mar
18
Posted on 18-03-2010
Filed Under (Artigos) by vitor on 18-03-2010

Guerreiro:convite de João

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O prefeito João Henrique Carneiro (PMDB) utilizou nesta quinta-feira, mais uma vez, o surrado artifício da visita ao consultório médico, para transferir ao escudeiro de situações estranhas como esta, João Cavalcante, da Casa Civil, a tarefa de livrar-se do presidente da Fundação Gregório de Matos, Antonio Lins.

Depois de cumprida por Cavalcante a missão que eticamente cabia ao prefeito, João logo reapareceu falando grosso e aparentemente sem nenhum abalo na saúde, para dar explicações sobre os motivos da saída do ex-auxiliar na área cultural e anunciar que já convidou o autor e diretor teatral Fernando Guerreiro para assumir a FGM.

Guerreiro diria horas depois do convite, em seu programa “Roda Baiana” na Rádio Metropole, que está em 50% para sim e a outra metade para não. Vai avaliar e decidir se assume ou não o fardo de João.

Agora à noite, perto do final da edição de hoje do Jornal da Metrópole, o bem informado âncora Mario Kertész disse ter ouvido do diretor de “Os Cafajestes”.nos estudios da rádio, em Pernambués, que ele vai topar o desafio.

A conferir.

(Vitor Hugo Soares)

mar
18
Posted on 18-03-2010
Filed Under (Artigos, Ivan, Newsletter) by vitor on 18-03-2010

Em seu artigo desta quinta-feira, na Tribuna da Bahia, o o jornalista Ivan de Carvalho analisa o fato de maior destaque de ontem na política brasileira:o resultado da mais nova pesquisa IBOPE/CNI sobra a corrida da sucessão de Lula, em que o governador de São paulo, José Serra (PSDB) segue na frente, mas com a ministra Dilma Rousseff, empurrada pelo presidente da República, aparece cada vez mais colada no calcanhar do tucano.Bahia em Pauta reproduz o texto de Ivan.
(VHS)

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Serra e Dilma:colados

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DILMA, FESTA E RISCO

Ivan de Carvalho

O fato maior em debate na política brasileira, ontem, foi a pesquisa CNI/Ibope. Aliás, cada pesquisa eleitoral de um instituto importante – principalmente quando envolve a sucessão presidencial – tem o seu dia de glória, os seus “15 minutos de fama”.
E no caso de ontem há uma razão extra para o impacto da pesquisa e o barulho a respeito. A candidata governista, ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, do PT, lançada e apadrinhada pelo presidente Lula, deu um salto felino, pouco faltando para alcançar, na modalidade estimulada da pesquisa, o principal candidato de oposição, o governador paulista José Serra, do PSDB. Dilma saltou dos 17 por cento que obteve na pesquisa de dezembro para 30 por cento, apenas cinco pontos abaixo do tucano José Serra, que ficou com 35 por cento, quando em dezembro tinha 38 por cento.
Há duas razões evidentes para que isto haja acontecido. A primeira delas é a superexposição de Rousseff nos últimos meses, nos atos oficiais que funcionam como comícios disfarçados e na mídia. A segunda razão é o fato de que quase invariavelmente, quando se expõe, Dilma Roussef não o faz propriamente – é o presidente Lula que a expõe e a apóia, conforme a ocasião, implícita ou explicitamente.
Ora, Lula está há tempos muito popular, rondando os 80 por cento de aprovação pessoal do eleitorado e seu governo também tem recebido, segundo as pesquisas, uma aprovação muito grande. E os números das pesquisas indicam que Lula consegue – ao menos nessa fase do processo eleitoral – transferir à até há pouco desconhecida Dilma Rousseff uma expressiva parte do seu capital eleitoral. Resta medir, até porque talvez só o tempo esclareça isto, qual é o teto dessa transferência, certamente maior no Nordeste e no Norte do país que nas outras regiões.
O diretor de Operações da CNI, Rafael Luchesi, deixou claro que muito desse resultado deveu-se ao maior conhecimento de Dilma pelo eleitorado (representado pelos entrevistados). Era de 32 por cento em dezembro e em março foi para 44 por cento.
Há um outro elemento auspicioso para a candidata governista na pesquisa CNI/Ibope. Na modalidade expontânea – quando não se apresenta lista de nomes ao entrevistado e apenas pergunta-se em quem ele votaria – quem vence é Lula, com 20 por cento, de uma parte de seus muitos milhões de tietes que não sabem que ele não pode disputar o pleito. Mas nessa modalidade Dilma Rousseff ultrapassou Serra, obtendo 14 por cento contra dez por cento do governador de São Paulo.
Em verdade, nem tudo são flores – ou votos – para Dilma Rousseff. José Serra, embora conhecido de 65 por cento do eleitorado, tem uma taxa de rejeição de 25 por cento, menor que a da candidata do PT. O diretor Luchesi, da CNI, ressaltou que, com a maior proximidade das eleições, os eleitores passam a rejeitar candidatos exatamente porque os conhecem.
Coincidência ou não, em seu “ex-blog” do dia 12 último, sob o título “Os riscos da candidatura de Dilma”, o ex-prefeito do Rio de Janeiro, César Maia, democrata, e que costuma analisar pesquisas e campanhas eleitorais, escrevia que “a superexposição, segundo a escola francesa de Jacques Seguelá, queima como a luz do sol. Há a necessidade de mergulhos e retorno à superfície. Nos governos deve ser assim. Nas campanhas, não é o caso desse movimento sinuoso, mas de um processo de exposição progressiva (…)”. Em síntese: um crescendo controlado. Controle que não estaria ocorrendo na campanha de Dilma.

Vinhos do Vale do São Francisco

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GRAZZI BRITO

Esta semana, em Petrolina-PE, no Vale do São Francisco, o Coordenador Nacional de Vitivinicultura do Sebrae (Brasília), Aníbal Bastos e o Gestor Estadual de Agronegócio, Alexandre Alves anunciaram um convênio de abrangência nacional firmado entre o Sebrae e o Ibravin – Instituto Brasileiro do Vinho, com o objetivo de desenvolver, certificar e mapear a vitivinicultura e a fabricação de sucos nos principais pólos do país.

Os representantes das entidades, acompanhados do vice-prefeito de Petrolina, Domingos Sávio e do gestor do Projeto do Roteiro do Vinho da Unidade de Negócios do Sebrae Sertão do São Francisco, Helder Freitas, conheceram de perto o potencial de cinco vinícolas do Vale do São Francisco, conferindo inclusive o primeiro vinho produzido na região, há 25 anos.

“Em 1985 na Fazenda Milano foi produzido o primeiro vinho no Vale, em termos de região produtora ainda somos jovens se comparado a região Sul que tem uma tradição de 120 anos, porém o diferencial do Vale com seu clima, solo e produzindo de 2 a 3 safras por ano constitui-se num grande produto a ser explorado”, argumentou Aníbal Bastos.

O Coordenador Nacional de Vitivinicultura do Sebrae, disse ainda que o convênio anunciado nesta segunda-feira em Petrolina, reúne ações de desenvolvimento no Cadastro Vinícola Nacional, além de traçar um diagnóstico tecnológico das empresas, promoção de seminários, capacitação e mapeamento da estrutura da cadeia produtiva, bem como, as ações para a certificação do produto vinho do Vale.

O vice-prefeito de Petrolina, Domingos Sávio disse na oportunidade que a região tem diversificado seus produtos e sempre apresenta novidades ao mercado nacional. “Já possuímos a uva e manga do Vale com selo de qualidade e certificação de origem, agora desejamos capacitar, mapear e auxiliar na certificação das vinícolas, variando assim não só para o vinho, bem como, para um mercado que tem crescido, a exemplo da produção do suco de uva”, revelou.

Na oportunidade foi lembrado que de 25 a 29 de maio próximo acontecerá o IIº Simpósio Internacional de Vinhos Tropicais, coordenado pela Organização Internacional de Vinho, com a participação de 17 países. “Esse ano Petrolina vai sediar o evento. Esta é a prova maior do reconhecimento da qualidade dos nossos vinhos”, comemorou Domingos, que também é Secretário de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Cultura do município.

Grazzi Brito, jornalista, mora em Juazeiro(BA), na região do Vale do São Francisco

Serra: “estou cansado”/MSN

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CLAUDIO LEAL (DE SÃO PAULO)

No lançamento do livro “Diário de bordo – A viagem presidencial de Tancredo”, do embaixador e ex-ministro Rubens Ricupero, terça (16) à noite na livraria Cultura, em São Paulo, o governador José Serra chegou com um cortejo de D. João VI, perto do fim do expediente.

Driblando perguntas sobre a sucessão nacional – “Estou muito cansado… O dia foi cansativo” -, o pré-candidato do PSDB pediu a um rapaz para largar o cigarro e aceitou posar para fotos com uma criança. Pedido ideal para um candidato com sequito de D. João VI.

