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05
Posted on 05-07-2010
Filed Under (Artigos, Eventuais) by vitor on 05-07-2010

Indio da Costa: crucificação do vice

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Direto da vigía de seu observatório em Lauro de Freitas, que dá para o mar aberto da Bahia, o jornalista Chico Bruno mira o horizonte e enxerga mais longe os diferentes gingados da música de uma nota só na campanha da sucessão presidencial. Confira.
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(Vitor Hugo Soares)

DIRETO DA VARANDA: CHICO BRUNO

A MESMA CANTILENA

Nunca antes na história deste país se viu uma campanha eleitoral analisada por uma nota só.

A cantilena é a mesma.

A maioria dos analistas políticos em atuação no país entoa a mesma música.

Vale ressaltar, que sempre um tom acima em favor de Dilma Rousseff, candidata do presidente Lula, e um tom abaixo em desfavor de José Serra, candidato em oposição à continuidade do lulismo.

A mídia anda tão capciosa, que só por ter namorado a bela Rafaela, filha do banqueiro Salvatore Cacciolla, que se encontra preso por corrupção, o candidato a vice-presidente na chapa tucana, Indio da Costa, virou “genro” do prisioneiro, segundo o Portal Terra.

O JB, por exemplo, em sua edição de hoje, publica na primeira página:

“Indio da Costa não ajuda pobres”.

Aliás, o “Cristo” da vez é o Indio.

Tanto que Marcos Coimbra, dono do Vox Populi, transformado em colunista dos jornais dos Diários Associados às quartas-feiras e domingos, sacou o seguinte comentário:

“… Desde quarta-feira, quando Indio da Costa foi confirmado, já se falou tanto que é até cruel insistir no assunto. Qualquer argumento em favor de seu nome chega a ser risível, desde o potencial de seus 39 anos atraírem a juventude e provocarem a reversão do voto no Sudeste à densidade de sua biografia de ficha limpa…”

Para consolidar o seu pensamento negativo sobre Indio, o dono do Vox Populi cravou:

“… Goste-se ou não de Michel Temer, nem seus inimigos negam que tem experiência e qualificações para, se imperativo, substituir Dilma. E Índio da Costa?”

Posto isso, volta-se a vaca fria: o samba de uma nota só.

A pesquisa Ibope foi a campo antes do Datafolha, mas só foi anunciada depois da divulgação do Datafolha.

Esse é um dado importante, que foi desprezado pela mídia.

O Ibope da CNI deu Dilma com 40% e Serra com 35%.

Dias depois, o mesmo instituto, acusou um empate em 39% dos dois candidatos.

Já o Datafolha, cujo campo foi feito depois do Ibope, no cenário com todos os candidatos, deu Serra 39% e Dilma 37%.

Uma cobertura jornalística correta deveria buscar uma resposta para ocorrências tão estranhas como as vivenciadas pelo Ibope.

O que fez a mídia?

Preferiu afirmar que Serra foi protagonista de programas e inserções de partidos aliados no rádio e na televisão e que por esse motivo deveria ter suplantado Dilma em cinco ou mais pontos.

Ora bolas, não basta aparecer na TV para crescer nas pesquisas.

Os preclaros jornalistas sabem que a banda não toca assim. É preciso que os programas e inserções passem credibilidade e convençam o eleitor.

O que hoje é muito difícil, pois a propaganda política está nivelada pela mesmice. Não desmerecendo os asiáticos, é tudo igual.

Além disso, as inserções e programas de Serra foram ao ar em meio à massacrante cobertura da Copa do Mundo, quando o país ainda sonhava em ver a seleção brasileira hexacampeã do torneio.

Ao ter aberto dois pontos de vantagem sobre Dilma, conforme afiança o Datafolha, chega-se a conclusão que Serra saiu no lucro.

Posto isso, volta-se novamente a questão central.

Por que a mídia insiste na mesma cantilena com análises superficiais ou capciosas?

jul
02

Julio Cesar: vergonha do goleiro

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DEU NO TERRA

Bob Fernandes
Direto de Port Elizabeth

Mais do que nunca, uma torcida multinacional para a Seleção Brasileira. Da Europa, Ásia, Américas, África, em especial África do Sul, quem ficou pelo caminho escolhe outro para torcer. À entrada do estádio, gente de todas as cores e línguas com camisetas, bonés, chapéus, lenços ou bandeiras do Brasil.

E, recordemos, os sul-africanos têm motivos históricos, contas a acertar com os antigos colonizadores, os holandeses.

Felipe Melo de volta ao time, que já se aqueceu e voltou aos vestiários. Pintaram o gramado, que é irregular, ruim.

Dia lindo, tarde de sol e 24 graus, mais um belo estádio – e futuro elefante branco – o Nelson Mandela Bay de Port Elizabeth. As torcidas fazem festa. Na bancada da mídia, tensão.

A Seleção, hoje de camisas azuis, no túnel de acesso. Dunga, gripado, já no banco, repetindo o casacão Herchcovitch. A câmera no rosto do técnico, que expira, não há como esconder a ansiedade, a tensão.

Ao contrário de outras partidas, não há sorrisos no túnel de acesso, salvo quando Boulahrouz se aproxima, abraça Luis Fabiano e Daniel Alves.

Robben, o astro holandês, passa a mão esquerda nos lábios e a câmera flagra: um esparadrapo no anular… e os dedos estão tremendo.

Lúcio lê mensagem da FIFA contra o racismo e, por conta própria, em inglês, acrescenta um “Deus te abençoe”:
– God Bless you.

Bola rolando.

Van Bommel encrenca com Luis Fabiano, que reage, aos 2’. Robben encena. Empurra-empurra aos 3’. A Holanda encena a cada chegada do Brasil. O juiz é japonês, Nishimura.

Gol aos 7’. O bandeira marca impedimento de Daniel Alves, meia perna, antes de Robinho fazer o gol.

Lançamento sensacional de Felipe, que levanta a cabeça, vê Robinho se deslocando por trás da zaga e joga a Jabulani no vazio. Diante de Stekelenburg, Robinho executa, com um toque de pé direito faz um a zero aos 9’.

Galvão Bueno, nosso Himalaia de convicções, opina:
– Em 94, Bebeto e Romário fizeram gols de contra-ataque. E assim o jogo se abriu… me impressionou a batida do Robinho, de primeira, nem precisou ajeitar…

Aos 22?, Galvão engasga e fica rouco. Quiçá, a praga viral, via web. Galvão calado por alguns segundos. A voz quase não sai. Arnaldo e Casagrande comentam enquanto o narrador tenta se recuperar.

Aos 15’, Lúcio brinca, comete o erro que vem ensaiando em toda sua, grande, Copa, e dá um presente.

Lúcio lança Kaká, mal, Michel Bastos, na esquerda, se queixa.

Robben encena de novo, o juiz marca. Dunga enlouquece diante do banco e do juiz, e encena a loucura.

Daniel toca aos 24 e Juan quase faz o segundo.

Robinho enrosca, dribla, ginga, dribla de novo e toca para Kaká. A Jabulani ia no ângulo esquerdo, em curva para dentro, mas Stekelenburg vai buscá-la com ponta dos dedos. Quase um golaço de Kaká.

Escanteio migué de Robben, que dá um toque mínimo e deixa a bola no lugar, para ninguém perceber uma jogada ensaiada, mas Daniel Alves se toca e estraga a surpresa holandesa.

Falta. Julio Cesar defende. E beija a Jabulani.

O juiz, depois de ter avisado, amarela Michel Bastos.

