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15
Posted on 15-08-2009
Filed Under (Artigos, Gilson, Multimídia) by vitor on 15-08-2009


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CRÔNICA/ CONSELHOS

BOM FINAL DE SEMANA. COM BOSSA!

Gilson Nogueira

“Álcool e direção não combinam. É um coquetel fatal. Principalmente, para quem não ouve a voz da razão.” Palavras sábias da mãe de um amigo meu que sempre que saia de casa com seu fusquinha achava-se o Juan Manuel Fangio baiano. No baú das lembranças da mocidade, tomo emprestado o aconselhamento da senhora e inspiro-me, para pensar na vida. Começo dizendo que é melhor ser alegre que ser triste, que alegria é a melhor coisa que existe, que alegria é assim como a luz no coração, como sugeriu, um dia, o grande Vinícius de Moraes, poeta campeão, piloto de primeira linha, na condução de seu uisquinho honesto, ao fazer de sua cabeça ponto de partida de vendavais de paixões, mundo a fora. Primeio colocado no campeonato do falar de amor, o velho Vina.

Aproveite, portanto, amiga, amigo, a noite calma desta sexta-feira do mês do cachorro louco e curta a vida, com alegria, sem medo de ser feliz. Com serenidade, sabendo que a paz é a única coisa que nos faz sentir realmente humanos, dirija seus melhores pensamentos na direção do outro e proclame sua revolução de fraternidade, da boa-vizinhança, nem que seja, simplesmente, por um dia.

Para começar, se não estiver trabalhando, arrume um cantinho qualquer, em casa, para colocar seus problemas do dia-a-dia de lado e pense positivamente que tudo vai dar certo, amanhã. Em seguida, vá à geladeira, pegue algumas pedrinhas de gelo. coloque-as no copo, com seu uísque predileto, e sacuda a tristeza. Antes, sacuda o copo e corpo,bem devagar. Agora, ouça o som da “cascavel,” lembrando-se que, as vezes, essa “cobra danada” resolve “morder” quem a assanha demais. Se isso acontecer, babau, já era sua noite de festa. Plagiando a mãe do meu amigo, o sonho de quem não ouve a voz da razão pode virar pesadelo. Vá com calma, portanto, pensando, sempre, que nada melhor que a sobriedade, para que desejos se realizem. Se você estiver sozinho, ou sozinha, corra e abra a janela. Curta sua própia companhia. Ah, deixe a brisa soteropolitana, que está friazinha, entrar para valer e lhe fazer carinho.Nesse instante, de suprema satisfação pessoal, engate marcha única e acelere seus desejos mais nobres. Compartilhe sua felicidade. Ainda que, se for o caso,com você mesmo (a).

Alguém falou que viver é sonhar. Portanto, dê asas à sua imaginação e curta sua “viagem”, feliz, tranquilo(a) , sem sobressaltos, com moderação, na velocidade dos instantes mais simples, sabendo que os melhores perfumes estão nos menores frascos, como diz o ditado. Sonhe, para valer! Nos seus espaços de silêncio, lembre-se,a direção é sua, na condução de seu prazer, em mais um final de semana, que foi feito para recarregar baterias para a próxima semana. Aproveite a chegada do sábado e do domingo, pois ninguém é de ferro. Faça seu relax espiritual e físico. Ame, cada vez mais, profundamente. Se faltar-lhe inspiração, para qualquer coisa, procure uma estrela no céu , agora, que não chove, e dirija-lhe um pedido. Imagine que ela vai lhe responder, piscando diferente. Acredite nisso! Faça de conta que você vive em um lugar sem violência alguma, que o paraíso é aqui e que o sonho não acabou. Procure seus amigos e comemorem juntos a amizade que os une.E lembre que o sucesso, na infatigável caminhada de cada um, começa na fé. Deus é Pai e, sobretudo, Amigo. Ah, antes que eu esqueça, bom final de semana.Com muita Bossa Nova, é claro! A vida é bem melhor com ela. Gilson Nogueira

ago
13
Posted on 13-08-2009
Filed Under (Artigos, Gilson) by vitor on 13-08-2009

Noite em Salvador
noite

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CRÔNICA / SILÊNCIOS

A NOITE

Gilson Nogueira

Debruço-me no balcão da entrada da clínica odontológica e sou recebido com o sorriso branco de uma recepcionista. A bela moça faz-me imaginar ser ela a garota da propaganda de creme dental, cuja publicidade, aliás, está tão por fora das prateleiras midiáticas, na atualidade, como bunda de vedete aparecia nos anos daquelas estrelas piscando nos dentes de usuários de cremes dentais responsáveis por hálito fresco, com cheiro de selva de hortelã, 24 horas. As estrelas cintilando nos dentes alvos era invenção do outro mundo, na tela da tevê, afirmavam os mais velhos.