Depois de caras de cinema para cinco cliques com a menina de colo, Serra devolveu-a aos braços da mãe, que fez tatibitati:

- Minha filhinha tirou uma foto com o futuro presidente!

Ao ouvir a frase, Serra deu um recuo e ponderou:

- Mas foi ela que quis!

Claudio Leal é jornalista

mar
17

No artigo desta quarta-feira em sua coluna na Tribuna da Bahia o jornalista político Ivan de Carvalho fala da viagem do governador da Bahia na comitiva do presidente Lula ao Oriente Médio, e destaca o efeito do périplo nas negociações para compor a chapa governista encabeçada por Jaques Wagner, que busca a reeleição.Para o articulista, a viagem deixou sem comando de corpo presente sua base de sustentação política na Bahia. E tornou inviáveis contatos do mais alto nível que envolvam o chefe do Executivo baiano até que retorne da Terra Santa e adjacências, ficando estas por conta da Jordânia.Bahia em Pauta reproduz a íntegra do texto:
(VHS)

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Nó na sucessão: “chama o Alexandre!”

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A VIAGEM E A SUCESSÃO

Ivan de Carvalho

A viagem do governador Jaques Wagner ao Oriente Médio (que na realidade geográfica deveria chamar-se para nós Oriente Próximo) deixou sem comando de corpo presente sua base de sustentação política na Bahia. E tornou inviáveis contatos do mais alto nível que envolvam o chefe do Executivo baiano até que retorne da Terra Santa e adjacências, ficando estas por conta da Jordânia.

É claro que o governador pode manter com algumas pessoas seletas de sua base contatos telefônicos para saber o que ou se está acontecendo algo relevante e emitir opiniões, orientações ou determinações, conforme a natureza das coisas ou a necessidade. Mas não se pode igualar a presença em Israel, na Cisjordânia e na Jordânia à presença na Governadoria ou no Palácio de Ondina. Ou mesmo em Brasília.

Daí que nesses dias de viagem a base política nuclear e suas adjacências – estas, no caso, seriam os segmentos políticos que podem ou não agregar-se à base ou até um ou outro que, insatisfeito, venha a desagregar-se.

É evidente que há problemas, sempre há, mas alguns dos que estão aí são bastante graves, seja pela dificuldade de equacioná-los, seja pela importância política que têm. Para o governador e o PT destacam-se, no momento, dois. E respondem pelos nomes de Waldir Pires e de César Borges. Como disse, estes destacam-se, mas há outros, respondendo pelos nomes de Otto Alencar, Lídice da Mata e pela expressão “coligações para as eleições proporcionais”, as de deputado estadual e federal.

Comecemos as breves observações a respeito pelo fim. A coligação proporcional para deputado federal na base de sustentação do governo caminha, segundo os indícios, para o “chapão”, uma só chapa na qual estariam os candidatos de todos os partidos da base governista à Câmara dos Deputados. Não são ouvidas aí gritarias nem percebidos esperneios.

Quanto a coligação para deputado estadual, o inferno desceu (ou subiu?) à base do governo. O governador não está impondo nada a este respeito e cada partido está trabalhando pela fórmula que melhor lhe parece. O problema é que cada fórmula que a um parece bem, a outro parece má. A coordenação do governador aí pode ser indispensável. Há tempo, mas durante a viagem dele, prosperam rumores, boatos e aborrecimentos.

O que Otto Alencar vai fazer depende de veredicto médico. “Não sou herói”, já disse ele. Ele mesmo e o governador o queriam como candidato a senador. Era o plano. E, para o governador, ainda é a vontade explícita. Mas se a medicina disser que não, pois a campanha para o Senado é uma correria, Otto terá duas alternativas principais: ficar onde está, como conselheiro do TCM, ou ver aberto espaço para concorrer a vice-governador.

Problema: para o Senado na chapa de Wagner, existem quatro nomes possíveis para as duas vagas. Otto Alencar, César Borges, Lídice da Mata (que pode ser candidata a vice) e Waldir Pires. Borges é, no momento, como me dizia ontem um colega simpatizante do PT, o “nó górdio” da articulação sucessória. Mas a entrada de Waldir Pires no jogo, apoiado por um grupo de peso neste partido, o que inclui a evidente idéia de escantear o senador republicano César Borges, idéia com a qual Wagner não simpatiza, aperta muito mais aquele nó que já estava difícil de desatar.

Chamem o Alexandre.

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MARIA OLÍVIA

O radialista e jornalista baiano Perfilino Neto realiza noite de autógrafos do livro “Memória do Rádio” nesta quinta-feira, 18 de março, na tradicional loja de discos Pérola Negra (rua Marechal Floriano, 28, Canela), a partir das 18 horas.

Mais que um simples lançamento literário, o evento tem todos os ingredientes para ser um encontro de amigos, admiradores e ouvintes de Perfilino, entre eles músicos baianos, como Edson 7 Cordas, Cacau do Pandeiro, Gereba, Luiz Caldas, Xangai e Roberto Mendes.

Além de um anexo com documentos raros, cada exemplar do livro terá como brinde – cortesia da Pérola Negra – um CD com documentos sonoros de época que caíram no domínio público, selecionados pelo autor.
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Maria Olívia é jornalista

mar
16


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“Telegrama”, composição musical riquíssima em nuances sugestivas, de Zeca Baleiro, é a música para começar o dia no Bahia em Pauta nesta terça-feira, 16 de março, data em que aniversariam duas queridas amigas deste site blog multicultural: a  designer Letícia Marques, que trabalha na Bahiatursa, e a jornalista e escritora Ayêska de Paulafreitas,  ex- Irdeb, e cidadã do mundo. A sugestão da música vem da colaboradora Maria Olívia -que conhece e gosta muito de ambas – sabedora de que “Telegrama” é uma das canções preferidas de Leti.
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Quanto a Ayêska, culta e elegante, amiga do peito também deste editor, BP publica trechos de um depoimento dela à revista “Entre Aspas”, que fala por si dessa querida aniversariante de hoje:

AYÊSKA PAULAFREITAS

1) Por que você escreve?

Escrevo por uma necessidade premente de me expressar, de libertar meus demônios; escrevo porque personagens se impõem e me obrigam a lhes dar voz; escrevo pra não enlouquecer. Mas também escrevo textos que não são artísticos – os mais difíceis – e, para estes, é preciso muita atenção e disciplina.

2) O que você gostaria de escrever e por quê?

Gostaria de escrever a biografia de um artista da música que admire. Primeiro, porque acho o trabalho de pesquisa fascinante; segundo, já tive uma experiência em romance de formação que foi muito prazerosa; terceiro, porque acho que a música é um segmento da arte que não encontra páreo: em sua linguagem universal, provoca vários sentidos e muita emoção.

AYÊSKA PAULAFREITAS é professora, ensaísta, poetisa e contista. Autora de livros infantis como Uma casa na varanda (prêmio Monteiro Lobato da Academia Brasileira de Letras, 1987). Escreveu em co-parceria com Júlio Lobo o romance, Glauber – a conquista de um sonho e vários trabalhos na área de literatura e comunicação. Trecho extraído de “O que será de nós com tantos nós?”, conto publicado no livro Não deu tempo pra maquiagem (Secretaria de Cultura e Turismo e da Fundação Cultural do Estado da Bahia, 2006).
(Vitor Hugo Soares)

Metrô de Salvador; até quando?

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Mais uma vez,  por merecimento, comentário e sugestão do editor do Blogbar, Luiz Fontana, sobe para o primeiro plano no espaço do Bahia em Pauta. O assunto é a repercussão da reportagem da Folha de S. Paulo, com o resultado de investigações da Polícia Federal em várias capitais do País – incluindo Salvador evidentemente – que detectou superfaturamentos – em alguns casos com diferença constatada de até 65 % nos preços, em “consórcios paralelos” nas obras de metrôs.

Diz Fontana:

Caro VHS: Renovo os agradecimentos quanto à tua fraterna acolhida acrescentando que o “assunto” continua interessando os frequentadores do bar.

Aqui, novamente, Renata Lo Prete, Folha de São Paulo, edição desta terça-feira:

“PF vê superfaturamento em obras de “consórcios paralelos”

Perícia em planilhas das empreiteiras constata diferença de até 65% nos preços

Investigação aponta que construtoras inflam suas estimativas de custo nas propostas para licitação; empresas negam fraude.

Material de leitura obrigatórias para os membro da CPI do Metrô de Salvador na Assembléia Legislativa da Bahia.

( Postado por Vitor Hugo Soares
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RENATA LO PRETE
EDITORA DO PAINEL
LEONARDO SOUZA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O esquema montado por empreiteiras para driblar os processos de concorrência e repartir contratos “por fora” prevê também o superfaturamento das obras e a divisão do dinheiro extra. Perícia da Polícia Federal feita em documentos apreendidos nas construtoras aponta que os “consórcios paralelos” aumentaram artificialmente os preços cobrados do poder público em até 65%.

