fev
08
Posted on 08-02-2010
Filed Under (Artigos, Eventuais) by vitor on 08-02-2010

Dilma: “políticos soltam psiu”

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DEU NO CORDEL

Cordelista agora é profissão legalizada, então…Bahia Pauta traz para seu seleto público leitor uma prova deliciosa da arte e da invenção de um dos melhores nomes da literatura de cordel aparecidos ultimamente no país:Miguezim de Princesa – poeta popular do DF, como ele próprio se identifica. Mas se o leitor prestar bem atenção verá um que de baianidade e muito da Paraíba nos versos deste poeta de rua, que aqui faz o perfil político antenado e cheio de graça da ministra Dilma Rousseff, a eleita do coração de Lula para a sua sucessão.

A sugestão veio por e-mail de uma amiga especial deste site-blog: a especialista em medicina natural, Glauvânia Jansen, a pernambucana mais baiana de Salvador (até na amizade com o poeta e escritor Jomard Muniz de Brito), que todo mês comanda a caminhada da lua cheia em Itapoã. BP agradece e a Miguezin também.

( Vitor Hugo Soares )
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CORDEL

A TRANSFORMAÇÃO DE DILMAMA

Miguezim de Princesa

I
Quando vi Dilma Roussef
Sair na televisão
Com o rosto renovado
Após uma operação,
Senti que o poder transforma:
Avestruz vira pavão.

II
De repente ela virou Namorada do Brasil:
Os políticos, quando a vêem,
Começam a soltar psiu,
Pensando em 2010 e nos bilhões que ela pariu.

III
A mulher, que era emburrada,
Anda agora sorridente,
Acenando para o povo,
Alegre, mostrando o dente,
E os baba-ovos gritando:
É Dilma pra presidente!

IV
Mas eu sei que o olho grande
É na montanha de bilhões
Que Lula botou no PAC
Pensando nas eleições
E mandou Dilma gastar,
Sobretudo nos grotões.

V
Senadores garanhões,
Sedutores de donzelas,
E deputados gulosos,
Caçadores de gazelas,
Enjoaram das modelos,
Só querem casar com ela.

VI
Eu também quero uma lasquinha
Uma filepa de poder
Quero olhar nos olhos dela
E, ternamente, dizer
Que mais bonita que ela
Mulher nenhuma há de ser..

VII
Eu já vi um deputado
Dizendo no Cariri
Que Dilma é linda e charmosa,
Igual não existe aqui,
E é capaz de ser mais bela
Que Angelina Jolie.

VIII
Dilma pisa devagar
Com seu jeito angelical,
Nunca deu grito em ninguém
Nem fez assédio moral
Ou correu atrás de gente
Com um pedaço de pau.

IX
Dilma superpoderosa:
8 bilhões pra gastar
Do jeito que ela quiser,
Da forma que ela mandar,
Sem contar com o milhão
Do cofre do Adhemar

X
Estou com ela e não abro:
Viro abridor de cancela,
Topo matar jararaca,
Apagar fogo na goela,
Para no ano vindouro
Fazer um PAC com ela

fev
08

DEU NA FOLHA DE S. PAULO (DOMINGO, 6)

TENDÊNCIAS/DEBATES
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Barretão aponta patrulhas

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LUIZ CARLOS BARRETO

A VOLTA DAS PATRULHAS IDEOLÓGICAS

Em vez de falar da obra, os críticos escolheram contestar o direito que todo cineasta tem de fazer um filme sobre o assunto que bem entender.

ABERTURA DO Festival de Brasília, 17/11/09, primeira exibição pública de “Lula, o Filho do Brasil”. Enquanto o filme se desenrolava na tela, já estava em curso o massacre político promovido por um exército de escribas, comentaristas políticos, colunistas sociais improvisados, ex-militantes políticos de aluguel, cientistas políticos de plantão convocados a se manifestar apenas do ponto de vista especulativo sobre seu potencial político-eleitoral, afirmando que a eleição presidencial de 2010 seria decidida a partir da força emocional do filme.
Além da ingenuidade infantil dessa tese (ou de sua má-fé?), o que eles questionavam era o nosso direito de fazer um filme sobre o assunto que escolhemos. Pode-se fazer filmes sobre Bush, Berlusconi ou Mitterrand pelo mundo afora, como tem acontecido. Pode-se fazer filmes sobre Getúlio, Juscelino, Tancredo, Jânio ou o empresário Boilesen. Mas sobre Luiz Inácio da Silva, não.

