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Posted on 31-08-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 31-08-2010

Gilmar: “algo assustador”

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O jornalista político Ivan de Carvalho aborda nesta terça-feira, em sua coluna na Tribuna da Bahia, o tema da quebra criminosa do sigilo fiscal na Receita Federal. Para ele, a mídia na Bahia, tanto a eletrônica quanto a impressa, não deu ao assunto o espaço devido no último fim de semana e ontem.“É algo assustador e lamentável. Sobretudo quando ocorre em uma instituição profissionalizada e profissional como a Receita Federal” , diz Ivan no texto que Bahia em Pauta reproduz.

(VHS)

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OPINIÃO POLÍTICA

Banditismo político

Ivan de Carvalho

Abordo hoje o tema da quebra criminosa do sigilo fiscal na Receita Federal apenas porque a mídia, na Bahia, tanto a eletrônica quanto a impressa, não deu ao assunto o espaço devido no último fim de semana e ontem.

É possível que a movimentação criada com a passagem de Lula e Dilma pela Bahia e suas sequelas, bem como a implosão da Fonte Nova, hajam hipnotizado a mídia e posto sobre seus olhos escamas que a impediram de ver a entrevista do ministro Gilmar Mendes, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal.

Não imagino que a mídia baiana haja adotado a “estratégia” suicida do avestruz, embora uma parte da mídia brasileira já o tenha feito, mas somente uma parte. A parte da mídia brasileira que procede como o avestruz, o faz na defesa de seus interesses imediatos e se enquadraria perfeitamente naquela previsão de Lênin de que os capitalistas venderiam aos comunistas a corda com que estes os enforcariam.

Felizmente, além da parte da mídia que se mantém fiel à vigilância pela liberdade e ao dever de levar a seu público a informação com a dimensão que ela realmente tenha, há pessoas essenciais na conjuntura que resistem à correnteza, que remam contra ela, por entenderem que, remando a favor, só podem ajudar a nação a descer. A correnteza apenas desce, nunca sobe.

No caso da quebra de sigilo fiscal que desencadeou o novo escândalo na Receita Federal, um escândalo que, no entanto, evidentemente não se restringe a esse órgão, dois ministros do STF entraram na bola dividida, arriscando-se para preservar valores maiores do que eles. Talvez Ulysses Guimarães adaptasse a citação de que tanto gostava para “viver não é preciso, resistir é preciso”.

O primeiro dos ministros do STF a entrar no assunto foi Marco Aurélio de Mello, que integra atualmente também o Tribunal Superior Eleitoral. Ele classificou de “péssima” a quebra inconstitucional e criminosa do sigilo fiscal de quatro pessoas ligadas ao candidato a presidente José Serra e ao PSDB, assinalou que “num estado democrático há de se preservar certos valores” e completou afirmando que o valor coberto pelo sigilo é um valor maior. “No campo eleitoral, não há espaço para o golpe baixo”, declarou, observando que “não cabe bisbilhotice”. De acordo com Marco Aurélio, é “sintomático” que a quebra de sigilo tenha ocorrido “durante o período eleitoral”.

Linguagem mais contundente usou o ex-presidente do STF Gilmar Mendes, então já de posse de informações sobre a extensão bem maior das atividades ilegais de quebra de sigilo fiscal. O ministro afirmou que essa atividade é fruto de “banditismo político” e revela “paradigmas selvagens da política sindical”. Ele falou em entrevista à Folha de S. Paulo, publicada no domingo na Folha.com. Mendes criticou o aparelhamento político do Estado brasileiro, dizendo que é “uma anomalia que se normalizou”, isto é, de tão generalizada passou a ser vista como algo “normal”.

“Os funcionários públicos precisam entender que não estão a serviço de uma instituição partidária”, disse, advertindo que o episódio é típico de “partidos clandestinos que utilizavam dessas práticas como um instrumento de defesa contra um regime ditatorial”. E assinalou, com extrema precisão, o ministro Gilmar Mendes: “É algo assustador e lamentável. Sobretudo quando ocorre em uma instituição profissionalizada e profissional como a Receita Federal”, completando: “É preciso punir gravemente essa cultura de dossiês no país. Os partidos que se utilizaram disso têm que pedir desculpa. Têm que fazer um mea culpa. Porque isso é típico de partido na clandestinidade e não pode ocorrer em regime democrático”.

Nada a acrescentar.


