set
16

Lula e Geddel: mudanças de rumo?
lugeddel
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Deu no jornal:

Em sua coluna política publicada na Tribuna da Bahia, o jornalista Ivan de Carvalho analisa com lupa de profissional lúcido e criterioso, a reportagem publicada pela revista Isto É, na edição desta semana, sobre a candidatura a governador do ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB). A matéria da revista de circulação nacional dá especial destaque aos conflitos e rompimento do ministro com o governador Jaques Wagner, que teriam levado o presidente Lula a iniciar o cozimento “em fogo brando” do ministro em apoio ao governador, amigo pessoal e companheiro petista.

Ivan questiona vários pontos da máteria e começa achando estranho o fato do ministro Geddel não ter sido ouvido pela revista.Bahia em Pauta, que a exemplo da Tribuna da Bahia, publicou trechos da reportagem da revista, reproduz a seguir, na íntegra, o texto de Ivan, com as agudas e aguçadas observações jornalísticas e políticas que ele faz sobre o assunto . Confira.
(Vitor Hugo Soares, editor)
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OPINIÃO POLÍTICA

A REVISTA E O PMDB

Ivan de Carvalho

Entre parlamentares do PMDB da Bahia era total, ontem, o descrédito a respeito da análise feita pela revista IstoÉ desta semana e abordada neste espaço, além de também divulgada, bem mais detalhadamente, por este jornal, em sua terceira página. “Plantada”, era o comentário mais comum entre os deputados estaduais, que consideravam a matéria de IstoÉ como uma espécie de “isto não é”, uma coisa sem sentido por seus fundamentos ou sua falta de fundamentação e que sentido só teria como “parte de um jogo político” para tentar criar obstáculos à candidatura do ministro Geddel Vieira Lima a governador.

Segundo definiu um deputado estadual, a matéria é “uma peça de guerra psicológica” e é só como tal que faz sentido. É para ser divulgada em jornais, rádios e blogs do interior e “dar a impressão de que a candidatura não está firmada e se encontra em dificuldades”. Os peemedebistas que fizeram observações sobre a matéria foram praticamente unânimes em um ponto. “Jornalisticamente”, eles ressaltaram, foi “inadmissível” que uma revista de circulação nacional haja publicado uma alentada matéria sobre a candidatura de importante ministro de estado ao cargo de governador de um dos mais importantes Estados da Federação, envolvendo ainda o presidente da República, sem ouvir ou sequer procurar o ministro para ouvi-lo “a respeito das supostas informações que publicaria”.

Não pretendo fazer juízo meu sobre a matéria da revista IstoÉ, mas de fato, não haver a revista procurado o ministro para ouvi-lo a respeito do material que ia publicar – tendo em vista a natureza do material – não é um procedimento normal. Ainda mais que se trata de uma revista semanal, de modo que havia no mínimo quase toda uma semana para tentar o contato com o ministro da Integração Nacional (que não é, sabidamente, o tipo de pessoa que viva se escondendo da imprensa).

Em jornais diários e nos noticiosos de televisão e rádio o tempo teria chances de dificultar um contato. Ainda assim, mesmo correndo contra o tempo, é altamente recomendável, do ponto de vista do estabelecimento da verdade e da eliminação de injustiças, tentar ouvir previamente os envolvidos na notícia e, em caso de insucesso, informar ao leitor que houve a tentativa e as razões de seu insucesso.

Encerro os dois parágrafos em que dei a minha opinião pessoal e profissional sobre a omissão da revista quanto a ouvir o ministro e volto às observações – algumas até irônicas – de deputados do PMDB, que não nomeio a pedido deles, sob alegação de não desejarem “dar cartaz” à matéria da IstoÉ, e volto ao que ouvi deles.

Um dos comentários refere-se ainda à questão de a revista não ter ouvido o ministro, mas haver tomado do deputado federal do PMDB Raymundo Veloso uma declaração de que “ninguém vai tirar da cabeça do ministro a ideia de ser candidato a governador”. O comentário: “Pegaram uma declaração solta do deputado Raymundo Veloso para tentar legitimar a matéria e dissimular o fato grave de não haverem procurado o ministro”.

