jul
27

Amy: liberta do circo

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CRÔNICA / AMY

O que eu gostaria de dizer sobre a rainha de Camden

Laura Tonhá

Queridos leitores do Bahia em Pauta, estou desde domingo com um nó na garganta pela morte de Amy, desde então tento traduzir em palavras o que ela significou e significa para mim, mas ainda não tinha conseguido chegar no cerne da questão.

Aparentemente eu adorava a genial cantora e não poderia ser diferente. Além de considerá-la a mais autêntica e talentosa artista da atualidade, morei em Londres em 2007 – ano que Amy se tornou um sucesso mundial. Seu rosto estampava freqüentemente os tablóides ingleses e eu me acostumei a cruzar com a exótica artista nas ruas de Camden, sempre cheia de estilo: sapatilhas de bailarina, muita maquiagem, cabelo arrumado em seu topete, caminhando no famoso bairro alternativo, acompanhada de seu marido: Blake. Acho que ela estava no auge: feliz, apaixonada, seu álbum lançado no ano anterior (2006) – Back to Black – estourado, ela se tornava um sucesso mundial. Eu estava vivendo a vida em uma das cidades mais fascinantes do mundo e todos ouvíamos a diva local. Desconfio que apenas Londres poderia ter “produzido” Amy Winehouse.

Desde então, acompanho como fã as notícias sobre ela: a tumultuada relação com Blake – começaram a namorar em 2005, em 2007 se casaram, em 2009 se divorciaram, em 2010 se reconciliaram e prometeram que iam se casar novamente, romperam novamente; mais recentemente o novo namorado “almofadinha” Reg Travis que não estava com ela nos últimos meses porque, de acordo com ele, ela continuava a beber (faça-me o favor…) ainda mais recente, agora em julho as notícias de que ela ligava de madrugada desesperada para Blake, que por sinal está para ser pai de um filho com outra mulher (isso deve ter sido duro para Amy, o sonho dela era ser mãe). Além disso, reabilitações, prisões, drogas, brigas em família etc. Ainda assim, aguardávamos o próximo álbum, o retorno da diva.

Pois bem, com a notícia da morte da cantora, fiquei com isso tudo na cabeça, o talento absurdo, as drogas, a vida louca, a paixão por Blake, tudo foi Amy, mas ela foi muito mais. O nó continuava.

Felizmente, lendo Guilherme Fiuza, em sua coluna semanal, entendo o que eu já sabia, mas não tinha tido o insight. Amy, veio ao mundo para bagunçar a fronteira entre o bem e o mal, o certo e o errado. A voz sublime, das mais belas que o mundo já ouviu, em contraste com a vida sem limites. Deus e o diabo são uma coisa só. Os olhos míopes não conseguiram enxerga-lá. O senso comum tornou a mais conhecida pelos escândalos do que pelo talento e ela seguiu dando comida aos abutres: destruição e canções maravilhosamente desconcertantes.

Como uma “atração no zoológico”, tornou-se um prato cheio para imprensa sensacionalista. Em sua vinda ao Brasil muito mais se falou do seu seio de fora do que do seu talento. Brinde à miopia.

Amy era pura arte, do estilo, a música, aos trejeitos pouco lhe foi feito justiça, sobre isso Fiuza comenta:

“frequentemente, Amy era descrita como uma mulher desajeitada, que não sabia o que fazer com o próprio corpo em cima de um palco. Outro brinde à miopia. Poucas cantoras tiveram tanto estilo em cena. O charme de Amy só era visível aos olhos nus – aqueles não adestrados para enxergar na cantora uma caricatura humana. Aos demais, restava esperar pelo clímax de um gole a mais e um tombo no palco. Mórbido clímax.”

O jornalista em suas conclusões faz o arremate final:

“Amy Winehouse tinha Deus e o diabo dentro de si. A prova está em cada instante da intérprete potente, possessa, possuída. Em cada melodia magistral com que enchia de doçura um verso amargo. O senso comum não gosta de ver Deus e o diabo em comunhão.