No sopro de brisa de inverno de final de tarde, tento, paradoxalmente, com palavras, colocar mais lenha na fogueira da indignação coletiva decorrente da violência que faz a Bahia já ser considerada antiga terra da felicidade. Ao puxar assunto com a recepcionista sobre o crime do Monstro do Iguatemi, em Salvador, na vã tentativa de conseguir mais aliados visando ao fortalecimento da idéia de promover uma manifestação pública contra a concessão de benefícios, como o indulto, a criminosos, dentro das cadeias, tipo o que foi concedido à besta, confessa, da morte da pediatra, que havia comparecido ao shopping, com sua filha de um ano e oito meses, para presentear o marido no Dia do Papai, a resposta da atendente“ É o mundo.”

” E que mundo!”, exclamei. Olho para a rua, através do vidro da porta principal,e vejo trabalhadores deixando o edifício, em construção, em animada conversa. Adiante, estudantes tomando sorvete e a baiana do acarajé esquentando o azeite de dendê, com cebola, na grande frigideira, para dar início a um dos rituais de prazer gastronômico da Bahia, cujo caldeirão de mistérios e sabores não pode ser entornado pela ignorância dos que confundem preservação das tradições culturais do povo baiano com sede de dinheiro.

Ao usar a boca, para comer com o espírito o bolo sagrado, noto que poucos se interessam pelo tema violência. Silencio. Na curva, meninos sujos e raquíticos, brigam por esmolas. O cotidiano da fome, sustenta-os com migalhas.Parecem pombos humanos, ciscando o lixo.” É de doer o coração”, tento comentar com um passante. Ele não responde.

A noite começa a cair. O ônibus engole quase todos os passageiros que o esperam, diante do beco da birita onde a cerveja desce para “levantar a moral “dos que precisam dela para suportar o peso dos seus problemas ou a usam para estimular os sonhos do dia. As luzes amareladas da cidade fazem-me confundir sombras e gente. Há mais sombras do que gente e, no lusco-fusco, tempo de encontrar a casa lotérica aberta, para a fezinha de lei, na ilusão de ganhar a grande bolada e, com isso, ajudar a construir um hospital, para meninos , em situação de rua, na capital ou, mesmo, na Ilha, no Subúrbio, no Interior do Estado. Cruzo os dedos. Olho o relógio de pulso e apresso o passo, para chegar em casa. Havia um telefonema a atender. Soube, pela empregada, que alguém queria saber o nome dos autores de Canção Que Morre No Ar. Carlos Lyra, fez a música, Ronaldo Bôscoli, a letra. O telefone ficou mudo.

Gilson Nogueira é jornalista

ago
07
Posted on 07-08-2009
Filed Under (Artigos, Gilson, Multimídia) by vitor on 07-08-2009


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Samambaia das Paineiras
samambaia
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CRÔNICA/NATUREZA

O Verde é Deus!

Gilson Nogueira

Confessadamente, não dá para deixar para depois a crônica que se pode escrever hoje. Ou, melhor, que eu devo digitar, agora, motivado por foto que fiz, em outubro do ano passado, de uma folha de samambaia. Eu, com minha mulher, minha filha, o marido dela, e a filhinha do casal, a minha netinha genial, de encantos mil, passeávamos, em manhã azul, na Estrada das Paineiras, um dos locais mais espetaculares do planeta, para quem quer sentir-se mais próximo de Deus.

