ago
31

Mario de Andrade:sem tempo para rótulos

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Glauvânia Jansen, a pernambucana mais baiana de Salvador, amiga e colaboradora da primeitra hora do Bahia em Pauta, garimpou um texto de Mario de Andrade sobre a preciosidade do tempo, que mandou por e-mail para este editor. Coisa fina em palavras e conteúdo, atualissima para os dias que correm. Bahia em Pauta compartilha com seus leitores e agradece a Glau. Confira

(Vitor Hugo Soares)
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POESIA E VIDA

O VALIOSO TEMPO DOS MADUROS

Mário de Andrade

Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver

daqui para a frente do que já vivi até agora.

Tenho muito mais passado do que futuro.

Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas.

As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.

Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados.

Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando

seus lugares, talentos e sorte.

Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos inúteis

sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.

Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar

da idade cronológica, são imaturos.

Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso

cargo de secretário-geral do coral.

‘As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos’.

Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência,

minha alma tem pressa…

Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana;

que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se

considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade,

Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade,

O essencial faz a vida valer a pena. E para mim, basta o essencial!

(Mario de Andrade (1893 – 1945)

João: sem choro desta vez

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DEU NO BLOG POLÍTICA HOJE

Por que João Henrique não chorou?

 

Bárbara Souza

Desde a última segunda-feira (23) a população de Salvador tem assistido, entre incrédula e comovida, às cenas impactantes da demolição das barracas de praia instaladas na Orla da cidade. Até o momento em que essas linhas são escritas, 325 barracas já foram destruídas, numa eficiência que muito nos agradaria se fosse emprestada à operação tapa-buracos, à gestão da segurança pública e ao atendimento nos hospitais públicos. Agora, tudo voltará ao ‘normal’: os escombros serão retirados em três meses. Serão 90 dias para fixar bem a imagem de terra arrasada com vista para o mar.

A rigor, não há nada de errado no fato de o Executivo cumprir com presteza uma determinação da Justiça. Deveria ser sempre assim. Mas não é. Estranha que o seja justamente quando tal determinação tem como saldo inexoráveis prejuízos na economia e no turismo, o desemprego de três mil pessoas e o desespero de outras tantas, que chegaram a cogitar atos extremos, como atear fogo ao próprio corpo.

O drama dos comerciantes atingidos pela decisão judicial, o choro de famílias inteiras, o impacto das imagens da devastação feita pelas escavadeiras, tudo isso provocou grande consternação e levou muita gente às lágrimas. Menos o prefeito de Salvador, João Henrique Carneiro, cuja emotividade sempre marcou suas aparições, inclusive na sua campanha à reeleição, em 2007. A sensibilidade de João foi incorporada como algo positivo à imagem do então candidato, que chegou a ter índices de rejeição na casa dos 70%. É fácil entender: como diz a música, “um homem também chora, também deseja colo”.

A pergunta é: por que as estratégias de comunicação para enfrentar a crise de imagem que atinge diretamente o prefeito não incluíram o choro de João? Diante do silêncio do chefe do Executivo municipal sobre o assunto até então, era de se esperar de João – se não uma ação efetiva como a adotada pela prefeita de Lauro de Freitas, Moema Gramacho – ao menos um gesto simbólico de pesar com o sofrimento dos barraqueiros, com quem João diz estar preocupado. Chorar seria o mínimo. Sobretudo se considerados o apelo das cenas e o histórico lacrimal do prefeito, que se emocionou, por exemplo, com a reinauguração do Palácio do Rio Branco, em junho último.

Na manhã desta quarta-feira (25), o prefeito de Salvador se reuniu com representantes do Patrimônio da União, secretários municipais e estaduais. A reunião terá continuidade à tarde. O objetivo? Discutir soluções para os barraqueiros. Justo agora, que Inês é morta e o leite foi derramado? Só agora, que “a festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou”? E agora, João?

