nov
12
Posted on 12-11-2011
Filed Under (Artigos) by vitor on 12-11-2011


Son Salvador, hoje no Estado de Minas (MG)

nov
11


==========================================================

CRÔNICA

A primavera dos dragões da USP

Janio Ferreira Soares

Apesar de não gostar muito do estilo literário de Nelson Motta, corri para comprar seu último livro, A Primavera do Dragão – A Juventude de Glauber Rocha -, na esperança de que as deliciosas histórias do biografado amenizassem a minha cisma com a escrita do autor.
Capa de primeira, letras graúdas, cadeira de balanço ajustada no ponto exato da sombra de uma mangueira para não dar chance ao Sol do São Francisco, lá vou eu rumo a Vitória da Conquista e adjacências na ilustre carona de uma turma da pesada.
Pouco depois da metade do livro recebo a visita do amigo Mestre – leitor voraz também conhecido como Tarzan por conta de sua intimidade com as coisas da natureza (a propósito, o seu diálogo com um pica-pau através de batidas percussivas num tronco de uma velha quixabeira já virou um clássico nas rodas de viola) -, que assunta: “e aí, bom? Posso levar?”. Confesso que me deu vontade de emprestá-lo, mas desisti e fui até o final, até para não parecer implicância com o escritor que nunca envelhece. Mas não teve jeito.
Sabe aquela sensação de quando você espera algo arrebatador e recebe na caixa da vitrola um lance tipo Araçá Azul? Pois foi mais ou menos isso que aconteceu, porém fiquei na minha, esperando outras opiniões.
Primeiro liga o Mestre, revoltado: “quer dizer que nem o dragão nem os dragãozinhos queimavam uma coisinha pra animar o ambiente, é? Me engana!”. Mas só depois que eu li no Terra Magazine os depoimentos de João Carlos Teixeira Gomes (Joca), Antonio Guerra Lima (Guerrinha) e Fernando da Rocha Peres (o bananeira fake), danados da vida com as inverdades do livro, foi que eu vi que não estava sozinho no quesito pôxa-mas-que-desperdício-de-histórias-bacanas.
Falando em dragão, pensei que não existiam mais bichos-grilos, mas alguns sobrevivem na USP e agora lutam por baseados livres nas dependências do campus. Beleza. Como sugestão, eles deviam reivindicar uma extensão da USP na região de Cabrobó (PE), com uma fábrica de mariola e uma padaria por perto – e com uma polícia importada da Jamaica fazendo a ronda. O Mestre seria jubilado.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura e Turismo de Paulo Afonso, no lado baiano do Rio São Francisco


Rosane Santana em Harvard
============================================================

ARTIGO DA SEMANA

O país do futuro que nunca chega

Rosane Santana

O Ministério da Educação acaba de divulgar o Censo da Educação Superior referente ao ano de 2010. Com o resultado, a surpreendente revelação de que quase a metade das vagas de ingresso para novos alunos oferecidas pelas universidades não foi preenchida, segundo a Folha de São Paulo. Explicações do secretário de Ensino Superior do MEC, Luiz Cláudio Costa, transmitidas àquele jornal, dão conta de que o fenômeno é positivo: “ é bom que o Brasil tenha um grande número de vagas porque ele está preparado para a expansão”.

Na outra ponta, a Associação Brasileira de Mantenedoras do Ensino Superior (Abmes), representante do setor privado, diz que a grande quantidade de vagas sobrando é que “parte das instituições solicita ao MEC autorização para um número maior de vagas do que pretende de fato preencher” e que isso “ocorre especialmente no caso das faculdades que não têm autonomia para abrir novas vagas e inflam esse número para não ter que solicitar outra autorização ao ministério caso queiram ampliar a oferta”.

Embora não seja especialista em educação, permitam-me o exercício do senso crítico, ante a realidade que tenho presenciado em sala de aula, como professora universitária e ex-professora do ensino médio no extremo sul da Bahia.Num país onde, historicamente, o diploma de ensino superior sempre foi uma forma de ascensão social, as declarações postas acima ajudam a entender o fenômeno, mas não o explicam. Está em marcha, neste país, podem registrar, um desastre sem precedentes na área da educação pública que comprometerá o desenvolvimento econômico, fruto do descaso de governos, nos últimos 40 anos, exatamente a partir do Golpe de 1964, que nos conduzirá a mais desigualdade social e mais pobreza na era da revolução tecnológica e da informação, quando um novo humanismo se vislumbra.

