mar
20
Posted on 20-03-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 20-03-2010

Em seu artigo da edição deste fim de semana (sábado e domingo) na Tribuna da Bahia, o jornalista político Ivan de Carvalho também observa as andanças do deputado Ciro Gomes, PSB-CE. Até aqui é ele o nome mais cotado dos socialistas para disputar a presidência da República, mas que o presidente Lula e seus aliados sonham em ver candidato ao governo de São Paulo, para atrapalhar mais a vida do tucano José Serra, e asfaltar o caminho da ministra Dilma Rousseff para o Palácio do Planalto na aleição qeu vem aí. Para Ivan, Ciro corre o risco de de ficar sem legenda para disputar a presidência ou qualquer outra coisa, pois afirmou, esta semana, que deputado nunca mais. Bahia em Pauta reproduz o texto do colunista da Tribuna.
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Mercadante:empurrado para a forca paulista

(VHS)

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CIRO PODE FICAR SOBRANDO

Ivan de Carvalho

Esta semana o PT – que teve a alegria de comemorar alguns resultados de sua candidata, Dilma Rousseff (ainda que não todos) na pesquisa eleitoral do Ibope feita sob encomenda da Confederação Nacional da Indústria – também sofreu um revés. O partido e o presidente Lula queriam porque queriam que Ciro Gomes fosse candidato a governador de São Paulo. Ele não deverá ser e o PT já desistiu e prepara Mercadante para a missão suicida.

Atendendo a inúmeros pedidos e a pressões de seu partido, o PSB, Ciro Gomes chegou, há alguns meses, a transferir seu título eleitoral do Ceará, estado que já governou e que é o núcleo de sua base política (seu irmão, Cid Gomes, é o atual governador cearense) para São Paulo. Cedeu nas preliminares, mas se manteve firme na decisão.

Explicando melhor. Lula e o PT estão assim meio no mato sem cachorro quanto à eleição para o governo de São Paulo, de longe o maior colégio eleitoral do país (25 por cento do total do eleitorado) e o estado mais importante da Federação, nos aspectos demográfico e econômico. Consequentemente, também no aspecto político.

O Mensalão do PT devastou, política e popularmente, as principais lideranças do partido em São Paulo, bastando citar o ex-presidente nacional da legenda e ex-ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu e o ex-presidente nacional do PT, José Genoíno. Sobrou o ex-prefeito de Ribeirão Preto e então ministro da Fazenda Antonio Palocci, mas então explodiu aquele Caso da Mansão Bem Assombrada e o arrombamento, na CEF, do sigilo bancário do caseiro da mansão, Francenildo, que dera com a língua nos dentes. E, embora assegurando que não solicitou a ilegal quebra do sigilo do Francenildo – um cidadão comum como qualquer outro, o que, na época (ah, povo esquecido) criou um sentimento de revolta arrasador – afogou-se o então ministro.

Restou na proa do PT paulista, para fins eleitorais, o segundo time:

O honrado Eduardo Suplicy, que nas eleições de 2006 para senador levou um enorme susto do concorrente Afif Domingos – e que voltou ao Senado para envergar um cuecão vermelho por cima do terno em protesto por causa de alguma coisa.

A ex-prefeita e cansadíssima de guerras e derrotas Marta Suplicy, que deverá disputar uma cadeira no Senado. A outra cadeira ainda não tem aspirante firmado, do lado lulista. Talvez seja candidato alguém de um partido aliado. É o lógico.

E – voltando ao PT – restou também o senador Aloísio Mercadante, figura respeitável que renunciou à liderança do PT no Senado, mas não renunciou, então renunciou irrevogavelmente, até que irrevogavelmente anunciou que não renunciaria. E que não vai por gosto disputar o governo paulista, por imaginar que perde para o ex-governador Geraldo Alckmin, do PSDB, mas mesmo assim foi empurrado para a disputa pelo cargo hoje ocupado pelo governador José Serra, por falta de alternativa para o PT. Mercadante queria disputar a reeleição para o Senado.

Pois a alternativa a Mercadante era, no planejamento de Lula e do PT, Ciro Gomes, aliás um inimigo ostensivo do governador e candidato tucano a presidente José Serra. Mas Ciro tem dado todos os sinais de que só quer mesmo disputar a sucessão de Lula, nada de governo paulista. Problema dele. Tira votos de Serra, é verdade, mas o governo está com a idéia de uma eleição plebiscitária, radicalizada entre Serra e Dilma (representando a comparação entre os governos FHC e Lula). O partido de Ciro, o PSB, é presidido e dominado pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos, que só faz o que Lula quer. Daí que Ciro pode ficar sem legenda para disputar a presidência ou qualquer outra coisa, pois afirmou, esta semana, que “deputado nunca mais”.

mar
19
Posted on 19-03-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 19-03-2010

Em seu artigo desta sexta-feira na Tribuna da Bahia o jornalista político Ivan de Carvalho analisa as expectativas de paz reveladas pelo presidente Lula em seu périplo pelo Oriente Médio, alimentadas principalmente pelas atuais diverg~encias entre Estados Unidos e Israel. “Divergências sérias entre EUA e Israel já ocorreram antes e contam-se às dezenas, algumas delas graves, mas nenhuma capaz de romper a aliança”, assinala Ivan no texto que Bahia em pauta reproduz.
(VHS)

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Paz distante

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Lula fantasia a paz

Ivan de Carvalho

Na Terra Santa e adjacências, quase tudo gira em torno da Bíblia – Antigo e Novo Testamento – e do Corão. Eles são a base da cultura israelita, islamita e da rarefeita população cristã da região que envolve Israel, 22 países árabes e alguns países muçulmanos não-árabes, a exemplo do Irã.
As três religiões monoteístas estão imbricadas a tal ponto na região que o primeiro Patriarca, Abraão, deu origem a Ismael e Isaac e desses dois troncos descendem, respectivamente, árabes e hebreus, estes por intermédio de um dos dois filhos de Isaac, Jacob. Mais tarde, surge a figura essencial e misteriosa do Arcanjo Gabriel, aquele que anunciou a Maria que ela teria um filho ao qual chamaria Jesus (aqui, o nome na versão latina) e que foi o mesmo Arcanjo Gabriel que ditou o Corão a Maomé.
A um observador neutro e atilado (não reivindico para mim qualquer dessas duas qualidades), não há de parecer casuais essas circunstâncias, seja em relação aos patriarcas, seja quanto à gravidez de Maria e ao ditado “angélico” representado pelo Corão, o livro sagrado dos muçulmanos. A conclusão lógica – e certamente quase todo mundo concordaria com ela se não envolvessem três das quatro cinco grandes religiões do planeta (as outras são o budismo e o hinduísmo) – é a de que há um plano milenar em andamento. Um plano que praticamente chega a ser exposto na Bíblia, quase a cada página, embora a Bíblia evite proclamar essa característica de um planejamento a longo (para nós) prazo.
Daí que a viagem e o bedelho do governo brasileiro no conflito entre Israel, os palestinos, os árabes em geral e os muçulmanos engajados nessa briga (há os que não estão dando bola pra ela) não tem a chance de influir para a pacificação, pela simples razão de que, devido ao comportamento da sociedade humana, a pacificação só virá – segundo o plano – após a destruição da atual sociedade, quando uma nova passará a ser construída em outras bases.
“De nada valerá buscardes o auxílio do Egito (com quem Israel fez um tratado de paz), pois não haverá paz e Israel deve confiar apenas no Senhor”, diz lá no Antigo Testamento o profeta Isaías. Eis (para os crentes) porque não podem os crentes e mesmo os não crentes, mas inteligentes, comemorar a descoberta do presidente Lula de que a divergência entre Israel e Estados Unidos sobre as 1.600 casas que o governo israelense acaba de decidir construir em Jerusalém Oriental pode abrir a chance para que se chegue à paz, suponho que por um hipotético enfraquecimento de da posição de Israel.
Divergências sérias entre EUA e Israel já ocorreram antes e contam-se às dezenas, algumas delas graves, mas nenhuma capaz de romper a aliança entre americanos e israelenses. Na hora do aperto estão, inevitavelmente, juntos. Naquela área do mundo, ao se fazer política, é bom ter um olho nela e o outro nos livros sagrados fundamentais de israelenses, muçulmanos e cristãos. “Bem aventurados os pacificadores”, Jesus disse no Sermão da Montanha. Mas não disse que eles terão sempre êxito em seus intentos, ainda que recebam o prêmio, se tentaram a paz de coração puro.

mar
18
Posted on 18-03-2010
Filed Under (Artigos, Ivan, Newsletter) by vitor on 18-03-2010

Em seu artigo desta quinta-feira, na Tribuna da Bahia, o o jornalista Ivan de Carvalho analisa o fato de maior destaque de ontem na política brasileira:o resultado da mais nova pesquisa IBOPE/CNI sobra a corrida da sucessão de Lula, em que o governador de São paulo, José Serra (PSDB) segue na frente, mas com a ministra Dilma Rousseff, empurrada pelo presidente da República, aparece cada vez mais colada no calcanhar do tucano.Bahia em Pauta reproduz o texto de Ivan.
(VHS)

