Fernando Conceição:”isso é irracional”

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DEU NO COMUNIQUE-SE (Portal especializado em bastidores da imprensa)
Da Redação
O movimento Afirme-se, que defende as cotas afirmativas nas universidades brasileiras, entrou com uma representação no Ministério Público do Rio de Janeiro contra o jornal O Globo. A entidade alega que o veículo vetou um anúncio publicitário ao estipular um valor alto para a publicação de uma peça.
Segundo o jornalista Fernando Conceição, coordenador do Afirme-se, ao saber do conteúdo da campanha, o jornal aumentou o preço de R$ 54.163,20 para R$ 712.608,00 (1.300%), alegando que o texto reflete “expressão de opinião” e que, por isso, teria que cobrar a tabela cheia.
“Isso é uma coisa irracional e eles mantiveram a posição, por isso ingressamos com uma representação por abuso de poder econômico”, diz o jornalista, que contou que o mesmo anúncio foi publicado pelo O Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo e A Tarde, ao custo médio de R$ 40 mil cada um.
O anúncio, que enfatiza o apoio de 60% da população brasileira às ações afirmativas, tem o objetivo de manter as cotas nas universidades, tema debatido pelo Supremo Tribunal Federal na última semana.
A representação contra O Globo exige a punição do veículo e a obrigatoriedade da publicação do anúncio a preço simbólico ou gratuito, caso seja comprovada a irregularidade.
Até o fechamento dessa matéria, não foi possível entrar em contato com representantes do jornal.
Corey, nos anos 80 do sucesso, e nos 90 das drogas

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DEU NO PORTAL MSN
O ator americano Corey Haim, que ficou famoso durante sua adolescência nos anos 1980, morreu na madrugada desta quarta-feira (10), aparentemente por uma overdose de drogas, informou a Polícia de Los Angeles.
De acordo com o site da revista americana “People”, Haim foi encontrado inconsciente por sua mãe, Judy, e teve a morte pronunciada às 3h30, logo depois de dar entrada no hospital St.Joseph. A Polícia disse à emissora de televisão “KTLA” que Haim, de 38 anos, aparentemente sofreu uma overdose acidental de drogas.
Haim fez sua estreia em Hollywood em 1984, mas foi realmente alçado à fama em 1987, com “Os Garotos Perdidos”. Entre seus filmes de sucesso entre as teens da época ainda estão “A Inocência do Primeiro Amor” (1986) e “Sem Licença para Dirigir” (1988).
O ator também ganhou destaque por seus trabalhos conjuntos com Corey Feldman, com quem contracenou em “Os Garotos Perdidos” (1987) e “Garotos Perdidos – A Tribo” (2008). A dupla estrelou o reality show “The Two Coreys”, levado ao ar pelo canal por assinatura “A&E” entre 2007 e 2008.
Bob Geldof:”BBC mente”

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Escândalo chega aos umbrais do Big Bem e envolve uma das instituições de maior credibilidade no Reino Unido no campo da jornalismo e da comunicação:
O portal potuguês TMS informa que o músico Bob Geldof, que liderou a campanha “Band Aid” nos anos 80, destinada a angariar fundos para combater a fome na Etiópia, pediu demissão do cargo de diretor do Serviço Mundial da BBC devido a uma reportagem da rádio que afirmou que os fundos obtidos teriam sido usados na compra de armas por grupos rebeldes.
Segundo a BBC Brasil, em artigo publicado nesta quarta-feira no “The Guardian”, Bob Geldof afirmou que a reportagem da BBC não tem credibilidade e pede uma investigação aos factos relatados pela emissora. Nesse artigo, Geldof pede ainda a demissão do director do Serviço Mundial da BBC, Peter Horrocks, do produtor da reportagem, Martin Plaut e do seu chefe, Andrew Whitehead.
Na peça, emitida a semana passada no programa “Assignment”, o editor Martin Plaut afirmara que boa parte dos mais de 100 milhões de dólares, angariados pelo “Band Aid” para ajudar as vítimas da fome na Etiópia, teriam sido desviados para a compra de armas por grupos rebeldes da província do Tigré.
Bob Geldof acusa a reportagem de ter caluniado o “Band Aid” e diz que vai denunciar o Serviço Mundial da BBC ao orgão regulador da imprensa no Reino Unido, Ofcom, e aos directores da BBC, exigindo a transcrição de todas as entrevistas do programa em questão, adianta a BBC Brasil.
O músico argumenta que se não tivesse chegado ajuda à Etiópia teriam morrido milhares de pessoas de fome, o que não se verificou porque, segundo Geldof, a ajuda tem chegado ao seu destino.
“É difícil acreditar que alguém tenha levado a reportagem a sério. Então onde estão os mortos? Se não receberam alimentos, porque não morreu ninguém de fome? Essa seria uma das primeiras coisas que eu teria perguntado, mas eles não morreram porque estiveram a receber ajuda”, disse.
Bob Geldof estuda agora a hipótese de a Fundação Ban Aid poder vir a mover um processo judicial contra Martin Plaut e o Serviço Mundial da BBC, informa ainda o mesmo site.
A BBC, segundo TSF, mantém as afirmações feitas pelos seus jornalistas.
(Com informações da TSF, de Portugal e BBC Brasil)
DEU NO PORTAL MSN
A produção industrial cresceu em 13 das 14 regiões monitoradas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em janeiro deste ano, ante dezembro de 2009. Nesta comparação, segundo informou hoje o instituto, as regiões que registraram os principais avanços foram Espírito Santo (5,6%), Ceará e Pernambuco (com 5,4% cada) e Paraná (4,0%).
As demais altas foram observadas nas seguintes regiões: Nordeste (3,7%), Rio Grande do Sul (3,2%), São Paulo (3,0%), Pará (3,0%), Bahia (2,5%), Goiás (2,2%), Minas Gerais (1,7%), Santa Catarina (1,1%) e Rio de Janeiro (0,3%). No caso do Amazonas, houve estabilidade. Ainda em relação ao mês anterior, a produção industrial nacional cresceu 1,1%, como divulgou o IBGE no início da semana passada.
Na comparação com janeiro do ano passado, todos os locais pesquisados elevaram a produção no mesmo mês deste ano. Segundo o documento de divulgação da pesquisa, os avanços “refletem a ampliação do ritmo produtivo e a baixa base de comparação, por conta das férias coletivas e das paralisações não programadas em vários setores em janeiro de 2009″.
Com avanços acima da média nacional (16%) no primeiro mês deste ano, ante igual mês do ano anterior, destacaram-se Espírito Santo (48,5%), Amazonas (33,9%), Minas Gerais (28,8%), Bahia (23,6%), Rio Grande do Sul (20,9%), Goiás (19,8%) e Ceará (16,7%). As demais altas foram apuradas em São Paulo (15,6%), região Nordeste (11,5%), Rio de Janeiro (10,7%), Paraná (10,4%), Santa Catarina (7,9%), Pará (5,8%) e Pernambuco (1,2%).
São Paulo
A produção industrial de São Paulo, que representa em torno de 40% da produção nacional e cresceu 3,0% ante dezembro de 2009, teve o sétimo aumento seguido em relação ao mês imediatamente anterior.
Em relação a janeiro de 2009, o avanço de 15,6% representa a terceira taxa positiva seguida ante igual mês do ano anterior. Na comparação com janeiro do ano passado, para a qual há detalhamentos setoriais, 17 das 20 atividades pesquisadas na indústria paulista registraram alta na produção. O destaque ficou com o setor de veículos automotores, que avançou 45,0%
Geddel:sem volta com Wagner

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DEU NA REVISTA DIGITAL TERRA MAGAZINE
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Rosane Santana
Está decidido, segundo Geddel: o PMDB não marchará com o PT, na Bahia, nas eleições para o governo do Estado, como insiste o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Em entrevista a Terra Magazine, ontem à tarde, o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, descartou a possibilidade de uma reaproximação com o governador Jaques Wagner, seu ex-aliado em 2006.
Geddel reafirmou a decisão de candidatar-se ao governo baiano, em outubro próximo, pondo um fim às especulações em torno de uma aliança com os petistas, depois do apelo público feito pelo presidente Lula, durante a inauguração do projeto Salitre, de irrigação, em Juazeiro (BA), na última sexta-feira.
“Estava ao lado do presidente Lula, quando ele manifestou o desejo de unidade. Mas, por vezes, essa unidade não será possível”, disse Geddel, que é um dos principais articuladores da aliança entre o PMDB e o PT em torno da candidatura de Dilma Rousseff à presidência da República.
