jul
27

Consuelo: contra vendilhões
consuelo
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OPINIÃO/BAHIA COM H

Medalha Maria Felipa!

Consuelo Pondé de Sena

Fui, hoje cedo, informada de que mais uma medalha está sendo proposta por uma vereadora desta capital. Desta vez, a medalha Maria Felipa de Oliveira, cuja existência real, segundo a palavra autorizada do Professor Emérito da UFBa, Luís Henrique Dias Tavares, faz parte de mais uma lenda criada pela fértil imaginação dos que reivindicam lugares cativos para seus ídolos fictícios, no panteão da história.

Está na hora de acabar com tanta sandice!

Essas homenagens são boas e rendem lucros para quem vive à custa dos contribuintes. Refiro-me, particularmente, aos vereadores desta capital, muitos deles semi analfabetos, que vivem concedendo honrarias “a torto e a direito”, sem o mínimo respeito àqueles que cultivam o nosso passado.

Reparem que, até agora, não comentei sobre o “protocolo” da Câmara, que está a merecer um texto especial.

OPINIÃO/BAHIA COM H

Tempo houve que, tais manifestações de caráter político eleitoreiro, não eram referendadas sem a opinião dos doutos no ofício. Escutavam-se os historiadores de “peso”, que viviam o dia a dia no Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, queiram ou não, àquela altura, o espaço privilegiado de discussões sobre a Cidade do Salvador, acerca do Estado da Bahia e da sua gente.

Hoje, predomina e domina a falta de conhecimento dos proponentes dessas homenagens “fajutas” e prevalece a falta de respeito aos estudiosos.

Por qualquer motivo a Câmara Municipal do Salvador, outrora uma corte responsável de legisladores, faz homenagem a pessoas desconhecidas, que nada fizeram ou realizam em prol da cidade.

Como não tenho receio de contraditas, porque não costumo mentir, nem dissimular, vale recordar que, durante a presidência do vereador Gilberto José, naquela Casa Legislativa Municipal, “mendiguei” a vários vereadores a concessão do título de Cidadão de Salvador para o historiador J.Russel Wood. Cidadão probo e respeitável, postulei essa homenagem pelos inestimáveis serviços prestados à historia desta Cidade. Seu notável currículo, por mim encaminhado junto à solicitação em lide, foi perdido, no emaranhado de papeis descartáveis, pelos “competentes” assessores da Casa. Sabem no que deu a minha proposição? Em negativas sobre negativas. Não, consegui realizar o objetivo, pleiteado pelo Instituto Geográfico e Histórico, do qual Russel Wood é Sócio Correspondente, há muitos anos, ficando o ilustre historiador desapontado com as desculpas a mim enviadas, das quais, como é natural, tomou conhecimento.

Lembro-me bem que até ao vereador Sérgio Carneiro, em quem havia votado em várias ocasiões, pessoa que muito aprecio pela cordialidade, competência e simpatia deixou de atender à minha reivindicação, alegando compromissos anteriores, A meu ver, deveria ser aberta uma exceção por tratar-se de personalidade tão ilustre e prestante.

Graças a Deus, no entanto, o historiador da Santa Casa de Misericórdia obteve a referida honraria graças ao prestígio do Dr. Álvaro Conde Lemos, então, Provedor daquela instituição respeitável. Ainda bem que a dívida foi reparada.

Devo esclarecer ainda que naquela ocasião, Gilberto José alegou que os Vereadores estavam comprometidos com outras pessoas e meu pedido, pedido não, solicitação formal e justa, teria de ser preterido, em favor de pessoas menos “qualificadas”, suponho eu!

Outro absurdo cometido foi a inauguração da estátua de Zumbi dos Palmares na Praça da Sé, sem que fossem ouvidas as opiniões de quem tem conhecimento para tal.

A Cidade de Salvador virou a Casa de Noca, todo mundo faz o que pensa e quer. E para aonde vai à opinião dos que conhecem a História, que não são ouvidos nem cheirados no momento de serem firmadas e executadas tais proposições?

Já perdi a conta das vezes que tenho escrito, por minha conta e risco, contra os espetáculos de “luz, cores e barulho infernal” no Farol da Barra?

Como aceitar que a festa do Dois de Julho tenha arrastado tanta gente para aquele local e esvaziado a Avenida Sete de Setembro, que ficou às moscas este ano?

Que dizer da “poluição sonora “produzida irresponsavelmente naquele espaço histórico e arquitetônico. Da lenta destruição a que vem sendo submetido um dos mais belos carões postais da Cidade de Tomé de Souza? Por hoje é só.

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Consuelo Pondé de Sena preside o Instituto Geográfico e Histórico da Bahia. Historiadora, professora da UFBA, cronista do cotidiano, escritora, polemista de primeira linha como já não se vê quase na Bahia do oba-oba quase geral, que a partir desta segunda-feira (27), estréia como colaboradora do Bahia em Pauta. Chega mais, professora. (Vitor Hugo Soares, editor, pelo BP)

jul
23
Posted on 23-07-2009
Filed Under (Artigos, Eventuais) by vitor on 23-07-2009

Hipólito da Costa: história na lixeira
hopolito
Deu no OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA

OPINIÃO/ DIPLOMA DE JORNALISMO

A história jogada no lixo

Alberto Dines

O Estado brasileiro judicializou-se, transferiu-se para os tribunais. A inoperância e desqualificação do Legislativo somada ao caráter circunstancial e casuísta das ações do Executivo levam o Judiciário a assumir uma série de atribuições indevidas.

Atrás desta grave disfunção estrutural está o velho mandonismo e a incapacidade dos agentes políticos para buscar algum tipo de consenso e conciliação. Preferem os impasses logo encaminhados às diferentes instâncias judiciais mesmo quando as divergências são de ordem conceitual, não envolvendo ilícitos ou ameaças.

