Espanha: “o que aconteceu com o PSOE?”
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OPINIÃO POLÍTICA

A bagunça geral

Ivan de Carvalho

O problema que enfrento neste momento é o de colocar no espaço restrito de que disponho – e numa quantidade de linhas que alguém possa se dispor a ler – a bagunça geral em que está o planeta. Resolvi, para sair do impossível para o improvável, excluir todos os fenômenos naturais, considerando apenas os humanos. E, destes, excluindo os individuais, bem como os coletivos aparentemente secundários, mesmo sob o risco de as aparências enganarem, como lhes é habitual.

Creio que a bagunça geral, nos seus aspectos objetivos, pode ser vista em três fenômenos – a crise do sistema econômico-financeiro global; a “primavera árabe”, que já vai se tornando verão, acrescentando riscos extremos às suas iniciais promessas estimulantes (sinto menos entusiasmo com estas, porque frágeis, do que receio por aqueles, que são fortes e profundos); e os movimentos de opinião e manifestação popular que, por enquanto – e só por enquanto – espalham-se pela União Européia e os Estados Unidos, contestando o sistema, e, como já referido, pelo mundo árabe, combatendo o autoritarismo.

Nos últimos dias caíram os governos grego e italiano, sem eleições e mudança das forças políticas que governam esses países, e a “esquerda” espanhola sofreu sua maior derrota, enquanto a direita, sua maior vitória histórica após a restauração da democracia. A esquerda, o PSOE, estava no poder. Se estivesse na oposição, teria ganho e o PP, que venceu, se estivesse no governo teria perdido. Na França – uma economia mais sólida, mas com seus problemas – o presidente Sarkozy está em baixa e seu provável adversário nas eleições presidenciais do ano que vem, um aspirante sem nenhum carisma, mais desenxabido do que brócolis, lidera as pesquisas.

É a economia. A percepção de que os governos conduziram mal a crise e continuam assim é que está provocando as mudanças, estimuladas por mobilizações populares e protestos que já atingiram Grécia, Itália, Irlanda, Portugal, Espanha, França e Estados Unidos. Nos EUA, o presidente Obama está com a popularidade em baixa, a economia se recupera mais lentamente do que o governo, o mercado e o povo esperavam. Se as coisas não se complicarem um pouco mais na Europa, as consequências saltarão o Atlântico e dificilmente Obama renovará o mandato nas eleições do ano que vem. Há uma interação econômica e política enorme entre Estados Unidos e Europa, incluída nesta a Inglaterra, que também está em dificuldades, apesar de não pertencer à “zona do euro”.

Quanto à primavera árabe vai mudando para verão. É sua segunda fase. Enquanto a primeira fase dá um primeiro sinal no Kuwait e ainda se desenrola na Síria – onde os riscos fazem o que aconteceu e acontece na Líbia parecerem um jogo de frescobol – no Egito, um país-chave na região, começou a segunda fase. Os manifestantes voltaram à Praça Tahir. Sábado, domingo e ontem houve conflitos com a polícia, apoiada pelo Exército, o 12º do mundo. Cassetetes, gás lacrimogêneo.

O governo provisório indicado pelo Exército renunciou e espera nos postos a aceitação da renúncia pelo Exército, que indicará outro governo provisório. A chefe da área política da União Européia pediu ontem que a autoridade egípcia cesse a violência contra os manifestantes e mantenha as eleições parlamentares marcadas para sábado. O Exército quer porque quer, na futura Constituição, autonomia orçamentária e outras autonomias. Não quer ficar reduzido à impotência a que foi relegado o antes poderoso Exército do Irã. Há duas forças organizadas no Egito – o Exército e a Irmandade Muçulmana, que estava fora da lei, mas agora deverá ganhar as eleições. A queda de braço já está em curso.

Mas e nós brasileiros com tudo isso? Bem, se as coisas complicarem na Europa, nos EUA, no mundo árabe, alguém acha que não seremos afetados? Ficam falando em Olimpíadas, Copa do Mundo, novelas, “políticas públicas”, protagonismo e em todas as outras coisas do circo, mas é bom lembrar que temos eleições no ano que vem. E, principalmente, em 2014.

Falar nisso, o que aconteceu com o PSOE?


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OPINIÃO POLÍTICA

O caso Chalita

Ivan de Carvalho

O presidente Lula já avisou que quer conversar com Gabriel Chalita, presidente da seção municipal do PMDB de São Paulo.

Em 2008, Chalita, pela coligação PSDB-PHS, foi o vereador mais votado na capital paulista, com 102 mil votos. Em 2010, já no PSB, ele foi eleito deputado federal com a segunda maior votação, 560 mil votos. Em maio de 2011, deixou o PSB para atender a convite do vice-presidente da República, Michel Temer, ex-presidente nacional do PMDB e ex-presidente da Câmara dos Deputados.

