nov
10
Posted on 10-11-2009
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 10-11-2009

Senador Sarney: Chavez como saída
jsarney

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DEU NA TRIBUNA DA BAHIA

Tapas e beijos entre Hugo Chavez, presidente da Venezuela, e José Sarney, presidente do Congresso brasileiro, dão pano para a costura do provocante artigo que o jornalista Ívan de Carvalho assina nesta terça-feira em sua coluna diária da Tribuna da Bahia. O site-blog Bahia em Pauta, que corre léguas por uma boa polêmica, reproduz a seguir. (VHS)
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OPINIÃO POLÍTICA

O BEIJO DE CHÁVEZ

Ivan de Carvalho

O ex-presidente da República e presidente do Senado e do Congresso Nacional, José Sarney, (des)qualificou ontem como “despropositada” e “absoluta insensatez” a declaração do presidente da Venezuela, coronel Hugo Chávez, sobre a perspectiva de haver guerra entre seu país e a Colômbia.
Chávez disse, no rádio e televisão, que a população e as forças armadas do país devem se preparar para a guerra como forma de garantir a paz e citou a vizinha Colômbia e os Estados Unidos da América como possíveis agressores.
Bem, o senador José Sarney não está exatamente nas boas graças da opinião pública brasileira, especialmente depois dos mais recentes escândalos no Senado, dos quais foi o principal protogonista. Mas isto de modo nenhum retira dele a capacidade de analisar o cenário, usando sua vasta experiência política e a tendência, nele reconhecidamente natural, para o “bom senso” político, apesar dos defeitos, muitos deles já amplamente apontados por toda a mídia nacional.
No entanto, Sarney fez uma observação interessante. “Acho que (a declaração de Chávez) é tão despropositada que dificilmente ela será levada em consideração”, acrescentando não saber se o ingresso da Venezuela como membro do Mercosul será votado ainda esta semana pelo plenário do Senado. Esse ingresso já foi aprovado em comissões técnicas.
Mesmo com experiência, capacidade e bom senso para analisar a espantosa declaração de Hugo Chávez, Sarney mudou de posição, evidentemente por interesse político próprio. Ele, não faz muito tempo, esteve contra o ingresso da Venezuela no Mercosul, por conta da truculenta não renovação da concessão e do confisco de todos os bens e equipamentos praticados pelo governo de Chávez sobre a RCTV, a mais antiga televisão do país, a mais tradicional e a que detinha, de longe, a maior audiência. E que também fazia oposição a Chávez e seu governo.
Diante disso, o Senado brasileiro aprovou uma moção cobrando de Chávez uma revisão dessas duas decisões antidemocráticas. O ditador-presidente respondeu chamando o Senado brasileiro de “papagaio” do Congresso americano. Então o Senado brasileiro, num movimento liderado por Sarney, resolveu engavetar a votação do acordo de ingresso da Venezuela no Mercosul, considerando anti-democrático o governo de Chávez.
Mas agora as coisas mudaram. Houve os escândalos no Senado. Lula mandou a bancada do PT salvar Sarney, que já não se agüentava mais no cargo de presidente do Senado e do Congresso. Sarney foi salvo, os escândalos foram abafados. E Sarney está pagando o preço do socorro recebido: a declaração de Chávez é tão despropositada e insensata que “dificilmente será levada em consideração”. Isto é, não deve atrapalhar a aprovação do ingresso da Venezuela no Mercosul. Se Chávez pegasse esse Sarney, dava-lhe um beijo apaixonado.

nov
07
Posted on 07-11-2009
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Deu na Tribuna da Bahia

E porque hoje é sábado o jornalista Ivan de Carvalho aproveita o conselho do poeta Vinícius de Moraes para deixar de lado a política e entrar brevemente na área da medicina para abordar em sua coluna diária na Tribuna da Bahia dois assuntos cujo conhecimento está se disseminando na sociedade, graças principalmente à Internet. O Bahia em Pauta reproduz o texto de Ivan, cuja coluna política pode ser lida todos os dias na edição impressa da TB. Confira.
(VHS)

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Dr. Luiz Moura: auto-hemoterapia
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Redescobrindo a medicina

Ivan de Carvalho

Como hoje é sábado, tomo a liberdade de por a política de lado e entrar na área da medicina para abordar brevemente dois assuntos cujo conhecimento está se disseminando ultimamente na sociedade, principalmente graças à Internet e apesar do descrédito e desinteresse da imensa maioria dos profissionais (mas não de todos) da área médica, ao que se soma a viva (vivíssima) reação da indústria farmacêutica.

Quem quiser detalhes sobre esses assuntos pode pesquisar no Google, escrevendo, por exemplo, Cloreto de magnésio Dr. Luiz Moura. Isto será suficiente para o site de pesquisa lhe indicar diversos vídeos com explicações do médico Dr. Luiz Moura a respeito das utilidades do cloreto de magnésio como preventivo para evitar doenças e como meio de remover problemas de saúde já instalados, além, claro, de poderoso e barato desinfetante.

