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02

joca
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João Carlos Teixeira Gomes, jornalista e escritor, filho do primeiro goleiro do Bahia, solta chispas e verbos contra os cartolas do clube baiano, numa entrevista carregada de atávica paixão tricolor, publicada pela revista digital, Terra Magazine, com assinatura do repórter baiano Claudio Leal (rubronegro dos bons). O tricolor de aço está ameaçado de voltar à Série C e vive colapso administrativo. Isso, para Joca, é um fenômeno social que requer reação cívica dos baianos como no 2 de Julho. Bahia em Pauta reproduz a entrevista, na íntegra, para seus leitores. Confira. (VHS)

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Claudio Leal
De Salvador (BA)

Alcançava todas as bolas. No jargão futebolístico dos anos 30, o primeiro goleiro do Esporte Clube Bahia, Teixeira Gomes, era “uma antena”. Pegava tudo. Naquela tarde do Campo da Graça, mítico e extinto gramado de Salvador, a antena tricolor contrariou o epíteto e sofreu um frango. Ora vá, torcida. O corpulento goleiro passou a reagir às vaias com bananas e ofensas. No campo em que, anos mais tarde, o cronista Antonio Maria irradiaria outras pelotas, ele seria capaz de irromper uma batalha para honrar sua fama de arqueiro. Revoltados, os torcedores avançaram contra Teixeira Gomes e suas bananas.

Hora do folhetim: à beira do gramado, num carro, o dono do cinema Jandaia, João Oliveira, acompanhava o jogo com suas filhas, como num corso carnavalesco. Em solidariedade, ofereceu abrigo ao fugitivo no automóvel, ao lado de suas pequenas. Desse frango nasceria um casamento: entre respirações sobressaltadas, Teixeira Gomes se enamorou por Célia, uma das filhas de Oliveira.

O escritor e jornalista João Carlos Teixeira Gomes nasceu dessa fuga e desse encontro improvisado. Nascido em 1936, filho de um dos primeiros ídolos do Bahia, Joca, como é conhecido desde os tempos da Geração Mapa – protagonizada pelo cineasta Glauber Rocha -, deve ao tricolor baiano o primeiro respiro de vida. Agora que o clube esboça um retorno à Série C, depois de perder em casa para o Duque de Caxias (2×1), e vive uma decadência sem precedentes, Joca se integra atemporalmente ao Batalhão dos Periquitos, grupo de baianos que atuou no expurgo das tropas portuguesas em 1823, para conclamar:

– Que a torcida do Bahia incorpore o espírito revolucionário dos baianos do 2 de Julho e se una nas ruas, nas praças, pressionando nas rádios, na internet e nos jornais, os incompetentes que afundam um clube glorioso, para estabelecer a grande e definitiva reação, pois o Bahia hoje depende, exclusivamente, do amor e do poder da sua torcida.

Autor da melhor biografia de Glauber e de competente ensaio sobre a obra de João Ubaldo Ribeiro, Teixeira Gomes promove disparos telefônicos aos amigos a cada derrota humilhante. Fundado em 1931, o Esporte Clube Bahia caiu para a Terceira Divisão em 2005 e neste outubro beira outra vez o rebaixamento para o quinto círculo do inferno. O escritor ressalta: a crise do tricolor é um “fenômeno social”.

– O Bahia não é apenas um clube esportivo, mas uma força social no Estado da Bahia.

Presidido pelo deputado federal Marcelo Guimarães Filho (PMDB) – primogênito do empresário e ex-deputado preso pela Polícia Federal em 2007, Marcelo “pai” -, o clube é dominado há décadas pelo mesmo grupo, que não esboça afastamento e até absorve os opositores. Patrimônio alienado, trocas frenéticas de técnicos, atrasos no pagamento dos jogadores, humilhações sucessivas, constelação medíocre e continuísmo de cartolas. Teixeira Gomes diagnostica:

– São notoriamente pessoas absolutamente incompetentes para soerguer um clube que vem sofrendo uma desmoralização continuada e intolerável para sua imensa torcida. Basta vermos que as sucessivas diretorias incompetentes, dentro dessa linha de continuísmo, não foram sequer capazes de fazer do Bahia uma equipe de competência média para disputar os torneios locais e nacionais.

Leia a íntegra da entrevista com o tricolor João Carlos Teixeira Gomes, ex-editor-chefe do Jornal da Bahia e autor, entre outros livros, de “Tempestade Engarrafada”, de “Glauber Rocha, esse vulcão”, do best-seller “Memórias das Trevas” e do romance recém-lançado “Assassinos da Liberdade”.

Terra Magazine Em colapso administrativo, o Esporte Clube Bahia perdeu em casa para o Duque de Caxias e agora corre o risco de voltar para a Terceira Divisão. Filho do primeiro goleiro do clube e torcedor extremado do tricolor baiano, como o senhor analisa a derrocada do Bahia?

João Carlos Teixeira Gomes – É preciso notar, em primeiro lugar, que o Bahia não é apenas um clube esportivo, mas uma força social no Estado da Bahia. Basta que se dimensione a grandeza da torcida de um clube que, por si só, é capaz de encher um estádio das dimensões da Fonte Nova, como ficou patente para todo o Brasil, mais uma vez, no episódio da queda da arquibancada da Fonte Nova em 2007 (no jogo contra o Vila Nova). Ora, diante de um fenômeno dessa envergadura, é inconcebível que sucessivas diretorias incompetentes, notoriamente vinculadas aos interesses e às ambições do senhor Paulo Maracajá (ex-presidente do clube e atual conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios), venham levando em progressão ininterrupta um clube dessa força popular à completa desmoralização e à decepção profunda da sua torcida. O sofrimento hoje da grande massa que se identifica com o Bahia, pelas cores do clube e pelas suas tradições de vitórias, inclusive com dois campeonatos brasileiros, no rol de suas conquistas, é um fato que transcende a esfera puramente esportiva para se transformar num verdadeiro trauma da sociedade baiana.

