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MARIA OLÍVIA
O radialista e jornalista baiano Perfilino Neto realiza noite de autógrafos do livro “Memória do Rádio” nesta quinta-feira, 18 de março, na tradicional loja de discos Pérola Negra (rua Marechal Floriano, 28, Canela), a partir das 18 horas.
Mais que um simples lançamento literário, o evento tem todos os ingredientes para ser um encontro de amigos, admiradores e ouvintes de Perfilino, entre eles músicos baianos, como Edson 7 Cordas, Cacau do Pandeiro, Gereba, Luiz Caldas, Xangai e Roberto Mendes.
Além de um anexo com documentos raros, cada exemplar do livro terá como brinde – cortesia da Pérola Negra – um CD com documentos sonoros de época que caíram no domínio público, selecionados pelo autor.
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Maria Olívia é jornalista
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MARIA OLIVIA
Badaladíssimo vendedor de picolé na Praia do Porto da Barra há muitos verões, tem um bordão que diz: ‘Quem não pediu, pida’. Pego carona no moço do picolé para afirmar: quem não assistiu a estreia do programa História Sexual da MPB, à meia-noite de hoje, no Canal Brasil (na SKY é o 66), assista o próximo, que vai ao ar na quarta-feira, dia 3 de março, no mesmo horário.
No episódio de ontem/hoje o jornalista carioca Rodrigo Faour conversou com Simone, Alcione, Ivan Lins, Erasmo Carlos, Martinho da Vila e Wando sobre temas que representam a evolução do amor, da sensualidade, do comportamento e das conquistas da mulher na sociedade brasileira, todas as análises são ilustradas com canções e clips diversos, de todos os tempos.
Divórcio, aborto, orgasmo feminino (por falar nesse assunto, Ivan Lins interpretou Vitoriosa magistralmente, ‘Quero, sua risada mais gostosa, seu sorriso escandaloso, vitoriosa por não ter, vergonha de aprender como se goza..’ dele e Vitor Martins), dentre outros. Outro ponto alto do programa de estreia foi Alcione recitando a letra da música Nem Morta, ‘eu só fico em seus braços, porque não tenho forças para tentar ir à luta…’, Wando também deu um show com ‘Moça, te espero amanhã…’.
No próximo programa, semana que vem, a Sensualidade na MPB é a convidada de Faour. Ele vai mostrar que esse tema era raro em nossas canções até o início dos anos 60 por conta da repressão sexual. Depois, o jornalista vai debater o Duplo-sentido, a Dor-de-cotovelo e a Sexualidade transgressora. O resto não conto, porque vale a pena esperar, a nova atração do Canal Brasil é imperdível, como de resto toda programação do canal pago.
Inspirada no livro homônimo do apresentador – lançado em 2006, A História Sexual da MPB, a evolução do amor e do sexo na música brasileira, Editora Record – o programa traz entrevistas com mais de 30 nomes de diversos estilos da música nacional.
Cada episódio debate um tema específico dentro da MPB: a mulher, a sensualidade, o duplo-sentido, a dor-de-cotovelo e a sexualidade transgressora. Dentre os convidados,estão personalidades como Gilberto Gil, Alcione, Martinho da Vila, Caetano Veloso, Ney Matogrosso, Erasmo Carlos, Fafá de Belém, Fernanda Abreu, Wando e Ângela Rô Ro.
Ao lado desses artistas, Faour resgata histórias de diversas gerações e artistas menos lembrados da nossa MPB, como Eduardo Dussek, João Roberto Kelly, Maria Alcina, Waleska, além de dez grandes nomes da época áurea do rádio.
“Confesso que jamais imaginaria que este trabalho rendesse tantos frutos, pois é uma pesquisa um tanto ousada em que dou valor a muitos artistas que nunca são lembrados em livros que pretendem historiar a música brasileira”, comenta Faour. “Muitos artistas podem não ser virtuoses como músicos ou poetas letrados, mas influenciaram a sociedade brasileira no que diz respeito a comportamento — em sua própria imagem (sendo cantores) ou nas danças e letras que produziram, atiçando a libido geral ou mesmo quebrando tabus e preconceitos em suas mensagens”, explica o jornalista. Nesta primeira temporada (o jornalista adianta que a próxima irá ao ar no segundo semestre) serão exibidos seis episódios.
