abr
25
Posted on 25-04-2010
Filed Under (Artigos, Eventuais) by vitor on 25-04-2010

Em seu espaço especial de cobertura Eleições 2010, o portal IG mostra como a ferramenta twitter, na Internet, passou definitivamente a fazer parte da vida dos candidatos . Depois de acompanhar por 10 dias as mensagens dos dois candidatos melhores situados nas pesquisas, IG constata que Serra usa Twitter como escape. Dilma, para campanha.

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Ricardo Galhardo, iG São Paulo

De todas as ferramentas tecnológicas que os candidatos terão à disposição para a campanha eleitoral deste ano o Twitter é a vedete. Ministros, deputados, governadores e candidatos de todos os tipos tentam se comunicar com os até 140 caracteres do microblog que possui cerca de 105 milhões de usuários, 8,8% deles no Brasil. O país é o segundo no mundo em número de cadastros, atrás apenas dos EUA.
O iG acompanhou os dois principais candidatos à presidência durante 10 dias, desde que a petista Dilma Rousseff estreou no Twitter, no dia 11, até o feriado de 21 de abril. A principal constatação é que o tucano José Serra, embora também faça uso político da ferramenta, usa o Twitter como válvula de escape. Das 91 mensagens publicadas pelo tucano no período, 52 são pessoais As demais são políticas ou remissões a entrevistas, vídeos, fotos, reportagens ou outras páginas da Internet. O período em que Serra mais tuitou foram os meses de janeiro e fevereiro, com 213 e 234 mensagens respectivamente, quando enfrentava a pressão para assumir a candidatura.
Já Dilma, embora publique mensagens pessoais, usa o Twitter como ferramenta de campanha. Das 52 mensagens publicadas por ela nestes 10 dias, 27 têm conteúdo exclusivamente político.

A comparação é desigual pois Serra, um “veterano”, completará um ano de Twitter em maio e tem mais de 209 mil seguidores. Já Dilma é uma novata apesar do sucesso em termos numéricos, com 35 mil seguidores em menos de duas semanas.
Com a experiência acumulada em quase um ano Serra mostrou ter assimilado a linguagem informal, leve e se possível divertida do Twitter. Ele geralmente utiliza a ferramenta nas madrugadas de insônia, quando aproveita para conversar de forma quase íntima com seus seguidores. O tucano chegou até a apelidar sua “turma” virtual de Liga dos Indormíveis.
Tendo o computador como anteparo, a imagem do ex-governador de São Paulo é completamente diferente da figura pública geralmente associada ao mau humor e antipatia.

LEIA INTEGRA NO PORTAL IG ( www.ig.com.br )

abr
24
Posted on 24-04-2010
Filed Under (Artigos, Janio) by vitor on 24-04-2010

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CRÔNICA

Beatles, dízimo e pedofilia

Janio Ferreira Soares

Os últimos dias foram bastante movimentados no mundo da fé e da música. Começou com a igreja católica publicando um artigo no Observatório Romano (diário oficial do Vaticano) absolvendo os Beatles das condenações que lhe foram impostas 44 atrás, que iam desde as supostas mensagens implícitas em suas músicas louvando o satanismo e as substâncias alucinógenas, até a blasfêmia. Em seguida, uma reportagem da Folha de São Paulo mostrou um treinamento dado aos pastores da Igreja Universal, onde os mesmos recebiam orientações de como arrecadar o dízimo em tempos de crise usando a bíblia, que nessas horas deixa de ser um livro santo para se transformar numa espécie de Forbes celestial.

No que diz respeito à atitude do Vaticano em perdoar os Beatles 40 anos depois do fim da banda, normal. Aliás, até me arrisco a dizer que essa mea-culpa deve ter partido de alguém com a sabedoria de perceber que a voz de Paul MacCartney cantando Michelle faz menos mal aos princípios cristãos do que a performance do monsenhor Luiz na cidade de Arapiraca (AL), que em público seguia a cartilha episcopal, mas no privado se guiava pelas tentações carnais atribuídas ao capeta.

Quanto aos pastores da Universal, tiro o meu chapéu para a teatralidade em nome de Jesus. Só acho que quando indivíduos que se denominam representantes divinos pegam o atalho da esperteza, alguma coisa está completamente fora de ordem. Ademais, todos sabem que entre o discurso e a prática existe um enorme abismo cheios de provocações lançando assovios traiçoeiros em direção aos cordeiros de Deus que, uma vez cooptados, preferem engrossar a fila dos pecadores a tirar os pecados do mundo.

