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DEU NO JORNAL PÚBLICO (PORTUGAL)

Joe Frazier, ex-campeão do mundo de boxe e conhecido como “Smokin’ Joe”, morreu aos 67 anos. A rivalidade com Muhammad Ali, com quem protagonizou combates épicos, deu-lhe um lugar na história da modalidade. Foi o primeiro pugilista a derrotar Ali. Protagonizaram vários combates épicos: em 1971 enfrentaram-se no que ficou conhecido como “o combate do século”. O vídeo mostra esse difícil confronto.
Links:


Urubulino, de Chico Anísio:”Brocotó” para Lupi
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OPINIÃO POLÍTICA
Brocotó. Mais um.

Ivan de Carvalho

1. “Eu sou indestrutível”, afirmou há alguns dias o então ministro do Esporte, Orlando Silva, na época, representante do PC do B no ministério. Peça herdada do governo Lula pelo governo Dilma Rousseff. Sendo do PC do B, portanto, marxista-leninista, claro que ele não poderia estar se referindo à sua qualidade de ser espiritual que sobrevive à morte do corpo e permanece vivo, atravessando as eternidades, embora o fato de ele não acreditar nessas coisas não as anula nem abala minimamente. Essas coisas estão se lixando para o que ele pensa.

Mas Orlando Silva estava voando muito mais baixo, apenas declarando que era “indestrutível” como ministro do Esporte, isto é, que não ia sair nem ser retirado do cargo em conseqüência do fogo cerrado das denúncias, que partiam de pessoas ligadas ao partido, das investigações próprias da mídia e do chefe do Ministério Público da União. Ora, no domingo baiano, no Hotel Fiesta, na Pituba, Orlando Silva foi alvo de um desagravo do PC do B, até com reforço do governador do Estado, justamente por causa da constatação de que ele não comprovara sua indestrutibilidade como ministro, que já não é.

2. “Eu sou osso duro de roer”, disse, mais modesto, o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, presidente nacional licenciado do PDT, mas o homem que controla, de fato, o partido fundado por Leonel Brizola. Digo que ele foi mais modesto que o comunista Orlando Silva porque está combinado que “indestrutível” tem significado absoluto (não importa se a indestrutibilidade do ex-ministro era putativa), enquanto “osso duro de roer” tem significado relativo. Depende de quão duro é realmente o osso e dos dentes dos roedores, bem como das substâncias corrosivas que eles têm na saliva, ou, se preferirem, nas denúncias que estão sitiando o Ministério do Trabalho e Emprego.

3. Até “roedor amigo”, se, neste contexto, posso chamá-lo assim, já apareceu. O deputado Miro Teixeira, do PDT do Rio de Janeiro e um dos mais experientes e competentes integrantes da Câmara federal, resolveu pedir ao procurador geral da República, Roberto Gurgel, investigações oficiais no Ministério do Trabalho. Ele não colocou diretamente o ministro (sem trocadilho) na mira, mas não o excluiu.

O deputado Miro quer é que o chefe do MP peça ao Supremo Tribunal Federal que determine à Polícia Federal abertura de um inquérito para investigar convênios do ministério que estão sob suspeita. Uma investigação determinada pelo STF tem competência para investigar inclusive o ministro. Miro explica de forma impecável: “Não sei se é ruim ou bom para o ministro, sei que é necessário. O PDT é um partido com muita história e todos estão perplexos com isso tudo que está acontecendo”. Outros parlamentares do PDT também assinarão o pedido ao procurador geral. Pedido idêntico foi feito ontem a Roberto Gurgel pelo PPS, partido de oposição. O ministro Lupi já pediu à PF que investigue. Mas não é a mesma coisa que o STF determinar. “Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa”, ensinou José Genoíno.