* Bárbara Souza é jornalista e editora-chefe do Política Hoje

ago
17

Direto de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, a arquiteta Helga Correia, amiga e estimuladora do Bahia em Pauta desde o seu nascimento, manda por e-mail para o editor um texto sobre a primeira polêmica do horário eleitoral gratuito iniciado nesta terça-feira, 17: o jingle da campanha do candidato do PSDB , Jose Serra, chamado de Zé na letra cuja primeira referência é Lula. Bahia em Pauta reproduz, com agradecimentos a Jorge Furtado, autor do texto, e a Helque, que o enviou para BP.Confira.

(VHS)

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OPINIÃO/HORÁRIO ELEITORAL

Crise de identidade: o jingle de Serra

Por Jorge Furtado( em http://www.casacinepoa.com.br/o-blog/jorge-furtado )

O jingle do candidato José Serra acumula as funções de tentativa de fraude e confissão de derrota.

Fraude porque mente (insistentemente) ao dizer que José Serra é o candidato da continuidade e não da oposição. O jingle mais do que sugere, afirma que Serra – subitamente transformado em Zé – é o cidadão de origem humilde que “foi a luta e venceu”, como o Lula, e por isso é o melhor candidato para o “Brasil seguir em frente”.

Nos últimos sete anos e meio, a oposição – e sua imprensa – referiu-se ao Lula como ignorante, analfabeto, bêbado, estuprador de meninos, mentiroso, ladrão e assassino. Hoje, faltando dois meses para a eleição, Lula ocupa o primeiro verso do jingle do candidato desta mesma oposição. “Era brincadeirinha, nós também adoramos o Lula! Apedeuta era elogio, quer dizer ‘fofinho’!”

Confissão de derrota porque nunca em toda a história deste país (ou de qualquer outro, que eu saiba) se ouviu um jingle de um candidato de oposição que incluísse o nome do titular do cargo ao qual este candidato faz oposição. É como se o hino do Flamengo incluísse o nome do Vasco.

O jingle da oposição investe na ignorância ou desatenção do (e)leitor, uma aposta que se tornou um padrão. Não tem dado muito certo. Depois de sete anos e meio de ataques coléricos ao presidente e ao seu governo, os demotucanos chegam à eleição com um jingle em que o refrão grita, com todas as letras, o nome de Lula da Silva, mas não o nome do seu próprio candidato, José Serra.

Quando Lula da Silva sair
É o Zé que eu quero lá
Com Zé Serra eu sei que anda
É o Zé que eu quero lá
José Serra é um brasileiro
Tão guerreiro quanto eu
É um Zé que batalhou
Estudou, foi à luta e venceu
Zé é bom e eu já conheço
Eu já sei quem ele é
Pro Brasil seguir em frente
Sai o Silva e entra o Zé
José Serra foi Ministro
Deputado e Senador
Esse Zé já foi Prefeito
Zé já foi Governador
Tá testado e aprovado
Por tudo que ele já fez
Sempre teve do meu lado
Eu quero Zé Serra dessa vez
(refrão)
Quando Lula da Silva sair
É o Zé que eu quero lá
Agora é Serra Presidente do Brasil

OUÇA
http://joseserra.psdb.org.br/jingle-da-campanha

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OPINIÃO/IMPRENSA

Jornalismo 171

Washington de Souza Filho

Fatos diversos têm demonstrado a falta de vínculo entre a realidade e decisões da Justiça brasileira. São freqüentes os acontecimentos, com a participação de criminosos de alta periculosidade, por exemplo, ocorridos depois da concessão de benefícios, baseados na legislação, sem uma cuidadosa avaliação da condição desses acusados. Em relação ao jornalismo, a referência é a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), no ano passado, que decidiu suspender a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão, sob a alegação de inconstitucionalidade,

A história, recente, é bem conhecida, mas vale recordar. A partir de uma ação, movida pelo Sindicato das empresas de rádio e televisão de São Paulo, com base no artigo da constituição brasileira que trata do direito à liberdade de expressão, levantou-se a tese de que a exigência do diploma era uma forma de restrição ao exercício do jornalismo, além do fato da lei que regulamentava a profissão ter sido um ato da Junta Militar, que governava o País em 1969. A argumentação nunca correspondeu aos fatos, assim como a referência ao contexto político sempre representou, na verdade, a usurpação de uma reivindicação histórica dos jornalistas.

