ARTIGO

Previsão de baixo risco

Joaci Góes

Ao brilhante amigo e jusfilósofo Wellington Lima e Silva.

No campo do social, o grau de acerto das previsões humanas é, na melhor das hipóteses, moderado, de tal modo é plena de ineditismos a conduta humana. Essa regra, aplicável a todas as ciências sociais, em graus variados, não nos deve conduzir à imobilidade protagonística, mas à prudência da humildade para evitarmos algumas perigosas certezas como a do marxismo que produziu, simultaneamente, as duas maiores hecatombes de todos os tempos, com o genocídio stalinista, da União Soviética, e o chinês, sob Mao Tsé-Tung que, somados, chegaram a números que oscilam entre sessenta e cento e quarenta milhões de mortos, a depender dos critérios adotados na realização das contas. As biografias produzidas sobre essas duas personalidades revelam que ambos foram psicopatas da mais alta periculosidade, desenvolvidos no caldo de cultura de uma excessiva concentração de poder, coroando a conhecida conclusão de Lord Acton, pensador inglês nascido na Itália, segundo a qual “Todo poder corrompe, e o poder absoluto corrompe, absolutamente” (All the Power tends to corrupt, and absolute Power to corrupt, absolutely).

A margem de segurança das previsões no campo do social se restringe ao que se denomina futuro presente, o futuro que já aconteceu, de tal modo emerge da realidade que se estende à nossa frente, quase como a certeza de que chegará ao chão, dentro de um determinado espaço de tempo, a pedra de um determinado peso lançada de uma determinada altura.
A momentosa questão do grau de flexibilidade legal a ser adotado no Brasil, relativamente à posse de armas, pelo cidadão comum, parece-nos ensejar razoável grau de confiança na previsão de que, ao invés de aumentar, a criminalidade será sensivelmente reduzida, a partir de dados disponíveis e confiáveis, mundo afora. O ambiente de passionalidade ideológica vigente entre nós é tamanho que parcela ponderável dos passageiros do avião chamado Brasil deseja o desastre que vitimará a todos como meio de ofender o piloto de quem não gosta.

Os fatos, porém, são teimosos e terminam por se impor, independentemente do prosaico voluntarismo das pessoas. Além do inegável acervo de realizações do atual governo, no sentido de reanimar a economia, registra-se o recorde histórico de não haver o menor indício de roubo na atual gestão, nove meses decorridos de seu início. Como acréscimo, a sensível redução da criminalidade até agora registrada frustra os agourentos que prenunciaram o apocalipse, com a expectativa do acesso ao direito de todos se defenderem. Bastou a bandidagem perceber que o aparelho repressor ficaria incondicionalmente do lado do cidadão decente e contra o crime, para cair o número de homicídios produzidos com o propósito de roubar. A projeção dos números aponta para uma queda de doze mil homicídios, em 2019, relativamente ao ano passado. Número acima da média dos frequentadores, por partida, do campeonato brasileiro de futebol.

A prática populista do politicamente correto que considera o criminoso como uma vítima do capitalismo perverso tornou as propriedades rurais, em todo o País, lugares extremamente perigosos, exigindo frequência cautelosa. Doravante, ver-se-á a restauração crescente do hábito de férias escolares em ambientes carregados de bucolismo que refrigera as almas.

Inegavelmente, em alguns casos, a ofensa física por arma de fogo ocorrerá porque as pessoas estarão armadas. Esses casos excepcionais, porém, quando comparados com a queda dos latrocínios, não infirmarão a regra geral da redução do número de mortes por arma de fogo, num ambiente em que a adoção ingênua ou ideológica do politicamente correto armou o bandido deixando a sociedade ao desamparo. Quem viver verá. Não se trata de profecia, mas de aceitação do futuro presente ou do futuro que já aconteceu, por emergir de um contexto que levará a um desfecho promissor, como se registra na experiência do Mundo.

Joaci Góes é escritor, presidente da Academia de Letras da Bahia, ex-diretor da Trbuna da Bahia. Artigo publicado originalmente na TB, em nesta quinta-feira, 19/9.

