mar
29

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A CIDADE DA BAHIA

Gregório de Matos

A cada canto um grande conselheiro,

que nos quer governar cabana, e vinha,

não sabem governar sua cozinha,

E podem governar o mundo inteiro.

Em cada porta um freqüentado olheiro,

que a vida do vizinho, e da vizinha

pesquisa, escuta, espreita, e esquadrinha,

para a levar à Praça, e ao Terreiro.

Muitos mulatos desavergonhados,

trazidos pelos pés os homens nobres,

posta nas palmas toda a picardia.

Estupendas usuras nos mercados,

todos, os que não furtam, muito pobres,

e eis aqui a cidade da Bahia.

mar
27
Posted on 27-03-2010
Filed Under (Artigos, Eventuais, Multimídia) by vitor on 27-03-2010


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De Brasília a mana Mariana, advogada, leitora, colaboradora e benfeitora deste site blog , manda a seguinte e-mail que encontro na caixa de mensagem ao voltar do restaurante com Margarida, depois de almoçar e fazer um brinde prosáico – ela com uma taça de cerveja lindamente suada e eu com um copo de Coca-Cola , gelo e limão.

Corte para a mensagem de Mariana.

“Meu Irmão e Caro Editor,

Esperei por todo este dia que o BP, como sempre faz, postasse uma bela canção para iniciarmos este singular dia (27/03), o que até agora não aconteceu.
Temendo terminar esta data sem a nossa música diária, quero sugerir, em homenagem a você e a sua amada Margarida, celebrando estes trinta e quatro anos de virtuosa união, uma música de Gil, que fala, de forma única, do amor verdadeiramente vivido por aqueles que se amam e, assim, decidem compartilhar suas vidas, assim como vocês vêm fazendo ao longo do tempo.
Parabéns! Celebrem com muito amor esta data e vivam sempre plenos deste poderoso sentimento, que tudo pode.
Muitos beijos”,
Mariana
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Mari sugere “A linha e o linho” de Gilberto Gil para musica da celebração da data.

Ao meu lado,enquanto lê a mensagem e elogia a memória da cunhada, Margarida sopra: “poste também uma canção do cubano Bola de Nieve”.

Sugestões atendidas. com prazer e felicidade

(Vitor Hugo Soares)

mar
24

D. Timóteo no mosteiro de São Bento-Salvador/Arquivo

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CENTENÁRIO DE DOM TIMÓTEO


Diogo Tavares*

Há pelo menos dois tipos de mistério diante dos homens comuns: o que angustia, como um crime insolúvel, a necessidade de uma saída crucial ou a busca de uma invenção salvadora, e o mistério que fascina, como o espanto diante da obra de arte e transição na fé. Este nos permite contemplação, reflexão e em alguns casos crescimento. Em paz. Neste ano em que completaria um século de nascimento, Dom Timóteo Amoroso Anastácio, o saudoso abade do Mosteiro de São Bento, continua a ser um “mistério do bem” e, portanto, não deixar essa data passar em branco nada mais é do uma homenagem que podemos prestar à nossa própria condição humana.

Símbolo poético e declarado de sua fé, o Cometa de Halley apareceu naquele mesmo ano de 1910 em que o jovem Luiz Antônio Amoroso Anastácio nasceu, em 12 de julho, na cidade mineira de Barbacena. Foi uma vida intensa, que incluiu um diploma de direito, o trabalho com o primo Alceu Amoroso Lima, conhecido escritor católico com o pseudônimo de Tristão de Athayde, o casamento com Jenny Hungria, a morte da jovem mulher, aos 20 anos, por tuberculose, e o ingresso na vida religiosa junto com o irmão médico, Vicente, e outros 20 jovens recém formados. O fato seria destacado por Tristão de Athayde no artigo De doutores a Monges, em 1941.

Então já não era Luiz Antonio, mas Timóteo, nome que adotou ao entrar para a ordem beneditina. O trabalho com dom Helder Câmara foi fundamental para a formação crítica do religioso que, em 1965, após impressionar os monges baianos durante palestras, foi eleito abade do Mosteiro de São Bento de Salvador.

É aqui que a cronologia dos fatos passa a fazer com que a biografia de dom Timóteo se confunda com a história da Bahia. Chegando a Salvador em plenos anos de chumbo, coube a dom Timóteo exercer o frágil diálogo entre a sociedade civil e o governo outorgado e seu aparato de repressão, utilizando para isso sua “autoridade” religiosa e conclamando seus interlocutores à razão diante dos princípios cristãos. Emblemático disso foi o cerco ao Mosteiro de São Bento, em 1968, quando dom Timóteo abrigou dezenas de estudantes que tinham sido encurralados pela Polícia Militar na Avenida Sete durante a repressão a uma manifestação. O saldo de 11 pessoas feridas por armas de fogo e as marcas de tiros nos muros do mosteiro retratariam bem a violenta repressão utilizada. Sem medo de correr gabinetes e redações de jornais, com astúcia e coragem, coube ao abade garantir a liberdade e a integridade dos jovens.

