out
16
Posted on 16-10-2009
Filed Under (Artigos, Vitor) by Margarida on 16-10-2009


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“A todos o herói luso, um poeta. A toda uma revolução de cravos. Deixamos estas migalhas, para quem da bondade interpreta por burro , a quem do coração tranquilo interpreta por apatia. As diferenças induzem a erros, mas não são impossíveis de interiorizar… apreender… apreciar… admirar…quem sabe um dia…  Terra velha, com rosto moldado em sal, todos os sussurros que gemes pensamentos , trazem palhas simples demais aos olhos imaturos… Oxalá o teu Brasil Maitê , não se acanhe, não se aflija, mas sossegue confortado Proença” .

Trecho do comentário feito no Bahia em Pauta pelo leitor que assina Miguel C, a propósito do vídeo produzido pela atriz brasileira Maitê Proença e exibido no programa de televisão Saia Justa, que indignou os portugueses e segue causando polemica. A mensagem vem acompanhada de belissima e emblematica melodia portuguesa interpretada pelo conjunto Madredeus, que Bahia em Pauta escolheu para encantar esta madrugada de outubro.

(Postado por Vitor Hugo Soares)

out
15
Posted on 15-10-2009
Filed Under (Artigos, Gilson) by Margarida on 15-10-2009

pnoel

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CRÔNICA / ESPIRAL

Presente de Natal

Gilson Nogueira

        Uma nota curta, em jornal de grande circulação, informava sobre cursinho grátis de Papai Noel. Para ser bem sucedido nas provas, pensei, basta ter um coração bom. Na mesma edição, um pequeno poema, com o título “Quem eu sou?”, finalizava : “Não sabes quem sou? Sou o amor/A vida/Onde está a chave de seu coração?/Abra a porta e deixe-me entrar.”O achado poético deu-se ao folhear o suplemento infantil do jornal.

      Senti-me saboreando letras com gosto de sapoti, groselha, chocolate, pipoca e delícias outras de crianças de todas as idades. Meu peito parecia recheado de ternura, na mensagem do aprendiz de poeta. Logo, uma calda de sorvete de umbu lambuzou minhas utopias. E fiquei, ali, parado, deliciando-me, enquanto, no ventinho frio, que soprava da África, prosseguia olhando o céu, tentando descobrir o urubu que se perdeu nos ares.

     O bicho subiu tanto, tanto, na espiral, que, de repente, acima de nuvens, altíssimas, sumiu! Será que estou enxergando direito ou foi o urubu abduzido? A matutar sobre a última hipótese, considerando que os extraterrestres estão habituados a visitar o Planeta Terra, como dizem os ufólogos, admiti que o urubu misterioso havia entrado de gaiato no disco voador. Antes fosse no navio. Mas, que pretendem, mesmo, os alienígenas? Seqüestrar urubus? Cortem essa, bichos!

       Os bandidos desse país, sim, merecem isso. Não seria melhor abduzi-los e, depois, jogá-los em um buraco negro,lá, nos confins da eternidade,onde, indistintamente, todos se transformariam em um monte de merda cósmica? Pronto, Papai Noel, nesse Natal, este será o presente do povo brasileiro! Basta, agora, apenas, combinar com os homenzinhos verdes a realização do serviço. Sem custos.

 Gilson Nogueira é jornalista

out
14
Posted on 14-10-2009
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 14-10-2009

Rótula do Abacaxi: “por que não Melancia?”
Melancia
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OPINIÃO / POLÍTICA

TEMPORADA DE GAFES

Ivan de Carvalho (14/10/09)

Parece que estamos, aqui na Bahia, imersos em um festival de gafes, de coisas absurdas, mas que mesmo assim acontecem. Parece nunca haver sido mais atual a famosa observação do ex-governador Octávio Mangabeira: “Imagine um absurdo. Na Bahia há precedente”. Diria que pior: se nem mesmo o precedente existe, nós o criamos. Ou, na mais amena das hipóteses, ele é criado. Na Bahia, nem precisa dizer.