O convite foi para ingressar no PMDB, assumir o controle e a presidência deste partido na capital paulista e tornar-se o candidato da legenda nas eleições do ano que vem para a prefeitura de São Paulo.

A prefeitura, que duas vezes já esteve nas mãos do PT – a primeira com Luiza Erundina, a segunda com Marta Suplicy – estará completando no fim do ano que vem oito anos fora do controle petista: um mandato dividido entre José Serra e Gilberto Kassab e outro exercido integralmente por este último político, que se elegeu pelo Democratas com apoio mal dissimulado dos serristas do PSDB, mas hoje é o principal responsável pelo PSD, que tomou a iniciativa de fundar.

O PT está fazendo tudo que pode para recuperar a prefeitura de São Paulo. Tanto pelo poder que essa prefeitura representa – o município de São Paulo tem o terceiro maior orçamento do país, atrás apenas da União e do Estado de São Paulo – como estratégia para tentar finalmente, em 2014, tomar dos tucanos, principal partido da oposição, seu principal baluarte, o governo paulista.

Realmente, se o PT, em 2012, recuperar a prefeitura paulistana e, nas eleições de 2014, conquistar mais uma vez a presidência da República e arrebatar das oposições o governo do Estado de São Paulo, tudo estará indicando que as oposições, já muito enfraquecidas hoje, poderão entrar em coma profundo e prolongado.

Daí a importância extraordinária que o PT, mesmo com todo o poder de que já desfruta hoje, vem dando à disputa pela prefeitura de São Paulo, a ponto de – principalmente por ação do ex-presidente Lula e da presidente Dilma Rousseff – obrigar os demais aspirantes petistas a desistirem, especialmente a senadora e ex-prefeita Marta Suplicy.

Somente o senador Suplicy, o bravo Dom Quixote brasileiro, ainda resiste, tentando o milagre de disputar com o candidato Fernando Haddad, ainda ministro da Educação, prévias que o comando petista tem como ponto de honra impedir que se realizem, levando a resistência a elas a um ponto nunca antes observado.

E o que tem com isso o peemedebista Gabriel Chalita? Lula quer conversar com ele para argumentar e pedir que desista da candidatura a prefeito e apóie o candidato que ele, Lula, escolheu para o PT, o ministro Haddad, que Dilma herdou do governo do ex-presidente, junto com vários outros ministros.

O PMDB sabe de todas essas coisas, mas aproveitou o seu tempo de propaganda partidária gratuita no rádio e na televisão, no fim de semana, para fazer uma campanha publicitária de lançamento de Chalita para o país. Na TV Chalita foi o astro, após o que Michel Temer aparecia rapidamente como que apenas para confirmar, com uma frase que incluía “governabilidade”.

A lei não permitia falar em eleições, em candidatura. Mas ficou claro do que se tratava. Depois do lançamento nacional, em grande estilo ainda que implícito, de um candidato a prefeito – que evidentemente se beneficia disso junto ao eleitorado paulistano – fica muito mais difícil para Lula e o PT pedirem a desistência da candidatura e muito menos difícil para o PMDB dizer não e começar a por em prática a estratégia de não continuar sendo caudatário de outro partido, conduta que levou ao coma talvez irreversível o PFL, depois DEM.


Ciro Gomes:de volta à raia e à polêmica
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OPINIÃO POLÍTICA

O tamanho da goela

Ivan de Carvalho

Depois de um retiro durante o qual certamente ruminou o veneno político que lhe serviu o ex-presidente Lula ao convencê-lo a mudar seu domicílio eleitoral do Ceará para São Paulo, o que o alijou das eleições de 2010, o ex-ministro, ex-governador do Ceará e ex-candidato a presidente da República duas vezes, Ciro Gomes, do PSB, está de volta.

Ciro, um político que preza polêmicas, cria mais uma no retorno, que formaliza com uma entrevista à Folha de S. Paulo e ao UOL. Nela, considera “natural” que “em algum momento” o PSB saia da base de sustentação político-eleitoral do governo petista de Dilma Rousseff e passe a ser, não mais um aliado, mas um concorrente do PT em nível nacional.

Antes de ingressar nos quadros do PSB, Ciro foi filiado ao PDS, PMDB, PSDB e PPS. E considera-se pronto para disputar concorrer pela terceira vez à Presidência da República. “Admito”, afirma. Questionado se o governador de Pernambuco e presidente do PSB, Eduardo Campos, seria o candidato mais forte à sucessão de Dilma Rousseff entre os partidos governistas, Ciro Gomes exercitou seu estilo franco e duro de dizer as coisas: “Hoje o mais forte ainda sou eu. Mas ele tem potencial para superar tranquilamente”.

O mais importante na entrevista de Ciro foi, no entanto, a abordagem do tema da hegemonia petista sobre os partidos da base do governo federal, comandado há quase nove anos – e com mais três anos e 40 dias a serem acrescentados – pelo PT.