E por quê? O governo que aí está, de forma errada e atendendo a não sei quais interesses, investiu grande quantidade de recursos no ensino superior, para forjar supostos índices de desenvolvimento junto aos organismos internacionais, enquanto o ensino básico continua à deriva. Se duvidar, o Brasil tem hoje mais universitários do que os Estados Unidos teve, em qualquer época de sua história. No entanto, os EUA são campeões em patentes e prêmios Nobel, possuem as melhores universidades do mundo, continuam liderando culturalmente o mundo, apesar da crise, e o Brasil, ah, o Brasil tem um promissor mercado, dimensão continental, recursos naturais, como o petróleo e, como dantes, permanece grande exportador de matérias-prima.

O mais é exaltação do ufanismo, propaganda a serviço do governo e do não sei mais o quê, aceita internamente pelos cerca de 120 milhões que sobrevivem direta ou indiretamente dos governos federal, estaduais e municipais e dos 12 milhões beneficiados pelo bolsa família. Externamente, por aqueles que encontram grandes facilidades para lucros, num mercado de 203 milhões de pessoas, onde os juros são os maiores do planeta. E toma-lhe propaganda e aparelhamento do Estado, afinal, somos 53 milhões de eleitores analfabetos ou alfabetizados funcionais.

Se as universidades não estão recebendo a demanda de alunos que esperavam é porque o número de alunos que abandonam o ensino no primeiro grau é altíssimo, com toda a carga semântica que o superlativo absoluto sintético requer. E porque o ensino de primeiro grau está muito aquém da capacidade de estimular no aluno o interesse pelo estudo, pela ciência, num país onde os adolescentes do sexo masculino sonham em ser jogadores de futebol e do sexo feminino dançarinas de pagode.

Nas escolas falta tudo. Em primeiro lugar, pagamento em dia de professores. Na Bahia, por exemplo, 60% dos servidores da educação, incluindo professores, são prestadores de serviços que atualmente recebem um salário mínimo, com uma atraso de seis a oito meses, situação questionada pelo Ministério Público. O espaço físico da maioria das escolas públicas está depredado ou, na melhor das hipóteses, totalmente descuidado, para fazer uso de um eufemismo, o que se tornou a regra na imprensa brasileira onde governantes e marqueteiros ditam as pautas e corrupção, que é roubo, virou sinônimo de malfeito, como bem realçou meu amigo e grande jornalista Chico Bruno.

Com eficiência e agilidade, chegam os computadores e os livros didáticos, para alunos analfabetos, já que as escolas são um filão precioso de vendedores de toda espécie e assim se move o capitalismo selvagem no terceiro mundo, que os atuais governistas dizem combater, mas permitem, não sei por que diabos, que banqueiros e empreiteiras façam a festa.

E, na propaganda, o Brasil continua o país do futuro que nunca chega.

Rosane Santana, jornalista, mestre em Historia pela Universidade Federal da Bahia, atualmente dedica-se ao ensino universitário no extremo sul da Bahia e colabora com o Bahia em Pauta.