O STF tem sido a instituição mais procurada para dirimir controvérsias, digamos impertinentes, porque a Constituição de 1988, apesar da fama progressista e cidadã, apresenta enormes lacunas e imprecisões. A pressa em promulgá-la permitiu a sobrevivência de estatutos produzidos durante o regime militar designados aleatoriamente como “entulho autoritário”.

Nem a Lei de Imprensa nem a discussão sobre a obrigatoriedade do diploma específico para o exercício de jornalismo deveriam ter sido encaminhadas à suprema corte. Foi um equívoco – ou leviandade – submetê-las à apreciação de um ministro-relator, e em seguida aos seus dez pares, nenhum deles disposto a e suficientemente preparado para mergulhar numa questão complexa e multifacetada.

Tanto o ministro-relator Gilmar Mendes como aqueles que o acompanharam na decisão não conseguiram convencer a sociedade de que haviam entendido a chamada Questão do Diploma de Jornalismo. Deixaram-se iludir pelos autores da representação. É incrível, mas é imperioso e penoso registrar que Suas Excelências, Meritíssimos e Meritíssimas, foram ingênuos. Ao invés de convocar peritos, contentaram-se com constatações simplistas, produzidas pelo senso comum e lugares-comuns.

Reconhecimento da profissão

As entidades patronais que direta ou indiretamente patrocinaram a causa fixaram-se na questão do certificado e menosprezaram o ponto crucial: a existência de uma profissão multi-secular, na verdade bi-milenar, reconhecida em todo Ocidente.

Era mais fácil e mais conveniente eliminar a obrigatoriedade do certificado sob o pífio pretexto de universalizar o acesso à informação do que reconhecer que os precursores dos jornalistas contemporâneos foram os funcionários romanos chamados de diurnarii (daí giornalisti e journalistes). Também chamados de actuarii porque se encarregavam de preparar as atas ou Actas informativas que circulavam na capital do império a partir do século II a.C.

A profissão de jornalista, reconhecida e legalizada, começou com a produção das Actae Diurnae (Atas Diurnas), também conhecidas como Atas Públicas, Atas Urbanas ou ainda Diurnálias. Mas também circulava uma Acta Populi e, para comprovar que nada se cria, tudo se copia, havia até uma Acta Senatus, secreta, que certamente inspirou o senador José Sarney a produzir seus boletins confidenciais.

Os proto-jornalistas foram estudados pelo historiador-jornalista Carlos Rizzini em O Jornalismo antes da Tipografia (Cia. Editora Nacional, S. Paulo, 1968, pp. 4-10). Mais recentemente, o historiador português Jorge Pedro Souza ofereceu preciosas informações sobre uma atividade exercida há dois milênios que o espirituoso presidente do STF, Gilmar Mendes, considera equivalente à dos mestres-cuca (Uma Breve Historia do Jornalismo no Ocidente in Jornalismo: Historia, Teoria e Metodologia, pp 34-44, Edições Universidade Fernando Pessoa, Porto, 2008).

Hipólito e os redactores

Na apresentação da primeira edição do Correio Braziliense, o primeiro periódico a circular sem censura no Brasil e em Portugal, seu autor, o gaúcho Hipólito da Costa, escreveu com data de 1º de Junho de 1808 uma profissão de fé sobre a nobre missão dos jornalistas aos quais designa como redactores das folhas públicas.

Hipólito delineava de forma inequívoca uma função social e um ofício. Sua convocação dirigia-se primeiramente aos que vivem em sociedade e, em seguida, àqueles que deveriam servi-la. O patriarca do jornalismo estabelecia uma clara diferenciação entre o cidadão e aqueles que devem informá-lo. Não regulamentou a profissão, concedeu-lhe um status especial. Distinguiu-a com a missão de levar a colônia a superar os 308 anos de trevas e silêncio e preparar a sua emancipação.

Dois séculos depois, a conjugação de um Estado capenga e uma corte desnorteada – ou mal informada – jogam nossa história no lixo.

Alberto Dines, jornalista, é editor chefe do portal Observatório da Imprensa, onde este texto reproduzido pelo Bahia em Pauta saiu originalmente.

jul
21
Posted on 21-07-2009
Filed Under (Artigos, Eventuais, Multimídia) by vitor on 21-07-2009


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Deu na Folha de S. Paulo

OPINIÃO
O LABIRINTO DA INTERNET

JOÃO SANTANA

Um paradoxo da cultura contemporânea é a incapacidade da maioria dos políticos de entender a comunicação política. Essa disfunção provoca, muitas vezes, resultados trágicos.

É o caso da lei votada pela Câmara dos Deputados para regular o uso da internet nas eleições. Se aprovada sem mudanças pelo Senado, vai provocar um forte retrocesso numa área em que o Brasil, quase milagrosamente, se destaca no mundo – sua legislação de comunicação eleitoral. Sim, a despeito da má vontade de alguns e, a partir daí, de certos equívocos interpretativos, o Brasil tem uma das mais modernas legislações de comunicação eleitoral do mundo.

O nosso modelo de propaganda gratuita, via renúncia fiscal, é tão conceitualmente poderoso que se sobressai a alguns anacronismos da lei, como o excesso de propaganda partidária em anos não eleitorais ou a ridícula proibição de imagens externas em comerciais de TV.

Os deputados decidiram errar onde não poderiam. Mas era um erro previsível. A internet é o meio mais perturbador que já surgiu na comunicação.

Para nós da área, ela abre fronteiras tão imprevisíveis e desconcertantes como foram a Teoria da Relatividade para a física, a descoberta do código genético para a biologia, o inconsciente para a psicologia ou a atonalidade para a música.

Na comunicação política, a internet é rota ainda difícil de navegar. Somos neogrumetes de Sagres em mares bravios.

Não por acaso, o mundo está infestado de curandeiros internáuticos a apregoar milagres. E a mídia potencializa resultados reais ou imaginários (“Ah, a campanha do Obama!”, “Ah, as eleições no Irã”, “Ah, o twitter do Serra”, “Ah, vem aí o blog do Lula”) sem que se consiga aferir a real dimensão do fenômeno.

