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Posted on 15-08-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 15-08-2018
Resultado de imagem para Duarte Pereira jornalista

 

 

Texto escrito pelo professor da UFBA, Romélio Aquino, em novembro de 2o15, encaminhado ao homenageado Duarte Lago Pacheco, permaneceu inédito. Recuperado pelo autor, se mantém ainda, relato relevante e precioso (histórica, política e culturalmente, para a Bahia e para o País)). Bahia em Pauta, honrosamente, o publica nesta quarta-feira, 14 de agosto. Boa leitura.

Com saudação a Duarte e agradecimentos a Romélio.

(Vitor Hugo Soares, editor do BP) 

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ARTIGO

PEQUENA HOMENAGEM A UM GRANDE HOMEM

 

Romélio Aquino

 

Houvesse uma história contrafactual do indivíduo, como refazer os passos do jovem ex-seminarista que início dos anos 60 assombrou nossa reputada Direito federal da Bahia, quando professores rastreavam parentesco distante com Duarte Pacheco (subproduto indisputado: maior aluno de todos os tempos)?

Como retraçar o curso do noviço e já respeitado docente da PUC, do membro singular da equipe que imprimiu um Antes e um Depois à imprensa brasileira?

Contrafactual, porque a luta contra a Besta de quepe e coturno leva à decisão da AP remetendo à ascese obreirista de eletricitário em Osasco o orientador de alunos, interlocutor de bispos e potencial favorito à presidência do estratégico Sindicato dos Jornalistas de São Paulo.

The rest is silence, literalmente: é a mordaça da clandestinidade banindo do debate público o mais bem equipado persuasor de minha geração – impossível esquecer o cristal das teses, e o crescendo da argumentação a um só tempo poderosa e honesta a ponto até de subsidiar divergência exercível quase a contragosto.

Doze tristes anos se passam, e a anistia devolve-nos Duarte adentrando os 40, frente a mercado de trabalho amesquinhado. Retomar o magistério é inviável numa Universidade que agora sotopõe talento a título; as querelas do jornalismo diplomado limitarão Duarte à condição de frila.

Tempos já difíceis, e se abate sobre o amigo o desfavor dos deuses: primeiro, a grave cardiopatia que num episódio quase o leva à morte; depois, o câncer que progressivamente apanha o tempo de Duarte. Que enfrenta o sofrimento com a soma de coragem, determinação, serenidade: a técnica de si estóica, por certo, mas algo mais sustenta-lhe o ânimo – um modo de ser, uma potência.

Escaldado por tanto aggiornamento (para dizer pouco), provoco amigos com aparente paradoxo: “Mudar é fácil, difícil é permanecer o mesmo”. E acontece me dar conta que Duarte é, simultaneamente, o revolucionário mais verdadeiro e a pessoa mais idêntica a si mesma que jamais conheci.

Eis que deparo, em renomada obra coletiva, trabalho pioneiro sobre A Identidade Moral e a Pessoa, questão de “interesse espantosamente difundido numa diversidade de teóricos políticos e sociais e de públicos leigos”. Essa noção de identidade traz necessariamente à cena a de integridade moral, em conclusão:

“Uma pessoa íntegra é uma pessoa coesa, que é responsável no duplo sentido de que podemos confiar nela e de que está pronta a responder pelo que faz ou fez, uma pessoa que não trapaceia com aquilo que ela defende fundamentalmente”.

Duarte, dos pés à cabeça. Vasculho significações de “íntegro”, de inteiro a incorruptível, escolho uma: nosso amigo é inquebrantável – integridade moral é o nome de sua fortaleza na adversidade.*

Participamos ou temos notícia da trajetória de Duarte nos últimos anos. Resumidamente, e em respeito à sua discrição: estudioso infatigável; tradutor bissexto; jornalista acatado entre os pares; autor de concorridas análises da nossa realidade; divulgador solidário de produção alheia; ministrante de cursos de iniciação política… Invariavelmente, um lutador: em sua autodefinição, “um quadro sem partido”.

E contudo, mais que hipocrisia esconder, é omissão não protestar que algo lhe faltou. Da documentação que progressivamente se avoluma, do depoimento de companheiros da Resistência, dos estudos que despontam sobre aquela saga, resulta óbvia a ilação de uma ingrata desproporção entre o tamanho de Duarte e o lugar que ele ocupa na vida pública do país.