Ciro acredita que o rompimento entre o PT e o PSB em âmbito nacional dependerá do que vai acontecer com sua legenda, que no momento “subalternizou-se”. Ele acha natural que o rompimento ocorra em algum momento, mas diz não saber se será mesmo em 2014, que – observação minha – seria o momento lógico.

Seria em 2014, dá ele a entender, “a não ser que o PSB comece a definhar. Mas o PSB vem crescendo. Crescendo vai contrastar (pode-se trocar o verbo por confrontar, sem prejuízo do sentido), nesse mesmo espaço, a hegemonia do PT. Na opinião de Ciro Gomes, o PT “já liquidou” o PC do B e o PDT. Vale notar que o PC do B teve recentemente demitido do Ministério do Esporte o comunista Orlando Silva, num episódio extremamente desgastante, enquanto o presidente licenciado e controlador de fato do PDT, Carlos Lupi, ministro do Trabalho e Emprego, está todo enrolado em denúncias e desfruta de uma suposta “sobrevida” concedida pela presidente Dilma Rousseff, do PT.

“Nós (o PSB) seremos o próximo”, afirma Ciro e vai adiante: diz que o PT, no governo federal, “cooptou tudo o que é sociedade civil organizada no Brasil. Tudo. Centrais sindicais, movimento estudantil, tá tudo dominado”. Novidade não é, mas estava faltando um político importante para proclamar isto com todas as letras. Este repórter só faria a exceção da OAB – por enquanto.

Ciro diz, sobre o PT, uma verdade evidente por si mesma: “O tamanho da goela não tem limite”.

O PMDB já percebe isto cada vez com mais clareza. Este partido discute internamente e conclui que se continuar sendo caudatário, mero apoiador, como nos últimos 17 anos, vai definhar. Seu destino será semelhante ao do PFL, agora DEM. Sinal desta compreensão, de que é preciso mostrar a cara nas eleições majoritárias, foi a cooptação do deputado Gabriel Chalita do PSB para o PMDB, com a missão de concorrer à prefeitura de São Paulo. Pois o PT, por intermédio do presidente Lula, vai tentar convencer Chalita (e o PMDB, em conseqüência) a desistir em favor de Haddad, o candidato do PT.

O tamanho da goela não tem limite.


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OPINIÃO POLÍTICA

Ex-mulher ataca prefeito

Ivan de Carvalho

O jornalismo político deve procurar restringir-se à coisa pública, desde que a coisa privada não a afete. Mas quando a afeta, principalmente se a afeta, a coisa privada torna-se inevitavelmente pública. Estes são princípios que a mídia séria leva em conta.

No caso que envolve o ex-primeiro casal de Salvador (o prefeito João Henrique e a ex-primeira dama, deputada Maria Luiza) o privado tornou-se público e esse público tornou-se formal por iniciativa da parlamentar, que ontem fez um discurso da tribuna da Assembléia Legislativa, no tempo cedido pela liderança da maioria, refutando os rumores de que teria traído o ex-marido e acusando-o de a haver traído, ainda no curso do matrimônio, com a subsecretária de Salvador, a médica Tatiana Paraíso. Esta, que era casada, teria desfeito o casamento para ficar com o prefeito.

A deputada Maria Luiza disse aceitar “o bloqueio da imprensa”, referindo-se ao fato de que se tratava de assunto privado. Na verdade, ela havia concedido uma entrevista exclusiva ao jornal A Tarde. Não se sabia ontem o exato teor da entrevista, mas que ela, entre outras coisas, desmentia “os boatos” – objeto, inclusive, de parte de uma nota na revista Época – de que teria um caso com alguém da Casa Militar do prefeito.

Maria Luiza esperou alguns dias por um desmentido do ex-marido sobre este suposto caso dela com o suposto amante lotado na Casa Militar, mas como nem o desmentido foi feito nem o jornal publicou sua entrevista, ela resolveu fazer o discurso de ontem. João Henrique e Maria Luiza estão separados há um mês. Antes disso, ela sugerira “um tempo” para os dois pensarem a relação e a retomarem em novas bases, mais harmoniosas. Quando voltou de uma viagem de uma semana, disse, encontrou uma situação consumada entre o prefeito e a subsecretária de Saúde. “Eu pedi um tempo e levei um susto”, atirou, no discurso.

Bem (se é que bem é uma palavra adequada). O casal tinha crises há tempo, como explicitou a deputada. Nos tempos em que o prefeito e Maria Luiza estavam no PMDB, os pacificadores eram Geddel Vieira Lima e seu irmão Lúcio Vieira Lima. Geddel aquietava o prefeito, Lúcio acalmava a primeira dama.