Lá em cima, o Céu, com seu balé de nuvens ligeiras e preguiçosas, compondo a decoração da porta de entrada do infinito.Cá, a Terra, o Rio de Janeiro, com seus contrastes fabulosos, pintando a realidade, entre beleza e dor. O canto do pássaro, escondido na mata, a acusar meus passos e o eco que não quer silenciar das balas perdidas da Cidade Maravilhosa, acompnhavam-me.

A foto lembra-me aquele instante em que cliquei minha Cannon para registrar o sono da samambaia majestosa que se esticava, à beira do caminho, a fim de beijar e de ser beijada, nem que fosse, de longe, com um simples olhar. Dei-lhe um beijo eterno, captando sua majestade, para sempre, na máquina fotográfica digital, com a sensibilidade de quem, naquele dia, enquanto esperava que as pessoas se afastassem, caminhando – entre elas, a netinha do vovozinho “quilido” sorrindo bossa nova nos braços da sua mamãe e da sua vovó coruja – queria ouvir o silêncio, coisa que, um dia, já bem longe, no tempo, escutei de famoso colunista baiano,com gravador, ligado, na Praça da Piedade, em noite baiana do tempo de se andar na rua iluminado pelas estrelas, literalmente, de mãos dadas com a paz, querer tentar o feito.

E foi, ali, de cara para aquele verde imenso e fascinante,com a temperatura na casa dos 11 graus negativos, entre a neblina pintada de sol e o deslumbramento de quem não entende como pode ser tão estúpido o ser humano ao destruir a Mata Atlântica, que, de repente, o arrepio no corpo fez-se inteiro. Assustou-me. Sorri perdões. Tremi e fui em frente. Por um milésimo de segundo, em delírio silenciosamente descomunal, a voz forte, bem forte, entre as árvores altas, vindo de suas copas, a Ordenar-me:Siga, Meu Filho, Siga, Vá ao Encontro dos Seus, Eles Esperam por Você Para o Banho na Fonte de Água Gelada, Logo, Logo, Ali, na Curva, Naquela Subida, Volte Sempre!!! Por essas e outras, banhar-se em água que brota da pedra e amar samambaias tem algo de milagroso.Revigora o espírito e faz a gente amar o verde, sob todos os pontos de vista. Afinal, o Verde é Deus!

Gilson Nogueira é jornalista

jul
29
Posted on 29-07-2009
Filed Under (Artigos, Gilson) by vitor on 29-07-2009

Ilustração: Gilson Migué
miguel

OPINIÃO/CIDADES

Bandidos à solta

Gilson Nogueira

Comparações sobre beleza enfadam-me. Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos,Antoine de Saint-Exupéry escreveu. Francês retado, autor do livro O Pequeno Príncipe.

Cotejar Salvador com Rio de Janeiro, por exemplo, para apontar a mais bonita das duas capitais, faz-me solicitar, no ato, que me indiquem a porta de saída, com urgência, a fim de livrar-me do papo careta e, por tabela, dos chatos de plantão. Rio e Salvador são consideradas as mais belas metrópoles do Brasil, por suas belezas naturais. Se o quesito decisivo for violência urbana, não há vencedor, dá empate técnico.

A violência, lá, como cá, está a atingir níveis insuportáveis, fazendo com que os habitantes das duas cidades sintam-se cada vez mais indefesos por ineficiência do aparelho policial e da ausência de políticas públicas eficazes, com capacidade de conter a progressão geométrica desse câncer social. Não à violência urbana deveria ser o lema de campanha envolvendo todos os veículos de comunicação de massa do país, com o propósito de sensibilizar a nação para o gravíssimo problema. Que surjam os criativos e os patrocinadores da empreitada, aqui sugerida, paro bem do povo!

Por conta da violência, sente-se, já, em diversos locais, que muitas pessoas, sem saber, talvez, blindam-se no contato com o outro, nas ruas e shoppings ( e, até, no elevador do edifício onde moram ), prejudicando, por conseguinte, as boas relações humanas, tão necessárias à saúde da sociedade. Nesses encontros, fortúitos, ou não, sob o manto da desconfiança, esvai-se a cordialidade, esquece-se a gentileza, ignora-se a simpatia mútua, joga-se fora a felicidade, afugenta-se a convivência feita de coisas simples, como o aperto de mão, o sorriso cordial, o cumprimento educado, o simples alô!O prejuízo é enorme. E a paz entre os homens, aditivo que movimenta a confraternização entre os povos, vai para o brejo, como grande prejudicada.