==================================================
OPINIÃO POLÍTICA

De urubus e colibris

Ivan de Carvalho

Em algum dia desta semana fiz referência, neste espaço, ao personagem Urubulino, de Chico Anísio, aquele que perguntava como estava uma pessoa e, com indução tendenciosa a respostas supostamente preocupantes sobre a saúde da vítima, dava o diagnóstico aterrorizante: “Brocotó”.
O relacionamento entre a presidente Dilma Rousseff e seu ministério faz lembrar Urubulino, pois está como o céu de Salvador nesses dias de chuva – mais pra urubu do que pra colibri.
O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, presidente nacional licenciado do PDT, atrapalhado com denúncias de corrupção em sua pasta, declara que só sai do cargo “abatido à bala” e avisa que tem de ser “bala forte, porque sou pesadão”. Esquece que o pesado cai mais depressa que o leve (assim o determina a Lei da Gravidade) e que as palavras podem ter força maior que a de balas, principalmente contra quem as diz, se são mal usadas ou simplesmente bobagens.
Aí a presidente da República chama a chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, e manda-a enquadrar o trabalhoso ministro. Gleisi cumpre a missão com uma maestria nunca antes vista neste governo. A tal ponto que Lupi abandona as idéias de batalha e as teorias balísticas.
Rapidamente, o ministro Lupi descarta o seu lado urubulino e assume seu lado colibri. Faz uma declaração pública de amor à presidente. Contou que foi pedir desculpas à presidente e completou: “Presidente Dilma, desculpe se fui agressivo, não foi minha intenção: eu te amo”.
Parece que a presidente não se comoveu com a declaração de amor e até deixou claro que não está disponível para cantadas de seu auxiliar pesadão. Quem gosta de peso é guindaste. Questionada pelos jornalistas, disparou: “Vocês acreditam mesmo que eu vou responder nessa altura do campeonato? Me desculpa”. O “me desculpa”, por não responder, foi para o jornalista, não para o ministro.
O jornalista certamente a desculpou, afinal ninguém deve ser obrigado a responder a todas as perguntas que lhe façam, mas estas duas respostas a presidente ficou devendo à nação. Primeira: que campeonato? Segunda: afinal, a questão é de interesse público, o ministro fizera o que pareceu um desafio, depois pediu desculpas e fez uma declaração de amor e o país lamenta não ter obtido a réplica formal da presidente nessa novela de Tapas e Beijos – estes últimos, pelo visto, unilaterais.
Mas a unilateralidade foi exatamente o que não prevaleceu na festa do 53º aniversário do governador do Distrito Federal, o petista Agnelo Queiroz. Na comemoração, na Churrascaria Pampas, compareceu para um amoroso e correspondido abraço o líder petista José Dirceu, que já está plenamente reabilitado após o temporário expurgo provocado pelo escândalo do Mensalão.
O governador Agnelo Queiroz, embora esteja enroladíssimo com denúncias que o atingem diretamente, depois do abraço consagrador de Dirceu na quarta-feira, teve ontem mais um dia feliz. A Câmara Legislativa do Distrito Federal, por decisão de seu presidente, arquivou os cinco pedidos de impeachment que haviam sido protocolados na véspera. Um pelo PSDB do DF, outro pelo DEM do DF, ambos sob alegação de que só pessoas físicas podiam pedir o impeachment. O presidente do PSDB do DF, que fez seu próprio pedido como pessoa física, teve-o arquivado por não haver juntado cópia do título de eleitor, como manda a lei. O presidente do DEM juntou cópia do seu título de eleitor, mas seu pedido de impeachment feito como pessoa física foi arquivado sob a alegação de que não apresentava “fatos novos” e porque a investigação deveria ser feita em “outras instâncias, como na Justiça, como está acontecendo”, o que é muito cínico e não tem fundamento. Um advogado que também entrou com pedido de impeachment não teve melhor sorte.

nov
10

SAMBA DA BENÇÃO – SARAVÁ!!!

============================================================== Semaninha braba

Cida Torneros

Pois é. O Sol da sexta invadiu o Rio nesta manhã de primavera, pegaram o “Nem”, tentando escapar da Rocinha. Segue o julgamento dos que assassinaram a Juíza. O ministro do Trabalho tá dando trabalho ao Governo, com seu jeito de cowboy mexicano, e, caramba, hoje, finalmente, irei ver o show do neto do Silvio Santos, que encarna o Tim Maia, todos que viram me disseram que é impressionante o talento do rapaz e a presença do Síndico, saudoso intérprete, cuja história é contada no espetáculo. Ontem à noite, ouvi minha vizinhança gritando Vascoooooooooo, deduzi que o time venceu… E a madrugada insone me fez assistir o Observatório da Imprensa… o assunto era essa coisa “barra pesada” de limite para o trabalho da imprensa na linha de fogo, da guerra urbana. Há muito a discutir e conquistar em termos de segurança para os profissionais e para a população em geral. Há um ciclo viciado, digamos, se há demanda e consumo, há tráfico e vice-versa. Gostei porque os convidados, entre os quais o jornalista Aziz Filho, ex presidente do Sindicato dos Jornalistas do Rio e atual diretor da TV Brasil, um dos lugares onde o cinegrafista assassinado também trabalhava, além da rede Bandeirantes, apontaram a necessidade de tornar constante a discussão, como um fórum permanente mesmo. É preciso acordar para a competição desalmada do tal “furo” ou o sonho da “exclusiva” que é um “dream” para garantir audiência, ou seja, “grana” para os donos da “mídia livre”. Será?