No circuito pacificador também entrava, às vezes, Ricardo Araújo, lotado no gabinete do prefeito e homem, ao que consta, de sua total confiança, além de vizinho de condomínio. Parece que quando deixaram o PMDB (primeiro, Maria Luiza, depois João Henrique), Ricardo Araújo, sozinho, não mais deu conta do recado.

Politicamente, as coisas podem ou não ficar bem para Maria Luiza, embora ela haja afirmado ontem, no discurso de pouco menos de oito minutos que encantou o plenário pelo novo e admirado lay-out da oradora, que não tem “pretensão” de candidatar-se a mandato eletivo algum e que “o futuro a Deus pertence”. Sendo assim, e possivelmente ignorando os desígnios divinos, quem sabe o futuro lhe reservará alguma candidatura a mandato eletivo…

Para o prefeito, ainda politicamente, o episódio não é bom. Não parece haver como reverter o estrago, embora superação seja um hábito de João Henrique. Também nada parece haver de bom no episódio para o PP e para seu possível candidato a prefeito, o deputado João Leão, chefe da Casa Civil da prefeitura da capital. Já o deputado Nelson Pelegrino, que vinha se enroscando todo nos braços do prefeito, deve agora estar em dúvida se esses braços lhe dão reforço ou um abraço de afogado.

Bem, mais desdobramentos virão.Por enquanto, a prioridade é a divisão dos bens do casal. Considerando que o povo deu a João Henrique o Palácio Thomé de Souza, situado na Cidade Alta, a lógica determina que à ex-primeira dama seja concedida a Cidade Baixa.


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Duas pessoas possivelmente com olhos de aves de rapina, que os têm de extrema eficiência, estão surpreendentemente se comportando como cegos em tiroteio. O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, do PDT, e o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, do PT.
1. O primeiro, de acordo com o noticiário, ouviu da presidente Dilma uma orientação no sentido de desafiar e confrontar a mídia, que vinha veiculando e levantando denúncias contra ele, mas num sintoma de que talvez esteja também com problemas de audição, mira na direção errada e lança desafio à autoridade da presidente da República, confrontando-a na medida em que diz que é “indestrutível”, que “a Dilma não vai me tirar” e que só sai do ministério “abatido por bala e bala forte”, porque ele, Lupi, é “pesadão”.
Caneta, assinatura da presidente, tudo isso seria uma futilidade. Mas um Colt 45, ah, aí vamos respeitar.
No entanto, ante outra bronca presidencial, desta vez por intermédio da ministra-chefe da Casa Civil, senadora licenciada Gleisi Hoffmann (que, como afirmam da presidente, também adoraria dar ou mesmo transmitir broncas), o ministro Lupi pede desculpas à presidente e faz uma declaração pública abrasadora (e abraçadora): “Presidenta, eu te amo”.
A nação aguarda, emocionada e ansiosa, o próximo capítulo.
2. Enquanto isso, também em Brasília, desenrola-se outra novela, com indicação de horário – como a anterior – para lá de meia noite. O personagem principal é o governador Agnelo Queiroz, que, como o ministro, emerge do meio de muitas denúncias. Ou submerge no meio delas, tanto faz.
Uma das denúncias é a de que, quando era, representando o PC do B, o dirigente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) – veja o leitor a responsabilidade da coisa, já que o órgão fiscaliza a qualidade de alimentos e medicamentos e os licencia, entre outras funções – teria recebido uma propina de R$ 50 mil. R$ 45 mil em dinheiro e mais uma transferência (a prova material) de R$ 5 mil, no dia 28 de janeiro de 2008, paga por Daniel Tavares, que trabalhava como lobista da União Química.
A Folha de S. Paulo de ontem conta uma história. Na quarta-feira da semana passada, Agnelo Queiroz, hoje do PT e governador de Brasília, disse que podia provar que fizera apenas um empréstimo pessoal de R$ 5 mil a Daniel Tavares e que este, com a transferência, pagara o empréstimo. A Folha questionou quais eram as provas que tinha, mas o governador do DF não respondeu. Depois, por meio de sua assessoria, voltou à versão anterior: “O que o governador disse é que, de modo geral, há provas de que ele fala a verdade”. Mas radicalizou: “A palavra de um governador de Estado já é, por si, uma prova”.
Ah, então prova mais forte é a palavra de um presidente da República. E, mais ainda, da República mais poderosa do planeta. No entanto, Richard Nixon renunciou à Presidência para não sofrer impeachment por haver mentido. O presidente francês Sarkozi chamou há dias o então primeiro ministro da Itália, Silvio Berlusconi, de “mentiroso”. E, para voltar ao Distrito Federal, quão indestrutíveis foram as provas representadas pela palavra dos então governadores Joaquim Roriz e José Roberto Arruda!
Até quando, ó Catilina, abusarás de nossa paciência?

nov
14


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OPINIÃO POLÍTICA

A República

Ivan de Carvalho

Amanhã comemora-se a Proclamação da República e como não estarei ocupando este espaço nesse dia de glória, em tempos tão “republicanos” como se tem proclamado (não estou fazendo trocadilhos, as aparências enganam), praticamente é uma obrigação festejar a data com antecipação.