Como a Folha revelou no domingo, a atuação dos “consórcios paralelos” foi constatada por meio do cruzamento dos inquéritos de quatro operações realizadas pela PF (Castelo de Areia, Caixa Preta, Aquarela e Faktor, ex-Boi Barrica) e de investigações da Polícia Civil nos Estados onde estão as obras.

A análise da contabilidade das construtoras e das ordens de pagamento e gerenciamento dos canteiros aponta a presença nas obras de empreiteiras que haviam sido eliminadas na licitação. Papéis recolhidos pela polícia indicaram que as concorrentes haviam firmado um pacto prévio de divisão do bolo e participaram separadamente da concorrência só para dar a ela aspecto de legalidade.

Embora neguem a manipulação dos resultados, caíram na malha fina da PF empreiteiras que lideram o mercado, como Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, Norberto Odebrecht, OAS e Queiroz Galvão, responsáveis por obras importantes como os metrôs do Rio de Janeiro, de Salvador, de Fortaleza, do DF e de Porto Alegre.

Os indícios de que essas obras foram também superfaturadas surgiram depois que os investigadores descobriram os memoriais de custo calculados pelas próprias empreiteiras antes que elas fechassem as propostas (infladas) enviadas aos leilões de licitação.

Os peritos aplicaram sobre essas planilhas de custos diretos uma Bonificação e Despesas Indiretas de 40% -a BDI inclui os custos indiretos da obra (impostos, despesas financeiras, administração central da empresa etc.) e a remuneração da construtora. (O mercado pratica BDIs de 25% a 35%; o Tribunal de Contas da União costuma adotar em suas auditorias uma taxa de 30%.)

No lote 1 da linha 3 do metrô do Rio, por exemplo, os peritos estimaram que o valor final deveria ser de cerca de R$ 720 milhões. O contrato, porém, foi de R$ 1,190 bilhão. Uma diferença de R$ 470 milhões, ou 65%.

No metrô de Salvador, a discrepância entre o valor projetado pela PF e o praticado pelas construtoras chegou a 43% (R$ 79,5 milhões). Em Fortaleza, a 15% (R$ 24,8 milhões).
Na obra de duplicação e restauração da rodovia BR-101, no trecho entre os kms 148 e 188, em Pernambuco, a diferença foi de 28% (R$ 45,9 milhões).

Em relatório anexado a um dos inquéritos, ao qual a Folha teve acesso, os peritos ressaltam que, para obter o valor exato da fraude, teriam de analisar todas as ordens de pagamento das empresas que integraram os “consórcios paralelos”.
No entanto, as investigações da Castelo de Areia, que reuniu a maior parte da papelada, foram trancadas neste ano pelo Superior Tribunal de Justiça. Não há previsão de quando (ou se um dia) serão retomadas.

Os peritos, porém, se dizem seguros do diagnóstico de superfaturamento das obras dos “consórcios paralelos”. A PF submeteu a metodologia a um teste. Aplicou-a em planilhas de obras de inquéritos mais adiantados, como o da Operação Caixa Preta (que apura desvios em aeroportos). A diferença entre a estimativa e a auditoria não passou de 7% -o que, segundo a polícia, reforça os “indícios de conluio”.”

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Vale a pena deliciar-se com as “respostas”, na mesma edição, dos envolvidos:

“Empreiteiras não se manifestam sobre acusação

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

As construtoras Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez e Queiroz Galvão preferiram não falar sobre o assunto. A OAS não ligou de volta.
A Odebrecht informou que chegou a ser convidada, após a licitação, a integrar o consórcio vencedor da obra do Metrô de Salvador, mas que recusou o convite. Segundo a assessoria da empreiteira, a prefeitura também se manifestou favoravelmente à integração da empresa ao Consórcio Metrosal.
“Mas nessa oportunidade a participação no empreendimento já não mais interessava à Odebrecht, de modo que não foi formalizada.”

A Odebrecht acrescentou que não iria se manifestar sobre as obras do lote 1 da linha 3 do metrô do Rio, alegando desconhecer investigações relacionadas ao empreendimento. A Queiroz Galvão deu a mesma justificativa.

A CTS (Companhia de Trânsito de Salvador) informou que as obras do metrô, cujo contrato foi assinado em 1999, só foram executadas por empresas vencedoras da licitação. Ele não soube precisar os valores da construção.

A Secretaria Estadual de Transportes do Rio informou “que o contrato referente ao lote 1 da linha 3 do metrô não está vigente, pois o prazo para o início das obras expirou em outubro de 2006?. Já a assessoria do Metrô de Fortaleza disse que não teria como se manifestar sobre o assunto com base nas informações da Folha.”

Destaque-se a manifestação da CTS: “A CTS (Companhia de Trânsito de Salvador) informou que as obras do metrô, cujo contrato foi assinado em 1999, só foram executadas por empresas vencedoras da licitação. Ele não soube precisar os valores da construção.”

E a “Confissão oblíqua” da Odbrechet: “A Odebrecht informou que chegou a ser convidada, após a licitação, a integrar o consórcio vencedor da obra do Metrô de Salvador, mas que recusou o convite. Segundo a assessoria da empreiteira, a prefeitura também se manifestou favoravelmente à integração da empresa ao Consórcio Metrosal.
“Mas nessa oportunidade a participação no empreendimento já não mais interessava à Odebrecht, de modo que não foi formalizada.””

Como disse o frequentador da mesa 7, do bar: – “depois sou eu que bebo!”

luiz alfredo motta fontana
http://fontanablog.blogspot.com

mar
15
Posted on 15-03-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 15-03-2010

O jornalista político Ivan de Carvalho fala nesta segunda-feira em sua coluna na Tribuna da Bahia, sobre a viagem do presidente Lula ao Oriente Médio, onde o chefe de Estado brasileiro cumprirá uma agenda delicada e estratégica. O governador da Bahia, Jaques Wagner integra a comitiva presidencial.

“Desde ontem Lula está no Oriente Médio, visitando Israel, a Cisjordânia e a Jordânia. Não escolheu, desta vez, interlocutores aloprados”, diz Ivan, no texto que Bahia em Pauta reproduz.

(VHS)

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Lula e Shimon Peres em Israel/AFP

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OPINIÃO POLÍTICA

LULA NO ESTOPIM DO MUNDO

Ivan de Carvalho

A penúltima viagem do presidente Lula ao exterior foi o clímax de um desastre para sua imagem internacional.

Lula vinha obtendo visibilidade e certo reconhecimento internacional, muito em função da importância crescente do país que governa, o que não é uma obra da sociedade – com todas as suas qualidades e defeitos – e dos que construíram o país desde 1500.

Mas não se pode negar que a movimentação política e diplomática do atual governo teve forte e momentânea influência para essa visibilidade.

O governo Lula começou a brigar para valer com os Estados Unidos na OMC por causa do algodão. Emprestou uma merreca ao FMI e saiu soltando foguetes. Acumulou reservas capazes de pagar toda a dívida externa e, aplicando a maior parte dessas reservas em títulos do Tesouro americano, é credor dos Estados Unidos.

Mais. O Brasil, além de ter sido convidado na Era Lula para participar de reuniões dos países mais desenvolvidos do mundo, em Davos, ingressou no BRIC – grupo dos quatro grandes países emergentes (Brasil, Rússia, Índia e China).

O Brasil do governo Lula encasquetou de cobrar um lugar de membro permanente, com direito a veto, no Conselho de Segurança da ONU, o que aumentou a visibilidade, e chegou a reconhecer à China comunista a condição de “economia de mercado” – o que agora tanto prejudica a economia brasileira – na esperança de receber do colosso da Ásia Central o apoio então insinuado, mas depois “esquecido”, para a nossa transformação em membro permanente do Conselho de Segurança da ONU. Enganaram a diplomacia lulo-brasileira.

Mas tudo isso deu visibilidade a Lula, aumentada pela relativa suavidade (na comparação à maioria das outras grandes economias) com que o Brasil atravessou, ou vem atravessando, a grande crise financeira e econômica global. Lula foi escolhido pelo jornal esquerdista francês Le Monde “Homem do Ano” e pelo jornal espanhol El País, “Personagem do Ano”, “um homem cabal e tenaz”.

Todo esse patrimônio político internacional veio, no entanto, sendo solapado recentemente pelo relacionamento aloprado que aprofundou com os ditador-presidente Hugo Chávez e estabeleceu com o aloprado congênere, Mhamoud Ahmadinejad, da Venezuela e Irã, respectivamente. E desabou com as alopradas declarações durante sua última viagem a Cuba sobre a morte do preso político Orlando Zapata e na inacreditável entrevista que deu depois à Associated Press na tentativa de explicar o absurdo perpetrado. O jornal El País publicou um editorial baixando o sarrafo geral em sua “Personagem do Ano” passado.

