Urubulino, de Chico Anísio:”Brocotó” para Lupi
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OPINIÃO POLÍTICA
Brocotó. Mais um.

Ivan de Carvalho

1. “Eu sou indestrutível”, afirmou há alguns dias o então ministro do Esporte, Orlando Silva, na época, representante do PC do B no ministério. Peça herdada do governo Lula pelo governo Dilma Rousseff. Sendo do PC do B, portanto, marxista-leninista, claro que ele não poderia estar se referindo à sua qualidade de ser espiritual que sobrevive à morte do corpo e permanece vivo, atravessando as eternidades, embora o fato de ele não acreditar nessas coisas não as anula nem abala minimamente. Essas coisas estão se lixando para o que ele pensa.

Mas Orlando Silva estava voando muito mais baixo, apenas declarando que era “indestrutível” como ministro do Esporte, isto é, que não ia sair nem ser retirado do cargo em conseqüência do fogo cerrado das denúncias, que partiam de pessoas ligadas ao partido, das investigações próprias da mídia e do chefe do Ministério Público da União. Ora, no domingo baiano, no Hotel Fiesta, na Pituba, Orlando Silva foi alvo de um desagravo do PC do B, até com reforço do governador do Estado, justamente por causa da constatação de que ele não comprovara sua indestrutibilidade como ministro, que já não é.

2. “Eu sou osso duro de roer”, disse, mais modesto, o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, presidente nacional licenciado do PDT, mas o homem que controla, de fato, o partido fundado por Leonel Brizola. Digo que ele foi mais modesto que o comunista Orlando Silva porque está combinado que “indestrutível” tem significado absoluto (não importa se a indestrutibilidade do ex-ministro era putativa), enquanto “osso duro de roer” tem significado relativo. Depende de quão duro é realmente o osso e dos dentes dos roedores, bem como das substâncias corrosivas que eles têm na saliva, ou, se preferirem, nas denúncias que estão sitiando o Ministério do Trabalho e Emprego.

3. Até “roedor amigo”, se, neste contexto, posso chamá-lo assim, já apareceu. O deputado Miro Teixeira, do PDT do Rio de Janeiro e um dos mais experientes e competentes integrantes da Câmara federal, resolveu pedir ao procurador geral da República, Roberto Gurgel, investigações oficiais no Ministério do Trabalho. Ele não colocou diretamente o ministro (sem trocadilho) na mira, mas não o excluiu.

O deputado Miro quer é que o chefe do MP peça ao Supremo Tribunal Federal que determine à Polícia Federal abertura de um inquérito para investigar convênios do ministério que estão sob suspeita. Uma investigação determinada pelo STF tem competência para investigar inclusive o ministro. Miro explica de forma impecável: “Não sei se é ruim ou bom para o ministro, sei que é necessário. O PDT é um partido com muita história e todos estão perplexos com isso tudo que está acontecendo”. Outros parlamentares do PDT também assinarão o pedido ao procurador geral. Pedido idêntico foi feito ontem a Roberto Gurgel pelo PPS, partido de oposição. O ministro Lupi já pediu à PF que investigue. Mas não é a mesma coisa que o STF determinar. “Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa”, ensinou José Genoíno.

4. Antes que tenha desfecho esse pedido ao procurador geral, cumpre assinalar que a Controladoria Geral da União, comandada pelo ministro Jorge Hage, que é uma pessoa honrada e competente, já verificara que contratos, convênios, essas coisas, no Ministério do Trabalho e emprego, não estavam sendo analisados devidamente. Traduzindo: a coisa corria frouxa e isso sempre tem causas e consequências. Umas e outras, ruins. O Tribunal de Contas da União identificou “situação crítica” em convênios assinados pelo Ministério do Trabalho com entidades públicas e privadas. Ontem, a Comissão de Ética Pública da Presidência deu prazo de dez dias para o ministro Lupi se explicar e a presidente da República, já botando a cabeleira de molho, chamou o ministro ontem para conversar.

Brocotó – como dizia Urubulino, aquele tétrico personagem de Chico Anísio.


Haroldo, Alice e a prefeitura:
“por que não ela?”
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OPINIÃO POLÍTICA

Ebulição nas esquerdas

Ivan de Carvalho

“Toda grande marcha começa com o primeiro passo”, dizia o líder chinês Mao Tsé-tung, por décadas o farol do PC do B, farol mais tarde deslocado para a Albânia, quando, morto Mao, Deng Xiao-ping, o inventor da “nova China”, para quem não importava a cor do gato, desde que ele caçasse ratos, cometeu o grande insulto revisionista.

Mas isto já é história antiga, pelo menos do século passado. O que importa é que o PC do B deu neste fim de semana não exatamente o primeiro, porque este já dera antes, mas dois dos passos iniciais da marcha que decidiu empreender na direção da prefeitura de Salvador, a ser disputada nas eleições do ano que vem.

