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A experiência de 16 anos de mando do carlismo na Bahia e a perspectiva que se delineia de algo semelhante para o petismo (ou lulismo) no plano nacional diante da hipótese bastante provável de vitória eleitoral de Dilma Rousseff na sucessção presidencial, em outubro, é o tema do artigo do jornalista político Ivan de Carvalho esta terça-feira, na ribuna da Bahia, que Bahia em Pauta reproduz. Confira.

(VHS)
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OPINIÃO POLÍTICA

O tempo e o PT

Ivan de Carvalho

Com a candidata do PT a presidente abrindo, no Datafolha – para confirmar os demais institutos que vêm divulgando pesquisas eleitorais – uma vantagem de 17 pontos em relação ao principal candidato da oposição, José Serra, da coligação liderada pelo PSDB e na qual estão ainda o DEM, o PTB e o PPS, o país parece em marcha acelerada para somar aos oito anos de Lula pelo menos quatro de Dilma Rousseff e assim cravar pelo menos 12 anos de governo federal comandado pelo PT.

Note-se que na área atualmente de oposição não existem alternativas eleitorais reais fora da declinante ou decadente candidatura de José Serra. Marina Silva, do PT, não tem como vencer a disputa, nem mesmo como chegar ao segundo turno, e Plínio de Arruda Sampaio, do Psol, está aí só para marcar posição. Isto para não falar nas candidaturas ridículas, sob o aspecto da representatividade e até mesmo sob outros aspectos.

O cenário delineado é o de um mínimo de 12 anos de governo comandado pelo PT – os oito de Lula e quatro de Dilma. Mas, pelo que está dando para sentir na campanha eleitoral, a primeira presidente do Brasil terá uma oposição frágil nas áreas partidária e parlamentar. E assim há que considerar desde já como não apenas possível, mas até provável – apesar da distância no tempo, que traz seus imprevistos – a hipótese de reeleição de Dilma ou do retorno de Lula em 2014.

Então seriam, ao invés dos oito já para se completarem ou dos 12 quando incluído na conta o eventual mandato de Dilma, 16 anos. Ora, isso é tempo suficiente para, sob uma oposição frágil como a que parece que surgirá das urnas de outubro, o poderoso Executivo federal, sob comando petista, consolidar seu domínio sobre o Congresso Nacional, indicar magistrados em grande número para a composição dos tribunais superiores e especialmente o Supremo Tribunal Federal, que dá, afinal, a última palavra sobre o que estabelecem a Constituição e as leis.

Na Bahia, tivemos uma experiência parecida, evidentemente que transposta para um cenário estadual. Antonio Carlos Magalhães exerceu seu primeiro mandato de governador a partir de 1971, mas antes governou a capital baiana por três anos. Então veio Roberto Santos, e logo romperam, mas ACM retornou para o segundo mandato no início de 1979 e ficou até o final de 1982. Sucedeu-lhe um então aliado, integrante de seu grupo político, João Durval. Veio em seguida um adversário, Waldir Pires, que cumpriu meio mandato e deu a outra metade para outro adversário de ACM na época, Nilo Coelho. Mas, mesmo quando seu grupo não deteve o governo estadual, ACM conseguiu dispor de instrumentos de poder suficientes para influir fortemente na Bahia.

E voltou novamente governador empossado em 1º de janeiro de 1991. Começou então um reinado de seu grupo, que só acabou com a posse de Jaques Wagner, do PT, em 1º de janeiro de 2006. Foram 16 anos de carlismo no Executivo estadual. Antes de uma fase final de declínio, chegou ao auge, controlando o Executivo, o Legislativo, o órgão máximo do Judiciário, “governando” o setor empresarial e exercendo forte poder sobre os municípios. “Eu sou o poder. Quando eu ando, o poder anda. Quando eu durmo, o poder dorme”, disse uma vez. Versão baiana do “L’État ce moi” atribuído a Luís XIV.
Teremos a versão brasileira, “O Estado é o PT”?

ago
23
Posted on 23-08-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 23-08-2010

Temer: vice comanda tropa do PMDB

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O PMDB começa a colocar a corroça adiante dos bois, aparentemente seguro de que a vitória da petista Dilma Rousseff na eleição de outubro já está no papo.

Segundo reportagem do Estadão no domingo, o principal partido da aliança governista já tem até plano de partilha de cargos no governo que sucederá o de Lula e já avisa: sem essa de servir de “barriga de aluguel”, como no caso da indicação do atual ministro da Saúde, nome do peito do governador do Rio, nomeado na cota do PMDB. “Aposto que o PT, se continuar na Presidência da República, vai fazer um esforço descomunal para que as coisas não aconteçam como quer o PMDB”, diz o jornalista político Ivan de Carvalho em seu artigo desta segunda-feira, na Tribuna da Bahia, que Bahia em Pauta reproduz.
(VHS)
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OPINIÃO POLÍTICA

O PMDB e a natureza do PT

Ivan de Carvalho

“Aposto que o PT, se continuar na Presidência da República, vai fazer um esforço descomunal para que as coisas não aconteçam como quer o PMDB.”