“Errare Humanum Est”, Jorge Bem: a incrível capacidade de um artista completo, de elevar ao infinito – muito além do buraco negro do espaço – a força empolgante e transcendental de sua arte de compor e interpretar. Maravilha de Bem!!!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

DO BAHIA MUNICÍPIOS

Por: Redação | Foto: Ascom PMS


Nesta quarta-feira (18) foi publicado no Diário Oficial o aviso de licitação para construção da obra e os serviços de operação e manutenção do novo sistema rodoviário que serão executados por meio de Parceria Público-Privada (PPP), na modalidade de concessão patrocinada. O prefeito ACM Neto afirmou que o Executivo Municipal só permitirá a construção da Ponte Salvador-Itaparica caso o Governo Estadual apresente a proposta à prefeitura.

“Como um projeto desse pode ser licitado se a prefeitura de Salvador, que é a principal cidade afetada, sequer tem conhecimento do impacto que a obra vai ter na cidade? Como é esse volume enorme de tráfego que vai atravessar Salvador, o coração da cidade? Isso não vai acontecer por cima da prefeitura. Não há hipótese” disse o prefeito durante a entrega da Unidade de Acolhimento Institucional (UAI) da Ribeira.

Além disso, Neto ressaltou que o projeto nunca foi tratado com seriedade pelo governador Rui Costa (PT). “Ele não vai passar por cima da prefeitura. Na hora que o governo estiver disposto a apresentar o projeto, a mostrar qual impacto que isso terá sobre a cidade… E, outra coisa, não adianta o governo o governo achar que nós vamos permitir que ele endivide as próximas gerações de baianos. É fácil tentar contratar e colocar tudo para ser pago no futuro. Não vamos aceitar isso”.

 

Resultado de imagem para João Ubaldo em casa na ilha de Itaparica
João Ubaldo Ribeiro, em sua ilha de Itaparica.
 
ADEUS, ITAPARICA DO MEU CORAÇÃO, ADEUS

João Ubaldo Ribeiro

Texto publicado originalmente no jornal A TARDE:

Como todos os anos, vim a Itaparica, para passar meu aniversário em minha terra, na casa onde nasci. Casa de meu avô, coronel Ubaldo Osório, que fez pouco mais na vida que amar e defender a ilha e seu povo.

De lá para cá, muito se tem perpetrado para destruí-los física ou culturalmente e há nova tentativa em curso. Trata-se da anunciada construção de uma ponte de Salvador para cá. Isso é qualificado, por seus idealizadores, de progresso.

Conheço esse progresso. É o progresso que acabou com o comércio local; que extinguiu os saveiros que faziam cabotagem no Recôncavo; que ao fim dos saveiros juntou o desaparecimento dos marinheiros, dos carpinas, dos fabricantes de velas e toda a economia em torno deles; que vem transformando as cidades brasileiras, inclusive e marcadamente Salvador, em agregados modernosos de condomínios e shoppings acuados pela violência criminosa que se alastra por onde quer que estejamos enfurnados, ilhas das quais só se sai de automóvel, entre avenidas áridas e desertas de gente.

Também conheço os argumentos farisaicos dos proponentes da ponte, ávidos sacerdotes de Mamon, autoungidos como empresários socialmente responsáveis. Na verdade, sabem os menos ingênuos, eles se baseiam em premissas inaceitáveis, tais como uma visão imediatista, materialista e comprometida irrestritamente não só com o capital especulativo, que já está pondo as mangas de fora no Recôncavo, como aquele que investe aqui usando os mesmos padrões aplicados em PagoPago ou na Jamaica. A cultura e a especificidade locais são violentadas e prostituídas e o progresso chega através do abastardamento de toda a verdadeira riqueza das populações assim atingidas.

As estatísticas são outro instrumento desses filibusteiros do progresso que em nosso meio abundam, entre concorrências públicas fajutas, superfaturamentos, jogadas imobiliárias e desvios de verbas. Mas essas estatísticas, mesmo quando fiéis aos dados coligidos, também padecem de pressupostos questionáveis. Trazem à mente o que alguém já disse sobre a estatística, definindo-a como a arte de torturar números até que eles confessem qualquer coisa. E confessarão, é claro, pois Mamon é forte e sempre esteve na crista da onda.