Sei até que haverá alguns chamando-a de efeméride, mas aí já não será responsabilidade minha e sim desse belo e condescendente idioma de Camões, cada vez mais maltratado nas escolas e nos acordos ortográficos governamentais, nos quais são postos jamegões presidenciais.

Mas, bem, o propósito não é escrever sobre a escrita e a fala e sim sobre a República de um país no qual o principal partido político põe um dos seus mais destacados líderes para condenar a “luta moralista contra a corrupção”.

Ex-ministro-chefe da Casa Civil do ex-presidente Lula, deputado cassado por envolvimento no escândalo do Mensalão e réu no processo que corre no Supremo Tribunal Federal sobre o mesmo assunto e pode ser julgado no ano que vem, José Dirceu, passando de réu a acusador, responsabiliza a “luta moralista contra a corrupção” por algumas graças ou desgraças nacionais.

Falando em Brasília para centenas de militantes no 2º Congresso da Juventude do PT, Dirceu foi homenageado ou desagravado com uma camiseta em que aparece sua imagem e duas inscrições, “Contra o golpe das elites” e “inocente”.

Assim prossegue uma das últimas fases do processo político de reabilitação de José Dirceu, que recentemente teve fase anterior com o lançamento de um livro seu em quatro capitais – a última delas, Salvador, coincidindo, na Bahia, com um Encontro Estadual do PT para que houvesse sinergia entre os dois atos. Dirceu havia sofrido expurgo, contra a vontade do PT, mas imolado à expectativa então vigilante da sociedade, que tornou insustentáveis sua permanência como ministro-chefe da Casa Civil do presidente Lula e seu mandato de deputado federal.

É evidente que esta vigilância da sociedade esgarçou-se, já não é a mesma daquela época, ano de 2005, evolução (ou involução) que permite ao Dirceu atacar a “luta moralista contra a corrupção”, que tem se expressado por meio das denúncias veiculadas ou produzidas pela mídia e por iniciativas das quais a mais interessante é o Movimento Contra a Corrupção (MCC), que tem organizado marchas de protesto contra a esbodegação moral que está aí devorando o dinheiro arrancado pelo Estado aos contribuintes com incrível e crescente voracidade. Além de ilimitada, como já se antecipou.

De acordo com o ex-presidente Lula, a ênfase na moralidade é uma coisa da “direita”, começando pela UDN (antiga e extinta União Democrática Nacional, que mantinha uma luta sem tréguas contra a maneira de muitas autoridades usarem o dinheiro dos contribuintes), uma conspiração das elites. Dirceu aperfeiçoou essa doutrina “republicana”, enriquecendo-a com exemplos: a “luta moralista contra a corrupção” já produziu a renúncia de Jânio Quadros e o impeachment de Collor.

Jânio elegeu-se com uma vassoura nas mãos (ou na lapela de seus eleitores) e renunciou por causa de “forças terríveis”, na verdade uma vontade terrível de ser chamado de volta com a oferta de super-poderes. Quanto a Collor, prometeu caçar marajás, mas seu impeachment deveu-se exatamente a uma “luta moralista contra a corrupção” – fenômeno que Dirceu condena – ainda que muitos dos que dela participaram dispunham-se a praticar a corrupção quando encontrassem oportunidades. E encontraram, pelo que se tem visto, inclusive ao longo deste ano e pouco antes dele começar.

Mas, de qualquer modo, viva a República no seu dia, mesmo que ainda não seja muito pública.

nov
12


Chalita:o enigma em São Paulo
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OPINIÃO POLÍTICA

Estratégia em xeque

Ivan de Carvalho

O ex-presidente Lula, que já pacificou o PT em torno da candidatura do ministro da Educação, Fernando Haddad, para a prefeitura de São Paulo (praticamente forçou, com apelos irrecusáveis sentimental e politicamente, os demais aspirantes petistas a desistirem), deverá partir agora para tentar levar o PMDB a desistir da candidatura do deputado Gabriel Chalita à sucessão do prefeito Gilberto Kassab.
Da mesma forma que contou com a ajuda da presidente Dilma Rousseff para afastar os obstáculos petistas à unidade petista em torno de Haddad – um ministro da Educação no mínimo muito polêmico –, o ex-presidente, também ajudado pelo fator emocional criado com o câncer na laringe, poderá contar com o auxílio da presidente Dilma Rousseff no esforço para convencer Chalita e o PMDB.
Trata-se de um caso em que Dilma Rousseff só pode atuar com extrema cautela, pois não estará se movendo dentro de seu partido, o PT, mas para truncar, mais que um objetivo, uma estratégia do PMDB, principal e mais essencial partido aliado, de ganhar autonomia eleitoral, deixando de ser caudatário. É o que o PMDB tem sido, primeiro do PSDB, nos tempos da presidência de Fernando Henrique Cardoso e depois do PT, sob a presidência de Lula, especialmente em seu segundo mandato. E agora sob o governo Dilma Rousseff.
Depois da morte do ex-governador e ex-senador Orestes Quércia, que controlava a seção paulista do partido, o PMDB planejou voltar a ser protagonista em São Paulo. Isto pretende ser um dos pontos principais de voltar ao protagonismo (uma das palavras postas em uso pelo PT e adjacências e que peço licença para tomar emprestada), mediante o lançamento de candidatos próprios nas eleições, quando e onde isto for possível.