Rodrigo Faour é jornalista e pesquisador musical. Reeditou, compilou e escreveu textos de encartes de mais de 300 CDs, incluindo o relançamento das obras de Maria Bethânia, Simone, Caetano Veloso e Ney Matogrosso. Como escritor, publicou “Bastidores” (2001), biografia de Cauby Peixoto; “Revista do Rádio” (2002) e “História Sexual da MPB (2006). Desde 2008, apresenta o programa diário “Sexo MPB”, na MPB FM do Rio de Janeiro.
Uma pena que um programa desta qualidade só alcance o canal fechado e seja exibido à meia-noite. Paciência, vale ficar ligado, quem tem canal fechado, claro. Acompanho o trabalho de Rodrigo Faour há algum tempo, ele é muito bom, preparadíssimo e colecionador de mais de 70 mil músicas catalogadas e um vasto clipping de matérias publicadas na imprensa.
Maria Olívia é jornalista
Preta Gil : “Beyoncé é o caramba”

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MARIA OLÌVIA (do Rio de Janeiro)
Do Leme ao Pontal, passando pelo Centro, Rio de Janeiro é só folia
Da gosto ver o carioca retomando com muita força os carnavais de rua. Por toda orla carioca, no Jardim Botânico, no centro e por toda parte da cidade blocos se multiplicam para o deleite da galera. Jovens e velhos, com ou sem fantasia, tem espaço para quem quiser.
Vale ressaltar:a roupa preferida das meninas cariocas é o shorte jeans com camiseta ou com a parte de cima do biquíne, a escolha da grande maioria pois os termômetro marcam acima dos 40 graus. Os colares havaianos é a sensação do momento, eles enfeitam as garotas e as coroas também, cada uma improvisando a sua maneira, é o Rio, como sempre, ditando a moda para o país.
Neste domingo, Preta Gil arrastou uma multidão na Avenida Vieira Souto, em Ipanema, com o Bloco A Coisa tá Preta. De cima de um carro de som, ela se revesa com outros cantores com música de qualidade, sambas enrredo que fizeram história nas escolas de samba cariocas, velhos carnavais e axé.Preta, que se define “uma mistura de Beyoncé com Alcione”, atirou do alto do carro de som: “Beyoncé é o caramba, sou mais a Beyoncione!”. A atriz Carolina Dieckmann, amiga de preta, também estava no local e se empolgou com a música “Aquele abraço”. Carol foi apresentada por Preta como a musa do bloco.
Um detalhe que chamou a atenção desta jornalista: Todos cantavam juntos, a moçada sabe tudo de ontem e de hoje.
Com 24 carnavais na avenida, integrantes do Bloco “Suvaco do Cristo” desfilaram pela Rua Jardim Botânico, na Zona Sul do Rio, na manhã deste domingo (7). O desfile começou por volta de 10h, e os foliões seguiram até a Praça Santos Dumont, na Gávea, também na Zona Sul, onde o desfile terminou, por volta das 13h10.
“Alô Burguesia de Ipanema”, com esse bem humorado grito de guerra carnavalesco, o Bloco Simpatia é Quase Amor saíu na tarde de ontem (6), da Praça General Osório e desfilou por toda orla de Ipanema arrastanto milhares de pessoas, com uma bateria que não deixou nenhum folião parado. O Simpatia desfila pelas ruas do bairro desde 1985. No proximo sábado, 13, quem faz o mesmo percurso é a famosa Banda de Ipanema.
É isso aí amigos do Bahia em Pauta, o Rio de Janeiro se renova sempre, tem espetáculo para quem quiser, pago e de graça. O folião participa sem fantasia paga e sem cordão de isolamento e o Metrô está funcionando e ja chega até Ipanema.
Maria O(lívia é jornalista
Marchinha do concurso 2008
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Maria Olivia
Olha que exemplo:A Fundição Progresso resolveu há cinco anos estimular novas composições. Nesta quarta,20, dia do padroeiro São Sebastião, haverá uma grande festa na Parada da Lapa para apresentar as dez músicas finalistas do 5º Concurso de Marchinhas da Fundição Progresso.
