Dilma revive com pre-sal estratégia de Lula

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DEU NO TERRA

Claudio Leal

Um dos eixos da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2006, a peleja das privatizações retorna numa versão 2.0 do marketing de Dilma Rousseff (PT) neste segundo turno.
A Petrobras permanece no centro da estratégia, mas com a roupagem do modelo de extração das reservas petrolíferas da camada Pré-sal. No debate com José Serra (PSDB), na Band, Dilma tentou alterar a agenda – até aqui, pautada pelos tucanos com o aborto e as questões religiosas – e reintroduziu a comparação entre os governos Lula e FHC. Assessorada pelo mesmo marqueteiro do presidente, João Santana Filho, a petista acusou Serra de querer privatizar o Pré-sal.

“Vocês financiavam grupos estrangeiros com dinheiro do BNDES. No limite da irresponsabilidade, financiavam grupos internacionais para comprar patrimônio público brasileiro”, atacou Dilma, num trecho do debate repetido em seu programa eleitoral na TV.

A ideia é intensificar o discurso sobre a insegurança da gestão tucana do Pré-sal. Para sustentar a estratégia, os petistas se amparam nas recentes declarações de David Zylberstajn, ex-genro de Fernando Henrique Cardoso e assessor de Serra no setor de energia, em reportagem do jornal Valor Econômico. “O tema foi pautado por eles”, esquiva-se o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, um dos coordenadores políticos de Dilma.

Ex-presidente da Agência Nacional de Petróleo, Zylberstajn aconselhou a Serra que defendesse o modelo de concessões, rejeitado pelo PT. “Não há nenhuma conta que diga que esse sistema é mais vantajoso financeiramente para o governo. Eu, particularmente, acho que qualquer que seja o governo, ter uma estatal comprando e vendendo petróleo é uma janela para a corrupção. É um modelo completamente estapafúrdio”, declarou.

“Não fomos nós. Quando se fala que o modelo de concessões é melhor, como defendeu Zylberstajn, assessor de Serra, isso vira uma coisa que o PSDB introduziu na campanha”, argumenta o presidente do PT, José Eduardo Dutra. “O marco regulatório do Pré-sal teve um embate muito claro, durante a votação da capitalização da Petrobras e do modelo de partilha. O PSDB quis manter o modelo de concessão, privatista, para reduzir o papel do Estado”, acrescenta o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha.

Há dúvidas em relação ao efeito desse discurso sobre o eleitorado. A tendência da campanha é reduzir a complexidade do tema “Pré-sal” a palavras e metáforas mais simples, capazes de ditar o rumo do debate. “A leitura mais simplificada: o Pré-sal é a riqueza que vem do fundo do mar, o passaporte para o futuro”, estabelece Rui Falcão, coordenador de comunicação.
Dilma conseguiu imprimir o tom anti-privatista no embate na Band, mas, quatro anos depois do duelo Lula x Geraldo Alckmin, os tucanos se prepararam para desconstruir a armadilha, embora evitem expor o ex-presidente FHC. “Sabe qual seria o Brasil do PT? O Brasil do orelhão. Ninguém teria celular”, rebateu Serra, defendendo na TV a estatização da Telebras.

Em 2006, o marketing de Lula explorou a nebulosa existente na cabeça do brasileiro sobre o plano tucano de privatizações. Agora, os petistas tentam projetar esse temor para o futuro. “Serra vai evitar esse tema. Ele tem posição contrária à divisão dos royalties (do petróleo) entre todos os Estados. Há diferenças de posições e vamos debater”, aposta o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo.
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out
05
Posted on 05-10-2010
Filed Under (Artigos, Claudio) by vitor on 05-10-2010

Dilma: pose no encontro levanta-moral em Brasília

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DEU NO TERRA (ELEIÇÕES 2010)

 

Claudio Leal

 

De Brasília (DF)