Há os que viram (mais de 800 mil pessoas), os que não viram ainda e os que viram, mas não quiseram ver o filme como um filme com todos os seus méritos e valores cinematográficos, como testemunharam e assinaram embaixo Ziraldo (“Uma história bem contada e bem filmada. Impossível não se comover”), Zuenir Ventura (“O filme mexe com a emoção e vai inundar os cinemas de lágrimas”) e Cacá Diegues (“A história de vida que esse filme conta com muita emoção nos ajuda a compreender melhor o valor da democracia, do direito de todos à liberdade e oportunidade”).

Falar dos méritos e eventuais deficiências desse filme de Fábio Barreto era uma obrigação dos críticos, e é claro que todo mundo tem direito de externar sua opinião, de gostar ou não gostar do filme que viu.

Mas, de tudo que li, poucos tiveram a honestidade intelectual e profissional de criticar o filme como uma obra cinematográfica, escolhendo contestar o direito que qualquer cineasta tem de fazer um filme sobre o assunto que bem entender. A maioria dos que escreveram sobre “Lula, o Filho do Brasil” preferiu este último caminho elitista, censor e autoritário.

Esse processo revela o espírito “patrulheiro” que ainda resta no Brasil como sequela do período autoritário da ditadura militar, quando Cacá Diegues denunciou as patrulhas ideológicas. O espanto é que, em pleno regime democrático que o Brasil vive e respira, haja lugar para esses procedimentos e expedientes antidemocráticos.

A democracia não é o regime que deve silenciar aqueles com os quais não concordamos, eliminá-los ou evitar que eles se manifestem. Na democracia, quando não estamos de acordo com alguma ideia que nos incomoda, produzimos a nossa para que haja um confronto livre entre as duas e a população possa escolher a sua alternativa. Mas os nossos detratores preferiram contestar nosso direito de realizar o filme, manifestando seu desejo antidemocrático de que esse filme jamais fosse feito ou exibido.

Toda a engenharia financeira foi montada às claras e de forma transparente. Desde a partida, decidimos não utilizar nenhuma forma de renúncia fiscal nem buscar o aporte de empresas estatais. Mesmo assim, levantaram-se dúvidas e insinuações de que estávamos utilizando recursos incentivados, acusações que serviam e serviram para provocar antipatia ética pelo filme, pondo em segundo plano suas qualidades cinematográficas.

Agora estamos reformulando algumas estratégias do lançamento comercial, que está iniciando sua sexta semana e já acumula mais de 800 mil espectadores, e sabemos que ainda resta muito chão pela frente, seja no sistema convencional de exibição em salas, seja no sistema alternativo de exibição, que vai levar o filme a uma grande parte de 90% dos municípios do Brasil que não têm cinema.

É lá no Brasil profundo, a preços populares e condizentes com o poder aquisitivo dessas populações, que iremos atingir o público alvo do filme: os Silvas deste país, que precisam e querem conhecer o exemplo de força, persistência e superação de Dona Lindu e seus oito filhos, exemplo que vai correr o mundo em telas de cinema, TV aberta, cabo, DVD e internet.

Nesse sentido, já temos estreias marcadas na Argentina, no Chile, no Uruguai e no Paraguai ainda neste primeiro semestre de 2010, e na Colômbia, no Peru, na Venezuela, no Equador, na Bolívia e no México no segundo semestre de 2010.

Qualquer mudança nessa trajetória do nosso pau de arara cinematográfico, informaremos, na certeza de que não vamos influir nas eleições de nenhum outro país. Queremos apenas ter o direito de contar e ver acompanhada pelo público uma história que julgamos relevante para a consolidação da autoestima de nosso povo, para a consolidação de nossa democracia e para o progresso do cinema brasileiro como um todo.

LUIZ CARLOS BARRETO, 81, é produtor cinematográfico. Produziu, entre outros filmes, “Lula, o Filho do Brasil”, “Dona Flor e seus Dois Maridos” e “O que É Isso, Companheiro?”.

Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br

fev
06

Casa na ilha: Ubaldo deixa Itaparica domingo

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DEU NO JORNAL A TARDE

PATRÍCIA FRANÇA

“Tenho reputação que vai ser difícil eles macularem”. Foi desta forma que o escritor João Ubaldo Ribeiro, que se opõe à construção da ponte Salvador-Itaparica, reagiu, ontem, às declarações do governador Jaques Wagner (PT), que definiu como “besteirol” a discussão de que projetos que envolvem dinheiro são sempre obra cara e a serviço de empreiteira.

Ubaldo, que não participou do debate promovido por A TARDE, no qual estaria seu irmão Manoel Ribeiro, diretor da Construtora OAS e favorável à obra – para evitar, segundo explicou, situação semelhante à vivida pelos irmãos bíblicos Caim e Abel e Isaú e Jacó –, disse que não está ligando para as críticas e reafirmou não acreditar que a ponte será construída.