Desde ontem Lula está no Oriente Médio. Visitando Israel, a Cisjordânia e a Jordânia. Não escolheu, desta vez, interlocutores aloprados. Mas o governo brasileiro vai fantasiar, soltar foguetes e ele mesmo correrá para apanhar as flechas.

Porque, mesmo tendo ao seu lado um judeu inteligente, hábil negociador e de mente aberta, seu amigo governador Jaques Wagner, nenhuma influência o bedelho brasileiro pode ter atualmente no conflito mais crítico do planeta – o estopim do mundo.

mar
14
Posted on 14-03-2010
Filed Under (Artigos, Eventuais) by vitor on 14-03-2010

Bahia em Pauta traz para seu espaço principal de exposição e debate o comentário de Luiz Alfredo Motta Fontana, editor do Blogbar do Fontana, feito no post do BP, “Lula leva Wagner na viagem ao Oriente Médio”. A partir da reportagem publicado neste domingo pelo jornal Folha de S. Paulo sobre a obra sem fim do metrô de Salvador, Fontana joga informação e fina ironia em seu comentário e no fim ainda provoca: “geddelianos” e “wagneristas” vão permanecer em silêncio sobre essas coisas?”. Confiram. (VHS)
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Metrô de Salvado: “andaimes escuros”

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Caro VHS. aqui desse bar distante, entre uma dose e outra, ouvindo ao fundo Nana Caymmi, essa disputa, entre Wagner e Geddel, parece estar restrita ao costumeiro entre súditos de Lula, por vezes vale a estrela, em outras a condição de representante da governabilidade, essa “bijouterie” vendida pelos Renans da vida. Os anseios do povo baiano é mero detalhe, por certo.

O que desperta a curiosidade, no balcão do bar e mesmo nas mesas mais próximas, é outro “affair” que tenta esmaecer o céu de Salvador.

A Folha de São Paulo de hoje, joga luz nos escuros andaimes do metrô soteropolitano:

…”Segundo as investigações policiais, o esquema operou, por exemplo, na licitação dos metrôs de Salvador, do Rio de Janeiro, de Fortaleza, do Distrito Federal e de Porto Alegre.
O caso de Salvador é o mais emblemático. A cronologia dos fatos esmiúça o esquema:
1) Documento manuscrito datado de 1º de fevereiro de 1999 menciona uma reunião sobre o metrô soteropolitano da qual teriam participado várias empreiteiras, entre elas OAS, Camargo Corrêa e Norberto Odebrecht. O papel cita, também, a discussão de um “acordo” em torno da obra;
2) O consórcio Impregilo/ Soares da Costa apresentou a menor proposta de preço (R$ 347 milhões) e ganhou a licitação, realizada em 1999;
3) A comissão especial da concorrência cancelou o resultado, por “razão técnica”, e, em outubro daquele ano, declarou vitoriosa a associação Camargo Corrêa/Andrade Gutierrez;
4) Ainda em outubro, a Impregilo/Soares da Costa entrou com mandado de segurança para reverter a decisão;
5) Em fevereiro de 2002, a Impregilo/Soares da Costa desistiu da ação na Justiça;
6) Em 2009, policiais acharam minuta de termo de acordo, pela qual a Camargo Corrêa e a Andrade Gutierrez prometiam recompensar a Impregilo em troca do recuo na Justiça. O valor: 1,5% do contrato do metrô. Por isso, o Ministério Público denunciou as três empreiteiras por cartelização.
7) Perícia feita pela PF no controle de receitas e despesas e nos saldos de caixa das empreiteiras concluiu, além disso, que a Camargo Corrêa e a Andrade Gutierrez não tocam sozinhas a construção do metrô.
Integram o “consórcio paralelo” justamente as construtoras citadas no papel de 1999 que aludia ao “acordo”. Segundo a polícia, a Norberto Odebrecht e a OAS ficaram, cada uma, com 16,7% dos contratos -e cuidam até da gerência da obra. Constran (16,7%) e Queiroz Galvão (5,2%) também teriam sido contempladas….” (“Consórcios paralelos” driblam licitações de obras no Brasil)

Com a palavra “Wagnerianos” e “Geddelianos”, por certo os eleitores da Bahia têm interesse em ver essa história “lavada” em águas cristalinas.
Caro VHS. aqui desse bar distante, entre uma dose e outra, ouvindo ao fundo Nana Caymmi, essa disputa, entre Wagner e Geddel, parece estar restrita ao costumeiro entre súditos de Lula, por vezes vale a estrela, em outras a condição de representante da governabilidade, essa “bijouterie” vendida pelos Renans da vida. Os anseios do povo baiano é mero detalhe, por certo. O que desperta a curiosidade, no balcão do bar e mesmo nas mesas mais próximas, é outro “affair” que tenta esmaecer o céu de Salvador. A Folha de São Paulo de hoje, joga luz nos escuros andaimes do metrô soteropolitano: …”Segundo as investigações policiais, o esquema operou, por exemplo, na licitação dos metrôs de Salvador, do Rio de Janeiro, de Fortaleza, do Distrito Federal e de Porto Alegre. O caso de Salvador é o mais emblemático. A cronologia dos fatos esmiúça o esquema: 1) Documento manuscrito datado de 1º de fevereiro de 1999 menciona uma reunião sobre o metrô soteropolitano da qual teriam participado várias empreiteiras, entre elas OAS, Camargo Corrêa e Norberto Odebrecht. O papel cita, também, a discussão de um “acordo” em torno da obra; 2) O consórcio Impregilo/ Soares da Costa apresentou a menor proposta de preço (R$ 347 milhões) e ganhou a licitação, realizada em 1999; 3) A comissão especial da concorrência cancelou o resultado, por “razão técnica”, e, em outubro daquele ano, declarou vitoriosa a associação Camargo Corrêa/Andrade Gutierrez; 4) Ainda em outubro, a Impregilo/Soares da Costa entrou com mandado de segurança para reverter a decisão; 5) Em fevereiro de 2002, a Impregilo/Soares da Costa desistiu da ação na Justiça; 6) Em 2009, policiais acharam minuta de termo de acordo, pela qual a Camargo Corrêa e a Andrade Gutierrez prometiam recompensar a Impregilo em troca do recuo na Justiça. O valor: 1,5% do contrato do metrô. Por isso, o Ministério Público denunciou as três empreiteiras por cartelização. 7) Perícia feita pela PF no controle de receitas e despesas e nos saldos de caixa das empreiteiras concluiu, além disso, que a Camargo Corrêa e a Andrade Gutierrez não tocam sozinhas a construção do metrô. Integram o “consórcio paralelo” justamente as construtoras citadas no papel de 1999 que aludia ao “acordo”. Segundo a polícia, a Norberto Odebrecht e a OAS ficaram, cada uma, com 16,7% dos contratos -e cuidam até da gerência da obra. Constran (16,7%) e Queiroz Galvão (5,2%) também teriam sido contempladas….” (“Consórcios paralelos” driblam licitações de obras no Brasil) Com a palavra “Wagnerianos” e “Geddelianos”, por certo os eleitores da Bahia têm interesse em ver essa história “lavada” em águas cristalinas.
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Algumas doses depois…

A “conversa”, no balcão do bar, segue animada, nenhum representante do pensar “Wagneriano”, ou da pretensão “Geddeliana”, contrapõe argumentos, tornando assim inevitável a alusão sobre o potencial de ações correlatas que exaurem do “sonho” vivido pelo atual governo baiano, ao idealizar os 13 km da tal ponte”Salvador-Itaparica”.

Assusta, até pela força dos interessados de sempre. Aqui mais trecho da matéria citada no comentário anterior de Renata Lo Prete, na edição de hoje, da Folha de São Paulo:

“…As construtoras sob investigação de formação de cartel (Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, Constran, Crasa, EIT, Impregilo, Norberto Odebrecht, OAS, Queiroz Galvão, Carioca Engenharia, Serveng e Soares da Costa) têm, juntas, receita líquida anual de R$ 20 bilhões -mesmo valor que União, Estados e municípios estimam gastar nas obras da Copa do Mundo de 2014. …”

Valei-nos Xangô!

oares da Costa) têm, juntas, receita líquida anual de R$ 20 bilhões -mesmo valor que União, Estados e municípios estimam gastar nas obras da Copa do Mundo de 2014. …” Valei-nos Xangô! Kawó Kabiesilé!!!

luiz alfredo motta fontana

l

mar
14
Posted on 14-03-2010
Filed Under (Artigos, Vitor) by vitor on 14-03-2010

Lula e Wagner juntos no Oriente Médio

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BAHIA EM PAUTA COMENTA:

O relato de Josias de Souza,  da Folha,  postado anteriormente neste BP,  está quase perfeito nas informações de bastidores e análises. Mas vale pontuar alguns aspectos bem regionais, que podem ecoar nacionalmente.