Junto com isso, você encontrará uma antiga técnica médica, a auto-hemoterapia, abandonada a partir da descoberta dos antibióticos, que supostamente a substituem. Mas o Dr. Moura explica que não é bem assim. Diz ele que a ação básica dos antibióticos é de impedir a multiplicação dos microorganismos nocivos, dando a chance para que o sistema imunitário do paciente elimine esses microorganismos. Já a auto-hemoterapia tem função totalmente diversa dos antibióticos – essa técnica combate as infecções reforçando extraordinariamente o sistema imunitário, multiplicando por quatro o número de macrófagos, que são as células do sangue que devoram as bactérias e vírus. Antibióticos e auto-hemoterapia são complementares.

A auto-hemoterapia consiste em retirar sangue de uma veia (10 ml, normalmente) e ato contínuo injetá-lo nos bíceps dos dois braços (5 ml em cada) ou no músculo glúteo (que suporta os 10 ml).

Lugar de sangue é nas artérias, veias e nas quatro cavidades do coração. No músculo o sangue é reconhecido como “corpo estranho” pelo sistema imunitário, que parte para o ataque e num período de oito horas multiplica por quatro o número de macrófagos – de 5 para 20 a 22, permanecendo neste nível mais alto durante cinco dias, voltando gradualmente ao normal nos dois dias seguintes. Pode-se repetir tudo de sete em sete e até de cinco em cinco dias, se necessário. Extremamente reforçado para “comer” o sangue que foi posto no músculo, lugar “errado”, o sistema imunitário torna-se muito mais eficaz contra bactérias, vírus, células pré-neoplásicas ou mesmo neoplásicas e atua com sucesso nas doenças auto-imunes, a exemplo do lúpus, asma e numerosas outras. A auto-hemoterapia e os antibióticos são, evidentemente, complementares. Quanto ao cloreto de magnésio é um regulador do cálcio. Fixa-o onde ele deve estar (nos ossos, por exemplo, combatendo a osteoporose) e retira-o de onde não deve estar – dissolve calcificações nas artérias e veias, cálculos de oxalato de cálcio nos rins e custa uma pechincha nas farmácias.

Há mais. Ainda pretendo voltar ao assunto.

nov
04
Posted on 04-11-2009
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Juliana Paes, a Maya da novela: “ilusão”
juliana

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Deu no jornal

No artigo que assina nesta quarta-feira, 4, na Tribuna da Bahia, o jornalista político Ivan de Carvalho fala da recente novela das oito da TV Globo, Caminho das Índias, “bonitinha mas ordinária”, mas que ainda assim deixa lições. Por exemplo: “Maya, a ilusão, que pode ser linda como a atriz Juliana Paes, ou asquerosa como o engano, a mentira, o disfarce, o encobrimento”. Confira a seguir no Bahia em Pauta a reprodução do texto de Ivan.
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OPINIÃO

Maya, bombas, holocausto e mensalão

Ivan de Carvalho

O bramanismo, assim como a Teosofia, nos falam de algo muito importante, Mahamaya, que significa A Grande Ilusão.

Mahamaya, a Grande Ilusão, seria nada mais, nada menos do que o Universo. Para nós, real, pois individualmente somos parte dessa ilusão e não conseguimos perceber o que há por trás da máscara da formidável realidade. O Universo, portanto, é real para si mesmo, mas em verdade é uma ilusão quando confrontado com a verdadeira realidade – Brahman, com o seu pensamento, que o bramanismo denomina Parabrahman, e a matéria perene, incrivelmente sutil e indiferenciada (o caos aparente) destinada a tornar-se provisoriamente o Universo em um número interminável, infinito de ciclos, numa evolução sem fim.

Mas este é um espaço preferencialmente dedicado à política. E embora tentado a prosseguir no grande tema abordado até aqui – o que talvez fizesse se hoje fosse sábado – obrigo-me a conduzir este artigo para o rumo apontado pela finalidade do espaço em que é publicado. Não será possível, assim, prosseguir tratando de Mahamaya, a Grande Ilusão, mas creio que possa, até porque na política isto cada vez mais parece natural e adequado, falar de maya, não aquela representada pela bela Juliana Paes na bonitinha, mas ordinária novela Caminho das Índias, e sim de maya, a ilusão. Maya, a ilusão sem maha (grande), que pode ser linda como a atriz, ou asquerosa como o engano, a mentira, o disfarce, o encobrimento.

Recentemente, tratei aqui, e não apenas uma só vez, do tresloucado presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, tentando impor ao mundo duas ilusões desse último tipo.

Uma, ao buscar encobrir, com uma peneira que não tapa o sol, mas com o inacreditável apoio da diplomacia e do governo brasileiro, o caráter bélico do programa nuclear iraniano, apoio dado imediatamente após descobrir-se ou revelar-se que – além das suas instalações nucleares conhecidas, cuja fiscalização pela Agência Internacional de Energia Atômica o Irã tem inviabilizado sistematicamente – o governo iraniano construiu uma planta nuclear subterrânea e secreta demasiado pequena para produção de energia elétrica, mas suficiente para produzir armas nucleares.

