jan
14

Game Change: grande procura

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ROSANE SANTANA

“Game Change”, livro de John Heilemann e Mark Halperin, sobre os bastidores das eleições americanas de 2008, recém-lançado, é best-seller nos Estados Unidos, pontuando a lista das editoras Amazon e Barnes&Nobel, segundo informações da National Public Radio (NPR), mas é também o mais difícil de encontrar.

Ainda fora de estoque, sua distribuição deverá estar regularizada no início da semana que vem, informa a NPR, quando se espera uma corrida frenética em busca do livro, que traz revelações sobre Obama, Hillary, Sarah Palin e John MaCcain no auge da campanha. Algumas delas já circulam em blogs e Tvs como a resposta de Hillary ao convite de Obama para ocupar a Secretaria de Estado, em que a senadora teria advertido o presidente sobre a possibilidade de o marido dela, Bill Cliton, criar problemas futuros para ele, que topou, assim mesmo, a parada.

Rosane Santana, jornalista, mora em Boston (EUA) e estuda em Harvard

jan
14
Posted on 14-01-2010
Filed Under (Artigos, Rosane) by vitor on 14-01-2010

Zilda Arns na Câmara de Salvador

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A médica pediatra e sanitarista Zilda Arns, fundadora da Pastoral da Criança, que está entre as vítimas do terromoto no Haiti, é cidadã de Salvador, por iniciativa do ex-vereador e presidente da Fundação João Fernandes da Cunha, Silvoney Sales.O Projeto de Resolução 16/2001, de homenagem a fundadora da Pastoral da Criança, foi aprovado em 19 de
junho de 2001 e a entrega do título aconteceu três meses depois, no dia 24 de agosto.

Católico praticante com estreitas ligações com algumas dioceses da capital, Silvoney, que também é médico, referiu-se à Zilda como “uma pessoa que praticava as três maiores virtudes citadas pelo apóstolo Paulo na Carta aos Coríntios: “a fé, a caridade e o amor”.

(Rosane Santana é jornalista, mora em Boston (EUA) e estuda na Universidade de Harvard.

jan
14
Posted on 14-01-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 14-01-2010

Deu na Coluna

Na Tribuna da Bahia, em sua coluna desta quinta-feira, 14, o jornalista Ivan de Carvalho fala de Zilda Arns. Uma figura modelar no sentido mais completo da palavra. Ela acaba de nos deixar, tragada pela tragédia inominável no Haiti. Passada a dor da perda, ficarão o exemplo e a simbologia de suas palavras e ações. Será? Confira o texto de Ivan, que Bahia em Pauta reproduz. (VHS)

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Zilda: um exemplo

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OPINIÃO POLÍTICA

Por que chora Arns?

Ivan de Carvalho

Não dá – no meu sentir – para escrever qualquer coisa hoje, e muito menos se houver a intenção de fazer a abordagem da questão dos direitos humanos – sem começar pela médica, formada para cuidar de corpos, autorreformada para cuidar mais de almas que de corpos, usando os desvelados cuidados com estes como instrumento para atingir e pescar aquelas. Pescadora de almas, uma dos muitos cristãos e cristãs que prosseguem hoje a missão dada por Jesus a Simão, o pescador, ao qual passou a chamar Pedro: “Vem e te farei pescador de almas”.

O Filho do Homem sempre está convidando a todos, mas algumas vezes Ele faz chamados absolutamente especiais, pela capacidade dos que convoca nessas ocasiões para realizar missões específicas. Um dia, na Estrada de Damasco, convocou seu perseguidor Saulo e do episódio resultou o 12º Apóstolo (existiam somente 11, desde o suicídio de Judas, o Iscariotes), o Apóstolo dos Gentios, principal responsável (entre os apóstolos) pela expansão do cristianismo fora dos limites de Israel.

