dez
30
Posted on 30-12-2009
Filed Under (Artigos, Eventuais) by vitor on 30-12-2009

O jornalista e colaborador especial deste site-blog baiano. Patrick Brock, manda de Nova Iorque um conto de sua autoria publicado no extinto Caderno Dez!, do Jornal A Tarde, em meados de 2005. Fala de seu avô, que faleceu no último Natal aos 94 anos, após oito deles sem sair da cama.

Durão, sertanejo, sergipano de Lagarto, ultra-religioso e conservador, sêu Hélio veio da barriga da miséria nordestina e gostava de ler nas madrugadas. “Um dia achei “Céu e Inferno” de Aldous Huxley em sua biblioteca”, revela Patrick na mensagem mandada para o editor (e amigo admirador) junto com seu bem escrito e comovente conto de fim de ano, que Bahia em Pauta orgulhosamente compartilha com seus leitores.

BP agradece, Patrick!

(Vitor Hugo Soares, editor)

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CONTO DE FIM DE ANO

AERO WILLYS

Patrick Brock

Hélio Barbosa nasceu numa noite dolorida, pelas mãos de uma parteira caolha, no 12 de dezembro de 1916, na terra seca de Lagarto, onde os habitantes famintos acostumaram-se a caçar os répteis remanescentes. Cresceu forte e sadio, mas perdeu os pais para a tísica aos 18 anos. Ensaiava carreira militar; chegou a cabo e era organizado e prestativo. Mas o irmão mais velho, um padre de certa influência que deveria sustentar o peso da família pela tradição daquelas terras do Sergipe, negou a herança onerosa e influenciou a reprovação do irmão nos exames que o tornariam oficial. Resignado, Hélio cuidou da família. Fez bicos.

A próxima oportunidade foi no Banco do Brasil. Virou inspetor, famoso pela argúcia e exatidão. Corrigiu muitas agências bancárias de cidades esquecidas, como Adustina. Próspero, conheceu a filha de um fazendeiro decadente de cana de açúcar. Formaram numerosa família, instalaram-se na Rua Maruim, ao lado da catedral e da prefeitura. Ele obteve uma posição estável e um Aero-Willys verde. Decidiu estudar na Bahia, formou-se em direito já um senhor distinto e dedicou-se à parapsicologia. Pelo menos uma vez, conseguiu deixar o seu corpo físico, feito interrompido apenas pelo rodar alvoroçado de um ônibus na sua rua, que se tornara central à medida que a cidade crescera nos últimos vinte anos. Reza a lenda
que declarou ao americano que queria casar com sua filha, a segunda mais velha e também a única a realmente peitar sua disciplina ditatorial. “Quer mesmo casar com ela? Você sabe como ela é teimosa?” Anos depois, a própria filha ultrajada repetiu o desafio para noiva de seu filho, como a história que repete os próprios erros. Aposentado no início dos anos 1979, Hélio viajou de navio à Terra Santa e o Vaticano, chegou até a comprar uma pistola Bereta .25, e até, às vezes, a empunhava para mirar o muro. Aos 70, Num prenúncio de decadência mental, separou-se da consorte com quem viveu mais de 60 anos, acusando-a de uma improvável traição. Só, diluiu a saúde em quedas estúpicas e névoa mental crescente. Aos 80 anos, ao menos 40 deles sob uma dieta metódica, calórica, tornou-se totalmente senil e praticamente imóvel. Dormia a maior parte do tempo. Fui visitá-lo.
– Lembra quando fomos passear no Aero Willis e o carro parou em frente ao Parque Cementeira? Você esperou a chuva passar e depois trocou o fusível. Buzinava duas vezes antes passar nas esquinas – falei, brincando, quando sentei ao seu lado para vê-lo almoçar. Seus olhos lacrimejavam de catarata. Toquei sua mão. Percebi que tentava me reconhecer. No quarto, ao redor, a audiência íntima respirava em calma expectativa na atmosfera de odor higiênico e pacífico de um lugar escudado, seu destino final. O frigobar persistente lembrava-o de tempos antigos, sem eletrodomésticos. Só um homem que veio da pobreza extrema, como ele, poderia considerar um luxo ter um frigobar no quarto.
– Eu gosto de ler, vô, disse, finalmente. Só aí é que ele assentiu, com um leve movimento da cabeça grisalha e esfiapada pelos últimos tufos de cabelos.
– E está fazendo muito certo.
Depois, voltou-se para o zumbido do televisor. Dormiu.