A safra mais recente de absurdos começou com a história do trem. Compraram um trem que não cabia no buraco onde deveria passar. O Estado comprou o trem, a prefeitura de Salvador cavou o buraco. Claro que aí, em tese – se for investigar será certamente possível determinar responsabilidades pela trapalhada – é possível estabelecer uma polêmica a respeito de quem errou, se o Estado ou a prefeitura. O que não suscita dúvida é o fato de que o buraco era mais baixo.

Passados uns tempos, a população já estava refeita da estupefação e certamente se preparando para uma temporada de sossego quando explode a nova e quase inacreditável trapalhada. Só não é inacreditável porque aconteceu mesmo e foi na Bahia. Um conjunto de residências do programa Minha Casa, financiado pela Caixa Econômica Federal, foi construído e, uma vez pronto, os felizes futuros moradores foram surpreendidos pela espirocada informação de que não poderiam ocupar suas novas residências pois a empresa que as construiu esqueceu – isso mesmo, esqueceu!!! – de construir a rede de esgotos. Mas não há problema: já foi feito um projeto para a implantação da rede de esgotos esquecida, apressou-se a informar uma autoridade.

Mencionadas autoridades, não convém omitir uma delas, que esteve na Bahia na semana passada. Das mais poderosas, famosas, ultimamente risonhas e, segundo se comenta nos meios políticos, de estilo autoritário, meio ou inteiro para o arrogante. Era o que dela diziam quando era apenas ministra-chefe da Casa Civil e é a imagem que vem buscando desfazer desde que foi lançada pelo presidente Lula como candidata do PT e partidos aliados para sucedê-lo no cargo.

Coisa estranha. O marqueteiro-consultor do presidente Lula é o jornalista e poderoso publicitário João Santana, que levou dos seus primeiros tempos de jornalismo (na Tribuna da Bahia) o apelido de Patinhas, que foi secretário de Comunicação do prefeito Mário Kertész e que foi chefe da sucursal de O Globo na Bahia, diretor de redação do Jornal da Bahia antes de rumar para Brasília, onde obteve rápida e impressionante ascensão.

Mas nem todo o gênio de João Santana (não sei quão profundamente está operando na candidatura de Dilma Rousseff, mas de fora é que não está, assessor informal, ainda que eventualmente prefira parecer que não tem, ao menos por enquanto, nada a ver) impediu que a ministra-candidata a presidente cometesse algumas gafes em Salvador.

Uma delas foi quando, às voltas com as futuras obras da Via Portuária, estranhou o nome Rótula do Abacaxi. Entendeu que abacaxi não é símbolo de nada bom, ninguém gosta, por exemplo, de “descascar o abacaxi”, e então não teve dúvidas: sugeriu a mudança de nome para Rótula da Melancia. Ou ela gosta muito de melancia ou estava preocupada com a popularidade da mulher melancia no momento em que a sua está um pouco em baixa. Alguns políticos importantes que estavam junto parecem não ter gostado, ao ponto de um deles haver sugerido que se rebatizasse o lugar como Rótula do Pepino.

Mas onde a gafe foi mais profunda e o consultor-marqueteiro, que não podia prever tal coisa, nenhuma utilidade teve foi a respeito das fitas do Senhor do Bonfim. Quiseram colocar uma no pulso dela, ela rejeitou. “Está não, quero esta aqui”, pegando uma fita semelhante, mas que estava amarrada no gradil de metal do adro da Igreja do Bonfim.

Não sabia que são postas ali por pessoas que já depositaram nelas o seu pedido. A ministra-candidata levou o pedido alheio. Se ela tivesse o Poder do Senhor Jesus, sem problemas…

out
13
Posted on 13-10-2009
Filed Under (Artigos, Rosane) by vitor on 13-10-2009

Congresso americano: saúde domina debates
capitol

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Rosane Santana

(De Boston) – Democratas estão prontos nesta terça-feira para forcar a revisão da legislação de saúde através da influente Comissão de Finanças do Senado, mas enfrentam novos obstáculos das seguradoras aumentando a preocupação sobre o projeto de lei abrangente.

