mar
11
Posted on 11-03-2010
Filed Under (Artigos, Eventuais) by vitor on 11-03-2010

Bahia em Pauta vai buscar no espaço de comentários da entrevista do ex-ministro e ex-governador Waldir Pires ao repórter Claudio Leal, publicada na revista digital Terra Magazine, as palavras do advogado Inácio Gomes, para publica-las no espaço principal de opinião deste site blog. Raferência baiana na defesa dos direitos humanos e na resistência em defesa das libeerdades democráticas e livre manifestação do pensamento, o que segue são as palavras de um homem que não se dobrou, que manteve a íntegra a espinha dorsal e o pensamento. Um texto e uma lição de dignidade pessoal e política. para ler e guardar.

(Vitor Hugo Soares )

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NO ALTAR PAGÃO DO PRAGMATISMO

Inácio Gomes

Pragmatismo é a palavra da moda no Brasil de hoje. Não se denuncia e submete a julgameto o torturador do passado para não se comprometer a governabilidade.È pragmatimo. Os que estão nos palacios fecham as janelas para que a seu ouvidos não chege os gritos dos torturados e as palvara de ordem da mocidade do passado dizendo que “o povo unido jamais será vencido”.

Para se manterem no poder as allianças mais espúrias são construidas. Tudo em nome do Pragmatismo. Não sou sectario. A participação de Otto Alencar na chapa de senador é comprensivel. Carlista no passado nunca ordenou a repressaõ policial aos movimentos populares e estudantis. Será , nete caso,uma alliança para construção de um novo momento na Bahia.

Agora, querer fazer o eleitorado democratico engulir guela á baixo um cesar borges – aquele que ordenu a ocupação do campus universitario de ilnstalações do hospital universitário para repelir violentamente movimento estudantil democratico -é, me permita repetir, o gigantimo do pragmatismo .

É um tapa na cara dos que lutaram contra a ditadura e,ainda, estão vivos. È desrespeitar a sepultura do mortos. Governador , pragmatico V.Excia.será se homenajeando o passado e olhando para o futuro convidar Waldyr ou Lidice para compor a chapa que a seu lado será a continuação do seu dinâmico gverno.

Certas hora eu chego a imaginar que na Bahia a Sindrome de Estocomo foi substituida, em alguns casos, por uma relação sado masoqista, saudosa, entre torturado e torturador. Tudo no altar pagão do Pragmatismo.

Ignácio Gomes é advogado

mar
11
Posted on 11-03-2010
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O filho do carteiro: obra prima da Van Gogh

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OLHAR E SER VISTO

Sonia Regina Caldas

A exposição OLHAR E SER VISTO ressalta os retratos como um dos gêneros mais poderosos das artes plásticas. A presença constante de retratos na história da arte, desde os tempos mais remotos até a contemporaneidade, faz com que esta mostra seja antes de tudo curiosa. A sequência de belíssimos retratos executados por renomados artistas nos deixa extasiados com a possibilidade da comparação.

A cuidadosa seleção e organização dos trabalhos, pertencentes ao acervo de oito mil obras, junto com os comentários de Teixeira Coelho, curador da mostra, torna-a extremamente didática. As exposições A natureza das coisas, Virtude e aparência, A arte do mito e O olhar e ser visto marcam as comemorações dos 60 anos do Museu de Arte de São Paulo.

É interessante observar que há 27000 anos este gosto pela pintura e desenho das faces e expressões humanas, não se modificou mesmo com o uso da fotografia. Desde os mais remotos, até as obras dos novíssimos artistas hiper-contemporâneos, o retrato continua ocupando o seu lugar.

Teixeira Coelho afirma que por uma condição peculiar, os retratos nos olham tanto quanto os olhamos e os olhos dos retratados seguem os observadores pela sala onde quer que se coloquem, eles seguem para examinar, proteger ou acusar.

Os retratos pelo tempo sempre tiveram vida própria e até mesmo, certo poder, especialmente na cultura ocidental onde passaram a ser quase uma entidade dotada de reflexão e sentimentos. Ao observar os retratados pelo tempo, esquece-se que ali está o olhar de algum artista. Por isso às vezes, muitos viram para a parede os retratos expostos daqueles, cuja presença não pode suportar.

A exposição demonstra retratos clássicos com os fundos esquecidos diante do valor da figura e modernos que mostram atemporalidade sem precisão dos traços da vida corporal ali retratada. Indica uma trajetória, nem fixa nem única, dividindo-a em cinco grupos: o retrato da pompa, o recurso à cena, o eu mesmo, ou seja, os autos-retratos, e os retratos modernos e a desconstrução.

Através desta exposição consegue-se perceber a força dos movimentos artísticos na história da arte através de retratistas marcantes, tais como: Frans Hall, Goya, Manet, Lautrec, Gauguin, Renoir, Van Gogh, Pancetti, Darcy Penteado, Anita Malfatti e outros considerados artistas. Trata-se de uma bela proposta. Vale a pena essa especial releitura, com certeza, o visitante sairá com novas imagens de si mesmo.

Sonia Regina Caldas é artista plástica, doutora em Letras pela UCSAL e em Turismo pela FAMMETIG.

mar
05

O almoço mineiro oferecido no centenário de Tancredo Neves virou festa das melhores , recheada de sotaques – paulista, carioca, baiano, cearense, gaucho . A depender da roda ou da vizinhança, mais ou menos animadas, mais ou menos reveladoras neste tempo quente de definição – e indefinições – de nomes da chapa para a disputa da sucessão do presidente Lula, entre bicadas dos tucanos do PSDB e espantos de seus primos do DEM.