A formação ganhou outra conotação, a partir da exigência do diploma. No caso da Bahia, por exemplo, onde o curso de jornalismo foi implantado no fim da década de 50, na UFBA (Universidade Federal da Bahia), muitos profissionais em atuação, diversos deles consagrados, inverteram o caminho percorridos pelos jovens, interessados em uma oportunidade nas redações, e foram buscar a formação.

A formação em jornalismo é indiscutível, sempre dependente de necessárias correções. De um único curso, mantido pela UFBA, a quantidade aumentou para quase duas dezenas em todo o Estado, faz pouco mais de 10 anos. Um complicador, para quem considera a educação uma forma de negócio, interessado apenas no lucro. As dificuldades, porém, na área de educação têm sido enfrentadas.

Um fato, da cobertura policial dos meios de comunicação da Bahia, ocorrido na semana passada, é o elo para a esta consideração sobre a Justiça e as suas decisões. No caso do jornalismo, o seu exercício virou uma terra de ninguém, como é possível verificar o episódio da prisão de um cidadão, dito dono de um site, sob a acusação de extorsão. A existência de uma regulamentação, tentativa em curso no Congresso Nacional, teria impedido a ação de quem, de forma arrogante, disse aos jornalistas não considerá-los como colegas, ainda que usasse a profissão como se ela fosse para o benefício dele.

É natural que ele não tenha nenhuma consideração pelos jornalistas. Ser jornalista pressupõe condições estabelecidas pela formação, através de princípios morais e éticos. Da forma preconizada pelo jornalista Cláudio Abramo, no livro A Regra do Jogo, de que a ética de um jornalista não é diferente da que é exigida de qualquer cidadão, por ser uma condição essencial da atividade de um profissional.

A divulgação sucessiva do fato permitiu diversas denominações ao acusado. Uma delas, utilizada pelo Correio – por certo, para diminuir as sucessivas infelicidades em sua primeira página – sintetiza o que é a atuação dos muitos que se consideram jornalistas, porque pensam que podem ser, apenas por considerar que é uma profissão praticada sem limites.

O jornal usou em uma manchete a expressão “jornalista 171”. De certa forma, bastante acertada. O número é uma referência ao artigo do Código Penal que define o crime de estelionato. Infelizmente, para o jornalismo e a sociedade, para muitos, esta ainda é uma forma de querer ser jornalista, exatamente pela falta de qualquer limite.

Washington de Souza Filho é Jornalista, professor da Faculdade de Comunicação (UFBA), atualmente Coordenador do Colegiado de Graduação.

ago
11

Lula e ACM:  semelhanças?

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Chico Bruno, direto de seu privilegiado observatório que oferece larga e bela vista para o mar e o ceu do litoral norte da Bahia, capricha e dispara sua arma de precisão opinativa. Tem tudo para acertar na mosca, mais uma vez. Confira no Direto da Varanda, que Chico Bruno publica nesta quarta-feira em seu site http://www.chicobruno.com.br/

(VHS)

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Direto da Varanda: Chico Bruno

ACM, Maluf e Lula, o que eles têm em comum

ACM, Maluf e Lula, três caciques políticos e um traço comum.

Os três decidiram eleger sucessores tirados do nada.

ACM fez de João Durval, governador da Bahia.

A gestão de Durval foi um desastre. Não fez o sucessor.

Maluf fez de Celso Pitta, prefeito de São Paulo.

A gestão do prefeito foi constrangedora. Também não fez o sucessor.

Lula quer fazer Dilma Rousseff sua sucessora a qualquer custo.

É uma parada difícil, apesar de contar com a força da máquina do governo federal e da determinação desabusada do presidente Lula, que aposta transformar sua popularidade em votos para Dilma.

Além disso, conta com a “boa vontade” de alguns institutos de pesquisas, de uma parte considerável da mídia, de alguns cientistas políticos e analistas políticos.