Se é perturbadora para nós do meio, por que não o seria para legisladores e juízes? Principalmente para os políticos, que, como se sabe, sofrem desconforto com a comunicação política desde o surgimento dos meios modernos.

Desde sua origem nas cavernas, o modo de expressão política tem dado pulos evolutivos sempre que surge um novo meio.

De Aristóteles, patrono dos marqueteiros, passando pelos áureos tempos da santa madre igreja, que já deteve a mais poderosa máquina de propaganda política – é a criadora do termo com sua “Congregatio de Propaganda Fide”-, até os dias de hoje, a comunicação politica é feita por meio de uma simbiose entre o que se diz – o conteúdo retórico -persuasivo – e seu suporte de expressão, as ferramentas comunicacionais. Um influenciando o outro e os dois influenciando, sem parar, as sociedades e instituições.
Foram enormes os pulos causados pela imprensa, pelo rádio, pelo cinema e pela TV na forma e no modo de fazer política. Mas nada perto dos efeitos que trará a internet.
Não só por ser uma multimídia de altíssima concentração, mas também porque sua capilaridade e interatividade planetária farão dela não apenas uma transformadora das técnicas de indução do voto mas o primeiro meio na história a mudar a maneira de votar. Ou seja, vai transformar o formato e a cara da democracia.

No futuro, o eleitor não vai ser apenas persuadido, por meio da internet, a votar naquele ou naquela candidata.
Ele simplesmente vai votar pela internet de forma contínua e constante.

Com as vantagens e desvantagens que isso pode trazer.
As cibervias não estão criando só “novas ágoras”. Criam também novas urnas. Do tamanho do mundo. Vão ajudar a produzir uma nova democracia tão radicalmente diferente que não poderá ser adjetivada ou definida com termos do nosso presente-passado, tipo “representativa” ou “direta”.

Sendo assim, creio que nossos legisladores não vão querer passar para a história como os que imprimiram um sinete medieval em ondas cibernéticas. Não é só o erro, como já se disse, de encarar um meio novo com modelos de regulação tradicional. É porque a internet, no caso da comunicação política, nasceu indomável. E sua força libertadora tem de ser estimulada, e não equivocadamente reprimida.

Já há um consenso do que deve ser modificado na proposta da Câmara. O Senado, que vive profunda crise de imagem, tem um bom tema de agenda positiva. Mas não é por oportunismo que urge corrigir os equívocos da Câmara. É simplesmente pelo prazer de estar conectado com o futuro.

JOÃO SANTANA, 56, é jornalista, publicitário e consultor político. Já coordenou o marketing de dezenas de campanhas estaduais e municipais (como a de Marta Suplicy em 2008), além de três campanhas presidenciais, no Brasil (Lula em 2006), na Argentina e em El Salvador.

jul
19
Posted on 19-07-2009
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Cartel em Salvador: até quando?
cartel
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Um leitor escreve para Bahia em Pauta dizendo-se impressionado com a omissão das agências reguladoras da Bahia. No sábado(18) ele trafegava pela Av. Luiz Viana Filho e afirma ter tomado um susto ao parar nos postos de combustíveis para abastecer.

Conta o leitor:

“Até quinze dias atrás estavam cobrando o alcool R$ 1,39 aumentou para 1, 66 e depois para 1, 77. O curioso que esse aumento só foi observado em todos os postos da Paralela, nos demais bairros o álcool continua a ser comercializado pelos mesmos 1, 66, variando no máximo dois centavos de um posto para outro”.

Pergunta e comenta a seguir o leitor na mensagem, identificada, mas cujo nome este site-blog mantém preservado por motivos óbvios. Afinal, mexe com gente graúda que, em geral se considera acima da lei e dos controles do poder público, este quase sempre omisso e, não raramente, complacente.

“Será que o cartel agora tá atuando por bairro? Eu acho que a preocupação é inútil, pois o diretor da Agência Nacional do Petróleo – ANP, senhor Francisco Nelson, disse numa emissora de TV que na Bahia não existe cartel. Então podem continuar atuando sem medo. Nesta terra ainda somos obrigados a conviver com essas prevaricações”, encerra o caro leitor suas observações pelos abusos sofridos na pele e no bolso.

Aguardando explicações e, principalmente, ações para conter os abusos e punir os infratores, Bahia em Pauta assina em baixo.

(Vitor Hugo Soares, editor)

Quando chegou de Brasília para morar na fazenda do ex-deputado federal Chico Pinto, em 2006, no município de Feira de Santana, a assistente social paranaense, Thais Alencar, trazia com ela a idéia de que poderia fazer algo pela comunidade no campo social e educacional, pois há muito era este o seu desejo.

Pouco tempo depois, a morte do ex-deputado do MDB autêntico, Chico Pinto, poderia ter significado também um golpe fatal nos planos da esposa do bravo parlamentar, filha de outro bravo deputado da resistência no tempo da ditadura no país, Alencar Furtado. Thais, no entanto, também resistente como o pai e o marido, seguiu adiante. Esta semana ela mandou uma mensagem a uma amiga em Salvador, na qual relata o andamento de seu projeto exemplar na região de Feira de Santana.

