maio
09


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De São Paulo vem o e-mail do jornalista Claudio Leal com o aviso ao editor do Bahia em Pauta: “Caetano estreou hoje como colunista de O Globo. Está muito boa a coluna. Você já leu?”
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Resposta: Li e também gostei. Tanto que o texto de Caetano Veloso em O Globo deste domingo vai reproduzido no BP. Com agradecimentos a Claudio e viva a Caetano.

(Vitor Hugo Soares )

Política: o Largo da Ordem

Caetano Veloso (O Globo, 8/05/2010 )

Quando disse a Leminski, no começo dos anos 70, que me encantava a recuperação do Largo da Ordem, no centro de Curitiba, ele riu: “Você adora enganações feitas para a classe média.” Respondi que adorava mesmo. Sempre à esquerda, Leminski via limpeza, iluminação, policiamento e restauração de prédios como maquiagem – e olhava com desconfiança meu interesse por Jaime Lerner, o então prefeito da cidade que fora indicado pelo governo militar. Eu odiava o regime – e desprezava os que chegavam ao poder em acordo com ele. Mas não via o Largo da Ordem como enganação. Bem, talvez se pudesse dizer que aquilo se dirigia à classe média. Mas eu ri ao dizer diante da cara do poeta: “Eu sou classe média.” O que de fato pensei foi: se se fizesse algo assim com o Pelourinho, o Brasil decolaria – ou estaria mostrando que já decolara. Era sonhar demais.

Ainda nos 70, os sobrados da área estrita do Largo do Pelourinho foram restaurados. Lembro duas reações negativas: Candice Bergen e Décio Pignatari. Em ocasiões diferentes, ouvi de ambos: “Parece a Disneylândia.” Eu próprio, diante das tintas plásticas usadas, apelidei o novo Pelourinho de Giovanna Baby. Mas a verdade é que, tendo crescido em Santo Amaro, eu não achava artificial uma rua com casas antigas pintadas com tintas novas: era o que acontecia ali a cada fevereiro, mês de Nossa Senhora da Purificação. Achei que Candice e Décio pensavam que casa velha tem que ter limo e reboco caindo. Décio, de Sampa, queria velharia mais “autêntica”. Candice, de Los Angeles, reviu o que expõe a artificialidade de sua terra natal: Disneylândia. Já eu só via o esboço de realização da promessa do Largo da Ordem.

Nos anos 90, toda a região do Pelourinho ganhou o tratamento que eu imaginara utópico em 1972. Há queixas contra os métodos usados para a retirada dos moradores. Há a frase bonita de Verger: “Devia se erguer no Pelourinho um monumento às putas.” Elas é que mantiveram de pé esse pedaço da cidade. Em 1960, vendo a harmonia de formas exibida em matéria deteriorada, eu me sentia fascinado também pela degradação dos habitantes. A prostituição mais anti-higiênica manteve os sobrados de pé. Casas sem moradores caem. As do Pelô exibiam as marcas da decadência da humanidade que as povoava e as mantinha erguidas.

ACM é um nome que se evita – a não ser que se queira xingá-lo ou adulá-lo. Medir objetivamente seu legado é anátema. Tou fora. Truculento, vingativo, populista, Antônio Carlos Magalhães era o tipo de político de que desejei ver a Bahia e o Brasil livres. Fiz-lhe sempre oposição. Cantei nos comícios de Waldir Pires, que se elegeu governador. Mas Waldir uniu-se com parte da oligarquia rural que odiava ACM desde sempre. O vice de Waldir era um representante dessa oligarquia. Waldir mal esquentou a cadeira: saiu para tentar ser vice na candidatura furada de dr. Ulysses. ACM voltou em glória nas eleições seguintes.

A essa altura, ele já tinha feito as avenidas de vale (um projeto de 1942), ligando entre si partes distantes da cidade (outrora com tráfego apenas nas cumeadas). E atraído quadros de alto nível técnico. Na sua volta, retomou os trabalhos do Pelourinho, que floresceu. O escolhido para dirigir o projeto foi o antropólogo Vivaldo da Costa Lima. Vivaldo, cujo amor pela cultura do povo baiano não pode ser superestimado, não acolheria decisões malévolas. Seja como for, a restauração, com os atrativos para quem quisesse estabelecer negócios ali, mudou a cara da cidade. Jovens que até os anos 80 nunca tinham ido ao centro histórico lotavam os bares do Pelourinho. Isso deu ao baiano uma nova auto-imagem.