A violência chega, a passos largos, às mais longínquas vilas do território brasileiro. Ali, marginais visitantes e marginais locais, os que nasceram no teatro onde o crime é praticado, assaltam e matam confiantes na impunidade. Espalham o terror por onde passam. Deixam suas marcas nos corações dos que tiveram seus entes queridos e amigos por eles assassinados. E muitos não são presos por isso. Fogem para matar mais. O tema Violência precisa ser discutido com mais profundidade, pela população brasileira, objetivando ao enfrentamento das suas causas , hoje. Ações policiais devem ser intensificadas. de Norte a Sul, com inteligência, para evitar uma barbárie coletiva. Aparelhe-se, em nível de primeiro mundo, todas as polícias. A força da lei é inquestionável. Aplique-se ela.

O medo, nesse cenário desalentador, de quase total desamparo do cidadão, pela inércia de gestores públicos, é parceiro da agonia e da desesperança. A pátria clama por segurança, ao ver, na mídia, assassinos de todos os matizes sendo contemplados com reduções de penas e verdadeiras mordomias concedidas pela justiça. Sua população está no limite da paciência..

…Por enquanto, amigo, mude seus hábitos, não saia às ruas, principalmente, à noite. Sua vida não tem preço. A sociedade está presa. Os bandidos estão soltos. Inclusive, no Congresso.

Gilson Nogueira é jornalista

jul
26
Posted on 26-07-2009
Filed Under (Artigos, Gilson) by vitor on 26-07-2009

farol
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Salvador, onde está sua ternura?

A paisagem espanta
O tempo todo
O horizonte sumiu!
O azul agora é vertical
Onde havia horizonte
Cimento
Cal
Minha cidade deixou de ser?
Já foi?
Ou não?
Um edifício alto e feio invade o céu
O vertical é mais que o horizontal
O caos
Do grito do guri que não fui eu
Do não roubei o leite seu fiscal vira atração
A paz sem endereço
A mentira nos palanques
Há gente com medo
Sorrindo
Ser normal
A rua escura
O vento frio
uma vontade de chorar
Um pedido de socorro sem resposta
E um jovem deitado na calçada da avenida principal
O crack roubou-lhe sonho
Seu travesseiro é de pedra
Salvador, reaja, volte a cantar sua ternura antiga!

Gilson Nogueira, jornalista (e poeta) da Bahia

jul
24
Posted on 24-07-2009
Filed Under (Artigos, Gilson) by vitor on 24-07-2009

A santa que vela por Serrinha
sanfa
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CRÔNICA/VIVÊNCIAS

Em nome da Santa

Gilson Nogueira

O Governo do Estado da Bahia vai proporcionar ao povo da cidade de Serrinha ( 173 km de Salvador ) maior quantidade de água nas suas torneiras. Por conta disso, lembro-me das primeiras trovoadas vividas, ali, nas férias escolares. Era época do deslizar no barro molhado por tempestades raras, no início dos anos 50 do século passado, como se o desejo fugaz de velocidade tivesse, também, o de comemoração, ao sentir o frescor da chuva a nos lambuzar a cara pintada de terra e manga.

As tempestades serrinhenses caiam para fazer “sangrar” o açude da Bomba e o riacho da Bela Vista, hoje mortos, no início dos anos 50 do século passado. Alagavam, de quebra, o desejo de jogar bola, na Baixa. Não era problema. Entre as opções de lazer dos meninos, além do baba, ver passar boi de careta constituía-se em espetáculo gratuito e imperdível. Tangido por vaqueiro encourado, torcíamos pela fuga do boi, a caminho do matadouro. Perdíamos o jogo.

Com uma venda de couro sobre olhos, parecendo chifrar a própria sombra, a caminho da morte, o bicho era um perigo só. Parado, nos olhava, de lado, furioso, até o momento exato de “resolver” sair correndo, pular cercas e muros, invadir quintais, colocar assustados moradores da Avenida Antonio Rodrigues Nogueira, grande e bonita via que liga o centro da hospitaleira Serrinha ao município de Barrocas.