Terra Magazine, através de seu editor chefe, Bob Fernandes, apurou os ouvidos e conta bastidores do almoço oferecido pelo governador mineiro Aécio Neves a ilustres convidados para a inauguração da Cidade Administrativa Tancredo Neves, em Belo Horizonte. “No Palácio, entre um gole de champanhe e outro, segredos e intrigas, amigos e inimigos. No ar, os gestos e meias palavras, os meandros da chapa puro-sangue do PSDB que não nasceu. ATO II da sucessão presidencial, ATO I do bailado tucano”, como registra a chamada para a reportagem de Bob, que Bahia em Pauta reproduz.

(VHS)

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Cena mineira à espera do almoço/ Leo Drumond

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Bob Fernandes

Ciro Gomes, PSB, pré-candidato a presidente da República, passa rente a José Serra, PSDB, pré-candidato a presidente da República. Ambos não se cumprimentam, sequer se olham.

Aécio Neves, PSDB, governador de Minas Gerais, abraça José Alencar, PRB, vice presidente da República, e lhe sussurra algo.

Geraldo Alckmin, PSDB, ex-governador e pré-candidato a governador de São Paulo, conversa com Rodrigo Maia e ACM Neto, o presidente e o deputado do DEM, enquanto Sérgio Guerra, presidente do PSDB, cochicha com os senadores Tasso Jereissati, possível candidato a vice-presidente pelo PSDB, e Agripino Maia, líder DEM. Antonio Anastasia, vice-governador de Minas e candidato a suceder Aécio, aproxima-se do governador e do vice-presidente da República.

Os garçons servem champanhe a ministros dos tribunais superiores, o cantor Fagner gargalha, o senador Wellington Salgado escreve uma mensagem no Livro dos Convidados.

Os ternos, quase todos em azul marinho. As gravatas, quase todas vermelhas.

É o bailado da sucessão presidencial de 2010.

O segundo grande ato da sucessão, este executado na tarde da quinta-feira 4 de março no Palácio da Liberdade, construção de 1897 encravada no coração de Belo Horizonte.

O primeiro ato se deu, semanas antes, na Convenção do PT que ungiu Dilma Rousseff candidata à presidência República.

Nesta quinta-feira o PSDB pretendia iniciar o seu ATO I, com o anúncio da chapa puro-sangue José Serra-Aécio Neves. Não conseguiu fazê-lo, e no almoço oferecido por Aécio as coxias fervilham.

Ainda ecoa, repercute entre os convivas, o coro de milhares de pessoas na Cidade Administrativa Tancredo Neves, inaugurada instantes atrás:
– Aécio presidente! Aécio presidente!

Coro entoado na presença de José Serra, o pré-candidato tucano à sucessão de Lula.

Aécio Neves recebe seus convidados à porta do elevador interno do Palácio ou à beira da escadaria art nouveau fundida na Bélgica.

Os governadores de Minas e São Paulo, Aécio Neves e José Serra,
o governador de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira (PMDB),
e o senador Casildo Maldaner (DEM/SC) (foto: Wellington Pedro)

Mesas postas em três salões por onde se formam e desmancham rodas de conversas e cochichos.

Ciro Gomes, provocado, diz que ele e Serra acabaram de se cumprimentar:
– Nos cumprimentamos cordialmente como deve ser com dois rapazes educados…

(pausa)

-… uns mais educados do que outros.

Ciro e Serra não se falam, não se olham nos primeiros passos do dueto.

Serra, à soleira da porta que leva à sacada do Palácio da Liberdade, onde confabulam ACM Neto e Rodrigo Maia.

Ciro, a menos de dois metros do governador de São Paulo, conversa com o irmão, Cid, governador do Ceará. Cid recorda o pai José Euclides Ferreira Gomes e filosofa:
– Como meu pai dizia, às vezes os prognósticos são apenas a expressão dos nossos desejos…

Ciro expõe o seu prognóstico. Ou desejo, como diria o velho José Euclides:
– Serra está vivendo um drama humano, isso é profundamente humano: a dúvida, a angústia de saber se vai ou não vai, e ele…

Ciro acha, ao menos diz de público, que Serra não vai.

Fiel ao seu estilo, o pré-candidato do PSB aproxima-se de Rodrigo Maia e ACM Neto e brinca:
– Como é que vocês, dois jovens, ficam com “O Coiso” e não comigo?

Sorrisos amarelos dos jovens DEM. Cara de paisagem de uma involuntária testemunha da cena; Geraldo Alckmin gostaria de não estar ali, mas Ciro aponta para o ex-governador enquanto dirige-se à dupla DEM:
– Ele fica p… da vida quando eu faço isso.

Mãos cruzadas abaixo da cintura, Alckmin vê-se obrigado a abandonar a paisagem. Sorri, discretamente.

Aécio passa por Serra e chega à sacada. Cumprimenta Maia e ACM Neto, puxa Ciro para o lado e com ele confabula por minutos.

Os garçons enchem taças. Segue o bailado da sucessão 2010.

Cabe a José Alencar a primeira mensagem no Livro dedicado ao dia, data do Centenário de Tancredo, da inauguração da Cidade Administrativa que leva seu nome, e data da chapa que não nasceu, a puro-sangue do PSDB.

Sucessão à tucanos. Com dois candidatos e ainda sem nenhum.

Horas antes, sob o arco desenhado por Oscar Niemeyer para a Cidade Administrativa, o coro:
– Aécio presidente! Aécio presidente!

Não uma, mas duas vezes. No segundo ensaio do coro, já no palco, capacete na cabeça e ladeado por alguns dos 13.048 operários da obra monumental, Aécio sorriu e com as mãos fez o gesto de “manera, manera”. Foi atendido e o coro se esvaziou.

E Serra, o que teria pensado ao ouvir o estrondoso clamor de Minas à sua volta?

Ele não ouviu:
– … Gritos? Eu estava ocupado na hora, não prestei atenção, nem percebi…

Segue o bailado.

Serra exercita a arte da abstração. Por exatos seis minutos e 45 segundos escreve uma mensagem para Aécio Neves.