Patrick Brock, jornalista baiano e tradutor, mora em Nova Iorque

dez
28
Posted on 28-12-2009
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Geddel:  “métodos carlistas na comunicação”
GEDD
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DEU NO JORNAL FOLHA DE S. PAULO

MATHEUS MAGENTA

DA AGÊNCIA FOLHA, EM SALVADOR

Principal candidato a herdeiro político do carlismo na Bahia, o ministro peemedebista Geddel Vieira Lima (Integração Nacional) intensifica as viagens pelo Estado, a distribuição de recursos a aliados e as aparições públicas para tentar ocupar o vácuo eleitoral deixado pelo senador Antonio Carlos Magalhães, morto em 2007.

Pré-candidato ao governo baiano, Geddel segue estratégia parecida à de ACM durante a hegemonia do carlismo no Estado, com distribuição de recursos a aliados e influência em meios de comunicação.
Das verbas do Ministério da Integração Nacional destinadas à Bahia, 68% do total foi repassado por convênios a prefeituras do PMDB. De acordo com Geddel, que comanda o ministério desde março de 2007, os critérios são técnicos.

Sem dispor de um império midiático como ACM (com canais de TV, rádio e jornal impresso), Geddel criou um jornal partidário, virou comentarista semanal na rádio Metrópole -do ex-prefeito carlista Mário Kertész- e exerce forte influência sobre blogs importantes no interior baiano.

Para fortalecer a candidatura, Geddel intensificou a agenda de inaugurações de obras no interior do Estado. Em média, são visitados quatro municípios por final de semana.
Apesar de todo esforço, Geddel ficou em terceiro lugar na primeira pesquisa Datafolha após o racha, em agosto deste ano, entre PT e PMDB no Estado. Na pesquisa feita em dezembro, Geddel aparece com 11%, atrás do governador petista Jaques Wagner (39%) e do ex-governador carlista Paulo Souto (DEM), com 24%.

Poder político

Nas eleições municipais do ano passado, o PMDB baiano conquistou 115 das 417 prefeituras, um crescimento de quase cinco vezes em relação a 2004, quando o partido havia vencido em 20 municípios.
O partido cresceu principalmente com a adesão de políticos ligados ao carlismo.

Por outro lado, entre 2004 e 2008, o número de prefeitos do DEM, que era o partido de ACM, caiu de 153 para 43.
Cotado como vice na chapa de Wagner, o presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, Marcelo Nilo (PDT), minimizou a força eleitoral do ministro e disse que os prefeitos do PMDB não irão transferir votos para Geddel porque eles apoiam a reeleição de Wagner.

“Dos 115 prefeitos do PMDB, 78 já declararam apoio a Wagner para 2010. O voto histórico do carlismo sempre esteve ligado ao governador. As prefeituras não são de Geddel, mas da base do governo”, disse Nilo.
Após a saída do governo, o PMDB só conseguiu atrair os nanicos PTB, PRTB e PSC, entre os quais apenas o último elegeu deputados estaduais.

Para enfrentar o ex-aliado em 2010, o governador adotou a estratégia de ignorar o ministro como terceira força política no Estado e afirma que considera apenas Paulo Souto como adversário a ser batido.
No comando do Estado por 16 anos consecutivos, até a vitória petista em 2006, o DEM baiano tenta lucrar com a briga entre PT e PMDB, tida como irreversível por ambos.
Interessado na polarização com Jaques Wagner, Paulo Souto tenta atrair Geddel para uma aliança eleitoral num possível segundo turno.

dez
28


Salvador, a cidade fundada às margens da fantástica Baía de Todos os Santos para ser “a pérola da América do Sul” não poderia receber notícia pior neste final de 2009. O seu prefeito, João Henrique de Barradas Carneiro (PMDB) foi escolhido o pior entre os administradores das 9 principais capitais brasileiras, segundo os dados da mais recente pesquisa Datafolha.

E não é a primeira, mas a terceira vez que esta desonra acontece.

De tanto favorecer “tantos negócios e tantos negociantes”, principalmente os da especulação imobiliaria descontrolada , o prefeito ficou até sem seu gabinete para tocar a administração desastrada, prorrogada por mais quatro anos. As chuvas inundaram o local de despachos de João, e as obras de recuperação se prolongam sem fim, como no resto da abandonada cidade da Bahia.

Do jeito que João gosta, pois assim ele pode zanzar de gabinete em gabinete improvisados, jogando conversas políticas fora com os que o comandam, ou em acordos geralmente fechados nas agências de propaganda que controlam as contas de seu governo, ao mesmo tempo em que “fazem a cabeça do prefeito”.