Eleita para o lugar da estranha (aquela que serve para os outros se sentirem normais), Amy foi ficando a sós com seus conflitos – que eram letais, como ela própria inscreveu em sua obra. Dissolveu-se ao vivo.

Agora o público do circo está a sós com sua curiosidade mórbida. Deus deu a Amy a libertação. O diabo lhe deu a vingança.”

A matéria completa de Guilherme Fiuza esta no site da Época.

Com o meu nó desfeito e feliz por entender Amy liberta do circo, permaneço com a alegria de ser fã inconteste da sublime cantora, feliz e grata por saber que ela será para sempre trilha sonora do meu período londrino. Feliz pelos momentos vividos na Camden de Amy, que eu apresentei com tanto entusiasmo para pais, irmã, tios e amigos que me visitaram. Grata a Fiuza que desfez meu nó e a Tia Margarida que, com seus dons premonitórios, me brindou há 2 semanas atrás com uma boa dose de Amy e bom vinho em sua casa.

Sem Amy sigamos atentos ao circo.

Laura Tonhá, publicitária baiana, fundadora e diretora-executiva do Bahia em Pauta, está de férias em São Paulo, onde produziu o texto publicado no BP

mar
07
Posted on 07-03-2011
Filed Under (Artigos, Laura) by vitor on 07-03-2011

Diga que valeu!

Laura Tonhá

Seu Florêncio Cardoso da Silva descansou em um domingo de carnaval, um dia de celebração como deve ser o fim de uma grande vida. Quando eu recebi a notícia tocava a música do Chiclete “Então diga que valeu”, uma dessas coincidências ou acasos da vida, de acordo com a interpretação. A música continuava… “é pena que este amor não possa mais durar, é pena que este amor não vá poder se eternizar”. Uma pena que o amor de meu avozinho pela vida não possa se eternizar… Ele diria com a boca cheia que é uma “BOBAGEM”. Meu avo lindo, um grande homem, em toda sua coragem, audácia, virilidade, retidão, caráter, um grande exemplo.
Descanse em paz, estarás para sempre conosco, a sua família. Lembraremos sempre dos 10 abraços calorosos, que nós seus netos desde pequeninos gostávamos de desfrutar. Como o senhor diria: PAZ, SAÚDE E TRANQUILIDADE.
Que a sua sabedoria ecoe para sempre.
Um grande beijo, sua neta Laura.

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Laura Tonhá, publicitária, é uma das criadoras do Bahia em Pauta. A mensagem foi lida esta segunda-feira, no cemitério Jardim da Saudade, em Salvador, antes do sepultamento de Florêncio Cardoso da Silva, Seu Cardoso.

Dilma: recado de Lula para Wagner

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Terminou na tarde deste domingo a Convenção Estadual do PT e partidos aliados na Bahia, que homologou  a chapa majoritária com as candidaturas de Jaques Wagner, Otto Alencar, Lidice da Mata e Walter Pinheiro, aos cargos de governador,vice e senadores respectivamente.
Os candidatos a Deputado Estadual e Federal do PT e partidos aliados, circulavam desde as 8 horas da manhã distribuindo abraços e cumprimentos, alguns trouxeram comitivas com bandeiras e camisas e fizeram chegadas ruidosas, tudo dentro do protocolo peculiar ao evento.
A candidata ao Senado – Lídice da Mata (PSB)- muito simpática, quando solicitada mostrou confiança: ”Eu e Pinheiro (PT) somos o Novo, os que estão aí representam o Velho”.

A chegada de Dilma e do Governador Wagner, muito aguardada, causou um rebuliço, e a grande forma estética da ex-ministra foi o comentário geral. Durante a coletiva de imprensa a candidata saltou algumas frases de efeito, segundo ela  “as mulheres devem saber que podem tudo”, quando questionada se Lula mandou algum recado para Wagner declarou que o presidente falou para o “Galego” continuar brigando para se reeleger.
Entre outras respostas Dilma garantiu “O Bolsa Família vai continuar. A gente já conseguiu retirar 24 milhões de pessoas da miséria, mas enquanto houver gente abaixo da linha de pobreza, programas sociais como este têm que continuar”.
Satisfeita com o resultado das últimas pesquisas eleitorais, a ex-ministra não hesitou em afirmar que a energia do povo baiano tem feito bem a ela e a sua campanha. “Bahia dá sorte”, disse. Na última visita ao Estado Dilma tinha empatado com o candidato do PSDB – Serra, agora retorna como líder nas pesquisas de intenções de voto.
 A candidata ainda ressaltou que não quer nenhum clima de já ganhou, sobre uma vitória no primeiro turno, respondeu: “Eu prefiro não ter prognóstico, nossas propostas para a população estão sendo postas, é o povo quem vai decidir”
A convenção terminou em clima de forró com o jingle “deixa o Galego trabalhar”.