O ministro que deixa a pasta da Integração Nacional, em 2 de abril próximo, prazo de desincompatibilização estabelecido pela Justiça Eleitoral, aproveitou para estocar mais uma vez o governador da Bahia, Jaques Wagner. Em entrevista ao jornal Correio da Bahia, de Salvador, no domingo, Wagner afirmou que a saída do PMDB da administração estadual favoreceu o seu governo, pois gastava 30% do seu tempo resolvendo conflitos criados pelo partido.
“Se o governador pensava dessa forma, por que não demitiu os quadros do PMDB quando lá estavam?”, questionou Geddel, acrescentando que a atitude de Wagner, neste caso, “foi de conivência ou incompetência”.
Em clima de “bateu-levou”, PMDB e PT, na Bahia, seguem às turras, para desgosto de Lula, que confessou publicamente sentir-se constrangido com as desavenças de seus aliados. O ministro, que está em compasso de espera sobre a definição da estratégia de campanha de Dilma Rousseff nos estados em que há conflito, já declarou que quer um tratamento igualitário da candidata em relação ao adversário petista, amigo pessoal do presidente da República, além de importante governador do partido.
Canal Imbui:naturezA semi-morta

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Em sua coluna de hoje na Tribuna da Bahia o jornalista político Ivan de Carvalho volta a mexer em uma questão polêmica da cidade atualmente.
O colunista alerta para a reunião tripartite que será realizada na tarde de hoje no bairro eo Itaigara, com representantes do Ingá – órgão estadual vinculado à Secretaria Estadual do Meio Ambiente e que trata de questões relacionados a água, saneamento, poluição e correlatas –, incluindo seu diretor-geral Júlio Rocha, da Casa Civil da Prefeitura de Salvador e da Construtora OAS, que realiza as obras no esgoto (ex-rio) que corta o bairro. É aí que que mora o impasse, a ponto de Invan perguntar no artigo que Bahia em Pauta reproduz:
“Bem, quando é que o Ingá vai exigir que seja descoberto o Rio das Tripas, que corre sob a Baixa dos Sapateiros?”. Confira o texto.
(VHS)
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Radicalismo ambiental no Imbui
Ivan de Carvalho
Os 80 mil a 100 mil moradores do bairro do Imbui, em Salvador, devem ficar especialmente atentos hoje. É que, para as 17h30, está marcada pelo Ingá uma reunião, em sua sede, no bairro do Itaigara – seria mais interessante que a reunião se realizasse em algum local do Imbui, com a presença dos moradores da área que quisessem comparecer.
A reunião será tripartite, com representantes do Ingá – órgão estadual vinculado à Secretaria Estadual do Meio Ambiente e que trata de questões relacionados a água, saneamento, poluição e correlatas –, incluindo seu diretor-geral Júlio Rocha, da Casa Civil da Prefeitura de Salvador e da Construtora OAS, que realiza as obras no esgoto (ex-rio) que corta o bairro.
Desde a “outorga” para a realização da obra, o Ingá vem impondo condições que têm criado à prefeitura dificuldades e perda de tempo em busca de soluções que atendam às exigências do órgão estadual, aparentemente preocupado em “salvar” uma meia dúzia de piabas e duas ou três sucuris que vivem ou viviam nas águas do esgoto e da lagoa à qual dá vazão. Aí exigiu três respiradouros! E levantou mais algumas questões pra impressionar quem acredita em Papai Noel.
Ah, o Ingá também salvaria os milhares de ratos, milhões de baratas e, talvez, uma centena de sapos que ainda conseguem sobreviver à água imunda e fedorenta com a qual a Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa) jamais manifestou preocupação, ainda que fosse em consideração à saúde e aos 80 mil a 100 mil narizes dos moradores do bairro e a milhares de outros que passam por lá em trânsito, pela Avenida Jorge Amado e adjacências.
Cumpre esclarecer outra vez – pois já fiz isto antes – que piabas e sucuris não são animais em extinção, da mesma forma que ratos, baratas e mosquitos de variadas espécies, especialmente muriçocas. E que não é o Ingá, mas o CRA, o órgão estadual responsável pela preservação de espécies em extinção.
O Ingá exige – e quer saber hoje da prefeitura e da construtora se isso está sendo obedecido – que as placas com as quais o rio-esgoto a céu aberto está sendo coberto e os equipamentos que transformação a área em espaço de lazer são removíveis. Para que sejam removidos quando as bacias de captação, as lagoas e o rio-esgoto forem resgatados à poluição absoluta em que estão. O que ocorrerá na década ou no século em que a Embasa resolver fazer isto.
Ora, o Ingá deveria ter consciência de que quase tudo é removível. Se tanto a fé quanto as mineradoras removem montanhas, porque seriam eventualmente irremovíveis placas de concreto na cobertura do rio-esgoto e alguns quiosques de alvenaria construídos sobre elas? Informa o blog Por Escrito que o Ingá pediu e obteve do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura um laudo sobre o “caráter permanente ou temporário” da cobertura do rio. Ora, até o Céu e a Terra são temporários – “Passarão o céu a e Terra, mas as minhas palavras não passarão”, explicou Jesus (e Ele sabia mais do que Julio, ainda que fosse o Caesar e não o Rocha).
Bem, quando é que o Ingá vai exigir que seja removida a cobertura do Rio das Tripas, que corre sob a Baixa dos Sapateiros? Será que, depois de tantas décadas ainda
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Este lembrete vem da jornalista Maria Olívia. Anote para não esquecer:
O Canal Brasil (privado) presta homenagem ao cantor, compositor e pianista Johnny Alf, com a exibição do programa MPBambas, apresentado pelo jornalista e crítico musical Tárik de Souza, nesta quinta, dia 11, às 21h.
Reconhecido como um dos precursores da Bossa Nova, Johnny Alf ou Alfredo José da Silva nasceu em 19 de maio de 1929, no Rio de Janeiro. Logo aos 3 anos, perdeu o pai, um cabo do Exército. Sua mãe passou a trabalhar como empregada doméstica para uma família na Tijuca, que percebeu os dons musicais do garoto e passou a incentivá-lo. Dos 9 aos 14 anos, estudou piano clássico, quando se apaixonou, em suas idas ao cinema, pela música refinada de compositores norte-americanos como Cole Porter e George Gershwin. Nesta época, formou seu primeiro conjunto musical com amigos de Vila Isabel, com quem costumava se apresentar na Praça Barão de Drummond. São de sua autoria clássicos, como “Eu e a Brisa” e “Rapaz de Bem”.
Responsável pela concepção do programa, o jornalista e crítico musical Tárik de Souza também é roteirista e pesquisador de O Som do Vinil, programa apresentado por Charles Gavin no Canal Brasil. Tarik lançou os livros Rostos e Gostos da MPB; Som Nosso de Cada Dia e Tem Mais Samba – Das Raízes à Eletrônica, dentre outros.
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CANAL BRASIL
MPBambas: Tárik entrevista Johnny Alf
Horário principal: Quinta, dia 11/03, às 21h
Alternativos: Sexta, dia 12/03, às 15h30
Sábado, dia 13/03, ao meio-dia
IMPERDÍVEL PARA ASSINANTES DA TV BRASIL!
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Ministra Dilma: um doce?

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O tema da análise do jornalista político Ivan de Carvalho em seu artigo desta terça-feira na Tribuna da Bahia, é a fala do presidente Lula em seu programa radiofõnico transmitido para todo o País nas segundas-feiras. Ontem. segundo o colunista, Lula não brincou. Lula sabe que brincadeira tem hora. E, inspirado, entendeu que ontem não era dia nem hora de brincadeira. Então, falou sério sobre Fidel, Cuba, Chavez e Ahmadinejad, diz Ivan no texto que Bahia em Pauta reproduz.(VHS)
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LULA FALOU SÉRIO
Ivan de Carvalho
Bravo. O presidente Lula falou sério.
Aconteceu ontem.
Ele não disse que o estado de saúde de seu amigo, o comandante Fidel, é ótimo.
Nem que a Venezuela é uma democracia, quer dizer, continua sendo, apesar da investida caudilhesca e até agora incontida do coronel-presidente-ditador Hugo Chávez.
Tampouco não afirmou que sua visita ao Irã para retribuir a visita do “presidente” Mhamoud Ahmadinejad tem objetivo básico de “negócio”, ao invés do objetivo político e diplomático de dar alento a um dos governos mais aloprados do mundo – avaliação que quase todo o mundo faz.
