OS LEITORES E OUVINTES DO BP

(VHS)


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OPINIÃO POLÍTICA

Impostos sem remédio

Ivan de Carvalho

Durante a campanha eleitoral que a levou à Presidência da República, a presidente Dilma Rousseff prometeu baixar os impostos dos medicamentos. O poder público toma quase 40 por cento dos preços dos medicamentos, assim impulsionando-os para cima.

Em um país em que a grande maioria da população é pobre ou miserável e onde o governo, papagaiado pela mídia, acaba de inventar que existe uma nova classe média chamada de Classe C – que na verdade é uma classe pobre um pouco envernizada – a promessa da então candidata e hoje presidente da República certamente repercutiu muito bem entre as muitas dezenas de milhões de eleitores miseráveis, pobres e pobres envernizados.

Mas depois que assumiu o cargo de presidente, Dilma Rousseff não tomou ainda a iniciativa de voltar ao assunto. Isso é compreensível por dois motivos.

O primeiro é que Dilma Rousseff encontrou, ainda que por gratidão ao antecessor (não pela herança) não confesse, uma herança maldita escondida antes e que começou a aparecer depois das eleições.

Anunciou então um corte de R$ 50 bilhões no orçamento federal e quem se lança a uma empreitada destas certamente não está propensa a reduzir impostos seja lá do que for. Só o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, tocou no assunto, mas assim bem por de sobre lá pelo alto, aproveitando para avisar que a promessa de Dilma não faz parte da reforma tributária em suposta discussão no país, mas, que bom, está sendo discutido nos setores de saúde do país.

O segundo motivo que explica o mutismo presidencial pós-eleitoral sobre a redução dos impostos sobre os medicamentos é uma tradição brasileira: a de, sempre que possível – e quase sempre é possível – aumentar os impostos para poder aumentar os gastos e não reduzir as despesas, mesmo que sejam plenamente redutíveis.

Mas se Dilma Rousseff não voltou ao assunto (pelo menos publicamente) o deputado federal José Antônio Reguffe, do PDT do Distrito Federal, resolveu tomar iniciativa radical e, com toda a certeza, mais justa do que a prometida por Dilma quando estava em campanha eleitoral. Reguffe apresentou um projeto de lei que pretende extinguir os impostos sobre todos os medicamentos, sejam os produzidos no Brasil, sejam os importados.

O objetivo óbvio, que ele se dá ao trabalho de explicar, é o de ampliar o acesso da população a esses produtos de primeira necessidade. E acrescento que seria uma maneira de o Estado brasileiro cumprir uma parte da obrigação que lhe impõe a Constituição da República, de assegurar a todo brasileiro o direito à saúde, razão que também explica a existência do SUS.

A Associação dos Laboratórios Farmacêuticos Nacionais informa que, em média, 35,7 por cento do preço que o consumidor paga na farmácia são representados pelos impostos. Henrique Teda, diretor técnico executivo da entidade, afirma que em muitos países a tributação varia entre zero e cinco por cento.

Convém, no entanto, fazer duas breves observações. Uma é que àquela média nacional de 35,7 por cento de impostos sobre os medicamentos devem ser acrescentado o IPTU sobre os imóveis das farmácias, depósitos e indústrias de medicamentos e um monte de taxas também cobradas pela esfera municipal de poder. Com isso a média, já intolerável, sobe mais ainda.

O deputado Reguffe pediu à Receita Federal um levantamento e concluiu que a extinção de todos os impostos sobre medicamentos faria pouca diferença no Orçamento da União. Seriam R$ 3,3 bilhões, correspondentes a 0,16 por cento da arrecadação federal. Claro que a isso teriam de ser acrescentados os impostos estaduais, a exemplo do ICMS, que segundo Fernando Steinbruch, diretor do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário, corresponde à metade do total de impostos incidentes sobre os medicamentos.


Ministro Jobim: “fui amanuense de Fernando Henrique”
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ARTIGO DA SEMANA

JOBIM, O AMANUENSE DE FHC

Vitor Hugo Soares

As embaraçosas e polêmicas confissões do ministro da Defesa, Nelson Jobim (PMDB), sobre suas relações com os dois nomes da linha de frente da oposição nacional – Fernando Henrique Cardoso e José Serra -, na estreia do programa “Poder e Política – Entrevista” (parceria da UOL e da Folha), merecem figurar com louvor entre os destaques desta semana no País.

A entrevista do ministro de FHC, Lula e agora do governo Dilma, conduzida pelo jornalista Fernando Rodrigues, do grupo Folha, superou em muito os limites do simples trabalho profissional bem executado. Foi, além disso, uma realização quase completa na proposta de fugir às obviedades apelativas – cada vez mais comuns em programas do gênero – e focar no essencial, jornalisticamente falando: arrancar informação relevante, gerar fatos e, ao mesmo tempo, dar o que pensar e falar ao ouvinte ou leitor.