Bahia em Pauta teve acesso a uma cópia do relato de Thais Furtado, e o reproduz parcialmente a seguir, pelo seu conteúdo relevante de interesse público, pelo valor social do proprio projeto e pela sensibilidade humana do depoimento de Thais. Confira:
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“INICIEI CHAMANDO AS CRIANÇAS DA ALFABETIZAÇÃO PARA DAR REFORÇO ESCOLAR. MAS, PERCEBI QUE NÃO SÓ AS DA ALFABETIZAÇÃO, MAS AS QUE ESTAVAM CURSANDO AS SÉRIES SEGUINTES NÃO SABIAM LER NEM ESCREVER. E COMECEI A ACEITÁ-LAS, TAMBÉM. EM SEGUIDA VIERAM CHEGANDO OS DE 5ª. A 8ª. SÉRIE PEDINDO AJUDA PARA FAZER OS DEVERES DE CASA E OS TRABALHOS ESCOLARES E FORAM FICANDO. CADA DIA FICAVA MAIS HORRORIZADA, COMO FICO ATÉ HOJE, COM O DESCASO COM QUE SE TRATA A EDUCAÇÃO.
CHICO SEPAROU UMA ÁREA DE TERRA E ME DEU PARA QUE EU CONSTRUISSE UMA ESCOLA, POIS ATÉ ENTÃO AS AULAS ERAM DADAS NUMA GARAGEM PROXIMA A CASA DA FAZENDA.
PASSAMOS TRÊS ANOS CONSTRUINDO A ESCOLA QUE FOI INAUGURADA AGORA EM ABRIL.
LÁ, ALÉM DO REFORÇO ESCOLAR E DA REALIZAÇÃO DAS ATIVIDADES LIGADAS A ESCOLA FORMAL QUE FREQUENTAM, FAZEM AULA DE CAPOEIRA, TEMOS OFICINA DE ARTE E SOBRETUDO UMA BIBLIOTECA.
HOJE TRABALHAMOS COM 70 CRIANÇAS.
NOSSA PRIORIDADE É MOSTRAR A ELAS QUE HÁ UM MUNDO ONDE ELAS PODEM SER CONTEXTUALIZADAS. ABRIR PERSPECTIVAS NOVAS. E O INCENTIVO À LEITURA TEM- NOS MOSTRADO QUE ELAS COMEÇAM A ENTENDER A PROPOSTA. HOJE, POR INICIATIVA PRÓPRIA, LEVAM OS LIVROS DA BIBLIOTECA PARA CASA NO FINAL DE SEMANA E VOLTAM PEDINDO QUE HAJA RENOVAÇÃO DOS EXEMPLARES EXISTENTES.
NOSSO PROJETO AINDA ABARCA A ÁREA ESPORTIVA QUE ESTÁ EM CONSTRUÇÃO. SÃO DUAS QUADRAS DE ESPORTE E UMA PISCINA SEMI-OLÍMPICA, ONDE PENSO PODER DESCOBRIR ALGUM ATLETA E COLOCÁ-LO NO PODIUM.
O MAIS INTERESSANTE, AMIGA, É QUE SÃO CRIANÇAS DE 3 A 16 ANOS E POSSO AFIRMAR QUE DIFEREM DO QUE TEMOS VISTO NOS NOTICIÁRIOS SOBRE AS ESCOLAS DO PAÍS. NÃO POSSUEM A AGRESSIVIDADE NEM O DESRESPEITO DAQUELES. E ISSO É MUITO BOM PORQUE NOS AJUDA A TRABALHAR COM ELES E FORTALECER VALORES PARA QUE CRESÇAM COM UMA VISÃO MELHORADA DA VIDA.
MONTAMOS UMA ESCOLA DE INFORMÁTICA. ENTRETANTO, FOMOS VISITADOS POR ASSALTANTES QUE NOS LEVARAM OS CINCO COMPUTADORES EXISTENTES, TODOS NOVOS EM FOLHA. NÃO DEU TEMPO NEM DE LIGAR. ISSO ATRASOU A PROPOSTA DE INICIÁ-LOS NESTA ATIVIDADE.
ESTE TRABALHO ME DEIXA MUITO FELIZ. VOU CRESCENDO COM ELES. VOU APRENDENDO COM ELES. E VENDO QUE HÁ MUITO QUE SER FEITO POR CADA UM DE NÓS SE QUISERMOS VER UM OUTRO PAÍS.
SE TIVER OPORTUNIDADE FAÇA-NOS UMA VISITA.
VOU PEDIR A THAISINHA (A FILHA DE THAIS E CHICO PINTO) PARA MANDAR UMAS FOTOS QUE ELA TIROU NO DIA DA INAUGURAÇÃO.
BEIJOS
THAIS ALENCAR
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BAHIA EM PAUTA COMENTA: BELISSIMO EXEMPLO,THAIS.MESMO DIANTE DE OBSTÁCULOS COMO ESSA VIOLENCIA INAUDITA DO ROUBO DOS COMPUTADORES, ESPERAMOS QUE VOCÊ E OS QUE COMPARTILHAM DESSA EXPERIÊNCIA MAGNÍFICA SIGAM ADIANTE.PODE CONTAR COM O BAHIA EM PAUTA E OS AMIGOS DE VERDADE DE CHICO PINTO, GUERREIRO COMO VOCÊ E SEU PAI.

(Postado por: Vitor Hugo Soares)

jul
15
Posted on 15-07-2009
Filed Under (Artigos, Eventuais) by vitor on 15-07-2009

Nery: “era uma vez”…
nery
Capinam: também viveu na “mansarda paulista”
capimDeu no blog: (VHS)
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ADEUS A MARIO LIMA

O jornalista baiano Sebastião Nery, que veio a Salvador semana passada para o sepultamento do ex-deputado constituinte e líder petroleiro,Mario Lima, no Jardim dfa Saudade, publicou em seu blog (www.sebastiãonery.com.br) texto com relato sobre a vida e a partida do ex-presidente do SINDIPETRO. O Bahia em Pauta reproduz a seguir.

Sebastião Nery

SALVADOR – Era uma vez quatro amigos. Perseguidos pelo golpe de 64, fugiram de Salvador para São Paulo, onde passaram escondidos, na mais pobre clandestinidade , o ano de 1965. A eles logo se agregaram outros baianos foragidos e acabamos todos hóspedes da solidariedade franciscana do jornalista Adilson Augusto, da “Folha”, que morava em um minúsculo apartamento, no sótão de uma pensão na rua Major Sertório, entre o “João Sebastião Bar” e o “Ela Cravo e Canela”.