Mas isso é discussão para o dobro deste espaço e para pessoas mais capacitadas. Sendo assim, despeço-me muito preocupado com o que pode acontecer com as presenças de Lennon e Harrison tocando harpas com os querubins em um céu de diamantes. Quanto ao monsenhor Luiz e os espertos pastores, a vaga dos dois Beatles ao lado de Lúcifer está aberta. Se apertar, cabem todos.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura e Turismo de Paulo Afonso, no Vale do Rio São Francisco

abr
24
Posted on 24-04-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 24-04-2010

Ciro: Serra é melhor que Dilma

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Ciro Gomes e José Serra eram não somente adversários políticos como havia entre eles uma inimizade pessoal. Sombras da sucessão presidencial de 2002. Desde o começo desta semana, sinais cada vez mais nítidos de aproximação entre os dois começaram a cruzar o espaço político entre o Ceará e São Paulo.

Em seu artigo deste sábado, na Tribuna da Bahia, o colunista político Ivan de Carvalho analisa os efeitos de uma mudança importante, embora esperada: o enterro da candidatura do ex-governador e ex-ministro Ciro Gomes pelo PSB para atender à estratégia do Palácio do Planalto de fazer uma campanha bipolarizada, com debate centrado somente na comparação dos governos FHC e Lula, como se a história do Brasil andasse para trás, diz Ivan, no texto que BP reproduz.

(VHS)

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OPINIÃO POLÍTICA

GOVERNO TENTA DISFARÇAR

Ivan de Carvalho

Nos últimos dias, a sucessão presidencial passa por uma mudança importante, ainda que já esperada – o enterro da candidatura do ex-governador e ex-ministro Ciro Gomes pelo PSB para atender à estratégia do Palácio do Planalto de fazer uma campanha bipolarizada, com debate centrado somente na comparação dos governos FHC e Lula, como se a história do Brasil andasse para trás.

Há todo um esforço do presidente Lula, do PT e do próprio PSB com o objetivo de passar à opinião pública a impressão de que tanto Lula quanto sua candidata Dilma Rousseff, bem como o governo e o PT, nada têm a ver com o fim da candidatura de Ciro (seria a terceira vez que ele disputaria a presidência da República, caso não o houvessem barrado).

O esforço é para que o fim da candidatura, à revelia do candidato, pareça de responsabilidade apenas do PSB, de modo a reduzir os estragos que uma reação forte de Ciro contra o jogo montado pelo presidente da República e o PT, em conjunto com a direção do PSB, possa causar, digamos, indiretamente, à candidatura de Dilma Rousseff à sucessão de Lula.

Provavelmente para impedir, tanto quanto possível, que esta falsa versão de uma decisão solo do PSB acabe se impondo pela força da repetição, Ciro Gomes já deixou absolutamente claro que sua candidatura morreu e deu estocadas, em entrevista ao portal iG, no presidente Lula e em dirigentes do seu partido, chegando ainda a afirmar que o candidato José Serra (PSDB) é mais preparado que a candidata Dilma Rousseff (PT) para enfrentar eventuais crises econômicas que venham a surgir.

Este elogio contido a Serra em contexto em que o tucano é com vantagem comparado à candidata governista a presidente pode ser um rompante de ira política de Ciro ao ver-se traído – é assim que ele vem se considerando, ante a ação bem sucedida do Planalto para por fim à sua candidatura – mas não se pode descartar que represente algo mais na posição do ex-candidato do PSB.

Ciro Gomes e José Serra eram não somente adversários políticos como havia entre eles uma inimizade pessoal. Sombras da sucessão presidencial de 2002. Há poucos dias, vendo o golpe que o governismo no Planalto e no PSB ultimava contra Ciro, Serra deu declaração afirmando que Ciro tem “uma pinimba comigo, mas é de mão única” e que ele, Serra, nada tem “que se oponha” a Ciro.

Resta esperar um pouco mais de tempo para ver que rumo tomará Ciro, ver se aprofunda o rompimento já aberto com o governismo – disse que Lula “viaja na maionese” e “está se sentindo o todo-poderoso e acha que vai batizar Dilma presidente da República”.

O PSB se prepara para formalizar na terça-feira a decisão de não ter candidato próprio à sucessão de Lula e para apoiar Dilma Rousseff. Depois disso, Ciro – que impedido de concorrer a presidente, não disputará qualquer outro mandato nas eleições de outubro – ficará mais à vontade para aprofundar, ou não, seu rompimento com o governo.