Preservada a capacidade pessoal (malgrado perdas da clandestinidade e a doença), o que faltou a Duarte está na ordem dos fatos: oportunidade. Não no sentido comum, mas oportunidade histórica, ou antes, faltou-lhe a história como oportunidade. Tivesse-a, daria conta da tarefa como até aqui deu conta das tarefas todas que a vida lhe incumbiu. E escaparíamos ilesos de uma falta em segundo grau: esta que ele, involuntariamente, nos faz.*

Companheiros amigos de Duarte, demo-nos as mãos: proponho um malrauxiano Memorial Imaginário, a preencher-se com as peças do nosso testemunho. Conhecida é a fugacidade da memória dos homens. E sabemos como a história é escrita: a dos vencedores, mas também a dos vencidos, a “deles”, mas também a “nossa”, verdade é que o relato histórico é sensível às luzes – ­e ribalta é tudo o que nosso amigo nunca procurou. Já tarda, mas é tempo de narrar Duarte, com os recursos ao nosso alcance. Afinal de contas, coube-nos a sorte e a alegria de partilhar esta vida intensa, de conviver com este grande homem.

(Ocorre-me o Petrarca epigrafado por um então resgatado Schopenhauer, e que juntos traduzimos: “Siquis toto die currens, pervenit ad vesperam, satis est”, “Se quem vem para ficar, chega mais tarde, basta”.)

*

Tardará mucho tiempo en nacer, si es que nace, um baiano tão íntegro, tão rico de sabedoria.  Colega, companheiro, amigo, mil vezes amigo Duarte Brasil Lago Pacheco Pereira,

Sei que está difícil, mas insisto:

VIDA LONGA E BOA, DUARTE! FEZ E FAZ POR MERECER.

 

Romelio, nov/2015

 

 

  1. S. – Abraço-a, brava Rejane, com estima e admiração. E gratidão.

“No dejes que te olvide”:Monumental e imorredouro Bola de Nieve. Tão grandioso quanto a própria música cubana. Confira!!!

B OM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

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jose mujica Ampliar foto
O ex-presidente uruguaio José Mujica, em 10 de agosto de 2018 em Buenos Aires. EFE

O ex-presidente do Uruguai José Mujica, de 83 anos, renunciou nesta terça-feira a seu cargo de senador por motivos pessoais. “Os motivos são pessoais, diria que é pelo cansaço de uma longa viagem”, explica o ex-mandátario em uma carta enviada à própria mulher, Luzia Topolansky, que é vice-presidenta do Uruguai e presidente do Senado.

Mujica, que foi eleito senador após ser presidente do país entre 2010 e 2015, anunciou que terá sua aposentadoria e não a acumulará com qualquer benefício por ter sido senador. “O caráter de renúncia voluntária e a legislação vigente assinalam que não corresponde o benefício do subsídio estabelecido”, sustenta no texto.

Apesar de abandonar seu cargo de senador, Mujica ressaltou que, enquanto sua mente funcionar, não renunciará “à solidariedade e à luta de ideias”. Além disso, aproveitou a carta para pedir “desculpas muito sinceras” se em alguma ocasião, “no calor dos debates”, feriu “no pessoal” algum de seus colegas.

Em 6 de agosto, o ex-presidente já havia explicado que pensava em deixar sua cadeira no Parlamento. “Vejo que tenho 83 anos e vou me aproximando da morte. Quero tirar licença antes de morrer, simplesmente, porque estou velho. Há um tempo para vir e outro para ir e assim como caem as folhas das árvores também caímos nós. A vida continua, não é tão importante”, afirmou.

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Gilmar com a corda toda

 

Hoje, durante discussão na Segunda Turma do STF, Gilmar Mendes soltou os cachorros contra Rodrigo Janot e os responsáveis pela Operação Carne Fraca, informa o site jurídico Jota.

O tema da discussão era o habeas corpus concedido por Dias Toffoli a Juarez José de Santana, auditor fiscal do Ministério da Agricultura investigado na operação, que com isso teve sua prisão preventiva revogada.

“Uma falha setorial, em um dado setor da economia, se magnificou de uma forma absolutamente irresponsável! Constrangedora! Fala mal das instituições, aponta para um delírio coletivo”, afirmou Gilmar sobre a Carne Fraca.

“Todos querem virar um [Sergio] Moro, ganhar um minuto de celebridade. Não precisamos de corregedores, mas de psiquiatras. Porque é um problema sério. Quer dizer, os estrupícios se juntam e produzem uma tragédia!”, prosseguiu o ministro do Supremo.