Muito mais tarde, já na época das Cruzadas, um pedido irresistível é ouvido por um jovem de Assis: “Francisco, reconstrói a minha igreja”. Havia uma igrejinha em ruínas, Francisco, filho de um rico comerciante, achou que lhe fora pedido que a reconstruísse. E o fez, pedindo ajuda, em mão-de-obra e material. Quando completou a obra, o insight, ou, melhor dizendo, neste caso, a revelação: não, não era a igrejinha, aquilo fora só uma preparação, uma demonstração de humildade. A Igreja em ruínas era a de Roma, ela que devia ser reformada. Francisco lançou-se ao trabalho.

Como, mais tarde ou mais cedo, lançaram-se tantos outros, sem medir sacrifícios, ultimamente João Paulo II, Madre Teresa de Calcutá, Irmã Dulce, Zilda Arns.

Mas se a intenção desse artigo for a de abordar a questão do Programa Nacional de Direitos Humanos? Estão dizendo que a crise está se desfazendo porque os ministros Jobim, da Defesa, e Vannuchi, de Direitos Humanos, encontraram um jeito de tirar da questão da Comissão da Verdade a palavra “repressão”, substituindo por “violação dos direitos humanos”.

Ok, mas o que pensa, onde esteja, aquela gente toda citada antes – Jesus, Pedro, Francisco, João Paulo II, Madre Teresa, Irmã Dulce, Zilda Arns – se o presidente Lula insistir, por exemplo, na liberação do aborto, o massacre dos inocentes indefesos?

De nada adiantará chorar pela morte de Zilda Arns, se a pressão pela liberação do aborto (a negação do direito humano à vida) a estiver levando a derramar lágrimas pelos não nascidos e por nós, pois quanto mais pecadores mais objeto de lamentação seremos.

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Bahia em Pauta ficou fora do ar por quase dois dias, atacado por problemas técnicos e suspeitas de hackers.Saimos do ar por volta de uma hora da madrugada de terça-feira, logo depois de BP noticiar o terremoto no Haiti e ser um dos primeiros blogs a informar que soldados brasileiros da tropa de paz da ONU estavam entre as vítimas da catástrofe no país onde vivem os pobres mais pobres das Américas.)

Tivemos baixas também, pois o site-blog perdeu muitos arquivos com matérias postadas na última semana, incluindo a do sismo no Haiti. Estamos tentando recuperá-las, mas esse é um trabalho para entendidos e que leva mais tempo. Temos fé e com ela – a fé – retornamos à superfície depois do mergulho que nos deixou longo período fora do ar e sem contato com a nossa razão de ser:os queridos leitores e ouvintes do Bahia em Pauta.

Foi tudo tão rápido e surpreendente para nós, que nem deu tempo de agradecer as generosas referências e elogios ao BP e seu editor, feitas pelo âncora da Radio Metrópole, Mário Kertéz, que comanda alguns dos programas informativos, críticos e bem humorados do rádio em Salvador e no estado.Fazemos isso agora, ampliando os agradecimentos para um dos mais competentes professores da UFBA, Roberto Abergaria e toda a equipe da Metrópole.

Por fim, dois agradecimentos especiais e indispensáveis a santos que velam por este blog baiano sintonizado no mundo: Senhor do Bonfim, no dia do histórico cortejo da lavagem de sua igreja, na Colina Sagrada, Oxalá milagroso do coração dos baianos de fé; e a São Dimas, poderoso mestre da informática, moderador fundamental deste blog, que arrostando dores e sacrifícios impostos por problemas de saúde, consegue trazer Bahia em Pauta de volta à superfície.

Valeu também seguramente, e muito, o ato de fé e contrição flagrado na colina pelas cãmeras da TV do engenheiro Tiago, filho de Dimas e amigo sempre atento deste blog, que aniversaria hoje e para quem Bahia em Paute oferece o Hino ao Senhor do Bonfim, com admiração e agradecimentos.

Salve!

(Vitor Hugo Soares, editor)

jan
07

A canção que unia Dalva a Lamenha

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CRÕNICA/ENCONTROS

Sylvio Lamenha e Dalva de Oliveira, outra canção de amor

Claudio leal

O nome do cronista caiu na mesa. Ligeira busca na memória, persistente dúvida interna, um movimento das sobrancelhas rarefeitas. O professor Cid Teixeira, esse gênio de historiador desengravatado, recorre aos dois entrevistadores: “Sylvio Lamenha ainda é vivo?”. Resposta do antropólogo Roberto Albergaria, numa síntese melancólica: “Todos já estão mortos, Cid”.