No Livro, a ele oferecido por Dona Jovi, funcionária do Cerimonial, o governador de São Paulo constrói a mensagem. Caneta na mão direita, pensativo, Serra escreve o que a história registrará:
– Ao governador Aécio, sua equipe e os mineiros e mineiras, meu abraço e meu contentamento pela “Cidade” Tancredo Neves e por todo o notável avanço de Minas Gerais na direção do desenvolvimento, da justiça social, do equilíbrio regional, na contribuição maior ao Brasil,

José Serra

Antes dele, Ciro Gomes ocupa a segunda página do Livro. Com o estilo de sempre. Direto. Em dois minutos e meio:
– Aos mineiros do tempo do grande governador Aécio Neves. O Brasil tem uma dívida com Minas e seu povo. A cada transe, sempre Minas é quem acode o Brasil. De Felipe dos Santos a Itamar Franco, passando por Juscelino – de todos o maior – e Tancredo. Privilégio meu sua amizade,

Ciro.

Aécio se desloca, circula entre os convidados, os grupinhos, faz as honras da casa. Instigado, comenta notícia de que Lula pretenderia se licenciar por dois meses para mergulhar na campanha:
– Ele tá confiante, hein?

Serra, ao lado, ouve e mantém o silêncio.

Num pequeno púlpito, Dona Jovi de guardiã, avança o ritual das mensagens no Livro.

Wellington Salgado, senador do PMDB de Minas, expoente da tropa de choque governista alcunhado de “Cabelo” pela oposição, descreve o que lhe vai n’alma:
– Governador, duro é ter tudo que se imagina de um grande político da minha geração e por questões políticas ter que admirá-lo comportadamente e sem tê-lo no meu partido,

Wellington Salgado.

Um tucano se aproxima do Livro. Passa os olhos pelas mensagens, detém-se na página com a confissão de Wellington e murmura a sua confissão:
– …está todo mundo doido pra trair…

Murmura, mas nada escreve no Livro.

Quem quer trair? E a quem?

Wellington Salgado, por exemplo, deixa escapar para um amigo:
– Na verdade, no PMDB ninguém está feliz, feliz mesmo, com a Dilma.

E no PSDB?

Segue o bailado.

João Almeida, da Bahia e líder do PSDB na Câmara, vê Serra passar. Analisa:
– Ele tá demorando muito…

Sérgio Guerra, presidente do PSDB expressa (prognóstico ou desejo?):
– E agora? O Serra é candidato. Não tem mais “e agora?”, ele é candidato…

Aécio e Serra se despedem, um diz algo no ouvido do outro. Aécio provoca:
– …e todos os dias os jornalistas perguntam se falamos, o que decidimos, o que falamos nas nossas conversas…

Serra sorri, Aécio sorri e emenda:
– …nossos destinos estão traçados… nossos destinos já estão traçados.

Serra e Aécio têm conversado, dias e dias de conversas telefônicas, encontro reservado na noite-madrugada de terça para quarta, em Brasília.

Aécio já comunicou, e repetiu, e repetiu, e repetiu:
– Eu não serei vice!

Conversaram também sobre mais, muito mais do que isso, sondaram até o inimaginável.

Aécio e Serra se despedem no Palácio que já abrigou, já assistiu à urdidura do poder feita por Juscelino, Tancredo, Milton Campos, Benedito Valadares…

Serra se vai. Aécio murmura, como se fosse pra si mesmo:
– …nossos destinos já estão traçados…

Fim do bailado tucano, ATO I.

mar
05

Bira Castro: ataque a Ubaldo em defesa da ponte

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DEU EM TERRA MAGAZINE

Guilherme Lopes
Especial de Salvador (BA)

Alvo de críticas do romancista baiano João Ubaldo Ribeiro, o projeto da megaponte Salvador-Itaparica tem causado, nas últimas semanas, discussões acaloradas entre urbanistas, arquitetos, membros do governo baiano (entre eles o próprio governador, o petista Jaques Wagner) e intelectuais brasileiros.

Ontem, a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal da Bahia (FAU-UFBA) protagonizou mais um capítulo da contenda entre defensores e opositores da obra ao promover o debate “Ponte de Itaparica – Alternativa para qual desenvolvimento?”.

Na mesa estavam o Superintendente de Planejamento Estratégico da Secretaria do Planejamento da Bahia (Seplan), Paulo Henrique de Almeida, o historiador ligado ao Partido dos Trabalhadores e diretor da Fundação Pedro Calmon, Ubiratan Castro de Araújo, o professor da FAU-UFBA Paulo Ormindo de Azevedo e o arquiteto Carl von Hauenschild. Na platéia, público suficiente para ocupar todas as cadeiras e corredores e ainda deixar alguns estudantes do lado de fora, à espera de lugares vagos.

Paulo Henrique de Almeida abriu o debate. Amparado em slides projetados em um telão, com fotos de pontes grandiosas construídas na última década (a lisboeta Vasco da Gama em seus 17km), o governista afirmou que, com a opção por expandir o litoral norte baiano ocorrida na década passada, “a Cidade Baixa, o subúrbio ferroviário e as ilhas ficaram completamente abandonados”, o que criou problemas para a integração da região à economia baiana e, consequentemente, à geração de renda.

Segundo Almeida, a ponte, usada como alternativa de ligação entre Salvador e o interior do estado, facilitaria também a integração de Itaparica à região metropolitana da capital. Esse é justamente um dos pontos mais criticados pelos opositores do projeto, que defendem a preservação das belezas naturais e históricas da Ilha.

Almeida sustentou que o Ferryboat, sistema de transporte marítimo Salvador-Itaparica, não tem como dar conta do tráfego da capital para o sul do Estado, principalmente por sua “sazonalidade”. “O ferry, quando foi implantado, em 1972, não foi pensado para funcionar como vetor de transporte de massa. E o aumento da frota não é uma saída porque o sistema opera com sazonalidade. Durante a baixa estação, as emb arcações ficam ociosas”, apontou.