O quarto árbitro chega em Dunga, que havia acabado de sapatear e espernear novamente, contra Nishimura. Juiz japonês para um jogo pegado e catimbado como esse? Encrenca garantida.

Contra-ataque, Daniel rola para Maicon, final de jogada que lembra o gol de Carlos Alberto Torres em 70, o quarto contra a Itália. Maicon bate, o goleiro trisca na bola, o bandeira não dá o escanteio.

Dunga esperneia, soca a própria mão, esbofeteia a lateral do banco de reservas.

Júnior, ex-lateral esquerdo da Seleção, analisa:
– Essa zaga é uma mãe, Galvão, já era pra esse jogo estar decidido.

Arnaldo Cezar Coelho se penitencia:
– Parece jogo de Libertadores… quebrei a cara, disse que seria jogo fácil (pra arbitragem).

Fim do primeiro ato.

De novo lembram 70. Felipe Melo, como Clodoaldo no gol da Itália, inventa um calcanhar a 1’ do segundo tempo. Por sorte, a zaga do Brasil atenta.

Michel faz falta em Robben, que encena. Jorginho fala algo com Dunga. Ou trocam Michel Bastos ou será expulso.

Cruzamento de Sneijder. Julio Cesar e Felipe Melo trombam no ar, aos 8’. Gol da Holanda.

Outro dramático Brasil x Holanda.

Kaká, aos 19’, mata no peito e bate. Raspando a trave.

O Brasil sentiu o primeiro gol, não se encontra mais em campo. Escanteio, Kuyt se antecipa a Luis Fabiano e trisca, Sneijder, sem que Felipe Melo encoste, faz o segundo.

Felipe Melo, aos 28’, encarna o papel de vilão, por tantos desenhado para ele na Copa. Faz falta em Robben, pisa no holandês que está no chão. É expulso.

O Brasil mais que perdido, desarvorado em campo. A Copa começa a ficar distante. A multinacional torcida silencia, os holandeses festejam.

Faltam 11’. Falta para a Holanda. Van Persie. Na arquibancada.

Nilmar entrou, saiu Luis Fabiano.

Agora, a se cumprir a tradição verde-amarela, caça aos culpados, como em 2006, quando o eleito foi Roberto Carlos.

Galvão Bueno dá o tom:
– Felipe Melo, expulsão já prevista.

Tô fora dessa. Copa se ganha e se perde. Ponto.

Ronaldo, El Gordo, no twitter:
– Felipe Melo não deve passar férias no Brasil.

Absolutamente dispensável o comentário, justo ele que já viveu a boataria e perseguição depois da final em 1998.

Juan e Julio Cesar se desentendem, descontrole total. O Brasil entregue, sem capacidade alguma de reação, os jogadores já sabem que estão fora da Copa, desistem da luta. A Holanda não faz o terceiro porque não força, porque brinca diante de Julio Cesar.

Fim do segundo ato.

Jorginho de cabeça baixa. Dunga não espera seus comandados, desce para os vestiários. Lágrimas nas arquibancadas, irritação da bancada de imprensa.

A Seleção jogou um ótimo primeiro tempo, mas não matou o jogo quando poderia ter matado. Com o gol de empate, viu-se aquilo que Marwijk, o técnico holandês, classificou como “arrogância positiva” da equipe brasileira. Eles, os jogadores verde-amarelos, não esperam, não estão preparados para a derrota, nem mesmo para o anúncio da derrota. Com o gol de empate, se perderam.

Fim da Copa. Hora de lágrimas, e da triste tradição de caça aos culpados.

Hora de voltar para casa.

Robinho comemora primeiro gol na Copa./AFP/TM

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DEU NO TERRA MAGAZINE

Bob Fernandes

Direto de Johannesburgo

A SABC, TV da África do Sul, mostra imagens da multidão que toma a praia de Copacabana e chama, a todo momento:
– Daqui a pouco o Brasil, o maior time do mundo…

Lá em Santiago, El Mercúrio estampa em manchete:
– Chile joga para quebrar tabu de 10 anos sem ganhar do Brasil.

Galvão Bueno, nosso Himalaia de convicções, informa ao povo brasileiro:
– Cravei quatro a zero no bolão…

Mick Jagger está no estádio. Desde cedo, nas trocas de telefonemas, colegas isentos e imparciais lamentam:
– O cara já secou os Estados Unidos e a Inglaterra e hoje torce pra nós…

No Ellis Park, um Brasil improvisado no sistema defensivo. Custou caro a arrepiada de Felipe Melo em Pepe, o zagueiro brasileiro de Portugal. Pepe devolveu pisando o tornozelo de Felipe, que está fora do jogo contra o Chile. Elano, vítima da pancadaria da Costa do Marfim, também fora.

O Chile de Bielsa é de atacar. Vamos ver como se saem Ramires e Daniel Alves, os substitutos. O Chile, com a zaga reserva.
Dunga no gramado, com o mesmo Hercovitch de muitos botões do primeiro jogo. Os rapazes no túnel de acesso. Julio Cesar morde os lábios. Todos, inclusive Kaká, acertam o passo para entrar em campo com o pé direito.

De novo, sempre, um arremedo do hino do Brasil, que não chega sequer ao final da primeira parte. Para que, então, hinos?

Bielsa, argentino, saltita durante o hino chileno.

Bola rolando. O Chile tenta adiantar a marcação, imprensar o Brasil em seu campo. Daniel Alves faz bom lançamento para Luis Fabiano, que acerta na orelha da Jabulani, aos 4’.

Gilberto Silva, imaginem, Gilberto Silva acerta um chutaço aos 8’, Bravo põe para escanteio. Dunga parece mais calmo que Bielsa, que cisca na área técnica.

Na esquerda, entre Michel Bastos e a zaga, há espaços para o Chile, que tem 55% de posse de bola. Vinte minutos e o Brasil afunila tudo pelo meio, segue sem jogadas pelas laterais.

Vaias da torcida com os recuos de bola da Seleção, aos 22’. Tesoura na área em Lúcio, aos 27’, mas a encenação é excessiva. Kaká, desaparecido, dá um cutucão por baixo e recebe amarelo aos 29’.

Em 32’ o Brasil errou 37% dos seus 153 passes. Isso ajuda a entender o jogo truncado.

Escanteio, bola parada é a saída. E o Brasil volta a usar a fila indiana, um jogador se posta atrás do outro para dificultar a marcação.

Maicon bate aos 34’, Juan salta atrás de Kaká e Luis Fabiano, Lúcio ao lado. Juan para no ar, como Dadá Maravilha, e cabeceia no ângulo direito de Bravo. Dunga sacode os punhos fechados, abaixa a cabeça e vibra.

Contra-ataque, Robinho dispara pela esquerda, entra em diagonal e inicia a triangulação ensaiada à exaustão nos treinos de Dunga, Robinho toca para Kaká que, enfim, entra no jogo. Com a centelha do craque, um único toque, deixa Luis Fabiano na cara do gol.
Autor de bisonha tentativa de calcanhar um minuto antes, Luis Fabiano faz o que sabe fazer com maestria, dribla Bravo e rola para o gol aos 38’.

Galvão Bueno, em dúvida sobre o impedimento de Luis Fabiano, que não houve, narra:
-…driblou o juiz… driblou o goleiro! Ah, vai, driblou o juiz também…

Michel Bastos, mais ousado hoje, arranca e Kaká, aos 44?, abre pela esquerda dentro da área. Michel opta por Luis Fabiano e Kaká sacode os braços, protesta.
Fim do primeiro ato.