Pois veja, depois de uma sentença tão definitiva, do lado cá dos vivos os companheiros de boêmia e de jornalismo deram de reviver Sylvio Lamenha a cada capítulo da minissérie global “Dalva e Herivelto – Uma canção de amor”, um brilhante diário para os telespectadores. Mas, por desígnios da morte, falta um espectador das desventuras do casal mais talentoso e briguento da música brasileira.

Imitador e fã extremado de Dalva de Oliveira, capaz de reproduzir os erres estridentes da cantora, Lamenha é uma pontada de saudade a cada aparição de Adriana Esteves, a intérprete da “Divina”. Jornalista do Diário de Notícias nos anos 60, o advogado Antonio Guerra Lima se lembrará por décadas das manhãs em que Sylvio cantava na redação um clássico de Herivelto Martins, “Ave Maria no Morro”, enquanto batucava na máquina a coluna “Hi-So”, insuperável em vibração cultural e diversidade de rostos. Ele pode ser flagrado no ofício, caderneta em punho, como um colunista social do filme “Tocaia no Asfalto”, de Roberto Pires. Encerrava a tripa de notinhas, invariavelmente, com um poema: “E, no mais, poesia é axial”.

Gay “avant la lettre”, Lamenha era ralhado pelo paternal diretor dos Diários Associados na Bahia, Odorico Tavares: “Senhor Silvio, eu lhe dou uma coluna social e o senhor só me põe homem?”. Além de Dalva, a grande paixão platônica de Lamenha era o irmão de uma famosa miss com duas polegadas a menos. Baixem as cortinas.

Os trinados do baiano não tardaram a cativar o rouxinol. Ficaram amigos de copo e de palco. Em 1972, em fase de declínio, Dalva foi produzida pelo jornalista Tarso de Castro, parceiro do colunista social nos verões baianos, quando faziam farras em Salvador e na Ilha de Itaparica, não raro embarcados na lancha do construtor Walter Fernandez, a Atrevida (“O mundo é mais bonito/Com Benito/ A vida só tem vez/ Com Walter Fernandez”, anotava na Hi-So).

Numa sacada de fera, Tarso incluiu o jornalista no show da decadente Dalva, que morreria naquele ano, no Teatro Casa Grande, no Rio de Janeiro. Lamenha, autor da contracapa de um dos discos da cantora, atuava ao lado da musa Leila Diniz. Nome do espetáculo? “Vem de ré que eu estou de primeira”. Deu até pra notar o sorriso do leitor. Quem não viu a silhueta deve conferir a magnífica caricatura de Lamenha incorporando a estrela do rádio, feita pelo craque do bico de pena Ângelo Roberto.

O livro inspirador da minissérie global, “Minhas duas estrelas”, do grande cantor Pery Ribeiro (escrito em parceria com Ana Duarte), traz duas histórias em que Lamenha se torna reincidente no álcool e na amizade. Os gays sempre foram fãs ardorosos de Dalva, registra o filho da artista com Herivelto, “e esse era dos mais fanáticos”. Depois de um show com Chico Anysio, em Salvador, os músicos foram recebidos pelo prefeito da cidade.

Temeroso com a aproximação de Sylvio – a mãe deveria permanecer a quilômetros de qualquer drinque –, Pery Ribeiro passou o jantar olhando para os lados, atento à chegada do homem “inteligente e bom de papo”, mas desencaminhador de Dalva.

Perto do fim do encontro, ressurge a ave Lamenha, que arrebanha sua mãe para a noite de Salvador. Um telefonema desperta Pery na madrugada: embriagados, os dois não deixavam o dono de um bar de “quinta categoria” encerrar o expediente. Noutra temporada baiana, Lamenha introduziu conhaque no camarim da cantora, furando o bloqueio imposto pelo apresentador Luis Vieira. Bêbada, Dalva de Oliveira não conseguiu terminar o programa televisivo.

