Chomsky:ajuda para entender escândalo do BBB 12

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OPINIÃO POLÍTICA

O esperto caso Big Brother

Ivan de Carvalho

Na manhã de domingo, dia 15, aconteceu no programa Big Brother Brasil 12 o que se tem apresentado como a prática supostamente subreptícia (sob um edredom) do ato sexual entre os então participantes Daniel, um modelo, e Monique, administradora de profissão.

No início, ambos atores estavam conscientes e determinados a trocar carícias íntimas sem restrição. Mas houve, pelas imagens captadas pelas câmeras do Big Brother, a suspeita de que Monique, devido a excesso de álcool, se houvesse abandonado não só aos braços de Daniel, mas também aos de Morfeu, o deus do sono. Foi o que ela pareceu deixar claro em suas primeiras declarações sobre o episódio, dizendo que nada lembrava da melhor parte.

No entanto, os sinais sonoros sugerem que ela não estava desacordada durante o ato sexual, supondo-se que quem está dormindo não geme, o que não é certamente comum, mas não chega a ser impossível. Depende da profundidade do sono, creio, mas não sou um especialista em sono de origem alcoólica. No entanto, se Monique estava inconsciente, isso faria de Daniel um suspeito de estupro de vulnerável.

Aliás, está anunciado que o Ministério das Comunicações e o Ministério Público, junto com a polícia, vão apurar as coisas. E Monique rapidamente já desdisse o que dissera inicialmente. Afirmou à polícia que estava plenamente consciente o tempo todo, que não houve abuso sexual, o que transforma o suposto estupro de vulnerável em ato sexual consensual de maiores, restando apenas a hipótese do crime tipificado no artigo 234 do Código Penal (com pena de seis meses a dois anos, ou multa) e cuja vítima seria exatamente o público: “Fazer, importar, exportar, adquirir ou ter sob sua guarda, para fim de comércio, de distribuição ou de exposição pública, escrito, desenho, pintura, estampa ou qualquer objeto obsceno”.

Conforme o parágrafo único deste artigo, item II, incorre na mesma pena quem “realiza, em lugar público ou acessível ao público, representação teatral, ou exibição cinematográfica de caráter obsceno, ou qualquer outro espetáculo, que tenha o mesmo caráter”. Bem, esta é a lei, que não cita programas de televisão porque o Código Penal é de 1940. Aliás, o item III do mesmo artigo fala em “rádio, audição ou recitação de caráter obsceno”. Rádio, mas não havia televisão, audição, mas não imagem, salvo a cinematográfica.

Talvez os meus poucos leitores queiram saber porque estou escrevendo sobre este assunto. Bem, é que desde a manhã do dia 15, o domingo da semana passada, quando o evento ocorreu, este tem sido provavelmente o assunto mais comentado e discutido do país. Menos pelas elites que realmente decidem e por mais uns gatos pingados que perceberam logo a palhaçada televisiva.

Noam Chomsky é um linguista, filósofo e ativista americano, rotulado de “esquerda”, professor de Linguística do Instituto de Tecnologia de Massachusetts. Isso não importa. Importa o seu decálogo “10 Estratégias de Manipulação” através da mídia. A primeira delas, a mais importante, é a Estratégia da Distração: “O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração, que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distrações e de informações insignificantes.

A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir o público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais”.

E de volta ao BBB 12.


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OPINIÃO POLÍTICA

Coisas do Brasil

Ivan de Carvalho

Foi ontem um dia cheio de novidades, tanto relacionadas com o país quanto com o mundo. Daí valer que as primeiras linhas neste espaço se refiram a um fato relativo tanto ao mundo quanto ao Brasil em particular e que, se aqui não entra pela importância, ganha espaço pela surpresa e pelo caráter quase inacreditável do fato.

É que exatamente quando o Brasil alcança a posição de sexta maior economia do planeta, ultrapassando o Reino Unido, Dilma Rousseff quebra a tradição da presença de presidentes brasileiros no Fórum Econômico Mundial, que anualmente, sempre em janeiro, se realiza em Davos, na Suiça, fórum que não é o Clube do Bolinha e no qual têm trânsito livre tanto homens quanto mulheres, melhor dizendo, tanto presidentes quanto presidentas. Lá, pelo menos este tipo de preconceito não há.

A informação é de Mônica Bérgamo, da Folha de S. Paulo, mas o que causa ainda maior surpresa é a revelação, também, da ausência do governador paulista Geraldo Alckmin, que sequer enviará um representante de seu estado. Uma das justificativas entre os alquimistas (ou alckmistas, talvez) para a ausência tanto do governador quanto de um representante paulista é a de que ele quer economizar para o tesouro estadual os custos da viagem.