Se você caro internauta que acessa BB estiver no Rio, não deixe de comparecer, programação simplesmente imperdível.
Faltando meses pro carnaval, todo mundo inscreve suas letras e eles fazem uma pré-seleção, sendo que as 10 melhores entram num CD. Pra defender as músicas, foi formada a banda da Fundição, com cantores e músicos do calibre de Alfredo Del Penho, Pedro Paulo Malta, Clarisse Magalhães, Lali Maia e Marcelo Bernardes.
Quem for na festa desta quarta, marcada pra 20h30m, já ganha o CD na entrada, ao pagar o ingresso de R$ 15. Além da apresentação das finalistas, tem ainda um show do Rio Maracatu, encerrando a noite. Bom demais, né?
Maria Olivia é jornalista
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Maria Olívia
Nesta segunda, dia 21, a turma do samba carioca, a exemplo de Alcione, Zeca Pagodinho, Dudu Nobre, Monarco, Arlindo Cruz, entre tantos outros bambas, faz show em prol do cantor e compositor Walter Alfaiate. O grande encontro vai rolar no Circo Voador – com nova e moderna estrutura na Lapa, Rio de Janeiro. O sambista, que aos 79 anos ainda precisa cantar e fazer ternos para viver, está internado num hospital público da cidade maravilhosa.
“Magnata Supremo da Elegância”, como se auto-define o cantor e compositor Walter Nunes Alfaiate, consagrado e cultuado pelos grandes sambistas do país, especialmente do Rio de Janeiro, só aos 68 anos de idade, meio século de carreira e mais de 200 sambas compostos, conseguiu registrar sua belíssima voz em disco – gravou apenas um disco, repita-se -, Olha Aí, lançado em 1998 perlo selo Alma e produzido pelo genial Aldir Blanc. O disco, além de composições próprias, tem pérolas de Aldir Blanc, Martinho da Vila, Paulinho da Viola e Nelson Sargento. Oportunidade imperdível para se homenagear este maravilhoso compositor e intérprete, que esteve presente em todos os momentos importantes e bons nestes últimos sessenta anos no samba e no carnaval brasileiro, especialmente, no bairro onde nasceu e passou sua vida, Botafogo.
Maria Olívia é jornalista baiana
Saldanha: homenagem no Maraca

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Três toques:
Maria Olívia
1) A turma do samba carioca, a exemplo de Alcione, Zeca Pagodinho, Dudu Nobre, Monarco, Arlindo Cruz, entre tantos outros bambas, fará show em prol do grande compositor Walter Alfaiate, na próxima segunda, dia 21, no Circo Voador, no Rio de Janeiro. O sambista, que aos 79 anos ainda precisa cantar e fazer ternos para viver, está internado num hospital público da Cidade Maravilhosa. Ainda dá tempo de participar desta bela homenagem e ajudar este patrimônio da música popular brasileira. Triste país em que seus artistas precisam recorrer a este expediente para sobreviverem.
2- Fechem as cortinas, rápido. No mesmo dia, o presidente Lula vai participar, ao lado do governador Sergio Cabral, da inauguração da estátua do saudoso João Saldanha no Estádio do Maracanã.
Foto premiada: sensibilidade no olhar

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Maria Olívia
O repórter fotográfico de A Tarde, Luciano da Matta é o grande vencedor da edição 2009 do Prêmio de Fotografia do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CREA/Bahia). A foto do cadeirante Alan Ribeiro Dias, 17 anos, sendo carregado para transpor uma escadaria na entrada de sua zona eleitoral e conseguir registrar seu voto, em outubro de 2008, deu o premio a da Matta. A foto vencedora foi um flagrante conseguido quando o jornalista fazia a cobertura das eleições para prefeito.