Sylvio Lamenha morreria de câncer, mas antes experimentou a fusão de bebida e desesperança, a mesma esteira em que derrapou a carreira de Dalva. Fantasiado de Nero, com uma lira furtada por Glauber Rocha e amigos do túmulo de Castro Alves, naufragou-se em cachaça e lança-perfume num baile do Bahiano de Tênis. Terminou no hospital, em coma. Mas não será lembrado somente por essas milongas. Projetado em Dalva, Lamenha encarnava esse desejo etéreo de distrair a morte com representações de hedonismo e alteridade. Até certa dose, valeu o engenho.

Claudio Leal é jornalista.

jan
07
Posted on 07-01-2010
Filed Under (Artigos, Eventuais) by vitor on 07-01-2010

Quem matou Neilton?

DEU NA TRIBUNA DA BAHIA
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Silvana Blesa

A família da vítima prefere o silêncio e desacredita na eficiência da Justiça baiana. Os acusados de assassinarem o servidor público Neylton Souto da Silveira, os vigilantes Josemar dos Santos, 31 anos, e Jair Barbosa da Conceição, 44, aguardam julgamento, presos no Presídio Salvador.

Já o Ministério Público entrou com recurso no Tribunal de Justiça da Bahia e reforça a tese de que o crime foi articulado pela a ex-subsecretária municipal de saúde Aglaé Amaral Sousa e pela ex-consultora técnica Tânia Maria Pimentel Pedroso, ambas em liberdade. A promotora Armênia Cristina Santos entrou com recurso no TJ, no dia 12 de julho do ano passado, contestando a decisão do juiz titular da 1ª Vara do Júri, Moacyr Pitta Lima Filho, e pedindo que os quatro acusados vão a júri popular pela morte do servidor. Enquanto isso, Aglaé, por exemplo, faz doutorado em São Paulo.

Três anos se passaram. Neylton Souto da Silveira, 48 anos, foi encontrado morto no dia 7 de janeiro de 2007, nas dependências da Secretaria Municipal de Saúde (SMS). A promotora salientou que, até o final do ano passado, o processo estava no TJ para ser julgado. E devido ao recesso de férias dos servidores que retornaram às atividades ontem, ela aguarda esperançosa que nos próximos seis meses obtenha resposta do Tribunal de Justiça. O MP entrou com recurso após a decisão do juiz Moacyr Pitta de que as provas apresentadas pela promotoria não seriam suficientes para que as duas acusadas fossem a júri popular.

Segundo a promotora criminal Armênia Cristina explicou, antes mesmo da confissão do vigilante Josemar dos Santos, acusado de executar Neylton, a própria família da vítima já tinha sido interrogada e afirmado que Neylton estava preocupado com as irregularidades que vinham acontecendo dentro da SMS, com desvios vultosos de verbas públicas, e tinha pedido para sair do emprego por conta das falcatruas, com os quais não concordava.

“Temos provas suficientes que comprovam que Agláe e Tânia tinham uma certa antipatia por Neylton, por ele ser correto no seu trabalho. Ele estava sendo pressionado pelas acusadas diante das irregularidades de desvios de dinheiro. Irei até o fim, mas não resta dúvidas do envolvimento delas no crime de mando”, afirmou a promotora, um dia antes de pedir recurso do TJ.

O Ministério Público aponta que os dois vigilantes, Josemar e Jair Barbosa da Conceição, teriam matado Neylton a mando das acusadas e recebido como recompensa R$ 25 mil. Mas o juiz não considerou eficientes as acusações do MP e nem acatou as outras investigações como desvios de verbas públicas. “Apenas o juiz não achou prudente o material apresentado. Agora espero que o TJ reveja os documentos que comprovam o que afirmo e peça que as duas vão a júri popular, assim como os dois vigilantes”, revelou Armênia.