O atual governo do PT precisaria se posicionar de forma clara face ao legado de ACM. Sentir que talvez haja desprezo pelo Pelourinho deprime. A explicação dada é que as facilitações oferecidas aos negociantes que ali se estabeleceram são artificiosas. O secretário de Cultura, meu amigo Márcio Meirelles, é o responsável pelo destino da área. Diretor do Bando de Teatro Olodum, Márcio nos deu “Ó paí, ó!”. O elenco que ele reuniu é um espanto de vitalidade. Mas, nesse e em outros espetáculos do grupo, o sarcasmo relativo à reforma do Pelourinho vinha colorir o ódio a ACM. Eu adorava a peça assim mesmo. Arte é coisa séria. Aquelas pessoas falando e se movendo daquela maneira estão, na verdade, mais sintonizadas com as forças que fizeram possível a recuperação do Pelourinho do que com a demagogia que por vezes se comprazem em veicular contra ela.

Depois vieram o Recife Velho, o Centro de São Luís, algo do Centro de São Paulo – e sobretudo veio vindo a Lapa. A iniciativa privada se achegou, a Sala Cecília Meireles dera a largada, o Estado entrou com o trato dos arcos, iluminação, policiamento – e temos uma mostra de como nos vemos nestes anos FH-Lula. O governo petista da Bahia deveria tomar o Pelourinho como uma joia a ser cuidada. Aproveitar o aproveitável de ACM — e fazer melhor. Não é saudável fazer com os benefícios aos negociantes aderentes o que Ipojuca Pontes fez com o cinema ao acabar com a Embrafilme. Esse privatismo repentino soa suspeito. O abandono do centro histórico tem parte no aumento da criminalidade. Política para mim é isso. Capturar as forças regenerativas da sociedade e trabalhar a partir delas. Não se atar a facções ideológicas como a torcidas de futebol – nem, muito menos, a grupos de interesses inescrupulosos.

maio
05
Posted on 05-05-2010
Filed Under (Artigos, Eventuais) by vitor on 05-05-2010

O Grito de Munch
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OPINIÃO

Os nossos gritos não bastam

Washington Souza Filho

Um episódio ocorrido no sábado, 24 (de abril), incluiu o meu nome nas estatísticas sobre a violência na Bahia. Surpreendido, quando caminhava em um trecho até então, para mim, tranquilo da Pituba, bairro onde moro, há quase dez anos, fui atingido por três tiros, em uma tentativa de assalto. Ferido, mereci o reconhecimento de estar vivo por uma espécie de milagre.
A solidariedade de muitos contribuiu para que tivesse um pronto atendimento e pudesse escapar da sanha de um assaltante, que usou a arma como se uma vida tivesse o preço, por exemplo, de uma pedra, o inferno da droga. No momento, falava pelo celular com a minha mulher, Daisy. Demorei em compreender a situação.
A consciência ocorreu, após a fuga do criminoso, com os gritos dos moradores. A realidade trouxe uma questão, sem uma avaliação correta do fato, inclusive pelos meios de comunicação, tanto que tive a minha morte anunciada em um site: você reagiu? Não reagi, respondo.
Não compreendi a situação e desobedeci ao criminoso. Ouvi do delegado da 16ª Delegacia, André Carneiro, que outra vítima reagiu, de fato, ao mesmo ladrão, sem sofrer violência. Na segunda-feira, 26, para escapar dos assaltantes, que mataram, na mesma Pituba, um policial, uma jovem preferiu jogar as chaves em bueiro, para evitar o roubo do seu carro.
A consequência não depende da atitude. Precisamos reagir, sem o confronto direto. Não podemos aceitar a perda do direito à cidadania, de ir e vir. O País vive o Estado de Direito Pleno, depois de anos de arbítrio. Os crimes da ditadura têm sido questionados, e podem ser investigados. Qual é a razão de nos curvamos a este terror?
A violência não pode ficar limitada ao debate entre os políticos, sobre quem colocou lenha na fogueira que arde há mais tempo. A falta de reação nos confina aos nossos espaços. A pergunta não deve ser sobre as nossas atitudes. Somos livres, temos o direito de andar, sem preocupação, pelas ruas dos bairros onde vivemos. A salvação não pode ser mais os gritos de socorro para a próxima vítima

Washington Souza Filho, Jornalista, professor da FACOM-UFBA, amigo do Bahia em Pauta Texto publicado originalmente na página de Opinião do jornal A Tatde em 3 de maio)

maio
05

UFBA:hora de escolhas

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Em meio ao intenso rufar de tambores retóricos do debate para a escolha do novo reitor da Universidade Federal da Bahia (UFBA) – em alguns casos camufla a defesa de propostas e principios ou esconde a transparência essencial em disputas do tipo – Bahia em Pauta entra em campo na busca de alguma luz esclarecedora.