(Laura Tonhá)

jan
31
Posted on 31-01-2010
Filed Under (Artigos, Laura) by Laura on 31-01-2010

Bar / casa de shows –  30 segundos

Noite na Borracharia 

Com a sugestiva chamada “um bar para publicitários”, e a grife de pertencer a um dos filhos de Duda Mendonça,  foi inaugurado recentemente o bar 30 segundos no bairro Rio Vermelho, a decoração é temática com propagandas antigas e algumas atuais, mas a  graça e “sacada” da idéia terminam aí. A galera pós-adolescente baiana, frequentadora de todos os barzinhos da moda,  ja invadiu o local e a banda toca os sucessos mais manjados do pop-rock; criatividade e novidade zero.

A alguns metros, no mesmo Rio Vermelho, cresce a Borracharia (de dia borracharia, nas noites de sexta e sábado boate), ambiente descolado e reduto de músicos, publicitários, artistas e simpatizantes do mundo criativo, sem nenhuma mídia ou luxo, mas de verdade boêmio e alternativo, animado por um repertório que vai do samba-rock ao soul music. A melhor pedida para quem quer dançar, paquerar, e se divertir em um ambiente excêntrico e descolado com público eclético. Aqueça as turbinas pelos bares do Rio Vermelho, e depois da meia-noite “se jogue”, na Borracharia você vai se sentir livre.

Por Laura Tonhá, publicitária baiana.

out
19
Posted on 19-10-2009
Filed Under (Artigos, Laura) by Laura on 19-10-2009

19 de outubro é uma data muito especial neste Bahia em Pauta, aniversário de Vitor Hugo Soares. A minha missão é difícil, homenagear este capitão, um dos grandes mestres do jornalismo na Bahia, companheiro de tantas lutas de tantos leitores deste espaço, familiar querido, figura brilhante, sensível, jornalista, homem único, referência em delicadeza e elegância para todos que o conhecem, editor deste blog, que tanto nos entretém e informa.

Vitor Hugo, formado em Jornalismo e Direito pela Universidade Federal da Bahia, é reconhecido pelo talento, integridade e comportamento ético em toda sua trajetória profissional – movimento estudantil; atuação em assessoria de imprensa nos poderes legislativo e executivo da Bahia e do município de Salvador; editor e/ou redator em grandes veículos da imprensa nacional, Jornal do Brasil, Veja, Jornal A Tarde entre outros.

Hoje, atualizado com as tendências mundiais, que cada vez mais personalizam o jornalismo, ao passo que o unem a internet, comanda este jovem blog que nasceu em fevereiro deste ano e já se consagra como um espaço instigante, conduzido pelo talento deste mestre baiano. 

A música para começar o dia em data tão especial é “Te Recuerdo Amanda” de Victor Jara, sugestão de Gracinha, grande admiradora do jornalista e amiga de muitos anos, por isso conhecedora de alguns de seus gostos musicais mais pessoais. Jara tem mais do que o nome em comum com nosso editor.    

Víctor Lidio Jara Martínez, músico, tornou-se referência internacional da música de protesto; lecionava Jornalismo na Universidade do Chile quando foi  detido junto com outros alunos e professores nos primeiros dias de repressão que se seguiram ao golpe de estado de Augusto Pinochet, contra o presidente Salvador Allende, em 11 de setembro de 1973. Membro do Partido Comunista do Chile, Jara, teve suas mãos cortadas como parte do “castigo” dos militares a seu trabalho de conscientização social aos setores mais desfavorecidos do povo chileno.  Foi assassinado em 16 de setembro de 1973, em Santiago.  

