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27
Posted on 27-08-2009
Filed Under (Artigos, Eventuais, Newsletter) by vitor on 27-08-2009

Belch
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Deu em Terra Magazine:

A revista digital Terra Magazine publica nesta quinta-feira (27) mais um belo e contundente artigo do músico e produtor baiano Paquito sobre querelas do Brasil na relação com seus ídolos e artistas. Texto que empolga não só pela forma e estilo sempre agradáveis de ler, por mais duro que seja o tema, mas principalmente pelo conteúdo que faz pensar, mesmo a quem não gosta muito disso.

Paquito olha de sua janela de ampla visão em Salvador e constrói texto de primeira linha, entitulado “Belchior das canções”, a partir da notícia no Fantástico, da Rede Globo, sobre o desaparecimento do compositor cerarense , autor de algumas das composições mais notáveis surgidas na MPB na últimas décadas. “Aquele que dizia ser um rapaz latino-americano sem dinheiro no banco, sem parentes importantes, e vindo do interior. Dizem que apareceu num show de Tom Zé, ainda este ano, mas, depois, não foi mais visto”, diz o músico baiano na abertura do artigo.

Bahia em Pauta não resiste e reproduz o texto na íntegra, pedindo perdão antecipadamente ao editor chefe de TM, Bob Fernandes, pela “apropriação” sem prévia autorização. Mas não dava para esperar.

Confira

(Vitor Hugo Soares)
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ARTIGO/MÚSICA

BELCHIOR DAS CANÇÕES

Paquito

Deu no Fantástico: Belchior sumiu. Para os mais novos, que não o conhecem das canções, ou sabem das canções, mas não sabem que são dele: Belchior, o cantor-compositor cearense sumiu. Aquele que dizia ser um rapaz latino-americano sem dinheiro no banco, sem parentes importantes, e vindo do interior. Dizem que apareceu num show de Tom Zé, ainda este ano, mas, depois, não foi mais visto.

Há dois anos, a ex-mulher não tem notícias, dois carros seus estão abandonados ou, pelo menos, estacionados sem que ninguém os reclame. Deixou dívidas. Eu nem vi a matéria na TV, peguei na página do portal Terra e pensei: Belchior já tinha sumido de nós há mais tempo. Não se falava dele nos jornais, na Internet, no que se chama a grande mídia. Precisou sumir pra que se falasse dele. Até parece história das presentes em suas letras, “feito aquela gente honesta, boa e comovida/ que caminha para a morte/ pensando em vencer na vida”.

Provavelmente, vão dizer que foi uma vítima do Sistema, será feito um documentário, e aparecerão os doutos dizendo que ele era um gênio incompreendido. Talvez elucidem o mistério, talvez não. Talvez a razão do sumiço seja bem prosaica, distante do nosso entendimento.

No entanto, suas canções, bem maior de um compositor, estão vivas e presentes na memória dos brasileiros que o ouviram cantar, e viam aquele hippie de vasto bigode, lirismo triste e combativo, e versos incomuns. Se alguém, de repente, começa a cantarolar “não quero lhe falar, meu grande amor/ das coisas que aprendi nos discos/ quero lhe contar como vivi/ e o que aconteceu comigo…”, é impossível não se lembrar da interpretação de Elis Regina, e de como aquela gravação se tornou um standard da música brasileira. As cantoras que vieram bem depois de Elis, como Daniela Mercury, gostam de cantá-la pra chegar perto do modelo de cantora que é Elis.

Tanto que há uma historinha que diz que Sandy, em uma data familiar, escolheu cantar, em homenagem aos pais, Como nossos pais, que é o título desta canção de Belchior. Imagino Sandy se dando conta do que diz a letra da música, no momento mesmo em que está cantando: “minha dor é perceber que apesar de termos feitos tudo que fizemos/ ainda somos os mesmos e vivemos/como nossos pais”.

A música de Belchior é a notícia mesmo de que o sonho havia acabado, contrapondo-se inteligentemente à alegria tropicalista: “nada é divino, nada é maravilhoso/ ao vivo é muito pior”. Há uma urgência em seus versos, e na sua interpretação angustiada, sanguínea, sensual, quase falada: “quando eu cantar/ quero ficar molhado de suor/ e, por favor, não vá pensar que é só a luz do refletor”.

E há – por que não? – uma nostalgia como no subtítulo de Mucuripe, “jovem também sente saudade”. A sessão de cinema das cinco, a camisa toda suja de batom. E uma canção alegre, Medo de avião, releitura de I wanna hold your hand, dos Beatles, e que ganhou uma outra melodia de Gilberto Gil, também bonita.

Estou lembrando dos versos e ouvindo as canções aqui na minha rádio-cabeça, aos pedaços, e tendo bem presente os instantes em que, adolescente, ficava fascinado por um verso que dizia “eu quero é que este canto torto feito faca corte a carne de vocês”. Há uns cinco anos, vi Belchior cantando essa música no programa Altas horas, junto com o Los Hermanos.

