'Dizem que é o Trump da América do Sul', diz presidente dos EUA sobre Bolsonaro‘Dizem que é o Trump da América do Sul’, diz presidente dos EUA sobre Bolsonaro
 

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mencionou em discurso nesta segunda-feira (14) a comparação feita entre ele e o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro.

“Eles vão ter um novo grande líder, dizem que é o Donald Trump da América do Sul. Vocês acreditam?”, perguntou Trump.

O norte-americano ainda brincou: “E ele [Bolsonaro] está feliz [com a comparação]. Se não estivesse, eu não gostaria do país, mas eu gosto”. A declaração arrancou risos e aplausos da plateia.

A brincadeira foi feita durante um evento em Nova Orleans com fazendeiros e agropecuaristas dos Estados Unidos, em que Trump falou sobre o aumento na exportação norte-americanas.

Segundo o presidente dos EUA, a carne produzida no país tem sido vendida ao Brasil “pela primeira vez desde 2003”.

“Chora Cavaquinho”, Paulinho da Viola e Cesar Faria: Filho e pai, igualmente geniais, reunidos na rara e especial gravação desta obra prima de Waldemar de Abreu (Dunga). Simplesmente sensacional. Confira e comprove.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

Há 13 anos, seis ladrões esvaziaram 147 cofres de um banco na periferia de Buenos Aires e fugiram por um túnel em lanchas infláveis

 Rodolfo Palacios
Buenos Aires
Cena da série espanhola ‘La Casa de Papel’

 Cena da série espanhola ‘La Casa de Papel’

Dentro do banco, seis ladrões e 23 reféns. Fora, mais de 300 policiais, com fuzis e escudos. Do alto, ocultos, quatro franco-atiradores esperando uma ordem. E mais de 20 câmeras que transmitiam a notícia para toda a Argentina. Após cinco horas de tensão, os policiais irromperam no banco, mas os assaltantes fugiram em dois gomones [lanchas infláveis] por um túnel. Além de levarem 15 milhões de dólares, deixaram uma mensagem perto dos 147 cofres que esvaziaram: “Em bairro de ricaços, sem armas nem rancores, é só grana e não amores”.

Passaram-se 13 anos desse grande golpe ocorrido em 13 de janeiro de 2006 na agência do Banco Río em Acassuso, uma zona rica a 21 quilômetros de Buenos Aires. Do botim só se recuperou um milhão de dólares. Os cinco membros da quadrilha foram detidos, mas passaram apenas cinco anos na cadeia. As penas foram reduzidas porque haviam usado armas de brinquedo. Nenhum deles voltou a cometer delitos. Tampouco se sabe o destino do dinheiro. A quadrilha caiu graças à denúncia da esposa de uns dos ladrões. O motivo? Seu marido pensava em fugir com a amante mais jovem.

Além de ser considerado o roubo mais importante da história argentina, o ataque teve um detalhe inovador: Fernando Araujo, o ideólogo e executor do plano. Não tinha um passado de criminoso. Pintava quadros em seu ateliê, a dez quarteirões do banco, e era professor e campeão de jiu-jitsu. Mas um dia lhe ocorreu dar um golpe como nenhum outro.

Rubén Alberto da Torre
Rubén Alberto da Torre
 Quando Araujo começou a recrutar seus companheiros, alguns não acreditavam nele. “Eu o subestimei. Era um grande orador, mas, como vestia roupa suja, tinha a barba crescida e fumava maconha, parecia um boêmio fantasioso, não um homem que queria cometer um grande assalto”, conta Rubén Alberto de la Torre, o primeiro ladrão a entrar nesse banco, de peruca e disfarçado de médico, e gritar: “Mãos ao alto!”.

O líder considerava que poderia ter sido contador, engenheiro, arquiteto, gerente de uma empresa, filósofo ou ator. “Às vezes me pergunto como pode que uma pessoa como eu, com estudos universitários, fruto de uma boa família, de classe média alta, tenha se dedicado a transitar pelo lado marginal”, diz Araujo ao EL PAÍS.

Planejou o assalto durante dois anos. Disse aos seus cúmplices que o objetivo era golpear o sistema capitalista dos bancos, não ir contra o povo. “Temos que ganhar o clamor popular”, disse-lhes. A ideia era enganar a polícia, levando-a a acreditar que eram delinquentes dispostos a matar os reféns, quando na verdade queriam ganhar tempo para esvaziar os cofres e fugirem sem ser vistos.