Ora, já foi o tempo em que o grande presidente Juscelino Kubitscheck dizia que “governar é abrir estradas”. No mundo globalizado de hoje, as estradas já estão aí, segundo as necessidades, por terra, mar e ar. Portanto, “governar é viajar”, frase que o governador Jaques Wagner ainda não disse, talvez para não correr o risco de proclamar o óbvio, talvez porque, no caso, prefere as realizações materiais às imateriais.

Mas tenho a impressão de que o Fórum Econômico Mundial pegou assim uma fama de coisa de rico e a ele vem se antepondo o esmulambado Fórum Social Mundial, invenção marginal (à margem do núcleo, bem entendido) brasileira. O presidente Lula procurava sempre um jeitinho de comparecer aos dois, a um para supostamente projetar o Brasil dentro do Brasil (lá fora, quem ligava?), ao outro para projetar a si mesmo entre os organizadores e participantes.

Para encerrar esse assunto, devo dizer da minha impressão de que, tanto Dilma quanto Alckmin não querem desfilar em Davos porque é o fórum grã-fino e este é um ano de eleições, nas quais mais vale o voto do povão. Economizar as passagens?! Ora, conta uma piada melhor.

Mas fatos que valem piada estão acontecendo mesmo é no Senado. Uma servidora da Secretaria Geral da Mesa usava sandálias (se soubesse onde pisava, usaria botas de cano alto, para se proteger também das cobras) quando foi atacada por um rato. Aconteceu na quarta-feira, ela foi atendida no Serviço Médico e, de licença, está sob observação (não se informou se o rato também está sendo observado, nem se foi capturado, mas pela lógica escapou ileso sem pedir licença).

Foi determinada uma desratização e dedetização nos setores da Secretaria Geral da Mesa Diretora e da Secretaria do Congresso. Esses dois lugares são repletos de documentos e livros e, como se sabe, roedores gostam dessas coisas. Até existem os conhecidos “ratos de livraria”.

Mas há relatos de que os ratos podem ser vistos em outros locais do Senado Federal. E não só ratos compõem a fauna do Senado. Em 2009, o serviço de prevenção de acidentes foi chamado para exterminar uma colméia de abelhas no gabinete do senador Álvaro Dias. Dois funcionários foram picados e saíram idem. A presença de escorpiões é freqüente.

Já foi encontrada uma família de saruês. Eles são uma espécie de gambás. Com aquele poder odorífero avassalador. Um funcionário do Senado considerado sensitivo por alguns colegas comentou, na ocasião, que o mais velho dos saruês emitiu mensagem telepática por ele captada: “Quando todos cheiram mal, ninguém fede”. A frase filosófica, o saruê deve ter encontrado nas proximidades, fuçando em algum livro sobre seu autor, São Bernardo.

jan
13
Posted on 13-01-2012
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 13-01-2012


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OPINIÃO POLÍTICA

A Lavagem do Bonfim

Ivan de Carvalho

A Lavagem do Bonfim tem 1001 utilidades. Claro que não é o caso de produzir uma relação, nem este espaço seria suficiente à enfadonha tentativa, mas há validade em pinçar uma ou outra, quase a esmo.

Vamos começar pelos animais, jegues, cavalos, sempre nobre presença nos cortejos. Este ano a coisa havia ficado ruça. Uma decisão judicial liminar havia proibido que eles participassem, cerceando-lhes o direito de vir para a Conceição da Praia e ir para a colina do Bonfim, sob a alegação de que assim estariam protegidos contra não sei o que. O calor, talvez.

Mas, droga, no interior da Bahia os jegues que ainda existem – aqueles que não foram abatidos para o consumo humano de sua carne (não faça o leitor cara feia, os chineses servem cachorros em restaurantes grã-finos de lá) – sobem e descem serras ou percorrem a caatinga, sob sol inclemente e debaixo de uma cangalha que permite pendurar neles todos as cargas que seus donos avaliam que são capazes de carregar. Colaboram com eles burros e mulas.

Quanto aos cavalos, ainda constituem um meio de transporte relevante na área rural, onde as estradas de rodagem são escassas ou não existem, e além dessa tarefa de transportar os cavaleiros, servem-lhes de instrumento de lazer, geralmente sob chibata e espora. Isso sem falar nos hipódromos, onde têm a honra de correr muito para encher os bolsos de seus donos e de divertir um público de fina estampa. E ainda não surgiu uma decisão judicial (nem, que eu saiba, mera provocação à Justiça) proibindo as corridas de cavalos e determinando a extinção dos hipódromos. Mas se quis negar a jegues, cavalos e burros o direito de participar da Lavagem do Bonfim, com o que, mesmo inconscientemente, têm a oportunidade de reverenciar o dono da festa.