Na Conferência do PC do B que se realizou no sábado no Hotel Fiesta, os comunistas realizaram dois objetivos. Um deles foi fazer uma ostensiva manifestação de desagravo ao ex-ministro do Esporte, o baiano Orlando Silva, que, envolvido em acusações e investigações por corrupção, pediu exoneração do cargo que exercera de 2006 até fins do mês passado. Não queria sair, mas a presidente Dilma Rousseff o aconselhou a pedir demissão. Ele não pedira o conselho, que, no entanto, era irrecusável.

Mas ante as acusações levantadas pela mídia e os “fatos” apontados em pedido de investigação que o procurador geral da República, Roberto Gurgel, fez, convencendo o STF a determinar uma investigação, o PC do B da Bahia quis fazer algo para afirmar a lisura da conduta do ex-ministro. Até porque precisava exorcizar a suspeita que poderia espalhar pedras na marcha eleitoral que o partido iniciara. Para isso contou até com a ajuda do governador Jaques Wagner, que, contrariando muitas expectativas (dos que esperavam que ele comparecesse, mas fosse discreto), atendeu a expectativas do PC do B: chamou Orlando Silva de “jovem político”, disse ter orgulho dele e defendeu sua atuação no governo. Mais tarde, declarou à imprensa: “Fiz a defesa dele. Podemos até errar, mas não se pode admitir a imolação pública”.

Como em política, dizem os políticos, ninguém dá prego sem estopa, a impressão que fica é a de que o governador, por melhor que seja o conceito que tem de Orlando Silva, quis também, talvez pensando não só no agora como no futuro próximo de 2012 e 2014, reduzir tensões entre seu partido, o PT e o PC do B do ex-ministro Orlando Silva, que é da sua base político-parlamentar, mas decidiu ter candidata própria à prefeitura de Salvador, a deputada Alice Portugal.

O segundo passo dado sábado pelo PC do B foi a confirmação (mais uma, porém a mais solene e politicamente mais ampla), pela Conferência do partido, da candidatura de Alice Portugal à sucessão de João Henrique. Este segundo passo foi dado com uma firmeza e uma graça admiráveis. A firmeza pode ser expressa por poucas palavras do líder comunista baiano Haroldo Lima, presidente do Conselho Nacional do Petróleo: “Não é possível mais que a unidade seja só em torno deles (petistas). Por que a unidade não é feita em torno de nós (PC do B)?”. E reforçou com a revelação de que o PC do B está cansado de ser linha auxiliar, de bater palmas e pregar ou carregar faixas para candidatos de outros partidos.

Quanto à graça, ficou por conta da presença de dirigentes oposicionistas, a exemplo dos presidentes estaduais do PMDB e do DEM, Lúcio Vieira Lima e José Carlos Aleluia, dando o sinal de que a candidatura de Alice não somente é estimulada por eles como pode fazer parte de seus planos, a depender da conjuntura eleitoral. Para preocupação, não admitida, mas inevitável nas circunstâncias, do candidato petista a prefeito, deputado Nelson Pelegrino.

Talvez também por isso, o governador, no encontro estadual do PT, no Marazul Hotel, também no sábado, afirmou: “Reconheço a legitimidade de o PC do B querer crescer, mas espero que não perca a dimensão do todo”. Advertência ou desejo – melhor deixar que ele mesmo o defina. No encontro do PT estiveram, entre muitos, o governador, que discursou e elogiou José Dirceu, ex-ministro-chefe da Casa Civil de Lula e o mais importante réu no processo do Mensalão, que corre no STF. Dirceu estava presente, e talvez não por coincidência o encontro do PT e o lançamento de um livro seu no Shopping Salvador foram marcados para o mesmo sábado. Há no país uma ampla campanha petista de reabilitação de Dirceu, expurgado pelo escândalo do Mensalão.


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OPINIÃO POLÍTICA

A bola da vez

Ivan de Carvalho

Antes de entrar no assunto de hoje, cabem algumas linhas sobre o de ontem. Só para registrar que o mandado de prisão expedido pelo desembargador do Tribunal de Justiça do Distrito Federal J.J. Costa de Carvalho contra o secretário de Saúde de lá, Rafael Aguiar Barbosa, por negligência e desobediência a ordem judicial, não chegou a ser cumprido. O mandado foi expedido no dia 28, houve um recurso e, pelo atraso provocado pelo fim de semana e o feriado de Finados, havia a expectativa de que ontem afinal seria decidido o recurso (pelo mesmo desembargador-relator que expedira o mandado) e, se indeferido, executado o mandado de prisão. Não chegou a ser.

Ocorreu que, como num passe de mágica, a Secretaria de Saúde explicou que os medicamentos cujo não fornecimento a um hemofílico haviam provocado todo o problema já estavam disponíveis nas prateleiras da Farmácia Popular. Curioso que a Secretaria tenha informado também que um desses medicamentos é comprado pelo Ministério da Saúde após “criteriosa” avaliação. A liminar para a Secretaria de Saúde do DF entregar os medicamentos foi dada em 9 de setembro – há praticamente dois meses.