Terra Magazine – O senhor fala em “trauma da sociedade baiana” e isso me leva a perguntar se a decadência do tricolor não está vinculada à própria mediocridade cultural e econômica da Bahia, que vive uma estagnação cultural profunda?

Não vejo não. Vejo no plano esportivo. Como jornalista, mais do que como torcedor, vejo a decadência do Bahia como consequência de uma espantosa incapacidade administrativa, que foi acentuada a partir dos 7 x 0 que o clube tomou na Fonte Nova em jogo contra o Cruzeiro, na gestão de Marcelo Guimarães, o pai (em 2003). Dali começou o Bahia a despencar para as divisões inferiores, sem capacidade de organizar sequer um time de futebol que mantivesse ao menos as tradições locais, de conquistas de campeonatos na Bahia.

Terra Magazine – O atual presidente do clube, que contou com muitas simpatias políticas, é filho do ex-presidente Marcelo Guimarães, que foi preso numa operação da Polícia Federal, a Jaleco Branco. A crise se origina também dessa incapacidade de se renovar?

Exatamente. Não tem havido renovação. A incapacidade de renovação administrativa se deve à permanência do grupo que, sob a chefia hoje dissimulada de Paulo Maracajá, incluiu depois uma figura sem a menor tradição no clube que foi o senhor Petrônio Barradas, sequenciando a desastrosa gestão do ex-deputado estadual Marcelo Guimarães e hoje continuada por seu filho. São notoriamente pessoas absolutamente incompetentes para soerguer um clube que vem sofrendo uma desmoralização continuada e intolerável para sua imensa torcida. Basta vermos que as sucessivas diretorias incompetentes, dentro dessa linha de continuísmo, não foram sequer capazes de fazer do Bahia uma equipe de competência média para disputar os torneios locais e nacionais. Há um dispêndio enorme de contratações de jogadores sem condições de vestir a camisa do Bahia, distanciados das tradições do clube, técnicos improvisados e, sobretudo, dispersando os recursos imensos que o clube angaria pela fidelidade da sua torcida. Medianamente administrado, com políticas realísticas em relação ao novo estágio do futebol brasileiro, o Bahia seria um clube auto-suficiente e com um substancial patrimônio físico.

E, no entanto…
Não tem nem mais acomodações dignas para seus jogadores, vai perdendo progressivamente o pequeno patrimônio que construiu ao longo dos anos, sem direito a nunca ter tido um grandioso estádio que suas tradições impunham. O conjunto desses fatos aponta para o absoluto despreparo da camarilha que ao longo de todos esses anos vem desgovernando o Esporte Clube Bahia, tendo chegado ao cúmulo de contratar um ex-dirigente do Esporte Clube Vitória (Paulo Carneiro), já expulso das fileiras do clube rival para comandar o setor de futebol do Bahia. Esqueceram-se de que esse mesmo dirigente, quando presidente do Vitória, humilhava a diretoria do Bahia nos jogos do estádio Barradão, não mencionando no letreiro sequer o nome do Bahia, que era simplesmente “o visitante”.

Paulo Carneiro, que agora foi defenestrado também do Bahia, afirmou que o tricolor tinha uma torcida de “suburbanos”. (risos) Essa eu não sabia! Ele punha “visitante” no letreiro…

Terra Magazine – Apesar da crise evidente, há uma movimentação de velhos opositores para aderir ao grupo de Marcelo Guimarães Filho. Alguns eram até raivosos. Como definir esse ensaio de adesão?

Uma coisa espantosa! Essa aproximação é uma coisa espantosa e infunde a desesperança entre a sofrida torcida do Bahia. Creio mesmo que, ao lado dos interesses permanentes de retorno do senhor Paulo Maracajá, apostando no caos para aparecer como salvador da pátria, está a ausência de uma oposição unida e capaz de trabalhar contra a atual diretoria para o soerguimento do clube. É um dos fatores que respondem pela permanência de longo tempo dos coveiros, porque não há uma proposta concreta de reação capaz de empolgar a torcida e levá-la outra vez para as ruas como em 2006. O torcedor do Bahia é hoje um desesperançado.

Terra Magazine – Você aceitaria ver um jogo do Bahia?
Para mim, ver o Bahia jogar sempre foi uma alegria imensa, pois me acostumei desde criança a ver o uniforme glorioso que meu pai vestiu como goleiro e fundador. Mas eu sou, sobretudo, amante do bom futebol, do futebol bem jogado, e os times que essas sucessivas diretorias incompetentes têm organizado nos últimos anos é de uma mediocridade de campos de interior atrasado.

Terra Magazine – Como se diz na Bahia, times pra “um baba”?
De babas, ou para o público do Sul do País, de peladeiros desastrosos.

Terra Magazine – Houve passeata de torcedores, protestos, mas há apenas, neste momento, uma apatia, um desalento. Qual o último recurso dos torcedores?

Uma boa pergunta. Em 1823, os baianos se uniram para expulsar os portugueses recalcitrantes, que permaneciam em Salvador e tentavam desunir o País. Que a torcida do Bahia incorpore o espírito revolucionário dos baianos do 2 de Julho e se una nas ruas, nas praças, pressionando nas rádios, na internet e nos jornais, os incompetentes que afundam um clube glorioso, para estabelecer a grande e definitiva reação, pois o Bahia hoje depende, exclusivamente, do amor e do poder da sua torcida, porque da sua diretoria há longo tempo só tem encontrado traição. Pois é isso exatamente o que são os diretores, a partir de Marcelo Guimarães pai e filho, Petrônio Barradas e todos os demais maracajistas (seguidores de Paulo Maracajá): traidores das glórias e de toda a rica trajetória do Esporte Clube Bahia.

out
01
Posted on 01-10-2009
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 01-10-2009