Mas o diálogo pregado por dom Timóteo não se limitava à política. Entusiasta do Concílio Vaticano II, que estabeleceu o princípio da aculturação da liturgia, o abade do São Bento celebrou em Salvador a Missa do Morro, levando para a igreja ritmos e instrumentos de origem africana. Chocou os conservadores, aproximou o clero dos jovens e dos progressistas e abriu espaço para o diálogo com a religião afro-brasileira.

Há muito mais coisas pra se escrever sobre dom Timóteo e eu vou recorrer ao próprio abade, em entrevista que me concedeu em 1988. “Dom Timóteo é um mito. E eu, hoje, na minha adiantada idade, olho essas coisas como uma certa grata ironia e digo o seguinte: eu não faço nada pra desfazer o mito. Porque os homens precisam de mitos e mitos são ideais. Como eu não estou muito mais acessível à vaidade, tomo essas homenagens, esse reconhecimento, como um estímulo e um incentivo pra mim. Quer dizer: do Timóteo que é para o Timóteo que deve ser”.

Apesar da modéstia, que pode ser interpretada também como opção pelo humano em detrimento do divino, o fato é que dom Timóteo não conseguiu nos deixar simplesmente, como um homem comum, no início de agosto de 1994. Ele sobreviveu, sim, como mito. Aquele tipo de mito que precisamos preservar, nesse nosso mundo cada vez mais pautado por ídolos instantâneos de reality shows, para que justiça, liberdade, verdade e esperança não se tornem apenas palavras sem conteúdo, para que haja bons exemplos, para, enfim, que não morra de uma vez nos homens o sentido pleno da palavra humanidade.

*Diogo Tavares é jornalista e autor do livro O Milagre de Dom Amoroso – ou como D. Timóteo, abade do Mosteiro de S. Bento venceu as legiões hereges.

Wagner, Cesar Borges e Lula em Juazeiro/TM

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Bob Fernandes

DEU NA REVISTA DIGITAL TERRA MAGAZINE

O senador e ex-governador César Borges (PR), fiel aliado de Antonio Carlos Magalhães ao longo de décadas na Bahia, recebeu o convite do governador Jaques Wagner (PT) para integrar sua chapa do Senado nas eleições 2010. O acordo, inicialmente alvo de resistência no PT e partidos à esquerda foi assimilado. No dia 22, PT, PSB, PCdoB e PDT se reuniram e apoiaram a decisão do governador por uma “chapa competitiva”

O problema, e a falta de acerto até agora, está na composição das coligações para deputados federais e estaduais que incluam o PR, partido que Borges preside no Estado.

– O governador nos procurou, conversamos, mas as negociações ainda estão em andamento, não houve um fechamento formal – garante César Borges, que confirma convite de Wagner para disputar uma das vagas para senador:

– O governador convidou, manifestou o desejo da minha presença na chapa…

A composição das duas candidaturas da base governista ao Senado e da vice de Wagner pode atrair também os aliados Lídice da Matta (PSB), deputada federal e ex-prefeita de Salvador, e Otto Alencar (PP), ex-governador com trajetória vinculada a ACM.

Resta uma incógnita: E Waldir Pires, que se dispõe a ser candidato ao Senado pelo PT, e que se dispõe a ir à Convenção se o partido quiser?

– Nós já conversamos sobre tudo isso, mas faltam os acertos para as proporcionais e, principalmente, falta uma palavra final, formal, o anúncio por parte do governador – sintetiza o senador César Borges.

A ENTREVISTA DE CESAR BORGES

Terra Magazine – Senador, por tudo que se sabe, se ouve, é informado, já estaria fechada sua presença numa chapa majoritária na Bahia, como candidato ao lado do governador Jaques Wagner, do PT, candidato à reeleição?
César Borges – O governador nos procurou, conversamos, mas as negociações ainda estão em andamento, não houve um fechamento formal. O governador manifestou o desejo da minha presença na chapa, mas há questões que temos que avançar ainda…

Que questões são essas?
A questão das coligações proporcionais, da eleição para deputados estaduais e federais.

Como política é, muitas vezes, algo intrincado, complexo para os cidadãos que não a vivem, daria para o senhor detalhar essa questão?

Não dá para ser candidato sem ser parceiro, não há como fazer uma coligação que não inclua todos os setores de um partido. Eu presido na Bahia o PR, temos os companheiros candidatos a deputado federal e estadual e, assim, uma combinação, um acerto político-partidário para uma campanha deve incluir a todos.