Das canções cujas letras ganham versões maliciosas e populares tem aquela que diz “aí um analista me comeu”, em vez de “aí um analista amigo meu”, que é a letra original. É engraçado, e não é pouco. Caymmi uma vez disse que seu sonho era ser um autor de algo que se perdesse no meio do povo. Aconteceu com ele, e, de certa maneira, com Belchior.

Esse texto não é e nem pretende ser um necrológio, pois não se sabe se Belchior morreu. Ele só sumiu, ou sumiu só. Mas eu sei onde ele anda: em suas canções imorredouras, vivas, presentes e, ainda e sempre, urgentes. Além, no Corcovado, quem abre os braços, é Belchior. Copacabana, o mar, as borboletas pousando entre as flores do asfalto, são Belchior, talvez cansado de nós, repousado de nós, infinito de nós.

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LEIA EM TERRA MAGAZINE: (http://terramagazine.terra.com.br)

ago
24
Posted on 24-08-2009
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Getúlio: decisão extrema
Vargas
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OPINIÃO

55 anos sem Getúlio Vargas

Christopher Goulart*

A data de 24 de agosto torna obrigatória a formulação de algumas reflexões políticas, num país cada vez mais descrente em relação aos seus políticos. Afinal, há 55 anos, um único tiro de revólver calou a toda uma oposição raivosa, amparada por amplos setores das forças armadas do país, que exigiam a deposição imediata do maior estadista de toda a história brasileira. Com 72 anos de idade, no ano de 1954, o líder inconteste da Revolução de 30 colocou fim a sua vida, adiando um golpe de Estado que se concretizaria 10 anos depois, quando seu herdeiro político João Goulart sofreu na pele a mesma implacável perseguição na quartelada de 64.

Getúlio Vargas, o homem que ao longo de sua vida oscilou entre as extremidades do amor e o ódio, entre as elites e os pobres, encontrou no gesto extremo do suicídio a solução para que o país não fosse tomado pelas ideias liberais da UDN, do governador da Guanabara Carlos Lacerda. Na prática, presidente Vargas postergou o golpe dos grupos econômicos e financeiros internacionais, aliados a grupos nacionais, revoltados contra o regime de garantia do trabalho, e contra a independência do povo brasileiro.

Mas quem é este homem, acusado de ditador no Estado novo, mas que voltou à Presidência da República nos braços do povo, eleito pelo voto, derrotando o brigadeiro Eduardo Gomes em 1950? Este homem, que há 55 anos deixava a vida para entrar na história, é nada menos que o criador do moderno Estado Brasileiro, é o líder que pôs um fim à política de oligarquias da República Velha, e é o presidente a quem o Brasil deve a criação da Consolidação da Legislação Trabalhista. Pouco ainda? O gaúcho de São Borja fomentou a industrialização brasileira, dobrou o salário mínimo, proposto por seu ministro de Trabalho Jango, criou a Petrobras, e Eletrobrás, obras que causaram uma onda de agitação em seus opositores.

Seu legado de luta contra qualquer forma de espoliação das riquezas da nação, de luta pela libertação do trabalhador brasileiro, a favor da pátria soberana, continua aceso. Não faz muito tempo, houve até o esforço inútil de um presidente da República em acabar com a era Vargas. Porém, o sacrifício do mestre Getúlio está marcado eternamente na alma da população do Brasil, e seu sangue continua correndo nas veias dos seus seguidores. Viva Getúlio Vargas!

*Advogado, neto de Jango

ago
20
Posted on 20-08-2009
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OPINIÃO/ PESADELOS

IDEOLOGIA

Graça Azevedo

Como cantava Cazuza: ideologia, eu quero uma prá viver. Eu também. Assim como a minha geração. Mas, os nossos heróis não morreram de overdose. Os nossos heróis estão nos matando de vergonha.

Nem nos nossos piores pesadelos poderíamos imaginar as alianças espúrias e comprometedoras que os homens, que nos colocamos no poder, estão fazendo em nome de uma tal governabilidade. Como se constroem alianças entre pessoas com ideais tão diferentes? Em que se baseiam estes acordos?

Na minha cabeça o enigma não se decifra. De um lado o partido que, em tese, estava contra todo tipo de corrupção, que colocava os militantes nas ruas para pedir o impeachment dos malversadores do erário público. Do outro lado os malversadores e corruptos. Agora juntos. Em nome da praticidade e com a desculpa asquerosa de “ser republicano”. Ou seja, a democracia pela qual lutamos só é possível quando todos chafurdarmos na lama.