A outra ilusão que já pela segunda vez o reeleito presidente Ahmadinejad (a primeira vez foi às vésperas da reeleição) tenta impingir é a ilusão de que o Holocausto (a matança de seis milhões de judeus pelo nazismo) foi apenas “propaganda para justificar a criação do Estado de Israel”, nas palavras de Ahmadinejad, disposto a “varrer Israel do mapa”. O mesmo Ahmadinejad que o governo brasileiro vai receber no dia 23 com festa e os tradicionais rapapés do Itamaraty.

Mas nem só de Ahmadinejad vive maya. Também de mensalão. Como o citado presidente nega o Holocausto, o vice-líder do governo na Câmara, deputado Beto Albuquerque, do PSB, como testemunha de defesa do ex-ministro José Dirceu e do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, afirmou ontem na 12ª Vara Federal do Distrito Federal, que o chamado esquema do mensalão nunca existiu.

Lula dizia que não sabia do mensalão. Agora, dizem que nem existiu. Foi maya

out
31
Posted on 31-10-2009
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Deu na Tribuna da Bahia

Sempre atento na denúncia de medidas de poder do Estado que atentam contra o direito fundamental do individuo à privacidade, o jornalista político aponta bateria certeira em sua coluna deste sábado, 31, na Tribuna da Bahia, na direção da Resolução do Contran. Os objetivos declarados da medida são tributário, de ordenação do trânsito e de recuperação de veículos em caso de furto, roubo ou sequestro. “O problema são as lacunas da medida”, suspeita o jornalista. Confira os motivos no texto do artigo de Ivan de Carvalho, que o Bahia em Pauta reproduz a seguir. (VHS).

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Chips em humanos:Em breve será assim?
futuro
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ARTIGO / DE OLHO

Um dia vão por chips nas pessoas

Ivan de Carvalho

Não está na Constituição. O que está na Constituição, como cláusula pétrea, é o direito fundamental do indivíduo à privacidade.

Não está em lei ordinária. Nenhuma foi aprovada pelo Congresso para instituir e regular o assunto. Nenhuma faz referência a ele.

Não está em medida provisória em tramitação no Congresso. Nunca o presidente da República assinou uma MP sobre o assunto e a enviou ao Congresso para apreciação.

Não está em um decreto presidencial. Nenhum presidente da República assinou qualquer decreto criando e regulando esse instrumento de espionagem.

Está numa simples Resolução do Conselho Nacional de Trânsito, que a fez publicar em 22 de novembro de 2006, com prazo de cinco anos para sua implantação completa, pela indústria e pelos Estados, na frota nacional de veículos automotores, incluindo desde carretas a ônibus, automóveis, utilitários e motocicletas.

Parece que, por não serem automotores, mas semoventes, escaparam os cavalos, burros, jumentos e similares que não constam da frota nacional, a exemplo de camelos e elefantes. Também o homem escapou, estou certo de que apenas provisoriamente. Ele é um semovente, mas não é considerado automotor, nem veículo, ainda que frequentemente se comporte como tal, ao carregar outra pessoa, ou se é, por exemplo, um estivador com um saco nas costas.

Creio que a Resolução do Contran deixa lacunas. Carroças, charretes, carruagens são veículos de tração animal, não automotores, e riquixá é de tração humana. Devem receber o chip de fábrica, como os veículos automotores, ou estão dispensados do chip bisbilhoteiro?

Bem, segundo a resolução do Contran, todo o sistema deveria estar funcionando – implantado e operado pelos Estados – em 2011. Mas somente na última quinta-feira o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) definiu a tecnologia a ser usada. Então, adiou o funcionamento integral do sistema para 2014.

Ganhamos algum tempo para lutar contra essa invasão de privacidade, esse monitoramento das pessoas pelo Estado, mas pouca gente parece interessada em travar essa batalha. A quase totalidade das pessoas não consegue entender seu alcance, não vê o que está em jogo, além de estar profundamente desinformada sobre o avanço do Big Brother – não a besteirada da Rede Globo, mas o verdadeiro, o representado pelo monitoramento e controle estatal do indivíduo, com uma imensa sofisticação tecnológica em relação ao que foi descrito no romance 1984, de George Orwell.