“Vão transformar numa poderosa Jamaica, só que lá é com o salário mínimo jamaicano, que é maior que o nosso”, disse numa referência ao balneário do Caribe. “Tudo o que fiz foi escrever um artigo (publicado em A TARDE) dizendo a minha opinião. Não fiz abaixo-assinado, não ofendi ninguém. Falei foi do capital especulativo. Agora, se eles não gostaram e se alguém quer rebater minha opinião com xingamento, isso é com eles”.

Ubaldo, que amanhã encerra as férias de verão que costuma passar na ilha, a sua terra natal, acha que primeiro é preciso ver a relação custo/ benefício da obra para saber se vale a pena construir. Ele contesta o argumento de que a ponte será a solução para todos os problemas. “Por que Itaparica só terá segurança se tiver a ponte? E se tiver, quem vai investir no ferryboat?’, indaga incisivo o escritor.

DEU NO JORNAL A TARDE

“Bomba, Bomba”, diria o célebre colunista Ibrahim Sued se vivo estivesse:

A polêmica sobre o projeto de construção da ponte monumental de 12Km, ligando Salvador à Ilha de Itaparica, ganhou combustível novo com a matéria que o jornal A TARDE publica em sua edição desta sexta-feira, assinada pela repórter Patrícia França.

O governador Jaques Wagner, responsável pela idéia, sai em defesa da ponte duas semana depois de lançado o manifesto que propõe amplo debate sobre a construção da ponte – tema do artigo “Adeus, Itaparica”, de autoria do escritor João Ubaldo Ribeiro publicado no jornal baiano..

O manifesto conquistou assinaturas de perrsonalidades do porte de Chico Buarque de Holanda, Aninha franco, Verissimo, Emmanoel Araujo, Sebastião Nery, Cacá Diegues, Sonia Coutinho, entre dezenas de outros – baianos ou não.

O governador Wagner considera “besteirol” e “clichê” os argumentos do autor de “Viva o povo Brasileiro” contrários à construção da ponte de custo bilionário ( R$ 1,5 a 2 bi) e em defesa de amplo debate sobre o projeto em torno do qual quatro grandes empreiteiras já demonstram interesse, entre elas a OAS e a Odebrecht. .

Bahia em Pauta reproduz a matéria de A TARDE:

(Vitor Hugo Soares)

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Wagner: “posso encontrar outros ícones”

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Patrícia França, do A TARDE

Duas semanas depois de lançado o manifesto em defesa de amplo debate sobre a construção da ponte Salvador-Ilha de Itaparica – tema do artigo “Adeus, Itaparica”, de autoria do escritor João Ubaldo Ribeiro publicado em A TARDE –, o governador Jaques Wagner (PT) declarou, nesta quinta, que é defensor da ponte porque traz modernidade. Ele disse respeitar a opinião de Ubaldo, ilustre itaparicano em férias na ilha, mas define como “besteirol” e “clichê” o argumento de que as coisas que envolvem dinheiro são sempre obra cara e a serviço de empreiteira.

“João Ubaldo é um grande escritor, não sei se é um grande urbanista, mas tem o direito de emitir a opinião dele. Mas não acho que a opinião dele é referencial. É uma opinião de um cidadão, como é um cidadão qualquer trabalhador de Itaparica”, disse Wagner, para quem os argumentos do escritor “podem ter uma reverberação maior pelo o que ele representa do ponto de vista do mundo literário, de nossa cultura”.

Aninha e Chico – O manifesto para discutir a ponte Salvador-Itaparica, que terá 12 quilômetros de extensão e deverá custar entre R$ 1,5 bilhão a R$ 2 bilhões, já tem a adesão de intelectuais de todo o país, como a dramaturga baiana Aninha Franco e o compositor Chico Buarque de Holanda. João Ubaldo, em seu artigo, alerta para o risco da ponte comprometer o meio ambiente e aumentar a pobreza na ilha por conta da especulação imobiliária.

Wagner acha que o tema não deva ser discutido com paixão, porque não contribui com o debate, e disse não ter nenhum medo de dogma. “Eu gosto de me contrapor com argumentos e com debates”, frisou o governador. “A verdade é um processo de debate e construção de consenso. Então não me venha pra cá nenhum dono da verdade, dizer é assim ou é assado”.

Em tom desafiador, falou: “Eu (também) posso encontrar outros ícones da cultura baiana e brasileira que têm opinião contrária ao do meu querido escritor”.

Audiência – Entre os que discordariam do escritor, na opinião do governador, estaria o povo de Itaparica e que o manifesto deveria ser uma audiência pública na ilha ou em Salvador ou na Prefeitura de Vera Cruz. “Esses são os maiores interessados” , assinala o petista, lembrando que mesma polêmica foi criada quando foi construída a Ponte do Funil, que interliga a ilha ao continente pela contracosta.