Eu me recuso. Talvez o meu caminho passe a ser o mesmo pelo qual optaram amigos dos tempos das trevas. Isolar-me, não ler notícias, alienar-me do mundo. É melhor que ver o sonho transformado na torpe realidade que nos oferecem aqueles que colocamos no poder com a missão de mudar a Bahia e o Brasil.

Maria das Graças Azevedo é Socióloga

ago
14
Posted on 14-08-2009
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Aposentados aguardam justiça
idosos
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OPINIÃO

Por uma aposentadoria mais justa

Milton Dallari

O reajuste anual das aposentadorias é sempre uma questão polêmica, por adotar critérios diferenciados para quem ganha menos ou mais de um salário mínimo. Não é exagero algum afirmar que é um dos grandes nós, difícil de desatar, no equilíbrio das contas da Previdência. Para arcar com a recomposição dos benefícios de um universo de aposentados que cresce a cada ano, o governo estuda diversas propostas. A mais recente, porém, apoiada pelo Presidente Lula, surpreende justamente por estar na contramão de projetos que visam à diminuição no rombo da Previdência, que deve terminar 2009 com déficit de R$ 41 bilhões.

Além de manter a política de um reajuste acima da inflação para os aposentados que ganham até um salário mínimo, o novo plano sugere reajuste acima da variação da taxa de inflação também para aposentados e pensionistas que recebem até dois ou três salários mínimos. A idéia inicial é dar a esse contingente de aposentados um aumento real de 2,5% acima da taxa de inflação acumulada no ano (estimada em 2009 em 4,5%) a partir de janeiro de 2010 – coincidência ou não, ano eleitoral. Para os demais seria mantida a política de apenas recompor as perdas inflacionárias.

Nada ainda está decidido e um projeto nesses termos tramita no Congresso Nacional. Outras sugestões estão sendo estudadas. Uma alternativa interessante – até agora não discutida em fóruns adequados, mas que poderia ser utilizada para recompor o poder de compra de todas as aposentadorias, sem onerar demasiadamente a Previdência –, seria estender a todos os aposentados e pensionistas o reajuste aplicado ao salário mínimo. Mas adotando uma fórmula inovadora e com duas continhas: a primeira incidindo sobre o salário mínimo, com o reajuste que a ele é dado anualmente. A outra, sobre os demais salários que compõem a aposentadoria – e sobre eles aplicando o reajuste de acordo com a taxa da inflação.

Vamos a um exemplo. Hoje o salário mínimo é de R$ 506,44. Caso o governo opte por um reajuste de 8% em 2010, o valor vai a R$ 546,95. Todos os aposentados e pensionistas seriam beneficiados com esses 8% a mais. Para os “demais mínimos” de quem ganha mais, o reajuste continuaria a ser pela inflação. Vejam a diferença de ganhos para um aposentado que hoje recebe três mínimos (R$ 1.519,32). Pelo sistema antigo e estimando uma recomposição inflacionária de 4,5%, seu benefício iria para R$ 1.587,68. Com a fórmula de “duas continhas”, o benefício iria para R$ 1.605,40 (uma diferença de R$ 17,72). Parece pouco, mas não é. Após alguns anos de aposentadoria, a diferença cumulativa já faria diferença.

O governo, congressistas, centrais sindicais e associações de aposentados intensificaram suas reuniões para estudar como fazer tal alteração na aposentadoria. Brevemente, deve sair uma decisão. Depois de tantos ônus provocados pelas últimas mudanças na Previdência nacional, finalmente parece se aproximar a hora de os aposentados serem brindados com o merecido bônus. Fica a expectativa de que esse reajuste realmente aconteça, e que não seja apenas mais uma ferramenta de campanha política em um ano de eleições.

Milton Dallari é conselheiro da Associação dos Aposentados da Fundação Cesp, diretor de administração e finanças do Sebrae-SP

ago
12
Posted on 12-08-2009
Filed Under (Artigos, Eventuais, Multimídia) by vitor on 12-08-2009


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Palavra de Tom Tavares

Chegou à caixa de correio eletrônico do editor do Bahia em Pauta a seguinte mensagem do músico baiano (dos melhores) Tom Tavares:
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Bahia em Pauta publica a seguir, como registro histórico de notável atualidade, o artigo referido por Tom, que revela também como pensar e opinar eram hábitos saudáveis na Bahia e no Brasil de então Confira.

Amigos: O meu pensamento sobre a Ordem dos Músicos do Brasil está explicitado no artigo abaixo (escrito há quase dez anos) e publicado no Caderno 2 do Jornal A TARDE – Salvador – Bahia, no dia de ontem, 10 de agosto de 2009.
Posso estar enganado, sim. Mas, não engano ninguém. Todo mundo sabe o que eu penso.
Um abraço,
Tom Tavares

(Vitor Hugo Soares)

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OPINIÂO

NATIMORTA

Tom Tavares

Na metade dos anos cinqüenta, começou a aparecer uma moçada fazendo um som diferente. Simples e direto. Em verdade, eram duas vertentes que surgiam: uma tocava o violão baixinho, cantava baixinho, fazendo um samba de um jeito diferente, de uma nova maneira, uma bossa-nova. A outra turma era um pouco mais barulhenta, mais expansiva, também menos requintada. Pegava a guitarra e, com alguns poucos acordes, construía o que musicalmente queria dizer: ensaiava os primeiros passos do rock’n’roll brasileiro.