Um relatório divulgado ontem pela America’s Health Insurance Plans, um grupo comercial da indústria, disse que o projeto de lei da Comissão de Finanças imporia custos rígidos sobre os consumidores. Entre outras coisas, diz o relatório de saúde da família que uma apólice de seguro que custa hoje $ 12.300 aumentaria para 25.900 dólares, em média, até 2019, no âmbito do projeto de lei, mais do que sob a lei atual.

Com a iminente votação em comissão, os democratas da Casa Branca empurraram o assunto para trás. Eles disseram que o relatório do setor não levou em conta as outras disposições da lei – como créditos de imposto para comprar o seguro e os limites de despesas- projetado para reduzir os custos de seguro para famílias de baixa e média renda.

O senador Jay Rockefeller, da Virgínia, um democrata no Comitê de Finanças, disse que o relatório foi “enganoso e nocivo” e representa “politicagem de lucro das empresas no seu pior.”

O relatório levantou novas questões sobre a viabilidade política dos 829 bilhões de dólares em 10 anos, factura de compromisso elaborada sob a orientação do senador Max Baucus, D-Montana, presidente da Comissão de Finanças do Senado.

A votação que ocorre nesta terça-feira no senado representa um potencial ponto de virada no debate da saúde. Comissão Baucus é o último dos cinco painéis do Congresso para analisar a legislação de saúde antes de começar o debate no plenário da Câmara dos Deputados e do Senado.

O relatório do grupo da America’s Health Insurance Plans conclui que, no âmbito do plano Baucus, os custos do seguro de saúde privado aumentaria em 111 por cento durante a próxima década. No actual sistema, os custos aumentariam 79 por cento, disse o relatório.

Prémios para os indivíduos poderiam levantar-se por um extra de R $ 1.500, se o plano for implementado, segundo o relatório.

A senadora Nancy Pelosi, líder dos democratas, reconheceu ha alguns meses, que foi um erro da administração Obama não enviar uma proposta fechada ao Congresso, mas apenas idéias gerais do plano, o que enfraqueceu a posição do governo.

(Rosane Santana, jornalista, de Boston (EUA),com informações do Wall Street Journal e CNN )

out
13


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Se vivo estivesse Angenor Oliveira (1908-1980), o magnífico Cartola, teria festejado 101 anos sábado passado, 11 de outubro de 2009. Na década de 1950, quando lavava carros no bairro de Ipanema, o músico e letrista genial , nascido no bairro do Catete, Rio de Janeiro, foi tirado reconhecido e tiradodo esquecimento por outro imortal do País: Sérgio Porto (Stanislaw Ponte Preta).Desde então não parou de reluzir e sua estrela segue brilhando intensamente na memória dos sambistas, dos artistas e do povo brasileiros.l

Coube a Alcione, Beth Carvalho, Leci Brandão, Emílio Santiago, Nelson Sargento, Elba Ramalho, Maria Rita, Velha Guarda da Mangueira, entre outros, a principal homenagem, no show Cartola Eterno, realizado na noite de ontem, 12, segunda-feira, às 20h30, no Canecão.

Outras homenagens estão previstas para o correr desta semana .Nelson Sargento é autor da célebre frase “Cartola não existiu, foi um sonho que a gente teve”, que ornamenta a entrada do Centro Cultural Cartola, na Mangueira. “Uma vez, eu o vi compor em 10 minutos. Ainda bem que ele existiu, senão teria que ser inventado”, revê a frase Nelson Sargento, que elege Cordas de Aço sua música preferida.

Em seu tributo a Cartola, Bahia em Pauta escolheu um vídeo feito especialmente para as comemorações do centenário do artista, no ano passado. Nele, o infinito Cartola interpreta dois de seus maiores sucessos de ontem, hoje e sempre. Confira.