Com quase 30 anos de profissão, Luciano já ganhou diversos concursos e foi finalista do Prêmio Esso de Jornalismo de 2007. Ao sair da Escola Estadual Raul Sá – grande professor baiano, registre-se – em Mussurunga, ele percebeu a dificuldade de Alan para subir a escadaria do prédio. “Logo na porta do colégio, ele encontrou aquele obstáculo e teve de contar com a colaboração de outras pessoas, porque nossos governantes não respeitam o voto dos deficientes”, disse Luciano da Matta. Bravo. Bravíssimo!
Maria Olívia é jornalista
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Em tempo: Bahia em Pauta em peso bate palmas pelo prêmio mais que merecido de Luciano. Além de mestre do fotojornalismo, ele é também figura humana de caráter exemplar no meio jornalistico desta cidade da Bahia, amigo sempre presente e solidário deste site blog , para muito orgulho de todos nós. Eparrê, Luciano! (Vitor Hugo Soares, editor)
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Maria Olivia
Há muito tempo nas águas da Guanabara, o dragão do mar reapareceu, na figura de um bravo marinheiro, a quem a história não esqueceu, conhecido como almirante negro, tinha a dignidade de um mestre – sala…Na belíssima canção-homenagem de João Bosco e Aldir Blanc – O Mestre-Salas dos Mares- a João Cândido, vamos lembrar e celebrar nosso herói da ralé neste domingo de sol muito forte em Salvador.
É preciso recuperar a história encoberta. É o caso da Revolta da Chibata. Em 22 de novembro de 1910, 2.400 marinheiros rebelaram a Armada de Guerra, comandados por João Cândido, O Navegante Negro. Naquele dia ele decretou: Não queremos mais ser açoitados, chibatas nunca mais.
Quando ele assumiu o comando do encouraçado “Minas Gerais”, a escravidão já tinha sido “abolida” há exatos 22 anos e a República tinha sido proclamada há 21. Tudo balela. Ainda havia quem precisasse lutar pela conquista de um direito, o mais fundamental, o de ser considerado como Ser Humano e não como uma coisa qualquer.
A revolta da Chibata foi um grito dos cidadãos considerados de “segunda classe”, grito que eclode até hoje. Já avançamos, mas ainda estamos muito distantes de uma república democrática e justa. A Revolta da Chibata não é só uma data na história, ela representa os excluídos da nossa história oficial. Salve, o Almirante Negro, que tem por monumento, as pedras pisadas do cais.
Vale informar que, devido a censura, não se podia dizer Almirante Negro…Cantava-se, para enganar os censores, Salve, o Navegante Negro…
Maria Olivia é jornalista
Fernando Moraes e delegado..

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…Protógenes:encontro em SP

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Maria Olívia
Na próxima segunda-feira, 23, o dramaturgo e novelista Lauro Cesar Muniz pilota encontro entre o Delegado da Polícia Federal, Protógenes Queiroz e artistas brasileiros. O evento será no Teatro Parlapatões, espaço que se firmou na vida noturna de São Paulo, na Praça Roosevelt, às 20h30min.
Na pauta da noite, Teatro e poder é o tema da palestra de Queiroz, responsável pela Operação Satiagraha, que levou para a cadeia, entre outros, o banqueiro Daniel Dantas, e uma sessão de autógrafos do escritor e jornalista Fernando Moraes, autor de Olga, Chatô, o Rei do Brasil, Corações Sujos, Na Toca dos Leões, O Mago, entre outras biografias e reportagens que venderam mais de dois milhões de exemplares no país.
Aos 61 anos, Fernando Moraes tem consolidada sua carreira de jornalista e escritor. Trabalhou em grandes jornais e revistas, recebeu três vezes o Prêmios Esso e quatro vezes o Prêmio Abril. Na política, foi deputado estadual em São Paulo por dois mandatos, além de Secretário Estadual de Cultura (1988-1991) e de Educação (1991-1993).
Aproveito o espaço para informar (e solicitar a adesão) aos blogueiros do Bahia em Pauta que está rolando um abaixo-assinado na rede – www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/5223 – subscrito por entidades de classe, personalidades e cidadãos brasileiros, endereçado ao Senhor Ministro da Justiça, Tarso Genro, solicitando adoção de providências legais e legítimas para por fim a perseguição implacável ao servidor público Protógenes Queiroz, que, desde abril de 2008 até hoje, vem sendo punido e constrangido publicamente, teve seu salário reduzido e é vitima de uma perseguição política sem precedentes na história recente deste país, que vem acarretando graves consequências à saúde de seus filhos e no seu círculo familiar.