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Serra e Dilma:colados

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DILMA, FESTA E RISCO

Ivan de Carvalho

O fato maior em debate na política brasileira, ontem, foi a pesquisa CNI/Ibope. Aliás, cada pesquisa eleitoral de um instituto importante – principalmente quando envolve a sucessão presidencial – tem o seu dia de glória, os seus “15 minutos de fama”.
E no caso de ontem há uma razão extra para o impacto da pesquisa e o barulho a respeito. A candidata governista, ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, do PT, lançada e apadrinhada pelo presidente Lula, deu um salto felino, pouco faltando para alcançar, na modalidade estimulada da pesquisa, o principal candidato de oposição, o governador paulista José Serra, do PSDB. Dilma saltou dos 17 por cento que obteve na pesquisa de dezembro para 30 por cento, apenas cinco pontos abaixo do tucano José Serra, que ficou com 35 por cento, quando em dezembro tinha 38 por cento.
Há duas razões evidentes para que isto haja acontecido. A primeira delas é a superexposição de Rousseff nos últimos meses, nos atos oficiais que funcionam como comícios disfarçados e na mídia. A segunda razão é o fato de que quase invariavelmente, quando se expõe, Dilma Roussef não o faz propriamente – é o presidente Lula que a expõe e a apóia, conforme a ocasião, implícita ou explicitamente.
Ora, Lula está há tempos muito popular, rondando os 80 por cento de aprovação pessoal do eleitorado e seu governo também tem recebido, segundo as pesquisas, uma aprovação muito grande. E os números das pesquisas indicam que Lula consegue – ao menos nessa fase do processo eleitoral – transferir à até há pouco desconhecida Dilma Rousseff uma expressiva parte do seu capital eleitoral. Resta medir, até porque talvez só o tempo esclareça isto, qual é o teto dessa transferência, certamente maior no Nordeste e no Norte do país que nas outras regiões.
O diretor de Operações da CNI, Rafael Luchesi, deixou claro que muito desse resultado deveu-se ao maior conhecimento de Dilma pelo eleitorado (representado pelos entrevistados). Era de 32 por cento em dezembro e em março foi para 44 por cento.
Há um outro elemento auspicioso para a candidata governista na pesquisa CNI/Ibope. Na modalidade expontânea – quando não se apresenta lista de nomes ao entrevistado e apenas pergunta-se em quem ele votaria – quem vence é Lula, com 20 por cento, de uma parte de seus muitos milhões de tietes que não sabem que ele não pode disputar o pleito. Mas nessa modalidade Dilma Rousseff ultrapassou Serra, obtendo 14 por cento contra dez por cento do governador de São Paulo.
Em verdade, nem tudo são flores – ou votos – para Dilma Rousseff. José Serra, embora conhecido de 65 por cento do eleitorado, tem uma taxa de rejeição de 25 por cento, menor que a da candidata do PT. O diretor Luchesi, da CNI, ressaltou que, com a maior proximidade das eleições, os eleitores passam a rejeitar candidatos exatamente porque os conhecem.
Coincidência ou não, em seu “ex-blog” do dia 12 último, sob o título “Os riscos da candidatura de Dilma”, o ex-prefeito do Rio de Janeiro, César Maia, democrata, e que costuma analisar pesquisas e campanhas eleitorais, escrevia que “a superexposição, segundo a escola francesa de Jacques Seguelá, queima como a luz do sol. Há a necessidade de mergulhos e retorno à superfície. Nos governos deve ser assim. Nas campanhas, não é o caso desse movimento sinuoso, mas de um processo de exposição progressiva (…)”. Em síntese: um crescendo controlado. Controle que não estaria ocorrendo na campanha de Dilma.

mar
17

No artigo desta quarta-feira em sua coluna na Tribuna da Bahia o jornalista político Ivan de Carvalho fala da viagem do governador da Bahia na comitiva do presidente Lula ao Oriente Médio, e destaca o efeito do périplo nas negociações para compor a chapa governista encabeçada por Jaques Wagner, que busca a reeleição.Para o articulista, a viagem deixou sem comando de corpo presente sua base de sustentação política na Bahia. E tornou inviáveis contatos do mais alto nível que envolvam o chefe do Executivo baiano até que retorne da Terra Santa e adjacências, ficando estas por conta da Jordânia.Bahia em Pauta reproduz a íntegra do texto:
(VHS)

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Nó na sucessão: “chama o Alexandre!”

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A VIAGEM E A SUCESSÃO

Ivan de Carvalho

A viagem do governador Jaques Wagner ao Oriente Médio (que na realidade geográfica deveria chamar-se para nós Oriente Próximo) deixou sem comando de corpo presente sua base de sustentação política na Bahia. E tornou inviáveis contatos do mais alto nível que envolvam o chefe do Executivo baiano até que retorne da Terra Santa e adjacências, ficando estas por conta da Jordânia.

É claro que o governador pode manter com algumas pessoas seletas de sua base contatos telefônicos para saber o que ou se está acontecendo algo relevante e emitir opiniões, orientações ou determinações, conforme a natureza das coisas ou a necessidade. Mas não se pode igualar a presença em Israel, na Cisjordânia e na Jordânia à presença na Governadoria ou no Palácio de Ondina. Ou mesmo em Brasília.

Daí que nesses dias de viagem a base política nuclear e suas adjacências – estas, no caso, seriam os segmentos políticos que podem ou não agregar-se à base ou até um ou outro que, insatisfeito, venha a desagregar-se.

É evidente que há problemas, sempre há, mas alguns dos que estão aí são bastante graves, seja pela dificuldade de equacioná-los, seja pela importância política que têm. Para o governador e o PT destacam-se, no momento, dois. E respondem pelos nomes de Waldir Pires e de César Borges. Como disse, estes destacam-se, mas há outros, respondendo pelos nomes de Otto Alencar, Lídice da Mata e pela expressão “coligações para as eleições proporcionais”, as de deputado estadual e federal.

Comecemos as breves observações a respeito pelo fim. A coligação proporcional para deputado federal na base de sustentação do governo caminha, segundo os indícios, para o “chapão”, uma só chapa na qual estariam os candidatos de todos os partidos da base governista à Câmara dos Deputados. Não são ouvidas aí gritarias nem percebidos esperneios.

Quanto a coligação para deputado estadual, o inferno desceu (ou subiu?) à base do governo. O governador não está impondo nada a este respeito e cada partido está trabalhando pela fórmula que melhor lhe parece. O problema é que cada fórmula que a um parece bem, a outro parece má. A coordenação do governador aí pode ser indispensável. Há tempo, mas durante a viagem dele, prosperam rumores, boatos e aborrecimentos.

O que Otto Alencar vai fazer depende de veredicto médico. “Não sou herói”, já disse ele. Ele mesmo e o governador o queriam como candidato a senador. Era o plano. E, para o governador, ainda é a vontade explícita. Mas se a medicina disser que não, pois a campanha para o Senado é uma correria, Otto terá duas alternativas principais: ficar onde está, como conselheiro do TCM, ou ver aberto espaço para concorrer a vice-governador.

Problema: para o Senado na chapa de Wagner, existem quatro nomes possíveis para as duas vagas. Otto Alencar, César Borges, Lídice da Mata (que pode ser candidata a vice) e Waldir Pires. Borges é, no momento, como me dizia ontem um colega simpatizante do PT, o “nó górdio” da articulação sucessória. Mas a entrada de Waldir Pires no jogo, apoiado por um grupo de peso neste partido, o que inclui a evidente idéia de escantear o senador republicano César Borges, idéia com a qual Wagner não simpatiza, aperta muito mais aquele nó que já estava difícil de desatar.

Chamem o Alexandre.

mar
15
Posted on 15-03-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 15-03-2010

O jornalista político Ivan de Carvalho fala nesta segunda-feira em sua coluna na Tribuna da Bahia, sobre a viagem do presidente Lula ao Oriente Médio, onde o chefe de Estado brasileiro cumprirá uma agenda delicada e estratégica. O governador da Bahia, Jaques Wagner integra a comitiva presidencial.

“Desde ontem Lula está no Oriente Médio, visitando Israel, a Cisjordânia e a Jordânia. Não escolheu, desta vez, interlocutores aloprados”, diz Ivan, no texto que Bahia em Pauta reproduz.

(VHS)

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Lula e Shimon Peres em Israel/AFP

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OPINIÃO POLÍTICA

LULA NO ESTOPIM DO MUNDO

Ivan de Carvalho

A penúltima viagem do presidente Lula ao exterior foi o clímax de um desastre para sua imagem internacional.

Lula vinha obtendo visibilidade e certo reconhecimento internacional, muito em função da importância crescente do país que governa, o que não é uma obra da sociedade – com todas as suas qualidades e defeitos – e dos que construíram o país desde 1500.

Mas não se pode negar que a movimentação política e diplomática do atual governo teve forte e momentânea influência para essa visibilidade.

O governo Lula começou a brigar para valer com os Estados Unidos na OMC por causa do algodão. Emprestou uma merreca ao FMI e saiu soltando foguetes. Acumulou reservas capazes de pagar toda a dívida externa e, aplicando a maior parte dessas reservas em títulos do Tesouro americano, é credor dos Estados Unidos.

Mais. O Brasil, além de ter sido convidado na Era Lula para participar de reuniões dos países mais desenvolvidos do mundo, em Davos, ingressou no BRIC – grupo dos quatro grandes países emergentes (Brasil, Rússia, Índia e China).

O Brasil do governo Lula encasquetou de cobrar um lugar de membro permanente, com direito a veto, no Conselho de Segurança da ONU, o que aumentou a visibilidade, e chegou a reconhecer à China comunista a condição de “economia de mercado” – o que agora tanto prejudica a economia brasileira – na esperança de receber do colosso da Ásia Central o apoio então insinuado, mas depois “esquecido”, para a nossa transformação em membro permanente do Conselho de Segurança da ONU. Enganaram a diplomacia lulo-brasileira.

Mas tudo isso deu visibilidade a Lula, aumentada pela relativa suavidade (na comparação à maioria das outras grandes economias) com que o Brasil atravessou, ou vem atravessando, a grande crise financeira e econômica global. Lula foi escolhido pelo jornal esquerdista francês Le Monde “Homem do Ano” e pelo jornal espanhol El País, “Personagem do Ano”, “um homem cabal e tenaz”.