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“Essa queda da censura ao humor serve também para mostrar que nem tudo o que é aprovado pelo Congresso Nacional é legítimo ou aceitável”, considera o jornalista político Ivan de Carvalho em seu artigo desta segunda-feira na Tribuna da Bahia, que Bahia em Pauta reproduz.
(VHS)
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OPINIÃO POLÍTICA

Duas questões no futuro do STF

Ivan de Carvalho

Há poucos dias, o ministro Carlos Ayres Brito, do Supremo Tribunal Federal, acabou com a censura, nas emissoras de televisão e rádio, ao humor com candidatos a mandatos políticos. É quase inacreditável que haja sido preciso uma decisão de ministro do STF para acabar com esse tipo de censura, depois que a Constituição de 1988 acabou com todo tipo de censura à imprensa.
Mas acontece que a legislação eleitoral produzida pelo Congresso Nacional criou a citada censura, e censura prévia, ao humor, numa tentativa evidente de proteger os candidatos da crítica feita pelos humoristas, que, como se sabe, é uma das modalidades mais eficazes de crítica.
Essa queda da censura ao humor serve também para mostrar que nem tudo o que é aprovado pelo Congresso Nacional é legítimo ou aceitável. Na verdade, com mais freqüência do que a geralmente imaginada, leis produzidas pelas Casas legislativas no Brasil e regulamentações produzidas pelo Poder Executivo são claramente inconstitucionais. Esse entulho legal costuma ser aplicado até que alguém questione sua constitucionalidade no STF e este ponha abaixo a maldade, a esperteza ou a safadeza.
Vale citar dois exemplos importantes que estão no futuro do STF. O primeiro diz respeito ao sistema de chips de informação e rastreamento que o Contran, numa flagrante violação ao direito do indivíduo à privacidade, determinou que sejam colocados, de forma obrigatória, nos veículos automotores em todo o país, fixando prazo para isto.
Impressionante é que compete, segundo o Contran, aos Estados e ao governo do Distrito Federal implementar o sistema de espionagem veicular – que vai monitorar, evidentemente, parte da vida e dos movimentos dos proprietários dos veículos e até de outras pessoas ligadas a eles, especialmente seus familiares.
Mas, de todos os Estados da Federação, nenhum, mas nenhum mesmo – e há deles governados pela oposição à qual compete aquela velha e boa “eterna vigilância” que é o preço da liberdade – questionou no STF, ou sequer publicamente, a constitucionalidade da decisão arbitrária e liberticida do Contran. Seus governos estão é felizes, pois esperam que o sistema lhes facilite a cobrança do IPVA e de taxas e multas. Ainda bem que a direção da Ordem dos Advogados do Brasil viu os valores maiores e decidiu entrar com uma ação direta de inconstitucionalidade no STF, alegando exatamente a questão da garantia constitucional da privacidade. Resta aguardar a decisão.
O outro exemplo de questão que há de se colocar no futuro do STF é a do “controle social” dos veículos de comunicação, pelo qual tanto se esforçam o governo federal, o PT e outros setores ligados de alguma forma a esses dois entes. O “controle social” – e isto há de ser examinado em outra ocasião – é apenas um eufemismo para um sistema de supressão da liberdade de expressão e, claro, com ela, das outras liberdades. A hora em que tanto o STF como a nação inteira terão de decidir sobre isso se aproxima rapidamente.

ago
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Posted on 29-08-2010
Filed Under (Crônica, Gilson) by vitor on 29-08-2010

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CRÔNICA/DESPEDIDA

Dinamitando a História

Gilson Nogueira

A morte do amado Estádio Octávio Mangabeira, a Fonte Nova, irá se transformar em um espetáculo midiático. Neste domingo, 29, assim que bananas de dinamite implodirem o que restou daquela praça de esportes, ou seja, seu lance de arquibancadas mais perto do céu, o Ibope vai fazer muita gente feliz. Depois, no lugar da Fonte Nova, o vazio, como o marco zero do absurdo.

E que ironia do destino, logo em um domingo, dia que, em passado nem tão distante, assim, ir à Fonte Nova carregava o mesmo sabor de uma feijoada completa, acompanhada de Coca Cola, e a magia de uma missa na Basílica do Bonfim.

Portanto, aproxima-se o momento do tiro fatal, em forma de aperto de um detonador, que irá calar, de vez, o grito de gol que não quis ir embora e que agonizava, ali, raquítico, faminto, tonto, esperançoso, no fosso úmido e fedorento, à beira do campo, já sem as traves, confiante em tomar forma, após a jogada do craque fantasma, capaz de virar o jogo, e, desse modo, não permitir o desmoronamento do templo maior de sua religião futebol.

Rasga-se, assim, com a implosão do último pedaço da Fonte Nova, uma página da história do desporto baiano. Explode-se uma espécie de cofre das mais ricas lembranças do povo da Boa Terra. Mais que isso, um relicário de proezas gigantescas dos jogadores de futebol da Bahia, em defesa das cores de sua seleção e de seus times, no campeonato local, e em disputas oficiais e amistosas com times de outras plagas.

Que saudade da zorra do Guarani, do Galícia, do Ypiranga, do São Cristóvão, do Botafogo, do Leônico, do meu Bahia mais Bahia que o Bahia de hoje. Que falta você vai fazer,minha Fonte Nova abençoada !!!