Ou seja…
…o PR tem hoje quatro deputados federais e podemos fazer cinco, tem seis estaduais e queremos fazer sete. Para isso é preciso que a composição eleitoral pretendida inclua também essa questão…

Em que pé está a coisa?
O governador nos procurou, conversei com o partido nacionalmente e, como o PR integra a base que dá sustentação ao governo Lula, fui autorizado a prosseguir nas negociações. Foram muitas conversas de todas as partes, mas agora chegou o momento em que é preciso definir as coisas…

Se bem entendi, a coligação está definida no macro, digamos assim…
…o macro que você diz seria a candidatura majoritária?

Sim, senador, mas até mais do que isso: está definido o desejo de ambas as partes de chegar a um acordo e está definido que o senhor será candidato ao senado…

Nós já conversamos sobre tudo isso, mas faltam os acertos para as proporcionais e, principalmente, falta uma palavra final, formal, o anúncio por parte do governador.

Ao que se diz tudo seria fechado ainda esta semana. É este o prazo final?
Formalmente, o prazo final é o da convenção…

…em junho?
…que é em junho, mas é muito importante o anúncio formal e o anúncio por parte do governador muito antes disso.

E quando seria?
O governador, pelo que soube, se manifestou essa semana dizendo que até o final deste mês teria suas decisões…

Para esse prazo falta, portanto, uma semana…
Isso.

O senhor diria que está bem encaminhada a negociação, com sua presença na chapa de Jaques Wagner como candidato a senador?
Eu diria que está encaminhado, “bem encaminhado” estará quando tudo, o resto, estiver acertado, combinado.

mar
22

Defunto Caguete, Bezerra canta samba do baiano Ivan Solon

TAPA COM LUVA DE PELICA

Pedro Alexandre Sanches
Colaborador IG Cultura

A expressão “tapa com luva de pelica” cabe sob medida para descrever o documentário “Onde a Coruja Dorme”, centrado na figura desconcertante do sambista pernambucano radicado carioca Bezerra da Silva (1927-2005). O filme estreiou em São Paulo neste domingo, dentro da programação do In-Edit Brasil – 2º Festival Internacional do Documentário Musical, mais um evento a coroar um momento produtivo do encontro entre o cinema e a música popular brasileira.
Bezerra desfruta de simpatia esparsa fora dos ambientes de favela e periferia nos quais ancorou sua obra, mas não é artista daqueles que atraem atenção mais cuidadosa por parte da crítica musical – e essa é a primeira pelica do filme dirigido por Márcia Derraik e Simplício Neto. Sem tecer loas bajulatórias ao personagem, a dupla vai reconstituindo a importância musical do sambista pouco a pouco, tijolo por tijolo. A ironia, o virtuosismo e o forte conteúdo político dos partidos altos cantados por ele se impõem no fundo musical, enquanto uma narrativa deliciosa se ergue diante dos olhos e ouvidos do espectador.
Devagar, percebe-se que Bezerra é a viga mestra da construção, mas está longe de ser o prédio inteiro ou o dono da empreiteira. Logo ele perderá a condição de figura mais importante no edifício que se ergue. O filme sobre Bezerra da Silva não é, na verdade, um filme sobre Bezerra da Silva. Ele aparece ocasionalmente, como maestro, cimentando os diversos temas que vão compondo um todo fluente – a malandragem, os embates entre a polícia e a marginalidade, o conflito tácito com a “elite selvagem marginal” (termos do ferino samba “Desabafo do Juarez da Boca do Mato”) que não aprova sua música, a crônica social (como na divertida passagem sobre “Minha Sogra Parece Sapatão”), a relação com as drogas e o álcool, o candomblé.
Quem conta as histórias é menos Bezerra que os compositores que ao longo de três décadas lhe forneceram material musical popular, quase sempre de primeira qualidade. São eles, os tijolos, os verdadeiros protagonistas da construção em música e cinema. De modo delicado, o filme descortina uma realidade desconhecida cá do “asfalto”: quando não estão compondo, os autores de partidos altos históricos como “Malandragem Dá um Tempo”, “Vítimas da Sociedade”, “Povo da Colina”, “Se Não Fosse o Samba” e “Malandro É Malandro e Mané É Mané” trabalham como pedreiros, encanadores, pintores, lixeiros, camelôs, mecânicos, carteiros, bombeiros, pais de santo.
Nomes como Popular P, 1000tinho, Tião Miranda, Cláudio Inspiração, Adelzonilton, Pinga, Walmir da Purificação, Dário Augusto, Nilson Reza Forte, Wilsinho Saravá, Nilo Dias, Luiz Grande, Gil de Carvalho e Barbeirinho do Jacarezinho ganham rosto e existência talvez pela primeira vez para a maioria da audiência dos cinemas classe média. Coautor de sambas como “Saudação às Favelas”, “Defunto Grampeado”, “Candidato Caô Caô” e “Sonho de Operário”, o bombeiro Pedro Butina surge mostrando o gancho que utiliza na remoção de corpos submersos – ele trabalha com ARC, Auto Remoção de Cadáver.
Está dado o grande tapa de luva de pelica: aquilo que por aqui já foi chamado de “sambandido” é, muitas vezes, obra de gente como o velho Pedreiro Waldemar do samba antigo de Roberto Martins e Wilson Batista, aquele que “constrói um edifício/ e depois não pode entrar”.
Pois a turma de Bezerra empurrou a história à frente. Entrou talvez pelas portas dos fundos das grandes gravadoras, mas vendeu milhões de discos e se comunicou diretamente com milhões e milhões de ouvintes tão marginalizados quanto eles. Uma muralha de silêncio e preconceitos operou e opera para mantê-los em seus devidos lugares (ou seja, às margens da sociedade), mas eis aí, em “Onde a Coruja Dorme”, os operários do samba, finos, elegantes e sinceros. Bezerra da Silva foi o mestre-de-obras, e o prédio tá bonito que só ele.
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BEZERRA DA SILVA – ONDE A CORUJA DORME (Márcia Derraik e Simplício Neto, Brasil, 2010, 72’, DVCAM)
21/03, DOMINGO, 16H00, AUDITÓRIO IBIRAPUERA
24/03, QUARTA-FEIRA, 17H00, GALERIA OLIDO
25/03, QUINTA-FEIRA, 18H00, MIS-SP