A presidente do Tribunal de Justiça, Telma Brito, atendendo a ação do Município de Salvador, na noite de quarta-feira cassou a liminar, acertadamente liberando os já citados animais e outros que eventualmente se apresentassem, suponho, a se integrarem no cortejo. Que, aliás, bem precisaria, a julgar pela avaliação do ex-ministro Geddel Vieira Lima, para quem “este ano, as ruas estão vazias”, completando: “Não sei se as pessoas estão com medo de sair de casa. Acho que elas estão se sentindo inseguras e, por isso, deixaram de vir para a Lavagem”.

Geddel, claro, criticava a insegurança pública no cotidiano da cidade, embora o governo haja posto 2600 policiais no trajeto do cortejo. Mas jegues, burros e cavalos não têm, pelo menos em tese, medo de bandidos nem pivetes e não foi por isso que eles não marcaram presença. Nem por estarem impedidos por decisão judicial liminar, que já fora derrubada. E muito menos pela alegação da Federação Baiana de Entidades Ambientalistas Defensoras dos Animais. Sua presidente, Ana Rita Tavares (ela não reivindicou ser chamada de presidenta), apesar da cassação da liminar, disse que “o mais importante é que a população já está conscientizada sobre a importância do cuidado com esses animais”. Só com esses? E os outros? As baratas… monges budistas não matam baratas, nem formigas, nem mosquitos da dengue. Foi animal, tá salvo. Vegetal, aí tem conversa.

Mas, voltando aos jegues, burros e cavalos, a mim parece que a verdadeira razão de não estarem na lavagem é que a liminar proibitiva fez com que tudo se organizasse para ser sem eles. Como a decisão permissiva ocorreu apenas horas antes do início da lavagem, não havia mais como inserir a bicharada, melhor dizendo, os animais.

A não ser que saíssem fazendo um arrastão para incluir no cortejo todos os cães vadios e gatos de janela que achassem pelo caminho. Mas certamente não o fizerem por entenderem que isso tiraria a paz do cortejo – misturar cães e gatos seria pior que a mistura política a que o cortejo já está adaptado há décadas.


Eliana: sem trocar verdades e deveres
por concessões e conivências.

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OPINIÃO POLÍTICA

Memórias do Natal

Ivan de Carvalho

No Painel, da Folha de S. Paulo, Renata Lo Prete escreve o seguinte: “As mesmas vozes do bom senso, minoritárias na atual conjuntura, ponderam que a corregedora nacional de Justiça contribuiu, com palavras e gestos, para a situação de asfixia em que se encontra. Eliana, observam essas pessoas, enfrenta dificuldades até entre os conselheiros do CNJ. Sem alguma negociação, a cada dia mais difícil, ela ganhará a batalha da opinião pública, sem dúvida, mas não conseguirá dar mais um passo.”

Bem, acabamos de viver o Natal. O que traz a alguns a lembrança do nascimento e da história de vida, morte e ressurreição de Jesus. Um bom motivo para perguntar se ele negociou com o Sinédrio, se deixou de expulsar os mercadores do Templo ou se chegou a algum acordo com Pôncio Pilatos, trocando verdades e deveres por concessões e conivências.

Sei que todos que conhecem a história de Jesus sabem qual a resposta a essa pergunta. E tenho a impressão que Ele, como Renata Lo Prete prevê no caso de Eliana Calmon, ganhou a batalha da opinião pública. Isso fez uma grande diferença.

Mesmo que na batalha da opinião pública a vitória não haja sido total. Mas o próprio Jesus já sabia que seria assim, o Novo Testamento deixa isso evidente. A vitória completa não seria mesmo a da opinião pública, pois que de qualidade e não de quantidade, mas a vitória na “batalha da opinião pública”, ainda que parcial, seria e será fator importante para a vitória final, a da mudança, que só chegará ao completar-se, no seu tempo, que não tarda, o drama ainda em curso.

Mas já que do Conselho Nacional de Justiça passamos ao Natal, cumpre expressar uma observação que há anos já se tornou um clichê, um lugar comum. Salvo nos templos cristãos, na transmissão da “missa do galo” pela televisão e em mais alguns lugares discretos e privilegiados, às vezes secretos para evitar perseguições, esqueceu-se o Dono do Natal, miseravelmente trocado por um “simpático” velhinho barbudo com um saco enorme, cheio de atrativos com que a indústria e o comércio desviam do Aniversariante o coração das crianças e até a atenção dos adultos.

Ah, sim, comemorei o Natal em companhia de umas 15 a 20 pessoas, além de um cachorro e um papagaio. Respeitoso, o papagaio não disse nenhuma bobagem, aliás, ficou em total silêncio, ainda que não seja mudo. Também silente, talvez meditativo, quedou-se o cachorro.