Ao som das dinamites pipocando, das palminhas de sempre, nessas ocasiões, e dos gritinhos da moda, encenados por quem não experimentou a sensação indescritível de assistir um Bahia e Vitória pelo buraco do portão do Xaréu da Fonte Nova e, com isso, dar-se por glorificado em ver, apenas, o jogador do seu time bater o corner e esperar o grito da torcida, você desaparece do mapa. Em seu lugar pretendem construir uma arena (argh!), com o nome de Nova Fonte Nova. Não gosto desse nome e morro um pouco com você, querida vizinha de muitos anos.

Gilson Nogueira é jornalista, colaborador de origem do Bahia em Pauta e, na juventude, também ex-morador da Rua do Genipapeiro, bairro da Saúde/Nazaré. A casa de sua família ficava a menos de 500 metros do portão de entrada da Fonte Nova.


Deputados Antonio Pereira Rebouças e Gê Acayaba de Montezuma

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DEU NO TERRA (ELEIÇÕES 2010)

Rosane Soares Santana

O século XIX, no Brasil, foi marcado pela ascensão dos mulatos, com diploma de bacharel, a postos de destaque na política e na administração pública, depois da implantação das faculdades de Direito de Olinda (PE) e São Paulo (SP). O elemento racial era fator de diferenciação da elite, composta de uma maioria identificada socialmente como branca, numa sociedade escravocrata e estigmatizada pela cor da pele.

À época, raros foram os indivíduos egressos das classes menos favorecidas da sociedade, geralmente negros e sem instrução superior, que conseguiram romper o apartheid. Como disse Johann Moritz Rugendas (“Viajantes Estrangeiros na Bahia Oitocentista”, Cultrix, 1980) “os homens de cor embora muito assimilados aos brancos, constituem em sua maioria as classes inferiores da sociedade”. E os altos escalões da burocracia e o Parlamento eram dominados pela minoria branca e rica, descendente de europeus – grandes proprietarios de terra e comerciantes.

Essa discriminação gerou o fenômeno da politização da cor, que ganhou destaque nas duas décadas posteriores à Independência (1822), segundo a historiadora Keila Grinberg, autora de estudos sobre o Brasil oitocentista (“O fiador dos brasileiros”, editora Civilização Brasileira). Jornais, movimentos e até revoltas, como a Sabinada, na Bahia, reivindicavam a igualdade entre homens livres. Inaugurou-se nesse período, de acordo com Keila, o que poderíamos chamar de “luta contra a discriminação racial”.

Mulatos na política

O mulato baiano Antonio Pereira Rebouças, de origem pobre, foi uma exceção digna de registro. Rábula, foi eleito seguidas vezes para a Câmara dos Deputados, a partir dos anos 30 do século XIX, ocupando, simultaneamente, também a cadeira de deputado provincial na Assembléia da Bahia. Nasceu na cidade de Maragogipe, no Recôncavo baiano, filho do alfaiate português Gaspar Pereira Rebouças com uma liberta (ex-escrava). É conhecido ainda como pai do engenheiro e abolicionista André Rebouças.

Autodidata em Direito, em 1846, por notório saber, a Câmara dos Deputados concedeu-lhe licença para advogar em todo o País. Aprendeu direito trabalhando em um cartório, segundo um de seus biógrafos, Antonio Loureiro de Souza. Foi também secretário do governo de Sergipe e Conselheiro do Imperador D. Pedro II e um dos maiores especialistas em direito civil no Brasil Imperial.

Mas, apesar de suas posições liberais na Câmara dos Deputados, Rebouças “repudiou veementemente qualquer associação entre cor e posições políticas ou condição social, segundo Keila Grinberg, autora da mais completa biografia sobre o parlamentar. O motivo é simples. Como a maior parte dos movimentos sociais e revoltas do Brasil, de então, tinha a participação dos mulatos e negros (maioria da sociedade), revindicando igualdade de direitos e melhores condições de vida, Rebouças temia ser identificado como um radical.

Isso lhe valeu a crítica e o desprezo dos sabinos, que liderados pelo médico mulato Francisco Sabino, na Bahia de 1837, tomaram Salvador, capital da província, de assalto, destituindo o governo e nomeando um governo independente. Em um conflito com notória dimensão racial, o mulato Antônio Rebouças ficou do lado dos legalistas, organizando a resistência na vila de Cachoeira, no recôncavo baiano, que derrotou os revoltosos.