Bem, se a revista quiser se pronunciar neste espaço, que esteja à vontade.

set
03
Posted on 03-09-2009
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 03-09-2009

Agente da PF intima Protógenes na coletiva/UOL
intimação
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Deu no jornal:

Na Tribuna da Bahia, em sua coluna diária, o jornalista político Ivan de Carvalho assina nesta quinta-feira, 3, instigante análise sobre a opção do delegado da Polícia Federal, Protógenes Queiroz, de ingressar no PC do B, anunciada ontem em entrevista coletiva concedida em São Paulo, quando foi intimado por um agente federal (foto) para depor no processo reaberto de Paulo Maluf. Protógenes assina a ficha de filiação no dia 7 de setembro.

Bahia em Pauta reproduz o texto que pode ser lido (e relido) também nas edições on-line e impressa da TB. (Postado por Vitor Hugo Soares )
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OPINIÃO POLÍTICA

AS OPÇÕES DE PROTÓGENES

Ivan de Carvalho

O delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz, empunhando a bandeira do combate à corrupção, integra, neste momento, a extremamente escassa categoria dos heróis nacionais por sua coragem e caráter pessoais, somados a duas circunstâncias:

1. A espetacular ação contra o banqueiro Daniel Dantas – já por causa disto com uma condenação judicial em primeira instância –, o mega-especulador Naji Nahas e o ex-prefeito de São Paulo Celso Pita, todos atualmente em liberdade, mas aos quais o delegado Protógenes impôs algemas ao cumprir o mandado de prisão resultante das investigações que presidira.

O episódio levou o Supremo Tribunal Federal a regular um assunto polêmico, o uso de algemas na efetuação de prisões, decisão que contribui para um aperfeiçoamento no sistema jurídico e na ação policial, pois todos são inocentes até serem julgados culpados e não devem ser expostos a humilhação pública desnecessariamente, mas somente quando reagirem à prisão ou existirem fundadas razões de risco para policiais, outras pessoas ou para o próprio preso em caso de não serem usadas algemas.

A espetaculosidade criticada pelo STF no uso de algemas esteve presente (com algemas e TV) em todo o desfecho da Operação Satiagraha, a obra-prima do delegado Protógenes Queiroz. Ele seguiu a prática que vinha sendo adotada pela Polícia Federal em outros casos, e, embora não se tratando ela de uma boa prática, o delegado Protógenes foi indireta e involuntariamente responsável por uma parte da decisão do STF, portanto, co-responsável involuntário por uma melhoria normativa das práticas relacionadas ao uso de algemas. E ainda, por conta do arranca-rabo das algemas, ganhou simpatia dos que acham que este uso deve ser uma regra, sob quaisquer circunstâncias, especialmente quando feito contra suspeitos de crimes do “colarinho branco”.

2. Se a Operação Satiagraha e até o modo midiático que envolveu a prisão de seus principais alvos foi a primeira das duas circunstâncias responsáveis pela elevação de Protógenes à categoria de herói nacional (temporário, tudo indica, mas só o futuro dirá), a outra foi a reação do governo Lula e do presidente do STF e do Conselho Nacional de Justiça, ministro Gilmar Mendes, à ação de Protógenes e do juiz De Sanctis, que por duas vezes expediu mandado de prisão contra Daniel Dantas – a segunda, depois de uma liminar do próprio Gilmar Mendes mandar soltar o banqueiro.

A reação do presidente do STF (não discuto nem questiono aqui o seu mérito) contribuiu de forma importante para ampliar a projeção do delegado Protógenes na opinião pública. Essa obra de marketing político a favor de Protógenes sem que ele a encomendasse ou desejasse foi reforçada extraordinariamente pelo governo Lula, ao qual está subordinada a Polícia Federal, órgão vinculado ao Ministério da Justiça.

