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CRÔNICA

Zé Dirceu seria canibal?

Janio Ferreira Soares

Apesar da promessa de não mais escrever sobre o tema, é impossível ficar indiferente à saga da eterna seca, que este ano, em homenagem ao centenário de Luiz Gonzaga, deverá se chamar “Óia eu aqui de novo, rachando!”. A pré-estreia aconteceu em Salvador, onde a presidente Dilma – que deveria ter chegado pilotando um caminhão-pipa -, posou ao lado de governadores com feições calculadamente compungidas, como se alguém ali tivesse boi descarnado no pasto. Fossem sinceros, terminariam a farsa cantando o final de Se Eu Quiser Falar Com Deus, de Gil, que profetiza: “… ao findar vai dar em nada, nada, nada, nada, nada…”.

É por isso que Piaba, prima de Baleia (a vira-lata de Vidas Secas), não se cansa de latir em direção aos helicópteros que passam levando autoridades para visitar as obras de transposição do São Francisco. O sonho dela é que esse pessoal desça só um pouquinho e explique ao povo daqui porque, com o rio tão perto, neguinho ainda continua carregando latas d’água na cabeça. No embalo, ela aproveitaria e daria uma boa mordida na batata de algum ministro ou – quem lhe dera! -, no mocotó de um certo alguém de terninho bege. Pega, Piaba, pega!

P.S. 1 – Soube que os ministros do STF, depois que leram em A TARDE que Zé Dirceu comeu um bode na Bahia, estão discutindo se ele, considerado por muitos o bode expiatório do mensalão, pode ter a pena aumentada pela prática de canibalismo. Segundo Joaquim Barbosa, “alguém capaz de comer um igual e ainda lamber os beiços caracteriza um autoflagelo só cometido por frios e calculistas”. Já Levandowski defende que é preciso provar se a carne era realmente de caprino, “pois há muito cordeiro disfarçado de bode coxeio (olhando cinicamente para Barbosa) por aí. Além disso, cadê a prova material? Cadê as marcas dos caninos de Zé na coluna dilacerada do velho pai-de-chiqueiro (novamente fitando Barbosa estirado numa cadeira ergométrica)?”.

P.S. 2 – É uma honra para este caubói estar no meio do tiroteio proporcionado por Kid Risério e Emiliano Bill. O saloon agradece.

Janio Fereira Soares, cronista, é secretário de Cultura, Turismo e Esportes de Paulo Afonso, na margem baiana do Vale do São Francisco.

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