As pessoas estavam alegres. Trocaram presentes (sem se darem ao trabalho de lembrar a razão profunda dessa atitude), abraços e beijos, beberam moderadamente, conversaram, mas o Natal nem o Dono dele foram assunto em momento algum. Uma delas tocou violão, duas cantaram, outras tentaram acompanhar, nenhuma música tinha referência com o Natal ou o Aniversariante. Entre as canções, umas três ou quatro de Roberto Carlos, mas nenhuma daqueles em que ele fala Nele. Nenhuma rejeição, apenas esquecimento.

Dois de meus netos, crianças, estavam presentes. Havia um mural com desenhos/pinturas deles e de uma prima sobre o Natal. Papai Noel estava em destaque em 90 por cento dos “quadros”, em 80 por cento com o saco e em alguns com o acréscimo daquele ridículo Hô! Hô! Hô! Nos outros, o destaque eram pinheiros, a “árvore de Natal”.

Chamei o meu neto mais velho (?!), uma linda (por dentro e por fora) criança-adolescente de 12 anos. “Parece que tem alguma coisa faltando aí no mural, não é?”, provoquei. “O que, voinho?”, perguntou, depois de um atento olhar geral. “Quantos Papai Noel tem aí?”, repliquei. Ele contou, não lembro exatamente, mas eram uns dez. “E árvores de Natal?”, insisti. Havia umas cinco ou seis. Então dei o golpe final: “E o Dono do Natal, Jesus, quantos tem?”. Não havia. “Ah, voinho, eu fiz um quadro com Jesus, mas ficou muito ruim, eu não botei no mural”.

Acho que a intenção dele salvou o mural. Acho que a intenção (e a coragem) de Eliana salva sua luta, mesmo que algum abutre lhe devore o fígado ou que o corporativismo nada santo a crucifique.


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OPINIÃO POLÍTICA

Análise preliminar

Ivan de Carvalho

Em uma análise “pelo menos preliminar” do quadro político baiano, um político peemedebista que não pretende ser candidato a mandato algum em 2012 nem em 2014, faz a previsão de que a primeira dessas eleições será decidida em Salvador com um segundo turno disputado entre o pemedebista Mário Kertész, representando as oposições ao governo estadual e o deputado Nelson Pelegrino, representando o PT e os partidos que estão e se mantiverem na base política do governo Jaques Wagner.

Que o petista Pelegrino vai disputar as eleições para a sucessão do prefeito João Henrique, hoje no PP, todo mundo já sabe. E que ele tem muito amplas possibilidades de classificar-se para o praticamente certo segundo turno é inegável, sempre com a ressalva de que cálculos políticos, por mais seguros que pareçam, não gozam de isenção de falhas.

De repente, diriam os adversários de futuros imutáveis, a candidata comunista Alice Portugal, do PC do B, quem sabe até ajudada pela comoção provocada no mundo pelo choreio das choreanas ante o impensável passamento de Kim Jong-il, a “Mais Alta Encarnação do Amor Revolucionário Companheiro”, ganha impulso e se classifica na vaga reservada à “base aliada” no segundo turno? Nesse caso, Pelegrino sobraria.

Mas essa teoria pode ser ilusória, pois a “Mais Alta Encarnação do Amor Revolucionário Companheiro” tem a palavra “companheiro” e esta é quase um monopólio do PT, algo contabilizado no patrimônio imaterial do partido. De modo que a “Mais Alta Encarnação do Amor Revolucionário Companheiro” poderia ser capitalizada, agora que desencarnou e não pode reclamar, pelo petista Pelegrino, caso o apraza (pessoalmente, não acredito muito que o companheiro baiano reivindique de herança a aura política do companheiro choreano).

Também os cálculos de futuro político sem isenção de falhas podem admitir, não só Alice, como outros, a exemplo do deputado e secretário municipal de Governo João Leão, que se proclamou candidato pelo PP em entrevista exclusiva concedida esta semana à Tribuna da Bahia. Com o óbvio apoio, embora não declarado por não haver chegado a hora, do prefeito João Henrique.

Mas, e Mário Kertész, radialista e ex-prefeito por seis anos ou pouco mais? Porque ele, ao invés dos deputados ACM Neto, do DEM, no momento o primeiro colocado nas pesquisas eleitorais, ou Antonio Imbassahy, o segundo colocado, competente ex-prefeito por oito anos?

Bem, como já insisti neste espaço, para a oposição ir unida às urnas, ajustes abrangendo as eleições de 2012 e 2014 terão de ser feitos, como declara ACM Neto, com o silêncio de Imbassahy e a expressa discordância de Geddel Vieira Lima, sob a alegação de que são dois momentos e cenários diferentes, cada um com suas próprias circunstâncias. Isso, aliás, é óbvio, tanto que não se chegará a ajuste algum se o que se buscar não forem ajustes ajustáveis às circunstâncias de 2014.