Nos últimos 18 meses, o delegado já recebeu mais de 10 intimações – nunca na privacidade de seu domicílio e sempre em público, ação destinada a criar-lhe constrangimento moral, que afronta o Estado Democrático de Direito, enxovalha a imagem da Polícia Federal – que, até pouco tempo, desfrutava de excelente conceito junto à sociedade, e consterna a opinião pública.
Maria Olivia é jornalista
Bahia em Pauta reproduz a seguir, neste 4 de novembro de homenagens em Salvador e em várias partes do País, pela passagem dos 40 anos da morte de Carlos Marighella, o texto produzido pela repórter Patrícia França, publicado no jornal A TARDE, edição do último domingo. Passado, presente e futuro neste relato sobre a vida, lutas e legados (intelectual inclusive) de um revolucionário baiano do tamanho do Brasil.Colaborou Maria Olívia. Confira.
Túmulo de Marighella em Salvador

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MEMÓRIA
“Não tive tempo para ter medo”. A frase gravada na lápide de mármore desenhada pelo arquiteto Oscar Niemeyer e que está exposta no túmulo de Carlos Marighella, no Cemitério Quinta dos Lázaros, resume a trajetória de luta e ideal libertário do líder comunista baiano assassinado no dia 4 de novembro de 1969, em São Paulo, numa emboscada das forças repressoras do regime militar. A figura humana em posição de luta e cinco projéteis de escopeta cravados na altura do peito – formando a constelação Cruzeiro do Sul, que também consta no centro da bandeira brasileira – completam a criação que denuncia a perseguição aos que lutaram contra a ditadura militar em defesa da democracia.
O tombamento como patrimônio da municipalidade do túmulo concebido por Niemeyer é um dos muitos atos que estão sendo programados em Salvador, São Paulo e no Rio de Janeiro para relembrar a passagem dos 40 anos de morte de Carlos Marighella. As atividades serão abertas nesta quarta-feira, data em que o ex-deputado comunista tombou assassinado no centro de São Paulo, com a inauguração de uma placa na Alameda Casa Branca.
Foi neste local que Marighella foi surpreendido por uma operação comandada pelo então delegado do Dops (Departamento de Ordem e Política Social) Sérgio Paranhos Fleury – conhecido pela crueldade com que perseguia opositores do regime militar. Manifesto As pichações que hoje desfiguram a obra do arquiteto Oscar Niemeyer, comunista e igualmente perseguido pelos militares, reforçam a importância das homenagens que instituições como Tortura Nunca Mais, Memorial da Resistência, governos da Bahia, de São Paulo e Rio de janeiro e Secretaria Nacional de Direitos Humanos, além de camaradas de luta, como Luís Contreiras e Fernando Santana, prepararam para homenagear Marighella.
Um documento intitulado Manifesto em Memória de Carlos Marighella está circulando na internet e tem a adesão de nomes como Fábio Konder Comparato, jurista e professora da USP; o escritor Fernando Morais; Frei Betto e Leonardo Boff; cineasta Sílvio Tendler, Wagner Tiso e o crítico Antônio Cândido. As homenagens ao herói da resistência se estenderão até o dia 10 de dezembro.
O advogado e ex-deputado estadual Carlos Marighella Filho, que só aos 8 anos de idade conheceu o pai, forçado que foi a viver na clandestinidade, o define como uma pessoa “desassombrada” e de “ação”, características que o próprio Marighella revelou ao dizer, numa entrevista concedida em 1968, que não teve tempo para ter medo. Comunista como o pai e também vítima da repressão – foi torturado pelo coronel da reserva Carlos Alberto Brilhante Ustra e condenado com 14 comunistas baianos pela Lei de Segurança Nacional –, Marighella Filho revisita a memória e fala do pai, que se tornou militante do PC aos 18 anos e fez da poesia a arma de luta pela liberdade.