Sua mensagem continua a ser ouvida, se não em suas músicas, na inspiração de grandes homens como o homenageado de hoje. Começamos o dia então com “Te recuerdo Amanda” na voz de Victor Jara.

Parabéns a Vitor Hugo Soares!

(Postado por Laura Tonhá)

out
16
Posted on 16-10-2009
Filed Under (Artigos, Laura) by Laura on 16-10-2009

family

Edição deste mês da revista Super Interessante traz descobertas sobre a formação do indivíduo. Entre elas a afirmação de que talvez outras pessoas, que não os pais, sejam mais importantes no desenvolvimento da criança. A defensora desta teoria “amigos são tudo” é a psicóloga americana Judith Harris.

O principal argumento é uma das maiores pesquisas já feita com filhos adotivos, os resultados mostraram que, quando adultas, as crianças adotadas eram muito mais parecidas com seus pais biológicos do que com seus pais adotivos -com quem tinham passado a vida toda. Em outras palavras a criação de casa tinha deixado poucas marcas permanentes. Judith afirma que a única marca indelével vem do ambiente. A justificativa é biológica. Durante milhões de anos de evolução, a nossa sobrevivência dependeu da capacidade de viver em grupo: aprendemos a agir, falar e nos comportar como as pessoas ao nosso redor.

amg

O ponto importante é que a criança reconhece o grupo nas pessoas da mesma idade e nicho que ela, ou seja, nos amigos – e não nos pais. Por isso, no final das contas a criança desenvolve personalidade parecida com a dos amiguinhos. De acordo com a psicológa os pais devem se contentar com o fator genético.

O estudo não incluiu crianças que sofreram abusos na infância. Pesquisas já comprovaram que crianças que sofrem maus tratos não produzem serotonina em níveis normais e, na maior parte dos casos, se tornam adultos deprimidos e/ou agressivos – que possivelmente também abusaram dos filhos. Nestes casos o fator criação se sobrepõe ao fator “amiguinhos”.

Viviane Feldens – doutora em psicologia de crianças – lembra ainda que é com a mãe que as crianças aprendem a socializar e são essas as referências que ela vai levar na hora de fazer as primeiras amizades. Em outras palavras, se o ambiente familiar mantiver as condições “normais”, os amiguinhos influenciarão bastante na formação da personalidade, mas na hora de escolher os amiguinhos as crianças optaram por  aqueles que tragam características de sua mãe.  

Como diria Freud no final é tudo “culpa” da mãe. Para o bem ou para mal.

Laura Tonhá

out
06
Posted on 06-10-2009
Filed Under (Artigos, Laura) by vitor on 06-10-2009

France Telecom: “suicídios assustam”
suicidios
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ARTIGO / PRESSÕES

Por trás dos suicídios na France Telecom

Laura Tonhá

Notícias de suicídio sempre assustam, estamos pouco preparados para lidar com a desistência diante da vida. A nossa cultura: ocidental, global, midática, séc. XXI reza que a vida é “maravilhosa” e que só não é feliz, lindo e rico quem não quer. Difícil entender porque num mundo tão “maravilhoso”, o suicídio seja uma opção cada vez mais freqüente.

A onda de suicídios na France Telecom talvez não tenha tido a cobertura na imprensa mundial que o fato merecia, ou uma análise mais profunda que explicasse o que leva 24 funcionários de uma empresa a se suicidarem num período de 1 ano e meio.

A morte mais recente aconteceu no último dia 28, um funcionário atirou-se de um viaduto, depois de escrever uma carta denunciando o clima profissional vivido no seio da gigante das telecomunicações francesa.

De acordo com a AFP, rede de notícias da França, o empregado trabalhava numa central de chamadas da France Telecom em Annecy, nos Alpes. Casado e pai de dois filhos, o homem de 51 anos deixou dentro do carro uma carta dirigida à sua mulher, “evocando o sofrimento vivido no contexto profissional”. A mulher do suicida explicou aos investigadores que “o seu marido se encontrava muito depressivo há vários meses”.