E o ministro, dizem as notícias matinais, se acalmou, mudou o tom desafiador ao Planalto, e se sair, será com bala de borracha, certamente. O nosso “coleguinha” Gelson, além de deixar saudades, marcou a história do jornalismo carioca, no que tange a essa exposição diária, maciça, quase inconsequente, dos profissionais, no campo de batalha, arena de guerra, usando mal e porcamente uns coletes à prova de spray, sem capacetes, sentindo-se pseudo-heróis, enquanto os policiais avançam, com presença teatral, nos becos infestados de desigualdade, medo, submissão, chefes de quadrilha, soldados do tráfico, população calada, autoridades muitas vezes coniventes, e noutras bem intencionadas, mas, ao fim e ao cabo, uma Babel transmitida ao vivo e a cores, num compasso aflito e auto-destrutivo.

Eta semaninha, vejamos o que o feriadão nos reserva, em termos de noticiário, que vou acompanhar durante passeio a Minas Gerais, passando pela terra de Tiradentes, onde tentarei me imbuir de maior espírito nacionalista, por conta do sangue derramado pelos heróis da Inconfidência Mineira. O mesmo sangue do herói cinegrafista, dos heróis policiais, da heroína Juíza abatida com 21 tiros, o mesmo sangue que o ministro do Trabalho sinalizou que não iria jorrar à custa de denuncismo articulado, politiqueiro ou fofoqueiro, mesmo que haja vídeos como no caso do Agnelo, aquele que foi da Anvisa, dos Esportes e agora dirige o Distrito Federal.

Um espaço de horror, de decepção, a Saúde questionada, a presidenta falou em rede nacional, aceitou o desafio, vamos ver no que vai dar, pois é doido o tal do SUS, enquanto gestão amontoada, linha de pipa enrolada, difícil de segurar no céu dos inocentes, dos dependentes das emergências públicas, um número avassalador, que precisa atenção, respeito, cuidado, etc. etc.

Mas a semana passou do meio, em quinta categoria, deve estar algum concorrente a um cargo de confiança nas esferas, e o jeitinho brasileiro, quer seja municipal, estadual ou federal, certamente, se encarregará de diluir escândalos, espairecer dores, arregimentar “jogos amistosos”, ensolarar praias e praças, empurrar senões, razões, questões, e até, sepultar os heróis de uma sociedade que fabrica Tropa de Elite, em filme, em regimento, em crescente aumento. Vide o caso da USP, como a nossa juventude ficou assim , de repente, sem voz, ou com voz sumida, defendendo droga, depredando, alvo de massacre como se fosse bandida, quando, de fato, é tão vítima de um modelo que “vende” alienação em lugar de conscientização, o que é uma lástima.

Pra fechar a quinta, tem a passeata dos Royalts, em defesa do dinheiro do Rio de Janeiro, metrô de graça, funcionalismo dispensado, pra engrossar o movimento, afinal, salve-se quem puder, salve-se o Rio de Janeiro, que continua lindo, a despeito dos dramas e das tramas novelescas, quixotescas, dantescas, nababescas, e amorais.
===============================================================

Stanislau:está faltando ele
===========================================================
Bem pra salvar o Rio mesmo, só rimando e relendo Vinícius de Morais, o branco mais preto do Brasil, o carioquinha poeta, Saravah! ou “A demain”, no estilo Ibrahim Sued…este era uma figuraça. E tem um que é unanimidade da carioquice explícita, o nosso Sergio Porto, saudoso, atualíssimo, vejamos:

No FEBEAPÁ, festival de besteiras que assola o país, ele enumerou algumas:
“O mal do Brasil é ter sido descoberto por estrangeiros” (Deputado Índio do Brasil, Assembléia do Rio).

