jul
01
Posted on 01-07-2009
Filed Under (Artigos, Gilson) by vitor on 01-07-2009

Novo e velho escudos: “melhor mudar o time”
escudo

bahia
==================================================

CRÔNICA DA CIDADE

Gol contra

Gilson Nogueira

No Real Madrid, Kaká, e eu, aqui, a desejar o Bahia voltar à primeira divisão do futebol brasileiro. Um sonho quase impossível de ver realizado, uma vez que o time que nasceu para vencer não mostra futebol para tanto e, muito menos, condição financeira para investir em jogadores capazes de fazer a diferença na hora do vamos ver. O elenco atual é medíocre, composto de atletas profissionais sem a técnica e o preparo físico á altura do maior torneio de futebol do país. Mais que isso, sem o amor à camisa que o levou a conquistar dois títulos nacionais, o de campeão da Taça Brasil, em 1959, o primeiro, e o Brasileirão, em 1988, o segundo.

Kaká chegando ao Real Madrid é o assunto da hora no Planeta Bola. O Bahia anunciando o lançamento de um novo escudo, o papo de quem gosta e de quem não gosta do Esquadrão de Aço, na cidade de Salvador. Ontem(30), pela manhã, na Praça Thomé de Souza, ao lado do Palácio Rio Branco e da Câmara Municipal de Vereadores, encontrei um dos maiores ídolos da história do clube, Eliseu Vinagre de Godoy. Um cumprimento rápido, mas, suficiente para um aperto de mão e os votos recíprocos de felicidade. O grande Eliseu continua elegante, como era, com a bola nos pés, envergando a camisa azul, vermelha e branca do dono da maior torcida do Norte e Nordeste do país. Trata-se de um craque, como atleta e cidadão.

O ex-jogador tornou-se comentarista esportivo de televisão. Nesse campo, como fazia na antiga Fonte Nova, segue brilhando. Ao colega de crônica, esqueci de perguntar o que achava do fim do futebol romântico e dessa idéia, que considero absurda, do meu time do coração lançar um segundo escudo, ou seja, duas marcas, para um mesmo produto. Não faz mal, Eliseu, logo logo,deverá dar a resposta à indagação que milhares de torcedores, como eu, estão a fazer. Com a elegância de sempre, é claro.

Para o torcedor que fazia da arquibancada da entrada do Estádio Octávio Mangabeira, a Fonte Nova, observatório para admirar o brilho daquele time de românticos, o novo distintivo, diferente do que existe, desde 1931, ano de fundação do clube, ao invés da bandeira do Bahia, parecendo tremular, dentro de um círculo, de pura emoção, apresenta o pavilhão do Estado da Bahia, sem mastro, diferentemente do primeiro.É uma bola fora. Ou melhor, um gol contra.

Dizem os marqueteiros, de lá, que o escudo que o mundo inteiro conhece será utilizado, apenas, nos uniformes dos atletas. O novo, por enquanto, não passa de uma idéia absurda, fora de foco. Por último, vai, aqui, o que o rapaz que pinta o velho escudo, em ladrilho branco, disse-me, na descida da Rua Chile, à porta do Edifício Bráulio Xavier, onde trabalhei, quando era, alí, a sucursal da Revista Manchete, da Bloch Editores: “ Em vez de mudar o escudo, esses caras deveriam mudar o time.”

Gilson Nogueira é jornalista

Pages: 1 2 3 4 5

  • Arquivos

  • Janeiro 2018
    S T Q Q S S D
    « dez    
    1234567
    891011121314
    15161718192021
    22232425262728
    293031