Com a dianteira assumida nas pesquisas eleitorais pela candidata do governo e da coligação liderada pelo PT a presidente da República, o PMDB, principal aliado, tanto da base do governo quanto do PT na coligação, apressa-se a marcar a fatia do bolo que imagina comer no futuro a aparentemente provável governo de Dilma Rousseff.

A coisa mais essencial de todas é que o PMDB espera continuar sendo o maior partido no Congresso Nacional. Está certo de que terá a maior bancada no Senado, como já ocorre atualmente, e quase certo de que conseguirá também contar, como já ocorre, com a maior bancada na Câmara dos Deputados. Neste último objetivo, há uma certa ameaça do PT, mas os peemedebistas confiam que, embora por uma diferença que poderá ser mínima, terão mesmo a maior bancada dentre todos os partidos.

Não é da lei – porque os presidentes do Senado e da Câmara são eleitos e qualquer senador ou deputado pode apresentar sua candidatura –, mas é da praxe, por todos admitida e reconhecida publicamente, que o partido que tenha a maior bancada numa Casa do Congresso indica o presidente dessa Casa.

Como o PMDB espera ter as maiores bancadas no Senado Federal e na Câmara dos Deputados, espera “fazer” os presidentes das duas Casas que compõem o Legislativo federal. E faz saber – por enquanto, com porta-vozes no anonimato – que exercerá sua “prerrogativa” de indicar os presidentes das duas casas, estando fora de cogitação estabelecer, como ocorreu sob Lula, um rodízio com o PT na presidência da Câmara.

De agora em diante, rodízio no Congresso, se houver, só de pizza. O que, forçoso é admitir, parece bem provável, tendo em conta os precedentes. Além dos presidentes das duas Casas do Congresso, o PMDB conta ter, naturalmente que se Dilma Ducheff (esse lapso está me perseguindo, é Rousseff, gente) for eleita, o que nunca teve desde a primeira redemocratização, em 1945 – o vice-presidente da República, na pessoa de Michel Temer, presidente da Câmara e do próprio PMDB.

Outra coisa que o PMDB está avisando (o jornal O Estado de S. Paulo publicou matéria a respeito ontem) é que não aceitará mais ser “barriga de aluguel”. Explicando melhor: o presidente Lula quis nomear alguém indicado pelo governador fluminense Sérgio Cabral (do PMDB, por conveniência) para ministro da Saúde e então nomeou José Gomes Temporão, atribuindo o cargo à cota do PMDB, que como partido não foi ouvido nem cheirado a respeito, apenas “alugou a barriga” para Lula fazer o filho. Daí que o PMDB, ó…

Pois não aceitará mais isto. E avisa que o cenário, uma vez eleita Dilma, será radicalmente diferente do que havia no governo Lula. O PMDB não será um aliado “convidado” a participar do governo depois da eleição de Lula. Será também dono da casa, do governo que terá ajudado a eleger. E quer poder dividido “meio a meio”. Não sei como pode ser isso, se a Constituição só admite um presidente e só um (a) será eleito. Mas quer Henrique Meirelles na equipe econômica, ministérios com “porteira fechada” – antigamente, o nome era mais sutil, dizia-se “ministérios verticalizados” –, sua cota de cargos, inclusive de comando, nas estatais.
Aposto que o PT, se continuar na Presidência da República, vai fazer um esforço descomunal para que as coisas não aconteçam como quer o PMDB. Não é da natureza do PT conformar-se com o que o PMDB pretende.

ago
22
Posted on 22-08-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 22-08-2010

Chavez, na Venezuela:  eleições à vista

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Em seu artigo publicado na edição de fim de semana (sábado e domingo) da Tribuna da Bahia, o jornalista político Ivan de Carvalho pega o vôo imaginário de passagem pelo aeroporto de Salvador (já observaram que no horário eleitoral gratuito praticamente nenhum candidato fala mais em retomar a denominação histórica de Aeroporto Dois de Julho?) e instala momentaneamente no Caribe o seu bem equipado observatório de análise e crítica. “Vale fazer um corte para a Venezuela do ditador-presidente Hugo Chávez, onde haverá eleições daqui a um mês,” explica Ivan no texto publicado ontem na TB, que Bahia em Pauta reproduz no domingo, dia melhor para reflexões. Confira. (VHS)
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OPINIÃO POLÍTICA

A liberdade em debate

Ivan de Carvalho

O principal candidato da oposição a presidente, José Serra e seu partido, o PSDB, acusam o governo Lula de haver trabalhado contra a liberdade de imprensa e advertem para a continuidade desse risco caso o PT consiga eleger sua candidata a presidente. O ataque provocou respostas aparentemente indignadas do ministro da Comunicação Social, jornalista Franklin Martins. Também Luiz Dulci, chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, entrou na polêmica, para contestar os tucanos e contra-atacar.