A conversa de Jobim com Rodrigues, escutada em Salvador pelo redator destas linhas, fez mais: conduziu a memória às nuances mais intrincadas do personagem-título do romance do mineiro Cyro dos Anjos, “O Amanuense Belmiro”, que considero desde as primeiras leituras na escola secundária um dos mais complexos e interessantes no rico e diversificado cardápio de figuras da literatura brasileira.

Transposto para o universo complicado do poder e da política no Brasil atual, isso vale também para o gaúcho ministro da Defesa. Não adianta disfarçar: vaza por todos os cantos o conhecimento de que nomes de peso e da primeira linha do petismo nacional, aparentemente tolerantes na superfície, viram araras quando o nome de Nelson Jobim vem à baila em conversas nas esferas mais altas do partido e nos gabinetes mais poderosos do governo Dilma.

A pinimba cercada de desconfianças mútuas é antiga. Começou a agravar-se, porém, no episódio traumático do afastamento do ministro Waldir Pires (PT-BA), com a participação direta da então ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e mais direta e agressiva ainda da ex-chefe de gabinete e depois ministra defenestrada em meio a um dos muitos escândalos recentes da República, Erenice Guerra.

Mas a questão ganhou foro de guerra surda a partir de um caso bem mais recente. A ainda mal explicada expressão “idiotas”, introduzida pelo ministro da Defesa em seu discurso de tributo rasgado ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, na cerimônia de homenagem pelos 80 anos do presidente de honra do PSDB, realizada no Congresso. No recinto, com a presença de parlamentares de proa do PT, até os próprios tucanos foram mais contidos que Jobim nas palavras e gestos de exaltação ao seu guru político e partidário.

Na entrevista de enorme repercussão esta semana, o ministro apesar de todo bafafá à sua volta nos núcleos do poder atual, parecia com vontade de entoar a todo momento a popular canção de enorme sucesso na interpretação de uma cantora do Rio Grande do Sul: “Tô nem aí”.

De certa maneira o gaúcho grandalhão, com fama de valente, fez isso em suas respostas ao entrevistador. E não apenas ao abrir com toda clareza e sem titubeios o seu voto para presidente no ex-governador de São Paulo José Serra, na eleição de 2010, vencida por Dilma Rousseff. Segundo Jobim, isso não era segredo para ninguém no governo, muito menos para Lula e Dilma, desde que ele decidiu ficar fora da campanha, “por motivos pessoais e institucionais” expostos diretamente em conversa “na lata” com o ocupante da principal cadeira de mando na época.

Foi liberado por Lula da campanha, depois de explicar a estreita ligação afetiva com o candidato tucano: “O Serra foi meu padrinho de casamento, eu morei com ele algum tempo aqui em Brasília. Quando vou a São Paulo normalmente eu janto com ele, vou ao Palácio (dos Bandeirantes) com minha mulher, nos damos muito bem”. Ponto.

Quanto ao amigo FHC, o ministro da Defesa foi ainda mais explicito e surpreendente ao falar sobre sua relação com o ex-ocupante do Palácio do Planalto, de cujo governo foi ministro da Justiça e de onde saiu para o Supremo Tribunal Federal, na única indicação de FHC para o STF.

“Tendo em vista as relações do PMDB eu tinha uma grande integração com o Fernando (Henrique).Trabalhei com o Fernando também, na Constituinte. Servi como uma espécie amanuense de Fernando Henrique, se essa expressão ainda significa alguma coisa para você e os ouvintes”, ressaltou o entrevistado dirigindo-se a Fernando Rodrigues, no único momento da entrevista em que o ministro demonstrou preocupação de não ser bem entendido em suas palavras e intenções.

A expressão amanuense, por acaso ou não, foi expurgada na publicação “da íntegra” da entrevista no portal da Folha.com/UOL, substituída pela palavra “assessor”, também utilizada pelo ministro de Dilma para falar da relação pessoal e política com FHC. Uma pena para quem admira o escritor mineiro Cyro dos Anjos e a sua obra-prima “O Amanuense Belmiro”, como este ouvinte à distância da entrevista.

Amanuense, diga-se, é muito mais do que um simples assessor, figura que grassa atualmente em qualquer esquina da burocracia oficial. Por força de sua origem, a palavra designa qualquer pessoa que copia textos ou documentos à mão, o que praticamente não existe mais em tempos cibernéticos, a não ser nos resistentes cartórios da Bahia.

Mas preserva ainda o significado simbólico da palavra originária do latim amanuensis, por sua vez, como explica a Wikipédia, derivada da expressão latina “ab manu” (à mão). Assim como o personagem do romance famoso. Ou o ministro Nelson Jobim em sua relação com Serra e FHC. Ou não?

Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br


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BOA NOITE!!!


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BOM DIA A TODOS!!!

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