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09

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OPINIÃO POLÍTICA

Os helicópteros do Samu

Ivan de Carvalho

Uma Indicação de um deputado na maioria das vezes não produz resultado algum, salvo alguma simpatia do setor social, instituição ou comunidade local que procura favorecer. A Indicação é uma sugestão ou recomendação formal, feita por deputado, escrita, dirigida normalmente a alguma autoridade ou instituição, protocolada e, apreciada pela Mesa Diretora da Assembléia Legislativa, quase invariavelmente aprovada.

Sendo mera sugestão ou recomendação, não tem qualquer força mandatória, não vincula a autoridade, órgão ou entidade pública ou privada à qual é dirigida, não concede os meios para que a recomendação seja atendida. É apenas uma forma protocolar do parlamentar apresentar um pleito, seja ele governista ou da oposição, e fazer saber, aos interessados ou possíveis beneficiários, desse esforço dele, desse empenho, no exercício do mandato, para atendê-los.

Por exemplo: o deputado fulano “indica” ao governador do Estado, “com a máxima urgência”, a construção, por muitos e muitos anos ainda inviável, da ponte Salvador – Itaparica. Ao que se seguiria uma “justificativa” que buscaria demonstrar, imaginemos, ser a ponte indispensável para se transitar por cima dela a pé ou em veículos terrestres e, por baixo, em veículos marítimos ou a nado.

Bem, isto seria uma Indicação. Por enquanto, não apresentada, porque a reincidência da ideia da ponte surgiu no Executivo, não no Legislativo, de onde qualquer manifestação seria chover no molhado. E, mesmo no berço, a ideia já não está em pauta. Exigiria demasiados recursos financeiros e atitude política geradora de reações para se tornar economicamente viável. Trata-se de preço, pecuniário e político, muito alto, especialmente quando se tem questões exigindo resoluções muito mais urgentes e também nada baratas para o Estado da Bahia.

Mas o deputado Pastor Sargento Isidório… bem, há, na Bahia, uma espécie de epidemia de parlamentares que fazem seu nome ser precedido pela atividade ou profissão, tipo deputado Bispo Fulano, deputado Delegado Cicrano, deputado Capitão Beltrano, deputado, ah, não, esse não é deputado Coronel Ângelo, é deputado Ângelo Coronel.

Mas voltando ao deputado Pastor Sargento Isidório, motivação remota de todas as linhas anteriores, ele acaba de apresentar uma Indicação ao governador Jaques Wagner, recomendando “a aquisição de helicópteros para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência – Samu”. O objetivo principal, segundo o autor, é “agilizar o atendimento às vítimas dos graves acidentes que ocorrem no Estado, principalmente na capital e região metropolitana, onde os engarrafamentos constantes dificultam a mobilidade da ambulância, resultando em óbitos”.

Depois de descrever detalhadamente as finalidades do Samu, afirma o deputado Pastor Sargento Isidório, do PSB, que o “número de ambulâncias do Samu é insuficiente, diminuído pelas baixas mecânicas dos equipamentos, contrastando com o número elevado de ocorrências registradas”.

Durante a campanha eleitoral, houve críticas da oposição ao governador, por deslocar-se frequentemente em helicóptero da Polícia Militar, evitando os congestionamentos de trânsito. Pessoalmente, nada vejo a criticar nisso, nem penso ser válido o argumento de que o chefe do governo devia meter-se nos engarrafamentos para conhecer a perda de tempo e o aborrecimento que isso representa. Faltaria tempo para as outras coisas. Isso equivale a exigir de Obama que não use o Air Force One e transite pelo mundo em voos comerciais, inclusive nas classes econômicas da TAM e da GOL, com aquela pastinha do código nuclear no bagageiro.

Mas, avaliando a Indicação de Isidório, bem que o governador pode desarmar o ataque da oposição. Basta o Estado comprar a sugestão do deputado e comprar também, digamos, três helicópteros para o Samu usar no raio de ação dessas aeronaves.

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