O Brasil errou 35% dos seus 240 passes, e o Chile, 163 dos seus 260. Ainda para quem gosta de estatísticas: o Brasil correu 49 quilômetros no primeiro tempo, e o Chile, 53.

Números à parte, o comentarista diz na SABC:
– O Brasil pode não estar bem, e não estava, mas quando Robinho, Kaká, Maicon e os outros começam a trocar passes na frente… é infernal…

George Weah, da Libéria, ex-Milan e melhor do mundo em 1995, analisa:
– O Brasil é uma equipe sólida, às vezes demora para começar a jogar, mas quando Robinho, Luis Fabiano, Kaká e outros acham espaço para jogar, para tocar, eles acabam dentro do gol.

Segundo ato.

Sete minutos. Kaká, com passe errado, mata um ataque perigoso. No banco chileno, Bielsa bufa.

Na Globo, discute-se Robinho:
– O Robinho não tá mal pra não decidir, mas também não está bem – diz Casagrande.
– Eu pensaria rapidamente no Nilmar – avalia Falcão.
– Lembrando que foi ele (Robinho) quem puxou contra-ataque para o gol – tenta arrumar Júnior.
– Como ele é um fora de série, a gente cobra muito dele (Robinho), né? – finaliza Galvão.
Ramires arranca aos 14’, dispara com suas passadas largas, dribla um, dois, e entrega, limpa, para Robinho.

De chapa, no canto esquerdo de Bravo, Robinho faz 3 a 0. Bravo voa, vai sair bonito nas fotos, mas este é o 8º gol de Robinho no mesmo goleiro chileno em 6 partidas.
Galvão grita:
– Olha só o que o Robinho fez! Atingiu a marca de Pelé! Oito gols marcados contra o Chile…
Amarelo para Ramires aos 25’; se a FIFA não melar os cartões, ele está fora das quartas de final contra a Holanda. Aos 29’ Robinho quase faz outro, Bravo salva com as pontas do dedos.

Nilmar no lugar de Luis Fabiano. Aos 34’, o Brasil com 50% de posse de bola e apenas 63% de acertos nos seus 392 passes.

Kaká, acertou 19 dos 30 passes e correu 8,5 Km antes da substituição por Kleberson aos 36’. Não jogou uma grande partida, mas deu o toque magistral para o gol fundamental, o segundo, que matou o Chile.

Fim de jogo.

Mick Jagger não secou.
El Mercúrio, em Santiago, lamenta:
– Chile disse adeus à África do Sul depois de cair diante do Brasil.
A SABC mostra imagens do Rio de Janeiro e informa:
– Praia de Copacabana (saudade!), um milhão de pessoas comemoram a vitória do Brasil (Procede?)…

Mick Jagger não secou, BbrSIL manda Clile para casa e agoera tem Holanda pela frente

A Seleção começou como em todas as partidas anteriores. Amarrada, sem jogadas pelas laterais e insistindo pelo meio, até o primeiro gol. Daí em diante administrou e, como é de praxe, goleou o Chile.

Agora, de novo, a Holanda pela frente.

O locutor da SABC, com sua entusiástica e romântica visão do futebol brasileiro, encerra a transmissão:
– Nós produzimos ouro, outros têm platina, diamantes, o Brasil produz os melhores jogadores do mundo… Boa noite.

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jun
25

Dunga furioso na beira do campo

DEU NO TERRA:

Bob Fernandes
Direto de Durban

Robinho com dores musculares, poupado. Estamos na bancada da imprensa cercados por jornalistas portugueses. Um deles, em nome de todos eles, corneteia:
– Carlos Queiroz está a inventaire.

Ricardo Costa, zagueiro, joga pela direita, na lateral que Miguel ocupava. Queiroz optou por três zagueiros, embora Ricardo Costa já tenha sido lateral com Mourinho no Porto, tanto na direita quanto na esquerda.

Simão deu lugar a Duda, Hugo Almeida a Danny e Pedro Mendes a Pepe. No Brasil, o já esperado Julio Baptista na vaga do suspenso Kaká, Daniel Alves no lugar de Elano e, inesperado, Nilmar no ataque com Robinho fora.

Belo o estádio de Durban, 25 graus e, enfim, depois da gélidas noites de Johannesburgo, uma tarde ensolarada para o futebol brasileiro.

Dunga, já no gramado, reza ou murmura algo para si mesmo. As câmeras da FIFA focam em Luis Fabiano, o grande destaque da última partida da Seleção.

Lentes em Julio Baptista. Nos olhos, nos movimentos nervosos do corpo, toda a ansiedade da estreia em uma Copa do Mundo, do peso de substituir Kaká.

A câmera diante do rosto de Dunga mostra a testa vincada, duas rugas profundas. Felipe Melo, de cabeça baixa, ora.

Rola a bola.

Sete minutos. Portugal, o time inteiro, espera o Brasil em seu campo. A Seleção cerca, toca a bola, busca uma brecha.

Aos 12’ Felipe erra um passe, contra-ataque para Portugal. Desde a estreia, há coisa de um ano, esse é um grande problema de Felipe, as bolas cruzadas no meio-campo ou na intermediária do Brasil.

Quinze minutos, Portugal começa a sair para o jogo. Aos 21’ Felipe Melo racha, a sola da chuteira raspa o cotovelo e o rosto de Pepe. Sinais claros de descontrole; excesso de vontade, escassez de frieza.

Difícil achar uma vereda, uma jogada no ataque. A bola gira de pé em pé, Julio Baptista, Daniel, Fabiano, Nilmar… Portugal não dá espaço e o Brasil não consegue inventá-lo.

Sem Kaká e Robinho, falta inspiração, luz, a centelha de um craque do meio para a frente.

Contra-ataque, passe longo para Cristiano, que dispara, resta a Juan enfiar a mão na bola. Cartão amarelo.

Luis Fabiano sassarica aos 29’, acha Nilmar, que afunila pela esquerda e toca de pé esquerdo. Na trave.

Contra-ataque, Tiago tenta cavar um pênalti. Cartão amarelo.

Felipe racha aos 34’, a bola passa longe, mas na direção de Carlos Queiroz, que encrespa e aponta Felipe para Archundia, o juiz mexicano.

Há algo estranho, Felipe Melo está alguns tons acima.

Pepe esperou 17 minutos, mas dá o troco em Felipe. Pisa no seu tornozelo aos 38’. Cartão amarelo para Pepe, que olha para Felipe e mostra com os dedos: 1 a 1. Felipe devolve três minutos depois, atropela Pepe no meio-campo.

Cartão amarelo, um esporro de Gilberto Silva. Ao pé do ouvido, mas a câmera capta alguma coisa:

– …você não quer jogar? Caral…porr…

Dunga, imediatamente, manda Josué entrar. Felipe sai e passa por Dunga, que já esteve lá, conhece a sede de um volantão do gênero quando as coisas escapam dos trilhos. Ambos se cumprimentam.

Segundo ato.

Josué, Gilberto Silva, Daniel Alves, Julio Baptista, Luis Fabiano… quem vai criar?

Duas vezes Cristiano dispara pela esquerda e Portugal quase chega. Sai Duda, entra Simão.

Gilberto Silva erra feio no meio-campo, Cristiano Ronaldo invade pela direita, ao desarmá-lo Lúcio toca para Raul Meirelles, que perde diante do gol. Na jogada Julio Cesar sente, parece ser o mesmo local da contusão na partida contra o Zimbabwe.