Todo esse patrimônio político internacional veio, no entanto, sendo solapado recentemente pelo relacionamento aloprado que aprofundou com os ditador-presidente Hugo Chávez e estabeleceu com o aloprado congênere, Mhamoud Ahmadinejad, da Venezuela e Irã, respectivamente. E desabou com as alopradas declarações durante sua última viagem a Cuba sobre a morte do preso político Orlando Zapata e na inacreditável entrevista que deu depois à Associated Press na tentativa de explicar o absurdo perpetrado. O jornal El País publicou um editorial baixando o sarrafo geral em sua “Personagem do Ano” passado.

Desde ontem Lula está no Oriente Médio. Visitando Israel, a Cisjordânia e a Jordânia. Não escolheu, desta vez, interlocutores aloprados. Mas o governo brasileiro vai fantasiar, soltar foguetes e ele mesmo correrá para apanhar as flechas.

Porque, mesmo tendo ao seu lado um judeu inteligente, hábil negociador e de mente aberta, seu amigo governador Jaques Wagner, nenhuma influência o bedelho brasileiro pode ter atualmente no conflito mais crítico do planeta – o estopim do mundo.

É a chance de Lula desfazer um pouco do malfeito que praticou em relação à repressão política e aos direitos humanos em Cuba, diz o jornalista político Ivan de Carvalho no artigo que assina neste sábado, na Tribuna da Bahia. Saiba porque lendo o texto que Bahia em Pauta reproduz.

(VHS)

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Jornalista Farinas, em Cuba:”E a Fenaj?”

Uma chance para Lula

Ivan de Carvalho

O jornalista dissidente cubano Guillermo Fariñas, em greve desde o dia 24 de fevereiro está em observação na UTI do Hospital Provincial Arnaldo Milián “e sua situação nos preocupa, embora os médicos não tenham confirmado a complicação renal”, disse ontem à tarde sua porta-voz, Licet Zamora, acrescentando que “ele não urina desde que ingressou (na quinta-feira) na UTI do hospital”. A informação no hospital é de que o estado de Fariñas é “grave, mas estável”.

Fariñas, que não está preso, deixou de se alimentar por solidariedade, pela libertação de 27 prisioneiros de consciência (presos políticos). Sua greve de fome foi iniciada logo após a morte, em consequência de greve de fome de 85 dias, do preso político Orlando Zapata Tamayo, de 42 anos, que cumpria pena de 29 anos de prisão. O comportamento do governo cubano no episódio e sua política em relação aos dissidentes do regime comunista provocaram protestos em quase todo o mundo. O mais amplo foi do Parlamento Europeu, que por mais de 500 votos contra apenas 20 condenou, na quinta-feira, a ditadura castrista.

A mesma atitude não teve o presidente do Brasil, Lula da Silva. Nem a diplomacia brasileira. Por um acaso desses que não acontecem por acaso, mas pelo que Carl Jung chamou de sincronicidade – e que sempre têm algum propósito, mesmo que não o idenfiquemos de imediato – Lula estava fazendo sua quarta visita a Cuba desde que assumiu o governo. Claro que ele lamentou a morte de Zapata, mas isso foi só o sinal para o início de uma saraivada de bobagens, impropriedades e coisas alopradas.

Desaconselhou greves de fome, pois já fizera uma quando sindicalista, não gostara e desistira (faltou-lhe, talvez, a fibra de Zapata ou sobrou-lhe a esperteza que este não tinha), disse que não podia fazer emitir conceitos sobre as leis cubanas, mas condenou as greves de fome “a pretexto” de defesa de direitos humanos (!!!) e equiparou os presos de conciência de Cuba com os bandidos presos por crime comum nas penitenciárias brasileiras, nominadamente, as paulistas.

Enfim, contrariando o grande e saudoso mestre do Direito Orlando Gomes, que costumava usar em suas aulas a expressão “obrou bem”, Lula foi na direção inversa e obrou mal. E essa obra foi tão ruim que ele e o governo têm se esforçado na vã tentativa de atrapalhar o entendimento das pessoas a respeito. Mas já está evidente que, nessa obra, quanto mais se mexe, mais fede, como já observei em artigo anterior.

Ora, o jornalista Guillermo Farinas (jornalista em Cuba deve ser uma profissão martirizante ou vergonhosa, a depender do caráter do profissional) já realizou mais de 20 greves de fome, esteve preso três vezes e sofreu na quinta-feira um choque hipoglicêmico semelhante ao que já sofrera em 3 de março. É a chance de Lula desfazer um pouco do malfeito que praticou em relação à repressão política e aos direitos humanos em Cuba.

Pois Guillermo Fariñas qualificou Lula de “cúmplice da tirania dos Castro”. Que tal, como Jesus recomendou, Lula amar o inimigo e abraçar sua causa justa, passando a defender a libertação dos presos políticos pelos quais Fariñas está se sacrificando?

Ah, e a Federação Nacional dos Jornalistas, a Fenaj? Não tem nada a dizer?

Em seu artigo desta sexta-feira na Tribuna da Bahia o colunista político Ivan de Carvalho comenta o pedido de licença do PV apresentado pelo baiano ministro da Cultura, Juca Ferreira, para assim ficar mais à vontade dentro do governo Lula e poder apoiar a ministra Dilma Rousseff (PT) em lugar da candidata de seu partido à presidencia da República, Marina Silva, a quem Juca dirigiu duras críticas, com sobras também para o deputado Luis Bassuma, candidato Verde a governador da Bahia. Esta posição de Juca Ferreira contraria a decisão da direção nacional do PV e da Coordenação da campanha de Marina Silva, assinala Ivan, no texto que Bahia em Pauta reproduz.
(VHS)

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OPINIÃO POLÍTICA

SEM DANO À CULTURA

Ivan da Carvalho

Como ministro da Cultura, o baiano Juca Ferreira foi um bom vereador em Salvador.

Porque, como integrante de proa do Partido Verde, não se mostra agora um bom ministro da Cultura.

O que deve fazer um bom ministro da Cultura? Além de exercer correta e diligentemente as funções de seu cargo – não me considero habilitado para julgar se ele faz isso ou não – deve dar o bom exemplo em todas as suas atitudes, principalmente as públicas, assim colaborando com a cultura, no caso, política, do país.

E o que faz Juca Ferreira? Sendo do PV “desde criancinha”, discorda da candidatura de seu partido a presidente da República, que lançou a senadora e ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva para a sucessão de Lula, e anuncia seu apoio à candidata de Lula e do PT a presidente, Dilma Rousseff.

Tendo seu berço político na Bahia, tentou quebrar lanças (não conseguiu) para que o PV baiano apoiasse a candidatura do governador Jaques Wagner, do PT, à reeleição, defendendo que o PV não tivesse em nosso estado um candidato próprio a governador. Esta posição de Juca Ferreira contraria a decisão da direção nacional do PV e da Coordenação da campanha de Marina Silva, que fixaram a estratégia político-eleitoral de os verdes terem candidato a governador em todos os estados, menos no Acre, que é o estado representado por Marina Silva no Senado.

Por convicções pessoais ou por motivações políticas ou até, muito mais provavelmente, por ambas as coisas, rebelou-se contra a maioria do PV da Bahia, a direção nacional e o coordenador-geral da campanha de Marina Silva, Alfredo Sarkis, por tomarem e até formalizarem a decisão de lançar para governador da Bahia a candidatura do deputado federal Luiz Bassuma, expulso do PT (o que o levou a ingressar no PV) por sua oposição à liberação do aborto e sua atividade como presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Vida – Contra o Aborto.

Juca Ferreira tem afirmado publicamente que alguém assim é “conservador”, donde se poderia concluir que a liberação para a matança de criancinhas, seres humanos inocentes e indefesos ainda no ventre de suas mães, é “progressista”, uma evolução cultural à qual exige o incentivo de um ministro da Cultura. Além de que o PT, partido de Dilma Rousseff, segundo decisão tomada em seu terceiro Congresso, formalizou decisão a favor da descriminalização do aborto, decisão esta com que justificou a expulsão de Bassuma.

Estando agora na oposição e com candidatura a presidente concorrendo com a candidatura apoiada pelo governo, o PV pediu ao ministro Juca Ferreira e outros eventuais verdes que saiam de seus cargos de confiança no governo federal. O ministro resolveu ficar e comunicou ao PV sua licença ou suspensão deste partido pelo período de um ano. E anunciou o apoio a Dilma.

Fico extremamente surpreso que o PV não haja, pelo menos até agora, liberado o ministro de vez, cancelando-lhe a filiação, para que possa entrar no PT (ou outro partido do aglomerado governista), onde estará mais à vontade para apoiar Dilma Rousseff e o governador Jaques Wagner sem causar nenhum dano à cultura política nacional, tão necessitada de bons exemplos e coerência.

mar
11
Posted on 11-03-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 11-03-2010

Trecho do artigo do jornalista Ivan de Carvalho publicado em sua coluna diária na Tribuna da Bahia:”A mais recente viagem de Lula a Cuba coincidiu com a morte, em consequência de uma greve de fome de 85 dias do preso político Orlando Zapata Tamayo. Na ocasião, o presidente do Brasil julgou por bem desaconselhar greves de fome, alegando que, quando sindicalista, fez uma, não gostou e desistiu. Em defesa da atitude de Zapata, dos direitos humanos e da luta por eles, dos outros prisioneiros políticos cubanos e de crítica às leis e ao governo que os prende, nem um pio. Pegou mal. Muito mal” Veja a íntegra do texto, que Bahia em Pauta reproduz.