Os quatro vinhamos de duras lutas políticas. Um, presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Petróleo da Bahia e deputado. Outro, diretor do “Jornal da Semana”, em Salvador, e deputado. O terceiro, líder estudantil e jornalista. O quarto, líder estudantil e publicitário.

Na “Mansarda” cristã e generosa do “Brasinha”, os quatro esperamos o ano inteiro, comendo o pão que o diabo amassou, que o Superior Tribunal Militar nos absolvesse das acusações histéricas dos vitoriosos.

OS QUATRO

Cada um já havia pago o seu preço político. O primeiro, cassado, preso, depois de um mês numa suja solitária militar em Salvador, no Forte do Barbalho, passou o resto do ano confinado em Fernando de Noronha. O segundo, cassado, preso, jogado em um porão molhado, no Barbalho. O terceiro e o quarto perderam os cursos e os empregos e fugiram a tempo.

Anistiados, dezoito anos depois, os quatro da “Mansarda” voltamos nos braços do voto popular. Mário Lima deputado federal pelo PMDB da Bahia. Sebastião Nery deputado federal pelo PDT do Rio de Janeiro. Hélio Duque deputado federal pelo PMDB do Paraná. Domingos Leonelli deputado pelo PMDB da Bahia. Era a bancada da “Mansarda”.

Sábado, saudosos e doídos, Helio Duque, Leonelli e eu deixamos nosso irmão Mario Lima no “Jardim da Saudade”, aqui em Salvador.

BOM SAMARITANO

O Mario foi, a vida inteira, sobretudo o Bom Samaritano. Sempre se preocupou e cuidou mais dos outros do que dele. Daí sua liderança entre os petroleiros, fundador, presidente e conselheiro, ter durado meio século.

Até na cadeia era assim. Logo na chegada a Fernando de Noronha, em maio de 1964, o coronel Jaime Costa e Silva, que avisava não ser parente do então ministro da Guerra, reuniu o grupo:

– Sei que os senhores foram mandados para cá como castigo para serem punidos. Mas aqui os senhores são meus hóspedes. Ninguém vai sofrer constrangimento nenhum, além da prisão. Espero que se sintam em minha casa, com as acomodações que posso dar.

SEIXAS

Os dois governadores, Miguel Arraes e Seixas Doria, foram alojados no setor dos oficiais e os outros, Mario Lima, deputado federal da Bahia, Djalma Maranhão, prefeito de Natal, muitos outros, no setor dos sargentos e soldados. Um capitão, capitão Virgílio, fazia a ligação entre o coronel e os presos. E era, como o chefe, um homem educado, civilizado, correto.

Um dia, por pressão de Magalhães Pinto, Aluisio Alves e Petrônio Portela, Seixas Dória, que era da UDN, foi solto. Antes, tinha ficado preso em Salvador, lá no quartel do Cabula, fora da cidade, onde também eu estava. Arraes, sem Seixas, ficou só, no seu quarto. E muito triste.

ARRAES

Mário Lima, com sua competente generosidade de sertanejo de Gloria, no sertão da Bahia, chamou o capitão Virgílio:

– Capitão, acho que os senhores precisam tomar uma providência. O governador Arraes está aí, sozinho, nesse quarto. Ele é um homem já de mais de cinqüenta anos, mais velho do que todos nós. Já imaginou se ele sofre alguma coisa de noite, um mal súbito, um enfarte? Quem é que vai acreditar que não foi assassinado pelos senhores?

Os presos assinaram um manifesto pedindo ao comando da ilha que transferisse Arraes para Recife. O coronel Costa e Silva levou o documento para Recife. E Arraes saiu de Fernando de Noronha e voltou para Pernambuco, onde esperou o “habeas corpus” do Supremo, que o libertou.

Arraes chegou ao Rio, foi para a Argélia.

HOMENAGEM

Centenas de baianos superlotaram o Jardim da Saudade, em Salvador, no sábado à tarde, para a despedida de Mário Lima. Sua maravilhosa família de dez filhos, netos e bisnetos, políticos, jornalistas, líderes sindicais, petroleiros e petroquímicos, que ele liderou e a quem serviu em três mandatos de presidente do sindicato e três mandatos de deputado, e seu dedicado e importante trabalho como presidente da Comissão de Direitos Sociais da Constituinte, levaram-lhe o último adeus. O ex-governador Waldir Pires,o secretário Leonelli, dirigentes sindicais, falaram por todos nós. Foi lida uma mensagem comovente e competente de Lula, como amigo e companheiro de lutas sindicais. Até por isso surpreendeu a ausência do governador Jaques Wagner, também ex-presidente de sindicato e dele aliado, como destacado membro do PMDB.

Mas sua falta não foi tão notada porque lá estavam o ministro Gedel Vieira Lima, o ex-ministro Waldir Pires, os ex-prefeitos de Salvador Virgildásio Sena e Lídice da Mata, os ex-deputados Joacy Goes, Marcelo Cordeiro, Sergio Gaudenzi, Fernando Schmidt e Genebaldo Correa, Inácio Gomes, Carlos Sodré, Carlos Marighela Filho, Luiz Gonzaga Ferreira, Sandoval Guimarães,companheiros de diretorias sindicais,inuneros amigos.

www.sebastiaonery.com

jul
08
Posted on 08-07-2009
Filed Under (Artigos, Eventuais) by Dimas Fonseca on 08-07-2009

UTI hospitalar
uti

CRÕNICA/COMPORTAMENTO

SADISMO OU PARANÓIA?

Dimas Fonseca

Tive que enfrentar esta semana um dos meus maiores medos: uma UTI – pois a idéia de ficar em uma UTI hospitalar é apavorante para quem sofre de “descontrolefobia”. Não se assustem com o palavrão que eu explico.