Vale fazer um corte para a Venezuela do ditador-presidente Hugo Chávez, onde haverá eleições daqui a um mês. Lá, por uma coincidência extraordinária, daquelas que têm causa notória e efeitos pretendidos evidentes, o juiz William Páez (o Legislativo na Venezuela é hoje mero apêndice do Executivo chefiado por Chávez e o Judiciário já está bastante submisso ao coronel) proibiu a publicação de qualquer noticiário sobre violência nos jornais do país durante um mês (o período que faltava para as eleições, que nem incluem a Presidência da República).

Por outra coincidência, do mesmo tipo da antes mencionada, a violência – a insegurança pública, que cresceu à moda brasileira na “República Bolivariana da Venezuela” – se tornara o principal tema da campanha da oposição.

Houve uma reação internacional vívida e também uma reação interna bastante intensa para forçar o juiz a “recuar”, como diz o noticiário, em sua decisão. Mas qual foi o recuo? O bravo juiz decidiu que a medida será válida apenas para imagens, e não textos, e apenas para dois jornais: “El Nacional” e “Tal Cual”, críticos do governo de Hugo Chávez.

“Excelente”, diria ironicamente Pedro Mattos, um saudoso amigo meu e colega de profissão.Os dois jornais publicaram uma foto do necrotério da capital com mais de um cadáver por maca e corpos no chão. Magnânimo, em sua reconsideração da decisão, ao manter a censura sobre os dois jornais citados, limitando-as a imagens e liberando textos, o juiz a retirou dos demais, sob o entendimento de que não há motivo para suspeitar que os outros jornais sigam o exemplo dos que fizeram a denúncia relacionada com o necrotério, onde os vitimados pela violência buscam e não encontram um lugar para cair mortos.

Bem, vale lembrar que aqui no Brasil houve uma tentativa do governo – que alegou estar agindo para atender reivindicação da aparelhada Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) – de criar um Conselho Federal de Jornalismo, com atribuições até de punição de jornalistas que, ao ver do Conselho, saíssem da linha, atribuições óbviamente expansíveis, que poderiam levar a uma censura eficaz da atividade jornalística. Outro instrumento cuja criação foi intentada pelo governo Lula foi o de um organismo para normatizar, gerir e estabelecer políticas, inclusive de financiamento, para o setor audiovisual.

Como as reações foram fortes, o governo recuou provisoriamente, mas essas intenções de “controle social” da mídia – uma expressão bonitinha para esconder coisa feia – continuam no programa do PT, inclusive naquele programa que o partido registrou no TSE para ser o programa de governo da candidata Dilma, do que teve de recuar ante as reações setoriais e o sinal de alerta que tal registro emitiu à sociedade brasileira.

ago
21
Posted on 21-08-2010
Filed Under (Artigos, Rosane) by vitor on 21-08-2010

DEU NO TERRA (ELEIÇÕES NA HISTÓRIA)

Rosane Santana

A disputa pelas primeiras suplências de deputados gerais e provinciais era bastante acirrada nas eleições do Brasil Império. Com uma elite reduzida a poucos nomes, onde sobressaiam bacharéis em direito, médicos e padres, os mandatos acabavam caindo sempre nas mesmas mãos. Um acordo de cavalheiros entre os eleitos e, tudo indica, o gabinete do Imperador permitia aos suplentes assumirem seus mandatos, enquanto titulares eram nomeados para cargos da alta burocracia, como a presidência de províncias, ministérios e ouvidorias, entre outros.

A alta rotatividade de titulares provocava uma valorização do cargo de suplente e explica o porquê da disputa entre eles por uma melhor posição na lista dos votados, com frequentes pedidos de recontagem, que eram aceitos na medida do prestígio de cada um deles junto ao presidente da província, responsável por validar as eleições, e a quem eram encaminhadas algumas atas em branco para que as preenchesse com nomes de sua preferência.

Como as cédulas eleitorais – por longo período, pedaços de papel com o nome dos candidatos para serem depositados na urna – eram queimadas pelos colégios eleitorais das províncias, após a confecção das atas, supõe-se que a recontagem era algo impossível. No final, funcionava a força da caneta do presidente e o prestígio do postulante, geralmente traduzido pelo poder econômico, devido à posse de grandes extensões de terra, engenhos e escravos e os negócios no comércio de exportação e importação, inclusive de africanos, até a proibição definitiva em 1850.

É preciso ressaltar o caráter da interinidade da suplência, ainda que prolongada, uma vez que ao licenciar-se o titular não perdia o mandato, podendo retomar a sua cadeira, se assim lhe conviesse, mesmo tendo saído para exercer outro mandato eletivo. Era o caso, por exemplo, de deputados provinciais eleitos para a Assembleia Geral (Câmara dos deputados). Em 1835, por exemplo, o bacharel e chefe de Polícia da Cidade da Bahia, Francisco Gonçalves Martins, substituiu na Assembléia Geral o deputado Luis Paulo de Araújo Basto, ex-presidente da Província, voltando a assumir o mandato na Assembléia Provincial da Bahia no ano seguinte, 1836.
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Salvador, Bahia, “a Virgínia brasileira” do Sec XIX
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O Legislativo baiano

Na Bahia do Século XIX, “A Virgínia Brasileira”, segundo Joaquim Nabuco (Um Estadista do Império, Topbooks, 1977), em alusão ao estado americano que mais fez presidentes na história dos EUA – a elite baiana só esteve ausente de cinco ministérios, de um total de 36 existentes no Segundo Reinado-, a suplência de deputado provincial era muito disputada deste a criação das assembleias provinciais, em 1834.