No caso da Bahia, cairá em erro grosseiro quem tentar reduzir o governador petista, Jaques Wagner, a simples amigo do presidente. Bem mais que isso, Wagner é tido, também,  como um dos melhores negociadores políticos do PT, saído da velha escola sindicalista de Lula, e aprofundado no Polo Petroquímico de Camaçari. Nesse particular, os dois se entendem por música. E em ”otras cositas más”.

E não é preciso apurar os ouvidos para saber que o governador é considerado um dos nomes estratégicos para os embates políticos e eleitorais que estão a caminho.

Ah, não custa lembrar, também, que Wagner foi escolhido a dedo, por indicação presidencial, para compor a comitiva que embarcou ontem para o Oriente Médio, com agenda das mais delicadas a ser cumprida.

Judeu, o “galeguim dos óio azul”, como Lula o chama na intimidade, é bom de conversa e, em geral, nada ortodoxo. O convite à Jaques Wagner “se apóia, dentre outras razões, no relacionamento do Governo do Estado com Israel, por conta da visita do presidente Mahmoud Abbas,  à Bahia, e ao encontro que o governador promoveu entre integrantes da Sociedade Israelita da Bahia e o presidente Abbas -  que teve o intuito de demonstrar “ exemplo de convivência harmoniosa entre judeus e palestinos no Brasil”, assinala um comunicado distribuído pela Agecom-BA em seguida ao embarque de Wagner.  Mas não é só isso. É isso e muito mais!

Além dos temas internacionais, seguramente, não faltarão na viagem momentos de conversas – e acertos- sobre política caseira.

Pena o ministro Geddel, do PMDB, não cultivar barba nem bigode, pois assim poderia colocá-los de molho desde já.

(Vitor Hugo Soares ).

mar
13
Posted on 13-03-2010
Filed Under (Aparecida, Artigos, Multimídia) by vitor on 13-03-2010

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CRÔNICA

Mais um fado no enfado de tantas perdas…

Aparecida Torneros

A maratona das perdas. Faz parte da vida, diriam os apaziguadores de sentimentos alheios. Claro está que o compartilhamento de sentidos tem grau diferenciado e não corresponde a uma matemática perfeita. É o céu dos imperfeitos medos que todos temos, os medos de perder quem amamos, companheiros e amigos, familiares e ídolos, vizinhos e eventuais criaturas que nos preenchem os dias com sua presença iluminada.

No curso das perdas que nos assolam constantemente, há períodos pródigos em partidas que chocam. Há os que partem em contingentes, como nos terremotos do Haiti e do Chile, nós nos comovemos e o choro interno é humano, plausível, impotente e sofrido. Nem é preciso conhecer-lhes nomes e rostos, basta que sintonizemos a dor e o sofrimento.

Nos recentes anos perdi pai, tias e tios, fui me habituando a comparecer aos velórios e encontrar a família, sempre unida, presente, reconfortante. Notícias de perda de um jornalista querido na Bahia, depoimentos que me fizeram conhecê-lo sem nunca tê-lo visto pessoalmente. É a teia dos amigos que relatam e nos legam suas impressões de viagem.

De meses pra cá, perdi os mais jovens, como por exemplo um ex aluno, atuante e cheio de vida que sucumbiu atacado por ataque fulminante. A ficha custou a cair. Outros amigos se foram, coleguinhas de décadas, novamente os encontros nas missas de sétimo dia, as saudade arrefecidas, as conversas lamentosas, os carinhos renovados.

De repente, alguém adoece e é como uma irmã de alma. Vou visitá-la em São Paulo, numa UTI e o que consigo dizer é que tenha força e coragem, fé e conformação. Nem sei se ela me ouve, plugada em tantos aparelhos, vejo seus olhos semi abertos, azuis e de certa opacidade que prediz sua passagem. Dias depois, recebo a notícia. Coincide com a morte do Jonhy Alf, eles combinaram viajar juntos, suponho, talvez, para voarem desde a mesma metrópole em destino aos céus dos que aqui deixaram com tantos afetos e saudades.

Na missa de sétimo dia por alma da amada amiga, encontro outras flores do seu jardim, amigas que ela plantou e colheu durante sua estada entre nós. Tomamos juntas um café após o ato religioso, e passamos a nos conhecer de verdade, oficializando a rede que ela criou. Dói a saudade dela, mas vamos nos aproximar e compactuar histórias comuns.

De ontem pra hoje, mais um amigo se vai, estava prisioneiro da doença renal crônica e descansou. Falta-me então a coragem para ir despedir-me dele, para confortar sua família que me é tão cara, sinto que baqueio. Busco a voz da minha velha mãe, ainda forte, ainda me dizendo que chegou a hora de cada um e que essa hora sempre há de chegar. Ela me encoraja a prosseguir, diz que se alguém já foi é porque precisava descansar. Eu ouço com respeito, pois, no alto dos seus 83 anos sabe o que fala.

Tento me aprumar, preciso confortar pessoas, logo mais vou dormir com a amiga que perdeu o irmão, mesmo sem ter ido ao velório, sei que minha presença pode ser um gesto carinhoso e decido que irei.

Perdas sempre haverão. Encontros novos nos esperam por aí. Velhos amigos e gente que amamos, apesar de partirem, permanecem dentro dos nossos peitos, e me ponho a ouvir um fado. Mais um fado no enfado de tantas perdas… O que me devolve a esperança, me anima a alma, me reaproxima da sede de viver, sem me deixar perder de vez na dor de tantas perdas…

Cida Torneros , jornalista e escritora, mora no Rio de Janeiro, onde edita o Blog da Mulher Necessária

É a chance de Lula desfazer um pouco do malfeito que praticou em relação à repressão política e aos direitos humanos em Cuba, diz o jornalista político Ivan de Carvalho no artigo que assina neste sábado, na Tribuna da Bahia. Saiba porque lendo o texto que Bahia em Pauta reproduz.

(VHS)

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Jornalista Farinas, em Cuba:”E a Fenaj?”

Uma chance para Lula

Ivan de Carvalho

O jornalista dissidente cubano Guillermo Fariñas, em greve desde o dia 24 de fevereiro está em observação na UTI do Hospital Provincial Arnaldo Milián “e sua situação nos preocupa, embora os médicos não tenham confirmado a complicação renal”, disse ontem à tarde sua porta-voz, Licet Zamora, acrescentando que “ele não urina desde que ingressou (na quinta-feira) na UTI do hospital”. A informação no hospital é de que o estado de Fariñas é “grave, mas estável”.

Fariñas, que não está preso, deixou de se alimentar por solidariedade, pela libertação de 27 prisioneiros de consciência (presos políticos). Sua greve de fome foi iniciada logo após a morte, em consequência de greve de fome de 85 dias, do preso político Orlando Zapata Tamayo, de 42 anos, que cumpria pena de 29 anos de prisão. O comportamento do governo cubano no episódio e sua política em relação aos dissidentes do regime comunista provocaram protestos em quase todo o mundo. O mais amplo foi do Parlamento Europeu, que por mais de 500 votos contra apenas 20 condenou, na quinta-feira, a ditadura castrista.

A mesma atitude não teve o presidente do Brasil, Lula da Silva. Nem a diplomacia brasileira. Por um acaso desses que não acontecem por acaso, mas pelo que Carl Jung chamou de sincronicidade – e que sempre têm algum propósito, mesmo que não o idenfiquemos de imediato – Lula estava fazendo sua quarta visita a Cuba desde que assumiu o governo. Claro que ele lamentou a morte de Zapata, mas isso foi só o sinal para o início de uma saraivada de bobagens, impropriedades e coisas alopradas.

Desaconselhou greves de fome, pois já fizera uma quando sindicalista, não gostara e desistira (faltou-lhe, talvez, a fibra de Zapata ou sobrou-lhe a esperteza que este não tinha), disse que não podia fazer emitir conceitos sobre as leis cubanas, mas condenou as greves de fome “a pretexto” de defesa de direitos humanos (!!!) e equiparou os presos de conciência de Cuba com os bandidos presos por crime comum nas penitenciárias brasileiras, nominadamente, as paulistas.

Enfim, contrariando o grande e saudoso mestre do Direito Orlando Gomes, que costumava usar em suas aulas a expressão “obrou bem”, Lula foi na direção inversa e obrou mal. E essa obra foi tão ruim que ele e o governo têm se esforçado na vã tentativa de atrapalhar o entendimento das pessoas a respeito. Mas já está evidente que, nessa obra, quanto mais se mexe, mais fede, como já observei em artigo anterior.

Ora, o jornalista Guillermo Farinas (jornalista em Cuba deve ser uma profissão martirizante ou vergonhosa, a depender do caráter do profissional) já realizou mais de 20 greves de fome, esteve preso três vezes e sofreu na quinta-feira um choque hipoglicêmico semelhante ao que já sofrera em 3 de março. É a chance de Lula desfazer um pouco do malfeito que praticou em relação à repressão política e aos direitos humanos em Cuba.