LEIA INTEGRA NO JORNAL TRIBUNA DA BAHIA

jan
07
Posted on 07-01-2010
Filed Under (Artigos, Eventuais) by vitor on 07-01-2010


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ARTIGO / PERFIL

RESERVA MORAL DA BAHIA

Consuelo Pondé de Sena

Com lucidez e descortino, o Acadêmico e homem de cultura, Joaci Góes, teve a feliz idéia de, no seu espaço de quinta feira, dia 17 de dezembro de 2009, lembrar o nome do Ex-Governador da Bahia, Dr. Waldir Pires, para, nas próximas eleições de 2010, disputar uma cadeira no Senado da República, como representante da Bahia naquela Casa Legislativa. Refere ainda que, na formação da chapa majoritária do PT, encabeçada pelo governador Jaques Wagner, pouco tem sido lembrado o nome do ilustre homem público.

Fez bem Joaci em assumir essa iniciativa e fazer a prudente sugestão. É a voz de um homem experiente e talentoso a defender a candidatura de um político decente, de moral irretocável, preparado para exercer a função para a qual está sendo lembrado. Com efeito, Waldir Pires tem perfil de parlamentar preparado para essa missão.

Trata-se de um cidadão culto, educado, discreto, enfim, uma pessoa de trânsito fácil na sociedade civil, onde tem admiradores e adversários, como todo homem que faz da política a sua vida e preza a honradez da sua figura pública.

Pessoa alguma, porém, mesmo que dele divirja, pode apontar-lhe conduta amoral, um procedimento indecente, ou um pronunciamento inconveniente. Não gosta de fazer “alarde” dos seus atos, muito menos de proceder levianamente. É comedido nas suas ações. Talvez seja excessivamente sonhador.

Muitos fazem restrições à sua função de administrador, apontando equívocos cometidos na gestão como Governador da Bahia. Mesmo assim, confere-lhe a virtude de exercer a Democracia a qualquer preço. Talvez tenha cometido o grave pecado de confiar, cegamente, nos seus auxiliares. Também de ter escolhido, para os cargos importantes do governo, pessoas há muito tempo afastadas da Bahia e dos assuntos baianos. Cercou-se de partidários e de membros dos partidos que o apoiaram. Alguns deles, incompetentes e “aduladores” nunca trabalharam a seu favor. Muito ao contrário, incompatibilizaram-no com grande parte do povo que o elegeu numa campanha sem precedentes em nossa história. Esses tais auxiliares, pessoas desarticuladas com a realidade baiana, angariaram-lhe desafetos e o afastaram de amigos tradicionais. Pena que, em nome da conveniência, não seja prudente declinar os nomes de determinados “fanfarrões”. Mas, que tenho vontade de fazê-lo, isso tenho. Até hoje tenho todos eles atravessados na garganta. Tive a honra de servir ao seu governo e de ter sido por ele convocada para exercer uma função no meu Estado. Foi aquela a única vez em que estive colaborando diretamente com o Governo baiano.

Em nome da verdade e da justiça, dentre os nomes até agora lembrados para o Senado, pelo PT baiano, inexiste um que se lhe compare na trajetória coerente, digna e respeitável.
Não se sabe, nem se saberá em tempo algum, que Waldir Pires participa de “esquemas” fraudulentos, de “operações indignas”, de expedientes vergonhosos.

É um homem de bem a toda prova, incapaz de transigir com a indignidade e a malandragem, digno representante da linhagem familiar de um varão diligente, honrado e competente como foi o Dr. Bernardino José de Souza. Tomei conhecimento dessa gênese graças ao excelente trabalho do Dr. Francisco Lins, membro da mesma estirpe.

Consuelo Pondé de Sena é Presidente do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia e membro da Academia de Letras da Bahia. consueloponde@terra.com.br

jan
06
Posted on 06-01-2010
Filed Under (Aparecida, Artigos) by vitor on 06-01-2010


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CRÔNICA/UMA ESTRELA

Minhas lembranças de Dalva de Oliveira, em 1972

Cida Torneros

Em mim, a Dalva entrou cedo demais, através dos discos em 78 rotações que ouvia meus avós e tios tocarem na velha vitrola na casa do subúrbio carioca, lá em Ramos, nos anos 50. Sua voz ecoou por décadas, e foi se restringindo depois, a duas canções inesquecíveis que acompanharam meus carnavais da adolescência, pelas gravações de Máscara Negra e Bandeira Branca.