4. Antes que tenha desfecho esse pedido ao procurador geral, cumpre assinalar que a Controladoria Geral da União, comandada pelo ministro Jorge Hage, que é uma pessoa honrada e competente, já verificara que contratos, convênios, essas coisas, no Ministério do Trabalho e emprego, não estavam sendo analisados devidamente. Traduzindo: a coisa corria frouxa e isso sempre tem causas e consequências. Umas e outras, ruins. O Tribunal de Contas da União identificou “situação crítica” em convênios assinados pelo Ministério do Trabalho com entidades públicas e privadas. Ontem, a Comissão de Ética Pública da Presidência deu prazo de dez dias para o ministro Lupi se explicar e a presidente da República, já botando a cabeleira de molho, chamou o ministro ontem para conversar.

Brocotó – como dizia Urubulino, aquele tétrico personagem de Chico Anísio.

nov
07


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“The Man I Love”, por Miles Davis do album The Modern Jazz Giants. Music composta por George Gershwin.

Musicos:
* Miles Davis – Trumpet
* Milt Jackson – Vibraphone
* Thelonious Monk – Piano
* Percy Heath – Bass
* Kenny Clarke – drums
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A sugestão vem do rico e inesgotável garimpo do jornalista Gilson Nogueira, colaborador da primeira hora e sempre leal amigo do BP.

BOA NOITE!!!

(vhs)


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Música de Ary Barroso, cantada por Rainy Aghata, cantora há 13 anos. A composição integra a trilha sonora do espetáculo “É com esse que eu vou”, apresentado no Teatro Castro Alves no último fim de semana para um público vibrante, mas reduzido. “De fazer vergonha”, afirma a jornalista Maria Olívia em seu comentário abaixo no BP. O que fazer?

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)


Haroldo, Alice e a prefeitura:
“por que não ela?”
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OPINIÃO POLÍTICA

Ebulição nas esquerdas

Ivan de Carvalho

“Toda grande marcha começa com o primeiro passo”, dizia o líder chinês Mao Tsé-tung, por décadas o farol do PC do B, farol mais tarde deslocado para a Albânia, quando, morto Mao, Deng Xiao-ping, o inventor da “nova China”, para quem não importava a cor do gato, desde que ele caçasse ratos, cometeu o grande insulto revisionista.

Mas isto já é história antiga, pelo menos do século passado. O que importa é que o PC do B deu neste fim de semana não exatamente o primeiro, porque este já dera antes, mas dois dos passos iniciais da marcha que decidiu empreender na direção da prefeitura de Salvador, a ser disputada nas eleições do ano que vem.

Na Conferência do PC do B que se realizou no sábado no Hotel Fiesta, os comunistas realizaram dois objetivos. Um deles foi fazer uma ostensiva manifestação de desagravo ao ex-ministro do Esporte, o baiano Orlando Silva, que, envolvido em acusações e investigações por corrupção, pediu exoneração do cargo que exercera de 2006 até fins do mês passado. Não queria sair, mas a presidente Dilma Rousseff o aconselhou a pedir demissão. Ele não pedira o conselho, que, no entanto, era irrecusável.

Mas ante as acusações levantadas pela mídia e os “fatos” apontados em pedido de investigação que o procurador geral da República, Roberto Gurgel, fez, convencendo o STF a determinar uma investigação, o PC do B da Bahia quis fazer algo para afirmar a lisura da conduta do ex-ministro. Até porque precisava exorcizar a suspeita que poderia espalhar pedras na marcha eleitoral que o partido iniciara. Para isso contou até com a ajuda do governador Jaques Wagner, que, contrariando muitas expectativas (dos que esperavam que ele comparecesse, mas fosse discreto), atendeu a expectativas do PC do B: chamou Orlando Silva de “jovem político”, disse ter orgulho dele e defendeu sua atuação no governo. Mais tarde, declarou à imprensa: “Fiz a defesa dele. Podemos até errar, mas não se pode admitir a imolação pública”.

Como em política, dizem os políticos, ninguém dá prego sem estopa, a impressão que fica é a de que o governador, por melhor que seja o conceito que tem de Orlando Silva, quis também, talvez pensando não só no agora como no futuro próximo de 2012 e 2014, reduzir tensões entre seu partido, o PT e o PC do B do ex-ministro Orlando Silva, que é da sua base político-parlamentar, mas decidiu ter candidata própria à prefeitura de Salvador, a deputada Alice Portugal.