Outro mulato, também baiano, destacou-se no Parlamento, no século XIX. Trata-se do deputado geral Gê Acayaba de Montezuma, constituinte em 1846, já tendo sido ministro de várias pastas do Império na década de 30 dos oitocentos. Foi condecorado visconde de Jequitinhonha por D. Pedro II. Diferentemente de Rebouças, possuía origem abastada, tendo estudado direito na prestigiosa Universidade de Coimbra, onde formou-se a maior parte da elite política brasileira do século XIX, até a Independência.
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Rosane Soares Santana é jornalista, com mestrado em História pela UFBA. Estuda o Poder Legislativo, elites políticas e eleições no Brasil. Integra a cobertura de eleições do Terra

LEIA MAIS ELEIÇÕES NA HISTÓRIA

http://terramagazine.terra.com.br/interna/

ago
28
Posted on 28-08-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 28-08-2010

Cartaxo, da Receita: caso mal explicado

“Não acho que a Receita esteja envergonhada. O que aconteceu nela foi, entre outras coisas, uma grande sem-vergonhice” , considera o jornalista político Ivan de Carvalho em seu artigo deste sábado na Tribuna da Bahia, no qual analisa o desdobramento do escândalo da violção do sigilo fiscal de quatro pessoas ligadas ao principal candidato de oposição a presidente da República, José Serra, do PSDB. Duas dessas quatro pessoas são ligadas a Serra por laços familiares e o ex-ministro Mendonça de Barros é outra delas.Bahia em Pauta reproduz o texto. (VHS)
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OPINIÃO POLÍTICA
Receita morre de vergonha

Ivan de Carvalho

Mas que vergonha. A Receita Federal está morrendo de vergonha. Seu chefe, o secretário nacional Otacílio Cartaxo, deu entrevista, ontem, para dizer que a Receita está “envergonhada” porque servidores seus violaram o sigilo fiscal de quatro pessoas ligadas ao principal candidato de oposição a presidente da República, José Serra, do PSDB. Duas dessas quatro pessoas são ligadas a Serra por laços familiares e o ex-ministro Mendonça de Barros é outra delas.

Não acho que a Receita esteja envergonhada. O que aconteceu nela foi, entre outras coisas, uma grande sem-vergonhice. Quando não se tem vergonha não se fica envergonhado. Ou envergonhada.

O chefe da Receita Federal afirma que uma investigação interna apurou que funcionários estariam violando o sigilo fiscal de contribuintes por encomenda de terceiros, em troca de propina. Isto é, o Estado, não como instituição, mas por seus agentes, recebe informações dos contribuintes, viola o sigilo garantido pela Constituição, bisbilhota as informações e vende-as. E o Estado, como instituição, não cuida de impedir que essas coisas aconteçam.

Também ontem a candidata do PT a presidente da República, Dilma Rousseff, deu entrevista sobre o assunto. Confirmou a violação do sigilo, mas alegou que o fato é muito mais amplo, abrangendo “centenas” de casos, e, portanto, segundo ela, constituindo claramente um problema de “corrupção”, problema “evidentemente sem motivação política”.

Ora, em primeiro lugar não se tem nenhuma garantia de que a investigação interna da Receita Federal tenha sido imparcial na apuração das motivações. Antes de apresentar suas conclusões na entrevista de ontem, o secretário Otacílio Cartaxo já havia declarado que não havia motivação política no caso. A Receita é parte do governo, é um órgão do Ministério da Fazenda. Tem lá sua autonomia, mas o boi sabe onde arromba a cerca. E onde não arromba.

Em segundo lugar, se realmente – coisa que a Receita precisa ainda provar para os contribuintes e a sociedade – os funcionários que quebraram sigilo fiscal, à moda dos assassinos de aluguel, o fizeram em troca de propina e não por motivação política, o que dizer das pessoas que encomendaram a quebra de sigilo? Quais terão sido elas e com quais motivações? Se investiram tão certeira e diligentemente na obtenção de informações constitucionalmente sigilosas de pessoas ligadas ao candidato principal da oposição, “evidentemente”, como disse a candidata petista, não foi por motivação política. Não se estava, “evidentemente”, no processo de preparação de um dossiê para algum tipo de utilização na campanha eleitoral, por exemplo.

Certo. Então foi por qual motivação? Seria com a intenção de, caso fosse encontrado algo errado, chantagear e extorquir o candidato a presidente da coligação liderada pelo PSDB?

Se não fosse com motivação política ou eventualmente para chantagear e extorquir José Serra, então as pessoas cujas informações fiscais foram visadas seriam outras. É que há centenas, milhares delas que, no Brasil, estão em condições de pagar melhor pelo silêncio dos que houvessem encomendado as informações protegidas pelo sigilo fiscal.

ago
28

Serra: sem achar o compasso

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ARTIGO DA SEMANA

É DE PIOR A PIOR

Vitor Hugo Soares

A mais recente pesquisa do Instituto Datafolha mostra com clareza: é periclitante a situação de José Serra, candidato do PSDB à presidência da República que, na verdade, nunca andou bem das pernas nesta campanha. Ele e os claudicantes aliados que ainda o acompanham pelo país – cada semana em menor número e a cada dia com menos firmeza no discurso – à medida que se aproxima 03 de outubro.