(VHS)

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Orlando Zapata Tamayo

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LULA EXPLICA OBRA

Ivan de Carvalho

Ora, no dia 9 foi publicado aqui um artigo meu, sob o título “Lula falou sério”. Começava com alguma ironia:

“Bravo. O presidente Lula falou sério.

Aconteceu ontem.

Ele não disse que o estado de saúde de seu amigo, o comandante Fidel, é ótimo.

Nem que a Venezuela é uma democracia, quer dizer, continua sendo, apesar da investida caudilhesca e até agora incontida do coronel-presidente-ditador Hugo Chávez.

Tampouco não afirmou que sua visita ao Irã para retribuir a visita do “presidente” Mhamoud Ahmadinejad tem objetivo básico de “negócio”, ao invés do objetivo político e diplomático de dar alento a um dos governos mais aloprados do mundo – avaliação que quase todo o mundo faz.”

E seguia mais um pouco nessa linha o artigo, até referir comentários sérios e por mim elogiados de Lula a respeito do deficit da Previdência Social.

Mas, por favor, esqueça o leitor o que escrevi antes para abrir mais espaço ao que acaba de dizer o presidente, que desta vez – mais esta – não falou sério.

A mais recente viagem de Lula a Cuba coincidiu com a morte, em consequência de uma greve de fome de 85 dias do preso político Orlando Zapata Tamayo. Na ocasião, o presidente do Brasil julgou por bem desaconselhar greves de fome, alegando que, quando sindicalista, fez uma, não gostou e desistiu. Em defesa da atitude de Zapata, dos direitos humanos e da luta por eles, dos outros prisioneiros políticos cubanos e de crítica às leis e ao governo que os prende, nem um pio.

Pegou mal. Muito mal. Terrivelmente mal. E desde então o presidente e o governo vêm tentando encobrir a estranha “obra”, explicar a declaração aloprada. Mas quanto mais mexe, mais fede.

Ontem fedeu insuportavelmente, por conta de uma entrevista exclusiva concedida pelo presidente à agência de notícias Associated Press. Lula comparou o herói Zapata aos presos comuns brasileiros. “Temos de respeitar a determinação da Justiça e do governo cubanos de deter as pessoas em função da legislação de Cuba. A greve de fome não pode ser utilizada como um pretexto de direitos humanos para liberar as pessoas. Imagine se todos os bandidos presos em São Paulo entrarem em greve de fome e pedirem liberdade.”

Guillhermo Fariñas, um dos dissidentes em greve de fome, passou a mensagem de que Lula é “cúmplice da tirania dos Castro”. Eu não o contestaria. E como pode ele ser cúmplice da tirania em Cuba, ou na Venezuela, ou no Irã, e defensor da democracia no Brasil? Só faria sentido e ganharia seriedade se aceitarmos a tese do jornalista Josias de Souza, da Folha de S. Paulo, que, ontem, em seu blog, sugeriu um epitáfio: “Aqui jaz uma vítima dos aloprados de todas as ideologias”. Suponho que o epitáfio seja para Zapata, mas caberia como uma luva para o discurso do presidente Lula neste episódio.

Ah, em Cuba existe uma “lei de periculosidade” que permite prender e manter preso um “cidadão” – em Cuba, cidadão deve ser escrito entre aspas – que não haja cometido delito algum, mas apenas por supor a autoridade que ele poderia cometê-lo.

É a Polícia do Pensamento, imaginada por George Orwell em “1984”, operando.

mar
10
Posted on 10-03-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 10-03-2010

Canal Imbui: naturezA semi-morta

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Em sua coluna de hoje na Tribuna da Bahia o jornalista político Ivan de Carvalho volta a mexer em uma questão polêmica da cidade atualmente.

O colunista alerta para a reunião tripartite que será realizada na tarde de hoje no bairro eo Itaigara, com representantes do Ingá – órgão estadual vinculado à Secretaria Estadual do Meio Ambiente e que trata de questões relacionados a água, saneamento, poluição e correlatas –, incluindo seu diretor-geral Júlio Rocha, da Casa Civil da Prefeitura de Salvador e da Construtora OAS, que realiza as obras no esgoto (ex-rio) que corta o bairro. É aí que que mora o impasse, a ponto de Invan perguntar no artigo que Bahia em Pauta reproduz:

“Bem, quando é que o Ingá vai exigir que seja descoberto o Rio das Tripas, que corre sob a Baixa dos Sapateiros?”. Confira o texto.
(VHS)

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Radicalismo ambiental no Imbui

Ivan de Carvalho

Os 80 mil a 100 mil moradores do bairro do Imbui, em Salvador, devem ficar especialmente atentos hoje. É que, para as 17h30, está marcada pelo Ingá uma reunião, em sua sede, no bairro do Itaigara – seria mais interessante que a reunião se realizasse em algum local do Imbui, com a presença dos moradores da área que quisessem comparecer.
A reunião será tripartite, com representantes do Ingá – órgão estadual vinculado à Secretaria Estadual do Meio Ambiente e que trata de questões relacionados a água, saneamento, poluição e correlatas –, incluindo seu diretor-geral Júlio Rocha, da Casa Civil da Prefeitura de Salvador e da Construtora OAS, que realiza as obras no esgoto (ex-rio) que corta o bairro.
Desde a “outorga” para a realização da obra, o Ingá vem impondo condições que têm criado à prefeitura dificuldades e perda de tempo em busca de soluções que atendam às exigências do órgão estadual, aparentemente preocupado em “salvar” uma meia dúzia de piabas e duas ou três sucuris que vivem ou viviam nas águas do esgoto e da lagoa à qual dá vazão. Aí exigiu três respiradouros! E levantou mais algumas questões pra impressionar quem acredita em Papai Noel.
Ah, o Ingá também salvaria os milhares de ratos, milhões de baratas e, talvez, uma centena de sapos que ainda conseguem sobreviver à água imunda e fedorenta com a qual a Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa) jamais manifestou preocupação, ainda que fosse em consideração à saúde e aos 80 mil a 100 mil narizes dos moradores do bairro e a milhares de outros que passam por lá em trânsito, pela Avenida Jorge Amado e adjacências.
Cumpre esclarecer outra vez – pois já fiz isto antes – que piabas e sucuris não são animais em extinção, da mesma forma que ratos, baratas e mosquitos de variadas espécies, especialmente muriçocas. E que não é o Ingá, mas o CRA, o órgão estadual responsável pela preservação de espécies em extinção.
O Ingá exige – e quer saber hoje da prefeitura e da construtora se isso está sendo obedecido – que as placas com as quais o rio-esgoto a céu aberto está sendo coberto e os equipamentos que transformação a área em espaço de lazer são removíveis. Para que sejam removidos quando as bacias de captação, as lagoas e o rio-esgoto forem resgatados à poluição absoluta em que estão. O que ocorrerá na década ou no século em que a Embasa resolver fazer isto.
Ora, o Ingá deveria ter consciência de que quase tudo é removível. Se tanto a fé quanto as mineradoras removem montanhas, porque seriam eventualmente irremovíveis placas de concreto na cobertura do rio-esgoto e alguns quiosques de alvenaria construídos sobre elas? Informa o blog Por Escrito que o Ingá pediu e obteve do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura um laudo sobre o “caráter permanente ou temporário” da cobertura do rio. Ora, até o Céu e a Terra são temporários – “Passarão o céu a e Terra, mas as minhas palavras não passarão”, explicou Jesus (e Ele sabia mais do que Julio, ainda que fosse o Caesar e não o Rocha).
Bem, quando é que o Ingá vai exigir que seja removida a cobertura do Rio das Tripas, que corre sob a Baixa dos Sapateiros? Será que, depois de tantas décadas ainda

mar
09
Posted on 09-03-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 09-03-2010

Ministra Dilma: um doce?

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O tema da análise do jornalista político Ivan de Carvalho em seu artigo desta terça-feira na Tribuna da Bahia, é a fala do presidente Lula em seu programa radiofõnico transmitido para todo o País nas segundas-feiras. Ontem. segundo o colunista, Lula não brincou. Lula sabe que brincadeira tem hora. E, inspirado, entendeu que ontem não era dia nem hora de brincadeira. Então, falou sério sobre Fidel, Cuba, Chavez e Ahmadinejad, diz Ivan no texto que Bahia em Pauta reproduz.(VHS)

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LULA FALOU SÉRIO

Ivan de Carvalho

Bravo. O presidente Lula falou sério.

Aconteceu ontem.

Ele não disse que o estado de saúde de seu amigo, o comandante Fidel, é ótimo.

Nem que a Venezuela é uma democracia, quer dizer, continua sendo, apesar da investida caudilhesca e até agora incontida do coronel-presidente-ditador Hugo Chávez.

Tampouco não afirmou que sua visita ao Irã para retribuir a visita do “presidente” Mhamoud Ahmadinejad tem objetivo básico de “negócio”, ao invés do objetivo político e diplomático de dar alento a um dos governos mais aloprados do mundo – avaliação que quase todo o mundo faz.

Também não disse nada que tente induzir o eleitor a crer que Dilminha é um doce, quando, antes dela ser lançada candidata, o núcleo do governo, suas adjacências e, por indiscrições múltiplas inevitáveis no Brasil mais que em qualquer outro país, a mídia e o público melhor informado já sabiam que ela não é um doce coisa nenhuma. Foi até capaz de encaminhar ao presidente, para ele assinar, o tal decreto do Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3), que entre outras coisas espantosas abriga a liberação (descriminalização) do aborto, permitindo a matança dos seres humanos ainda não nascidos, inocentes e indefesos. Dilma apenas adocica na função de candidata.

Mas Lula sabe que brincadeira tem hora. E, inspirado, entendeu que ontem não era dia nem hora de brincadeira. Então, repito, falou sério.