Deu na coluna

Em sua coluna diária na Tribuna da Bahia o jornalista publica na edição desta quinta-feira, 1 de outubro, uma análise política que dá sequência ao tema do artigo de ontem:o aborto e o debate político nacional. Hoje, Ivan focaliza o tema sob a perspectivas dos debates na campanha presidencial de 2010. Confira no Bahia em Pauta, que republica o texto, com autorização do autor. (VHS)
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OPINIÃO / ABORTO

Embrião no ventre da mãe…
embrião

…e o feto na 16ª semana de gravidez
feto

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Aborto e sucessão presidencial

Ivan de Carvalho

O presidente da “Frente Parlamentar em Defesa da Vida – contra o aborto”, Luiz Bassuma, que se desligou formalmente esta semana do PT, partido que o suspendeu por um ano devido a sua luta contra a descriminalização do aborto, fez a este repórter, na terça-feira, uma afirmação que merece ser examinada por toda a sociedade e especialmente por todos os eleitores brasileiros.
Esta afirmação do deputado baiano (que já não iria disputar as eleições de 2010, mesmo se não houvesse sido suspenso pelo diretório nacional do PT) já foi incluída no artigo publicado ontem neste espaço, mas merece e precisa ter abordagem mais ampla e profunda. Entendo, aliás, que a mídia não somente baiana, mas toda a mídia brasileira tem com seus leitores, ouvintes, telespectadores e internautas o compromisso de informar clara e intensamente sobre o assunto, pois ele pode ser para muitos um fator de grande relevância na avaliação do voto que cada eleitor vai dar para presidente da República nas eleições do ano que vem.
O que disse, então, o presidente da “Frente Parlamentar em Defesa da Vida – contra o aborto” e que aqui foi divulgado ontem? Disse que entre as razões pelas quais optou em ingressar no PV e pelas quais sua mulher, Rose Santana, que também deixou o PT, optou pelo PV para concorrer a uma cadeira de deputada federal foi que este partido é o único, até agora, a ter como aspirante à presidência da República uma pessoa contrária à liberação do aborto, a senadora Marina Silva, que, como Bassuma e Rose, também abandonou o PT para ser “mantenedora de sonhos”.
Não conheço partido brasileiro relevante (entre os irrelevantes, e são tantos, se há algum, não sei, mas não importa, pela irrelevância política) que seja oficialmente a favor da descriminalização do aborto, a não ser o PT. É o único. E puniu Bassuma porque este é contra. PMDB, PSDB, DEM, PSB, PR, PP, PTB, PDT, pelo menos que eu saiba, não têm posição formal pela liberação do aborto. Mas, e os candidatos a presidente? Aí é que está o nó.
Conforme o presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Vida – contra o aborto”, dos quatro candidatos a presidente mais importantes, José Serra (PSDB), Dilma Roussef (PT), Ciro Gomes (PSB) e Marina Silva (PV), somente esta é contra a liberação do aborto. Luiz Bassuma afirmou saber que, “pessoalmente”, Dilma Rousseff, José Serra e Ciro Gomes são favoráveis à descriminalização.
Bem, isto poderia ser “pessoalmente” apenas se estivéssemos tratando de simples indivíduos, uma florista, um motorista de ônibus, um gari. Mas são três pré-candidatos importantes a presidente da República em plena pré-campanha para conquistar a mente do eleitor. A mídia não deve permitir, sob pena de traição a seu público, que continuem sem dar um piu a respeito do assunto, na mais costurada e colada boca de siri.
Isto é enganar o eleitor. Rousseff, Serra e Ciro Gomes – assim como Marina declara numa boa – devem ser intensamente cobrados a declarar publicamente, sem tergiversações, sua posição “pessoal” sobre o aborto, já que a posição pessoal de um eventual presidente da República, ainda que ele se omita, que nada declare ao público ou fale nos bastidores e ainda se abstenha de toda ação (comportamento extremamente improvável), pode ter influência relevante numa decisão, por exemplo, do Congresso Nacional a respeito. Pelo simples fato de saberem, os que vão decidir, que o presidente é “pessoalmente” a favor da liberação do aborto.
Vou adiante. O candidato a presidente pode, por esperteza, não revelar publicamente sua posição favorável, escondê-la para não se indispor com parcelas do eleitorado, para não ter a candidatura abortadamas após eleito e no poder, sair da sombra para trabalhar pela liberação do aborto, mais ou menos intensamente. Terá, assim, enganado o eleitorado. E a mídia será cúmplice, se não puser esses candidatos contra a parede para que digam a verdade.

out
01
Posted on 01-10-2009
Filed Under (Artigos, Laura, Multimídia) by Laura on 01-10-2009

O aguardado álbum “Break up”, da atriz Scarlett Johansson, lançado neste setembro último, já esta com seus vídeos circulando pelo You Tube. A atriz mais uma vez se sai bem na sua faceta de cantora, desta vez com canções originais compostas pelo músico Pete Yorn, cantor e compositor norte-americano.

Peter concebeu o álbum e convidou a atriz para os duetos. O CD foi gravado em 2006, e eles imitam um casal conversando sobre sua relação – Yorn já declarou que a temática é baseada em sentimentos e experiências pessoais.

Scarlett e Yorn somam seus vocais em composições de acento country e folk, caso de “Relator” que o Bahia em Pauta oferece neste primeiro dia de outubro. Com refrão que diz assim: “Você não pensa que a vida é algo para nós conversarmos?”

Penso que sim.

Laura Tonhá

set
30
Posted on 30-09-2009
Filed Under (Artigos, Multimídia, Vitor) by vitor on 30-09-2009


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Deborah Kerr
No dia 30 de setembro de 1921, na cidade escocesa de Helensburg, nascia aquela que será lembrada para sembre como uma das atrizes mais elegantes do cinema em todos os tempos: Deborah Jane Kerr-Trimmer , a diva Deborah Kerr, que estaria festejando hoje 88 anos.