Volto àquele peemedebista que só é candidato a fazer uma previsão “pelo menos preliminar”. Ele observa que ACM Neto “vive um bom momento em Brasília, onde está sendo a voz da oposição na Câmara federal”. Esta circunstância lhe tem, inclusive, proporcionado presença constante na mídia nacional. Se for candidato a prefeito perde isto e se eventualmente perder a eleição, será a segunda derrota consecutiva para mandato majoritário (prefeito), o que pode prejudicar seus planos para 2014.

Mário Kertész? “É um profissional. Profissional na política, como na administração. Saberá conversar com todos os setores da sociedade. E a idade (67 anos) ajuda. Por causa dela, não assusta ninguém que tenha importantes pretensões futuras”. Isso elimina um dos focos principais de resistência a aspirantes a candidato. E se Kertész for candidato de uma coalizão das oposições, deverá estar no segundo turno, raciocina o analista do partido dele.

E como fica Imbassahy? Ah, bem, aí interromperam a conversa. Ele fica para outra vez

dez
22
Posted on 22-12-2011
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 22-12-2011


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OPINIÃO POLÍTICA

O fenômeno da Choréia

Ivan de Carvalho

Este espaço é preferencialmente dedicado à abordagem de temas da política nacional, baiana e municipal – no último caso, com ênfase na política de Salvador, que geralmente envolve também a política estadual e eventualmente a política nacional, ou com enfoque em aspectos gerais da política nos municípios baianos.

Mas não sou escravo e reconheço a liberdade que conquistei sem jamais sofrer resistência alguma – ressalvados os tempos da censura estatal que, espero, mas, devido a alguns maus sinais, sem garantir, não volte jamais – de abordar quaisquer temas, incluindo discos voadores, exobiologia, religião, saúde, relações de consumo, guerras e rumores de guerras, política internacional e ditaduras nacionais e internacionais, das quais o maior exemplo foi a URSS.

Hoje abordo um desses temas excepcionais. Gostaria de registrar, para que não passe totalmente ignorado neste espaço, um dos espetáculos mais ridiculamente engraçados da Terra, pelo menos na parte já vencida deste século XXI – a morte do ditador Kim Jong-il, Presidente Eterno da Choréia.

Não é a morte dele que é ridícula, ainda que estranha, pois ele sucedera a seu pai, Kim Il-sung, “Presidente Eterno” – condição que não deveria ter permitido a ascensão ao cargo, em nenhuma hipótese, do amado filho Kim Jong-il. A morte, indesejada das gentes, também acabou levando este último, que já deixou, para ocupar-lhe o lugar, Kim Jong-un, mais um rebento dessa ditadura dinástica comunista, que em termos de dinastia acaba de superar a também dinástica ditadura comunista cubana.

Ridículo é que a morte do “Comandante Sempre Vitorioso de Vontade Férrea” haja praticamente resultado numa mudança do nome de seu país, que passou de Coréia a Choréia. Mas, como há sempre males que vêm para o bem, a nomenclatura política da península coreana pode sofrer uma simplificação naturalmente benéfica. Havia a Coréia do Sul e a Coréia do Norte, mas com esta passando agora a chamar-se Choréia, pode-se dispensar aquela distinção do “do Sul” e “do Norte”, algo irritante.

Haverá, doravante, se os choreanos forem inteligentes, simplesmente uma Coréia e uma Choréia, esta “sempre triste”, como diria Luiz de Camões, por ter perdido seu “Grande Líder”, seu “General Glorioso que Desceu do Céu”, seu “Político Assombroso” (Gasparzinho não se metia com ele), sua “Estrela Guia do Século XXI”, e sua “Mais Alta Encarnação do Amor Revolucionário Camarada”, desencarnada em hecatombe pessoal tão cruel, um durante uma viagem de trem infarto, versão oficial.

Mais ridículo ainda que a troca (ou pelo menos a perspectiva de troca do nome do país) foi o espetáculo mundial de chororô que as choreanas ofereceram ou encenaram (difícil saber) ao mundo.

Há uma tese segundo a qual o choro coletivo e cinematográfico era uma farsa, um expediente coletivo orientado pelo governo para mostrar que o ditador morto era amado por seu povo. E uma segunda tese, a de que o choro era voluntário, espontâneo, pois as pessoas queriam mostrar ao governo que estavam emocionadas ao máximo com a partida do Grande Líder, maneira segura de não sofrerem retaliações.

Eu discordo de ambas as teses. Acredito firmemente que o chororô foi sincero e franco. Imagino as criancinhas nascendo e crescendo a ouvir e ver nas ruas, em casa, nas raras casas estatais de venda de produtos de consumo, nas escolas, que maravilha era terem suas vidas protegidas pela “Mais Alta Encarnação do Amor Revolucionário Camarada”. Anos a fio, sem nenhuma contestação, nenhum contraditório. Aí, quando o gajo morre, arranca lágrimas até das pedras mais insensíveis.