A primeira prisão de Marighella foi consequência de um poema tecendo críticas ao interventor da Bahia, general Juracy Magalhães, em 1932. Obrigado a interromper os estudos por conta da militância, vai para o Rio de Janeiro. Em 1936, é preso novamente, depois passa seis anos no presídio de Fernado de Noronha. Marighella Filho lembra que um jornal da época, estampando a foto do pai com um outro comunista, ambos com hematomas no rosto, trazia a seguinte manchete: “Em nome da boa profilaxia social, a polícia do Rio de Janeiro acaba de prender dois homens afetados de comunismo”. “Toda aquela violência contra um poeta era justificada, como se fosse uma doença contagiosa” , lamenta o filho sobre o pai.
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Capa da revista no tempo da covardia

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MEMÓRIA
POETA DESDE O GINÁSIO DA BAHIA
No Ginásio da Bahia ficaria notória a prova de Física que o estudante Carlos Marighella respondeu em 40 versos, cujo tema era “Catóptrica, leis de reflexão e sua demonstração, espelhos, construções de imagens e equações catóptricas”. Cursava, então, o 5º ano do Ginásio da Bahia, em 23 de agosto de 1929, aos dezoito anos. O tema da prova fora sorteado na sala de aula, antes do exame, um detalhe pouco conhecido. Marighella assim respondeu:
Doutor, a sério falo, me permita,
Em versos rabiscar a prova escrita.
Espelho é a superfície que produz, Quando polida, a reflexão da luz.
Há nos espelhos a considerar
Dois casos, quando a imagem se formar.
Caso primeiro: um ponto é que se tem;
Ao segundo um objeto é que convém.
Seja a figura abaixo que se vê,
o espelho seja a linha betacê.
O ponto P um ponto dado seja,
Como raio incidente R se veja.
O raio refletido vem depois
E o raio luminoso ao ponto 2.
Foi traçada em seguida uma normal
o ângulo I de incidência a R igual
Olhando em direção de R segundo,
A imagem vê-se nítida no fundo,
No prolongado, luminoso raio,
Que o refletido encontra de soslaio.
Dois triângulos então o espelho faz,
Retângulos os dois, ambos iguais.
Iguais porque um cateto têm comum,
Dois ângulos iguais formando um.
Iguais também, porque seus complementos
Iguais serão, conforme uns argumentos.
Quanto a graus, A+I possui noventa,
B+J outros tantos apresenta.
Por vértice opostos R e J
São iguas assim como R e I.
Mostrado e demonstrado o que é mister,
I é igual a J como se quer.
Os triângulos iguais viram-se acima,
L2, P2, iguais, isto se exprima.
IMAGEM DE UM PONTO
Atrás do espelho plano então se forma
A imagem, que é simétrica por norma.
IMAGEM DE UM OBJETO
Simétrica, direita e virtual,
E da mesma grandeza por final.
Melhor explicação ou mais segura
Encontra-se debaixo na figura.
A prova em versos rendeu a Marighella nota dez e ficou exposta no corredor do colégio até 1965, protegida por uma moldura envidraçada, como exemplo para os demais estudantes. O Ginásio da Bahia ficava no Bairro de Nazaré, hoje Colégio Central.
(Maria Olivia, jornalista)
?
Marighella, um combatente

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CARLOS
Maria Olívia
Hoje, 4 de novembro, completam-se 40 anos do assassinato de Carlos Marighella. Aguerrido militante político, deputado federal e um dos principais combatentes contra a ditadura militar no país, Marighella permaneceu por mais de 20 anos na clandestinidade, até sua morte, em São Paulo no ano de 1969.
Defensor das reformas de base – educação, agrária e manutenção das riquezas naturais, ele sabia da importância dessas premissas para nossa soberania e para o crescimento do Brasil. Se estivesse ainda entre nós, veria que sua luta não poderia ser mais atual, nos três pontos nada, ou quase nada, mudou.
Carlos, como era tratado carinhosamente pelos mais próximos, lutou em todas as frentes por um Nação livre e independente e para que nossas riquezas retornassem em benefícios para o povo brasileiro e não o contrário. Mais atual, impossível. Só a título de refrescar a memória: até nosso subsolo está comprometido e em mãos de pessoas sem nenhum compromisso pátrio, sem falar do cantado em prosas e versos Pré-Sal.
