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CRÔNICA/APAGÕES

Apagão com sabor de dèjá vu

Janio Ferreira Soares

Cena 1 – Corria o ano de 2001, Sarney tinha os poderes de Greyskull, o presidente era FHC, Roberto Carlos acabara de cantar Detalhes em seu especial de fim de ano e o PT ainda era um partido que se pensava diferente. No Jornal Nacional Willian Bonner franzia a testa para dizer que sim, a situação dos reservatórios era grave, sim, o apagão viria e sim, só restava rezar para São Pedro mandar chuva, como se o protetor das viúvas e do firmamento tivesse algo a ver com a incompetência tucana. Após o boa noite de Bonner no tom que convém às tragédias, foi ao ar mais um capítulo de O Clone, novela de Glória Perez.

Cena 2 – Corre o ano de 2013, Sarney continua um He-Man acrescido de feições e sabedoria Shaolin, a presidente é a poderosíssima Dilma Rousseff (She-Ra?), o Rei acaba de cantar Detalhes em seu especial de fim de ano e o PT de há muito passou um batom vermelho nos lábios, botou uma minissaia e hoje é figurinha fácil no bailão do cifrão dourado. No Jornal Nacional Bonner franze a testa (agora adornada por uma mecha branca no topete) para dizer que sim, a situação dos reservatórios é grave, sim, o apagão pode ocorrer e sim, é bom rezar para São Pedro, como se as ladainhas atuais fossem chegar mais rapidamente ao destinatário e este, de posse de um tablet de matar Moisés de inveja, daria um toque nas nuvens do Clima Tempo e a chuva jorraria por entre preás e tatus-bola, excetuando-se aqueles que atendem pelo nome de Fuleco. Após o boa noite de Bonner vai ao ar Salve Jorge, novela de Glória Perez. Aí já é dèjá vu demais. Inshalá!

Epílogo – São Pedro procura Deus. “Senhor, não aguento mais levar a culpa pelos apagões”. “Pedrinho, querido (Deus é bonachão), relaxe! Logo cairá a chuvinha de sempre, o BBB voltou, tem a exposição de Sarney no senado… Há quanto tempo você não tira férias? Desça lá, rapaz, aproveite e passe o Carnaval na Bahia. Ah, e dê um abraço na Ivete por mim. Gosto dela”. Enquanto Pedro arruma a mala, só uma dúvida o atormenta: “será que ainda usam mamãe-sacode?”.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura, Turismo e Esportes de Paulo Afonso, no lado baiano do Rio São Francisco que ilumina o Nordeste

Comentários

ISA on 19 janeiro, 2013 at 14:51 #

Jãnio, Com a analogia do déja vu com o apagão, pesado, vc abriu um link especial e nos brindou com o déja vu sempre contemporãneo e quem sabe, pós moderno do nosso R. Carlos. Valeu, estou curtindo. Parabéns Janio, gosto e acompanho seus comentários. Isa


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