Dunga esbraveja, xinga, Jorginho lhe diz alguma coisa. Portugal melhor em campo.

Michael Bastos pela esquerda, aos 20’, isola a Jabulani. Jogada bisonha, vaias da torcida. Cristiano Ronaldo cresce. Portugal, no contra-ataque, busca jogar. Sem bola, se fecha. O Brasil toca, toca, mas não busca o jogo lateral, não consegue avançar.

A bola gira e ninguém aparece para o jogo, todos estáticos, presas fáceis para a marcação portuguesa. Daniel tenta de longe aos 26’, fraco, sem direção. Vaias. À torcida restam as Olas.

Josué erra o 100º passe do Brasil, Dunga pula, salta à beira do gramado. Jogadas grotescas se sucedem, o Brasil apanha da Jabulani. Dunga chia, Jorginho olha o relógio e avisa o técnico:
– Faltam dezenove…

Julio Baptista erra mais um passe. Dunga chama Ramires aos 40’. Julio sai. De cabeça baixa.

Faltam dois minutos para acabar o suplício. Daniel Alves parado, mão na cintura. Dunga o chama e esbraveja. Vaias da torcida aos 44’.

Escanteio, Lúcio e Juan sobem para a área de Portugal. Michel Bastos, encarregado da cobertura, se posiciona mal, além do meio-campo. Dunga berra, as vuvuzelas atrapalham, o técnico se agacha, enlouquece à beira do gramado. Quando Michel percebe e olha… encontra Dunga a sapatear e gesticular.

Juan se aproxima da lateral. Bronca monumental do técnico, endereçada a alguém. Lúcio toca de calcanhar, bola perdida na lateral esquerda, Juan a domina na área e… perde-a sozinho, quase gol.

Dunga, claro, pira à frente do banco.

Fim de jogo. Uma vaia enorme ecoa pelo estádio.

Com 61% de posse de bola, o Brasil errou 113 em 703 passes; daqueles passinhos laterais, curtos. Portugal errou 104 em 379. Em 18 chutes da Seleção, 5 chegaram ao gol. Portugal chutou 13 e fez chegar 3.

Da posse de bola do Brasil 63% se deu no meio-campo, entre o círculo central e as laterais, e isso diz tudo quando, sem Kaká e Robinho, a criação fica a cargo de Felipe Melo, Gilberto Silva, Julio Baptista, Josué…

Sobrou vontade física, vontade de disputar a bola, mas faltou inspiração, criação, luz, a centelha. O sapateado, o berreiro de Dunga à beira do gramado é a melhor análise da partida. Ele agora está na sala de imprensa, na coletiva. Exausto.

Faltou futebol.


Dunga: feliz no treino e de bem com a torcida (crédito: Reinaldo Marques/Terra)
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O repórter Bob Fernandes, editor chefe da revista digital Terra Magazine, segue servindo aos seus leitores uma deliciosa e diferenciada cobertura jornalística em termos de qualidade de texto, conteúdo e visão dos bastidores da Copa do Mundo 2010 da África do Sul. Confira.

(Vitor Hugo Soares )
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Bob Fernandes
Direto de Durban

No Centro de Mídia do Moses Mabidha, outro belíssimo estádio, este em Durban onde o Brasil joga nesta sexta contra Portugal. A Itália está fora da Copa. Pela primeira vez na história o campeão e o vice da Copa anterior caem na primeira fase.

Luca Calamai, da Gazzetta Dello Sport, diz que a expectativa dos isentos, imparciais e objetivos era baixa, tanto que já se sabe o nome do futuro técnico da Itália. Será Cesare Prandelli, da Fiorentina.

Aqui em Durban treino da Seleção à tarde, mas as atenções estão voltadas para o Moses, onde daqui a pouco Dunga dará a entrevista coletiva obrigatória da véspera das partidas.

Diante dos vários embates da semana, expectativa por parte da mídia –a do Brasil e do mundo afora- de mais um round entre Dunga e a bancada da imprensa.

Assim, me apronto para narrar o tão aguardado combate.
No Moses, 26 graus ao ar livre, 29 graus na sala completamente tomada.

De um lado, Dunga, também conhecido como Schwarzenneger. De outro, a bancada da mídia, da imprensa isenta, imparcial e objetiva.

(Alguns pedem, encarecidamente, que republique um cartum de Cau Gomez feito para Copa América 2007, aquele de um jornalista “isento, imparcial e objetivo”. Para dirimir dúvidas quanto à tão complexa expressão, atendo. Aí ao lado está o desenho).

Dunga veste calça e agasalho nas cores verde e amarelo. Em seu cartel, 18 partidas e 1.670 minutos em campo em 3 Copas do Mundo. Cartões, apenas dois amarelos.

Dunga, com 12 vitórias, 3 empates e 3 derrotas é o segundo da equipe amarela com mais minutos em Copas, atrás apenas de Taffarel, agora seu Observador e co-treinador de goleiros.

Títulos de Dunga: Tetracampeão e capitão do Brasil em 94 –com excelente desempenho– e vice-campeão em 98. Estigmatizado em 90, injustamente, depois da eliminação pela Argentina.

Do outro lado do ringue… digo, da Sala de Imprensa, as 322 cadeiras de plástico disponíveis estão ocupadas, vinte e duas câmeras transmitem o evento.

O Assessor de Imprensa da FIFA dá inicio à contenda. Não dá nem pro aquecimento a questão sobre o jogo contra Portugal. É grande o silêncio no recinto. Não são muitos os colegas das emissoras do sistema Globo.

Itália e França fora da Copa é uma pergunta, as enchentes no Brasil é outra. Aquecimento. Dunga, sereno e equlibrado, lembra da brincadeira “futebol é uma caixinha de surpresas” e constata:
-Não há mais surpresas no futebol.

Dunga se movimenta, à esquerda do tablado Rodrigo Paiva, diretor de Comunicação da CBF, acompanha a pugna, atento. Dunga começa a entrar no clima, fala ao povo brasileiro, às populações castigadas pelas enchentes em Alagoas e Pernambuco:
-Nossa solidariedade ao povo de Alagoas e Pernambuco, nós e os jogadores conversamos muito sobre isso hoje na concentração…

Se movimenta e embute o primeiro golpe, de leve, sem citações, mas um golpe. Sereno, lembra o clima depois da derrota para a Bolívia, 2 a 0 em 1994, quando a bancada isenta, então mui justamente, caiu matando:
-…sempre que a Seleção não tá navegando em boas águas vamos buscar o calor do povo de Pernambuco…

E, de novo, fala diretamente para os que o apoiam na contenda:
-Estamos torcendo e rezando, desejando coisas melhores para as pessoas, nosso carinho e solidariedade…

Kaká não conseguiu autocontrole contra a Costa do Marfim? Indagação dirigida a Dunga. Com ressalva; ressalvas se repetirão ao longo do embate:
-…se você não quiser responder… se você não se sentir à vontade… se você não puder… se…

Não é possível detectar, decifrar a expressão de Dunga. Coisa para especialista em Cinesiologia: ele está sereno, contido, ou algo melancólico, com aquele torpor vivenciado após as grandes batalhas?

Quem foi ao treino de pouco antes viu um Dunga feliz, relaxado, brincando e gargalhando.