À figura da mulher amadurecida eu aliei uma impressão pessoal de observar um olhar muito triste, que eu pressentia que talvez um dia a vida me desse oportunidade de desvendar o porquê. Sabia pouco da sua história, conhecia seu filho cantor, de voz magnânima, o Peri Ribeiro, que me encantava nos shows que assisti ao lado da Leni Andrade. Também, impossível não ter ouvido falar do sucesso do seu ex-marido, o compositor Herivelto Martins, ressaltando a belíssima Ave Maria no Morro, canção que teve tantas gravações e correu o mundo, representando o Brasil.

O tal dia chegou em 1972, quando eu trabalhava na revista semanal O Cruzeiro, e me mandaram fazer um plantão no Hospital São Lucas, em Copacabana, onde a cantora-estrela Dalva se encontrava internada, agonizante. Devíamos preparar um caderno especial sobre sua vida, e a qualquer momento, quando ela morresse, a publicação ia ser encadernada para o consolo do seu público e para o faturamento de vendas da empresa, como sempre acontece na indústria cultural.

O tal plantão rendeu dias e noites, revezando-nos, entre os companheiros de redação, e do departamento fotográfico, a quem cabia registrar as fotos dos visitantes, geralmente, na entrada da casa de saúde, no hall onde ficamos acampados, já que não nos era permitido subir ao seu quarto. Muitas vezes vimos seus filhos chegarem e saírem com os olhos cheios de lágrimas, era possível sentir no ar que aquela estrela que se apagava com dores de grande artista, também levava um número incrível de fãs contagiados por seu trabalho de décadas, ao desespero, que pude constatar no seu velório, no teatro João Caetano, na Praça Tiradentes, e ainda, no cemitério, durante seu enterro, que lotou não só o campo santo, como as ruas abarrotadas de pessoas que cantavam Bandeira Branca.

Foi uma justa homenagem a quem tanto ofereceu de sua alma, coração e vida ao povo brasileiro, principalmente o carioca, pois, no Rio de janeiro, ela brilhou como ouro tanto na vigência do Trio do qual participou por muitos anos, ao lado de Herivelto Martins, abrilhantando os shows ao vivo nas estações de rádio, e ainda, nas noites inesquecíveis do Cassino da Urca.

Eu não a conheci de verdade. Estive ali, bem próxima, sentindo, por tabela, sua dor e a dor dos que a amaram tanto, mas aprendi a sentir o quanto essa criatura foi especial no cenário da história da música popular brasileira. Hoje, fico muito feliz que tenham produzido uma mini série sobre ela e sua vida, pois considero um direito das novas gerações tomarem conhecimento de histórias de artistas grandiosas como Dalva foi.

Ela continua sendo uma verdadeira estrela do céu, do mar, e da vida de um tempo em que oferecer sua arte era como dar-se aos sentimentos mais interiores, misturar alma e coração, estômago e emoção, ao cancioneiro popular, às mazelas de amores felizes e infelizes, aos altos e baixos próprios da vida de qualquer mortal necessitado de amor, compreensão, reverência, perdão e homenagem merecida como esta que ora se apresenta na televisão brasileira.

A estrela Dalva no céu desponta e a lua anda tonta, com tamanho explendor…viva Dalva, viva sua história que merece ser recontada e , sobretudo, reverenciada.

( Aparecida Torneros, jornalista, escritora, mora no Rio de Janeiro, onde edita o Blog da Mulher Necessária )

jan
05

Deu na coluna

Em sua coluna diária na Tribuna da Bahia o jornalista Ivan de Carvalho aponta o seu olhar crítico nesta terça-feira, 5, contra empresas que insistem em ludibriar o consumidor – a nova definição do cidadão brasileiro, segundo o grande e saudoso baiano Millton Santos – apesar do Código específico criado para punir maus fabricantes e comerciantes enganadores. O pão Plus Vita Light, por exemplo, anunciava no rótulo, com admirável cara de pau e notório destaque, “0% de Gordura”, condena Ivan no texto de seu artigo opinativo, que Bahia em Pauta reproduz.