Em entrevista a uma emissora do Rio de Janeiro (o presidente está muito acessível à mídia ultimamente, o que outrora não ocorria), Lula disse que a oferta de empregos vai ajudar a promover o equilíbrio nas contas da Previdência Social, pois haverá aumento de receita. Sério, mas dispensável por absolutamente óbvio.

Admitiu – e aí eu não qualificaria de dispensável – que o desequilíbrio nas contas da Previdência Social chega aos R$ 45 bilhões, diferença entre o valor arrecadado e os benefícios pagos. “Em 1988 (a Constituição) fizemos forte programa de seguridade social”, lembrou, acrescentando: “Se você pegar o que pagam os trabalhadores e o que eles recebem (em aposentadorias e outros benefícios), empata, não há deficit”.

Então proclamou o grande segredo de Polichinelo do deficit da Previdência: quando se incluem os benefícios garantidos pela Constituição, como pagamento para deficientes sem renda, idosos e trabalhadores rurais (aí o velho Funrural, criado antes mesmo da Constituição de 1988 pelo regime militar), “aparece um deficit de R$ 45 bilhões”. E ensina que isto “não é deficit, foi uma decisão do Estado brasileiro de fazer uma política de seguridade para o povo mais pobre”. E torce: “Se Deus quiser, vamos poder compatibilizar isso com o crescimento da receita (da Previdência) porque vai crescer a oferta de empregos”.

Que Deus queira. Mas há um senão. A conta da seguridade sem a correspondente contribuição do beneficiário devia ser paga pelo orçamento geral da União e não pelo orçamento específico da Previdência, pois para este último não entrar em total colapso é que as aposentadorias dos que contribuem têm sido continuadamente rebaixadas em seu valor real e até mesmo nos seus limites nominais.

Decisão do Estado brasileiro, ônus do Estado brasileiro, não dos contribuintes da Previdência.

mar
08
Posted on 08-03-2010
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Em sua coluna desta segunda-feira na Tribuna da Bahia, o jornalista Ivan de Carvalho comenta a anulação do exame da Ordem dos Advogados do Brasil, decidida ontem para todo País. O colunista assinala no texto que Bahia em pauta reproduz:Ora, errado está o espelho, não a resposta dada na prova. Conheço um caso específico assim, sub judice.Confira.

(VHS)

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O EXAME DA ORDEM

Ivan de Carvalho

A anulação do Exame de Ordem decidida pela OAB cria algumas questões. O exame é agora igual para todo o país. Envolve muita gente na elaboração da prova, na distribuição para as seccionais estaduais, na distribuição para os locais de prova em cada Estado. É extremamente difícil, quase impossível, controlar eficazmente isso tudo para que a honestidade não seja ferida no país da malandragem e da corrupção.

Por mais radical que haja sido a OAB em sua decisão e mais sérias que sejam a apuração do crime e, eventualmente, sua punição, será impossível reparar o dano sofrido pelos milhares de injustamente sacrificados, que fizeram honestamente as provas com o acerto necessário para a aprovação.

Também a OAB, enquanto mantém solitariamente no Direito a reserva de mercado representada pelo Exame de Ordem, preferindo isto a deixar que o próprio mercado marginalize os inaptos, como ocorre nas demais profissões – mesmo com os médicos, que lidam com a vida e a morte – precisa aperfeiçoar a correção de suas provas. Há um “espelho” pelo qual é feita a correção. Os que fazem as provas não sabem o que está no “espelho”, claro. Vem uma lei nova, está em vigor e não é incluída no “espelho”. O graduado leva em conta essa lei e quem corrige sua prova o faz pelo “espelho” e dá como errado. Ora, errado está o espelho, não a resposta dada na prova. Conheço um caso específico assim, sub judice.

mar
06
Posted on 06-03-2010
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Em seu artigo deste sábado na Tribuna da Bahia o colunista políticvo Ivan de Carvalho fala sobre Janio Lopo, a figura especial de jornalista e editor político da TB que ontem nos deixou e que será cremado às 11hs de hoje no cemitério Jardim da Saudade Janio foi sempre um ser prestativo e desapegado do ter e do mandar, um daqueles seres humanos que não vieram para ser servidos, mas para servir, diz Ivan no texto que Bahia em pauta reproduz.

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OPINIÃO POLÍTICA
JANIO LOPO

Ivan de Carvalho

Não poderia escrever hoje neste espaço sobre outro tema que não fosse, com sentimento profundo e difícil de expressar – pois reside no coração, onde é mais percebido que na mente, sedes da escrita e da fala – o colega Janio Lopo, morto durante a sua terceira grande crise cardíaca, pois outras menores já haviam ocorrido.

Às duas primeiras ele resistiu. Mas a terceira o levou. Não saberia dizer o que mais terá contribuído para isso, se o chamado que sempre chega, mas só em casos extremamente raros se tem previamente conhecimento do momento, se o cigarro do qual se afastava após cada crise e ao qual voltava após pouco tempo de abstenção.

Discutir porque ele fez neste momento, com 52 anos ainda incompletos, a passagem que leva à outra realidade, invisível para nós, mas tão ou mais real do que esta – a mutação da crisálida que ganha a liberdade das borboletas – talvez seja menos importante ou menos útil, agora, do que lembrar um pouco do que ele foi e representou no jornalismo baiano.

Tenho uma razão muito especial para fazer isto. É que a função de Editor de Política da Tribuna da Bahia, que ele exerceu com dignidade, coragem e independência (acumulando-a com a de colunista de política), foi antes, em dois períodos – o primeiro, de 14 anos, o segundo, de cinco anos – ocupada por mim. Posso dizer, com satisfação – a única que sinto nesta ocasião – que os critérios de seriedade, verdade e competência que humildemente sempre busquei imprimir à Editoria foram por ele mantidos. E a isso acrescentou qualidades outras que ao meu alcance não estavam.

Mas falar da competência profissional de Janio Lopo seria chover no molhado. A mim, colega e amigo seu, como tantos outros, obrigatório é – pois profunda injustiça seria não fazer este registro – assinalar algumas características do seu caráter ou modo de ser fora da profissão. Janio foi sempre um ser prestativo e desapegado do ter e do mandar, um daqueles seres humanos que não vieram para ser servidos, mas para servir, que vieram para fazer sorrir e não para se queixar, chegando em certos momentos não profissionais a dar a impressão de que não levava a vida muito a sério, que brincava com ela e seus problemas.

No jornalismo baiano – com o fim dos seus 30 anos de carreira, 20 dos quais no jornalismo político – e no coração de seus colegas e amigos, sua morte produz um vazio difícil de preencher. Mas, para ele e para nós, tenho certeza, a vida continua. Lá e cá. A Deus, Janio.

mar
05
Posted on 05-03-2010
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Heraldo: “transferência de responsabilidades”

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OPINIÃO POLÍTICA

O crack e a violência

Ivan de Carvalho

De acordo com o líder da oposição, o governo tenta transferir para a droga ilícita a responsabilidade pelo ‘crescente aumento’ da violência na Bahia.Será que o argumento tem sentido?

É este o tema do artigo de hoje do jornalista político Ivan de Carvalho, nesta sexta-feira, na Tribuna da Bahia, que este Bahia em Pauta reproduz. Confira.

(VHS)

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OPINIÃO POLÍTICA

O crack e a violência

Ivan de Carvalho

O governo do Estado elegeu o crack como a principal causa dos homicídios na Bahia. É o que está na propaganda oficial na televisão. É também, aproximadamente, o que disse o líder da oposição na Assembléia Legislativa, o democrata Heraldo Rocha, ao fazer da tribuna a crítica à mensagem anual que o governador Jaques Wagner lera ali, no dia 16 último, na sessão solene de abertura dos trabalhos parlamentares deste ano.

Em discurso, Heraldo Rocha disse que o atual governo tenta culpar o tráfico de drogas, sobretudo o crack – como registrou na ocasião este jornal – pelo crescimento da criminalidade, citando os outdoors espalhados por todo o estado. “É possível ler, claramente, a seguinte afirmativa: o crack é o responsável por 80 por cento da causa de violência”, relatou.

De acordo com o líder da oposição, o governo tenta transferir para a droga ilícita a responsabilidade pelo “crescente aumento” da violência na Bahia. “Essa informação – disse Rocha – é um absurdo, contestada até por grandes profissionais como o psiquiatra Antônio Neri. Ele afirma que isso é uma grande inverdade”. Nery é um conhecido psiquiatra baiano estudioso da questão das drogas.

É claro que o tráfico, comércio e consumo das drogas ilícitas são importante causa de violência, ainda mais quanto ao crack, por seu baixo preço financeiro (o preço pago pela saúde do usuário e pela sociedade é muito alto), acessível a toda a população, pela rapidez com que gera fortíssima dependência e pela dificuldade de erradicá-la, bem como pelo estado cerebral que produz.

Mas chegar sem mais nem menos àquele “percentual de responsabilidade” de 80 por cento da violência parece realmente demasiado criativo. E mais. Afinal, não é o crack uma droga ilegal cujo comércio cabe ao Estado combater? E não está em sua composição, como elemento básico, a cocaína, importada de países vizinhos por fronteiras mal fiscalizadas pela Polícia Federal e entrando nos Estados por divisas mal fiscalizadas pelas polícias estaduais e pelas polícias rodoviárias? Estarão a PF e as outras polícias aptas a fazerem essa fiscalização? E as polícias civis e militares estaduais, aptas também a combater o comércio do crack? Onde está a prioridade para a segurança pública e exatamente numa questão que seria responsável por 80 por cento da criminalidade violenta, no caso da Bahia? Existem ou não as cracolândias “liberadas”, mostradas na TV?

