DO EL PAÍS

Lenda do basquete decidiu ir de helicóptero ao jogo da filha, que também morreu no acidente, apesar da intensa neblina que tornava a viagem perigosa

Destroços do helicóptero em que morreram Kobe Bryant e sua filha.
Destroços do helicóptero em que morreram Kobe Bryant e sua filha.

 Pablo Ximénez de Sandoval

Na manhã de domingo, a região de Los Angeles amanheceu coberta por uma névoa tão densa que a polícia da cidade decidiu não usar seus helicópteros para patrulhar. Seria muito perigoso. Os aparelhos do delegado também não decolaram naquela manhã. Não se via nada. Kobe Bryant, no entanto, decidiu levar de helicóptero a filha e uma amiga a um jogo de basquete do outro lado do condado. Bryant usava esse meio de transporte frequentemente desde seus tempos de estrela do Los Angeles Lakers para evitar o trânsito da cidade. O voo durou 41 minutos. Os nove ocupantes do helicóptero morreram quando o aparelho colidiu com uma área montanhosa muito próxima do destino por razões ainda desconhecidas.

A aeronave era um helicóptero Sikorsky S-76B, com prefixo N72EX, construído em 1991. Pertencia à empresa Island Express. Ainda não foi divulgado se Bryant alugava esse aparelho em particular com frequência. Os dados do controle aéreo mostram que a aeronave saiu às 9h06 (14h06 em Brasília) do aeroporto John Wayne, em Santa Ana, no condado de Orange, o trecho mais rico do litoral ao sul de Los Angeles, onde mora a família Bryant. O traçado do radar mostra que o helicóptero se dirigia ao norte pelo leste de Los Angeles.

Ia para Thousand Oaks, a noroeste de Los Angeles e a cerca de 120 quilômetros em linha reta de Santa Ana. Lá, a filha de Kobe Bryant, Gianna Maria Onore, de 13 anos, jogaria às duas da tarde uma partida de basquete contra uma equipe de Fresno. Com eles viajava ao menos outra companheira de equipe acompanhada pelos pais. No plano de voo constavam oito passageiros e o piloto.

Quando chegou à região do zoológico de Los Angeles, no parque Griffith, o piloto entrou em contato com a torre do aeroporto Bob Hope, em Burbank. Pediu permissão para passar. De acordo com a gravação das conversas com a torre publicada no portal LiveATC.net e reproduzida pela imprensa local, a torre disse que havia uma aeronave que voava por IFR (por instrumentos, sem visibilidade) e pediu ao piloto que esperasse. O helicóptero ficou 15 minutos circulando acima do zoológico de Los Angeles.

Às 9h30, a torre de Burbank disse ao piloto que podia passar e que o fizesse rodeando o aeroporto pelo norte, seguindo a autoestrada 5, e que continuasse voando em modo visual (VFR) a menos de 2.500 pés (762 metros) de altura.

A partir daí começou sua viagem para o oeste, onde fica o subúrbio de Calabasas. O piloto do helicóptero disse à torre de Burbank que seu plano era seguir a autoestrada 118 em direção ao oeste e depois seguir a estrada 101 até o destino. A comunicação foi encerrada, e o helicóptero entrou em contato com o outro aeroporto do norte de Los Angeles, o de Van Nuys. A torre de Van Nuys disse ao piloto que o vento estava calmo e a visibilidade era de duas milhas e meia.

Kobe Bryant abraça sua filha Gianna durante partida do Los Angeles Lakers, em 17 de novembro de 2019.
Kobe Bryant abraça sua filha Gianna durante partida do Los Angeles Lakers, em 17 de novembro de 2019.ALLEN BEREZOVSKY (GETTY IMAGES)

O piloto do helicóptero confirmou para a torre de Van Nuys que estava voando em modo visual a 1.500 pés de altura (457 metros). Rodeou o pequeno aeroporto, usado principalmente para voos particulares e depois virou para o sul. Então entrou na região montanhosa de Thousand Oaks e Calabasas. O controle de voo passou então para o sistema SoCal. Eram 9h42.

O controlador de voo perguntou três vezes ao piloto se precisava de ajuda com o voo. Não houve resposta, provavelmente porque o helicóptero voava tão baixo que não captou o sinal. Na última comunicação, o controlador disse: “Helicóptero N72EX, voa muito baixo para guiá-lo neste momento”. Não se referia a que a altura fosse perigosa, mas que voava tão baixo que não captava o sinal de rádio e não podiam falar.