É muita cara de pau. Para quem já pusera em risco – por negligência, má gestão ou pirraça – a vida alheia.

Bem, vamos ao assunto de hoje. Para o que não é preciso sair do Distrito Federal, ainda que fazendo, de passagem, referência a baianos.

Como já se esperava, após a queda do baiano Orlando Silva (PC do B) do Ministério do Esporte por suspeitas e indícios de corrupção no Programa Segundo Tempo, o também baiano e ex-comunista, mas agora petista Agnelo Queiroz, governador do Distrito Federal, tornou-se o que a gíria política chama de “a bola da vez”.

Na lambança em que o Ministério do Esporte, com o seu Programa Segundo Tempo, se envolvia com ONGGs (Organizações Não Governamentais Governamentais, pois se alimentam de dinheiro público), o procurador geral da República, Roberto Gurgel, considerou que estavam envolvidos tanto o então ministro Orlando Silva quanto seu antecessor no ministério, Agnelo Queiroz, também baiano. Ele fora ministro quando estava no PC do B. Atualmente é governador de Brasília.

Então o chefe do Ministério Público da União pediu ao Supremo Tribunal Federal abertura de inquérito, incluindo como investigados o então ministro e o governador ex-ministro. A ministra Carmen Lúcia, do STF, aceitou o pedido e abriu a investigação. Isso acabou de tirar do cargo o auto-intitulado “indestrutível” Orlando Silva. Com a queda deste, o inquérito foi deslocado do STF – foro privilegiado de ministros, parlamentares, dentre outras autoridades – para o Superior Tribunal de Justiça, foro privilegiado dos governadores.

Como Orlando Silva foi jogado pra fora de campo, Agnelo Queiroz tornou-se a “bola da vez”. Os dois vão responder ao STJ, se o inquérito chegar a se tornar processo, mas Agnelo tem outro problema. Crivado de acusações, ontem ele ganhou um presente desagradável: o senador e promotor público Demóstenes Torres anunciou que o partido Democratas vai propor na Câmara Distrital do DF o impeachment de Agnelo Queiroz.
Dos 24 deputados distritais, 19 assinaram esta semana documento de apoio ao governador. Dos cinco restantes, pelo menos um também o apóia. Nesse contexto, a decretação de um impeachment parece inviável.

Mas certamente lembra o leitor de José Roberto Arruda. Era governador do Distrito Federal pelo DEM. Tinha o apoio de 18 dos 24 deputados distritais. Não sofreu impeachment, pois teve sua prisão decretada. Corrupção. Passou dois meses preso e renunciou ao mandato. O apoio que tinha na Câmara Distrital já se havia evaporado.

nov
04


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OPINIÃO POLÍTICA

O que sobra no SUS

Ivan de Carvalho

É muito raro, mas acontece. No Distrito Federal, em 2001, um desembargador do Tribunal de Justiça do DF emitiu mandado de prisão contra o secretário de Saúde do governo de Joaquin Roriz, por desobediência à ordem judicial para que a Secretaria fornecesse a um paciente determinado remédio.
Ante a ordem judicial de prisão, a Secretaria de Saúde afirmou que tinha o medicamento em estoque e o forneceu imediatamente, livrando com isso o titular da pasta de ser preso. Mas desde então o Sistema Único de Saúde no Distrito Federal (como na quase totalidade das outras unidades federadas) não cessou de piorar, exceto, talvez, quanto a um ou outro detalhe afogado pela deterioração geral.

Assim é que, para permanecermos no Distrito Federal, no Dia de Finados (2), uma mulher morreu indevidamente no Hospital de Base de Brasília. Ela precisava desesperadamente de estar numa Unidade de Tratamento Intensivo, mas não havia vaga na UTI do Hospital de Base e o sistema de informática que deveria ter apontado onde havia uma UTI com vaga na rede pública havia “caído”.

Impressionante é que, sem ele – o sistema de informática que servia a alguma “central de regulação” – nada podia o SUS fazer por aquela cidadã que vinha ajudando a sustentá-lo com os tributos que pagava com tanto sacrifício, já que era pobre.

Nem mesmo, por exemplo, pôde o diretor-médico do Hospital de Base ligar para alguém com a necessária autoridade na Secretaria de Saúde (o secretário, digamos) e este mandar uma ambulância levar a mulher imediatamente para a UTI de uma casa de saúde particular, por conta do SUS, já que este estava incapaz de atuar para salvar aquela vida internamente, embora esteja o SUS “perto da perfeição”, segundo nos garantiu, perto do final de seu segundo mandato, o então presidente Lula, talvez por equívoco. Ou não.

Hoje não é mais Joaquim Roriz o governador do Distrito Federal, mas Agnelo Queiroz, do PT, que foi ministro do Esporte, onde precedeu ao ex-ministro Orlando Silva (tão baiano quanto Queiroz) quando integrava o PC do B que Orlando Silva ainda integra. Mas o assunto aqui, hoje, não é esporte, é saúde e doença, vida e morte.