E já que citamos a televisão, com certeza é um enorme mal o que fazem certos programas de TV especializados em mostrar violência para ganhar a audiência da parte do público que adora ver misérias, o mesmo público que até provoca congestionamentos de trânsito só para verificar se o motoqueiro acidentado perdeu a cabeça ou ainda está com ela pendurada no pescoço.

Esse público assiste tais programas e fica com aquele “clima” na mente. Qualquer espiritualista e os cientistas sem preconceitos acadêmicos sabem que o pensamento é poderoso elemento criador (“Ocupai o vosso pensamento somente com o que é bom e belo”, aconselhou São Paulo, que sabia) e o que a mente foca tende a se concretizar. Aí estão esses programas e seus patrocinadores – assim como a insuficiência dos aparelhos policial e judicial – como parceiros do crack na gênese da violência.

mar
03
Posted on 03-03-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 03-03-2010

“Chose de loque”, diria aquele velho exilado político, personagem inesquecível, se escutasse atualmente as histórias do arco da velha na sucessão baiana. Por exemplo: Não seria o governador Jaques Wagner o interessado em incorporar o PR na coligação e o senador César Borges na chapa majoritária, mas o presidente Lula.É o que conta o jornalista político Ivan de Carvalho em seu artigo de hoje na Tribuna da Bahia, que Bahia em Pauta reproduz.
===================================================== Jô: “coisa de louco”

(VHS)

OPINIÃO POLÍTICA

De pernas para o ar

Ivan de Carvalho

OLHO: Não seria o governador o interessado em incorporar o PR na coligação e o senador César Borges na chapa majoritária, mas o presidente Lula.

Não é o governador Jaques Wagner que está pressionando o PT e o PR a aceitarem uma aliança que coloque o senador e ex-governador César Borges, presidente estadual do PR, e os políticos republicanos, votos e tempo no rádio e televisão. E que para atingir o objetivo de atrair o PR teria até envolvido na articulação o presidente Lula, com quem Wagner teve uma conversa a respeito, recentemente.

A informação acima não é minha, mas do blog de política Por Escrito. Baseado no que colheu de “um deputado muito próximo ao governador Jaques Wagner, que pediu a omissão de seu nome”, o blog vira tudo de pernas para o ar. Não seria o governador o interessado em incorporar o PR na coligação e o senador César Borges na chapa majoritária, mas o presidente Lula, que estaria para isto pressionando Wagner a fechar o acordo, já que não teria aceito “conversar com o PMDB, cujo líder na Bahia, Geddel Vieira Lima, estaria querendo uma recomposição”.

São informações surpreendentes, a começar pela de que Geddel estaria desejando uma recomposição com o governador e, obviamente, o PT. O ministro certamente terá algo a dizer sobre isto, já que uma simples notícia a respeito prejudica sua candidatura a governador, na medida em que põe em dúvida sua disposição e confiança para a batalha já em curso.

O informante do blog assinala que é muito forte no interior a reação das bases petistas ao acordo com Borges. Aliás, poderia ter dito – isso porque todo mundo sabe – que na cúpula do PT e na bancada federal, sem esquecer a estadual, existe resistência forte, já registrada aqui neste espaço e que, dentre outras razões, levou petistas de proa a lançarem a candidatura de Waldir Pires a senador. O blog, citando a mesma fonte, diz que “a tática de alianças é o partido que decide em convenção, mas é claro que o governador tem um peso grande no processo”. Mesmo com panos quentes, a frase parece querer mostrar que o poder do governador tem limites.

E agora o mais interessante. Wagner está sendo pressionado pela cúpula nacional, “até mesmo pelo presidente Lula”, de quem teria ouvido: “Você não quer o PMDB, que é aliado nacional do PT, e agora também não quer o PR, que é outro aliado nacional?”. A preocupação presidencial aí seria a de reforço ou não da candidatura de Dilma Rousseff a presidente.

Já o líder do PT na Assembléia, deputado Paulo Rangel, segundo o mesmo blog, está descrente na aliança Wagner-Borges e convencido de que, se o senador fechar o acordo com Wagner, a coligação também se dará nas eleições proporcionais para a Câmara dos Deputados e Assembléia Legislativa. E isto “é o mais grave”, de acordo com Rangel, porque “mais da metade dos deputados eleitos (pela coligação) seriam adesistas e ainda seriam eleitos oposicionistas, como Sandro Régis, Elmar Nascimento e Gracinha Pimenta. Por esses cálculos do líder, “setores históricos” – ah, a História – ficariam com a minoria das cadeiras, principalmente na Assembléia, situação que poderia ser agravada com a eventual reeleição de César Borges. “Nossa articulação deve ser no sentido de alterar o perfil político do Senado”.

Bem, disse mais o blog, mas basta isso para, provavelmente, desencadear uma pequena tempestade na política baiana. Ou um silêncio de estourar os tímpanos.

mar
02

O jornalista político Ivan de Carvalho alér em sua coluna de hoje na Tribuna da Bahia: Quem quer que esteja vendo um cenário sucessório todo arrumadinho na Bahia corre grave risco de cair do cavalo. Se segure bem ná rédea e no estribo enquanto Ivan destrincha o emaranhado politico baiano mais uma vez, no texto que Bahia em Pauta reproduz. (VHS)

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Lídice: incongnita na equação sucessória


OPINIÃO POLÍTICA

UM CENÁRIO CONFUSO

Ivan de Carvalho

Quem quer que esteja vendo um cenário sucessório todo arrumadinho na Bahia corre grave risco de cair do cavalo. As coisas estão para lá de confusas. Já abordei o tema neste espaço no dia 27, mas alguns novos fatos justificam nova abordagem, confirmando a maior parte do anteriormente exposto, mas acrescentando alguns dados relevantes.

Existe um quadro bem definido de candidatos a governador – Jaques Wagner, disputando a reeleição pelo PT e aliados é uma certeza política. Mas quais aliados? Aí, talvez com quase tanta certeza, deva-se invocar o “princípio da incerteza”, tão presente na física quântica quanto na política.

Até o sábado, o Partido Verde era uma possibilidade razoável de aliado. No domingo, deixou de ser. O coordenador geral da campanha da senadora Marina Silva a presidente da República e ex-presidente nacional do PV (do qual é hoje vice-presidente), Alfredo Sarkis, entendeu-se com o coordenador do partido para o Leste, Fernando Guida.

E este emitiu um comunicado aos verdes: “Tive com Sirkis a conversa definitiva: não há mais sequer a possibilidade de analisarmos qualquer proposta vinda do grupo do governador”. Guida explica que sua conversa com Sirkis foi antecedida de discussão do tema “em Brasília com diversos deputados federais e dirigentes nacionais” e “corroboramos a já plenamente conhecida decisão do PV-BA de lançarmos Bassuma (deputado federal Luiz Bassuma, presidente da Frente Parlamentar pela Vida e contra o Aborto, recentemente expulso do PT por sua oposição à liberação do aborto no Brasil) a governador e Edson Duarte (deputado federal) a senador”.

Deixa explícito no comunicado que “só há um caminho para o partido: atender à vontade da esmagadora maioria dos companheiros e às orientações da Direção Nacional, corroboradas pela Coordenação Nacional da Campanha Presidencial”, com o engajamento nas campanhas de Marina Silva e, na Bahia, de Bassuma e Edson Duarte.

Pronto: estamos com quatro candidaturas firmadas a governador – Wagner (PT), Paulo Souto (DEM), Geddel Vieira Lima (PMDB), com suas respectivas adjacências (algumas ainda cambiantes) e Luiz Bassuma (PV).
Quanto ao restante das chapas – para as duas cadeiras de senador e o cargo de vice-governador –, a indefinição é profunda. O senador César Borges é candidato desejado pelo governador, pelo ex-governador e pelo ministro.

Mas no PT, está encontrando resistências representadas pela tese de que não deve o partido colocar dois ex-carlistas na chapa. E sugere-se o ex-governador e ex-ministro Waldir Pires, do PT. O outro “ex-carlista” seria o ex-governador Otto Alencar, que entraria no PP. O PP pode ter um candidato a senador, mas não há certeza de que seja Otto. Politicamente ideal, ele está na dependência de veredictos médicos.

Nessa confusa equação, há que ser incluída a deputada e ex-prefeita Lídice da Mata. Para o Senado ou vice-governadora. E na chapa de Geddel, o vice-prefeito de Salvador, Edvaldo Brito, é uma hipótese muito relevante (mas são duas cadeiras em disputa). Assim como também é o senador ACM Júnior, cumprindo missão na busca de renovação do mandato na chapa de Paulo Souto. Hipóteses. E quanto ao resto, que nem aparece como hipótese?

fev
27
Posted on 27-02-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 27-02-2010

No artigo que assina neste sábado na Tribuna da Bahia o jornalista político Ivan de Carvalho assinala em sua antenada coluna que de acordo com os rumores de bastidor, embolou – mais do que já estava – a composição da chapa de candidatos às eleições majoritárias liderada pelo governador Jaques Wagner.

Um pouco mais de tempo (provavelmente pouco) ainda será necessário para que se decidam as coisas. No entanto, manifestam-se no PT resistências, principalmente na bancada federal, mas não só nela, à inclusão de César Borges na chapa. É o que alguns já consideram a dança do Rebolation, sucesso do carnaval e DO verão baiano chjegando à sucessão. Confira.

( VHS )

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A dança da sucessão no governo

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OPINIÃO POLÍTICA


REBOLATION NA CHAPA GOVERNISTA

Ivan de Carvalho

De acordo com os rumores de bastidor, embolou – mais do que já estava – a composição da chapa de candidatos às eleições majoritárias liderada pelo governador Jaques Wagner. Um pouco mais de tempo (provavelmente pouco) ainda será necessário para que se decidam as coisas.