O PMDB foi tomando gradualmente, desde o início do governo Dilma Rousseff, ou até desde um pouco antes, ao ver o resultado das urnas de 2010, consciência de que continuar caudatário – especialmente do PT, que tem evidentes pretensões hegemônicas – o levará no final da estrada ao mesmo destino do PFL, que se manteve atrelado ao PSDB por demasiado tempo e está, em conseqüência, quase extinto. Essa consciência no PMDB está atualmente já em fase avançada de consolidação.

O PMDB, dando curso à estratégia de retorno ao protagonismo que já teve no passado (embora sem a pretensão da hegemonia de que chegou a desfrutar outrora), marcou a eleição na capital paulista como uma vitrina na qual poderia exibir seus novos propósitos de autonomia eleitoral, de voltar a crescer. No ano que vem, a capital paulista é a melhor vitrina e é também esta a que o PT marcou como sua batalha maior, seu ponto de honra.
O município de São Paulo tem o terceiro orçamento público do país (atrás apenas da União e do Estado de São Paulo), é a maior cidade, a mais rica e a que tem mais eleitores. E é capital do principal Estado da Federação. Em síntese, é “a vitrina”. Daí que o PMDB foi buscar no prestigiado PSB o deputado Gabriel Chalita, oferecendo-lhe a candidatura a prefeito. Chalita aceitou.

Lula já mandou avisar que quer conversar com ele sobre as eleições para a prefeitura de São Paulo. Implicitamente, o recado significa que o ex-presidente vai pedir que ele se retire da disputa com o argumento de que é para unificar (em torno de um petista, claro, o ministro Haddad) as forças ligadas ao governo federal contra Kassab (o prefeito fundador do PSD, um partido que se declara independente e não integra formalmente a base do governo federal, mas a este não se tem oposto) e contra o PSDB-DEM.
Será uma decisão difícil para o PMDB e para Chalita, que certamente tem compromisso com o partido.


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OPINIÃO POLÍTICA

De urubus e colibris

Ivan de Carvalho

Em algum dia desta semana fiz referência, neste espaço, ao personagem Urubulino, de Chico Anísio, aquele que perguntava como estava uma pessoa e, com indução tendenciosa a respostas supostamente preocupantes sobre a saúde da vítima, dava o diagnóstico aterrorizante: “Brocotó”.
O relacionamento entre a presidente Dilma Rousseff e seu ministério faz lembrar Urubulino, pois está como o céu de Salvador nesses dias de chuva – mais pra urubu do que pra colibri.
O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, presidente nacional licenciado do PDT, atrapalhado com denúncias de corrupção em sua pasta, declara que só sai do cargo “abatido à bala” e avisa que tem de ser “bala forte, porque sou pesadão”. Esquece que o pesado cai mais depressa que o leve (assim o determina a Lei da Gravidade) e que as palavras podem ter força maior que a de balas, principalmente contra quem as diz, se são mal usadas ou simplesmente bobagens.
Aí a presidente da República chama a chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, e manda-a enquadrar o trabalhoso ministro. Gleisi cumpre a missão com uma maestria nunca antes vista neste governo. A tal ponto que Lupi abandona as idéias de batalha e as teorias balísticas.
Rapidamente, o ministro Lupi descarta o seu lado urubulino e assume seu lado colibri. Faz uma declaração pública de amor à presidente. Contou que foi pedir desculpas à presidente e completou: “Presidente Dilma, desculpe se fui agressivo, não foi minha intenção: eu te amo”.
Parece que a presidente não se comoveu com a declaração de amor e até deixou claro que não está disponível para cantadas de seu auxiliar pesadão. Quem gosta de peso é guindaste. Questionada pelos jornalistas, disparou: “Vocês acreditam mesmo que eu vou responder nessa altura do campeonato? Me desculpa”. O “me desculpa”, por não responder, foi para o jornalista, não para o ministro.
O jornalista certamente a desculpou, afinal ninguém deve ser obrigado a responder a todas as perguntas que lhe façam, mas estas duas respostas a presidente ficou devendo à nação. Primeira: que campeonato? Segunda: afinal, a questão é de interesse público, o ministro fizera o que pareceu um desafio, depois pediu desculpas e fez uma declaração de amor e o país lamenta não ter obtido a réplica formal da presidente nessa novela de Tapas e Beijos – estes últimos, pelo visto, unilaterais.
Mas a unilateralidade foi exatamente o que não prevaleceu na festa do 53º aniversário do governador do Distrito Federal, o petista Agnelo Queiroz. Na comemoração, na Churrascaria Pampas, compareceu para um amoroso e correspondido abraço o líder petista José Dirceu, que já está plenamente reabilitado após o temporário expurgo provocado pelo escândalo do Mensalão.
O governador Agnelo Queiroz, embora esteja enroladíssimo com denúncias que o atingem diretamente, depois do abraço consagrador de Dirceu na quarta-feira, teve ontem mais um dia feliz. A Câmara Legislativa do Distrito Federal, por decisão de seu presidente, arquivou os cinco pedidos de impeachment que haviam sido protocolados na véspera. Um pelo PSDB do DF, outro pelo DEM do DF, ambos sob alegação de que só pessoas físicas podiam pedir o impeachment. O presidente do PSDB do DF, que fez seu próprio pedido como pessoa física, teve-o arquivado por não haver juntado cópia do título de eleitor, como manda a lei. O presidente do DEM juntou cópia do seu título de eleitor, mas seu pedido de impeachment feito como pessoa física foi arquivado sob a alegação de que não apresentava “fatos novos” e porque a investigação deveria ser feita em “outras instâncias, como na Justiça, como está acontecendo”, o que é muito cínico e não tem fundamento. Um advogado que também entrou com pedido de impeachment não teve melhor sorte.