“Ponte matará polos econômicos”

Contrário à construção da ponte, o professor Paulo Ormindo apontou o que para ele é o maior problema do projeto: aumentar a centralidade da capital baiana. Ormindo acredita que a ponte bilionária vai concentrar as atividades econômicas da Bahia em Salvador, “matando os polos que começam a surgir no interior, como a pequena industrialização de Santo Antônio de Jesus” (cidade ao sul, a 100km da capital via ferryboat).

Segundo ele, outro aspecto negativo seria a centralização dos serviços públicos na capital. “Semelhante ao que ocorre hoje: a população da região metropolitana vem a Salvador para ter acesso à saúde e outros serviços. A capital irá bancar os serviços públicos para toda a região, que não têm serviços suficientes, sendo que Salvador também não tem como sustentar serviço para sua população atualmente”, afirmou.

Também contrário à ponte, o arquiteto Carl von Hauenschild questionou a necessidade de expansão da RMS no sentido sul. “Nós criaremos um funil ao obrigar todo o transporte sentido sul que sair da cidade a passar pela ponte, quando há espaço à vontade para Salva dor crescer nos municípios da Região Metropolitana”, afirmou. Segundo dados do IBGE de 2009, dos 3,86 milhões de habitantes da RMS, 3 milhões moram em Salvador (77% do total), que só tem 707 km² dos 4.375 de toda a região (16% do território).

Hauenschild criticou a “falta de plano de desenvolvimento para a Baía de Todos-os-Santos”. Ele acusou a idealização a ponte de ser uma obra pontual, “desconectada” de uma “idéia maior” de desenvolvimento da região. Como exemplo, o arquiteto citou o desenvolvimento da infraestrutura portuária no Estado. “Desde o final dos anos 80 chamamos a atenção de que a Bahia não tem um plano de desenvolvimento portuário. E agora vamos de novo deixar as ações para desenvolvedores privados, sem o governo pensar”, atacou.

Historiador governista mira João Ubaldo

O único a comentar a opinião de João Ubaldo Ribeiro durante o debate foi Ubiratan Castro, que tem sido considerado um intelectual “porta-voz” do governo de Jaques Wagner. Defensor da ponte por considerar que a obra poderá facilitar o acesso da população da ilha e do oeste do Recôncavo aos serviços da capital, o historiador não poupou críticas ao conterrâneo, mesmo sem citar seu nome. “(A partir dos anos 70) a região de Itaparica, que já teve uma pujante economia, ficou reduzida a local de veraneio, com nativos indigentes procurando um servicinho na casa do Barão que vai veranear, ou do escritor que vai se lembrar de sua infância. Eu acho que o escritor tem direito a lembrar de sua infância, mas não tem direito a mobilizar uma população na miséria e na pobreza para que lhe sirva de inspiração para fazer romances”, disparou.

Esse tem sido o tom de outros contra-ataques dos petistas. Rusgas à parte, o historiador considera que a Bahia tem condições de fazer uma ponte, preservando o patrimônio histórico e artístico existente na cidade colonial, pois “na Bahia tem Iphan e Ipac”. Os dois órgãos vem recebendo críticas de urbanistas e intelectuais por liberarem obras polêmicas em Salvador.

A ponte

Com um orçamento previsto inicialmente em R$ 2 bi, a ponte entre Salvador e Itaparica atravessaria a Baía de Todos-os-Santos e seria parte de um novo sistema viário a ser implantado na região oeste do Recôncavo.

Além do escritor João Ubaldo – nascido na Rua do Canal, número um, em Itaparica -, vários intelectuais brasileiros já se posicionaram contra a imposição da obra sem debates com os baianos – os signatários, Luis Fernando Verissimo, Chico Buarque, Cacá Diegues, Milton Hatoum, Ricardo Cravo Albin, Emanoel Araújo, Monique Gardenberg, Sonia Coutinho, Jomard Muniz de Britto, Hélio Pólvora, Edson Nery da Fonseca, Sebastião Nery, Walter Queiroz Júnior, Jerusa Pires Ferreira, Hélio Contreiras, Aninha Franco, Fernando da Rocha Peres e Ruy Espinheira Filho. Todos eles assinaram o manifesto “Itaparica: ainda não é adeus”, em resposta ao artigo “Adeus, Itaparica”, um libelo de João Ubaldo contra a destruição do paraíso ecológico.

No último mês de janeiro, o governo da Bahia abriu um Procedimento de Manifestação de Interesse para a construção da ponte e do novo sistema viário. Duas empreiteiras, a Odebrecht e a OAS já declararam interesse em realizar a obra, e devem entregar os estudos iniciais até o dia 14 de março. Caso seja efetivado o interesse do estado, a Seplan prevê novos estudos e abertura de licitação no ano que vem. A OAS manifestou ainda o desejo de construir condomínios fechados na parte central de Itaparica, em zona rodeada por mata atlântica.

Atualmente, a Ilha conta com uma população de 58 mil habitantes que, apesar de em sua maioria considerar o lugar tranquilo, se deparam nos últimos meses com um aumento dos casos de violência, especialmente os ligados ao tráfico de drogas oriundo de Salvador. Outro problema recorrente da ilha é o acesso por ferryboat ou “lanchas” (barcos de madeira que a cada meia hora partem do centro de Salvador), notadamente insuficientes para atender a demanda de veranistas durante a alta estação.