Além de má notícia, uma lástima para Salvador

(Vitor Hugo Soares)

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João: no lixo dos prefeitos das capitais
joao
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Deu no jornal A TARDE

Thais Rocha

O prefeito de Salvador, João Henrique de Barradas Carneiro (PMDB), ficou em último lugar no ranking de avaliação de prefeitos realizado pelo Instituto Datafolha e publicado neste domingo, 27, no jornal Folha de S.Paulo. O ranking leva em consideração, em primeiro lugar, a nota média atribuída aos administradores, em uma escala que vai de zero a dez.

No caso de Salvador, o prefeito ficou com 4,9. Como critério de desempate, o Datafolha utiliza os índices de aprovação e rejeição dos prefeitos. No caso de Salvador, o percentual de reprovação foi de 35%, enquanto o de pessoas que consideram a administração boa ou ótima é de 25%.

A popularidade da administração soteropolitana é vista como um termômetro das eleições para 2010. Apesar de não ser candidato, João Henrique é o principal cabo eleitoral da candidatura do PMDB ao governo do Estado. Dessa maneira, sua administração refletiria como seria um governo peemedebista no Estado.

Mas, apesar disso, ela se mantém na última colocação entre as nove capitais pesquisadas. O prefeito amarga com esta posição nos últimos três anos da pesquisa, quando sua popularidade oscilou entre 24% e 28% e o percentual de reprovação variou entre 35% e 43%, este último número em 2007, antes da reeleição.

O ministro Geddel Vieira Lima, pré-candidato do partido para o governo do Estado, lembrou a baixa popularidade do prefeito de Salvador antes das eleições de 2008, quando foi reeleito para o governo da capital baiana. “Este resultado é reflexo da exposição na mídia. Enquanto o governo do Estado faz uma campanha massiva, a prefeitura economiza em verbas de publicidade”, disse.

O assessor de comunicação da prefeitura, André Curvello, informou que não conseguiu entrar em contato com o prefeito, mas lembrou que historicamente esta pesquisa aponta baixos índices de popularidade a João Henrique. “Não levamos este índice em consideração, já que, no ano passado, o resultado foi semelhante e nós vencemos a eleição”, disse.

Recorrente – O ranking de prefeitos do Datafolha aponta a baixa popularidade de João Henrique desde 2007. Mesmo logo após a posse para o segundo mandato, em março de 2009, ele permanecia em 9º lugar entre as nove capitais pesquisadas.

A vereadora da bancada de oposição na Câmara Municipal, Vânia Galvão (PT), comentou que o resultado da pesquisa reflete a política adotada na administração de Salvador. “Não há planejamento, as ações são realizadas no susto e coleciona críticas em todas as áreas”, avaliou.

Para o deputado federal Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM), aliado do prefeito, a baixa popularidade é reflexo da dificuldade financeira pela qual a prefeitura passa. “As medidas adotadas para amenizar este problema só surtirão os primeiros efeitos em 2010”, disse. Ainda assim, ele diz que a pesquisa chama a atenção para algumas áreas que considera prioritárias e que merecem maior atenção. “Posso citar a segurança e a saúde, onde, apesar dos esforços, os resultados são muito limitados”, declarou Neto.

dez
23

De Sanctis: um juiz de bem
juiiz
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Deu no Blog do Azenha (Vi o Mundo)

Lições de processo penal, conforme ensinamentos dos sábios advogados do banqueiro. Leitura obrigatória para qualquer estudante de direito:

1) Quando a coisa apertar no Juiz de primeira instância, promova uma campanha de difamação contra ele na imprensa, pague lobistas, jornalistas e assessores de imprensa para dizerem que o Juiz é isso ou aquilo, lance suspeição sobre casos passados, assassine reputações, utilize sites de assessoria jurídica para reforçar as teses e depois vá a qualquer tribunal superior e alegue suspeição do magistrado. A suspensão do processo é líquida e certa.

2) Se o Juiz de primeira instância estiver julgando rápido, estiver convicto dos crimes, entupa o escaninho dele de petições. 100, 200, 300, 600, não importa, desde que sejam muitas. Alguma delas o Juiz não vai conseguir responder adequadamente, alguma delas será esquecida na mesa de um assistente qualquer, e basta isso para que se diga que o Juiz não respeitou o direito de defesa. Depois, vá aos tribunais superiores e pronto. Direito de defesa assegurado, juiz sob suspeição, caso encerrado.

3) Quando quiser alegar cerceamento de direito de defesa, é fácil: plante em um ou dois veículos de imprensa amigos a história de que entre as provas está uma agenda telefônica de alguém com dados comprometedores sobre qualquer coisa. Depois, diga ao Juiz de primeira instância que você não está achando essa informação, mas que o dado “saiu na imprensa” e que constaria entre as provas. Peça para o Juiz mandar escanear todas as dezenas de milhares de páginas do processo, copiar não sei quantas vezes todos os CDs e DVDs, passar para um pendrive todos os arquivos eletrônicos, e se possível peça isso para o dia seguinte. O Juiz certamente vai dizer que isso é desnecessário ou protelatório. Vá então ao STF e peça para que um ministro qualquer mande colocar tudo em um caminhão e mandar para Brasília. É garantia de sucesso.