O segundo passo dado sábado pelo PC do B foi a confirmação (mais uma, porém a mais solene e politicamente mais ampla), pela Conferência do partido, da candidatura de Alice Portugal à sucessão de João Henrique. Este segundo passo foi dado com uma firmeza e uma graça admiráveis. A firmeza pode ser expressa por poucas palavras do líder comunista baiano Haroldo Lima, presidente do Conselho Nacional do Petróleo: “Não é possível mais que a unidade seja só em torno deles (petistas). Por que a unidade não é feita em torno de nós (PC do B)?”. E reforçou com a revelação de que o PC do B está cansado de ser linha auxiliar, de bater palmas e pregar ou carregar faixas para candidatos de outros partidos.

Quanto à graça, ficou por conta da presença de dirigentes oposicionistas, a exemplo dos presidentes estaduais do PMDB e do DEM, Lúcio Vieira Lima e José Carlos Aleluia, dando o sinal de que a candidatura de Alice não somente é estimulada por eles como pode fazer parte de seus planos, a depender da conjuntura eleitoral. Para preocupação, não admitida, mas inevitável nas circunstâncias, do candidato petista a prefeito, deputado Nelson Pelegrino.

Talvez também por isso, o governador, no encontro estadual do PT, no Marazul Hotel, também no sábado, afirmou: “Reconheço a legitimidade de o PC do B querer crescer, mas espero que não perca a dimensão do todo”. Advertência ou desejo – melhor deixar que ele mesmo o defina. No encontro do PT estiveram, entre muitos, o governador, que discursou e elogiou José Dirceu, ex-ministro-chefe da Casa Civil de Lula e o mais importante réu no processo do Mensalão, que corre no STF. Dirceu estava presente, e talvez não por coincidência o encontro do PT e o lançamento de um livro seu no Shopping Salvador foram marcados para o mesmo sábado. Há no país uma ampla campanha petista de reabilitação de Dirceu, expurgado pelo escândalo do Mensalão.

Conteúdo Livre – Caetano Veloso

LEI SECA

Os americanos só se referem ao período em que as bebidas alcoólicas foram para a ilegalidade como “prohibition”. Aqui em Portugal, como aí no Brasil, dizemos “lei seca”, não sei se graças à criatividade dos lusófonos ou se o traduzimos de algum outro idioma falado por gente mais imaginativa. Nunca vi “dry law” em inglês. Era a proibição em si que o malfadado veto ao álcool representava. Malfadado porque logo se fez óbvio que criminalizar as bebidas alcoólicas só serviu para aumentar a excitação relativa a seu uso e para criar uma economia paralela em que gângsteres famosos pontificavam, o que serve como forte argumento contra a ilegalidade de qualquer droga. Mas hoje em dia, no Rio, como no Brasil todo, a expressão “lei seca” já só evoca a bemvinda campanha para inibir o uso de álcool por motoristas. Digo que ela é bem-vinda porque, embora não seja grande entusiasta de proibições, sempre achei que a violência que representa a presença de veículos pesados e velozes por entre os habitantes das cidades deve ser tratada como tal. É muito triste e feio e injusto que alguém morra porque um automóvel subiu na calçada. É tétrico que coisas assim se deem sem que haja uma reação firme da sociedade. A instituição da “lei seca” é uma firme reação social a algo que não nos exige nada de menos.

Estou em Lisboa e não tive tempo de verificar todos os detalhes envolvidos no caso que me aconteceu no Rio às vésperas de minha viagem. Correndo entre um show e outro, tentei buscar informação precisa na internet, pois alguns conhecidos me disseram que, se você se recusa a soprar o bafômetro (direito legítimo: o cidadão não é obrigado a produzir provas contra si), sua carteira será suspensa por uma semana e você pagará uma multa de quase mil reais. Seu carro poderá voltar para casa com você, só que dirigido por alguém que, com zero álcool no organismo, venha em seu socorro. Para quem pode pagar uma multa dessas, é pequeno incômodo. Mas e quem fez o teste e passou, limpíssimo? Bem, aí vem a questão de se o carro está com toda a papelada em dia (não simplesmente se o carro está obviamente em condições de trafegar).