Com esse objetivo reproduz o artigo do professor Caio Castilho, do Instituto de Física, publicado na página de Opinião de A Tarde. Castilho é um dos mais lúcidos pesquisadores da UFBA – e também um dos mais polêmicos do ambiente científico nacional. Vale a pena – e BP recomenda – ler com atenção o que ele escreve. Confira.

(Vitor Hugo Soares, editor )

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ENSINO SUPERIOR

Caio Castilho

Algum tempo atrás, ilustre pesquisador da Universidade Federal da Bahia (Ufba) afirmava: “A atividade de pesquisa na Ufba é uma questão de foro íntimo”. Uma frase estranha. Afinal, a pesquisa não é atividade essencial de uma universidade? Seria uma atividade não institucionalizada? Quando se apresentam candidatos à Reitoria, é essencial refletir sobre a situação da atividade de pesquisa na Ufba e o que podem esperar a sociedade e os pesquisadores dos candidatos à nova gestão.

A Ufba aprovou novo regimento interno, que adota práticas ameaçadoras à atividade de pesquisa. Exemplo é o significativo aumento na carga didática para docentes de cursos de pós-graduação, com atividade regular de pesquisa, formação de mestres e doutores e iniciação científica de alunos de graduação. A carga mínima ora fixada mais que ameaça, significa sentença de morte. E esta não é a única.

Antes da aprovação do novo regimento já houvera mudanças na estrutura da universidade que causaram e continuam causando danos a ativos e internacionalmente reconhecidos órgãos de pesquisa. São os casos do Centro de Recursos Humanos, Núcleo de Estudos Interdisciplinares da Mulher, Centro de Pesquisa em Geofísica e Geologia, Centro de Estudos Interdisciplinares em Energia e Ambiente, entre outros. Estes centros/núcleos perderam, ou poderão perder, boa parte dos meios administrativos e técnicos mínimos necessários à sua atuação.

Outra ameaça vem de recente determinação do Conselho Universitário, relativa à captação de recursos de pesquisa, que prevê o nihil obstat de um órgão colegiado no qual uma maioria eventual pode impedir a realização de pesquisas, ainda que aprovadas por comitês específicos, constituídos de pesquisadores com mérito formal e nacionalmente reconhecido, ou mesmo por agências de financiamento vinculadas aos governos estadual e federal. É universal o reconhecimento de que o exercício da “liberdade acadêmica” fica ameaçado se sujeito à mordaça de maiorias, particularmente quando elas se constituem no seio de órgãos de natureza essencialmente política.

O progresso científico, a criação, a invenção e o produzir do novo requerem o oxigênio da liberdade de pesquisa, de indivíduos e grupos, independentemente de serem apoiados por maiorias ou minorias, restringida apenas por parâmetros éticos instituídos. Sabe-se da influência que dirigentes exercem sobre órgãos colegiados que presidem. Muitos deles não exercem atividade regular de pesquisa, nem atuam em cursos de pós-graduação. As atividades de pesquisador e de dirigente, mesmo não excludentes, não são sinônimas.

Outra ameaça diz respeito aos pesquisadores bolsistas de produtividade em pesquisa do CNPq. Esta agência concede bolsas a docentes que realizem pesquisa e que, avaliados periodicamente por seus pares, apresentem indicadores de excelência na formação de recursos humanos, bem como resultados relevantes na pesquisa básica, aplicada e/ou inovação. Em várias unidades da Ufba, esses pesquisadores, além de não receber qualquer reconhecimento pela contribuição agregada à instituição, são perseguidos e estigmatizados.

Uma boa universidade pratica bom ensino e interage com a sociedade que a financia. Mas só inova quem faz pesquisa. Inovação aqui num sentido amplo: o de produzir o novo, inventar, descobrir, conceber, reinventar, estabelecer modelos visando compreender o que ainda não se entende, enfim, pesquisar.

Entre as melhores universidades do mundo, aquelas que mais se notabilizam são as que apresentam excelência na pesquisa que realizam. E, porque pesquisam bem, ensinam bem e se relacionam proficuamente com a sociedade.

No momento em que a Ufba escolhe novo reitor, é, pois, relevante que os candidatos ultrapassem o vago compromisso de “defender uma universidade pública, democrática e de qualidade”, e assumam propostas objetivas, concretas, claras e de natureza prática, que contemplem a atividade de pesquisa. Só a adoção de ações institucionais que favoreçam a atitude investigativa evitará que a pesquisa na Ufba continue a ser “uma questão de foro íntimo”.

