O almoço mineiro oferecido no centenário de Tancredo Neves virou festa das melhores , recheada de sotaques – paulista, carioca, baiano, cearense, gaucho . A depender da roda ou da vizinhança, mais ou menos animadas, mais ou menos reveladoras neste tempo quente de definição – e indefinições – de nomes da chapa para a disputa da sucessão do presidente Lula, entre bicadas dos tucanos do PSDB e espantos de seus primos do DEM.
Terra Magazine, através de seu editor chefe, Bob Fernandes, apurou os ouvidos e conta bastidores do almoço oferecido pelo governador mineiro Aécio Neves a ilustres convidados para a inauguração da Cidade Administrativa Tancredo Neves, em Belo Horizonte. “No Palácio, entre um gole de champanhe e outro, segredos e intrigas, amigos e inimigos. No ar, os gestos e meias palavras, os meandros da chapa puro-sangue do PSDB que não nasceu. ATO II da sucessão presidencial, ATO I do bailado tucano”, como registra a chamada para a reportagem de Bob, que Bahia em Pauta reproduz.
(VHS)
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Cena mineira à espera do almoço/ Leo Drumond

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Bob Fernandes
Ciro Gomes, PSB, pré-candidato a presidente da República, passa rente a José Serra, PSDB, pré-candidato a presidente da República. Ambos não se cumprimentam, sequer se olham.
Aécio Neves, PSDB, governador de Minas Gerais, abraça José Alencar, PRB, vice presidente da República, e lhe sussurra algo.
Geraldo Alckmin, PSDB, ex-governador e pré-candidato a governador de São Paulo, conversa com Rodrigo Maia e ACM Neto, o presidente e o deputado do DEM, enquanto Sérgio Guerra, presidente do PSDB, cochicha com os senadores Tasso Jereissati, possível candidato a vice-presidente pelo PSDB, e Agripino Maia, líder DEM. Antonio Anastasia, vice-governador de Minas e candidato a suceder Aécio, aproxima-se do governador e do vice-presidente da República.
Os garçons servem champanhe a ministros dos tribunais superiores, o cantor Fagner gargalha, o senador Wellington Salgado escreve uma mensagem no Livro dos Convidados.
Os ternos, quase todos em azul marinho. As gravatas, quase todas vermelhas.
É o bailado da sucessão presidencial de 2010.
O segundo grande ato da sucessão, este executado na tarde da quinta-feira 4 de março no Palácio da Liberdade, construção de 1897 encravada no coração de Belo Horizonte.
O primeiro ato se deu, semanas antes, na Convenção do PT que ungiu Dilma Rousseff candidata à presidência República.
Nesta quinta-feira o PSDB pretendia iniciar o seu ATO I, com o anúncio da chapa puro-sangue José Serra-Aécio Neves. Não conseguiu fazê-lo, e no almoço oferecido por Aécio as coxias fervilham.
Ainda ecoa, repercute entre os convivas, o coro de milhares de pessoas na Cidade Administrativa Tancredo Neves, inaugurada instantes atrás:
- Aécio presidente! Aécio presidente!
Coro entoado na presença de José Serra, o pré-candidato tucano à sucessão de Lula.
Aécio Neves recebe seus convidados à porta do elevador interno do Palácio ou à beira da escadaria art nouveau fundida na Bélgica.
Os governadores de Minas e São Paulo, Aécio Neves e José Serra,
o governador de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira (PMDB),
e o senador Casildo Maldaner (DEM/SC) (foto: Wellington Pedro)
Mesas postas em três salões por onde se formam e desmancham rodas de conversas e cochichos.
Ciro Gomes, provocado, diz que ele e Serra acabaram de se cumprimentar:
- Nos cumprimentamos cordialmente como deve ser com dois rapazes educados…
(pausa)
-… uns mais educados do que outros.
Ciro e Serra não se falam, não se olham nos primeiros passos do dueto.
Serra, à soleira da porta que leva à sacada do Palácio da Liberdade, onde confabulam ACM Neto e Rodrigo Maia.
Ciro, a menos de dois metros do governador de São Paulo, conversa com o irmão, Cid, governador do Ceará. Cid recorda o pai José Euclides Ferreira Gomes e filosofa:
- Como meu pai dizia, às vezes os prognósticos são apenas a expressão dos nossos desejos…
Ciro expõe o seu prognóstico. Ou desejo, como diria o velho José Euclides:
- Serra está vivendo um drama humano, isso é profundamente humano: a dúvida, a angústia de saber se vai ou não vai, e ele…
Ciro acha, ao menos diz de público, que Serra não vai.
Fiel ao seu estilo, o pré-candidato do PSB aproxima-se de Rodrigo Maia e ACM Neto e brinca:
- Como é que vocês, dois jovens, ficam com “O Coiso” e não comigo?
Sorrisos amarelos dos jovens DEM. Cara de paisagem de uma involuntária testemunha da cena; Geraldo Alckmin gostaria de não estar ali, mas Ciro aponta para o ex-governador enquanto dirige-se à dupla DEM:
- Ele fica p… da vida quando eu faço isso.
Mãos cruzadas abaixo da cintura, Alckmin vê-se obrigado a abandonar a paisagem. Sorri, discretamente.
Aécio passa por Serra e chega à sacada. Cumprimenta Maia e ACM Neto, puxa Ciro para o lado e com ele confabula por minutos.
Os garçons enchem taças. Segue o bailado da sucessão 2010.
Cabe a José Alencar a primeira mensagem no Livro dedicado ao dia, data do Centenário de Tancredo, da inauguração da Cidade Administrativa que leva seu nome, e data da chapa que não nasceu, a puro-sangue do PSDB.
Sucessão à tucanos. Com dois candidatos e ainda sem nenhum.
Horas antes, sob o arco desenhado por Oscar Niemeyer para a Cidade Administrativa, o coro:
- Aécio presidente! Aécio presidente!
Não uma, mas duas vezes. No segundo ensaio do coro, já no palco, capacete na cabeça e ladeado por alguns dos 13.048 operários da obra monumental, Aécio sorriu e com as mãos fez o gesto de “manera, manera”. Foi atendido e o coro se esvaziou.
E Serra, o que teria pensado ao ouvir o estrondoso clamor de Minas à sua volta?
Ele não ouviu:
- … Gritos? Eu estava ocupado na hora, não prestei atenção, nem percebi…
Segue o bailado.
Serra exercita a arte da abstração. Por exatos seis minutos e 45 segundos escreve uma mensagem para Aécio Neves.
No Livro, a ele oferecido por Dona Jovi, funcionária do Cerimonial, o governador de São Paulo constrói a mensagem. Caneta na mão direita, pensativo, Serra escreve o que a história registrará:
- Ao governador Aécio, sua equipe e os mineiros e mineiras, meu abraço e meu contentamento pela “Cidade” Tancredo Neves e por todo o notável avanço de Minas Gerais na direção do desenvolvimento, da justiça social, do equilíbrio regional, na contribuição maior ao Brasil,
José Serra
Antes dele, Ciro Gomes ocupa a segunda página do Livro. Com o estilo de sempre. Direto. Em dois minutos e meio:
- Aos mineiros do tempo do grande governador Aécio Neves. O Brasil tem uma dívida com Minas e seu povo. A cada transe, sempre Minas é quem acode o Brasil. De Felipe dos Santos a Itamar Franco, passando por Juscelino – de todos o maior – e Tancredo. Privilégio meu sua amizade,
Ciro.
Aécio se desloca, circula entre os convidados, os grupinhos, faz as honras da casa. Instigado, comenta notícia de que Lula pretenderia se licenciar por dois meses para mergulhar na campanha:
- Ele tá confiante, hein?
Serra, ao lado, ouve e mantém o silêncio.
Num pequeno púlpito, Dona Jovi de guardiã, avança o ritual das mensagens no Livro.
Wellington Salgado, senador do PMDB de Minas, expoente da tropa de choque governista alcunhado de “Cabelo” pela oposição, descreve o que lhe vai n’alma:
- Governador, duro é ter tudo que se imagina de um grande político da minha geração e por questões políticas ter que admirá-lo comportadamente e sem tê-lo no meu partido,
Wellington Salgado.
Um tucano se aproxima do Livro. Passa os olhos pelas mensagens, detém-se na página com a confissão de Wellington e murmura a sua confissão:
- …está todo mundo doido pra trair…
Murmura, mas nada escreve no Livro.
Quem quer trair? E a quem?
Wellington Salgado, por exemplo, deixa escapar para um amigo:
- Na verdade, no PMDB ninguém está feliz, feliz mesmo, com a Dilma.
E no PSDB?
Segue o bailado.
João Almeida, da Bahia e líder do PSDB na Câmara, vê Serra passar. Analisa:
- Ele tá demorando muito…
Sérgio Guerra, presidente do PSDB expressa (prognóstico ou desejo?):
- E agora? O Serra é candidato. Não tem mais “e agora?”, ele é candidato…
Aécio e Serra se despedem, um diz algo no ouvido do outro. Aécio provoca:
- …e todos os dias os jornalistas perguntam se falamos, o que decidimos, o que falamos nas nossas conversas…
Serra sorri, Aécio sorri e emenda:
- …nossos destinos estão traçados… nossos destinos já estão traçados.
Serra e Aécio têm conversado, dias e dias de conversas telefônicas, encontro reservado na noite-madrugada de terça para quarta, em Brasília.
Aécio já comunicou, e repetiu, e repetiu, e repetiu:
- Eu não serei vice!
Conversaram também sobre mais, muito mais do que isso, sondaram até o inimaginável.
Aécio e Serra se despedem no Palácio que já abrigou, já assistiu à urdidura do poder feita por Juscelino, Tancredo, Milton Campos, Benedito Valadares…
Serra se vai. Aécio murmura, como se fosse pra si mesmo:
- …nossos destinos já estão traçados…
Fim do bailado tucano, ATO I.
Bira Castro: ataque a Ubaldo em defesa da ponte