Dunga responde:

-Cada um tem seu ponto de vista, respeito o seu mas não concordo… Kaká estava muito equilibrado, ele sofreu faltas e o jogador é que foi contra ele, como temos visto na tevê…

Dunga ocupa o espaço:
-No meu entender, Kaká não estava nervoso, Elano e Michel Bastos sofreram faltas e não revidaram e o Brasil tocou 15 vezes na bola sem que o adversário conseguisse tocar no primeiro gol, e depois tocou 25 vezes no campo adversário sem interrupção…

Pergunta feita, Dunga sorri com o canto da boca e desfere um direto:
-…independente de quem entrar pra jogar, tem que jogar pra ganhar…

Pausa. Dunga completa o golpe, e sorri:
– Se não a metralhadora vai disparar…

Pergunta de um italiano: na Itália estão baixando a lenha no eliminado treinador Marcello Lippi.

No fígado, mas sempre no mesmo tom, sereno:
-Se só um treinador é criticado… mas, quando são todos, tem que se pensar sobre isso…

Cosme Rimolli, do R7, manda:
-Todo mundo falou sobre o que aconteceu na coletiva de domingo, menos você. Se você puder, quiser falar sobre isso…

-Vou falar apenas uma vez… – inicia Dunga.

Silêncio na sala.
-Quero pedir desculpa ao torcedor brasileiro pela forma como me comportei. O torcedor quer torcer, não tem nada a ver com problemas pessoais meus… como brasileiro e como torcedor, eu só quero trabalhar…

Silêncio, Dunga avança:
-O torcedor não tem que ouvir desabafo meu, eu só quero fazer um bom trabalho, que me deixem trabalhar…

Um argentino indaga se a Espanha, se passar, não acrescentaria ainda mais pressão sobre Brasil e Argentina. Dunga ataca:
-Brasil e Argentina não precisam de mais pressão, basta a que eles já têm….

Questão delicadíssima. Assunto que requer uma mulher, e jeitosa, Marluci Martins, de “O Dia”, manda. Pergunta como está a cabeça do treinador, o seu “drama pessoal” com o pai doente, se isso o motiva mais…

Edelceu Verri, o pai de Dunga, ex-jogador de futebol como ele, tem Alzheimer.

Silêncio absoluto no recinto. Dunga parece emocionado, mas segue Dunga, no ataque. Não contra Marluci, a quem se dirige respeitosamente, sereno, mas no ataque:

-…o problema do meu pai, não é a primeira vez que ele está nesta situação desde que assumi a Seleção Brasileira. Faz tempo que o meu pai está sofrendo… Pra mim é só mais uma oportunidade de poder mostrar para o meu pai tudo o que ele me ensinou…

Silêncio. Toda a cena, o embate no domingo e nas horas que se seguiram, paira na sala. Quem conhece Dunga antevê o que virá. E vem. De forma equilibrada, mas vem:
– …meu pai me ensinou que homem para ser homem tem que ter virtude, posição, dignidade, coerência, tem que ter transparência… E saber pedir desculpas quando erra…

Dunga prossegue:

-Outra coisa é minha mãe, que é quem mais sofre com meu pai e talvez tenha me dado o maior exemplo. O que tão fazendo com filho dela não é pra se fazer com um ser humano… Ela me ensinou a não largar nunca nada, levar até o final.

Dunga avança, de volta ao passado:

-Fizeram chacota de mim quando falei que ela é professora de história e a história já demonstrou que temos que ter amor ao país. E temos que ser patriotas. Por mais que não gostem quando se fala, temos que ser patriotas…

Fim. O Assessor da FIFA dá por encerrada a contenda. Nesta quinta, quase uma Batalha de Itararé, aquela que não aconteceu depois de anunciadíssima.

Nessa sexta, ao final do jogo contra Portugal, novo round. Que depende, sempre depende, do resultado. Da vitória como diz o próprio Dunga:
-Se não a metralhadora vai disparar…

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jun
23

Dunga: “a Globo não esquece”.

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Em atendimento a pedidos, muitos pedidos de seus leitores, Bahia em Pauta traz para seu principal espaço de opinião, o texto do jornalista Helio Fernandes, da Tribuna da Imprensa,  postado mais cedo pelo poeta e amigo do Bahia em Pauta, Luiz Fontana, do Blogbar, no espaço de comentários do BP,  a propósito da briga Rede Globo X Dunga.

Mesmo para quem já viu, vale a pena ler de novo. Confira.

(Vitor Hugo Soares)

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Helio Fernandes, Tribuna da Imprensa resume a ópera:

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“Apesar de dar o “caso” por encerrado, a Globo não esquece Dunga, sabe que agora perdeu. No início de 2008, Dunga venceu, depois perdeu no final de 2008 com Galvão Bueno. Ricardo Teixeira não ganhou antes ou depois, não combateu

É uma luta constante, aberta ou escondida, gravada ou ao vivo, mas com direito a ida e volta ou até reviravolta. E péssima análise. Com isso, pedido de trégua. No domingo, editorial no Fantástico (não há Jornal Nacional nesse dia), mas os inspiradores e até redatores, do alto escalão.

Só que acreditavam se esconder por trás do repórter Alex Escobar, insultado por Dunga na véspera, e obter a audiência recorde de 44 pontos. (Como aconteceu no jogo Brasil-Coreia do Norte, dados do Ibope).

Mas como o Ibope dá resultados contra e a favor, logo comunicava à Globo: “O editorial contra Dunga repercutiu muito mal, quem estava contra ele, ficou a favor”. Começaram a se assustar e entraram em “pânico na TV”, quando receberam o resto da informação: “A opinião pública concluiu que a Organização Globo está contra a seleção”.

Sabendo que não podiam lutar contra isso, mudaram totalmente de posição, “o episódio está encerrado”. E complementando com as ORDENS INTERNAS NESSE SENTIDO, publicamente fizeram autocrítica, chorando aos pés da Procissão: “Sempre fizemos tudo pela seleção, corremos até o risco de trocar o jornalismo pela TORCIDA, mas foi sempre o que fizemos”.

Não acaba aqui, porque nada começou aqui.

A Globo quer dominar tudo, e não apenas o futebol. Com a Organização, as potências jamais andam na rua, se escondem para dominarem com vigor e efervescência. (É essa palavra mesmo). Com treinadores que trocam abençoadamente a independência pela exibição, a Globo não perdeu nenhuma luta, nem sequer um round.

Só que Dunga “enganou” muito bem os analistas de plantão da Globo, assumiram que “o atual treinador é dócil como os outros”, e foram dormir saciados. Só que se equivocaram totalmente. Deviam ter concluído, que não podia ser por acaso que o treinador era conhecido pelo apelido (seria pseudônimo?) da fábula.

A luta vem de longe, pois Dunga, ao contrário de outros, com muito mais nome (tipo Leão e Luxemburgo, na época), está há quatro anos à frente da seleção. Veio “por mares nunca dantes navegados”, sem naufragar, mesmo enfrentando turbulências da poderosa nau platinada.

Vou contar apenas dois episódios marcantes da luta pelo “cinturão”, entre Dunga e a Globo. Os dois em 2008, o primeiro, estocada de Dunga, vitorioso. O segundo, revide da Globo, que era para ser demolidor e arrasar Dunga, mas que ele recebeu, não revidou e ganhou.

1 – Dunga comunicou à Globo que “gostaria muito que Mario Jorge Guimarães deixasse se ser o elemento de ligação com ele”. Dunga sabia que fazia aposta que só mesmo Lloyd’s de Londres bancaria.

Bancou e ganhou. Mario Jorge Guimarães, homem fortíssimo da Organização, ficou surpreendido ao ser “promovido” a Executivo BEM ALTO do SporTV. E Dunga também surpreendido com a vitória. Só que não sabia que a Globo acertara com Ricardo Teixeira um esquema para derrubar Dunga.