Jaques Wagner explicou que só fez lançar uma ideia que ele espera se materializar. Disse que, mesmo que quisesse buscar uma solução mais barata, expandindo por exemplo o Sistema Ferryboat, ainda assim não seria solução para driblar os congestionamentos nos feriados e durante o verão. Segundo ele, há impossibilidade de atracação e desatracação.

“A lancha vai continuar, mas precisamos expandir nossa capital que está estourada demograficamente e a ponte seria um vetor Oeste de crescimento”, ponderou Wagner, que não vê alternativa de menor custo para fazer a travessia, conectando a rodovia BR-242 com o Porto de Salvador. As construtoras OAS e Odebrecht já realizaram estudos preliminares e têm interesse em participar de uma eventual licitação.

fev
03

“Ao assumir o controle do Carnaval da Bahia em janeiro de 2009, representando o DEM no governo municipal, o presidente da Saltur, Claudio Tinoco, era uma luz de jovialidade na já surrada organização da folia baiana, cada vez mais “carioca e paulistana”, no sentido de festa para se ver e não para participar, como é o Carnaval de Olinda & Recife.

Tinoco assumiu dizendo que para o Reinado de Momo de 2009 ele não poderia inovar em nada. Acreditamos nele, então, pois, obviamente, a menos de um mês da festa, ele nada poderia fazer mesmo. Mas, logo depois do evento, ele deitou falação sobre seus projetos de resgatar (pelo menos, em parte…) a participação popular, tirando o povo do espreme-espreme de calçadas exíguas, dando-lhe mais espaço para se divertir e parando de ser o boi-de-presépio em que se transformou nos últimos 20 poucos anos, não por acaso, justamente o período em que o rolo compressor da axé music tomou o Carnaval da Bahia.

E o que restou das promessas do jovem administrador? Absolutamente nada. Os camarotes cresceram em quantidade de novos e em espaço dos antigos. O Carnaval dos Bairros, pelo que já se ouviu sobre as “atrações” em Paripe, Itapuã, Cajazeiras e outros locais, será, realmente, uma maravilha… “Uma maravilha para espantar as pessoas do bairro”, como respondeu, na lata, minha assessora para assuntos momescos, a BigLôra.
Agora, aguardem: Coloco aqui, neste 3 de fevereiro, apenas sete dias antes do Carnaval, minhas previsões para daqui a 20 dias: de novo, diante da elitização cada vez mais gritante da folia baiana, as autoridades municipais voltarão a anunciar dezenas e dezenas de providências para que nosso Reinado de Momo volte a ser popular e pare de tratar o povo como claque de show. Falarão em “novos circuitos”, em “valorização do Carnaval nos bairros”, de “redefinição do conceito de fila” e por aí vai. E, depois, param de falar e em 2011, tudo continuará como antes. Ou pior.

Isso é tão previsível como aqueles títulos de jornais em ocasiões clássicas, do tipo “Peixe fica mais caro na Semana Santa”, “Papa pede pela paz”, “Galeota está pronta para festa da Boa Viagem” etc.etc

fev
02
Posted on 02-02-2010
Filed Under (Artigos, Eventuais) by vitor on 02-02-2010

DEU NO BLOG DE ANDRÉ SETARO

O Setaro`s Blog, um dos melhores sites especializados em cinema e cultura do país, editado pelo crítico e professor de cinema da FACOM-UFBA, publica artigo sobre a partida, na semana passada, de Timo Andrade, técnico de som de primeira linha de cinema na Bahia (presença em alguns dos melhores documentários da Jornada de Cinema ).

Bahia em Pauta reproduz o texto de André ( e contribuições do cineasta Tuna Espineira ( “Cascalho) ), como tributo a Timo e admiração por seu trabalho e pela figura especial que ele sempre foi até partir.Saudades!

(Vitor Gugo Soares e Tuna)

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Timo Andrade: saudades

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CRÔNICA DE ADEUS A TIMO

André Setaro

José Oswald Guerrini de Andrade, mais conhecido como Timo Andrade, foi levado pela Implacável semana retrasada aos 65 anos (faria 66 dia 1 de maio), deixando seus amigos e colegas consternados com o seu falecimento. Sobre ter sido um excelente técnico de som, Timo era uma pessoa gentil, de lhano trato e possuía um senso de humor bastante aguçado, que dava a impressão de estar a rir do absurdo da existência, da comédia humana. Além do profissional competente, Timo gostava muito de tomar umas e outras (e o dito aqui é um elogio). Sabia, como poucos, entornar, sem que, com isso, se transtornasse, mas, ao contrário, ficava sempre sóbrio na sua composição etílica, salvo, evidentemente, e ninguém é de ferro, em raras ocasiões. Quem, em sã consciência, pode suportar a dura realidade da vida sem tomar umas três doses de scotch? já dizia Humphrey Bogart. Ao contrário dos dias de hoje, egoísticos, individualistas, consumistas, era amigo de seus amigos. Conheci Timo lá pelos anos 70, e, vez por outra, encontrava-o, vermelho, com cara de felicidade, sorriso aberto, nos colons da vida.