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DEU EM TERRA MAGAZINE
Guilherme Lopes
Especial de Salvador (BA)
Alvo de críticas do romancista baiano João Ubaldo Ribeiro, o projeto da megaponte Salvador-Itaparica tem causado, nas últimas semanas, discussões acaloradas entre urbanistas, arquitetos, membros do governo baiano (entre eles o próprio governador, o petista Jaques Wagner) e intelectuais brasileiros.
Ontem, a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal da Bahia (FAU-UFBA) protagonizou mais um capítulo da contenda entre defensores e opositores da obra ao promover o debate “Ponte de Itaparica – Alternativa para qual desenvolvimento?”.
Na mesa estavam o Superintendente de Planejamento Estratégico da Secretaria do Planejamento da Bahia (Seplan), Paulo Henrique de Almeida, o historiador ligado ao Partido dos Trabalhadores e diretor da Fundação Pedro Calmon, Ubiratan Castro de Araújo, o professor da FAU-UFBA Paulo Ormindo de Azevedo e o arquiteto Carl von Hauenschild. Na platéia, público suficiente para ocupar todas as cadeiras e corredores e ainda deixar alguns estudantes do lado de fora, à espera de lugares vagos.
Paulo Henrique de Almeida abriu o debate. Amparado em slides projetados em um telão, com fotos de pontes grandiosas construídas na última década (a lisboeta Vasco da Gama em seus 17km), o governista afirmou que, com a opção por expandir o litoral norte baiano ocorrida na década passada, “a Cidade Baixa, o subúrbio ferroviário e as ilhas ficaram completamente abandonados”, o que criou problemas para a integração da região à economia baiana e, consequentemente, à geração de renda.
Segundo Almeida, a ponte, usada como alternativa de ligação entre Salvador e o interior do estado, facilitaria também a integração de Itaparica à região metropolitana da capital. Esse é justamente um dos pontos mais criticados pelos opositores do projeto, que defendem a preservação das belezas naturais e históricas da Ilha.
Almeida sustentou que o Ferryboat, sistema de transporte marítimo Salvador-Itaparica, não tem como dar conta do tráfego da capital para o sul do Estado, principalmente por sua “sazonalidade”. “O ferry, quando foi implantado, em 1972, não foi pensado para funcionar como vetor de transporte de massa. E o aumento da frota não é uma saída porque o sistema opera com sazonalidade. Durante a baixa estação, as emb arcações ficam ociosas”, apontou.
“Ponte matará polos econômicos”
Contrário à construção da ponte, o professor Paulo Ormindo apontou o que para ele é o maior problema do projeto: aumentar a centralidade da capital baiana. Ormindo acredita que a ponte bilionária vai concentrar as atividades econômicas da Bahia em Salvador, “matando os polos que começam a surgir no interior, como a pequena industrialização de Santo Antônio de Jesus” (cidade ao sul, a 100km da capital via ferryboat).
Segundo ele, outro aspecto negativo seria a centralização dos serviços públicos na capital. “Semelhante ao que ocorre hoje: a população da região metropolitana vem a Salvador para ter acesso à saúde e outros serviços. A capital irá bancar os serviços públicos para toda a região, que não têm serviços suficientes, sendo que Salvador também não tem como sustentar serviço para sua população atualmente”, afirmou.
Também contrário à ponte, o arquiteto Carl von Hauenschild questionou a necessidade de expansão da RMS no sentido sul. “Nós criaremos um funil ao obrigar todo o transporte sentido sul que sair da cidade a passar pela ponte, quando há espaço à vontade para Salva dor crescer nos municípios da Região Metropolitana”, afirmou. Segundo dados do IBGE de 2009, dos 3,86 milhões de habitantes da RMS, 3 milhões moram em Salvador (77% do total), que só tem 707 km² dos 4.375 de toda a região (16% do território).
Hauenschild criticou a “falta de plano de desenvolvimento para a Baía de Todos-os-Santos”. Ele acusou a idealização a ponte de ser uma obra pontual, “desconectada” de uma “idéia maior” de desenvolvimento da região. Como exemplo, o arquiteto citou o desenvolvimento da infraestrutura portuária no Estado. “Desde o final dos anos 80 chamamos a atenção de que a Bahia não tem um plano de desenvolvimento portuário. E agora vamos de novo deixar as ações para desenvolvedores privados, sem o governo pensar”, atacou.
Historiador governista mira João Ubaldo
O único a comentar a opinião de João Ubaldo Ribeiro durante o debate foi Ubiratan Castro, que tem sido considerado um intelectual “porta-voz” do governo de Jaques Wagner. Defensor da ponte por considerar que a obra poderá facilitar o acesso da população da ilha e do oeste do Recôncavo aos serviços da capital, o historiador não poupou críticas ao conterrâneo, mesmo sem citar seu nome. “(A partir dos anos 70) a região de Itaparica, que já teve uma pujante economia, ficou reduzida a local de veraneio, com nativos indigentes procurando um servicinho na casa do Barão que vai veranear, ou do escritor que vai se lembrar de sua infância. Eu acho que o escritor tem direito a lembrar de sua infância, mas não tem direito a mobilizar uma população na miséria e na pobreza para que lhe sirva de inspiração para fazer romances”, disparou.
Esse tem sido o tom de outros contra-ataques dos petistas. Rusgas à parte, o historiador considera que a Bahia tem condições de fazer uma ponte, preservando o patrimônio histórico e artístico existente na cidade colonial, pois “na Bahia tem Iphan e Ipac”. Os dois órgãos vem recebendo críticas de urbanistas e intelectuais por liberarem obras polêmicas em Salvador.
A ponte
Com um orçamento previsto inicialmente em R$ 2 bi, a ponte entre Salvador e Itaparica atravessaria a Baía de Todos-os-Santos e seria parte de um novo sistema viário a ser implantado na região oeste do Recôncavo.
Além do escritor João Ubaldo – nascido na Rua do Canal, número um, em Itaparica -, vários intelectuais brasileiros já se posicionaram contra a imposição da obra sem debates com os baianos – os signatários, Luis Fernando Verissimo, Chico Buarque, Cacá Diegues, Milton Hatoum, Ricardo Cravo Albin, Emanoel Araújo, Monique Gardenberg, Sonia Coutinho, Jomard Muniz de Britto, Hélio Pólvora, Edson Nery da Fonseca, Sebastião Nery, Walter Queiroz Júnior, Jerusa Pires Ferreira, Hélio Contreiras, Aninha Franco, Fernando da Rocha Peres e Ruy Espinheira Filho. Todos eles assinaram o manifesto “Itaparica: ainda não é adeus”, em resposta ao artigo “Adeus, Itaparica”, um libelo de João Ubaldo contra a destruição do paraíso ecológico.
No último mês de janeiro, o governo da Bahia abriu um Procedimento de Manifestação de Interesse para a construção da ponte e do novo sistema viário. Duas empreiteiras, a Odebrecht e a OAS já declararam interesse em realizar a obra, e devem entregar os estudos iniciais até o dia 14 de março. Caso seja efetivado o interesse do estado, a Seplan prevê novos estudos e abertura de licitação no ano que vem. A OAS manifestou ainda o desejo de construir condomínios fechados na parte central de Itaparica, em zona rodeada por mata atlântica.
Atualmente, a Ilha conta com uma população de 58 mil habitantes que, apesar de em sua maioria considerar o lugar tranquilo, se deparam nos últimos meses com um aumento dos casos de violência, especialmente os ligados ao tráfico de drogas oriundo de Salvador. Outro problema recorrente da ilha é o acesso por ferryboat ou “lanchas” (barcos de madeira que a cada meia hora partem do centro de Salvador), notadamente insuficientes para atender a demanda de veranistas durante a alta estação.
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SECRETÁRIO-GERAL DO PMDB CONTESTA
Caro Ivan de Carvalho
“Leitor assíduo da sua coluna na Tribuna da Bahia, gostaria de fazer algumas considerações a respeito do artigo publicado na edição desta quarta-feira. Aliás e, como sempre, bastante pertinente em relação à conjuntura política atual.
Na condição de secretário-geral do PMDB, não me sentiria no momento à vontade para discorrer a respeito da análise apresentada pelo prezado jornalista sobre candidaturas de outros partidos. Mas, exatamente pelo conceito que o iminente jornalista desfruta junto a opinião pública baiana, sinto-me no dever de expressar as minhas considerações no que diz respeito a análise relacionada ao nosso companheiro de partido, o ministro Geddel Vieira Lima.
Em primeiro lugar, apesar do próprio ministro, parlamentares e dirigentes do PMDB terem reiterado diversas vezes que não existe qualquer possibilidade de reaproximação com o PT baiano e, consequentemente com o Governo do Estado, há uma verdadeira indústria de boatos, alimentando a falsa expectativa de que isso venha a ocorrer. Muitas vezes (e acredito que tenha sido este o caso, em relação ao seu artigo), fontes “privilegiadas” de Ondina se encarregam pessoalmente de difundir tal informação. Trata-se de uma estratégia conhecida, por ser velha e remontar ao passado em que se acreditava que uma mentira repetida insistentemente acabaria por se tornar verdade.
A razão dessas especulações é o temor dos nossos adversários diante da decisão firme do partido de ter candidatura própria ao Governo da Bahia, assim como o crescimento visível da aceitação do nome do ministro Geddel junto ao eleitorado baiano. Mas, para por um fim a essa “rede de intrigas”, gostaria de evocar o testemunho do nobre jornalista em relação ao histórico comportamento do ministro Geddel.
O que quero dizer é que na trajetória do ministro não existem blefes. A sua história política é escrita preto no branco. É simples: com ele é ou não é. Ele sempre tem um lado. Foi assim, quando comandou o movimento no qual o PMDB baiano decidiu apoiar a candidatura de Luiz Eduardo Magalhães ao Governo do Estado e mais tarde, quando da sua morte, manter a aliança em apoio a César Borges. Da mesma forma, quando o partido decidiu apoiar o atual governador, mesmo quando Wagner estava atrás nas pesquisas e quando todas as evidências apontavam para vitória do seu concorrente. E o apoio foi decisivo para que o atual governador vencesse a eleição já no primeiro turno.
As posições políticas do PMDB e do ministro foram sempre firmes, sem possibilidades de retorno. Porque então, agora, seria diferente?
Como nos exemplos citados, o que move o PMDB e o ministro Geddel Vieira Lima é a defesa dos interesses da Bahia e a coerência com os princípios defendidos pelo partido. E tanto em um, como no outro caso, não existe possibilidade desses dois fatores serem atendidos, simplesmente porque os peemedebistas baianos não acreditam no Governo do PT e não concordam com o estilo do governador que hoje, depois de tantos anos de luta e do sacrifício de tantos, caminha para resgatar um passado já derrotado.
Agradeço à devida atenção do nobre jornalista.
Atenciosamente,
Almir Melo, secretário-geral do PMDB-BA
Depois de mais um terremoto seguido de Tsumani – ambos terríveis em intensidade e capacidade de destruição – que mais uma vez devasta o Chile, recebi mensagem por e-mail do jornalista e querido amigo Arthur Andrade, firme e competente timoneiro da NAVII, na Bahia.
É dessas que não dá simplesmente para ler e depois guarda-la em um baú posto em algum desvão e esperar que algum escafandrista um dia venha a localiza-lo ao vasculhar o mar à procura de antigas civilizações, como na magnifica canção “Futuros Amantes”, de Chico Buarque, que fala do Rio de Janeiro.
Decidi então compartillhar o e-mail com os leitores de Bahia em Pauta, certo de que Arthur, do alto de sua generosidade, perdoará a indiscrição do amigo. Mas o texto é poesia e jornalismo da melhor qualidade, áreas em que o comandate da NAVII (além da música) transita com a mesma maestria.Não podia ficar escondindo, correndo o risco de jamais ser encontrado por um escafandrista curioso.
Confira o texto de Arthur, acompanhadoi da linda “Se Vas para Chile”, como canção para começar o dia em Bahia em Pauta.Obrigado Arthuro!!!
(Postado por Vitor Hugo Soares)
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SI VAS PARA CHILE
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VITÃO:
Fui no Chile há dez anos empurrado por você. Lembro de sua emoção ao falar da música, do mercado popular, dos mariscos imensos, dos Lagos Andinos. Do povo tranqüilo, da qualidade de vida. Seu entusiasmo infantil me botou num avião. Lá fui.
Quando descia os lagos, aquelas imagens e aquele ar de outro mundo me emocionaram, lágrimas e tudo. Montanhas nevadas, água transparente. Não havia sinais de sujeira. Latas de cerveja, presentes para a Iemanjá dos Andes, restos de madeira, pesca com bomba, rede de arrasto…nada. Águas sagradas, limpias, ricas.
E Santiago. Aquele mundo de meninos e meninas com fardas escolares, meias, paletós, cachecóis. Que coisa!! Todo mundo aqui estuda! Ora!
Aí percorri estradas, carreteras, Chile a dentro. Imenso Chile de pedras, cobre, peixes, desertos e línguas de asfalto. E lá estavam as estradas fantásticas, sem buracos, quebra-molas, sem bêbados e acidentes.
Não adianta. O Chile me lembra Salvador Allende. Lembro de sua morte. Passado o tempo, descobri Isabel Allende. Li tudo dessa figura mágica, criança e mulher de espírito amplo, de cepa de montanha. Virei devorador do Chile por sua causa.
E eis que agora a natureza devora o Chile. Deve morrer de paixão – e não de amor, como eu. Quer tomá-lo só para si como uma amante possessiva. Sem meios termos, invade a casa e quebra os móveis, mata insetos e mamíferos, destrói as luminárias do quarto onde estamos nós, os amantes.
A terra desmorona. Quando vejo as imagens de agora, volto o filme. É assim…enfim. Mesmo destruído sob o choro de tantos, o Chile continua como uma superprodução da natureza. Que implacável e alheia, segue destruindo e construindo coisas belas.
Abração,
ARTHUR
Hansen Bahia e,,,