Os dados do Flightradar24 mostraram que o aparelho se aproximou das montanhas a 1.200 pés de altitude (365 metros). De repente, às 9h43, subiu bruscamente em apenas um minuto até os 2.000 pés (609 metros).

Às 9h45, o aparelho desapareceu do radar. Às 9h47, o telefone de emergência dos bombeiros de Los Angeles recebeu a primeira ligação de uma testemunha dizendo que um helicóptero caíra perto do número 4.200 da Las Virgenes Road, nas colinas de Calabasas.

Os restos do aparelho se espalharam por uma área do tamanho de um campo de futebol em uma colina de difícil acesso a pé, explicou o xerife de Los Angeles, Alex Villanueva. Entre bombeiros e médicos, 56 membros das equipes de emergência foram para o local. O xerife e o médico legista do condado anteciparam que a identificação dos corpos levará “dias”. Os legistas ainda trabalhavam durante a noite para resgatar os corpos.

A investigação das causas do acidente acabou de começar. As equipes da Administração Federal de Aviação (FAA) e da Comissão Nacional de Segurança nos Transportes (NTSB) são as responsáveis pelas investigações.

 

Autor de grandes sucessos como “As Aparências enganam” e  ‘Frisson’, ele era irmão de João Bosco e foi gravado por Elis, Fafá de Belém, Ney Matogrosso e Gal, entre outros. Aos 69 anos, foi achado morto pela mulher no sofá de casa.

Por Elza Gimenez, TV Globo

Morre, aos 69 anos, o cantor e compositor Tunai, irmão mais novo de João Bosco

Morre, aos 69 anos, o cantor e compositor Tunai, irmão mais novo de João Bosco

 

José Antônio de Freitas Mucci tinha 69 anos. Irmão de João Bosco, é autor de ‘Frisson’, entre outros sucessos.

A morte foi confirmada pela família à TV Globo. Tunai foi encontrado morto no sofá da casa dele pela mulher. A morte foi constatada às 6h, por parada cardíaca.

 Tunai ficou famoso com o hit Frisson, tema da novela "Suave Veneno", da TV Globo. — Foto: Divulgação/Spirito Jazz

Tunai ficou famoso com o hit Frisson, tema da novela “Suave Veneno”, da TV Globo. — Foto: Divulgação/Spirito Jazz

O jornalista Mauro Ferreira publicou em seu blog no G1 neste domingo (26) um texto sobre a morte do cantor e compositor. Segundo ele, o nome de Tunai fica na eternidade das canções

O corpo será velado a partir das 12h30 desta segunda-feira (27) no Memorial do Carmo, no Caju. A cremação está marcada para as 15h30.

Tunai se lança como cantor

Tunai se lança como cantor

Fama pela voz de Elis Regina

“A Elis Regina foi o principal vestibular que passei na minha vida”, disse Tunai em uma entrevista ao G1, em 2018.

Tunai lembra que foi a cantora quem viu nele um potencial para a composição.

De sua autoria, Elis Regina gravou:

  • “As Aparências enganam”, do disco “Essa mulher” (1979);
  • “Agora tá”, de “Saudade do Brasil” (1980);
  • “Lembre-se”, gravado no show de lançamento de “Essa mulher”, no Palácio do Anhembi, em São Paulo (SP), em setembro de 1979.
 
 
Tunai lança disco em comemoração aos 30 anos de carreira

Tunai lança disco em comemoração aos 30 anos de carreira

Engenheiro civil de formação, o compositor brincava que Elis Regina foi a responsável por ele deixar os canteiros de obras na década de 1970 para seguir a carreira artística.

 

“Ser gravado por ela [Elis] abriu completamente as portas para mim. Foi uma coisa tão boa que eu nunca deixei de homenagear a Elis que deixou um legado incrível. Morreu cedo, mas viveu mais de 100 anos.”

Em 1977, o irmão João Bosco o apresentou ao poeta Sérgio Natureza, com quem viria mais tarde a produzir boa parte de sua obra e seus maiores sucessos.

Estreou em 1978, quando Fafá de Belém interpretou “Se eu disser”, da dupla. No ano seguinte, Elis Regina gravou “As aparências enganam”.

Em 1982, Jane Duboc obteve o 3° lugar no Festival MPB Shell, da Rede Globo, com a música “Doce mistério”. Em 1984, Gal Costa gravou duas composições da dupla: “Olhos do Coração” e “Eternamente” (com Liliane).

Em 1984 lançou o maior sucesso, “Frisson”, no LP “Em Cartaz”. O hit foi incluído na trilha da novela “Suave veneno”, da TV Globo.