Nesse esquema, entrava o seguinte. A Globo, representada por Galvão Bueno. a CBF e Ricardo Teixeira pelo assessor de cavalaria. E o instrumento seria o programa “Bem, amigos”, do próprio Galvão.

Uma irresponsabilidade jornalística (?) total. O programa, com toda sua equipe de estrelas, só tinha um objetivo: revelar à opinião pública e comentar a SUBSTITUIÇÃO DE DUNGA por Muricy Ramalho.

***

PS – Para maior grandiosidade, o próprio Muricy estava presente, endeusado, engrandecido e aplaudido, rindo a noite toda. O programa levou duas horas e 20 minutos, só se tratou disso.

PS2 – Para justificar a “informação”, disseram candidamente que ela vinha de alguém “que circulava em torno de Ricardo Teixeira”. Ha!Ha!Ha!

PS3 – Acabou a palhaçada, todos satisfeitos e vitoriosos, foram jantar depois do programa, (como fazem habitualmente) tinham como certo que Dunga procuraria a CBF para se render à Globo.

PS4 – O treinador foi ganhando, acumulando vitórias esportivas e fazendo o tempo correr a seu favor.

PS5 – Teixeira, seu assessor de coudelaria e a Globo, esperando tranquilos a derrocada de Dunga. Mas este foi ganhando, o tempo passando e tornando impossível sua demissão.

PS6 – Chegou a época da Copa, a Copa uma realidade, não entenderam nada. Tiveram a audácia de ir pedir a Dunga uma “entrevista exclusiva”. Levaram um safanão, jogaram a culpa em cima do mau humor do treinador.

PS7 – Agora, não tem mais solução: se a seleção VENCER, a vitória é do Dunga. Se for DERROTADA, é a Globo. A própria Organização PASSOU RECIBO.

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Pobre torcedor, sempre esquece que em ambiente de escravidão, como o é o dos modernos gladiadores, não existe espaço, ou lugar, para ingenuidade.

E tome Fátima Bernardes, a “sumidade” em futebol, e seus cachecóis em estúdio, afinal perdeu o acesso fácil à concentração dos tempos de Scolari e Parreira.


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Reporter é repórter, onde quer que esteja e em qualquer situação.É assim agora com Bob Fernandes, na cobertura da Copa na Africa do Sul, como sempre na vida profissional :na Radio Jornal do Brasil FM-Salvador, nos anos 70, na sucursal da VEJA-BA, no Jornal do Brasil , na Isto É, na Carta Capital, e agora no comando da revista digital Terra Magazine e na coordenação jornalística da cobertura Eleições 2010 do portal Terra.
Da Africa do Sul, onde cobre a Copa do Mundo, Bob conta os bastidores da feroz briga de poder que envolve a Rede Globo e o técnico Dunga, a prevê a crise que se aproxima cada vez mais da concentração dos pentacampeões mundiais de futerbol e as prováveis consequências disso tudo. Confira.

(Vitor Hugo Soares )
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DEU NO TERRA MAGAZINE

Bob Fernandes

Direto de Johannesburgo

Soccer City, caminho entre o estádio e as tendas da FIFA que abrigam o Centro de Mídia. Galvão Bueno, Arnaldo Cezar Coelho e o diretor da Central Globo de Esportes, Luiz Fernando Lima conversam, não escondem a irritação e nem se preocupam com quem passa ao lado e ouve. O alvo é o técnico da seleção brasileira, Dunga. Minutos antes, na coletiva pós Brasil x Costa do Marfim o técnico, numa dividida bem a seu estilo, deu na canela do comentarista Alex Escobar, da Globo.
Luiz Fernando Lima lembra as conversas recentes da emissora com Dunga, já na África do Sul:
– Falamos com ele duas vezes e ele não consegue entender que não é “a Globo”, ele está falando para todo o país…
Seguem as observações do grupo, sempre ferinas. Um deles chega a dizer: – …e a única coisa que eu acho que ele aprendeu em quatro anos foi falar ‘conosco’ e não mais ‘com nós’ como sempre fez…
A cena do entrevero de Dunga para com Escobar pode ser vista aqui, no YouTube.
Poucas horas depois, no que pode ser o início de uma escalada, um dos apresentadores do programa, Tadeu Schmidt, da África para o “Fantástico” mandou uma reportagem sobre a rusga. Soou mais a um editorial da emissora.
Essa é, sem dúvida alguma, uma crise a rondar a seleção brasileira. Mas uma crise em tudo diferente das que envolvem a França e a Inglaterra, seleções que vivem crises internas, para dentro do elenco.
Anelka x o técnico Domenech, o capitão Evra contra o preparador físico, Zidane nos bastidores, sacodem a França. Até o presidente Sarkozy já palpitou. (De Carla Bruni ainda não ouvimos nada).
Na Inglaterra, o trivial básico: o ex-capitão Terry, que já derrubou Mourinho e Felipão no Chelsea, agora pôs a boca no trombone, e na mídia, contra o técnico italiano da seleção, Fabio Capello.
A crise que ronda o Brasil é uma crise para fora, que não envolve os jogadores. É uma crise de poder.
De um lado o poderoso sistema Globo, que carregou 300 profissionais para a África do Sul e quer um retorno para tanto. Em outras palavras, deseja o que querem os quase mil profissionais do Brasil que aqui estão: acesso. E quanto mais privilegiado, melhor.
Assim foi, assim é da índole e história da Globo, de emissora que no Brasil tenha a dimensão que ela tem.
O problema é que, na outra ponta, está Dunga, o Schwarzenegger. E como sabemos desde quando ele era o pitbull da seleção amarela, quando divide, o Dunga racha.
Está claro, cada dia mais claro, que secundado por quem ele confia e a quem tem como leais, casos de Jorginho e Taffarel, o técnico Dunga fechou um pacto com seus jogadores. De um lado ele, eles, do outro, o resto. Em especial a mídia e quem mais, dentro ou fora da seleção, não reze integralmente pela mesma cartilha.
Se há fissuras no chamado “grupo” não se sabe; não se sabe mesmo, não existem informações concretas que levem a dizer isso. Estas coisas, que sempre existem em agrupamentos humanos, costumam aparecer, vide França e Inglaterra, quando pintam os fracassos.
No Tempo Dunga na seleção não há fracassos; salvo na Olimpíada da China, quando máquinas se moveram para derrubá-lo. Como não há fracassos, parece evidente que Dunga escolheu um caminho: vencer ou vencer.
Por mais que pareça rudimentar a lógica “ou está comigo ou contra mim”, o técnico da seleção já viveu e apanhou o suficiente para saber o que significa a volta do cipó de aroeira no lombo de quem mandou dar.
Dunga, que apanhou injustamente entre as Copas de 90 e 94, cuja família teve que suportar o marido, o pai, o filho a carregar por 4 anos a negativa marca da “Era Dunga”, certamente sabe o que alimenta contra si de rancor, de ressentimento, a cada bordoada que distribui.
Ele, que já me admitiu em 2007 não terem cicatrizado ainda as feridas da “Era Dunga”, obviamente sabe que está jogando a cartada mais arriscada de sua vida profissional. A de construir para si mesmo a alternativa “vencer ou vencer”.
Quando se decide por enfrentar a Globo, Dunga sabe que está encurtando seu caminho à frente da seleção brasileira, perca ou ganhe. Dunga sabe quais são e como se movem os interesses para a Copa 2014, e sabe quem maneja boa parte dos cordéis.
Nos idos da Copa América e Olimpíada, eventos que acompanhei, Dunga distribuiu fartamente bordoadas contra o sistema Globo. Durante e depois. Basta consultar os noticiários, capturar o que disse aqui e ali o técnico. São fatos.
Fato é, também, que depois disso tudo um acordo foi costurado. Com a participação do diretor de Comunicação da CBF, Rodrigo Paiva, encontraram-se o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, e um dos Marinho da Globo.
Selou-se, então, um acordo de paz, de convivência por conta dos mútuos interesses. Não por acaso duas entrevistas exclusivas ao Jornal Nacional na Copa das Confederações, não por acaso Dunga na bancada do Jornal Nacional depois da convocação para a Copa de agora.
Isso é inegável. São os fatos. Não há como negá-los.
Mas, havia, há um Dunga no meio do caminho. Com a mesma determinação que jogou em 94, que então protegeu Romário de si mesmo e do assédio da mídia, Dunga agora se fecha com seu grupo.
A propósito, Romário, que não é bobo, sentiu o cheiro da crise e nesta terça-feira postou em seu twitter, @Romário11, as seguintes mensagens de apoio ao capitão do Tetra:
– Infelizmente sobrou pro Escobar (ele é gente boa e americano). Mas geral só gosta de bater, então apanhar um pouco faz bem!
– Parceiro “Dunga”, não perca o foco, vamos em frente e faltam 5 jogos!
Ao se fechar tanto, Dunga comete erros. Erros como o de enxergar e tratar a todos, sem distinção, como se fossem adversários, inimigos mesmo, e isso não é uma verdade.
Em algum momento Dunga perceberá, ou algum amigo lhe dirá, que não seria preciso tanto e contra todos. Nesta terça-feira, com a experiência de quem já viveu e enfrentou essa tsunami, Felipão Scolari aconselhou. A todos:
– Pelo bem da Seleção não adianta um dar um soco e o outro revidar, depois um dar um chute e o outro dar um chute também, porque, se não, nunca vão se entender…
Dunga, o Schwarzenegger, decidiu-se por pagar o preço, por queimar as caravelas. A ele e seu grupo só uma coisa importa. Vencer. Ganhar a Copa do Mundo. Custe o que custar.
O velho parceiro Romário, herói do Tetra a quem Dunga tanto deve e vice-versa, também nesta tarde postou em seu twitter:
– A gente já sabe o que vai acontecer. Se o Brasil ganhar é obrigação, se perder não vou querer estar na pele do Dunga…