Dizendo assim, parece que era, apenas, brincadeira de turma de bairro, de grêmio acadêmico, nada de muito conseqüente. Ledo engano. Aquela meninada do banquinho e violão virou a cabeça da geração zona-sul enquanto o rock’n’roll made in Brasil assumia lugar de destaque, principalmente nos bairros periféricos.

Quando isso aconteceu, os acadêmicos se indignaram. Perguntavam-se como uma turminha que mal fazia três acordes podia assumir a profissão. A profissão – pensavam eles – era pra quem sabia decifrar uma partitura, registrar os sons no pentagrama. Ou seja: somente eles mesmos poderiam ser músicos, lendo e tocando o que estava escrito. Enquanto eles pensavam, as turmas da bossa e do rock ficavam cada vez mais famosas e ocupavam os programas radiofônicos chegando, assim, a todo o Brasil.

A coisa chegou a um ponto tal, que os músicos tradicionais letrados, ameaçados em seu campo e visando a clássica reserva de mercado, buscaram no Congresso Nacional um jeito de acabar com aquela – segundo linguajar da época – invasão da meninada travessa. Como no futebol, diante do perigo de gol, gritaram pro bandeirinha, requerendo a aplicação da lei do impedimento. E, conseguiram: no dia 22 de dezembro de 1960, o Presidente Juscelino Kubitschek assinou a Lei 3.857 que, no seu artigo primeiro, dizia: “Fica criada a Ordem dos Músicos do Brasil com a finalidade de exercer, em todo o país, a seleção, a disciplina, a defesa da classe e a fiscalização do exercício da profissão do músico.”

Ora, presidente JK, quem seria esse ser supremo capaz de selecionar, determinar, quem pode ou não pode ser músico? Quem teria autoridade para dizer se Armandinho Macedo – por não saber ler uma nota no pentagrama – pode ou não pode ser músico? Em quem avultaria tamanha autoridade para dizer se aqueles quatro cabeludos de Liverpool podiam ou não ser músicos, já que eles também não sabiam ler uma partitura?

Ninguém, eu respondo. Nenhuma banca examinadora do mundo. Nem Beethoven, nem Tom Jobim, nem Bach, nem Mozart, nem ninguém! Quem determina se alguém pode ou não ser músico é o público. Sim, exatamente. É o público quem decide se quer ouvir o artista X ou dançar ao som do Y. Só ao público cabe a escolha entre um show de axé e um concerto da Orquestra Filarmônica de Berlim. É também sua a prerrogativa de comprar o cd – seja lá do que ou com quem for – que lhe atenda ao gosto. Se o público gosta daquele músico, quer aquele como o seu músico, então, AQUELE é o músico.

A Ordem dos Músicos do Brasil – um rascunho mal desenhado de ópera bufa – não tem competência para cumprir, sequer, o que determina o primeiro artigo da lei que a criou. E, se nem a primeira ação que lhe justificaria a criação ela consegue praticar, chegamos à conclusão de que é natimorta.

Assim sendo, no dia em que teria nascido, 22 de dezembro de 1960, morreu a Ordem dos Músicos do Brasil.

Tom Tavares – Compositor, regente, radialista, professor da Escola de Música da Universidade Federal da Bahia.

E-mail: tomtavares10@gmail.com

ago
09
Posted on 09-08-2009
Filed Under (Artigos, Eventuais) by vitor on 09-08-2009

Ruth Cardoso: “nome e referência”
Ruth
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MULHERES BRASILEIRAS

Consuelo Pondé

É do conhecimento geral que as mulheres brasileiras viveram momentos de intensa reclusão durante o período colonial, fossem as que se mantinham no seio da sociedade patriarcal como filhas e esposas, fossem as enclausuradas nos conventos femininos. Por isso, diminuta era a presença da mulher branca nos primórdios da colonização. Tanto assim que os colonos se uniam com índias e negras, meras uniões informais, sem qualquer formalização legal. Tal circunstância desagradava às ordens religiosas, daí os jesuítas, nos inícios da colonização, terem repetidas vezes a presença de mulheres do reino para que se unissem aos portugueses solteiros. Esse era também o único meio de evitar as uniões espúrias, os concubinatos indecentes, conforme julgamento da época.