Entre 1985 e 1994, fez vários shows em teatros de todo o Brasil e lançou diversos discos. Tunai teve outros sucessos nas trilhas de várias novelas como: “Sintonia” ( “Tititi”), “Sobrou pra mim” (“Fera radical”), e “Meu amor” (“Despedida de solteiro”).

 

Tunai e o compositor Wagner Tiso — Foto: José Luiz Pederneiras/Divulgação Tunai e o compositor Wagner Tiso — Foto: José Luiz Pederneiras/Divulgação

Tunai e o compositor Wagner Tiso — Foto: José Luiz Pederneiras/Divulgação

Regravações

Na década de 1990, Ney Matogrosso gravou “As aparências enganam”, montando um show homônimo que percorreu com sucesso todo o país.

 

Em 1999, Ivete Sangalo regravou “Frisson”.

Outros grandes nomes da música brasileira também interpretaram as composições de Tunai: Milton Nascimento, Gal Costa, Elba Ramalho, Fagner, Jane Duboc, Emílio Santiago, Fafá de Belém, Zizi Possi, Beto Guedes, Joanna, Sandra de Sá, Sérgio Mendes, Belchior, Ivete Sangalo e Roupa Nova estão entre eles.

“As aparências enganam”, Ellis Regina: uma das mais intensas, pungentes e prodigiosas composições da música popular brasileira, que atravessa o tempo sem perder a sua incrível atualidade, porque com sua melodia, letra e impecável interpretação de Ellis, toca os sentimento mais profundos da alma humana. Obra prima e eterna de Tunai, que a música do Brasil acaba de perder. R.I.P. Saudades.

Com agradecimentos do BP à artista plástica Ligia Aguiar, amiga do peito deste editor do Bahia em Pauta, que lembrou desta preciosidade musical na homenagem a Tunai, em sua página no Facebook.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, disse ao Estadão que os agricultores são os principais interessados no meio ambiente.

“Fica parecendo que para produzir a gente tem que destruir o meio ambiente, e não é isso. Temos 66% de vegetação nativa intacta e estamos trabalhando há muito tempo para fazer uma agricultura sustentável”, afirmou.

Para a ministra, a agricultura brasileira não pode ser tratada como vilã:

“Eles acham que a agricultura brasileira é muito competitiva. E é mesmo, mas não é destruindo a imagem do Brasil que eles vão conseguir. O Brasil foi vilanizado, botaram o alvo nas nossas costas e o povo está dando tiro.”

Do  Jornal do Brasil GILBERTO MENEZES CÔRTES, gilberto.cortes@jb.com.br

 

O Brasil comemorou a criação de 644 mil vagas com carteira assinada em 2019 pelo Caged, o melhor resultado desde 2013. Em relação aos 529 mil empregos formais de 2018, houve aumento de 21,6%. Animador. Mas a soma dos dois anos seguidos não recupera as 1,321 milhão de vagas fechadas em 2016, o 2º ano da recessão do 2º governo Dilma. Muito menos os 1,542 milhão de vagas perdidas em 2015.

Como a população em idade de trabalhar cresce, e não foram geradas vagas, a fila do desemprego diminuiu. Há ainda um ‘estoque’ de 12 milhões de pessoas esperando passar o trem do emprego nas estações. No estado do Rio de Janeiro, 3º do país em população com 17,3 milhões de habitantes, a situação melhorou um pouquinho, mas não há o que comemorar. A criação de 16.829 vagas em todo o estado foi o 3º menor aumento do ano (+0,51%), à frente só de Acre e Alagoas. No ranking total da criação de empregos, o Rio de Janeiro ficou num modesto 10º lugar.

Estado com 46,1 milhões de habitantes, segundo as projeções do IBGE, São Paulo liderou a criação de empregos em 2019, com 184 mil vagas com carteira assinada (e nos empregos informais, que geram renda). Minas Gerais, com 21,2 milhões, gerou 97,7 mil vagas com carteira. A surpresa veio de Santa Catarina. O menor estado sulista, com 7,2 milhões de habitantes, gerou 71,4 mil vagas, superando as 48,5 mil vagas do Paraná (que tem 11,479 milhões de habitantes, à frente dos 11,401 milhões do RS, que gerou 20,4 mil vagas).

O Rio de Janeiro foi superado pelas 24,5 mil vagas criadas na Bahia, com população de 14,9 milhões de habitantes. O vizinho Espírito Santo, com apenas 4 milhões de habitantes, ofereceu 19.537 vagas (bem mais que o RJ). A fronteira agrícola do Centro-Oeste, que já tem fábricas que processam as safras locais, teve forte geração de empregos no Mato Grosso (maior produtor do país), que criou 23 mil vagas para pouco mais de 3,5 milhões de habitantes. Goiás, com 7 milhões de habitantes, teve a criação de 21,5 mil empregos.