Também não disse nada que tente induzir o eleitor a crer que Dilminha é um doce, quando, antes dela ser lançada candidata, o núcleo do governo, suas adjacências e, por indiscrições múltiplas inevitáveis no Brasil mais que em qualquer outro país, a mídia e o público melhor informado já sabiam que ela não é um doce coisa nenhuma. Foi até capaz de encaminhar ao presidente, para ele assinar, o tal decreto do Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3), que entre outras coisas espantosas abriga a liberação (descriminalização) do aborto, permitindo a matança dos seres humanos ainda não nascidos, inocentes e indefesos. Dilma apenas adocica na função de candidata.
Mas Lula sabe que brincadeira tem hora. E, inspirado, entendeu que ontem não era dia nem hora de brincadeira. Então, repito, falou sério.
Em entrevista a uma emissora do Rio de Janeiro (o presidente está muito acessível à mídia ultimamente, o que outrora não ocorria), Lula disse que a oferta de empregos vai ajudar a promover o equilíbrio nas contas da Previdência Social, pois haverá aumento de receita. Sério, mas dispensável por absolutamente óbvio.
Admitiu – e aí eu não qualificaria de dispensável – que o desequilíbrio nas contas da Previdência Social chega aos R$ 45 bilhões, diferença entre o valor arrecadado e os benefícios pagos. “Em 1988 (a Constituição) fizemos forte programa de seguridade social”, lembrou, acrescentando: “Se você pegar o que pagam os trabalhadores e o que eles recebem (em aposentadorias e outros benefícios), empata, não há deficit”.
Então proclamou o grande segredo de Polichinelo do deficit da Previdência: quando se incluem os benefícios garantidos pela Constituição, como pagamento para deficientes sem renda, idosos e trabalhadores rurais (aí o velho Funrural, criado antes mesmo da Constituição de 1988 pelo regime militar), “aparece um deficit de R$ 45 bilhões”. E ensina que isto “não é deficit, foi uma decisão do Estado brasileiro de fazer uma política de seguridade para o povo mais pobre”. E torce: “Se Deus quiser, vamos poder compatibilizar isso com o crescimento da receita (da Previdência) porque vai crescer a oferta de empregos”.
Que Deus queira. Mas há um senão. A conta da seguridade sem a correspondente contribuição do beneficiário devia ser paga pelo orçamento geral da União e não pelo orçamento específico da Previdência, pois para este último não entrar em total colapso é que as aposentadorias dos que contribuem têm sido continuadamente rebaixadas em seu valor real e até mesmo nos seus limites nominais.
Decisão do Estado brasileiro, ônus do Estado brasileiro, não dos contribuintes da Previdência.
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Pode parecer bobagem editor ou mera impressão de amigo, mas o fato é que nesta primeira semana do desaparecimento do jornalista e editor político da Tribuna da Bahia, Janio Lopo, coisas estranhas andam acontecendo pelas bandas do Bahia em Pauta. Coisas aparentemente banais mas que deixam grilado o editor.
Por exemplo: na manhã desta terça-feira decidi fazer uma correção simples do nome da querida colaboradora de Brasília, Mariana Soares, que sugeriu a música “Essa Mulher” para ontem, em dueto que nunca existiu entre Ellis Regina e sua filha, Maria Rita, mas que a tecnologia tornou possível.
Tentei muitas vezes e não consegui mais recuperar o vídeo de ontem, mas achei um parecido postado no You Tube por Jardelterrível, que também teve a feliz ideia de produzir um vídeo com o dueto Ellis-Rita, postado no You Tube em março de 2009.
Jardel diz:”Há 4 dias atrás foi o dia internacional da mulher. Então fiz uma edição da Elis cantando “Essa mulher” no programa da “Série grandes nomes”, da Rede Globo, e Maria Rita cantando no especial “Por toda minha vida”, da Ellis-Ritamesma emissora. Espero que gostem”.
Bahia em Pauta agradece a Jardel pela idéia e execução do vídeo, e a Mariana pela sugestão da música fabulosa.
BP não conseguiu recuperar as mensagens, mas espera que seus autores a postem novamente.Obrigado.
EM TEMPO: Fontana, o parceiro de todas as horas do BP, acaba de encontrar o vídeo de Million que perdi em alguma esquina da web, e mandou para o site blog baiano de olho no mundo. Posto então as duas versões e recomendo visita essencial ao Blogbar do Fontana ( http://fontanablog.blogspot.com/ ) porto seguro de quem gosta de boa música, poesia de primeira, o que vai pelo mundo da arte e da cultura e bebida não “batizada” , pois como diz o grande Ascenso Ferreira, “hora de comer, comer/hora de beber, beber/ hora de trabalhar, pernas pro ar/ que ninguém é de ferro”.
(Vitor Hugo Soares, editor)
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Mulheres, não percam o fôlego!
Aparecida Torneros
Mais um Dia Internacional das Mulheres, o 8 de março carrega, simbolicamente, em todas nós, do sexo dito frágil, a sensação de que a corrida do ouro está apenas começando.
Depois de mais de um século em que a massa feminina mundial tenta chegar menos atrasada, em busca de lugares decentes sob o céu do planeta azul, ainda que se esteja cansada de tantos retrocessos, é preciso que não se perca o fôlego, nessa maratona cuja reta de chegada terá sabor de conquista e de vitória.
Discursos vários de cunho feminista já se fizeram ouvir pelo século XX e pouco se conseguiu de concreto, em termos de evidências estatísticas.
Ainda percebemos menores salários quando desempenhamos as mesmas atividades que os homens.
Vícios culturais, religiosos e socioeconômicos ainda nos
impelem a aceitar distorções que vão desde restrições a vestimentas até castrações físicas do clitóris em vários países, passando pela aceitação de jornada dupla de responsabilidade para aquelas que acumulam a função de chefes de suas famílias, quando os homens saem de casa, fenômeno crescente importante, detectado no último censo do Brasil.
Quando se observa os rostos das mulheres ao perderem seus filhos, maridos e companheiros nas guerras em curso no mundo, é possível identificar o horror permanente que a miséria da condição humana que iguala todas num caldeirão de impotência quanto ao poder decisório para os conflitos entre os povos.
Está claro que esses embates atingem os homens tanto quanto afetam mulheres. Mas é justamente o advento das guerras que antes só convocavam grandes contingentes masculinos, que nos levou a engrossar, por necessidade, as alas industriais, e nos fizeram passar a ser importante mão de obra no mundo da revolução industrial.
Numa fábrica, companheiras nossas morreram queimadas num gesto autoritário, marcando o 8 de março, como um dia a ser relembrado em homenagem à condição feminina , não somente pela sua importância na escalada social, na conjuntura econômica dos povos, mas sobretudo, pela injustiça e pela atrocidade desfechada contra o gênero feminino naquele momento.
O Dia Internacional da Mulher serve para nos repensarmos todas. Importante se faz nos conscientizarmos de que é preciso ser fortes, estarmos preparadas para continuar correndo em direção ao podium.
Se, em alguns momentos, no entanto, sentimos que nos falta o ar, aparentemente cansadas das lutas constantes que empreendemos para trabalhar e sobreviver com dignidade, para apoiarmos nossos companheiros, filhos e amigos, num mundo extremamente competitivo e muitas vezes tão desonesto, respiremos fundo, e retomemos o fôlego.
Companheiras, não deixem que as eventuais dificuldades da vida as façam perder o ritmo da corrida. Sigam em frente, certas de que há luz no horizonte feminino, se umas passarem para as outras o grande exemplo das suas superações. Mulheres síndicas, policiais, pilotos de aviação, garis, enfermeiras, professoras, somos muitas, somos as dançarinas que enfeitam as noites, como somos as cantadeiras que embalam os filhos, somos as artistas que criam as rendas e os bordados, tecendo fios de afeição e amizade.
Senhoras, meninas e modelos, desfilamos na passarela dos sonhos, em busca dos lugares de construção.
Precisamos urgentemente, construir melhores dias para as novas gerações. Sabemos disso porque somos amigas, amantes e esposas, quase sempre nos dividindo em múltiplos papéis, aquecendo músculos que se desdobram em corridas permanentes, no nosso dia a dia.