O notável jesuíta Manuel da Nóbrega, aqui chegado com Tomé de Souza, em 1549, era um defensor da vinda das mulheres portuguesas órfãs ou de vida errada. É sabido que se dirigiu ao Rei de Portugal, solicitando a vinda das donzelas, sem exigir que fossem “puras” e imaculadas a fim de livrar os cristãos dos pecados da carne.

Sobre as ingressas nos conventos, Leila Mezan Algranti publicou interessante trabalho, intitulado “Honradas e Devotas: Mulheres da Colônia”.

Como mães e esposas as mulheres daquele período eram consideradas “receptáculo das tradições culturais e das virtudes morais”.

Durante todo o período colonial, e mesmo no Império a vida da brasileira se confinava aos muros das casas em que moravam, com eventuais saídas para as missas ou demais ofícios religiosos.

As mulheres brasileiras das camadas populares realizavam trabalhos domésticos, não lhes sendo conferido valor comercial, razão pela qual não eram consideradas socialmente importante.

A partir da Revolução Industrial, contudo, aconteceu, nos países civilizados, a participação feminina no trabalho assalariado.

Ainda assim, somente a partir do movimento feminista, surgido na França, na segunda metade do século XVIII, começou a mulher a participar da vida social daquele país.

No Brasil, a pioneira da luta feminina foi a riograndense do norte, Nísia Floresta Brasileira Augusta, autora dos livros: Conselhos à Minha Filha (1842) e A Mulher ( 1856). No Século XIX surgiram, também, alguns jornais femininos, tais como o “Jornal das Senhoras” (1852), o “Sexo Feminino” e, em 1880 , a revista “ A Família”, todas empenhadas em reivindicar a emancipação feminina, especialmente a educação formal. Em 1901, na discreta Diamantina, Minas Gerais, surgiu o jornal Voz Feminina, que pela primeira vez postula o direito ao voto para as mulheres. Em 1910, Leolinda Daltro fundou o “Partido Republicano Feminino”, que iniciou campanhas mais agressivas, semelhantes às que organizavam as sufragistas inglesas. Suas Companheiras chegaram ao ponto de organizar uma passeata de mulheres, em 1917, no Rio de Janeiro.

Mas, foi em 1922 que o “movimento sufragista” ganhou maior importância com a fundação da “Federação Brasileira Para O Progresso Feminino FBPF“, graças à liderança de Bertha Lutz, que possibilitou a multiplicação de um número considerável de associações congêneres em todo o País.

A Luta pelo sufrágio feminino durou ate 1932, quando esse pleito foi concedido pelo novo governo implantado pela “Revolução de 1930. A segunda Constituição Brasileira foi outorgada em 1934 para, pouco tempo depois, ser dissolvida. Tal ocorreu em função do Decreto que estabeleceu o Estado Novo, em 1937, retirando o direito ao voto e banindo a possibilidade de escolha dos seus representantes, por parte de todos os brasileiros. A própria CLT de maio de 1943 é muito débil em relação aos diretos trabalhistas para as mulheres.

Não, se podem negar as conquistas obtidas pelas mulheres nos últimos decênios do século XX, graças às lutas em que se têm empenhado e o vigor de suas reivindicações Faltam – no, contudo, obter maior representação política no município, no estado e no País. Que mulher de valor, como, por exemplo, a falecida e saudosa antropóloga, Ruth Cardoso está nas páginas dos jornais de hoje, como líderes autênticas, cheias de sabedoria e experiência?

Ruth Cardoso era um nome e uma referência de mulher, por isso mesmo detestava ser chamada de “primeira dama”, grotesca imitação dos padrões norte – americanos”, que ela repudiava, com justíssima razão.

Olho com tristeza o panorama político brasileiro e não consigo vislumbrar um só nome de companheira da qual sinta orgulho pelo trabalho que realiza. Ou será que, combativas na Bahia, quando chegam a Brasília, tornam-se estrelas apagadas no firmamento da politicalha nojenta, corrupta e deslustrada?

Consuelo Pondé , historiadora e escritora, é Presidente do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia e membro da Academia de Letras da Bahia. (consueloponde@terra.com.br)

ago
03
Posted on 03-08-2009
Filed Under (Artigos, Eventuais) by vitor on 03-08-2009

Balbino: “o poder revela”
balbino

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O editor do Bahia em Pauta recebeu do advogado Inácio Gomes uma mensagem eletrônica com informações relevantes sobre a questão do pagamentos de jetons a secretários de estado a título de complemento salarial. Inácio solicita que o blog divulgue suas informações, uma vez que o assunto ganhou manchete ruidosa mas, de repente, saiu do foco de interesse das pautas – sem sequer chegar ao âmbito da Prefeitura da capital.

Em razão do interesse público das informações de um dos mais conceituados e corajosos advogados da Bahia – além do texto inteligente e bem humorado – o Bahia em Pauta decidiu publicar a íntegra da menságem de Inácio como texto opinativo e revelador dos tempos que correm, como é do jeito e natureza deste site-blog. Confira.

