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Michel Teló agora é afro

Janio Ferreira Soares

Depois das reservas de cotas para afrodescendentes nas universidades federais, o governo resolveu lançar editais que servirão exclusivamente para viabilizar produções e criações artísticas de pessoas negras. Sob a alegação de reparar injustiças passadas, o polêmico anúncio deverá ser feito no Dia da Consciência Negra (22/11) pela nova ministra da Cultura, Marta Suplicy, e certamente vai gerar um furdunço danado, sobretudo entre os branquelos que se acharão, também, discriminados. Mas nada que uma boa temporada no sertão do São Francisco não resolva.

Tomemos como exemplo Michel Teló, que recentemente solicitou ao Ministério da Cultura R$ 1,3 milhões para custear um documentário intitulado “Michel Teló no Mundo” e teve o seu pedido negado. Com essa nova lei ele pode muito bem se embrenhar na catinga sob um sol de torrar calango e, depois de virar um neo-negão, reapresentar o seu projeto com o título de: “Michel dos Palmares no Sertão Afro Delícia”.

Mas as coisas ainda estão meio obscuras. Existirá um padrão de tonalidade para o solicitante? Vale moreno claro? Nos casos suspeitos – como o de Teló – poderá haver exames invasivos, tais como olhar as partes mais cavernosas do corpo para saber se as gradações ocultas combinam com o visual externo? E se mostrar fotos dos ancestrais com os olhos arregalados com medo de tomar leite com manga, aumenta a chance? Espero que essas dúvidas sejam logo esclarecidas para que o Brasil possa ser brindado com uma nova safra de artistas da pesada que, na visão do MinC, ainda não apareceram porque estão esperando uma ajuda oficial que os liberte do manto preto que aprisiona sonhos.

Só não entendo porque Pixinguinha, Riachão, Machado de Assis, Gil, Paulinho da Viola, Lázaro Ramos, Moacir Santos, Milton Nascimento e tantos outros descendentes dos chicoteados d’antanho conseguiram mostrar suas genialidades sem nenhuma espécie de cota. Cheguei até a pensar que fora tão somente pelo talento de cada um. Mas, com toda essa onda, estou quase convencido de que foi milagre de São Benedito.

Comentários

João Carlos on 14 outubro, 2012 at 11:32 #

Leio também, meu Tio, que o governo cogita ampliar a política de cotas tornando-a válida ao ingresso no serviço público. Pelo que absorvi, estuda-se a possibilidade de 30% das vagas dos concursos públicos serem exclusivamente destinadas a afrodescendentes. É, cronista, vamos todos de Dramin. Abraço


marlene on 8 novembro, 2012 at 7:49 #

NOSSO PAIS E UMA MISTURA DE RAÇA NÃO DEVERIAM TER PRIVILÉGIO PARA NINGUÉM. A FINAL QUEM VENDERAM
ELES COMO ESCRAVO PARA OS OUTROS PAÍSES FOI OS PRÓPRIOS NEGROS DA ÁFRICA. SE A UMA DIVIDA E DE
PORTUGAL E DA ÁFRICA.


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