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OPINIÃO POLÍTICA
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ILUSÃO DE ÓTICA

Ivan de Carvalho

Não quis usar o título Propaganda Enganosa porque, desta vez, talvez já não seja inteiramente apropriado. Da primeira vez que abordei o mesmo assunto, era. Tanto para a marca Plus Vita, que citei na ocasião, quanto para diversas outras marcas do suposto pão integral vendido aí pelos supermercados e similares.

Quero também esclarecer que não tenho qualquer preconceito contra a marca Plus Vita. Sou até consumidor habitual de um de seus produtos, o pão Plus Vita Light. Daí citá-lo, pela familiaridade. Dizer isso já é uma propaganda, mas nada vou cobrar por ela. O que tenho sobre a marca citada, portanto, são conceitos mesmo, formados por um consumidor que, independente disso, também é jornalista.

Não muito tempo depois que abordei o assunto, fazendo a acusação de propaganda enganosa, a Rede Globo, em um de seus programas (Globo Repórter ou Fantástico) deu o resultado das análises laboratoriais que mandara fazer em cerca de dez marcas de pão desse tipo. A Plus Vita inclusa. E a conclusão apresentada, fundada nos resultados laboratoriais, foram a de que as marcas “não dão ao consumidor o que prometem” em seus rótulos.

O pão Plus Vita Light anunciava no rótulo, com admirável cara de pau e notório destaque, “0% de Gordura”. Mas a análise encomendada pela Globo mostrou que isto não era verdade. Pouco depois o rótulo estava diferente, com aquela inscrição substituída por duas outras, em letras miudinhas – “Zero gordura trans” e “Baixo teor de gorduras”. E um 0 bem grande, em azul. Quem sabe o consumidor se restringe à leitura do 0 azul? Ele deve se referir às gorduras trans. Pois, quanto às outras não poderia ser.

Mas o danado do pão manteve no rótulo, em letras bem grandes, duas inscrições: “Plus Vita Light” (correto) e “Integral” (incorreto). Isso certamente produz uma “ilusão de ótica”. Mas há, jogando na retranca, uma inscrição em letras miúdas, dando conta de que se trata de “Pão Light com Farinha de Trigo Integral”. E se o consumidor tiver excelente visão ou uma lupa, vai conseguir ler nos “ingredientes” que o primeiro deles é “farinha de trigo integral”. Fiquei admirado de não conseguir encontrar aí o que encontrara fazem poucos meses entre os ingredientes que compõem o pão –“4% de farinha de trigo integral”.

Só quatro por cento seriam suficientes para o pão ser anunciado como integral? Mas, bem, os quatro por cento sumiram e agora o consumidor, se achar que o que come é de sua conta, que mande para um laboratório confiável.

Gente, onde estão a Codecon, o Procon e o Ministério Público? E a Anvisa, onde está? Meu filho torceu um pé e o médico, além do gesso, prescreveu o antiinflamatório Profenid “ou cetoprofeno, mas o genérico, porque os similares a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) não fiscaliza, o que é lamentável, mas é assim…”.
Você, leitor, sabia dessa interessante política farmacológica do governo federal, da qual pode depender a sua saúde? Suponho que não, já que o governo está tão bem avaliado, segundo as pesquisas de opinião.

jan
05
Posted on 05-01-2010
Filed Under (Aparecida, Artigos) by vitor on 05-01-2010

VIDAS LADEIRA ABAIXO

Aparecida Torneros

Impossível não se chegar ao fundo da dor compartilhada e humana, deixando-se afundar-se no assento, enquanto se assiste, repetidamente, pela televisão, as notícias das tragédias das águas, na virada do ano, em Angra, no Rio de Janeiro, e em tantos outros lugares onde o verão e suas cheias trazem, sobretudo, a certeza da nossa pequenez diante da natureza imensa.