Mulheres, não percam o fôlego, ainda que as decepções pareçam maiores que nossos limites. Há muito mais a fazer. Estejamos atentas para esta corrida insana, observando o exercício constante do preparo físico e mental que a nova ordem mundial requer. Permaneçam antenadas, “plugadas”, não se deixem dominar pelas ideologias ultrapassadas e pelos discursos velhos e repetidos.
Cada uma de nós deve empreender seu próprio texto, pois a vida de uma é base sensível para a demarcação do território livre do universo feminino. Nesse, só pisa quem souber o sentido de uma corrida delicada com pés descalços que, feridos, se comprazem ao alcançar o degrau mais alto da história.
Mulheres, respirem fundo e sigam lutando lindamente,
com sorrisos de paz e harmonia!
O dia é seu, como deve ser o mundo!
Cida Torneros, jornalista e escritora, mora no Rio de Janeiro, onde edita o Blog da Mulher Necessária )
Em sua coluna desta segunda-feira na Tribuna da Bahia, o jornalista Ivan de Carvalho comenta a anulação do exame da Ordem dos Advogados do Brasil, decidida ontem para todo País. O colunista assinala no texto que Bahia em pauta reproduz:Ora, errado está o espelho, não a resposta dada na prova. Conheço um caso específico assim, sub judice.Confira.
(VHS)
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O EXAME DA ORDEM
Ivan de Carvalho
A anulação do Exame de Ordem decidida pela OAB cria algumas questões. O exame é agora igual para todo o país. Envolve muita gente na elaboração da prova, na distribuição para as seccionais estaduais, na distribuição para os locais de prova em cada Estado. É extremamente difícil, quase impossível, controlar eficazmente isso tudo para que a honestidade não seja ferida no país da malandragem e da corrupção.
Por mais radical que haja sido a OAB em sua decisão e mais sérias que sejam a apuração do crime e, eventualmente, sua punição, será impossível reparar o dano sofrido pelos milhares de injustamente sacrificados, que fizeram honestamente as provas com o acerto necessário para a aprovação.
Também a OAB, enquanto mantém solitariamente no Direito a reserva de mercado representada pelo Exame de Ordem, preferindo isto a deixar que o próprio mercado marginalize os inaptos, como ocorre nas demais profissões – mesmo com os médicos, que lidam com a vida e a morte – precisa aperfeiçoar a correção de suas provas. Há um “espelho” pelo qual é feita a correção. Os que fazem as provas não sabem o que está no “espelho”, claro. Vem uma lei nova, está em vigor e não é incluída no “espelho”. O graduado leva em conta essa lei e quem corrige sua prova o faz pelo “espelho” e dá como errado. Ora, errado está o espelho, não a resposta dada na prova. Conheço um caso específico assim, sub judice.
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CRÔNICA DO OSCAR
Um Coração Cansado e Louco
Regina Soares
Neste domingo,7, nos sentaremos em frente da TV, mais uma vez, para assistir a grande noite do cinema:a entrega do premio que reconhece a excelência profissional na indústria cinematrografica, “The Oscar”.
Esse é um ritual que se repete em minha vida, como tenho certeza de muitos de vocês, amantes da “sétima arte”. Apesar de no Brasil esse show ser apresentado na madrugada, meu pai não o perdia, nem eu.
O tapete vermelho e todos os arranjos finais estão prontos para a grande noite em Los Angeles, onde desfilarão diante de nos os grandes “Astros” que nos mantiveram intrigados, fascinados, preocupados, entretenidos e enfeitiçados durante o ano que passou.
Como sempre, tenho os meus preferidos, mas, este ano, estou torcendo e apostando na vitória de um deles, Jeff Bridges, nominado a melhor ator por sua interpretação de Bad Blake em Crazy Heart.
Bad Blake é um cantor de fim de carreira, sofrido, alcoólico, vida difícil de “country music”, que já passou por muitos casamentos, demasiados anos na estrada e muitos drinques a mais, por muito tempo. Ainda assim, Bad agarra-se, mais uma vez, na tábua da salvação com ajuda de Jean (interpretada por Maggie Gyllenhaal, nominada para o premio de suporte no mesmo filme), a jornalista que descobre o homem por traz do musico. Enquanto eles atravessam o difícil caminho da redenção, Bad aprende, da forma mais difícil, o quanto a vida pode ser dura para um coração cansado e louco .
Essa é a quinta nomeação para Jeff Bridges, que andava um pouco desaparecido e voltou para dar a performance da sua vida nesse extraordinário filme. O tipo de interpretação que chamamos corajosa, onde o ator esta disposto a colocar em jogo sua dignidade para chegar ate o fundo da condição humana.
Não percam! GO JEFF!!!!!!!!!!!!!
Regina Soares, advogada, mora em Belmont, na área da Baia de San Francisco, Califórnia (EUA). Bem pertinho do tapete vermelho desta noite em Los Angeles.
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De volta ao Carnegie Hall
Rosane Santana
A morte de Jonny Alf, aos 80 anos, na última semana, levou-me de volta aos Estados Unidos, país onde a bossa nova ocupa lugar de destaque nas programações diárias de rádios locais, com execuções de várias composições que marcaram o movimento e onde artistas como Tom Jobim e João Gilberto ocupam lugar de honra no concorrido mercado de jazz. Mais do que isso, são absolutamente populares, de tal forma que, até hoje, é quase impossível para um músico brasileiro ingressar no mercado americano com outra batida que não seja bossanovista.
Isso acontece, por exemplo, com nomes como Milton Nascimento e Caetano Veloso, que tive a oportunidade de ouvir algumas vezes na prestigiosa National Public Radio (NPR), enquanto passeava à noite pelas ruas de Boston, no verão, sentindo a brisa que vinha do Charles River – o rio que corta a cidade. Emoção indescritível. A exceção é Roberto Carlos, cantor com influências gilbertianas, que pode ser encontrado, com certa facilidade, em lojas de discos, por causa do grande contingente de imigrantes hispânicos, entre os quais é bastante popular. É muito conhecido também entre intelectuais americanosna Universidade de Harvard.
Lembro Caetano, em um dos seus momentos mais proféticos: “Será que apenas os hermetismos pascoais, e os tons, os mil tons e seus sons e seus dons geniais, nos salvam, nos salvarão dessas trevas e nada mais…?” (Podres Poderes, 1984) Verdadeiramente, a Bossa Nova é onde o Brasil é Primeiro Mundo. Em 22 de junho de 2008, cobri para Terra Magazine, em primeira mão para o Brasil, a antológica estréia do show 50 Anos da Bossa Nova, no Carnegie Hall, em Nova Iorque, quando João Gilberto foi ovacionado por uma platéia de americanos (atenção, não era o Brazilian Day!).
Vi socialities americanas, como a ambientalista novaiorquina Allegra Levanne ,esperar, durante quase duas horas, a saída do cantor daquela casa de espetáculos, para conseguir um autógrafo do artista no CD Getz/Gilberto que tinha nas mãos- clássico da bossa nova que vendeu mais de um milhão de cópias em meados dos sixties. Antes, já havia assistido músicos cantarem bossa nova ,”nos bares da vida, em troca de pão”, e a execução de Garota de Ipanema pela Orquestra Sinfônica de Boston, quando chorei.
Americanos costumam prestigiar seus ídolos. Gigantes do jazz como Miles Davis e Stan Gets, entre outros, não saem de cartaz, como se fossem artistas vivos e continuassem a produzir. Frank Sinatra, Beatles, Jimi Hendrix, Jean Joplin, Elvis Presley, entre outros que deixei de citar, também não saem da moda. Suas músicas são executadas diariamente à exaustão, em rádios americanas. Seus discos são encontrados em qualquer loja especializada.
Agora pergunto: o que faz um músico da grandeza de Johnny Alf, no Brasil, ser lembrado apenas em sua morte? O que faz um movimento como a bossa nova ser praticamente esquecido, a não ser entre platéias mais requintadas e amantes do estilo? O nosso subdesenvolvimento, respondo, embora possa parecer arrogante na resposta. Canções como “Eu e a Brisa” e “Ilusão à toa”, são obras-primas, que poderiam constar em qualquer antologia da música universal. Esta última, nas interpretações de Johnny Alf e Fafá, ela absolutamente surpreendente, embora com em tom a la Nelson Gonçalves, e no dueto de Elis e Gal, são puro êxtase.
À propósito, quando deixava o Carnegie Hall, em Nova Iorque, na noite de 22 de junho de 2008, após a estréia internacional do show comemorativo dos 50 anos da Bossa Nova, João Gilberto interrompeu bruscamente uma entrevista, quando um repórter da TV Record perguntou se a Bossa Nova poderia ser considerada MPB, depois de 50 anos.