Os carros das emissoras de televisão engarrafam a entrada do hotel Royal Tulip, próximo ao Palácio da Alvorada, na secura brasiliense do primeiro dia do segundo turno. O porteiro impede o acesso da imprensa ao estacionamento, mas é contestado pelas emissoras excluídas:
– Vimos o carro da Globo entrar. Vocês vão ter que liberar pra todo mundo!
“Isso aqui é o céu e o inferno de todo jornalista”, define uma repórter, ao ver o desembarque de lideranças nacionais para fortalecer o reinício da campanha presidencial de Dilma Rousseff. O encontro levanta-moral repete a estratégia de Lula em 2006, quando disputou um segundo tempo com Geraldo Alckmin (PSDB).
Descem de carros pretos os governadores eleitos Cid Gomes, Eduardo Campos, Jaques Wagner, Marcelo Déda, Sérgio Cabral, Silval Barbosa, Tarso Genro, Tião Viana e Renato Casagrande.
Renan Calheiros (PMDB), em ritmo marcial, desvia-se: “Falo somente no fim”. Bem mais atencioso é o senador potiguar Garibaldi Alves, com os estáticos dentes de quem engoliu o piano e deixou o teclado do lado de fora (obrigado, Manuel Bandeira).
– Estive cuidando da minha eleição lá no Estado, não sei informar sobre os erros da campanha – Garibaldi justifica.
Os mais votados atraem os pássaros da mídia livre. Eduardo Campos (PSB), de Pernambuco, é sitiado por câmeras e microfones.
– Do alto dos seus 82%… – uma exclamação perdida no tumulto.
Bispo Marcelo Crivella! Pele repuxada na altura dos olhos, como se estivesse eternamente no meio de uma oração, o senador da Igreja Universal oferece um atestado a Dilma:
– Ela é cristã, pelo menos me disse que era cristã… Pode ter tido seus momentos (de ateísmo), pelo sofrimento que passou (em sessões de tortura)… – logo ressalva.
O governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), desembarca do alto dos seus 63,83%, ladeado pelos senadores eleitos Lídice da Matta e Walter Pinheiro. Jeitoso, o petista flerta o apoio da amiga Marina Silva, a protagonista ausente da reunião.
– Marina é maior do que o PV. Que me desculpe o PV, mas ela é uma liderança maior do que o seu partido.
Sorridente nessa segunda-feira pós-vitória, a primeira-dama baiana Fátima Mendonça comemora a derrota do candidato do PR ao Senado, César Borges, ex-aliado de Antonio Carlos Magalhães.
– Falei ontem na Bahia: a casa de César Borges caiu! (volta a observar o marido) Jaques, vamos!
Na coletiva, Dilma aparece com olheiras pesadas, compensadas por tentativas de bom-humor. Depois das acusações de ateísmo e dos boatos religiosos malévolos à sua candidatura, Deus esteja nas respostas.
Em nome do Pai.
– Hoje acordei de manhã e agradeci a Deus pelos meus 47 milhões de votos.
Do filho.
– Por isso eu agradeci a Deus pelos meus votos.
E do Espírito Santo.
– Considero que a eleição foi muito boa, por isso agradeci a Deus.
Câmeras desligadas, ela retorna ao salão da mesa circular, no qual se palpita sobre as estratégias a serem adotadas pelo staff.
– Está um saco. Cada um se levanta e fala como foi a eleição em seu Estado… Não é pra isso, ninguém aguenta. Virou uma assembleia! – desabafa uma das participantes.
Começa o estouro de aliados.
Requião, cabelo cinza reluzente e olhos afogados pelas pálpebras, identifica as fraquezas da campanha de Dilma, no primeiro turno, e sugere mudanças.
– Está claro que precisamos incorporar o programa ambiental de Marina.
– O senhor propôs isso lá dentro? – pergunta o repórter.
– Não. Eu fiquei quietinho.
– E o que mais se falou?
– O presidente Lula precisa parar de morder, porque ele ficou muito agressivo, sabe? Precisa voltar a ser o Lulinha Paz e Amor, ficar mais calmo. E ele me deu esse conselho lá no Paraná. “Requião, pare de ser agressivo e de atacar todo mundo!”. Pois veja, precisa seguir também esse conselho.
– O senhor expôs essa crítica na reunião?
– Eu não. Fiquei quietinho, bem quietinho…
Requião conduz o diálogo para o seu melhor tema: Requião. Debaixo de 24,84% de votos, o peemedebista dissidente revela o segredo da conquista de uma vaga no Senado, sem gastos perdulários.
– Sabe aquela filmadora Canon? Comprei uma. Aí eu fazia o meu texto, comprava uma fitinha e mandava pro programa eleitoral. Não tive gasto nenhum com marketing. Era só gravar e enviar pra ser exibido. E ninguém diria que alguém pudesse ganhar uma eleição dessa forma. Gastei R$ 25 mil com fitinhas.
Ex-candidato a candidato à presidência, o deputado federal Ciro Gomes (PSB) deixa a sala acompanhado do irmão, o governador cearense Cid Gomes. Numa camisa azul estilo Serra, Ciro dá uma canelada na imprensa:
– O governador é ele.
Defensor do licenciamento de Lula, para que se dedique à campanha de Dilma, Cid Gomes se chateia ao saber de um café-da-manhã com o presidente, no dia seguinte.
– Isso são horas de avisar? Poxa, eu não trouxe nem uma muda de roupa, nem um desodorante…!
A dez passos dali, Ciro retorna ao halterofilismo linguístico.
– Na mesa de bar onde eu estiver, Serra jamais será guardião da ética.
Ao lado, o governador Eduardo Campos elogia o debate público promovido por Marina e se atira da cumeeira dos seus 82%:
– Em Pernambuco, se ela (Dilma) tiver menos de 75% dos votos, eu não sei nem o que tô fazendo aqui!
Uma pausa para Eduardo Suplicy.
– Olha, eu ainda não gravei o depoimento pra Dilma…
Surpreso, o marqueteiro João Santana Filho se desculpa e encaminha Suplicy à equipe, que já desarmava os equipamentos de filmagem.
– Pessoal, Suplicy não gravou um depoimento. Por favor, gravem com ele…
Na despedida, João Santana usa a tática do celular – uma das armas charmosas de Marta Suplicy -, para descolar-se de repórteres e manter a discrição de sertanejo. Da porta do salão à entrada do hotel, concentra-se na conversa telefônica. Um grupo de jornalistas da Veja, Estadão e Folha de S. Paulo o cumprimenta e arrisca sorrisos amigueiros, para arrancar um naco de informação.
O publicitário breca.
– Oba, tudo bem?
E o celular, esse triste aparelho, vibra a tempo de conduzi-lo em sossego até o carro.
Num canto, Eunício Oliveira (PMDB), senador pelo Ceará, aguarda o motorista. Está a caminho da casa do presidente da Câmara, Michel Temer, e vai se incorporar a uma missão regional: acalmar Geddel Vieira Lima. O ex-ministro da Integração Nacional virou adversário de Dilma desde que a petista rompeu um pacto de lealdade e declarou apoio exclusivo a Jaques Wagner na Bahia.
– Vou dizer a Geddel: “Pô, esqueça isso tudo. Vote no Michel. Pense no Michel, que é o vice da Dilma. Ponha o Michel na frente!”
Dilma deixa o hotel. Aliviado com a gravação do depoimento, Suplicy se aproxima de três jornalistas e, a pedidos, começa a reproduzir as duas mensagens dirigidas à candidata.
– Atrapalho se eu me sentar? Na primeira, eu disse mais ou menos o seguinte…