Parece que a única coisa certa, imutável, é a candidatura do atual governador à reeleição.

Uma das questões ainda a receber um ponto final é a candidatura à reeleição do senador César Borges, presidente estadual do PR, na chapa encabeçada por Wagner. Há uma tendência muito forte de que o senador venha realmente a integrar a coligação liderada pelo PT, mudando radicalmente o seu alinhamento político anterior.

No entanto, manifestam-se no PT resistências, principalmente na bancada federal, mas não só nela, à inclusão de César Borges na chapa. Parte de alguns que propõem em seu lugar principalmente o ex-governador Waldir Pires (no deputado e secretário estadual Walter Pinheiro não se fala mais). O senador Borges ainda não fez manifestação pública clara a respeito, embora o governador haja sinalizado publicamente no sentido de que é muito provável a inclusão do senador e do PR na coligação.

Outro ponto nebuloso diz respeito ao candidato à outra cadeira de senador. O governador Wagner vinha dizendo que, além da candidatura dele mesmo à reeleição, só o que havia de certo era uma candidatura do PP a senador. Queria com isto dizer que estava acertado que o ex-governador e atual conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios, Otto Alencar, deixaria seu atual cargo, ingressaria no PP e seria candidato a senador. Tudo isso relativo a Otto parece estar mantido, menos a candidatura ao Senado. Rumores mais recentes o colocam entre a disputa da cadeira de senador e o cargo de vice-governador. Motivos pessoais, de saúde e até de “equilíbrio político” na chapa para o Senado poderiam (não estou afirmando que isto ocorrerá com certeza) deslocar Otto Alencar da disputa pelo Senado para candidato a vice-governador. A conferir.

Isso abrirá – ou abriria – espaço para outras mudanças. A deputada e ex-prefeita de Salvador, Lídice da Mata (dizem que está esfuziante), do PSB, que estava ficando escalada mesmo para candidata a vice, embora seu objetivo prioritário fosse o Senado, substituiria Alencar como candidata a uma das duas cadeiras de senador.

Quanto ao presidente da Assembléia Legislativa, Marcelo Nilo, do PDT, primeiro nome pensado para candidato a vice pelo governador, inclusive por ser máximo o grau de confiança pessoal e política de Wagner nele, ficará (ficaria) sem espaço numa chapa Wagner-César-Lídice-Otto. Neste caso, concorreria a mais um mandato de deputado estadual, com a garantia, construída ao longo desses últimos três anos, de uma votação extremamente expressiva. Uma análise rápida de conjuntura na Assembléia – incluindo previsões sobre sua composição na próxima Legislatura – sugere que, uma vez que Wagner seja vitorioso na candidatura à reeleição, Nilo teria chance de eleger-se presidente da Casa pela terceira vez consecutiva, em 2011. E, sabe Deus, até pela quarta, em 2013. Não é permitida mais de uma reeleição para presidente da Assembléia, mas a proibição só vale para a mesma Legislatura, o que não será o caso.

fev
26
Posted on 26-02-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 26-02-2010

Rio das Pedras “esgoto a ceu aberto no Imbuí”
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Em seu artigo desta sexta-feira o jornalista político Ivan de Carvalho comenta um fato que cairia no terreno do inacreditável se não não fosse aqui a terra dos maiores absurdos, como aformava Otávio Mangabeira, relacionado à canalização e urbanização do Rio das Pedras, no populoso bairro do Imbuí, em Salvador., Para ser franco e verdadeiro, diz Ivan ; no texto de arrepiar que Bahia reproduz, o Rio das Pedras (ou Rio Cascão, nome antigo) nada mais é do que um esgoto a céu aberto.Confira a história bem típica de tempos eleitorais na parte da Bahia que parece imutável.

(VHS)

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Opinião Política

INGÁ PERSEGUE IMBUÍ

Ivan de Carvalho

Seria absolutamente inacreditável se fosse apenas contado e não estivesse acontecendo mesmo a conduta do Ingá – um órgão da administração estadual – em relação à canalização e urbanização do Rio das Pedras, no populoso bairro do Imbuí, em Salvador, a cargo da prefeitura com recursos repassados pelo governo federal por intermédio do Ministério da Integração Nacional, cujo ministro é Geddel Vieira Lima, candidato do PMDB à sucessão do governador Jaques Wagner.

Para ser franco e verdadeiro, o Rio das Pedras (ou Rio Cascão, nome antigo) nada mais é do que um esgoto a céu aberto. E, como esgoto, empesteando o bairro com os produtos habituais dos esgotos – ratos, baratas, cobras, enxames de muriçocas, fedor – este insuportável em certas áreas, a exemplo das proximidades do shopping-center Caboatã. Tenho um razoável conhecimento dessas coisas como um dos 80 mil a 100 mil moradores do bairro.

Pois então a prefeitura, com a ajuda do Ministério da Integração Nacional, resolve executar obras que envolvem desde as bacias de captação próximas ao Condomínio Amazonas, no lado oposto da Avenida Paralela, até o canal, paralelo à Avenida Jorge Amado, que corta o bairro do Imbuí. Decidiu a prefeitura fazer o que é normal fazer com esgotos – canalizar, impedindo que aquelas pragas já mencionadas continuem ativas. O Imbuí é, historicamente, um dos focos do aedes aegypti, que transmite dengue e pode transmitir febre amarela.

Mas a prefeitura resolveu, no seu projeto, ir mais adiante. Além de transformar o esgoto a céu aberto em um esgoto devidamente acondicionado, incapaz de espalhar seus venenos para as adjacências, planejou transformar o espaço conquistado à sujeira numa área urbanizada, agradável, apropriada para o bairro cuja característica principal é ser vertical e ter escassez de áreas urbanizadas de uso público. Assim, realiza a principal obra municipal na capital no momento.

Então apareceu o Ingá, supostamente preocupado com duas ou três sucuris e meia dúzia (não estou minimizando, quis dizer meia dúzia mesmo) de piabas sobreviventes da sujeira. Nem sucuris nem piabas são animais em extinção, diga-se de passagem, como não muito de passagem é preciso dizer que essa preocupação com bichos é competência de outro órgão estadual, não do Ingá.

Pois o Ingá ficou todo preocupado com a hipótese da canalização e da cobertura do rio com placas de concreto tirarem das duas ou três sucuris (se ainda existem), da meia dúzia de piabas e, suspeito, dos milhares de ratos e baratas e milhões de larvas de mosquitos o oxigênio de que precisam. É improvável que o presidente do Ingá, que é candidato a deputado federal, espere eleger-se com os votos desses bichos, mas a ação insana (insana porque contrária à sanidade ambiental visada pela obra da prefeitura) permite visibilidade a esse candidato e ao órgão que dirige. Propaganda, a alma do négócio. Porque, se não for esta a razão da resistência, a outra seria ainda pior.

Ora, se o Ingá queria o Rio das Pedras a céu aberto, por que não intimou a Embasa (Empresa Baiana de Águas e Saneamento) a promover tal saneamento, trabalho que a gente sabe muito bem que nunca será feito.

fev
25

Geddel e Wagner: debate à vista

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Debate à vista entre o governador Jaques Wagner (PT) e o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB), antes do horário eleitoral gratuito? Quem sabe? O jornalista político, Ivan de Carvalho fala sobre essa possibilidade no artigo que assina nesta quinta-feira em sua coluna na Tribuna da Bahia.

Na cerimônia de “inauguração” ou entrega de 350 novas viaturas policiais, exibidas como em governos anteriores na Avenida Paralela, o governador Jaques Wagner desafiou para um debate os críticos da segurança pública na Bahia.Via twitter, como registrou Bahia em pauta, o ninistro Geddel topou o convite na hora, com velocidade digital.

Vale registrar que o desafio do governador é benéfico para a sociedade e precisa mesmo ser realizado, opina Ivan em seu artigo, que Bahia em Pauta reproduz.

(Vitor Hugo Soares ).

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OPINIÃO POLÍTICA

O DESAFIO DO GOVERNADOR

Ivan de Carvalho

Na cerimônia de “inauguração” ou entrega de 350 novas viaturas policiais, exibidas como em governos anteriores na Avenida Paralela, o governador Jaques Wagner desafiou para um debate os críticos da segurança pública na Bahia.

Como informa o blog Bahia em Pauta, “as palavras não foram lançadas ao vento”. Aspirante do PMDB à sucessão de Wagner nas eleições de outubro deste ano, o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, resolveu levar o discurso do governador petista a sério (como, aliás, devem ser levados a sério os discursos dos governadores, com exceção, conforme já demonstrou a prática, dos feitos pelo governador preso José Roberto Arruda, do Distrito Federal).

No twitter e em seu blog, Geddel aceitou o desafio: “Governador quer debater segurança? Marque hora e local. Tenho legitimidade para criticar e a mim não vão perguntar “por que não fez?”. Eu aceito o desafio”, insiste Geddel.

Certamente, se lançou o desafio, o governador, que naturalmente não estará pensando em fugir do debate que propôs, estará convicto de que tem elementos e argumentos para enfrentar as críticas, que são extremamente pesadas e vão desde o nível dos investimentos feitos no setor (apesar das 350 novas viaturas, dos 1350 novos integrantes da Polícia Militar e até, por que não, do polêmico Guardião) até o crescimento constante e acelerado dos índices de criminalidade, especialmente nas modalidades em que é usada a violência.

Convém ressalvar que, quanto à disseminação do tráfico de drogas e do tráfico de armas que o negócio das drogas ilegais enseja, uma enorme parte da culpa ou responsabilidade não assumida cabe ao governo federal – ao presidente Lula e ao Ministério da Justiça, bem como à legislação pertinente, que deveria ser feita por um Congresso Nacional dominado, na Câmara e no Senado, pelas forças governistas. Aí faltaram ações práticas no âmbito administrativo, como o controle de fronteiras, e vontade política do governo Lula para adequar a legislação ultrapassada. Mas isto não retira a responsabilidade do governo estadual, apenas a divide.