O que aconteceu comigo foi que meu filho Zeca me pediu uma carona de nossa casa no Leblon até o Jardim Botânico. Apenas dobrei a esquina e entrei na Bartolomeu Mitre, meu filho me fez parar no posto de gasolina que fica ali, pois ele precisava comprar algo para levar para a namorada (não era bebida alcoólica). A barraquinha e a já familiar bola branca suspensa no ar (que a Gadú e eu brincamos que é o cenário do nosso show) estavam na esquina da Praça Antero de Quental. Acho que um dos fiscais, ao me ver parado ali por algum tempo e, com ter entrado no posto, evitar a Bartolomeu Mitre e seguir pela San Martin (sim, porque se Ipanema é da Bahia e de seus heróis da independência, o Leblon é dos países que foram nossos hermanos na Guerra do Paraguai), julgou tratar-se de um motorista alcoolizado querendo driblar a revista. Digo isso porque, mal pus o carro em movimento, ainda dentro do posto, ele veio de lá acenando para eu parar junto ao meiofio da praça. Fi-lo fagueiro, já que faz uns 25 anos que não bebo. Achei que valia o incômodo: a causa era nobre.

Mas eis que ele tomou minha carteira de habilitação e pediu os documentos do carro. Eu não tinha ideia precisa de onde estes estariam nem do que exatamente seriam. Abri o porta-luvas e achei uma bolsa marrom cheia de papéis e folhetos. Abri e, diante do incompreensível, pedi ajuda à autoridade. Ele saiu correndo para tratar de outro caso, levando minha carteira na mão e me deixando com a bolsa e o mistério. Veio um companheiro seu e me informou que o papel que eu devia estar procurando era “verdinho”, e que ele era o chefe da operação. Tomou de minha mão o papel verde e correu para o complexo tenda-bola. Demorou tanto que comecei a perguntar ao primeiro. Que olhou para a placa do meu carro e disse “5. Se não estiver agendado até final de setembro vai ser recolhido”. 5?! “Sim, placa com final 5”. Quer dizer que há risco de que prendam meu carro? “Acho melhor você ir ver lá”, apontando para a bola. Fiquei nervoso. Meu filho se manteve calmo. Fui lá tentar perguntar. Parece que, ao me ver, tiveram a ideia de me aplicar o teste do bafômetro. Mas não o fizeram de imediato. Ainda havia outros na fila. O meu deu zerozero. Me informaram que meu carro seria “recolhido ” porque “ o agendamento da vistoria para carros com placa de final 5” tinha prazo encerrado em 30 de setembro. Fiquei irado. Já me tinham dito que no Rio é assim: grande campanha para ver se há motoristas embriagados e muitos que provam que não estão sendo punidos por detalhes burocráticos que parecem cavados pelos agentes na hora. Não cri. Uma amiga me diz que mesmo que o teste prove presença de álcool no organismo, a pessoa não passa por vexames maiores do que esse.

Gritei que me parecia contraproducente para a campanha que tão grande transtorno se abatesse sobre um abstêmio. Que em Lisboa o teste é feito à janela do carro, sem que outros problemas sejam buscados. Que dizem que em São Paulo também. Mas ele me ensinou que não agendar a vistoria no prazo é uma infração e, uma vez flagrada uma infração, não se pode não punir o infrator. Perfeito. Ele só se dirigia a meu filho. Mandou eu me queixar pela imprensa. É o que estou fazendo aqui, embora não
tenha tido tempo de estudar direito o caso. Sou pela Lei Seca e contra Alexandre Felipe.

(Publicado este domingo em O Globo e A Tarde)

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Futuros Amantes

(Chico Buarque)

Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios
No ar

E quem sabe, então
O Rio será
Alguma cidade submersa
Os escafandristas virão
Explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas
Sua alma, desvãos

Sábios em vão
Tentarão decifrar
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos
Vestígios de estranha civilização

Não se afobe, não
Que nada é pra já
Amores serão sempre amáveis
Futuros amantes, quiçá
Se amarão sem saber
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você

BOM DOMINGO!!!