Propaganda. Controle da mente. É isso a Choréia.

dez
10

OPINIÃO POLÍTICA

Oposições divididas

Ivan de Carvalho

As expectativas maiores são de que o senador e ex-governador de Minas Gerais, Aécio Neves, que passou o dia ontem na Bahia em atividades preparatórias de candidatura, represente o PSDB nas eleições presidenciais de 2014, com o apoio do Democratas e eventualmente outros partidos. A outra principal opção do PSDB ainda é o ex-governador paulista e já duas vezes candidato a presidente José Serra, cuja qualidade mais destacada é a persistência.
Não por coincidência, foi poso à venda nas livrarias, ontem, o livro – talvez meio livro, meio panfleto, questão que só análises profundas poderão esclarecer – “A Pirataria Tucana”, escrito pelo jornalista Amaury Ribeiro Jr., no qual o autor acusa José Serra e Aécio Neves de haverem preparado dossiês um contra o outro, quando eram pré-candidatos a presidente pelo PSDB nas eleições de 2010.
O autor acusa Serra de montar uma central de “arapongagem” na Anvisa, quando era ministro da Saúde e de a haver mantido ativa depois. Além disto, o jornalista-escritor reivindica para ele mesmo a glória de ter sido o responsável pela elaboração do dossiê contra Serra, encomendado a ele pelo próprio Aécio. Nenhum dos dois dossiês foram usados, segundo o Inspetor Clouseau, perdão, segundo o autor de um dos dossiês e do livro, porque Serra e Aécio chegaram a um acordo.
De qualquer sorte, o senador Aécio Neves, na Bahia, disse que não comentaria o assunto por enquanto, enquanto José Serra seguiu o mesmo caminho. “Não li ainda não. Prometo que, quando eu ler, comento”, disse, rindo, o que sugere que o assunto pode ser mesmo sério.
Aliás, talvez já pondo as barbas (que não usa) de molho, o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra, simpático à candidatura de Aécio, comentou no programa Canal Livre, da Band, que Aécio e Serra não são os únicos nomes disponíveis no PSDB para disputar a presidência da República. Citou o governador Goiás, Marconi Perillo e o senador Álvaro Dias, ex-governador do Paraná, como alternativas que o PSDB tem para um acordo.
Enquanto isso, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, guru dos tucanos, adverte que Aécio está dando mole, muito maneiro e muito parado na oposição, e oportuno (não disse se no segundo turno ou antes, a depender das circunstâncias), nos juntemos”.ensina, lá na linguagem dele, que uma candidatura a presidente da República não se constrói de repente, é um processo longo e não dá para perder tempo.
Como se observa, a confusão é grande entre os tucanos, cada um bicando numa direção diferente, quando não se bicam. E no meio de tudo isso, Serra irrita os quatro pré-candidatos do PSDB à prefeitura de São Paulo, agindo como “candidato-fantasma”, no dizer de um dos quatro. É que Serra não define se quer ou não quer disputar a prefeitura (se quiser, fica praticamente impossível outra candidatura tucana) e nada indica que a declaração de Aécio, feita ontem em Salvador, incitando-o a ser candidato, vai tirar Serra de cima do muro, posição que deve considerar estratégica.
Mais complicação para o PSDB? Tem. Contestando o senador Aécio Neves, para quem se tucanos e democratas estiverem separados em 2014, isso fragilizará a oposição, o presidente nacional do DEM, senador José Agripino, reafirmou a disposição de seu partido de lançar candidato próprio para a sucessão de Dilma Rousseff. “Busquemos nos fortalecer o PSDB e o Democratas e, no momento


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OPINIÃO PLÍTICA

Uma pouca vergonha

Ivan de Carvalho

Depois de passar pela Câmara dos Deputados, também o Senado Federal aprovou medida provisória, editada pela presidente Dilma Rousseff, que proíbe o fumo em ambientes fechados de acesso público em todo o país, ampliando assim medida legislativa inicialmente adotada em São Paulo por proposta do então governador José Serra, do PSDB.
Essa legislação, uma vez sancionada pela presidente da República e entrando em vigor, trará alguns um progresso notório quanto às restrições ao exercício do vício do tabagismo. O fundamento aí é sempre o de que o fumante não pode impor danos, efeitos e incômodos do seu vício a outras pessoas. A nova legislação extingue os fumódromos. Não dá mais para fumar em bares, restaurantes, boates e até as tabacarias estão livres da fumaça.
A proibição não chega a ser uma coisa absoluta, porque o Estado havia que respeitar a privacidade das pessoas. Por causa disto, ainda será possível fumar dentro de ambientes privativos (basicamente, residências, onde ainda será possível envenenar lentamente pais, filhos, cônjuges, irmãos, netos, empregados, visitas). Não é impossível encontrar mais algum outro lugar privado (por exemplo, um escritório ou oficina a que só uma pessoa tem acesso) em que o tabagismo possa ser praticado – ou perpetrado.
Ficam isentos da proibição, além desses lugares de acesso privado, os lugares ao ar livre – ruas, praças, estradas, praias e no campo ou na água, durante a natação (desde que não em piscina com acesso ao público), mas neste último caso haverá uma certa dificuldade de manter o cigarro (ou cigarrilha, charuto ou cachimbo) aceso. Talvez nadando de costas…