Mas não mostrarão que esse progresso é na verdade uma face de nosso atraso. Atraso que transmutará Itaparica num ponto de autopista, entre resorts, campos de golfe e condomínios de veranistas, uma patética Miami de pobre. E que, em lugar de valorizar o nosso turismo, padroniza-o e esteriliza-o, matando ao mesmo tempo, por economicamente inviável, toda a riqueza de nossa cultura e nossa História. Quem não é atrasado sabe disso.

Para não cometer esse tipo de atentado é que, em Paris, por exemplo, não se permite a abertura de shoppings onde isso possa ferir o comércio de rua tradicional. Tampouco, em Veneza, as gôndolas foram substituídas por modernas lanchas. Num país não submetido a esse estupro socioeconômico e cultural, os saveiros seriam subsidiados, as antigas profissões, o artesanato e o pequeno comércio também. Exercendo a vocação turística de toda a região, teríamos razão em nos mostrar com tanto orgulho quanto um europeu se mostra a nós. Mas nosso destino parece ser acentuar infinitamente a visão que enxerga em nós um país de drinques imitando jardins, danças primitivas, pouca roupa e nativas fáceis.

Adeus, Itaparica do meu coração, adeus, raízes que restarão somente num muro despencado ou outro, no gorgeio aflito de um sabiá sobrevivente, no adro de alguma igrejinha venerável por milagre preservada, na fala, daqui a pouco perdida, de meus conterrâneos da contracosta. Sei em que conta me terão os que querem a ponte e não têm como dizer que só estão mesmo é a fim de grana, venha ela de onde vier e como vier. Conheço os polissílabos altissonantes que empregam, sei da sintaxe americanalhada em que suas exposições são redigidas e provavelmente pensadas, como convém a bons colonizados, já ouvi todos os verbos terminados em “izar” com que julgam dar autoridade a seu discurso.

É bem possível que a ponte seja mesmo construída, mas, pelo menos, não traio meu velho avô.

* Artigo publicado na edição de hoje do jornal A Tarde.

set
20

Do Jornal do Brasil

 

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), criticou a operação de busca e apreensão executada pela Polícia Federal em residências e gabinetes do líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), e do deputado Fernando Filho (DEM-PE), filho dele, nesta quinta-feira (19).

Macaque in the trees
Davi Alcolumbre (Foto: Will Shutter/Câmara dos Deputados)

Alcolumbre disse que o Senado vai apresentar questionamentos ao STF (Supremo Tribunal Federal). A operação foi autorizada pelo ministro Luís Roberto Barroso e, segundo a defesa dos Bezerras, mesmo com a Procuradoria-Geral da República tendo dado opinião contrária às buscas.

“Há um entendimento no Supremo Tribunal Federal que a operação realizada precisa ter conexão com o mandato. A determinação de um ministro do STF de entrar no gabinete da liderança do governo no Senado Federal… A liderança é um espaço do governo federal. Só que em 2012 e 2014, período a que a operação se refere, Fernando Bezerra não era senador, muito menos líder do governo. Sete anos depois, um mandado de busca e apreensão?!”, disse Alcolumbre ao mencionar uma das perguntas  que serão apresentadas oficialmente ao STF.

O presidente do Senado disse que vai defender a Casa como instituição e também lembrou do esforço que tem feito para garantir que não haja uma crise institucional entre Legislativo e Judiciário. 

“O STF, como instituição, mais do que nunca, sabe o que o Senado tem feito para manter equilíbrio e a independência. Peço reflexão do STF, de um ministro, não é de todo o tribunal, em relação a esta decisão.”

Desde o início do ano, Davi Alcolumbre tem segurado reiterados requerimentos para criação de uma comissão parlamentar de inquérito para investigar integrantes da suprema corte, a CPI da Lava Toga.

“Continuo me manifestando contrário a ela [a CPI]. Precisamos ter consciência do momento que estamos vivendo. Eu sou contrário, acho que o Brasil não precisa disso. O Brasil espera muito mais que uma CPI para enfraquecer as instituições, porque, no final, isso é para enfraquecer todos nós”, disse  Alcolumbre.