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…sua obra imortal

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ARTIGO/ARTE
PRESENTE PARA OS BAIANOS
Sandra Regina de Araujo Caldas
Este ano, comemora-se 95 anos de um grande artista Karl Heinz Hansen (1915-1978) ou como é mais conhecido Hansen Bahia. Alemão de Hamburgo, marinheiro, escultor, pintor e cineasta, que escolheu para se expressar a xilogravura.
Era um grande mestre, segundo Jorge Amado “o pai da gravura baiana”. Seu trabalho destaca-se pela forma primorosa de indicação da luz e os inúmeros efeitos criados através de delicadas texturas, fazendo surgir um novo tipo de xilogravura na arte contemporânea. Trata-se de um nome internacional nas artes brasileiras e para nosso orgulho, especialmente nas artes baianas. Transparece em sua obra a vida brasileira.
Hansen iniciou o seu trabalho como gravador por volta de 1946 na Alemanha e veio para o Brasil por volta de 1949 onde passou a trabalhar numa editora em São Paulo. Mesmo executando outro trabalho, o seu tempo livre era dedicado á gravura.
Mudou-se para a Bahia em 1955 e posteriormente escolheu para viver, a região do recôncavo, onde até hoje permanece a Fundação Hansen Bahia. Na casa onde viveu com a sua esposa Ilse Hansen, falecida cinco anos após a morte do artista, na Fazenda Santa Bárbara, em São Félix – BA pode ser visto o seu atelier e grande parte da sua obra.
Os baianos, hoje, têm o privilégio de rever o maravilhoso trabalho de Hansen Bahia no Instituto Goethe – ICBA em Salvador de 23-02 a 03-04 ou em breve na Casa dos Hansen, de Abril de 2010, quando será inaugurada a nova sede da Fundação em Cachoeira, até Março de 2011.
São 59 xilogravuras restauradas com o patrocínio do Consulado Geral da República Federal da Alemanha, no Recife. Dentre elas duas séries se destacam “Navio Negreiro” inspirada no poema de Castro Alves e a ”Via Crucis do Pelourinho” álbum homônimo com textos de Jorge Amado, além de “Amigas de Banho”, “Candomblé”, “Os cavalheiros do apocalipse” e algumas matrizes cuidadosamente recuperadas. A exposição, Hansen Bahia 95 anos, é um presente para os baianos, uma aula de arte.
Imperdível!
( Sônia Regina de Araujo Caldas, artista plástica, doutora em Letras na área de estudos culturais, professora do Curso de Comunicação Social da UCSAL e de Turismo da FAMETTIG.)
Emiliano José: revelação

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DEU NO TERRA MAGAZINE:(25/O2/AO1O)
Waldir Senador: a voz da Bahia
Emiliano José
De Salvador (BA)
A política é fascinante também pelo que ela tem de revelador da natureza humana, da diversidade do humano. Nada do que é humano me é estranho. É de Terêncio (Publius Terentius, dramaturgo do Império Romano antes de Cristo). Nada mais próprio se aplicado também à política. Quando soube de uma pichação que me dizia eleitor do senador César Borges, pensei nisso. Não atinei completamente sobre as intenções de quem se dedicou à pichação. E não fiquei a me perguntar de quem seria a iniciativa.
A pichação tinha um quê de irônico. De engraçado. Pela impropriedade da formulação. Confesso que cheguei a rir quando vi a pichação estampada no Política Livre, do meu amigo Raul Monteiro. Talvez, quem sabe, do ponto de vista político, quisessem provocar uma reflexão minha sobre a situação política do nosso Estado, sobre as próximas eleições e, de modo especial, sobre a chapa ao Senado.
Houve os que me aconselharam a não morder a isca.
Mas, homem público deve esconder suas posições?
Ou deve sempre revelar o que pensa, o que defende?
Lamento que haja os que se escondem atrás ou na frente dos muros, os que preferem o anonimato. Eu gosto sempre é do debate aberto, público, à luz do dia, sem tergiversações.
Nós derrotamos uma oligarquia cruel, autoritária, que não tinha qualquer respeito pela coisa pública, para dizer o mínimo. Uma oligarquia que nos legou índices sociais inaceitáveis, criminosos. Este primeiro mandato do governador Wagner está representando uma mudança radical na vida da Bahia, seja no plano dos valores políticos, do respeito profundo à democracia, seja no plano das condições de vida do nosso povo. O governador Wagner sabia, como é da política do PT, que deveríamos realizar um governo de coalizão, e assim temos feito.
O que impressiona em Wagner, mais do que obras, que são muitas, é a sua convicção de que mais vale a afirmação de novos valores – a consolidação dos valores democráticos. Ele diz isso com freqüência. Suas convicções republicanas e democráticas são sólidas. Num artigo que escrevi recentemente, eu lembrava que a nova hegemonia que está sendo construída no Estado leva, sobretudo, essa marca: a da afirmação da democracia no sentido mais substantivo.
É uma mudança cultural que está em andamento. Passo a passo, Wagner, ao lado do nosso partido, está construindo persistentemente essa nova hegemonia. Uma hegemonia que não se faz no grito, que descarta o autoritarismo, que apenas afirma a autoridade pelo que ela tem de mérito e de força junto ao povo. Diria, para pensar um pouco teoricamente, que Wagner vai num passo gramsciano, trincheira por trincheira, conquistando corações e mentes do nosso povo, e por isso tem se afirmado como a nova e grande liderança política do povo baiano.
Temos convicção, o PT tem, de que as nossas grandes tarefas políticas são eleger Dilma presidente, Wagner governador. E que para tanto devemos fortalecer uma ampla frente política de alianças, como temos feito. Temos o privilégio de termos o governador Wagner à frente dos destinos da Bahia. E não é preciso dizer o quanto Wagner tem de fidelidade ao PT, do qual é um dos fundadores e uma de suas principais lideranças.
O Senado, se olharmos para o quadro da grande política, não pode ser visto como uma Casa secundária. Nosso partido precisa tanto eleger uma grande bancada de deputados federais, de deputados estaduais, quanto tem obrigação de aumentar o número de senadores comprometidos com o intenso processo de mudanças em curso no Brasil. Temos visto o quanto de dificuldades o governo Lula tem tido naquela Casa.
O Senado precisa ser uma casa de sustentação do próximo governo Dilma e, no caso da Bahia, precisamos ter uma voz que defenda o segundo mandato do governador Wagner, os interesses do Brasil e os interesses da Bahia. Essa voz, tenho defendido com convicção, é a de Waldir Pires.
Falo de um político também raro, pelo seu extraordinário compromisso com a democracia, pela sua capacidade, pelo conhecimento que tem do mundo, do Brasil e da Bahia. Um político que subordina tudo aos projetos amplos do País. Que acompanha Lula desde 1989. E que ocupa cargos públicos desde o início dos anos 50, sem nunca ter se desviado, um minuto que seja, do caminho democrático.
Foi, junto com Darcy Ribeiro, o último homem a deixar Brasília quando do golpe de 1964. Passou anos no exílio. Foi e é até hoje um dedicado servidor da Bahia. Tem uma vida dedicada à nossa terra como secretário de Estado, professor universitário, deputado federal, governador. Ou como simples militante da democracia. E cuja vitalidade, dinamismo, capacidade de raciocínio e de análise sobre o País e o mundo, impressiona a quem quer seja que o ouça falar.
A política é parte de sua vida, e aqui, em Waldir, a política ganha a amplitude que merece, a dimensão que merece. Nele, a política assume a sua extraordinária missão civilizatória. No governo Lula, foi ministro do Controle e da Transparência, consolidando a Controladoria Geral da União, que se tornou um exemplo para o mundo no combate à corrupção. E foi também ministro da Defesa.
A Bahia, ao tê-lo como senador, terá uma voz ativa e altiva no Senado. Dilma o terá defendendo os interesses fundamentais do governo e do País. O governador Wagner e a Bahia o terão como uma voz poderosa, uma voz presente, atuante, capaz sempre de descortinar horizontes, de enfrentar os desafios postos pela história.
Não seria um orgulho extraordinário ter uma voz como a de Waldir no Senado?
Sem dúvida, seria.
Ainda mais quando se sabe quem em 1994 ele teve nitidamente um mandato roubado pelo carlismo, que conseguiu eleger um personagem absolutamente obscuro pelos artifícios da fraude, e uma fraude escandalosa.
Seria um resgate histórico, um grande resgate histórico.
Emiliano José é jornalista, ex-preso político e deputado federal (PT-BA). Site: www.emilianojose.com.br .
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DEU NA REVISTA MUITO
OPINIÃO / PRINCÍPIOS
A PONTE, OS ARTISTAS E OS POLÍTICOS
Aninha Franco
O governador Jaques Wagner se indispõe com artistas desde o início de seu governo, ou pessoalmente ou através do secretário de Cultura que promoveu tremor haitiano na produção artística local sob seu silêncio. Calado. Consentido. Agora é a vez da ponte Salvador-Itaparica. Meu irmão, que eu amo, proprietário na ilha, que sofre horrores para chegar e sair de lá, acha que a ponte resolverá o funcionamento caótico do ferryboat. João Ubaldo nasceu na Ilha e criou Viva o povo brasileiro, livro-ponte da obra de Jorge Amado para a Bahia atual, e por suas razões, contrárias à ponte, terá, sempre, o meu apoio independente do meu amor. A contrapartida do governador é João Leão, secretário pós-Geddel, que como argumento master diz que os intelectuais estão contra a ponte mas o povo está a favor. E pode falar em nome do povo quem perdeu as eleições? Tem credibilidade para falar pelo povo quem ofendeu políticos íntegros como Moema Gramacho na disputa pelo poder em Lauro de Freitas?
A diferença entre políticos e artistas, governador, é que nós nos admiramos e respeitamos como pares, sem partidos, sempre por um mundo mais belo e honesto. Um mundo melhor. E é por isso que Chico Buarque é contrário à ponte, e sendo artista pode falar pelo povo porque tem o seu respeito e amor. Estar do outro lado de Chico, até em disputa de cuspe a distância, não é bom sinal, governador.
Tem gente que garante que a ponte só vai unir a violência de Salvador à violência de Itaparica, e por isso prefere a Ilha sem ponte, com o sistema ferryboat funcionando, honesto, eficiente, coisas que ele não faz há décadas, minado pela corrupção, providência infinitamente menos onerosa para nós, financiadores da ponte. Conselho não se dá nem a quem pede, governador, mas no futuro, dentro da história que o senhor está tecendo, essa que vem sendo fotografada, filmada, escrita, a ponte que falta é a que liga o povo à educação, para que ele nunca mais precise de intermediários do seu querer. E pra fazer essa ponte, governador, é mais seguro ser parceiro de artistas.
(Aninha Franco é poeta, escritora e dramaturga. Texto publicado originalmente na Revista Muito, jornal A Tarde, 14/02/2010, p. 41)
DEU EM TERRA MAGAZINE
De sua janela aberta para a Baia de Todos os Santos o músico Paquito observa as múltiplas faces de Salvador, e escreve com a argúcia e competência de sempre sobre delícias e mazelas da cidade da Bahia, para a revista digital Terra Magazine ( http://terramagazine.terra.com.br ).
Nesta quinta-feira, ele que não morre de amores pelo carnaval soteropolitano, fala de belezas da festa que surpreendem mesmo que não gosta dela.Mas critica em TM o lado mais feio da folia: a miséria de “cordeiros” dos blocos no Carnaval.
O músico condena, principalmente, a posição do produtor Nelson Motta sobre a função de cordeiros no Carnaval de Salvador. “Se há grande concorrência para a função de cordeiro, a causa deve ser mesmo a miséria e exclusão social” . Um texto de leitura essencial para quem vai cair na folia baiana.Ou não.
Até mesmo para a ministra Dilma Rousseff (PT) e o governador José Serra (PSDB), que devem desembarcar na cidade -, concorrentes na disputa na sucessão de Lula – a partir de sábado, em campanha nos camarotes e blocos da cidade (fala-se até no Ilê).
Confira.
(Vitor Hugo Soares)
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Retrofolia:cada ano melhor, diz Paquito