Mas, ao que tudo indica essa eleição só será decidida no 2º turno, haja vista, que Marina Silva (PV) deve alcançar algo como 10% dos votos válidos, Plínio de Arruda Sampaio (PSol) pode chegar a 3% e o conjunto dos demais candidatos pode atingir 2% dos votos.

Aí teríamos 15 pontos percentuais.

Uma margem muito grande para Dilma ou Serra abrirem um do outro no primeiro turno.

Se olharmos pelo retrovisor, em 2006 Heloísa Helena (PSol) fez 6,8% e os outros candidatos, somados, 2,9%.

Em 2006 estavam na raia eleitoral Lula, Alckmin e Heloísa e os demais nanicos.

Naquela eleição, passaram para o 2º turno Alckmin (PSDB) com 41% e Lula com 48% dos votos no primeiro turno.

Se Heloísa Helena com menos tempo de TV e um discurso mais radical do que o de Marina conseguiu quase 7% dos votos em 2006, depreende-se que a acreana tem a possibilidade de ter uma votação maior que a de Heloísa.

Além disso, o candidato do PSol só foi apresentado ao distinto público na semana passada, graças ao debate da Band.

Plínio soube aproveitar o momento. Fez o gênero de candidato de protesto.

Sua atuação no debate despertou seu nome na web e na mídia.

Se mantiver o seu desempenho no mesmo nível do debate poderá agregar um cesto de votos inesperado.

Portanto, para se igualar a Maluf e ACM, Lula vai ter que se desdobrar.

Ao que tudo indica, a eleição não se decidirá no 1º turno como quer Lula.

ago
06
Posted on 06-08-2010
Filed Under (Artigos, Eventuais) by vitor on 06-08-2010

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Artigo/ Comunicação

Falsa polêmica

Washington José de Souza Filho*

A perda do título da Copa do Brasil, na quarta-feira, depois de vencer o Santos por 2×1, no Barradão – o time paulista foi o campeão, porque ganhou a primeira partida, em São Paulo, por 2×0 – colocou o Vitória no meio de uma falsa polêmica, porque a ironia utilizada contra o clube, na capa do Correio, edição de quinta-feira,5, esconde um debate, sobre o poder nas redações, desconhecido do público.

A reação de muitos torcedores, fortalecida pela manifestação da diretoria do clube, serve para demonstrar a indignação. A atitude do jornal é algo que não pode servir de referência para um meio de comunicação, porque o parâmetro adotado é o de total desrespeito à informação como interesse público. Em tempo de transformação tecnológica, de necessária interlocução e contato com o público, atingir uma parcela dos leitores, torcedores de um clube, é um despropósito. Em especial, quando o veículo faz um esforço enorme para alterar a sua imagem, retirar da sua marca a referência a parcialidade.

O cartunista Lage, conhecido pelo trato cordial e a verve crítica, manifestada através do seu traço, usado para charges e cartuns, uma vez, quando vivo,assumiu a responsabilidade de não permitir a publicação da capa de uma revista, da qual fazia parte, porque a ilustração poderia representar uma afronta à Irmã Dulce, uma religiosa identificada como um símbolo da Bahia, pela dedicação aos desassistidos. Para um jornalista que viva no Rio de Janeiro, por exemplo, é inconcebível, ele pensar em usar o mesmo recurso com o Vasco da Gama, clube que como o Vitória é ironizado, quando perde as disputas. E ele nem precisa do manual de redação, que sempre fala em isenção, pluralismo e apartidarismo.

Outra situação ocorre no Rio Grande do Sul, do conhecimento de qualquer gaúcho. É impossível, apesar da polarização entre Grêmio e Internacional, qualquer meio de comunicação, agir para provocar uma ou outra torcida. O ocorrido na Bahia reflete um padrão de jornalismo, estabelecido no século 18, pelos barões da imprensa norte-americana. É o período da penny press – sendo penny a referência à moeda em uso na época, algo como um centavo.

Para vender os jornais, tudo era possível. Esta concepção, tanto tempo depois, ainda é prevalecente no jornalismo. A questão é saber por que os jornalistas não brincam com os assuntos que são do interesse dos seus patrões? Ou alguém consegue imaginar uma manchete como a citada se o assunto fosse, por exemplo, Política?