*Caio Castilho Professor do Instituto de Física da Ufba
caio@ufba.br

maio
01
Posted on 01-05-2010
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Aves em perigo na costa americana/ El Mundo

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CRÔNICA/TANTO ÓLEO

MAR EM LUTO

Diogo Tavares

Todo desastre ecológico é terrível e geralmente não é útil tecer comentário sobre o quanto um acidente pode ser pior do que outro. Mas em alguns casos não dá pra evitar. Entre as calamidades causadas pelo homem, aquelas que envolvem a indústria de petróleo têm gerado maiores e mais permanentes danos do que outras. E não é necessário computar nesta relação as guerras modernas no Oriente Médio, motivadas em grande parte pela disputa estratégica pelo controle das maiores reservas conhecidas de petróleo do mundo. Basta analisar os desastres diretos, como o que atingiu o Alasca há alguns anos e o que atinge agora a costa atlântica sul dos Estados Unidos, após a explosão de uma plataforma no Golfo do México, expoentes máximos de casos similares banalizados no mundo todo.

Nas últimas horas as notícias são terríveis, com a mancha de óleo maior do que a Jamaica atingindo uma enorme área de pântanos, de reservas biológicas e de exploração pesqueira. Um país, o maior viciado em petróleo do mundo, em estado de emergência justamente por causa do ouro negro. Isto é a única parte boa da notícia, pois o oceano é muito grande, mas para os americanos o país deles é ainda maior.

Não gosto e acho ultrapassado o discurso anti-imperialista, do tipo “yankee go home”, mas são bons os ventos que estão levando todo aquele petróleo para a costa norte-americana e não para o meio do Atlântico. Digo isso com certa triste convicção de quem já deparou com grande quantidade de lixo não orgânico, como garrafas pet e pedaços de rede de pesca, velejando a meio caminho de Fernando de Noronha, bem longe da plataforma continental. Sim, a poluição no oceano não tem dono e não haveria metade do empenho da maior potência do mundo em deter o desastre ecológico se ele não fosse em casa. Da mesma forma que, responsáveis pela maior quantidade de gases do efeito estufa no mundo, os Estados Unidos ainda relutam em assinar acordos de controle de emissão.

Por isso há a outra questão que surge, mais sutil, mas igualmente importante e provavelmente mais profunda e duradoura. Esta tragédia deve colocar em discussão, a partir dos próprios Estados Unidos, se este modelo de desenvolvimento calcado em fontes de energia não renováveis, na exploração irresponsável das reservas naturais, na visão unilateral de mundo e na concentração de riqueza e poder pode continuar.

Buscando um otimismo lá no fundo, tenho a esperança de que este desastre e todo o custo econômico atrelado a ele possam colocar a questão da segurança ambiental e da sustentabilidade em outro patamar. Inclusive aqui no Brasil, onde vazamentos de petróleo são recorrentes e já causaram graves danos principalmente nas baías da Guanabara e de Todos os Santos. Não basta discutir com quanto da riqueza do pré-sal cada estado brasileiro vai ficar. É preciso assegurar que o preço a pagar, neste caso por todos nós e pelos nossos filhos, não será alto demais.

Diogo Tavares é jornalista e escritor

abr
30
Posted on 30-04-2010
Filed Under (Artigos, Eventuais) by vitor on 30-04-2010