(Vitor Hugo Soares)

out
11


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A segunda canção deste domingo, 11 de outubro, no Bahia em Pauta é “Amado”, de Vanessa da Mata. Neste vídeo mostrada com toda emoção e entrega que só ela sabe traduzir na interpretação dos versos da sua música premiada, que deve voar até a beira do Rio São Francisco e pousar como mensagem de afeto e admiração do editor e dos que fazem este site-blog a aniversariante Grazzi Brito.

Sim, ela mesma, a atenta , dedicada e competente repórter do BP, desde o primeiro momento na cidade de Juazeiro, na cada dia mais atraente e desenvolvida região do Vale do São Francisco – mas também das mazelas políticas e administrativas que infelizmente persistem.

Tudo isso Grazzi tem ajudado a este site-blog mostrar para o país e o mundo em matérias com o toque texto marcado pela simplicidade do bom jornalismo – sempre firme, crítico, opinativo e correto. Até no Terra Magazine um deles já foi parar, com direito a elogios de Bob Fernandes, um dos melhores e mais acatado jornalistas do País. E vem mais por aí, podem esperar.

Mas hoje queremos abraçar Grazzi – ao lado de todos que a cercam e amam na cidade de Juazeiro – através da voz doce de Vanessa da Mata que interpreta a canção que, sabemos, toca fundo no coração e sentimentos da reporter do Bahia em Pauta. Beijos e parabéns!

(Vitor Hugo Soares, editor, e toda equipe do Bahia em Pauta)

out
10
Posted on 10-10-2009
Filed Under (Artigos, Eventuais) by vitor on 10-10-2009

Patrick Brock: no Haiti
Patrick
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Bahia em Pauta estende neste sábado, 10, reluzente tapete vermelho para receber direto de Nova Iorque o jornalista Patrick Brock como seu mais novo colaborador.Ex-intergrante da editoria Internacional, do jornal A TARDE, Partrick sempre se destacou como um dos mais brilhantes repórteres de sua geração na Bahia, além de contista de texto criativo, fora do trivial e sempre intrigante.

Inquieto, olhar atento e cabeça antenada, Patrick detesta acomodamento e gosta do risco no trabalho jornalístico, como o que o levou um dia a se ver metido nas ruas e favelas do Haiti em conflito. Há mais de três anos mora em Nova Iorque, onde começou trabalhando no Wall Street Journal, biblia da economia americana. Agora é copidesque e tradutor e faz mestrado na CUNY. Em seu primeiro texto para BP ele encara um tema candente, polêmico e atual: O Nobel de Obama e a o dilema americano no Afeganistão.

Uma honra tê-lo agora neste site-blog baiano de sonhos cosmopolitas.

Chega mais Patrick!

(Vitor Hugo Soares )

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Afeganistão: tragédia se alastra
Afegão

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OPINIÃO / MUNDO

A hora de Obama

Patrick Brock

A batalha no Campo Keating começou na sexta-feira, uma semana antes de o presidente americano Barack Obama ser agraciado com o Prêmio Nobel da Paz. Até 350 rebeldes atacaram a pequena base, que fica aos pés de duas montanhas na Província do Nuristão, na fronteira com o Paquistão. Os rebeldes usaram as montanhas para atacá-la com lança-foguetes e artilharia, provocando um incêndio. Encurraladas, as tropas tiveram de pedir reforço aéreo. Chad Bardwell, natural de Liman, no Estado de Wyoming, pilotou um dos helicópteros Apache envolvidos na batalha e disse a uma repórter da rede ABC News que ficou chocado quando chegou ao local e viu a maior parte da base em chamas, com insurgentes ultrapassando o perímetro de proteção. Os americanos finalmente abandonaram a base no domingo passado, após contabilizar 8 mortos e 24 feridos. Entre os insurgentes, de 100 a 150 mortos, disse um porta-voz do Exército americano. Siga este link
(http://abcnews.go.com/video/playerIndex?id=8758970) para ver imagens da batalha feitas pela ABC News.