Gilmar aproveitou para atacar, mais uma vez, o ex-PGR, seu notório desafeto. Disse que as “mãos bêbadas” de Janot nas colaborações premiadas induziram o STF a erro e o chamou de “inimputável”.

O Antagonista lembra aos leitores que o filho de Gilmar já ofereceu à BRF “aperfeiçoamentos legislativos” –o que está nos autos da Carne Fraca.

E que a BRF, um dos alvos da operação, também contratou o escritório do qual a mulher de Gilmar é sócia.

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Posted on 15-08-2018
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Miguel Paiva, no Jornal do Brasil (RJ)

 

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 DO EL PAIS
 
Acidente em Gênova
Um caminhão prestes a cair no abismo. ANDREA LEONI AFP
Roma

Pelo menos 26 pessoas (entre elas um bebê) morreram e cinco ficaram gravemente feridas nesta terça-feira, quando um trecho de um viaduto na cidade italiana de Gênova desmoronou, segundo fontes oficiais. O vice-ministro de Infraestrutura da Itália, Edoardo Rixi, disse que “infelizmente aumentará” o número de vítimas com o passar das horas. No momento do desmoronamento, por volta do meio-dia (às 8h no horário de Brasília), havia cerca de 30 carros naquele trecho da rodovia A-10.

Trata-se da ponte Morandi, que atravessa o rio Polcevera e passa por uma área densamente habitada e por uma ferrovia. Nas primeiras imagens divulgadas pela imprensa local é possível ver veículos caídos no abismo e que a ponte perdeu dezenas de metros. As imagens mostram como parte do entulho também atinge pelo menos duas estradas que passam sob a ponte.

Desde a primeira hora da manhã, toda a região da Ligúria está em alerta laranja devido às fortes chuvas que caem hoje em toda a Itália. As precipitações e o intenso trânsito destes dias, às véspera do feriado nacional de 15 de agosto, complicam as tarefas de resgate. O ministro italiano dos Transportes, Danilo Toninelli, afirmou no Twitter que está acompanhando o caso “com a maior preocupação” diante do que poderia ser “uma imensa tragédia”.

Piero Fraterrigo, de 56 anos, trabalhador da fábrica da Ansaldo Energia, localizada a poucos metros de distância do local, conta por telefone que ouviu um grande ruído de ferro caindo, informa Francesco Rodella. “No começo, eu pensei que era material da fábrica que havia caído de algum lugar”, diz ele. Quando olhou para o pátio do prédio industrial, percebeu que um trecho inteiro do viaduto havia desmoronado. “Foi incrível. Você poderia ver a ponte no meio do nevoeiro sem um pedaço. Parecia uma ilusão de ótica”, conta. “Por poucos metros os escombros não atingiram nossa fábrica”, acrescenta. A testemunha conta ainda que viu algum relâmpago perto do ponto em que a infraestrutura caiu, embora ele não saiba se o local foi diretamente atingido por um raio.

A operadora de rodovias Autostrade assegurou, por meio de comunicado, que vinha realizando obras para reforçar a estrutura da rodovia no trecho do viaduto. “As causas do colapso serão investigadas minuciosamente assim que for seguro chegar ao local”.

O vice-presidente e ministro do Interior italiano, Matteo Salvini, disse que exigirá responsabilidade. “Como italiano, farei tudo o que estiver ao meu alcance para ter os nomes e sobrenomes dos responsáveis, porque é inaceitável que a Itália morra assim”, declarou o ultra-conservador.

O ministro dos Transportes, Danilo Toninelli, escreveu no Twitter que está acompanhando de perto o que aconteceu e que o desmoronamento está transformando-se em uma “grande tragédia”. O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, transmitiu hoje as suas condolências ao povo italiano numa declaração: “Estou profundamente triste com a queda de uma viaduto em Génova, que ceifou muitas vidas. Em nome da Comissão Europeia, expresso minhas mais profundas e sinceras condolências às famílias e amigos das vítimas e a todo o povo italiano”.

Por G1

O ex-ministro da Fazenda Guido Mantega (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil) O ex-ministro da Fazenda Guido Mantega (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

 

O juiz federal Sergio Moro aceitou denúncia contra o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega e outras nove pessoas nesta segunda-feira (13). É a primeira vez que Mantega vira réu na Lava Jato. Moro rejeitou a denúncia contra o ex-ministro Antonio Palocci.