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ARTIGO
CARNAVAL, DESENGANOS…
Paquito
De Salvador (BA
Não sou fã do carnaval de Salvador e disso não faço segredo. Já escrevi nesta coluna sobre a angústia que antecede a festa para os moradores do circuito – eu, incluído – que não curtem a folia, o estupor, e tem de simplesmente se mudar de suas casas durante o período. No entanto, reconheço a legitimidade do evento, mesmo sabendo o quanto houve de demagogia no decreto do então governador Antonio Carlos Magalhães que esticou, de três para cinco dias, a chamada maior festa de rua do mundo, que dura agora uma semana.
No entanto, frequentei eventos pré-carnavalescos, de leve, como o Ensaio do Cortejo Afro, sob o comando de Alberto Pita, que me convenceu a ir, e me fez ficar surpreso diante de coisas que parecem só acontecer na Bahia. Quem imaginaria que, numa segunda-feira, que é quando acontecem os ensaios, apareceria, em pleno palco, Clifton Davis, autor de Never can say goodbye, gravada por Michael Jackson, para uma palhinha junto a J. Velloso, cantando a própria canção acompanhado pelos tambores do cortejo? Nem sei se é um elogio, vindo de um anti-carnavalesco, mas o fato é que gostei de estar lá, muito bem recebido por Pita.
O segundo evento de que participei – e cada ano sai melhor – foi a Retrofolia dos Retrofoguetes, que também já comentei nesta coluna, e não fui apenas espectador, mas cantei clássicos da lambada. E lamentei muito não ter acordado a tempo pra ver Gerônimo domingo de manhã no TCA, gravando seu DVD. Cheguei atrasado, bamba de sono, e não pude entrar.
Toda essa conversa é, na verdade, um preâmbulo, para tratar de outra conversa, não de mesa de bar, mas de livraria de shopping, onde encontrei Osvaldo Braminha – com quem travo conversas divertidas e discordâncias cordiais – que me disse coisas que eu não sabia sobre o carnaval soteropolitano. Por exemplo, o número de pessoas que brinca não é de um nem dois milhões, mas cerca de 500 mil, segundo pesquisa da Secretaria de Cultura do Estado, o que não deixa de ser expressivo, de todo modo. O mais espantoso, no entanto, é que parece que o governo do Estado mais perde dinheiro do que ganha durante a semana de Momo.
Bem, alguém deve estar ganhando alguma coisa, senão não se poria tantos blocos e aquele um sem-número de trios elétricos engarrafando a cidade. Não é só pelos belos olhos da vetusta Soteropólis, nobre e opulenta cidade, madrasta dos naturais e dos estrangeiros madre, diria o poeta.
Alguém deve estar ganhando e não são os cordeiros, no cerne da discussão por conta de um Estatuto do Carnaval, baixado pela prefeitura, que pretende dar a estes que, literalmente, seguram os blocos, melhores condições de trabalho. Quero adiantar que não fui eleitor do atual prefeito, e acho que a cidade caiu numa esparrela danada ao reelegê-lo.
Não posso, no entanto, deixar de comentar a reação de Nelson Motta ao estatuto, entrevistado na revista Muito, que vem encartada no jornal A Tarde : “Primeiro, ninguém está ali obrigado. Sou a favor que tenham as mínimas garantias de trabalho, porque é um trabalho como qualquer outro.” Diante do primeiro argumento, caem por terra todos os movimentos sociais e tentativas históricas de trabalhadores que tentaram melhores condições de realizar o seu ofício com dignidade. Sensibilidade social é isso aí… Quanto a ser um trabalho como qualquer outro, aconselho, se já não basta o que se vê nas ruas bem claramente, que se assista ao documentário Cordeiros, de Ana Rosa Marques e Amaranta César, de 2008.
Se há – e olha que pode haver mesmo – grande concorrência para a função de cordeiro, a causa deve ser mesmo a miséria e exclusão social que faz da Bahia um dos estados mais pobres do Brasil. Nada de novo, diz um samba de Paulinho da Viola, discreto, baixinho, mas eloqüente.
Dilma: “políticos soltam psiu”

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DEU NO CORDEL
Cordelista agora é profissão legalizada, então…Bahia Pauta traz para seu seleto público leitor uma prova deliciosa da arte e da invenção de um dos melhores nomes da literatura de cordel aparecidos ultimamente no país:Miguezim de Princesa – poeta popular do DF, como ele próprio se identifica. Mas se o leitor prestar bem atenção verá um que de baianidade e muito da Paraíba nos versos deste poeta de rua, que aqui faz o perfil político antenado e cheio de graça da ministra Dilma Rousseff, a eleita do coração de Lula para a sua sucessão.
A sugestão veio por e-mail de uma amiga especial deste site-blog: a especialista em medicina natural, Glauvânia Jansen, a pernambucana mais baiana de Salvador (até na amizade com o poeta e escritor Jomard Muniz de Brito), que todo mês comanda a caminhada da lua cheia em Itapoã. BP agradece e a Miguezin também.
( Vitor Hugo Soares )
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CORDEL
A TRANSFORMAÇÃO DE DILMAMA
Miguezim de Princesa
I
Quando vi Dilma Roussef
Sair na televisão
Com o rosto renovado
Após uma operação,
Senti que o poder transforma:
Avestruz vira pavão.
II
De repente ela virou Namorada do Brasil:
Os políticos, quando a vêem,
Começam a soltar psiu,
Pensando em 2010 e nos bilhões que ela pariu.
III
A mulher, que era emburrada,
Anda agora sorridente,
Acenando para o povo,
Alegre, mostrando o dente,
E os baba-ovos gritando:
É Dilma pra presidente!
IV
Mas eu sei que o olho grande
É na montanha de bilhões
Que Lula botou no PAC
Pensando nas eleições
E mandou Dilma gastar,
Sobretudo nos grotões.
V
Senadores garanhões,
Sedutores de donzelas,
E deputados gulosos,
Caçadores de gazelas,
Enjoaram das modelos,
Só querem casar com ela.
VI
Eu também quero uma lasquinha
Uma filepa de poder
Quero olhar nos olhos dela
E, ternamente, dizer
Que mais bonita que ela
Mulher nenhuma há de ser..
VII
Eu já vi um deputado
Dizendo no Cariri
Que Dilma é linda e charmosa,
Igual não existe aqui,
E é capaz de ser mais bela
Que Angelina Jolie.
VIII
Dilma pisa devagar
Com seu jeito angelical,
Nunca deu grito em ninguém
Nem fez assédio moral
Ou correu atrás de gente
Com um pedaço de pau.
IX
Dilma superpoderosa:
8 bilhões pra gastar
Do jeito que ela quiser,
Da forma que ela mandar,
Sem contar com o milhão
Do cofre do Adhemar
X
Estou com ela e não abro:
Viro abridor de cancela,
Topo matar jararaca,
Apagar fogo na goela,
Para no ano vindouro
Fazer um PAC com ela
DEU NA FOLHA DE S. PAULO (DOMINGO, 6)
TENDÊNCIAS/DEBATES
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Barretão aponta patrulhas