Ainda criança, por volta dos 12 anos, durante uma “brigadeira” (simulação da luta livre então na moda na TV) com meu saudoso irmão -quase gêmeo- Saulo, ao entrar em pânico por ser imobilizado com a cabeça embaixo da cama, descobri que tinha medo de lugares fechados, logo diagnosticado como claustrofobia por minha culta irmã mais velha.

Doença da qual me declarei livre um ano depois, após passar horas trancado na minúscula dispensa da casa, em um processo de exposição progressiva, somente para descobrir, anos mais tarde, que podia ficar dias trancado, desde que com a chave na mão, porém, um minuto sem a chave me levava ao pânico. Tanto faz ficar preso em um cubículo ou acorrentado a um poste no meio da rua, a falta de controle da situação me leva ao pânico. Batizei minha doença de “descontrolefobia”.

Após uma única noite de diarréia, vitima de um ROTAVIRUS que está passeando por Salvador neste inverno, tive uma violenta desidratação. Atendido na Emergência do Hospital Português, neste fim de semana, fui considerado candidato prioritário a uma vaga na UTI, na qual tive o desprazer de passar três noites. Estou escrevendo de um apartamento do hospital, me perguntando como sobrevivi em hospitalizações anteriores, sem notebook e internet móvel.

Nas duas primeiras noites estava muito debilitado para compreender minha situação, o que junto com a presteza do atendimento e gentileza da equipe médica / enfermagem, impediu minha fobia de se manifestar. Minha única queixa deste período foi a insônia causada pelos intermitentes apitos dos equipamentos.

Na terceira noite a coisa foi totalmente diferente: uma noite digna de qualquer filme de suspense e terror. Já plenamente consciente, comecei a ficar incomodado por depender de terceiros para urinar, e principalmente defecar (incluindo a limpeza posterior), o que infelizmente fazia em intervalos máximos de 2 a 3 horas.

Comecei a notar que “Everaldo”, atendente que entre outras coisas era responsável por meu leito nesta noite, era sádico (claro que mudei o nome, não vou crucificar um possível inocente), e aproveitava todas as chances de aumentar meu desconforto.

Após resistir o maior tempo possível (quanto menor a freqüência, mais cedo me liberariam da UTI, era meu pensamento), quando as cólicas estavam insuportáveis, pedia ao Everaldo para me colocar o famigerado APARADOR, neste momento, mesmo ele estando bem a minha frente precisava chamar duas a três vezes para ser ouvido, pedia-me para esperar um minuto, e até então desocupado, passava a andar de um lado para o outro, a meu ver sem fazer absolutamente nada, a não ser procurar uma desculpa para me fazer esperar.

Após mais dois ou três chamados e outro tantos “já estou indo”, colocava-me o aparador, e dizia para chamar quando acabasse. Após gastar a garganta em inúmeros chamados, lembrava-me que as equipes anteriores aguardavam do outro lado do anteparo que isolava meu leito, enquanto ele saía e ia aguardar meu chamado a distância segura (segura de que não ouviria). Somente após pavorosos minutos de dores na coluna (a posição deitado com o aparador não é confortável para ninguém, mas é terrível para quem sofre da coluna como eu), ele aparecia para tirar o aparador, e (para minha) humilhação suprema, limpar minha bunda.

Quando acabava este suplício, pedia para deixar o anteparo aberto, para que pudesse ver o relógio na parede em frente, única forma de controle que ainda tinha, da lenta passagem do tempo. Descobri que para me “sacanear”, assim que eu fechava os olhos por cinco minutos, ele fechava novamente o anteparo.

Depois de algumas apavorantes repetições, tentando chamar o Everaldo para me tirar o aparador, descobri que bater na grade, ao lado da maca, fazia barulho suficiente para ser ouvido em toda UTI, e o Everaldo chegou assustado, “para que isto, basta chamar meu nome que estou ao lado”, ao que respondi que chamava há meia-hora, e ele pediu para chamar um pouco mais alto, passamos a nos entender: sabíamos que se ele demorasse mais de um minuto para me atender toda a equipe da UTI ficaria sabendo quanto ele era ineficiente, e ele parou de me atormentar.

Paranóia ou sadismo: passei metade da noite na UTI sendo atormentado por um funcionário sádico ou passei a outra metade tiranizando um inocente e prestativo funcionário. Esta é uma dúvida que levarei para o túmulo, inocente ou culpado. Só Everaldo sabe a resposta.

Dimas Fonseca é auditor fiscal e faz parte da equipe de colaboradores do Bahia em Pauta. Email: dimas.fonseca@gmail.com

jul
07
Posted on 07-07-2009
Filed Under (Artigos, Eventuais, Multimídia) by vitor on 07-07-2009


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O texto que o Bahia em Pauta publica a seguir nesta sua área de conteúdo principal, no dia do sepultamento de Michael Jackson, em Los Ângeles, saiu originalmente como simples comentario a uma crônica sobre a morte do megaastro do pop, assinada pela jornalista e escritora carioca Maria Aparecida Torneros, cidadã do mundo colaboradora de primeira hora deste BP.

É um texto saído das entranhas de um jovem, nascido na Califónia nos loucos anos 70, Pablo Nicholas Vallejos. Amante de Rock desde a infância, ainda atualmente costuma cruzar o seu enorme país de ponta a ponta, viajando de carro, ônibus e trem para assistir a todos os shows da temporada de uma banda, ou de um artista (como Michael Jackson ou os brasileiros do Sepultura), desde que ele efetivamente goste e ache que o sacrifício vale a pena.

Com o passar dos dias, ficou cada vez mais evidente para nós, que o texto de Pablo merecia mais luz e atenção. Pela simplicidade, pelo sentimento verdadeiro, pela pungência das recordações, mas também pela real qualidade de uma escrita densa, crítica, amarga as vezes, mas enxuta ao mesmo tempo, e que vai direto ao ponto: corações e mentes.