Não foi divulgado o número exato de soldados americanos em Keating, mas já estava acertado que a base seria abandonada, de acordo com a estratégia do general Stanley A. McChrystal, escolhido por Obama para comandar a guerra no Afeganistão. Diante da escalada de ataques rebeldes e a instabilidade nas cidades, McChrystal optou por abandonar as áreas mais remotas do país e se concentrar em garantir a segurança das cidades. Difícil de ignorar o paralelo com a guerra do Vietnã nos anos 70. O relatório confidencial de McChrystal para o presidente sobre a guerra no Afeganistão vazou no “New York Times”, no melhor estilo “Pentagon Papers”, e não é nada animador. O general disse que a coalizão pode perder o controle do país se não enviar pelo menos mais 40.000 soldados.

Enquanto isso, no Reino Unido, na Itália e nos EUA, continuam a chegar os caixões embalados em bandeiras. O presidente americano tentou mostrar humildade ao aceitar o prêmio, mas a situação da guerra no Afeganistão pode forçá-lo a sacrificar mais vidas no conflito. Diante do número crescente de mortos e a perda de territórios para os guerreiros do Talibã, e do fracasso das eleições, claramente fraudadas pelo governo do atual presidente, Hamid Karzai, ultimamente o único sucesso americano em sua incursão militar na região tem sido os ataques com aviões teleguiados contra líderes rebeldes.

Obama foi indicado para o Nobel 12 dias depois de eleito. O arcebispo da África do Sul, Desmond Tutu, ele próprio agraciado com o prêmio em 1984, disse que a decisão do comitê em Oslo mostra que se espera grandes feitos de Obama, e reconhece seus esforços de tentar dialogar com o mundo árabe depois de anos de hostilidade durante o governo de George W. Bush. Já o líder sindical e ex-presidente da Polônia Lech Walesa disse que foi cedo demais. “Ele não fez nenhuma contribuição até agora. Só agora começou a agir”. Walesa ganhou o prêmio em 1983. Talvez o comentário mais significativo do dilema enfrentado por Obama, que chegou ao poder com uma mensagem restauradora de esperança e diálogo, seja o comentário do porta-voz do Talibã, Qari Yousef Ahmadi: “Obama só fez aumentar a guerra. Suas mãos estão sujas com o sangue do povo afegão”. Chegou a hora de Obama mostrar que não é só carisma e fazer merecer a honra de ser escolhido como um símbolo da paz, encontrando a solução para acabar com mais essa herança sangrenta da era Bush.

Patrick Brock
, 30 anos, trabalha há três anos como copidesque e tradutor em Nova York e faz mestrado em Literatura Inglesa na CUNY.

out
10
Posted on 10-10-2009
Filed Under (Artigos, Multimídia, Vitor) by vitor on 10-10-2009


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A música para começar no Bahia em Pauta neste sábador, 10 de outubro de 2009, é “Papel de Pão”, composta e interpretada por Jorge Aragão. Era a música preferida de uma mulher especial para este editor, que partiu em uma data como esta no ano de 2001. Se viva estivesse seria seguramente leitora assídua e estimuladora deste site-blog.

Chamava-se Jandira, nome que -escrevi certa vez em um cartão – em tupy-guarany reune as palavras abelha e mel. “Dona Jandira de força e fé nos santos e nos destinos da humanidade. Abelha que se encantava com as águas do Velho Chico, ora serenas ora revoltas, correndo em sua terra natal. Sertaneja que também se embevecia com o mar de Salvador, com a boa leitura e que amou a música até os suspiros derradeiros”, escrevi também naquele cartão.

Onde estiver, vai para ela este samba, uma das músicas de sua devoção, em nome de todos que a amaram e lembram dela com saudades nesta data.