nov
10
Posted on 10-11-2011
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 10-11-2011


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OPINIÃO POLÍTICA
O estranho caso Lupi

Ivan de Carvalho

Não me parece, mas não dou garantias do contrário, que o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, presidente nacional licenciado do PDT, esteja sugerindo a adoção e aplicação da pena de morte para por fuzilamento, o “paredon” cubano, nem tampouco pela bala solitária na nuca, à mais econômica moda chinesa. Aliás, a custo zero, pois a família do executado é obrigada a pagar ao governo o valor da bala, que é neutra.
Também não me parece, mas não dou garantias em contrário, que ele esteja propondo mudança radical no método de exoneração dos ministros de estado, com a substituição da caneta pelo trabuco e da assinatura presidencial por uma bala. Sabe toda a nação que a presidente da República já foi guerrilheira, envolvida na luta armada contra o regime militar iniciado em 1964, foi presa e torturada, mas não participou de ações armadas, pois atuava na área de planejamento e organização.
Mas então qual a razão dessa linguagem de cowboy que ele usou na terça-feira, assegurando que a presidente Dilma Rousseff não deverá demiti-lo porque o conhece há trinta anos? Não foi exatamente isso que deixou perplexo do núcleo do governo, mas os acréscimos, pois Lupi julgou-se no dever de acrescentar que não deverá deixar o cargo nem mesmo na reforma ministerial a ser feita no primeiro trimestre do ano que vem e acrescentou: “Para me tirar só abatido à bala – e precisa ser bala forte, porque eu sou pesadão”.
Por força da Lei da Gravidade, quanto mais pesado o corpo, maior a velocidade da queda (a matéria atrai a matéria na razão direta da massa e na razão inversa do quadrado da distância) e mais estrondoso o tombo, a não ser quando este se dá em algum lamaçal, por exemplo, que com sua capacidade de absorção atenua o ruído.
Bem, por enquanto o ministro do Trabalho e Emprego, que tem, de fato, não a unanimidade nem o consenso, mas o controle do PDT, equilibra-se numa observação do procurador geral da República, Roberto Gurgel, de que não há consistência suficiente nas denúncias feitas contra ele que justifiquem alguma iniciativa do Ministério Público Federal. Alguns integrantes do PDT haviam pedido que a Procuradoria Geral da República e a Polícia Federal investiguem denúncias de corrupção, em convênios celebrados com ONGs, no ministério de Lupi. Ontem, o Movimento de Resistência Leonel Brizola entrou com um pedido de investigação na Procuradoria Geral da República e na Controladoria Geral da União.
A reação do ministro Lupi a essas estocadas políticas e à hipótese de sua exoneração causou tensão no núcleo do governo, pois foi ostensivamente provocativa. Praticamente ele determinou, em público, o que a presidente Dilma Rousseff vai fazer ou não vai fazer e, dizendo que para tirá-lo do cargo, só à bala, faz a não muito sutil sugestão de que sua saída significaria um tiroteio.
Aliás, isso ficou extremamente claro na terça-feira, véspera da votação, na Câmara dos Deputados, da Desvinculação de Receitas da União (DRU), cuja aprovação o governo considerava essencial. A margem de vantagem governista para essa proposta, pelas contas oficiais, era bem modesta. O PDT tem 26 deputados federais. Se o partido fechasse questão contra a DRU, as contas do governo não lhe dariam a menor segurança de aprovar a proposta. A maioria da bancada do PDT ficou com Lupi e, na reunião de terça-feira, decidiu que se Lupi sair do ministério, o PDT sai da base de apoio do governo no Congresso.
Xeque-mate. Lupi continua ministro. Mas não significa que não haja outra partida de xadrez, com resultado diferente. Talvez nessa perspectiva, o blog da presidente Dilma já fez o primeiro movimento: incluiu as declarações balísticas do ministro Lupi. Não seria feito sem ela saber previamente. A presidente passou recibo.