“De pior a pior” segue o ex-governador de São Paulo na disputa à sucessão Lula. Parecido com o xaxado nordestino “A cantiga da perua”, dos saudosos Jackson do Pandeiro e Almira Castilho, sucesso nacional dos anos 50, que fez dançar milhões de brasileiros nos forrós juninos.

egravada mais recentemente pela também paraibana Elba Ramalho, a música pontifica entre as gozações atuais dos petistas do Nordeste aos tucano, e define com perfeição o dilema de um candidato sem rumo, que roda dentro de um círculo que se reduz, sem conseguir sair do lugar.

A diferença a favor da candidata do PT já bate na casa dos 20 pontos percentuais, segundo a última Datafolha. Não falta quem antecipe diferenças ainda maiores em próximos levantamentos de outros institutos. Pode ser puro blefe de apostador, ou pura pirraça mesmo. Mas ainda assim é melhor ficar atento.

“Eleição sem pirraça não tem a menor graça no sertão”, já dizia o falecido deputado pessedista Raimundo Reis. Ele sabia das coisas universais e nordestinas e, nos dois casos, as contava com muita graça e inteligência. Além de político, Raimundo foi também um dos maiores cronistas do cotidiano da Bahia em qualquer época, um conhecedor de almas, de costumes políticos, da transitoriedade e pequenez do poder. O autor de “Enquanto é Tempo” e “Geografia do Amor” faz muita falta em épocas eleitorais casmurras que até censura ao humorismo, como esta que está chegando próximo da sua encruzilhada.

Tudo é possível em eleição, dizem os mineiros. Bob Fernandes, que anda pela Bahia, me liga e percebo que ele também tem lá ainda suas dúvidas, apesar dos números, como é próprio dos bons repórteres. De minha parte confesso: não consigo enxergar sinais visíveis e objetivos (nem mesmo subjetivos) de alguma reação digna do nome no desempenho futuro de Serra: nas pesquisas, na qualidade dos programas no horário eleitoral de propaganda no rádio e na televisão, nos comícios, até mesmo nos rostos cada vez mais contrafeitos e agressivos de tucanos e democratas.

Sem falar nas minguadas arrecadações para o caixa de campanha do ex-governador de São Paulo, na medida que o candidato desce a ladeira. Este, sem dúvida, um sinal vermelho em campanha nacional no país com as dimensões do Brasil.

Vejam, por exemplo, o caso baiano. O governador petista Jaques Wagner anunciou, com quase uma semana de antecedência, que o presidente Lula lhe havia garantido presença em Salvador ao lado da candidata “in pectore” à sua sucessão, Dilma Rousseff, no comício que varou a madrugada de ontem na Praça Castro Alves.

Foi o suficiente para a capital baiana praticamente virar um deserto de tucanos e democratas. Não havia buracos suficientes na cidade administrada pelo prefeito João Henrique Carneiro (PMDB), onde tanta gente em fuga pudesse se esconder de uma hora para outra, da mão pesada e dos olhos penetrantes na passagem do “rei” e sua “soberana” pela província.

Mesmo no PMDB do ex-ministro Geddel Vieira Lima, aliado nacional da candidata petista à presidência e ácido adversário de Jaques Wagner no estado, muita gente preferiu “tomar o caminho da roça” para se esconder. Ou fazer campanha no interior, a começar pelo candidato peemedebista a governador.

Ficou João, o prefeito, porque teria sido vergonhoso demais ele sumir de repente quando também o ministro das Cidades visitava Salvador para entregar “as chaves” e prometer mais recursos para o interminável metrô baiano, cuja primeira e única linha está em construção há 11 anos. Além disso, até os mais ingênuos dirigentes de PMDB estão convencidos de que João já caiu nos braços de Wagner há um bom tempo.

No comício de ontem, na Praça Castro Alves, uma cena das mais emblemáticas destes dias e desta campanha. Ao discursar, Lula faz suas escolhas eletivas no estado, com cortes de cirurgião consagrado. Ao governador petista a seu lado, atacado por Geddel na campanha, recomenda: “Não perca a calma, Wagner, quando os adversários estiverem babando de ódio”.

Depois o presidente pediu votos para eleger toda chapa majoritária de Wagner – os candidatos ao senado Lídice da Mata (PSB) e Walter Pinheiro (PT). No palanque Lula vê Otto Alencar (PP), fina flor do antigo carlismo baiano. Agora candidato a vice-governador na chapa petista, Otto veste uma camisa amarela da campanha petista com o “Wagner 13” escrito nas costas. Lula não perde a embalagem: “Companheiro Otto, não sabia que tu ias vestir essa camisa com tanta rapidez”, dispara o presidente. E a platéia ri do constrangido ex-seguidor de ACM.