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set
28

Simon e Marina:”Precisamos ter um segundo turno”/Claudio Leal/TM

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Deu na revista digital Terra Magazine

Caudio Leal
De Porto Alegre

O senador Pedro Simon ainda se refere ao seu partido, o PMDB, com a mesma sigla dos anos de resistência à ditadura: MDB (Movimento Democrático Brasileiro). Ao 80 anos, essa opção vernacular também realça sua dissidência com o núcleo de peemedebistas que aderiu ao governo Lula, depois de protagonizar a era Fernando Henrique Cardoso no Congresso. Apesar das sereias da candidata Dilma Rousseff (PT), que o cortejou em discursos e telefonemas, Simon decidiu, na última semana, distanciar-se mais uma vez da cúpula e apoiar Marina Silva (PV) para a presidência da República.

Nesta entrevista especial a Terra Magazine, concedida em seu apartamento, em Porto Alegre (RS), o senador esclarece o voto em Marina e renova a militância do segundo turno. O escândalo do tráfico de influência na Casa Civil, envolvendo a ex-ministra Erenice Guerra, substituta de Dilma, motivou-o a abandonar a reservada simpatia com a candidata petista, a qual sempre destaca a importância do líder gaúcho na sua formação política.

– O que me levou, me deixou muito angustiado, foi o que aconteceu na Casa Civil… Eu imaginava que no tempo do primeiro chefe da Casa Civil, José Dirceu, era uma coisa e essas coisas tinham desaparecido. Mas não tinham desaparecido. Tinham que ser mais esclarecidas. E a Dilma é uma figura fora do comum na história do Brasil.

Sem deixar de destacar a biografia de Dilma, Simon explicita as suas razões para votar em Marina:

– Vejo a Marina, primeiro, como uma pessoa muito espiritualizada, com sentimentos muito profundos, de fé. Se ganhar, ela alega que não fez compromisso com nenhum partido, vai governar com o Brasil. Vai escolher lá no PT, no PSDB… Ela até cita alguns nomes do governo Lula, que são de primeira grandeza.

Em 24 de setembro, o dia em que a modelo Gisele Bündchen declarou apoio a Marina, o senador manifestou sua decisão à candidata do PV, em Porto Alegre. Cercado por jornalistas, na sala de sua casa, reiterou o desejo de que as eleições, a presidencial e a do Rio Grande do Sul, sejam decididas no segundo turno.

– A campanha no Brasil, com esses partidos de um minuto, dez partidos, é uma confusão… É impossível o eleitor ter uma análise fixa da questão. Eu acho que o segundo turno é o que nós temos de mais positivo na eleição do Brasil – analisa.

Simon critica “a soberba” de Lula, onipresente na sucessão. O senador se surpreendeu com a pesquisa que apontou o presidente como mais confiável do que Deus.

– Ele vai querer discutir com o Homem lá de cima. Os caras ficaram com medo de combater o Lula. O problema do Lula, hoje, com toda a sinceridade, o grande problema, é o pecado capital: a soberba.

Apesar de reconhecer as conquistas econômicas do petista, ele critica o presidente por não ter sido firme na punição do ex-subchefe da Casa Civil, Waldomiro Diniz, homem da confiança do ex-ministro José Dirceu, acusado de extorsão em 2004. Para Simon, aquele foi um momento que definiria o perfil ético do governo.

Desde 1990 no Senado, o peemedebista confessa estar “muito abatido” com o declínio da vida parlamentar e do nível do Congresso. Vincula o desânimo à passagem do tempo e à mediocridade das relações do Executivo com o Legislativo.

– Vim de uma época em que o meu grupo, que almoçava e jantava, era o Dr. Ulysses, o Dr. Tancredo, Covas, Montoro, Teotônio, Richa… Era esse grupo. Hoje eu almoço em casa e janto em casa. É muito raro. Eu vou conversar com quem?

Confira a íntegra da entrevista com Pedro Simon.

Terra Magazine – O que lhe motivou a apoiar a candidatura de Marina Silva à presidência, apesar de seu partido, o PMDB, integrar a chapa de Dilma Rousseff?
Pedro Simon – Acho que é muito importante nós termos segundo turno. A campanha no Brasil, com esses partidos de um minuto, dez partidos, é uma confusão. Campanha pra presidente, pra governador, pra senador, pra deputado federal, pra deputado estadual… É uma confusão. É impossível o eleitor ter uma análise fixa da questão. Eu acho que o segundo turno é o que nós temos de mais positivo na eleição do Brasil. Imita um pouco, inclusive, os Estados Unidos. Lá a eleição se define em quatro debates entre os dois candidatos, um a um, frente a frente. Segundo turno é isso. Termina o primeiro turno, dez dias de descanso pra baixar a bola.