O chip será instalado no pára-brisa dos carros, cujos dados terá. Antenas vão captar e transmitir as informações para uma central que identificará a localização e a situação do veículo. Os objetivos declarados são tributário, de ordenação do trânsito e de recuperação em caso de furto, roubo ou sequestro. O chip permitirá o rastreamento do veículo. Se entrar em um motel ou parar no estacionamento de uma igreja, o Estado saberá. Se uma dessas coisas for eventualmente proibida, o chip garantirá o êxito da perseguição policial. Um dia vão por chips nas pessoas. E a maioria vai gostar.

out
24
Posted on 24-10-2009
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Aecio Neves: bem na foto
ANeves
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ARTIGO / POLÍTICA

A CHAPA DOS SONHOS

Ivan de Carvalhos

Perto de completar três dos quatro anos de seu segundo mandato como governador de Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral e a terceira maior economia do país, o tucano Aécio Neves tem muita vontade de ser candidato a presidente para suceder a Lula. E está trabalhando duro para isto.
O início desta semana registrou uma ação sua e outra que o beneficia. A dele foi defender, inclusive junto ao seu concorrente a candidato a presidente da República dentro do PSDB, o governador paulista José Serra, uma decisão sobre quem será o candidato tucano até janeiro.
Isto daria a Aécio Neves mais tempo, e ele precisa muito disso, para trabalhar junto ao eleitorado em geral e a diversos segmentos da sociedade a sua candidatura, pois seus índices de popularidade ainda são muito modestos. Aécio precisa desesperadamente de exposição e ela viria, não com a tese que chegou a lançar, de realização das prévias, mas com uma decisão que o faça o candidato da oposição.
A iniciativa do governador mineiro de cobrar para janeiro a decisão sobre o candidato do PSDB e seus aliados a presidente também é um esforço para embaraçar a estratégia do governador paulista José Serra, que trabalha para retardar a decisão, que se for tomada em março ainda lhe parecerá precoce, mesmo que admita isto.
Uma outra iniciativa, não de Aécio, mas em seu favor, também acaba de ocorrer. O mineiro considerou “enorme estímulo” a manifestação majoritária de preferência por seu nome das bancadas do Democratas na Câmara dos Deputados e no Senado e interpretou o fato como “uma demonstração clara de que não há decisão tomada e há espaço para nós criarmos um projeto que eu chamaria de mais convergente”.
Quem não tem cão caça com gato. A iniciativa de Aécio de tentar abreviar a escolha do candidato e a manifestação de parte dos congressistas do DEM em seu favor mal conseguem responder a uma pesquisa eleitoral encomendada pelo PSDB, na qual Serra – como em todas as outras, com a alta exposição que já teve e continua tendo nacionalmente em sua vida pública – aparece muito bem na foto. E excepcionalmente em cenário no qual Aécio é proposto como candidato a vice na “chapa dos sonhos”, que une como ponto de partido o PSDB, os dois maiores colégios eleitorais do país e as primeira e terceira economias, além de ter a aprovação do DEM, que renuncia alegremente, em nome do aumento das chances de vitória, ao “direito” de indicar o candidato a vice, com as devidas compensações, naturalmente.
Um experiente e bem informado político, muito bem colocado para analisar este processo, reconhece que Aécio quer ser o candidato da oposição a presidente, mas admite que a escolha acabará recaindo sobre Serra. E que Aécio não escolherá alternativas como a de candidato a senador, mas cederá às pressões de Minas Gerais – e, por que não, do PSDB? – para integrar a chapa de Serra como candidato a vice. Tudo muito bem conversado, claro, que mineiro não é bobo. Muito menos quando é neto de Tancredo Neves.

TB: um jornal com história
TB
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DEU NA TRIBUNA DA BAHIA

Em sua edição histórica desta quarta-feira, 21, data em que o jornal comemora 40 anos, a Tribuna da Bahia publica o artigo diário do jornalista Ivan de Carvalho. Hoje, o primeiro editor político do diário que mexeu com o jornalismo baiano fala de dois temas que o apaixonam: a política opinativa no pensar e fazer jornalístico, e a própria Tribuna da Bahia.

Bahia em Pauta reproduz o texto e , através de seu editor (também um colaborador semanal da TB), parabeniza e agradece a Ivan e a todos que fazem a TB.

Mais 40, pelo menos!

(Vitor Hugo Soares)

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OPINIÃO POLÍTICA / TB, 40 Anos

A TRIBUNA E A POLÍTICA

Ivan de Carvalho (21/10/2009)

Da primeira edição da Tribuna da Bahia e nos 14 anos seguintes fui editor de Política deste jornal. Mais adiante, exerci a mesma função por mais cinco anos e atualmente – desde 1997 – sou seu colaborador como articulista político. Isto me põe em situação privilegiada para fazer uma avaliação da influência do jornal, que hoje completa seus 40 anos, na política da Bahia.

Esta situação privilegiada só é limitada, creio, pelo espaço restrito que tenho para abrigar este artigo e que será o mesmo dos próximos, numa tendência mundial da imprensa para a síntese e a abordagem do essencial, o que atende ao interesse dos leitores, cada vez mais atarefados com o fazer e o viver e determinados a disputar cada momento do seu tempo. Então, vamos ao tema, antes imposto pela feliz ocasião do que escolhido pelo autor. Quando foi inaugurada, nestes dia e mês de 1969, a Tribuna da Bahia encontrou-se ante uma situação bastante lamentável na imprensa baiana. Não que esta não tivesse méritos. Mas era inegavelmente uma imprensa do passado, que entre outras coisas vivia de modo mais ou menos intenso, de acordo com cada um dos seus veículos (falo dos veículos impressos), uma espécie de concubinato com o poder estatal e, de um modo mais amplo, com a política. Isto porque se um jornal não estava comprometido com os interesses políticos oficiais, ele praticamente se aliava à oposição, podendo-se dizer, com uma certa ironia e só um pouco de exagero, que faltava apenas adotar o nome de partido para integrá-la formalmente.