Estudante brilhante na Bahia, orador de primeira, Mariguella era de uma coragem admirável. Desde jovem defendeu com muita valentia seus princípios, foi uma referência para seus camaradas. Junto com Fernando Santana, Giocondo Dias, Luís Contreiras, Milton Cayres de Brito (foi meu professor na Faculdade de Comunicação da UFBA), entre tantos outros, escreveu com letra maiúscula a história do Partido Comunista Brasileiro.
-Não tive tempo de ter medo, esta frase está gravada na lápide de mármore desenhada pelo arquiteto Oscar Niemeyer no seu túmulo no Cemitério Quinta dos Lázaros, resume de forma definitiva a vida deste bravo cidadão baiano e do mundo Carlos Marighella. Em São Paulo, na Bahia, no Rio de Janeiro e em cada canto deste planeta onde haja sentimento de amor, solidariedade e justiça homenagens serão prestadas a este líder brasileiro nesta quarta-feira, data da sua morte.
As solenidades começam cedo, em São Paulo, com a inauguração de uma placa na Alameda Casa Branca, local em que Mariguella foi assassinado, numa operação comandada pelo nefasto delegado do Dops Sérgio Paranhos Fleury, e a concessão de título de Cidadão Paulistano/Medalha Anchieta. Em Salvador, acontece um ato político na Biblioteca dos Barris, às 18 horas. O ato vai contar com a participação do ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, Paulo Vannuchi e do governador Jaques Wagner. O deputado Emiliano José – autor da biografia de Carlos Marighella- representará sua família no evento.
Maria Olívia é jornalista, colaboradora do Bahia em Pauta
Histórias das canções de Chico…

… como Beatriz(cantada por Milton Nascimento)
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LANÇAMENTO / LIVRO
Maria Olívia
Histórias de canções – Chico Buarque, de Wagner Homem, conta histórias que estão por trás das letras e músicas deste moço, torcedor do Fluminense e um dos maiores, senão o maior, representantes da música popular brasileira. Um bálsamo para nossas almas e para a legião de fãs e admiradores de Chico, o livro relata as circunstâncias em que foram compostas muitas pérolas da nossa MPB. O autor, Wagner Homem, é amigo pessoal de Chico Buarque e curador da sua página na Internet (www.chicobuarque.com.br). O livro tem 356 páginas, custa R$ 44,90 e saiu pela Editora portuguesa Leya, que acaba de chegar ao Brasil. Abaixo, acompanhe apresentação da obra, recolhida no site www.historiasdecancoes.com.br. e corra às livrarias. Boa leitura.
As histórias relacionadas às circunstâncias em que são compostas as canções sempre despertam muita curiosidade. O cantor e compositor Toquinho afirma que, durante seus shows, esses fatos chegam a fazer mais sucesso do que a própria música. Às vezes, por falta de informação, o próprio povo cria sua interpretação, que nem sempre corresponde aos fatos.
Quem não gostaria de saber pra quem foi feita esta ou aquela canção, quem é a filha dos versos “você não gosta de mim, mas sua filha gosta” ou ainda o “você” de “Apesar de você”? Ou quem são “Carolina”, “Januária”, a “Morena dos Olhos d’água”, “Beatriz” e outras tantas? Como eram as relações do letrista Chico Buarque com parceiros como Vinícius de Moraes e Tom Jobim que tiveram importância fundamental na sua carreira?
Foi pensando nisso que Wagner Homem, curador do site oficial de Chico Buarque, selecionou uma centena de histórias relacionadas às suas composições.
Engraçadas, tristes, reveladoras ou simplesmente curiosas, essas histórias descortinam o universo em que as canções aparecem e os fatos que a elas se ligam.
Num texto enxuto o leitor poderá conhecer não apenas as histórias por trás das canções, mas também (embora não seja o objetivo principal da obra) um pouco da história recente do Brasil e da personalidade, processo criativo e hábitos dos personagens envolvidos.