E vinte dias de campanha intensa?
Durante esses vinte dias, as empresas de televisão fazem dois ou três debates, um a um. Aí vai se saber quem é quem. O que me levou (a apoiar Marina), me deixou muito angustiado, foi o que aconteceu na Casa Civil.

O caso Erenice Guerra?
É. O caso Erenice me surpreendeu. Toda a análise que eu fazia… Foi um fato novo, que me abalou. O esforço para haver um segundo turno é muito importante para o Brasil.

O caso Erenice alterou a imagem que o senhor tinha de Dilma?
No contexto geral. Eu imaginava que no tempo do primeiro chefe da Casa Civil, José Dirceu, era uma coisa e essas coisas tinham desaparecido. Mas não tinham desaparecido. Tinham que ser mais esclarecidas. E a Dilma é uma figura fora do comum na história do Brasil. Não apenas a sua biografia, a sua história, mas o que ela representa, no meio dessa radicalização do PT e dessas manifestações meio exageradas do Lula, com relação à participação dos partidos em funções que até então eram reservadas para os técnicos, tipo a Petrobras… Hoje são loteadas para partidos políticos. E o Serra, no tempo de Fernando (Henrique Cardoso), foi mais ou menos igual. A Marina se propõe a fazer um governo nacional, chamando os grandes nomes da sociedade brasileira.

Leia integra da entrevista em Terra Magazine:

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Geddel Vieira Lima (PMDB) e Dilma Rousseff, em visita ao Rio São Francisco, em 2009. Candidato ao governo, peemedebista enfrenta infidelidade de prefeitos que apoiam Jaques Wagner (PT)

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DEU NO TERRA MAGAZINE (ELEIÇÕES 2010)

Claudio Leal

Briga rural na sucessão baiana. O prefeito de São Gonçalo dos Campos (BA), Antonio Dessa Cardozo (PMDB), conhecido como “Furão”, registrou queixa, na 1ª Coordenadoria de Polícia de Feira de Santana, contra um grupo que invadiu seu sítio e ameaçou sua família. À frente dos meganhas, afirma Furão, estava um homem que se identificou como Fernando Vieira Lima, tio do ex-ministro Geddel Vieira Lima.

O prefeito são-gonçalense se filiou ao PMDB em 2007, a pedido do governador eleito Jaques Wagner (PT), após a derrota do grupo de Antonio Carlos Magalhães no Estado. Na época, Wagner e Geddel eram aliados e trocavam declarações carinhosas. Nada semelhante à inimizade de ambos na campanha baiana de 2010. Furão decidiu apoiar o petista, atitude que fere uma resolução do PMDB, cujo candidato é Geddel.

Agora, um pedaço da história relatada ao delegado da Polícia Civil, Fábio Lordelo. Na hora do almoço, Furão se reunia com a família na varanda, à espera dos pratos. Ouviu um barulho no portão do quintal. A voz masculina chamava uma das empregadas e interpelava a babá: “Lembra que, no mês passado, eu estive aqui e entreguei uma caixa de propaganda de Geddel Vieira Lima?”.

“Na segunda vez, ele perguntou com um tom mais arrogante”, descreve o líder municipal. Um dos quatro homens estaria filmando a invasão com um celular. “Parem, estou em minha casa!”, gritou.

“Tentou me agredir com um murro e fez menção de puxar uma arma. Não vi se estava armado. Continuamos a discussão”. Placas de candidatos, fincadas no sítio, foram inspecionadas. Havia propaganda da deputada federal Tonha Magalhães (PR), da base de Geddel.

Furão começou a furar a barreira de ombros, para expulsar os cabos eleitorais peemedebistas. “Não precisa disso! Porque se Lúcio (presidente do PMDB) e Geddel souberem…”, insinuaram. O prefeito gritou: “Que Lúcio e Geddel vão tomar no meio do rabo!”. Segundo Furão, Fernando Vieira Lima revidou: “Geddel e Lúcio vão saber disso e vão foder com você, prefeito!”. Saíram numa camionete Mitsubishi branca, com a placa encoberta por um plástico preto.

Sem mais, a versão de Lúcio Vieira Lima – presidente do PMDB da Bahia, irmão de Geddel e sobrinho de Fernando. O prefeito de São Gonçalo dos Campos enviou sete faxes cobrando propagandas do candidato ao governo (sim, Furão apoia Wagner). Na manhã desta terça-feira, 31, enviou o oitavo fax e um e-mail.

“Tenho tudo documentado. Ele pediu o envio do material. O que fazer? Hoje, saiu um carro pra entregar propaganda em diversos municípios. Não teve nada”, relata Lúcio a Terra Magazine, depois de conversar com o tio. Segundo os estafetas, o prefeito clamou por mais santinhos de Geddel: “Traz mais uns 30 mil!”.

Geddel havia denunciado irregularidades de Furão antes da entrada do são-gonçalense ao PMDB. Optaram pelas pazes com a ajuda de Jaques Wagner. “Estou no meio de uma briga de gigantes e eu sou um pequeninho da política. Tenho que agir dentro da lei pra me proteger”, diz o alcaide.