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LUIZ CARLOS BARRETO
A VOLTA DAS PATRULHAS IDEOLÓGICAS
Em vez de falar da obra, os críticos escolheram contestar o direito que todo cineasta tem de fazer um filme sobre o assunto que bem entender.
ABERTURA DO Festival de Brasília, 17/11/09, primeira exibição pública de “Lula, o Filho do Brasil”. Enquanto o filme se desenrolava na tela, já estava em curso o massacre político promovido por um exército de escribas, comentaristas políticos, colunistas sociais improvisados, ex-militantes políticos de aluguel, cientistas políticos de plantão convocados a se manifestar apenas do ponto de vista especulativo sobre seu potencial político-eleitoral, afirmando que a eleição presidencial de 2010 seria decidida a partir da força emocional do filme.
Além da ingenuidade infantil dessa tese (ou de sua má-fé?), o que eles questionavam era o nosso direito de fazer um filme sobre o assunto que escolhemos. Pode-se fazer filmes sobre Bush, Berlusconi ou Mitterrand pelo mundo afora, como tem acontecido. Pode-se fazer filmes sobre Getúlio, Juscelino, Tancredo, Jânio ou o empresário Boilesen. Mas sobre Luiz Inácio da Silva, não.
Há os que viram (mais de 800 mil pessoas), os que não viram ainda e os que viram, mas não quiseram ver o filme como um filme com todos os seus méritos e valores cinematográficos, como testemunharam e assinaram embaixo Ziraldo (“Uma história bem contada e bem filmada. Impossível não se comover”), Zuenir Ventura (“O filme mexe com a emoção e vai inundar os cinemas de lágrimas”) e Cacá Diegues (“A história de vida que esse filme conta com muita emoção nos ajuda a compreender melhor o valor da democracia, do direito de todos à liberdade e oportunidade”).
Falar dos méritos e eventuais deficiências desse filme de Fábio Barreto era uma obrigação dos críticos, e é claro que todo mundo tem direito de externar sua opinião, de gostar ou não gostar do filme que viu.
Mas, de tudo que li, poucos tiveram a honestidade intelectual e profissional de criticar o filme como uma obra cinematográfica, escolhendo contestar o direito que qualquer cineasta tem de fazer um filme sobre o assunto que bem entender. A maioria dos que escreveram sobre “Lula, o Filho do Brasil” preferiu este último caminho elitista, censor e autoritário.
Esse processo revela o espírito “patrulheiro” que ainda resta no Brasil como sequela do período autoritário da ditadura militar, quando Cacá Diegues denunciou as patrulhas ideológicas. O espanto é que, em pleno regime democrático que o Brasil vive e respira, haja lugar para esses procedimentos e expedientes antidemocráticos.
A democracia não é o regime que deve silenciar aqueles com os quais não concordamos, eliminá-los ou evitar que eles se manifestem. Na democracia, quando não estamos de acordo com alguma ideia que nos incomoda, produzimos a nossa para que haja um confronto livre entre as duas e a população possa escolher a sua alternativa. Mas os nossos detratores preferiram contestar nosso direito de realizar o filme, manifestando seu desejo antidemocrático de que esse filme jamais fosse feito ou exibido.
Toda a engenharia financeira foi montada às claras e de forma transparente. Desde a partida, decidimos não utilizar nenhuma forma de renúncia fiscal nem buscar o aporte de empresas estatais. Mesmo assim, levantaram-se dúvidas e insinuações de que estávamos utilizando recursos incentivados, acusações que serviam e serviram para provocar antipatia ética pelo filme, pondo em segundo plano suas qualidades cinematográficas.
Agora estamos reformulando algumas estratégias do lançamento comercial, que está iniciando sua sexta semana e já acumula mais de 800 mil espectadores, e sabemos que ainda resta muito chão pela frente, seja no sistema convencional de exibição em salas, seja no sistema alternativo de exibição, que vai levar o filme a uma grande parte de 90% dos municípios do Brasil que não têm cinema.
É lá no Brasil profundo, a preços populares e condizentes com o poder aquisitivo dessas populações, que iremos atingir o público alvo do filme: os Silvas deste país, que precisam e querem conhecer o exemplo de força, persistência e superação de Dona Lindu e seus oito filhos, exemplo que vai correr o mundo em telas de cinema, TV aberta, cabo, DVD e internet.
Nesse sentido, já temos estreias marcadas na Argentina, no Chile, no Uruguai e no Paraguai ainda neste primeiro semestre de 2010, e na Colômbia, no Peru, na Venezuela, no Equador, na Bolívia e no México no segundo semestre de 2010.
Qualquer mudança nessa trajetória do nosso pau de arara cinematográfico, informaremos, na certeza de que não vamos influir nas eleições de nenhum outro país. Queremos apenas ter o direito de contar e ver acompanhada pelo público uma história que julgamos relevante para a consolidação da autoestima de nosso povo, para a consolidação de nossa democracia e para o progresso do cinema brasileiro como um todo.
LUIZ CARLOS BARRETO, 81, é produtor cinematográfico. Produziu, entre outros filmes, “Lula, o Filho do Brasil”, “Dona Flor e seus Dois Maridos” e “O que É Isso, Companheiro?”.
Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br
Casa na ilha: Ubaldo deixa Itaparica domingo

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DEU NO JORNAL A TARDE
PATRÍCIA FRANÇA
“Tenho reputação que vai ser difícil eles macularem”. Foi desta forma que o escritor João Ubaldo Ribeiro, que se opõe à construção da ponte Salvador-Itaparica, reagiu, ontem, às declarações do governador Jaques Wagner (PT), que definiu como “besteirol” a discussão de que projetos que envolvem dinheiro são sempre obra cara e a serviço de empreiteira.
Ubaldo, que não participou do debate promovido por A TARDE, no qual estaria seu irmão Manoel Ribeiro, diretor da Construtora OAS e favorável à obra – para evitar, segundo explicou, situação semelhante à vivida pelos irmãos bíblicos Caim e Abel e Isaú e Jacó –, disse que não está ligando para as críticas e reafirmou não acreditar que a ponte será construída.
“Vão transformar numa poderosa Jamaica, só que lá é com o salário mínimo jamaicano, que é maior que o nosso”, disse numa referência ao balneário do Caribe. “Tudo o que fiz foi escrever um artigo (publicado em A TARDE) dizendo a minha opinião. Não fiz abaixo-assinado, não ofendi ninguém. Falei foi do capital especulativo. Agora, se eles não gostaram e se alguém quer rebater minha opinião com xingamento, isso é com eles”.
Ubaldo, que amanhã encerra as férias de verão que costuma passar na ilha, a sua terra natal, acha que primeiro é preciso ver a relação custo/ benefício da obra para saber se vale a pena construir. Ele contesta o argumento de que a ponte será a solução para todos os problemas. “Por que Itaparica só terá segurança se tiver a ponte? E se tiver, quem vai investir no ferryboat?’, indaga incisivo o escritor.
DEU NO JORNAL A TARDE
“Bomba, Bomba”, diria o célebre colunista Ibrahim Sued se vivo estivesse:
A polêmica sobre o projeto de construção da ponte monumental de 12Km, ligando Salvador à Ilha de Itaparica, ganhou combustível novo com a matéria que o jornal A TARDE publica em sua edição desta sexta-feira, assinada pela repórter Patrícia França.
O governador Jaques Wagner, responsável pela idéia, sai em defesa da ponte duas semana depois de lançado o manifesto que propõe amplo debate sobre a construção da ponte – tema do artigo “Adeus, Itaparica”, de autoria do escritor João Ubaldo Ribeiro publicado no jornal baiano..
O manifesto conquistou assinaturas de perrsonalidades do porte de Chico Buarque de Holanda, Aninha franco, Verissimo, Emmanoel Araujo, Sebastião Nery, Cacá Diegues, Sonia Coutinho, entre dezenas de outros – baianos ou não.
O governador Wagner considera “besteirol” e “clichê” os argumentos do autor de “Viva o povo Brasileiro” contrários à construção da ponte de custo bilionário ( R$ 1,5 a 2 bi) e em defesa de amplo debate sobre o projeto em torno do qual quatro grandes empreiteiras já demonstram interesse, entre elas a OAS e a Odebrecht. .
Bahia em Pauta reproduz a matéria de A TARDE:
(Vitor Hugo Soares)
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Wagner: “posso encontrar outros ícones”