Desde sua fundação, Serrinha é a casa de Nossa Senhora Santana, sua padroeira. A estátua, esculpida em cimento e ferro, foi erigida pelo saudoso fazendeiro Samuel Nogueira, no alto da colina que leva o seu nome, em atenção ao pedido de seu pai, Antonio Rodrigues Nogueira, devoto da Santa e um dos pioneiros da cidade, antiga morada dos índios Cariris. Comenta-se que o belo monumento, doado pela família Nogueira ao Clero de Serrinha, está a merecer cuidados especiais da Diocese local, em vez da idéia, que muitos consideram absurda, de vir a ser trocada por uma estátua de madeira, conforme anunciado, recentemente, por um padre, em sermão de missa por ele celebrada.

Volto ao boi de careta. Como não sou adepto do “ atletismo” da Corrida de São Firmino, na Espanha, jamais desafiei touro algum, mesmo porque, considero-me, desde as touradas que os circos inventavam, hoje, no patamar de meus bem vividos anos, entre idas a vindas a Serrinha, defensor intransigente do aconselhamento naturalista de quanto menos carne verde comer, melhor para a saúde humana.

A Santa, graças a Deus, continua, lá, firme e forte, como o maior cartão-postal de Serrinha!. Os bois de careta? Bem, esses, sumiram, como os carros puxados por aqueles que não usavam máscara. “Ôa, Turmiada!; Meia-volta, Canário; Volta, Passo Preto! Na lembrança, os sons de um tempo do gemido de pau na roda e da toada dos que não imaginavam, um dia, na esteira das impiedosas agressões à história de um povo e às suas tradições religiosas e culturais, que se cogitasse transformar um símbolo de fé em pó.

Gilson Nogueira é jornalista

jul
18
Posted on 18-07-2009
Filed Under (Artigos, Gilson, Multimídia) by vitor on 18-07-2009


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Tom Jobim, de óculos, com um puro Havana entre os dedos da mão esquerda, está na foto. Lê uma partitura. Parece vivo. Na parede, tem sentido estético. Faz parte do meu acervo de jornais, revistas, livros, CD e DVD sobre o maestro soberano.

Anos Dourados está disponibilizada no site-blog-blog-site Bahia em Pauta. A Bossa Nova, estado de espírito, estética do processo, silêncio que encanta, divisor de águas da música brasileira, tem mais vez, na Bahia. Viva, Vitor!!!

Dia e noite, em constante estado de oração, ou melhor, de BN, estou a cantar e a ouvir canções do gênero, a recordar momentos vividos com quem fez e faz a Bossa ser eterna. Por isso, vou providenciar, já, reprodução de foto do saudoso Luizinho Eça, para ficar ao lado da foto de Tom, aqui, no gabinete do meu computador.

Luizinho, o maior pianista de todos os tempos da Bossa Nova, com quem compartilhei gargalhadas à moda carioca-baiana, não morreu. Em algum lugar do Cèu, ele se movimenta, cria, toca magistralmente, sorri, como faz ao executar Na Baixa do Sapateiro, de Ary Barroso, com Lilian Carmona, à bateria, e Luiz Alves, no baixo, nesse vídeo. Ouça, curta, sonhe e diga que a Bossa Nova vai arrasar!!!

Vai, amigo, solta o pau, como disse, a Luizinho Eça, no dia em que o conheci, em uma das viagens do lendário Tamba Trio, a Salvador, no início da década de 70 do século passado, a caminho do Teatro Castro Alves, onde o Tamba iria fazer show memorável!

Eu estava lá, na primeira fila, embasbacado com o som do Tamba, o melhor trio que o Brasil conheceu. Havia ganho o passaporte que faltava. Tom e Luizinho permanecem vivos, em nossos corações. A Bossa continua linda, gente boa!

(Gilson Nogueira é jornalista)

jul
17
Posted on 17-07-2009
Filed Under (Artigos, Gilson) by vitor on 17-07-2009

Fonte Nova, adeus!
fonte
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CRÔNICA/MEMÓRIA DE UMA CIDADE

Tributo aos torcedores mortos

Gilson Nogueira

A Tribuna da Bahia divulgou que a Fonte Nova será demolida. Antes que alguém aperte o botão iniciando a detonação das bananas de dinamite que irão transformar aquele templo de glórias do futebol da Bahia em uma montanha de escombros, vai, aqui, uma sugestão à Federação Bahiana de Futebol (FBF): Decrete luto oficial no futebol estadual, assim que a morte do Estádio Octávio Mangabeira, a Fonte Nova, for definitivamente confirmada.