Pois Guillermo Fariñas qualificou Lula de “cúmplice da tirania dos Castro”. Que tal, como Jesus recomendou, Lula amar o inimigo e abraçar sua causa justa, passando a defender a libertação dos presos políticos pelos quais Fariñas está se sacrificando?

Ah, e a Federação Nacional dos Jornalistas, a Fenaj? Não tem nada a dizer?

mar
13

Bachelet: honras e aprovação

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ARTIGO DA SEMANA

BACHELET: ESTATURA DE UMA ESTADISTA

Vitor Hugo Soares

De passagem por Buenos Aires, em 1986 (acho que o mês era abril), vi no antigo e bem cuidado teatro da Avenida 9 de Julio, bem próximo ao Obelisco das grandes celebrações portenhas, uma apresentação histórica dos rapazes do grupo chileno Quilapayún. A exemplo de milhares em seu país, eles cumpriam a diáspora do exílio sem lugar certo no mundo, arrostando – como Michelle Bachellet e família – a condição de perseguidos implacavelmente pelo regime de Pinochet.

Jamais esqueci aquela noite e lembro dela enquanto pela CNN em espanhol acompanho o novo abalo de 7,2 de intensidade na escala Richter, que faz o chão de Santiago tremer enquanto pessoas correm em desespero pelas ruas em busca de abrigo seguro.

A imagem retorna para o imenso salão no início dos atos de posse de Sebastian Piñera, que treme dos lustres ao solo e amedronta chefes de estado, autoridades e convidados presentes à cerimônia. Nesse momento a presidente sai, atravessa o salão com passos firmes e destemidos. Sorri e todos ficam em pé no salão. Aplausos explodem para Bachelet, que caminha para passar a faixa presidencial ao vencedor da recente eleição presidencial, seu adversário político.

A memória retrocede a Buenos Aires outra vez: como esquecer as reações emocionadas e sempre calorosas do público que lotava todos os espaços do majestoso treatro e deram àquele espetáculo musical um caráter simbólico e único de resistência e generosa solidariedade. Imortalizado no disco vinil “Quilapauyun en Argentina”, que um querido amigo baiano remasterizou em CD que guardo até hoje em lugar especial de minha discoteca.

Naquele tempo o Brasil vivia de costas para seus vizinhos do continente, enquanto o líder metalúrgico do ABC, Luiz Inácio da Silva, o Lula, brigava: preso uma vez, não só fez greve de fome, mas pregava a prática como bandeira de luta contra os amordaçamentos da ditadura. Hoje proclama arrependimento, mas o fato é que apesar do isolamento continental de então, seu grito teve mais eco que o do pobre operário cubano Orlando Zapata Tamayo, que morreu à mingua em Havana, depois de mais de 80 dias sem se alimentar. Sem merecer uma palavra de misericórdia do companheiro Lula, muito ao contrário.

Tanto quanto a música de maior sucesso dos rapazes do Quilalapayún: “El Pueblo, unido, jamás será vencido”, embora minha canção preferida do grupo sempre tenha sido “Mi Pátria”. Um canto potente de exaltação ao Chile vulcânico, telúrico, com seus desertos escaldantes, lagos deslumbrantes, montanhas nevadas. Além de um povo educado, generoso e hospitaleiro que só vendo para acreditar.

Acho que me perdi um pouco nas trilhas dos lugares de minhas paixões na América Latina. O que desejava mesmo, desde o começo, era falar da socialista Michelle Bachelet e de sua despedida do governo do Chile, embora não da política chilena, onde acredito sua presença será cada vez mais intensa e decisiva. Afinal, apesar do terremoto, ela deixa o governo com mais de 80% de aprovação popular, segundo a pesquisa mais recente.

Com a palavra Bachelet, na entrevista fora de agenda, publicada no jornal independente La Tercera, enquanto sob aplausos intensos ela pisava o tapete vermelho que a conduzia para fora dos muros do Palácio la Moneda: “Estou muito emocionada com este carinho e por estes aplausos (…) Há quatro anos entrei pela porta que está às costas de vocês e vinha rodeada de meninos, pequenos cidadãos que entravam pela primeira vez no La Moneda ”.

“Agora vou sair pela porta grande, vou sair triste pela dor de nossa gente, mas também vou sair com a fronte erguida, satisfeita pelo que conseguimos fazer, tranquila porque colocamos todo nosso maior empenho em fazer as coisas bem feitas. E contente também porque esta Moneda nunca mais será a casa dos presidentes, mas a casa dos presidentes e das presidentas do Chile e isso também nos faz um país melhor”.

Diante dos gritos que pediam para que seja candidata em 2014, a Presidenta explicou: “Hoje é nosso último dia, isso é o que importa, e não façamos política de ficção”. Mais palmas.

Em seu famoso Decálogo do Estadista, o saudoso deputado Ulysses Guimarães não traça explicitamente o perfil de nenhuma mulher. Mas é certo que Bachelet se encaixa com perfeição em vários mandamentos – Vocação, Talento, Caráter, Paciência – e principalmente no primeiro: Coragem.

Diz Ulysses: “O pusilânime nunca será estadista: Churchill afirmou que das virtudes, a coragem é a primeira. Porque sem ela, todas as demais, a fé, a caridade, o patriotismo desaparecem na hora do perigo. Há momentos em que o homem público (a mulher também) precisa decidir. Sem Coragem não o fará”.

Até mais ver, corajosa Bachelet. Espero que em Santiago ou em Concepción restaurada.
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Despedida da sacada de La Moneda

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Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

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mar
12
Posted on 12-03-2010
Filed Under (Artigos, Claudio) by vitor on 12-03-2010

O traço crítico de Glauco

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Claudio Leal

Quando morrem, os humoristas não merecem ir para o céu. Assassinado junto com o filho, Raoni, na madrugada desta sexta-feira, em Osasco (SP), o cartunista Glauco Villas Boas inviabilizou seu passaporte para o lugar-comum dos vertebrados: era impertinente, livre, subversivo e de oposição. Olhando bem, nesta República poucos justificam os quatro carimbos. Não confundir um humorista com os piadistas e os imitadores anedóticos. Estes são aceitos em qualquer festa. Os humoristas, em seus confrontos de Oscar Wilde, Dorothy Parker ou Millôr Fernandes, não gozam descanso terreno ou eterno.

Sem coincidência, Glauco se hospedou por nove meses no lendário apartamento de Henfil na rua Itacolomi, em São Paulo, nos anos 70. Esse encontro de fradins e geraldões insinuava um ritual de passagem do humor do “Pasquim” para o da geração de craques como Laerte, Angeli e Glauco. Não havia admiração pacífica. A agilidade do traço de Henfil, quase “caligráfico” – como destacava Jaguar -, e a liberdade no uso do espaço do cartum contagiaram “Los 3 Amigos”. “Estou falando com Deus, pensava, quando conheci o Henfil. Os Fradinhos, aquele traço todo solto, o uso do palavrão – o trabalho dele era um avanço muito grande”, declarou numa entrevista.

Mas o que o distanciava do mestre era justamente o que determinaria a personalidade artística de Glauco: o impulso dessacralizador da política. A partir de 1977, iniciou sua colaboração com a “Folha de São Paulo”, no momento em que o humor vivia o conflito entre a militância e a contestação da esquerda. Ele reduzia a República a seus elementos mais infantis, para revelar o nonsense de engravatados e congêneres. Fernando Henrique Cardoso, papada e tremedeiras de intelectual da primeira infância. Lula, charuto híbrido de sindicalista e líder plenipotenciário. Os gestos infantis são, óbvio, fundadores do ser humano. E Glauco descascava as pompas dos políticos brasileiros até deixá-los montados num cavalinho. Não parece o Arruda num carrossel?

Suas charges (“cartuns editoriais!” – bradaria o humorista Osmani Simanca), na página de Opinião da “Folha”, vibravam nesse Olimpo dos palpiteiros do jornalismo (sempre revestidos de uma gravidade que não se ajusta à nossa esquina). A surpresa da caricatura nascia do movimento, dos nervos. Geraldinho e Geraldão, Dona Marta, Zé do Apocalipse e Doy Jorge se metem em tumultos vários, alguns deles animalescos – em diálogo e traço. Glauco banqueteou-se com o budismo, Carlos Castañeda, Osho e o Santo Daime. Agora vemos que tinha uma clarividência corrosiva. No desassossego com a notícia de sua morte, a última tirinha da Dona Marta desconcerta por enquadrar a violência:

“- Chefinho tenso… Vou fazer uma massaginha…

- Experimenta! (Clic! Revólver apontado)

- Experimento, fica bem quietinho! (Fuzil na nuca).”