4) Quando a coisa estiver feia mesmo, lembre-se que acima do Supremo há ainda o Conselho Nacional de Justiça, que é um Supremo de um homem só. Ali pode-se resolver qualquer parada, desde uso de algema até suspeição de juiz.

5) Na semana que começarem a ouvir testemunhas e suspeitos dos crimes praticados, sobretudo se o crime for lavagem de dinheiro e evasão de divisas para fundos Anexo IV, é fundamental soltar na imprensa camarada umas notinhas do tipo “as provas foram mal interpretadas” ou “misturaram fundos brasileiros com estrangeiros” ou ainda “nossos advogados, fulano e ciclano, garantem que todos os cotistas estarão protegidos pois atestarão que nunca fizeram nenhum depósito no fundo de Cayman”. Enquanto o ser humano não desenvolve a habilidade da telepatia, essa é a melhor forma de combinar depoimento.

6) Aproveite, sempre, a época do recesso do Judiciário para entrar com pedidos de habeas corpus ou liminares. O recesso acontece duas vezes ao ano, em um total de quatro meses por ano, então a chance de conseguir aproveitar uma data festiva dessas é de 25%. É nessa época que as decisões são tomadas por um homem só, que fica mais fácil falar com o juiz, desembargador ou ministro, e conseguir uma canetada com pelo menos dois meses de validade.

7) Não se preocupe se a lógica disser que todas essas medidas são absurdas. Você está no Brasil. Aqui, há independência entre os poderes, desde que a independência seja o Judiciário dar palpite em tudo, o Legislativo é dependente do bolso de alguém e o executivo tem ministros bananas que ou dão guarida às teses dos bandidos plantadas pela imprensa amiga, sobretudo no caso envolvendo maletas de espionagem, ou são bananas a ponto de abaixarem a cabeça para o auto-proclamado “chefe” do Judiciário. E o presidente? Ah, se você der sorte, o presidente terá 75% de aprovação e estará sem nenhuma vontade de colocar a mão nesse vespeiro.

http://www.viomundo.com.br/

dez
22

Daniel Dantas: presente de Natal
Ddantas
Deu no Terra Magazine

Walter Maierovich

O Superior Tribunal de Justiça, –por decisão cautelar do ministro Arnaldo Esteves Lima, da 5ª Câmara, (1) suspendeu as apurações policiais relativas à Operação Satiagraha, (2) afastou o juiz Fausto de Sanctis e (3) paralisou todos os atos investigatórios e processuais em curso.

No jargão popular, “colocou-se tudo no congelador”. Tudo paralisado, no interesse do potente banqueiro Daniel Dantas, já condenado à pena de 10 anos de reclusão e mais R$12 milhões de multa patrimonial por consumada corrupção.

Por coincidência, a decisão judicial faz recordar uma certa interceptação telefônica referente à “quadrilha” do banqueiro Dantas, que, num restaurante da capital de São Paulo e com tudo filmado e gravado, quis corromper a polícia federal.

Da referida interceptação constou que Daniel Dantas apenas temia os juízes de primeiro grau, instância inicial. Nos tribunais superiores, acertava tudo.

O ministro Arnaldo Esteves Lima errou e minou, com a sua decisão, a segurança social, pública. Suspender toda a atividade policial diante de um oceano de indicativos de crimes graves, representa, no mínimo, um ato temerário, data vênia. Uma inversão tumultuária, contra o prevalente interesse público e à luz de veementes indícios de gravíssimos crimes.

Em outras palavras, com habeas corpus canhestro conferido a Daniel Dantas pelo ministro Gilmar Mendes, e confirmado por voto do relator Eros Grau, ambos do Supremo Tribunal Federal (STF), só faltava parar com a investigação e o processo. E Daniel Dantas, com a liminar do ministro Arnanldo Esteves Lima, conquistou, embora provisoriamente, um “bill” (declaração) de indenidade.

Afastar um juiz cautelarmente por suspeição, tudo bem. Mas, não colocar outro no lugar, em substituição e para tocar atos urgentes, só favorece o infrator, ou melhor, a criminalidade operada pelos potentes.

Mais uma vez, Daniel Dantas obtém sucesso na Justiça.

Pano Rápido: Um pequeno aviso. Não estamos mais no tempo do obscurantismo. Portanto, decisão judicial pode ser comentada e criticada. Num Estado democrático, a decisão judicial tem de ser cumprida, mas não está imune à crítica.