Um minuto de silêncio, ao início de qualquer partida a ser disputada nos campos de futebol do estado, a partir da próxima semana, seria, também, de pronto, outra providência bem-vinda da entidade máxima do futebol da Terra dos Absurdos. Pelo que a Fonte Nova representou para os clubes, a ela filiados, esse um minuto de silêncio valeria mais que uma eternidade. De quebra, nos jogos do campeonato baiano, de todas as suas divisões, o uso de tarja preta nos uniformes dos árbitros e jogadores, em campo, como sinal de pesar pela morte anunciada da Fonte Nova.

Prestes a se transformar em uma arena (argh), à beira do Dique do Tororó, a nova Fonte Nova deveria abrigar a derradeira homenagem póstuma da Bahia Esportiva às sete pessoas que morreram, no dia 25 de novembro de 2007, em conseqüência da queda da arquibancada do anel superior do estádio, que cedeu, aos 42 minutos do segundo tempo da partida entre Bahia x Vila Nova, de Goiás, pela Série C do Brasileirão.

Construa-se, ali, na entrada do novo Estádio Octávio Mangabeira, um memorial em homenagem às vítimas daquela tragédia. Um marco imponente, em mármore, capaz de desafiar o tempo, para perpetuar-se na lembrança do povo que faz do futebol sua maior paixão. O memorial, no formato de um grande coração, símbolo do amor, seria mais uma prova concreta de saudade de todas as torcidas brasileiras daqueles torcedores que foram colhidos pela fatalidade no momento em que vibravam com seu time.

Faça-se justiça. Escreva-se, em letras garrafais, no monumento, em tributo, os nomes de Márcia Santos Cruz, Jadson Celestino Araújo Silva, Milena Vasquez Palmeira, Djalma Lima Santos, Anísio Marques Neto, Nidia Andrade Santos e Joselito Lima Jr, vítimas fatais de uma das maiores tragédias em estádios de futebol de todo o mundo.

A Copa do Mundo de 2014, razão pela qual as dinamites serão detonadas, não impedirá que a antiga Fonte Nova possa reerguer-se das cinzas e, no meio da multidão, vir a soltar o grito: “Não me esqueçam, eu tenho histórias para contar!”

Gilson Nogueira é joralista

jul
11
Posted on 11-07-2009
Filed Under (Artigos, Gilson) by vitor on 11-07-2009

Flavio Luiz: talento baiano na prancheta
flavio

CRÕNICA/PERFIL
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O SALTO DO GÊNIO

Gilson Nogueira

“O cartunista baiano Flávio Luiz (hoje ilustrador da África) é um dos 50 convidados para participar do álbum comemorativo dos 50 anos de carreira de Maurício de Souza, criador da Turma da Mônica, ao lado de nomes como Ziraldo, Laerte, Fábio Moon, dentre outros”.

Nelson Cadena, publicitário, redigiu a nota acima para a sua coluna Mídia, do Jornal da Metrópole. O JM, senhoras e senhores, leitores do Bahia em Pauta, é um veículo impresso, em tamanho tablóide, distribuído, gratuitamente, às sextas-feiras, na Grande Salvador. Por sua qualidade editorial, segundo alguns de seus leitores mais assíduos, acaba tão rápido quanto cerveja gelada em dias de sol forte na praia do Porto da Barra.

Cadena não me conhece. Portanto, não seria capaz de aquilatar a satisfação que experimento ao ver Flávio, meu irmão caçula, entre os cobras do cartum do país na edição comemorativa do ciqüentenário de estrada de Maurício de Souza.

Por acompanhar a carreira de Flávio, desde o dia em que ele, ao nascer, fez com um lápis que caiu no seu berço uma caricatura de Deus, entendo que os fãs desse baiano genial, bem como a Turma da Mônica, devem estar felizes da vida com o convite feito ao cartunista dono de traço mágico para engrandecer a obra que saúda o bruxo responsável por fazer a HQ brasileira ser mais valorizada, através de seus personagens encantadores, como o é Cebolinha.