Sobre o artigo de sua autoria publicado ontem no jornal Tribuna da Bahia, e reproduzido neste espaço do Bahia em Pauta, o autor recebeu ontem mesmo carta do secretário-geral do PMDB da Bahia, Almir Melo, que reproduzo a seguir em seu espaço. Em tempo: os títulos do post e na edição do texto da carta são do editor do BP. (VHS)

 

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SECRETÁRIO-GERAL DO PMDB CONTESTA

Caro Ivan de Carvalho

“Leitor assíduo da sua coluna na Tribuna da Bahia, gostaria de fazer algumas considerações a respeito do artigo publicado na edição desta quarta-feira. Aliás e, como sempre, bastante pertinente em relação à conjuntura política atual.

Na condição de secretário-geral do PMDB, não me sentiria no momento à vontade para discorrer a respeito da análise apresentada pelo prezado jornalista sobre candidaturas de outros partidos. Mas, exatamente pelo conceito que o iminente jornalista desfruta junto a opinião pública baiana, sinto-me no dever de expressar as minhas considerações no que diz respeito a análise relacionada ao nosso companheiro de partido, o ministro Geddel Vieira Lima.

Em primeiro lugar, apesar do próprio ministro, parlamentares e dirigentes do PMDB terem reiterado diversas vezes que não existe qualquer possibilidade de reaproximação com o PT baiano e, consequentemente com o Governo do Estado, há uma verdadeira indústria de boatos, alimentando a falsa expectativa de que isso venha a ocorrer. Muitas vezes (e acredito que tenha sido este o caso, em relação ao seu artigo), fontes “privilegiadas” de Ondina se encarregam pessoalmente de difundir tal informação. Trata-se de uma estratégia conhecida, por ser velha e remontar ao passado em que se acreditava que uma mentira repetida insistentemente acabaria por se tornar verdade.

A razão dessas especulações é o temor dos nossos adversários diante da decisão firme do partido de ter candidatura própria ao Governo da Bahia, assim como o crescimento visível da aceitação do nome do ministro Geddel junto ao eleitorado baiano. Mas, para por um fim a essa “rede de intrigas”, gostaria de evocar o testemunho do nobre jornalista em relação ao histórico comportamento do ministro Geddel.

O que quero dizer é que na trajetória do ministro não existem blefes. A sua história política é escrita preto no branco. É simples: com ele é ou não é. Ele sempre tem um lado. Foi assim, quando comandou o movimento no qual o PMDB baiano decidiu apoiar a candidatura de Luiz Eduardo Magalhães ao Governo do Estado e mais tarde, quando da sua morte, manter a aliança em apoio a César Borges. Da mesma forma, quando o partido decidiu apoiar o atual governador, mesmo quando Wagner estava atrás nas pesquisas e quando todas as evidências apontavam para vitória do seu concorrente. E o apoio foi decisivo para que o atual governador vencesse a eleição já no primeiro turno.

As posições políticas do PMDB e do ministro foram sempre firmes, sem possibilidades de retorno. Porque então, agora, seria diferente?

Como nos exemplos citados, o que move o PMDB e o ministro Geddel Vieira Lima é a defesa dos interesses da Bahia e a coerência com os princípios defendidos pelo partido. E tanto em um, como no outro caso, não existe possibilidade desses dois fatores serem atendidos, simplesmente porque os peemedebistas baianos não acreditam no Governo do PT e não concordam com o estilo do governador que hoje, depois de tantos anos de luta e do sacrifício de tantos, caminha para resgatar um passado já derrotado.

Agradeço à devida atenção do nobre jornalista.
Atenciosamente,

Almir Melo, secretário-geral do PMDB-BA

mar
02

Depois de mais um terremoto seguido de Tsumani – ambos terríveis em intensidade e capacidade de destruição – que mais uma vez devasta o Chile, recebi mensagem por e-mail do jornalista e querido amigo Arthur Andrade, firme e competente timoneiro da NAVII, na Bahia.

É dessas que não dá simplesmente para ler e depois guarda-la em um baú posto em algum desvão e esperar que algum escafandrista um dia venha a localiza-lo ao vasculhar o mar à procura de antigas civilizações, como na magnifica canção “Futuros Amantes”, de Chico Buarque, que fala do Rio de Janeiro.

Decidi então compartillhar o e-mail com os leitores de Bahia em Pauta, certo de que Arthur, do alto de sua generosidade, perdoará a indiscrição do amigo. Mas o texto é poesia e jornalismo da melhor qualidade, áreas em que o comandate da NAVII (além da música) transita com a mesma maestria.Não podia ficar escondindo, correndo o risco de jamais ser encontrado por um escafandrista curioso.

Confira o texto de Arthur, acompanhadoi da linda “Se Vas para Chile”, como canção para começar o dia em Bahia em Pauta.Obrigado Arthuro!!!

(Postado por Vitor Hugo Soares)

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SI VAS PARA CHILE

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VITÃO:

Fui no Chile há dez anos empurrado por você. Lembro de sua emoção ao falar da música, do mercado popular, dos mariscos imensos, dos Lagos Andinos. Do povo tranqüilo, da qualidade de vida. Seu entusiasmo infantil me botou num avião. Lá fui.

Quando descia os lagos, aquelas imagens e aquele ar de outro mundo me emocionaram, lágrimas e tudo. Montanhas nevadas, água transparente. Não havia sinais de sujeira. Latas de cerveja, presentes para a Iemanjá dos Andes, restos de madeira, pesca com bomba, rede de arrasto…nada. Águas sagradas, limpias, ricas.

E Santiago. Aquele mundo de meninos e meninas com fardas escolares, meias, paletós, cachecóis. Que coisa!! Todo mundo aqui estuda! Ora!

Aí percorri estradas, carreteras, Chile a dentro. Imenso Chile de pedras, cobre, peixes, desertos e línguas de asfalto. E lá estavam as estradas fantásticas, sem buracos, quebra-molas, sem bêbados e acidentes.