A Tribuna da Bahia nasceu com outro conceito. O veículo buscava independência e identidade próprias, uma objetividade que a imprensa baiana, na época, tinha dificuldade em impor ao seu noticiário, especialmente ao político, buscava a humanamente possível imparcialidade e isenção. Conseguir estas coisas foi bastante facilitado pelo fato de o fundador do jornal, Elmano Silveira Castro, ser um empresário idealista que, inclusive, renunciou a outros empreendimentos para dar prioridade total à empresa-jornal.

O outro elemento facilitador na fase inicial foi a aquisição, para o projeto do jornal e sua execução, do idealista, abnegado e talentoso jornalista Quintino de Carvalho, vindo de um centro de imprensa muito mais avançado na época, o Rio de Janeiro, e que quis formar uma equipe nova, evitando ao máximo o recrutamento de profissionais entre os que já atuavam na Bahia. Com isto, conseguiu facilitar muito a implantação dos novos modelo e estilo de imprensa que pretendia. A semente germinou e tivemos a colheita. Jornais do velho estilo morreram. Outros foram inteligentes e se renovaram. Isto mudou muito – precisa ainda mudar mais – a relação entre poder e política, de um lado, e imprensa, de outro. E esta foi uma das grandes contribuições da Tribuna da Bahia à sociedade baiana.

out
14
Posted on 14-10-2009
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 14-10-2009

Rótula do Abacaxi: “por que não Melancia?”
Melancia
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OPINIÃO / POLÍTICA

TEMPORADA DE GAFES

Ivan de Carvalho (14/10/09)

Parece que estamos, aqui na Bahia, imersos em um festival de gafes, de coisas absurdas, mas que mesmo assim acontecem. Parece nunca haver sido mais atual a famosa observação do ex-governador Octávio Mangabeira: “Imagine um absurdo. Na Bahia há precedente”. Diria que pior: se nem mesmo o precedente existe, nós o criamos. Ou, na mais amena das hipóteses, ele é criado. Na Bahia, nem precisa dizer.

A safra mais recente de absurdos começou com a história do trem. Compraram um trem que não cabia no buraco onde deveria passar. O Estado comprou o trem, a prefeitura de Salvador cavou o buraco. Claro que aí, em tese – se for investigar será certamente possível determinar responsabilidades pela trapalhada – é possível estabelecer uma polêmica a respeito de quem errou, se o Estado ou a prefeitura. O que não suscita dúvida é o fato de que o buraco era mais baixo.

Passados uns tempos, a população já estava refeita da estupefação e certamente se preparando para uma temporada de sossego quando explode a nova e quase inacreditável trapalhada. Só não é inacreditável porque aconteceu mesmo e foi na Bahia. Um conjunto de residências do programa Minha Casa, financiado pela Caixa Econômica Federal, foi construído e, uma vez pronto, os felizes futuros moradores foram surpreendidos pela espirocada informação de que não poderiam ocupar suas novas residências pois a empresa que as construiu esqueceu – isso mesmo, esqueceu!!! – de construir a rede de esgotos. Mas não há problema: já foi feito um projeto para a implantação da rede de esgotos esquecida, apressou-se a informar uma autoridade.

Mencionadas autoridades, não convém omitir uma delas, que esteve na Bahia na semana passada. Das mais poderosas, famosas, ultimamente risonhas e, segundo se comenta nos meios políticos, de estilo autoritário, meio ou inteiro para o arrogante. Era o que dela diziam quando era apenas ministra-chefe da Casa Civil e é a imagem que vem buscando desfazer desde que foi lançada pelo presidente Lula como candidata do PT e partidos aliados para sucedê-lo no cargo.

Coisa estranha. O marqueteiro-consultor do presidente Lula é o jornalista e poderoso publicitário João Santana, que levou dos seus primeiros tempos de jornalismo (na Tribuna da Bahia) o apelido de Patinhas, que foi secretário de Comunicação do prefeito Mário Kertész e que foi chefe da sucursal de O Globo na Bahia, diretor de redação do Jornal da Bahia antes de rumar para Brasília, onde obteve rápida e impressionante ascensão.

Mas nem todo o gênio de João Santana (não sei quão profundamente está operando na candidatura de Dilma Rousseff, mas de fora é que não está, assessor informal, ainda que eventualmente prefira parecer que não tem, ao menos por enquanto, nada a ver) impediu que a ministra-candidata a presidente cometesse algumas gafes em Salvador.