Enquanto isso, na campanha e nos palanques de Serra, parece prevalecer a lei daquele motorista de caminhão do filme “Macunaima , o herói sem caráter”. Depois de despejar a leva de retirantes sem emprego e sem rumo na periferia da grande cidade o motorista avisa :”Agora é cada um por si e Deus contra”.

“É de pior a pior”, como no xaxado de Jackson do Pandeiro.

Vitor Hugo Soares é jornalista – E-mail: Vitor_soares1@terra.com.br

Dilma antes do comício em Salvador/ Correio da Bahia

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“Mas tudo isso foi quebrado com a vinda de Lula para, confirmando o que já gravou para a propaganda eleitoral gratuita, pedir votos para Wagner, Pinheiro e Lídice”, comenta Ivan de Carvalho em seu artigo desta sexta-feira, na Tribuna da Bahia, sobre o novo quadro político local criado com o comício de ontem na praça Castro Alves, que tinha tudo para ser o fato mais importante do dia no país, mas acabou empanado pelo escândalo da quebra de sigilo fiscal de pessoas ligadas ao principal candidato da oposição, José Serra. Verificou-se que, além de Eduardo Jorge, mais quatro pessoas ligadas ao candidato do PSDB a presidente tiveram seus sigilos fiscais acessados indevidamente”, diz Ivan no artigo que BP reproduz.  (VHS)

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OPINIÃO POLÍTICA
O comício e o sigilo fiscal

 Ivan de Carvalho

No momento em que escrevia estas linhas, o presidente Lula e a candidata a presidente da República, Dilma Rousseff, preparavam-se para o comício da Praça Castro Alves, o que poderia ser o fato político mais importante no Brasil, ontem.
É que este é o primeiro comício da candidata junto com o presidente na Bahia, uma das principais unidades da Federação e também confirma, de maneira presencial, a posição de Lula de pedir votos para a reeleição do governador Jaques Wagner e para a eleição dos dois candidatos a senador da coligação liderada pelo PT, o petista Walter Pinheiro e a socialista Lídice da Mata.
Este seria um caminho natural se houvesse na Bahia uma coligação liderada pelo PMDB, principal aliado do PT no atual governo e na atual campanha eleitoral, que tem como candidato a governador o ex-ministro de Lula, Geddel Vieira Lima.
Havia duas presunções a respeito: 1) Dilma Rousseff teria dois palanques na Bahia e aos dois compareceria (ou comparecerá). Isto, aliás, não era apenas uma presunção, mas coisa certificada por declarações e atitudes dos principais envolvidos no assunto; 2) O presidente Lula manteria uma posição de neutralidade e possivelmente até nem participaria de comícios na Bahia. Caso viesse a participar, iria aos palanques de Wagner e de Geddel e pediria votos para Dilma, evitando, em nome da aliança tanto local quanto principalmente nacional com o PMDB, declarar preferência ou pedir votos para Wagner ou Geddel. Ou, em caso de necessidade, pediria para os dois – dizendo que apóia os dois – e deixando clara a exclusão de todos os demais candidatos, especialmente o que representa a coligação estadual liderada pelo Democratas. Também não pediria votos para senador, tendo em vista que só existem duas cadeiras em disputa e há três candidatos aliados dele – o senador César Borges, do PR, o petista Walter Pinheiro e a socialista Lídice da Mata. Ou então diria aos eleitores que, por ele, Lula, podem votar nos três, que a Bahia e o país estariam bem servidos.

Mas tudo isso foi quebrado com a vinda de Lula para, confirmando o que já gravou para a propaganda eleitoral gratuita, pedir votos para Wagner, Pinheiro e Lídice. Resta apenas a expectativa da presença de Dilma também no palanque do PMDB, mas sem Lula, pois como este já manifestou sua posição, não faria sentido sua presença no palanque da coligação liderada pelo PMDB.

Mas o fato político baiano foi posto em plano secundário ante o recrudescimento e ganho de densidade do escândalo da quebra de sigilo fiscal de pessoas ligadas ao principal candidato da oposição, José Serra. Verificou-se que, além de Eduardo Jorge, mais quatro pessoas ligadas ao candidato do PSDB a presidente tiveram seus sigilos fiscais acessados indevidamente. No caso de Eduardo Jorge, os dados resultantes da violação foram parar nas mãos de petistas e o candidato Serra está cobrando da candidata do PT, Dilma Rousseff, “uma explicação” ao país. A oposição está cobrando à Procuradoria Geral da República e até ao Supremo Tribunal Federal uma apuração e punição dos responsáveis pela violação, que afronta a Constituição. A OAB se pronunciou ontem no mesmo sentido. Dilma prometeu processos judiciais contra os que a acusam ou à sua campanha de responsabilidade no caso.
E foi assim que o comício da Bahia passou para o segundo plano.

João: sem choro desta vez

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DEU NO BLOG POLÍTICA HOJE

Por que João Henrique não chorou?