Uma cadeira do legislativo dava a seu ocupante poder para interferir na criação de cargos, aumento de salários e nomeação de apadrinhados numa estrutura política marcada pela barganha e troca de favores entre os parlamentares e suas clientelas.

Dos 74 suplentes identificados nas eleições para as três legislaturas entre 1835 e 1841, durante a Regência e início do Segundo Reinado, um total de 42 assumiu o mandato no período, sendo que 18 na primeira legislatura, a mais longa (1835-1837), 12 na segunda legislatura (1838-1839) e 13 na terceira (1839-1841).

Primeira legislatura – suplentes Antonio Policarpo Cabral, Antonio da Silva Teles, Antonio Calmon Du Pin e Almeida, Antonio Pereira Rebouças, Firmino Joaquim de Souza Velho, Francisco Antonio Ribeiro, Francisco Manuel Gonçalves da Cunha, João Antunes de Azevedo Chaves, João Landislau de Figuredo e Melo, Joaquim Antônio Moitinho, Joaquim de Almeida, José Avelino Barbosa, José Eloy Pessoa da Silva, José Vieira de Faria Aragão e Ataliba, Manuel Ferreira de Araújo Guimarães, Manuel Fulgêncio de Figueiredo, Manoel de Oliveira Mendes, Simão Gomes Ferreira Veloso.

Segunda legislatura – suplentes Antonio Ladislau de Figueiredo Rocha, Caetano Silvestre da Silva, Caetano Vicente de Almeida Júnior, Francisco Marques de Araújo Góes, Francisco Pereira Dutra, Joaquim Antonio Moitinho, Luis Antonio Barbosa d´Almeida, Luiz Barbalho Moniz Fiúza Barreto de Menezes, Manoel José Espínola, Pedro ferreira de Oliveira, Pedro Ferreira de Oliveira, Pedro da Silva Freire e Tito Alexandre Cardoso de Melo.

Terceira legislatura – suplentes André Corsino Pinto Chichorro da Gama, Aprígio José de Souza, Caetano Vicente de Almeida Júnior, Eduardo Ferreira França, Inocêncio Marques de Araújo Góes, João Antônio Sampaio Viana, João José de Almeida Couto, João Maurício Wanderley, João Martiniano Barata, José Antônio de Magalhães Castro, José Emídio dos Santos Tourinho, José Telles de Menezes e Luiz Barbalho Moniz Fiúza Barreto de Menezes.

Rosane Soares Santana é jornalista, com mestrado em História pela UFBA. Estuda o Poder Legislativo, elites políticas e eleições no Brasil. Integra a cobertura de eleições do Terra.

LEIA MAIS ELEIÇÕES NA HISTÓRIA

http://bahiaempauta.com.br/

ago
21
Posted on 21-08-2010
Filed Under (Crônica, Janio) by vitor on 21-08-2010

Plínio: “da-lhe velhinho’

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CRÔNICA POLÍTICA/NANICOS

Plínio e os nanicos

Janio Ferreira Soares

O título acima poderia ser o de um desenho animado, onde reinaria uma mistura de personagens que fazem parte do contexto. (Plínio Raposo, ou simplesmente Plínio, é aquele garoto rico e chato que paquera Glória e por isso é inimigo mortal do dono do gibi, o grande Bolinha. Quanto a nanico, é como Fred Flintstone chama carinhosamente seu amigo Barney). Mas a verdade é que o assunto continua sendo a sucessão presidencial, só que dessa vez não falarei de Dilma, Serra ou Marina, mas sim daqueles que estão à margem do processo e são conhecidos exatamente como candidatos nanicos.

Cada um está tendo menos de um minuto na TV para tentar convencer o eleitor de que, por exemplo, Ivan Pinheiro, do Partido Comunista Brasileiro – que promete fechar o senado e reconhecer as FARC como organização política – tem condições de chefiar a nação.

Você também pode optar pelo companheiro Rui Costa Pimenta, do Partido da Causa Operária, que não apresentou nenhuma proposta ao TSE, preferindo governar de acordo com as carências sociais, ou, ainda, escolher Zé Maria, do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado – que foi expulso do PT por ser considerado muito radical – que anuncia a taxação das grandes fortunas e a estatização do sistema financeiro.

Há também a opção pelo bom e velho democrata cristão, Eymael, que tem como grande trunfo a nova versão de seu famoso jingle “Ey, Ey, Eymayel..”, nas versões axé, milonga e sertanejo. Agora vai.

Mas se você quiser garantir o futuro dos bebês, a melhor escolha é Levy Fidelix, do Partido Renovador Trabalhista Brasileiro, que promete uma poupança de dois mil reais para cada recém-nascido, resgatável quando o mesmo fizer 21 anos. Uma espécie de Bolsa Fralda ou Bolsa Xixi, tanto faz.