Ela começou como bailarina, mas sempre de olho também no teatro, apresentando-se ainda na cidade sua Escocia natal em adaptações de Shakespeare. Mas seu destino, para deleite de milhões de admiradores espalhados no mundo inteiro, seria mesmo o cinema, onde fez sua estréia em 1940, no filme “Nas Sombras da Noite”, dirigido pelo mestre Michael Powell. Depois atuou numa série de produções inglesas e teve ainda a oportunidade de ser dirigida novamente por Michael Powell e Emeric Pressburger em “Narciso Negro” (1947) e “Coronel Blimp” (1943). Em 1947, a atriz faz seu primeiro filme americano, “Mercador de Ilusäes”, ao lado de Clark Gable.

Daí em diante, a bela e notável atriz participou de produções marcantes e em papéis inesquecíveis, a exemplo do musical, “O Rei e Eu”. No cultuado, “Tarde Demais Para Esquecer” (1957), de Leo McCarey, contracenando com outro s¡mbolo de elegância, Cary Grant. Em um dos melhores filmes de terror já realizados, “Os Inocentes” (1961), de Jack Clayton, inédito ainda em v¡deo no Brasil e ainda, “A Noite do Iguana” (1964), de John Huston, outro inédito. Quem não guarda na memória uma lembrança cinematográfica de Kerr?

Como tributo no aniversário da diva sempre lembrada, Bahia em Pauta escolheu uma um vídeo  com diferentes desempenhos de  Deborah durante  sua trajetória na fabulosa sétima arte, em qualquer tempo, com a música tema do filme  Tarde Demais para Esquecer, em primorosa execução com piano e orquestra. Um presente para o quem gosta de cinema e de Deborah Kerr. Confira.

(Postado por Vitor Hugo Soares )

set
29
Posted on 29-09-2009
Filed Under (Artigos, Eventuais) by vitor on 29-09-2009

Marilia: passividade da classe média…
marmuricy
…e imprensa sensacionalista na origem
visalvador
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Deu em Terra Magazine:

A revista digital Terra Magazine ( http://terramagazine.terra.com.br)  publica nesta terça-feira, 29, artigo assinado pela jurista baiana e professora de Direito, Marilia Muricy, ex-secretária estadual de Justiça. O título em sí, “Sentimentos Sociais e Segurança Publica”, já demonstra precupação muito além da trivialidade com que o tema da violência tem sido tratado ultimamente no país, de um modo geral, e na Bahia dos tumultos e incêndios mais recentes, em particular.
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Na chamada para o texto de Marília Muricy, uma referência na Bahia e no país nas questões relacionadas com a ética e a defesa dos direitos humanos, TM destaca que a autora vai direto ao ponto ao identificar na origem do problema a imprensa sensacionalista e a passividade da classe média diante da violência policial.

“Enquanto a polícia, sob a alegação irada e cada vez mais audaciosa de estar respondendo à agressão contra “os seus” vai ampliando sua sequência de extermínios, as “classes médias” fazem “vista grossa” e não negam seu aplauso às “tropas de elite”.

Com autorização de TM, o site-blog Bahia em Pauta reproduz a íntegra do texto que merece reflexão sobre cada parágrafo de informação e análise sobre o que é dito e o que se esconde sobre o tema. Confira.

(Vitor Hugo Soares)

SENTIMENTOS SOCIAIS E SEGURANÇA PÚBLICA

Marilia Muricy

Vivemos hoje, no Brasil, entre o medo e o ressentimento silencioso. Do medo se incumbe, com eficiência ímpar, o jornalismo sensacionalista que nos agride dia a dia com o retrato de nossa miséria, embora sistematicamente resista a divulgar exemplos de solidariedade, tão comuns na vida anônima do cotidiano. O mudo ressentimento é resultado da aviltante consciência da injustiça secular e da impunidade cada vez mais robusta, quer nos processos que atingem figuras notáveis da República, quer nos que afetam a população pobre, vítima das lutas internas do tráfico de drogas e da arrogância policial que estufa o peito e faz trejeitos risonhos de vitória para indicar o número de suas vítimas ou, conforme dizem, daqueles que os ameaçam, “justificando” o imediato aniquilamento.

Embora de feitio distinto, os dois processos convergem, em suas perversas consequências. Do ressentimento surge a indiferença pelos assuntos públicos que, afinal “não tem jeito”; é a descrença crônica no papel das instituições, que constitui uma das mais graves doenças da democracia. Isso, em um país, cujos órgãos legiferantes parecem padecer de um surto de “penalização” que se ocupa de pescar minúsculos problemas, deixando, na rede, espaços por onde podem circular os tubarões. Tem-se a impressão de que os nossos “experts” em penalização andam vistoriando a experiência internacional e, sem maior atenção às condições culturais de cada país, concluem: “onde há pena, que seja bem vinda entre nós”. Do medo surge o confinamento das camadas sociais em que se concentram, segundo os órgãos de inteligência policial, as ações do tráfico.

Até por ser recente o meu afastamento da Secretaria de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos do Governo da Bahia e, por isso, bem nítidas as lembranças positivas e negativas que tenho dessa enriquecedora experiência, vou limitar o espaço desse artigo, a partir desse ponto, a discutir os sentimentos sociais das nossas elites e do homem comum quanto a segurança pública, destaque quase unânime nas pesquisas de opinião, como flagelo social.

Em meio às elites, os comportamentos já se tornam mais ou menos padronizados; cinde-se o espaço público, esbraveja-se contra a ineficiência da polícia, mas não se hesita em estabelecer com ela acordos de “complementação salarial” que bem lembram as práticas mafiosas. E quando chega a “barbárie”, provocada por fato real ou suposto, a ambivalência se manifesta: para que o excesso, perguntam alguns? Afinal, foi merecido dizem outros! E é algo semelhante, que baseia as reações irracionais às chacinas que ocorrem na periferia e não poupam crianças nem adolescentes, corpos expostos nas primeiras páginas de jornal, imagens destacadas na TV, sem qualquer escrúpulo por parte dos editores.