No caso de uma pessoa com o temperamento e o caráter dele, só esperando para ver.

abr
24
Posted on 24-04-2010
Filed Under (Artigos, Vitor) by vitor on 24-04-2010

Usinas da Chesf:como negar?

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ARTIGO DA SEMANA

RESPEITO À MEMÓRIA

Vitor Hugo Soares

Nas barrancas do São Francisco, rio da minha aldeia, no tempo pioneiro da construção da hidrelétrica da CHESF – que iluminaria o Nordeste depois de inaugurada pelo presidente Café Filho -, um detalhe em especial impressionava o garoto de então: as manifestações populares grandiosas das campanhas políticas na cidade transformada em formigueiro humano de operários, engenheiros e técnicos de toda parte, atraídos pela obra monumental que se erguia na vizinhança árida do quase deserto do Raso da Catarina.
Nunca esqueci o comentário de um “cassaco” (mistura romântica imortalizada dos cossacos da Rússia de então, com os heróicos carregadores de milhões de sacos de cimento consumidos na mega-construção no sertão da Bahia, imortalizados por Luiz Gonzaga). Depois de um discurso de palanque arrasador feito por Antonio Balbino, que disputava o governo do estado com o historiador Pedro Calmon, disse o atento operário ao meu lado no comício:: “Em tempo de eleição ninguém tem descanso, nem os mortos”.
Mais de meio século depois vejam este bafafá cercado de interesses estranhos – e pouco transparentes -, por todo lado, que envolvem o leilão para a construção bilionária da mega-hidrelétrica de Belo Monte, no Pará. Beatos e conselheiros dos novos tempos andam metidos na briga – um deles o diretor de Avatar e seus santos guerreiros do Greenpeace, em cruzada internacional contra a obra.
Briga feia, que cobra explicações mais nítidas tanto do governo e demais propagandistas da obra, como de seus opositores, alguns acenando as bandeiras justas da defesa do meio ambiente, dos índios, da floresta, e outros nem tão idealistas assim. Travada em tempo de pré-campanha eleitoral, tudo parece antecipar uma nova Guerra de Canudos no norte do País, como a que dizimou o belo monte de Canudos, no sertão da Bahia, nos primeiros anos da República.
Em termos de argumentos vale tudo. Até os mais equivocados ou que escamoteiam a verdade. Por exemplo, dizer e escrever como alguns têm feito, que falta tradição em construção de obras do porte de Belo Monte ao consórcio vencedor do polêmico leilão, encabeçado pela Companhia Hidro-Elétrica do São Francisco – CHESF. Ora, em nome dos fatos e da história da engenharia brasileira, nunca é demais perguntar: “Quem tem mais tradição em obras assim no País que a CHESF?
Vale escutar o rei do baião Luiz Gonzaga, em seu canto de louvor a Paulo Afonso, para reavivar memórias fracas ou mal intencionadas. Também como tributo merecido, nesta hora confusa e interesseira do debate sobre Belo Monte, a tantos que se empenharam até a morte – e não foram poucos – na construção daquilo que para muitos não passava de utopia nordestina.
“Delmiro (Gouveia) deu a idéia. / Apolônio (Sales) aproveitou / Getúlio fez o decreto, e Dutra realizou / O presidente Café (Filho) a usina inaugurou/ E graça a esse esforço, de homens que têm valor/ Meu Paulo Afonso foi sonho que já se concretizou… Olhando pra Paulo Afonso eu louvo nosso engenheiro/ louvo nosso cassaco, caboclo bom brasileiro./ E vejo o Nordeste erguendo a bandeira de ordem e progresso à nação brasileira. / E vejo a usina feliz mensageira, vivendo da força da cachoeira/ Meu Brasil vai”.
Mais de 50 anos depois da epopéia da Chesf em Paulo Afonso, tudo pode parecer piegas e romântico agora, diante de Belo Monte e dos monumentais interesses que a mega-obra amazônica representa, inclusive os eleitorais. Mas na época, quase tudo foi heróico na grande aventura humana sob o ronco da cachoeira nas margens baianas do Rio São Francisco.
Digo isso como o jornalista Sebastião Nery na apresentação de “Rompendo o Cerco”, livro sobre a bravura dos falecidos Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Rômulo Almeida, naquele 13 de Maio de 1978, em Salvador, quando a ditadura soltou os cachorros para impedir a fala de Ulysses em ato público na data histórica: “Ninguém me contou. Eu vi. Estava lá.”.
No caso da CHESF, serve também para lembrar as palavras de sabedoria e ser justo com aquele “cassaco” anônimo que estava ao meu lado no comício de Antonio Balbino, em Paulo Afonso.

Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail: vitor_soares1@ terra.com.br

abr
23

Marina: celebridade ambientalista

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Rosane Soares Santana*

Em reportagem intitulada “Another Silva” (“Outro Silva”, em português), a mais recente edição da prestigiosa revista britânica The Economist destaca a trajetória de vida da pré-candidata do Partido Verde (PV) ao Planalto, como “uma celebridade ambientalista que disputa a presidência”. No texto em que compara a biografia de Marina à do presidente Luis Inácio Lula da Silva, pela origem humilde, a publicação diz que Marina é uma candidata que parecer ter “princípios demais” para enfrentar uma luta dura numa democracia gigante.

Segundo a reportagem, o que Marina perde por estar filiada a um partido pequeno, como o PV, ela tenta ganhar com sua força ética, correndo por fora na disputa. Cita recentes pesquisas que colocam Marina na casa dos 10% das intenções de voto, para concluir que a luta da candidata não será fácil. Mas que isso não é ruim, uma vez que muitos brasileiros, como eleitores de outros lugares, não contam, entre suas prioridades, salvar o planeta.

A revista lembra a trajetória de Marina, desde a infância pobre no Acre, o pai seringueiro,a família numerosa de 11 irmãos, com oito sobreviventes, as doenças enfrentadas na floresta – malária hepatite e outras -, que legaram a ela problemas de saúde na fase adulta, como alergias a coisas que vão de frutos do mar a ar condicionado. “Foi um perigoso lugar para crescer”, afirmou Marina à revista, que acrescenta ainda no trecho sobre a biografia da ambientalista, o fato de ela ter trabalhado como empregada doméstica para poder estudar na Universidade Federal do Acre.

The Economist destaca a luta de Marina ao lado de Chico Mendes, assassinado em 1988, além de ressaltar que ela foi membro fundador do Partido dos Trabalhadores (PT), junto ao presidente Lula, que a fez ministra do Meio Ambiente quando assumiu o governo, em 2003.

A reportagem avalia que, no governo, Marina estava sendo desgastada por medidas as quais ela foi contrária, como a liberação do plantio da soja geneticamente modificada, a pavimentação da BR-163, através da Amazônia, e a discussão sobre energia nuclear.

Diz que, em 2008, Marina resignou-se depois de ver transferido para outro ministério (Assuntos Estratégicos), a responsabilidade pela reforma da lei sobre ocupação da terra na Amazônia, quando ela criticou o presidente Lula publicamente.

Oo principal tema da campanha de Marina, segundo The Economist é que o Brasil tem a responsabilidade moral de tornar-se um país de alta tecnologia com uma economia de baixo carbono, servindo de exemplo para outros países desenvolvidos E acrescenta que em uma crítica tácita à devoção de Lula pelo estado gigante e por Fidel Castro, Marina diz que o Brasil deve baixar a carga de impostos e não afagar tiranos.

Especula sobre a possibilidade de o dono da Natura, Guilherme Leal, aceitar a candidatura a vice na chapa de Marina e diz que ela (Marina) tem ainda bastante chão para percorrer. Conclui com uma citação da candidata verde: “meu avô disse-me que o animal com as pernas mais curtas tem de correr as maiores distâncias”.

Rosane Soares Santana, jornalista baiana, participa da cobertura das Eleições 2010 pelo Terra, onde escreve também a coluna “As Eleições na História”.

abr
23
Posted on 23-04-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 23-04-2010

Ciro: na hora da traição

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Em seu artigo desta sexta-feira, na Tribuna da Bahia, o jornalista político Ivan de Carvalho analisa as pressões e os interesses estranhos no jogo de pressões, dentro e fora do PSB, para afogar a postulação do deputado Ciro Gomes como candidato de seu partido à presidência da República. Este e outros interesses regionais do PSB, especialmente na região Nordeste, estão para Ciro como as 30 moedas de prata pagas a Judas estiveram para Jesus, compara o colunista no texto que Bahia em Pauta reproduz.