mar
21
Posted on 21-03-2010
Filed Under (Artigos, Eventuais) by vitor on 21-03-2010

Bahia em Pauta traz para o primeiro plano de seu espaço de opinião o comentário postado pelo leitor e amigo do BP, Carlos Wolney, a propósito do artigo deste editor “Sai de Baixo que Lá vem Ciro”, publicado sábado, 20.Texto enxuto, crítico, informativo e opinativo. Do jeito que BP e seus leitores gostam. Confiram.(VHS)
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Ciro e ACM em Salvador/Arquivo

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Caro Vitor Hugo, peço-lhe uma reflexão.

Para mim, foi episódio menor, insignificante mesmo, o “quiprocó” de Ciro com um ouvinte da rádio Metrópole. Até porque a querela se deu por uma questão sem a menor importância. Sempre quiseram supervolorizar a coisa, até porque na Bahia de “todos os santos, encantos e axé” tudo tem dimensão superlativa – afinal, somos sempre os maiores, não?

Enfim, creio que o que houve mesmo foi o “tiro no pé” que Ciro deu ao vir aqui e sair em passeata com ACM, pouco depois de dizer que ele era sujo igual a pau de galinheiro. Após isso, na primeira pesquisa, o boquirroto caiu verticalmente na preferência dos brasileiros. Aí, os apaniguados do então cacique maior da Bahia difundiram rapidamente a versão que dava como motivo o bate-boca com o ouvinte da rádio. Conveniência da Bahia, mais uma???

Puxe pela memória, reflita e conclua. Posso até estar errado, mas confesso uma intenão e até pretensão de contribuir para clarear os fatos. De resto, continuo admirando Ciro.
Abraço forte.

CARLOS WOLNEY

Vinhos do Vale do São Francisco

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GRAZZI BRITO

Esta semana, em Petrolina-PE, no Vale do São Francisco, o Coordenador Nacional de Vitivinicultura do Sebrae (Brasília), Aníbal Bastos e o Gestor Estadual de Agronegócio, Alexandre Alves anunciaram um convênio de abrangência nacional firmado entre o Sebrae e o Ibravin – Instituto Brasileiro do Vinho, com o objetivo de desenvolver, certificar e mapear a vitivinicultura e a fabricação de sucos nos principais pólos do país.

Os representantes das entidades, acompanhados do vice-prefeito de Petrolina, Domingos Sávio e do gestor do Projeto do Roteiro do Vinho da Unidade de Negócios do Sebrae Sertão do São Francisco, Helder Freitas, conheceram de perto o potencial de cinco vinícolas do Vale do São Francisco, conferindo inclusive o primeiro vinho produzido na região, há 25 anos.

“Em 1985 na Fazenda Milano foi produzido o primeiro vinho no Vale, em termos de região produtora ainda somos jovens se comparado a região Sul que tem uma tradição de 120 anos, porém o diferencial do Vale com seu clima, solo e produzindo de 2 a 3 safras por ano constitui-se num grande produto a ser explorado”, argumentou Aníbal Bastos.