Ministério comandado por um petista de proa, até ex-presidente do PT, o ministro Tarso Genro, duas vezes prefeito de Porto Alegre e uma vez candidato a governador do Rio Grande do Sul. A mesma pessoa que apressadamente entregou ao regime totalitário de Fidel Castro os dois pugilistas cubanos que fugiram da delegação de seu país nos Jogos Panamericanos, no Rio de Janeiro – reeditando, suavizada, mas moralmente equivalente, a atitude de Filinto Müller, que na ditadura do Estado Novo comandada por Getúlio Vargas entregou Olga Benário Prestes ao governo nazista de Hitler e à morte certa. Os dois pugilistas não morreram, já fugiram de novo, graças a Deus.

Entendo que Protógenes haja recusado o PSOL e o PV, por – eu suponho – não ter visto nestes partidos um ideário atraente, mas dominação por preocupações eleitorais. O que não entendo é que, depois de todo esse histórico de sua atuação relacionada com a Operação Satiagraha, de seu afastamento da presidência do inquérito e de qualquer participação na investigação, um chega-prá-lá até brutal, ele, Protógenes, haja encontrado motivo para querer ingressar em um partido que apoiasse Lula. Ora, não é Lula quem decide quem manda no Ministério da Justiça e na Polícia Federal? Quanto à opção do delegado Protógenes pelo PC do B, paciência. O delegado é tecnicamente muito competente, mas ele mesmo é quem diz que “é caminhando que se aprende a caminhar”. Pois então que caminhe, pois tem muito a aprender ou, melhor dizendo, a compreender.

jul
31
Posted on 31-07-2009
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 31-07-2009

Em memória do perito morto
protesto

Deu na coluna:

O jornalista Ivan de Carvalho, em sua coluna de hoje na Tribuna da Bahia, expõe e analisa o conflitos que amedrontaram Salvador nas últimas 48 horas – os efeitos ainda seguem presentes em vários pontos da capital nesta sexta-feira(31) -, envolvendo a Polícia Civil e a PM baianas, com repercussão e espanto nacional. Bahia em Pauta reproduz o artigo para que seus leitores leiam e reflitam.As autoridades públicas também.

(Vitor Hugo Soares)
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OPINIÃO

Complicações policiais

Ivan de Carvalho

“Há muitos anos, sob um dos governos de Antonio Carlos Magalhães, a Polícia Militar do Estado da Bahia, ou parte dela, se rebelou e para controlar o motim foram mobilizados os fuzileiros navais da base da Marinha em Salvador, sediada na Avenida da França, Comércio, na Cidade Baixa. Chegou a haver conflito no bairro da Calçada, com tiros e vítimas, estas entre os policiais militares.

Anos depois, um episódio bem mais recente. Algumas unidades da Polícia Militar se rebelaram, declarando uma greve que não tinham, pelas Constituições da República e da Bahia, bem como pelo regulamento da corporação, o direito de fazer. E continuam não tendo até hoje. A cidade, onde a segurança já era frágil, ficou à mercê dos criminosos, protegida apenas por uma mirrada, despreparada, mal equipada e mal armada Polícia Civil. A população evitava sair às ruas (só ia quem não podia mesmo ficar em casa) e, quando saía, voltava o mais depressa possível.

Os chamados “arrastões” ocorreram e, até pior do que isso, a boataria sobre “arrastões” que teriam ou estariam ocorrendo – mesmo que na maioria dos casos não houvesse fundamento – infundiram o medo na cidade. Este sentimento de medo tornou-se tão forte, tão denso, que se podia senti-lo quase como uma coisa concreta. Os pequenos shopping centers de bairros fechavam mais cedo do que o habitual e a tensão era visível no rosto de cada cidadão pedestre ou que usava transporte coletivo. Enfim, a cidade não estava entregue às baratas, mas aos bandidos, enquanto a Polícia Militar fugia a suas obrigações legais, rasgava as Constituições federal e estadual, estraçalhava seu próprio regulamento, agredia a hierarquia e a disciplina e – para maior refinamento no mal – envolvia-se no que poderia tornar-se um amplo conflito armado com ela mesma.