Os sindicatos informaram que o funcionário tinha sido transferido recentemente para uma central telefônica onde as condições de trabalho são péssimas.

“É aterrorizante. Ele trabalhava numa secção conhecida há muito tempo por ser insuportável, havia uma verdadeira indiferença, nenhum calor humano, não se falava senão de números, os empregados eram carne para canhão”, palavras de Patrice Diochet, do sindicato CFTC.

Conforme notícias da AFP, também no mês de setembro, um técnico de 48 anos da cidade de Troyes esfaqueou a si próprio durante uma reunião, após ouvir que teria que mudar de função; e uma mulher de 32 anos cometeu suicídio em um dos escritórios do grupo em Paris, a funcionária pulou da janela do quarto andar de um prédio após uma reunião.

Os sindicatos afirmam que todo esse desespero é causado pela reestruturação crônica da France Telecom e por pressões no ambiente de trabalho.

O Blog de Luiz Nassif explica que a empresa francesa implantou uma política de “mobilidade sistemática” de seus “cadres” ( quadros técnicos e administrativos com cargos de chefia intermediária). Por essa política, a cada 3 anos esses funcionários são transferidos de local de trabalho. Além disso, estabeleceu metas individuais de produtividade que geram uma concorrência insuportável entre colegas de trabalho, metas, aliás, consideradas por trabalhadores e sindicalistas geralmente impossíveis de serem atingidas com os meios materiais disponíveis.

A editora de Época Negócios, Alexa Salomão, escreveu em sua coluna: “A France Telecom não é “uma qualquer”. Foi uma estatal poderosa, privatizada no final dos anos 90. O Estado detém 26% do capital, o que ainda faz dela um patrimônio francês. Seu lucro, no ano passado, superou os quatro bilhões de euros. Mais de 100 mil pessoas trabalham na empresa. Por tudo isso, o que está ocorrendo lá – e da forma como está ocorrendo – ultrapassa a fronteira do surreal”.

Surreal em qualquer lugar, mais surreal na França, mundialmente conhecida por trabalhadores engajados em seus direitos; local onde práticas como o “boss-napping” (sequestro de executivos de empresas, que vão demitir pessoas, para negociação de melhores condições para os trabalhadores) recebem apoio da população.

Paulo Nogueira, editor do blog Diário do Mundo, em reportagem sobre a França, ressalta que o francês tem uma relação com o trabalho bem diferente do que se vê nos Estados Unidos, e consequentemente no Brasil. A vida fora do escritório faz parte da cultura dos franceses, os americanos vêem isso com a mesma desconfiança misturada com desprezo com que os franceses vêem a cultura workaholic e consumista entranhada nos Estados Unidos.

De acordo com Nogueira, um executivo que trabalhou na França escreveu há pouco um artigo revelador para o New York Times em que relata sua dificuldade:  “Meus superiores me avisaram para evitar a palavra changement (mudança) nas conversas com minha equipe; “evolução” seria mais palatável. Mudança está associada a idéias e conceitos importados, coisa que é difícil de engolir para os franceses”.

Talvez isto explique um pouco porque 24 trabalhadores franceses preferiram a morte a seguir o padrão “workaholic”, para não dizer selvagem, que grandes empresas adotam para concorrer num mercado global.

Lembro-me de uma conversa recente com um amigo psicólogo em que ele dizia que a psicologia nas organizações é uma farsa. Nas palavras dele, ainda que psicólogos organizacionais estejam “na moda” e ganhem muito dinheiro com pesquisas de clima e cultura organizacional, entre outras técnicas de análise das relações humanas corporativas, no final das contas, o que prevalece nas empresas privadas é o lucro. E por ele vale tudo.

Depois das 24 mortes o presidente da France Telecom, que não divulgou seus próprios dados sobre os suicídios, anunciou um congelamento temporário das transferências e mudanças de funções de funcionários até o final de outubro. E foi só. O salve-se quem puder está legalizado.