O cidadão Aírton Gomes de Araújo, natural de Brejo Santo, no Ceará, era preso pelo 23.º Batalhão de Caçadores, acusado de ter ofendido “um símbolo nacional”, só porque disse que o pescoço do Marechal Castelo Branco parecia pescoço de tartaruga e logo depois desagravava o dito símbolo, quando declarava que não era o pescoço de S. Exa. que parecia com o da tartaruga: o da tartaruga é que parecia com o de S. Exa.

Cerca de 51 bandeiras dos países que mantêm relação com o Brasil foram colocadas no Aeroporto de Congonhas. O Secretário de Turismo de São Paulo — Deputado Orlando Zancaner — quando inaugurou a ala das bandeiras, disse que “era para incrementar o turismo externo”.

Quando a Censura Federal proibiu em Brasília a encenação da peça Um Bonde Chamado Desejo, a atriz Maria Fernanda foi procurar o Deputado Ernani Sátiro para que o mesmo agisse em defesa da classe teatral. Lá pelas tantas, a atriz deu um grito de “viva a Democracia”. O senhor Ernani Sátiro na mesma hora retrucou: “Insulto eu não tolero”.

O Diário Oficial publica “Disposições de Seguros Privados” e mete lá: “O Superintendente de Seguros Privados, no uso de suas atribuições, resolve (…), “Cláusula 2 — Outros riscos cobertos — O suicídio e tentativa de suicídio — voluntário ou involuntário”.

Em Niterói o professor Carlos Roberto Borba iniciou ação de desquite contra a professora Eneida Borba, alegando que sua esposa não lhe dá a menor atenção e recebe mal seus carinhos quando é hora de programas de Roberto Carlos na televisão. A professora vai aprender que mais vale um Carlos Roberto ao vivo que um Roberto Carlos no vídeo.

Colhemos num coleguinha do Jornal do Brasil:
“O General José Horácio da Cunha Garcia fez uma firme apologia da Revolução e manifestou-se contrariamente às teses de pacificação, bem como condenou o abrandamento da ação revolucionária. O conferencista foi aplaudido de pé”. O distraído Rosamundo leu e, na sua proverbial vaguidão, comentou: “Não seria mais distinto se aplaudissem com as mãos?”.

Tá faltando o Stanislaw Ponte Preta pra me ajudar a descrever esta semana, que se estica por mais uns dois ou três dias, haja Axé!!!

Cida Torneros , jornalista e escritora, mora no Rio de Janeiro, onde edita o Blog da Mulher Necessária

nov
10
Posted on 10-11-2011
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 10-11-2011