Duda: jogo pesado com João

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DEU NO BLOG DE CHICO BRUNO

Direto da Varanda: Chico Bruno

Dilma não é Lula

Lula caiu nas mãos de Duda Mendonça em 2002, pronto e acabado.
Afinal, depois de disputar três eleições presidenciais não poderia ser diferente, principalmente por que, goste ou não de Lula, ele é safo, tão safo que, dá nó em pinto de éter sem deixar ponta.
Mesmo assim, foi preciso sacar da cartola a tal “Carta aos brasileiros”, na qual Lula assumiu compromissos com a política econômica implantada por Itamar Franco e continuada por Fernando Henrique.
Dilma chegou às mãos de João Santana virgem em campanhas eleitorais. Ela nunca foi um ser político, é uma burocrata, competente na ótica de Lula e dos petistas.
Essa é a diferença.
Há tempos venho pregando, que quando chegasse o buraco negro de uma campanha eleitoral, que compreende o espaço entre desincompatibilização em abril e julho, quando começa a campanha eleitoral pela legislação, é que a onça ia beber água.
Antes disso, Dilma era a mochila inseparável das viagens de Lula.
Ocorre que além do citado, o PT montou uma mega-estrutura de campanha que ao invés de ajudar João Santana, o atrapalha.
Enquanto a equipe de Duda, em 2002, fazia a captação de imagens espontaneamente durante as viagens de Lula para os programas eleitorais, João Santana é obrigado a produzir as cenas de Dilma para os mesmos fins.
Vale lembrar, que a cena principal da campanha à reeleição de Lula foi feita espontaneamente durante uma viagem presidencial a cidade baiana de Lauro de Freitas.
Portanto, não dá para comparar o trabalho de Duda em 2002 e o do próprio Santana, em 2006, com Lula, com o que precisa ser feito agora com Dilma.
Leio na coluna do Luiz Carlos Azedo que “João Santana prepara em segredo o programa do PT que irá ao ar em 13 de maio”.
Ainda, segundo Azedo, Santana “não quer vazamentos sobre o roteiro e pretende surpreender ao utilizar o tempo de televisão e de rádio da legenda para reposicionar a imagem da candidata petista”.
Acho que sobre isso, o que existe é muito folclore.
Afinal, duas viagens para as gravações de Dilma foram acompanhadas por jornalistas “ingeridos”, segundo disse uma das produtoras baianas das cenas gravadas em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul.
É constrangedor alguns dirigentes petistas dizerem que Dilma precisa ter um bom desempenho no programa para superar a crise de identidade na qual submergiu após deixar de ser mochila de Lula, haja vista, que a maioria das cagadas não foi produzida por Dilma, mas pelos especialistas em internet que eles próprios contrataram.
Mas a grande sacanagem desse período da campanha é ouvir Duda Mendonça, que durante anos sugou a sabedoria de João Santana, dizer que Dilma está sendo desvirtuada ao ser apresentada ao eleitor.
É por essas e outras que Duda e outros gostam de fazer com os colegas que me recolhi a Varanda, de onde analiso essa “zona” em que se transformou a política brasileira.
Uso “zona” para não usar o termo com que Ciro brindou Fortaleza.

DEU NA REVISTA DIGITAL TERRA MAGAZINE

Eliano Jorge

Depois de ter prestado depoimento, durante 1h20min na 7ª Vara Federal Criminal de São Paulo, como testemunha de defesa do delegado Protógenes Queiroz, o ex-diretor-geral da Abin Paulo Lacerda conversou, rapidamente, com Terra Magazine.

– A acusação tentou mostrar que Protógenes agiu irregularmente, e eu com ideia de que ele agiu de maneira correta. A questão toda foi neste ponto. Os detalhes, eles que fazem a pergunta é que sabem – declarou o ex-diretor-geral da PF.

Lacerda completa:

– Ele estava trabalhando de forma oficial, não estava fazendo nada que fosse invenção.

abr
26

Paulo Lacerda E Protógenes

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DEU NA REVISTA DIGITAL TERRA MAGAZINE

Eliano Jorge

O ex-delegado federal Protógenes Queiróz deve ser ouvido na tarde desta segunda-feira, 26, em uma audiência na 7º Vara Criminal Federal de São Paulo. Protógenes é réu em um processo que apura o vazamento de informações sigilosas da Operação Satigraha, deflagrada em julho de 2008. Ele chegou à Justiça Federal pontualmente às 13h30.

Entre as testemunhas intimadas, estão o jornalista Cesar Tralli, da Rede Globo, e o ex-chefe da Polícia Federal e ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Paulo Lacerda.

– Cheguei ontem de Portugal, não tenho horário para depor – diz Lacerda a Terra Magazine.

Com início marcado para 13h30, a audiência deve seguir até pelo menos às 17h30 desta segunda-feira. O inquérito está sob os cuidados do juiz Ali Mazloum.

Na condição de réu, Protógenes pode, no entanto, deixar de comparecer sem que a audiência de instrução – realizada para coletar depoimentos que ajudem a esclarecer o caso – seja prejudicada.

Paulo Lacerda não teve acesso ao processo e não antecipou o que relatará em juízo.

Entre as testemunhas de juizo, Juliana Ferrer Teixeira, Andréa Karini Assunção de Lima. Duas delas foram dispensadas: William José dos Santos e Robinson Braoios Cerântula.

Testemunhas de defesa: Walter Guerra Silva, Roberto Carlos da Rocha, Paulo Lacerda, Daniel Lourenz, Waldir Caetano, César Augusto Tralli Junior.