O roubo foi uma espécie de antecipação do que seria a série espanhola La Casa de Papel: ladrões audazes, que não procuram fazer mal e usam a engenhosidade para dar um grande golpe, sob a batuta de um homem pensante e sem antecedentes criminais.

O roubo do século na Argentina que antecipou a série ‘La Casa de Papel’

O ladrão que falou com o negociador policial foi Luis Mario Vitette Sellanes, que estudou teatro para falar com desenvoltura. Entrou com terno cinza e mascarado. “Fomos como uma espécie de mágicos. Quando entraram para nos prender, não estávamos mais lá. A imprensa dizia que certamente estávamos escondidos. Mas fomos por uma fresta até um túnel que construímos durante um ano e meio”, recorda Vitette. Atualmente vive no Uruguai, seu país, e trabalha numa joalheria. “Tudo legal”, esclarece, por via das dúvidas.

Araujo também diz que deixou o crime. Escreve o roteiro para um filme sobre o roubo e voltou a dar aulas de artes marciais. “A ideia da origem do universo e a ideia do roubo foram as únicas vezes que me geraram uma série de sensações no corpo”, revela. Define-se como um homem espiritual, aficionado da astronomia e do xadrez, que fuma maconha e pinta quadros enquanto escuta Mozart.

A originalidade do assalto deixou muita gente admirada. Pessoas como o cineasta Luis Ortega, diretor do filme El Ángel (indicado ao Goya), e o músico Andrés Calamaro, ex-líder da banda Los Rodríguez, que conheceu três integrantes da quadrilha. Neste domingo, 13, ele lançou sua revista digital Nervio com um artigo escrito por ele, onde se lê: “É a data magna do malandro, deveria ser feriado para todos os bandidos. Tratou-se de um assalto cheio de detalhes, que o tornam único; sem armas nem feridos, o roubo ideológico. O plano perfeito. Literatura, crime, tango, cinema, assaltantes, rock e o território proibido. Os rebeldes. Um sopro de lirismo amoral em um tempo onde descremos de qualquer mecanismo estatal, político ou ideológico”.

Do Jornal do Brasil

 

A ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Tereza Cristina, ironizou a modelo Gisele Bündchen em uma entrevista à Rádio Jovem Pan concedida nesta segunda-feira, 14, dizendo que a brasileira deveria ser uma “embaixadora” do País no exterior, divulgando como o Brasil produz com preservação à natureza.

Tereza criticava a atuação de brasileiros que, como a modelo, crítica a legislação e a atuação do governo na preservação da sua floresta. “É um absurdo o que fazem hoje com a imagem do Brasil. Infelizmente são maus brasileiros. Por algum motivo vão lá fora levar uma imagem do Brasil e do setor produtivo que não é verdadeiro. País nenhum do mundo que tenha lei como a nossa.”

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Tereza Cristina (Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil)

“Inclusive, desculpe, Gisele Bündchen, você deveria ser nossa embaixadora e dizer que seu País preserva, está na vanguarda do mundo na preservação, e não meter o pau no Brasil sem conhecimento de causa.”

Após a entrevista, o perfil de Tereza no Twitter fez uma publicação mencionando o comentário e dizendo que deve enviar um convite “em breve” à modelo.

Gisele fez campanha contra a aprovação do código florestal durante o primeiro governo Dilma Rousseff e, mais recentemente, criticou o governo Michel Temer sobre um decreto que extingue a Reserva Nacional de Cobre (Renca).

‘Não queríamos vingança, só justiça’, diz irmão de vítima de Battisti

 

Jamil Chade, do Estadão, entrevistou por telefone Maurizio Campagna, irmão de Andrea Campagna, uma das quatro pessoas assassinadas por Cesare Battisti.

Policial que havia prendido companheiros do terrorista italiano, Andrea foi morto com cinco tiros por Battisti e um cúmplice, em 1979.

“Quero lembrar, antes de mais nada, que Battisti fugiu da Justiça. Ele matou quatro pessoas. Meu irmão foi morto por ele com cinco tiros de uma pistola Magnum. Minha família está hoje muito satisfeita. Quatro décadas depois, o ciclo da vida está encerrado”, declarou Maurizio.