Uma delas foi quando, às voltas com as futuras obras da Via Portuária, estranhou o nome Rótula do Abacaxi. Entendeu que abacaxi não é símbolo de nada bom, ninguém gosta, por exemplo, de “descascar o abacaxi”, e então não teve dúvidas: sugeriu a mudança de nome para Rótula da Melancia. Ou ela gosta muito de melancia ou estava preocupada com a popularidade da mulher melancia no momento em que a sua está um pouco em baixa. Alguns políticos importantes que estavam junto parecem não ter gostado, ao ponto de um deles haver sugerido que se rebatizasse o lugar como Rótula do Pepino.

Mas onde a gafe foi mais profunda e o consultor-marqueteiro, que não podia prever tal coisa, nenhuma utilidade teve foi a respeito das fitas do Senhor do Bonfim. Quiseram colocar uma no pulso dela, ela rejeitou. “Está não, quero esta aqui”, pegando uma fita semelhante, mas que estava amarrada no gradil de metal do adro da Igreja do Bonfim.

Não sabia que são postas ali por pessoas que já depositaram nelas o seu pedido. A ministra-candidata levou o pedido alheio. Se ela tivesse o Poder do Senhor Jesus, sem problemas…

out
01
Posted on 01-10-2009
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 01-10-2009

Deu na coluna

Em sua coluna diária na Tribuna da Bahia o jornalista publica na edição desta quinta-feira, 1 de outubro, uma análise política que dá sequência ao tema do artigo de ontem:o aborto e o debate político nacional. Hoje, Ivan focaliza o tema sob a perspectivas dos debates na campanha presidencial de 2010. Confira no Bahia em Pauta, que republica o texto, com autorização do autor. (VHS)
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OPINIÃO / ABORTO

Embrião no ventre da mãe…
embrião

…e o feto na 16ª semana de gravidez
feto

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Aborto e sucessão presidencial

Ivan de Carvalho

O presidente da “Frente Parlamentar em Defesa da Vida – contra o aborto”, Luiz Bassuma, que se desligou formalmente esta semana do PT, partido que o suspendeu por um ano devido a sua luta contra a descriminalização do aborto, fez a este repórter, na terça-feira, uma afirmação que merece ser examinada por toda a sociedade e especialmente por todos os eleitores brasileiros.
Esta afirmação do deputado baiano (que já não iria disputar as eleições de 2010, mesmo se não houvesse sido suspenso pelo diretório nacional do PT) já foi incluída no artigo publicado ontem neste espaço, mas merece e precisa ter abordagem mais ampla e profunda. Entendo, aliás, que a mídia não somente baiana, mas toda a mídia brasileira tem com seus leitores, ouvintes, telespectadores e internautas o compromisso de informar clara e intensamente sobre o assunto, pois ele pode ser para muitos um fator de grande relevância na avaliação do voto que cada eleitor vai dar para presidente da República nas eleições do ano que vem.
O que disse, então, o presidente da “Frente Parlamentar em Defesa da Vida – contra o aborto” e que aqui foi divulgado ontem? Disse que entre as razões pelas quais optou em ingressar no PV e pelas quais sua mulher, Rose Santana, que também deixou o PT, optou pelo PV para concorrer a uma cadeira de deputada federal foi que este partido é o único, até agora, a ter como aspirante à presidência da República uma pessoa contrária à liberação do aborto, a senadora Marina Silva, que, como Bassuma e Rose, também abandonou o PT para ser “mantenedora de sonhos”.
Não conheço partido brasileiro relevante (entre os irrelevantes, e são tantos, se há algum, não sei, mas não importa, pela irrelevância política) que seja oficialmente a favor da descriminalização do aborto, a não ser o PT. É o único. E puniu Bassuma porque este é contra. PMDB, PSDB, DEM, PSB, PR, PP, PTB, PDT, pelo menos que eu saiba, não têm posição formal pela liberação do aborto. Mas, e os candidatos a presidente? Aí é que está o nó.
Conforme o presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Vida – contra o aborto”, dos quatro candidatos a presidente mais importantes, José Serra (PSDB), Dilma Roussef (PT), Ciro Gomes (PSB) e Marina Silva (PV), somente esta é contra a liberação do aborto. Luiz Bassuma afirmou saber que, “pessoalmente”, Dilma Rousseff, José Serra e Ciro Gomes são favoráveis à descriminalização.
Bem, isto poderia ser “pessoalmente” apenas se estivéssemos tratando de simples indivíduos, uma florista, um motorista de ônibus, um gari. Mas são três pré-candidatos importantes a presidente da República em plena pré-campanha para conquistar a mente do eleitor. A mídia não deve permitir, sob pena de traição a seu público, que continuem sem dar um piu a respeito do assunto, na mais costurada e colada boca de siri.
Isto é enganar o eleitor. Rousseff, Serra e Ciro Gomes – assim como Marina declara numa boa – devem ser intensamente cobrados a declarar publicamente, sem tergiversações, sua posição “pessoal” sobre o aborto, já que a posição pessoal de um eventual presidente da República, ainda que ele se omita, que nada declare ao público ou fale nos bastidores e ainda se abstenha de toda ação (comportamento extremamente improvável), pode ter influência relevante numa decisão, por exemplo, do Congresso Nacional a respeito. Pelo simples fato de saberem, os que vão decidir, que o presidente é “pessoalmente” a favor da liberação do aborto.
Vou adiante. O candidato a presidente pode, por esperteza, não revelar publicamente sua posição favorável, escondê-la para não se indispor com parcelas do eleitorado, para não ter a candidatura abortadamas após eleito e no poder, sair da sombra para trabalhar pela liberação do aborto, mais ou menos intensamente. Terá, assim, enganado o eleitorado. E a mídia será cúmplice, se não puser esses candidatos contra a parede para que digam a verdade.