O Coordenador Nacional de Vitivinicultura do Sebrae, disse ainda que o convênio anunciado nesta segunda-feira em Petrolina, reúne ações de desenvolvimento no Cadastro Vinícola Nacional, além de traçar um diagnóstico tecnológico das empresas, promoção de seminários, capacitação e mapeamento da estrutura da cadeia produtiva, bem como, as ações para a certificação do produto vinho do Vale.

O vice-prefeito de Petrolina, Domingos Sávio disse na oportunidade que a região tem diversificado seus produtos e sempre apresenta novidades ao mercado nacional. “Já possuímos a uva e manga do Vale com selo de qualidade e certificação de origem, agora desejamos capacitar, mapear e auxiliar na certificação das vinícolas, variando assim não só para o vinho, bem como, para um mercado que tem crescido, a exemplo da produção do suco de uva”, revelou.

Na oportunidade foi lembrado que de 25 a 29 de maio próximo acontecerá o IIº Simpósio Internacional de Vinhos Tropicais, coordenado pela Organização Internacional de Vinho, com a participação de 17 países. “Esse ano Petrolina vai sediar o evento. Esta é a prova maior do reconhecimento da qualidade dos nossos vinhos”, comemorou Domingos, que também é Secretário de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Cultura do município.

Grazzi Brito, jornalista, mora em Juazeiro(BA), na região do Vale do São Francisco

mar
16


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“Telegrama”, composição musical riquíssima em nuances sugestivas, de Zeca Baleiro, é a música para começar o dia no Bahia em Pauta nesta terça-feira, 16 de março, data em que aniversariam duas queridas amigas deste site blog multicultural: a  designer Letícia Marques, que trabalha na Bahiatursa, e a jornalista e escritora Ayêska de Paulafreitas,  ex- Irdeb, e cidadã do mundo. A sugestão da música vem da colaboradora Maria Olívia -que conhece e gosta muito de ambas – sabedora de que “Telegrama” é uma das canções preferidas de Leti.
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Quanto a Ayêska, culta e elegante, amiga do peito também deste editor, BP publica trechos de um depoimento dela à revista “Entre Aspas”, que fala por si dessa querida aniversariante de hoje:

AYÊSKA PAULAFREITAS

1) Por que você escreve?

Escrevo por uma necessidade premente de me expressar, de libertar meus demônios; escrevo porque personagens se impõem e me obrigam a lhes dar voz; escrevo pra não enlouquecer. Mas também escrevo textos que não são artísticos – os mais difíceis – e, para estes, é preciso muita atenção e disciplina.

2) O que você gostaria de escrever e por quê?

Gostaria de escrever a biografia de um artista da música que admire. Primeiro, porque acho o trabalho de pesquisa fascinante; segundo, já tive uma experiência em romance de formação que foi muito prazerosa; terceiro, porque acho que a música é um segmento da arte que não encontra páreo: em sua linguagem universal, provoca vários sentidos e muita emoção.

AYÊSKA PAULAFREITAS é professora, ensaísta, poetisa e contista. Autora de livros infantis como Uma casa na varanda (prêmio Monteiro Lobato da Academia Brasileira de Letras, 1987). Escreveu em co-parceria com Júlio Lobo o romance, Glauber – a conquista de um sonho e vários trabalhos na área de literatura e comunicação. Trecho extraído de “O que será de nós com tantos nós?”, conto publicado no livro Não deu tempo pra maquiagem (Secretaria de Cultura e Turismo e da Fundação Cultural do Estado da Bahia, 2006).
(Vitor Hugo Soares)

Metrô de Salvador; até quando?

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Mais uma vez,  por merecimento, comentário e sugestão do editor do Blogbar, Luiz Fontana, sobe para o primeiro plano no espaço do Bahia em Pauta. O assunto é a repercussão da reportagem da Folha de S. Paulo, com o resultado de investigações da Polícia Federal em várias capitais do País – incluindo Salvador evidentemente – que detectou superfaturamentos – em alguns casos com diferença constatada de até 65 % nos preços, em “consórcios paralelos” nas obras de metrôs.

Diz Fontana:

Caro VHS: Renovo os agradecimentos quanto à tua fraterna acolhida acrescentando que o “assunto” continua interessando os frequentadores do bar.

Aqui, novamente, Renata Lo Prete, Folha de São Paulo, edição desta terça-feira:

“PF vê superfaturamento em obras de “consórcios paralelos”

Perícia em planilhas das empreiteiras constata diferença de até 65% nos preços

Investigação aponta que construtoras inflam suas estimativas de custo nas propostas para licitação; empresas negam fraude.