LEIA MAIS EM TERRA MAGAZINE ( http:/terramagazine.terra.com.br )

abr
25
Posted on 25-04-2010
Filed Under (Artigos, Eventuais) by vitor on 25-04-2010

Em seu espaço especial de cobertura Eleições 2010, o portal IG mostra como a ferramenta twitter, na Internet, passou definitivamente a fazer parte da vida dos candidatos . Depois de acompanhar por 10 dias as mensagens dos dois candidatos melhores situados nas pesquisas, IG constata que Serra usa Twitter como escape. Dilma, para campanha.

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Ricardo Galhardo, iG São Paulo

De todas as ferramentas tecnológicas que os candidatos terão à disposição para a campanha eleitoral deste ano o Twitter é a vedete. Ministros, deputados, governadores e candidatos de todos os tipos tentam se comunicar com os até 140 caracteres do microblog que possui cerca de 105 milhões de usuários, 8,8% deles no Brasil. O país é o segundo no mundo em número de cadastros, atrás apenas dos EUA.
O iG acompanhou os dois principais candidatos à presidência durante 10 dias, desde que a petista Dilma Rousseff estreou no Twitter, no dia 11, até o feriado de 21 de abril. A principal constatação é que o tucano José Serra, embora também faça uso político da ferramenta, usa o Twitter como válvula de escape. Das 91 mensagens publicadas pelo tucano no período, 52 são pessoais As demais são políticas ou remissões a entrevistas, vídeos, fotos, reportagens ou outras páginas da Internet. O período em que Serra mais tuitou foram os meses de janeiro e fevereiro, com 213 e 234 mensagens respectivamente, quando enfrentava a pressão para assumir a candidatura.
Já Dilma, embora publique mensagens pessoais, usa o Twitter como ferramenta de campanha. Das 52 mensagens publicadas por ela nestes 10 dias, 27 têm conteúdo exclusivamente político.

A comparação é desigual pois Serra, um “veterano”, completará um ano de Twitter em maio e tem mais de 209 mil seguidores. Já Dilma é uma novata apesar do sucesso em termos numéricos, com 35 mil seguidores em menos de duas semanas.
Com a experiência acumulada em quase um ano Serra mostrou ter assimilado a linguagem informal, leve e se possível divertida do Twitter. Ele geralmente utiliza a ferramenta nas madrugadas de insônia, quando aproveita para conversar de forma quase íntima com seus seguidores. O tucano chegou até a apelidar sua “turma” virtual de Liga dos Indormíveis.
Tendo o computador como anteparo, a imagem do ex-governador de São Paulo é completamente diferente da figura pública geralmente associada ao mau humor e antipatia.

LEIA INTEGRA NO PORTAL IG ( www.ig.com.br )

abr
11

Morro do Bumba, Niteroi: “então vem a chuva”

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CRÔNICA/TEMPO

OCEANOS E LÁGRIMAS

(UMA ORAÇÃO PRA QUEM NÃO SABE REZAR)

Diogo Tavares

Água é vida. É dela que vieram todos os seres vivos, começando com aqueles seres mononucleares de nossas aulas de biologia. É ela que representa mais de 70% do corpo humano. É por ela que o sertanejo reza olhando pra lavoura. Não, não se trata de água este texto. Nem de agricultura. Ou de seca. Se trata de vida e da perda dela. Há muito tempo escrevi um poema baseado num fato real, numa notícia de jornal, em que uma criança nordestina de cinco anos, diante de algo que nunca tinha visto na vida, pergunta:

“Mainha, o céu tá furado?”

Sim, era chuva. A chuva que lava calçadas e leva esperança ao sertão também revela os piores traços de nossa injustiça social.

Por mais surreal que pareça, vamos viajar no tempo e ver uma montanha de lixo, um lugar insalubre e utilizado como solução pelo imediatismo dos gestores públicos. Não, não um aterro sanitário como algumas emissoras de TV noticiaram, mas um imenso lixão, com detritos de toda espécie disputados por badameiros e urubus. E então este mesmo lixão é deixado de lado e esquecido, sendo ocupado depois por barracos, casebres e construções. Gente sem terra pra chamar de sua, transformando em chão a montanha de detritos. Depois, gente que comprou pelo que podia pagar um canto pra morar. E o chorume que brotava, e o mau cheiro que exalava, tudo compensava o preço a pagar por ter o mínimo nesse mundo de tanta gente sem nada.

Então vem a chuva e a água não negocia, não faz barganha, não poupa ninguém em seu caminho morro abaixo. Revira a terra, revela o podre, derruba aquilo que se construiu sobre a omissão, a ganância e a exploração do homem pelo homem. Transforma a morada transitória em morada final e segue alimentando oceanos e lágrimas.