Quanto a Plínio de Arruda, do PSOL, o papo é outro. Além de pregar um calote na dívida interna, os candidatos morrem de medo do que essa espécie de punk da melhor idade pode aprontar nos debates. Espero que ele honre a fama e revele a verdadeira face de cada um. Como diria Pernalonga: dá-lhe, velhinho!

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura e Turismo de Paulo Afonso, na região do Vale do São Francisco

ago
21
Posted on 21-08-2010
Filed Under (Artigos, Vitor) by vitor on 21-08-2010

Torcida do Ínter: um exemplo

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ARTIGO DA SEMANA

SIMBOLOGIAS GAÚCHAS

Vitor Hugo Soares

A quarta-feira (16 ) foi um dia para não esquecer, e não me refiro como se verá adiante às primeiras apresentações dos candidatos nos programas do chamado horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão, que nem foram tão marcantes assim. Salvo, evidentemente, uma ou outra exceção de brilho criativo na forma e de qualidade no conteúdo, para compensar as inúmeras decepções de praxe.
Um exemplo positivo – é preciso reconhecer por mérito de seus criadores – foi a primeira apresentação da candidata do PT, Dilma Rousseff, receita quase perfeita de jornalismo e propaganda em uma mesma peça. O lado negativo fica por conta da enorme frustração de expectativa, na forma e no conteúdo, causada pelo programa de Marina Silva, do Partido Verde, vendido previamente como cinematográfico avanço da propaganda política, mas que na prática se revela, até aqui, um formidável fiasco como cinema e como propaganda eleitoral.
De volta ao começo destas linhas, devo uma explicação: o que me prendeu até altas horas na quarta diante da tela da TV, na Bahia, foi o memorável espetáculo de gigantes – no gramado, na arquibancada e nas ruas -, produzido pelo duelo entre o Internacional, lá dos pampas gaúchos, e o mexicano Chivas Guadalajara, que levou o time brasileiro à conquista pela segunda vez da Taça Libertadores da América.
Coisa digna de narrativa de Nelson Rodrigues, se vivo estivesse o magistral cronista do Rio de Janeiro nascido em Pernambuco. Espetáculo talhado para “À Sombra das Chuteiras Imortais”, por exemplo, ou para uma daquelas odes fantásticas de grandes poetas ou mestres da literatura ao narrar epopéias dos conquistadores.
No Estádio Beira Rio, símbolo de um país naquela noite, um jogo eletrizante, daqueles capazes de dar enfarte até em quem não curte futebol. O visitante “Chivas” não parecia impressionado com a torcida nem com os prognósticos dos críticos de que os mexicanos haviam feito a longa viagem da América do Norte ao Rio Grande do Sul só para cumprir tabela.
Os craques do Guadalajara jogam apaixonadamente em honra da camisa que vestem. Entram firmes em todas as divididas, manejam a bola com classe quando podem, ou chutam para qualquer lado com disposição de jogadores de várzea, quando necessário. Até estão na frente do placar quando o juiz apita o final do primeiro tempo.
O problema é que do outro lado há ainda mais paixão, garra e entrega. Talento e profissionalismo também, que só com paixão, entrega e vontade não se conquista nada, no máximo se chega ao limiar do gozo incompleto. E os gaúchos viram o placar, ganham as faixas e levantam a taça de melhor time das Américas, pela segunda vez.
Há ainda a destacar o maravilhoso exemplo que vem das arquibancadas, do começo ao fim da partida carregada de símbolos. De fazer chorar de emoção mesmo quem está em Salvador, a milhares quilômetros de distância de Porto Alegre, e nem é torcedor do Inter. Principalmente, quando todas as vozes se juntam para entoar o sucesso nacional dos Mamonas Assassinas, transformado em empolgante hino do time gaúcho: “Você me deixa doidão”, canta a torcida unissonamente enlouquecida para seu time em campo.
Que espetáculo de criatividade, de paixão, garra, união e combate em busca de um objetivo! Quanta diferença, mal comparando, com o que se viu até esta semana na disputa presidencial e mesmo para governadores na maioria dos estados, a Bahia por exemplo! Nesse campo, a marca principal, quando faltam menos de dois meses para a votação no primeiro turno, tem sido o óbvio de um lado, e a indiferença do outro.
Entrei acordado pela madrugada adentro diante da TV na quarta-feira. Queria escutar as últimas notícias da campanha eleitoral por dever de ofício, mas principalmente tinha a esperança de rever as empolgantes imagens do Beira Rio transmitidas para a Bahia durante o jogo. E a expectativa não foi frustrada. No Jornal da Noite, da TV Globo, com William Waack no comando, a cena final foi a torcida do Inter a cantar “Mamonas”, enlouquecida de alegria, para o seu time bicampeão das Américas: “Você me deixa doidão”.
Que maravilha! Depois, antes deitar, penso com meus botões: uma gente e um País assim, capazes de produzir um espetáculo tão belo e tão carregado de simbologia como este no Rio Grande, não podem dar errado. Aproveito então para pedir ao Senhor do Bonfim da Bahia e ao meu Santo Antonio da Glória que os políticos não desmintam ou atrapalhem este caminho de esperança.