–Wálter Fanganiello Maierovitch–

http://maierovitch.blog.terra.com.br/

dez
17
Posted on 17-12-2009
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Aécio e Serra: saída à mineira

CONGRESSO/PSDB

DEU NA REVISTA DIGITAL TERRA MAGAZINE 

 Bob Fernandes

 O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), ao desistir de concorrer à presidência da República em 2010, deixou claro, embora mineiramente, suas diferenças com o governador de São Paulo, e agora quase inevitável candidato do PSDB, José Serra.

A decisão do mineiro de não ser o candidato tucano em 2010 ganhou contorno de definitiva depois de um longo telefonema entre o governador de São Paulo, José Serra, que estava em Copenhague, Dinamarca, e Aécio, em Belo Horizonte.

Disse Aécio Neves na tarde desta quinta-feira, ao ler a carta onde anuncia sua desistência:

– Deixo a partir desse momento a condição de pré-candidato à presidência da República, mas não abandono as minhas convicções e minha disposição para colaborar, com meu esforço e minha lealdade, para a construção das bandeiras da social democracia brasileira.

Aécio esmiuçou, mineiramente, que ainda há algo a separá-lo de José Serra. No caso, as diferenças foram evidenciadas na expressão “tempo da política”.

Segundo o governador de Minas, ele se “propunha a tentar oferecer o novo ao nosso projeto, no entanto, estava irremediavelmente ligado ao tempo da política, que, como sabemos, tem dinâmica própria. E se não podemos controlá-lo, não podemos, tampouco, ser refém dele”.

Sendo ainda mais claro, Aécio Neves encerrou:

– Sempre tive consciência de que uma construção com essa dimensão e complexidade não poderia ser realizada às vésperas das eleições.

Nas duas últimas semanas, o governador de Minas se queixava do prazo, março ou fevereiro, proposto por José Serra e dizia:

– A política em Minas está parada, o processo sucessório paralisado à espera da minha decisão e não há mais como prorrogar isso além do final de dezembro.

Dizia ainda o governador de Minas: “Em março, se ele não for candidato, já será tarde para buscar uma amplitude que, tenho certeza, minha candidatura obteria”.
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Leia íntegra da carta de Aécio neves em Terra Magazine (  http://terramagazine.terra.com.br

dez
14
Posted on 14-12-2009
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Bella Center: o planeta se encontra aqui
Bcenter
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ARTIGO/COPENHAGUE

COP-15:UM ENCONTRO SINGULAR

Jorge Haroldo Marque

Copenhague (Dinamarca)- Desde a última segunda, dia 07, até o próximo dia 18, o mundo está voltado para a discussão sobre os efeitos nefastos das mudanças climáticas e, de igual modo, buscar soluções para frear o aquecimento global – que se apresenta a passos galopantes. É um evento na esteira daquele ocorrido em 1997, no Japão, que culminou com a confecção do famigerado Protocolo de Kyoto.

Trata-se da Conferência das Partes do Clima do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, da Organização das Nações Unidas (ONU), mas em Copenhague, na Dinamarca, com a mobilização de todos os setores da sociedade, inclusive o privado. Estão presentes delegações oficiais dos 193 países participantes, com mais de 100 líderes, dentre os quais os presidentes do Brasil e dos Estados Unidos, além de governantes da França, Alemanha, Itália, Índia, China e da União Européia.

A impressão que se tem, para quem dele participa, é singular. As reuniões acontecem no no Bella Center e contam com pessoas de todas as raças, vinda de todos os lugares do planeta. São jovens (muitos), índios, monges, negros e brancos irmanados com um único propósito: salvar o planeta da loucura perpetrada por um punhado de humanos abastados, que querem perpetuar-se assim.

A segurança é um capítulo a parte, mas não chega a ser desagradável, pois o maior dos sacrifícios é ser revistado e apalpado por uma bela policial dinamarquesa.

O resultado prático de um evento dessa natureza, bem como as atividades que ocorrem em paralelo ao núcleo das discussões, pode ser visto no seguinte texto,a seguir, editado por Lucas Alves para Agência Indusnet Fiesp:

“Após o término da Conferência do Clima, o Brasil passará a adotar o modelo contábil do International Financial Reporting Standards (IFRS), que determina que os ativos biológicos, mudanças climáticas e seus impactos sobre o valor dos bens sejam ajustados no balanço pelo valor de mercado”.

Eduardo Athayde, diretor do Wordwatch Institute (WWI), no Brasil, afirma que “O Brasil, com o peso expressivo dos ativos biológicos, será um case especial para o International Accounting Standards Board (IASB), mentor das regras contábeis internacionais”.