O município do Distrito Federal, que tem Brasília como uma cidade basicamente administrativa (e de serviços), criou 16.241 empregos. Alçada em 1960 como a nova capital, Brasília teve pouco menos vagas que as 16.829 do estado do Rio de Janeiro (resultado da fusão, em 1975, da antiga capital federal, o estado da Guanabara, surgido após a mudança para Brasília, com o antigo estado do Rio de Janeiro).

A situação segue dramática para quem mora e trabalha na região metropolitana do Grande Rio, que abrange pouco mais de 13 milhões de habitantes, espalhados por 22 municípios. O Caged registra a movimentação nas sedes das empresas, nos municípios onde são homologadas as admissões e demissões de empregados. A capacidade de atração de empregos pela capital, Rio de Janeiro, continua sendo determinante na região metropolitana.

O Grande Rio nunca foi forte em indústria. Fábricas com pequena escala de produção fecharam de vez quando da abertura da economia (com redução de tarifas de importação) no governo Collor [a abertura comercial do governo Bolsonaro será um novo desafio]. São Paulo percebeu logo o fenômeno (que afastou as fábricas para outros estados e o interior) e tratou de atrair as atividades de serviços (de maior peso no PIB e as que mais empregam). O golpe mortal foi a transferência do centro financeiro nos anos 90.

Pois no ano passado a cidade do Rio de Janeiro, com 6,8 milhões de habitantes, teve perda de 6.640 empregos com carteira assinada. No bolsão dos 13 municípios da Baixada Fluminense (zona crítica onde foram fechadas dezenas de indústrias, antes e após a fusão) estão concentrados todos os impactos da crise social do estado do Rio de Janeiro. É a maior concentração de desemprego, miséria e toda a sorte de mazelas, pela incapacidade do setor público (nas três esferas de poder) atender as carências da população.

Nova Iguaçu, que era o 2º maior município à época da fusão e depois teve áreas transformadas em novos municípios, como Belford Roxo e Queimados, ambos em 1990, atualmente com 821 mil habitantes, atrás de Duque de Caxias (919 mil habitantes) e São Gonçalo (1,1 milhão), fechou 2.830 empregos com carteira no ano passado, Belford Roxo, perdeu 680 vagas. Niterói fechou 137 postos. No total, a região metropolitana perdeu 10.600 postos com carteira.

Luz no fim do túnel

Não dá para se desesperar com a falta de emprego no RJ. A despeito da perda de 10.600 postos no entorno da capital, houve a geração final de 16.829 vagas. É preciso ver onde estão surgindo as oportunidades. A notícia é duplamente positiva: vem da retomada dos negócios com a exploração de petróleo e gás na costa do Estado do Rio, que beneficia os municípios costeiros, utilizados nas atividades de apoio off-shore.

Mesmo com o envelhecimento dos campos de produção da Bacia de Campos, o Estado do RJ segue ampliando sua participação na produção nacional de petróleo no pré-sal, tanto na parte mais funda da Bacia de Campos, como na Bacia de Santos. Apesar da sua denominação, as descobertas atuais ainda se situam na projeção territorial do RJ e seus municípios. O RJ detinha em dezembro 78,81% da produção nacional de petróleo e gás equivalente, e o Espírito Santo ainda ganhava de São Paulo no photochart: 10,44%, contra 10,28%, segundo dados da ANP.

O município campeão na geração de empregos voltou a ser Macaé, com 3.046 vagas em 2019, mas São João da Barra, onde Eike Batista lançou o Porto do Açu, comprova ter surgido ali um dos maiores polos industriais do país: no ano passado foram criadas 3.015 vagas com carteira. Campos dos Goytacazes abriu 2.225 vagas. Maricá, novo polo de apoio, gerou 1.924 vagas, e Rio das Ostras, vizinho a Macaé, 1.811 empregos. Somando Angra do Reis, onde estaleiros produzem para a área de E&P de O&G, e Itaboraí, que gerou 1.366 vagas com a retomada parcial do Comperj, as cidades diretamente ligadas ao mundo do petróleo criaram mais de 17 mil vagas no ano passado. Para se conseguir emprego, é preciso mudar de cidade e região. No RJ e no Brasil.