O presidente do Senado considerou um gesto de grandeza Bezerra Coelho ter deixado seu cargo à disposição do presidente Jair Bolsonaro, mas afirmou que, pela conversa que teve com o ministro Onyx Lorenzoni (Casa Civil), não há intenção imediata do Palácio do Planalto em trocar o líder no Senado e que a situação será analisada até a semana que vem.

set
20
Posted on 20-09-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 20-09-2019
 Cantor e compositor esteve acompanhado da namorada, Carol Proner, e do ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, candidato à presidência pelo PT em 2018

 Da GaúchaZH

 

Ricardo Stuckert / Instituto Lula/Divulgação
Chico Buarque (E) ao lado da namorada, Carol Proner (C), do ex-ministro Celso Amorim (C) e de Fernando Haddad (D)Ricardo Stuckert / Instituto Lula/Divulgação

O cantor e compositor Chico Buarque conversou, nesta quinta-feira (19), com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na cela da Superintendência da Polícia Federal (PF) em Curitiba. 

— Eu achei ele muito bem. Mais bem disposto, mais jovem, do que há um ano atrás. Aquele bom humor, aquela alegria, aquela indignação, que é justa — afirmou, em vídeo divulgado pelo fotógrafo oficial do PT, Ricardo Stuckert.

Chico esteva acompanhado da namorada, Carol Proner, além do ex-prefeito de São Paulo e candidato pelo PT à Presidência em 2018, Fernando Haddad, e o ex-ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. 

Eles entregaram uma carta da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD), entidade da qual Carol Proner faz parte. O documento declara “afeto e admiração” pelo ex-presidente, que está desde o dia 7 de abril de 2018 preso, cumprindo pena por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no âmbito da Operação Lava-Jato.

Quando Chico estava no local, uma forte chuva atingiu Curitiba e danificou a Vigília Lula Livre, onde se encontram militantes que aguardam a saída do ex-presidente.

—  Vi as imagens da destruição da Vigília e fiquei triste, mas ao mesmo tempo achei que pode ser um presságio. Está na hora de desmanchar isso aqui. Lula livre! — declarou o cantor, segundo o site do PT.

As posições críticas de Chico Buarque ao governo de Jair Bolsonaro têm provocado embates com órgãos federais. O diretor do documentário Chico: Artista Brasileiro (2015), Miguel Faria Jr., afirmou, no último dia 12, que a obra foi censurada em um festival de cinema promovido pela Embaixada Brasileira no Uruguai. Quando se demitiu do cargo, o ex-secretário especial de Cultura do governo federal Henrique Pires afirmou a GaúchaZH que a conquista do Prêmio Camões por Chico Buarque provocou atrito com o ministro da Cidadania, Osmar Terra.

 — Quando Chico Buarque ganhou o prêmio Camões, quase fui demitido. (Terra) proibiu que algum representante do Ministério vá a Lisboa na entrega da homenagem. O Brasil será representado por alguém do Itamaraty — declarou.

set
20

Os vencedores do bolão da Mega-Sena filiados ao PT não vão precisar dar o “dízimo” ao partido, disse Gleisi Hoffmann hoje.

O prêmio total da loteria foi de R$ 120 milhões, e cada um dos apostadores deve receber R$ 2,5 milhões. Pelo estatuto petista, quem é membro da legenda tem de dar entre 2% e 20% de seu salário para ajudar na manutenção da legenda

“O prêmio não entra na regra, mas quem quiser doar uma parte será muito bem-vindo”, afirmou a presidente do PT.

Quanta magnanimidade.

set
20
Posted on 20-09-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 20-09-2019


 

Iotti, NO JORNAL

 

Liderança do PT na Câmara vive euforia após funcionários ganharem 120 milhões de reais

Recepção e fachada da Liderança do PT na Câmara, em Brasília, nesta quinta-feira (19), onde trabalham os funcionários que ganharam o prêmio da Mega Sena.
Recepção e fachada da Liderança do PT na Câmara, em Brasília, nesta quinta-feira (19), onde trabalham os funcionários que ganharam o prêmio da Mega Sena.DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO

A sala 23 da Câmara dos Deputados, ocupada pela liderança do Partido dos Trabalhadores (PT), viveu desde a noite da última quarta-feira um frisson que não se via desde que a legenda deixou o poder, com o impeachment de Dilma Rousseff. Desta vez, no entanto, o motivo dos holofotes não era nada político. Parte dos ocupantes da sala ficou milionária. Um bolão feito por funcionários recebeu um dos maiores prêmios já distribuídos pela Mega Sena brasileira: 120,08 milhões de reais. Eles se juntaram em um bolão, que contou com 49 cotas. Cada uma custou 10 reais e agora vale 2,45 milhões.