Retratos do Brasil.
Rosane Santana é jornalista, mestre em Hisdtória pela UFBA, acaba de retornar de Boston, onde passou tr~es anos estudando em Harvarda.Está em São Paulo.
Em seu artigo deste sábado na Tribuna da Bahia o colunista políticvo Ivan de Carvalho fala sobre Janio Lopo, a figura especial de jornalista e editor político da TB que ontem nos deixou e que será cremado às 11hs de hoje no cemitério Jardim da Saudade Janio foi sempre um ser prestativo e desapegado do ter e do mandar, um daqueles seres humanos que não vieram para ser servidos, mas para servir, diz Ivan no texto que Bahia em pauta reproduz.
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OPINIÃO POLÍTICA
JANIO LOPO
Ivan de Carvalho
Não poderia escrever hoje neste espaço sobre outro tema que não fosse, com sentimento profundo e difícil de expressar – pois reside no coração, onde é mais percebido que na mente, sedes da escrita e da fala – o colega Janio Lopo, morto durante a sua terceira grande crise cardíaca, pois outras menores já haviam ocorrido.
Às duas primeiras ele resistiu. Mas a terceira o levou. Não saberia dizer o que mais terá contribuído para isso, se o chamado que sempre chega, mas só em casos extremamente raros se tem previamente conhecimento do momento, se o cigarro do qual se afastava após cada crise e ao qual voltava após pouco tempo de abstenção.
Discutir porque ele fez neste momento, com 52 anos ainda incompletos, a passagem que leva à outra realidade, invisível para nós, mas tão ou mais real do que esta – a mutação da crisálida que ganha a liberdade das borboletas – talvez seja menos importante ou menos útil, agora, do que lembrar um pouco do que ele foi e representou no jornalismo baiano.
Tenho uma razão muito especial para fazer isto. É que a função de Editor de Política da Tribuna da Bahia, que ele exerceu com dignidade, coragem e independência (acumulando-a com a de colunista de política), foi antes, em dois períodos – o primeiro, de 14 anos, o segundo, de cinco anos – ocupada por mim. Posso dizer, com satisfação – a única que sinto nesta ocasião – que os critérios de seriedade, verdade e competência que humildemente sempre busquei imprimir à Editoria foram por ele mantidos. E a isso acrescentou qualidades outras que ao meu alcance não estavam.
Mas falar da competência profissional de Janio Lopo seria chover no molhado. A mim, colega e amigo seu, como tantos outros, obrigatório é – pois profunda injustiça seria não fazer este registro – assinalar algumas características do seu caráter ou modo de ser fora da profissão. Janio foi sempre um ser prestativo e desapegado do ter e do mandar, um daqueles seres humanos que não vieram para ser servidos, mas para servir, que vieram para fazer sorrir e não para se queixar, chegando em certos momentos não profissionais a dar a impressão de que não levava a vida muito a sério, que brincava com ela e seus problemas.
No jornalismo baiano – com o fim dos seus 30 anos de carreira, 20 dos quais no jornalismo político – e no coração de seus colegas e amigos, sua morte produz um vazio difícil de preencher. Mas, para ele e para nós, tenho certeza, a vida continua. Lá e cá. A Deus, Janio.
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ARTIGO DA SEMANA
LÁGRIMAS DE MICHELE BACHELET
Vitor Hugo Soares
Uma noite vi a terra tremer também em Santiago. Os anos 80 caminhavam para o fim e, de férias do Jornal do Brasil, estava hospedado com Margarida (então repórter de A Tarde, na Bahia) em um hotel tradicional a menos de 200 metros do Palácio La Moneda, já restaurado e livre da presença do general Augusto Pinochet, que o havia mandado bombardear no dia da morte do presidente Salvador Allende.
Era madrugada e fazia frio, havia andado o dia inteiro por montanhas da Cordilheira, tomando pisco e vinho. Caí como um saco de cimento na cama e peguei no sono. Despertei aos poucos como quem sai de um sonho. O quarto balançava de leve e a sensação era a de estar deitado em colchão cheio de água, quase flutuando. Efeito do pisco?.
Só pulei de vez do leito quando vieram os primeiros gritos da rua e os sussurros de outros apartamentos e corredores do hotel. Então despertei e o instinto – ou a curiosidade de jornalista – me empurrou, como recomendam os melhores manuais de sismos, para debaixo da pilastra de uma das janelas do quarto.
Abri a janela ainda a tempo de ver as luzes que tremiam com os postes no cerro de San Cristobal, à distância. Espetáculo de beleza telúrica, mas apavorante ao mesmo tempo. E, embora felizmente fugaz neste caso, absolutamente inesquecível para o turista acidental. Logo os tremores cessaram, sem deixar vítimas humanas ou vestígios de destruição. No dia seguinte, os chilenos quase não falavam do assunto em suas conversas habituais, a não ser se interrogados sobre o fenômeno da madrugada. As TVs e rádios faziam apenas referências rápidas. E ponto final.
Nada nem de longe parecido com a tragédia monumental desta semana no Chile, no tristonho final do governo da socialista Michelle Bachelet, que tem mais de 70% de aprovação nas pesquisas de opinião pública, não conseguiu eleger o sucessor. Na próxima quinta-feira, será substituída pelo conservador Sebastián Piñera. Este, empresário e amigo da velha casta e herdeiros de militares do tempo de Pinochet e dos saudosistas civis de seu regime, que não são poucos.
O violento terremoto de 8.8 graus na escala Richter, seguido de pavoroso e mortal tsumani na costa chilena do Pacífico, já havia custado até ontem a vida de 802 pessoas, deixado mais 2 milhões de chilenos ao desabrigo. Gente apavorada que sai correndo em desespero para as montanhas próximas a cada repique de tremor ou aviso de tsunami nas áreas portuárias e históricas de Concepcion. Até o famoso Festival Internacional da Canção de Viña del Mar, cidade próxima à área do epicentro do sismo da semana passada, foi suspenso.
As imagens que as cadeias internacionais de televisão e seus repórteres na área do desastre e comentaristas competentes no estúdio – em especial a CNN em espanhol – tem mostrado diariamente, são desoladoras: regiões inteiras em ruínas, monumentos históricos destruídos de Santiago a Concepcion, carros nos precipícios dos viadutos e modernas rodovias destruídas; famílias perdidas e desesperadas em busca de filhos, maridos, pais e mães desaparecidos. Saques, pilhagens, prisões, militares de volta às ruas de um país convulsionado e dividido às vésperas da saída de Bachelet e da chegada de Piñera ao poder.
Infraestrutura arruinada, prejuízos financeiros imensos no país mais desenvolvido da América Sul e um dos mais belos e civilizados do continente, que já produziu dois Nobel de Literatura: Gabriela Mistral e Pablo Neruda.
O primeiro levantamento apresentado na CNN indica que serão necessários mais de três anos – “talvez todo o período do novo governo” de Piñera, como disse a presidente em uma emissora de rádio na visita a Concepcion e Maule – e investimentos maciços com indispensável ajuda internacional coordenada pela ONU, para a recuperação dos desastres desta semana.
Agora com as operações de resgate e atendimento aos sobreviventes mais organizados, a descoberta de novos desaparecidos fez o número de mortos subir para 802 no Chile, informou ontem o Escritório Nacional de Emergências. As lágrimas rolaram de público pela primeira vez dos olhos de Bachelet ao transmitir a notícia à população e admitir em entrevista a uma rádio, que o número de mortos ainda pode subir.
Peço socorro à poesia do chileno maior, Pablo Neruda, na “Ode à Tristeza”, para terminar as linhas deste artigo:
“A tristeza não pode/entrar por estas portas.
Pelas janelas /entra o ar do mundo,
As rosas vermelhas novas,/ as bandeiras bordadas
do povo e suas vitórias. /Não podes./ Aquí não entras.
Sacode
tuas asas de morcego, / eu pisarei as penas
que caem de teu manto, / eu barrarei os pedaços
de teu cadáver/ até as quatro pontas do vento,/
eu te torcerei o pescoço,/ te coserei os olhos,/
cortarei tua mortalha /e enterrarei teus ossos roedores
debaixo da primavera de uma macieira”.
Bravo, poeta! O Chile sobreviverá!!!
Vitor Hugo Soares é jornalista.