Não adianta. O Chile me lembra Salvador Allende. Lembro de sua morte. Passado o tempo, descobri Isabel Allende. Li tudo dessa figura mágica, criança e mulher de espírito amplo, de cepa de montanha. Virei devorador do Chile por sua causa.

E eis que agora a natureza devora o Chile. Deve morrer de paixão – e não de amor, como eu. Quer tomá-lo só para si como uma amante possessiva. Sem meios termos, invade a casa e quebra os móveis, mata insetos e mamíferos, destrói as luminárias do quarto onde estamos nós, os amantes.

A terra desmorona. Quando vejo as imagens de agora, volto o filme. É assim…enfim. Mesmo destruído sob o choro de tantos, o Chile continua como uma superprodução da natureza. Que implacável e alheia, segue destruindo e construindo coisas belas.

Abração,

ARTHUR

fev
28
Posted on 28-02-2010
Filed Under (Artigos, Eventuais) by vitor on 28-02-2010

Hansen Bahia e,,,

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…sua obra imortal

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ARTIGO/ARTE

PRESENTE PARA OS BAIANOS

Sandra Regina de Araujo Caldas

Este ano, comemora-se 95 anos de um grande artista Karl Heinz Hansen (1915-1978) ou como é mais conhecido Hansen Bahia. Alemão de Hamburgo, marinheiro, escultor, pintor e cineasta, que escolheu para se expressar a xilogravura.

Era um grande mestre, segundo Jorge Amado “o pai da gravura baiana”. Seu trabalho destaca-se pela forma primorosa de indicação da luz e os inúmeros efeitos criados através de delicadas texturas, fazendo surgir um novo tipo de xilogravura na arte contemporânea. Trata-se de um nome internacional nas artes brasileiras e para nosso orgulho, especialmente nas artes baianas. Transparece em sua obra a vida brasileira.

Hansen iniciou o seu trabalho como gravador por volta de 1946 na Alemanha e veio para o Brasil por volta de 1949 onde passou a trabalhar numa editora em São Paulo. Mesmo executando outro trabalho, o seu tempo livre era dedicado á gravura.

Mudou-se para a Bahia em 1955 e posteriormente escolheu para viver, a região do recôncavo, onde até hoje permanece a Fundação Hansen Bahia. Na casa onde viveu com a sua esposa Ilse Hansen, falecida cinco anos após a morte do artista, na Fazenda Santa Bárbara, em São Félix – BA pode ser visto o seu atelier e grande parte da sua obra.
Os baianos, hoje, têm o privilégio de rever o maravilhoso trabalho de Hansen Bahia no Instituto Goethe – ICBA em Salvador de 23-02 a 03-04 ou em breve na Casa dos Hansen, de Abril de 2010, quando será inaugurada a nova sede da Fundação em Cachoeira, até Março de 2011.

São 59 xilogravuras restauradas com o patrocínio do Consulado Geral da República Federal da Alemanha, no Recife. Dentre elas duas séries se destacam “Navio Negreiro” inspirada no poema de Castro Alves e a ”Via Crucis do Pelourinho” álbum homônimo com textos de Jorge Amado, além de “Amigas de Banho”, “Candomblé”, “Os cavalheiros do apocalipse” e algumas matrizes cuidadosamente recuperadas. A exposição, Hansen Bahia 95 anos, é um presente para os baianos, uma aula de arte.

Imperdível!

( Sônia Regina de Araujo Caldas, artista plástica, doutora em Letras na área de estudos culturais, professora do Curso de Comunicação Social da UCSAL e de Turismo da FAMETTIG.)

fev
26
Posted on 26-02-2010
Filed Under (Artigos, Eventuais) by vitor on 26-02-2010

Emiliano José: revelação

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DEU NO TERRA MAGAZINE:(25/O2/AO1O)


Waldir Senador: a voz da Bahia

Emiliano José

De Salvador (BA)

A política é fascinante também pelo que ela tem de revelador da natureza humana, da diversidade do humano. Nada do que é humano me é estranho. É de Terêncio (Publius Terentius, dramaturgo do Império Romano antes de Cristo). Nada mais próprio se aplicado também à política. Quando soube de uma pichação que me dizia eleitor do senador César Borges, pensei nisso. Não atinei completamente sobre as intenções de quem se dedicou à pichação. E não fiquei a me perguntar de quem seria a iniciativa.

A pichação tinha um quê de irônico. De engraçado. Pela impropriedade da formulação. Confesso que cheguei a rir quando vi a pichação estampada no Política Livre, do meu amigo Raul Monteiro. Talvez, quem sabe, do ponto de vista político, quisessem provocar uma reflexão minha sobre a situação política do nosso Estado, sobre as próximas eleições e, de modo especial, sobre a chapa ao Senado.

Houve os que me aconselharam a não morder a isca.

Mas, homem público deve esconder suas posições?

Ou deve sempre revelar o que pensa, o que defende?

Lamento que haja os que se escondem atrás ou na frente dos muros, os que preferem o anonimato. Eu gosto sempre é do debate aberto, público, à luz do dia, sem tergiversações.

Nós derrotamos uma oligarquia cruel, autoritária, que não tinha qualquer respeito pela coisa pública, para dizer o mínimo. Uma oligarquia que nos legou índices sociais inaceitáveis, criminosos. Este primeiro mandato do governador Wagner está representando uma mudança radical na vida da Bahia, seja no plano dos valores políticos, do respeito profundo à democracia, seja no plano das condições de vida do nosso povo. O governador Wagner sabia, como é da política do PT, que deveríamos realizar um governo de coalizão, e assim temos feito.

O que impressiona em Wagner, mais do que obras, que são muitas, é a sua convicção de que mais vale a afirmação de novos valores – a consolidação dos valores democráticos. Ele diz isso com freqüência. Suas convicções republicanas e democráticas são sólidas. Num artigo que escrevi recentemente, eu lembrava que a nova hegemonia que está sendo construída no Estado leva, sobretudo, essa marca: a da afirmação da democracia no sentido mais substantivo.