Sim, porque oceanos e lágrimas são feitos praticamente da mesma matéria. Como são feitas das mesmas matérias nossas mazelas – e essa matéria não é água. Interditam-se casas, mudam-se famílias, fazem-se promessas que um dia ficarão submersas na lembrança como lixões que viram loteamentos. Mortos e vivos descansarão, em completo desrespeito à natureza e à vida. Os segundos levarão mais tempo do que os primeiros para saber que nós, seres humanos, também somos todos feitos da mesma matéria.

Diogo Tavares é jornalista e escritor

abr
05

De Belmont, na área da baia de San Francisco, costa do Pacífico, região proxima da mexicana Baixa Califórnia onde no domingo ocorreram abalos sísmico que causaram tremores até no centro da cinematográfica Los Angeles, a colaboradora Regina Soares segue atenta à terrinha.

Sugere trazer para o primeiro plano do Bahia em Pauta um registro postado na área de comentários por Luiz Fontana, do Blogbar, sobre o que ele considera a melhor notícia do final de semana prolongado, publicado no Estadão online: a vida e a arte da pianista de fama internacional, Maria João Pires, que se mudou de Portugal para viver em Lauro de Freitas, município no litoral norte, vizinho a Salvador. BP atende com prazer e reproduz o texto para seus leitores:
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ARTE E VIDA

Uma das maiores pianistas da atualidade, Maria João Pires, que se apresenta amanhã em São Paulo, fala da mudança para a Bahia, do desejo de se aposentar e critica o mercado musical
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João Luiz Sampaio – O Estado de S.Paulo

Seu sorriso é como música. Encanta e desconcerta com a mesma facilidade – e, no melhor espírito da grande arte, nos leva a implodir certezas. Até pouco tempo, ela era a grande pianista portuguesa Maria João Pires, uma das mais requisitadas e aplaudidas intérpretes do cenário internacional, tinha contrato de exclusividade com o poderoso selo alemão Deutsche Grammophon e uma agenda intensa de concertos. Nos últimos anos, porém, abriu mão da cidadania da terra natal e pediu a nacionalidade brasileira; trocou a Europa pelo clima do Nordeste; rompeu seu contrato de gravações. E não esconde, nem mede palavras. “Estou cansada. Não quero mais viajar o mundo tocando. O comércio da música nada tem a ver com a arte”, diz. E sorri uma vez mais.

Maria, que se apresenta amanhã na Sala São Paulo, recebe a reportagem do Estado na varanda da casa em Lauro de Freitas, município vizinho a Salvador. “Confesso que não tenho uma relação especial com a cidade, não mais do que com qualquer outra cidade brasileira. Acho que não gostaria de morar em Salvador, mas também é verdade que não gostaria de morar em cidade alguma. Mas conheci Lauro de Freitas a convite de amigos, passando férias, e, há seis anos, resolvi comprar esta casa”, conta. “Foi apenas mais tarde, no fim de 2008, que resolvi me mudar de vez para cá. Não foi uma decisão que tomei. Na vida as coisas acontecem, se misturam e, quando nós vemos, há um caminho a ser seguido.”

É preciso, aqui, voltar um pouco no tempo. No fim da década de 90, Maria João Pires criou em Belgais, Portugal, um centro musical destinado a colocar em prática suas visões sobre o fazer artístico. Em uma casa de fazenda pertencente à família, reuniu, de um lado, alunos de música; de outro, criou uma escola primária, com o objetivo de experimentar um sistema de educação artística. Em Belgais, jovens músicos dedicavam-se tanto ao estudo de um instrumento quanto ao trabalho com a terra e o cultivo de alimentos. A ideia, explica, é entender a música como parte da vida em comunidade, como forma de diálogo.

Em 2006, no entanto, o projeto fechou as portas. “Não foi uma questão financeira, eu investi tudo o que tinha ali e o governo português ajudava, com pouco, mas ajudava. As inimizades, as tentativas de denegrir o que estávamos fazendo, tudo isso foi destruindo o projeto aos poucos.” No mesmo ano, Maria João teve problemas no coração. “Minha saúde estava sendo comprometida e resolvi parar. Hoje, minha filha mais velha toma conta da casa. Eu quero vender a propriedade, mas é difícil. Ela é grande demais para uma família, pequena demais para um hotel.”