“Ressalvo, segundo a denúncia, apesar de ele ter participado dos fatos (…), consta que teria sido Guido Mantega responsável específico pela solicitação e pela posterior utilização dos R$ 50 milhões”, escreveu Moro ao falar sobre Palocci.

A defesa de Antonio Palocci disse que ele continuará colaborando com a Justiça. O G1 tenta contato com a defesa de Mantega.

Os crimes apurados envolvem a edição das medidas provisórias 470 e 472 (MP da Crise), beneficiando diretamente empresas do grupo Odebrecht, entre estas a Braskem, de acordo com o MPF.

O objetivo da manobra, afirmam os procuradores, era permitir que a Braskem pagasse tributos federais de forma parcelada, com valor de multa reduzido.

Os denunciados vão responder pelos crimes de corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro.

Investigação

Segundo a investigação, o empresário Marcelo Odebrecht ofereceu propina aos ex-ministros com o objetivo de influenciá-los na edição das medidas provisórias.

O valor oferecido a Mantega foi de R$ 50 milhões. De acordo com os procuradores, o valor foi pago em conta específica mantida pelo setor de propinas de empreteira, sob o comando de Fernando Migliaccio e Hilberto da Silva.

O valor, diz a denúncia, só era utilizado mediante a autorização de Guido Mantega, sendo que parcela desse valor foi entregue aos publicitários Mônica Santana e João Santana, além de André Santana, para serem usados na campanha eleitoral de 2014.

A denúncia tem como base provas fornecidas pelas empresas Odebrecht e Braskem, no contexto do cumprimento das condições previstas nos acordos de leniência firmados pelas empresas.

Pagamentos

A propina para Mantega foi lançada na planilha da Odebrecht nomeada “Planilha Italiano”, na subconta “Pós-Itália”, de acordo com a força-tarefa.

O valor oferecido a Mantega foi de R$ 50 milhões. De acordo com os procuradores, o valor foi pago em conta específica mantida pelo setor de propinas de empreteira, sob o comando de Fernando Migliaccio e Hilberto da Silva.

O valor, diz a denúncia, só era utilizado mediante a autorização de Guido Mantega, sendo que parcela desse valor foi entregue aos publicitários Mônica Santana e João Santana, além de André Santana, para serem usados na campanha eleitoral de 2014.

Conforme a denúncia, o dinheiro ilegal teve origem em ativos da Braskem, mantidos ilicitamente no exterior pelo Setor de Operações Estruturadas.

Por sua vez, os publicitários Mônica Santana e João Santana receberam R$ 15.150.000,00 a partir do setor de propinas mediante 26 entregas, em pagamentos que se deram tanto em espécie no Brasil quanto fora do território nacional, em contas mantidas em paraísos fiscais.

“Evie”: um cantor admirado por meu saudoso pai, seu Alaôr, amante de boa música em qualquer idioma, e uma canção da especial predileção deste editor do Baahia em Pauta.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

 

 

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“A luta não é em vão quando a semente fica”. A frase, estampada de fora a fora em um telão, aparecia logo acima das fotos de Eduardo Campos e do governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), durante um ato político em Paulista, no interior do Estado. O ano poderia ser 2014, quando Campos lançou-se candidato à Presidência e escolheu Câmara para disputar o Governo do Estado. Mas é final de julho de 2018, durante um giro do governador e candidato à reeleição pelo interior. Quatro anos após o acidente aéreo que tirou a vida de Eduardo Campos e de outras seis pessoas, em 13 de agosto de 2014, a memória do político pernambucano ainda é viva na campanha eleitoral. E o eduardismo deve ser explorado ao máximo nos próximos meses.

A vida política de Câmara está completamente vinculada a Campos. O hoje governador de Pernambuco foi secretário de Administração, de Turismo e da Fazenda ao longo das duas gestões de Campos à frente do Palácio do Campo das Princesas, entre 2007 e 2014. De perfil mais técnico, deixou seu posto na gestão para disputar o Governo do Estado no partido de Campos, em 2014. Explorada, a imagem de seu tutor colou, e ele acabou vencendo no primeiro turno, com 68% dos votos. “Eduardo teve um papel determinante pelos governos que fez, inclusive para eleger um governador que não tinha aparição”, explica o deputado socialista Tadeu Alencar.