Peemedebistas avaliam, nos bastidores, que o prefeito deseja se precaver contra um eventual processo de expulsão. “É expressamernte vedado o apoio, ainda que indireto, a candidato nas eleições de 2010 que não seja integrante dos seguintes partidos coligados: PMDB, PR, PSC, PTB, PPS, PMN, PRB, PRTB, PSDC, PTC, PTdoB e PTN”, diz a resolução partidária, alcunhada de “AI-15” pelos adversários petistas, em referência ao número da legenda.

“Estou indignado com isso. Lutamos pela fidelidade partidária”, desabafa Lúcio. “Ainda hoje ele enviou um e-mail, às 10h52, dirigido a mim e Geddel”. Breve pausa para a íntegra da mensagem:

“São Gonçalo dos Campos/BA, 31 de agosto de 2010.

A SUA SENHORIA O SENHOR
DR. LÚCIO VIEIRA LIMA
M.D. PRESIDENTE ESTADUAL DO PMDB
Assunto: CONVITE

“Senhor Presidente,

Ao cumprimentá-lo cordialmente, venho por meio do presente, convidar Vossa Senhoria e o Sr. GEDDEL VIEIRA LIMA, Candidato a Governo deste Partido, para a 8ª CAVALGADA DO GRUPO NOVA ESPERANÇA, neste Municipio de São Gonçalo dos Campos, a realizar-se no dia 12 de setembro de 2010, com a seguinte programação:

Missa na Igreja Matriz: 10hs
Saída da Cavalgada: 11hs
Show com Cantor FLÁVIO JOSÉ: 18hs
Sua presença é indispensável para abrilhantar esse tradicional evento.

ANTONIO DESSA CARDOZO

PRESIDENTE”.

É isso. Uma cavalgada.
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ago
06
Posted on 06-08-2010
Filed Under (Artigos, Claudio) by vitor on 06-08-2010

Cenário do Debate: bastidor mais quente
DEU NO TERRA MAGAZINE (ELEIÇÕES 2010)
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Claudio Leal, Marcela Rocha e Marsílea Gombata

Três, dois, um. Câmeras em Dilma.

A minutos do primeiro debate presidencial de 2010, na Rede Bandeirantes, em São Paulo, a candidata do PT aparece num tailleur branco com decote de babado. Sentem falta do terninho vermelho.

– Vim de branco pela paz…

Preparados para cenários mais quentes, o presidente do PT, José Eduardo Dutra, o publicitário João Santana Filho e ex-ministro Antonio Palocci acompanham a pacificadora. Mas, nos olhares petistas, a tensão se desvia dos temores políticos: Dilma, de branco? Na TV, não pode.

Um mandamento pétreo das aparições televisivas recomenda que não se deve usar branco diante das câmeras. Aconselhada pelo marqueteiro, ela encarou o tabu.

Passos atrás, o grito.

– Michel Temer!

Otávio Mesquita, o amigueiro apresentador da Band, aborda o presidente da Câmara e vice de Dilma, Michel Temer (PMDB).

– Eu faço luzes no meu cabelo. E tenho o mesmo cabelo seu. O senhor também faz luzes?

Constrangido, Temer informa uma temeridade:

– Uso uns xampus que me indicaram…

Pinceladas do corre-corre: Serra se esquiva dos jornalistas ao entrar na emissora; a primeira-dama da República, Marisa Lecticia, repete o drible serrista e passa emudecida; atrasado, o ex-governador de Minas Gerais Aécio Neves (PSDB) brinca com uma provocação do repórter Danilo Gentili, do CQC, sobre seu retorno à candidatura à presidência:

– Em 2014, vai ser a reeleição do Serra. Acho que vou ficar pra 2018…

(O CQC teve acesso limitado ao debate na própria emissora).

Hora de se posicionar diante dos aparelhos de TV. Secretário nacional de comunicação do PT, o deputado federal André Vargas admira Dilma no início do debate:

– O cabelo dela tá bonito! Difícil é dar um jeito no meu. Aí vem alguém reclamar: “ela levou uma maquiadora pra Nova Iorque”. Todo mundo usa maquiagem, pô. Até o Alvaro Dias! Falei isso e uma jornalista publicou. Desde então, quando eu vejo Alvaro, me desvio… – diz Vargas, brincando de tiro ao álvaro.

No final do primeiro bloco, o ex-governador e candidato ao Senado em São Paulo, Orestes Quércia (PMDB), elogia o desempenho do aliado Serra, mas se surpreende:

– O Plínio se saiu muito bem!

Plínio de Arruda Sampaio, do PSOL, no personagem de “franco-atirador”, conquista a simpatia dos jornalistas a cada ataque. O tucano Aloysio Nunes Ferreira sai para respirar e embarca na onda Plinio:

– Dilma e Serra começaram um pouco nervosos. Mas o Plinio… Tá bom, tá bom…

Ah, o senador Eduardo Suplicy… Mansamente, avança sobre a mesa de pães, sem desprezar os refrigerantes e os sucos, parte da boca-livre oferecida pela Band. “Deixa eu ir, porque quero ver a Marina”.

Os candidatos voltam à liça.

No meio do segundo bloco, uma baixa na claque do PT: José Eduardo Dutra sai às pressas do estúdio. Pulmão represado. Num impulso, tosse, tosse e tosse. Cada vez mais acre, Dutra sorri e, secamente, tosse.