Dessa vez, não foram os Fuzileiros Navais a serem mobilizados. Unidades do Exército foram chamadas, inclusive havendo deslocamento até de Aracaju para Salvador, para ajudar no patrulhamento da cidade, o que fizeram, e para intervir pela força na PM baiana, se necessário. Felizmente, esta última parte não precisou concretizar-se. As tropas de choque da própria PM, que não aderiram ao motim – com a ajuda do poderoso fator psicológico representado pelo eventual apoio das tropas federais – ocuparam, sem resistência armada, os quartéis onde a rebelião se instalara. Sem mortos e feridos, salvaram-se todos.

Agora, quem resolveu parar foi a Polícia Civil. E não pela primeira vez. Mas desta vez a paralisação começou com um morto. Assassinado na manhã de quarta-feira. Os policiais civis em geral e Carlos Lima, o presidente do Sidpoc (sindicato que representa os policiais civis, que, aliás, não deviam ser sindicalizados, pois não são uma categoria comum de trabalhadores, mas uma corporação armada de funcionários estatais) afirmam que a morte do perito criminal foi causada por dois tiros disparados por um tenente da Polícia Militar, sem fazer nenhuma provocação. Apenas estava armado e por isto foi abordado e, embora se identificasse devidamente como policial civil, foi alvejado duas vezes.

O corregedor da Polícia Militar deu outra versão: o oficial, “felizmente”, atirou primeiro, quando o policial civil tentou sacar a arma. Atirou a segunda vez quando, mesmo já ferido, o perito criminal tentou pela segunda vez sacar a arma. O noticiário deu conta de que uma testemunha, uma mulher, disse que o oficial atirou depois que o policial civil estava se identificando.

Bem, a Polícia Civil proclamou paralisação em todo o Estado até que o oficial PM se apresente na 2ª Delegacia de Polícia. Ontem, policiais civis fizeram passeata na Praça da Piedade, em frente ao prédio da chefia da Polícia Civil (antiga sede da Secretaria da Segurança Pública) e paralisaram o trânsito no sentido Barra, Avenida Centenário, nas proximidades do Departamento de Polícia Técnica. Exigem “justiça”. Até 20h30min de ontem, quando acabava de escrever estas linhas, a paralisação da Polícia Civil persistia, confirmada por Bernardino Gayoso, da diretoria do Sindpoc.

Ivan de Carvalho é jornalista

jul
11
Posted on 11-07-2009
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 11-07-2009

Deu na coluna

Na Tribuna da Bahia, edição deste sábado(11), o jornalista Ivan de Carvalho divide a sua coluna em três comentários sobre temas políticos na ordem do dia, com título unificado: “O idioma, o escândalo, o prazo”.São todos eles assuntos verdadeiramente dignos de notas, que levados ao leitor com o estilo único de Ivan, ficam mais dignos e interessantes ainda. Bahia em Pauta reproduz a seguir o primeiro. E recomenda os demais. Confira. (VHS)
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Lula:reformador idiomático
kibe
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O idioma, o escândalo, o prazo

Ivan de Carvalho

1 – O presidente Lula, que terá chegado à noite a Brasília, procedente da Europa, disse lá, ontem, que os senadores (referia-se aos do Brasil) são “inquadráveis”. Assim, inventou uma palavra, o que, neste caso, e tendo em vista a natureza do vocábulo inventado, se não sinaliza conhecimentos vernáculos do presidente que recentemente reformou o idioma por decreto, confirma-lhe a criatividade lingüística, malgrado a língua presa.

Os senadores são “inquadráveis” por não poderem ser enquadrados pelo presidente, que se referia à decisão do senador José Sarney, presidente do Senado, de optar pela instalação da CPI da Petrobras para atenuar as pressões da oposição e de outros setores a respeito dos escândalos que envolvem o Senado e o próprio Sarney, pessoalmente. Referia-se também à “desobediência” da bancada do PT que manteve, “pro forma”, a posição favorável à licença de Sarney por 30 dias, apesar de pedido de Lula em contrário.

Se prosseguir como reformador idiomático e criador de palavras, a colaboração de Lula no setor acabará lhe jogando nos braços o Prêmio Nobel de Literatura.

LEIA INTEGRA DA COLUNA DE IVAN DE CARVALHO NA TRIBUNA DA BAHIA

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