(Vitor Hugo Soares)

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OPINIÃO

Revelações do poder

Inácio Gomes

Há dias o jornal A Tarde em excelente matéria jornalística investigativa publicou noticia sobre pagameto de jetons relativos à participação em conselho de empresas públicas por parte de secretarios de estado e Procurador Geral da PGE que elevariam os vencimento dos beneficaios além do limite legal.

Depois o silêncio sepucral.

Os funcionarios públicos, vitimas, sempre, de pareceres restritivos da PGE nos casos de vantagens salariais ficaram esperançosos de que a PGE passasse a defender tese tão liberal quanto a prolatada em causa própria no caso denunciado.

Eu defendo, já se vão dez ano, uma fucionaria estadual. Em seu favor duas decisões do TCE; uma das Câmaras Civeis Reunidas do TJ/Ba; uma da 6ª turma do STJ; uma decisão monocática do Ministro Marco Aurelio ( STF) e a PGE continua com recursos típicos da litigancia de má fé.

Gostaria que você desse noticia do favorecimento denunciado. Antonio Balbino costumava me dizer : ” Seu Inácio o poder não corrompe. Revela”. Tem razão o mestre o que temos de REVELADOS nos dias de hoje dá para encher a Fonte Nova. Um abraço do companheiro Inacio.

PS – Vou substituir o termo companheiro. Desmoralizaram muito a expressão.

Inácio Gomes é advogado

ago
02
Posted on 02-08-2009
Filed Under (Artigos, Eventuais) by vitor on 02-08-2009

Salvador: o debate essencial
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Mensagem eletrônica da nuricionista Glauvânia Jansen, especializada em tratamentos naturopáticos, informa sobre a Caminhada da Lua Cheia, evento que ela comanda há anos em Itapuã e que, em Agosto, acontece nesta quarta-feira, 5, entre as 18.30 e 22h.

Glau, a pernambucana mais baiana de Salvador, amiga e estimuladora deste site-blog, manda junto um texto assinado por Reinhard Lackinger, que aborda com delicadeza e bom humor, o polêmico tema da expansão urbana da capital baiana.

Bahia em Pauta publica o texto opinativo, que cumpre o papel de suprir, em parte, a ausência de informações do poder público, em projetos (ou falte de) e questões que mexem com a cidade da Bahia e sua população.
Confira.

( Vitor Hugo Soares)

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“Não conheço os projetos do polo hoteleiro na cidade baixa, nem tenho idéia exata do impacto real causado pela ampliação do aeroporto 2 de Julho…

Venho formando opiniões à luz do que presenciei desde quando participei do Conselho Municipal do Meio Ambiente em meados da década de 90.
Lembro do alvoroço dos ambientalistas pelo fato de haver necessidade de mexer com meia dúzia de metros cúbicos de areia para concretizar a Marina da Av. do Contorno.
Votei a favor do projeto e vejo que o espaço ficou bom… até agora…
Na mesma época, um parque aquático instalado na Av. Paralela deveria disponibilizar uma APA, uma área de proteção ambiental prevista no projeto original. Algo que nunca saiu do papel, nunca foi feito. Quem como eu ficou esperando algum estardalhaço por parte dos ambientalistas ou do então secretário do meio ambiente, ficou frustrado. Houve apenas um muxoxo… e olhe lá!

Nos últimos anos pouco mudou! Sei que ainda existem grupos ambientalistas porque alguns são amigos meus. Só por isso. Não por brigarem contra a “desmatança” ao longo da Av. Luis Viana Filho, conhecida por Av. Paralela.
E tome-lhe Alphaville, Betaville, Deltaville… Ômegaville… e os mostradores ultrasensíveis dos novos decibelímetros adquiridos com o dinheiro do contribuinte nem se mexem… Durante todo esse desmatamento comparável ao que acontece nas novas fronteiras agrícolas no Pará e no Mato Grosso, os nossos ambientalistas têm feito um silêncio tamanho que daria para ouvir um pum de uma cotovia!
Agora, que o Aeroporto 2 de Julho precisa ser ampliado, os ambientalistas estão de volta para defender o que caçambeiros costumavam carregar num único dia. É o que me contam os periquitos, cuja revoada se instalou ultimamente nos telhados dos prédios ao longo da Rua 8 de Dezembro… depois de serem expulsos de uma dessas Gamavilles!