Glauco morreu aos 53 anos, em sua casa. Quatro tiros no (nosso) peito. Os deuses dos grandes humoristas costumam falhar. E ouvimos Geraldão, no quadrinho final: Mãe, que merda!

Em seu artigo desta sexta-feira na Tribuna da Bahia o colunista político Ivan de Carvalho comenta o pedido de licença do PV apresentado pelo baiano ministro da Cultura, Juca Ferreira, para assim ficar mais à vontade dentro do governo Lula e poder apoiar a ministra Dilma Rousseff (PT) em lugar da candidata de seu partido à presidencia da República, Marina Silva, a quem Juca dirigiu duras críticas, com sobras também para o deputado Luis Bassuma, candidato Verde a governador da Bahia. Esta posição de Juca Ferreira contraria a decisão da direção nacional do PV e da Coordenação da campanha de Marina Silva, assinala Ivan, no texto que Bahia em Pauta reproduz.
(VHS)

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OPINIÃO POLÍTICA

SEM DANO À CULTURA

Ivan da Carvalho

Como ministro da Cultura, o baiano Juca Ferreira foi um bom vereador em Salvador.

Porque, como integrante de proa do Partido Verde, não se mostra agora um bom ministro da Cultura.

O que deve fazer um bom ministro da Cultura? Além de exercer correta e diligentemente as funções de seu cargo – não me considero habilitado para julgar se ele faz isso ou não – deve dar o bom exemplo em todas as suas atitudes, principalmente as públicas, assim colaborando com a cultura, no caso, política, do país.

E o que faz Juca Ferreira? Sendo do PV “desde criancinha”, discorda da candidatura de seu partido a presidente da República, que lançou a senadora e ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva para a sucessão de Lula, e anuncia seu apoio à candidata de Lula e do PT a presidente, Dilma Rousseff.

Tendo seu berço político na Bahia, tentou quebrar lanças (não conseguiu) para que o PV baiano apoiasse a candidatura do governador Jaques Wagner, do PT, à reeleição, defendendo que o PV não tivesse em nosso estado um candidato próprio a governador. Esta posição de Juca Ferreira contraria a decisão da direção nacional do PV e da Coordenação da campanha de Marina Silva, que fixaram a estratégia político-eleitoral de os verdes terem candidato a governador em todos os estados, menos no Acre, que é o estado representado por Marina Silva no Senado.

Por convicções pessoais ou por motivações políticas ou até, muito mais provavelmente, por ambas as coisas, rebelou-se contra a maioria do PV da Bahia, a direção nacional e o coordenador-geral da campanha de Marina Silva, Alfredo Sarkis, por tomarem e até formalizarem a decisão de lançar para governador da Bahia a candidatura do deputado federal Luiz Bassuma, expulso do PT (o que o levou a ingressar no PV) por sua oposição à liberação do aborto e sua atividade como presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Vida – Contra o Aborto.

Juca Ferreira tem afirmado publicamente que alguém assim é “conservador”, donde se poderia concluir que a liberação para a matança de criancinhas, seres humanos inocentes e indefesos ainda no ventre de suas mães, é “progressista”, uma evolução cultural à qual exige o incentivo de um ministro da Cultura. Além de que o PT, partido de Dilma Rousseff, segundo decisão tomada em seu terceiro Congresso, formalizou decisão a favor da descriminalização do aborto, decisão esta com que justificou a expulsão de Bassuma.

Estando agora na oposição e com candidatura a presidente concorrendo com a candidatura apoiada pelo governo, o PV pediu ao ministro Juca Ferreira e outros eventuais verdes que saiam de seus cargos de confiança no governo federal. O ministro resolveu ficar e comunicou ao PV sua licença ou suspensão deste partido pelo período de um ano. E anunciou o apoio a Dilma.

Fico extremamente surpreso que o PV não haja, pelo menos até agora, liberado o ministro de vez, cancelando-lhe a filiação, para que possa entrar no PT (ou outro partido do aglomerado governista), onde estará mais à vontade para apoiar Dilma Rousseff e o governador Jaques Wagner sem causar nenhum dano à cultura política nacional, tão necessitada de bons exemplos e coerência.

mar
11
Posted on 11-03-2010
Filed Under (Artigos, Eventuais) by vitor on 11-03-2010

Bahia em Pauta vai buscar no espaço de comentários da entrevista do ex-ministro e ex-governador Waldir Pires ao repórter Claudio Leal, publicada na revista digital Terra Magazine, as palavras do advogado Inácio Gomes, para publica-las no espaço principal de opinião deste site blog. Raferência baiana na defesa dos direitos humanos e na resistência em defesa das libeerdades democráticas e livre manifestação do pensamento, o que segue são as palavras de um homem que não se dobrou, que manteve a íntegra a espinha dorsal e o pensamento. Um texto e uma lição de dignidade pessoal e política. para ler e guardar.

(Vitor Hugo Soares )

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NO ALTAR PAGÃO DO PRAGMATISMO

Inácio Gomes

Pragmatismo é a palavra da moda no Brasil de hoje. Não se denuncia e submete a julgameto o torturador do passado para não se comprometer a governabilidade.È pragmatimo. Os que estão nos palacios fecham as janelas para que a seu ouvidos não chege os gritos dos torturados e as palvara de ordem da mocidade do passado dizendo que “o povo unido jamais será vencido”.

Para se manterem no poder as allianças mais espúrias são construidas. Tudo em nome do Pragmatismo. Não sou sectario. A participação de Otto Alencar na chapa de senador é comprensivel. Carlista no passado nunca ordenou a repressaõ policial aos movimentos populares e estudantis. Será , nete caso,uma alliança para construção de um novo momento na Bahia.

Agora, querer fazer o eleitorado democratico engulir guela á baixo um cesar borges – aquele que ordenu a ocupação do campus universitario de ilnstalações do hospital universitário para repelir violentamente movimento estudantil democratico -é, me permita repetir, o gigantimo do pragmatismo .

É um tapa na cara dos que lutaram contra a ditadura e,ainda, estão vivos. È desrespeitar a sepultura do mortos. Governador , pragmatico V.Excia.será se homenajeando o passado e olhando para o futuro convidar Waldyr ou Lidice para compor a chapa que a seu lado será a continuação do seu dinâmico gverno.

Certas hora eu chego a imaginar que na Bahia a Sindrome de Estocomo foi substituida, em alguns casos, por uma relação sado masoqista, saudosa, entre torturado e torturador. Tudo no altar pagão do Pragmatismo.

Ignácio Gomes é advogado

mar
11
Posted on 11-03-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 11-03-2010

Trecho do artigo do jornalista Ivan de Carvalho publicado em sua coluna diária na Tribuna da Bahia:”A mais recente viagem de Lula a Cuba coincidiu com a morte, em consequência de uma greve de fome de 85 dias do preso político Orlando Zapata Tamayo. Na ocasião, o presidente do Brasil julgou por bem desaconselhar greves de fome, alegando que, quando sindicalista, fez uma, não gostou e desistiu. Em defesa da atitude de Zapata, dos direitos humanos e da luta por eles, dos outros prisioneiros políticos cubanos e de crítica às leis e ao governo que os prende, nem um pio. Pegou mal. Muito mal” Veja a íntegra do texto, que Bahia em Pauta reproduz.

(VHS)

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Orlando Zapata Tamayo

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LULA EXPLICA OBRA

Ivan de Carvalho

Ora, no dia 9 foi publicado aqui um artigo meu, sob o título “Lula falou sério”. Começava com alguma ironia:

“Bravo. O presidente Lula falou sério.

Aconteceu ontem.

Ele não disse que o estado de saúde de seu amigo, o comandante Fidel, é ótimo.

Nem que a Venezuela é uma democracia, quer dizer, continua sendo, apesar da investida caudilhesca e até agora incontida do coronel-presidente-ditador Hugo Chávez.

Tampouco não afirmou que sua visita ao Irã para retribuir a visita do “presidente” Mhamoud Ahmadinejad tem objetivo básico de “negócio”, ao invés do objetivo político e diplomático de dar alento a um dos governos mais aloprados do mundo – avaliação que quase todo o mundo faz.”

E seguia mais um pouco nessa linha o artigo, até referir comentários sérios e por mim elogiados de Lula a respeito do deficit da Previdência Social.

Mas, por favor, esqueça o leitor o que escrevi antes para abrir mais espaço ao que acaba de dizer o presidente, que desta vez – mais esta – não falou sério.

A mais recente viagem de Lula a Cuba coincidiu com a morte, em consequência de uma greve de fome de 85 dias do preso político Orlando Zapata Tamayo. Na ocasião, o presidente do Brasil julgou por bem desaconselhar greves de fome, alegando que, quando sindicalista, fez uma, não gostou e desistiu. Em defesa da atitude de Zapata, dos direitos humanos e da luta por eles, dos outros prisioneiros políticos cubanos e de crítica às leis e ao governo que os prende, nem um pio.