Porém a ambivalência não é privilégio das elites. Acossados por uma forte sensação de impotência e frágeis vínculos de solidariedade, também os que são vítimas privilegiados da violência envolvem-se na cumplicidade do silêncio e o “salve-se quem puder” termina por ser a única saída, frente ao desamparo produzido pela escassez de instituições de proteção, que as lideranças e os militantes dos direitos humanos lutam, sem sucesso, para fortalecer.

Enquanto a polícia, sob a alegação irada e cada vez mais audaciosa de estar respondendo à agressão contra “os seus” vai ampliando sua sequência de extermínios, as “classes médias” fazem “vista grossa” e não negam seu aplauso às “tropas de elite”, vibrando com o sangue que escorre das telas, em filmes campeões de audiência.

Os direitos humanos, base do Estado Democrático de Direito parecem, com exclusão da militância que ainda resiste, terem sido postos em estado de letargia. Vez por outra, uma audiência pública reúne autoridades do Estado e lideranças comunitárias. Unidos na crítica e no protesto, órgãos do Estado e militantes, daí não resulta, como seria de se esperar, ações concretas de defesa social. Enquanto isso, o Programa de Segurança com Cidadania (Pronasci) um dos mais criativos do Governo Federal, voltado a desvincular o problema de segurança pública de sua versão policial, habilitando policiais e formando, para a paz, lideranças de territórios pré-selecionados, insiste, em alguns Estados, em privilegiar compra de armas e equipamentos, sendo tímidas e até inexistentes as ações que lhes são próprias.

Fui Secretária de Justiça do Estado da Bahia, durante dois anos e meses, o suficiente para aumentar a minha convicção de que a imprestável instituição das prisões, não se confunde com a humanidade que lá está: a humanidade a que pertenço, no bem e no mal, carregada de contradições e paradoxos, capaz de ser intensamente cruel e surpreendentemente terna. Sem descuidar da segurança, investi pesadamente em trabalho, saúde, educação, esporte, lazer, procurando reduzir os níveis de desumanização que a prisão acarreta, do início ao fim da pena. Presos e presas foram levados a assistir peças de teatro. Com a contribuição de um maestro que também acredita nas pessoas, formamos um coral de homens e mulheres presos, que terminou apresentando-se durante a solenidade de transmissão do cargo, na presença do Governador do Estado, que não fez questão de disfarçar a comoção que sentia e que seu rosto revelava, tal como a plateia, que, ao final da exibição, aplaudiu de pé o coral.

Ainda guardo no rosto a sensação das lágrimas. Mas houve outras, bem salgadas, de que não me arrependo ter derramado, já que com o sofrimento também se aprende, e muito.

E não posso deixar de lado um depoimento. Talvez por habituada, pela atividade docente, a falar a verdade pude, logo ao assumir a Secretaria, declarar que o crime organizado exercia forte poder dentro dos presídios. Não creio que a ninguém isso tenha soado como novidade. Novidade sim, era a declaração ter partido da própria Secretária, ainda que com a ressalva de que o combate aos acordos internos era um desafio a que o Estado não poderia fugir. Não é difícil imaginar o efeito dessas declarações sobre a aliança entre líderes prisionais e seus parceiros. Esse efeito, aliás, atingiu seu ponto máximo quando começaram as transferências das lideranças para presídios de segurança máxima, distantes de sua área de poder.

Mas a batalha antecedeu as transferências. Aquela altura, eram aproximadamente oito mil internos no sistema da Secretaria de Justiça e seis mil amontoados nas delegacias de polícia, faltando-lhes tudo, inclusive espaço para dormir, sendo o revezamento uma prática comum, regulada pelo “mercado das cadeias”.

Embora o quadro que encontrei fosse de superpopulação em todos os lugares, uniram-se todos em uma cantoria única, que lembrava as antigas carpideiras, repetindo obviedades que o Brasil todo conhece, o mundo lamenta e não consegue resolver. Quando solicitei ao governador Jaques Wagner que me liberasse das funções de secretária, estava em paz e ainda estou. Mas fica no fundo a dor de uma pergunta. Terá o nosso trabalho contribuído de fato para levantar a auto-estima da população carcerária? Caso positivo, e daí? Menos me importaria se, alguns disséssemos que “gastamos velas com defunto ruim”, caso houvesse no horizonte, oportunidade, de que na saída, em vez da quase fatalidade da reincidência, a sociedade os acolheria, na família e com trabalho…

Felizmente, nesse quadro de frustrações e protestos, e esperanças tão poucas, um futuro melhor se anuncia no trabalho de educação para os direitos humanos, já deflagrado pela Secretaria Nacional de Direitos Humanos do Governo Federal e cujo projeto tem como pressupostos radical mudança de paradigma para a segurança pública no Brasil.

Hans Jonas, em seu Princípio Responsabilidade, lembra que já é hora de deslocar o centro da solidariedade social, transferindo-o do individuo para fincá-lo em estâncias coletivas. Melhor ainda é dizer, com Ricoeur, que as nossas utopias, por designarem, apesar de sua força, “lugar nenhum”, devem ser substituídas pelo “futuro possível da esperança”. É com o que sonho, braços abertos para um mundo de paz.

Marilia Muricy Machado Pinto, mestre em Ciências Humanas, doutora em Filosofia do Direito, é ex-secretária da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos do Estado da Bahia..

set
28

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CRÔNICA / MULHER

bbardot

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75 anos e sempre La Bardot

Aparecida Torneros

Acho que o ano era 1962. Não estou bem certa. Eu e minhas amigas pré-adolescentes copiávamos para costureira os modelos das calças saint-tropez, a la Brigitte, o que era a última moda e nos deixava com o umbiguinho de fora. Cintura baixa, a pernas em patas de elefante, blusinhas de organza leve, alguns babadinhos e frou-frou. Nossos cabelos, para seguir a musa sensual francesa que despontava como objeto sonhado nas telinhas, ainda nos atrevíamos a pintar mechas claras nos cabelos e usar grandes franjas que caíam selvagengente pelo rosto, emoldurando ares de menina em carinha de mulheres aprendizes.