Washington José deSouza Filho , Jornalista, trabalhou em redações de jornais, revistas e televisões da Bahia e de outros Estados, professor da Faculdade de Comunicação (UFBA).

ago
04

Berni (centro): “mestre marqueteiro”

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O olhar aguçado de Chico Bruno desde sua varanda do litoral norte que dá para o mar aberto da Bahia, segue enxergando o que escapa a muita gente, ou que muitos fingem não ver.
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Desta vez, em comentário que começa com merecida homenagem a Roberto Berni, um pioneiro do marketing eleitoral baiano, Bruno faz agudas observações sobre artimanhas de marketing e de marqueteiros na atual campanha eleitoral. Ele sabe, como poucos por estas bandas, sobre o que fala.

Bahia em Pauta reproduz para o texto publicado no Site de Chico Bruno.

(Vitor Hugo Soares)

Direto da Varanda: Chico Bruno

Quem decide é o guia eleitoral

A morte de Zé Roberto Berni, um dos principais marqueteiros do país. Um profissional “low profile”, que como a grande maioria destes especialistas nunca usou o marketing pessoal para se promover ao contrário de uns dois ou três, levou-me a uma reflexão sobre a atual campanha eleitoral e o marketing político.

Até hoje, a fórmula criada na campanha baiana de Waldir Pires em 1986 com muita criatividade é copiada, apesar da rendição as pesquisas quantitativas e qualitativas.

Infelizmente as cópias pecam pela criatividade sofrível.
Hoje, na corrida pelo voto, os passos, palavras ou gestos são milimetricamente estudados por especialistas em marketing. As campanhas eleitorais vivem a ditadura das pesquisas.

Não é preciso fazer pesquisa para se saber que as campanhas eleitorais brasileiras só começam realmente com o inicio dos guias eleitorais, apesar das apostas que foram feitas na web esse ano.
Antes disso, a grande maioria dos cidadãos está preocupada com outras coisas.

Neste período que antecede o horário eleitoral quem está preocupado com as eleições é a mídia impressa, os políticos e uma parte de seus leitores.

É este universo que neste momento dá importância às pesquisas eleitorais.

Os políticos, os jornalistas e uma pequena parcela da opinião pública fazem um carnaval com o vai e vem das atuais pesquisas eleitorais, apesar de saberem que é depois de quase 30 dias de horário eleitoral gratuito que as sondagens são mais precisas.

Afinal, as campanhas só tocam as mentes e corações das pessoas com o advento dos programas eleitorais na TV.
Nesta eleição então, nem nas ruas há campanha eleitoral.

Aliás, os candidatos reclamam que nesta eleição até os doadores de recursos para as campanhas estão resistentes. Por isso, inexiste nas ruas o clima eleitoral.

Portanto, tenha certeza, quem vos fala é do ramo. Sabe muito bem como funcionam as pesquisas neste período.
Elas servem para um bocado de coisas, inclusive para alavancar a arrecadação de recursos, só que nem isso elas estão conseguindo fazer.

Portanto, vamos com calma com o andor que o santo é de barro.
Falta pouco para o clima eleitoral tomar conta da TV e das ruas.
Será a partir daí que começará a cair a ficha eleitoral para os eleitores.

Haroldo lima: na alça de mira

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deu no site de CHICO BRUNO

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Miriam Leitão

O mico e a pressa

Um plano nacional de contingência para conter vazamento de petróleo é o que o Brasil deve fazer diante das novas circunstâncias criadas pelo desastre do Golfo do México. O que deve ser abandonada é a atitude de que os estrangeiros não sabem nada, e nós sabemos tudo, que está em cada declaração do governo. A postura é arrogante, e mostra desconhecimento de como funciona o setor.

“Esse pessoal da Europa não tem a experiência que nós temos”, como disse ontem o diretor-geral da Agência Nacional de Petróleo (ANP), Haroldo Lima, na entrevista a Ramona Ordoñez, publicada no jornal O Globo.