E agarro no sono e no sonho!

Vitor Hugo Soares é jornalista -E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

ago
20
Posted on 20-08-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 20-08-2010

Jefferson: tiros na campanha de Serra

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“De anteontem para cá, Serra parece estar partindo para o ataque. Mas quanto tempo perdido”… A constatação é do jornalista político Ivan de Carvalho em seu artigo desta sexta-feira na Tribuna da Bahia, que Bahia em Pauta reproduz.
(VHS)
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OPINIÃO POLÍTICA
Oposição é essencial
Ivan de Carvalho

Numa democracia é fundamental que exista oposição efetiva, eficaz. Do contrário, acabará não havendo democracia.

No Brasil, uma oposição suficientemente ampla, consolidada e firme, requisitos de uma oposição eficaz, está faltando desde o começo do primeiro mandato do presidente Lula. Esta não é a única, mas é um das razões fundamentais de estarem ele e seu governo com índices de popularidade e de aprovação tão maravilhosos.
E é também a razão de estar o poste que o presidente escolheu para sucedê-lo, Dilma Ducheff, ora, Rousseff, chegando bem perto deste desígnio, com índices de intenção de voto que tornam um inferno a campanha do seu principal adversário, o tucano José Serra.

Pelo menos na última pesquisa do generoso Instituto Vox Populi, Dilma estaria pronta a ganhar o mandato de presidente sem necessidade de segundo turno, enquanto pelo sisudo Datafolha bastaria que conquistasse três pontos a mais para alcançar esse sonhado objetivo.
Ontem, no seu twitter pessoal, o presidente nacional do PTB, o político que levou a legenda (contra a opinião da grande maioria de sua bancada federal) a integrar a coligação que dá sustentação a Serra, a reclamar e cobrar deste e de sua campanha uma postura oposicionista. “Serra é responsável pela nossa dispersão. Nunca nos reuniu.” – ataca Jefferson, o autor da denúncia que desencadeou o Escândalo do Mensalão, durante o primeiro governo de Lula. E manda um recado para o doce (com Lula) governador tucano de Minas Gerais: “Aécio: se o Lula derrotar o Anastasia (governador e candidato à reeleição com o apoio de Aécio), pois ele não é confrontado, derrotará você. Derrotará a oposição.”

Adverte ainda Jefferson: “Essa história do empresariado paulista fazer Dilma & Geraldo pode dar Dilma e Mercadante. Ninguém se une contra o Lula. Ele esmagará todos.” E prossegue: “Em São Paulo, o Lula desembarcará para destruir a fortaleza tucana. Está na cara. E ninguém atira no Lula, o bonzinho.” E mais: “O legado de Lula é dele. Não adianta os marqueteiros orientarem Serra para ser o sucessor de Lula. Ele fez o testamento para Dilma.”

Várias outras coisas muito interessantes e sensatas escreveu Jeffersson em seu twitter, do que deu conta, com destaque, o Blog do Noblat. No entanto, a história é bem mais antiga. Vem desde o Mensalão, que Jefferson fez explodir. Lula foi quase ao fundo do poço. O PFL, depois Democratas, queria e até tentou levar o escândalo a sério, tirar-lhe as devidas conseqüências políticas. Por muito menos, Fernando Collor, na 25ª hora, teve que renunciar para não ser condenado no processo de impeachment.

Mas uma andorinha só não faz verão. Os vários partidos médios estavam corrompidos pelo Mensalão, que o governo e o PT patrocinavam. O PFL, depois DEM, precisava da parceria do PSDB para fazer a oposição eficaz. Não teve. O PSDB, que tem mania de ser mais esperto do que o resto do mundo, achou que devia deixar Lula “sangrar” e ser um candidato totalmente anêmico à reeleição. Assim, o PSDB o venceria. Então, o PSDB recusou-se a dar o tiro de misericórdia. E foi tamponar os ferimentos. Muito piedoso.
De anteontem para cá, Serra parece estar partindo para o ataque. Mas quanto tempo perdido…


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O título do artigo do jornalista político Ivan de Carvalho na Tribuna da Bahia, esta quinta-feira, é auto-explicativo. Trata da nova mania nacional, que chega à campanha eleitoral em curso com a polêmica do tamanho dos cartazes e paineis de propaganda política, na qual a justiça, com tanto o que fazer, é chamada a se meter. Bahia em Pauta reproduz o texto.

(VHS)
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OPINIÃO POLÍTICA

Mania de regulamentação

Ivan de Carvalho

A campanha eleitoral teve um dia movimentado, ontem, com os programas “gratuitos” de propaganda eleitoral e um debate, promovido pelo jornal Folha de S. Paulo e o portal de internet UOL, entre os três candidatos a presidente que vêm obtendo mais intenções de voto nas pesquisas eleitorais. Numa ação inteligente e criativa, o candidato do Psol, Plínio de Arruda Sampaio, que não foi convidado, “participou” do debate diretamente da biblioteca de sua casa, via Internet, usando uma tática que o noticiário eletrônico já explicou ontem e que certamente está nos jornais de hoje. Para completar, o presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Sergipe sofreu um atentado e o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, o ministro Lewandovsky, do STF, foi a Aracaju ver de perto a situação.