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Patrícia França, do A TARDE
Duas semanas depois de lançado o manifesto em defesa de amplo debate sobre a construção da ponte Salvador-Ilha de Itaparica – tema do artigo “Adeus, Itaparica”, de autoria do escritor João Ubaldo Ribeiro publicado em A TARDE –, o governador Jaques Wagner (PT) declarou, nesta quinta, que é defensor da ponte porque traz modernidade. Ele disse respeitar a opinião de Ubaldo, ilustre itaparicano em férias na ilha, mas define como “besteirol” e “clichê” o argumento de que as coisas que envolvem dinheiro são sempre obra cara e a serviço de empreiteira.
“João Ubaldo é um grande escritor, não sei se é um grande urbanista, mas tem o direito de emitir a opinião dele. Mas não acho que a opinião dele é referencial. É uma opinião de um cidadão, como é um cidadão qualquer trabalhador de Itaparica”, disse Wagner, para quem os argumentos do escritor “podem ter uma reverberação maior pelo o que ele representa do ponto de vista do mundo literário, de nossa cultura”.
Aninha e Chico – O manifesto para discutir a ponte Salvador-Itaparica, que terá 12 quilômetros de extensão e deverá custar entre R$ 1,5 bilhão a R$ 2 bilhões, já tem a adesão de intelectuais de todo o país, como a dramaturga baiana Aninha Franco e o compositor Chico Buarque de Holanda. João Ubaldo, em seu artigo, alerta para o risco da ponte comprometer o meio ambiente e aumentar a pobreza na ilha por conta da especulação imobiliária.
Wagner acha que o tema não deva ser discutido com paixão, porque não contribui com o debate, e disse não ter nenhum medo de dogma. “Eu gosto de me contrapor com argumentos e com debates”, frisou o governador. “A verdade é um processo de debate e construção de consenso. Então não me venha pra cá nenhum dono da verdade, dizer é assim ou é assado”.
Em tom desafiador, falou: “Eu (também) posso encontrar outros ícones da cultura baiana e brasileira que têm opinião contrária ao do meu querido escritor”.
Audiência – Entre os que discordariam do escritor, na opinião do governador, estaria o povo de Itaparica e que o manifesto deveria ser uma audiência pública na ilha ou em Salvador ou na Prefeitura de Vera Cruz. “Esses são os maiores interessados” , assinala o petista, lembrando que mesma polêmica foi criada quando foi construída a Ponte do Funil, que interliga a ilha ao continente pela contracosta.
Jaques Wagner explicou que só fez lançar uma ideia que ele espera se materializar. Disse que, mesmo que quisesse buscar uma solução mais barata, expandindo por exemplo o Sistema Ferryboat, ainda assim não seria solução para driblar os congestionamentos nos feriados e durante o verão. Segundo ele, há impossibilidade de atracação e desatracação.
“A lancha vai continuar, mas precisamos expandir nossa capital que está estourada demograficamente e a ponte seria um vetor Oeste de crescimento”, ponderou Wagner, que não vê alternativa de menor custo para fazer a travessia, conectando a rodovia BR-242 com o Porto de Salvador. As construtoras OAS e Odebrecht já realizaram estudos preliminares e têm interesse em participar de uma eventual licitação.
“Ao assumir o controle do Carnaval da Bahia em janeiro de 2009, representando o DEM no governo municipal, o presidente da Saltur, Claudio Tinoco, era uma luz de jovialidade na já surrada organização da folia baiana, cada vez mais “carioca e paulistana”, no sentido de festa para se ver e não para participar, como é o Carnaval de Olinda & Recife.
Tinoco assumiu dizendo que para o Reinado de Momo de 2009 ele não poderia inovar em nada. Acreditamos nele, então, pois, obviamente, a menos de um mês da festa, ele nada poderia fazer mesmo. Mas, logo depois do evento, ele deitou falação sobre seus projetos de resgatar (pelo menos, em parte…) a participação popular, tirando o povo do espreme-espreme de calçadas exíguas, dando-lhe mais espaço para se divertir e parando de ser o boi-de-presépio em que se transformou nos últimos 20 poucos anos, não por acaso, justamente o período em que o rolo compressor da axé music tomou o Carnaval da Bahia.
E o que restou das promessas do jovem administrador? Absolutamente nada. Os camarotes cresceram em quantidade de novos e em espaço dos antigos. O Carnaval dos Bairros, pelo que já se ouviu sobre as “atrações” em Paripe, Itapuã, Cajazeiras e outros locais, será, realmente, uma maravilha… “Uma maravilha para espantar as pessoas do bairro”, como respondeu, na lata, minha assessora para assuntos momescos, a BigLôra.
Agora, aguardem: Coloco aqui, neste 3 de fevereiro, apenas sete dias antes do Carnaval, minhas previsões para daqui a 20 dias: de novo, diante da elitização cada vez mais gritante da folia baiana, as autoridades municipais voltarão a anunciar dezenas e dezenas de providências para que nosso Reinado de Momo volte a ser popular e pare de tratar o povo como claque de show. Falarão em “novos circuitos”, em “valorização do Carnaval nos bairros”, de “redefinição do conceito de fila” e por aí vai. E, depois, param de falar e em 2011, tudo continuará como antes. Ou pior.
Isso é tão previsível como aqueles títulos de jornais em ocasiões clássicas, do tipo “Peixe fica mais caro na Semana Santa”, “Papa pede pela paz”, “Galeota está pronta para festa da Boa Viagem” etc.etc
DEU NO BLOG DE ANDRÉ SETARO
O Setaro`s Blog, um dos melhores sites especializados em cinema e cultura do país, editado pelo crítico e professor de cinema da FACOM-UFBA, publica artigo sobre a partida, na semana passada, de Timo Andrade, técnico de som de primeira linha de cinema na Bahia (presença em alguns dos melhores documentários da Jornada de Cinema ).
Bahia em Pauta reproduz o texto de André ( e contribuições do cineasta Tuna Espineira ( “Cascalho) ), como tributo a Timo e admiração por seu trabalho e pela figura especial que ele sempre foi até partir.Saudades!
(Vitor Gugo Soares e Tuna)
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Timo Andrade: saudades

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CRÔNICA DE ADEUS A TIMO
André Setaro
José Oswald Guerrini de Andrade, mais conhecido como Timo Andrade, foi levado pela Implacável semana retrasada aos 65 anos (faria 66 dia 1 de maio), deixando seus amigos e colegas consternados com o seu falecimento. Sobre ter sido um excelente técnico de som, Timo era uma pessoa gentil, de lhano trato e possuía um senso de humor bastante aguçado, que dava a impressão de estar a rir do absurdo da existência, da comédia humana. Além do profissional competente, Timo gostava muito de tomar umas e outras (e o dito aqui é um elogio). Sabia, como poucos, entornar, sem que, com isso, se transtornasse, mas, ao contrário, ficava sempre sóbrio na sua composição etílica, salvo, evidentemente, e ninguém é de ferro, em raras ocasiões. Quem, em sã consciência, pode suportar a dura realidade da vida sem tomar umas três doses de scotch? já dizia Humphrey Bogart. Ao contrário dos dias de hoje, egoísticos, individualistas, consumistas, era amigo de seus amigos. Conheci Timo lá pelos anos 70, e, vez por outra, encontrava-o, vermelho, com cara de felicidade, sorriso aberto, nos colons da vida.
Neto do famoso Oswald de Andrade, sobrinho de Rudá, que faleceu também, José Oswald Guerrini de Andrade largou São Paulo (onde tinha tudo para circular folgado nos meios artísticos e intelectuais) para adotar a Bahia como morada da felicidade. Em 1981, trabalhei como ator-canastrão em O cisne também morre, de Tuna Espinheira, no papel de um dono de funerária. O filme, retrato de um tempo boêmio que não mais existe, inspirado na figura etérea do grande poeta Carlos Anysio Melhor, é um dos poucos trabalhos de ficção do documentarista Tuna (o outro: o longa Cascalho, baseado no romance homônimo de Herberto Salles). Lembro-me bem que houve uma sequência numa funerária do Terreiro de Jesus que durou quase o dia inteiro a entrar madrugada adentro. Para esperar as tomadas, ficava com Timo e outros companheiros da equipe, a tomar cervejas num barzinho em frente. O cinema, para o ator (não sou ator, mas já participei de poucos filmes como tal) é esperar a próxima tomada.
Seu currículo é extenso. Foi som-guia, em 1975, de Tenda dos milagres, que Nelson Pereira dos Santos filmou na Bahia segundo o livro de Jorge Amado. Trabalhou muito com Agnaldo Siri Azevedo (O boca do inferno, Creio em ti São Jorge dos Ilhéus, Não houve tempo sequer para as lágrimas, Memórias de Deus e o Diabo em Monte Santo e Cocorobó, Suite Bahia, A volta do Boca do Inferno, As philarmônicas, entre muitos outros), Tuna Espinheira (Maculelê, Seca verde, A seca no lago de Sobradinho, o já citado O cisne também morre etc), Guido Araújo (A morte das velas do Recôncavo, Ilhas da esperança, O Raso da Catarina, uma reserva ecológica), Fernando Cony Campos (O box amador, Semana de arte e educação…), Ipojuca Pontes (Memórias de Canudos), Roberto Gaguinho (Casa de taipa, Os que dormem do lado de fora), Plácido Campos Junior (Curumim na terra do sol), João Baptista Reimão (Daniel, o capanga de Deus), Rino Marconi e Tasso Franco (O lixo), Chico Drummond (Regalia de balaio), Arnold Conceição (O rio da vida), Fernando Bélens (Fibra), Pola Ribeiro (A lenda do Pai Inácio), Gofredo da Silva Telles Neto (Brasilíndia), Rubens Rocha (O sertão dos tocós), Otávio Bezerra (A resistência da lua), Walter Pinto Lima e Carlos Vasconcelos Domingues (O império do Belo Monte), Chico Liberato (O boi Aruá, desenho animado baiano de longa metragem), Luis Celso Campinho (Riscada do mapa), Luis Wenderhausen (Ursula), Chico Botelho (Janette, como assistente de produção), Almir Freire (A palavra aretê), entre muitos e muitos outros. Trabalhou também em importantes agências de publicidade. E foi o organizador do livro Dia seguinte e os outros dias, de seu avô Oswald de Andrade (Editora Cótex)
Quem me comunicou o falecimento de Timo Andrade foi Tuna Espinheira, quando ainda estava em Tiradentes. Assim se manifestou sobre o amigo e colega:
“Timo subverteu a ordem natural do êxodo. Nascido e criado na Paulicéia Desvairada, neto de Oswald de Andrade, sobrinho de outro Andrade, Rudá, tinha, portanto, régua e compasso e jogo de cintura próprio, para transitar com facilidade nas rodas da arte/cultura paulistana. Deixou o campo florido, escolheu a aventura. Um belo dia, obedecendo os ditames da sua própria cabeça, arrumou o matulão, pegou um Ita no sul e veio dar com os costados na Bahia de Todos os Exús.
Era um amigueiro profissional, bom de copo, dono de humor de boa cepa.
Tornou-se, em pouco tempo, em um baiano autêntico, com a marca emblemática, desta sua cidadania ter sido por obra e graça, com o Amem e a benção dos Anjos, da opção/devoção.
Aqueles que o conheceram nas aventuras cinematográficas, produções franciscanas, nesta renitente província, bem sabem do companheirismo, da presteza, deste membro de equipe, pau pra toda obra, sempre disposto, “sin perder La ternura jamás”.
Timo terá sempre um lugar no imaginário/memória, dos verdadeiros amigos, ele que, muitas vezes, desassombrado, rompia a barreira da amizade para se tornar um cúmplice.
Saudades e um brinde ao personagem Timo Andrade”
Tuna Espinheira
Ler mais: http://setarosblog.blogspot.com/2010/02/timo-andrade-19442010-in-memoriam.html#ixzz0eO4hEm8S
DEU NO COMUNIQUE-SE
(Portal web sobre bastidores da imprensa)
Jornalistas acreditam que blogs podem pautar a imprensa
Izabela Vasconcelos, de São Paulo
Notícias exclusivas e assuntos diferenciados postados em blogs podem pautar a grande imprensa. É o que os jornalistas reunidos no painel “Jornalismo na rede”, na Campus Party, acreditam. Um exemplo é o PEbodycount, blog sobre segurança público, mantido pelo jornalista Eduardo Machado e sua equipe, que retrata os índices de violência em Pernambuco. A página já chegou a pautar veículos e programas como Le Monde, Los Angeles Times, Profissão Repórter e Fantástico.
O blog apresenta números de homicídios e detalhes dos crimes que são atualizados diariamente. “A força disso é que quando o governo dizia que tinha tido um dia tranquilo, ou que a violência estava diminuindo, nós tínhamos esses dados para confrontar”, explica Machado.
O jornalista, que também é repórter do Jornal do Commercio de Pernambuco, conta que já rebateu uma informação oficial, de que uma das mortes registradas no estado teria sido causada por um atropelamento, saindo assim dos índices de criminalidade. Na realidade, os dados do blog, obtidos por fontes confiáveis, afirmavam que a pessoa havia sido morta a tiros. Para confrontar a informação oficial, os blogueiros postaram o texto “Atropelado por três tiros”, que gerou grande repercussão.
Para manter o blog, Machado conta com mais três profissionais na equipe e apoio da Associação do Ministério Público de Pernambuco (AMPE), que oferece R$ 1,5 mil de orçamento mensal para a manutenção da página.
Caminhos alternativos
Sem encontrar espaço nos grandes veículos ou patrocínio, muitos jornalistas optam por criar páginas independentes, como é o caso de Paulo Fehlauer, do blog garapa.org, coletivo multimídia, e André Deak, que mantém, ao lado de outros profissionais, o Haiti.org.br. No caso do portal sobre o Haiti, que é atualizado com informações gerais sobre o país, os jornalistas pretendem levantar uma verba para viajarem até o Haiti para cobrir o país de perto. Outra ideia é uma exposição com o trabalho dos principais fotógrafos que atuaram no Haiti.
Em todas essas investidas, os jornalistas não sabiam se teriam algum retorno ou não. “Nós sempre fizemos as coisas sem saber qual seria o retorno financeiro disso”, diz Fehlauer.
Nos blogs e sites alternativos, os profissionais acreditam que conseguem fazer o tipo de jornalismo que pretendem e investir nas reportagens multimídias, um grande diferencial. Deak só não entende porque os veículos brasileiros se afastam desse tipo de trabalho. “Os jornais do Brasil não valorizam a reportagem multimídia. É uma cegueira dos chefes de redação”.
Apesar de concordarem que o bom jornalismo custa caro, os profissionais criticam a cobrança de conteúdo na web. “Cobrar pelo conteúdo na internet é a vanguarda do atraso”, contesta Deak
Nizan bate duro…