(Vitor Hugo Soares)

nov
06


Chico arrasa em BH
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DEU NO UAI – DIVIRTA-SE (MG)

O público mineiro teve que esperar 20 minutos a mais para ver Chico Buarque. O show que abriu a nova turnê nacional do cantor e compositor carioca na noite deste sábado, no Palácio das Artes, começou com atraso, mas a plateia nem ligou. Quando Chico surgiu no palco, a histeria foi total e todo o Palácio das Artes, de pé, o aplaudiu efusivamente. Chico agradeceu e logo começou a cantar Velho Francisco, música sua de 1987.

Quem enfrentou a fila para garantir um lugar na estreia ganhou outro presente: pela primeira vez na carreira Chico cantou ao vivo, em um show, a música Geni e o Zepelin, composta no período da ditadura. A plateia fez coro no famoso refrão. Além dela, o músico apresentou ainda outros sucessos como Anos dourados, Ana de Amsterdam, e Todo o sentimento, além de todas as faixas do novo CD, Chico, que também dá nome à turnê.

Nem as duas músicas de bis conseguiram saciar a plateia, que não queria ir embora. E mesmo ao final do show seguiam as homenagens ao músico. Um grupo de pessoas que se conheceu na fila da compra de ingressos levou cópias de letras de clássicos de Chico e continuou cantando. A plateia, acompanhou. Foi de lá, também, que presenças ilustres para o cantor conferiram a estreia, entre eles a namorada de Chico, Thais Gulin, a filha Sílvia Buarque de Holanda com o marido, o também ator Chico Dias, e a filha do casal, Irene.

nov
05
Posted on 05-11-2011
Filed Under (Artigos) by vitor on 05-11-2011


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Deu no jornal digital Brasil247

Manuela Meneses

Inspirado nas palavras ousadas de Truman Capote surgiu no cinema um dos maiores ícones de elegância e estilo da década de 60. “Bonequinha de Luxo”, o livro e o filme, nasceu em 1961 e agora, para comemorar seus 50 anos de aniversário de lançamento, a Academia de Hollywood prepara alguns produtos especiais. A editora Zahar está lançando o livro “Quinta Avenida, 5 da Manhã – Audrey Hepburn, Bonequinha de Luxo e o Surgimento da Mulher Moderna”, com tradução de José Rubens Siqueira. A obra escrita pelo jornalista Sam Wasson revela detalhes dos bastidores do longa que causou muita discórdia entre os produtores antes de tornar-se pedida obrigatória entre cinéfilos.

Se dependesse da vontade de Capote, a adaptação para o cinema de seu livro, que emprestou nome ao filme, seria protagonizado por ninguém menos que Marilyn Monroe. O escritor e jornalista preparou o romance inspirado na beleza da loira. Com a recusa de Marilyn, os produtores precisavam de uma segunda opção para o papel de Holly Golightly, a interiorana que cria uma persona inovadora para brilhar nas ruas de Manhattan. Com a escolha de Audrey Hepburn para estrelar a película, os produtores questionaram sua pequena e delicada estatura, mas bastaram óculos escuros grandes, vestidos da Givenchy, luvas negras, pérolas e piteira para transformá-la em tendência entre as mulheres modernistas. Além de curiosidades como esta do período de gravações, o livro relata como o filme transformou a moda, a liberdade feminina e a indústria cinematográfica.

A segunda fase das comemorações será celebrada por relíquias do estúdio Paramount, que lança uma caixa de DVDs com discos repletos de extras, making of, fotos, livro e uma carta assinada pelo diretor e cineasta Blake Edwards. O estúdio também prepara uma versão restaurada do filme em formato digital. A edição em HD começa a ser produzida no fim de julho em Beverly Hills.

Bonequinha de Luxo conta a história de uma bela jovem independente e festeira que circulava como acompanhante entre os mais poderosos da alta sociedade nova-iorquina. No filme, a ‘bonequinha de luxo’ ganha atenção de homens influentes sem envolver-se emocionalmente, até encontrar um escritor quebrado, por quem acaba se apaixonando. O filme foi premiado em 1962 com o Oscar nas categorias de melhor trilha sonora – comédia/drama e melhor canção original.