Explica, ainda, que as novas regras influenciam diretamente no indicador usado para medir a musculatura e a capacidade de geração de caixa das empresas (o Ebitda, passa a ser Ebictda – Earnings Before Interests, Taxes, Carbon regulation, Depreciation and Amortization), e precisam ser entendidas pela administração. “Afinal, além dos balanços, a reputação e a imagem das empresas também serão afetadas”, opina Athayde.

O diretor do WWI acredita que a contribuição do Brasil para a valoração dos seus ativos ambientais, matriz energética limpa e adoção de inteligência nova nas instituições, credenciam o País a pleitear o recebimento de eco-royalties em fóruns competentes das Nações Unidas, como a COP15.

Jorge Haroldo Marques, geólogo e ambientalista, participa da COP-15, em Copenhagen, Dinamarca, de onde mandou o texto especial para Bahia em Pauta

dez
14
Posted on 14-12-2009
Filed Under (Artigos, Eventuais) by vitor on 14-12-2009

Cop15
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ARTIGO/ COP-2009

A ECONOMIA GLOBAL EM COPENHAGUE

Eduardo Athayde

DE COPENHAGUE (DINAMARCA) – Diferentemente das outras cúpulas mundiais, Rio 92 e Johannesburgo 2002, que construíram caminhos para o futuro, Copenhague 2009 decidirá os próximos passos da economia global. Metas oficiais de redução de emissões, inclusive a brasileira, comprovam isto. Copenhague não é um evento, mas um momentum quando fatos marcantes revelam as transformações em curso, governantes, empresários, cientistas, ambientalistas e artistas, lutam juntos por saídas da economia de alto carbono, com custos e prazos já definidos.

A partir de Copenhague, o Ebitda, indicador usado para medir a musculatura e a capacidade de geração de caixa das empresas, ganha um “C” passando a Ebictda (Earnings Before Interests, Taxes,”Carbon regulation”, Depreciation and Amortization), incluindo a emissão de carbono (representante dos gases de efeito estufa) como item na avaliação do potencial das instituições.

O componente “C”, dotado de inteligência nova, passa a integrar os sistemas de gerenciamento de risco das empresas, monitorando a parcela de responsabilidade nas 45 gigatoneladas de CO2 equivalente/ano de emissões globais, indicando oportunidades de atuação na economia de redução de carbono que, ao inverter a curva de crescimento de emissões até 2020 criará mercados globais de US$ 2,5 trilhões/ano em produtos e serviços de baixo carbono.

Pressões sem precedentes em Copenhague também levam a crise climática às portas das bolsas de valores onde massas de capitais ainda fluem livremente, sem regras para o fluxo de carbono. Ações negociadas em bolsas podem ser propulsoras ou mitigadoras de mudanças climáticas e indicadores como o “Carbon Index” e o “DCarb Index”, criados para medir o nível de carbonização e descarbonização dos ativos negociados, aumentando a transparência, são ferramentas simples para guiar investidores, estimulando tendências de capitais para as lucrativas rotas da descarbonização. Segundo o World Federation of Exchanges (WFE), que reúne bolsas de valores de todo o mundo, US$ 791 trilhões foram negociados globalmente em 2008, incluindo derivativos, contratos cujo valor deriva de outros ativos.

Após Copenhague, em 2010, o Brasil passará por outro ajuste adotando oficialmente o modelo contábil do International Financial Reporting Standards (IFRS), regras para balanços já vigentes em mais de 100 países, que modifica significativamente o modo com que as corporações reportarão seus demonstrativos financeiros, alterando a forma de apurar resultados e as analises do mercado sobre o desempenho das empresas.

Enquanto demonstrativos da contabilidade tradicional consideram meio ambiente e mudanças climáticas como contingências remotas – externalidades – o IFRS determina que os ativos biológicos (tudo que nasce, cresce e morre), alterações climáticas e seus impactos positivos e negativos sobre o valor dos bens, sejam ajustados no balanço pelo “fair value” (valor de mercado), o que pode alterar significativamente os resultados e o nível de atratividade de mercado das empresas. As novas regras influem diretamente no Ebictda e precisam ser entendidas pela administração, afinal, além dos balanços, a reputação e a imagem das empresas também serão afetadas.

Os ativos biológicos, ou seja, culturas variadas, canaviais e produtos derivados, rebanhos e matrizes reprodutoras, florestas plantadas cercadas pelas naturais (melhor chamadas de biofábricas por abrigar princípios ativos ainda não valorados), são bens vivos que crescem ou engordam, e alguns são commodities com preços oscilantes, terão que ser demonstrados nos balanços pelo valor de mercado. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por exemplo, que financia bioativos da pecuária, florestas e alcoolquímica derivada da cana, estará enquadrado nas regras do IFRS – e os financiados, também.