(VHS)

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OPINIÃO POLÍTICA

Ciro e as 30 moedas

Ivan de Carvalho

OLHO: Este e outros interesses regionais do PSB, especialmente na região Nordeste, estão para Ciro como as 30 moedas de prata pagas a Judas estiveram para Jesus.

Ciro Gomes queria ser candidato a presidente da República.

Tinha (continua tendo, naturalmente) um currículo político invejável.

Nascido no interior de São Paulo, foi deputado estadual cearense, prefeito de Fortaleza, governador do Ceará por dois mandatos.

Ministro da Fazenda do governo Itamar Franco por apenas três meses, assumiu o cargo apontado como talvez o único político disponível capaz de manter a credibilidade do Plano Real em fase de implantação, credibilidade ameaçada pelo chamado “caso da parabólica”, envolvendo Rubens Ricúpero, que por isto teve que deixar o Ministério da Fazenda. Cumpriu a missão.

Em 1997, depois de ter sido filiado no início de sua vida política ao PDS e passado para o PMDB, desliga-se do PSDB e ingressa no PPS, legenda pela qual concorre às eleições de 1998 para presidente da República. Uma mudança brusca imposta à legislação eleitoral por uma “interpretação” do TSE sob a influência do então presidente da corte, o ministro do STF Nelson Jobim, impondo a chamada “verticalização das coligações”, inviabiliza o apoio formal do PFL à sua candidatura e leva a um apoio informal apenas de metade deste partido, deixando Ciro sem a estrutura de sustentação de uma candidatura viável. Fica em terceiro lugar. Em 2002, concorre novamente à presidência pela coligação PPS-PTB-PDT, mas tem dez por cento dos votos e passa a apoiar Lula, em cujo governo ocupa o Ministério da Integração Nacional, mais tarde ocupado pelo peemedebista baiano Geddel Vieira Lima.

A “verticalização das coligações” teve o resultado de assegurar que a eleição acabasse por ser polarizada entre o PSDB e o PT, um quadro que se repetiria nas eleições presidenciais seguintes, mesmo depois que o Congresso Nacional acabou com a “verticalização” imposta pela “interpretação” do TSE. A “verticalização” foi, lá atrás, o principal fator para formatar o atual quadro partidário, em que predominam fortemente o PT e o PSDB.

Mas, voltando a Ciro, novamente ele tentava, este ano, por um partido médio, o PSB, disputar a presidência da República. Até o fim da semana passada estava com dez por cento das intenções de voto, mas o PSB ontem consumou a traição a Ciro, avisando-o que não terá a legenda do partido para ser candidato a presidente, conforme desejava o presidente Lula e o presidente do PSB, Eduardo Campos, que faz de tudo para ter o apoio do PT e de Lula para reeleger-se governador de Pernambuco.

Este e outros interesses regionais do PSB, especialmente na região Nordeste, estão para Ciro como as 30 moedas de prata pagas a Judas estiveram para Jesus. O leitor naturalmente sabe quem pagou as 30 moedas de prata.

abr
22
Posted on 22-04-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 22-04-2010

Nilo Coelho: talvez o vice de Souto

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Em que está apostando os Democratas da Bahia? No confuso contexto das articulações, manobras e estratégias preparatórias para a campanha sucessória ao governo do Estado, está é a questão motivado do artigo que o jornalista políticio, Ivan de Carvalho, publica nesta quinta-feira na Tribuna da Bahia e BP reproduz.
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(VHS)

PINIÃO POLÍTICA

O tempo do DEM

Ivan de Carvalho

Em que está apostando o Democratas da Bahia?
O partido, que tem como principal aliado o PSDB, está encontrando dificuldades para fechar acordos com outras legendas expressivas e vem registrando perdas que tenta, em parte, reverter.
Uma dessas perdas recentes foi a adesão do ex-prefeito de Itabuna, Fernando Gomes, à chapa encabeçada pelo peemedebista Geddel Vieira Lima, candidato a governador. Praticamente simultânea foi a decisão da seção estadual do PPS de apoiar Geddel, que por sua vez apóia a candidata do PT a presidente da República, Dilma Rousseff, enquanto no plano nacional o PPS integra a coligação oposicionista que sustenta a candidatura do tucano José Serra e que inclui o DEM.