E-mail: vitor_soares@terra.com.br
EM MEMÓRIA: Este texto é dedicado pelo autor à memória de JANIO LOPO, editor político da Tribuna da Bahia, que ontem nos deixou precocemente. Ficam para os amigos e colegas, como o que assina estas linhas, exemplos de competência, coragem e profunda dedicação ao seu ofício desde a juventude até a partida definitiva.A Bahia lamenta e chora a perda de um de seus melhores jornalistas.
(Vitor Hugo Soares)
O almoço mineiro oferecido no centenário de Tancredo Neves virou festa das melhores , recheada de sotaques – paulista, carioca, baiano, cearense, gaucho . A depender da roda ou da vizinhança, mais ou menos animadas, mais ou menos reveladoras neste tempo quente de definição – e indefinições – de nomes da chapa para a disputa da sucessão do presidente Lula, entre bicadas dos tucanos do PSDB e espantos de seus primos do DEM.
Terra Magazine, através de seu editor chefe, Bob Fernandes, apurou os ouvidos e conta bastidores do almoço oferecido pelo governador mineiro Aécio Neves a ilustres convidados para a inauguração da Cidade Administrativa Tancredo Neves, em Belo Horizonte. “No Palácio, entre um gole de champanhe e outro, segredos e intrigas, amigos e inimigos. No ar, os gestos e meias palavras, os meandros da chapa puro-sangue do PSDB que não nasceu. ATO II da sucessão presidencial, ATO I do bailado tucano”, como registra a chamada para a reportagem de Bob, que Bahia em Pauta reproduz.
(VHS)
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Cena mineira à espera do almoço/ Leo Drumond

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Bob Fernandes
Ciro Gomes, PSB, pré-candidato a presidente da República, passa rente a José Serra, PSDB, pré-candidato a presidente da República. Ambos não se cumprimentam, sequer se olham.
Aécio Neves, PSDB, governador de Minas Gerais, abraça José Alencar, PRB, vice presidente da República, e lhe sussurra algo.
Geraldo Alckmin, PSDB, ex-governador e pré-candidato a governador de São Paulo, conversa com Rodrigo Maia e ACM Neto, o presidente e o deputado do DEM, enquanto Sérgio Guerra, presidente do PSDB, cochicha com os senadores Tasso Jereissati, possível candidato a vice-presidente pelo PSDB, e Agripino Maia, líder DEM. Antonio Anastasia, vice-governador de Minas e candidato a suceder Aécio, aproxima-se do governador e do vice-presidente da República.
Os garçons servem champanhe a ministros dos tribunais superiores, o cantor Fagner gargalha, o senador Wellington Salgado escreve uma mensagem no Livro dos Convidados.
Os ternos, quase todos em azul marinho. As gravatas, quase todas vermelhas.
É o bailado da sucessão presidencial de 2010.
O segundo grande ato da sucessão, este executado na tarde da quinta-feira 4 de março no Palácio da Liberdade, construção de 1897 encravada no coração de Belo Horizonte.
O primeiro ato se deu, semanas antes, na Convenção do PT que ungiu Dilma Rousseff candidata à presidência República.
Nesta quinta-feira o PSDB pretendia iniciar o seu ATO I, com o anúncio da chapa puro-sangue José Serra-Aécio Neves. Não conseguiu fazê-lo, e no almoço oferecido por Aécio as coxias fervilham.
Ainda ecoa, repercute entre os convivas, o coro de milhares de pessoas na Cidade Administrativa Tancredo Neves, inaugurada instantes atrás:
- Aécio presidente! Aécio presidente!
Coro entoado na presença de José Serra, o pré-candidato tucano à sucessão de Lula.
Aécio Neves recebe seus convidados à porta do elevador interno do Palácio ou à beira da escadaria art nouveau fundida na Bélgica.
Os governadores de Minas e São Paulo, Aécio Neves e José Serra,
o governador de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira (PMDB),
e o senador Casildo Maldaner (DEM/SC) (foto: Wellington Pedro)
Mesas postas em três salões por onde se formam e desmancham rodas de conversas e cochichos.
Ciro Gomes, provocado, diz que ele e Serra acabaram de se cumprimentar:
- Nos cumprimentamos cordialmente como deve ser com dois rapazes educados…
(pausa)
-… uns mais educados do que outros.
Ciro e Serra não se falam, não se olham nos primeiros passos do dueto.
Serra, à soleira da porta que leva à sacada do Palácio da Liberdade, onde confabulam ACM Neto e Rodrigo Maia.
Ciro, a menos de dois metros do governador de São Paulo, conversa com o irmão, Cid, governador do Ceará. Cid recorda o pai José Euclides Ferreira Gomes e filosofa:
- Como meu pai dizia, às vezes os prognósticos são apenas a expressão dos nossos desejos…
Ciro expõe o seu prognóstico. Ou desejo, como diria o velho José Euclides:
- Serra está vivendo um drama humano, isso é profundamente humano: a dúvida, a angústia de saber se vai ou não vai, e ele…
Ciro acha, ao menos diz de público, que Serra não vai.
Fiel ao seu estilo, o pré-candidato do PSB aproxima-se de Rodrigo Maia e ACM Neto e brinca:
- Como é que vocês, dois jovens, ficam com “O Coiso” e não comigo?
Sorrisos amarelos dos jovens DEM. Cara de paisagem de uma involuntária testemunha da cena; Geraldo Alckmin gostaria de não estar ali, mas Ciro aponta para o ex-governador enquanto dirige-se à dupla DEM:
- Ele fica p… da vida quando eu faço isso.
Mãos cruzadas abaixo da cintura, Alckmin vê-se obrigado a abandonar a paisagem. Sorri, discretamente.
Aécio passa por Serra e chega à sacada. Cumprimenta Maia e ACM Neto, puxa Ciro para o lado e com ele confabula por minutos.
Os garçons enchem taças. Segue o bailado da sucessão 2010.
Cabe a José Alencar a primeira mensagem no Livro dedicado ao dia, data do Centenário de Tancredo, da inauguração da Cidade Administrativa que leva seu nome, e data da chapa que não nasceu, a puro-sangue do PSDB.
Sucessão à tucanos. Com dois candidatos e ainda sem nenhum.
Horas antes, sob o arco desenhado por Oscar Niemeyer para a Cidade Administrativa, o coro:
- Aécio presidente! Aécio presidente!
Não uma, mas duas vezes. No segundo ensaio do coro, já no palco, capacete na cabeça e ladeado por alguns dos 13.048 operários da obra monumental, Aécio sorriu e com as mãos fez o gesto de “manera, manera”. Foi atendido e o coro se esvaziou.
E Serra, o que teria pensado ao ouvir o estrondoso clamor de Minas à sua volta?
Ele não ouviu:
- … Gritos? Eu estava ocupado na hora, não prestei atenção, nem percebi…
Segue o bailado.
Serra exercita a arte da abstração. Por exatos seis minutos e 45 segundos escreve uma mensagem para Aécio Neves.
No Livro, a ele oferecido por Dona Jovi, funcionária do Cerimonial, o governador de São Paulo constrói a mensagem. Caneta na mão direita, pensativo, Serra escreve o que a história registrará:
- Ao governador Aécio, sua equipe e os mineiros e mineiras, meu abraço e meu contentamento pela “Cidade” Tancredo Neves e por todo o notável avanço de Minas Gerais na direção do desenvolvimento, da justiça social, do equilíbrio regional, na contribuição maior ao Brasil,
José Serra
Antes dele, Ciro Gomes ocupa a segunda página do Livro. Com o estilo de sempre. Direto. Em dois minutos e meio:
- Aos mineiros do tempo do grande governador Aécio Neves. O Brasil tem uma dívida com Minas e seu povo. A cada transe, sempre Minas é quem acode o Brasil. De Felipe dos Santos a Itamar Franco, passando por Juscelino – de todos o maior – e Tancredo. Privilégio meu sua amizade,
Ciro.
Aécio se desloca, circula entre os convidados, os grupinhos, faz as honras da casa. Instigado, comenta notícia de que Lula pretenderia se licenciar por dois meses para mergulhar na campanha:
- Ele tá confiante, hein?
Serra, ao lado, ouve e mantém o silêncio.
Num pequeno púlpito, Dona Jovi de guardiã, avança o ritual das mensagens no Livro.
Wellington Salgado, senador do PMDB de Minas, expoente da tropa de choque governista alcunhado de “Cabelo” pela oposição, descreve o que lhe vai n’alma:
- Governador, duro é ter tudo que se imagina de um grande político da minha geração e por questões políticas ter que admirá-lo comportadamente e sem tê-lo no meu partido,
Wellington Salgado.