(Vitor Hugo e Maria Olívia)

out
10
Posted on 10-10-2009
Filed Under (Artigos, Vitor) by vitor on 10-10-2009

Dilma: passe de candomblé no Bonfim/Estadão
dilmas
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ARTIGO DA SEMANA

A peregrina Dilma vai ao Bonfim

Vitor Hugo Soares

Salve a Bahia, Sinhá! E os marqueteiros políticos também!
É preciso tirar o chapéu. Afinal de contas, nem a mirabolante cabeça do cineasta Glauber Rocha, o saber de Octávio Mangabeira, ou mesmo o reconhecido e proclamado estilo matreiro de fazer política de ACM nos tempos áureos de seu domínio local, seriam capazes de conceber ou dirigir as cenas das primeiras horas da visita que a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, iniciou na noite de quinta-feira, em Salvador.

Depois de longo afastamento da larga barra da cidade da Bahia, como definia o poeta Gregório de Mattos, o “Boca de Brasa”, a preferida do presidente Lula como candidata à sua sucessão, retornou com a corda toda. Um festival de surpresas, “até mesmo para os baianos mais acostumados com essas coisas”, como assinalou nesta sexta-feira um atento observador político local, ao analisar a performance da ministra. Dilma, porém, jura não estar em campanha – ao pisar outra vez o conflagrado solo político da Bahia nesses primeiros movimentos que antecedem 2010.

Mal desembarcou no aeroporto de Salvador, ela fez apenas uma breve parada no hotel para se preparar “comme il faut” para seu primeiro compromisso. Bem de acordo com os tempos que correm: um ato tipicamente político-eleitoral, com fachada de acontecimento social. Assim foi a festa de aniversário do ex-dirigente máximo do PCdoB no Estado, o comunista Haroldo Lima, atual presidente do Conselho Nacional de Petróleo (CNP), a que Dilma compareceu.

O ultra sofisticado centro de eventos Trapiche da Adelaide ficou coalhado de ministros, secretários de Estado, parlamentares de todas as tonalidades – da direita ao centro -, empresários e figurões variados dos governos petistas de Lula, no país, e de Jaques Wagner na Bahia. Uma tenda ampla, onde Dilma (seguramente recomendada por marqueteiro dos bons e dos mais requisitados, ou um santo forte do Planalto), onde a visitante operou o seu primeiro “milagre” baiano.

Ela foi filmada e fotografada dividindo a mesma mesa com dois sorridentes personagens que viviam aos tapas e trocas de insultos até horas antes da ministra chegar: o governador Jaques Wagner (PT) e o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB), ferrenhos adversários na postulação ao Palácio de Ondina em 2010.

Há quem diga que na tenda do Trapiche se deu uma bem sucedida tentativa com vistas ao palanque duplo na Bahia, assunto do qual os petista locais não querem nem ouvir falar. Podem ter que engolir, mas isso é coisa que se verá bem mais adiante, depois que a correnteza passar e os ânimos estiverem de fato serenados, se é que isso acontecerá além das aparências. O mais surpreendente, no entanto, estava reservado para algumas horas depois da festa que rolou animada até altas horas da manhã.

Às 7h da manhã Dilma Rousseff já estava “inteiraça”, no adro da Igreja do Bonfim, como observou um passante local. Toda vestida de branco, dentro dos preceitos do Candomblé na sexta-feira baiana, consagrada a Oxalá, para assistir a primeira missa do dia no templo católico. Minutos antes, no adro, como na cerimônia famosa da Lavagem, eis a ministra cercada de mães, filhos e filhas de santo. Ali a ministra Dilma Rousseff, que acaba de ser declarada curada de um câncer linfático pelos cientistas e médicos do hospital paulista Sírio Libanês, recebeu um banho ritual de folhas de aroeira, consideradas as melhores para “abrir caminhos fechados”. Foram misturadas outras folhas destinadas a reforçar o pedido.

Depois veio a apoteose da sexta-feira, 9, no Bonfim: a missa no templo lotado de fiéis, rezada e animada pelo padre Edson Menezes, pároco que conduziu tudo como um ato “religioso e político eleitoral” como raramente visto em terras e terreiros baianos, apesar de todo o seu sincretismo.