set
28
Posted on 28-09-2009
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 28-09-2009

Deu na Tribuna da Bahia

Sobre a crise em Honduras o jornalista político Ivan de Carvalho assina o seguinte texto na edição desta segunda-feira, 29.

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Cerco na embaixada
Embaixada

OPINIÃO / HONDURAS

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Lula, Honduras e Cuba

Ivan de Carvalho

O presidente Lula desatou a qualificar, a cada oportunidade que lhe é dada ou consegue criar, o governo hondurenho presidido por Roberto Micheletti de “golpista”, aproveitando sempre para exigir a devolução da presidência a Manuel Zelaya, destituído do cargo na véspera de promover um plebiscito – considerado ilegal pelo Congresso e pela Corte Suprema – no qual pretendia que o eleitorado dissesse se ele deve ou não poder candidatar-se à reeleição.

Acontece que é cláusula pétrea (imutável) da Constituição de Honduras a impossibilidade de reeleição presidencial. E apesar do Congresso haver rejeitado o plebiscito e a Corte Suprema haver declarado sua inconstitucionalidade, o então presidente Zelaya dispunha-se a promovê-lo na marra. O que o tornou, constitucionalmente, destituível.

Isto seria ir muito além de Hugo Chávez, que pelo menos não tinha uma cláusula constitucional pétrea em seu caminho, mas a necessidade de uma mudança constitucional, para o que obteve aprovação de um Congresso no qual tem o domínio de 95 por cento dos congressistas, pois a oposição cometeu a tolice de boicotar as eleições parlamentares, em protesto contra as tropelias do ditador-presidente da Venezuela.

Bem, voltando a Honduras, assinale-se que o nosso presidente, além de xingar de golpistas Micheletti e seu governo, vive agora a exigir – e com ele fazem entusiástico coro o chanceler Celso Amorim e o esquisito assessor especial Marco Aurélio Garcia – a devolução do poder a Zelaya, que é “hóspede de nossa embaixada em Honduras”, conforme ontem Lula definiu o status do ex-presidente (asilado, abrigado, albergado ou hospedado, não dá para adivinhar) na Embaixada do Brasil.

Não vou ficar analisando essa patacoada nem a ridícula polêmica acerca da existência ou não de uma combinação prévia com o governo brasileiro para Zelaya ir para a embaixada brasileira. É claro que houve combinação – os unânimes sorrisos de felicidade flagrados em fotografia em que estão juntos Lula, Amorim e Garcia são, como anotou em seu blog o jornalista Augusto Nunes, um inequívoco sinal de “missão cumprida”. Se a chegada de Zelaya houvesse sido uma surpresa, assinala Augusto Nunes, Lula, Amorim e Garcia deveriam estar com “cara de preocupação”.

Lula disse ontem, na Venezuela, durante a 2ª Reunião de Cúpula dos Países da América do Sul e África, que a América do Sul “lutou muito para varrer para a lata de lixo da história as ditaduras militares de outrora” e que “não se pode permitir retrocessos desse tipo no continente”. Bem, Honduras não fica exatamente no tal continente referido, a América do Sul, mas na América Central. Talvez o presidente brasileiro esteja confundindo América Latina com América do Sul – é a única explicação que me ocorre no momento.

Mas, então, por que ele não inclui logo o Caribe na América do Sul? Assim traria Cuba para o raio da sua (dele, Lula) vigilância democrática – meu Deus, Chávez, o anfitrião, estava presente quando Lula disse aquelas coisas, e Chávez tem tido o comportamento de um golpista dissimulado (uma vez comandou uma tentativa dissimulada, mas frustrada, de golpe) e é um militar, um coronel. Que ofensa ao vizinho!…

Para que Lula trazer Cuba para a América do Sul, como trouxe Honduras? Ora, ora – para exigir democracia, presidente eleito no poder, liberdade, que está faltando lá até mais do que em Honduras, mesmo estando este país em situação de emergência.