O irmão de Andrea Campagna acrescentou: “Não queríamos vingança. Só justiça. E ela foi feita. Se ele ficar um dia, um ano ou 30 anos, para mim tanto faz. Cabe à Justiça determinar”.

jan
15
Posted on 15-01-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 15-01-2019


 

Miguel, no (PE)

 

jan
15

Do Jornal do Brasil

 

O procurador-geral de Justiça do estado do Rio de Janeiro, Eduardo Gussem, disse hoje (14) não ter dúvidas de que o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e seu motorista Anderson Gomes está relacionado a grupos de milicianos. Gussem discursou ao ser reconduzido ao cargo para mais dois anos de mandato à frente do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro.
Macaque in the trees
Marielle Franco. (Foto: Renan Olaz/Câmara Municipal do Rio)

“Não tenho dúvidas em afirmar que o caso Marielle e Anderson Gomes está relacionado a essas organizações criminosas”, disse ele. O assassinato completa hoje dez meses e segue em investigação sigilosa na Polícia Civil e no próprio Ministério Público estadual.

Gussen afirmou que as milícias representam “uma forma perversa de plantar o terror e o medo na sociedade” e destacou que, quando confrontadas pelo aparato estatal, elas reagem “com severos ataques a bens públicos e ameaças a autoridades”. O procurador-geral de Justiça lembrou ainda o ataque a tiros sofrido ontem pela delegada e deputada estadual Martha Rocha (PDT), que não se feriu com os disparos contra seu carro, mas teve o motorista baleado. A parlamentar relatou ter sofrido ameaças de milicianos .

“Espero que o lamentável episódio ocorrido ontem com a deputada estadual Martha Rocha não seja mais um capítulo dessa triste e grave história”, disse.

Duas linhas

Ao fim da cerimônia de recondução ao cargo, o procurador-geral de Justiça explicou que o ministério público estadual e a Polícia Civil trabalham em duas linhas de investigação distintas no caso Marielle. Enquanto os promotores cruzam dados do caso com outros processos e organizações criminosas identificadas, a Polícia Civil se debruça sobre o crime de forma mais específica.

“Elas necessariamente não são divergentes, podem até ser convergentes. São linhas que, com o andar dessa análise, podem desembocar na mesma organização criminosa”, disse ele, que ponderou que a investigação da Polícia Civil necessariamente vai passar pela avaliação do Ministério Público quando concluída.

O governador Wilson Witzel (PSC) disse que não teve acesso ao processo, que está em segredo de justiça, mas defendeu que uma resposta seja apresentada à sociedade rapidamente.

“Me parece que as duas têm que andar juntas. Se não for possível, aquela que estiver mais adiantada que dê a resposta pra sociedade. Se você tem uma investigação mais adiantada na policia, que a policia já apresente logo o resultado”, disse ele, que o que se espera do direito penal é uma resposta rápida à sociedade: “É muito melhor apresentar muitas vezes um resultado parcial de uma investigação. O inquérito pode ser cindido e continuar a investigação em outros fatos”.

 

Radical de esquerda italiano, condenado a prisão perpétua por quatro homicídios cometidos nos anos setenta, foi preso na Bolívia. Chegada ao poder do militar da reserva provocou uma guinada radical na política externa brasileira em relação à do PT

 Naiara Galarraga Gortázar
Cesare BattistiCesare Battisti ao ser preso em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, em foto divulgada pelo Governo da Itália. EFE

A prisão do italiano Cesare Battisti, condenado por quatro homicídios cometidos na década de setenta, quando militava num grupo armado de ultraesquerda, serviu ao novo Governo do Brasil para fazer um aceno diplomático à Itália, atacar o Partido dos Trabalhadores (PT) e criar uma potencial dor de cabeça para o presidente da Bolívia, Evo Morales. Cesare Battisti, de 64 anos, foi detido neste sábado à noite em Santa Cruz de la Sierra por uma equipe da Interpol composta por agentes bolivianos e italianos. Battisti fugiu em dezembro do Brasil, onde vivia havia vários anos, depois que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux ordenou sua prisão preventiva para possível extradição. O presidente Jair Bolsonaro e o ministro do Interior italiano, Matteo Salvini, ambos de extrema direita, trocaram felicitações pelo Twitter.

No início da noite, o Governo brasileiro confirmou que Battisti, que atuava num grupo denominado Proletários Armados para o Comunismo, seria entregue diretamente à Itália. O Governo de Bolsonaro, em um primeiro momento, havia alegado que o preso deveria retornar primeiro ao Brasil. Entretanto, ao anunciar a prisão, o primeiro-ministro italiano Giuseppe Conte afirmou que ele seguiria direto de Santa Cruz para Roma. Em nota numa rede social no final da tarde de domingo, Conte agradeceu ao Governo brasileiro pela “colaboração efetiva” que levou à prisão de Battisti. “É um agradecimento com o qual sinto que também posso interpretar o sentimento das famílias das vítimas e de todos aqueles que pediram justiça. Estamos satisfeitos com este resultado que o nosso país tem esperado por muitos anos”, afirmou.