Um tucano se aproxima do Livro. Passa os olhos pelas mensagens, detém-se na página com a confissão de Wellington e murmura a sua confissão:
- …está todo mundo doido pra trair…
Murmura, mas nada escreve no Livro.
Quem quer trair? E a quem?
Wellington Salgado, por exemplo, deixa escapar para um amigo:
- Na verdade, no PMDB ninguém está feliz, feliz mesmo, com a Dilma.
E no PSDB?
Segue o bailado.
João Almeida, da Bahia e líder do PSDB na Câmara, vê Serra passar. Analisa:
- Ele tá demorando muito…
Sérgio Guerra, presidente do PSDB expressa (prognóstico ou desejo?):
- E agora? O Serra é candidato. Não tem mais “e agora?”, ele é candidato…
Aécio e Serra se despedem, um diz algo no ouvido do outro. Aécio provoca:
- …e todos os dias os jornalistas perguntam se falamos, o que decidimos, o que falamos nas nossas conversas…
Serra sorri, Aécio sorri e emenda:
- …nossos destinos estão traçados… nossos destinos já estão traçados.
Serra e Aécio têm conversado, dias e dias de conversas telefônicas, encontro reservado na noite-madrugada de terça para quarta, em Brasília.
Aécio já comunicou, e repetiu, e repetiu, e repetiu:
- Eu não serei vice!
Conversaram também sobre mais, muito mais do que isso, sondaram até o inimaginável.
Aécio e Serra se despedem no Palácio que já abrigou, já assistiu à urdidura do poder feita por Juscelino, Tancredo, Milton Campos, Benedito Valadares…
Serra se vai. Aécio murmura, como se fosse pra si mesmo:
- …nossos destinos já estão traçados…
Fim do bailado tucano, ATO I.
Janio na TB: eterna busca da notícia

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ROSANE SANTANA
Figura frágil, tímida, quando o conheci há cerca de 20 anos, o rosto, que a doença foi transfigurando, lembrava o do poeta Castro Alves, de quem guardava ainda semelhanças pelo espírito byronista, ultra-romântico. Jânio Lopo respirava jornalismo e sua escrita o ajudava a se manter vivo, nos últimos anos, quando o coração apaixonado pela profissão e pela boemia dava sinais de cansaço.
Relembro-o sentado em um canto, quase escondido na redação da Tribuna da Bahia, fuçando os jornais e buscando um tema para sua coluna diária, qual escafandrista a procurar tesouros submersos. Atrás da aparente fragilidade, a firmeza para defender o que achava correto e a bravura e o destemor para enfrentar os poderosos de plantão, que se sentiam eventualmente ofendidos com suas críticas; a lealdade e a generosidade com os amigos.
Jânio, meu querido, vou sentir sua falta. Perdoe minha ausência e a indelicadeza de não tê-lo visitado, como programei, quando da rápida passagem pela Bahia, há cerca de duas semanas, depois de três anos nos EUA e alguns contatos pelo telefone. Gostaria de abraçá-lo e tomar uma cerveja contigo e prometi que o faria, quando retornasse a Salvador no final de março. Mas a vida me colheu de surpresa, hoje, uma tarde cinzenta que ficou cor de chumbo, em São Paulo, quando recebi a notícia de sua partida, na redação de Terra Magazine. Ainda choro.
Sou-lhe profundamente grata, amigo, pela generosidade com que sempre me acolheu, pela lealdade, pela admiração, pelo carinho, pelo humanismo, pelo teu exemplo. Vá em paz, guerreiro querido.
Rosane Santana, jornalista baiana. mestre em História pela UFBA, acaba de retornar de Boston (EUA) onde pessou três anos estudando em Harvard. Está em São Paulo>
Bira Castro: ataque a Ubaldo em defesa da ponte

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DEU EM TERRA MAGAZINE
Guilherme Lopes
Especial de Salvador (BA)
Alvo de críticas do romancista baiano João Ubaldo Ribeiro, o projeto da megaponte Salvador-Itaparica tem causado, nas últimas semanas, discussões acaloradas entre urbanistas, arquitetos, membros do governo baiano (entre eles o próprio governador, o petista Jaques Wagner) e intelectuais brasileiros.
Ontem, a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal da Bahia (FAU-UFBA) protagonizou mais um capítulo da contenda entre defensores e opositores da obra ao promover o debate “Ponte de Itaparica – Alternativa para qual desenvolvimento?”.
Na mesa estavam o Superintendente de Planejamento Estratégico da Secretaria do Planejamento da Bahia (Seplan), Paulo Henrique de Almeida, o historiador ligado ao Partido dos Trabalhadores e diretor da Fundação Pedro Calmon, Ubiratan Castro de Araújo, o professor da FAU-UFBA Paulo Ormindo de Azevedo e o arquiteto Carl von Hauenschild. Na platéia, público suficiente para ocupar todas as cadeiras e corredores e ainda deixar alguns estudantes do lado de fora, à espera de lugares vagos.
Paulo Henrique de Almeida abriu o debate. Amparado em slides projetados em um telão, com fotos de pontes grandiosas construídas na última década (a lisboeta Vasco da Gama em seus 17km), o governista afirmou que, com a opção por expandir o litoral norte baiano ocorrida na década passada, “a Cidade Baixa, o subúrbio ferroviário e as ilhas ficaram completamente abandonados”, o que criou problemas para a integração da região à economia baiana e, consequentemente, à geração de renda.
Segundo Almeida, a ponte, usada como alternativa de ligação entre Salvador e o interior do estado, facilitaria também a integração de Itaparica à região metropolitana da capital. Esse é justamente um dos pontos mais criticados pelos opositores do projeto, que defendem a preservação das belezas naturais e históricas da Ilha.
Almeida sustentou que o Ferryboat, sistema de transporte marítimo Salvador-Itaparica, não tem como dar conta do tráfego da capital para o sul do Estado, principalmente por sua “sazonalidade”. “O ferry, quando foi implantado, em 1972, não foi pensado para funcionar como vetor de transporte de massa. E o aumento da frota não é uma saída porque o sistema opera com sazonalidade. Durante a baixa estação, as emb arcações ficam ociosas”, apontou.
“Ponte matará polos econômicos”
Contrário à construção da ponte, o professor Paulo Ormindo apontou o que para ele é o maior problema do projeto: aumentar a centralidade da capital baiana. Ormindo acredita que a ponte bilionária vai concentrar as atividades econômicas da Bahia em Salvador, “matando os polos que começam a surgir no interior, como a pequena industrialização de Santo Antônio de Jesus” (cidade ao sul, a 100km da capital via ferryboat).
Segundo ele, outro aspecto negativo seria a centralização dos serviços públicos na capital. “Semelhante ao que ocorre hoje: a população da região metropolitana vem a Salvador para ter acesso à saúde e outros serviços. A capital irá bancar os serviços públicos para toda a região, que não têm serviços suficientes, sendo que Salvador também não tem como sustentar serviço para sua população atualmente”, afirmou.
Também contrário à ponte, o arquiteto Carl von Hauenschild questionou a necessidade de expansão da RMS no sentido sul. “Nós criaremos um funil ao obrigar todo o transporte sentido sul que sair da cidade a passar pela ponte, quando há espaço à vontade para Salva dor crescer nos municípios da Região Metropolitana”, afirmou. Segundo dados do IBGE de 2009, dos 3,86 milhões de habitantes da RMS, 3 milhões moram em Salvador (77% do total), que só tem 707 km² dos 4.375 de toda a região (16% do território).
Hauenschild criticou a “falta de plano de desenvolvimento para a Baía de Todos-os-Santos”. Ele acusou a idealização a ponte de ser uma obra pontual, “desconectada” de uma “idéia maior” de desenvolvimento da região. Como exemplo, o arquiteto citou o desenvolvimento da infraestrutura portuária no Estado. “Desde o final dos anos 80 chamamos a atenção de que a Bahia não tem um plano de desenvolvimento portuário. E agora vamos de novo deixar as ações para desenvolvedores privados, sem o governo pensar”, atacou.