– A Dilma estava falando e eu segurando, para não tossir. Cof, cof, cof! É uma coisa crônica! Cof! Eu não podia tossir na hora da Dilma. Quando ela acabou de falar, vim correndo aqui pra fora! Cof, cof!

Atrás dele, com ar de inspetor, Eduardo Suplicy procura outra vez a mesa dos pães. Pega um de salame e queijo. Deve ter apreciado: e mais outro.

– Estou gostando do debate, está equilibrado. Plínio se excedeu em alguns momentos… Dizer que a Marina parecia do PT, por exemplo… Não pegou bem – critica Suplicy.

Os presidentes do PCdoB e PSB, Renato Rabelo e Roberto Amaral, também apelam para os pães da Band. Amaral vocifera pedacinhos:

– Excelente! Excelente! – diz, a respeito de Dilma. – Até agora, ela foi favorecida pela fragilidade dos adversários.

Já o comunista Rabelo… apenas come.

Perdido na noite, o empresário e candidato ao governo pelo PSB, Paulo Skaf, procura um assessor esquecido no frio de 10 graus.

O tédio se impõe. Por dois momentos, Plínio quebra o bom-mocismo do debate.

– Agora vocês entendem por que o Serra é hipocondríaco. Ele só fala de saúde!

Os jornalistas gargalham com a tirada. Adiante, o político veterano enverdece Marina:

– Você não sabe pedir demissão! Você devia ter pedido demissão (do governo Lula). Quer conciliar em tudo…

Escarrapachado numa cadeira, um assessor da candidata do PV não move músculo. Outro acrescenta que imaginavam o debate como uma locomotiva andando, veloz, mas reconheceu: Marina precisará aquecer suas intervenções.

Fim de confronto, e a meia-noite de inverno faz os participantes tiritarem. Vice anti-Farc e galã do DEM, o deputado Indio da Costa acerta flechada adocicada numa jornalista:

– …Como vai? Veja que coincidência: pensei ainda hoje em você. Peguei o cartão que você me deu naquele dia. É um cartão verde, não é? Lembrei na hora…

Naquela exata zona de ser ou não ser o publicitário de Marina, Fernando Meirelles desmerece a atuação de Dilma. O diretor de “Cidade de Deus” registra erros de português da petista:

– Serra resolveu atacar o governo Lula. Que é a estratégia boa. Marina se saiu bem. Dilma ficou muito nervosa nos dois primeiros blocos. Errou até na concordância! Teve uma hora que ela errou a concordância. E não sabe nem olhar para a câmera… Perdida, coitada…

Meirelles surfa na onda Plínio.

– Ele sabe falar. É rápido, ágil…

Né por nada, não, mas o que ele faz na campanha de Marina?

– Não, não… Eu só vim aqui. Fiquei ali no cantinho, viu? – desvia-se, depois de fuxicar com o candidato ao governo Fabio Feldmann (PV) e o ex-ministro José Gregori (PSDB).

Na boca do estúdio, os jornalistas aguardam os candidatos, expõem um medo:

– Ai, tomara que não seja Suplicy o primeiro a aparecer… Não… Ele vai falar horas sobre o renda mínima…

Na saída, Serra aborda a família de Plínio para devolver a pecha de “hipocondríaco”.

– Eu não sou hipocondríaco. Plínio é que é!

Outra idiossincrasia logo em frente. Serra confessa para uma jornalista que queria converter cada pintinha de seu rosto num voto. “Eu ganharia a eleição”, calculou o ex-governador. Touché. Cada pintinha da moça ficou vermelha.

Coordenador de comunicação da campanha de Dilma, Rui Falcão não se espantou com a ausência da polêmica sobre os vínculos do PT com as Farc, atiçada pelo PSDB no último mês. Depois do confronto na TV, ele classifica as notícias que cogitavam o uso dessa arma por Serra:

– Aquilo era contra-informação…

Eduardo Suplicy não volta à mesa dos pães. Bem mais surpreendente: sem falar da renda básica de cidadania, entra num potente Chevrolet. Se você quer saber, no mesmo carro da ex-mulher, Marta.

Último do comboio serrista a deixar a emissora, Indio da Costa confere o celular:

– Tem uma ligação perdida do Serra… O que será?

Bate o fio e retorna:

– Vou encontrar com ele!

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jun
12
Posted on 12-06-2010
Filed Under (Artigos, Claudio) by vitor on 12-06-2010
DEU NO TERRA ( POLÍTICA 2010 )

Claudio Leal

Direto de Brasília

Na celebração da aliança com o PMDB, que escolheu Michel Temer para a vice na chapa governista, a pré-candidata do PT à presidência, Dilma Rousseff, usou a memória do emedebista Ulysses Guimarães para desarmar os ataques do PSDB e defender a democracia no Brasil. A petista citou um lema de Ulysses na campanha da anticandidatura de 1973, “Navegar é preciso”, e atacou: “Foi a democracia que nos trouxe aqui… Nós vamos defendê-la com todo o coração dos nossos inimigos… Vamos defender a democracia também dos seus inimigos, os seus maiores inimigos: a mentira, a manipulação, a falsidade! Vamos defender a democracia com a verdade que ilumina”.