É uma mudança cultural que está em andamento. Passo a passo, Wagner, ao lado do nosso partido, está construindo persistentemente essa nova hegemonia. Uma hegemonia que não se faz no grito, que descarta o autoritarismo, que apenas afirma a autoridade pelo que ela tem de mérito e de força junto ao povo. Diria, para pensar um pouco teoricamente, que Wagner vai num passo gramsciano, trincheira por trincheira, conquistando corações e mentes do nosso povo, e por isso tem se afirmado como a nova e grande liderança política do povo baiano.

Temos convicção, o PT tem, de que as nossas grandes tarefas políticas são eleger Dilma presidente, Wagner governador. E que para tanto devemos fortalecer uma ampla frente política de alianças, como temos feito. Temos o privilégio de termos o governador Wagner à frente dos destinos da Bahia. E não é preciso dizer o quanto Wagner tem de fidelidade ao PT, do qual é um dos fundadores e uma de suas principais lideranças.

O Senado, se olharmos para o quadro da grande política, não pode ser visto como uma Casa secundária. Nosso partido precisa tanto eleger uma grande bancada de deputados federais, de deputados estaduais, quanto tem obrigação de aumentar o número de senadores comprometidos com o intenso processo de mudanças em curso no Brasil. Temos visto o quanto de dificuldades o governo Lula tem tido naquela Casa.

O Senado precisa ser uma casa de sustentação do próximo governo Dilma e, no caso da Bahia, precisamos ter uma voz que defenda o segundo mandato do governador Wagner, os interesses do Brasil e os interesses da Bahia. Essa voz, tenho defendido com convicção, é a de Waldir Pires.

Falo de um político também raro, pelo seu extraordinário compromisso com a democracia, pela sua capacidade, pelo conhecimento que tem do mundo, do Brasil e da Bahia. Um político que subordina tudo aos projetos amplos do País. Que acompanha Lula desde 1989. E que ocupa cargos públicos desde o início dos anos 50, sem nunca ter se desviado, um minuto que seja, do caminho democrático.

Foi, junto com Darcy Ribeiro, o último homem a deixar Brasília quando do golpe de 1964. Passou anos no exílio. Foi e é até hoje um dedicado servidor da Bahia. Tem uma vida dedicada à nossa terra como secretário de Estado, professor universitário, deputado federal, governador. Ou como simples militante da democracia. E cuja vitalidade, dinamismo, capacidade de raciocínio e de análise sobre o País e o mundo, impressiona a quem quer seja que o ouça falar.

A política é parte de sua vida, e aqui, em Waldir, a política ganha a amplitude que merece, a dimensão que merece. Nele, a política assume a sua extraordinária missão civilizatória. No governo Lula, foi ministro do Controle e da Transparência, consolidando a Controladoria Geral da União, que se tornou um exemplo para o mundo no combate à corrupção. E foi também ministro da Defesa.

A Bahia, ao tê-lo como senador, terá uma voz ativa e altiva no Senado. Dilma o terá defendendo os interesses fundamentais do governo e do País. O governador Wagner e a Bahia o terão como uma voz poderosa, uma voz presente, atuante, capaz sempre de descortinar horizontes, de enfrentar os desafios postos pela história.

Não seria um orgulho extraordinário ter uma voz como a de Waldir no Senado?

Sem dúvida, seria.

Ainda mais quando se sabe quem em 1994 ele teve nitidamente um mandato roubado pelo carlismo, que conseguiu eleger um personagem absolutamente obscuro pelos artifícios da fraude, e uma fraude escandalosa.

Seria um resgate histórico, um grande resgate histórico.

Emiliano José é jornalista, ex-preso político e deputado federal (PT-BA). Site: www.emilianojose.com.br .

fev
18
Posted on 18-02-2010
Filed Under (Artigos, Eventuais) by vitor on 18-02-2010

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DEU NA REVISTA MUITO


OPINIÃO / PRINCÍPIOS

A PONTE, OS ARTISTAS E OS POLÍTICOS

Aninha Franco

O governador Jaques Wagner se indispõe com artistas desde o início de seu governo, ou pessoalmente ou através do secretário de Cultura que promoveu tremor haitiano na produção artística local sob seu silêncio. Calado. Consentido. Agora é a vez da ponte Salvador-Itaparica. Meu irmão, que eu amo, proprietário na ilha, que sofre horrores para chegar e sair de lá, acha que a ponte resolverá o funcionamento caótico do ferryboat. João Ubaldo nasceu na Ilha e criou Viva o povo brasileiro, livro-ponte da obra de Jorge Amado para a Bahia atual, e por suas razões, contrárias à ponte, terá, sempre, o meu apoio independente do meu amor. A contrapartida do governador é João Leão, secretário pós-Geddel, que como argumento master diz que os intelectuais estão contra a ponte mas o povo está a favor. E pode falar em nome do povo quem perdeu as eleições? Tem credibilidade para falar pelo povo quem ofendeu políticos íntegros como Moema Gramacho na disputa pelo poder em Lauro de Freitas?

A diferença entre políticos e artistas, governador, é que nós nos admiramos e respeitamos como pares, sem partidos, sempre por um mundo mais belo e honesto. Um mundo melhor. E é por isso que Chico Buarque é contrário à ponte, e sendo artista pode falar pelo povo porque tem o seu respeito e amor. Estar do outro lado de Chico, até em disputa de cuspe a distância, não é bom sinal, governador.