Dificilmente o ex-governador Paulo Souto, do DEM, e aspirante, tal qual Geddel, a voltar ao cargo, não vai querer ficar fora desse debate. A ele, como insinuou o ministro, implicitamente, poderá ser perguntado “por que não fez?”. Mas Souto tenderá a entrar no debate fazendo comparações, principalmente entre o seu último mandato de governador e o governo atual, no âmbito da segurança. Wagner terá que buscar elementos e argumentos para enfrentar essa comparação. Possível, mas nada fácil, pois o cidadão sente um forte aumento da insegurança pública e é isso que estará ocupando sua mente aos ouvir críticas, comparações e defesa.

Vale registrar que o desafio do governador é benéfico para a sociedade e precisa mesmo ser realizado. Os três candidatos – e mais, a exemplo do deputado Luiz Bassuma, candidato a governador pelo PV – estarão prioritariamente buscando assegurar votos nesse debate, mas ganhará a sociedade na medida em que ele conduza, menos a diagnósticos acadêmicos, e mais a medidas práticas que se possam adotar a curto e médio prazos para atenuar significativamente o problema e inverter as tendências tenebrosas atuais.

fev
24
Posted on 24-02-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 24-02-2010

Delúbio: único forçado a sair

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Em sua coluna desta quarta-feira na Tribuna da Bahia, o jornalista político Ivan de Carvalho fala de dois escândalos e a diferença de tratamento entre eles:o Mensalão do PT e o Mensalão do DEM. Ao registrar a recente eleição do ex-ministro chefe da Casa Civil ,Jose Dirceu , para o diretório nacional do Partido dos trabalhados, o colunista lembra que só o tesoureiro do PT, Delúbio Soares, foi forçado a sair do partido, ganhando depois o prêmio de consolação de ser chamado por Lula de “nosso Delúbio”. Bahia em Pauta reproduz o testo de Ivan de Carvalho. (VHS)

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OPINIÃO POLÍTICA

Diferenças dos Mensalões

Ivan de Carvalho

Há certeza de que o escândalo de corrupção em curso no governo do Distrito Federal e adjacências, já apelidado de Mensalão do DEM, envolvendo a sessão distrital deste partido no DF, será, naturalmente, objeto de exploração eleitoral pelos adversários da coligação a que os democratas estarão integrados na disputa pela presidência da República e que deverá ter na cabeça de chapa o governador paulista José Serra, do PSDB.

Essa previsível exploração terá como objetivo principal fazer parecer que, no item da corrupção, “é todo mundo igual”, que o eleitor não tem escolha e pode trocar uns pelos outros sem pedir troco. Isto porque o governo federal e o PT, que tem a ministra Dilma Rousseff como candidata apadrinhada pelo presidente Lula, produziu antes o escândalo do Mensalão, cuja denúncia da procuradoria geral da República foi recebida pelo STF, mas dormita nas gavetas do tribunal, dando margem à prescrição de crimes denunciados.

Convém lembrar que o Mensalão, denunciado inicialmente pelo presidente do PTB, então deputado Roberto Jefferson (que não estava alheio ao esquema do Mensalão), ao presidente Lula, colocou a este num nível desesperador de desprestígio popular. Só não foi iniciado um processo de impeachment porque o PSDB – recusando-se a adotar a linha proposta pelo aliado DEM – resolveu botar panos quentes, na esperança de enfrentar, em 2006, um presidente “sangrando”, com a popularidade no fundo do poço. Mas com a estranha desculpa de que “não sabia de nada” – apesar do aviso prévio de Roberto Jefferson – Lula recuperou-se.

E o PT passou a mão na cabeça de seus mensaleiros, ou quadrilheiros, para usar a expressão do ministro Joaquim Barbosa, do STF, que apontou o ex-chefe da Casa Civil, José Dirceu, como “chefe da quadrilha”. Só o tesoureiro do PT, Delúbio Soares, foi forçado a sair do partido, ganhando depois o prêmio de consolação de ser chamado por Lula de “nosso Delúbio”.

Hoje, José Dirceu está eleito para o novo Diretório Nacional do PT e fala a todo momento como uma das maiores lideranças políticas do partido. E ele é isso. José Genoíno, que era o presidente do PT na época do mensalão, é deputado federal. Eu poderia multiplicar os exemplos.

Mas vamos às flagrantes diferenças entre o Mensalão e o Mensalão do DEM, que o espaço é escasso. 1) A direção nacional do DEM ia expulsar o governador Arruda do partido, o único governador que tinha. Ele cancelou sua filiação na véspera. Ontem, o vice-governador Paulo Otávio também cancelou sua filiação para não ser expulso e renunciou ao mandato. 2) O Mensalão foi de âmbito nacional, o Mensalão do DEM restringe-se, até agora, à seção distrital do DF. 3) O Mensalão do DEM do DF é um horror, mas está sendo enfrentado de modo severo pelos democratas, ao contrário do outro, que teve o governo federal e o PT para “passar a mão” sobre a cabeça dos implicados, numa atitude do tipo, vão (ou fiquem?), vossos pecados estão perdoados, nós vos abençoamos.

Há outras diferenças, claro. A serem abordadas mais adiante.

fev
23

Nas manobras políticas da sucessão é chagada a hora de saber quem de fato tem farinha para vender na feira, como dizia, com seu jeito todo especial, o finado gaúcho Leonel Brizola.Várias e fundamentais são ainda as indefinições no cenário da Bahia, visualiza o jornalista político Ivan de Carvalho em sua coluna desta terça-feira na Tribuna da Bahia.Por exemplo: na tão comentada aliança do governador Jaques Wagner e seu PT com o senador Cesar Borges e seu PR, como fica a cantoria? Será que a militância e os simpatizantes do PT vão mesmo votar no “carlista” ou “ex-carlista” César Borges? E se eles tiverem alternativas? Pois vão ter, afirma Ivan em seu texto que Bahia em Pauta reproduz.Confira (VHS)

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Petistas votam em Cesar?

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OPINIÃO POLÍTICA

INDEFINIÇÕES NA SUCESSÃO

Ivan de Carvalho

OLHO: Mas será que a militância e os simpatizantes do PT vão mesmo votar no “carlista” ou “ex-carlista” César Borges? E se eles tiverem alternativas? Pois vão ter.

Várias e fundamentais são ainda as indefinições no cenário da sucessão baiana. Até mesmo sobre o que parece absolutamente certo – as candidaturas de Jaques Wagner, Paulo Souto e Geddel Vieira Lima a governador – alguns políticos põem dúvidas. Não a respeito da candidatura de Wagner à reeleição, mas quanto às outras.

Alegam que, a depender de uma série de circunstâncias, algumas improváveis, Souto ou Geddel poderiam trocar a aspiração ao governo por uma disputa por cadeira de senador. Mas deixemos isso de lado, já que as duas hipóteses parecem, no momento, muito improváveis.

Vamos às indefinições mais objetivas. Começando por uma quase certeza: o conselheiro do TCM, ex-governador Otto Alencar, vai se aposentar de seu atual cargo, filiar-se ao PP e concorrer a senador pela coligação que será formada em torno da candidatura de Wagner à reeleição.

E a outra vaga de senador, já que duas cadeiras estão em jogo? Aí é que se transpõe o portal do inferno. O governador esforça-se para completar sua dupla para o Senado com a candidatura à reeleição do senador César Borges, presidente estadual do PR e considerado candidato à reeleição quase imbatível. “Ex-carlista histórico”, gritam políticos da “esquerda” do PT, a exemplo do deputado federal Zezéu Ribeiro e do líder do partido na Assembléia, Paulo Rangel. E lançam alternativas como Waldir Pires e o deputado, ex-candidato a prefeito de Salvador e secretário estadual Walter Pinheiro.

Zezéu e Rangel podem até “ceder ao consenso” que o governador tenta estabelecer. Mas será que a militância e os simpatizantes do PT vão mesmo votar no “carlista” ou “ex-carlista” César Borges? E se eles tiverem alternativas? Pois vão ter. O deputado federal Edson Duarte é candidato a senador pelo PV da candidata a presidente Marina Silva. E Lídice da Mata, se não lhe for aberto espaço na chapa majoritária (para senadora ou vice-governadora) pode muito bem disputar cadeira de senadora pelo PSB. Enquanto isso, César Borges, se candidato na coligação liderada por Wagner, tende a perder muitos votos da área em que militou na política “desde criancinha”, a área do DEM e adjacências.

Quanto à chapa majoritária liderada por Paulo Souto, tem como uma possibilidade séria a candidatura do senador ACM Júnior, caso César Borges fique com Wagner. Mas, e a outra cadeira de senador na chapa de Souto, quem a disputaria? Mistério, ainda.

Quanto ao ministro Geddel Vieira Lima, a primeira indefinição a ser eliminada é a de o presidente Lula aceitar ou não a indicação do secretário executivo do Ministério da Integração Nacional, João Santana, para sucedê-lo no cargo. Definir isto significará a definição de outras questões, a principal das quais o relacionamento do peemedebista Geddel com a candidatura presidencial de Dilma Rousseff. Geddel, sabe-se, confia em que João Santana o sucederá. Os indícios apontam também para isto. Mas a nomeação será somente no início de abril. Convém lembrar Lavoisier – na natureza tudo se transforma. Um provável candidato ao Senado Geddel já tem, o vice-prefeito de Salvador, Edvaldo Brito. Falta o outro. Lídice não se sensibilizou com o aceno que lhe foi feito.