“Ulysses se lançou anticandidato contra a ditadura, valendo-se da sua coragem… ‘Navegar é preciso’, esse verso de Ulysses mostrava que, sobretudo, mesmo quando a esperança é pequena, a coragem das pessoas tem que levá-la a lutar”, completou a pré-candidata, que se vinculou ao MDB no combate à repressão política. (Originalmente, a frase “Navegar é preciso, viver não é preciso” é do líder romano Pompeu).

Dilma invocou Tancredo Neves e afagou o senador Pedro Simon, outra liderança da redemocratização do País. A referência a Simon foi maior do que a dedicada ao ex-presidente José Sarney, prócer da Arena na ditadura militar, merecedor de um rápido elogio. Simon apoiou, no PMDB, a pré-candidatura de Roberto Requião.

Do púlpito da convenção do PMDB, a petista elogiou a escolha de Michel Temer para a sua vice, definindo-o “como portador da vocação democrática do PMDB”. “(Michel) sintetiza a força democrática do partido que ele ajudou a construir. Ele sabe ouvir. E saber ouvir é muito importante. Como diz o presidente Lula, muitas vezes ouvir é melhor do que falar”.

Outro eixo do discurso não é novidade: a defesa do governo Lula, principalmente na condução da economia brasileira durante a crise financeira mundial. “Nós pagamos a dívida externa, algo que jamais acreditavam que nós faríamos, com a distribuição de renda que criou condições para dar ascensão social”. Segundo ela, “o PMDB e o PT se unem mais uma vez para fazer história. Isso significa avançar de maneira mais sólida com nossa aliança pelo Brasil”.

No encerramento do discurso, uma paráfrase de Ulysses Guimarães: “Para nós, navegar é sempre preciso”. E veio o hino nacional.

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Terra -Eleições 2010

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Dirceu e Protógenes na festa de Orlando Silva

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“Ó o delegado que quis me prender”, anunciou o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, ao avistar o delegado da Polícia Federal , Protógenes Queiroz, entre os convidados da festa de aniversário do ministro dos Esportes, Orlando Silva, que reuniu políticos, empresários e amigos para comemorar seu aniversário de 39 anos, no restaurante Praça São Lourenço, em São Paulo, na noite desta segunda-feira (31).
Com um grupo de jazz, a festa atraiu dirigentes esportivos e personagens fundamentais na engrenagem da Copa 2014. Em 9 de junho, o ministro viajará para a África do Sul, onde vai iniciar conversas preparatórias para o mundial no Brasil.O encontro em que Dirceu e Protógenes (PC do B ), agora candidato a deputado federal por São Paulo, selaram as pazes depois de um período de hostilidade. Presente, o reporter Claudio Leal conta tudo em Terra Magazine e Bahia em Pauta reproduz.

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Claudio Leal

O ministro dos Esportes, Orlando Silva Jr., reuniu políticos, empresários e amigos para comemorar seu aniversário de 39 anos, no restaurante Praça São Lourenço, em São Paulo, na noite desta segunda-feira (31). Com um grupo de jazz, a festa atraiu dirigentes esportivos e personagens fundamentais na engrenagem da Copa 2014. Em 9 de junho, o ministro viajará para a África do Sul, onde vai iniciar conversas preparatórias para o mundial no Brasil.
Entre os convidados, o presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), Ricardo Teixeira; o pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Aloizio Mercadante; o ex-ministro José Dirceu; o pré-candidato do PCdoB ao Senado, Netinho de Paula; o delegado federal Protógenes Queiroz; o presidente da Federação Paulista de Futebol, Marco Polo Del Nero; a ex-jogadora de basquete Hortência; o tricampeão mundial Rivelino; os presidentes do São Paulo, Juvenal Juvêncio, e do Santos, Luis Álvaro de Oliveira; e o filho do presidente da República, Lulinha.
Às 23h, Orlando Silva agradeceu a celebração, organizada por sua mulher, a atriz Ana Cristina Petta, e lembrou que não será candidato em 2010, acenando apoio para o ex-presidente da UNE Gustavo Petta.
– Quem esqueceu de trazer o presente, não se contranja. Em outubro, vote em Dilma para presidente do Brasil… – brincou.
O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu chegou mais tarde ao evento. Antes de sentar-se na mesa do presidente do PT de São Paulo, Edinho Silva, o petista se encontrou com o delegado Protógenes, pré-candidato do PCdoB a deputado federal. Dirceu, que teve o mandato cassado em 2005, foi citado em trechos e diálogos do inquérito da Operação Satiagraha.
– Ó o delegado que quis me prender! – anunciou, alto, Zé Dirceu.
E abraçou-o.
“Você tá em campanha?”, quis saber o ex-ministro. Ambos confidenciaram a maldade das fofocas que envenenaram a relação dos dois no rastro da operação que prendeu o banqueiro do Opportunity, Daniel Dantas, em julho de 2008. “Está tudo acabado”, entreouviu-se, ao selarem as pazes. Protógenes afirmou a Dirceu que as intrigas nasceram dos “adversários do presidente Lula”.
Até as 2h, a festa ainda não havia acabado, como prometeu Orlando Silva. Ao lado da banda de jazz, que a essa altura improvisava com um cantor de hip-hop, ele dançava e recebia os abraços dos retardatários.