Quando deixou o Governo de Pernambuco após duas gestões para disputar a presidência em 2014, Campos tinha 58% de aprovação, segundo o Ibope. Agora, quase no final do primeiro mandato, Paulo Câmara tem 74% de reprovação no Estado, segundo levantamento do Instituto Uninassau realizado em dezembro do ano passado. E não tem a vitória garantida, de acordo com as pesquisas. Algumas simulações demonstravam que ele poderia perder no segundo turno caso enfrentasse a petista Marília Arraes —em um acordo para tirar o PSB da disputa nacional e, com isso, neutralizar uma possível aliança com Ciro Gomes, o PT retirou a candidatura dela, que agora disputará uma vaga no Legislativo federal; nos comícios estaduais, o PSB agora também explora a imagem de Lula.

Trator Eduardo

Eduardo Campos é constantemente descrito como um político habilidoso, brincalhão e exímio imitador. Imitava assessores, políticos e jornalistas. Herdou do avô —“doutor Arraes” para políticos e autoridades e “velho arraia” para o povo mais humilde— o gosto pela política e o poder de seduzir eleitores, jornalistas e até mesmo seus pares. Conciliador, tinha habilidade para transitar por diferentes grupos, mas nos bastidores era comparado a um trator. Capaz de passar por qualquer um para alcançar seus objetivos, até mesmo da família, se preciso fosse.

Em 2013, quando as candidaturas à eleição do ano seguinte começavam a ser articuladas, sua prima e então vereadora do Recife pelo PSB, Marília Arraes, quis lançar-se à Câmara dos Deputados. Por disputas internas, Campos, que era presidente do partido, não proibiu a candidatura, mas a isolou na sigla. Marília desistiu da disputa e acabou rompendo com os socialistas. O racha na família seguiu-se após a morte de Campos, e ela se filiou ao PT em 2016. Seu único irmão, o advogado Antônio Campos, deixou o PSB no ano passado, brigado com a viúva de Eduardo, Renata Campos, e foi para o Podemos para se candidatar a deputado federal.

A dinastia de Arraes, portanto, será disputada neste ano pelas candidaturas à Câmara Federal de Antônio Campos, pelo Podemos, Marília Arraes, pelo PT, e João Campos, filho de Eduardo, que estreia no pleito aos 23 anos pelo PSB. A candidatura de João é, inclusive, a maior investida do PSB no Estado. Nos bastidores, fala-se que o objetivo não é apenas que João ocupe uma das 25 cadeiras que o Estado tem na Câmara, como também que seja o mais votado de Pernambuco. “Naturalmente as pessoas já querem votar em João. A tragédia de certa maneira cristalizou um momento mítico em que ele [Eduardo] estava ascendendo na carreira política”, opina o deputado Tadeu Alencar.

PF conclui inquérito sobre acidente aéreo

Na última semana, a Polícia Federal apresentou a conclusão do inquérito sobre o acidente aéreo que matou Eduardo Campos e outras seis pessoas em Santos (SP). João Campos, filho do ex-governador, afirmou à imprensa que foram apresentadas quatro hipóteses para explicar o que pode ter ocorrido no momento do acidente: possível coalizão, desvio de algum objeto, desorientação espacial dos pilotos e falha mecânica.

Das hipóteses, não há nenhuma prevalecente. Ou seja, pode ter ocorrido somente uma delas ou a combinação de várias. Ainda segundo João Campos, o delegado que apresentou o inquérito descartou a possibilidade de sabotagem na aeronave, tese defendida pelo tio, Antônio Campos. “Cabe agora a cada família olhar os autos do inquérito e, com muita serenidade, entender o que pode ser feito para evitar que outros acidentes como esse aconteçam”, disse João.

Teleférico Eduardo

Assim como o avô, Eduardo Campos deixou um legado na política e na família. Com Renata Campos, teve cinco filhos. A mais velha, Maria Eduarda, assumiu, aos 23 anos, a gerência de Zoneamento Especial do Instituto Pelópidas Silveira, órgão ligado à secretaria de Planejamento da Prefeitura do Recife, cuja gestão está nas mãos do PSB. João, antes de se candidatar a deputado, foi nomeado, aos 22 anos, chefe de gabinete da gestão Paulo Câmara.