jun
10

Bahia em Pauta traz para o primeiro plano de seu espaço de informação e opinião o comentário do blogueiro Luiz Fontana – acompanhado do texto do jornalista Hélio Fernandes na Tribuna da Imprensa -, postado no espaço do artigo de hoje do jornalista político Ivan de Carvalho. BP agradece mais uma vez a Fontana.
Confira

(Vitor Hugo Soares)

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luiz alfredo motta fontana on 10 junho, 2010

Enquanto isto..

No tal mundo real..,

Os “Meninos do Copom” avançam vorazes.

Na mídia silêncio de concordâncias envergonhadas.

Raras exceções.

Aqui uma: Helio Fernandes na Tribuna da Imprensa:

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quinta-feira, 10 de junho de 2010 | 11:35

Agora vamos pagar 200 BILHÕES de reais de juros por ano. Nas contas do governo. nas minhas, muito mais.

Já se sabia que os juros iriam aumentar duas vezes antes da eleições, e em ambas, 0,75% de cada vez. E como o governo não falha, cumpriu a traição que anunciara. Portanto, ultrapassamos os 10 por cento desse juro, imposto pelo FMI e o “Consenso de Washington”.

E se antes de Meirelles, os juros subiam sempre, (com FHC chegando a 44 por cento), é quase inacreditável, mas rigorosamente verdadeiro, agora com Meirelles navegando em mar alto. Não há como escapar do pagamento, que na verdade é AMORTIZAÇÃO.

***

PS – Se fosse pagamento, um dia chegaria ao fim. Mas como é AMORTIZAÇÃO, cada vez sobe mais. Quando estava perto de 9 por cento, já era o juro mais alto do mundo. Agora que já deixou 10 por cento para trás, é um total incomparável.

PS2 – E há mais e muito mais grave. O juro não sobe apenas tecnicamente ou percentualmente. Sobe porque não podemos “honrar” o pagamento do total.

PS3 – O próprio governo diz sem constrangimento, vergonhosamente: “Pagamos os juros com o que economizamos”. Como declaram que “economizam” no máximo 90 BILHÕES por ano e agora terão que pagar 200 BILHÕES, façam os cálculos e vejam o ritmo de crescimento da “dívida’.

PS4 – Nenhum órgão de comunicação (tenha o nome que tiver) fala ou trata dessa DÍVIDA. E os candidatos, sejam da situação ou da oposição, não se lembram de condenar essa ROUBALHEIRA DO DINHEIRO DO POVO.

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Serra, dilma e dona Marina, por certo, têm outras preocupações.

e toque bolero…

jun
10
Posted on 10-06-2010
Filed Under (Artigos, Eventuais) by vitor on 10-06-2010

Marina: equipe de peso

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DEU NO TERRA – ELEIÇÕES 2010

Bruna Carolina Carvalho
Marsílea Gombata

Diferentemente dos rivais Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB), a pré-candidata à presidência da República Marina Silva (PV), que formaliza sua candidatura nesta quinta-feira (10) durante convenção do partido em Brasília, não conta em sua equipe de campanha com pesos pesados políticos de trajetória construída nas máquinas de governo federal, estaduais ou municipais.

Enquanto a petista tem no time de campanha o ex-ministro da Fazenda Antônio Palocci, o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel e o ex-secretário municipal paulistano Valdemir Garreta, ligado à ex-prefeita Marta Suplicy, e o tucano tem ao seu lado o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, parlamentares e ex-governadores como o baiano Jutahy Magalhães e o cearense Tasso Jereissati, e o ex-secretário de Subprefeituras de São Paulo Andrea Matarazzo, Marina atrai um perfil diferente de colaborador. A candidata verde ganha o apoio de acadêmicos e especialistas em políticas públicas que ajudam a elaborar sua estratégia de campanha e plano de governo.

É o caso do teólogo e escritor Leonardo Boff; dos economistas Eduardo Giannetti e Ricardo Paes de Barros, este último do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), onde estuda e acompanha a implantação de programas sociais; do especialista em segurança pública Luiz Eduardo Soares; do jornalista Caio Túlio Costa, que cuida da estratégia de internet; da socióloga Neca Setúbal, que trabalha em programas educacionais, e do economista Paulo Sandroni, da FGV, que traçará o plano de governo da candidata verde. Até o fim do mês, ainda, a campanha de Marina passa a ser chefiada pelo militante da área ambiental João Paulo Capobianco, que foi secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente na gestão de Marina.

Na opinião do cientista político da Unicamp Luiz Renato Ribeiro Ferreira, para este momento de campanha, a ausência de figuras políticas relevantes do ponto de vista eleitoral pode não ser negativa, pois Marina está atraindo um público que procura outro tipo de discurso. “Ela tem sido observada por jovens e grupos de classes altas que gostam de análises técnicas e de um discurso inovador. O fato de ela se cercar de profissionais que tragam oxigênio para a política pode ser positivo”.