A Brigitte era nossa ferinha indomável, dava gosto de ler nas revistas semanais as reportagens sobre seus amores , casamentos, rodagens de filmes. Seus ares quase infantis, de BB, literalmente passando aquele jeito de adolescente sapeca, usando por exemplo modelitos em xadrez cor de rosa com babadinhos de bordado inglês, quem não se lembra de vestidos com bolsos, mangas tres quartos, lacinhos e decotes audaciosos?

Ela ditava moda, induzia a comportamentos, incitava a desvendar mistérios de uma femea que Deus criara para seduzir através da sua arte e do seu encanto físico, a uma legião de fãs que se espalharam pelo mundo. Seu amor pela natureza, pelos animais, pelo planeta, é precursor das campanhas ecologicamente corretas dos tempos atuais. Ela se fazia natural por ser, intuitivamente, encantando-se com as praias agrestes da pequenina colônia de pescadores em Búzios, que hoje é reflexo do sua passagem por aquelas terras do Estado do Rio, para onde acorrem turistas ansiosos de conhecer a orla Bardot e tirar fotos com a estátua dela, que na beira do mar, acalenta os sonhos da mulher amante das praias.

Brigitte resistiu ao tempo, como defensora dos animais, como símbolo sexual, como artista polêmica em torno de posições assumidas e por muitas lutas que trava em prol da sobrevivência de muitas espécies.

Mas , o que me parece bem ao seu jeito e quase passa despercebido, é que ela é a própria defesa do seu exemplar humano, um espécime raro de fêmea livre, consciente, decidida, resolvida, amante do amor como entrega e realidade, criatura capaz de oferecer dádivas de prazeres em olhares perseguidores, aqueles que sempre a perseguiram na tentativa de descobrir seus banhos de sol em nudez tão natural quanto inocente, tão pura quanto sintonizada com a paisagem que a acolheu sempre nos esconderijos onde habita e ainda mora, com seus animais e seus amores.

Ela está casada desde os 58 anos de idade com o mesmo homem, segundo o noticiário, parece bem feliz no casamento longo, e , aos 75 anos, dá exemplo de vida bem vivida, continua sendo um sonho de mulher inalcançável para muitos fãs. Por sorte, não perdeu a sensualidade dos olhares e da boca, inconfundível, de lábios cujo coração desenhado mantém o convite ao prazer de viver a vida, com pouca roupa, pés descalços, cabelos ao vento, sorriso espontâneo, ela é a receita simples de vida ao ar livre ou de um estrelato que convive pacificamente com a bandeira da causa ecológica universal.

Brigitte continua a mesma menina, quem duvidar, que a acompanhe e constate, segue brigando para salvar bichinhos e preservar reservas ambientais, esbraveja contra poluição e matanças de espécies indefesas, abraça focas, beija cães e gatinhos, deita ao sol nas manhãs do verão francês e ressurge de vez em quando, em ocasiões especiais, quando sua aparição tem o dom de restituir ao público décadas de magia de uma deusa loura, tão senhora de si agora, como ousou ter sido antes, e como será sempre, confiante e intensa, como diria a propaganda de produtos de beleza.

Cida Torneros, escritora e jornalista, mora no Rio de Janeiro. Este texto foi postado originalmente no Blog da Mulher Necessária , que ela edita. (http://blogdamulhernecessaria.blogspot.com)

set
28
Posted on 28-09-2009
Filed Under (Laura, Newsletter) by Laura on 28-09-2009

julia

Julia Roberts na India para a filmagem do longa-metragem.

Acabo de ler que o best-seller americano “Comer, Rezar, Amar” vai virar filme com Julia Roberts no papel principal. O livro narra um período da vida da autora, Elizabeth Gilbert: a escritora está com quase trinta anos, um marido apaixonado, casa espaçosa que acabara de comprar, o projeto de ter filhos e uma carreira de sucesso. Mas em vez de sentir-se feliz e realizada, sente-se confusa, triste e em pânico. Decide-se pelo divórcio, tenta um novo amor – sem sucesso, cai em depressão. Neste cenário, em busca de si mesma, toma uma decisão radical: desfaz-se de todos os bens materiais, demite-se do emprego e parte para uma viagem de 1 ano pelo mundo – sozinha.

Gilbert escolhe 3 locais: Roma, Índia e Bali. Em Roma, estuda gastronomia, aprende a falar italiano, engorda alguns quilos e se deleita com o charme do homem italiano. Na Índia sua missão é a descoberta espiritual com os ensinamentos de uma guru indiana. Em Bali, busca o equilíbrio entre o prazer mundano e a transcendência divina, torna-se discípula de um velho xamã, e se apaixona, inesperadamente, por um brasileiro.

Palavras da autora: “Se você tem a coragem de deixar para trás tudo que lhe é familiar e confortável (pode ser qualquer coisa, desde a sua casa aos seus antigos ressentimentos) e embarcar numa jornada em busca da verdade (para dentro ou para fora), e se você tem mesmo a vontade de considerar tudo que acontece nessa jornada como uma pista, e se você aceitar cada um que encontre no caminho como professor, e se estiver preparada, acima de tudo, para encarar (e perdoar) algumas realidades bem difíceis sobre você mesma… então a verdade não lhe será negada.”

Julia Roberts ja esta na Índia para as filmagens do longa-metragem. Fã da atriz, acho que ela vai ficar ótima no papel de Elizabeth Gilbert. Conseguirá dar o tom irônico e sarcástico da autora em busca de si mesma, sem perder o charme.

E quem será que fará o papel do brasileiro por quem a “heroína” se apaixona? Não poderá ser o Rodrigo Santoro porque no livro o personagem é um cinqüentão. Façam suas apostas.