Mas não é sobre quaisquer dos fatos mencionados no parágrafo anterior que pretendo tratar. Uma das coisas que me parecem interessantes é uma briga – envolvendo o PT, o PSDB e o Tribunal Superior Eleitoral – por causa do tamanho de um único cartaz. A ministra Nancy Andrighi, do TSE, fixou ontem prazo de 24 horas para que funcionários da área de engenharia do tribunal verifiquem o tamanho exato do solitário painel da candidata Dilma Ducheff, digo, Rousseff, do PT, tamanho (não o cartaz) impugnado pela coligação do candidato José Serra, do PSDB.

O painel foi posto no comitê central da campanha petista a presidente da República e o PSDB entrou com representação junto ao TSE, alegando, apenas com a juntada de fotos como prova, que o painel de Dilma extrapola o tamanho de quatro metros quadrados, máximo permitido pela lei eleitoral para esse tipo de propaganda.

Escreveu a ministra em seu despacho: “Embora o representante afirme que a placa objeto da representação esteja fora dos padrões estabelecidos pela Lei Eleitoral, não é possível constatar esse fato apenas pelo exame do material fotográfico”. Talvez até fosse possível, com acuradas, mas não misteriosas técnicas de medição pelo exame de fotografias, mas de qualquer modo isso seria talvez um meio mais complexo e mais demorado para se ter uma resposta que a simples ida de pessoal de engenharia do TSE ao local, portando uma trena ou uma fita métrica.

De qualquer modo, sabiamente escreveu a ministra na conclusão de seu despacho: “Diante disso (a mera juntada de fotos, que supostamente não permitiriam a verificação das medidas do painel), antes de apreciar o pedido liminar, determino que, no prazo de vinte e quatro horas, seja efetuada, por servidor da área de engenharia do TSE, acompanhado por oficial de justiça, a medição da placa afixada”.

Creio que com esta canetada, a ministra Andrighi obterá os elementos necessários para resolver tão relevante questão (falo sério, garanto, pois se trata do cumprimento da lei pela campanha de aspirante oficial ao presidente da República) para o país. É como se, à maneira de Alexandre, passasse o nó górdio a fio de espada.

Se, além da campanha de Dilma (caso o painel tenha mais que o tamanho permitido por lei), alguém merecer uma condenação, certamente não seria a ministra autora do surpreendente despacho, pois foi forçada a este por dispositivo idiota de uma lei. Condenado deve ser quem produziu a besteira legislativa (o Congresso) e quem a sancionou, quando poderia vetá-la. Mania de regulamentação.

ago
18
Posted on 18-08-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 18-08-2010

Lídice e Pinheiro:  sombras nas pesquisas

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De olho nos índices conflitantes nas pesquisas dos principais institutos do país, o jornalista político Ivan de Carvalho assinala em seu atrtigo de hoje na Tribuna da Bahia, que muito se tem falado nos levantamentos que procuram medir as intenções de voto nos candidatos a presidente da República e a governador, o que é natural.Isso, no entanto, deixa numa zona de sombra os resultados dessas pesquisas em relação às duas cadeiras de senador disputadas este ano em cada unidade da Federação.O caso baiano é exemplar: “As coisas complicam, e complicam feio, é quanto a quem estaria disputando a segunda cadeira de senador,”
diz o colunista no texto que Bahia em Pauta reproduz.