Diálogo. Se Belgais deixou de existir, o espírito do projeto segue vivo. Tudo o que aconteceu só a fez ter mais certeza do desejo de diminuir o ritmo. “A carreira para mim sempre foi um peso. Nunca procurei isso. Foi a vida que levei, aceitei essa realidade. Tentei parar outras vezes, mas não consegui, por questões familiares, financeiras. Minha relação pessoal com a música não tem nada de comercial. A arte é um meio de expressão e de diálogo. A música tem um lado sublime que nos ajuda a entender e ultrapassar nossas limitações, em especial a nossa dificuldade de encontrar harmonia. Não quero entrar em grandes sonhos, mas acredito que a música pode ajudar as crianças que vão construir o mundo de amanhã.”

É por isso, diz, que sonha com um projeto parecido no Brasil. Ela confirma a possibilidade de instalá-lo em Sergipe. “As coisas estão se arrastando um pouco, mas não é culpa de ninguém. Tenho precisado trabalhar muito, minha saúde não andou boa. Meu sonho é estabelecer as bases de um projeto nacional, barato, que possa se espalhar rapidamente.” E quais seriam essas bases? “A ausência de rigidez, de uma introdução intelectualizada à arte. Há gente que seduz o aluno, para que ele toque e seduza o público, impressione o pai, a professora. A arte assim perde a força, não transforma.”

Na cartilha de Maria João, no entanto, ausência de rigidez não significa falta de disciplina. “A criança precisa entender o que está fazendo, um coral infantil não pode cantar desafinado. É só quando ele tiver um bom desempenho que seus integrantes vão entender o significado do trabalho, entender que superaram as dificuldades e levar esse aprendizado para a vida. A disciplina é o princípio da liberdade. Temos de aceitar nossos limites. A gente nasce e morre, não pode voar, os limites estão aí. Mas, dentro deles, há espaço para a transformação. A música não precisa ser uma finalidade, mas um caminho. O importante não é formar grandes músicos e sim seres humanos que entendam como a arte pode ajudar.”

E como isso acontece? “Fazer música é sentir-se parte de alguma coisa, de uma comunidade, é reencontrar valores perdidos. Seria ingenuidade achar que a arte resolve tudo, mas, em meio a tantos problemas que assolam crianças carentes, elas acabam perdendo também a capacidade de sonhar. Fazer música é recuperar esse universo perdido, encontrar a si mesmo e ao outro. Estar junto é aceitar a diferença – e por isso não concordo com o estudo solitário. Ele leva à solidão e isso é para mim uma temeridade.”

Jardim. Sentada na varanda de casa, Maria João nada parece a pianista reclusa, avessa a entrevistas, famosa por cancelar encontros com jornalistas. “Quando comprei a casa, havia uma piscina em frente desta varanda. Você já percebeu como as pessoas têm mania de derrubar plantas e colocar concreto em tudo?”, ela pergunta. “A primeira coisa que fiz foi fechar a piscina com terra e plantar meu jardim. Você já pensou no gasto que se tem com a manutenção, aqueles produtos caros e poluentes? E eu não preciso de uma vista. Gosto de plantas, só preciso de um quarto e um jardim.” O cachorro Jota faz pose para o fotógrafo e ela se diverte. “É um teckel de pelo duro, trouxe da Espanha. É uma raça caçadora, engraçada. Se bem que ele tem personalidade, não é nada bonzinho, olha a carinha!”

Skates e pranchas de surfe entregam a presença de adolescentes na casa. E logo Claudio, que Maria João adotou há 15 anos na Bahia, se junta à mãe. “Tem também o Lucas e as minhas filhas, que moram na Europa.” Para ela, a vida em família é fundamental. “É o princípio da minha vida, sempre foi. Viajo, trabalho, mas corro para casa. Cozinho para as crianças, mas não é algo que me apaixone, prefiro fazer faxina. Mesmo com as meninas, que estão mais velhas, quando estamos juntas, lá vou eu cozinhar, passar roupa.”

Seu grande sonho é ter “uma fazendinha”, com uma casa “e uma horta”. Até lá, investe tempo no projeto educacional. “Quase me mudei para Aracaju, mas não encontrei uma casa com um jardim. E as que vi ficam em condomínios fechados, com muros, cercas, seguranças. Não gosto disso. Como mãe, claro, me preocupo, mas acho que não se resolve problema de segurança reforçando a separação entre duas sociedades que, no fundo, são formadas por pessoas iguais. Já há divisão demais no mundo.”

QUEM É

MARIA JOÃO PIRES
PIANISTA

CV: Nascida em julho de 1944 em Lisboa, Portugal, Maria João Pires deu seu primeiro recital aos 5 anos de idade e, em seguida, completou os estudos na Alemanha. Mozart, Schubert e Beethoven são os pilares de seu repertório. Ganhou nacionalidade brasileira em 2009.

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