Decidimos que esta terça-feira, dia do enterro de Jackson, é a oportunidade que faltava para republicar o texto de Pablo Vallejos. É também a mensagem de despedida do Bahia em Pauta ao incomparável artista que partiu

Em tempo: a tradução do texto de Pablo, publicado originalmente em inglês, é de Laura Tonhá, outra jovem cidadã do mundo, e uma das razões de ser deste Bahia em Pauta.

(Vitor Hugo Soares, editor)

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Paris, a filha: lágrimas no adeus
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CRÔNICA/DESPEDIDA

CONTINUAMOS DANÇANDO

Pablo Nicholas Vallejos

“Os anos 80 foram os dias de rei do Michael, e uma visao apurada da década mostrará um tempo de maior simplicidade.

O jornalismo de celebridade ainda não tinha se transformado na pouco inteligente “caça ao peru” dos dias de hoje.

Rumores sobre as excentricidades de Jackson – chimpazé de estimação, camara de gás, homem dos ossos de elefante – eram espalhados jocosamente pelo próprio Jackson.

Durante este período, o pop estava em seu apogeu e Jackson seguramente era o Rei.

Não foi evidenciado o fato de que sua música era, sem nenhum esforço, progressiva: do disco pop duplo “Não pare até você conseguir o suficiente” para o rock pesado da guitarra de Eddie Van Halen (guitarrista holandes) em “Beat it = Cai fora” para a electro-gofh – gênero musical que combina diversos estilos de música eletrônica, com a atitude e o espírito do rock gótico – de “Thriller” – para o astro da musica Soul (musica afro-americana) de “Smooth Criminal” (canção do album “BAD” de 1987). Hoje cruzadas com o mais importante do gênero pop, essas musicas são facilmente percebidas como extremamente inovadoras para o seu período de tempo clássico.

Apesar de Jackson ainda produzir grandes musicas, videos e performances em shows na década de 90, Jackson nunca se recuperou completamente das acusações de molestar crianças em 1993. Ele se sentiu traído pelo público- seu público – e o crescimento da exposição, acelerava sua reclusão.

A musica mudou nos anos 90: o rock alternativo alterou as percepções do que era o pensamento geral sobre sucesso, e Gangsta Rap – termo cunhado pela mídia para descrever um certo gênero do rap, que tem por característica a descrição do dia-a-dia violento dos jovens de algumas cidades – oferecia criminalidade como entretenimento. Cultura em geral mudou, e nós, como consumidores, mudamos com isto.

Na época do segundo julgamento por molestação de crianças de Jackson, em 2005 – no qual o cantor foi inocentado – ele tinha começado a usar palavras de “brincadeira” para se defender, que causavam estranhamento. Ultra-saturados, simpatia em baixa, cínicos, nós fomos induzidos por sensacionalistas e não-provadas alegações. Não prestamos atenção na verdade. Nós queríamos a história dos tabloides, principalmente porque isto era o que todos ofereciam. Se nós dançávamos a sua música, isto era com uma piscada de olho irônica.

Mas nós continuamos dançando.”

Pablo Nicholas Vallejos

jul
06
Posted on 06-07-2009
Filed Under (Artigos, Eventuais, Multimídia) by vitor on 06-07-2009


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OPINIÃO/IMPUNIDADE

POLITICAMENTE INCORRETA

Graça Azevedo

Que me perdoem os amigos dos anos 67-70 se este desabafo parecer politicamente incorreto. É que não suporto mais ver os poderosos infringindo as leis e acobertando-se sob o manto do politicamente correto.

É muito fácil para os que estão no poder repetirem a frase: são excluídos sociais, não tiveram a oportunidade de se tornarem pessoas melhores. E em nome destes excluídos fazerem leis que beneficiam aos maiores infratores deste País.

São pessoas que se beneficiaram no tempo da ditadura e que, por si ou por seus descendentes, continuam representando o que a elite brasileira tem de pior. E pensar que eu, como muitos da minha geração, lutamos, de formas diversas, para mudar o “status quo”… Eles continuam!

Que privação passaram os senadores e deputados deste Brasil? Todos pertencem a uma classe privilegiada, inclusive de trabalhadores. É através do discurso do politicamente correto que se negam a fazer as leis punitivas tão necessárias à moralização deste País.

Enquanto estes legisladores estiverem no poder, nenhuma lei permitirá a tranqüilidade que almejamos. Eles jamais criarão algo capaz de uma autopunição. E ainda fazem o discurso bonito contra a miséria. Que fique claro que, como socióloga, vi e estudei os fatos sociais que definem a exclusão social do Brasil. O que não aceito é que, usando a miséria social, os verdadeiros construtores desta realidade, miseráveis morais, se protejam da punição que lhes seria imposta.

Os ditos “representantes do povo” , com raras e honrosas exceções, possuem em seus gabinetes funcionários que buscam consultas e internamentos para a população excluída e com este ato “generoso” conseguem a fidelidade de eleitores pelo seu favor. Por isso nunca um projeto de saúde eficiente será efetivamente montado para atender a todos. Isso ocorre em todos os segmentos: estradas, poços, caminhões de água na seca… Tudo tem que ter o carimbo de quem conseguiu, como se isso não fosse sua obrigação. Aos pobres eleitores parecerá sempre um favor, um presente.

Vejo em todas as esferas do Poder um esquema de autoproteção. Começa no Legislativo que, em tese, deveria fazer leis que beneficiassem toda a população e não o fazem, passa pelo Executivo que não as cumpre e termina no Judiciário que absolve a todos.

Quando vejo a sucessão de escândalos que abala o País me vejo sem saber a quem recorrer.

Perdi há três anos um filho assassinado. Até hoje os criminosos não foram julgados e ainda possuem protetores “importantes”. Eu me pergunto se, diante de toda a impunidade que campeia neste país, os meliantes não se sentirão com direito às benesses que uma corja instalada no Poder reivindica em seu próprio favor.