O clima, nesta quinta-feira, era de euforia. E ao contrário do prognóstico de muitos nas redes sociais, os ganhadores não desapareceram.“Vim trabalhar porque é o que eu sei fazer. Não consigo ficar parado. Em princípio, acho que não vou sair do trabalho. A ficha não caiu ainda”, disse um dos ganhadores, que adquiriu uma das cotas. Descendente de nordestinos que vive há mais de duas décadas em Brasília, ele diz que ainda não teve coragem de falar com seus familiares que vivem na Bahia. “Quero ajudar principalmente minha mãe, que é uma pessoa pobre. Fiquei com medo de ela ter um piripaque se eu contasse que sou um ganhador da Mega Sena”, completou.

Outro, um motorista que diz ter seis cotas (transformadas agora em quase 15 milhões de reais), pode ser um dos primeiros a desertar a equipe. Mas ainda não tem certeza se o fará nem quando. “Ainda não estou acreditando. Ninguém está pronto para ficar milionário de um dia pro outro”, afirmou ele em uma rápida conversa em que quis garantir que não estava sendo gravado. Além de pagar as contas, nenhum dos dois vencedores ouvidos pela reportagem sabia ao certo o que faria com a dinheirama que receberão.

“Tínhamos muitas pessoas humildes entre as ganhadoras. Todo mundo veio trabalhar hoje e disse que continuarão trabalhando. Mas tem gente que ainda está pensando no que vai fazer”, afirmou o deputado Paulo Pimenta, líder do partido na Câmara.

Entre os vencedores estavam copeiras, motoristas, seguranças, auxiliares administrativos, radialistas, analistas de redes sociais, secretárias, assessores técnicos, assessores de comissões e recepcionistas. Não está claro quantos dos 98 funcionários participaram do bolão. Alguns compraram mais de uma cota de 10 reais. Outros, a dividiram em até três pessoas. E vários ou não jogaram porque não estavam presentes —como um que estava em férias— ou porque não tinham dinheiro na hora que venderam as cotas. Nesse grupo estavam quatro copeiras com salários de pouco mais de 1.800 reais. Elas costumavam participar dos bolões da equipe, mas dessa vez ficaram de foram porque estavam sem dinheiro. Para agradá-las, os novos milionários do PT decidiram dividir o bolão com as quatro colegas.

 

Parte dos ganhadores já se apresentou à Caixa, o banco que organiza as loterias brasileiras, para requerer o prêmio. Ele leva até três dias úteis para ser entregue.

Na noite de quarta-feira, assim que a notícia começou a circular na Câmara, vários foram os memes na internet e as provocações na tribuna. Alguns diziam que, depois do prêmio, o PT deixaria de pedir a taxação de grandes fortunas. Outros questionavam, em tom de brincadeira, se o presidente Jair Bolsonaro (PSL) assinaria o cheque de 120 milhões de reais para os funcionários do principal partido da oposição ao seu Governo. Entre os teóricos da conspiração, houve quem dissesse que o PT teria fraudado o concurso. Algo que Pedro Guimarães, o presidente da Caixa, refutou dizendo que as loterias são 100% técnicas e matemáticas.

Mas as últimas 24 horas não foram só de comemoração e brincadeira. Houve os que ultrapassaram a linha do bom senso e do humor. Foi o caso do ministro da Educação, Abraham Weintraub. Em cinco postagens em sua conta no Twitter, ele chamou os funcionários petistas de corruptos. “Grupo do PT fica milionário sem roubar. Parabéns à tigrada. Agora já podem parar de defender o [ex-presidente] Lula”, dizia uma delas. Conforme o deputado Pimenta, o partido irá processar o ministro. “Essas postagens expressam o recalque, o sentimento negativo que ele e seu grupo espalham pela sociedade brasileira”, reclamou.