Neto do famoso Oswald de Andrade, sobrinho de Rudá, que faleceu também, José Oswald Guerrini de Andrade largou São Paulo (onde tinha tudo para circular folgado nos meios artísticos e intelectuais) para adotar a Bahia como morada da felicidade. Em 1981, trabalhei como ator-canastrão em O cisne também morre, de Tuna Espinheira, no papel de um dono de funerária. O filme, retrato de um tempo boêmio que não mais existe, inspirado na figura etérea do grande poeta Carlos Anysio Melhor, é um dos poucos trabalhos de ficção do documentarista Tuna (o outro: o longa Cascalho, baseado no romance homônimo de Herberto Salles). Lembro-me bem que houve uma sequência numa funerária do Terreiro de Jesus que durou quase o dia inteiro a entrar madrugada adentro. Para esperar as tomadas, ficava com Timo e outros companheiros da equipe, a tomar cervejas num barzinho em frente. O cinema, para o ator (não sou ator, mas já participei de poucos filmes como tal) é esperar a próxima tomada.

Seu currículo é extenso. Foi som-guia, em 1975, de Tenda dos milagres, que Nelson Pereira dos Santos filmou na Bahia segundo o livro de Jorge Amado. Trabalhou muito com Agnaldo Siri Azevedo (O boca do inferno, Creio em ti São Jorge dos Ilhéus, Não houve tempo sequer para as lágrimas, Memórias de Deus e o Diabo em Monte Santo e Cocorobó, Suite Bahia, A volta do Boca do Inferno, As philarmônicas, entre muitos outros), Tuna Espinheira (Maculelê, Seca verde, A seca no lago de Sobradinho, o já citado O cisne também morre etc), Guido Araújo (A morte das velas do Recôncavo, Ilhas da esperança, O Raso da Catarina, uma reserva ecológica), Fernando Cony Campos (O box amador, Semana de arte e educação…), Ipojuca Pontes (Memórias de Canudos), Roberto Gaguinho (Casa de taipa, Os que dormem do lado de fora), Plácido Campos Junior (Curumim na terra do sol), João Baptista Reimão (Daniel, o capanga de Deus), Rino Marconi e Tasso Franco (O lixo), Chico Drummond (Regalia de balaio), Arnold Conceição (O rio da vida), Fernando Bélens (Fibra), Pola Ribeiro (A lenda do Pai Inácio), Gofredo da Silva Telles Neto (Brasilíndia), Rubens Rocha (O sertão dos tocós), Otávio Bezerra (A resistência da lua), Walter Pinto Lima e Carlos Vasconcelos Domingues (O império do Belo Monte), Chico Liberato (O boi Aruá, desenho animado baiano de longa metragem), Luis Celso Campinho (Riscada do mapa), Luis Wenderhausen (Ursula), Chico Botelho (Janette, como assistente de produção), Almir Freire (A palavra aretê), entre muitos e muitos outros. Trabalhou também em importantes agências de publicidade. E foi o organizador do livro Dia seguinte e os outros dias, de seu avô Oswald de Andrade (Editora Cótex)

Quem me comunicou o falecimento de Timo Andrade foi Tuna Espinheira, quando ainda estava em Tiradentes. Assim se manifestou sobre o amigo e colega:

“Timo subverteu a ordem natural do êxodo. Nascido e criado na Paulicéia Desvairada, neto de Oswald de Andrade, sobrinho de outro Andrade, Rudá, tinha, portanto, régua e compasso e jogo de cintura próprio, para transitar com facilidade nas rodas da arte/cultura paulistana. Deixou o campo florido, escolheu a aventura. Um belo dia, obedecendo os ditames da sua própria cabeça, arrumou o matulão, pegou um Ita no sul e veio dar com os costados na Bahia de Todos os Exús.

Era um amigueiro profissional, bom de copo, dono de humor de boa cepa.

Tornou-se, em pouco tempo, em um baiano autêntico, com a marca emblemática, desta sua cidadania ter sido por obra e graça, com o Amem e a benção dos Anjos, da opção/devoção.