E é em nome das mães das vítimas, já que as mães dos infratores recebem toda a ajuda dos poderes constituídos e paralelos, que suplico aos que, como eu, se revoltam com o atual estado das coisas, que se rebelem contra os ditos “direitos humanos” e exijam uma sociedade que comporte os Humanos Direitos.

Maria das Graças Azevedo é socióloga e servidora pública, mãe do economista e ex-consultor da ONU para políticas de agricultura familiar e alimentação, Vitor Athayde Couto Filho, assassinado em Salvador em 2006.

jul
03
Posted on 03-07-2009
Filed Under (Artigos, Eventuais) by vitor on 03-07-2009

Madoff em um ano: julgado, condenado… e na cadeia
madoff
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OPINIÃO/JUSTIÇA

SOBRE MADOFF, INVEJA E SOLUÇÕES

JORGE HAGE

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Aqui só se permite levar o réu à prisão após o trânsito em julgado do último recurso, geralmente no STF. Sabe o que isso quer dizer?
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A RÁPIDA e pesada condenação do financista vigarista Bernard Madoff a 150 anos de prisão e seu imediato recolhimento à cadeia (onde, aliás, já estava, mesmo antes da sentença) mereceu de Clóvis Rossi primorosa coluna nesta Folha, sob o sugestivo título “Madoff e a inveja”. A mesma Folha de 30/6 trazia excelentes reportagens de Fernando Canzian e Frederico Vasconcelos sobre o fato, todas elas destacando as abissais diferenças entre as condições para a punição de crimes financeiros e outros “de gente rica” nos Estados Unidos e no Brasil. De fato, é de dar inveja. Mas cabe ir além para indagar: Por que “nós não podemos” (para usar frase da moda)?

Sim, nós podemos. Basta querermos mudar nossa legislação penal e processual e, com ela, mudar a interpretação que vem sendo dada a certos princípios constitucionais, sobretudo os famosos princípios da “ampla defesa” e da “presunção de inocência”. Tenho dito e repito aqui: qualquer país civilizado tem nesses princípios cláusulas fundamentais de garantia do cidadão. Nenhum, porém, extrai deles o que se faz no Brasil.

Aqui só se permite levar o réu à prisão após o trânsito em julgado do último recurso, geralmente no Supremo Tribunal Federal. Sabe o leitor leigo o que isso quer dizer? Em suma, quer dizer que se tem de esperar a interposição e o julgamento, pelo menos, dos seguintes recursos: um ou vários recursos em sentido estrito e um ou vários embargos declaratórios no primeiro grau; uma apelação após a sentença; um ou vários embargos declaratórios e um embargo infringente no tribunal de segundo grau; se houver alguma decisão do relator, mais alguns declaratórios e um agravo regimental; depois, vêm o recurso especial (para o Superior Tribunal de Justiça) e o extraordinário (para o STF); se inadmitidos estes pelo Tribunal de Justiça (ou Tribunal Regional Federal), vem o agravo de instrumento para forçar a admissão, o qual será examinado pelo relator, de cuja decisão podem caber novos agravos regimentais e embargos declaratórios (que, aliás, cabem de cada uma das decisões antes mencionadas, e repetidas vezes da mesma, bastando que se diga que restou alguma dúvida ou omissão).

Cansados? Pois nem falamos ainda nas dezenas de outros incidentes processuais que os bons advogados sabem suscitar, dentro ou fora das previsões legais expressas, além dos habeas corpus e mandados de segurança, em quaisquer das instâncias. E quem melhor que os réus dessa casta pode pagar os melhores escritórios de advocacia?

Então, se pela “presunção de inocência” se quer entender que o réu só pode ser preso após o último recurso e se até as pedras sabem que isso vai demorar pelo menos uns 15 ou 20 anos, nada mais resta a fazer senão lamentar.

Pouco adianta fiscalizar (tarefa da Controladoria Geral da União, dentre outros órgãos), investigar (tarefa da Polícia Federal e do Ministério Público), ajuizar ações (tarefa do Ministério Público) ou mesmo dar celeridade ao processo no primeiro grau e sentenciar, pois isso, no Brasil, não vale quase nada.

Fui juiz de primeiro grau e sei o tamanho da angústia. O criminoso, no Brasil, mesmo se condenado no primeiro grau e ainda que a sentença seja confirmada pelo TJ ou pelo TRF, continua gozando da “presunção de inocência”. Atente-se bem: no confronto entre dois pronunciamentos convergentes e unânimes de duas instâncias judiciais, de um lado, e as alegações do réu, de outro, prevalece, como “presunção de veracidade”, a versão do réu.

Voltemos aos EUA e ao caso Madoff: ele foi condenado, diz a Folha, “por uma corte de Nova York” (não foi a Suprema Corte nem nada parecido) e, “logo após a sentença, encaminhado a uma unidade prisional em Manhattan”. A investigação começou em 2008 -isto é, há cerca de apenas um ano…

Será que podemos acusar os EUA de não serem um “Estado de Direito”? Será que Madoff não teve direito ao “contraditório” e à “ampla defesa”? Será que lá não vigora a “presunção de inocência”? Será que eles são um “Estado policialesco”? E mais: a pena aplicada lá certamente será cumprida, pois não há a escandalosa liberdade condicional com um sexto da pena cumprida.

Sem deixar de reconhecer o valor dos princípios da ampla defesa e da presunção de inocência, formulados quando nosso país saía de uma ditadura e o perigoso inimigo era o Estado autoritário, creio já chegada a hora de ajustarmos o passo do nosso processo judicial àquilo que é o ponto de equilíbrio assente nos demais países civilizados para enfrentar inimigos outros, como o crime organizado, o crime financeiro e a corrupção.

JORGE HAGE, 71, mestre em direito público pela UnB (Universidade de Brasília) e em administração pública pela Universidade da Califórnia (EUA), é ministro-chefe da Controladoria Geral da Uni

Artigo publicado originalmente no jornal Folha de S. Paulo.

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