O problema recente da água contaminada da Cedae é só a ponta do iceberg. Nesses 13 municípios que abriam mais de 10 milhões não há redes de coleta de esgoto para todas as casas (amigo da coluna, morador da Urca, na capital, brincou comigo essa semana dizendo que só iria pagar a taxa do esgoto e não da água da Cedae). Pois a população da Baixada e de boa parte da capital há anos paga as duas taxas, sem receber serviço adequado da Cedae, que nunca construiu as redes de tratamento de esgoto nos municípios locais. O resultado visível, há anos, era a poluição da baía de Guanabara, cloaca que absorvia as valas negras da região. Agora, como previsto, os próprios mananciais que abastecem a Estação de Tratamento de Água do Guandu foram contaminados pelos esgotos. A Baixada segue sendo um poço de carência de saneamento, coleta de lixo, saúde, educação, transporte, emprego e segurança.

Em tempo, a contaminação da água por esgotos que geram a geosmina, que altera o gosto, a limpidez e a sanidade da água, surgiu pela primeira vez em 2004. Só agora, 16 anos depois, a Cedae, instalou sistemas de purificação com carvão ativado, há muito utilizadas pelas congêneres estaduais.

Na China, para combater o coronavirus, centenas de máquinas, caminhões e milhares de homens deram início à construção de hospital específico para tratar a doença, que as autoridades esperam colocar em operação em 10 dias.

Na África, o avanço da China sobre reservas minerais estratégicas, que incluem o petróleo e gás, se apoia em amplos financiamentos e na entrega de hospitais, 100% aptos a funcionar, em pouco mais de seis meses.

No Brasil, obras que terminassem em um ano já seriam aplaudidas de pé.

jan
27
Posted on 27-01-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 27-01-2020



 

 Myrria, no jornal

 

DO EL PAÍS

A atriz estreou no cinema como protagonista do filme ‘O Que Arde’, de Oliver Laxe

 Tereixa Constenla

Benedicta Sánchez, diante do carvalho da Porfía, em San Fiz de Paradela (Lugo).
Benedicta Sánchez, diante do carvalho da Porfía, em San Fiz de Paradela (Lugo).óscar corral

A porta do elevador de um edifício de Lugo se abre e sai uma exalação que arrasta um carrinho de compra e várias bolsas. Benedicta Sánchez (San Fiz de Paradela, Lugo, 84 anos) recusa a ajuda com contundência. Sobe no carro, protesta pelas calças que lhe emprestaram (caem) e relata a angústia que teve após perder seus óculos (os encontrou). No dia anterior chegou ao apartamento de sua filha, Emma Karina Sánchez, depois da meia-noite, após uma tarde de provas para escolher um vestido para a entrega do Prêmio Goya, o evento mais importante do cinema espanhol. No Ano Novo tocou as badaladas para a TVG e, meses antes, dançou uma muñeira (dança popular da Galícia) sobre o tapete vermelho de Cannes. Usa o mesmo macacão que sua personagem em O Que Arde, pelo qual ganhou o prêmio de atriz revelação na noite de sábado, mas aquela Benedicta se parece pouco com esta.

A Benedicta real teria saído correndo para abraçar o filho que volta após anos na cadeia. Também o teria defendido dos outros. A transformação não foi simples. Até que o diretor Oliver Laxe a animou a fazer ioga e ver Mouchette, a Virgem Possuída e A Grande Testemunha, de Robert Bresson. “Ela demorou a assumir a submissão do personagem e que queríamos evocar através da elipse”, diz o cineasta.

Foi Emma Karina Sánchez, a filha de Benedicta, que encorajou sua mãe a ir aos testes. “Procuravam uma mulher com mais de 65 anos e tive o pressentimento de que a escolheriam. Eu a encorajei a fazer teatro no mesmo grupo amador em que estou e sempre fazia as pessoas rirem, se apropriava do roteiro, o fazia seu”, conta enquanto passeia com seus cães por San Fiz de Paradela e sua mãe corre para acariciar o majestoso carvalho da Porfía.

Benedicta fala com as árvores e, quando os teve, com os animais. Assim começou na adolescência a disputa ética interior que a levou a abraçar aos 17 anos seu novo marido e seu vegetarianismo. Aquela vanguarda encontrou poucas saídas na Lugo dos anos cinquenta. O casal emigrou ao Brasil. Lá começa a segunda vida de Benedicta: se torna fotógrafa de casamentos, batizados e comunhões, trabalha em uma livraria especializada em filosofia e vegetarianismo, escala todos os picos do Rio de Janeiro, viaja muito (Turquia, Israel, Jordânia e Grécia, entre outros), se separa de seu marido e conhece aquele que seria o pai de Emma Karina. É feliz em uma tenda de campanha.