A British Petroleum foi a primeira empresa a sair da sua região para explorar o petróleo. Antes desse desastre, a BP usou a mesma sonda para perfurar outro poço a mais de 10 mil metros, no campo de Tiber, onde a Petrobras participa. A Petrobras é sócia desse “pessoal da Europa”, para usar a expressão de Haroldo Lima. No poço que deu o problema, o de Macondo (a obra-prima de Gabriel García Márquez não merecia isso), a BP está associada à Anadarko que é a única empresa que no Brasil encontrou petróleo no pré-sal sem estar associada à Petrobras. Ninguém está sozinho ou detém uma tecnologia só sua nesse setor.

– A indústria de petróleo se desenvolve pela interação que existe entre empresas especializadas em serviços e as grandes companhias de petróleo – diz Wagner Freire, ex-diretor de Exploração e Produçãoda Petrobras.

O professor Helder Queiroz, do Grupo de Economia da Energia da UFRJ, confirma:- As tecnologias das empresas são as mesmas, as empresas parapetrolíferas fornecem serviços que são contratados por todas as companhias. A competição e a cooperação entre as firmas é que faz avançar a tecnologia. E isso ficou confirmado na reunião de Houston, quando estiveram 200 empresas do setor discutindo o problema do Golfo do México.

A Petrobras teve quatro acidentes, dois em Enchova, um em Roncador e o da Refinaria Duque de Caxias. Todos com pouco impacto ambiental exceto o vazamento na Baía de Guarabara. Esse histórico já deveria dar à empresa, ao governo brasileiro e à ANP um pouco de humildade. Essa é uma atividade de risco, a nova fronteira de exploração de petróleo é offshore, mesmo que dois terços da produção ainda sejam em terra, a produção de petróleo no mar do Golfo é maior do que a do Brasil. Enfim, há vários motivos para redobrar os cuidados e nenhum para a atitude de superioridade que o governo brasileiro tem demonstrado em seus atos e palavras.

Um fato de pouca repercussão, mas da maior gravidade, é o acidente que acabou de acontecer no Libra, poço que a Petrobras estava perfurando para a ANP na Bacia de Santos. Na visão de Wagner Freire, a situação é toda estranha:

– A perfuração acontece à margem da legislação e das disposições legais porque não é concessão, apesar de ser esse o regime vigente. E como é um poço para a agência reguladora fica mais estranho. A ANP não tem condição de ser operadora e não se sabe a que título a Petrobras está perfurando, se é terceirizada da agência ou não. Não fica claro também a responsabilidade de cada um.

jul
20
Posted on 20-07-2010
Filed Under (Artigos, Eventuais) by vitor on 20-07-2010

Juntamente com um convite lembrete para a Caminhada da Lua Cheia que ela comanda há anos, todos os meses em Itapoan – que em julho acontece no próximo sábado, 25 -, o editor do Bahia em Pauta recebeu da amiga e estimuladora do BP, Glauvânia M. Jansen, um sugestivo texto sobre Salvador, que este site blog publica a seguir.

Glau, para quem não sabe, é a pernambucana mais baiana da face da Baia de Todos os Santos.

O texto que ela nos manda é mais uma demonstração cabal disso. Um título de soteropolitana honorária já para ela!

(Vitor Hugo Soares)
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Salvador: andou no buzu da Vibensa?

RECORDAÇÕES!! SE NÃO FOR DE SUA ÉPOCA, ENVIE PARA ALGUM AMIGO QUE CERTAMENTE RECORDARÁ.

*Para quem foi jovem nos anos 1970 e 80 em Salvador, essa é do BAÚ!*

Ir à praia da 3ª escada do Farol, que era o point; e na Pituba no Tatu Paca;

A Kombi de sorvete Primavera com o seu sininho;

Abadá de mortalha, usou daquelas que iam até o pé, inclusive a azul turquesa do Jacu e do macacão do Traz Os Montes; Luís Caldas tocando em trio, do baile do Patropi e do baile do Preto e Branco no Bahiano de Tênis… A segunda-feira gorda na Associação Atlética… O Baile dos Internacionais e de Iemanjá, no Clube Português… Curtiu bailes de carnaval no clube dos
Fantoches; Quem não se lembra da Banda Reflexos e da Banda Mel;

Foi pra festas de 15 anos na Cabana da Barra ou na Close-up, frequentou a Bual’amour, a barraca do Juvená e o Varandá do Sandoval… Participou da Gincana da Primavera na Fonte Nova, tinha algum colega de escola que fabricava loló para o Carnaval (e vendia em frasco de Seiva de Alfazema)?