Se quanto ao ato de fumar a nova legislação representa um avanço, ela trouxe um contrabando no que diz respeito à propaganda do tabagismo. Por legislação federal anterior, ela já estava proibida em estádios, pistas, palcos ou locais similares, bem como vedado o patrocínio de “eventos esportivos nacionais e culturais”.

A lei aprovada agora pelo Congresso (por último, pelo Senado) dá um espantoso passo atrás, ao permitir a propaganda em eventos esportivos e artísticos. Assim, fica ela sendo permitida, se houve interesse comercial, nas Olimpíadas de 2016, na Copa do Mundo de 2014, no campeonato brasileiro, nos campeonatos estaduais, nos jogos de futebol, de basquete, de vôlei que se realizarem no país a qualquer título, nas corridas de carros, nas atividades de palco (teatrais, musicais, nos trios elétricos – a apresentação de suas bandas são eventos artísticos, como quer a lei).

Não se vai poder fumar em um teatro, mas o cartaz pode estar lá exposto, recomendando o tabagismo e o ator pode até apelar aos espectadores para que se matem com os cigarros da empresa que está ajudando a financiar o espetáculo. A camisa da seleção brasileira poderá desmoralizar-se a ponto de ostentar o nome de uma marca de cigarros. Mas o que importa mesmo é que os brasileiros, incluindo crianças e adolescentes, estarão com extrema freqüência sob bombardeio da propaganda tabagista, se a presidente Dilma Rousseff não vetar esse dispositivo contrabandeado na Câmara para sua Medida Provisória e acolhido pelo Senado.

Esse rombo aberto na legislação contra o tabagismo é uma pouca vergonha. Praticamente anula os efeitos de todo o esforço político e legislativo feito anteriormente para evitar a propaganda do tabagismo, o que vinha produzindo excelentes resultados, que seriam ainda mais expressivos com a nova lei, se os não inserissem essa safadeza da propaganda em eventos “esportivos e artísticos”.


Ministra Miriam Belchior: fogo amigo
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OPINIÃO POLÍTICA

O PAC e o espírito de porco

Ivan de Carvalho

O Ministério da Fazenda dispara fogo amigo contra o ministério do Planejamento, atingindo em cheio a ministra Miriam Belchior e o PAC – Programa de Aceleração do Crescimento. Seria engraçado e até ridículo se não fosse uma coisa importante, mas é triste, porque mostra como o governo busca enganar as pessoas sobre a suposta eficiência e o propagandeado êxito de sua atuação.

A notícia surgiu ontem, foi divulgada na Internet e por emissoras e, por sua relevância, deve ser replicada hoje nos jornais impressos. Não é o caso de repeti-la neste espaço, mas, no máximo, de fazer referência para lembrar o leitor do que se trata.

A ministra Miriam Belchior desfilava, em cerimônia oficial, a catarata de cifras, gráficos e vídeos publicitários com que numerosos governos – inclusive o do Brasil – cuidam de obliterar a visão dos cidadãos que os sustentam e sobre os quais eles exercem o poder que lhes foi concedido pela sociedade e o que delas frequentemente usurpam.

Na cerimônia, realizada no Palácio Itamaraty (que chique!) fazia-se o segundo balanço oficial do PAC 2, a etapa desse programa iniciada no governo Dilma Rousseff. Um calhamaço de 180 páginas (o que, a um tempo, “mostra serviço” e desestimula a perigosa leitura analítica, salvo pelos mais pacientes e determinados estudiosos) começava afirmando que o PAC 2 “tem sido determinante para a continuidade do crescimento sustentável da economia brasileira”.

E caprichava o calhamaço: “Em 2011, o PAC 2 também alcançou volume de pagamento do Orçamento Geral da União 22% superior em comparação com o mesmo período de 2010, ano de melhor desempenho do programa”, afirmava o material.

Tudo uma maravilha. Mas o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, segunda pessoa na hierarquia da pasta, estava junto da ministra do Planejamento e assumiu a desagradável (para ela) função de espírito de porco. “Houve vários ajustes e reprogramações nos programas do governo, no PAC, no Minha Casa, Minha Vida, e essas reprogramações proporcionaram investimento relativamente estável em relação a 2010”.

Quer dizer: os investimentos do PAC em 2011 equivalem aos feitos no mesmo programa em 2010 (já computando a previsão para o restante do ano atual, naturalmente). Isso já deixou a ministra Belchior com a cara mexendo, segundo se pode presumir com bastante margem de segurança.