Benedicta Sánchez, em um helicóptero no Rio de Janeiro em 1971.
Benedicta Sánchez, em um helicóptero no Rio de Janeiro em 1971.

Até que em 1979 retorna a sua origem para enfrentar uma década cruel. A terceira vida. “Foi péssimo, os piores anos de minha existência. Voltei com a ideia de montar um laboratório de fotografia, mas minha mãe e meu irmão não me deixaram fazer nada. Eles me viam como uma fracassada, voltava da América sem dinheiro e com uma filha”, revive a poucos metros da casa que herdou deles e que foi roubada várias vezes.

— Não tem medo de viver sozinha?

— O medo é um sentimento de culpa e falta de curiosidade.

Assim fala Benedicta, salpicando seu relato de frases definitivas e reflexões originais. “Aceito o que a vida me dá”. Se roubam os móveis que trouxe de Valência (a quarta vida) do palheiro, deixa de podar os espinheiros para que os ladrões pensem duas vezes. Se o encanamento de água que abastece a casa quebra, coloca baldes e bacias para recolher a água da chuva. Se uma gineta mata seus gatinhos e lhe parte o coração, se recusa a ter outros animais de estimação. “Eu não quero modificar ou mudar o destino. O que vier, eu admito. Eu me criei no pós-guerra com frio e necessidades. Assim as pessoas são forjadas”.

Foi para Valencia, a quarta vida, para que sua filha estudasse Belas Artes, para sacudir a opressão materno-fraternal e para reencontrar o sol. Ela se matriculou na universidade para idosos e só concordou em retornar à aldeia de Lugo em 2008, após a morte de seu irmão. “Precisei vir para tomar conta da casa”.

Benedicta disputou a categoria de melhor atriz com Pilar Gómez (Adiós), Carmen Arrufat (La inocencia) e Ainhoa Santamaría (Mientras dure la guerra), mas ela não gosta da palavra competir. “Nessa altura da minha vida, o Goya não tira meu sono”, conclui.

Chegamos à quinta vida, a que surgiu após a filmagem de O Que Arde, o filme que usa o silêncio para gritar coisas. Benedicta Sánchez e Amador Arias, o outro protagonista, nunca haviam trabalhado no cinema. Sua relação na tela se constrói ao redor de um fogão à lenha, o vaivém das estações em Os Ancares e uma comunicação feita com elipses e monotonias. Se a Benedicta da ficção e a da vida real têm algo em comum é a simplicidade: “A parafernália não é meu estilo”. De modo que foi à premiação sem renunciar a si mesma. Vestida de Adolfo Domínguez e sem dentes. “Achei que Oliver iria me pedir que colocasse uma dentadura, mas só me pediu que deixasse o cabelo comprido. Quando alguém me propõe cortá-lo, digo que não, que meu cabelo é de Oliver”.

Os atores Amador Arias Mon e Benedicta Sánchez Vila durante o prêmio Goya.
Os atores Amador Arias Mon e Benedicta Sánchez Vila durante o prêmio Goya.Petros Giannakouris (AP)

OLIVER LAXE: “PERCEBI QUE ERA ESPECIAL”

Oliver Laxe teve quase tantas dúvidas como certezas ao descobrir uma mulher octogenária, cabelos curtos e modos urbanos na fila das aspirantes a coprotagonizar seu terceiro filme, O Que Arde. “Fiquei emocionado por uma mulher de sua idade vir aos testes. Percebi que ela era muito especial, mas também que não tinha uma presença de mulher de aldeia”, diz por telefone.

Tentou outras mulheres da comarca de Os Ancares, onde se passa o filme, até que por fim apostou em Benedicta. “Ela nos oferecia sensibilidade, a possibilidade de trabalhar com ela a nível intelectual e um físico que aguentaria a filmagem. Era questão de modelá-la como atriz”. O cineasta se preocupava que a relação entre Amador, o piromaníaco que sai da prisão, e sua mãe, Benedicta, caísse no trivial. “Eu me assustava em fazer um filme psicológico com uma mãe castradora, outra vez a mulher como culpada de tudo. Queria chegar a algo mais essencial”.

Craque do Lakers, de Los Angeles,  já aposentado, estava em sua aeronave particular sobrevoando a região de Calabasas, área   de residencial de moradores de classe média alta no subúrbio de Los Angeles, na Califórnia.