Vejamos hoje, a partir de reportagem publicada no jornal “El País”, que naturalmente não é cubano, como o governo do amigo do peito Fidel Castro, exercido por delegação pelo irmão dele, Raul Castro (ditadura hereditária) trata a liberdade de informação há 50 anos. Em Cuba, toda a mídia tradicional (jornais, emissoras de rádio e televisão, revistas) é estatal ou do Partido Comunista, o que dá no mesmo. E a internet? Cuba tem o mais baixo índice de acesso à internet em todo o hemisfério ocidental. Os preços são artificialmente altos e são pagos em “pesos conversíveis”, usados quase que só por estrangeiros. Assim, impede-se o acesso a quase todos os cubanos. Mais: as conexões têm que ser aprovadas pelo Etecsa (provedor estatal). Uma comissão interministerial restringe (censura) e os provedores autorizados têm que impedir o acesso a conteúdos contrários “ao interesse social, à moral e bons costumes”. A censura política está no “interesse social”, no qual cabe tudo que desagrade o governo e o partido.

E o que diz Lula a respeito de Cuba, seu regime e seus dois ditadores? Lula fuma os charutos.

set
19
Posted on 19-09-2009
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 19-09-2009

Mandado de segurança: “Congresso omisso”
congresso

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OPINIÃO / DIREITOS


Congresso e governo atacam a sociedade

Ivan de Carvalho

Enquanto a mídia noticia e discute animadamente sobre a perspectiva de o Advogado Geral da União, José Dias Toffoli, vir a ser escolhido pelo presidente Lula para ocupar a vaga deixada no Supremo Tribunal Federal pelo ministro Carlos Alberto Direito, morto recentemente, faz um silêncio sepulcral sobre o golpe aplicado pelo Congresso e pelo presidente da República sobre um dos mais importantes instrumentos da cidadania, o mandado de segurança.

Não dá para entender como a mídia praticamente ignorou a elaboração e aprovação da Lei 12.016 de 2009 pelo Congresso e sua sanção, em agosto, pelo presidente da República e continua sendo incrivelmente discreta, agora, sobre a iniciativa do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil de ingressar – o que aconteceu ontem – com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) contra essa nova lei, que regulamenta os mandados de segurança individual e coletivo.

Assim é que o indivíduo e a sociedade brasileira são vergonhosamente surrupiados em seus direitos pelos agentes políticos – seja no Congresso, seja no comando do Poder Executivo – e a mídia (jornais, emissoras de rádio e televisão, revistas de circulação nacional) não cumprem sua função de informar as pessoas sobre o golpe que lhes está sendo aplicado. Isto merece a qualificação de uma traição, pois essas pessoas são leitores, ouvintes, telespectadores, portanto, o público que espera da mídia que o informe ao menos nas questões essenciais para sua própria vida e/ou para a nação.

Caso não queira a mídia aceitar a qualificação de alta traição à sua função básica e ao seu público, então terá que aceitar a única alternativa possível para a inaceitável e imperdoável omissão – incompetência absoluta da mídia brasileira. Especialmente daquela mídia mais poderosa que mantém intensa cobertura das atividades e inatividades do Congresso Nacional e da Presidência da República, com um monte de repórteres credenciados, comentaristas, analistas e suas bem nutridas sucursais em Brasília.

Nos meios especializados, quando a Lei 12.016/09 foi sancionada, no mês passado, chegou-se a dizer que ela criou algo como um “apartheid jurídico”, afirmação aceita e endossada pela OAB, que repete agora que a lei cria um “apartheid no Judiciário”. Não se trata, evidentemente, de um “apartheid” pela cor da pele, como existia em alguns países da África, especialmente na África do Sul, mas um “apartheid” econômico.

É que a lei citada estabelece que, caso haja valores pecuniários envolvidos na situação objeto do mandado de segurança, o magistrado poderá solicitar do impetrante um depósito caução ou fiança antes de conceder uma medida liminar. Isto significa que as pessoas que disponham de recursos podem depositar o valor em questão e pedir uma medida liminar, enquanto as pessoas economicamente desprovidas ou menos providas ficarão impedidas de se beneficiar – sempre que houver um valor pecuniário a depositar – do valioso e não raro essencial instrumento da medida liminar. No popular: pobre não tem vez. “O mandado de segurança vai ser só para os ricos”, comentou o presidente da OAB, Cezar Britto.

Este é o primeiro dos insultos à cidadania e ao direito individual e de grupos de indivíduos (mandados de segurança coletivos) que a nova lei perpetrou. O segundo diz respeito ao fato de ela restringir o acesso ao mandado de segurança, de vez que “ao disciplinar as hipóteses de cabimento do mandado de segurança, individual ou coletivo, o legislador não preservou a amplitude da ação de natureza constitucional”. Sustenta o presidente do Conselho Federal da OAB que a lei “apequenou” o mandado para aumentar a proteção ao poder público e a suas autoridades. Sustenta ele que a lei “apequenou” o mandado para aumentar a proteção ao poder público e a suas autoridades.

Na verdade, a lei é um avanço do predomínio do Estado sobre o indivíduo, matéria prima básica para a construção de qualquer autoritarismo.

O relator do processo no STF será o ministro Marco Aurélio Mello.

( Este artigo do foi publicado originalmente na Tribuna da Bahia, 16/9, na coluna política do jornalista Ivan de Carvalho)

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