Saudosista incorrigivel que sou, gosto de andar pelo bairro do Comércio. O que não gosto é de ver escombros de prédios que outrora conheci altivos e majestosos.
Ai de quem ouse apresentar um projeto de um hotel! Esse alguém será excomungado, trucidado, esquartejado.
A impressão que se tem é: *cair de podre pode! *O que não pode é construir alguma coisa que seja viável! Será isso mais uma maluquice para o meu caderninho comprado lá pela Praça Conde dos Arcos antes de comer um sanduiche de pernil nos meus amigos Manolo e Fernando ou tomar um caldo de feijão no Colon de Juan e Mara, pais do futuro campeão de F-1 Juan Manoel?

Será que um polo hoteleiro na Península Itapagipana não representaria um beijo na Bela Adormecida para revitalizar uma parte da cidade estagnada há décadas?

Todas essas maluquices me lembram uma canção de um “patrício” meu.
Lembram Eduardo Dusek cantando:”troque o seu cachorro por uma criança pobre…
Que tal a gente trocar nossas utopias por uma cidade viável e moderna”?

Reinhard Lackinger

jul
30
Posted on 30-07-2009
Filed Under (Artigos, Eventuais, Multimídia) by vitor on 30-07-2009


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Deu na revista digital

Terra Magazine postou nesta quinta-feira(30) uma das mais interessantes análises produzidos até aqui, sobre o documentário “Coração Vagabundo”, dirigido por Fernando Grostein Andrade, que focaliza o cantor-compositor santamarense, Caetano Veloso, durante a turnê de lançamento do disco “A Foreiggn Sound”, de 2004.

De Salvador, depois de ver o filme, o músico e produtor Paquito fala de Caetano, “seu peculiar senso de humor, seus comentários sobre religião, cultura, música” e outros temas sobre os quais o artista baiano discorre com generosidade e poder de síntese. (Vitor Hugo Soares)

Bahia em Pauta e pede licença ao editor-chefe de Terra Magazine , Bob Fernandes, para compartilhar com os leitores deste site-blog baiano (com sonhos cosmopolitas que passam por São Paulo e terras mais distantes ), o expressivo texto de Paquito, com os devidos agradecimentos e créditos

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O Coração Vagabundo de Caetano

Paquito
De Salvador (BA)

“Fui ver Coração vagabundo, documentário sobre Caetano Veloso, dirigido por Fernando Grostein Andrade, e que acompanha o cantor-compositor na turnê do disco A foreign sound, de 2004. Fui ver e curti viajar com Caetano, seu peculiar senso de humor, seus comentários sobre religião, cultura, música, enfim, assuntos acerca dos quais discorre com generosidade e poder de síntese: “eu sou do sol, quero ser lúcido e feliz”.

Não é um retrato que se pretende absoluto ou historicamente detalhado; são instantes, momentos no Japão e nos EUA, dos quais se pode destacar a resposta a Hermeto Paschoal, que o chamou de “musiquinho”, após Caetano ter declarado que achava a música americana mais rica que a brasileira. Caetano usa o próprio discurso de Hermeto para desenvolver o seu raciocínio de maneira brilhante. É o que ele mesmo já chamou de “dança da inteligência”. Não é pra, simplesmente, se concordar com o que ele diz, mas pra se pensar sobre.

Há instantes engraçados, como quando ele se vê diante de uma sobremesa japonesa que receia comer, por não gostar no aspecto, e há a conversa com um monge budista que diz gostar da canção Coração vagabundo, que dá título ao filme. Me interessa falar desta música, lançada em 1967, antes da explosão tropicalista, e referida quarenta anos depois neste filme, não por acaso.

Coração vagabundo, a canção, aparentemente uma bossa-nova tardia, é um samba curto que sintetiza o percurso de Caetano: anúncio e prenúncio do que viria a seguir na sua obra, por conta dos versos iniciais – “meu coração não se cansa/ de ter esperança/ de um dia ser tudo o que quer”- e finais, “meu coração vagabundo/quer guardar o mundo em mim”. Não só a “lembrança de um vulto feliz de mulher”, não só a procura romântica do objeto amoroso único, tema constante das canções da bossa-nova, mas a apreensão da complexidade das coisas do mundo e as utopias possíveis, mais amplas que as utopias da esquerda tradicional.

O tropicalismo quer abraçar e guardar o mundo e o Brasil, por isso une o aparentemente inconciliável, bossa-nova e iêiêiê, cafonice e sofisticação, na ânsia de apreendê-lo. Como ele mesmo antecipou no texto para o LP pré-tropicalista de Gil: “que se coloquem em outro nível as relações de nossa música com a realidade. (…) prefiro descobrir e ressaltar que a verdade mais profunda da beleza do seu trabalho está no risco que corre de descobrir uma beleza maior: a capacidade de criar uma obra íntegra, assumindo o Brasil inteiro”.