Bem, no dia 28 de outubro o desembargador J.J. Costa de Carvalho, do Tribunal de Justiça do DF, expediu mandado de prisão contra o secretário de Saúde do governo Agnelo Queiroz, por desobediência a ordem judicial. Determinou que o secretário Rafael de Aguiar Barbosa fique preso até que a Secretaria cumpra decisão liminar expedida em 9 de setembro, mandando o órgão fornecer dois medicamentos indispensáveis a um hemofílico, o que não foi feito, com agravamento de suas condições de saúde.

Ante a resistência, pirraça ou negligência do secretário que não obedeceu inicialmente à ordem judicial, o desembargador por duas vezes deu prazo de 24 horas para que a decisão liminar fosse atendida. E finalmente no dia 28 último determinou a prisão. O secretário entrou com um recurso, que foi para as mãos do desembargador de plantão no feriado do dia 2. Ele disse que não se pronunciaria e ontem o recurso voltou para o desembargador-relator do processo, J.J. Costa de Carvalho, que até o início da noite não havia feito conhecer sua decisão.

Falta de fornecimento de medicamentos devidos tem sido uma constante no SUS (inclusive de medicamentos de baixíssimo custo) assim como a falta de vagas nas UTIs.
No SUS sobram somente filas, mortes evitáveis, desespero e lágrimas.


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OPINIÃO POLÍTICA

2012 e 2014

Ivan de Carvalho

O PMDB, o PSDB e o Democra tas, partidos que estão na oposição ao governo estadual e, nos casos do PMDB e PSDB, também do governo municipal da capital, conversam, há meses, com a intenção de montar uma coligação para as eleições do sucessor do prefeito João Henrique, eleito pelo PMDB com a essencial ajuda, no segundo turno, do eleitorado do DEM e hoje filiado ao PP.

A articulação pode ainda envolver pelo menos o PR e o PPS. O primeiro destes partidos está formalmente na oposição ao governo estadual comandado pelo PT, mas integra a base política do governo federal petista. Não integra a base de apoio do prefeito João Henrique. A seção estadual é presidida por César Borges, que, agora sem o mandato de senador, pode já não ter o mesmo cacife de que dispunha quando a direção nacional do partido lhe deu a presidência estadual, dela retirando o deputado José Carlos Araújo.

Mesmo sem o cacife representado pelo mandato de senador em um Senado problemático para o governo nas duas Legislaturas anteriores, César Borges vem, até aqui, se mantendo no comando estadual do PR sem problemas, embora haja adotado uma evidente estratégia de “submersão”, isto é, ele não tem feito questão de exposição na mídia, de opinar sobre os acontecimentos políticos ou de definir publicamente posições de seu partido na Bahia.

Quanto ao PPS, que é oposição tanto ao governo federal quanto ao estadual e o municipal, a tendência natural é que se integre a uma coligação oposicionista, caso esta seja realmente concretizada. O PPS tinha uma “pinimba” insanável com o carlismo – que ajudou pessoalmente vários dos seus integrantes baianos, especialmente nos tempos do partido antecessor, o PCB – por causa da posição intransigente de seu presidente nacional, o deputado pernambucano Roberto Freire, mas a esta altura esse tipo de coisa não faz mais sentido.

Há dificuldades óbvias e grandes no caminho de uma coligação oposicionista, envolvendo os partidos citados, para a prefeitura de Salvador. Não estou fazendo referência à anunciada candidatura do deputado do PR Maurício Trindade, anunciada por ele mesmo. Mas aos três nomes principais na relação de possíveis candidatos da coligação – Mário Kertész, do PMDB, Antonio Imbassahy, do PSDB e ACM Neto, do DEM.

A questão toda envolve não somente a eleição de prefeito da capital em 2012 como as eleições majoritárias de 2014. ACM Neto reafirmou esta semana que seu projeto político contempla uma eleição majoritária em 2012 ou 2014 e isto, à primeira vista, indica que será candidato a prefeito no ano que vem ou a governador em 2014. Haveria ainda duas alternativas também “majoritárias” para 2014 – candidatura a senador ou a vice-governador (pelo menos esta última é citada apenas para constar, pois, em princípio, deve ser descartada).

Mas se ACM Neto não conseguir unir a oposição em torno de seu nome para prefeito – por desentendimento ou pela escolha de Imbassahy ou Kertész para disputar a prefeitura – as coisas se complicam, porque para 2014 estariam Neto e o ex-deputado e ex-ministro Geddel Vieira Lima, principal líder do PMDB da Bahia, ambos querendo suceder Jaques Wagner no governo. E os dois com muita determinação. Há ainda que definir os papéis do PSDB e do PR e a participação (esta, menos complexa, porque mais modesta pela própria natureza) do PPS.