Material de leitura obrigatórias para os membro da CPI do Metrô de Salvador na Assembléia Legislativa da Bahia.

( Postado por Vitor Hugo Soares
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RENATA LO PRETE
EDITORA DO PAINEL
LEONARDO SOUZA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O esquema montado por empreiteiras para driblar os processos de concorrência e repartir contratos “por fora” prevê também o superfaturamento das obras e a divisão do dinheiro extra. Perícia da Polícia Federal feita em documentos apreendidos nas construtoras aponta que os “consórcios paralelos” aumentaram artificialmente os preços cobrados do poder público em até 65%.

Como a Folha revelou no domingo, a atuação dos “consórcios paralelos” foi constatada por meio do cruzamento dos inquéritos de quatro operações realizadas pela PF (Castelo de Areia, Caixa Preta, Aquarela e Faktor, ex-Boi Barrica) e de investigações da Polícia Civil nos Estados onde estão as obras.

A análise da contabilidade das construtoras e das ordens de pagamento e gerenciamento dos canteiros aponta a presença nas obras de empreiteiras que haviam sido eliminadas na licitação. Papéis recolhidos pela polícia indicaram que as concorrentes haviam firmado um pacto prévio de divisão do bolo e participaram separadamente da concorrência só para dar a ela aspecto de legalidade.

Embora neguem a manipulação dos resultados, caíram na malha fina da PF empreiteiras que lideram o mercado, como Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, Norberto Odebrecht, OAS e Queiroz Galvão, responsáveis por obras importantes como os metrôs do Rio de Janeiro, de Salvador, de Fortaleza, do DF e de Porto Alegre.

Os indícios de que essas obras foram também superfaturadas surgiram depois que os investigadores descobriram os memoriais de custo calculados pelas próprias empreiteiras antes que elas fechassem as propostas (infladas) enviadas aos leilões de licitação.

Os peritos aplicaram sobre essas planilhas de custos diretos uma Bonificação e Despesas Indiretas de 40% -a BDI inclui os custos indiretos da obra (impostos, despesas financeiras, administração central da empresa etc.) e a remuneração da construtora. (O mercado pratica BDIs de 25% a 35%; o Tribunal de Contas da União costuma adotar em suas auditorias uma taxa de 30%.)

No lote 1 da linha 3 do metrô do Rio, por exemplo, os peritos estimaram que o valor final deveria ser de cerca de R$ 720 milhões. O contrato, porém, foi de R$ 1,190 bilhão. Uma diferença de R$ 470 milhões, ou 65%.

No metrô de Salvador, a discrepância entre o valor projetado pela PF e o praticado pelas construtoras chegou a 43% (R$ 79,5 milhões). Em Fortaleza, a 15% (R$ 24,8 milhões).
Na obra de duplicação e restauração da rodovia BR-101, no trecho entre os kms 148 e 188, em Pernambuco, a diferença foi de 28% (R$ 45,9 milhões).

Em relatório anexado a um dos inquéritos, ao qual a Folha teve acesso, os peritos ressaltam que, para obter o valor exato da fraude, teriam de analisar todas as ordens de pagamento das empresas que integraram os “consórcios paralelos”.
No entanto, as investigações da Castelo de Areia, que reuniu a maior parte da papelada, foram trancadas neste ano pelo Superior Tribunal de Justiça. Não há previsão de quando (ou se um dia) serão retomadas.

Os peritos, porém, se dizem seguros do diagnóstico de superfaturamento das obras dos “consórcios paralelos”. A PF submeteu a metodologia a um teste. Aplicou-a em planilhas de obras de inquéritos mais adiantados, como o da Operação Caixa Preta (que apura desvios em aeroportos). A diferença entre a estimativa e a auditoria não passou de 7% -o que, segundo a polícia, reforça os “indícios de conluio”.”

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Vale a pena deliciar-se com as “respostas”, na mesma edição, dos envolvidos:

“Empreiteiras não se manifestam sobre acusação

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

As construtoras Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez e Queiroz Galvão preferiram não falar sobre o assunto. A OAS não ligou de volta.
A Odebrecht informou que chegou a ser convidada, após a licitação, a integrar o consórcio vencedor da obra do Metrô de Salvador, mas que recusou o convite. Segundo a assessoria da empreiteira, a prefeitura também se manifestou favoravelmente à integração da empresa ao Consórcio Metrosal.
“Mas nessa oportunidade a participação no empreendimento já não mais interessava à Odebrecht, de modo que não foi formalizada.”

A Odebrecht acrescentou que não iria se manifestar sobre as obras do lote 1 da linha 3 do metrô do Rio, alegando desconhecer investigações relacionadas ao empreendimento. A Queiroz Galvão deu a mesma justificativa.