Andava em ônibus da Vibensa, estudou no Marista, ISBA, Vieira, SãoPaulo, 2 de Julho, Sacramentinas, Instituto Feminino e, se levou pau, acabou no Ipiranga ou outra “fábrica”. Estudou também no Central, Iceia ou Severino Vieira…

Quem não se lembra do Cine Rio Vermelho que tinha dois andares. Do cinema Guarani, que virou Glauber Rocha,e agora é Espaço Unibanco…

Ia com seus pais assistir a sessões matinais de ‘Tom & Jerry’ no Cine Guarani no primeiro domingo de cada mês; No Cine Bristol, ficava em dúvida se sentava na parte de cima ou na de baixo;

Garanto que você deve ter assistido muitos filmes nos Cines Art 1 e 2 (que antes era Bristol e antes ainda, era Cine Politeama) virou igeja evangélica, agora nem sei mais…

Viu o Leônico disputar título na Fonte Nova, com o goleiro ajoelhado rezando pra acabar o jogo;

Marcava encontros no Fundação Politécnica, pois o Iguatemi ainda não existia…

Depois, passava as tardes de sábado no Iguatemi com calça OP, mochila Company, camisa fio Escócia e Hang Loose e sandália Catina Surf;

Ia comer pizza no Giovanni no terraço do Iguatemi; Já usou muita roupa da Mesbla e Sandiz; Colecionou carrinhos de metal em miniatura da Match Box, que abria as portas e a tampa do motor, comprados numa loja que eu não lembro o nome, na Av. Carlos Gomes;

E aquele hot dog do Tonni’s na Pituba? Já assistiu muita corrida de caranguejo no Jardim dos Namorados; Assistia ao ‘Parquinho’ de Tia Arilma só para ver Miss Mara, Geisa e Deusete;

Não perdia um show no Circo Troca de Segredos;

Sabe também o jingle da TV Aratu (‘TV Aratu canal 4/Salvador, meu amor, Bahia… ‘), Telebahia (‘e fale bem desta terra com emoção… ‘) e da Cesta do Povo (‘nesse ano novo, eu quero meu povo… ‘); Lembra da música da Varig (‘estrela brasileira no céu azul, iluminando de norte a sul… nasceu Jesus, chegou Natal… varig, varig, varig);

No São João comprava bomba de 1000 escondido; Já teve uma calça jeans US Top, porque a Lee Riders era muito cara!!

Viu seu primeiro show de strip-tease na Number One; foi a show no Baiano, curtiu A Cor do Som, Moraes, Novos baianos…

Chupava bala Apache e Juquinha e o Pirulito Zorro;
Saía para pegar coroa no Quintela, Cabana e Carinhoso;
Alistou-se na Barroquinha ou no Forte de Santo Antônio;
Programa de domingo à tarde era ir à Ribeira tomar sorvete; Dançou lambada ou discoteca no Freddy’s;

Tinha algum parente que corria na Turma da Madruga;
Chamava a UNIFACS de Trabuco;
Participou de ‘pegas’ na Barra. E quando jogavam óleo na pista pra os carros rodarem;

Domingo à noite vibrava com o Pitubão e corria quando a polícia chegava;
Já pulou do trampolim de saltos ornamentais na AABB, que virou Unimar, que virou Paes-Mendonça, que virou Bom Preço;

Fez escolinha de tênis com Tchê na Associação Atlética;
Já foi ao Iguatemi de frescão; Praia longe era a do SESC, Plakafor e Itapoan (longíssimo)

Assistiu sete vezes à peça A Bofetada;