Alguns dos colaboradores de Marina não chegam a ser contratados e acabam trabalhando na campanha por ideologia ou amizade. “Não ganho e nem ganharei um tostão sequer. Ajudo porque é meu dever”, disse o ex-petista e amigo Luiz Eduardo Soares. Ao Terra, ele contou que desde que Marina decidiu se aventurar na corrida presidencial, ele escreveu alguns diagnósticos e propostas. “São textos que ela está examinando no momento. É possível que pelo menos parte do que sugeri venha a ser aproveitado quando ela formular seu programa de governo”, explicou.

Assim é também o economista Eduardo Giannetti, que afirmou não ter sido contratado. “Eu trabalho de maneira voluntária. É a primeira vez que participo de uma campanha eleitoral e que declaro meu voto”. O economista, que integra a equipe desde março deste ano, disse que contribui nas discussões sobre economia, educação e meio-ambiente. “Nós fazemos conversas, eu escrevo textos, comento outros, participo das discussões”.

Já Leonardo Boff funciona como um conselheiro e ombro amigo. “A minha relação com ela é mais pessoal, informal. Ela me telefona quando tem questões sobre ética e temas religiosos”, disse. A amizade, que já dura 30 anos, traduz-se em uma relação de complementação, na visão do teólogo: “temos uma afinidade de pensamento muito grande e a gente se completa. Eu tenho um discurso mais teórico e ela mais prático”, ressaltou.
A socióloga Neca Setúbal, que coordena a área de educação da campanha de Marina desde janeiro deste ano, também colabora por acreditar nas ideias da pré-candidata. “O que me levou (a fazer parte da equipe) foi acreditar na proposta de um novo paradigma de sociedade”, contou ao Terra. Amiga do vice Guilherme Leal desde a adolescência, a irmã do empresário Roberto Setúbal, presidente do Itaú Unibanco, afirma que as diretrizes educacionais do plano de governo vêm sendo traçadas ao longo das discussões. “Nós estamos construindo essas diretrizes através de conversas, convidando pessoas. São dez diretrizes para a educação que estamos montando”.
Para o cientista político Antônio Carlos Alkmin dos Reis, da PUC-Rio, o fato de Marina se cercar de especialistas é um trunfo e não significa, necessariamente, carência de operadores políticos. “É uma boa técnica para ela que está na terceira posição”, avaliou. Ele ressalta, porém, que na disputa presidencial, nenhum especialista vai formular alguma proposta que seja neutra politicamente. “Em última instância, as decisões serão todas políticas”, afirmou.

Leia mais em Terra-Eleições 2010
http://noticias.terra.com.br/eleicoes

maio
11

Luiz Bassuma: “uma honra”

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DEU NO TERRA-ELEIÇÕES 2010

Davi Lemos
Direto de Salvador

O deputado federal Luiz Bassuma (PV), pré-candidato ao governo do Estado da Bahia, não fugiu de questões polêmicas e, dentre outras declarações (AO TERRA), afirmou que foi para ele uma honra ser punido pelo PT por não defender a legalização do aborto.

“O aborto é um crime”, enfatizou ele, que não dispensou críticas ao antigo partido, do qual vem se afastando desde o episódio do mensalão que, dentre outras consequências, custou o mandato do ex-deputado José Dirceu, então ministro da Casa Civil.

Bassuma também cobrou coerência do ministro da Cultura, Juca Ferreira, acusado de utilizar o cargo de ministro para impedir a candidatura dos verdes à presidência e nos estados. “Queriam que o PV fosse uma sublegenda do PT”, disparou. Ele também barrou a possibilidade de lançamento do presidente do Olodum, João Jorge, ao Senado. Afirmou que o PV terá apenas um candidato, o deputado federal Edson Duarte.

A ENTREVISTA DE BASSUMA

Terra – Dentro deste quadro sucessório, o que representa a candidatura do PV?
Bassuma – Neste momento em que a conjuntura, nacional que, lógico, reverbera na Bahia, em nosso estado, o Partido Verde se apresentar como alternativa de poder, para desenhar e construir um novo modelo econômico, que não mais degrade a natureza, não mais destrua os recursos naturais e que faça inserção social com melhor distribuição de renda, é da maior relevância. Seria muito triste se não tivéssemos a candidatura da (senadora) Marina (Silva, pré-candidata à presidência pelo PV) e, também na Bahia, para que a sociedade pudesse dialogar e pudéssemos oferecer este modelo que é diferente daquilo que é proposto pelo PT e pelos outros partidos que estão, com legitimidade, disputando as eleições, mas que estão com um pensamento ultrapassado e que não atende aos anseios da nossa contemporaneidade.

Terra – As candidaturas que são colocadas como principais no estado pretendem reproduzir na Bahia uma espécie de eleição plebiscitária que já se configura no plano nacional. Como o PV se organiza para se apresentar como opção viável?

Bassuma – Não há mais risco nenhum (da eleição plebiscitária), graças a Deus. Se o partido não estivesse nacionalmente na disputa com Marina, o plebiscito certamente já se teria sido feito, pois Ciro (Gomes, deputado federal pelo PSB/CE) foi eliminado; não teria outra alternativa. Já na Bahia, não há risco nenhum de plebiscito, até porque nós temos quatro forças, em tese, disputando estas eleições. A primeira é a eleição do PT, com (o governador Jaques) Wagner; a segunda, o Democratas, com Paulo Souto a governador; e a terceira com Geddel (Vieira Lima) do PMDB e nós do Partido Verde, que não tem ligação com nenhuma das três e que temos outra candidatura presidencial. Portanto o plebiscito na Bahia está praticamente impossível, bem como é garantido na Bahia não há condições de as eleições serem vencidas no primeiro turno por nenhum dos concorrentes. Teremos ainda o segundo turno e isso é bom para a democracia. Costumo dizer que, no primeiro turno, seria ideal que os partidos organizados, que têm ideal, alguma formulação de poder para organizar a sociedade, fizerem o máximo de candidaturas. Escolhido os dois que vão para o segundo turno, aí sim, seria o momento de fazer as alianças. Aí a pessoa escolhe o menos pior, aquele que se aproxima mais daquele que votei no primeiro turno.

Terra – Como o senhor avalia os critérios para firmar alianças aqui no estado e no Brasil? Parece que hoje as questões de princípio, de ideais, são o que menos importa.

Bassuma – Se houve um ponto comum que fez a Marina Silva e eu sairmos do PT e ingressarmos no Partido Verde – na minha questão teve o fato de eu também não querer abrir mão de minha liberdade de expressão, contra a legalização do aborto -, também teve um fator que foi o seguinte: o partido que nós trabalhamos a vida toda, que é o PT, ele foi se transformando numa máquina de ganhar eleições. E como para os grandes partidos do Brasil no período eleitoral vale tudo, bota tudo, vai por terra o ideal, a ideologia e as utopias. O que interessa é o seguinte: dá voto, tem peso na eleição? Então vamos nos aliar. Eu sou contra isso. Toda aliança tem que ter o mínimo de consistência e de coerência programática, senão vira aliança puramente eleitoral para se vencer. Prova disso foi o esforço violento feito pelo Wagner e o PT para trazer César Borges (PR) como candidato a senador, ele que era uma das expressões mais cristalizadas daquilo que o PT tentou romper com o passado, que era o que não funcionava no carlismo e perdeu para o Geddel na reta final, o que mostra que ali era uma aliança puramente pragmática no sentido de trazer mais alguns votos para ganhar as eleições. Disso nós discordamos.

LEIA TODA ENTREVISTA DE BASSUMA EM TERRA ( http://noticias.terra.com.br/eleicoes/2010/noticias )

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