nov
09


Salvador em dia de chuva: Img.Facebook
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OPINIÃO POLÍTICA

Imobilidade e insegurança

Ivan de Carvalho

Bem, o tema a ser abordado aqui hoje havia sido escolhido desde a noite de segunda-feira, quando escrevia sobre o problema do ministro do Trabalho e Emprego e presidente licenciado do PDT, Carlos Lupi, ou, melhor dizendo, sobre o problema da nação com ele, a partir da chuva de denúncias que caiu sobre o seu ministério.
A idéia era a de protestar, hoje, contra atitude do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, do PT. Ora, nós já tínhamos uma excelente lista de ministros exonerados sob acusações de corrupção, ou “malfeitos”, na novilíngua oficial. Já eram cinco – Antonio Palocci, petista da Casa Civil, Alfredo Nascimento, republicano dos Transportes, Wagner Rossi e Pedro Novais, peemedebista da Agricultura e do Turismo, Orlando Silva, comunista do Esporte.
Erenice Guerra, que fora por motivos assemelhados demitida da Casa Civil, não conta, por haver isto acontecido ainda no governo Lula, refratário a demitir ministros que praticassem “malfeitos”, salvo em casos extremos, a exemplos de Mensalão e campanha para eleição presidencial. Então Erenice não conta, como não conta Nelson Jobim, demitido da Defesa, este porque as razões da saída foram outras que nada tinham a ver com os tais “malfeitos”.

Ora, havendo já cinco na lista, claro que se esperava que o número fosse arredondado para meia dúzia, ao que se esperava chegar com Carlos Lupi, do Trabalho e Emprego. Mas então vem um intrometido, o governador Agnelo Queiroz, fazendo todo o possível para se inserir nessa brilhante lista negra. Acho um absurdo, uma insolência – ele devia aguardar a vez dele. Ordem é fundamental. Está até na bandeira.
Mas deixa prá lá, que outro tema se impõe. A chuva que desabou sobre Salvador, mais forte que a chuva de denúncias sobre o Ministério do Trabalho e Emprego, os outros que o precederam no mesmo infortúnio e sobre o governador do Distrito Federal.
Aqui, a chuva estava prevista pela meteorologia e não se fez de rogada. O resultado foi, durante toda a manhã, das 7 às 11 horas – talvez 12 horas em algumas partes da cidade – uma aliança espantosa entre a imobilidade urbana e a insegurança pública.
É verdade que, com o prefeito João Henrique em Brasília, o secretário Gordilho pediu que as pessoas ficassem em casa, saindo apenas em caso de extrema necessidade. Mas, infelizmente, naquele momento elas já estavam nas ruas e avenidas, não sendo possível evaporar. Quanto aos ladrões, eles foram às ruas atendendo exatamente à extrema necessidade deles, que é, naturalmente, roubar. E o fizeram com competência, praticando arrastões nos engarrafamentos, em vários pontos da cidade. Quanto à polícia, parece haver atendido escrupulosamente, com admirável espírito cooperativo (nada a ver com espírito corporativo), ao apelo do secretário Gordilho. Quanto às sinaleiras – semáforos para os íntimos delas –, certamente notando a imobilidade geral, apagaram-se. De que adiantaria ficar sinalizando, se ninguém podia obedecer? Seria desmoralizante.
A meteorologia prevê para hoje e amanhã mais chuvas do que ontem. Discute-se na prefeitura suspender o funcionamento das escolas municipais, pelo menos, mas não está afastada uma medida mais ampla. Decretar feriado em Salvador, invocando situação de emergência, não é uma coisa provável. Talvez por medo – se vier um vento forte e malcriado, levar as nuvens embora, impedir a chuva, com que cara iria ficar (para não falar do serviço de meteorologia) quem assina o documento decretando feriado?
Se publicado um decreto de feriado na capital, quem o assinou ficaria dividido entre a torcida para a chuva não vir arrasar a cidade e a torcida para que ela não falhe, desmoralizando seu decreto.

Sinuca de bico.

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