Adere aThe Trust Project

set
19

Governador Rui Costa (PT) estima que o leilão será realizado até novembro deste ano na Bolsa de Valores de São Pauloão

Pedro Pitombo

Salvador

O governo da Bahia publicou nesta quarta-feira (18) o aviso de licitação para construção e operação da controversa e bilionária ponte entre Salvador a Ilha de Itaparica, cruzando a baía de Todos-os-Santos.
 
Orçada em R$ 5,34 bilhões, a ponte será erguida por meio de uma parceria público-privada, na modalidade concessão patrocinada, na qual o governo a Bahia fará um aporte de R$ 1,51 bilhão. O restante do investimento será feito pela iniciativa privada, que vai explorar comercialmente a ponte ao longo de 35 anos.
 
Quando concluída, será a segunda maior ponte do Brasil —atrás apenas da Rio- Niterói— com 12,4 quilômetros de extensão e um vão central de 85 metros de altura e 400 metros de largura.

Projeto de ponte que ligaria Salvador à ilha de Itaparica, na Bahia – Divulgação

 O governador Rui Costa (PT) estima que o leilão será realizado até novembro deste ano na Bolsa de Valores de São Paulo, com a expectativa da participação de empresas e consórcios nacionais e internacionais.

Detalhes técnicos do projeto foram apresentados em julho deste ano com a presença de empresas como a francesa Vinci, a espanhola Acciona, a italiana Salini Impregilo e grupos chineses CCCC, Concremat e CREC. Também participaram brasileiras OAS e Hydros Engenharia.
 
Caso alguma empresa arremate o obra da ponte, esta será uma das maiores construções em execução no país na próxima década. A estimativa é que construção dure entre cinco e seis anos.
 
Secretário de Desenvolvimento Econômico da Bahia, o vice-governador João Leão (PP) defende a viabilidade econômica e financeira da obra mesmo em um cenário de crise.
 
Ele afirma que a ponte e obras complementares, que incluem duplicação de uma rodovia estadual, atuarão como um vetor de desenvolvimento para a região do recôncavo e sul da Bahia, ao aproximá-las da capital –a distância entre Salvador e Ilhéus, por exemplo, cairá de 452 para 309 quilômetros.
 
“Vamos ocupar uma região que está totalmente abandonada, onde praticamente não existe investimento público”, afirma Leão, que afirma que a ponte terá um impacto econômico semelhante ao do Polo Petroquímico de Camaçari, instalado na Bahia nos anos 1970.

 

A equação financeira para obra, contudo, tem sido alvo de críticas, sobretudo por prever repasses de R$ 1,5 bilhão do governo no quarto e quinto ano da obra, além de contraprestações nos 35 anos seguintes.
 
“Isto é pura maldade com o próximo governador, seja ele quem for, que encontrará seu orçamento de investimentos comprometido com uma única obra”, afirmou em artigo o ex-senador Waldeck Ornelas.
 
Outro ponto criticado é o valor estimado de pedágio para quem atravessar a ponte. O governo da Bahia estima que o pedágio custará entre R$ 22 e R$ 110, sendo R$ 44 para veículos de passeio em dias de semana —valor dez vezes maior do que o cobrado na ponte Rio-Niterói, que é R$ 4,30.
 
Para o vice-governador João Leão, o valor é semelhante ao que se paga para atravessar um carro no atual sistema de ferryboat –R$ 45,70 para veículos de passeio– ou o gasto de combustível que o motorista teria para contornar a baía de Todos-os Santos.
 
Para estimular o movimento pendular entre Salvador e a Ilha de Itaparica, o edital prevê que os motoristas que atravessem a ponte e retornem em menos de 24 horas paguem o pedágio apenas uma vez.
 
Também há preocupação sobre a pressão imobiliária que obra causará na bucólica Ilha de Itaparica, além do aumento do fluxo de automóveis na região do centro de Salvador. Para evitar esta pressão, diz o governo, o projeto prevê um plano diretor intermunicipal para ordenar novas construções.
 
A decisão de construir a ponte entre Salvador e Itaparica foi tomada há dez anos, em 2009, pelo então governador Jaques Wagner (PT). Desde então, o governo da Bahia já gastou mais de R$ 86 milhões em estudos e projetos para construção do equipamento.

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