O assassino sentenciado entrou na Bolívia com documentação falsa, segundo uma fonte do Governo boliviano citada pelo France Presse. Ao ser detido, na rua, não opôs resistência. A Itália há anos solicitava ao Brasil que entregasse Battisti, até que no mês passado, em plena transição de governo, sua perseguição foi reativada com um decreto do então presidente Michel Temer. O agora detido se tornou então um elemento central da incipiente relação entre Bolsonaro, ainda como presidente-eleito, e Salvini. O ultradireitista italiano, homem-forte do seu Governo, pediu publicamente e sem rodeios ao seu aliado ideológico que colaborasse. “Darei um grande mérito a Bolsonaro se ajudar a Itália a ter justiça nos dando esse presente”. Um mês depois, Battisti está sob custódia policial e mais perto de ser entregue à Itália.

O presidente Bolsonaro respondeu neste domingo ao líder da Liga italiana, usando também o Twitter – novo canal diplomático por excelência: “Parabéns e conte sempre conosco, ministro Salvini”. Horas antes seu filho Eduardo Bolsonaro, deputado federal, já tinha anunciado ao italiano que “o presentinho está chegando”.

A captura de Battisti foi celebrada na Itália não só por Salvini, mas também por dirigentes políticos como o presidente Sergio Mattarella e o ex-primeiro-ministro esquerdista Matteo Renzi. Um avião italiano já está a caminho da Bolívia para assumir a custódia do detento.

Bolsonaro aproveitou a ocasião para jogar o caso Battisti na cara do PT.  Cesare Battisti conseguiu não ser extraditado para o seu país quando o presidente esquerdista Luiz Inácio Lula da Silva, no último dia do seu segundo mandato (31 de dezembro de 2010), decidiu recusar a ordem de extradição não vinculante ditada pelo STF. “Finalmente se fará justiça com o assassino italiano e companheiro de ideias de um dos Governos mais corruptos que já existiram no mundo”, tuitou neste domingo o novo mandatário brasileiro.

Battisti não é um desses prófugos como os nazistas de antigamente ou o militante de ultradireita espanhol Carlos García Juliá, condenado pelo massacre de Atocha na transição democrática espanhola e detido em São Paulo em dezembro passado. O italiano, diferentemente daqueles, não levava uma vida discreta, tentando passa despercebido. Depois de ser condenado à prisão perpétua na Itália por quatro crimes que diz não ter cometido, Battisti se instalou na França, onde se tornou um bem-sucedido escritor de romances policiais. Em meados dos anos noventa teve que retomar a fuga. Primeiro, para o México; depois para o Brasil, onde se casou e um teve um filho.

A chegada ao poder do ex-militar provocou uma guinada radical também na política externa brasileira em relação à do PT. Bolsonaro participa dessa rede de mandatários nacionais-populistas liderada pelo magnata Donald Trump (Estados Unidos), e na qual militam de maneira destacada Salvini (ministro e líder da xenófoba Liga na Itália), Benjamim Netanyahu (Israel) e Viktor Orban (Hungria). O caso Battisti lhe serve agora para estreitar laços com a Itália.

Paralelamente, a detenção e o processo de entrega poderiam colocar o presidente boliviano em uma posição difícil. Morales é o último dos representantes da esquerda que dominou a América Latina no ciclo anterior que não foi defenestrado por seus vizinhos, e o único mandatário esquerdista da região que compareceu à posse de Bolsonaro 12 dias atrás em Brasília, ato para o qual foram desconvidados os Governos da Venezuela, Nicarágua e Cuba.

“Vano Capricho”, Benny Moré: imortal bolero cubano em rara gravação do  inigualável crooner de orquestra (tirando Sinatra, evidentemente, com Tommy Dorsey, e olhe lá!). Vai dedicada ao jornalista e poeta Florisvaldo, a primeira pessoa na Bahia que vi com um vinil do cubano Benny Moré nas mãos. lá pelos idos dos anos 70, durante uma comemoração festiva (de que não lembro o motivo) na nova sede da sucursal do Jornal do Brasil e Rádio JB-FM Salvador, no bairro Pernambués,  la pelos Anos 70. Inesquecível!!!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

jan
14
Posted on 14-01-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 14-01-2019

DO JORNAL DO BRASIL

Cesare Battisti, ex-ativista de esquerda italiano condenado por homicídios e que foi detido no sábado (13) na Bolívia, passou cerca de 40 anos de sua vida em fuga quase permanente, com períodos de prisão e lutas político-judiciais para evitar a Justiça do seu país.