Daí que a coligação para prefeito é factível, tendo em vista o consenso de que, não havendo ela, uma vitória seria quase impossível (Kertész proclama abertamente a impossibilidade). Factível, mas de difícil, complicadíssima articulação. E se houver um momento em que a coligação em exame for anunciada para 2012, nesse momento quase toda a coligação para 2014 já estará (mesmo secretamente) esquematizada. Com algum espaço reservado, claro, para os caprichos do imprevisível e os do eleitorado.

nov
01
Posted on 01-11-2011
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 01-11-2011


“Não sabemos ainda o que escrever
sobre o personagem principal”.
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OPINIÃO POLÍTICA

Esqueçam o que estava escrito

Ivan de Carvalho

Todo mundo está dizendo, na mídia tradicional, na Internet, nas conversas pessoais, porque é óbvio. O câncer de laringe do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é agora elemento fundamental na política brasileira. Isto porque Lula, o líder mais popular do país e – com a licença da presidente argentina Cristina Kirchner – da América do Sul. Não sei se de todas as Américas e Caribe, porque, vai ver, os 52 anos de endeusamento do ditador Fidel Castro pela onipresente e incontestada propaganda comunista em Cuba podem tê-lo colocado em patamar superior ao do ex-presidente brasileiro.

Mas justamente pela imensa popularidade que tinha no momento de deixar o governo e pela influência preponderante que tem sobre o seu partido, que detém a Presidência da República e inúmeras outras posições políticas em todo o país – obtidas por eleições e por nomeações –, bem como pela capacidade de articulação de que desfruta no âmbito da coalizão de governo, o câncer de laringe de Lula é fator essencial da política brasileira a partir do último fim de semana, quando recebeu diagnóstico definitivo, ante os resultados da biópsia realizada.

Referi-me, ontem, neste espaço, ao nível crítico de incerteza a que a doença levou a política brasileira, agora governada pelo que se pode chamar de “princípio da incerteza”. É claro que a atividade política e as lutas pelo poder político estão muito longe de constituir uma ciência exata. Mas os graus de incerteza naturalmente variam a depender dos elementos em jogo.

Nas primeiras notícias, afirmou-se que a doença de Lula tinha “mais de 60 por cento” de chances de cura. No domingo à noite, em entrevista ao Fantástico, o médico pessoal de Lula, Roberto Kalil Filho, apresentou estimativa melhor, chance de cura “de 80 por cento, o que é muito bom”. Mas, como ainda restam 20 por cento, o fator incerteza é muito expressivo. O tumor tem três centímetros e foi qualificado pela equipe médica como “não muito grande”. É o tipo mais comum de câncer de laringe, tem agressividade média, será tratado com quimioterapia e radioterapia.

Inicialmente, afastou-se a realização de cirurgia, por não ser neste momento considerada indispensável. A cirurgia, explicou a equipe médica, atingiria as cordas vocais do ex-presidente. Este é um problema sério para qualquer pessoa, mas para Lula, um líder político e popular, que usa a palavra como um dos principais instrumentos de sua atividade, seria um desastre. De qualquer maneira, daqui a 40 dias avançados exames de imagem vão avaliar os resultados da quimioterapia e radioterapia. Espera-se que sejam bons, mas, se não forem, a hipótese de cirurgia voltará a ser examinada.

Lula poderia ser o candidato do PT a presidente em 2014, mesmo que a presidente Dilma Rousseff esteja bem junto ao eleitorado. Mas se ela não estiver popular, o PT tinha Lula como – para repetir uma expressão que já usei antes – rede de segurança. Lula é o melhor candidato reserva possível. A persistência dessa condição vai depender muito da evolução da doença e do tratamento.

E é isto que eleva a nível crítico a incerteza em toda a política brasileira e desde já, não somente em 2014 ou 2012, ano de eleições municipais. O PT está solidário, como o povo brasileiro, com o político, em muitos casos, com a pessoa de Lula, sempre (não há de se ficar levando em conta alguns espíritos de porco). Mas, internamente, o PT está agitadíssimo e a coalizão de governo não estará alheia ao mesmo estado mental.
É como se houvessem passado uma borracha na página.

“Esqueçam o que estava escrito aí. Vamos começar uma nova história. E não sabemos ainda o que escrever sobre o personagem principal”.


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OPINIÃO POLÍTICA

A rede de segurança

Ivan de Carvalho

A notícia caiu como uma bomba no sábado. Lula tem câncer na laringe. A nação ficou traumatizada. Ainda está. Por todo o significado político que o fato médico tem. Também por todo o significado pessoal que esse fato tem para a pessoa de Lula e para a grande maioria das pessoas que compõem a nossa população.

Aprovando suas políticas ou não, e até, muito provavelmente, sem haver evoluído ao ponto de cumprir o mandamento cristão de amar os inimigos, a grande maioria dos brasileiros – incluindo boa parte dos adversários políticos – sente pelo drama que o atinge e torce para que, pessoalmente, vença a batalha que começa hoje a travar com o início do tratamento.

Mas o fato está aí. Dando sequência a outros, vários.
Fidel Castro, que em já avançada idade foi acometido de misterioso câncer abdominal que quase o levou à morte e o obrigou a passar a presidência e o comando ao irmão Raul Castro, na república hereditária de Cuba.