Laura Tonhá, publicitária.

set
28
Posted on 28-09-2009
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 28-09-2009

Deu na Tribuna da Bahia

Sobre a crise em Honduras o jornalista político Ivan de Carvalho assina o seguinte texto na edição desta segunda-feira, 29.

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Cerco na embaixada
Embaixada

OPINIÃO / HONDURAS

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Lula, Honduras e Cuba

Ivan de Carvalho

O presidente Lula desatou a qualificar, a cada oportunidade que lhe é dada ou consegue criar, o governo hondurenho presidido por Roberto Micheletti de “golpista”, aproveitando sempre para exigir a devolução da presidência a Manuel Zelaya, destituído do cargo na véspera de promover um plebiscito – considerado ilegal pelo Congresso e pela Corte Suprema – no qual pretendia que o eleitorado dissesse se ele deve ou não poder candidatar-se à reeleição.

Acontece que é cláusula pétrea (imutável) da Constituição de Honduras a impossibilidade de reeleição presidencial. E apesar do Congresso haver rejeitado o plebiscito e a Corte Suprema haver declarado sua inconstitucionalidade, o então presidente Zelaya dispunha-se a promovê-lo na marra. O que o tornou, constitucionalmente, destituível.

Isto seria ir muito além de Hugo Chávez, que pelo menos não tinha uma cláusula constitucional pétrea em seu caminho, mas a necessidade de uma mudança constitucional, para o que obteve aprovação de um Congresso no qual tem o domínio de 95 por cento dos congressistas, pois a oposição cometeu a tolice de boicotar as eleições parlamentares, em protesto contra as tropelias do ditador-presidente da Venezuela.

Bem, voltando a Honduras, assinale-se que o nosso presidente, além de xingar de golpistas Micheletti e seu governo, vive agora a exigir – e com ele fazem entusiástico coro o chanceler Celso Amorim e o esquisito assessor especial Marco Aurélio Garcia – a devolução do poder a Zelaya, que é “hóspede de nossa embaixada em Honduras”, conforme ontem Lula definiu o status do ex-presidente (asilado, abrigado, albergado ou hospedado, não dá para adivinhar) na Embaixada do Brasil.

Não vou ficar analisando essa patacoada nem a ridícula polêmica acerca da existência ou não de uma combinação prévia com o governo brasileiro para Zelaya ir para a embaixada brasileira. É claro que houve combinação – os unânimes sorrisos de felicidade flagrados em fotografia em que estão juntos Lula, Amorim e Garcia são, como anotou em seu blog o jornalista Augusto Nunes, um inequívoco sinal de “missão cumprida”. Se a chegada de Zelaya houvesse sido uma surpresa, assinala Augusto Nunes, Lula, Amorim e Garcia deveriam estar com “cara de preocupação”.

Lula disse ontem, na Venezuela, durante a 2ª Reunião de Cúpula dos Países da América do Sul e África, que a América do Sul “lutou muito para varrer para a lata de lixo da história as ditaduras militares de outrora” e que “não se pode permitir retrocessos desse tipo no continente”. Bem, Honduras não fica exatamente no tal continente referido, a América do Sul, mas na América Central. Talvez o presidente brasileiro esteja confundindo América Latina com América do Sul – é a única explicação que me ocorre no momento.

Mas, então, por que ele não inclui logo o Caribe na América do Sul? Assim traria Cuba para o raio da sua (dele, Lula) vigilância democrática – meu Deus, Chávez, o anfitrião, estava presente quando Lula disse aquelas coisas, e Chávez tem tido o comportamento de um golpista dissimulado (uma vez comandou uma tentativa dissimulada, mas frustrada, de golpe) e é um militar, um coronel. Que ofensa ao vizinho!…

Para que Lula trazer Cuba para a América do Sul, como trouxe Honduras? Ora, ora – para exigir democracia, presidente eleito no poder, liberdade, que está faltando lá até mais do que em Honduras, mesmo estando este país em situação de emergência.

Vejamos hoje, a partir de reportagem publicada no jornal “El País”, que naturalmente não é cubano, como o governo do amigo do peito Fidel Castro, exercido por delegação pelo irmão dele, Raul Castro (ditadura hereditária) trata a liberdade de informação há 50 anos. Em Cuba, toda a mídia tradicional (jornais, emissoras de rádio e televisão, revistas) é estatal ou do Partido Comunista, o que dá no mesmo. E a internet? Cuba tem o mais baixo índice de acesso à internet em todo o hemisfério ocidental. Os preços são artificialmente altos e são pagos em “pesos conversíveis”, usados quase que só por estrangeiros. Assim, impede-se o acesso a quase todos os cubanos. Mais: as conexões têm que ser aprovadas pelo Etecsa (provedor estatal). Uma comissão interministerial restringe (censura) e os provedores autorizados têm que impedir o acesso a conteúdos contrários “ao interesse social, à moral e bons costumes”. A censura política está no “interesse social”, no qual cabe tudo que desagrade o governo e o partido.

E o que diz Lula a respeito de Cuba, seu regime e seus dois ditadores? Lula fuma os charutos.

set
26
Posted on 26-09-2009
Filed Under (Artigos, Vitor) by vitor on 26-09-2009

O Lula da ONU…
lulonu
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…E o Lula da camiseta
pasquim

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ARTIGO DA SEMANA

A CAMISETA DE LULA E A ONU

Vitor Hugo Soares

Foi um impacto, não nego. A câmera da televisão enquadrou a cara enfezada de Luiz Inácio Lula da Silva com toques de algum aprendiz americano do baiano Glauber Rocha. Era quarta-feira, 23 de setembro de 2009 e o presidente do Brasil caminhava para a tribuna onde faria, por praxe diplomática, o primeiro discurso na abertura da 64ª Assembleia Geral das Nações Unidas – proeminência da qual o dirigente brasileiro soube tirar proveito como raramente se viu naquele pedaço globalizado de Nova Iorque.