Historiador governista mira João Ubaldo
O único a comentar a opinião de João Ubaldo Ribeiro durante o debate foi Ubiratan Castro, que tem sido considerado um intelectual “porta-voz” do governo de Jaques Wagner. Defensor da ponte por considerar que a obra poderá facilitar o acesso da população da ilha e do oeste do Recôncavo aos serviços da capital, o historiador não poupou críticas ao conterrâneo, mesmo sem citar seu nome. “(A partir dos anos 70) a região de Itaparica, que já teve uma pujante economia, ficou reduzida a local de veraneio, com nativos indigentes procurando um servicinho na casa do Barão que vai veranear, ou do escritor que vai se lembrar de sua infância. Eu acho que o escritor tem direito a lembrar de sua infância, mas não tem direito a mobilizar uma população na miséria e na pobreza para que lhe sirva de inspiração para fazer romances”, disparou.
Esse tem sido o tom de outros contra-ataques dos petistas. Rusgas à parte, o historiador considera que a Bahia tem condições de fazer uma ponte, preservando o patrimônio histórico e artístico existente na cidade colonial, pois “na Bahia tem Iphan e Ipac”. Os dois órgãos vem recebendo críticas de urbanistas e intelectuais por liberarem obras polêmicas em Salvador.
A ponte
Com um orçamento previsto inicialmente em R$ 2 bi, a ponte entre Salvador e Itaparica atravessaria a Baía de Todos-os-Santos e seria parte de um novo sistema viário a ser implantado na região oeste do Recôncavo.
Além do escritor João Ubaldo – nascido na Rua do Canal, número um, em Itaparica -, vários intelectuais brasileiros já se posicionaram contra a imposição da obra sem debates com os baianos – os signatários, Luis Fernando Verissimo, Chico Buarque, Cacá Diegues, Milton Hatoum, Ricardo Cravo Albin, Emanoel Araújo, Monique Gardenberg, Sonia Coutinho, Jomard Muniz de Britto, Hélio Pólvora, Edson Nery da Fonseca, Sebastião Nery, Walter Queiroz Júnior, Jerusa Pires Ferreira, Hélio Contreiras, Aninha Franco, Fernando da Rocha Peres e Ruy Espinheira Filho. Todos eles assinaram o manifesto “Itaparica: ainda não é adeus”, em resposta ao artigo “Adeus, Itaparica”, um libelo de João Ubaldo contra a destruição do paraíso ecológico.
No último mês de janeiro, o governo da Bahia abriu um Procedimento de Manifestação de Interesse para a construção da ponte e do novo sistema viário. Duas empreiteiras, a Odebrecht e a OAS já declararam interesse em realizar a obra, e devem entregar os estudos iniciais até o dia 14 de março. Caso seja efetivado o interesse do estado, a Seplan prevê novos estudos e abertura de licitação no ano que vem. A OAS manifestou ainda o desejo de construir condomínios fechados na parte central de Itaparica, em zona rodeada por mata atlântica.
Atualmente, a Ilha conta com uma população de 58 mil habitantes que, apesar de em sua maioria considerar o lugar tranquilo, se deparam nos últimos meses com um aumento dos casos de violência, especialmente os ligados ao tráfico de drogas oriundo de Salvador. Outro problema recorrente da ilha é o acesso por ferryboat ou “lanchas” (barcos de madeira que a cada meia hora partem do centro de Salvador), notadamente insuficientes para atender a demanda de veranistas durante a alta estação.
Heraldo: “transferência de responsabilidades”

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OPINIÃO POLÍTICA
O crack e a violência
Ivan de Carvalho
De acordo com o líder da oposição, o governo tenta transferir para a droga ilícita a responsabilidade pelo ‘crescente aumento’ da violência na Bahia.Será que o argumento tem sentido?
É este o tema do artigo de hoje do jornalista político Ivan de Carvalho, nesta sexta-feira, na Tribuna da Bahia, que este Bahia em Pauta reproduz. Confira.
(VHS)
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OPINIÃO POLÍTICA
O crack e a violência
Ivan de Carvalho
O governo do Estado elegeu o crack como a principal causa dos homicídios na Bahia. É o que está na propaganda oficial na televisão. É também, aproximadamente, o que disse o líder da oposição na Assembléia Legislativa, o democrata Heraldo Rocha, ao fazer da tribuna a crítica à mensagem anual que o governador Jaques Wagner lera ali, no dia 16 último, na sessão solene de abertura dos trabalhos parlamentares deste ano.
Em discurso, Heraldo Rocha disse que o atual governo tenta culpar o tráfico de drogas, sobretudo o crack – como registrou na ocasião este jornal – pelo crescimento da criminalidade, citando os outdoors espalhados por todo o estado. “É possível ler, claramente, a seguinte afirmativa: o crack é o responsável por 80 por cento da causa de violência”, relatou.
De acordo com o líder da oposição, o governo tenta transferir para a droga ilícita a responsabilidade pelo “crescente aumento” da violência na Bahia. “Essa informação – disse Rocha – é um absurdo, contestada até por grandes profissionais como o psiquiatra Antônio Neri. Ele afirma que isso é uma grande inverdade”. Nery é um conhecido psiquiatra baiano estudioso da questão das drogas.
É claro que o tráfico, comércio e consumo das drogas ilícitas são importante causa de violência, ainda mais quanto ao crack, por seu baixo preço financeiro (o preço pago pela saúde do usuário e pela sociedade é muito alto), acessível a toda a população, pela rapidez com que gera fortíssima dependência e pela dificuldade de erradicá-la, bem como pelo estado cerebral que produz.
Mas chegar sem mais nem menos àquele “percentual de responsabilidade” de 80 por cento da violência parece realmente demasiado criativo. E mais. Afinal, não é o crack uma droga ilegal cujo comércio cabe ao Estado combater? E não está em sua composição, como elemento básico, a cocaína, importada de países vizinhos por fronteiras mal fiscalizadas pela Polícia Federal e entrando nos Estados por divisas mal fiscalizadas pelas polícias estaduais e pelas polícias rodoviárias? Estarão a PF e as outras polícias aptas a fazerem essa fiscalização? E as polícias civis e militares estaduais, aptas também a combater o comércio do crack? Onde está a prioridade para a segurança pública e exatamente numa questão que seria responsável por 80 por cento da criminalidade violenta, no caso da Bahia? Existem ou não as cracolândias “liberadas”, mostradas na TV?
E já que citamos a televisão, com certeza é um enorme mal o que fazem certos programas de TV especializados em mostrar violência para ganhar a audiência da parte do público que adora ver misérias, o mesmo público que até provoca congestionamentos de trânsito só para verificar se o motoqueiro acidentado perdeu a cabeça ou ainda está com ela pendurada no pescoço.
Esse público assiste tais programas e fica com aquele “clima” na mente. Qualquer espiritualista e os cientistas sem preconceitos acadêmicos sabem que o pensamento é poderoso elemento criador (“Ocupai o vosso pensamento somente com o que é bom e belo”, aconselhou São Paulo, que sabia) e o que a mente foca tende a se concretizar. Aí estão esses programas e seus patrocinadores – assim como a insuficiência dos aparelhos policial e judicial – como parceiros do crack na gênese da violência.
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Gilson Nogueira
Meu coração bate em ritmo de angústia, com a notícia da morte de Johnny Alf. Acabo de lê-la no site Bahia Já, de Tasso Franco, um dos mais competentes jornalistas do país. Minha mulher retransmite-me a mesma notícia, da partida de Alf, ao captá-la no Jornal Nacional da TV Globo. Ao computador, onde estava a conferir as últimas do momento, meu batimento cardíaco acelerou.
No mesmo instante, pensei em encontrar uma foto de teclado de piano, no Google, para ilustrar meu adeus ao gênio Alf.. Não deu outra, encontrei a imagem que queria! As teclas de luto, que as envio, anexo, para resumir o que a Bossa Nova, em particular, e a música, no geral, veste nessa hora de partida do sol da BN para o lado de Deus. Lá, a brisa, com certeza, sopra diferente, em cores misteriosas, reservadas ao infinito, espaço, no qual, os espíritos bons devem formar uma orquestra de paz e amor cujos acordes se espalham pelos espaços de silêncio, cá embaixo.
No meu desejo de registrar a partida de Afl para outro plano da existência, encontro, no meu baú de raridades da BN, um CD do sol da BN em que uma das músicas tem o seguinte título: Tema sem palavras, de autoria do saudoso Durval Ferreira e do, ainda ativo, toc, toc, toc, Maurício Einhorn. Não há letra na música. É, apenas, uma composição instrumental. A letra? Não precisa. Adeus, grande Johnny!
Gilson Nogueira é jornalista e discípulo de Alff )