A CTS (Companhia de Trânsito de Salvador) informou que as obras do metrô, cujo contrato foi assinado em 1999, só foram executadas por empresas vencedoras da licitação. Ele não soube precisar os valores da construção.

A Secretaria Estadual de Transportes do Rio informou “que o contrato referente ao lote 1 da linha 3 do metrô não está vigente, pois o prazo para o início das obras expirou em outubro de 2006?. Já a assessoria do Metrô de Fortaleza disse que não teria como se manifestar sobre o assunto com base nas informações da Folha.”

Destaque-se a manifestação da CTS: “A CTS (Companhia de Trânsito de Salvador) informou que as obras do metrô, cujo contrato foi assinado em 1999, só foram executadas por empresas vencedoras da licitação. Ele não soube precisar os valores da construção.”

E a “Confissão oblíqua” da Odbrechet: “A Odebrecht informou que chegou a ser convidada, após a licitação, a integrar o consórcio vencedor da obra do Metrô de Salvador, mas que recusou o convite. Segundo a assessoria da empreiteira, a prefeitura também se manifestou favoravelmente à integração da empresa ao Consórcio Metrosal.
“Mas nessa oportunidade a participação no empreendimento já não mais interessava à Odebrecht, de modo que não foi formalizada.””

Como disse o frequentador da mesa 7, do bar: – “depois sou eu que bebo!”

luiz alfredo motta fontana
http://fontanablog.blogspot.com

mar
14
Posted on 14-03-2010
Filed Under (Artigos, Eventuais) by vitor on 14-03-2010

Bahia em Pauta traz para seu espaço principal de exposição e debate o comentário de Luiz Alfredo Motta Fontana, editor do Blogbar do Fontana, feito no post do BP, “Lula leva Wagner na viagem ao Oriente Médio”. A partir da reportagem publicado neste domingo pelo jornal Folha de S. Paulo sobre a obra sem fim do metrô de Salvador, Fontana joga informação e fina ironia em seu comentário e no fim ainda provoca: “geddelianos” e “wagneristas” vão permanecer em silêncio sobre essas coisas?”. Confiram. (VHS)
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Metrô de Salvado: “andaimes escuros”

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Caro VHS. aqui desse bar distante, entre uma dose e outra, ouvindo ao fundo Nana Caymmi, essa disputa, entre Wagner e Geddel, parece estar restrita ao costumeiro entre súditos de Lula, por vezes vale a estrela, em outras a condição de representante da governabilidade, essa “bijouterie” vendida pelos Renans da vida. Os anseios do povo baiano é mero detalhe, por certo.

O que desperta a curiosidade, no balcão do bar e mesmo nas mesas mais próximas, é outro “affair” que tenta esmaecer o céu de Salvador.

A Folha de São Paulo de hoje, joga luz nos escuros andaimes do metrô soteropolitano:

…”Segundo as investigações policiais, o esquema operou, por exemplo, na licitação dos metrôs de Salvador, do Rio de Janeiro, de Fortaleza, do Distrito Federal e de Porto Alegre.
O caso de Salvador é o mais emblemático. A cronologia dos fatos esmiúça o esquema:
1) Documento manuscrito datado de 1º de fevereiro de 1999 menciona uma reunião sobre o metrô soteropolitano da qual teriam participado várias empreiteiras, entre elas OAS, Camargo Corrêa e Norberto Odebrecht. O papel cita, também, a discussão de um “acordo” em torno da obra;
2) O consórcio Impregilo/ Soares da Costa apresentou a menor proposta de preço (R$ 347 milhões) e ganhou a licitação, realizada em 1999;
3) A comissão especial da concorrência cancelou o resultado, por “razão técnica”, e, em outubro daquele ano, declarou vitoriosa a associação Camargo Corrêa/Andrade Gutierrez;
4) Ainda em outubro, a Impregilo/Soares da Costa entrou com mandado de segurança para reverter a decisão;
5) Em fevereiro de 2002, a Impregilo/Soares da Costa desistiu da ação na Justiça;
6) Em 2009, policiais acharam minuta de termo de acordo, pela qual a Camargo Corrêa e a Andrade Gutierrez prometiam recompensar a Impregilo em troca do recuo na Justiça. O valor: 1,5% do contrato do metrô. Por isso, o Ministério Público denunciou as três empreiteiras por cartelização.
7) Perícia feita pela PF no controle de receitas e despesas e nos saldos de caixa das empreiteiras concluiu, além disso, que a Camargo Corrêa e a Andrade Gutierrez não tocam sozinhas a construção do metrô.
Integram o “consórcio paralelo” justamente as construtoras citadas no papel de 1999 que aludia ao “acordo”. Segundo a polícia, a Norberto Odebrecht e a OAS ficaram, cada uma, com 16,7% dos contratos -e cuidam até da gerência da obra. Constran (16,7%) e Queiroz Galvão (5,2%) também teriam sido contempladas….” (“Consórcios paralelos” driblam licitações de obras no Brasil)