…Em Bell Marques

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CRÕNICA / EGOS BAIANOS
Deus e a Bahia vão perdoar Nizan?
*Marcelo Torres
Parece que baixou um santo muito doido no publicitário baiano Nizan Guanaes, que, do nada e sem quê nem pra quê, desceu a madeira no cantor Bell Marques, do Chiclete com Banana, e na própria cidade de Salvador, que ele tanto exaltou em verso, prosa e propaganda.
Ele escreveu no seu Twitter, onde é seguido por 15 mil pessoas (como se fosse um trio elétrico): “Salvador está como Bell, do Chiclete [com Banana]: careca e fingindo que tem trança. Bell, o crooner careca, é uma mentira. Fala pro Bell tirar a bandana. O cara é um careca enrustido”.
O autor de versos como “Ah!, que bom você chegou/ Bem-vindo a Salvador/ Coração do Brasil/ Ah!, você vai conhecer/ A cidade de luz e prazer/ Correndo atrás do trio”, agora solta o verbo ao contrário: “Salvador não tem praia pro turista, não tem hotel e a orla é um favelão”.
Essas frases devem ter deixado muitos baianos surpresos, para não dizer retados. Até o jornalista Maurício Stycer, que é carioca e não deve ser lá esses fãs de Bell nem de Salvador, até ele ficou surpreso, pelo menos foi o que mostrou na matéria que escreveu para o Portal UOL nesta terça.
Bom, como eu não sou turista, não me hospedo em hotel e esse negócio de orla, para mim, tanto faz como tanto fez, não posso dizer que Salvador seja um favelão. Mas que 80% dos moradores da capital vivem em realidade de favela, isso não é nenhuma mentira, como está provado e comprovado pelas pesquisas.
Quanto ao cantor Bell Marques, meia Bahia está careca de saber que aquela inseparável bandana está ali porque ele está com pouca (ou nenhuma) telha. Mas isso é um “problema dele e das negas dele”, ou seja, não precisava seu Nizan, que já foi unha e carne com a chicletada toda, “vim agora” esculhambar a pamonha.
Pois é, e depois que eu li essa notícia, de importância suprema para a salvação da humanidade, estou aqui sem dormir há um dia, pois não estou comendo nada dessa história, e três coisinhas ficam aqui martelando, pinicando.
A primeira é: que diabo levou Nizan, que não é mais nenhum menino, a dizer essas cobras e lagartos? Ora, ora, nesse mato e nesse meio, além de cobras e lagartos, tem muito coelho. Tem ou não tem?
A segunda é: se levarmos ao pé da letra a música cantada (ou seria gritada?) por Bell Marques, segundo a qual “se você é chicleteiro, Deus te abençoa; se você não é, Deus te perdoa”, se levarmos em conta essa máxima, será que Nizan vai ser perdoado?
A terceira e última é a mãe de todas as minhas dúvidas, e a resposta, se houver, será capaz de salvar a humanidade. É a seguinte: por que é que nós, baianos, só nos referimos à banda Chiclete com Banana como “o” Chiclete e não “a” Chiclete? Por que Bell do Chiclete e não da Chiclete? Essa nisgraça num é u’a banda? Ô miséra!
*Marcelo Torres, jornalista, baiano, mora em Brasília, email marcelocronista@gmail.com e blog http://marcelotorres.zip.net
Quem matou Neilton?

DEU NA TRIBUNA DA BAHIA
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Silvana Blesa
A família da vítima prefere o silêncio e desacredita na eficiência da Justiça baiana. Os acusados de assassinarem o servidor público Neylton Souto da Silveira, os vigilantes Josemar dos Santos, 31 anos, e Jair Barbosa da Conceição, 44, aguardam julgamento, presos no Presídio Salvador.
Já o Ministério Público entrou com recurso no Tribunal de Justiça da Bahia e reforça a tese de que o crime foi articulado pela a ex-subsecretária municipal de saúde Aglaé Amaral Sousa e pela ex-consultora técnica Tânia Maria Pimentel Pedroso, ambas em liberdade. A promotora Armênia Cristina Santos entrou com recurso no TJ, no dia 12 de julho do ano passado, contestando a decisão do juiz titular da 1ª Vara do Júri, Moacyr Pitta Lima Filho, e pedindo que os quatro acusados vão a júri popular pela morte do servidor. Enquanto isso, Aglaé, por exemplo, faz doutorado em São Paulo.
Três anos se passaram. Neylton Souto da Silveira, 48 anos, foi encontrado morto no dia 7 de janeiro de 2007, nas dependências da Secretaria Municipal de Saúde (SMS). A promotora salientou que, até o final do ano passado, o processo estava no TJ para ser julgado. E devido ao recesso de férias dos servidores que retornaram às atividades ontem, ela aguarda esperançosa que nos próximos seis meses obtenha resposta do Tribunal de Justiça. O MP entrou com recurso após a decisão do juiz Moacyr Pitta de que as provas apresentadas pela promotoria não seriam suficientes para que as duas acusadas fossem a júri popular.
Segundo a promotora criminal Armênia Cristina explicou, antes mesmo da confissão do vigilante Josemar dos Santos, acusado de executar Neylton, a própria família da vítima já tinha sido interrogada e afirmado que Neylton estava preocupado com as irregularidades que vinham acontecendo dentro da SMS, com desvios vultosos de verbas públicas, e tinha pedido para sair do emprego por conta das falcatruas, com os quais não concordava.
“Temos provas suficientes que comprovam que Agláe e Tânia tinham uma certa antipatia por Neylton, por ele ser correto no seu trabalho. Ele estava sendo pressionado pelas acusadas diante das irregularidades de desvios de dinheiro. Irei até o fim, mas não resta dúvidas do envolvimento delas no crime de mando”, afirmou a promotora, um dia antes de pedir recurso do TJ.
O Ministério Público aponta que os dois vigilantes, Josemar e Jair Barbosa da Conceição, teriam matado Neylton a mando das acusadas e recebido como recompensa R$ 25 mil. Mas o juiz não considerou eficientes as acusações do MP e nem acatou as outras investigações como desvios de verbas públicas. “Apenas o juiz não achou prudente o material apresentado. Agora espero que o TJ reveja os documentos que comprovam o que afirmo e peça que as duas vão a júri popular, assim como os dois vigilantes”, revelou Armênia.
LEIA INTEGRA NO JORNAL TRIBUNA DA BAHIA