Aqueles que o conheceram nas aventuras cinematográficas, produções franciscanas, nesta renitente província, bem sabem do companheirismo, da presteza, deste membro de equipe, pau pra toda obra, sempre disposto, “sin perder La ternura jamás”.

Timo terá sempre um lugar no imaginário/memória, dos verdadeiros amigos, ele que, muitas vezes, desassombrado, rompia a barreira da amizade para se tornar um cúmplice.

Saudades e um brinde ao personagem Timo Andrade”

Tuna Espinheira

Ler mais: http://setarosblog.blogspot.com/2010/02/timo-andrade-19442010-in-memoriam.html#ixzz0eO4hEm8S

jan
29
Posted on 29-01-2010
Filed Under (Artigos, Eventuais) by vitor on 29-01-2010


DEU NO COMUNIQUE-SE
(Portal web sobre bastidores da imprensa)
Jornalistas acreditam que blogs podem pautar a imprensa

Izabela Vasconcelos, de São Paulo

Notícias exclusivas e assuntos diferenciados postados em blogs podem pautar a grande imprensa. É o que os jornalistas reunidos no painel “Jornalismo na rede”, na Campus Party, acreditam. Um exemplo é o PEbodycount, blog sobre segurança público, mantido pelo jornalista Eduardo Machado e sua equipe, que retrata os índices de violência em Pernambuco. A página já chegou a pautar veículos e programas como Le Monde, Los Angeles Times, Profissão Repórter e Fantástico.

O blog apresenta números de homicídios e detalhes dos crimes que são atualizados diariamente. “A força disso é que quando o governo dizia que tinha tido um dia tranquilo, ou que a violência estava diminuindo, nós tínhamos esses dados para confrontar”, explica Machado.

O jornalista, que também é repórter do Jornal do Commercio de Pernambuco, conta que já rebateu uma informação oficial, de que uma das mortes registradas no estado teria sido causada por um atropelamento, saindo assim dos índices de criminalidade. Na realidade, os dados do blog, obtidos por fontes confiáveis, afirmavam que a pessoa havia sido morta a tiros. Para confrontar a informação oficial, os blogueiros postaram o texto “Atropelado por três tiros”, que gerou grande repercussão.

Para manter o blog, Machado conta com mais três profissionais na equipe e apoio da Associação do Ministério Público de Pernambuco (AMPE), que oferece R$ 1,5 mil de orçamento mensal para a manutenção da página.

Caminhos alternativos
Sem encontrar espaço nos grandes veículos ou patrocínio, muitos jornalistas optam por criar páginas independentes, como é o caso de Paulo Fehlauer, do blog garapa.org, coletivo multimídia, e André Deak, que mantém, ao lado de outros profissionais, o Haiti.org.br. No caso do portal sobre o Haiti, que é atualizado com informações gerais sobre o país, os jornalistas pretendem levantar uma verba para viajarem até o Haiti para cobrir o país de perto. Outra ideia é uma exposição com o trabalho dos principais fotógrafos que atuaram no Haiti.

Em todas essas investidas, os jornalistas não sabiam se teriam algum retorno ou não. “Nós sempre fizemos as coisas sem saber qual seria o retorno financeiro disso”, diz Fehlauer.

Nos blogs e sites alternativos, os profissionais acreditam que conseguem fazer o tipo de jornalismo que pretendem e investir nas reportagens multimídias, um grande diferencial. Deak só não entende porque os veículos brasileiros se afastam desse tipo de trabalho. “Os jornais do Brasil não valorizam a reportagem multimídia. É uma cegueira dos chefes de redação”.

Apesar de concordarem que o bom jornalismo custa caro, os profissionais criticam a cobrança de conteúdo na web. “Cobrar pelo conteúdo na internet é a vanguarda do atraso”, contesta Deak

jan
15
Posted on 15-01-2010
Filed Under (Artigos, Eventuais) by vitor on 15-01-2010

Nizan bate duro…

…Em Bell Marques

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CRÕNICA / EGOS BAIANOS

Deus e a Bahia vão perdoar Nizan?

*Marcelo Torres

Parece que baixou um santo muito doido no publicitário baiano Nizan Guanaes, que, do nada e sem quê nem pra quê, desceu a madeira no cantor Bell Marques, do Chiclete com Banana, e na própria cidade de Salvador, que ele tanto exaltou em verso, prosa e propaganda.

Ele escreveu no seu Twitter, onde é seguido por 15 mil pessoas (como se fosse um trio elétrico): “Salvador está como Bell, do Chiclete [com Banana]: careca e fingindo que tem trança. Bell, o crooner careca, é uma mentira. Fala pro Bell tirar a bandana. O cara é um careca enrustido”.