A União Europeia adotou as normas IFRS em 2005. O Brasil, com o peso expressivo dos ativos biológicos será um “special case” para o International Accounting Standards Board (IASB), mentor das regras contábeis internacionais. Toda inteligência contida nos parâmetros do IFRS ainda é insuficiente para avaliar e demonstrar o “fair value” da maior biopotência do planeta na economia global.

O relatório final da Comissão para Mensuração da Performance Econômica e Progresso Social, formada por iniciativa do presidente francês, Nicolas Sarkosy, e coordenada pelos cientistas Joseph Stiglitz, Amartya Sen e Jean-Paul Fitoussi, uma referência para o desenvolvimento sustentável, observa a “contribuição” que cada país pode dar, individualmente, para a “insustentabilidade global”. Diante da constatação da Comissão fica evidente a contribuição que o Brasil pode dar ao mundo com a valoração dos seus ativos ambientais, matriz energética limpa e adoção de inteligência nova nas instituições, credenciando-o a pleitear o recebimento de eco-royalties em fóruns competentes das Nações Unidas.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ), em rota de descarbonização, não usa mais papel e é o primeiro tribunal nacional do mundo a só julgar processos digitalizados, um exemplo da alta corte brasileira. Enquanto o governo brasileiro avança no debate internacional estabelecendo metas de redução de emissões, São Paulo promulga a lei da descarbonização e o Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas reune empresas na Plataforma Brasileira Empresas pelo Clima (EPC); bancos como o Itaú e Bradesco e transnacionais brasileiras como Natura, Braskem, Vale e Suzano, que já trabalham com a visão do fluxo “C” no Ebictda, rebaixam suas emissões controlando riscos e ganhando competitividade. Exemplos sintomáticos de transição para a nova geração de empresários reunidos em fóruns como o Comitê de Jovens Empreendedores (CJE), da Fiesp, próximos comandantes das empresas de baixo carbono.

Eduardo Athayde, articulista, é diretor do WWI-Worldwatch Institute no Brasil, está em Copenhague, onde participa dos debates paralelos da COP 15. – E-mail: eduardo@uma.org.br

dez
08
Posted on 08-12-2009
Filed Under (Artigos, Eventuais) by vitor on 08-12-2009

Um símbolo baiano
Elacerda

DEU NA TRIBUNA DA BAHIA
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Noemi Flores

Um dos mais importantes cartões-postais de Salvador completa, hoje, 136 anos auxiliando baianos e turistas no transporte entre a Cidade Alta e a Cidade Baixa: o Elevador Lacerda, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, em 7 de dezembro de 2006. A imponência, a localização e a beleza do monumento fazem com que sua imagem seja selecionada para fotos, filmes, documentários e novelas, com enfoque no fundo a vista maravilhosa da Baia de Todos os Santos.

Não é a toa que a data de aniversário do Elevador Lacerda coincide com a festa de Nossa Senhora da Conceição da Praia, a padroeira da Bahia, porque esta data foi escolhida para a inauguração após a finalização das obras do monumento, em 1873.

Quem construiu o elevador mais famoso do Brasil foi o engenheiro baiano Augusto Frederico de Lacerda, sócio do irmão, o comerciante Antônio Francisco de Lacerda, idealizador da Companhia de Transportes Urbanos. Lacerda deu início à construção em outubro de 1896, com material trazido da Inglaterra, sendo concluída em 1873. Nesta época existiam duas linhas de ônibus Calçada/Praça Cayru e Graça/Praça Municipal e o objetivo era que o elevador interligasse estas linhas.

Atualmente este transporte continua tendo a mesma utilidade, só que interligando as linhas de ônibus existentes nas duas partes da cidade, a alta e a baixa. Por exemplo, uma pessoa que trabalha no Centro Histórico e mora em bairros da Península de Itapagipe, o mais viável é ir pelo Elevador e pegar o transporte em frente, ou vice-versa, como é o caso da garçonete Iara Pereira, 26 anos, que fala “se não fosse o Elevador eu teria que descer a Ladeira da Praça, que à noite é perigosa e ir para a Barroquinha, para pegar Ribeira. Acho legal demais ter esta opção”.

Mas aliado à utilidade há também o envolvimento turístico do monumento, são incontáveis os números de flashs, câmeras filmadoras que já registraram sua beleza e imponência. É visto desta forma pela turista gaúcha Guilhermina Santini Carvalho “eu não me canso de admirá-lo e sempre dar um jeito de passear nele. Já tirei fotos de todos os tipos. É uma relíquia, os baianos devem ser orgulhosos de possuir um dos monumentos mais lindos do mundo”, comentou.