Mas o problema da ministra – e através dela, do governo – não acabara. O espírito de porco ainda animava o secretário executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, que aguardou ansioso ser questionado pelos jornalistas para expressar de forma mais objetiva sua avaliação do PAC 2. Os jornalistas não o decepcionaram, questionaram-no. E ele não se fez de rogado: “A manutenção do investimento do PAC no mesmo nível do ano passado significa que o PAC neste ano não contribuiu para acelerar o crescimento”.

Bem, neste ano da graça de 2011 após o nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Programa de Aceleração do Crescimento não acelerou o crescimento, segundo o Ministério da Fazenda, ressalvado algum choro do ministro Guido Mantega ao pé da presidente Dilma para obter o perdão ante a bobagem dita por seu principal auxiliar ou uma exoneração do secretário executivo da Fazenda, Nelson Barbosa, por ter dito uma barbaridade dessas.

Qualquer das duas hipóteses nos permitirá acreditar na ministra Belchior e em seu calhamaço.


Wagner (com Dilma):alternativa para a hegemonia?
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OPINIÃO POLÍTICA

Crise e eleições

Ivan de Carvalho

Impressiona o fato de que, três anos antes das eleições presidenciais de 2014 e com as eleições de municipais de 2012 no caminho, já estejam de prontidão para uma eventual investida em direção ao Palácio do Planalto pelo menos cinco aspirantes. Três deles são do PT, o partido que trabalha duro para conquistar a hegemonia política no país, mas ainda tem uma parte importante do caminho até alcançar esta situação e consolidá-la.
Aliás, teria o PT pela frente menos caminho a percorrer se não estivessem a União Européia e o Estados Unidos mergulhados em uma crise financeira e econômica que já contaminou seriamente a política nesses dois entes. Vale assinalar que há uma grande sinergia entre a crise na União Européia e nos Estados.

Assim é que a crise explodiu primeiro nos Estados Unidos, usando como estopim os chamados títulos sub-prime, representando a ganância de lucros em negócios irresponsáveis de altíssimo risco, enquanto a União americana esvaía-se em déficit orçamentário fortemente acentuado pelas guerras no Afeganistão e no Iraque.

Ao explodir espetacularmente nos Estados Unidos, a redução da “confiança dos mercados” e a realidade das relações econômicas entre a economia americana e economia da União Européia acabaram impondo fase aguda da crise à EU, dentro da qual alguns países importantes ou relevantes já vinham apresentando problemas próprios. A impressão que se tem hoje é que na União Européia ainda vai se agravar muito – a França já balança e a Alemanha, sozinha, não tem como tapar as brechas na represa e, devido às circunstâncias americanas, não tem como receber a ajuda dos Estados Unidos.

E nossa eleição presidencial com isso?

Bem, é que a crise nos Estados Unidos e União Européia (com um agudíssimo complicador político na perigosa bagunça no mundo árabe e as intenções cavernosas do regime iraniano) tem tudo para afetar com força a economia brasileira. Nessas prováveis circunstâncias, a natural candidatura à reeleição da presidente Dilma Rousseff poderá se revelar seriamente ameaçada.

Se Dilma ou o PT virem que Dilma não dá, então a alternativa será o ex-presidente Lula. Isso era óbvio até ser descoberto o seu câncer de laringe. Agora, Lula continua sendo a principal alternativa a Dilma no PT, mas, ainda que se possa torcer e rezar, já não se pode considerar tão óbvio enquanto não for constatada a cura. O tratamento, com grandes chances de êxito, está em curso, fase inicial.

Caso sejam inviabilizadas as candidaturas de Dilma e Lula em 2014, talvez nada reste ao PT senão o governador da Bahia, Jaques Wagner. O Escândalo do Mensalão, em 2005, guilhotinou, para efeito de candidatura a presidente da República, algumas lideranças petistas. E o ex-ministro Palocci cuidou de por o próprio pescoço sob a lâmina, em duas oportunidades. Wagner atravessou a tempestade sem se molhar.

Mas se realmente a crise chegar fundo no Brasil, isto significará que nem só do PT poderá sair o futuro presidente. O PSB, hoje na área governista, tem dois nomes em campo, Ciro Gomes (já por duas vezes candidato a presidente) mais claramente, Eduardo Campos, governador de Pernambuco e controlador do PSB, discretamente. No PSB, um exclui o outro, é claro. O PSB seria o “caminho do meio”.

O caminho exposto, vistas de hoje as coisas, seria o PSDB com Aécio Neves ou, numa hipótese menos provável, o teimoso José Serra.

Mas, e o PMDB, com sua recente estratégia de disputar campeonato para ter torcida, o que faria ante uma conjuntura marcada pela crise, com o governo enfraquecido? Eis aí um mistério.

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