Mudou de vida, mas sobreviveu.
Dilma Rousseff, em quem descobriu-se, em fase inicial, um linfoma sincero e franco (ela não tentou esconder, despistar) às vésperas das eleições, mas está declarada curada, fazendo apenas, como mandam os protocolos médicos, revisões periódicas.

O ex-vice-presidente José Alencar, mineiro como Tancredo e muito mais cortado do que ele, teve câncer abdominal com metástases e foi de uma coragem impressionante. Driblou a morte durante 11 anos, até o final inevitável.

Fernando Lugo, presidente do Paraguai, do qual se anunciou a retirada total da próstata, informando-se que não havia neoplasia.
Barack Obama, que surpreendeu a todos informando que acabara de ser operado (com algum tubinho, nada de serra no esterno) para retirada de um nódulo pulmonar que mudara de morfologia e cuja biópsia confirmou não ser maligno. Como cautela adicional, deixou de fumar.

Finalmente, sem sair das Américas, Hugo Chávez, o ditador-presidente da Venezuela, retirou sob sigilo em Cuba um tumor maligno em algum lugar até hoje incerto e não sabido da região pélvica, ao que se seguiram vários ciclos de quimioterapia braba. Ele se declarou curado reiteradamente, mas acaba de cancelar sua presença numa reunião de chefes de Estado e admitir que não terá mais a mesma desenvoltura física de antes. Médicos ouvidos no anonimato não vinham fazendo bons prognósticos para ele.

Quanto a Lula, registrado o trauma nacional, a esperança e o desejo mais sincero de que vença a batalha, cumpre assinalar que o tumor foi qualificado de “não muito grande”, o que também significa que não é pequeno nem foi detectado no início, e que o Hospital Sírio-Libanês anunciou que hoje ele começa o tratamento, “inicialmente” com quimioterapia.
O “inicialmente” aí significa que precisará ser usada também radioterapia. O tumor, na região supra-glote, tem 3 centímetros.

Quanto à voz, dá-se como certo que algum estrago é inevitável. A quimioterapia afeta a voz, a radioterapia também. Somadas, afetam mais, uma agrava os efeitos da outra. A equipe médica optou por não remover cirurgicamente o tumor. A remoção seria desastrosa para a voz do paciente. Para Lula e seu estilo de fazer política, a voz é considerada elemento essencial.
Sob o aspecto político, há uma grande mudança.

Incerteza sempre há na política e em quase tudo, mas o problema de saúde do ex-presidente aumenta a nível crítico a incerteza. Imagine-se que a presidente Dilma sofra desgaste popular progressivo, agravado pelos efeitos atuais e futuros da crise financeira e econômica global no Brasil e chegue às eleições de 2014 com chances mínimas de reeleição. O PT tinha uma rede de segurança – Lula. Mas se ele não estiver em condições físicas de ser candidato ou se estiver claro que não terá condições para governar, então… bem, o PT tem Jaques Wagner, da Bahia, o PSB tem Eduardo Campos, governador de Pernambuco, o PMDB…o PSD… o PP…

Estará em plena ação o princípio da incerteza.