Este partido tenta, com o apoio da direção nacional do PPS, reverter a opção da seção estadual da legenda e existem boas chances de que isso ocorra, pacificamente ou à força. Esta hipótese seria a de uma intervenção da direção nacional na direção estadual do PPS. Quanto à posição do ex-prefeito de Itabuna, Fernando Gomes, poderá receber tratamento disciplinar, pelo menos para que sirva de exemplo a outros democratas sob tentação. A bancada estadual do DEM foi surpreendida na terça-feira pelo voto favorável do deputado democrata Eliedson a importante projeto do governo que sofria forte combate da oposição. O líder da oposição, deputado Heraldo Rocha, disse que levará o caso à direção partidária.
Mas o problema principal da coligação DEM-PSDB na Bahia é a pouca atividade político-eleitoral desenvolvida até agora, nessa fase anterior às convenções de junho.

A inatividade foi quebrada por três fatos apenas, nos últimos tempos. Uma visita a Guanambi, quando da renúncia do ex-governador Nilo Coelho ao cargo de prefeito, para marcar um convite considerado aceito para que ele participe, tudo indica que como candidato a vice, da chapa que será liderada pelo ex-governador Paulo Souto; uma visita a Feira de Santana para marcar a incorporação do ex-prefeito José Ronaldo à chapa, como candidato a uma das duas cadeiras de senador; e a recente visita à Bahia do candidato da coligação liderada pelo PSDB a presidente da República, José Serra. Pelo menos um dos quatro lugares da chapa ainda não foi preenchido. Aí podem existir certos mistérios. Ou não, como diria Caetano Veloso.

Há como explicar a pouca movimentação político-eleitoral do DEM-PSDB para as eleições majoritárias na Bahia. Ao contrário do PT, que tem os governos estadual e federal nas mãos e do PMDB, que divide o governo federal com o PT e tem o governo de Salvador, a chapa do DEM-PSDB na Bahia é de oposição pura, o que lhe deixa esquálidos os meios de ação nesta fase.
Mas se na montagem da base política e de uma estrutura de campanha a coligação DEM-PSDB se atrasa, poderá mais à frente ficar muito dependente de dois fatores – a popularidade do seu candidato a governador, Paulo Souto, e o desempenho da candidatura de José Serra a presidente. No momento, Souto está em segundo lugar nas pesquisas para governador – esteve no primeiro, sem cargo nem propaganda, até início de 2009, o que foi um fenômeno admirável – e Serra mantém-se em primeiro para presidente, segundo o Ibope, que confirmou com ligeira diferença o Datafolha.

abr
21
Posted on 21-04-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 21-04-2010

Itiúba: na rota da violência

Em seu artigo desta quarta-feira, na Tribuna da Bahia, o jornalista político Ivan de Carvalho escreve sobre uma das questões mais preocupantes da Bahia destes dias: o avanço da violência, na capital e , principalmente, no interior.

A partir do olhar rememorativo lançado sobre Itiúba, a tranqüila aldeia da infância e juventude do colunista, onde o único furto (nunca roubo) que havia era de galinha, Ivan traça o painel da dramática realidade de hoje no texto que Bahia em Pauta reproduz.

(VHS)