Laura Tonhá, publicitária baiana, é uma das criadoras do Bahia em Pauta.

out
06
Posted on 06-10-2009
Filed Under (Artigos, Laura, Multimídia) by Laura on 06-10-2009

Continua “bombando” na web a entrevista, do mês passado, no Jô Soares, da consultora sensual Suzana Leal. Vale a pena assistir é uma aula de bom-humor e sabedoria diante dos revezes da vida. Suzana perdeu o marido para uma grande amiga e deu a volta por cima; também montou seu próprio negócio, depois de algum tempo longe do mercado de trabalho, e hoje é uma empresária de sucesso.  

A primeira parte da entrevista segue abaixo. Para assistir a continuação basta clicar ao lado. Parte 2  Parte 3 Parte 4  Boas risadas.

Por Laura Tonhá

out
01
Posted on 01-10-2009
Filed Under (Artigos, Laura, Multimídia) by Laura on 01-10-2009

O aguardado álbum “Break up”, da atriz Scarlett Johansson, lançado neste setembro último, já esta com seus vídeos circulando pelo You Tube. A atriz mais uma vez se sai bem na sua faceta de cantora, desta vez com canções originais compostas pelo músico Pete Yorn, cantor e compositor norte-americano.

Peter concebeu o álbum e convidou a atriz para os duetos. O CD foi gravado em 2006, e eles imitam um casal conversando sobre sua relação – Yorn já declarou que a temática é baseada em sentimentos e experiências pessoais.

Scarlett e Yorn somam seus vocais em composições de acento country e folk, caso de “Relator” que o Bahia em Pauta oferece neste primeiro dia de outubro. Com refrão que diz assim: “Você não pensa que a vida é algo para nós conversarmos?”

Penso que sim.

Laura Tonhá

set
28
Posted on 28-09-2009
Filed Under (Laura, Newsletter) by Laura on 28-09-2009

julia

Julia Roberts na India para a filmagem do longa-metragem.

Acabo de ler que o best-seller americano “Comer, Rezar, Amar” vai virar filme com Julia Roberts no papel principal. O livro narra um período da vida da autora, Elizabeth Gilbert: a escritora está com quase trinta anos, um marido apaixonado, casa espaçosa que acabara de comprar, o projeto de ter filhos e uma carreira de sucesso. Mas em vez de sentir-se feliz e realizada, sente-se confusa, triste e em pânico. Decide-se pelo divórcio, tenta um novo amor – sem sucesso, cai em depressão. Neste cenário, em busca de si mesma, toma uma decisão radical: desfaz-se de todos os bens materiais, demite-se do emprego e parte para uma viagem de 1 ano pelo mundo – sozinha.

Gilbert escolhe 3 locais: Roma, Índia e Bali. Em Roma, estuda gastronomia, aprende a falar italiano, engorda alguns quilos e se deleita com o charme do homem italiano. Na Índia sua missão é a descoberta espiritual com os ensinamentos de uma guru indiana. Em Bali, busca o equilíbrio entre o prazer mundano e a transcendência divina, torna-se discípula de um velho xamã, e se apaixona, inesperadamente, por um brasileiro.

Palavras da autora: “Se você tem a coragem de deixar para trás tudo que lhe é familiar e confortável (pode ser qualquer coisa, desde a sua casa aos seus antigos ressentimentos) e embarcar numa jornada em busca da verdade (para dentro ou para fora), e se você tem mesmo a vontade de considerar tudo que acontece nessa jornada como uma pista, e se você aceitar cada um que encontre no caminho como professor, e se estiver preparada, acima de tudo, para encarar (e perdoar) algumas realidades bem difíceis sobre você mesma… então a verdade não lhe será negada.”

Julia Roberts ja esta na Índia para as filmagens do longa-metragem. Fã da atriz, acho que ela vai ficar ótima no papel de Elizabeth Gilbert. Conseguirá dar o tom irônico e sarcástico da autora em busca de si mesma, sem perder o charme.

E quem será que fará o papel do brasileiro por quem a “heroína” se apaixona? Não poderá ser o Rodrigo Santoro porque no livro o personagem é um cinqüentão. Façam suas apostas.

Laura Tonhá, publicitária.

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