Condenado à revelia à prisão perpétua na Itália, Battisti, de 64 anos, passou por México, França e Brasil, onde a Justiça rejeitou em um primeiro momento sua extradição para a Itália para depois autorizá-la.

Macaque in the trees
Cesare Battisti (Foto: Marcello Casal Jr/ABr)

A Itália quer punir um dos últimos protagonistas dos “anos de chumbo” de violência dos anos 1970.

Battisti, um poliglota de voz suave e conhecido por suas polêmicas, nasceu no sul de Roma em 18 de dezembro de 1954 em uma família comunista, mas também católica, como ele.

Após passar várias vezes pela prisão por crimes comuns, no final dos anos 1970 entrou para a luta armada dentro do grupo Proletários Armados Pelo Comunismo (PAC).

“Tentar mudar a sociedade com as armas é uma estupidez, mas bom, naquela época todo mundo tinha pistolas”, declarou em 2011. “Havia guerrilheiros no mundo inteiro, a Itália vivia uma situação pré-revolucionária”, acrescentou.

Após ser detido em Milão, Battisti foi preso em 1979 e fugiu em 1981. Em 1993, foi condenado à revelia à prisão perpétua por dois homicídios e por cumplicidade em outros dois, cometidos em 1978 e 1979, crimes pelos quais diz ser inocente.

Após passar pelo México, encontrou refúgio na França entre 1990 e 2004, graças à proteção do ex-presidente socialista François Mitterrand, que se comprometeu a não extraditar nenhum militante de extrema esquerda que tivesse renunciado à luta armada.

Assim como uma centena de militantes italianos dos anos 1970, Battisti refez sua vida em Paris.

Trabalhou como vigia em um prédio e começou a escrever e publicar uma dezena de romances policiais com muitos elementos autobiográficos, que abordam temas como a redenção ou o exílio de ex-militantes extremistas.

 Em 2004, o governo de Jacques Chirac decidiu pôr fim à “jurisprudência Mitterrand” e extraditá-lo.

Apesar do apoio de várias personalidades, como o romancista Fred Vargas ou o filósofo Bernard-Henri Levy, a Justiça francesa recusou o recurso contra a extradição. Battisti, então, fugiu para o Brasil com uma identidade falsa, segundo ele, com ajuda dos serviços secretos franceses.

Depois de três anos vivendo na clandestinidade, em 2007 foi detido no Rio e ficou quatro anos na prisão, onde fez uma greve de fome porque dizia preferir morrer no Brasil a voltar para a Itália.

“Escrever para não me perder na névoa dos dias intermináveis, repetindo-me que não é verdade. Que não sou eu esse homem que os meios transformaram em monstro e reduziram ao silêncio das sombras”, diz em “Minha fuga sem fim”, livro escrito no cárcere.

Em 2009, o Supremo Tribunal Federal autorizou sua extradição, mas deixou a decisão final nas mãos do então presidente Lula, que acaba rejeitando extraditá-lo. Em represália, a Itália chama a consultas seu embaixador em Brasília.

Em junho de 2011, Battisti é libertado e consegue obter a residência permanente no Brasil. Instala-se em Cananeia, litoral sul de São Paulo, onde continua escrevendo e tem um filho.

Mas a Justiça brasileira toma decisões contraditórias. Em 2015, uma juíza da 20ª Vara Federal do Distrito Federal determinou a deportação de Battisti para a Itália. No mesmo ano, ele se casa com a companheira brasileira Joice Lima em um camping de Cananeia.

Dois anos depois, é detido em Corumbá (MS), na fronteira da Bolívia, acusado de querer fugir, e foi mantido monitorado com tornozeleira eletrônica por quatro meses.

Após a eleição, em outubro passado, do presidente de extrema direita Jair Bolsonaro, que prometeu extraditá-lo, Battisti voltou à clandestinidade após 40 anos de fuga até este sábado, quando sua prisão foi anunciada em Santa Cruz de la Sierra, região central da Bolívia.

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