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Protógenes (PC doB) abre o peito em Sampa

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DEU NO TERRA MAGAZINE

Claudio Leal

Pré-candidato do PCdoB a deputado federal, o delegado Protógenes Queiroz festejou seu aniversário de 51 anos no Bar Brahma, em São Paulo, na noite desta quinta-feira (20). Respondeu pelo fundo musical o grupo “Originais do Samba”, uma das atrações do bar na esquina da avenida Ipiranga com a São João.

Entre os convidados, o maestro João Carlos Martins, o pré-candidato do PCdoB ao Senado, Netinho de Paula, o empresário J. Hawilla (Traffic), o político Adhemar de Barros Filho e o vereador Jamil Murad. “Nunca pensei em vir pra um festa do PCdoB em um ambiente popular”, disse Adhemar, filho do ex-governador paulista, ao delegado responsável pela Operação Satiagraha, que prendeu o banqueiro Daniel Dantas em 2008.

À meia-noite, quando o grupo de samba começou a tocar “Se gritar pega ladrão”, clássico do repertório de Bezerra da Silva, Protógenes subiu ao palco do Brahma, pegou um tamborim e dividiu o microfone: “Se gritar pega ladrão, não fica um, meu irmão/ Se gritar pega ladrão, não fica um…”.

Protógenes também esteve à frente das operações da Polícia Federal que prenderam Paulo Maluf e Law Kin Chong, além de ter investigado lavagem de dinheiro na parceria MSI/Corinthians
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maio
19


DEU NO TERRA-ELEIÇÕES 2010 (ESTADUAIS)

Claudio Leal

O governador da Bahia, Jaques Wagner, garantiu “neutralidade” ao ex-ministro da Defesa Waldir Pires na escolha do candidato do PT ao Senado. A conversa ocorreu às 20h desta terça-feira (18), no Palácio de Ondina, em Salvador. Wagner manifestou, outra vez, simpatia pela pré-candidatura do deputado federal Walter Pinheiro (PT), que ingressou na disputa depois do fracasso da aliança entre os petistas e o PR.

Há uma manobra, nos bastidores, para evitar as prévias. A cúpula partidária prefere compor a chapa a convenção estadual, em junho – essa estratégia favoreceria Pinheiro, o preferido da bancada do PT na Assembleia. No diálogo noturno, Waldir declarou sua expectativa de que o governador se mantivesse neutro nas decisões internas do PT. E destacou que sempre esteve a seu lado em campanhas eleitorais recentes. Wagner se comprometeu, em respeito à história de Waldir, a não usar o cargo de governador para favorecer Pinheiro.

A postulação do ex-ministro da Defesa conta com o respaldo de diretórios municipais, de militantes e de setores da sociedade civil. Mas Pinheiro tem mais força com a cúpula e o governo do Estado – o que, no jogo jogado, pode prevalecer. Ao arrancar a palavra de Wagner, o ex-governador Waldir Pires deseja reforçar sua pré-candidatura, antes da convenção.

Com receio de perder espaço para Pinheiro daqui a dois anos, numa disputa pela Prefeitura de Salvador, o ex-secretário estadual Nelson Pelegrino também se lançou ao Senado, mas não decolou. Agora, Pelegrino tenta obter um acordo para que Pinheiro não postule a candidatura em 2012.

No congresso do PT, no último fim de semana, os gritos por Waldir abafaram os brados dos delegados pró-Pinheiro. Desfecho indefinido. “Não recuso a candidatura, até porque fui interpelado pelos militantes”, costuma dizer Waldir dentro do partido. A deputada federal Lídice da Matta (PSB) ocupa a segunda vaga da chapa governista.

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Dilma estreia novo corte na TV

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Claudio Leal

Estúdio do SBT. O apresentador Ratinho, duas toneladas de sutileza, pergunta: “E esse cabelo que tá bonito mas não era tão bonito assim?”. Dilma Rousseff, a pré-candidata do PT à presidência, estreia seu penteado no programa popular da emissora de Silvio Santos. Arte do cabeleireiro Celso Kamura, chamado de “esteta” e “japonês chato” por Ratinho. Um tanto intimidada, a petista sorriu como se tivesse sido alvo de um milagre. “Fiquei mais bonita, não?”.

Terra Magazine falou com Kamura, na noite desta segunda-feira (17). Comovido com o elogio televisivo, que ainda não tinha ido ao ar, ele contou detalhes do trabalho de esteta, realizado na última sexta-feira (14).

– Na realidade, o João Santana (publicitário de Dilma) queria que ela cortasse cabelo e me indicou para ela. Cortei o cabelo e fiz umas luzes, pra dar uma iluminada, dar um pouco de luzes e refletir melhor na TV, na foto.

Kamura e João Santana se conheceram na campanha de Marta Suplicy à prefeitura de São Paulo, em 2006. Marta é sua cliente há mais de dez anos. Para Dilma, a inspiração seguiu outro caminho:

– O que minha inspiração pedia era um cabelo básico, com elegância. Num clássico e elegante, a aparência dela vai ficar mais suave. E o cabelo, prático pro dia-a-dia.

O cabeleireiro esperava encontrar uma “mulher fria, dura, brava”, mas se surpreendeu: uma pessoa normal.

– Vaidade, ela não tem muita. Particularmente, foi simpática. Ela estava bem aberta, foi fácil. Depois de ter perdido (por causa do câncer), o cabelo cresceu. As pessoas que passam por isso acreditam muito na mudança do cabelo – analisa, suavemente, Kamura.

Terra Magazine

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