 

Bárbara Souza

Desde a última segunda-feira (23) a população de Salvador tem assistido, entre incrédula e comovida, às cenas impactantes da demolição das barracas de praia instaladas na Orla da cidade. Até o momento em que essas linhas são escritas, 325 barracas já foram destruídas, numa eficiência que muito nos agradaria se fosse emprestada à operação tapa-buracos, à gestão da segurança pública e ao atendimento nos hospitais públicos. Agora, tudo voltará ao ‘normal’: os escombros serão retirados em três meses. Serão 90 dias para fixar bem a imagem de terra arrasada com vista para o mar.

A rigor, não há nada de errado no fato de o Executivo cumprir com presteza uma determinação da Justiça. Deveria ser sempre assim. Mas não é. Estranha que o seja justamente quando tal determinação tem como saldo inexoráveis prejuízos na economia e no turismo, o desemprego de três mil pessoas e o desespero de outras tantas, que chegaram a cogitar atos extremos, como atear fogo ao próprio corpo.

O drama dos comerciantes atingidos pela decisão judicial, o choro de famílias inteiras, o impacto das imagens da devastação feita pelas escavadeiras, tudo isso provocou grande consternação e levou muita gente às lágrimas. Menos o prefeito de Salvador, João Henrique Carneiro, cuja emotividade sempre marcou suas aparições, inclusive na sua campanha à reeleição, em 2007. A sensibilidade de João foi incorporada como algo positivo à imagem do então candidato, que chegou a ter índices de rejeição na casa dos 70%. É fácil entender: como diz a música, “um homem também chora, também deseja colo”.

A pergunta é: por que as estratégias de comunicação para enfrentar a crise de imagem que atinge diretamente o prefeito não incluíram o choro de João? Diante do silêncio do chefe do Executivo municipal sobre o assunto até então, era de se esperar de João – se não uma ação efetiva como a adotada pela prefeita de Lauro de Freitas, Moema Gramacho – ao menos um gesto simbólico de pesar com o sofrimento dos barraqueiros, com quem João diz estar preocupado. Chorar seria o mínimo. Sobretudo se considerados o apelo das cenas e o histórico lacrimal do prefeito, que se emocionou, por exemplo, com a reinauguração do Palácio do Rio Branco, em junho último.

Na manhã desta quarta-feira (25), o prefeito de Salvador se reuniu com representantes do Patrimônio da União, secretários municipais e estaduais. A reunião terá continuidade à tarde. O objetivo? Discutir soluções para os barraqueiros. Justo agora, que Inês é morta e o leite foi derramado? Só agora, que “a festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou”? E agora, João?

* Bárbara Souza é jornalista e editora-chefe do Política Hoje

ago
26
Posted on 26-08-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 26-08-2010

Indio da Costa: flechadas no debate

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“O que se reclama é o direito dos eleitores conhecerem o que pensam os candidatos a respeito de certos assuntos de grande interesse público”, comenta Ivan de Carvalho no artigo desta quinta-feira , na Tribuna da Bahia, que BP reproduz.
(VHS)

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OPINIÃO POLÍTICA

Uma provocação séria

Ivan de Carvalho

Em debate, promovido pela Folha de S. Paulo e portal UOL, entre os candidatos a vice-presidente nas chapas de Dilma Rousseff, Marina Silva e José Serra, respectivamente o deputado peemedebista Michel Temer, o empresário Guilherme Leal e o deputado democrata Indio da Costa, este último fez uma provocação à candidata petista e governista.
Mas só por ter sido uma provocação não significa que não haja sido séria. Na verdade, foi séria e continua válida como elemento de avaliação de posições que a candidata petista não conseguiu ou não quis, até o momento, deixar claras para o eleitorado.
Ao referir-me à provocação de Indio da Costa, penso numa provocação bem específica: o deputado Indio da Costa disse que Dilma está fugindo tanto dos debates que deixou de comparecer a um deles, promovido pela TV católica, a Rede Vida, “para ir a um evento de rock”.
Claro que a candidata petista a presidente da República tem todo o direito a gostar de rock, como muita gente gosta, talvez até mesmo o candidato a vice Indio da Costa. Mas a questão não é esta e sim usar um evento de rock, coisa sem grande importância política na campanha (afinal, nenhum candidato a presidente manifestou-se nos recentemente completados 21 anos da morte do inesquecível roqueiro baiano Raul Seixas), como pretexto para não comparecer a um debate na rede de televisão da Igreja Católica.
Note-se – e isso foi destacado durante o debate dos candidatos a presidente na Rede Vida, tanto pela própria Marina Silva quanto por José Serra – que a ausência de Dilma, que, após certas hesitações, se declarou recentemente “cristã” e, numa espécie de segundo patamar, “católica”, foi tão mais estranha quanto esteve presente a evangélica Marina Silva.
Serra sempre teve uma ligação com a Igreja Católica, era de esperar que comparecesse. De Marina, formalmente podia-se duvidar, embora ela esteja pessoalmente bem mais afinada com as posições da Igreja Católica em alguns assuntos “quentes” do que pessoas que se afirmam católicas quando se deparam com uma eleição pela frente.
Mas essas coisas são da esfera da consciência e do livre arbítrio de cada um. O que se reclama é o direito dos eleitores conhecerem o que pensam os candidatos a respeito de certos assuntos de grande interesse público, alguns dos quais certamente poderiam ser postos com muita objetividade em um debate na rede de televisão da Igreja Católica. Isso interessaria aos eleitores católicos, com certeza, bem como a eleitores evangélicos, aos cristãos em geral, aos espíritas, a todos os espiritualistas e também aos ateus militantes ou aos simplesmente não-crentes.
Dentre todas as questões “quentes” que envolvem conceitos espirituais e que não podem deixar de ser de interesse objetivo dos eleitores que prezam esses conceitos, está a questão do aborto. O debate na Rede Vida seria o momento ideal para que o eleitorado conhecesse a posição de cada um dos três principais candidatos a presidente, já que questionamentos e esclarecimentos não foram feitos anteriormente, salvo no caso de Marina Silva. No mais, só há declarações genéricas, do tipo “sou a favor da vida” e “isso é assunto do Congresso, não tomarei a iniciativa”, como se presidente da República não influísse sobre o Congresso.