Tem gente que garante que a ponte só vai unir a violência de Salvador à violência de Itaparica, e por isso prefere a Ilha sem ponte, com o sistema ferryboat funcionando, honesto, eficiente, coisas que ele não faz há décadas, minado pela corrupção, providência infinitamente menos onerosa para nós, financiadores da ponte. Conselho não se dá nem a quem pede, governador, mas no futuro, dentro da história que o senhor está tecendo, essa que vem sendo fotografada, filmada, escrita, a ponte que falta é a que liga o povo à educação, para que ele nunca mais precise de intermediários do seu querer. E pra fazer essa ponte, governador, é mais seguro ser parceiro de artistas.

(Aninha Franco é poeta, escritora e dramaturga. Texto publicado originalmente na Revista Muito, jornal A Tarde, 14/02/2010, p. 41)

fev
11

DEU EM TERRA MAGAZINE

De sua janela aberta para a Baia de Todos os Santos o músico Paquito observa as múltiplas faces de Salvador, e escreve com a argúcia e competência de sempre sobre delícias e mazelas da cidade da Bahia, para a revista digital Terra Magazine ( http://terramagazine.terra.com.br ).

Nesta quinta-feira, ele que não morre de amores pelo carnaval soteropolitano, fala de belezas da festa que surpreendem mesmo que não gosta dela.Mas critica em TM o lado mais feio da folia: a miséria de “cordeiros” dos blocos no Carnaval.

O músico condena, principalmente, a posição do produtor Nelson Motta sobre a função de cordeiros no Carnaval de Salvador. “Se há grande concorrência para a função de cordeiro, a causa deve ser mesmo a miséria e exclusão social” . Um texto de leitura essencial para quem vai cair na folia baiana.Ou não.

Até mesmo para a ministra Dilma Rousseff (PT) e o governador José Serra (PSDB), que devem desembarcar na cidade -, concorrentes na disputa na sucessão de Lula – a partir de sábado, em campanha nos camarotes e blocos da cidade (fala-se até no Ilê).

Confira.

(Vitor Hugo Soares)

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Retrofolia:cada ano melhor, diz Paquito

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ARTIGO

CARNAVAL, DESENGANOS…

Paquito

De Salvador (BA

Não sou fã do carnaval de Salvador e disso não faço segredo. Já escrevi nesta coluna sobre a angústia que antecede a festa para os moradores do circuito – eu, incluído – que não curtem a folia, o estupor, e tem de simplesmente se mudar de suas casas durante o período. No entanto, reconheço a legitimidade do evento, mesmo sabendo o quanto houve de demagogia no decreto do então governador Antonio Carlos Magalhães que esticou, de três para cinco dias, a chamada maior festa de rua do mundo, que dura agora uma semana.

No entanto, frequentei eventos pré-carnavalescos, de leve, como o Ensaio do Cortejo Afro, sob o comando de Alberto Pita, que me convenceu a ir, e me fez ficar surpreso diante de coisas que parecem só acontecer na Bahia. Quem imaginaria que, numa segunda-feira, que é quando acontecem os ensaios, apareceria, em pleno palco, Clifton Davis, autor de Never can say goodbye, gravada por Michael Jackson, para uma palhinha junto a J. Velloso, cantando a própria canção acompanhado pelos tambores do cortejo? Nem sei se é um elogio, vindo de um anti-carnavalesco, mas o fato é que gostei de estar lá, muito bem recebido por Pita.

O segundo evento de que participei – e cada ano sai melhor – foi a Retrofolia dos Retrofoguetes, que também já comentei nesta coluna, e não fui apenas espectador, mas cantei clássicos da lambada. E lamentei muito não ter acordado a tempo pra ver Gerônimo domingo de manhã no TCA, gravando seu DVD. Cheguei atrasado, bamba de sono, e não pude entrar.

Toda essa conversa é, na verdade, um preâmbulo, para tratar de outra conversa, não de mesa de bar, mas de livraria de shopping, onde encontrei Osvaldo Braminha – com quem travo conversas divertidas e discordâncias cordiais – que me disse coisas que eu não sabia sobre o carnaval soteropolitano. Por exemplo, o número de pessoas que brinca não é de um nem dois milhões, mas cerca de 500 mil, segundo pesquisa da Secretaria de Cultura do Estado, o que não deixa de ser expressivo, de todo modo. O mais espantoso, no entanto, é que parece que o governo do Estado mais perde dinheiro do que ganha durante a semana de Momo.

Bem, alguém deve estar ganhando alguma coisa, senão não se poria tantos blocos e aquele um sem-número de trios elétricos engarrafando a cidade. Não é só pelos belos olhos da vetusta Soteropólis, nobre e opulenta cidade, madrasta dos naturais e dos estrangeiros madre, diria o poeta.

Alguém deve estar ganhando e não são os cordeiros, no cerne da discussão por conta de um Estatuto do Carnaval, baixado pela prefeitura, que pretende dar a estes que, literalmente, seguram os blocos, melhores condições de trabalho. Quero adiantar que não fui eleitor do atual prefeito, e acho que a cidade caiu numa esparrela danada ao reelegê-lo.

Não posso, no entanto, deixar de comentar a reação de Nelson Motta ao estatuto, entrevistado na revista Muito, que vem encartada no jornal A Tarde : “Primeiro, ninguém está ali obrigado. Sou a favor que tenham as mínimas garantias de trabalho, porque é um trabalho como qualquer outro.” Diante do primeiro argumento, caem por terra todos os movimentos sociais e tentativas históricas de trabalhadores que tentaram melhores condições de realizar o seu ofício com dignidade. Sensibilidade social é isso aí… Quanto a ser um trabalho como qualquer outro, aconselho, se já não basta o que se vê nas ruas bem claramente, que se assista ao documentário Cordeiros, de Ana Rosa Marques e Amaranta César, de 2008.

Se há – e olha que pode haver mesmo – grande concorrência para a função de cordeiro, a causa deve ser mesmo a miséria e exclusão social que faz da Bahia um dos estados mais pobres do Brasil. Nada de novo, diz um samba de Paulinho da Viola, discreto, baixinho, mas eloqüente.

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