========================================
OPINIÃO POLÍTICA
O estranho caso Lupi

Ivan de Carvalho

Não me parece, mas não dou garantias do contrário, que o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, presidente nacional licenciado do PDT, esteja sugerindo a adoção e aplicação da pena de morte para por fuzilamento, o “paredon” cubano, nem tampouco pela bala solitária na nuca, à mais econômica moda chinesa. Aliás, a custo zero, pois a família do executado é obrigada a pagar ao governo o valor da bala, que é neutra.
Também não me parece, mas não dou garantias em contrário, que ele esteja propondo mudança radical no método de exoneração dos ministros de estado, com a substituição da caneta pelo trabuco e da assinatura presidencial por uma bala. Sabe toda a nação que a presidente da República já foi guerrilheira, envolvida na luta armada contra o regime militar iniciado em 1964, foi presa e torturada, mas não participou de ações armadas, pois atuava na área de planejamento e organização.
Mas então qual a razão dessa linguagem de cowboy que ele usou na terça-feira, assegurando que a presidente Dilma Rousseff não deverá demiti-lo porque o conhece há trinta anos? Não foi exatamente isso que deixou perplexo do núcleo do governo, mas os acréscimos, pois Lupi julgou-se no dever de acrescentar que não deverá deixar o cargo nem mesmo na reforma ministerial a ser feita no primeiro trimestre do ano que vem e acrescentou: “Para me tirar só abatido à bala – e precisa ser bala forte, porque eu sou pesadão”.
Por força da Lei da Gravidade, quanto mais pesado o corpo, maior a velocidade da queda (a matéria atrai a matéria na razão direta da massa e na razão inversa do quadrado da distância) e mais estrondoso o tombo, a não ser quando este se dá em algum lamaçal, por exemplo, que com sua capacidade de absorção atenua o ruído.
Bem, por enquanto o ministro do Trabalho e Emprego, que tem, de fato, não a unanimidade nem o consenso, mas o controle do PDT, equilibra-se numa observação do procurador geral da República, Roberto Gurgel, de que não há consistência suficiente nas denúncias feitas contra ele que justifiquem alguma iniciativa do Ministério Público Federal. Alguns integrantes do PDT haviam pedido que a Procuradoria Geral da República e a Polícia Federal investiguem denúncias de corrupção, em convênios celebrados com ONGs, no ministério de Lupi. Ontem, o Movimento de Resistência Leonel Brizola entrou com um pedido de investigação na Procuradoria Geral da República e na Controladoria Geral da União.
A reação do ministro Lupi a essas estocadas políticas e à hipótese de sua exoneração causou tensão no núcleo do governo, pois foi ostensivamente provocativa. Praticamente ele determinou, em público, o que a presidente Dilma Rousseff vai fazer ou não vai fazer e, dizendo que para tirá-lo do cargo, só à bala, faz a não muito sutil sugestão de que sua saída significaria um tiroteio.
Aliás, isso ficou extremamente claro na terça-feira, véspera da votação, na Câmara dos Deputados, da Desvinculação de Receitas da União (DRU), cuja aprovação o governo considerava essencial. A margem de vantagem governista para essa proposta, pelas contas oficiais, era bem modesta. O PDT tem 26 deputados federais. Se o partido fechasse questão contra a DRU, as contas do governo não lhe dariam a menor segurança de aprovar a proposta. A maioria da bancada do PDT ficou com Lupi e, na reunião de terça-feira, decidiu que se Lupi sair do ministério, o PDT sai da base de apoio do governo no Congresso.
Xeque-mate. Lupi continua ministro. Mas não significa que não haja outra partida de xadrez, com resultado diferente. Talvez nessa perspectiva, o blog da presidente Dilma já fez o primeiro movimento: incluiu as declarações balísticas do ministro Lupi. Não seria feito sem ela saber previamente. A presidente passou recibo.