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ARTIGO / PERFIL
RESERVA MORAL DA BAHIA
Consuelo Pondé de Sena
Com lucidez e descortino, o Acadêmico e homem de cultura, Joaci Góes, teve a feliz idéia de, no seu espaço de quinta feira, dia 17 de dezembro de 2009, lembrar o nome do Ex-Governador da Bahia, Dr. Waldir Pires, para, nas próximas eleições de 2010, disputar uma cadeira no Senado da República, como representante da Bahia naquela Casa Legislativa. Refere ainda que, na formação da chapa majoritária do PT, encabeçada pelo governador Jaques Wagner, pouco tem sido lembrado o nome do ilustre homem público.
Fez bem Joaci em assumir essa iniciativa e fazer a prudente sugestão. É a voz de um homem experiente e talentoso a defender a candidatura de um político decente, de moral irretocável, preparado para exercer a função para a qual está sendo lembrado. Com efeito, Waldir Pires tem perfil de parlamentar preparado para essa missão.
Trata-se de um cidadão culto, educado, discreto, enfim, uma pessoa de trânsito fácil na sociedade civil, onde tem admiradores e adversários, como todo homem que faz da política a sua vida e preza a honradez da sua figura pública.
Pessoa alguma, porém, mesmo que dele divirja, pode apontar-lhe conduta amoral, um procedimento indecente, ou um pronunciamento inconveniente. Não gosta de fazer “alarde” dos seus atos, muito menos de proceder levianamente. É comedido nas suas ações. Talvez seja excessivamente sonhador.
Muitos fazem restrições à sua função de administrador, apontando equívocos cometidos na gestão como Governador da Bahia. Mesmo assim, confere-lhe a virtude de exercer a Democracia a qualquer preço. Talvez tenha cometido o grave pecado de confiar, cegamente, nos seus auxiliares. Também de ter escolhido, para os cargos importantes do governo, pessoas há muito tempo afastadas da Bahia e dos assuntos baianos. Cercou-se de partidários e de membros dos partidos que o apoiaram. Alguns deles, incompetentes e “aduladores” nunca trabalharam a seu favor. Muito ao contrário, incompatibilizaram-no com grande parte do povo que o elegeu numa campanha sem precedentes em nossa história. Esses tais auxiliares, pessoas desarticuladas com a realidade baiana, angariaram-lhe desafetos e o afastaram de amigos tradicionais. Pena que, em nome da conveniência, não seja prudente declinar os nomes de determinados “fanfarrões”. Mas, que tenho vontade de fazê-lo, isso tenho. Até hoje tenho todos eles atravessados na garganta. Tive a honra de servir ao seu governo e de ter sido por ele convocada para exercer uma função no meu Estado. Foi aquela a única vez em que estive colaborando diretamente com o Governo baiano.
Em nome da verdade e da justiça, dentre os nomes até agora lembrados para o Senado, pelo PT baiano, inexiste um que se lhe compare na trajetória coerente, digna e respeitável.
Não se sabe, nem se saberá em tempo algum, que Waldir Pires participa de “esquemas” fraudulentos, de “operações indignas”, de expedientes vergonhosos.
É um homem de bem a toda prova, incapaz de transigir com a indignidade e a malandragem, digno representante da linhagem familiar de um varão diligente, honrado e competente como foi o Dr. Bernardino José de Souza. Tomei conhecimento dessa gênese graças ao excelente trabalho do Dr. Francisco Lins, membro da mesma estirpe.
Consuelo Pondé de Sena é Presidente do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia e membro da Academia de Letras da Bahia. consueloponde@terra.com.br
O jornalista e colaborador especial deste site-blog baiano. Patrick Brock, manda de Nova Iorque um conto de sua autoria publicado no extinto Caderno Dez!, do Jornal A Tarde, em meados de 2005. Fala de seu avô, que faleceu no último Natal aos 94 anos, após oito deles sem sair da cama.
Durão, sertanejo, sergipano de Lagarto, ultra-religioso e conservador, sêu Hélio veio da barriga da miséria nordestina e gostava de ler nas madrugadas. “Um dia achei “Céu e Inferno” de Aldous Huxley em sua biblioteca”, revela Patrick na mensagem mandada para o editor (e amigo admirador) junto com seu bem escrito e comovente conto de fim de ano, que Bahia em Pauta orgulhosamente compartilha com seus leitores.
BP agradece, Patrick!
(Vitor Hugo Soares, editor)
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CONTO DE FIM DE ANO
AERO WILLYS
Patrick Brock
Hélio Barbosa nasceu numa noite dolorida, pelas mãos de uma parteira caolha, no 12 de dezembro de 1916, na terra seca de Lagarto, onde os habitantes famintos acostumaram-se a caçar os répteis remanescentes. Cresceu forte e sadio, mas perdeu os pais para a tísica aos 18 anos. Ensaiava carreira militar; chegou a cabo e era organizado e prestativo. Mas o irmão mais velho, um padre de certa influência que deveria sustentar o peso da família pela tradição daquelas terras do Sergipe, negou a herança onerosa e influenciou a reprovação do irmão nos exames que o tornariam oficial. Resignado, Hélio cuidou da família. Fez bicos.
A próxima oportunidade foi no Banco do Brasil. Virou inspetor, famoso pela argúcia e exatidão. Corrigiu muitas agências bancárias de cidades esquecidas, como Adustina. Próspero, conheceu a filha de um fazendeiro decadente de cana de açúcar. Formaram numerosa família, instalaram-se na Rua Maruim, ao lado da catedral e da prefeitura. Ele obteve uma posição estável e um Aero-Willys verde. Decidiu estudar na Bahia, formou-se em direito já um senhor distinto e dedicou-se à parapsicologia. Pelo menos uma vez, conseguiu deixar o seu corpo físico, feito interrompido apenas pelo rodar alvoroçado de um ônibus na sua rua, que se tornara central à medida que a cidade crescera nos últimos vinte anos. Reza a lenda
que declarou ao americano que queria casar com sua filha, a segunda mais velha e também a única a realmente peitar sua disciplina ditatorial. “Quer mesmo casar com ela? Você sabe como ela é teimosa?” Anos depois, a própria filha ultrajada repetiu o desafio para noiva de seu filho, como a história que repete os próprios erros. Aposentado no início dos anos 1979, Hélio viajou de navio à Terra Santa e o Vaticano, chegou até a comprar uma pistola Bereta .25, e até, às vezes, a empunhava para mirar o muro. Aos 70, Num prenúncio de decadência mental, separou-se da consorte com quem viveu mais de 60 anos, acusando-a de uma improvável traição. Só, diluiu a saúde em quedas estúpicas e névoa mental crescente. Aos 80 anos, ao menos 40 deles sob uma dieta metódica, calórica, tornou-se totalmente senil e praticamente imóvel. Dormia a maior parte do tempo. Fui visitá-lo.
- Lembra quando fomos passear no Aero Willis e o carro parou em frente ao Parque Cementeira? Você esperou a chuva passar e depois trocou o fusível. Buzinava duas vezes antes passar nas esquinas – falei, brincando, quando sentei ao seu lado para vê-lo almoçar. Seus olhos lacrimejavam de catarata. Toquei sua mão. Percebi que tentava me reconhecer. No quarto, ao redor, a audiência íntima respirava em calma expectativa na atmosfera de odor higiênico e pacífico de um lugar escudado, seu destino final. O frigobar persistente lembrava-o de tempos antigos, sem eletrodomésticos. Só um homem que veio da pobreza extrema, como ele, poderia considerar um luxo ter um frigobar no quarto.
- Eu gosto de ler, vô, disse, finalmente. Só aí é que ele assentiu, com um leve movimento da cabeça grisalha e esfiapada pelos últimos tufos de cabelos.
- E está fazendo muito certo.
Depois, voltou-se para o zumbido do televisor. Dormiu.
Patrick Brock, jornalista baiano e tradutor, mora em Nova Iorque
Geddel: ”métodos carlistas na comunicação”

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DEU NO JORNAL FOLHA DE S. PAULO
MATHEUS MAGENTA
DA AGÊNCIA FOLHA, EM SALVADOR
Principal candidato a herdeiro político do carlismo na Bahia, o ministro peemedebista Geddel Vieira Lima (Integração Nacional) intensifica as viagens pelo Estado, a distribuição de recursos a aliados e as aparições públicas para tentar ocupar o vácuo eleitoral deixado pelo senador Antonio Carlos Magalhães, morto em 2007.
Pré-candidato ao governo baiano, Geddel segue estratégia parecida à de ACM durante a hegemonia do carlismo no Estado, com distribuição de recursos a aliados e influência em meios de comunicação.
Das verbas do Ministério da Integração Nacional destinadas à Bahia, 68% do total foi repassado por convênios a prefeituras do PMDB. De acordo com Geddel, que comanda o ministério desde março de 2007, os critérios são técnicos.
Sem dispor de um império midiático como ACM (com canais de TV, rádio e jornal impresso), Geddel criou um jornal partidário, virou comentarista semanal na rádio Metrópole -do ex-prefeito carlista Mário Kertész- e exerce forte influência sobre blogs importantes no interior baiano.
Para fortalecer a candidatura, Geddel intensificou a agenda de inaugurações de obras no interior do Estado. Em média, são visitados quatro municípios por final de semana.
Apesar de todo esforço, Geddel ficou em terceiro lugar na primeira pesquisa Datafolha após o racha, em agosto deste ano, entre PT e PMDB no Estado. Na pesquisa feita em dezembro, Geddel aparece com 11%, atrás do governador petista Jaques Wagner (39%) e do ex-governador carlista Paulo Souto (DEM), com 24%.
Poder político
Nas eleições municipais do ano passado, o PMDB baiano conquistou 115 das 417 prefeituras, um crescimento de quase cinco vezes em relação a 2004, quando o partido havia vencido em 20 municípios.
O partido cresceu principalmente com a adesão de políticos ligados ao carlismo.
Por outro lado, entre 2004 e 2008, o número de prefeitos do DEM, que era o partido de ACM, caiu de 153 para 43.
Cotado como vice na chapa de Wagner, o presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, Marcelo Nilo (PDT), minimizou a força eleitoral do ministro e disse que os prefeitos do PMDB não irão transferir votos para Geddel porque eles apoiam a reeleição de Wagner.
“Dos 115 prefeitos do PMDB, 78 já declararam apoio a Wagner para 2010. O voto histórico do carlismo sempre esteve ligado ao governador. As prefeituras não são de Geddel, mas da base do governo”, disse Nilo.
Após a saída do governo, o PMDB só conseguiu atrair os nanicos PTB, PRTB e PSC, entre os quais apenas o último elegeu deputados estaduais.
Para enfrentar o ex-aliado em 2010, o governador adotou a estratégia de ignorar o ministro como terceira força política no Estado e afirma que considera apenas Paulo Souto como adversário a ser batido.
No comando do Estado por 16 anos consecutivos, até a vitória petista em 2006, o DEM baiano tenta lucrar com a briga entre PT e PMDB, tida como irreversível por ambos.
Interessado na polarização com Jaques Wagner, Paulo Souto tenta atrair Geddel para uma aliança eleitoral num possível segundo turno.