ago
25
Posted on 25-08-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 25-08-2010


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Em seu artigo desta quarta-feira na Tribuna da Bahia o jornalista política Ivan de Carvalho escreve sobre as primeiras escaramuças, típicas de disputas de espaço e de poder, entre o PMDB e o PT no plano nacional, com reflexos nos estados, a Bahia por exemplo. “É quase inacreditável – e só se explica por uma sofreguidão exagerada pelo governismo – que o comando peemedebista haja cometido um erro tão grave”, diz Ivan no texto que Bahia em Pauta reproduz.

(VHS)

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OPINIÃO POLÍTICA

O PT é diferente

Ivan de Carvalho

Bem, parece que no momento em que PT e PMDB deram caráter formal à aliança eleitoral para as eleições presidenciais e à aliança política para o futuro governo, o PMDB tratou o PT como se este fosse um partido normal, a exemplo do próprio PMDB, do PSDB, do DEM, do PR, do PP, do PTB. Mas o PT não é um partido normal. Porque não quer ser partido, quer, no final do caminho, ser o todo. Claro que há petistas, até facilmente identificáveis, que não pensam assim, mas vale a resultante do conjunto e a resultante é a enunciada na frase precedente.

É quase inacreditável – e só se explica por uma sofreguidão exagerada pelo governismo – que o comando peemedebista haja cometido um erro tão grave, que já está apresentando seus primeiros efeitos e, a julgar por estes, deverá apresentar ainda muitos outros. O PMDB celebrou a aliança sem impor – quando ainda podia impor, pois agora parece que já não pode, graças, em boa parte, ao reforço imenso que ele mesmo deu ao desígnio petista de eleger a sucessora de Lula – condições absolutamente objetivas, seja para a campanha, seja para o eventual futuro governo.

Para o partido não sair prejudicado já na campanha eleitoral e tendo-se farto conhecimento do prestígio popular de Lula e da força representada pelo comando do Poder Executivo federal, o mínimo que o PMDB poderia, se estivesse agindo com sanidade, fazer seria estabelecer algo como “tratamento igual”. Essa igualdade teria de ser respeitada por Lula e a candidata petista Dilma Rousseff em relação a todos os candidatos petistas e peemedebistas a governador e senador.

Outros aliados, como o PR e o PP, poderiam “pegar carona” no acordo PT-PMDB para exigir que a igualdade valesse também em relação a eles. Isto talvez incomodasse um PMDB sôfrego e egoísta, mas não deveria incomodar um PMDB inteligente, pois se os demais aliados importantes exigissem também a pactuação da igualdade, isto reforçaria a exigência do próprio PMDB.

Garantido o “tratamento igual” de Lula, Dilma e o governo para o PT e os aliados durante a campanha eleitoral, então se poderia discutir e resolver certos detalhes importantes, como, para o PMDB, era a candidatura de Hélio Costa ao governo de Minas Gerais. Isso seria possível sob o argumento óbvio e incontestável de que o Grande Prêmio o PT já estaria levando – a Presidência da República. Teria então que ceder muito no restante para que se estabelecesse uma situação de equilíbrio.

Nada disso foi feito e porque não foi feito o presidente Lula já está aí atropelando o PMDB em pelo menos dois Estados (a Bahia é um deles) e o PR. E o comando nacional dos dois partidos não dá um pio. Se já está assim antes das eleições, pode-se imaginar depois, se Dilma vencer mesmo, como sugerem neste momento todos os sinais.

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