nov
09


Mãe Stela
===================================
CRÔNICA/ SABEDORIA

Olhos magros: uma nova tendência

Maria Stella de Azevedo Santos

A minha função espiritual faz de mim uma intermediária entre o humano e o sagrado e para exercê-la da melhor maneira possível tenho como instrumento o Jogo de Búzios. Pessoas de diferentes idades, raças e até mesmo credos, buscam a ajuda desse oráculo. Surpreende-me o fato de que uma grande parte dos que me procuram sente-se vítimas de inveja.
Engraçado é que nunca, nem um só dia sequer, alguém chegou pedindo-me ajuda para se libertar da inveja que sentia dos outros. Será que só existem invejados? Onde estarão os invejosos? E o pior é quando consulto o oráculo e ele me diz que os problemas apresentados não são decorrentes de inveja, a pessoa fica enfurecida.
Percebo logo que existe ali uma profunda insegurança, que gera uma necessidade de autovalorização. Se isso ocorresse apenas algumas vezes, menos mal, o problema é que esse comportamento é uma constante. Isso me leva a pensar que cada pessoa precisa olhar dentro de si, tentar perceber em que grau a inveja existe dentro dela, para assim buscar controlar e emanar este sentimento, de modo que ela não venha a atuar de maneira prejudicial ao outro, mas principalmente a si, pois qualquer energia que emitimos, reflete primeiro em nós mesmos.
Uma fábula sobre a inveja serve para nossa reflexão: Uma cobra deu para perseguir um vagalume, cuja única atividade era brilhar. Muito trabalho deu o animalzinho brilhante à insistente cobra, que não desistia de seu intento. Já exausto de tanto fugir e sem possuir mais forças o vagalume parou e disse à cobra: – Posso fazer três perguntas? Relutante a cobra respondeu: – Não costumo conversar com quem vou destruir, mas vou abrir um precedente. O vagalume então perguntou: -Pertenço à sua cadeia alimentar?- Não, respondeu a cobra. – Fiz algum mal a você-?- Não, continuou respondendo a cobra.- Então por que me persegue?- perplexo, perguntou o brilhante inseto. A cobra respondeu: – Porque não suporto ver você brilhar, seu brilho me incomoda.
Ingênuas as pessoas que pensam que o brilho do outro tem o poder de ofuscar o seu. Cada um possui seu brilho próprio, que deve estar de acordo com sua função. Existem até pessoas cujas funções requerem simplicidade, onde o brilho natural só é percebido através do reflexo do olhar do outro.
Lembro-me de uma garotinha de apenas 10 anos de idade que a mãe me procurou para ajudá-la, pois ela ficava furiosa quando não tirava nota dez na escola. Comportamento que fazia com que seus coleguinhas se afastassem dela. Algumas tardes eu passei conversando com a garota. Um dia ela chegou me dizendo que não aparesentava mais o referido problema, que até tirou nota dois e não se incomodou.
Fiquei muito feliz, cheguei mesmo a ficar vaidosa, pois acreditei que aquela nova atitude era resultado de nossas conversas. Foi quando ela me disse:- Sabe por que não me incomodei de tirar nota dois, Mãe Stella? Ansiosa, perguntei:- Por que? Ao que ela me respondeu: – Porque o resto da turma tirou nota um. Rimos juntas da minha pretensa sabedoria de conselheira e do natural instinto de vaidade que ela possuía e que muito trabalho teria para domá-lo. O desejo que a garota possuía de brilhar mais do que os outros, com certeza atrairia para ela muitos problemas. Afinal, ela não queria ser sábia, ela queria ser vista.
O caso contado anteriormente fez lembrar-me de outro que eu presenciei, onde uma senhora repleta de ouro insistia em me dizer que as pessoas estavam olhando para ela com inveja. Cansada daquele queixume, disse-lhe que quem não quer ser visto, não se mostra.
A inveja é popularmente conhecida com olho gordo. Se não queremos ser atingidos pelo olho gordo do outro, devemos cuidar para que que nossos olhos emagreçam, não deixando que eles cresçam com o desejo de possuir o alheio. Já que fazemos dieta para nossos corpos serem saudáveis, devemos também fazer dieta para nossos olhos, pois eles refletem a beleza da alma. A tendência agora é, portanto, olhos magrinhos, mas não anoréxicos, pois alguns desejos eles precisam ter, de preferência desejos saudáveis.

Maria Stella de Azevedo Santos é Iyalorixá do Ilê Axé Opô Afonjá. Texto publicado originalmente na edição impressa do jornal A Tarde, esta quarta-feira(9)(

nov
09


Salvador em dia de chuva: Img.Facebook
=================================
OPINIÃO POLÍTICA

Imobilidade e insegurança

Ivan de Carvalho

Bem, o tema a ser abordado aqui hoje havia sido escolhido desde a noite de segunda-feira, quando escrevia sobre o problema do ministro do Trabalho e Emprego e presidente licenciado do PDT, Carlos Lupi, ou, melhor dizendo, sobre o problema da nação com ele, a partir da chuva de denúncias que caiu sobre o seu ministério.
A idéia era a de protestar, hoje, contra atitude do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, do PT. Ora, nós já tínhamos uma excelente lista de ministros exonerados sob acusações de corrupção, ou “malfeitos”, na novilíngua oficial. Já eram cinco – Antonio Palocci, petista da Casa Civil, Alfredo Nascimento, republicano dos Transportes, Wagner Rossi e Pedro Novais, peemedebista da Agricultura e do Turismo, Orlando Silva, comunista do Esporte.
Erenice Guerra, que fora por motivos assemelhados demitida da Casa Civil, não conta, por haver isto acontecido ainda no governo Lula, refratário a demitir ministros que praticassem “malfeitos”, salvo em casos extremos, a exemplos de Mensalão e campanha para eleição presidencial. Então Erenice não conta, como não conta Nelson Jobim, demitido da Defesa, este porque as razões da saída foram outras que nada tinham a ver com os tais “malfeitos”.