O jogador de basquete Kobe Bryant.
O jogador de basquete Kobe Bryant.JORGE CRUZ / EFE

O astro do basquete Kobe Bryant morreu neste domingo em um acidente de helicóptero na Califórnia, segundo informaram veículos de comunicação americanos como TMZ, Variety e a cadeia esportiva ESPN.

O  craque do Lakers, já aposentado, estava viajando em seu helicóptero particular com outras pessoas. Bryant, de 41 anos, jogou vinte temporadas da NBA com o Los Angeles Lakers. Ele era casado com Vanessa Laine e tinha quatro filhos.

 O helicóptero onde o jogado viajava caiu por volta das 10 horas da manhã contra uma colina na área de Calabasas, um subúrbio de alto poder aquisitivo no noroeste de Los Angeles, perto da 4200 Las Virgenes Road. Não houve sobreviventes, segundo informou a polícia.
Bombeiros no local do acidente de helicóptero.
Bombeiros no local do acidente de helicóptero.REUTERS

Em Los Angeles, a notícia correu pelos celulares a toda velocidade. Bryant é uma das pessoas mais queridas da cidade, que o viu crescer como jogador todos os anos de sua vida profissional. Nas proximidades do Staples Center, onde ele desenvolveu toda a sua carreira e neste domingo acontece a cerimônia de entrega dos Prêmio Grammy, grupos de pessoas se mostraram incrédulos por volta das 11h45 da manhã, quando a polícia começou a confirmar a identidade dos mortos no acidente de helicóptero, um dos mais graves ocorridos na cidade.

Bryant foi o jogador mais jovem da história a conseguir uma contratação na liga profissional, aos 17 anos, em 1996. Venceu cinco campeonatos e marcou uma era ao lado de jogadores como Shaquille O’Neil e Pau Gasol. É o quarto maior cestinha da história da liga, superado recentemente por Lebron James. Seu pai, Joe Bryant, também era jogador da NBA. Dois anos atrás, Bryant ganhou um Oscar por um documentário sobre basquete.

Kobe Bryant com o Oscar de Melhor Curta de Animação.
Kobe Bryant com o Oscar de Melhor Curta de Animação.MIKE BLAKE (REUTERS

DO EL PAÍS
Lula da Silva, durante la entrevista con EL PAÍS, en su oficina en São Paulo.
Lula da Silva, durante la entrevista con EL PAÍS, en su oficina en São Paulo. Lela Beltrão (EL PAÍS )

 Juan Arias

No Brasil, algumas placas tectônicas da política estão se movendo de repente, enquanto Lula, já fora da cadeia e com liberdade de palavra e ação, continua envolto em silêncio político. Sabemos através de terceiros o que pensa e o que está organizando. Aparentemente, sua grande preocupação seria definir os possíveis candidatos de seu partido, o PT, com vistas às eleições municipais. Muito pouco para o momento crítico que o país vive, em que estão em jogo sua liberdade de pensamento e seu futuro democrático.

Vemos que o bolsonarismo mais exacerbado e autoritário, mais de extrema direita, está levantando a cabeça e o presidente Bolsonaro, enaltecido pelos seus, já não fala apenas em disputar a reeleição em 2022, como até insinua poder se eternizar no cargo para além de oito anos. Quando parecia que seu balão de popularidade tinha furado, alcançando índices insignificantes de consenso superados até por seu ministro da Justiça, Sergio Moro, de repente parece ter levantado a cabeça.

As últimas pesquisas lhe dão, de fato, um crescimento significativo de apoio popular e ele, encorajado, imediatamente deu sinais claros de querer debilitar a força de Moro em seu Governo. Anunciou que poderia retirar de seu ministério a luta contra o crime organizado, campo no qual o ex-juiz da Lava Jato estava colhendo frutos consideráveis. Daí a retirá-lo do Governo ou empurrá-lo para fora há um passo.

Além disso, encorajado por seu crescimento de popularidade, Bolsonaro se permitiu o luxo de oferecer a Secretaria da Cultura à famosa atriz global Regina Duarte, algo que deixou perplexa a extrema direita. Seu filho Carlos, o vereador extremista do Rio de Janeiro, chegou a acusar o pai de ter escolhido uma “comunista”.

Agora Bolsonaro, mais livre, exibe como seu novo troféu a atriz que, na realidade, teria desempenhado um bom papel em qualquer governo democrático. Gilberto Gil não foi ministro da Cultura do Governo Lula? Não, Bolsonaro não se converteu repentinamente aos valores democráticos. É que ele se sente mais forte e com vontade de provocar até os seus.