O autor de versos como “Ah!, que bom você chegou/ Bem-vindo a Salvador/ Coração do Brasil/ Ah!, você vai conhecer/ A cidade de luz e prazer/ Correndo atrás do trio”, agora solta o verbo ao contrário: “Salvador não tem praia pro turista, não tem hotel e a orla é um favelão”.

Essas frases devem ter deixado muitos baianos surpresos, para não dizer retados. Até o jornalista Maurício Stycer, que é carioca e não deve ser lá esses fãs de Bell nem de Salvador, até ele ficou surpreso, pelo menos foi o que mostrou na matéria que escreveu para o Portal UOL nesta terça.

Bom, como eu não sou turista, não me hospedo em hotel e esse negócio de orla, para mim, tanto faz como tanto fez, não posso dizer que Salvador seja um favelão. Mas que 80% dos moradores da capital vivem em realidade de favela, isso não é nenhuma mentira, como está provado e comprovado pelas pesquisas.

Quanto ao cantor Bell Marques, meia Bahia está careca de saber que aquela inseparável bandana está ali porque ele está com pouca (ou nenhuma) telha. Mas isso é um “problema dele e das negas dele”, ou seja, não precisava seu Nizan, que já foi unha e carne com a chicletada toda, “vim agora” esculhambar a pamonha.

Pois é, e depois que eu li essa notícia, de importância suprema para a salvação da humanidade, estou aqui sem dormir há um dia, pois não estou comendo nada dessa história, e três coisinhas ficam aqui martelando, pinicando.

A primeira é: que diabo levou Nizan, que não é mais nenhum menino, a dizer essas cobras e lagartos? Ora, ora, nesse mato e nesse meio, além de cobras e lagartos, tem muito coelho. Tem ou não tem?

A segunda é: se levarmos ao pé da letra a música cantada (ou seria gritada?) por Bell Marques, segundo a qual “se você é chicleteiro, Deus te abençoa; se você não é, Deus te perdoa”, se levarmos em conta essa máxima, será que Nizan vai ser perdoado?

A terceira e última é a mãe de todas as minhas dúvidas, e a resposta, se houver, será capaz de salvar a humanidade. É a seguinte: por que é que nós, baianos, só nos referimos à banda Chiclete com Banana como “o” Chiclete e não “a” Chiclete? Por que Bell do Chiclete e não da Chiclete? Essa nisgraça num é u’a banda? Ô miséra!

*Marcelo Torres, jornalista, baiano, mora em Brasília, email marcelocronista@gmail.com e blog http://marcelotorres.zip.net

jan
07
Posted on 07-01-2010
Filed Under (Artigos, Eventuais) by vitor on 07-01-2010

Quem matou Neilton?

DEU NA TRIBUNA DA BAHIA
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Silvana Blesa

A família da vítima prefere o silêncio e desacredita na eficiência da Justiça baiana. Os acusados de assassinarem o servidor público Neylton Souto da Silveira, os vigilantes Josemar dos Santos, 31 anos, e Jair Barbosa da Conceição, 44, aguardam julgamento, presos no Presídio Salvador.

Já o Ministério Público entrou com recurso no Tribunal de Justiça da Bahia e reforça a tese de que o crime foi articulado pela a ex-subsecretária municipal de saúde Aglaé Amaral Sousa e pela ex-consultora técnica Tânia Maria Pimentel Pedroso, ambas em liberdade. A promotora Armênia Cristina Santos entrou com recurso no TJ, no dia 12 de julho do ano passado, contestando a decisão do juiz titular da 1ª Vara do Júri, Moacyr Pitta Lima Filho, e pedindo que os quatro acusados vão a júri popular pela morte do servidor. Enquanto isso, Aglaé, por exemplo, faz doutorado em São Paulo.

Três anos se passaram. Neylton Souto da Silveira, 48 anos, foi encontrado morto no dia 7 de janeiro de 2007, nas dependências da Secretaria Municipal de Saúde (SMS). A promotora salientou que, até o final do ano passado, o processo estava no TJ para ser julgado. E devido ao recesso de férias dos servidores que retornaram às atividades ontem, ela aguarda esperançosa que nos próximos seis meses obtenha resposta do Tribunal de Justiça. O MP entrou com recurso após a decisão do juiz Moacyr Pitta de que as provas apresentadas pela promotoria não seriam suficientes para que as duas acusadas fossem a júri popular.

Segundo a promotora criminal Armênia Cristina explicou, antes mesmo da confissão do vigilante Josemar dos Santos, acusado de executar Neylton, a própria família da vítima já tinha sido interrogada e afirmado que Neylton estava preocupado com as irregularidades que vinham acontecendo dentro da SMS, com desvios vultosos de verbas públicas, e tinha pedido para sair do emprego por conta das falcatruas, com os quais não concordava.