O ponto de partida foi todo um raciocínio de Caetano em cima das lições de João Gilberto e da bossa-nova, o que fez dele um caso único de artista que pensou a música popular. Em Coração vagabundo, ele oferece uma alternativa existencial distinta da do lirismo bossa-novístico, algo que vai desenvolver também em canções posteriores. A Inútil paisagem, de Tom Jobim e Aloysio de Oliveira, tornar-se-á a Paisagem útil, em suas mãos. As Janelas abertas de Tom e Vinicius, “para que o sol possa vir/ iluminar nosso amor” tornar-se-ão “as portas que dão pra dentro” e “janelas pra que entrem/ todos os insetos” de Janelas abertas número 2, de Caetano. E Saudosismo, deste último, relê a Fotografia, de Tom, e cita Lobo bobo, de Lyra e Bôscoli, e A felicidade e Chega de saudade, ambas de Tom e Vinicius.

Se a pós-modernidade prevê a falência das utopias, Caetano é moderno, pois canta “não tendo utopia/ não pia a beleza também” em Love love love. O projeto estético, portanto, comporta uma ética, “um acorde perfeito maior/ com todo mundo podendo brilhar no cântico” de Muito romântico. E há a crença na nossa identidade como algo que pode interferir nos destinos do mundo, apesar e por conta de nossa diferença: “absurdo, o Brasil pode ser um absurdo/ até aí, tudo bem, nada mal/ pode ser um absurdo, mas ele não é surdo/ o Brasil tem ouvido musical/ que não é normal”, também de Love love love.

Todo esse vasto universo, no entanto, pode ser visto como desdobramento de Coração vagabundo, em sua simplicidade cristalina, com o que a canção ambiciona – “ser tudo o que quer”- e persegue – “guardar o mundo”. As palavras “tudo” e “mundo” abrem prováveis e improváveis portas e janelas, pela variedade, conjugada à unidade, do que significam.

A obra, a vida. Desde que apareceu no cenário da cultura, Caetano dá muitas entrevistas, discute, se expõe, movimenta-se. Até hoje é assim, e assim foi, como quando teve o blog Obra em progresso, antes de lançar o recente Zii e Zie: aos 66 anos, o artista respondia sempre a todos, e estava atento aos que dele discordavam. Da Bahia, onde há um bolsão de resistência, roqueiros iniciaram um diálogo. Nos dois últimos discos e shows, se fez acompanhar por uma banda de rock, com integrantes mais jovens, oriundos do underground carioca. O coração, portanto, continua vagabundo, e os desafios ainda maiores, num Brasil/mundo cada vez mais fragmentado e partido.

Paquito é músico e produtor.

TERRA MAGAZINE:(http://terramagazine.terra.com.br)

jul
29
Posted on 29-07-2009
Filed Under (Artigos, Eventuais) by vitor on 29-07-2009

Cartório: triunfo da burocracia
cartorio
CRÔNICA DA CIDADE
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MEU DIA NUM CARTÓRIO DA CAPITAL

Carlos Neto

Ontem, dia 28 de julho, fui obrigado a me dirigir ao Cartório de Tabelionato de Notas do 10º Ofício – Distrito da Vitória, para reconhecer a firma de um documento de transferência de um veículo que acabara de vender.

Cheguei às 8h30min, me reportei a uma atendente sobre a possibilidade de abrir uma firma. Ela assim me respondeu: “Nós só abrimos dez firmas por dia, corre e pega uma senha que só tem duas fichas” (sic). Corri no balcão e, ofegante, agarrei, com um misto de alegria e alívio, a minha senha de número 40. Naquele momento o painel registrava o atendimento de número 06.

Aproveitei meu longo tempo de espera para observar o dia-a-dia num cartório. Primeiro constatei que os amigos dos serventuários têm grande regalia. Um policial, muito cortês, realizava o atendimento dos idosos. Ops! Um policial realizava o atendimento? Isso mesmo. Enquanto a população está completamente insegura, contingente policial, em desvio de função, atua nos burocráticos ninhos cartoriais.

Já passava das nove e o painel, emperrado, registrava a senha de número 26, e dali não saia. Usuários entravam e saiam, sopravam, resmungavam e nada adiantava. Para não dizer que aspectos positivos não foram observados, o ar condicionado estava funcionando, e bem.

Quase dez da manhã e nada. Levantei e fui andar um pouco. Passei a ler os avisos estampados em diversos locais do salão. O primeiro em letra tamanho 20 informava o artigo do Código Penal que penaliza o desacato ao funcionário público, os outros eram todos taxativos e bem claros para não ter reclamação. Mas uma pergunta que não quer calar, e nós usuários que ficamos mais de duas horas numa fila sendo desrespeitados, recorremos a quem?

Enfim chegou minha vez. Eram exatamente 10h08min. Após reconhecer a firma, ainda fui obrigado a trocar o dinheiro, pois a atendente não tinha troco. Essa mesma atendente é muito eficaz, mas em termos de cordialidade e cortesia dispensada aos usuários aí, aí, aí.

Até quando ?

Carlos Neto é jornalista

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