Maria Olívia é jornalista
Jobim: sutil como uma baleia

…nos ataques a Waldir

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Maria Olivia
Em maio deste ano, o jornalista Guilherme Fiuza (autor, entre outros, do livro Meu nome não é Johnny, que deu origem ao filme protagonizado pelo excelente Selton Mello), colunista da Revista Época, publicou o artigo Deixa que eu falo. Recomendo sua leitura aos internautas que navegam pelo Bahia em Pauta , em virtude da recente conclusão do inquérito feito pela Polícia Federal do acidente da TAM, ocorrido no dia 17 de julho de 2007 – o Air-bus A320 atravessou a pista do Aeroporto de Congonhas (SP), cruzou a avenida e bateu num prédio da própria empresa. O acidente provocou 199 mortes.
Dois anos e meio depois, a PF concluiu o inquérito sobre o acidente com o voo 3054 da TAM sem apontar culpados. A Polícia Federal entendeu que o acidente foi resultado de um erro dos pilotos. Os comandantes Kleiber Lima e Henrique Stefanini di Sacco teriam manuseado os aceleradores da aeronave de forma incorreta, segundo indicações da caixa preta. Agora, o Ministério Público Federal (MPF) vai decidir se arquiva o caso, pede novas investigações ou oferece denúncia contra um eventual responsável pela tragédia, que porventura apareça.
O caríssimo internauta, por acaso, viu esta notícia em alguma manchete de jornal, no rádio ou na televisão? A bem da verdade, a Revista Carta Capital publicou matéria sobre o assunto na edição desta semana.
Na época do acidente, só faltou a “sentença” apontando o então ministro da Defesa, Waldir Pires como unico culpado pelo acidente. Sem falar no histerismo da dita “grande” mídia brasileira.
Deixo com vocês, um aperitivo do texto de Guilherme Fiuza:
“Se o Brasil fosse um país justo, promoveria sumariamente a volta de Waldir Pires ao Ministério da Defesa. E Nelson Jobim, o homem providencial, seria obrigado a ouvir o velhinho dizer: “O que falta aqui é comando!”
Foi com essas palavras, sutil como um elefante, que o atual ministro assumiu o cargo — humilhando ao vivo um homem de 80 anos que fez muito mais pelo Brasil do que ele jamais fará. Era o auge do caos aéreo, logo após a tragédia da TAM em Congonhas, e Jobim prometia (como sempre) dar jeito em tudo.
Não deu jeito em nada (como sempre), mas capitalizou como pôde cada holofote aceso em sua direção. Comoção nacional? Gente sofrendo? Clamor por respostas e soluções? É o cenário predileto de Nelson Jobim, com seus dois metros de altura e duas toneladas de empáfia”…
Texto completo você encontra em http://colunas.epoca.globo.com/guilhermefiuza. Boa leitura.
( Maria Olivia é jornalista )

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MEMÓRIA
Lembrando Frei Tito
Maria Olívia
Nesta data, no ano de 1974, Frei Tito de Alencar Lima se matou, aos 28 anos, em Arbresle, Sul da França, por não suportar as dores do exílio e as sequelas das torturas comandadas pela equipe de Sergio Fleury, em São Paulo, 1969. Foi o fim de um período de sofrimento para este cearense, frade dominicano, preso e barbaramente torturado, atormentado até a morte pela voz dos torturadores.
Importante lembrar esta página da nossa história. Frei Tito precisa ser conhecido pelos jovens brasileiros, este homem que acreditava no Evangelho e nas mudanças da sociedade. Em um Brasil mais justo e fraterno, sem tantas desigualdades. Diante de tantos enganos políticos, de tanta corrupção e violência vamos render nossas homenagens a este religioso que tanto lutou por um novo país, pelas liberdades, pelo movimento estudantil e contra a ditadura militar.
Uma dica : Assista ao filme Batismo de Sangue – de Helvécio Ratton, que também participou ativamente da luta contra a repressão -, baseado na história que Frei Beto contou em livro sobre Frei Tito e outros dominicanos durante a ditadura. Filme obrigatório.
Maria Olivia é jornalista