Lembro de Flávio pequenino, no chão da sala de jantar, rabiscando coisas. Entre uma olhada e outra no que ele desenhava, no papel, via figuras que se movimentavam, sem que ele percebesse. Um dia, imaginei que um daqueles personagens iria sair dali e ganhar o mundo. Fiquei calado, não disse nada a ele, nem a ninguém, em casa. Segui conferindo confiante, torcendo, rezando e testemunhando o crescimento fantástico do trabalho de Flavinho. Até que, de repente, aquela figura, que ameaçava saltar do caderninho de Flávio Luiz, mais que depressa virou gente e deu um salto sensacional, para ser amada no mundo inteiro. Com vocês, ele, Aú, o capoeirista!

Acessem http://www.auocapoeirista.com.br

Gilson Nogueira é jornalista
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PS Escolas do interior paulista que não obtiveram uma boa avaliação do IDESP (Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo) receberam uma lista de projetos pedagógicos a escolher, nos quais podem desenvolver programas paradidáticos que ajudem a melhorar o desempenho de seus alunos. Entre os projetos encontra-se um específico com a utilização de quadrinhos e para tal a indicação foi a utilização do álbum recém lançado pela editora Papel A2, AÚ, O CAPOEIRISTA, de autoria de Flávio Luiz. O IDESP (Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo) é um indicador de qualidade das séries iniciais (1ª a 4ª séries) e finais (5ª a 8ª séries) do Ensino Fundamental e do Ensino Médio”
Traço marcante de Flávio
capoeira

jul
03
Posted on 03-07-2009
Filed Under (Artigos, Gilson, Multimídia) by vitor on 03-07-2009

CRÔNICA DE CINEMA

UM HOMEM, UMA MULHER, O FILME

Gilson Nogueira

Faça de conta que você ouve alguém tocando Wave ao piston na praia de uma ilha deserta em fim de tarde chuvosa e que você está só no único bar aberto bebendo alguma coisa à espera da mulher que você se apaixonou quando a viu descer do barco que a levou até lá para passar o final de semana em uma pousada de um amigo dela.

Se não for essa a imagem que pinta, imagine qualquer outra história que o faça feliz e deixe seu coração bater mais forte. Em seguida, pensando na paixão de sua vida, vá ao computador e procure a trilha sonora do filme Um Homem, Uma Mulher, dirigido por Claude Lelouch, tendo Anouk Aimeé e Jean-LuisTrintignant nos papéis principais. Mesmo quem não é fã de carteirinha de cinema sabe que Un Homme et une Femme é considerado um dos carros-chefe da ‘Nouvelle Vague’ francesa e detentor da Palma de Ouro no Festival de Cannes de 1966 e dos Oscars de Filme Estrangeiro e Roteiro Original de 1967.

Foram mais de 40 premiações conquistadas no mundo inteiro. A película conta a história de dois viúvos que se conhecem ao acaso ao visitarem seus respectivos filhos em um colégio interno a cada fim de semana. Certa vez, Anne (Anouk) perde o trem e Jean–Louis ( Trintignant ) lhe oferece uma carona de volta a Paris. Aos poucos começam um relacionamento, cujo final não deve ser contado, aqui, para não perder a graça. Procure assisti-lo, em DVD.

Enquanto você pensa nisso e, claro, na mulher amada, faça uma pausa, no seu final de semana, e escute parte da trilha sonora de Francis Lai para essa que é uma das mais belas histórias de amor da chamada sétima arte. As principais características de Lelouch, você sabe, eram o uso de uma câmera móvel e de temática que tratava das relações humanas, com ênfase para homens-mulheres. No dia que fui ver o filme, em Salvador, aos 21 anos de idade, sabia que o Samba da Benção, cantado por Vinícius de Moraes e Baden Powwel, seus autores, estava lá. E, até hoje, independentemente de possuir o LP da sua trilha sonora, tento, apaixonadamente, no dia-a-dia, “filmar” um novo mundo, mesmo sem uma câmera na mão. Viva Glauber!!!

Gilson Nogueira é jornalista

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