out
29


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OPINIÃO POLÍTICA

O ministro e a xenofobia

Ivan de Carvalho

O deputado Aldo Rebelo, escolhido para representar o PC do B no cargo de ministro do Esporte, em substituição a Orlando Silva é considerado um político sério e, dizem, competente.
A favor de sua competência há o fato de haver conseguido, além de ser eleito deputado federal (o que não é para nenhum bobo), ser presidente da Câmara dos Deputados, onde – excetuado Severino Cavalcanti, João Paulo Cunha e alguns outros poucos como eles – só chega quem tem farinha no saco, começando por considerável capacidade de articulação.
A reputação de competência política foi ligeiramente atingida nos últimos meses pelo fracasso de Rebelo em alcançar alguns objetivos, o mais recente dos quais, o cargo de ministro do Tribunal de Contas da União, que acabou perdendo para a deputada Ana Arraes, mãe do governador de Pernambuco. Mas sumir quando começaram a especular nomes que poderiam substituir o exorcizado, perdão, exonerado Orlando Silva, foi sinal inequívoco de competência.
Até o momento o conceito social do comunista Aldo Rebelo é o de um homem sério. Sua história política não desmente isto. Recentemente, como relator do projeto do Código Florestal, sofreu de muitos, especialmente dos ambientalistas, enérgicas críticas, mas de outros, especialmente dos ruralistas, enfáticos elogios. Empate lógico ante o caráter polêmico do tema e as posições inconciliáveis dos dois lobbies.
No entanto, parece que a principal característica do ministro Aldo Rebelo, que toma posse hoje, é a criatividade. O que é animador se vai ele cuidar do esporte, no qual o atleta criativo costuma se dar bem, desde que não exagere ao ponto de fazer gol contra de borboleta.
A criatividade de Aldo Rebelo é reconhecida por todos. Tramita no Senado, já aprovado na Câmara, um projeto de lei de sua autoria que pretende promover, proteger e defender a língua portuguesa. Uma das regras é que todos os documentos oficiais do Brasil serão escritos em português. Se mandarem algum deles para o governo do Nepal, talvez não haja ninguém lá capaz de traduzi-lo – mas o idioma português estará protegido, de qualquer forma.
A proposta combate o uso excessivo de expressões em língua estrangeira. Pretende que toda comunicação dirigida ao público (mesmo por particulares), caso use palavra ou expressão em língua estrangeira, acrescente a tradução. Se um jornal escrever, sobre esse movimento em curso nos Estados Unidos, “Ocupar Wall Street”, deverá explicar que isso é o mesmo que “Ocupar a Rua do Muro”. E se alguma loja anunciar um computador com “Windows 7 instalado”, deverá explicar que o PC (computador pessoal) tem o “Janelas 7 instalado”. A regra vale para relações comerciais, peças publicitárias, meios de comunicação de massa e informações afixadas em estabelecimentos comerciais.
Outro projeto de Aldo Rebelo, que foi arquivado, mas precisa ser ressuscitado por algum deputado. Condena a comemoração do Halloween (Dia das Bruxas), instituindo em troca, oficialmente e na mesma data, 31 de outubro, o Dia do Saci Pererê. Esse símbolo do folclore, o Saci, explica Aldo no projeto, é uma “força da resistência cultural à invasão dos x-men, dos pokemons, os raloins e os jogos de guerra”. O texto do projeto diz que a lei “apoiará” iniciativas de entidades públicas que contribuam para a “celebração do folclore brasileiro, através do Saci e de seus amigos (Iara, Curupira, Boitatá e outros”.
Outros? Claro. O Caipora, a Mula-Sem-Cabeça, Matinta Pereira, a Cuca do Sítio do Pica-pau Amarelo, o Negrinho do Pastoreio (talvez rebatizado de Pequenino Afrodescendente do Pastoreio), Beto Carneiro, o Vampiro Brasileiro. Mas os internacionais e os clássicos estão excluídos: Drácula, os outros vampiros, o lobisomen, os zumbis, o Chupa-cabras, o Abominável Homem das Neves, as Górgonas lideradas pela terrível Medusa, os centauros, as sereias, os tritões, o Minotauro e um sem número de criações da natureza, da manipulação genética e/ou da excitada mente humana.
Xenofobia é isso aí.

out
28

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OPINIÃO POLÍTICA

A metodologia dos protestos

Ivan de Carvalho

Nos Estados Unidos, a indignação popular com as centenas e mais centenas de bilhões de dólares – ultrapassando folgadamente a casa do trilhão – tomados aos contribuintes pelo governo para cobrir os rombos produzidos pela gestão esperta, temerária e gananciosa do mercado financeiro, bancos à frente, desencadeou o movimento “Ocupar Wall Street”.

Por enquanto, o movimento tem reunido, em suas manifestações, apenas centenas de pessoas em algumas, uma ou duas mil em outras. Mas tendo começado em Manhattan com uma manifestação de cerca de 700 pessoas que se acorrentaram para dificultar a remoção, espalha-se em focos como uma epidemia em início de desenvolvimento por vários Estados e cidades do país.

Zelosos com a questão dos direitos humanos, as autoridades não atacam diretamente o movimento por seu objetivo – o de acordar a sociedade para pressionar o governo a deixar de por a nação a serviço dos bancos sob a alegação de que os rentistas (aplicadores) seriam atingidos e isso seria uma desgraça. O que muito provavelmente é verdade. Não atacam pelo objetivo, mas já estão sentindo necessidade de arrumar pequenos pretextos para realizar prisões, como mais uma vez ocorreu ontem.

No entanto, o movimento “Ocupar Wall Street” seria regiamente recompensado se conseguisse uma vitória praticamente impossível, a de quebrar o vínculo de cumplicidade entre o mercado e o Estado e de levar este último a adotar estratégia que o leve a deixar de operar como um mero servidor do mercado financeiro, um aplicado empregado, que sacrifica seus representados (a sociedade, os eleitores, os contribuintes, os cidadãos todos) para melhor servir seu insaciável amo e senhor. Se for preciso, o Estado sacrificará os direitos humanos tão valorizados nos Estados Unidos para poder sacrificar os humanos ao mercado.