Milton Santos: um pensador da Bahia e do país
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Deu na revista SO

Manuca Ferreira

Responda rapidamente: quem é o maior pensador baiano atualmente? Não, não vale Robyssão, que prometeu um livro inspirado em George Orwell. Tampouco a pequena grande liderança política Pepy Safado. Passamos por um vazio de pensamento que compromete seriamente o futuro do estado. A Bahia, que já produziu figuras do quilate de Ruy Barbosa, Rômulo Almeida, Anísio Teixeira, Milton Santos, hoje sofre uma aridez tamanha nos meios políticos.

Os citados já morreram, mas mesmo grandes figuras políticas de outras gerações (que pensam o estado), ainda vivos, passam por um processo de serem deixados de lado como é o caso do ex-governador Waldir Pires. Qual é a Bahia que queremos?

Não se trata de quem está no poder. As alternativas políticas ao atual governador do estado, nem de longe, podem ser enaltecidas como capazes de fazer algo melhor do que está posto, afinal de contas têm também a sua parcela de responsabilidade. Se fossem tão bons quanto dizem ser, não teríamos lugares do estado vivendo em condições análogas à Europa medieval.

“E uma terceira via?”, podem questionar alguns. A nossa atual terceira via se assemelha tanto com a segunda no modo de pensar e agir, que não é à toa estarem de namoro público para se tornarem uma só. Aliás, qual é o projeto de quem quer a cadeira do Palácio de Ondina? “Ah, ainda não temos projeto”, argumentam. Se não têm projeto, a disputa é pelo poder puro e simples?

Os discursos são pequenos: “Ah, Pernambuco está passando a Bahia. Ah, isso. Ah, aquilo”. Que bom que Pernambuco e o resto do nordeste estão se desenvolvendo. A Bahia, idem. Em questões econômicas, estamos excelentes. O que preocupa é a falta de perspectiva intelectual. Alguém que queira moralizar os nossos costumes políticos, por exemplo, avançando em pensamento republicano, que não esteja a fim de lotear o Estado com indicações políticas.

Não sou ingênuo e concordo que quem ganha tem que governar junto, dando espaço aos aliados, mas como diz um professor meu: o que explica a necessidade do presidente do Fundo de Amparo à Pesquisa ser um indicado político, sem as devidas condições acadêmicas para o cargo? Há que se ter limite.

É preciso alguém que se preocupe de fato com a nossa memória cultural. Salvador está largada às traças e ao mercado imobiliário. Só não vê quem não quer. A culpa é do governador ou é da prefeitura? De ambos? Talvez. Mas, sem dúvida, ainda mais do gestor municipal que tem que pensar isto aqui de forma grandiosa. É inadmissível com o tamanho que tem, Salvador não possuir uma secretaria ou um gestor cultural que assuma a manutenção do Patrimônio Histórico da Humanidade.

Salvador tem que ser capaz de manter o Pelourinho em funcionamento. Tem que ser capaz de reformar o entorno da Igreja da Conceição da Praia, melhorar o Subúrbio Ferroviário e entregar à população uma orla decente. Não se justifica mais de dois anos de embargo judicial em relação às novas barracas de praia e não se ouve uma palavra sequer das autoridades municipais. Aliás, que autoridades?

A capital baiana é a terceira maior cidade do País. Precisa de transporte público de qualidade. Sem essa de que o ônibus é a grande opção que nós temos. Que piada! Salvador precisa de metrô, de ônibus, de bonde, de VLT, de trem, BRT, tudo integrado e funcionando o maior tempo possível. A título de registro, o metrô de São Paulo funciona das 4h40 a 1h em alguns dias da semana.

E não para ficar apenas na seara dos governos, precisamos de empresários que queiram o desenvolvimento intelectual disso aqui. Um mercado jornalístico mais ousado e menos amigo do governo e das oposições, que não se contente com jogos políticos e/ou econômicos. Por enquanto, meus amigos, o que vejo é que a Bahia parou de pensar.

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