Ainda não sabemos se essa escolha para dirigir a rica cultura brasileira acabará se consolidando, se a atriz se sentirá à vontade e com liberdade de ação nesse Governo de extrema direita e até quando o chefe a apoiaria se tentasse abrir novos campos de democracia cultural. Não há dúvida, no entanto, de que Bolsonaro se permite até jogar com dois baralhos e até se diverte com a nomeação de Duarte como sua nova “noiva”.

Enquanto isso, Lula continua em silêncio neste momento crucial em que poderia se consolidar um clima de autoritarismo e obscurantismo e uma caça às bruxas dentro do país, começando por operações como a intentona de condenar o jornalista norte-americano Glenn Greenwald –o fundador do The Intercept, que desentranhou as vísceras mais obscuras da Lava Jato– como um símbolo claro de desprezo pela liberdade de expressão e para desmoralizar ou punir os tradicionais meios de informação, que tenta demonizar a todo custo.

Existem, no entanto, momentos na história de uma família ou de um ou país em que é necessário esquecer os interesses mais pessoais ou de grupo para se colocar a serviço da comunidade, especialmente se esta estiver em grave perigo. Por isso Lula, que com seus acertos e erros não deixa de ser uma figura fundamental na democracia deste país e, por enquanto, ainda é um líder indiscutível, faria mal em se perder na defesa de seu curral pessoal, esquecendo-se do bem geral.

Seu papel se apequenaria se sua única preocupação fosse salvar do incêndio o seu partido, por mais importante que tenha sido e continue sendo na política geral. Nem de nada serviria neste momento um confronto direto com Bolsonaro, pois isso serviria apenas para fortalecê-lo, bem como suas hostes ultraconservadoras, que se sentem orgulhosas de ter derrotado o lulismo nas urnas.

O que o Brasil precisa, algo para o qual Lula ainda poderia ser uma peça importante, é de reunificação. Não digo da esquerda, que, como tal, parece ter poucas chances de derrotar a onda liberal-conservadora e até fascista que se impôs no país e que contagiou inclusive boa parte das classes mais baixas e pobres que um dia foram o curral exclusivo de Lula.

O Brasil, depois da explosão e da involução bolsonarista, está em um momento histórico que outros países já viveram no passado, como a Espanha, quando acabou a ditadura franquista. Só conseguiu sair do túnel fúnebre de 40 anos de obscurantismo, precedido por uma sangrenta guerra civil, com a ideia genial e inteligente de todos os partidos democráticos de dar vida por meio do famoso Pacto da Moncloa, que mais tarde seria imitado por outros países, a uma primavera democrática capaz de recuperar todas as liberdades pisoteadas pelo franquismo.

Também hoje as forças democráticas no Brasil, da esquerda à direita, precisam fazer um pacto de ação, diante do furacão extremista que agitou o país com a chegada de Bolsonaro. Deve reunir forças, esquecendo-se dos interesses pessoais ou partidários, para criar um pacto democrático capaz de devolver ao país, antes que seja tarde demais, seus melhores valores civis e de modernidade, vividos em liberdade.

Para isso, todas essas forças democráticas devem estar cientes, assim como Lula, de que não será alimentando egos e defendendo seus próprios interesses partidários, ou com slogans falsamente nacionalistas como os do bolsonarismo, que se recriará uma sociedade pacificada, unida e feliz, onde todos tenham direito à cidadania.

E onde não sejam relegadas mais uma vez ao esquecimento, como está acontecendo hoje, essas caravanas de pobres e desassistidos, vítimas de um capitalismo rançoso e cruel. Caravana de famílias que mal conseguem sobreviver e que se refletem escandalizadas nos privilégios vergonhosos de algumas minorias, começando pelos políticos.

E essas famílias da periferia econômica do país não são uma minoria sofrida e insignificante, pois hoje, infelizmente, já constituem a grande maioria numérica deste Brasil, um dos maiores e mais ricos países do mundo. Um país que, paradoxalmente, acaba de aparecer na fila daqueles que menos combatem a corrupção generalizada e quase institucionalizada. Será verdade que não existe corrupção no novo Governo Bolsonaro? É de esperar que seu ministro da Justiça, Moro, que era um lince para descobrir corrupção até debaixo das pedras quando exercia como juiz da Lava Jato, seja capaz agora de detectá-la dentro de seu próprio Governo. Ou não?

“Medo de Amar”, Nana Caymmi e Wagner Tiso: Estupenda interpretação (Ao Vivo)de Nana de uma das mais extraordinárias canções de seu Dorival, com arranjo musical e acompanhamento simplesmente de arrepiar de Wagner Tiso. Confira e comprove.!!!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

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