Ora, havendo já cinco na lista, claro que se esperava que o número fosse arredondado para meia dúzia, ao que se esperava chegar com Carlos Lupi, do Trabalho e Emprego. Mas então vem um intrometido, o governador Agnelo Queiroz, fazendo todo o possível para se inserir nessa brilhante lista negra. Acho um absurdo, uma insolência – ele devia aguardar a vez dele. Ordem é fundamental. Está até na bandeira.
Mas deixa prá lá, que outro tema se impõe. A chuva que desabou sobre Salvador, mais forte que a chuva de denúncias sobre o Ministério do Trabalho e Emprego, os outros que o precederam no mesmo infortúnio e sobre o governador do Distrito Federal.
Aqui, a chuva estava prevista pela meteorologia e não se fez de rogada. O resultado foi, durante toda a manhã, das 7 às 11 horas – talvez 12 horas em algumas partes da cidade – uma aliança espantosa entre a imobilidade urbana e a insegurança pública.
É verdade que, com o prefeito João Henrique em Brasília, o secretário Gordilho pediu que as pessoas ficassem em casa, saindo apenas em caso de extrema necessidade. Mas, infelizmente, naquele momento elas já estavam nas ruas e avenidas, não sendo possível evaporar. Quanto aos ladrões, eles foram às ruas atendendo exatamente à extrema necessidade deles, que é, naturalmente, roubar. E o fizeram com competência, praticando arrastões nos engarrafamentos, em vários pontos da cidade. Quanto à polícia, parece haver atendido escrupulosamente, com admirável espírito cooperativo (nada a ver com espírito corporativo), ao apelo do secretário Gordilho. Quanto às sinaleiras – semáforos para os íntimos delas –, certamente notando a imobilidade geral, apagaram-se. De que adiantaria ficar sinalizando, se ninguém podia obedecer? Seria desmoralizante.
A meteorologia prevê para hoje e amanhã mais chuvas do que ontem. Discute-se na prefeitura suspender o funcionamento das escolas municipais, pelo menos, mas não está afastada uma medida mais ampla. Decretar feriado em Salvador, invocando situação de emergência, não é uma coisa provável. Talvez por medo – se vier um vento forte e malcriado, levar as nuvens embora, impedir a chuva, com que cara iria ficar (para não falar do serviço de meteorologia) quem assina o documento decretando feriado?
Se publicado um decreto de feriado na capital, quem o assinou ficaria dividido entre a torcida para a chuva não vir arrasar a cidade e a torcida para que ela não falhe, desmoralizando seu decreto.

Sinuca de bico.


==================================================
Tres mortos , muitos desastres e arrastões em um dia de chuvas na cidade de todos os santos. Hé previsões de mais chuvas fortes para as proximas horas em Salvador, também conhecida como a cidade da Bahia. Senhor do Bonfim e todos os orixás protejam sua cidade e sua gente que velam, enquanto seus governantes dormem.

BOA NOITE!!!

(VHS)


======================================================
Caos total na cidade da Bahia com menos de oito horas de chuvas. O Subaé também invade Santo Amaro da Purificação e a gente da terra de Dona Canô, Caetano e Bethânia pede socorro.

No extremo sul do estado, lá para as bandas da histórica Caravelas e redondezas, a jornalista Rosane Santana, amiga e colaboradora fiel do BP avisa por telefone que ninguém consegue sair de casa há dias.

Mas pedir socorro a quem, se governantes e políticos (de todos os partidos) só pensam nas eleições do ano que vem.

Oh Senhora do Perpétuo, socorrei!!!

E enquanto o socorro não chega, a bossa e a beleza da voz e interpretação da baiana Rosa Passos para aliviar um pouco os sofrimentos e a indignação.

(Vitor Hugo Soares)

Pages: 1 2 ... 1855 1856 1857 1858 1859 ... 2105 2106

  • Arquivos

  • Abril 2019
    S T Q Q S S D
    « mar    
    1234567
    891011121314
    15161718192021
    22232425262728
    2930