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O avanço da insegurança

Ivan de Crvalho

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A violência caracterizada principalmente por assaltos – cujos objetivos variavam, sendo o mais freqüente a prática de roubo – desenvolveu-se paulatinamente em Salvador, espraiando-se para a região metropolitana da capital, ao longo de décadas. Durante todo esse tempo, o fenômeno se intensificou, favorecido pelo crescimento da metrópole e pelos altos percentuais de população não educada, o que aumenta a vulnerabilidade à criminalidade violenta.
Também durante esse tempo, os governos baianos não adotaram – uns fizeram um pouco mais, outros um pouco menos, mas nenhum o suficiente – as medidas necessárias para que os aparelhos de segurança e judicial do Estado fossem postos em condições de enfrentar com o êxito exigível o problema. E assim este se agigantou e invadiu o interior, surgindo os assaltos nas estradas, nas pequenas cidades (primeiro, assaltos a agências bancárias e de correios, passando gradualmente a envolver outros alvos) e mesmo em cidades maiores e supostamente mais bem defendidas.
Abordo agora este assunto por causa de conversas com pessoas originárias de Itiúba, município do nordeste baiano (região do sisal), vizinho de Senhor do Bonfim, Monte Santo e outros. Na cidade de Itiúba vivi minha infância e boa parte da adolescência – nesta, durante as férias escolares, pois os cursos de ginásio e colégio ainda não existiam lá – e depois disso voltei muitas vezes para mitigar (não digo matar, pois estou falando de violência e a saudade de lá nunca consegui mesmo matar).
Há tempo, porém, interrompi o hábito de visitar o município uma vez por ano. Esta semana, conversei, porém, com pessoas cujas famílias ainda residem na cidade de Itiúba e que rotineiramente estão indo ao município. Soube, para minha surpresa, que as feiras semanais dos povoados, antes bastante movimentadas, quase acabaram. Poucas pessoas se dispõem a ir a elas por mercadorias à venda. Mantém-se ainda a feira na cidade, que acontece sempre no sábado.
O que produziu a decadência e quase extinção das feiras nos diversos povoados? A violência. Agricultores e comerciantes que iam a elas expor e vender seus produtos às populações desses povoados e às populações das zonas rurais vizinhas passaram a ser assaltados com inaceitável freqüência. Assim, indo ou voltando, perdiam as mercadorias ou o dinheiro apurado nas vendas e mesmo o que houvessem comprado com parte desse dinheiro das vendas e ainda incorriam em risco de serem mortos ou maltratados.
O resultado foi lógico. Deixaram de ir, apesar das desvantagens econômicas que essa renúncia ao comércio lhes acarreta. O que só faz ressaltar a intensidade do risco.
Embora goste muito de Itiúba, não escrevo estas linhas por amor pessoal a um lugar que me traz gratas recordações. Mas, talvez, por amor ou respeito às populações de, quem sabe, centenas de povoados espalhados pelo território baiano e das centenas de milhares de pessoas que têm suas vidas econômicas e a satisfação das necessidades de adquirir produtos prejudicadas ou dificultadas seriamente pela insegurança que domina, já não mais a população da capital (onde até um carro blindado oficial de uso do governador é roubado) e sua região metropolitana, mas a população de toda a Bahia. Incluindo as populações das pequenas localidades, a exemplo de Itiúba, onde a única coisa que às vezes era objeto de furto – nunca

Wagner:”nome com peso político-eleitoral”

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Deu na revista digital Terra Magazine

Claudio Leal

Depois do recuo do senador César Borges (PR), ex-afilhado político de ACM cooptado pelo ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB), os petistas podem sair fortalecidos na chapa do governador da Bahia, Jaques Wagner (PT).

A frente governista conta com três nomes consolidados, mas não totalmente imunes a ajustes: além de Wagner, candidato à reeleição, Otto Alencar (PP) deve ocupar a vice e a deputada federal Lídice da Matta (PSB), uma das vagas do Senado. Com a desistência do PR, a executiva do PT recebeu o aval para discutir a candidatura própria ao segundo posto de senador.

Nesta segunda-feira, 19, os petistas se reuniram em Salvador para iniciar os debates internos. Do Palácio de Ondina, há a recomendação de que o nome tenha “peso político-eleitoral” e não seja garimpado somente no PT. Nos bastidores, os petistas recobraram a “autonomia” e pretendem definir-se por um dos três pré-candidatos apresentados ontem: o ex-ministro da Defesa Waldir Pires e os ex-deputados federais Walter Pinheiro e Nelson Pelegrino. Aliado do governador, o deputado estadual Marcelo Nilo (PDT) é um dos cotados.

O presidente estadual do PT, Jonas Paulo, defende uma escolha consensual, sem a realização de prévias. Ainda que se mantenha em relativa reserva, este também é o desejo de Wagner, sabedor dos ânimos conflituosos das correntes internas do partido.

Por ora, a escalação das tendências: a Democracia Socialista e a Reencantar querem Pinheiro; a EDP (Esquerda Democrática Popular), Pelegrino; a CNB (Construindo um Novo Brasil), Waldir Pires, também apoiado por lideranças representativas do PT, como Emiliano José, Zezéu Ribeiro, Geraldo Simões e Joseph Bandeira.

“O partido me designou para conversar com os aliados sobre a complementação da chapa. Wagner tem a tendência de definir o vice e colocou o partido para conduzir as conversas sobre o Senado. Ele não fez um pedido pessoal, não apoiou previamente um nome”, diz o presidente regional, Jonas Paulo. Na próxima segunda-feira, a executiva deve reunir-se outra vez. O PSB e o PCdoB integram as articulações.