“Temos provas suficientes que comprovam que Agláe e Tânia tinham uma certa antipatia por Neylton, por ele ser correto no seu trabalho. Ele estava sendo pressionado pelas acusadas diante das irregularidades de desvios de dinheiro. Irei até o fim, mas não resta dúvidas do envolvimento delas no crime de mando”, afirmou a promotora, um dia antes de pedir recurso do TJ.

O Ministério Público aponta que os dois vigilantes, Josemar e Jair Barbosa da Conceição, teriam matado Neylton a mando das acusadas e recebido como recompensa R$ 25 mil. Mas o juiz não considerou eficientes as acusações do MP e nem acatou as outras investigações como desvios de verbas públicas. “Apenas o juiz não achou prudente o material apresentado. Agora espero que o TJ reveja os documentos que comprovam o que afirmo e peça que as duas vão a júri popular, assim como os dois vigilantes”, revelou Armênia.

LEIA INTEGRA NO JORNAL TRIBUNA DA BAHIA

jan
07
Posted on 07-01-2010
Filed Under (Artigos, Eventuais) by vitor on 07-01-2010


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ARTIGO / PERFIL

RESERVA MORAL DA BAHIA

Consuelo Pondé de Sena

Com lucidez e descortino, o Acadêmico e homem de cultura, Joaci Góes, teve a feliz idéia de, no seu espaço de quinta feira, dia 17 de dezembro de 2009, lembrar o nome do Ex-Governador da Bahia, Dr. Waldir Pires, para, nas próximas eleições de 2010, disputar uma cadeira no Senado da República, como representante da Bahia naquela Casa Legislativa. Refere ainda que, na formação da chapa majoritária do PT, encabeçada pelo governador Jaques Wagner, pouco tem sido lembrado o nome do ilustre homem público.

Fez bem Joaci em assumir essa iniciativa e fazer a prudente sugestão. É a voz de um homem experiente e talentoso a defender a candidatura de um político decente, de moral irretocável, preparado para exercer a função para a qual está sendo lembrado. Com efeito, Waldir Pires tem perfil de parlamentar preparado para essa missão.

Trata-se de um cidadão culto, educado, discreto, enfim, uma pessoa de trânsito fácil na sociedade civil, onde tem admiradores e adversários, como todo homem que faz da política a sua vida e preza a honradez da sua figura pública.

Pessoa alguma, porém, mesmo que dele divirja, pode apontar-lhe conduta amoral, um procedimento indecente, ou um pronunciamento inconveniente. Não gosta de fazer “alarde” dos seus atos, muito menos de proceder levianamente. É comedido nas suas ações. Talvez seja excessivamente sonhador.

Muitos fazem restrições à sua função de administrador, apontando equívocos cometidos na gestão como Governador da Bahia. Mesmo assim, confere-lhe a virtude de exercer a Democracia a qualquer preço. Talvez tenha cometido o grave pecado de confiar, cegamente, nos seus auxiliares. Também de ter escolhido, para os cargos importantes do governo, pessoas há muito tempo afastadas da Bahia e dos assuntos baianos. Cercou-se de partidários e de membros dos partidos que o apoiaram. Alguns deles, incompetentes e “aduladores” nunca trabalharam a seu favor. Muito ao contrário, incompatibilizaram-no com grande parte do povo que o elegeu numa campanha sem precedentes em nossa história. Esses tais auxiliares, pessoas desarticuladas com a realidade baiana, angariaram-lhe desafetos e o afastaram de amigos tradicionais. Pena que, em nome da conveniência, não seja prudente declinar os nomes de determinados “fanfarrões”. Mas, que tenho vontade de fazê-lo, isso tenho. Até hoje tenho todos eles atravessados na garganta. Tive a honra de servir ao seu governo e de ter sido por ele convocada para exercer uma função no meu Estado. Foi aquela a única vez em que estive colaborando diretamente com o Governo baiano.

Em nome da verdade e da justiça, dentre os nomes até agora lembrados para o Senado, pelo PT baiano, inexiste um que se lhe compare na trajetória coerente, digna e respeitável.
Não se sabe, nem se saberá em tempo algum, que Waldir Pires participa de “esquemas” fraudulentos, de “operações indignas”, de expedientes vergonhosos.

É um homem de bem a toda prova, incapaz de transigir com a indignidade e a malandragem, digno representante da linhagem familiar de um varão diligente, honrado e competente como foi o Dr. Bernardino José de Souza. Tomei conhecimento dessa gênese graças ao excelente trabalho do Dr. Francisco Lins, membro da mesma estirpe.

Consuelo Pondé de Sena é Presidente do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia e membro da Academia de Letras da Bahia. consueloponde@terra.com.br

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