Diante de uma contrita ex-guerrilheira e atual poderosa ministra petista de Lula, acompanhada do governador petista de origem judaica, Jaques Wagner e da primeira-dama Fátima Mendonça, uma baiana cem por cento, o pároco caprichou nos gestos e palavras do sermão, como o melhor dos cabos eleitorais que Dilma jamais imaginou encontrar, nas circunstâncias.

Padre Edson deu vivas e pediu palmas aos fiéis “para a peregrina Dilma, que também subiu a colina para agradecer como fazem os baianos”. E as palmas vibraram com força diante do altar. Ainda molhada do banho de folhas do Candomblé, com medidas do santo de todas as cores nas mãos, Dilma, emocionada, agradeceu a cura e beijou a imagem do santo. Mas não recebeu a hóstia da comunhão distribuída aos fiéis pelo padre e seus acólitos.

Missa encerrada, a visitante saiu, ainda cercada de palmas, abraços, bilhetes com pedidos pessoais ou apelos por uma pose para fotografia, que ela atendeu, sempre solícita.

Afinal, o que mais poderia querer um marqueteiro, ou uma postulante ao Palácio do Planalto?

Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail: vitor_soares@terra.com.br

out
08

Jobim: sutil como uma baleia
jobim
…nos ataques a Waldir
waldir
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Maria Olivia

Em maio deste ano, o jornalista Guilherme Fiuza (autor, entre outros, do livro Meu nome não é Johnny, que deu origem ao filme protagonizado pelo excelente Selton Mello), colunista da Revista Época, publicou o artigo Deixa que eu falo. Recomendo sua leitura aos internautas que navegam pelo Bahia em Pauta , em virtude da recente conclusão do inquérito feito pela Polícia Federal do acidente da TAM, ocorrido no dia 17 de julho de 2007 – o Air-bus A320 atravessou a pista do Aeroporto de Congonhas (SP), cruzou a avenida e bateu num prédio da própria empresa. O acidente provocou 199 mortes.

Dois anos e meio depois, a PF concluiu o inquérito sobre o acidente com o voo 3054 da TAM sem apontar culpados. A Polícia Federal entendeu que o acidente foi resultado de um erro dos pilotos. Os comandantes Kleiber Lima e Henrique Stefanini di Sacco teriam manuseado os aceleradores da aeronave de forma incorreta, segundo indicações da caixa preta. Agora, o Ministério Público Federal (MPF) vai decidir se arquiva o caso, pede novas investigações ou oferece denúncia contra um eventual responsável pela tragédia, que porventura apareça.

O caríssimo internauta, por acaso, viu esta notícia em alguma manchete de jornal, no rádio ou na televisão? A bem da verdade, a Revista Carta Capital publicou matéria sobre o assunto na edição desta semana.

Na época do acidente, só faltou a “sentença” apontando o então ministro da Defesa, Waldir Pires como unico culpado pelo acidente. Sem falar no histerismo da dita “grande” mídia brasileira.

Deixo com vocês, um aperitivo do texto de Guilherme Fiuza:

“Se o Brasil fosse um país justo, promoveria sumariamente a volta de Waldir Pires ao Ministério da Defesa. E Nelson Jobim, o homem providencial, seria obrigado a ouvir o velhinho dizer: “O que falta aqui é comando!”

Foi com essas palavras, sutil como um elefante, que o atual ministro assumiu o cargo — humilhando ao vivo um homem de 80 anos que fez muito mais pelo Brasil do que ele jamais fará. Era o auge do caos aéreo, logo após a tragédia da TAM em Congonhas, e Jobim prometia (como sempre) dar jeito em tudo.

Não deu jeito em nada (como sempre), mas capitalizou como pôde cada holofote aceso em sua direção. Comoção nacional? Gente sofrendo? Clamor por respostas e soluções? É o cenário predileto de Nelson Jobim, com seus dois metros de altura e duas toneladas de empáfia”…

Texto completo você encontra em http://colunas.epoca.globo.com/guilhermefiuza. Boa leitura.

( Maria Olivia é jornalista )

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