(VHS)
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OPINIÃO POLÍTICA

PESQUISAS E BRUXARIAS

Ivan de Carvalho

Muito se tem falado nas pesquisas que procuram medir as intenções de voto nos candidatos a presidente da República e a governador, o que é natural, mas isso deixa numa zona de sombra os resultados dessas pesquisas em relação às duas cadeiras de senador disputadas este ano em cada unidade da Federação.
Talvez a disputa que envolve a composição do Senado Federal deva ser olhada com mais atenção pelo eleitorado, pela mídia e, enfim, por toda a sociedade. Os mais de sete anos e meio do governo Lula deram ao país uma idéia da importância dessa composição, melhor dizendo, da importância que o Senado teve e poderá continuar tendo.
O que se viu nos anos recentes é que o governo Lula dominou – graças ao fato de ser o governo, graças ao Mensalão e graças à partilha, agora insistentemente chamada de “loteamento” político-partidário da administração federal direta e indireta – amplamente a Câmara dos Deputados.
Seu domínio desta Casa do Congresso Nacional foi incontrastável e se tornou absoluto no segundo mandato, quando também a banda oposicionista do PMDB, sob a liderança do presidente nacional do partido, Michel Temer, tornou-se governista e passou a participar do governo. O PMDB do Senado já o fazia desde o primeiro mandato.
No cenário descrito, o Poder Executivo poderia fazer praticamente tudo e a única barreira que encontraria, eventualmente, seria o Supremo Tribunal Federal, ainda que este esteja quase totalmente composto, hoje, por ministros escolhidos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e aprovados pelo Senado.
No entanto, graças ao Senado e sua composição durante o atual governo, o presidente da República, apesar de sua imensa popularidade, não ficou totalmente livre para impor sua vontade ao país e o STF não foi obrigado a funcionar sempre como único dique a eventuais intenções inadequadas ou nocivas do Poder Executivo. Antes do STF, o Senado Federal ofereceu a primeira e eficaz resistência.
Em alguns casos – talvez o mais notório haja sido o da tentativa de impor a continuidade da CPMF, já aí em forma permanente e não mais supostamente “provisória” – mesmo o STF não teria condições de fazer o que o Senado fez. A proposta não era inconstitucional. A corte suprema não teria como derrubá-la.
Bem, duas pesquisas eleitorais foram recentemente feitas na Bahia, incluindo amostragem para as eleições dos dois senadores. O Vox Populi pesquisou de 7 a 10 de agosto. O Datafolha, de 9 a 12. Em ambas, César Borges, do PR e integrante da coligação liderada pelo PMDB, aparece com grande vantagem. Tem 35 por cento das intenções de voto no Vox Populi e 36 por cento no Datafolha (três pontos a mais que na sondagem anterior deste instituto).
As coisas complicam, e complicam feio, é quanto a quem estaria disputando a segunda cadeira de senador. Para o Datafolha, é a socialista Lídice da Mata, da coligação liderada pelo PT, com 20 por cento das intenções de voto, dois pontos a menos que na sondagem anterior do mesmo instituto. Em terceiro, em seus calcanhares, Walter Pinheiro, com 17 por cento – um ponto a menos que no Datafolha precedente.
Bruxaria: o Vox Populi, sob encomenda da TV Bandeirantes, coloca Pinheiro, do PT, em segundo lugar, com 27 por cento (dez pontos a mais do que ele obteve no Vox Populi) e aponta Lídice com 17 pontos percentuais – exatamente o que Pinheiro tinha no Datafolha.
quisas para o

ago
17

Direto de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, a arquiteta Helga Correia, amiga e estimuladora do Bahia em Pauta desde o seu nascimento, manda por e-mail para o editor um texto sobre a primeira polêmica do horário eleitoral gratuito iniciado nesta terça-feira, 17: o jingle da campanha do candidato do PSDB , Jose Serra, chamado de Zé na letra cuja primeira referência é Lula. Bahia em Pauta reproduz, com agradecimentos a Jorge Furtado, autor do texto, e a Helque, que o enviou para BP.Confira.

(VHS)

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OPINIÃO/HORÁRIO ELEITORAL

Crise de identidade: o jingle de Serra

Por Jorge Furtado( em http://www.casacinepoa.com.br/o-blog/jorge-furtado )

O jingle do candidato José Serra acumula as funções de tentativa de fraude e confissão de derrota.

Fraude porque mente (insistentemente) ao dizer que José Serra é o candidato da continuidade e não da oposição. O jingle mais do que sugere, afirma que Serra – subitamente transformado em Zé – é o cidadão de origem humilde que “foi a luta e venceu”, como o Lula, e por isso é o melhor candidato para o “Brasil seguir em frente”.

Nos últimos sete anos e meio, a oposição – e sua imprensa – referiu-se ao Lula como ignorante, analfabeto, bêbado, estuprador de meninos, mentiroso, ladrão e assassino. Hoje, faltando dois meses para a eleição, Lula ocupa o primeiro verso do jingle do candidato desta mesma oposição. “Era brincadeirinha, nós também adoramos o Lula! Apedeuta era elogio, quer dizer ‘fofinho’!”

Confissão de derrota porque nunca em toda a história deste país (ou de qualquer outro, que eu saiba) se ouviu um jingle de um candidato de oposição que incluísse o nome do titular do cargo ao qual este candidato faz oposição. É como se o hino do Flamengo incluísse o nome do Vasco.

O jingle da oposição investe na ignorância ou desatenção do (e)leitor, uma aposta que se tornou um padrão. Não tem dado muito certo. Depois de sete anos e meio de ataques coléricos ao presidente e ao seu governo, os demotucanos chegam à eleição com um jingle em que o refrão grita, com todas as letras, o nome de Lula da Silva, mas não o nome do seu próprio candidato, José Serra.

Quando Lula da Silva sair
É o Zé que eu quero lá
Com Zé Serra eu sei que anda
É o Zé que eu quero lá
José Serra é um brasileiro
Tão guerreiro quanto eu
É um Zé que batalhou
Estudou, foi à luta e venceu
Zé é bom e eu já conheço
Eu já sei quem ele é
Pro Brasil seguir em frente
Sai o Silva e entra o Zé
José Serra foi Ministro
Deputado e Senador
Esse Zé já foi Prefeito
Zé já foi Governador
Tá testado e aprovado
Por tudo que ele já fez
Sempre teve do meu lado
Eu quero Zé Serra dessa vez
(refrão)
Quando Lula da Silva sair
É o Zé que eu quero lá
Agora é Serra Presidente do Brasil

OUÇA
http://joseserra.psdb.org.br/jingle-da-campanha

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