História -Durante anos e anos de serviço ininterruptos, em julho de 1906, o elevador precisou parar para ser submetido às obras de eletrificação. E muita mudança ocorreu após sua construção, em 1930: as duas cabines originais que transportavam até 23 passageiros, foram substituídas por outras quatro novas com capacidade para 27 pessoas cada uma delas. Ainda nessa época, o Elevador Lacerda ganhou o seu atual estilo “art decó”.

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Deu na Tribuna da Bahia (edição 02/12/2002)

PONTO DE VISTA/MEMÓRIA

Caruru de Iansã

Consuelo Pondé de Sena

Com a festa de Santa Bárbara tem início o Ciclo das festas populares da Bahia. Representa a entidade máxima do trovão, dos raios e das tempestades. Sincretizada como Santa Bárbara, na devoção católica, Iansã é um orixá muito festejado na Bahia, terra de todos os Orixás do Panteón africano.

Não me lembro de ter tomado conhecimento ou participado de caruru de Santa Bárbara ou de Iansã, mas que gosto da festa, sei que gosto. Gosto que me enrosco, como diz o vulgo. Sabia, no entanto, desde priscas eras, que no Mercado de Santa Bárbara, na Baixa dos Sapateiros, o caruru corria solto, agregando pessoas das classes populares, que também participavam da procissão. Era uma festa da qual não participava a “elite” de Salvador.

Santa Bárbara era natural da Ásia Menor, tendo vivido na Nicomédia, antiga Província Romana da Bitínia, sendo filha de um senhor muito rico, que a isolou do resto do mundo, em função da sua extraordinária beleza. Mártir da Igreja Católica, por ter abraçado essa religião, morreu no dia 4 de dezembro, sob o reinado do imperador Maximiano, tendo o seu culto passado a ser difundido entre os cristãos, a partir do século IX.

No Candomblé, Iansã é mulher de Xangô, contra quem teria, inclusive, uma guerra. De igual modo a seu lado combateu em muitas oportunidades. Do mesmo modo que Xangô controla os raios e tempestades e reina nos dias de quarta-feira, tendo igualmente as suas mesmas cores-vermelho e branco. Traz nas mãos um rabo de bode, a que se denomina eirú e uma espada de cobre desafiadora. Sua saudação é Eparrei! Guerreira sem igual, também era caçadora desassombrada, razão pela qual é identificada como Santa Bárbara dos povos cristãos.

Segundo Waldir Freitas Oliveira: na Bahia já teve Santa Bárbara, capela própria, no antigo Morgado de Santa Bárbara, instituído em 1641, pelo casal Francisco Pereira do Lago e Andresa de Araújo, na Cidade Baixa, no local onde depois surgiram os Mercados de Santa Bárbara e São João, entre a antiga Rua das Princesas e a subida da Ladeira da Montanha”.

Posteriormente esses prédios foram destruídos por incêndios nos derradeiros anos do século XIX, sendo o mais assustador o ocorrido no dia 3 de dezembro de 1898, restando apenas ruínas e a imagem de Santa Bárbara, razão pela qual foi transferida para a Igreja do Corpo Santo, no dia 16 de outubro de 1938.

Inexiste informação sobre a data em que a imagem passou da Igreja do Corpo Santo para o Mercado da Rua da Vala (Baixa dos Sapateiros), inaugurado em 28 de fevereiro de 1874, em começos do século XX batizado de Mercado de Santa Bárbara. Consta que a imagem passou algum tempo na Igreja do Passo, de onde saía anualmente em procissão até aquele mercado. Assim, a cada 4 de dezembro, depois da celebração da missa solene, ali permanecia exposta durante todo o dia para receber a visita dos fiéis. Em 1946 teria sido abrigada no mercado, ficando num altar especialmente feito para ela. Dali foi, no entanto trasladada, por decisão dos comerciantes do mercado, em 1987, para a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, onde teria sua segurança garantida e permanece até os nossos dias.

Padroeira dos bombeiros, todos os anos recebe homenagem da briosa corporação. O grande romancista baiano, Jorge Amado, inspirou-se em Iansã para escrever seu admirável livro “O Sumiço da Santa: Uma História de Feitiçaria”.

Para os baianos, de todas as categorias sociais, Santa Bárbara e Iansã são uma coisa só. A santa do hagiológico católico veio da Turquia, passando por Portugal e Espanha até chegar à nossa terra. A santa negra veio de Irá, na África, e aqui se tornou tanto dos baianos quanto dos descentes dos africanos.
Como tudo na Bahia, a convivência entre os representantes das duas raízes distintas é mansa e pacífica.

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