Os debates consomem as noites dos petistas, mas, por antecipação, aceita-se que Jaques Wagner defina seus companheiros de chapa. Os defensores da candidatura Waldir Pires o apontam como o único candidato “suprapartidário” (isto é, acatado pelos demais aliados e com manancial de votos de ex-governador), mas Pelegrino e Pinheiro têm forte liderança na militância petista.

abr
20

Pelegrino entra na briga

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Em seu artigo desta terça-feira, na Tribuna da Bahia, o colunista político Ivan de Carvalho escreve sobre os problemas sérios que o governador Jaques Wagner precisa ainda superar para fechar sua chapa à sucessão majoritária. Walter Pinheiro e Nelson Pelegrino brigam nos bastidores pela vaga para o senado que sobrou na chapa governista com o vôo de Cesar Borges para o palanque do ex-ministro Geddel Vieira Lima. Há, não se pode esquecer, um grupo petista, ainda que minoritário, insistindo em que Waldir Pires deve ser candidato a senador, assinala Ivan no texto que Bahia em Pauta reproduz.
(VHS)

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OPINIÃO POLÍTICA

Turbulência no PT

Ivan de Carvalho

Pode o governador Wagner resolver logo ou ser obrigado a demorar-se nas quase intermináveis discussões costumam assaltar seu partido, o PT, mas a verdade é que ele tem problemas sérios a superar para fechar sua chapa às eleições majoritárias.
A desistência do senador César Borges de aliar-se a Wagner – ante as dificuldades que lhe estavam sendo oferecidas por setores petistas – continuam provocando seqüelas. O senador aliou-se ao PMDB e deixou na chapa majoritária do governismo estadual um buraco que precisa ser tapado.
O risco é que tentem tapá-lo aos tapas. Claro que aqui se usa força de expressão, mas parece que se está armando uma batalha, o que não impede que ela venha a assemelhar-se à “batalha de Itararé”, aquela que não houve. O futuro dirá.
Na chapa, inamovíveis, só estão mesmo o governador Jaques Wagner, em busca da reeleição, e a deputada e ex-prefeita Lídice da Mata, do PSB, que disputará uma das duas cadeiras em jogo no Senado. O ex-governador Otto Alencar tem passado por variações. Primeiro, ficou acertado, entre ele, seu partido, o PP e o governador.
Em seguida, Otto Alencar foi surpreendido por problemas de saúde e a então forte possibilidade do senador e ex-governador César Borges ingressar, com o PR, na aliança governista. As duas coisas levaram a um deslocamento de Alencar para candidato a vice-governador. Quando César Borges e o PR saltaram para o barco peemedebista de Geddel Vieira Lima, uma vaga para a disputa de uma das cadeiras de senador pela chapa governista ficou aberta. Novamente pensou-se em deslocar Otto Alencar para a disputa pelo Senado. Ele não se entusiasmou, mas não repeliu a hipótese, que seria completada com o ingresso do PDT na chapa majoritária, representado pelo presidente da Assembléia, Marcelo Nilo.
Mas ontem a configuração já era outra. O líder do PP na Assembléia, Roberto Muniz, disse a este repórter que “a tendência é Otto permanecer mesmo como candidato a vice”, enquanto o presidente estadual e líder deste partido na Câmara federal, Mário Negromonte, deu a este jornal declarações nas quais considera o deputado petista Walter Pinheiro a pessoa mais indicada para formar com Lídice a chapa para o Senado. O governador, comenta-se, tem a mesma opinião, nas atuais circunstâncias.
Aí há problemas, pois ontem mesmo o deputado Nelson Pelegrino, que sempre disputa ou tenta (como em 2008) disputar a prefeitura da capital, colocou seu nome “à disposição” para ser candidato a senador. Um raciocínio para explicar isto seria a presunção de que, caso Pinheiro se eleja senador, ficaria em posição privilegiada para disputar o cargo de prefeito em 2012, atrapalhando – mais do que atrapalhados já possam estar – os planos de Pelegrino. Já se admite até mesmo que essa situação possa levar a eleições prévias no PT para escolha do candidato a senador que falta.
Mas a desagradável perspectiva de prévia (em 2008, Pinheiro, graças ao apoio que teve do governador, venceu a prévia para candidato petista a prefeito contra Pelegrino) pode servir também como elemento de pressão para Pelegrino obter de Pinheiro e do PT a garantia de que, se este for candidato ao Senado, desde já renuncia a qualquer plano de disputar a prefeitura em 2012. Há, não se pode esquecer, um grupo petista, ainda que minoritário, insistindo em que Waldir Pires deve ser candidato a senador.

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