Bem, aqui no Brasil, a situação ainda não é esta ou – apesar da enorme carga posta sobre a sociedade pela trilionária dívida pública da União – pelo menos as manifestações populares estão longe de tratar do tema que mobiliza os protestos nos Estados Unidos.
Aqui estamos ainda no estágio do protesto contra a corrupção. E há uma diferença de metodologia nas manifestações. Talvez esteja na hora de, ao tempo em que se dá continuidade à metodologia usada nas manifestações de protesto até aqui, que se iniciaram no 7 de setembro e que, se o MCC avaliar que há condições favoráveis, poderá promover nova rodada no feriado de 15 de novembro, dia da proclamação da República.
Mas a metodologia dos jovens norte-americanos é interessante e pode ser utilizada aqui, sem que isto signifique abandonar a metodologia já em curso no Brasil. A questão é chamar a atenção, despertar o interesse da sociedade, pautar a mídia. Sem violência, sem delitos, naturalmente.
Mas se umas mil pessoas houvessem chegado e sentado diante do Ministério do Esporte na semana passada, amarradas com correntes ou algemadas (por elas mesmas, não há problema) durante todo um dia e, talvez, empunhando vassouras (haveria um grupo logístico, claro, para distribuir lanches, água, sucos), então não haveria nem como o governo nem como a grande mídia (e no rastro dela, a média, a pequena, a micro) ignorarem o fenômeno.
E se coisas desse tipo se repetissem com freqüência, como está ocorrendo nos Estados Unidos, então o céu poderia ser o limite. Não se extinguiria a corrupção, mas pelo menos a falta de vergonha ficaria bem mais envergonhada e estratégia do “casco duro” iria amolecer bastante.


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OPINIÃO POLÍTICA

Fracassa estratégia do casco duro

Ivan de Carvalho

O ex-presidente Lula instigou o ministro do Esporte, Orlando Silva e seu partido, o PC do B, a resistirem às denúncias feitas por algumas pessoas, por intermédio de veículos de comunicação social e consolidadas por estes, mediante algumas investigações e checagens.

Claro que muito resta a esclarecer e espera-se que provas materiais sejam apresentadas ou produzidas.
Mas os “fatos” – para usar vocábulo empregado pelo procurador geral da República, Roberto Gurgel – acumularam-se a ponto de justificarem a abertura de inquérito pelo Supremo Tribunal Federal. E foi por isto que Gurgel pediu a abertura de inquérito e o STF o atendeu. Isso complicou gravemente o caso sob o aspecto político e prejudicou não só as imagens do ministério e do ministro, que já estavam bem ruins, como desfavoreceu as do governo e da própria presidente da República.

Ao aconselhar com veemência o então ministro Orlando Silva a lutar para ficar no cargo e o PC do B a sustentá-lo com o máximo vigor, o ex-presidente Lula deu a impressão, como já o fizera em recentes episódios anteriores, que não gosta de faxina e que o remédio para encerrá-la é resistir a ela e não remover a poeira, para usar um substantivo leve, sob os aspectos físico e semântico.

O ex-presidente sustentou publicamente que ministro (quando é atacado, denunciado) precisa ter “casco duro”, isto é, ser capaz de tomar pancada sem ceder, sem desistir. Resistir para ficar no cargo. É uma opinião dele e ele tem direito a ela.

Essa “estratégia do casco duro” – as aspas são minhas – faz sentido, de certa forma, pois se ficar evidente que denúncias, mesmo fundadas, não derrubam ministros e outras altas autoridades, a conseqüência lógica é um poderoso desestímulo aos denunciantes. Já que no final tudo ficaria por isso mesmo, a descrença se instalaria, a indignação se apagaria, o mal feito endêmico se consolidaria e tudo ficaria pacificado, sem ter o governo que enfrentar crises políticas tão merecidas como as que o têm atingido.

A crise em curso é das brabas, pois era o ministro Orlando Silva que deveria estar à frente dos assuntos da Copa do Mundo de 2014 e não estão fora do raio de ação do mesmo ministério também as Olimpíadas de 2016. E o ministério será ocupado por um interino, Waldemar Manoel de Souza, mas o governo e o PC do B vão decidir quem, do PC do B, sucederá, em caráter de titular do cargo, o ex-ministro Orlando Silva.

Mas a crise é braba não só por isto. Também porque o atual governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, do PT, era do PC do B e como representante deste partido antecedeu Orlando Silva como ministro do Esporte. Várias denúncias no Ministério do Esporte vêm do tempo de Agnelo Queiroz. O inquérito do STF não irá ignorar o gigantesco detalhe. Já que falamos em detalhe: tanto Orlando quanto Agnelo são baianos.

Mas, voltando à “estratégia do casco duro”, seu fracasso neste caso não é atestado apenas pela queda do ministro Orlando Silva, que todos viram na televisão demonstrando uma confiança – que não existia – em sua permanência no cargo. Enquanto ele falava à nação, sentia-se a corda apertar em seu pescoço. Apertar-se tanto que não imagino como conseguia emitir ainda algum som ao microfone.

O fracasso da “estratégia do casco duro” acabou atingindo também a presidente Dilma. Ela estivera disposta a dispensar o ministro antes, recebeu o apelo para aplicar a estratégia, decidiu adiar a demissão, para mostrar que não decidia sob pressão. Aí surgiram novas denúncias e, o pior, a abertura do inquérito pelo Supremo Tribunal Federal. Diante disso, a presidente teve que agir, não só sob pressão, mas às carreiras.

Estava ficando mal na foto.

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