Pegou mal. Muito mal. Terrivelmente mal. E desde então o presidente e o governo vêm tentando encobrir a estranha “obra”, explicar a declaração aloprada. Mas quanto mais mexe, mais fede.

Ontem fedeu insuportavelmente, por conta de uma entrevista exclusiva concedida pelo presidente à agência de notícias Associated Press. Lula comparou o herói Zapata aos presos comuns brasileiros. “Temos de respeitar a determinação da Justiça e do governo cubanos de deter as pessoas em função da legislação de Cuba. A greve de fome não pode ser utilizada como um pretexto de direitos humanos para liberar as pessoas. Imagine se todos os bandidos presos em São Paulo entrarem em greve de fome e pedirem liberdade.”

Guillhermo Fariñas, um dos dissidentes em greve de fome, passou a mensagem de que Lula é “cúmplice da tirania dos Castro”. Eu não o contestaria. E como pode ele ser cúmplice da tirania em Cuba, ou na Venezuela, ou no Irã, e defensor da democracia no Brasil? Só faria sentido e ganharia seriedade se aceitarmos a tese do jornalista Josias de Souza, da Folha de S. Paulo, que, ontem, em seu blog, sugeriu um epitáfio: “Aqui jaz uma vítima dos aloprados de todas as ideologias”. Suponho que o epitáfio seja para Zapata, mas caberia como uma luva para o discurso do presidente Lula neste episódio.

Ah, em Cuba existe uma “lei de periculosidade” que permite prender e manter preso um “cidadão” – em Cuba, cidadão deve ser escrito entre aspas – que não haja cometido delito algum, mas apenas por supor a autoridade que ele poderia cometê-lo.

É a Polícia do Pensamento, imaginada por George Orwell em “1984”, operando.

mar
11
Posted on 11-03-2010
Filed Under (Artigos, Eventuais) by vitor on 11-03-2010

O filho do carteiro: obra prima da Van Gogh

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OLHAR E SER VISTO

Sonia Regina Caldas

A exposição OLHAR E SER VISTO ressalta os retratos como um dos gêneros mais poderosos das artes plásticas. A presença constante de retratos na história da arte, desde os tempos mais remotos até a contemporaneidade, faz com que esta mostra seja antes de tudo curiosa. A sequência de belíssimos retratos executados por renomados artistas nos deixa extasiados com a possibilidade da comparação.

A cuidadosa seleção e organização dos trabalhos, pertencentes ao acervo de oito mil obras, junto com os comentários de Teixeira Coelho, curador da mostra, torna-a extremamente didática. As exposições A natureza das coisas, Virtude e aparência, A arte do mito e O olhar e ser visto marcam as comemorações dos 60 anos do Museu de Arte de São Paulo.

É interessante observar que há 27000 anos este gosto pela pintura e desenho das faces e expressões humanas, não se modificou mesmo com o uso da fotografia. Desde os mais remotos, até as obras dos novíssimos artistas hiper-contemporâneos, o retrato continua ocupando o seu lugar.

Teixeira Coelho afirma que por uma condição peculiar, os retratos nos olham tanto quanto os olhamos e os olhos dos retratados seguem os observadores pela sala onde quer que se coloquem, eles seguem para examinar, proteger ou acusar.

Os retratos pelo tempo sempre tiveram vida própria e até mesmo, certo poder, especialmente na cultura ocidental onde passaram a ser quase uma entidade dotada de reflexão e sentimentos. Ao observar os retratados pelo tempo, esquece-se que ali está o olhar de algum artista. Por isso às vezes, muitos viram para a parede os retratos expostos daqueles, cuja presença não pode suportar.

A exposição demonstra retratos clássicos com os fundos esquecidos diante do valor da figura e modernos que mostram atemporalidade sem precisão dos traços da vida corporal ali retratada. Indica uma trajetória, nem fixa nem única, dividindo-a em cinco grupos: o retrato da pompa, o recurso à cena, o eu mesmo, ou seja, os autos-retratos, e os retratos modernos e a desconstrução.

Através desta exposição consegue-se perceber a força dos movimentos artísticos na história da arte através de retratistas marcantes, tais como: Frans Hall, Goya, Manet, Lautrec, Gauguin, Renoir, Van Gogh, Pancetti, Darcy Penteado, Anita Malfatti e outros considerados artistas. Trata-se de uma bela proposta. Vale a pena essa especial releitura, com certeza, o visitante sairá com novas imagens de si mesmo.

Sonia Regina Caldas é artista plástica, doutora em Letras pela UCSAL e em Turismo pela FAMMETIG.

mar
10
Posted on 10-03-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 10-03-2010

Canal Imbui: naturezA semi-morta

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Em sua coluna de hoje na Tribuna da Bahia o jornalista político Ivan de Carvalho volta a mexer em uma questão polêmica da cidade atualmente.

O colunista alerta para a reunião tripartite que será realizada na tarde de hoje no bairro eo Itaigara, com representantes do Ingá – órgão estadual vinculado à Secretaria Estadual do Meio Ambiente e que trata de questões relacionados a água, saneamento, poluição e correlatas –, incluindo seu diretor-geral Júlio Rocha, da Casa Civil da Prefeitura de Salvador e da Construtora OAS, que realiza as obras no esgoto (ex-rio) que corta o bairro. É aí que que mora o impasse, a ponto de Invan perguntar no artigo que Bahia em Pauta reproduz:

“Bem, quando é que o Ingá vai exigir que seja descoberto o Rio das Tripas, que corre sob a Baixa dos Sapateiros?”. Confira o texto.
(VHS)

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Radicalismo ambiental no Imbui

Ivan de Carvalho

Os 80 mil a 100 mil moradores do bairro do Imbui, em Salvador, devem ficar especialmente atentos hoje. É que, para as 17h30, está marcada pelo Ingá uma reunião, em sua sede, no bairro do Itaigara – seria mais interessante que a reunião se realizasse em algum local do Imbui, com a presença dos moradores da área que quisessem comparecer.
A reunião será tripartite, com representantes do Ingá – órgão estadual vinculado à Secretaria Estadual do Meio Ambiente e que trata de questões relacionados a água, saneamento, poluição e correlatas –, incluindo seu diretor-geral Júlio Rocha, da Casa Civil da Prefeitura de Salvador e da Construtora OAS, que realiza as obras no esgoto (ex-rio) que corta o bairro.
Desde a “outorga” para a realização da obra, o Ingá vem impondo condições que têm criado à prefeitura dificuldades e perda de tempo em busca de soluções que atendam às exigências do órgão estadual, aparentemente preocupado em “salvar” uma meia dúzia de piabas e duas ou três sucuris que vivem ou viviam nas águas do esgoto e da lagoa à qual dá vazão. Aí exigiu três respiradouros! E levantou mais algumas questões pra impressionar quem acredita em Papai Noel.
Ah, o Ingá também salvaria os milhares de ratos, milhões de baratas e, talvez, uma centena de sapos que ainda conseguem sobreviver à água imunda e fedorenta com a qual a Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa) jamais manifestou preocupação, ainda que fosse em consideração à saúde e aos 80 mil a 100 mil narizes dos moradores do bairro e a milhares de outros que passam por lá em trânsito, pela Avenida Jorge Amado e adjacências.
Cumpre esclarecer outra vez – pois já fiz isto antes – que piabas e sucuris não são animais em extinção, da mesma forma que ratos, baratas e mosquitos de variadas espécies, especialmente muriçocas. E que não é o Ingá, mas o CRA, o órgão estadual responsável pela preservação de espécies em extinção.
O Ingá exige – e quer saber hoje da prefeitura e da construtora se isso está sendo obedecido – que as placas com as quais o rio-esgoto a céu aberto está sendo coberto e os equipamentos que transformação a área em espaço de lazer são removíveis. Para que sejam removidos quando as bacias de captação, as lagoas e o rio-esgoto forem resgatados à poluição absoluta em que estão. O que ocorrerá na década ou no século em que a Embasa resolver fazer isto.
Ora, o Ingá deveria ter consciência de que quase tudo é removível. Se tanto a fé quanto as mineradoras removem montanhas, porque seriam eventualmente irremovíveis placas de concreto na cobertura do rio-esgoto e alguns quiosques de alvenaria construídos sobre elas? Informa o blog Por Escrito que o Ingá pediu e obteve do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura um laudo sobre o “caráter permanente ou temporário” da cobertura do rio. Ora, até o Céu e a Terra são temporários – “Passarão o céu a e Terra, mas as minhas palavras não passarão”, explicou Jesus (e Ele sabia mais do que Julio, ainda que fosse o Caesar e não o Rocha).
Bem, quando é que o Ingá vai exigir que seja removida a cobertura do Rio das Tripas, que corre sob a Baixa dos Sapateiros? Será que, depois de tantas décadas ainda