Mesmo metido em terno de corte impecável, cabelo e barba agora tomados de incontáveis fios brancos – mas aparados e cuidados por bom barbeiro de Brasília ou de São Bernardo – a imagem que a TV mandava para o mundo, empurrava a memória para São Paulo de uns 30 anos atrás.

A cidade onde em cada esquina se vendia aquela camiseta de algodão, com o desenho do então líder dos operários metalúrgicos do ABC. Lula com pinta de “sapo barbudo”, como definiu o gaúcho Leonel Brizola ao retornar do longo exílio decorrente do golpe que derrubou o governo democrático do presidente João Goulart. Na camisa, o desenho do rosto do então líder operário de cabelos desgrenhados, cara amarrada, e o aviso escrito em tom vermelho: “Não mexa comigo. Hoje eu não tô bom!”

Lembram? Até em Montevidéu e Buenos Aires vi algumas delas penduradas nas barracas da feira de San Telmo e nos quiosques da Corrientes ou, do outro lado do Rio da Prata, na Avenida 18 de Julio, onde ainda era possível tropeçar com exilados brasileiros em cada esquina, mesmo depois da expulsão de Brizola para os Estados Unidos, pelos ditadores da turma da Operação Condor que mandavam por lá.

Mas o que quero mesmo dizer é: raras vezes nos últimos tempos Lula esteve tão parecido com o cara da camiseta, como nesta semana, em Nova Iorque. É só conferir as imagens – o que não é fácil, porque a mídia brasileira (especialmente os jornais impressos e as grandes redes de TV), cobriu o assunto com displicente e estranha má vontade. Quase sempre em tom irônico ou abertamente ofensivo em relação às vítimas do golpe e benevolente, para dizer o mínimo, com os golpistas.

Vale observar que Lula modificou de última hora sua fala do chefe de Estado sobre temas mundiais mais candentes – como a crise financeira que amedrontou o mundo e o aquecimento global que ameaça o futuro do planeta – para introduzir um tema tipicamente latino-americano. A velha e sempre daninha tentação golpista contra regimes democráticos e as liberdades fundamentais no continente.

Esta questão, que parecia superada, foi retomada em junho passado, a partir da surpreendente, audaciosa e violenta deposição do presidente eleito de Honduras. Sob o argumento que tentava convocar um plebiscito para mudar a constituição e poder disputar um segundo mandato, Manuel Zelaya foi tirado da cama de madrugada, de pijama, com armas apontadas para sua cabeça por militares emcapuçados. Levado à força para o aeroporto, foi posto dentro de um avião e expulso de seu país e do governo legitimamente conquistado.

Episódio que agora recrudesce com consequências imprevisíveis, a partir do retorno do presidente – de surpresa para o ditador civil posto em seu lugar – , abrigado na embaixada brasileira em Tegucigalpa, em meio a cortinas de fogo e fumaça que o episódio levanta. Lula, o primeiro a gritar na primeira hora do golpe, não muda de tom.

Na ONU defendeu a imediata recondução do presidente eleito de Honduras ao cargo e exigiu a inviolabilidade da embaixada brasileira como preliminar para outras negociações legais e diplomáticas. Disse de forma clara e com a expressão apropriada, que se o fórum mundial em geral, e em particular o Conselho de Segurança não tomar uma posição firme desta vez sobre a crise em Honduras, outros golpes se seguirão.

“Não somos voluntaristas. Mas sem vontade política não se pode enfrentar e corrigir situações que conspiram contra a paz, o desenvolvimento e a democracia… A comunidade internacional exige que Zelaya reassuma imediatamente a Presidência de seu país e deve estar atenta à inviolabilidade da missão diplomática brasileira na capital hondurenha”, disse o presidente.

Ontem, em Pittisburgh, onde desembarcou para a reunião do G-20, o presidente não baixou s voz. Insiste na urgência do Conselho de Segurança da ONU entrar com firmeza no caso, “pois os golpistas estão exagerando, estão quase exigindo que o presidente eleito democraticamente peça desculpas por estar em Honduras”.

E reservou as farpas finais para os que seguem firmes nas teorias de conspiração do Brasil mexendo os cordões em Honduras, ou priorizam nos espaços de informação mais o chapelão de Zelaya que a efetiva cobrança de responsabilidade dos que tocam, de fato, esta nova aventura golpista na América Latina.

“Vocês vão ter que acreditar num golpista ou em mim”, disse Lula, ainda sem tirar a camiseta dos anos 70.

Façam suas apostas.

Vitor Hugo Soares é jornalista – E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

set
25
Posted on 25-09-2009
Filed Under (Artigos, Multimídia, Vitor) by vitor on 25-09-2009


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Vinte e cinco de setembro. Nesta data comemora-se o Dia do Rádio no país. Na verdade, a celebração está associada ao dia do do “Pai do Rádio Brasileiro”, Roquete Pinto, que em 1923 fundou a primeira emissora de rádio do Brasil, a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro.

Antes , porém, em 1922, foi realizada a primeira transmissão radiofônica , durante o centenário da independência . Na época, uma estação de rádio foi instalada no Corcovado, no Rio de Janeiro, para a veiculação de músicas e do discurso do então presidente Epitácio Pessoa.

Raros meios de comunicação, desde sua origem, tem tido tão profunda ligação com o povo deste país – cada um do nós tem uma bela de amor ao rádio para contar – que este festejado hoje. Mas isso exigiria muitas linhas para contar, na infância, na juventude ou na velhice. Quem quiser que conte a sua no espaço de comentários deste site-blog.

Agora é hora de festejar a data com uma música-simbolo . Aí vai “Cantores do Rádio”, com Chico, Nara e Bethania. Um vídeo retirado de “Quando o Carnaval Chegar”, filme de 1972, roteiro e direção de Cacá Diegues com Chico Buarque, Maria Bethânia, Nara Leão, Hugo Carvana e o baiano Antonio Pitanga.

Viva o Rádio.

(Vitor Hugo Soares) .

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