A engenharia nacional se gaba, e com razão, de feitos maravilhosos, pontes desafiantes construídas mundo afora, entretanto, nas encostas molhadas, quando o barro desmorona, tudo rola ladeira abaixo, vidas se perdem na inútil tentativa de explicação racional, para a ocupação desordenada e irresponsável do solo urbano, em cidades grandes ou pequenas, através de edificações permitidas ou clandestinas, num misto de desrespeito e irresponsabilidade compactuados por sociedade e autoridades, quadro este que já nos cansamos de ter na frente dos olhos e de viver nas emoções alteradas.

As tais águas que o Tom cantou lembrando que eram comuns em março, por aqui, no hemisfério sul, na verdade, se fazem presentes no mundo inteiro, em épocas diversas, e principalmente, passaram a surpreender o Planeta, a partir do fenômeno do aquecimento global, das mudanças climáticas inesperadas e ainda imprevisíveis na sua totalidade. Cientistas tentam desvendar mistérios, governos de países poluídores tentam adiar suas ações, cidadãos tentam conviver em espaços cada vez mais restritos em termos de segurança física ou de ares respiráveis.

Tristes imagens de vidas ceifadas rolando com paus e pedras, pelas barranqueiras, gente inocente indo embora na agonia dos soterramentos, prefeituras com administradores baratinados ao constatar que a omissão é tão culpada quanto a ação, e muitas vezes, vai muito além. Isso porque permite a desordem urbana e a instalação do caos social como é o caso das comunidades que cresceram à mercê de invasões para depois se tornarem reféns do tráfico ou da ilegalidade. Louvável sempre é e será cada atitude no sentido de pacificar “morros” em guerra, resgatar cidadanias ou elevar qualidade de vida de populações carentes. Mais do que louvável, é emergencial a decisão de mudar o quadro monótono que nos fere alma e coração, com as constatadas e irreversíveis catástrofes de verão.

No Rio de Janeiro, por exemplo, muito se tem avançado, nas comunidades que ora são aquinhoadas com as obras do PAC, Programa de Aceleração do Desenvolvimento, exemplificando Rocinha, Complexo do Alemão, Manguinhos, entre outras, através de remoções de moradores em áreas de risco, construção de moradias em áreas desapropriadas ou abandonadas, instalação de equipamentos sociais e mobiliários, como escolas, postos de saúde, hospitais, teatros, bibliotecas, praças, quadras de esportes. Saudável, sim, mas ainda é muito pouco em termos percentuais para atender aos milhões de criaturas que habitam não só os morros, encostas, mas também baixadas, faixas marginais de rios que transbordam, lugares onde não há infra-estrutura suficiente capaz de abrigar seres humanos com vida digna, segura e respeitada.

Ao mesmo tempo em que vi e li, nos últimos dias, por diversas ocasiões, a sofrida transmissão desse noticiário aterrador, assisti também, no filme Lula, o filho do Brasil, às cenas da enchente em local onde ele e sua família moravam, em São Paulo, quando sua mãe d.Lindu, seus irmãos e ele próprio, ainda bem jovem, fogem como podem, das águas que carregam tantas dores.

Pois nessa tomada , aliás muito bem filmada, a personagem vivida por Gloria Pires, mãe do Presidente, preocupa-se, sobretudo, com o macacão de metalúrgico de seus filhos, que ia se estragar com a enchente, e a peça do vestuário era, na verdade, o melhor representante da cidadania de sua família, com filhos operários, em busca de um lugar ao sol, um lugar mais seguro, bem estruturado, protegido das cheias, com bons alicerces, fincado em terreno propício, assegurado como ideal para viver e progredir.

Somos todos filhos do Brasil, esperamos sim, que nosso solo, mãe gentil, nos permita viver e morar, sem tantos riscos ou tantos desmandos, sem tantas omissões e muito menos sem tantas águas rolando e levando junto com elas nossas alegrias de um verão a mais, um verão que poderia ser menos trágico, talvez mais prazeroso, talvez menos entregue à força de uma natureza que pode não ser totalmente contida, mas que precisa e dever ser, finalmente, respeitada por quem faz cumprir as leis, neste país gigante pela própria natureza.

Cida Torneros, jornalista, escritora, mora no Rio de Janeiro, onde edita o o Blog dfa mulher Necessária (  http://blogdamulhernecessaria.blogspot.com/ )

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