A viúva de Eduardo também desempenha papel importante na política, mas sempre nos bastidores. Filiada desde 1991 ao PSB, Renata sempre foi consultada pelo marido antes de tomar uma decisão. Até hoje, ela é uma figura respeitada dentro e fora do partido. Desde o final do ano passado, quando começaram as negociações pelas alianças, recebeu no Recife, onde vive, as visitas de Lula (PT), Geraldo Alckmin (PSDB), Ciro Gomes (PDT) e Marina Silva (Rede). Discreta, não dá entrevistas e nem fala com a imprensa. Recusou, educadamente, dois pedidos feitos pela reportagem nos últimos dois meses.

Além da família e da campanha política deste ano, o legado de Campos está presente em diversas homenagens por todo o Estado. Hospital, estádio de futebol, escolas, barragem, trechos de estradas, o Complexo Turístico Portuário e até um teleférico levaram seu nome.

Por uma infeliz coincidência, Campos e Arraes morreram no mesmo dia: 13 de agosto, o neto, em 2014, e o avô, em 2005. A fatalidade, ocorrida quando Campos tinha 49 anos, mexeu muito nas peças do xadrez eleitoral daquele ano. O pernambucano havia entrado na campanha se autointitulando o candidato da “nova política”, uma alternativa à polarização entre PT e PSDB. Sua vice naquela chapa, Marina Silva incorporou o discurso da terceira via, utilizado por ela até hoje, candidata novamente, pela Rede.

Quando Campos morreu, tinha 9% das intenções de voto, segundo uma pesquisa do Ibope divulgada uma semana antes do acidente. Ocupava o terceiro lugar na disputa, atrás de Aécio Neves (PSDB), com 23%, e Dilma Rousseff (PT), com 38%. Sem Campos, Marina Silva, que na época estava filiada ao PSB porque não havia conseguido registrar seu partido, a Rede, assumiu a cabeça da chapa.

Rapidamente, a ambientalista encostou em Dilma Rousseff, ultrapassando Aécio Neves e chegou a figurar como vencedora nas simulações de um segundo turno com a petista. Mas, rapidamente, Marina perdeu o título de cometa e ficou mais próxima de uma estrela cadente, mostrando que a força de Campos ainda era muito maior no nível estadual. No final do pleito, ficou em terceiro lugar, com 21% dos votos.

ago
14
Posted on 14-08-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 14-08-2018
Cristian Favaro
 

A candidata da Rede nas eleições 2018, Marina Silva, disse que o governo federal tem papel importante na articulação para que se construa uma educação sólida no País. De acordo com ex-senadora, “o governo federal pode abrir a caixa-preta” da educação e melhorar a distribuição dos recursos.

Marina, que participou de evento do Todos Pela Educação, nesta segunda-feira, 13, na capital paulista, disse que o papel do governo na tarefa de ajudar os Estados e municípios a melhorarem o sistema de educação passa pela equalização da diferença entre o que é gasto por aluno em diferentes regiões. “Você tem realidade em que o município tem um custo por aluno anual de R$ 20 mil, outro de R$ 10 mil. Para fazer essa equalização, o governo tem de saber qual é a realidade dos municípios”, disse. Ainda de acordo com a candidata, é papel do governo também trabalhar para que haja “transparência para que possa se verificar inclusive se há problemas de gestão nos municípios.”

A candidata foi questionada sobre quais as características ideais para seu ministro da Educação em uma eventual vitória nas eleições 2018. Marina desconversou e não adiantou um nome para a pasta, mas argumentou que vai manter os critérios usados quando escolheu sua equipe do Ministério do Meio Ambiente, quando foi ministra da pasta no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso na Operação Lava Jato. “Critérios éticos, formação técnica e capacidade de mediação política”, emendou.

A candidata também voltou a criticar um dos principais projetos do governo de Michel Temer, o teto dos gastos públicos. “Quando você faz isso por 20 anos, com a possibilidade de revisão em 10 anos, você está dizendo que está congelando a educação, a saúde e a segurança que nós temos”, disse.

“No meu entendimento, a responsabilidade fiscal não precisava ser uma emenda constitucional”, disse. “Em 2010, eu já dizia que a gente precisava de um regime de capitalização da Previdência. Eu já dizia que era fundamental controlar gastos públicos. Ao fazer uma emenda na Constituição, no entanto, ao invés de diminuir o custo, se cria um problema”, disse, reforçando o alerta do Tribunal de Contas da União (TCU), de que o teto pode paralisar o governo.

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