Com a palavra “Wagnerianos” e “Geddelianos”, por certo os eleitores da Bahia têm interesse em ver essa história “lavada” em águas cristalinas.
Caro VHS. aqui desse bar distante, entre uma dose e outra, ouvindo ao fundo Nana Caymmi, essa disputa, entre Wagner e Geddel, parece estar restrita ao costumeiro entre súditos de Lula, por vezes vale a estrela, em outras a condição de representante da governabilidade, essa “bijouterie” vendida pelos Renans da vida. Os anseios do povo baiano é mero detalhe, por certo. O que desperta a curiosidade, no balcão do bar e mesmo nas mesas mais próximas, é outro “affair” que tenta esmaecer o céu de Salvador. A Folha de São Paulo de hoje, joga luz nos escuros andaimes do metrô soteropolitano: …”Segundo as investigações policiais, o esquema operou, por exemplo, na licitação dos metrôs de Salvador, do Rio de Janeiro, de Fortaleza, do Distrito Federal e de Porto Alegre. O caso de Salvador é o mais emblemático. A cronologia dos fatos esmiúça o esquema: 1) Documento manuscrito datado de 1º de fevereiro de 1999 menciona uma reunião sobre o metrô soteropolitano da qual teriam participado várias empreiteiras, entre elas OAS, Camargo Corrêa e Norberto Odebrecht. O papel cita, também, a discussão de um “acordo” em torno da obra; 2) O consórcio Impregilo/ Soares da Costa apresentou a menor proposta de preço (R$ 347 milhões) e ganhou a licitação, realizada em 1999; 3) A comissão especial da concorrência cancelou o resultado, por “razão técnica”, e, em outubro daquele ano, declarou vitoriosa a associação Camargo Corrêa/Andrade Gutierrez; 4) Ainda em outubro, a Impregilo/Soares da Costa entrou com mandado de segurança para reverter a decisão; 5) Em fevereiro de 2002, a Impregilo/Soares da Costa desistiu da ação na Justiça; 6) Em 2009, policiais acharam minuta de termo de acordo, pela qual a Camargo Corrêa e a Andrade Gutierrez prometiam recompensar a Impregilo em troca do recuo na Justiça. O valor: 1,5% do contrato do metrô. Por isso, o Ministério Público denunciou as três empreiteiras por cartelização. 7) Perícia feita pela PF no controle de receitas e despesas e nos saldos de caixa das empreiteiras concluiu, além disso, que a Camargo Corrêa e a Andrade Gutierrez não tocam sozinhas a construção do metrô. Integram o “consórcio paralelo” justamente as construtoras citadas no papel de 1999 que aludia ao “acordo”. Segundo a polícia, a Norberto Odebrecht e a OAS ficaram, cada uma, com 16,7% dos contratos -e cuidam até da gerência da obra. Constran (16,7%) e Queiroz Galvão (5,2%) também teriam sido contempladas….” (“Consórcios paralelos” driblam licitações de obras no Brasil) Com a palavra “Wagnerianos” e “Geddelianos”, por certo os eleitores da Bahia têm interesse em ver essa história “lavada” em águas cristalinas.
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Algumas doses depois…

A “conversa”, no balcão do bar, segue animada, nenhum representante do pensar “Wagneriano”, ou da pretensão “Geddeliana”, contrapõe argumentos, tornando assim inevitável a alusão sobre o potencial de ações correlatas que exaurem do “sonho” vivido pelo atual governo baiano, ao idealizar os 13 km da tal ponte”Salvador-Itaparica”.

Assusta, até pela força dos interessados de sempre. Aqui mais trecho da matéria citada no comentário anterior de Renata Lo Prete, na edição de hoje, da Folha de São Paulo:

“…As construtoras sob investigação de formação de cartel (Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, Constran, Crasa, EIT, Impregilo, Norberto Odebrecht, OAS, Queiroz Galvão, Carioca Engenharia, Serveng e Soares da Costa) têm, juntas, receita líquida anual de R$ 20 bilhões -mesmo valor que União, Estados e municípios estimam gastar nas obras da Copa do Mundo de 2014. …”

Valei-nos Xangô!

oares da Costa) têm, juntas, receita líquida anual de R$ 20 bilhões -mesmo valor que União, Estados e municípios estimam gastar nas obras da Copa do Mundo de 2014. …” Valei-nos Xangô! Kawó Kabiesilé!!!

luiz alfredo motta fontana

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