Já perdeu a conta de quantas vezes a Concha Acústica do TCA foi reinaugurada;

Lembra do Teatro Maria Bethânia;

Assistiu show de A Cor do Som no Farol;

Não perdia um domingo na Hipopotamus, ou na Maria Fumaça ($100,00 com direito a pipoca e coca-cola); dançou na Tropicália, dia de domingo, às 18:00, com Cleber e Pica-pau querendo dar show; foi na Boate Champanhe, e na Green House; tomava sorvete na Bambinella, na Rua Marques de Leão…

As ‘Mostras de Som’ do ISBA e do Vieira;

Participou dos desfiles das escolas no dia do estudante;

Viu alguns malucos andarem de moto na balaustrada da Barra no domingo à noite durante os pegas; Ouviu mixagem do DJ Wilson na Itapoan FM;

Quem não se lembra da música (ali ali ali alimbinha a mais deliciosa merendinha); foi sócio do clube do Mickey com Mara Maravilha;

Quem não lanchou na Cubana, em cima do elevador Lacerda e na Roses, no início da Carlos Gomes;

E por falar em Carlos Gomes, quem não comeu as esfihas do Good Day e do Teng Teng, ali em frente ao Brazeiro;

Veraneava em Itapoan; viajava pra Itacimirim e Arembepe (looonge); quem não acampou durante o carnaval em Guarajuba, que quase não tinha casas; e no clube do Camping;

Assistiu a abertura da TV Itapoan que durava 5 min. Só para ver a bunda da menina que saia da água;

Esperou durante um mês a TV Bahia começar a programação e durante este tempo só estava no ar o logotipo;

Visitou o Museu de Tecnologia;

Quem se lembra do bar Portal, onde Netinho cantava;

Quem se lembra do Sabor da Terra, barzinho de movimento;

Quem se lembra do Canteiros (barzinho na Pituba)? E das batidas do Diolino no Rio Vermelho…

Quem lembra que para ir para praia do Conde eram mais de 6 horas, pois a estrada era trilha… Quem não esteve (ou disse que esteve) na Fonte Nova quando o Papai Noel chegou de helicóptero…

E o boneco do Fofão era mesmo maldito?

Curtiu banho de lagoa depois da praia em Stela Mares;

Curtiu as noite de sábado na Le Zodiac, imperdível…

Quem lembra do barzinho Inverno Verão da Pituba? Ou do Voyage? Ou do Cine Bahia, onde Ghost passou durante oito meses. Ou comprava uva na subida da Barroquinha no Carnaval…

Namorou escondido no Passeio Público… Ou no Jardim de Nazaré?
Tomou cerveja mini e paquerou na Moenda, cheia de turistas;

Comia no chines Tong Fong em frente ao Fórum;

Todas as sextas e sábados o programa era ir para o Barravento…

O Porto da Barra ainda era legal para pegar uma praia no meio da semana…

O pôr do sol no Farol…

Quanta coisa boa… Não dá pra esquecer.
Haha! Só dá pra perceber que ta todo mundo coroa…

jul
18
Posted on 18-07-2010
Filed Under (Artigos, Eventuais) by vitor on 18-07-2010

Fonte de recordações

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FONTE NOVA

Aí eu chorei e sorri

Aí eu cresci e envelheci

Ai eu vi nascer

E vejo demolir

Não sei se é bom ou se ruim

Joguei no campo

Corri na pista

Vi o Bahia me ensinar

Nunca desista

Nadei nas piscinas

Vi desfile no Balbininho de meninas

Vi bandas

Vi cantores

Fiz amigos

Torcedores

Vaiei a seleção

Dei volta olímpica, Campeão

Saí cabisbaixo na terceira divisão

Beijei, abracei

Xinguei e esmurrei

Fui eu mesmo

Fui feio e fui bonito

Porem lá nunca temi o ridículo

(Marcelo G Reis )

EM TEMPO: A poesia do domingo chega ao Bahia em Pauta através do amigo e colaborador do site blog Jorge Haroldo Marques, geólogo e ambientalista. BP agradece a Jorge e ao poeta. (VHS)

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